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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, subsídios homiléticos, homilias

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” Que lugar ocupa os bens materiais em nossa vida?
Primeira leitura: o profeta Amós denuncia os comerciantes sem escrúpulos, que exploram.
Evangelho: Na parábola do administrador astuto, Jesus oferece o exemplo de um homem que usou dos bens terrenos para assegurar valores mais duradouros e pede que os seus discípulos para façam o mesmo.
Segunda leitura: Paulo convida a colocar nas orações a preocupação por todos os irmãos para que ajam conforme o projeto de Deus. O discípulo é convidado a assumir os valores duradouros do amor, da partilha.

PRIMEIRA LEITURA (Am 8,4-7) Leitura da Profecia de Amós.
Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; vós que andais dizendo: “Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos e adulterar balanças, dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?” Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor: “Nunca mais esquecerei o que eles fizeram”.

AMBIENTE - Amós, o “profeta da justiça social”, exerceu o seu ministério profético no reino do Norte (Israel) no séc. VIII a.C., durante o reinado de Jeroboão II. A prosperidade e o bem-estar das classes favorecidas contrastavam com a miséria das classes baixas. O sistema de distribuição estava nas mãos de comerciantes sem escrúpulos que especulavam com os preços, endividando os pobres que acabavam por perder suas terras em favor dos grandes latifundiários. A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os juízes, impedindo que o tribunal fizesse justiça aos mais pobres. É neste contexto que aparece o profeta Amós., chamado por Deus, deixa a sua terra e parte para o reino vizinho para gritar à classe dirigente a sua denúncia profética.

MENSAGEM - Comerciantes sem escrúpulos, dominados pelo espírito do lucro, compram dos agricultores os produtos da terra a preços irrisórios e revendem-nos aos pobres a preços exorbitantes; roubam usando pesos, medidas e balanças falsas; nos dias de sábado e de lua nova (dias sagrados, em que as atividades lucrativas eram suspensas), em lugar de se preocuparem com o louvor de Deus, eles estão ansiosos por recomeçarem os seus negócios de especulação e de exploração do pobre, a fim de aumentarem os seus lucros. Tudo isto configura uma violação grosseira dos mandamentos da aliança. Qualquer crime cometido contra os pobres é um crime contra Deus… Por isso, Amós anuncia que Deus não esquece (não deixa passar em branco) este comportamento.

ATUALIZAÇÃO - ♦  A exploração descrita por Amós os pobres dos nossos dias conhecem bem; especula-se com bens de primeira necessidade, que as multinacionais vendem a preços exorbitantes (medicamentos vendidos a peso de ouro); na publicidade, que gera necessidades nos pobres, que os leva a endividarem-se até porem em causa o seu futuro; basta pensar nos produtos adulterados, impróprios, que são introduzidos pelos especuladores na cadeia alimentar e que põem em risco a saúde pública e a vida das pessoas…
♦ Amós garante: o nosso Deus não suporta a injustiça e a opressão.

SALMO RESPONSORIAL / 112 (113)
 Louvai o Senhor, que eleva os pobres!
• Levanta da poeira o indigente / e do lixo ele retira o pobrezinho, /
para fazê-lo assentar-se com os nobres, / assentar-se com nobres do seu povo.

EVANGELHO (Lc 16,1-13) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? Ninguém pode servir a dois senhores. Porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

AMBIENTE- Jesus instrui os discípulos face aos bens deste mundo.

MENSAGEM - Os bens deste mundo devem servir para garantir outros bens, mais duradouros. Um homem é acusado de má administração dos bens do patrão. Chamado às contas e despedido, este homem tem a preocupação de assegurar o futuro. Chama os devedores do patrão e reduz-lhes as quantias das dívidas. Ele supõe que os devedores beneficiados não esquecerão a sua generosidade e, mais tarde, manifestar-lhe-ão a sua gratidão e acolhê-lo-ão em sua casa. Como pode Jesus dar como exemplo aos discípulos das malandragens de um tal administrador? Estas dificuldades desaparecem se entendemos esta história tendo em conta as leis e costumes da Palestina nos tempos de Jesus. O administrador de uma propriedade atuava em nome e em lugar do seu senhor e acrescentava a sua comissão. Habitualmente, ele fornecia um determinado número de bens, mas o devedor ficava devendo muito mais; a diferença era a “comissão” do administrador. Dos cem barris de azeite no recibo, só uns cinquenta haviam sido, na realidade, emprestados; os outros cinquenta constituíam a exorbitante “comissão”. Provavelmente, o que este administrador sagaz fez foi renunciar ao lucro que lhe era devido, a fim de assegurar a gratidão dos devedores: renunciou a um lucro imediato, a fim de assegurar o seu futuro. Este administrador é um exemplo pela sua esperteza e sagacidade: ele sabe que o dinheiro tem um valor relativo e troca-o por outros valores mais significativos – a amizade, a gratidão. Jesus conclui a história convidando os discípulos a serem tão hábeis como este administrador: os discípulos devem usar os bens deste mundo, não como um fim em si mesmo, mas para conseguir algo mais importante e mais duradouro (os valores do “Reino”). O nosso texto termina com um aviso de Jesus acerca da deificação do dinheiro: Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios e procurar conjugá-los é impossível… Os discípulos são, portanto, convidados a fazer a sua opção entre um mundo de egoísmo, de interesses mesquinhos, de exploração, de injustiça (dinheiro) e um mundo de amor, de doação, de partilha, de fraternidade (Deus e o “Reino”).

ATUALIZAÇÃO
♦ O mundo em que vivemos decidiu que o dinheiro é o deus fundamental. Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalhe doze ou quinze horas por dia, num ritmo de escravo, e prescinda da família e dos amigos; por dinheiro, há quem sacrifique a sua dignidade e apareça a expor, diante de uma câmara de televisão, a sua intimidade e a sua privacidade; por dinheiro, há quem venda a sua consciência e renuncie a princípios em que acredita; por dinheiro, há quem não tenha escrúpulos em sacrificar a vida dos seus irmãos e venda drogas e armas que matam; por dinheiro, há quem seja injusto, explore os seus operários, se recuse a pagar o salário do mês porque o trabalhador é ilegal e não se pode queixar às autoridades.
♦ Jesus avisa os discípulos de que a aposta obsessiva no “deus dinheiro” não é o caminho mais seguro para construir valores duradouros, geradores de vida plena e de felicidade.
♦ Todo este discurso não significa que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral, do qual devamos fugir a todo o custo. O dinheiro é algo imprescindível para vivermos neste mundo e para termos uma vida com qualidade e dignidade… No entanto, Jesus recomenda que o dinheiro não se torne uma obsessão, uma escravidão, pois Ele não nos assegura a conquista dos valores duradouros e da vida plena.
à     Os discípulos são convidados a fazer a sua escolha entre o Mundo do DINHEIRO (de egoísmo, interesses, exploração, injustiça)  e o Mundo do AMOR (da doação, da partilha, da fraternidade). - As riquezas não devem ser obstáculo à Salvação, mas um meio para fazer amigos "nas moradas eternas."
  Um instrumento de Comunhão entre as pessoas, de amizade, de igualdade...
  Não servir ao dinheiro, mas nos servir do dinheiro para servir a Deus e aos irmãos...

SEGUNDA LEITURA (1Tm 2,1-8) Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo, antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; pelos que governam e por todos os que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo e – falo a verdade, não minto – mestre das nações pagãs na fé e na verdade. Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem
ira e sem discussões.
AMBIENTE - Continuamos a ler a Primeira Carta a Timóteo. Apresenta-se como escrita por Paulo, instruindo-o acerca da forma de organizar a comunidade cristã e a vida cristã dos fiéis.

MENSAGEM - O autor da carta dá a Timóteo dá normas sobre a oração litúrgica. Começa com um convite a rezar por todos os homens, particularmente pelas autoridades: deles depende o bem estar social e a paz. De resto, a oração dos cristãos deve ser universal, pois é universal a proposta da salvação que Deus oferece a todos. Duas razões: a unicidade de Deus, criador de todos e a mediação universal de Cristo, que derramou o seu sangue por todos… (há um só Deus, e Cristo – o único mediador entre Deus e os homens – trouxe, pela sua morte, a redenção a todos).

ATUALIZAÇÃO
♦  A oração tem de ser a expressão da comunhão e da solidariedade do crente para com todos os irmãos espalhados pelo mundo inteiro – conhecidos e desconhecidos, amigos e inimigos, bons e maus.
♦ A oração só faz sentido se for a expressão de uma vida de comunhão – comunhão com Deus e comunhão com os irmãos. Portanto, é impossível rezar e, ao mesmo tempo, cultivar sentimentos de ódio, de intolerância, de racismo, de divisão.

Pe. Barbosa e Pe. Carvalho

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Dois Senhores

Vivemos numa sociedade globalizada, em que o dinheiro parece mandar em tudo e é procurado a qualquer custo. Para muita gente, ter dinheiro significa poder e prestígio... Qual deve ser a atitude cristã diante das riquezas?         

Na 1a Leitura, Amós denuncia os ricos comerciantes do seu tempo, que exploravam nas mercadorias e nos preços os pobres camponeses. Nem respeitavam os "dias santos" para celebrar e descansar. O Profeta os adverte que Deus não ficará impassível diante disso.

* Essa exploração descrita por Amós não é um fato apenas do passado. É uma realidade que os pobres conhecem muito bem ainda hoje. A exploração e o lucro desmedido não fazem parte do projeto de Deus...

Na 2ª Leitura, Paulo convida a uma oração universal, elevando ao céu "mãos puras", em favor de todos os homens. A oração só tem sentido se for expressão de uma vida de comunhão,  com Deus e com os irmãos.

No Evangelho, Cristo conta a Parábola do ADMINISTRADOR infiel, que ao ser despedido, reduz o valor das dívidas dos devedores para garantir futuros amigos. (Lc 16,1-13)

À primeira vista, poderia dar a impressão de que Jesus elogia a desonestidade e a corrupção do administrador. Para compreender o ensinamento do Mestre, devemos nos situar no tempo. Naquela época, os administradores deviam entregar ao empresário uma determinada quantia; o que conseguissem a mais ficava com eles. O que fez o administrador? Renunciou ao que lhe cabia nos negócios. Ele entendeu que, no futuro, mais do que dinheiro, precisava de amigos. Por isso, renunciou ao dinheiro, para conquistar amigos.

* A "esperteza" do administrador revela a criatividade, que falta aos "filhos da luz".
Devemos também ser "espertos", fazendo uso dos meios disponíveis, para tornar sempre atual a mensagem de Cristo.

A Busca desenfreada pelo dinheiro continua...
O dinheiro é o deus de muita gente, que está disposta a tudo desde que faça crescer a conta bancária.
- Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalha   doze ou quinze horas por dia, num ritmo de escravo,  e esquece de Deus, da família, dos amigos e até própria de saúde;
- por dinheiro, há quem vende a sua dignidade, a sua consciência e renuncia a princípios em que acredita;
- por dinheiro, há quem não tem escrúpulos em sacrificar a vida ou o nome dos seus irmãos;
- por dinheiro, há quem é injusto, explora os operários,   se recusa a pagar um salário justo... 

  Talvez nunca cheguemos a estes casos extremos;   mas, até onde seríamos capazes de ir, por causa do dinheiro?
  A adoração ao "deus dinheiro" não é o caminho mais seguro   para construir valores duradouros, geradores de vida e de felicidade.

* Jesus não quer dizer que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral,  do qual devamos fugir a todo o custo. O dinheiro é necessário para uma vida com qualidade e dignidade… Mas ele não pode se tornar uma obsessão, uma escravidão, pois não nos assegura (e muitas vezes até perturba) a conquista dos valores duradouros e da vida plena.
O Dinheiro é um "ídolo tirano", que nos escraviza e nos torna insensíveis a Deus e às necessidades dos outros.

+ Jesus conclui com sentenças sobre o bom uso das riquezas:

- "Ninguém pode servir a DOIS SENHORES... a Deus e ao Dinheiro..."
  * Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios...
     Os discípulos são convidados a fazer a sua escolha entre o Mundo do DINHEIRO (de egoísmo, interesses, exploração, injustiça)  e o Mundo do AMOR (da doação, da partilha, da fraternidade).

- As riquezas não devem ser obstáculo à Salvação, mas um meio para fazer amigos "nas moradas eternas."
  Um instrumento de Comunhão entre as pessoas, de amizade, de igualdade...
  Não servir ao dinheiro, mas nos servir do dinheiro para servir a Deus e aos irmãos...

- Honestidade tanto nos grandes como pequenos negócios, porque quem é fiel no pouco, também é fiel no muito,   quem é infiel no pouco, também é infiel no muito.
  Quem não é fiel nas riquezas terrenas (no pouco), também não é fiel nas riquezas eternas (no muito).

Qual é a nossa atitude diante dos bens terrenos? Só Deus é o dono de tudo o que existe...
Nós somos apenas administradores...

A qualquer momento, Cristo poderá também nos dizer: "Presta conta da tua administração!"

- Como estamos administrando? Já garantimos a nossa morada eterna?

                                    Pe. Antônio Geraldo
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 “Por que o Senhor narrou esta parábola? – pergunta Santo Agostinho –. Não porque aquele servo fosse um exemplo a ser imitado, mas porque foi prevenido em relação ao futuro, a fim de que se envergonhe o cristão que não tenha essa determinação”; louvou lhe o empenho, a decisão, a astúcia, a capacidade de sobrepor-se e resolver uma situação difícil, sem deixar-se levar pelo desânimo.
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Homilia do Pe. Julio Lancellotti 

A palavra de Deus é sempre provocante e é também vivificante. Nos faz viver e reanima a nossa esperança no tempo do cansaço, do sofrimento, nas expectativas, no início da juventude e no ocaso da vida. Sempre, a palavra de Deus é alimento que nos sustenta para a caminhada. Caminhada às vezes cansados e feridos, mas sem desistir.
Nós ouvimos a profecia de Amós. Amós é um profeta militante, que está em muitas lutas. Por isso, ele começa dizendo: Ouvi isto, atenção, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; quem são? Vós que exploram os pobres e tiram a esperança do povo. Aqueles que deixam o povo cansado e desanimados; sem esperança. Vós que maltratais os humildes e os prostrai, isto é covardia! Ouçam bem isto: Vós que andais dizendo: “Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria?  Vós que dizeis: quando vou ganhar mais? Como fazer para ter mais lucro sobre o povo? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos e adulterar balanças,... Olha que sem vergonha! Diminui a medida e aumenta o preço. Aumenta o preço e adultera a balança. Quem pensa que corrupção e sem-vergonhice é coisa nova, olha, que no tempo de Amós, muito tempo antes de Jesus, já tinha gente falsificando a balança. ...dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?” não é nem o trigo. É o refugo do trigo, pois por cima é trigo, mas por baixo está cheio de refugo. Quem faz isto, diz Amós, Deus está mandando um recado:
Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor: “Nunca mais esquecerei o que eles fizeram”.
Quem explora os pobres e humildes, explora a Deus. E Deus diz: não vou esquecer. Pode ser que todo mundo esqueça, mas Deus não vai esquecer. O profeta Amós está chamando a atenção e é o que hoje o Papa Francisco falou de maneira comovente, quando ele foi encontrar-se com os desempregados e detentos, onde almoçou com pobres, assistido pela Cáritas na Sardenha, onde ele diz: eu vejo o sofrimento no rosto de vocês. O papa abandonou o seu discurso e falou de coração, causando uma forte emoção e grande impacto, contando a própria vida de seu pai, que em mil novecentos e vinte nove abandonou a Itália e foi como migrante desempregado e foi para a Argentina. E, ele foi para o santuário de Nossa Senhora Bonária, Nossa Senhora do bom ar, que deu origem a Buenos Aires, que foi levada por marinheiros da Sardenha para aquela região. Por isso, o Papa quis ir lá para encontrar-se com as chamadas periferias existenciais, os pobres da terra, os humildes da terra, aqueles que são explorados e que estão sofrendo por causo do sistema que o nosso mundo tem de exploração. O papa chamou a atenção dizendo: a idolatria do dinheiro. Muita gente fala de idolatria e não sabe o que está falando. “ah, idolatria porque tem imagem de santo”. Coitado do santo. Cai dali e não dá nem para consertar. A idolatria não é ter uma imagem. A idolatria é colocar o poder e o ter no lugar de Deus. Isso que é idolatria. Idolatria não é ter uma imagemzinha de barro, que qualquer tapinha faz cair e quebra e tem que juntar os cacos e jogar no lixo. Pior, que quando quebram, trazem para a igreja e eu fico com um monte de santo quebrado aqui. Então, idolatria não é isso. Outro ainda diz: ah, agora encontrei Jesus e agora não tenho mais imagem. Ah, se fosse tão simples assim... agente resolvia o problema da idolatria num vapt-vupt, quebrava todas as imagens e não tinha mais idolatria. Não! A idolatria é muito mais séria! É o que nós estamos vivendo! A idolatria do dinheiro, a idolatria do ter, a idolatria do capital. O mundo gira em torno do capital, do dinheiro. Não é o dinheiro que está para servir a vida humana. Basta você ver: o carro que carrega dinheiro, você já viu algum estragado? Balançando, com um monte de barulho? Você já viu uma ambulância estragada? A ambulância pode ser estragada porque carrega gente. Se for ambulância pública, pior ainda. Mas, o carro do dinheiro está cheio de seguranças, quando param, estão com aquele saco de dinheiro, os outros com as mãos nas armas e todo mundo olhando como se fosse o ato mais importante da vida! Vocês já viram os prédios dos bancos? São parecidos com os postos de saúde? Qual é mais bonito? (risos) os bancos são mais bonitos. Tem alguns que tem até jardins dentro! Agora fazem os bancos para você pensar que você está em qualquer lugar, menos num bando. Tem obras de arte, tem música ambiente, tem até fontes, cascatas com água correndo, é tudo bonito. Servem cafezinho e é parecido com a sala de espera do pronto socorro de Tatuapé. (risos) Isso que é idolatria! E, nós convivemos com esta idolatria todos os dias. A pessoa pobre, simples, que está lá na porta do pronto socorro, apodrece lá, sem ninguém atender. Mas, como diz o Papa Francisco: “Se a Bolsa cai um, dois pontos, o mundo entra em alarme, dizendo que a Bolsa de Valores está nervosa, e então, todas as atenções são voltadas para elas. De manhã, do oriente já se sabe do ocidente e do ocidente já se sabe como fechou do oriente e o mundo todo gira em torno disso! Os investidores estão preocupadíssimos. E, aí estão preocupados com as crianças da Círia?” diz o papa: Não. “Quem estão preocupados são os fabricantes de armas, que querem que haja bombardeios para poderem vender suas bombas e suas armas”. “A vida humana não tem o lugar que deveria ter”. Como nos diz hoje Paulo na segunda leitura: e por todos os que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador.
Ele quer que todos os homens sejam salvos! Salvar é viver! Não é como enfiaram na nossa cabeça: “você fica pobre, sofre mas lá no céu você vai comer manjar branco com ameixa preta e será muito feliz!” aqui você não vai comer nada, mas lá no céu você vai. Deus quer que as crianças sejam alimentadas, que as mães tenham condição de vida, que os velhinhos sejam cuidados com carinho, com ternura, que os doentes sejam tratados com dignidade, que os jovens tenham esperança para viver, que tudo isso não esteja submetido aos interesses e ao lucro, aos ganhos. Por isso, a palavra do Evangelho ilumina, toda a parábola é difícil de entender; Vós não podeis servir a dois senhores; a Deus e ao dinheiro. Tem que fazer uma escolha! Jesus conta esta história para dizer: quem serve ao dinheiro, acaba mal, sem futuro, sem saber para onde vai. Se continuarmos a leitura... “os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam de Jesus”. Os amigos do dinheiro zombam, quando se fala sobre isso e dizem: não é possível pensar num mundo, sem pensar no lucro, sem pensar o quanto eu vou ganhar, quanto eu vou acumular, quanto eu vou ter. E, nós, pobres mortais, nem podemos imaginar o que é o lucro, o que é o ganho, que este mundo tem. Eu li esta semana, que o jogador Cristiano Ronaldo vai ganhar mais de um milhão e meio por semana! Por semana! Um milhão e meio por semana, num mundo em que criança morre de fome! Onde há muita gente sem ter casa para morar! Muita gente vivendo em situação de rua! Isso é idolatria. Nós assistimos tudo isso sem perceber a exploração que se instalou na nossa vida. Quando crianças e idosos não tem o necessário, quando os bolsões de miséria na África não tem o que é necessário.
Que tenhamos bem claro: quando falarem para nós de idolatria, agente saber o que é idolatria. A idolatria é aquilo que se coloca no lugar de Deus. Não é uma pobre imagem que está no lugar de Deus. A idolatria no nosso mundo é o capital, o dinheiro, que é servido como um Deus. É isso que Jesus nos quer dizer hoje. Que sejamos capazes de resistir, de ter esperança, de ter coragem e de viver o amor. Amém.

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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa
O sentido do Evangelho de hoje encontra-se numa constatação e num conselho de Jesus. Primeiro, a constatação: “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios que os filhos da luz”. Depois, o conselho, que, na verdade, é uma exortação: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”. Que significam estas palavras?
A constatação de Jesus é tristemente real: os pecadores são mais espertos e mais dispostos para o mal, que os cristãos para o bem. Pecadores entusiasmados com o pecado, apóstolos do pecado, divulgadores do pecado… Cristãos sem entusiasmo pelo Evangelho, sem ânimo para a virtude, sem criatividade para crescer no caminho de Deus! Pecadores motivados, cristãos cansados e preguiçosos! Que vergonha! Hoje, como ontem, a constatação de Jesus é verdadeira. Olhemo-nos, olhemos uns para os outros, olhemos para esta Comunidade que, dominicalmente, se reúne para escutar a Palavra e nutrir-se do Corpo do Senhor… Somos dignos da Eucaristia? Sê-lo-emos se nos tornamos testemunhas entusiasmadas e convictas daquele que aqui escutamos, daquele por quem aqui somos alimentados!
Da constatação triste do Senhor, brota sua exortação grave: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”. Palavras estranhas; à primeira vista, escandalosas… Que significam? Jesus chama o dinheiro de “injusto”. Isto porque o dinheiro, a riqueza, os bens materiais e os bens da inteligência, do sucesso, da fama, ainda que adquiridos com honestidade, são sempre traiçoeiros, sempre perigosos, sempre na iminência de escravizar nosso coração e nos fazer seus prisioneiros. Dinheiro injusto porque sempre nos tenta à injustiça de dar-lhe a honra que é devida somente a Deus e de buscar nele a segurança que somente o Senhor nos pode garantir. Por isso, Jesus chama os bens deste mundo de “dinheiro injusto”… Sempre injusto, porque sempre traiçoeiro, porque sempre sedutor! Constantemente corremos o risco de nos embebedar com ele, fazendo dele o fim de nossa existência, nossa segurança e nosso deus… Mas, os bens materiais, em geral, e o dinheiro, em particular, não são maus de modo absolutos… Eles podem ser usados para o bem. Por isso Jesus nos exorta a fazer amigos com eles… Fazemos amigos com nossos bens materiais ou espirituais quando os colocamos não somente ao nosso serviço, mas também ao serviço do crescimento dos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Aí, o dinheiro se torna motivo de libertação, de alegria e de vida para os outros… Aí, então, tornamo-nos amigos dos pobres, que nos receberão de braços abertos na Casa do Pai! Bendito dinheiro, quando nos faz amigos dos pobres e, por meio deles, amigos de Deus! Que o digam os cristãos que foram ricos e se fizeram amigos de Deus porque foram amigos dos pobres! Que o digam Santa Brígida da Suécia, Santo Henrique da Baviera, São Luís de França, os Santos Isabel e Estevão, reis da Hungria, Santa Isabel de Portugal… e tantos outros, que souberam colocar seus bens a serviço de Deus e dos irmãos! Uma coisa é certa: é impossível ser amigo de Deus não sendo amigo dos pobres. Sobre isso o Senhor nos adverte duramente na primeira leitura: ai dos que celebram as festas religiosas dos sábados e das luas novas em honra do Senhor com o pensamento de, no dia seguinte, roubar, explorar o pobre e pisar o fraco! Maldita prática religiosa, esta! A queixa do Senhor é profunda, sua sentença é terrível. Ouçamos o que ele diz, e tremamos: “Por causa da soberba de Jacó, o Senhor jurou: ‘Nunca mais esquecerei o que eles fizeram!’” A verdade é que não podemos usar nossos bens como se Deus não existisse e não nos mostrasse os irmãos necessitados, como também não podemos adorar a Deus como se não tivéssemos dinheiro e outros bens materiais ou da inteligência, bens que devem ser colocados debaixo do senhorio de Cristo! Não se pode separar nossa relação com Deus do modo como usamos os nossos bens! Ou as duas vão juntas, ou a nossa religião é falsa! Por isso, perguntemo-nos hoje: como uso os bens materiais, como uso meus talentos, como uso minha inteligência? Somente para mim? Ou sei colocar-me a serviço, fazendo de minha vida uma partilha, tornando outros felizes e o nome de Deus honrado?
Os bens deste mundo são pouco, em relação com os bens eternos que o Senhor nos promete para sempre. Pois bem, escutemos o que diz o nosso Salvador: “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes. Se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?” Em outras palavras, para que ninguém tenha a desculpa de dizer que não compreendeu o que o Senhor quis dizer: Quem é fiel nas coisas pequenas deste mundo, será fiel nas coisas grandes que o Pai dará no céu. Se vós não sois fiéis no uso dos bens desta vida, como Deus vos confiará a vida eterna, que é o verdadeiro bem? E se não sois fiéis nos bens que não são vossos para sempre, como Deus vos confiará aquilo que é o verdadeiro bem, a vida eterna, que será vossa para sempre?
Olhemos nós, que o modo de nos relacionarmos com o dinheiro e demais bens diz muito do que nós somos, afinal o nosso tesouro está onde está nosso coração! Dizei-me onde anda o vosso coração, o vosso apego, a vossa preocupação, e eu vos direi qual é o tesouro da vossa vida! Tristes de nós quando o nosso tesouro não for unicamente Deus! Tristes de nós quando, por amor ao que passa, perdemos a Deus, o único Bem que não passa! Uma coisa é certa: a advertência duríssima de Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores. Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro!”
Que nos converta a misericórdia de Deus, que sendo tão bom, “quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. A ele a glória para sempre. Amém.
Dom Henrique Soares da Costa
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LOUVOR PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA

LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS,  LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, sois nossa luz e nossa proteção!
- Pai dos pobres, justiça dos oprimidos, nós Vos bendizemos pelo Espírito Santo, que destes aos profetas, encarregando-os de proclamar sempre e em toda a parte as exigências da justiça. Que o Espírito Santo purifique os nossos pensamentos e os nossos corações. Que sejamos testemunhas de tantas injustiças!
T: Senhor, sois nossa luz e nossa proteção!
- Deus nosso Pai, Vós quereis que todos os homens sejam salvos e cheguem a conhecer a verdade, nós Vos damos graças por Jesus, que nos revelastes como o único mediador entre Vós e a humanidade. É com Ele que nós elevamos a Vós o nosso louvor e as nossas preces.
T: Senhor, sois nossa luz e nossa proteção!
- “Deus Pai, único mestre digno de ser servido, nós Vos damos graças pela confiança que depositais em nós; Confiais a nós, seus filhos em Cristo, o Vosso Reino. Inspirai-nos para que façamos bom uso dos dons e dos bens da terra que nos destes.
T: Senhor, sois nossa luz e nossa proteção!
PAI NOSSO... A PAZ... EIS O CORDEIRO...


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilias, Subsídios dominicais, comentários do Evangelho

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B 2015

SINOPSE:
Tema: “Se alguém quiser ser o primeiro que seja aquele que serve a todos! :A “sabedoria do mundo” e a “sabedoria de Deus” Só a “sabedoria de Deus” possibilitará o acesso à vida plena.
Primeira leitura: A “sabedoria de Deus” provocará o ódio e a perseguição do mundo: é a consequência.
Evangelho: Jesus, cheio da lógica de Deus, aceita o projeto do Pai e a faz da sua vida um dom de amor aos homens; ser cristão é escutar o ensinamento de Deus e fazer da vida um serviço aos irmãos.
Segunda leitura: só a “sabedoria de Deus” conduz o homem ao encontro da vida plena. A “sabedoria do mundo” irá gerar violência, divisões, conflitos, infelicidade, morte.

6. PRIMEIRA LEITURA (Sb 2,12.17-20) Os ímpios dizem: “Armemos ciladas ao justo, e sua presença nos incomoda: ...Deus o defenderá... Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas...”.

AMBIENTE - “Livro da Sabedoria” (séc. I a.C.). O autor residente na Alexandria e defende os valores da fé e da cultura do seu Povo: só Jahwéh garante a verdadeira felicidade.
MENSAGEM - A vida dos “justos” magoa os “ímpios” e não os deixa em paz com a sua consciência. A reação é a perseguição. O autor dirá que a fidelidade do justo será recompensada com vida plena.
♦ A “sabedoria do mundo” prescinde de Deus e vive para o “ter”, o poder, o êxito, a fama, mas o torna vazio, frustrado, deprimido, escravo.
♦ A “sabedoria de Deus”, tendo como modelo de vida Jesus Cristo, vivem no amor e no serviço aos irmãos; lutam pela justiça, pela paz e mundo mais fraterno, que leva o homem ao encontro da verdadeira felicidade, da verdadeira realização, da vida plena.
♦ Quem escolhe a “sabedoria de Deus”, não tem uma vida fácil. Será incompreendido, caluniado, perseguido, torturado: a perseguição é a consequência da sua coerência de vida.

10. EVANGELHO (Mc 9,30-37) Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. ...E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discípulos, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” Eles... tinham discutido quem era o maior. Jesus ...disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último ... e aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança, ...disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. ...

AMBIENTE - Marcos apresenta Jesus como “o Filho de Deus, que Jesus não veio ao mundo para cumprir um destino de triunfos e de glórias humanas, mas para cumprir a vontade do Pai e oferecer a sua vida em dom de amor aos homens”. Todos ainda acreditam que Jesus vá entrar na cidade como um Messias político, poderoso e invencível, capaz de libertar Israel, pela força das armas, do domínio romano. Jesus vai catequizando, ensinando os valores do Reino e mostrando-lhes, com gestos concretos, que o projeto do Pai não passa por poder e domínio, mas pelo amor.

MENSAGEM - Jesus recebeu a missão de propor um caminho de realização plena; e Ele vai fazê-lo, mesmo que isso passe pela cruz. A morte, na perspectiva dos discípulos, não pode ser caminho para a vitória. Eles não entendem Jesus, pois acham que o caminho da cruz é um caminho de fracasso, mas não se atrevem a criticá-Lo. Eles se recordam a dura reação de Jesus com Pedro (Mc 8,32-33).
Na comunidade de Jesus, só é grande aquele que é capaz de servir e de oferecer a vida aos seus irmãos. Dessa forma, Jesus deita por terra qualquer pretensão de poder, de grandeza, na comunidade do Reino. Jesus completa a instrução com um gesto… Toma uma criança, coloca-a no meio do grupo, abraça-a e convida os discípulos a acolherem as “crianças”, pois quem acolhe uma criança acolhe o próprio Jesus e acolhe o Pai. As crianças eram sem valor, um símbolo dos pequenos, dos sem direitos, dos pobres, dos indefesos, dos marginalizados. O discípulo é grande, não quando tem poder ou autoridade sobre os outros, mas quando abraça, ama, serve os pequenos, aqueles que o mundo rejeita e abandona. No pequeno e no pobre que a comunidade acolhe, é o próprio Jesus que se torna presente.
ATUALIZAÇÃO ♦ Jesus teve consciência de que a missão passaria por muitas dificuldades e sofrimentos. Jesus vive segundo a “sabedoria de Deus”… Ele nunca conduziu a vida ao sabor dos interesses pessoais, esquemas de egoísmo, sonhos humanos de poder ou de riqueza… Para Ele a meta sempre foi a salvação que o Pai tinha para os homens.
♦ Os discípulos raciocinam segundo a “sabedoria do mundo”. Aquilo que os preocupa não é o cumprimento da vontade de Deus, mas a satisfação dos seus interesses pessoais. A atitude dos discípulos mostra a dificuldade que os homens têm em entender a lógica de Deus. Jesus declara: quem quer me seguir tem de mudar a mentalidade e abrir o coração à vontade de Deus.
♦ Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade não há donos, grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes … Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar os dons que Deus nos concedeu.

8. SEGUNDA LEITURA (Tg 3,16–4,3) Tiago: onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e obras más. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. ...De onde vêm as guerras? As brigas? Não vêm das paixões que estão em conflito dentro de vós? ...Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão ...porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.

AMBIENTE - Tiago elenca, na terceira parte desta carta (cf. Tg 3,1-4,10), uma série questões e situações. O primeiro é o cuidado a ter com a língua (cf. Tg 3,1-12); o segundo é rejeitarem a “sabedoria do mundo” e de acolherem a “sabedoria que vem do alto” (cf. Tg 3,13-18); o terceiro é uma análise sobre a origem das discórdias que envenenam a vida das comunidades cristãs (cf. Tg 4,1-10).
MENSAGEM - A “sabedoria do mundo” gera inveja, brigas, falsidade, desordem e más ações; destrói a vida da própria pessoa e impede a comunhão dos irmãos. A “sabedoria de Deus” é “pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e boas obras e sem hipocrisia”. Se o cristão quer viver em paz com Deus, deve acolher a “sabedoria de Deus” e atuar de acordo com ela. Os conflitos e discórdias resulta do fato de os crentes não terem ainda interiorizado a proposta de Cristo… Em lugar de fazerem da sua vida, como Cristo, um dom de amor aos irmãos, com gestos concretos de partilha, de serviço, de solidariedade, de fraternidade, estes vivem fechados no seu egoísmo e no seu orgulho. O seu coração está dominado pela cobiça, pela inveja, E essas “paixões” más traduzem-se em atitudes de luta, de inveja, de rivalidade, de ciúme, de arrogância, de ira. Vivem de acordo com a “sabedoria do mundo” e não de acordo com a “sabedoria de Deus”. Naturalmente, a sua oração não é escutada por Deus… O que eles pedem a Deus não é para satisfazer as suas necessidades materiais, mas para satisfazer as suas “paixões”, o seu orgulho, a sua cobiça, a sua vontade de se sobrepor aos outros irmãos. Uma oração que assenta em bases egoístas, não pode ser escutada por Deus.
ATUALIZAÇÃO ♦ O batismo é a opção por Cristo e pela proposta de vida nova que Ele veio apresentar; é escolher a “sabedoria de Deus” e passam a conduzir a sua vida pelos critérios de Deus. Num mundo que se constrói, tantas vezes, à margem de Deus, os cristãos devem ser os rostos dessa vida nova que Deus quer oferecer ao mundo.
♦ Tiago avisa: a opção pela “sabedoria do mundo” não é um caminho para a realização plena do homem; só gera infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos, morte. Nós temos de estar permanentemente num processo de conversão para que a “sabedoria do mundo” não ocupe todo o nosso coração e não nos impeça de atingir a vida plena.
♦ A ambição, a inveja, o orgulho, a competição, o egoísmo, criam divisões e destroem a comunidade.
♦ Quando o coração está cheio da “sabedoria do mundo”, a nossa oração torna-se egoísta, nossos pedidos se destinam a satisfazer as nossas ambições, os nossos interesses pessoais. Antes de falar com Deus, precisamos aprender a ver o mundo com os olhos de Deus. Só então a nossa oração fará sentido: será um diálogo de amor e de comunhão, através do qual escutamos Deus, percebemos os seus planos, acolhemos essa vida que Ele nos quer oferecer.

Pe. Joaquim, Barbosa, Pe. Carvalho

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O Maior

Com freqüência, as pessoas se deixam levar pela "sabedoria do mundo" e lutam com todas as forças para conseguir prestígio e poder...
Essa busca provoca muitos conflitos...
- O que nos diz a "Sabedoria de Deus"?

A 1a Leitura apresenta a atitude permanente do "ímpio" contra o "justo".
Sua presença, suas repreensões e sua conduta são incômodas...
Por isso, o condenarão com uma morte ignominiosa... (Sb 2,12.17-20)

Acena para a "morte vergonhosa" do Messias.
No século 1º aC, os judeus praticantes de Alexandrina são hostilizados pelos pagãos e desprezados pelos judeus não praticantes.
Isso provocou muitos conflitos entre eles.
O autor sagrado reflete sobre o destino dos "justos" e dos "ímpios".

No Evangelho Jesus anuncia sua paixão e morte e dá a seus discípulos uma lição de humildade e serviço.
Servir os pobres e as CRIANÇAS é servir o Senhor. (Mc 9,30-37)

- Ao longo da "Caminhada para Jerusalém",  Jesus vai catequizando os discípulos, ensinando-lhes que o projeto do Pai não passa por esquemas de poder e de domínio:
  Jesus faz o 2 º Anúncio da Paixão.
- Os Apóstolos não concordam e fecham-se num estranho silêncio: "Tinham medo de interrogá-lo..."
  Logo a seguir, surge uma animada discussão, um forte conflito, que revela a ambição de poder nos discípulos de Jesus…
- Chegando a Cafarnaum, Jesus questiona o assunto da conversa: "O que vocês estavam discutindo no caminho?"
- E eles: "Ficaram calados, porque no caminho  tinham discutido quem seria o maior".

Jesus aponta o CAMINHO para ser o maior... :

1) Em primeiro lugar, o espírito de SERVIÇO... "Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último e o servo de todos".

* A Comunidade cristã não o lugar apropriado para alcançar um posto de honra ou um lugar de prestígio e poder.
É o lugar onde cada um deve celebrar a própria grandeza, servindo os irmãos.
Só é grande quem é capaz de servir e de oferecer a vida aos seus irmãos.
- O que isso significa em nossa comunidade?

2) Em seguida, aponta o Modelo da CRIANÇA:        "Pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a, disse:  Quem acolher em meu nome uma dessas crianças,  é a mim que estará acolhendo..."
* Ser grande no Reino é ser pequeno e servir os pequenos.
   O discípulo é grande, não quando tem poder ou autoridade sobre os outros,  mas quando abraça os pequenos, quando acolhe os carentes,  os marginalizados, oprimidos, injustiçados e por eles se interessa.
    - Quais são as crianças (ou "como crianças") que devemos abraçar?

+ Os conflitos continuam...
    E Cristo nos questiona: "Por que estais discutindo?"

Na Sociedade competitiva, em que vivemos, desde pequenos nos passam a idéia de que, se não tivermos beleza, inteligência, riqueza, simpatia, nunca conseguiremos sucesso na vida.
- O que admiramos numa criança: o poder, a riqueza, a sabedoria humana, ou a simplicidade, a transparência?

Na família?
- Há divisões, conflitos… ciúmes… separações… Por que?
  Quando um ganha, os dois perdem!... Não há vencedores...

Na Comunidade?
- Também há discussões, críticas, ambições, rivalidades?
- Por que? Onde está a raiz de tudo?
- Desejo consciente ou inconsciente de ser o MAIOR?
- Busca de cargos, títulos, honrarias ou elogios?

Tiago, na 2a leitura, denuncia a desunião na sua comunidade e aponta a raiz de tudo isso: 
"Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e  toda a espécie de obras más…"  (Tg 3,16-4,3)
Uma oração realizada nesse clima não pode ser escutada por Deus...

+ Na comunidade cristã, quem são os primeiros?

As palavras de Jesus são claras: "Quem quiser ser o primeiro, seja o último e o servo de todos".

- Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem,  com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos.

- Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados,  nem pessoas mais importantes do que as outras,
  nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social...

- Na comunidade cristã há irmãos iguais,  a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos.
  Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir e de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu.

* Qual é o tipo de grandeza que estamos procurando?
* Aos olhos de Deus, ou apenas aos olhos dos homens?

                                             Pe. Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO:

O livro da Sabedoria nos mostra o que é ser sábio; o sábio distingue o que é ímpio e o que é justo. Hoje, o que mais se ouve é: “eu quero justiça”. Isto se ouve na tv, nos jornais. O que será que a pessoa entende quando diz que quer justiça? Aqui, no Livro da Sabedoria, nos diz algo que é muito importante; “vamos pô-lo a prova, com ofensas e torturas para ver se a sua serenidade e provar a sua paciência”.  Talvez, o que tenha faltado para nós é exatamente a paciência. Veja no trânsito, se alguém não percebeu que o farol abriu, leva muitas buzinadas... alguém que está na fila e o caixa se enrola um pouco, já é o suficiente para irritar a muitos... é evidente que vivemos num mundo meio louco, mas se de fato professamos a nossa fé, a nossa conduta precisa ser pautada pela fé e precisa ser pautada pela Palavra de Deus. Caso contrário, não seremos diferentes dos outros. Claro, de verdade, precisamos refletir com profundidade.
Agora, São Tiago vai além; ele diz assim: “onde houver inveja e rivalidade, aí está a desordem e toda espécie de obras más. É muito interessante observar e aqui é apenas uma reflexão. Não cabe a mim julgar as condutas das pessoas, mas cada vez é mais difícil encontrar uma casa onde existe apenas uma conta bancária; cada um tem a sua conta. E cada um vai precisar partilhar as despesas da casa. Aí, neste gesto simples, começa a rivalidade; “porque você gasta menos do que eu e eu tenho que pagar a conta de luz do meu bolço? A família, a razão primeira da família, a palavra família significa FAMINTOS, são aqueles que se reúnem para defender-se da fome. Portanto, família é um grupo de pessoas que se unem, para se ajudarem a viver melhor. Se ninguém ajuda ninguém, não há razão de ter família. Por isso, a família hoje passa por uma profunda crise, porque os filhos não foram educados para a colaboração com os pais. Depois que se casam, não têm sequer o hábito de visita-los. Se não há uma sensibilidade de encontrar o outro, quanto mais ser solidário nas dificuldades. Tudo aquilo que coopera para uma competição, acaba virando rivalidade. Aí, diz São Tiago: “A sabedoria que vem do alto é pura, o discernimento entre o que é justo  e o que é ímpio, vem de uma pureza. Mesmo que você estiver julgando errado, mas seu coração está puro, não é julgamento maldoso.  Não é parcial nem tendencioso. Ele vai mais além:  “pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e fingimento. O fruto da justiça é semeado NA PAZ”. Ora, então, onde não há paz, não há justiça. E onde não há justiça também não há paz. Qualquer proposta que a Igreja Católica Apostólica apresenta para o mundo, ela é bombardeada de todos os lados. Basta que alguém ponha uma estampa de Maomé e todo o lugar é jogado fogo e jogado bombas. Não vou julgar os mulçumanos, mas nós aprendemos com a história que não se resolve as coisas a partir da violência. Nós mesmos, em nome de Jesus Cristo, já geramos muita violência. Nós, vamos seguindo adiante com resignação buscando o diálogo e a paz. Percebemos no passado, um pouco distante, mas percebemos que o caminho da violência não leva à justiça. Isto, então, também na família, também na relação social que nós temos. Como então, sobreviver e vencer esta tentação? Porque é algo quase instintivo, você me ofender, eu devolvo. Agente nem faz por mal, é um habito.  É uma reação que acontece mesmo sem agente perceber.
É aí que entra a figura de Jesus. É evidente que Jesus é o modelo para qualquer situação, mas hoje Ele chama a atenção para um ponto específico: “Nós estamos indo para Jerusalém. Lá, o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores”.  Qual é a reação de quem ama uma pessoa? Não mede esforços para defender esta pessoa. Jesus começa a chamar a atenção dizendo: “vocês não se preocupem, que a última palavra é sobre a vida. Mas, Ele ressuscitará. Talvez esteja preparando os discípulos para não reagirem, como Pedro reagiu puxando uma espada e cortando a orelha do servo do sumo sacerdote. Jesus vai dizer: “coloque a espada na bainha”. Será que se Ele não quisesse, teria todos os anjos para me defender?  Então, talvez Jesus estivesse preparando os discípulos, para diante de sua morte, não reagir de forma violenta. Mas, o texto diz que eles não compreenderam isto. Eles estavam debatendo quem seria o maior, chegando em Jerusalém.  Eles tinham a plena esperança, de que, Jesus ia chegar em Jerusalém, colocar os romanos para fora e instalar o novo reino, aonde cada um dos doze teria um ministério. Eles já estavam discutindo entre si, quem é que iria ocupar tal lugar. Aí, Jesus coloca um critério: quem quer ser o mais importante, o maior, é o que servir mais. Aqui é um desafio para todos nós. Porque, muitas vezes, aceitamos racionalmente isto, mas, depois, na prática, não somos assim não. Eu já vi muita gente dizer: “é assim que você reconhece tudo aquilo que eu fiz por você”? – “nem um muito obrigado me deu”? ora, o serviço é disponibilidade.
Mas, Jesus vai mais fundo: “ Quem não for igual a uma criança, e aqui é ótimo, porque amamos tanto as crianças, mas elas não têm poder nenhum! Nós amamos do nosso jeito. Elas não decidem para onde iremos viajar, elas não decidem em que banco abriremos a conta, elas não decidem o que iremos comprar ou alugar, elas não decidem se vamos trocar o carro ou não, elas não decidem, sequer, o almoço do domingo. Eu, pessoalmente, acho que é assim mesmo, porque é com a maturidade que você vai aprendendo a decidir as coisas.
Então, a criança se torna um sinal, um símbolo, para cada um de nós. Quando tomar alguma decisão, que seja aquela que beneficie a todos, ou ao menos a maioria. Porque é assim que nós nos preocupamos, em ter a nossa decisão que não prejudique o outro.
Então, meus irmãos e irmãs, a liturgia de hoje nos chama a atenção para muitos aspectos da nossa caminhada de vida. Mas, tudo isso, para que? O justo ressuscitará. Isto está no livro dos Macabeus. Hoje temos muitos sétimo dia. Que bom crermos na ressurreição. Isto nos dá esperança de que a vida não foi em vão e nos ajuda a compreender qual é a nossa missão no mundo: ser este sinal de justiça para semear a esperança de que a justiça prevalecerá sempre. Mas quando? Aí depende de nossa atitude e de nosso testemunho, convencendo as pessoas a trabalhar em prol desta justiça, a partir de nossa conduta.
Que a Eucaristia e a Palavra de Deus nos dê força e coragem, para vivermos o que refletimos.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.
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Homilia de D. Henrique Soares
O caminho do Reino passa pela cruz, passa pela morte e chega à plenitude da vida na ressurreição. Um messias na linha da teologia da prosperidade do Edir Macedo e do RR Soares. Nada mais distante de Cristo que esse tipo de coisa! os discípulos, seguindo-o com os pés, próximos fisicamente, estão com o coração muito longe do Senhor. Que perigo, pensarmos que somos cristãos, que seguimos Jesus, e estarmos com o coração bem longe do Mestre! 
A linguagem da cruz continua difícil, dura, inaceitável para nós. O caminho da cruz se faz na aceitação dos caminhos de Deus, na doença e na morte, nas perdas que a vida nos apresenta, nos momentos de escuridão, de silêncio do coração e de aparente ausência de Deus... Todas essas coisas nos põem à prova, como o justo provado da primeira leitura deste hoje. É a vida, são os acontecimentos, são os outros que nos provam:“Armemos ciladas aos justos... Jesus passou por esse caminho, fez essa experiência em total obediência à vontade do Pai. E nos convida a segui-lo no hoje, no aqui da nossa vida. Nossa tentação é a dos primeiros discípulos: um cristianismo fácil, que não custe o preço da cruz! Se assim for, como estaremos longe de Jesus, como não o conheceremos! Ele nos dirá: “Apartai-vos de mim!” (Mt 7,23). 
Caros irmãos, como suportar a dureza da cruz? Como amá-la? Ninguém pode amar a cruz pela própria cruz. Cristo amou sua cruz e a abraçou por amor total ao Pai, por fidelidade. Nós somente poderemos compreender a linguagem da cruz por um amor apaixonado pelo Senhor Jesus. É o amor ao Senhor que torna a cruz aceitável! Sem o amor ao Senhor, a cruz é louca e desumana! Com Jesus e por causa de Jesus, a cruz é a libertação da vida. É o amor a Jesus que torna doce o que é amargo neste vida! 
Não se pode ser cristão sem paixão pelo Senhor! Como se consegue isso? Estando com ele na oração, aprendendo a contemplá-lo no Evangelho, alimentando sua lembrança, procurando a graça nos sacramentos, na Eucaristia, lutando vencer os sentimentos, os instintos e no esforço de fazer a vontade do Senhor... Sem esses exercícios não há amor, sem amor não há como compreender a cruz e sem tomar a cruz com e por Jesus não há cristão! Quando vier a crise, trairemos o Senhor e faremos do nosso jeito... 
            Então - por que o Senhor quer nos fazer passar pela cruz? porque somos egoístas, imaturos! Tiago traça um perfil da nossa realidade: guerras, paixões, disputas, autoafirmação, desordens e toda espécie de obras más... Ora, isso tudo nos fecha para Deus, nos joga na idolatria do ter, do poder, do prazer, da autossuficiência de pensar que somos deuses... É a cruz do Senhor quem nos purifica, nos corrige e nos liberta de verdade. Não há outro caminho... “Quem quiser seu meu discípulo tome a sua cruz e siga-me” ! 
Caríssimos, tenhamos coragem! Na docilidade ao Espírito Santo que o Senhor nos concedeu, teremos tal união com o Senhor Jesus, que tudo poderemos e suportaremos. Foi esse o caminho dos santos de Deus de todos os tempos; é esse o caminho... Que o Senhor nos conceda por sua graça.

7. SALMO  53 (54) É o Senhor quem sustenta minha vida! • Pois contra mim orgulhosos se insurgem, / e violentos perseguem-me a vida: / Quem me protege e me ampara é meu Deus;
Que Maria nos ajude e nos ensine o caminho da humildade e da obediência a Deus.

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (diáconos e ministros da Palavra):

 LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA CONVOSCO... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO DEUS...
à Por Jesus, COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Deus de amor, dai-nos da vossa Sabedoria.
à Deus nosso Pai, Nós Vos  louvamos porque vos deixais encontrar por aqueles que Vos procuram. Ajudai-nos para que vivamos segundo a vossa vontade. Nós Vos pedimos: que o Vosso Espírito nos guie e nos livre dos caminhos do mal.
T: Deus de amor, dai-nos da vossa Sabedoria.
à Senhor, nós Vos bendizemos pelos ensinamentos de Vosso Filho: a nossa vida, a nossa alegria e a nossa felicidade, sois Vós. - Pai, ajudai-nos a ver os valores de vosso Reino e a felicidade de vos servir.
T: Deus de amor, dai-nos da vossa Sabedoria.
à Pai, Jesus recorda-nos  que sois Deus de bondade e misericórdia. Abri os nossos olhos e os nossos corações para que saibamos contribuir na construção do Reino. Ajudai-nos a sermos mais justos e fraternos. Dái-nos coragem para que cumpramos nossa tarefa na construção do Reino.
T: Deus de amor, dai-nos da vossa Sabedoria.
à: PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Cordeiro de Deus...