quinta-feira, 24 de outubro de 2019

30º Domingo do Tempo Comum C, homilias, subsídios homiléticos


Lc 18, 9-14 \ \ \  30º Domingo do Tempo Comum C

(SINOPSE)
TEMAA HUMILDADE - “Deus escuta a oração dos humildes!”

Primeira leitura: Deus ama os humildes e escuta as suas súplicas.
Evangelho: Jesus conta a parábola do publicano e do fariseu quando oram no templo.
Segunda leitura: Paulo convida a viver com entusiasmo e confiança na misericórdia de Deus.
                                                                                                                                               
PRIMEIRA LEITURA (Eclo 35, 15b-17.20-22a) Leitura do Livro do Eclesiástico.
O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido, e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento.

AMBIENTE - O livro de Ben Sira (Eclesiástico) foi escrito nos inícios do séc. II a.C., quando os selêucidas dominavam a Palestina e a cultura helênica colocava em risco a cultura, a fé e os valores judaicos. O autor defende o patrimônio cultural e religioso do judaísmo.
MENSAGEM - Jesus Ben Sira insiste em que Deus escuta sempre as preces dos débeis e que está atento aos gritos de revolta daqueles que são vítimas da injustiça. Assim, os humildes que sofrem a opressão e a prepotência dos poderosos são convidados a apresentar a Deus as suas queixas, até que Ele restabeleça o direito e a justiça.
ATUALIZAÇÃO  a “verdadeira religião” não passa pelos ritos, mas pelo amor aos irmãos.  Não é verdadeira a religião daqueles que aos domingos pagam o dízimo, mas não respeitam a dignidade e a liberdade dos outros. Uma religião desligada da vida é uma religião falsa.
 Deus não deixa passar em claro qualquer injustiça cometida contra o pobre.
A oração do pobre chega sempre aos ouvidos de Deus…

SALMO RESPONSORIAL 33 (34)
O pobre clama a Deus e ele escuta; o Senhor liberta a vida dos seus servos.
• Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, / seu louvor estará sempre em minha boca. / Minha alma se gloria no Senhor; / que ouçam os humildes e se alegrem!
• Mas Ele volta a sua face contra os maus, / para da terra apagar sua lembrança. / Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta / e de todas as angústias os liberta.
• Do coração atribulado ele está perto / e conforta os de espírito abatido. / Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, / e castigado não será quem nele espera.

EVANGELHO (Lc 18, 9-14) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu; o outro, cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado; o outro, não. Pois quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”.

AMBIENTE - Jesus fala aos que se consideravam justos e desprezavam os outros”. Os “fariseus” eram os defensores intransigentes da “Torah”; no dia a dia, procuravam cumprir escrupulosamente a Lei: só assim – pensavam eles – o Povo chegaria a ser santo. Os “publicanos” estavam ligados à cobrança dos impostos romanos. estavam afetados de impureza e não podiam fazer penitência. Quem exercia tal ofício, estava privado de certos direitos cívicos, políticos e religiosos; por exemplo, não podia ser juiz nem prestar testemunho em tribunal.
MENSAGEM - O fariseu é o modelo de um homem irrepreensível face à Lei, que cumpre todas as regras. O problema do fariseu é que pensa ganhar a salvação com o seu próprio esforço. Para ele, a salvação não é um dom de Deus, mas uma conquista do homem; se o homem levar uma vida irrepreensível, Deus não terá outro remédio senão salvá-lo. Essa auto-suficiência leva-o, também, ao desprezo por aqueles que não são como ele … O publicano, ao contrário, apoia-se apenas em Deus e não nos seus méritos. Ele apresenta-se diante de Deus de mãos vazias e sem quaisquer pretensões … E Deus “justifica-o” – isto é, derrama sobre ele a sua graça e o salva.
ATUALIZAÇÃO   Deus não é um contabilista, mas é o Deus da bondade, do amor, da misericórdia, sempre disposto a derramar sobre o homem a salvação como puro dom.
A certeza de possuir qualidades e méritos em abundância, acaba por gerar o desprezo pelos irmãos. Então, criam-se barreiras de separação e exclusão…

SEGUNDA LEITURA (2Tm 4, 6-8.16-18) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo, quanto a mim eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

AMBIENTE - É uma época de perseguições, de divisões, de heresias e, portanto, de confusão e de desânimo. Nesse contexto, um cristão anônimo, usando o nome de Paulo, escreveu a pedir aos seus irmãos na fé que se mantivessem fiéis à missão que Deus lhes confiou. O seu objetivo era revitalizar a fé e o entusiasmo dos crentes.
MENSAGEM - A vida de Paulo foi, desde o seu encontro com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco, uma resposta generosa ao chamamento e um compromisso total com o Evangelho. Por Cristo e pelo Evangelho, Paulo lutou, sofreu, gastou a sua vida, para que a salvação chegasse a todos os povos da terra. Resta-lhe receber essa coroa de glória, reservada aos atletas vencedores. Há duas maneiras de dar a vida por Cristo: uma é gastá-la dia a dia na tarefa de levar a libertação que Cristo veio propor; outra é derramar, de uma vez, o sangue por causa da fé e do testemunho de Cristo… Paulo conheceu as duas modalidades. Daí o louvor com que Paulo termina: “glória a Ele pelos séculos sem fim. Amem”. É esta a atitude que o autor da carta pede aos seus irmãos: apesar do desânimo, do sofrimento, da tribulação, descubram a presença de Deus, confiem na sua força, mantenham-se fiéis ao Evangelho: assim recebereis, sem dúvida, a salvação definitiva que Deus reserva a quem combateu o bom combate da fé.
ATUALIZAÇÃO
Paulo é um modelo e um testemunho que deve interpelar, desafiar e inspirar cada crente.
 Aquele que escolhe Cristo não está só, ainda que tenha sido abandonado e traído por amigos e conhecidos; o Senhor está a seu lado, dá-lhe força, anima-o e livra-o de todo o mal.
Santo Agostinho dizia que “a fé não é para os soberbos, mas para os humildes”. Somente aquele que se sabe pequeno e frágil, imperfeito e limitado diante de Deus reza de verdade. Por isso o Eclesiástico afirma que “a prece do humilde atravessa as nuvens”.
 É este o verdadeiro crente: aquele que sabe bendizer a Deus em todo o tempo – seja no tempo bom, seja no mau. “Seu louvor estará sempre em minha boca!”
O fariseu está de pé, dá graças pelo que faz, mostra-se satisfeito. Compara-se com os outros e considera-se mais justo, melhor cumpridor da Lei. Na oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo…
A falta de conhecimento próprio é causa de muitos erros na nossa vida. Pensamos que somos o que não somos e não consideramos o que realmente somos. A falta de conhecimento próprio pode levar-nos tanto à baixa estima quanto à vanglória.
Santo Inácio de Loyola afirma: “Nós nos salvamos, salvando”. Estamos todos na mesma videira, como ramos; como peixes no mesmo mar; como iluminados à luz do mesmo sol, como disse Jesus: “Sede perfeitos como o Pai do céu”, que deixa o sol iluminar a todos e deixa chover sobre justos e injustos. Sejamos missionários; “Eis que eu os envio; quem vos recebe, a mim recebe”. Este é o mês das missões.


=========----------=========

Fariseu ou Publicano?

No domingo passado, refletimos  sobre a necessidade da Oração perseverante:
Um apelo muito atual ao homem moderno, tão ocupado e preocupado com tantas coisas,
que quase não sobra tempo para si mesmo. E o tempo que sobra gasta na TV ou outras diversões. Mas não basta rezar, precisa rezar bem...
- E qual é o espírito que deve animar a nossa oração    para que seja agradável a Deus e proveitosa para nós?


Na 1ª Leitura, Deus afirma que escuta as sua súplicas dos HUMILDES:
"A oração do humilde penetra as nuvens..." (Eclo 35,15a-17.20-22a)

* A nossa oração só tem valor e é acolhida por Deus,
   quando parte de um coração pobre, humilde e justo
   e é solidária com todos os oprimidos e empobrecidos.

Na 2ª Leitura, Paulo, velho, preso, condenado à morte,
medita e reza sobre a sua VIDA... (1Tm 4,6-8.16-18)
"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé..."

* É o testamento de alguém que está com a consciência do dever cumprido
   e aguarda com humildade e confiança  a recompensa de Deus.

No Evangelho, Jesus mostra a ORAÇÃO HUMILDE de um pecador,
que se apresenta diante de Deus de mãos vazias,
mas disposto a acolher o Dom de Deus. (Lc 18,9-14)

- Os destinatários da Parábola do Fariseu "santo" e do Publicano "pecador"                   
  são: "alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros".
- Os dois rezam no Templo: um espera a recompensa e o outro a misericórdia...
  O modo de rezar dos dois é bem diferente:
  O Fariseu pelo caminho do orgulho, o Publicano pelo caminho da humildade.

+ O FARISEU: na frente... "de pé"... reza satisfeito pelo que é e pelo que faz:
- Sua oração é longa: é uma arrogante exaltação de si.
  Agradece a Deus por não ser como os demais, nos quais só vê erros e pecados.
- É auto-suficiente: não precisa de Deus e despreza os irmãos. A sua salvação é uma conquista pelas suas boas obras e não misericórdia e dom de Deus.
 

+ O PUBLICANO: no fundo... de cabeça baixa... batendo no peito...
   Reconhece com humildade a soberania de Deus e a própria pequenez...
   Ele precisa de Deus e aceita a salvação que Deus lhe oferece.
  
   - Sua oração é breve: resume-se em pedir perdão:
     "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador..."

+ À primeira vista, daria a impressão que o fariseu era mau e o publicano bom. No entanto, o fariseu era "bom praticante" e o publicano praticava injustiças. Mas, quem se comportava bem foi condenado e o pecador voltou "justificado".
O fariseu ofereceu suas obras, o publicano sua miséria e seus pecados...

- E Jesus conclui:
  "Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

A Parábola nos fala de DOIS TIPOS de Pessoas:


+ O Fariseu é modelo do homem "justo", cumpridor de todas as leis,
que leva uma vida impecável. Ninguém o pode acusar de ações contra Deus,
nem contra os irmãos. Está contente por não ser como os outros.
Vai à missa todos os domingos... Paga o dízimo... Confessa de vez em quando... Mas na confissão "não tem pecados". Só tem boas obras a declarar...
Na Oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo...
Umas práticas religiosas bem observadas lhe dão a segurança da salvação.

   * CRISTO quer uma religião em espírito e verdade, com o mandamento do amor.
 E ele a reduz a umas obrigações, para estar em dia com Deus...

+ O Publicano é modelo do homem humilde, que se reconhece pecador.

Sente necessidade de Deus, confia nele e lhe oferece seu pobre coração abatido.

* Aceita com humildade os meios da Confissão, da Missa e da Comunhão.
   Não se considera melhor do que os outros... Nem os julga...

+ Os novos Fariseus...

O FARISAÍSMO é uma atitude religiosa que nos impede de ver-nos como somos
e deturpa nossa relação com Deus e com os irmãos.
Ninguém está isento da contaminação dessa perene soberba humana.

PUBLICANOS são todos aqueles que tomam consciência de seus erros
e pedem perdão.
- Quais são os sentimentos que animam o nosso coração na Oração?

Missão e Partilha...
Nesse DIA MUNDIAL DAS MISSÕES, o papa nos lembra que...  "é uma ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho
e conferir às atividades pastorais ampla conotação missionária...
 'Queremos ver Jesus' é um apelo atual... Os homens de nosso tempo
pedem aos fiéis que não apenas "falem" de Jesus, mas "apresentem",
fazendo resplandecer o seu rosto, em todos os cantos da terra...
A Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua Missão. Uma Igreja autenticamente eucarística é uma igreja missionária:
'O que vimos e ouvimos, nós agora o anunciamos a vocês,
para que vocês estejam em comunhão conosco' (1Jo 1,3)...
O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade para as nossas Igrejas e                 a sua cooperação é testemunho singular de unidade, fraternidade e solidariedade, que torna críveis os anunciadores do Amor que salva".

                                            Pe. Antônio Geraldo

==========----------------==========

PISTAS: 1) No domingo anterior vimos a constância na oração; hoje contemplamos como a sinceridade e humildade conquistam o favor divino. Não basta qualquer oração; é necessário que saia do fundo da indigência humana para provocar a ação divina. O fariseu busca um Deus que aprove sua vida e nada pede. Nada necessita: é a oração do auto-suficiente. Deus nada tem a fazer diante de semelhante atitude.
2) Devemos modificar nossa maneira de julgar nossos semelhantes. Geralmente fixamos nossa atenção nos seus defeitos, nos seus pecados, nos seus vícios. Por que não olhar neles as coisas boas, as excelências, as virtudes? Sem dúvida que seremos mais justos e teremos uma visão mais otimista do mundo.
3) No mal, no pecado, achamos a miséria humana, a derrota, a impotência, quando não a ignorância, nunca a grandeza. É a mesma miséria que encontramos na doença, no sofrimento, na morte. Se esta última nos oferece uma palavra de compaixão e de desculpa, por que não desculpamos e perdoamos a pessoa que comete esse mal, que, por outra parte, tão absolutamente reprovamos?
4) O perdão é o maior dom que podemos receber de Deus. A humildade, o reconhecimento de nossa insignificância, é a mais excelente disposição para recebê-lo. E todos necessitamos desse perdão.
=========---------------==========
Homilia de Dom Henrique Soares da Costa
No Domingo passado, a Palavra de Deus nos falava da oração. Vimos, naquela ocasião, que rezar nos coloca diante de Deus com toda a nossa vida: a oração é a atitude fundamental do homem de fé. Quem não reza é ateu, fechado em si, na sua auto-suficiência. Para quem não reza – ou não reza de verdade, com espírito de orante -, Deus não passa de um objeto. Neste sentido, Santo Agostinho dizia que “a fé não é para os soberbos, mas para os humildes”. Somente aquele que se sabe pequeno e frágil, imperfeito e limitado diante de Deus reza de verdade. Por isso o Eclesiástico afirma que “a prece do humilde atravessa as nuvens”. E aqui não se trata simplesmente de uma oração de momento, mas de uma atitude de vida: atravessa as nuvens os desejos do coração daquele que vive a vida diante de Deus e não fechado em si mesmo: “Bendirei o Senhor Deus em todo tempo, seu louvor estará sempre em minha boca!” – Vejam: é este o verdadeiro orante, porque é este o verdadeiro crente: aquele que sabe bendizer a Deus em todo o tempo – seja no tempo bom, seja no mau. “Seu louvor estará sempre em minha boca!”
Pensando nisso, meditemos na parábola de Jesus, sobre a atitude dos dois homens que sobem ao Templo para rezar… Por que Jesus a contou? Contou-a “para alguns que confiavam na sua própria justiça, isto é, na sua própria retidão, nos seus próprios méritos, na sua própria santidade e desprezavam os outros”. Como reza o fariseu? Santo Agostinho explica que ele nem sequer reza: “Procura nas suas palavras o que ele pediu. Não encontras nada! Foi para rezar, mas não rezou a Deus; só louvou a si próprio! Mais ainda: não lhe bastou não rezar, não lhe bastou louvar a si próprio e ainda insultou aquele que rezava de verdade!” O fariseu, na verdade, é incapaz de uma verdadeira comunhão com Deus: ele somente tem a si próprio ante seus olhos, ele é o seu próprio Deus, a sua própria satisfação e, quando se mede com os outros, é para insultar e desprezar interiormente… Bem diferente de Jesus, que tinha tudo para nos acusar e, no entanto, quando nos olha, é para ter compaixão, para perdoar, para nos estender a mão.
E o publicano? Qual a sua atitude? “Ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!”’ De modo poético, diz Santo Agostinho que “o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava”. Eis a atitude do homem aberto para Deus, daquele que se vê na luz do Senhor: tem consciência do seu nada, da sua miséria, do seu pecado, mas sabe que é amado por Deus; sabe que o que de bom possui e faz é dom da graça do Senhor! E porque assim vive e assim procede, esse pobre pecador experimenta a misericórdia de Deus, daquele que, como diz o Salmo, “volta sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido” . Como termina a parábola? Deixem-me ainda citar Santo Agostinho: “Escutaste o contraste entre o fariseu e o publicano; escuta agora a sentença. Escutaste o soberbo acusador e o réu humilde. Escuta, agora, o Juiz: ‘Em verdade eu vos digo: aquele publicano saiu do templo justificado, não o fariseu’. Senhor, dize-nos o motivo! Perguntas o por quê? Eis: ‘ Porque quem se exalta, será humilhado, e quem se humilha, será exaltado’. Ouviste a sentença; guarda-te bem de caíres no motivo; ouviste a sentença; preserva-te da soberba!”
Meus caros, não é esta a nossa grande tentação? Achar que somos bons, que somos justos diante de Deus, que mereceríamos um prêmio de honra ao mérito. E, ainda mais: do alto da nossa auto-suficiência, quantas e quantas vezes julgamos, condenamos e executamos os outros! No entanto, se nos recordássemos os nossos pecados com sinceridade, como o publicano, não nos acharíamos grandes diante de Deus e não julgaríamos nem condenaríamos, como o fariseu. Pensemos nos tantos benefícios que do Senhor recebemos, pensemos nos nossos pecados e na nossa preguiça para amá-lo como ele deve ser amado, pensemos nas nossas incoerências e infidelidades, pensemos nas nossas fraquezas… Se assim o fizermos, não teremos a pretensão de merecer nada diante de Deus, seremos humildes e também mais compreensivos com as fraquezas dos irmãos. Nunca percamos de vista o seguinte: aquele que se acha merecedor diante do Senhor, merece, na verdade somente a sua repreensão, pois ainda não compreendeu de fato que Deus nos amou primeiro e não só nos chamou à vida, como também deu-nos o seu Filho quando ainda estávamos nos nossos pecados! Estejamos atentos ao exemplo de São Paulo, na segunda leitura de hoje. Ele, que tinha tanto de se gloriar, porque combateu o bom combate, com toda humildade esperou do Senhor o prêmio da coroa da justiça. Que diferença do fariseu! Este, confiava na sua própria justiça; o Apóstolo esperou na justiça do Senhor. Por isso, na fraqueza experimentou a força do Senhor e, na tribulação, experimentou que o Senhor lutou por ele…
Que este mesmo Senhor nos dê a graça de um coração humilde, que coloque somente nele a confiança, o repouso e a esperança da salvação. Assim, seremos livres da soberba e justos diante de Deus. Amém.
Dom Henrique Soares da Costa
============--------------============

Homilia do Mons. José Maria

Oração: Autêntica ou Falsa?

“A oração do humilde atravessa as nuvens”, diz Eclo 35, 21: sobe até Deus e desce cheia de frutos.
Em Lc 18, 9 – 14 Jesus põe em confronto a oração do soberbo e do humilde, contando-nos a parábola do fariseu e do publicano.
Antes de narrar a parábola, São Lucas preocupa-se em mencionar que Jesus falava a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros. O Senhor fala de dois personagens bem conhecidos de todos os ouvintes: Subiram dois homens ao Templo para orar: um fariseu e outro publicano. Percebeu-se logo que, embora ambos tenham ido ao Templo com a mesma finalidade, um deles não fez oração. Não falou com Deus num diálogo amoroso, mas consigo próprio. Na sua oração, não há amor como também não há humildade. Está de pé, dá graças pelo que faz, mostra-se satisfeito. Compara-se com os outros e considera-se mais justo, melhor cumpridor da Lei. Parece não necessitar de Deus. Na oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo… Sua oração é longa: é uma arrogante exaltação de si. Sua Salvação não é dom de Deus, mas conquista de suas  “boas obras”.
O publicano “ficou de longe, e por isso Deus aproximou-se dele mais facilmente. Não atrevendo a levantar os olhos ao céu, tinha já consigo Aquele que fez os céus… Que o Senhor esteja longe ou não, depende de ti. Ama e se aproximará” (Santo Agostinho). O publicano conquistou a Deus pela sua humildade, pois “Ele resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes” (Tg 4, 6). Não se considera melhor do que os outros… Nem os julga… Sua oração é breve: resume-se em pedir perdão.
Efetivamente, a humildade é o fundamento do nosso trato com Deus.
“Deus gosta – ensina Santo Afonso Maria de Ligório – de que trateis familiarmente com Ele. Tratai com Ele dos vossos assuntos, dos vossos projetos, dos vossos trabalhos, dos vossos temores e de tudo o que vos interesse. Fazei-o com confiança e com o coração aberto, porque Deus não costuma falar à alma que não lhe fala.” Mas falemos-Lhe com a simplicidade da humildade.
Jesus começa a parábola do fariseu e o publicano (Lc 18, 1) insistindo em que é preciso orar sempre! O Mestre quer dizer-nos de muitas maneiras que a oração é absolutamente necessária para segui-Lo e para empreender qualquer tarefa cujo valor permaneça para além desta vida passageira.
Nos começos do seu Pontificado, o Papa João Paulo II declarava: “A oração é para mim a primeira tarefa e como que o primeiro anúncio; é a primeira condição do meu serviço à Igreja e ao mundo.” E acrescentava: “Todos os fiéis devem considerar sempre a oração como a obra essencial e insubstituível da sua vocação… Sabemos bem que a fidelidade à oração ou o seu abandono são a prova da vitalidade ou da decadência da vida religiosa, do apostolado, da fidelidade cristã.” Sem oração, não poderíamos seguir o Senhor no meio do mundo. A oração é tão indispensável como o alimento ou a respiração para a vida do corpo.
Façamos um exame, uma reflexão, sobre como estamos rezando! Examinemos hoje se a nossa oração, o nosso trato diário com Jesus, vivifica o nosso trabalho, a vida familiar, a amizade, o apostolado… Sabemos que tudo é diferente quando primeiro falamos com o Mestre. É na oração que o Senhor dá luzes para entender as verdades.
Peçamos ao Senhor a graça de termos zelo, amor, pelos tempos de oração, que defendamos os tempos dedicados à oração, “estando a sós com quem sabemos que nos ama” (Santa Teresa), pois dela tiramos forças para santificar os nossos afazeres diários, para converter em graça as contrariedades e para vencer todas as dificuldades. A nossa fortaleza está na proporção do nosso trato com o Senhor.
Não deixemos nunca a oração! Escreve Santa Teresa: “Outra coisa não me parece perder o caminho senão abandonar a oração.” Não devemos ficar preocupados se algumas vezes a oração se torna árida, não experimentamos nenhum sentimento especial enquanto tentamos rezar. No tratado sobre a oração, ensina São Pedro de Alcântara: “Para quem se empenha seriamente em fazer oração, virão tempos em que lhe parecerá vaguear por um deserto e, apesar de todos os esforços, não sentir nada de Deus. Deve saber que essas provas não são poupadas a ninguém que tome a oração a sério [...]. Nesses períodos, deve esforçar-se firmemente por manter a oração, que ainda que possa dar-lhe a impressão de um certo artificialismo, é na realidade algo completamente distinto: é precisamente nessa altura que a oração constitui uma expressão de sua fidelidade a Deus, na presença do qual quer permanecer mesmo que não seja recompensado por nenhuma consolação subjetiva.”
“É a presença silenciosa de Deus na base do nosso pensamento, da nossa reflexão e do nosso ser, que impregna toda a nossa consciência.” (Bento XVI)
A oração ajudará a ser “Discípulos-Missionários”
Mons. José Maria Pereira
==========-----------------============

Homilia do Padre Françoá Costa

Conhecimento próprio

A falta de conhecimento próprio é causa de muitos erros na nossa vida. Pensamos que somos o que não somos e não consideramos o que realmente somos. Frequentemente sofremos à toa, simplesmente porque não nos conhecemos. O desconhecimento de quem somos pode levar-nos inclusive à depressão quando vemos a nossa imagem desfigurada por alguém. O que acontece é que essa imagem que formamos de nós mesmos não é a nossa verdadeira imagem, mas uma mera caricatura. Não serve para nada! Qual é a nossa verdadeira imagem, então?
A falta de conhecimento próprio pode levar-nos tanto à baixa estima quanto à vanglória. Alguns “se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros” (Lc 18,9). Vangloriamo-nos, isto é, temos uma glória vã, porque não nos conhecemos. Uma das consequências é a falta de critério em relação às nossas ações e às dos outros: excessivo rigor para com os outros, extrema misericórdia para conosco mesmos. São Josemaría Escrivá deixou escrito: “Nunca queres esgotar a verdade”. – Umas vezes, por correção. Outras – a maioria-, para não passares um mau bocado. Algumas, para evitá-lo aos outros. E, sempre, por covardia. Assim, com esse medo de aprofundar, jamais serás homem de critério” (Caminho 33).
Não adianta! Enganar-nos a nós mesmos não é o caminho. Conta-se que Dionísio I de Siracusa pensava de si mesmo que era um poeta excelente, tanto era assim que um belo dia se alegrou de ler os seus versos diante de Filoxeno, um autêntico poeta. Ao terminar, o poeta criticou os versos de Dionísio. Este, como um verdadeiro tirano e sem respeito à opinião dos outros, mandou prender a Filoxeno sem maiores explicações. Mas, depois de alguns dias, compôs outros versos e tanta foi a sua curiosidade em saber a opinião de Filoxeno que o mandou trazer da prisão e leu novamente as rimas que compusera. O poeta, depois de escutar, disse aos guardas que o tinha conduzido à presença do rei: “Devolvei-me à prisão”.
Como conhecer-nos a nós mesmos? Em primeiro lugar, dispondo-nos a obter esse conhecimento com humildade para aceitar-nos como somos. Deus nos ama não apesar de sermos dessa ou daquela maneira, mas com tudo o que somos e temos. É diante de Deus que alcançaremos o verdadeiro conhecimento sobre nós mesmos, pois nos conhece melhor que nós mesmos. Em segundo lugar é muito importante perder o medo de chamar as coisas pelo nome: soberba, preguiça, gula, luxúria, etc. Nada de eufemismos como: autoafirmação do eu, falta de disposição, apetite abundante para a mesa ou para a cama etc. Quando não tivermos medo de saber quem somos, isto é, sem assustar-nos e quando saibamos conviver pacificamente conosco mesmos, lutando por ser melhores, o nosso conhecimento próprio irá de progresso em progresso.
É interessante que às vezes não dizemos algumas verdades às pessoas porque sabemos que vão se ofender ou que ficarão brabas, ou ainda, que deixarão de falar conosco. Será que Deus não nos dá um maior conhecimento sobre nós mesmos porque sabe que ficaríamos irritados, não nos aceitaríamos ou, ainda, colocaríamos a culpa nele? Como é importante dizer ao Senhor: “Pode me mostrar, Senhor, quem sou eu. Por favor, me mostra pouco a pouco, à medida que me prepares, mas, não deixe de fazer com que eu progrida nesse conhecimento”. A sinceridade com Deus é muito importante, e o mesmo se diga da sinceridade para com os demais. Dessa maneira, seremos homens e mulheres de critério, de personalidade, firmes.
Os santos se consideravam tão pouca coisa e, ao mesmo tempo, era muito conscientes da sua dignidade de filhos de Deus, a tal ponto de ignorar as ofensas pessoais que os outros pudessem dirigir-lhes. Sabiam que qualquer coisa que os outros pudessem dizer deles ainda era pouco diante daquele conhecimento que Deus lhes ia concedendo. E, no entanto, esse conhecimento os mantinha em paz porque estava fundamentado no fato de sentirem-se filhos muito amados de Deus e na humildade cada vez maior que Deus lhes concedia.
Ao conhecermo-nos a nós mesmos, tampouco iremos por aí alardeado: pobre de mim! Eu sou tão pequeno, tão humilde, não sei fazer nada. Uma das frases mais bonitas daquele delicioso romance de Dickens, David Cooperfield, é a seguinte: “estou convencido que o homem que sabe o que vale não deixa de ser modesto”, com autêntica modéstia e com otimismo.
Para ajudar no nosso conhecimento próprio, um propósito que poderíamos fazer nesse domingo é o de realizar, diariamente, o nosso exame de consciência. Talvez sejam úteis essas três perguntinhas: no dia de hoje, o que eu fiz de bom? O que eu fiz de mal? O que eu posso fazer melhor? A cada uma dessas perguntas correspondem três atitudes, respectivamente: agradecer, pedir perdão, pedir ajuda.
Pe. Françoá Costa
=============-----------------============

Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
A parábola do XXIX Domingo do Tempo Comum (Lc 18,1-8: A viúva e o juiz injusto) ressaltava duas atitudes fundamentais na oração: fé e perseverança. Neste domingo, Jesus continua o seu ensinamento sobre a oração e conta mais uma parábola: o fariseu e o publicano no templo. Agora o ensinamento do Mestre está direcionado àquelas pessoas que se consideravam exemplares na espiritualidade e na moral, mas se contradiziam nas suas atitudes de desprezo e condenação dos outros; deformavam a experiência religiosa com a sua falsa piedade e desqualificavam a lúcida moral com o seu rigorismo condenatório.
Jesus apresentando esses dois personagens em franco contraste denuncia a falsa oração e exalta a verdadeira atitude orante. A oração cristã, enraizada na Tradição bíblica e na experiência de Jesus, é caracterizada por uma atitude silenciosa que favorece a escuta do Deus que fala agindo. O próprio povo de Israel tem como solene convite à oração o tradicional Shemá (Dt 6,4: Escuta!). No evangelho não se diz aquilo que Jesus rezava nas suas orações, são raras as exceções. Porém, são inúmeras as passagens onde se registram os momentos em que Ele passava em oração, retirado nas montanhas durante longas vigílias.

Tanto o fariseu quanto o publicano sobem ao Templo para rezar. Ambos estão no mesmo lugar (templo), com a mesma finalidade (rezar), na mesma posição corporal (em pé). Porém, o conteúdo da oração de cada um indica a diferença fundamental que há entre eles. O fariseu faz da sua oração uma apresentação daquilo que ele pensa ser e daquilo que ele afirma fazer (sua autoimagem). O centro da sua oração é o seu “eu absolutizado”, “De pé consigo mesmo rezava” (grego pros heauton: na direção de si mesmo); todas as suas afirmações redundam numa exaltação do próprio eu. Se a Lei prescrevia uma obrigação de um jejum anual (No dia da expiação: Yom Kippur, Lv 16; Ne 9,1), ele o fazia duas vezes por semana; se o pagamento do dízimo era exigido somente dos principais produtos (Dt 14,22-23), ele paga de tudo. Nele tudo é perfeito, não reconhece nenhuma falha, pois de nada necessita. Por incrível que pareça, esta oração é ateia, isto é, em nada demonstra crer em Deus, pois tudo está concentrado naquilo que ele faz, não reconhece a ação de Deus na sua vida, não testemunha nada que tenha recebido de Deus, não suplica nada a Deus. A oração é apenas o cenário forjado com a finalidade de aparecer e ser elogiado pelos outros. Deus está fora do seu horizonte, portanto, a fé não lhe faz falta. Se despreza o semelhante é porque não teme a Deus. Este fariseu é um ateu fantasiado de religioso.

Por outro lado, o publicano, de cabeça baixa, batendo no peito, reconhece o que ele é e do que ele necessita, por isso só consegue dizer uma coisa: “Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!” .
Enquanto o fariseu se define por um “não sou” (como os outros homens), o publicano reafirma o que ele é: “sou um pecador”. Enquanto o fariseu se exalta porque realiza tudo conforme a Lei, inclusive mais do que o prescrito e exigido, o publicano reconhece que só Deus pode fazer aquilo que é o mais importante: “Ter piedade”. Enquanto o fariseu ora com palavras presunçosas, o publicano bate no peito, sinal de profunda dor diante da consciência dos pecados, expressando arrependimento. As batidas no peito ressoam fortemente no seu coração, o lugar das mais importantes decisões, não apenas dos afetos; lugar da ação de Deus que transforma o coração de pedra, insensível, num coração de carne, símbolo da Nova Aliança.
A parábola conclui-se com a declaração de Jesus: “Digo-vos, este (publicano) desceu para sua casa justificado, ao invés daquele (fariseu), porque todo aquele que se exalta a si mesmo será humilhado, mas aquele que se humilha a si mesmo será exaltado”. Aqui encontramos um conceito bíblico-teológico fundamental: a justificação. Em poucas palavras, a justificação é a ação de Deus em nós tendo em vista a nossa salvação, e, portanto, não deve ser pensada como um agir nosso a fim de nos tornar justos diante de Deus, o que garantiria a salvação. O fariseu se pensava justo por causa daquilo que fazia, consequentemente não havia lugar para Deus agir na sua vida, a sua fé não era transcendente, mas autossuficiência presunçosa de quem acredita poder se salvar por suas próprias forças. A sua oração não era abertura para Deus, mas expressão de que de Deus não precisava para nada. Por outro lado, o publicano, reconhecendo-se com humildade que era pecador, miserável, abriu-se à ação misericordiosa de Deus. Se para o fariseu Deus não tinha nada a fazer; para o publicano, Deus era o único que poderia fazer tudo por ele. A oração do publicano era absoluta abertura para Deus agir.

===========-------------========

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros da Palavra):



LOUVOR: QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR:
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESP. SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
- Pai, agradecemos a nossa existência e toda a criação. Agradecemos o envio do Vosso Filho para nos instruir e salvar. Nós vos louvamos e Vos bendizemos. Dai-nos um coração humilde para que reconheçamos vossa bondade.
 T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
- Pai, hoje vimos o exemplo de Paulo que, após a sua conversão, empenhou-se por evangelizar a todos. Gastou a vida e por fim derramou seu sangue. Que saibamos, a seu exemplo, sermos mais dedicados a evangelizar e a construir uma sociedade mais justa. Pai, dai-nos força e coragem.
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
- Pai, sabemos que escutais o coração arrependido, pois sois amor e misericórdia. Enviai o Espírito Santo para que nos transformemos em testemunhas do Evangelho. Que saibamos ser mais justos e amorosos. Dai-nos humildade e amor para sermos bons instrumentos em vossas mãos na construção do Reino.
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
 - PAI NOSSO... A PAZ... EIS O CORDEIRO...



quinta-feira, 17 de outubro de 2019

29º Domingo do T. Comum Ano C, homilias, subsídios homiléticos


29º Domingo do T. Comum - Ano C 2019

SINOPSE:

TEMA: - REZAR SEMPRE; A Palavra nos orienta e nos transforma; Ela é viva e eficaz.
Primeira leitura: Para ganhar as duras batalhas, necessitamos da ajuda e a força de Deus…
Evangelho: Quando oramos a Deus, ele age em nosso favor, pois nos ama e tem um projeto de salvação para todos.
Segunda leitura: Paulo nos diz da importância da Bíblia em nossa vida; ela nos orienta e nos instrui para que cheguemos ao Reino de Deus.

PRIMEIRA LEITURA (Ex 17, 8-13) Leitura do Livro do Êxodo.
...Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina. E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec.
AMBIENTE
Uma catequese sobre o Deus libertador, que salvou o seu Povo da opressão e da morte, … catequese sobre esse Deus a quem Israel é convidado a agradecer a sua vida e liberdade.
MENSAGEM
Josué combatia, Moisés rezava e implorava a ajuda de Deus… É uma catequese que ensina que a libertação se deve, mais do que aos esforços do Povo, à ação de Deus. Para vencer as batalhas Da vida precisamos ter a ajuda e a força de Deus; e essa ajuda brota no diálogo com Deus.
ATUALIZAÇÃO
sempre que alguém luta para ser livre, Deus está com essa pessoa e age nela.
Quem sonha com um mundo melhor e luta por ele, tem de viver num diálogo contínuo com Deus: é nesse diálogo que se percebe o projeto de Deus para o mundo e se recebe d’Ele a força para vencer tudo o que oprime e escraviza o homem.

SALMO RESPONSORIAL 120 (121)
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra.
• Eu levanto os meus olhos para os montes: / de onde pode vir o meu socorro? / “Do Senhor é que me vem o meu socorro, / do Senhor que fez o céu e fez a terra!”
• Ele não deixa tropeçarem os meus pés, / e não dorme quem te guarda e te vigia. / Oh! Não! Ele não dorme nem cochila, / aquele que é o guarda de Israel!
• O Senhor é o teu guarda, o teu vigia, / é uma sombra protetora à tua direita. / Não vai ferir-te o sol durante o dia, / nem a lua através de toda a noite.
• O Senhor te guardará de todo o mal, / ele mesmo vai cuidar da tua vida! / Deus te guarda na partida e na chegada. / Ele te guarda desde agora e para sempre!

EVANGELHO (Lc 18, 1-8)  Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
...: “um juiz que não temia a Deus e não respeitava homem algum. uma viúva,...: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário! ’ Durante muito tempo, o juiz se recusou. ...por fim, Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me! ’” ... E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? ... Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”
AMBIENTE
Parábola similar à parábola do amigo inoportuno que vem pedir pão a meio da noite-Lc 11,5-8
MENSAGEM
A viúva, pobre (é o protótipo do sem defesa, vítima dos poderosos), exige justiça; mas o juiz, “que não temia Deus nem os homens”, não lhe atendia. O juiz faz justiça a fim de se livrar da insistência importuna. Aplicação teológica: Se um juiz prepotente e insensível é capaz de resolver o problema por causa da sua insistência, Deus (que ama) não iria escutar os “seus eleitos que por Ele clamam?” – Deus é rico em misericórdia defende sempre os débeis –Lucas deixa claro; Deus tem o seu projeto e o seu tempo próprio para intervir. Aos crentes resta paciência e confiança. Lucas pede aos cristãos que, apesar do silêncio de Deus, não deixem de dialogar com Ele. É nesse diálogo que entendemos os projetos e Deus transforma os nossos corações; então, aprendemos a entregar-nos nas mãos de Deus e a confiar n’Ele.
ATUALIZAÇÃO
Deus não é indiferente aos gritos de sofrimento dos pobres e que não desistiu de intervir no mundo, a fim de construir o novo céu e a nova terra de justiça, de paz e de felicidade para todos… Simplesmente, Deus tem projetos e planos que nós, na nossa ânsia e impaciência, não conseguimos perceber. Deus tem o seu ritmo – um ritmo que passa por não forçar as coisas, por respeitar a liberdade do homem… A nós resta nos respeitar a lógica de Deus, confiar n’Ele, entregarmo-nos nas suas mãos.
Através da oração, percebemos quem Deus é, percebemos o seu amor e a sua misericórdia, descobrimos a sua bondade e a sua justiça… E, Ele não é indiferente à sorte dos pobres e tem um projeto de salvação para todos os homens. A oração é o caminho para encontrarmos o amor de Deus.
Quem ama não corta a relação à primeira incompreensão ou à primeira ausência. Pelo contrário, a espera e a ausência provam o amor e intensificam a relação.
A oração não é fórmula mágica para levar Deus a fazer-nos as “vontadinhas”… Muitas vezes, Deus terá as suas razões para não dar muita importância àquilo que Lhe pedimos: às vezes pedimos a Deus coisas que nos compete a nós conseguir (por exemplo, passar nos exames); outras vezes, pedimos coisas que nos parecem boas, mas que a médio prazo podem roubar-nos a felicidade; outras vezes, ainda, pedimos coisas que são boas para nós, mas que implicam injustiça para outros… quando parece que Deus não nos ouve, perguntemos a nós próprios se os nossos pedidos farão sentido, à luz da lógica de Deus.

SEGUNDA LEITURA (2Tm 3,14–4,2) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo, permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. ...as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. Diante de Deus e Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos e, em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina.
AMBIENTE - As comunidades nas perseguições e falsas doutrinas… O autor convida a redescobrir o entusiasmo pelo Evangelho recebida de Jesus, através dos apóstolos.
MENSAGEM - Nos é proposto permanecer fiel à verdadeira doutrina aprendida da Tradição e da Escritura. A posse da verdade está garantida quando aquele que ensina é um sucessor legítimo dos apóstolos, em conformidade com a Escritura. A Palavra na Escritura é “inspirada por Deus”; por isso, nela está “a sabedoria que leva à salvação”. A utilidade da Escritura é: “ensinar”, “persuadir”, “corrigir” e “formar”. O autor convida a proclamar a Palavra “a propósito e fora de propósito”, “com toda a paciência e doutrina” (isto é, com uma adequada pedagogia pastoral).
ATUALIZAÇÃO - A Escritura deve assumir um lugar preponderante na nossa vida. Qual  tem mais valor: as práticas rituais, as devoções particulares ou a Palavra de Deus?
Aos que estão ao serviço da Palavra: eles devem anunciá-la em todas as circunstâncias, sem respeito humano, sem jogos de conveniências, sem atenuarem a radicalidade da Palavra; e devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam…
1-               A oração nos abre para Deus; É na oração que percebemos Deus perto de nós. Se não rezarmos, Ele passa a ser só uma idéia distante e subjetiva. 
2-               Orar em nome de Jesus, com os sentimentos e atitudes de Jesus - Se rezei, me coloquei nas mãos de Deus, haja o que houver,  eu confio no seu amor.
3-               Foi assim a oração de Jesus: buscou em tudo a vontade do Pai e, por isso, o fracasso e a cruz não o destruíram. Ele mesmo dissera: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste!” (Jo 11,41s) –: mesmo diante da cruz e da morte, o Filho permaneceu em paz, abandonado amorosamente nas mãos do Pai! A oração faz isso conosco: elimina nosso temor e nos joga nos braços de Deus.
4-               A oração quebra nosso orgulho, nossa autossuficiência: sem ela, é impossível permanecer firmes na fé.
5-               O problema é querer que ele aja como esperamos, nos tempos e nos modos nossos. E aí erramos! Não foi assim que Jesus procedeu e quem faz assim, faz diferente de Jesus e, portanto, não reza em nome de Jesus!
6-               Reza em nome de Jesus quem reza como Jesus: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita” (Lc 22,42). Por isso, ele hoje nos desafia e pergunta: “Quando o Filho do homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Em outras palavras: Quando o Pai, através de mim, atende vossos pedidos, não como queríeis, mas como ele quer vos dar, encontra fé em vós para reconhecer o dom e ser agradecidos?
7-               Estejamos atentos à nossa vida de oração. Paulo diz hoje:“Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade!” Santa Teresa: “Que ninguém vos mostre outro caminho que não o da oração!”

=============-----------------============

Homilia de Dom Henrique Soares da Costa
Hoje, a Palavra de Deus nos fala sobre a oração. Mais ainda: manda-nos “rezar sempre, sem jamais desistir” .
o Senhor nos manda rezar! Vejamos o porquê. Primeiro, a oração nos abre para Deus; É na oração que percebemos vivamente que ele não é somente o Deus de longe, mas também o Deus de perto. Se não rezarmos, Deus irá deixando de ser Alguém para ser algo; vamos deixando de experimentá-lo como Pessoa para experimentá-lo simplesmente como uma idéia fria, estéril e distante.
Em segundo lugar, a oração feita em nome de Jesus – isto é, com os sentimentos de Jesus, as atitudes de Jesus -, nos faz enfrentar todos os desafios da vida com paz, liberdade e maturidade. Se rezei, se supliquei, se coloquei nas mãos de Deus, haja o que houver, sei que posso acolher confiando no seu amor. Foi assim a oração de Jesus: buscou simplesmente e em tudo a vontade do Pai e, por isso, a o fracasso e a cruz não o destruíram. Foi ouvido – ele sabia, ele mesmo dissera: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves!” (Jo 11,41s) – pois bem: mesmo diante da cruz e da morte, o Filho permaneceu em paz, abandonado amorosamente nas mãos do Pai! A oração faz isso conosco: elimina nosso temor e nos joga nos braços de Deus.
Em terceiro lugar, a oração quebra nosso orgulho, nossa auto-suficiência: sem ela, é impossível permanecer firmes na fé. O problema é que queremos que ele aja como esperamos, nos tempos e nos modos nossos. E aí erramos! Não foi assim que Jesus procedeu e quem faz assim, faz diferente de Jesus e, portanto, não reza em nome de Jesus! Compreendamos bem: reza em nome de Jesus quem reza como Jesus: “Não a minha vontade, mas a tua seja feita” (Lc 22,42). Por isso mesmo, ele hoje nos desafia e pergunta, com franqueza: “Quando o Filho do homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Em outras palavras: Quando o Pai, através de mim, atende vossos pedidos, não como queríeis, mas como ele quer vos dar, encontra fé em vós para reconhecer o dom e ser agradecidos?
Estejamos atentos à nossa vida de oração. Foi isto que aprendemos nas Escrituras Sagradas, foi isto que os Apóstolos nos ensinaram e os santos santas de Deus vivenciaram. Pois bem, “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade!” Num tempo de tantos falsos mestres, de tantos que se desviam da verdade, sigamos o este conselho de São Paulo! Como dizia Santa Teresa: “Que ninguém vos mostre outro caminho que não o da oração!”
Lc 18,1-8

           Amados no Senhor, é claríssimo que um dos temas da Palavra de Deus que acabamos de escutar neste hoje é uma séria exortação à oração: “rezar sempre, e nunca desistir”, rezar perseverantemente, sem jamais desfalecer, diz o Evangelho! E aqui se trata, de modo especial, do mais escandaloso de todos os tipos de oração para o mundo atual, tão autossuficiente: a oração de súplica; aquela que somente
tem coragem de fazer quem é pobre e sabe que depende de Deus em tudo; somente tem coragem de fazê-la quem crê realmente que Deus se preocupa com Suas criaturas e, de verdade, age neste mundo, age, presente na nossa vida tão pequena... Eis: a oração de súplica é coisa de gente simples, de gente que tem coração de criança, que tem fé humilde e atitude de pobre diante de Deus; é coisa de quem não tem vergonha de pedir, de teimar, de insistir! Bem que Jesus disse que somente os simples, somente os que têm um coração de criança podem compreende os segredo Reino! Eu vos digo: a oração de súplica é tropeço para os sábios segundo a carne, para os inteligentes do mundo, para os não abrem sua razão ao infinito de Deus!

          Já ouvistes, caríssimos, aqueles que, cheios de si, dizem assim: “Na minha oração, eu nunca peço, só agradeço! Pois é! São soberbos, são autossuficientes, não se conhecem, não percebem a miséria, a limitação, a debilidade da humana natureza, que necessita continuamente do socorro do Senhor, Daquele que nos ordenou expressamente: “Pedi e vos será dado! Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta! Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que Lhe pedirem!” (Mt 7,7.11) Sim, caros! É necessário pedir ao Senhor, e pedir com a insistência da viúva pobre e necessitada do Evangelho, com a persistência de Moisés, que passou todo o dia com as mãos erguidas, como Cristo na cruz, suplicando a vitória para Israel!

Mas, talvez, alguém de vós pergunte, curioso: “Por que pedir, se o Senhor já sabe do que temos necessidade? E por que ainda pedir com insistência se já suplicando uma vez, Ele decide o que fazer, Ele que tudo sabe eternamente, Ele que não muda? Pode o homem mudar a vontade de Deus, alterar o desígnio do Altíssimo?”

          Obedeçamos, irmãos caríssimos! O Senhor, no Seu insondável mistério, sabe por que nos manda pedir e insistir no pedido! No entanto, mesmo nós, na nossa pouca sabedoria, podemos perceber um pouco a necessidade absoluta de suplicar. Pensai um momento: Suplicando, reconhecemos que somos totalmente dependentes e tudo nos vem do Senhor, Daquele que dá a vitória e a derrota, que faz o rico e faz o pobre, que fere e cura a ferida, que faz morrer e faz viver! Suplicando, vamos aprendendo a confiar Nele, a Nele esperar e, assim, vamos experimentando a Sua presença real na nossa vida e vamos crescendo no nosso amor para com Ele. Suplicando com insistência, vamos desenvolvendo a certeza de que Ele nos escuta, de que nos envolve com Sua presença e nos socorrerá na nossa necessidade. 

          Ainda mais: de tanto suplicar e teimar na súplica, vamos nos abandonando aos Seus tempos misteriosos, à Sua vontade que nos ultrapassa, aos Seus modos que nos desconcertam e, então, vamos interiormente nos dispondo a acolher o que Ele quer, a aceitar a Sua santa vontade, ainda que não seja a nossa nem na medida das nossas expectativas humanas. Sim! Bom amigo de Deus não é o que só aceita o que pediu, mas aquele que, pedindo com perseverança e amor confiante, acolhe o que o Senhor concede, tendo a firme convicção – nascida da oração teimosa – de que o Senhor nos dá o que é melhor para nós, ainda que muitas vezes não o compreendamos bem! Por isso a misteriosa palavra do nosso Salvador no final da perícope de hoje: “Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa!” Palavra espantosa! Jesus não somente afirma que Deus nos escuta e vem em nosso socorro, mas também que vem bem depressa! E nós pensamos: “Mas isto não acontece assim! Quanta oração fiz que não foi ouvida! Quanta oração demorada na resposta! Não é a própria Escritura Santa que nos diz: “Suporta as demoras de Deus, agarra-te a Ele e não O largues”? (Eclo 2,3) Ah, meus irmãos! O Senhor nos ouve sim, o Senhor vem logo em nosso socorro sim, o Senhor Se compadece do que a Ele suplica! Mas, os tempos de Deus não são os nossos, a pedagogia do Senhor nos ultrapassa, a ação do Senhor não pode ser totalmente alcançada por nós: Ele é Deus; nós, pó que o vento leva! Por isso mesmo, a misteriosíssima pergunta de Jesus: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?” Eis: O Senhor nos ouve, o Senhor Se compadece de nós – Ele nos deu tudo no Seu Filho por nós morto e ressuscitado! Como ainda nos seria possível duvidar Dele? Ele vem em nosso socorro, mas no Seu tempo, do Seu modo, segundo o Seu sábio e misterioso desígnio! Mas, encontrará fé em nós? Saberemos reconhecê-Lo? Sei eu, sabeis vós, sabemos nós reconhecer o Senhor nas Suas vindas? Ele vem na alegria e vem também na tristeza; no sorriso, ei-Lo aqui, mas também é Ele ainda no pranto; é Ele na vitória e ainda é Ele na derrota; é Ele presente no nosso nascer e no nosso morrer! E isto nos escapa, como o Salmista exclama, admirado e perplexo: “Como são profundos para mim Teus pensamentos, como é grande seu número, ó Deus! Se os conto, são mais que a areia, se acho que terminei, ainda estou Contigo!” (Sl 138/139,17s).

          Caríssimos, sejamos pobres diante do Senhor Deus! Sejamos humildes! Oremos sempre, oremos suplicando, oremos com um coração confiante, oremos sem desfalecer, oremos esperando contra toda esperança, oremos na certeza de que o Senhor nos ouve e no acode, do Seu modo, no Seu tempo, para o nosso bem, segundo o Seu misterioso desígnio!

          Para o homem soberbo tudo isto é tolice; para o autossuficiente e o racionalista tudo isto é loucura sem sentido! Cuidado, irmãos! Tomemos seriamente o conselho do santo Apóstolo a Timóteo, na Epístola de hoje: “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade! Conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus!” Eis aqui! Esta é a diferença entre crer e não crer: o verdadeiro crente tem a coragem ousada de abrir-se à lógica de Deus, de por Ele deixar-se conduzir; o descrente, ao invés, deseja medir a ação de Deus e compreendê-la e abarcá-la na medida da sua lógica, na estreiteza de sua própria racionalidade!

          Creiamos, irmãos; rezemos, irmãos; com perseverança supliquemos, irmãos, com inteira confiança esperemos, elevando as mãos como Moisés e os olhos como o Salmista, certos de que “do Senhor é que nos vem o socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra, pois não dorme nem cochila o Guarda de Israel!” Seja Ele bendito na Igreja e no nosso coração, hoje, como no princípio, e por toda a eternidade, nos séculos dos séculos. Amém!

========----------------==========

Crer em Deus, crer no homem

Um filho de Deus teme a Deus e respeita a pessoa humana. Cada pessoa é imagem de Deus. É contraditório crer em Deus e ser a favor do aborto, por exemplo.

Deus veio à terra para que o homem subisse ao céu! 
- Deus continuou protegendo a Caim, mesmo depois de ter matado o seu irmão Abel.
=========        ========

De Mãos Erguidas

Manter com Deus  uma ORAÇÃO PERSEVERANTE.
Só assim será possível aceitar os projetos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos e acreditar no seu amor.

Na 1a Leitura, MOISÉS não desiste de rezar. (Ex 17,9-13a)

O Povo de Deus está a caminho da Terra Prometida...
- Josué organiza seus homens para lutar contra os inimigos com as armas.
- Moisés, no alto da colina, de "mãos erguidas", faz uso da arma da Oração.
    A vitória foi alcançada muito mais pelo auxílio de Deus, do que pelo valor dos combatentes.

* Nas duras batalhas da vida, devemos contar com a ajuda e a força de Deus.
   Devemos manter, como Moisés, as "Mãos sempre erguidas" em oração.

Na 2a Leitura, PAULO indica uma fonte preciosa que alimenta a Oração: A Sagrada Escritura:  "Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar,    para corrigir, para educar na justiça... Por ela, o homem de Deus  se torna perfeito, preparado para toda a boa obra". (2Tm 3,14-4,2)

Evangelho - "Para mostrar a necessidade de REZAR SEMPRE, e nunca desistir":
Jesus contou aos discípulos uma PARÁBOLA:
- Uma viúva injustiçada pede justiça... mas o juiz não lhe dá ouvidos...    Ela tanto insiste, que o juiz acaba atendendo.
   - Se até um homem mau cede diante de um pedido incessante, quanto mais Deus, que é justo e santo, nos atenderá e salvará...
  A Oração deve ser um Diálogo insistente e contínuo...

* Deus está sempre atento aos nossos pedidos, mesmo quando "parece" insensível aos nossos apelos, aos nossos clamores por justiça. Geralmente temos pressa...
   Ele sabe a hora e o momento para cada coisa.
   A nós resta moderar a impaciência e confiar totalmente nele.

+ "REZAR SEMPRE" - Significa nunca interromper o DIÁLOGO com Deus, mesmo no aparente silêncio de Deus.
   - Nesse diálogo, Deus transforma os nossos corações e aprendemos a nos entregar nas mãos de Deus e confiar nele.
 
+ A Oração não é uma fórmula mágica para levar Deus a fazer nossa vontade ou até nossos caprichos. Não é um simples ato de piedade, ou expressão do sentimento; mas antes um ato de fé e de amor, que nos abre ao DIÁLOGO COM DEUS.

+ Rezar é CONVERSAR com Deus: Falar e Escutar... As Orações não precisam de palavras complicadas. Existem orações escritas que rezamos, mas também as orações  que são feitas quando queremos conversar com Deus do nosso jeito. Deus é o nosso melhor amigo e gosta de nos ouvir.

+ Rezar é fazer SILÊNCIO profundo  para ouvir Deus, acolher a sua Palavra  e assim nos dispor a fazer a sua vontade...

+ Rezar é uma RESPOSTA  que poderá assumir várias FORMAS: Ação de graças... Contemplação... Profissão de fé... Declaração de entrega... Pedido...


                                     Pe. Antônio  Geraldo

=======--------------=======
Diác. José da Cruz
Já vi escrito em muito para-choque de caminhão, que “O pobre vive de teimoso”, uma frase que embora irônica tem um fundo de verdade, pois teimosia nesse caso, é sinônimo de perseverança, paciência e esperança, virtudes que são na verdade o tempero da nossa fé, porque a fé que não persevera, que não é paciente e não traz no coração a esperança, é morta, pois segundo São Tiago, a Fé deve ser sempre vivenciada e transformada em obras. No olhar do pobre encontramos um brilho de esperança, basta ver as filas em busca de algum benefício nos bancos ou em repartições públicas, ou até mesmo em fila de liquidação nas grandes lojas, o pobre é capaz de varar o dia, a noite e a madrugada, para guardar um lugar, sempre esperançoso de alguma melhora ou benefício
Não se quer dizer que estas virtudes sejam exclusivas do pobre, mas é que o rico não tem muita paciência e perseverança e nem seria necessário, uma vez que o dinheiro compra tudo nesta vida, fazendo com que o rico coloque toda sua segurança em seu patrimônio e no dinheiro e portanto, essas virtudes sempre nascem e são cultivadas no coração do pobre por causa da sua necessidade, que o leva a pedir. É esse o caso dessa viúva que aparece no evangelho desse domingo, pois naquele tempo não havia leis que protegiam e davam garantias à mulher, no caso do falecimento do esposo e a viuvez, junto com a orfandade, era sinônimo de desamparo e abandono, já que o parente mais próximo do falecido, apossava-se de todos os seus bens sobrando para a viúva a triste sina de viver de esmola, pois a mulher não tinha direito de propriedade.
Na lógica humana a viúva não tinha outra alternativa se não a de resignar-se com a sua sorte, pois o juiz dificilmente iria lhe fazer justiça, já que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Conformismo e resignação parecem fazer parte da índole do nosso povo, que deixa o destino da nação nas mãos de certos homens inescrupulosos, sem se importar com os rumos da política ou da economia, tornando-se uma perfeita “Vaquinha de presépio”, engolindo tudo que é sapo, ignorando a sua cidadania e seus direitos essenciais. Mas não é esse o caso da viúva, ela não se conformou com o abandono e a exploração da quais as viúvas eram vítimas e resolveu “virar a mesa” indo à luta por aquilo que considerava justo. Não se sabe quantas vezes ela bateu à porta desse juiz, mas a se julgar pelo temor do magistrado, não deve ter sido só duas ou três e nem foi tão pacífica assim. Claro que exercício de cidadania não deve ser confundido com arruaça e vandalismo
Os maus governantes sempre tremem na base, quando o povo toma consciência de seus direitos e vai à luta por eles, foi o que aconteceu com esse juiz, que não temia a Deus e nem respeitava homem algum, mas que diante da insistência e da teimosia da mulher, acabou cedendo e atendeu o seu desejo fazendo-lhe justiça contra seu adversário, que certamente queria ficar com seus bens. O evangelho nos mostra a qualidade da verdadeira oração, que não pode ser “imediatista” e onde se quer que Deus atenda o pedido “pra ontem”, as demoras de Deus requer do verdadeiro crente a paciência e confiança.
A oração também não deve ser uma forma de se forçar Deus a fazer a nossa vontade, realizando coisas, ou consertando certas situações que são de nossa única responsabilidade. A viúva soube unir oração e ação, com uma fé consciente e responsável, que crê, persevera, insiste, persiste, espera e vai à luta, para mudar o placar adverso
Deus é a força e a teimosia do pobre pois ouve sempre seu clamor e jamais deixará de atendê-lo. Aquela fé mágica e comodista, de quem só quer vento a favor e espera sempre um milagre de Deus, sem mover uma só palha, é uma fé que nada constrói e nem agrega nessa vida: QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!


============----------------


Para a celebração da Palavra (Diáconos e Ministros da Palavra):


Louvor (quando o Pão Sagrado estiver sobre o altar)                                                                - O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
-  Senhor, nosso Deus e nosso Pai! Hoje nos ensinastes que sois vós que nos dais as vitórias sobre todas as nossas dificuldades. Pai, agradecemos a nossa existência, e todo o universo que criastes. Agradecemos por nos amar e enviar Vosso Filho para nos ensinar. Agradecemos a graça do batismo que nos tornou filhos prediletos vossos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- Pai, Vosso Filho hoje nos ensinou que devemos estar sempre unidos a vós. A oração é meio mais eficaz de nos unirmos a Vós. Vós conheceis todo o nosso ser e as nossas necessidades. Dai-nos humildade para que não nos separemos de Vós. Que saibamos sempre ser instrumentos úteis em vossas mãos. Que o desânimo não nos tire de vossa luz. Que saibamos orar em todos os momentos, quer nas alegrias, quer nos momentos de cruz. Protegei-nos e amparai-nos sempre.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- Pai, que saibamos seguir o exemplo de Vosso Filho na oração e tenhamos coragem de fazer a Vossa vontade! Enviai-nos o Espírito Santo para que tenhamos força e coragem.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- PAI NOSSO...  A PAZ... EIS O CORDEIRO...