sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

1 domingo da quaresma

Primeiro Dom. da Quaresma 2016 ano C(Diácono Ismael P.S.)

SINOPSE:
TEMA:AS TENTAÇÕES: Muitas tentações nos impedem de renascer para a vida nova.
Primeira leitura:O Centro da vida deve ser a Palavra e não o nosso ego, pois a nossa autossuficiência, orgulho e egoísmo nos leva a caminhos de desumanidade, de desgraça e de morte.
Evangelho: Jesus recusou o poder, o êxito fácil, que passa pelo egoísmo e optou pela partilha, pelo serviço; que não impressionam as massas, mas possui uma proposta de vida plena.
Segunda leitura:Não sejamos arrogantes e autossuficientes em relação à salvação, pois ela é um dom gratuito de Deus e não uma conquista. Da nossa parte cabe a conversão e o reconhecimento de Jesus como salvador e acolher o queEle nos propõe. 

LEITURA I – Deut 26,4-10
Moisés falou: «O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra [ ]. E diante do Senhor, dirás: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito[ ] até se tornar uma nação grande [ ] os Egípcios  sujeitaram-nos a dura escravidão. Então invocamos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz, [ ] O Senhor fez-nos sair do Egito com mão poderosa  [ ] Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, onde corre leite e mel. E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’.

AMBIENTE -O Deuteronômio é o “livro da Lei” descoberto no Templo no reinado de Josias (622 a.C.) Neste livro temos os dados fundamentais da teologia: há um só Deus, que deve ser adorado por todo o Povo; A confissão de fé centrava-se na ação de Deus em favor do seu Povo, sublinhando a libertação do Egito, a marcha pelo deserto e o dom da Terra. Uma dessas leis pedia que fossem oferecidos ao Senhor os primeiros frutos da terra e que o israelita fiel proclamasse, nesse contexto, a sua “confissão de fé” reconhecendo Jahwéh como o único Deus.

MENSAGEM -O gesto de oferecer os primeiros produtos da terra tem como objetivo afirmar que essa Terra é um dom de Deus. Era uma pedagogia divina contra a tentação da idolatria. Por um lado, Israel reconhece quem era o seu Senhor e que tudo era um dom do amor de Jahwéh – não de outros deuses; por outro lado, Israel era convidado a libertar-se do orgulho, do egoísmo, da autossuficiência e a reconhecer que tudo provinha de Deus. Só no amor e na ação de Deus encontrava a vida e a felicidade.

ATUALIZAÇÃO♦Uma das tentações é colocar a vida, a esperança e a segurança nas mãos dos falsos deuses: o dinheiro, o poder, o êxito social ou profissional no lugar de Deus.
♦O orgulho, o egoísmo, a autossuficiência também levam o homem dispensar Deus. Os êxitos são atribuídos ao esforço humano. Deus chega mesmo a ser visto como um estorvo que impede o homem de ser livre e feliz.
♦Tudo o que recebemos é de Deus e não nosso. Somos apenas administradores dos dons que Deus colocou à disposição de todos os homens. Os bens devem ser partilhados.

6. SALMO / 90 (91)
Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!
• Quem habita ao abrigo do Altíssimo / e vive à sombrado Senhor onipotente, /
diz ao Senhor: “Sois meurefúgio e proteção, / sois o meu Deus, no qual confiointeiramente”.
• Nenhum mal há de chegar perto de ti, / nem a desgraçabaterá à tua porta; /
pois o Senhor deu uma ordem aseus anjos / para em todos os caminhos te guardarem.
• Haverão de te levar em suas mãos, / para o teu pé nãose ferir nalguma pedra. /
Passarás por sobre cobras eserpentes, / pisarás sobre leões e outras feras.
• “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo / e protegê-lo,pois meu nome ele conhece. /
Ao invocar-me hei de ouvi-loe atendê-lo / e a seu lado eu estarei em suas dores”.

EVANGELHO – Lc 4,1-13
Jesus, CHEIO DO ESPÍRITO SANTO, voltou do jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito, foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e sentiu fome. O diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». Num lugar alto mostrou-Lhe os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, Se Te prostrares diante de mim». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque Anjos te levarão». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo retirou-se da presença de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

AMBIENTE - Jesus acabou de ser batizado por João e confronta-Se com outras propostas que entram em choque com a proposta do Pai. É catequese a ensinar-nos que Jesus, como nós, sentiu tentações. Sentiu a tentação de êxitos, de aplausos, de poder e de riqueza; Ele soube dizer não a essas propostas que O afastavam do plano do Pai.

MENSAGEM - Lucas apresenta uma catequese sobre as opções de Jesus, em três “parábolas”.
A primeira “parábola” Jesus poderia optar pela riqueza, utilizando o poder para resolver qualquer necessidade material… Jesus sabia que “nem só de pão vive o homem” e que o caminho do Pai não passa pela acumulação egoísta de bens, sugerindo que o seu alimento é a Palavra do Pai.
A segunda “parábola” Jesus poderia escolher um caminho de poder, de domínio, de prepotência, ao jeito dos grandes da terra. Jesus sabe que isto não é do Pai: o poder corrompe e escraviza.
A terceira “parábola” Jesus poderia ter êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado pelas multidões. Dois caminhos: a proposta do Pai e a proposta do diabo. A salvação como um Messias triunfante, ao jeito dos homens ou o caminho de obediência ao Pai e de serviço aos homens, que elimina qualquer concepção do messianismo como poder.

ATUALIZAÇÃO
Temos a lógica de Deus e a lógica dos homens. Jesus pautou pela lógica de Deus.
Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais é fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, é pagar salários de miséria, é gastar fortunas em noitadas ou em coisas supérfluas (enquanto os irmãos gemem a sua miséria).
Existe o impulso de dominar, de ter autoridade, de prevalecer sobre os outros. Por isso os pobres, os humildes têm de suportar atitudes de prepotência, de autoritarismo, de intolerância, de abuso. Este “caminho” é diabólico e não é o caminho seguido por Jesus.
Podemos, também, ceder à tentação de usar os dons de Deus para dar espetáculo e levar os outros a admirar-nos. A isto Jesus responde: não utilizarás Deus em proveito da tua vaidade e do teu êxito pessoal.

LEITURA II – Rom 10,8-13 - [  ] Se confessares que Jesus é o Senhor e acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. A Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». Não importa a diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que O invocam. Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

AMBIENTE - Estamos nos anos 57/58; a convivência entre judeu-cristãos e pagão-cristãos apresenta dificuldades, dadas as diferenças sociais e culturais. A comunidade cristã corre o risco de se dividir… Paulo escreve o que une a todos: a mesma fé em Jesus Cristo e a proposta de salvação que Ele traz.

MENSAGEM - Paulo havia criticado o orgulho e a autossuficiência dos judeus, quanto a salvação: se cumprissem a Lei, Deus não teria outro remédio senão salvá-los. Ora, a salvação não é uma conquista humana, mas um dom gratuito de Deus. Essa autossuficiência dos judeus levou-os a desprezar a salvação de Deus, oferecida gratuitamente em Jesus Cristo. Os pagãos, ao contrário, com simplicidade e humildade, acolheram a proposta de salvação que Jesus trouxe. Aos judeus Basta-lhes acolher Jesus como “o Senhor” e aceitar a sua condição de ressuscitado: isso significa aceitar que Ele veio de Deus e que a proposta de salvação por Ele apresentada tem o selo de Deus. Dessa forma nascerá um povo único, sem distinções de raça, cor ou status social. O que é importante é acolher a proposta de salvação que Deus faz através de Jesus e aderir a essa comunidade de irmãos, “justificados” pela bondade e pelo amor de Deus.

ATUALIZAÇÃO
♦O orgulho e a autossuficiência fecham o caminho para Deus. Os orgulhosos e autossuficientes correspondem aos “ricos” das bem-aventuranças: são os que estão instalados nas suas certezas, no seu comodismo, no seu egoísmo e não estão disponíveis para acolher o amor de Deus. Por isso, são “malditos”: se não abrirem o seu coração a Deus, recusam a salvação que Deus tem para oferecer.
♦Quando nos reunimos em assembleia e proclamamos Jesus como o nosso “Senhor”, somos uma comunidade de irmãos, nem “judeu nem grego”, ou continuamos a ser uma comunidade dividida, com amigos e inimigos, ricos e pobres, negros e brancos, santos e pecadores, superiores e inferiores? Somos convidados a reler o Pai Nosso à luz do Evangelho deste domingo: dá-nos o teu pão para este dia, ajuda-nos a ultrapassar a tentação!

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Homilia de D. Henrique Soares
I
O tempo quaresmal é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs.
Na primeira leitura, o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Por isso eu trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”. Éramos ninguém e o Senhor nos libertou, deu-nos uma vida nova – eis o resumo da história e da experiência de Israel! Esta também é a nossa experiência, como Igreja, Novo Israel: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Também a nossa história é de libertação: éramos escravos, o Pecado que nos destrói e destrói o mundo. Mas Deus enviou o seu Filho numa carne de pecado (numa natureza sujeita às conseqüências do pecado): ele desceu a este mundo e entrou na nossa miséria, até a morte, a nossa morte. Deus o arrancou da morte; ressuscitou-o e fez dele Senhor e Cristo e quem nele crer e confessá-lo como Senhor na sua vida, encontra a salvação; encontra um novo modo de viver, encontra a paz, encontra já agora a comunhão com Deus e, depois, a Vida eterna! Assim, Israel nasceu da Páscoa do deserto; a Igreja nasceu da Páscoa de Cristo. Israel era escravo, atravessou o mar e o deserto e tornou-se um povo livre para o Senhor. Nós éramos escravos, éramos ninguém, atravessamos as águas do Batismo com Cristo, e ainda que caminhemos neste deserto da vida, somos um povo livre para o Senhor nosso Deus.
O tempo da Quaresma prepara-nos para celebrar este mistério tão grande! Recordemos que a ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição, é motivo da nossa comunhão com Deus é a razão da nossa fé cristã! A Igreja nos quer preparar para a santa Páscoa, para que revivamos a libertação que Cristo nos trouxe com a sua vitória. Por isso, a Quaresma é um tempo de combate espiritual e de luta contra o pecado. É um tempo de exame de consciência e de reorientação de nossa adesão ao Cristo Jesus. Só assim, atravessaremos o deserto dos quarenta dias rumo à Terra Prometida da Páscoa de Cristo, que se torna nossa Páscoa. Nosso caminho quaresmal recorda e celebra tantas quaresmas:
A do dilúvio, quando durante quarenta dias e quarenta noites o Senhor Deus purificou a terra e a humanidade;
A de Moisés, que durante quarenta dias e quarenta noites jejuou e orou sobre o Sinai para encontrar o Senhor que lhe daria a Lei;
A de Israel, que caminhou no deserto durante quarenta anos;
A de Elias profeta, que caminhou quarenta dias pelo deserto rumo ao Horeb, monte de Deus;
A quaresma de Jesus, que antes de iniciar publicamente seu ministério, jejuou e orou quarenta dias e quarenta noites. Eis o caminho de Deus, eis o nosso caminho: caminho de busca de Deus, de luta interior, de conversão! Sem Quaresma ninguém celebra verdadeiramente a Páscoa do Senhor!
O evangelho de hoje, apresentando-nos as tentações de Jesus, nos ensina a combater: ele venceu Satanás ali, onde Israel fora vencido:
Israel pecou contra Deus murmurando por pão; Jesus abandonou-se ao Pai e venceu;
Israel pecou adorando o bezerro de ouro; Jesus venceu recusando dobrar os joelhos diante da proposta de Satanás;
Israel pecou tentando a Deus em Massa e Meriba; Jesus rejeitou colocar Deus à prova.
Nas tentações de Cristo estão simbolizadas as nossas tentações: a concupiscência da carne (o prazer e a satisfação desregrada dos sentidos), a concupiscência dos olhos (a riqueza e o apego aos bens materiais) e a soberba da vida (o poder e o orgulho auto-suficiente e dominador).
Ora, Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”. A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado.
Caminhemos neste santo tempo rumo à Páscoa; usemos como armas de combate no caminho quaresmal a oração, a penitência e a esmola do amor fraterno para que, ao final do caminho, sejamos mais conformes à imagem bendita do Cristo Jesus ressuscitado, nosso Senhor e Deus, vencedor do Maligno e da morte, a quem seja a glória pelos séculos. Amém.

Homilia II

Escutaste que o nosso Salvador lutou contra Satanás, e tu, queres seguir o Salvador sem lutar?
Escutaste que ele jejuou, e tu, desejas ser seu discípulo numa vida fácil e sem disciplina, espiritual e corporal?
Satanás propõe um caminho que não é o do Pai, mas sim o da lógica humana: a facilidade de transformar pedra em pão e, assim, saciar-se, escapando da disciplina e da obediência na busca da vontade de Deus;
Propõe o caminho da aliança com os grandes, com os poderes do mundo para ser aceito e triunfar, ao invés do caminho da fidelidade humilde e trabalhosa ao desígnio do Senhor Deus;
Propõe o sucesso fácil, a busca do aplauso, ao invés da humildade de deixar que Deus seja o centro da nossavida.
A grande tentação de Jesus era ser um Messias com a lógica humana e não do jeito de Deus! Mas, não é esta também a nossa tentação, não é este o nosso desafio: viver do nosso modo ao invés de viver do modo de Deus? Fazer do nosso jeito ao invés de convertermo-nos ao jeito do Senhor?
Eis o trabalho quaresmal: Isto é converter-se, mudar de vida, isto é ser cristão verdadeiramente!
Pensai no fiel israelita da primeira leitura, que humildemente, tudo coloca nas mãos do Senhor: “Por isso, agora eu trago as primícias da terra que tu me deste, Senhor!” – assim dizia o judeu em adoração ante o Senhor!
Assim também tu deves fazer, confessando que Jesus é o Senhor e crendo que ele ressuscitou dos mortos! Se tu verdadeiramente fizeres de Jesus o teu rochedo, se o invocares, se não teimares em caminhar do teu modo, tu encontrarás em Jesus a salvação e com ele vencerás toda a tentação e todo o mal. Cumprir-se-á em ti, então, a palavra do Salmista: “Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta!”
Mas, este caminho de conversão não é fácil! É necessária a coragem de combater, utilizando as preciosas armas espirituais que a Igreja nos oferece: a oração, a penitência e a esmola. Caríssimos, não recebamos em vão a graça de Deus! Não sabemos quantas quaresmas o Senhor ainda nos dará nesta vida... Assim, confessemos que Jesus é o Senhor; confessemo-lo com os lábios, confessemo-lo com o coração, mas confessemo-lo também com nossas observâncias quaresmais! E que o Senhor nos conduza a todos à Páscoa deste ano e àquela outra, definitiva, da glória eterna. Amém.

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Breve comentário
No evangelho de Lucas este texto prepara Jesus para a atividade que está para inaugurar, ou melhor, manifesta a sua serena superioridade sobre o adversário que encontrará no ministério. Jesus permanecerá permanentemente fiel à vontade de Deus; nenhuma ambição pessoal, sede de poder ou egocentrismo o afastará da sua missão; vive a sua realidade de Filho de Deus como homem autêntico, sem procurar fugir da condição humana comum a todos.
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Bodeler dizia que a maior tática de satanás é fazer com que se chegue à conclusão de que ele não existe e assim poder trabalhar com maior liberdade. Satanás não se importa com os grandes pecadores, este já estão do seu lado. Satanás não suporta a existência daqueles que levam a sério o evangelho. As tentações de Cristo são as nossas tentações. Cristo as venceu antecipadamente em nosso favor, e durante as nossas tentações podemos já chamar a vitória porque Cristo, o mais forte, está do nosso lado.
 Chave de leitura
Lucas Diz que Jesus “Cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias” (Lc 4, 1-2). Mateus diz que Jesus “foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo” (Mt 4, 1). O relato de Lucas modifica o texto de Mateus de tal maneira que mostra “Jesus cheio do Espírito Santo” a afastar-se por sua iniciativa do Jordão e a ser conduzido pelo Espírito ao deserto durante quarenta dias, onde “é tentado pelo diabo” (Lc 4, 2). O sentido que Lucas quer dar às tentações de Jesus é que elas foram uma iniciativa do demônio e não uma experiência programada pelo Espírito Santo (S. Brown). É como se Lucas quisesse expor com clareza a distinção entre a personagem do diabo e a pessoa do Espírito Santo.
Outro elemento a ter em conta é a ordem pela qual Lucas dispõe as tentações: desertopanorâmicados reinos do mundopináculo de Jerusalém. Em Mateus, pelo contrário, a ordem é diferente: desertopináculoalto monte. A diferença poderia ser explicada a partir da terceira tentação (a culminante): para Mateus o “monte” é o vértice das tentações, porque no seu evangelho coloca todo o interesse no tema do monte (basta recordar o Sermão da Montanha, a apresentação de Jesus como o “novo Moisés”); para Lucas, contudo, a última tentação acontece no pináculo do Templo de Jerusalém, porque um dos pontos de maior interesse para o evangelista é a cidade de Jerusalém (Jesus no relato lucano encontra-se a caminho de Jerusalém onde se cumpre de modo definitivo a salvação) (Fitzmyer).
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Quaresma

Com a quarta feira de cinzas, iniciamos um tempo sagrado na vida da Igreja e de todo cristão:                                a QUARESMA.

Na Bíblia, o número 40 tem um sentido especial: Período de preparação em vista de um grande acontecimento:

- Assim o Dilúvio durou 40 dias e 40 noites...   foi a preparação para uma nova humanidade.
- Durante 40 anos passou Israel no deserto... a caminho da Terra Prometida.
- Durante 40 dias fizeram penitência os habitantes de Nínive... antes de receber o perdão de Deus.
- Durante 40 dias e 40 noites, caminhou Elias até chegar à Montanha de Deus.
- Durante 40 dias e 40 noites, Moisés e Jesus jejuaram no início da Missão.
- Assim os 40 dias da Quaresma, são também um tempo especial de conversão e renovação interior, em preparação da nossa Páscoa.

+ Ao receber as CINZAS, expressamos com humildadee sinceridade de coração, que desejamos nos CONVERTER e CRER de verdade no Evangelho.
As cinzas simbolizam o nosso NADA diante do Criador. Fomos criados do pó da terra e ao pó voltaremos...








Para a Celebração da PALAVRA (diáconos e ministros extraordinários da Palavra):



Louvor: QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR:
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, NOSSO DEUS...
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
ð Pai de bondade, nós vos damos graças pelo nosso batismo quando nos tornastes vossos filhos prediletos. Neste início da quaresma vos recomendamos todos os candidatos a receberem o batismo. Que eles sejam luz e exemplo para a nossa comunidade.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
ð Pai, nós vos damos graças pela fé que recebemos; confessamos que Jesus é o nosso Senhor e acreditamos que O ressuscitastes de entre os mortos e agora está a vossa direita.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
ð Pai, vos damos graças porque temos vosso filho como exemplo fiel á vossa vontade. Enviai-nos o Espírito Santo para que tenhamos força e coragem para progredirmos em vossos caminhos.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
ð Pai, a riqueza, os prazeres e o orgulho muito nos atraem. Ajudai-nos a vencer nossas tentações.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.    
àPai nosso...   A Paz...    Eis o Cordeiro de Deus...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

V Domingo do Tempo Comum, subsídios homiléticos, homilias

V Domingo do Tempo Comum 2016 (adaptado e postado pelo Diácono Ismael P.S.)

Sinopse:
TEMA: “É pela graça de Deus que eu sou o que sou.” Somos todos chamados a uma missão.
Primeira leitura: Isaías é modelo de um homem, que é sensível aos apelos de Deus.
Evangelho: Um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, acolhem as propostas e reconhecem Jesus como seu “Senhor”, e que deixaram tudo para segui-lo. 
Segunda leitura: A ressurreição de Jesus é que nos anima a evangelizar e enfrentar a injustiça.

LEITURA I – Is 6,1-2a.3-8
[ ] vi o Senhor, sentado num trono [ ] serafins de pé, [ ] o templo enchia-se de fumaça. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros,  [ ] Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente [ ] . Tocou-me com ele na boca e disse-me: « [ ] o teu pecado, foi perdoado ». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

AMBIENTE
Estamos em Jerusalém, 740 a.C.. Isaías tem vinte anos. Enquanto está no Templo, descobre que Deus o chama a ser profeta. No entanto, este relato não deve ser visto como uma reportagem jornalística de acontecimentos, mas sim como uma apresentação teológica de uma experiência interior de vocação. Os pormenores folclóricos – o trono alto em que o Senhor Se senta, os “serafins” com seis asas, o fumo – são elementos simbólicos com que o profeta desenha a grandeza de Deus que lhe chamou.

MENSAGEM
Isaías deixa claro que a sua vocação é obra de Deus.
Em segundo lugar, Tem consciência dos seus limites. A “purificação” sugere que a indignidade e a limitação não são impeditivos para a missão.
Em terceiro lugar, temos a aceitação da missão pelo profeta.

ATUALIZAÇÃO
 Deus nos chama  para a missão e espera uma resposta.
A missão frequentemente está associada a dificuldades, a sofrimentos, e a conflitos.
♦  Minhas limitações não servem de desculpa para a missão que Deus quer confiar: Ele dará a força para superar os limites.

SALMO RESPONSORIAL / 137 (138)
Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.
• Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, / porque ouvistes as palavras dos meus lábios! /
Perante os vossos anjos vou cantar-vos / e ante o vosso templo vou prostrar-me.
• Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, / porque fizeste muito mais que prometestes; /
 naquele dia em que gritei, vós me escutastes / e aumentastes o vigor da minha alma.
• Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, / quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. /
Hão de cantar vossos caminhos e dirão: / “Como a glória do Senhor é grandiosa!”
• Estendereis o vosso braço em meu auxílio / e havereis de me salvar com vossa destra. /
Completai em mim a obra começada. / Ó Senhor, vossa bondade é para sempre! /
Eu vos peço: não deixeis inacabada/ esta obra que fizeram vossas mãos!

EVANGELHO – Lc 5,1-11
[ ] a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas[ ]. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se rompiam. Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”. [ ] Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

AMBIENTE
Estamos na Galileia, no início do ministério de Jesus. Lucas apresentou o programa de Jesus na sinagoga de Nazaré como anúncio da Boa Nova aos pobres e a libertação dos prisioneiros… Agora, começam a notar-se os primeiros resultados da atividade de Jesus: à sua volta formar-se o grupo dos que foram sensíveis a essa proposta de salvação e seguiram Jesus.

MENSAGEM
O texto é uma catequese da identidade cristã:
- Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco”. É desse barco, que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo, propondo a todos a libertação.
- Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar.
- Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor”: é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos.
- Ser cristão é, em quarto lugar, aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens. O “mar” no ideário judaico: era o lugar dos monstros que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Ser “pescadores de homens” significa que a missão do cristão é continuar a obra libertadora de Jesus. Trata-se de salvar o homem de morrer afogado no mar da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo.
- Ser cristão é, finalmente, deixar tudo e seguir Jesus.

ATUALIZAÇÃO
 Estamos no barco de Jesus? Ouvimos suas propostas ou as do mundo?
Chamados a ser “pescadores de homens”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens de viver com dignidade e de ser felizes.
 Deixamos tudo na praia para seguir Jesus?

LEITURA II – 1 Cor 15,1-11
Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e [ ]  pelo qual sereis salvos. [ ]  Transmiti-vos  [ ] o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados [ ]; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos [ ]. Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. E [ ], apareceu-me também a mim, como o abortivo. [ ] a graça que Ele me deu não foi inútil. [ ] pregamos; e   vós  acreditastes.

AMBIENTE
A ressurreição dos mortos era relativamente bem aceita no judaísmo, habituado a ver o homem na sua unidade; mas constituía um problema para a mentalidade grega. Porquê? A cultura grega, era influenciada por filosofias dualistas (Platão) que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre, recusava-se a aceitar a ressurreição do homem integral. Como poderia o corpo que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal, na opinião dos filósofos gregos – seguir a alma? É a esta questão posta pelos Coríntios que Paulo vai responder neste texto.

MENSAGEM
A argumentação de Paulo é simples: nós ressuscitaremos, porque Cristo já ressuscitou. A comprovação do fato resulta dos outros dois elementos. No que diz respeito ao testemunho das escrituras, Paulo não cita diretamente nenhum texto da Sagrada Escritura em favor da sua tese; mas podemos pensar que  Paulo está referindo a Is 53,8-12 (o quarto poema do Servo de Jahwéh) e a Os 6,2. No que diz respeito às testemunhas da ressurreição de Jesus, Paulo cita seis manifestações de Jesus ressuscitado. Notemos que os apóstolos (Paulo incluído) não testemunharam o momento da ressurreição, mas a experiência de um Jesus que continuou vivo depois da morte. O ressuscitado fez-se presente na vida destes homens. A ressurreição de Cristo é um fato real, mas ao mesmo tempo sobrenatural e meta-histórico, algo que ultrapassa completamente as categorias humanas de espaço e de tempo, a fim de entrar na órbita da fé. É algo que a ciência histórica não pode demonstrar, porque corresponde a uma experiência de fé. O que, historicamente, podemos comprovar, é a incrível transformação dos discípulos que, de homens cheios de medo, de frustração e de covardia, se converteram em arautos destemidos de Jesus, vivo e ressuscitado. Além do mais, a ressurreição é um fato que ocorreu, mas que continua a ocorrer; continua a ter a eficácia primitiva, continua a ser capaz de converter em homens novos, a quantos aceitam Jesus pela fé. A comunidade cristã é convidada a fazer esta descoberta, a partir das Escrituras, do Espírito e da própria vida nova que continuamente vai nascendo nos cristãos.

ATUALIZAÇÃO
 Essa ressurreição é que afirmamos no credo e continua a acontecer na nossa vida e na nossa história, gerando vida nova, libertação, amor, numa contínua manifestação de Primavera para nós.
A ressurreição de Cristo garante-nos que não há morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justiça, pela verdade, pelo projeto de Deus. A certeza da ressurreição encoraja-nos a lutar, sem medo, por um mundo mais justo, mais fraterno e mais humano.

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"O Chamado"

Ao longo da história, Deus sempre chama pessoas e as envia para realizar os seus planos.
As Leituras bíblicas de hoje nos falam de TRÊS CHAMADOS:

Na 1ª Leitura, temos o Chamado de ISAÍAS.  (Is 6,1-8)

- Deus se revelou a ele, quando estava em oração no templo.
- Inicialmente, ele se sente pequeno e indigno.
  Prefere continuar no seu cantinho cômodo, sem se comprometer.
- Um anjo lhe toca os lábios com uma brasa, purificando-o para a missão.
- Deus então pergunta: "Quem vou enviar?"
  Isaías, sensível ao apelo de Deus, aceita: "Eis-me aqui, envia-me".

* Vemos aqui os PASSOS DA VOCAÇÃO:
- A iniciativa é sempre de Deus
- A primeira reação é sempre a mesma: "não sou capaz". "Não sou digno".
- Mas quando nos colocamos numa atitude de disponibilidade, Deus nos purifica e fortalece, e acabamos dando conta do recado.

Na 2ª Leitura, PAULO conta o seu Chamado. (1 Cor 15,1-11)

Ele se considera o "último" dos apóstolos... como um "abortivo".
Mas no encontro com Cristo a caminho de Damasco, responde: "Senhor, que queres que eu faça?"

No Evangelho temos o Chamado dos Primeiros APÓSTOLOS. (Lc 5,1-11)

 - Jesus na Barca de Pedro fala ao povo... e depois os convida a pescar...
 - Pedro confia na sua palavra e acontece a pesca milagrosa...
 - Pedro também se sente indigno...
 - Jesus convida: "Doravante serás pescador de gente."
 - E eles aceitam o convite: "Largam tudo e o seguem..."

O texto apresenta uma Catequese sobre: O QUE É SER CRISTÃO.

- É ESTAR com Jesus "no mesmo barco".
  É desse barco (a comunidade cristã), que Jesus fala ao mundo.

- É ESCUTAR a proposta de Jesus, fazer o que ele diz, mesmo quando suas propostas podem parecer ilógicas e incoerentes.
  "Porque tu o dizes, lançarei as redes".

- É RECONHECER Jesus como "o SENHOR": É o que Pedro faz, ao perceber que a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos.

- É ACEITAR a missão que Jesus propõe: Ser pescador de gente: Significa continuar a obra libertadora de Jesus.

- É DEIXAR tudo e seguir Jesus.
  A generosidade e o dom total devem ser sinais distintivos dos que o seguem.

O texto é rico de outros detalhes:

- Jesus proclama a Palavra da Barca de Pedro:
   Essa barca representa a comunidade cristã. (Jesus foi expulso da sinagoga)
   Embora ocupada por pecadores, é dessa barca que ecoou a voz de Deus.
- O Anúncio da Palavra acontece num dia de semana: no ambiente de trabalho, sem ser no sábado...  
   A Palavra de Deus deve ser anunciada sempre e em todos os lugares...
- "Avança para águas mais profundas"... É o convite para os novos pescadores superarem a rotina da ação pastoral, sempre agarrada às margens que não dão mais peixe! Precisa buscar sempre um novo jeito de "pescar".
- É Pedro quem conduz a barca para o lugar indicado... e a ele Jesus diz: "Serás pescador de homens..."
   A ele é confiado um ministério especial na Igreja, que navega nos mares da história...
- A Pesca milagrosa não é resultado da habilidade de Pedro, mas da força da Palavra de Deus.
   Por que muito trabalho não produz fruto?  Em nome de quem estamos pescando?
- A Missão é ser pescador de gente: Jesus escolhe pessoas simples para uma missão tão importante...
   Deus não olha tanto as qualidades humanas... mas a generosidade... 

 - Essa Missão é confiada a toda a Comunidade, apesar de suas limitações.
    Deus só espera a disponibilidade em acolher o seu convite e deixar tudo...

* Todos somos chamados por Deus a sermos profetas como Isaías, e pescadores de homens como Pedro.
- O chamado pode chegar até nós através do padre... da comunidade...
  Vocês não imaginam como é difícil essa missão de convidar!...
   "Quem poderia, não aceita... e quem aceitaria, a comunidade não aprova!..."

Qual é a nossa RespostaAcolhemos com a generosidade...
- de Isaías: "Eis-me aqui... envia-me..."
- de Paulo: "Senhor, que queres que eu faça?"
- dos primeiros Apóstolos: "Largaram tudo e o seguiram"

Às vezes, esquecendo que somos pecadores, podemos confiar demais em nós, ou então não confiar em nós e na ação de Deus em nós.
- Se confiarmos na força da Palavra de Deus e tivermos a coragem de deixar tudo, a pesca milagrosa continuará acontecendo, ainda hoje...

  Cristo ainda hoje precisa de pescadores de gente.
  Ele pode contar com você?

                                           Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

A Palavra de Deus é dirigida a cada um de nós. A última frase da primeira Leitura diz: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».
Ora, a coragem do profeta Isaías, com toda a sua juventude, a disposição de Paulo, com todo seu selo em pregar a Palavra e a missão, que Jesus atribui a Pedro, para que seja pescador de homens, são três exemplos de como nós poderíamos responder ao chamado, que Deus nos faz a cada dia. O ambiente é a liturgia, o ambiente é a Celebração, o encontro com Deus. Este é o lugar adequado, o melhor de todos, para respondermos ao chamado de Deus. Veja como é interessante: Diz a primeira leitura, que diante dos cânticos, que eles cantavam, até os ferrolhos das portas tremiam e a fumaça ocupava o Templo todo. São dois pontos, sobretudo, muito presentes na nossa Liturgia e muitos católicos não se dispõem em fazer. Eu não estou falando de quem está aqui, mas de quem não tem o hábito de participar da Celebração Eucarística (missa). Simplesmente não cantam. Vai para ouvir e assistir os outros cantarem. Aqui diz, que é um elemento para ajudar você a encontrar-se com Deus. Isaías conseguiu ver a face de Deus, durante os cânticos e muitas vezes, quando utilizamos o incenso, somos criticados, quando dizem: esta fumaça toda, para que? O incenso é um recurso utilizado para nós nos sentirmos mais próximos de Deus, como se estivéssemos, assim, nas nuvens. São dois elementos, que não são, assim, essenciais, mas que facilitam a nossa experiência diante de Deus. Só que temos uma dificuldade: a dificuldade do pecado. Todos nós somos pecadores. Na medida em que vamos perdendo a inocência, eu não estou dizendo de sexo, mas de todo sentido de pecado, nós vamos nos sentindo mais distantes de Deus. Por conta disso, achamos que é melhor se afastar de Jesus, do que assumir a nossa realidade de pecadores. Olha a reação de São Pedro: “afasta de mim, Senhor, porque sou pecador”. Quem de nós está, cem por cento, pronto para se colocar diante de Deus? Esta é a grandeza do cristianismo. Nós não precisamos estar formados para podermos Evangelizar, porque nunca estaremos formados. Nós somos sempre discípulos e o mestre é sempre Jesus. Quando acharmos que encontramos Jesus, Ele vai dizer: vá para a Galiléia, porque lá eu te precedo. Então, não adianta acharmos que estamos prontos. Não. Ora, então, o que fazer? Nem estou pronto e sou pecador. Confiar na graça de Deus. Este é o segredo. Quem é que, de fato, está pronto para assumir a sua missão de evangelizador como leigo? Leigo são as pessoas que não são padre, nem frei, nem freira, mas que são chamados a evangelizar. Quem é que está cem por cento digno para presidir uma Eucaristia? Quem é que está cem por cento coerente com a sua vida, para se apresentar como frei ou freira? Que é o sinal do Reino de Deus já implantado. Claro, que estou generalizando e cada um vai responder por si próprio. O fato é que utilizamos, muitas vezes, da desculpa do pecado e do não preparo, para não assumirmos a nossa missão de evangelizadores. O profeta Isaías, São Paulo, acreditaram na graça de Deus e, por isso, assumiram o seu trabalho. Isaías fez o que? Senhor, eu sou um pecador. Ora, na medida em que ele confessou esta sua realidade, então, ele foi purificado, diz a primeira leitura. Aí tornou-se apto, pronto, para anunciar a Palavra e apresentou-se: Eis me aqui. Envia-me. Quem crê na graça de Deus, não tem medo de dizer isto: “envia-me”. Ora, São Paulo é um outro exemplo. Muita gente diz: “ih, se eu for contar a minha vida! Nossa, não acaba nunca”. São Paulo diz isto: Eu sou como um abortivo. Nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque eu perseguia a Igreja. Ele, até com boa vontade, ele não era ruim não. Ele até apostou na morte: ele achou que matando as pessoas, ele iria resolver os problemas da vida dele. Ele queria defender a fé em Deus. Ora, foi aos poucos que foi dando conta do seu grande equivoco e torna-se, assim, um grande anunciador do Evangelho. Aliás, ele exagera um pouco: ele diz: trabalhei mais que todos os apóstolos juntos. Isto é um exagero! Quem é que pode provar que eu trabalhei mais na evangelização do que você? Quem é que pode medir, a não ser Deus? Entretanto, ele se dá conta do exagero e diz: eu não! A graça de Deus que está em mim. Então, é confiando na graça de Deus, que nós somos capazes de realizar alguma coisa. Ah, mais hoje ninguém quer ouvir a Palavra! O Evangelho nos instiga, dizendo que todos estavam amontoados, querendo ouvir a Palavra. E, hoje também. Dificilmente você não encontra alguém que não tem sede de Deus, porque na realidade, todo mundo quer ser feliz e é Deus que nos dá felicidade. Agora, é preciso que alguém saia anunciando. É evidente, que sair anunciando não é ir numa praça pública todos os dias. De vez em quando, sim, quando  você quer dar uma mensagem ou outra, como nós mesmo já fizemos isto. Mas, o anúncio é a partir de nossa postura, do nosso testemunho, da nossa maneira de se apresentar ao mundo. Ora, ,só crendo na Graça de Deus, que nós vamos nos dispor a ouvir a Palavra e anuncia-la. É nesse encontro de domingo, é um oásis, é um momento onde eu paro, cansado da missão da semana, ouço a Palavra, me reanimo, tomo o alimento, que é a Eucaristia, me reforço e saio para realizar esta missão. Até quando? Até o dia da morte. E, agente morre, quando termina a nossa missão. É nisto que nós cremos. De fato, queremos conduzir as pessoas a Deus, mas também queremos nos encontrar  com Deus. Diante de tanta coisa a fazer, a tentação é dizer como Pedro: eu sou muito pequeno. Não tenho condições de realizar isto. Não! Somos equivocados. Nós somos pequenos, mas não sou eu que faço. Eu me disponho a levar a graça. Deus é quem faz. Aquilo que eu não conseguir fazer, outros farão. Se outros não fizerem, Deus fará, porque é a sua graça que realiza. Então, agradecer a Deus e dizer: eis me aqui, Senhor. Envia-me.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho Diocese de Santo André, SP

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 Homilia de D. Henrique Soares

Caros Irmãos, sigamos de perto este Evangelho de hoje, V Domingo Comum. Jesus aparece à margem do Mar da Galileia – ou Mar de Tiberíades, ou Lago de Genesaré. Trata-se daquele lago formado pelas águas do Jordão. Aí Jesus pregou e viveu a maior parte do seu ministério, aí fez seus milagres, aí contou aquelas parábolas tão bonitas, que encantam ainda hoje o nosso coração peregrino.
O Senhor está às margens desse lago e a multidão se apinha na praia para escutá-lo. Diz o Evangelho deste hoje que todos queriam “ouvir a Palavra de Deus”. É o que tanto atrai em Jesus: ele fala do Infinito, ele traz o Céu, traz Deus para este mundo cansado, para o coração humano tão sedento, tão vazio, tão ferido... Mais ainda: o nosso bendito e santo Salvador não somente traz a Palavra, mas ele próprio é essa Palavra: “No princípio era a Palavra, o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória!” (Jo 1,1.14). Pensai bem meus caros, porque ainda hoje é assim: a humanidade tem sede dessa Palavra e a Igreja somente atrairá o mundo quando anuncia esta Palavra bendita, que é Jesus. Não se trata de inventar tantos programas de pastoral, de aparecer com tantas novidades e muito menos d e se adequar aos modos e modas do mundo, mas de ser transparência viva de Jesus, de sua encantadora Pessoa e da Palavra que ele anuncia!
E o Senhor entra na barca de Pedro – recordai que no Evangelho, a barca é imagem da Igreja. É na Igreja de Pedro, na Igreja de Bento XVI que Jesus se encontra e aí, pela voz da Igreja, da Mãe católica, ele ainda hoje nos faz ouvir a sua voz, que é luz, que é doçura que inebria o nosso coração! Que cena tão comovente: a barca a uns poucos metros da praia, Jesus nela sentado ensinando, o povo sentado à margem do lago, e o vento, trazendo aos ouvidos da multidão as palavras de vida eterna, a bendita mensagem que vem do infinito para o nosso mundo sofrido e cansado...
E ao terminar, Jesus diz a Pedro – e diz a nós, a cada um e à sua inteira Igreja: “Avança para as águas mais profundas, conduz o barco para o mar alto, e lançai vossas redes para a pesca!” O mar do mundo, o mar da vida, o mar do dia-a-dia, o mar das mil dificuldades e desafios do mundo atual – eia onde o Senhor nos envia! E Pedro, cansado e desiludido, pois que passara a noite num mar que não estava para peixe, diz a Jesus o que nós deveremos sempre dizer: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Estamos cansados e desiludidos, sentimo-nos sem forças, sem motivação... Mas, porque tu mandas, na tua palavra, lançarei as redes!” Ah, queridos irmãos meus, companheiros de caminho neste mundo, companheiros na barca de Pedro, que é a Igreja, por que temos medo? Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas f orças, não é a esperteza dos nossos planos de pastoral: é ele quem nos sustenta, é ele quem nos inspira o que dizer, é ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro!
E Simão, diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada Domingo: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vos o Altíssimo”? Não é ele, a quem os anjos aclamam no céu dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? Pedro prostra-se ante Jesus e confessa humildemente ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o teu santo serviço!” - eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu deras pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “ Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! E, no entanto, ele nos escolheu, nos chamou, ele nos enviou, a cada um de nós, seus discípulos – apesar de nossa fraqueza e de nossas mil infidelidades! Cristão, tu não és melhor que ninguém, não és pior que ninguém; mas és diferente: és de Cristo, és por ele escolhido, consagrado e enviado ao alto mar do mundo para aí testemunhares o seu santo nome!
E este testemunho, caríssimos, não pode ser outro que aquele de Paulo, da Igreja dos Apóstolos e de todos os tempos: o anúncio de Jesus tal qual é conservado e proclamado de modo íntegro pela nossa Mãe católica: “Cristo, o único Salvador, morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” – Buda não salva, Maomé não salva, os orixás não salvam e sequer existem! Somente Cristo morto por nós é o Salvador! Ele “foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras”. Nele, caríssimos, a morte foi vencida! Ele está vivo e apareceu primeiro a Simão-Cefas, aquele mesmo que foi feito pescador de homens, aquele de quem Bento XVI é legítimo Sucessor; e apareceu aos Doze, aqueles mesmos que têm como sucessores os Bispos católicos. Apareceu a Tiago e também a mais de quinhentos irmãos, a maioria dos quais ainda vivia na época de Paulo Apóstolo. Por último apareceu a Paulo – e o próprio Apóstolo hoje dá testemunho de que viu o Senhor vivo, ressuscitado, vitorioso!
Queridos irmãos, se o Senhor está vivo, se o Senhor é aquele proclamado no Evangelho tal como conservado pela santa Igreja católica, por que ter medo? Por que a falta de convicção? Por que a covardia em dizer aos quatro ventos dos quatro mares que Jesus é o Senhor, único Salvador?
Jesus, vivo para sempre! Jesus presente na tua Esposa católica, nossa Mãe amada, Jesus ajuda-nos a sermos tuas testemunhas, apesar de nossa indignidade e fraqueza, apesar de nossa covardia tantas vezes! Jesus, torna cheia a rede da tua Igreja, não segundo os nossos modos e prazos, mas unicamente segundo a tua santa vontade! A ti a glória, ó Salvador, hoje e para sempre. Amém!
D. Henrique Soares

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Celebração da Palavra ( Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra)

Louvor: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR O NOSSO ...
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus,  NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, vos agradecemos pelo vosso imenso amor.
à “Deus Altíssimo, Rei e Senhor do universo, juntamo-nos à imensa multidão celeste para Vos aclamar: Santo, Santo, Santo... Toda a terra está cheia da Vossa glória! - Pai, que desejais vos fazer conhecido: enviai os vossos mensageiros, para que o vosso Nome seja santificado em toda a terra.”
T: Senhor, vos agradecemos pelo vosso imenso amor.
à Senhor, bendito sejais pelo convite que dirigis a todos para que sigamos o vosso Filho Jesus Cristo. Senhor, sabeis que somos fracos e muitas vezes nos desviamos do reto caminho. Pai, enviai-nos o Espírito Santo para que sejamos fortalecidos e encorajados pelas palavras de Vosso Filho que nos instrui e nos transforma.
T: Senhor, vos agradecemos pelo vosso imenso amor.
à “Pai, nos Vos damos graças pela Boa Nova de Jesus ressuscitado, Ele que foi manifestado aos Apóstolos e revelado a todos aqueles que vos procuram com fé. Bendito sejas pelo testemunho dos apóstolos  transmitido de geração em geração. Senhor, salvai-nos e acolhei a todos nós em vosso Reino.
T: Senhor, vos agradecemos pelo vosso imenso amor.
à Senhor, abri nossos ouvidos quando vossa Igreja nos instrui através de seus ministros. Abri o nosso coração para que possamos acolher a vossa Palavra. Abri nossos olhos para que vejamos a obra de vossa criação. Enviai o Espírito Santo para que tenhamos ardor missionário de levar o vosso nome a todos os irmãos.
T: Senhor, vos agradecemos pelo vosso imenso amor...
à  PAI NOSSO...         A PAZ DO SENHOR...            CORDEIRO DE DEUS.