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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano 2018 B (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

Tema: “Um ensinamento novo, proclamado com autoridade!”
Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que enfeiam o mundo.
Primeira leitura: O profeta é alguém que Deus escolhe, e envia para ser a sua “palavra” viva no meio dos homens.
Evangelho: Jesus, pela sua Palavra e pela sua ação, transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.
Segunda leitura: repensar as prioridades e não deixar que as realidades transitórias empeçam um compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Dt 18,15-20  Leitura do Livro do Deuteronômio.
Moisés falou ao povo dizendo: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar. Foi exatamente o que pediste ao Senhor teu Deus, no monte Horeb, quando todo o povo estava reunido, dizendo: ‘Não quero mais escutar a voz do Senhor meu Deus, nem ver este grande fogo, para não acabar morrendo’. Então o Senhor me disse: ‘Está bem o que disseram. Farei surgir para eles, do meio de seus irmãos, um profeta semelhante a ti. Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar. Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome. Mas o profeta que tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que não lhe mandei ou se falar em nome de outros deuses, esse profeta deverá morrer’”

AMBIENTE - O Deuteronômio foi descoberto no Templo no reinado de Josias (622). O livro apresenta três discursos de Moisés. O nosso texto refere-se ao papel e ao significado do profetismo.
O catequista deuteronomista apresenta, aqui os critérios para distinguir o verdadeiro do falso profeta.

MENSAGEM - Para os deuteronomistas, Moisés é o modelo de profeta. A iniciativa foi de Deus que o chamou e o enviou em missão. Deus que escolhe a pessoa, com qualidades e defeitos, para enviá-lo.
Em segundo lugar, Moisés sempre testemunhou as palavras que Deus lhe ordenou que dissesse. A mensagem transmitida não era a mensagem de Moisés, mas a mensagem de Deus. O verdadeiro profeta testemunha fielmente as propostas de Deus para os homens e para o mundo.
As palavras do profeta devem ser acolhidas, pois são palavras de Deus.

ATUALIZAÇÃO - *** A vocação profética é iniciativa de Deus. O profeta não pode assumir uma atitude de arrogância e de autossuficiência, mas tem de se sentir um instrumento humilde através do qual Deus age.
*** O testemunho profético deve ser assumido e vivido com fidelidade absoluta e total empenho.
*** Se o profeta não pode utilizar a missão em benefício próprio; não deve utilizar o seu ministério para se exibir, para ser admirado, para conseguir sucesso, para promover a sua imagem e obter os aplausos das multidões. A missão profética tem de estar sempre ao serviço de Deus, e não ao seus interesses.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 94 (95)
Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!
 • Vinde, exultemos de alegria no Senhor, / aclamemos o Rochedo que nos salva! / Ao seu encontro caminhemos com louvores / e com cantos de alegria o celebremos!
• Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra / e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! / Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, / e nós somos o seu povo e seu rebanho, / as ovelhas que conduz com sua mão. • Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: / “Não fecheis os corações como em Meriba, / como em Massa, no deserto, aquele dia, / em que outrora vossos pais me provocaram, / apesar de terem visto as minhas obras”.

EVANGELHO (Mc 1, 21-28) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

AMBIENTE - A primeira parte, Marcos (1 - 8) tem como objetivo à descoberta de Jesus como o Messias. O texto que nos é hoje proposto, Jesus começa a revelar-Se como o Messias-libertador.

MENSAGEM - É provável que Jesus tivesse sido convidado, nesse dia, para comentar as leituras feitas. As pessoas ficaram maravilhadas, “porque ensinava com autoridade e não como os escribas”. A referência à autoridade das palavras pretende sugerir que Ele vem de Deus e traz uma proposta que tem a marca de Deus. Aparece “um homem com um espírito impuro”. Para os judeus, as doenças eram provocadas por “espíritos maus”. As pessoas afetadas por esses males deixavam de cumprir a Lei e ficavam na “impureza” – afastadas de Deus e da comunidade -  Acreditava-se que só Deus era capaz de vencer os “espíritos maus” e devolver aos homens a vida e a liberdade perdidas.
Marcos põe o “espírito mau” que domina “um homem” presente na sinagoga, a interpelar Jesus. Sugere-se, dessa forma, que diante da proposta libertadora que Jesus veio apresentar, os “espíritos maus” que oprimem os homens ficam inquietos, pois sentem que o seu poder sobre a humanidade chegou ao fim. A ação da cura do homem “com um espírito impuro” constitui “a prova” de que Jesus traz a libertação que vem de Deus; pela ação de Jesus, Deus vem ao encontro do homem para salvá-lo de tudo que o impede de ter vida em plenitude. Para Marcos, O “Reino de Deus” instalou-se no mundo. Jesus, cumprindo o projeto libertador de Deus, pela sua Palavra e pela sua ação, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.

ATUALIZAÇÃO - **O “homem com um espírito impuro” representa todos, cujas vidas são controladas pelo egoísmo, orgulho, autossuficiência, medo, exploração, exclusão, injustiça, ódio, violência e pecado. É essa cultura de morte, que percorre um caminho à margem de Deus e das suas propostas. O Evangelho garante-nos que Deus insiste em oferecer a todos a vida plena.
** A proposta de Deus torna-se realidade viva em Jesus. Ele é o Messias libertador que, com a sua vida, com a sua palavra, com os seus gestos, com as suas ações, vem propor um projeto de liberdade e de vida.
Ao egoísmo, Ele contrapõe a partilha;
Ao orgulho e à autossuficiência, o serviço simples e humilde a Deus e aos irmãos;
À exclusão, Ele propõe a tolerância e a misericórdia;
À injustiça, ao ódio, à violência, Ele contrapõe o amor sem limites;
Ao medo, Ele contrapõe a liberdade;
À morte, Ele contrapõe a vida.
O projeto de Deus é um projeto transformador, capaz de renovar o mundo e de construir, desde já, uma nova terra de felicidade e de paz. É essa a Boa Nova que deve chegar a todos os homens e mulheres da terra.
** Os discípulos de Jesus têm de continuar a missão e assumir a mesma luta de Jesus contra os “demônios” que roubam a vida e a liberdade do homem, que introduzem no mundo dinâmicas criadoras de sofrimento e de morte. Ser discípulo de Jesus é percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu. Os seguidores de Jesus não podem ficar de braços cruzados, a olhar para o céu, enquanto o mundo é construído e dirigido por aqueles que propõem uma lógica de egoísmo e de morte; mas têm de lutar contra tudo aquilo que rouba a vida e a liberdade ao homem.

“Ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”.
Jesus não é um simples mestre … Deus prometera pela boca de Moisés: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar!” E os judeus esperavam esse profeta. Perguntaram a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21), isto é, “És o Profeta prometido por Moisés?” Ele chegou: é Jesus! Como Moisés, ele foi perseguido ainda pequeno pelo rei que queria matar as criancinhas; como Moisés, ele teve que fugir do tirano, como Moisés, sobre o Monte – não o Sinai, mas o Tabor, as Bem-aventuranças – ele deu a Lei da vida ao seu povo; como Moisés, deu ao povo de comer, não mais o maná que perece, mas aquele pão que dura para a vida eterna. Jesus é o verdadeiro Moisés; e mais que Moisés, “porque a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). Jesus é a plenitude da Lei de Moisés, Jesus não é somente um profeta, mas é o próprio Deus, Senhor dos profetas, Senhor de Moisés! Moisés deu testemunho dele no Tabor e cairia de joelhos a seus pés se o encontrasse. Jesus, caríssimos, é a própria Palavra do Pai feita carne, feita gente, habitando entre nós!
Mas, essa Palavra não é somente voz, sopro saído da boca. Essa Palavra que é Jesus é tão potente (lembrem-se que tudo foi criado por ela!), que não somente fala, mas faz a salvação acontecer. Por isso os milagres de Jesus são para mostrar que ele é a Palavra eficaz e poderosa do nosso Deus. Ao curar um homem atormentado na sinagoga, Jesus mostra toda a sua autoridade, seu poder e também o sentido de sua vinda entre nós: ele veio trazer-nos o Reino de Deus, expulsando o reino de Satanás, isto é, tudo aquilo que nos escraviza!
SEGUNDA LEITURA (1Cor 7, 32-35 Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações.

AMBIENTE - A comunidade de Corinto é uma comunidade grega, onde a cultura oscilava entre dois extremos: por um lado, um grande laxismo (muitos marinheiros e o templo de Afrodite, a deusa do amor); por outro lado, um desprezo pela sexualidade (filosofia platônica, que consideravam a matéria um mal e que faziam do não casar um ideal).
O desejo de Paulo é o de apresentar um caminho equilibrado, face a estes exageros: condenação sem apelo de todas as formas de desordem sexual, defesa do valor do casamento, elogio do celibato (cf. 1 Cor 7).
Na perspectiva de Paulo, os cristãos não devem esquecer que “o tempo é breve”, quando tiverem que fazer as suas opções – nomeadamente, quando tiverem que fazer a sua escolha entre o casamento ou o celibato.

MENSAGEM - Paulo reconhece que, quem não é casado tem mais tempo e disponibilidade para se preocupar “com as coisas do Senhor”. Para Paulo, o casamento é uma realidade importante (são dons de Deus); mas é uma realidade terrena e efêmera, que não deve, por isso, ser absolutizada. Na sua perspectiva, o celibato leva vantagem enquanto caminho que aponta para as realidades eternas: anuncia a vida nova de ressuscitados que nos espera, ao mesmo tempo que facilita um serviço mais eficaz a Deus e aos irmãos. Na verdade, as palavras de Paulo fazem sentido se tivermos em conta o ambiente escatológico que se respirava nas primeiras comunidades. Para os crentes, a segunda vinda de Jesus estava iminente; era preciso, portanto, preocupar-se com as coisas de Deus e relativizar as realidades transitórias e efêmeras, entre as quais se contava o casamento.

ATUALIZAÇÃO** As realidades terrenas são passageiras e não devem ser absolutizadas. As realidades desta terra não podem ser o objetivo final e único da vida do homem.
** A virgindade consagrada, por amor do Reino, nem sempre é um valor compreendido, à luz dos valores da nossa sociedade. Paulo sublinha o valor da virgindade como valor autêntico, pois anuncia o mundo novo que há-de vir e disponibiliza para o serviço de Deus e dos irmãos. É sinal de desprendimento, de doação, de disponibilidade e deve ser positivamente valorizada. Aqueles que são chamados a viver dessa forma são pessoas generosas, que renunciaram a um bem (o matrimônio) em vista da sua entrega a Deus e aos outros.

Dehonianos
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Para Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra:
                               


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- POR JESUS, COM JESUS E EM JESUS, LOUVEMOS AO PAI, NA FORÇA DO ESP. SANTO. Louvemos ao Pai.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus.
- Bendito e louvado sejais, ó Pai, nosso Criador. Vos louvamos e agradecemos pela vida que nos destes e pelo amor que manifestastes nos enviando vosso Filho para nos salvar.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus.
- Senhor nosso Deus, abri o nosso coração para que possamos sempre acolher a vossa vontade e saibamos ser profetas anunciando o amor, a fraternidade e a justiça entre todos.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus.
- Pai querido, queremos nos libertar de nosso egoísmo, autossuficiência, orgulho e vaidade. Dái-nos um coração humilde e bondoso para que saibamos amar e perdoar.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus.
- Meu Senhor e meu Deus! Ajudai-nos para que vejamos além das realidades terrenas e não coloquemos nosso coração em coisas materiais, mas que valorizemos os tesouros da partilha, do perdão, da misericórdia e do amor.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus.
- PAI NOSSO...   A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS...
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"O Profeta"

O profetismo foi uma experiência muito forte da Bíblia.
Os profetas são homens de Deus, que surgem nos grandes momentos de crise e de transição.
Eles sabem ler os sinais dos tempos e, graças à sua sintonia com Deus, podem animar a fé do povo e
anunciar novos caminhos para o futuro.
O profeta é suscitado por Deus e caminha com o povo para Deus.
Deus é o ponto de partida e o ponto de chegada...
PROFETA é alguém que Deus ESCOLHE, CHAMA e ENVIA para ser a sua "Palavra" viva no meio do Povo.

As leituras bíblicas desse domingo nos falam do carisma profético:

+ A 1a leitura anuncia a vinda de um grande PROFETA que falará aos homens em nome de Deus. (Dt 18,15-20)

MOISÉS é apresentado como modelo e exemplo do verdadeiro Profeta:
Deus está na origem e no centro da sua vocação e a sua mensagem é sempre o que Deus lhe ordena.

- Moisés deu a conhecer a vontade divina contida na lei do Sinai.
  Ele é o intérprete da Lei, o intermediário entre Deus e os homens,   que vigia e promove sempre a fidelidade à Aliança.
- Moisés também conscientizou o povo da situação de opressão em que vivia, libertou esse povo e caminhou com ele rumo à terra Prometida.

* Daí surgem duas RESPONSABILIDADES:
- da parte do Povo: ESCUTAR o profeta: "Eu pedirei contas a quem não escutar..."
- da parte do Profeta: Ser fiel ao que Deus mandou FALAR...
"Porei minhas palavras em sua boca... Se tiver a ousadia de dizer o que não mandei, esse profeta deverá morrer..."

+ Na 2ª Leitura, Paulo fala como um profeta, orientando a comunidade de Corinto a se libertar do excesso de preocupações cotidianas, que impedem de servir ao Senhor com dedicação. (1Cor 7,32-35)

+ O Evangelho revela que o Profeta esperado é JESUS. (Mc 1,21-28)

Num sábado, Jesus vai à sinagoga de Cafarnaum, acompanhado pelos discípulos que acabara de convocar e revela-se como o Messias-Libertador.
Realiza o 1o milagre narrado por Marcos e "começa a ensinar..."



Não narra o conteúdo do ensinamento, mas o efeito da pregação:
"Todos se maravilhavam... O que é isso? Um ensinamento NOVO dado com autoridade... Até os espíritos impuros lhes obedecem..."
Ele tem um jeito novo de ensinar...

- Não comunica a palavra de Deus como os rabinos do seu tempo.
      A sua mensagem é "nova" e é anunciada "com autoridade":
      É a Palavra definitiva de Deus.
- A "autoridade" se revela nas Palavras de Jesus e nas Ações concretas, pois liberta o homem das forças negativas que o dominam.

Diante das palavras e dos milagres de Jesus, o povo percebe que Ele é o profeta prometido por Moisés:
E a fama de Jesus se espalha logo por toda parte... "Ele falava como quem tem AUTORIDADE..."

+ As leituras bíblicas nos lembram duas Verdades:
- A nossa relação com Jesus é fundamentalmente uma relação de "escuta": devemos escutar a palavra de Jesus Profeta e pô-la em prática;
- Lembra-nos que o cristão também é profeta por vocação e está chamado, com a sua palavra e com suas obras, a revelar os caminhos de Deus e a condenar tudo aquilo que se opõe ao mistério do reino de vida proclamado por Jesus.

+ "Ele falava com autoridade"
Vivemos num mundo de muitas falas: Fala o rádio, fala a TV, falam os políticos, fala a Escola, fala o Sindicato, fala a Religião, falam tantas seitas...
Quantas palavras vazias... "sem autoridade..." 

- O que há de verdade, por trás de tantas FALAS?

Será que elas libertam ou oprimem as pessoas?

Mas há uma palavra muito mais forte e poderosa do que todas:
É a Palavra de Jesus:
Ela LIBERTA, TRANSFORMA, DÁ VIDA...

+ Como falar com autoridade?

- O clero (Bispos, presbíteros e diáconos) têm a missão de anunciar a Palavra, com poder de Salvação...
  à Devem falar e ser: Fiéis... Autênticos... Libertadores

- Os pais angustiados afirmam: "Digo sempre para o filho... mas não adianta... ele não me escuta..."
  à Será que falam como quem tem AUTORIDADE?

- Como falar com autoridade um professor, uma autoridade civil, os responsáveis pelos serviços em nossas comunidades?

A Autoridade não brota das palavras... não se impõe... mas se conquista com uma autêntica vivência humana e cristã...

                                                  Pe. Antônio
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Homilia de D. Henrique Soares
 “Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”.
Caríssimos, hoje a Palavra a nós proclamada mostra o Senhor ensinando. O Evangelho nos dá conta que seu ensinamento causava admiração. E por quê? Porque Jesus não é um simples mestre, um mero rabi… Vocês escutaram na primeira leitura o que Moisés prometera – ou melhor, o que Deus mesmo prometera pela boca de Moisés: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar!” Eis! Moisés, o grande líder e libertador de Israel, aquele através do qual Deus falava ao seu povo e lhe dera a Lei, anuncia que Deus suscitará um profeta como ele. E os judeus esperavam esse profeta. Chegaram mesmo a perguntar a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21), isto é, “És o Profeta prometido por Moisés?” Pois bem, caríssimos: esse Profeta, esse que é o Novo Moisés, esse que é a própria Palavra de Deus chegou: é Jesus, nosso Senhor! Como Moisés, ele foi perseguido ainda pequeno por um rei que queria matar as criancinhas; como Moisés, ele teve que fugir do tirano cruel, como Moisés, sobre o Monte – não o Sinai, mas o das Bem-aventuranças – ele deu a Lei da vida ao seu povo; como Moisés, num lugar deserto, deu ao povo de comer, não mais o maná que perece, mas aquele pão que dura para a vida eterna. Jesus é o verdadeiro Moisés; e mais que Moisés, “porque a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). Jesus é a plenitude da Lei de Moisés, Jesus não é somente um profeta, mas é o próprio Deus, Senhor dos profetas, Senhor de Moisés! Moisés deu testemunho dele no Tabor e cairia de joelhos a seus pés se o encontrasse. Jesus, caríssimos, é a própria Palavra do Pai feita carne, feita gente, habitando entre nós!
Mas, essa Palavra não é somente voz, sopro saído da boca. Essa Palavra que é Jesus é tão potente (lembrem-se que tudo foi criado através dela!), que não somente fala, mas faz a salvação acontecer. Por isso os milagres de Jesus, suas obras portentosas: para mostrar que ele é a Palavra eficaz e poderosa do nosso Deus. Ao curar um homem atormentado na sinagoga de Cafarnaum, Jesus nosso Senhor mostra toda a sua autoridade, seu poder e também o sentido de sua vinda entre nós: ele veio trazer-nos o Reino de Deus, do Pai, expulsando o reino de Satanás, isto é, tudo aquilo que demoniza a nossa vida e nos escraviza! – Obrigado, Senhor, Jesus, pela tua vinda! Obrigado pela tua obra de libertação! Muito obrigado porque, em ti, tudo é Palavra potente: tua voz, tuas ações salvadoras, teu modo de viver, teus exemplos, tuas atitudes! Tu não somente tens palavras de vida eterna; tu mesmo és a Palavra de Vida! Obrigado! Dá-nos a capacidade de escutar-te sempre!
Meus caros, se Jesus é essa Palavra potente, Palavra de vida, então viver sua Palavra é encontrar verdadeiramente a vida e a liberdade. Na leitura do Deuteronômio que escutamos, Deus dizia, falando do Profeta que haveria de vir: “Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar. Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome”. Ora, caríssimos, se Jesus é a Palavra de Deus, então é nele que encontramos a luz para os nossos passos e o rumo da nossa existência. Num mundo como o nosso, que prega uma autonomia louca do homem em relação a Deus, uma autonomia contra Deus, nós que cremos em Jesus, devemos cuidar de nos converter sempre a ele, escutando sua palavra. Ele nos fala, caríssimos: fala-nos nas Escrituras, fala-nos na voz da sua Igreja, fala-nos íntimo do coração, fala-nos na vida e nos acontecimentos… Certamente, ouvi-lo não é fácil, pois muitas vezes sua palavra é convite a sairmos de nós mesmos, de nossos pensamentos egoístas, de nossas visões estreitas, de nossa sensibilidade quebrada e ferida pelo pecado. Sairmos de nós para irmos em direção ao Senhor, iluminados pela sua santa palavra – eis o que Cristo nos propõe hoje!
É tão grande a bênção de encontrar o Senhor, de viver nele e para ele, que São Paulo chega mesmo a aconselhar o celibato, para estarmos mais disponíveis para o Senhor. Vocês escutaram a segunda leitura da Missa deste hoje. O Apóstolo recomenda o ficar solteiro, não por egoísmo ou ódio ao matrimônio, mas para ter mais condições de ser solícitos para com as coisas do Senhor e melhor permanecer junto ao senhor. É este o sentido do celibato dos religiosos e dos padres diocesanos: recordar ao mundo que Cristo é o Senhor absoluto de nossa vida e que por ele vale a pena deixar tudo, para com ele estar, para, como Maria irmã de Marta, estar a seus pés, escutando-o e para ele dando o melhor de nós. O celibato, que num mundo descrente e sedento de prazer sensual, é um escândalo, para os cristãos é um sinal do primado de Cristo e do seu Reino.
Rezemos para que aqueles que prometeram livremente viver celibatariamente cumpram seus compromissos com amor ao Senhor e à Igreja. Rezemos também para que os cristãos saibam ver no celibato não uma armadilha ou uma frustração, mas um belíssimo sinal profético, um verdadeiro grito de que Deus deve ser amado por tudo e em tudo, acima de todas as coisas. Se os casados mostram a nós, celibatários, a beleza do amor conjugal e do mistério de amor esponsal entre Cristo e a Igreja, nós, solteiros pelo Reino dos Céus, mostramos aos casados e ao mundo que tudo passa e tudo é relativo diante da beleza, da grandeza e do absoluto dAquele que Deus nos enviou: o seu Filho bendito, sua Palavra eterna, Verdade que ilumina, liberta e dá vida. A ele a glória para sempre. Amém.
D. Henrique Soares

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Homilia do PE. PEDRINHO

É muito interessante observar, que a liturgia hoje nos ajuda a compreender qual foi a necessidade de um profeta na vida daquele povo. Deus sempre procurou SE comunicar e manter comunhão com toda a humanidade. Mas nem sempre a humanidade está disposto a acolher a Deus e a ouvi-lo. Aqui ou ali sempre se procura um pretexto, uma desculpa, para não ouvir a Deus. E lá no monte Horeb, o povo que estava buscando a sua libertação, eles alegaram que tinham medo de morrer diante daquele fogo que aparecia quando Deus se manifestava e que a voz de Deus  era muito forte aos ouvidos, de tal maneira que disseram: preferimos que alguém fale em seu nome. É assim que temos então o relato do Deuteronômio, aonde se reconhece a função do Profeta. Cabe lembrar que o profeta denuncia aquilo que está errado e anuncia qual é a vontade de Deus. Também o profeta é aquele que fala em nome de Deus para o povo e fala em nome do povo para Deus. Então, ele se  torna uma ponte entre o ser humano e Deus. É evidente, que quando os profetas começaram a dirigir a palavra de Deus, também eles foram rejeitados. Porque no fundo, não é que o ser humano não aguenta a ouvir a Deus, mas, generalizando, ele não quer ouvir a Deus, porque sabe que ouvindo a Deus, ele será convidado a mudar de vida. E a mudança de vida nem sempre está no plano das pessoas. É por isso que então, vamos compreender Jesus, toda a trajetória de Jesus e no final ao final toda a humanidade aos olhos de Jesus. Quem é Jesus? É Deus que diz: se eles não conseguem me ouvir, outra forma, eu que vou me tornar humano e me tornar UM com eles, me tornar um deles. De forma que Jesus vem, revela, anuncia toda a Palavra de Deus e acabaram também eliminando Jesus. Porque afinal de contas, Deus incomoda. Ora, por que isto acontece? O Evangelho vai dizer: dentre tantos motivos, um deles, é que o ser humano nem sempre tem o espírito puro, nele próprio. Muitas vezes ele tem o espírito impuro. E quando nós ouvimos falar de espírito impuro, não raras vezes, atribuímos a Satanás, quando na realidade, poderá até vir a ser Satanás através dos valores que a pessoa cultiva. Mas, normalmente, espírito impuro é o EGOÍSMO, espírito impuro é injustiça, espírito impuro é o desejo de se colocar acima dos outros, espírito impuro é quando eu subjugo, domino alguém para poder ganhar dinheiro, poder e prestígio. Espírito impuro ás vezes está presente onde agente menos espera. E é isto que São Marcos vai mostrar para nós. Aonde é que apareceu o espírito impuro? É onde ninguém esperaria encontrar um espírito impuro; na sinagoga. Para quem não se lembra, em Jerusalém estava o templo, o único lugar onde se podia realizar sacrifícios de animais e outros tipos de oblações. Era o único templo para todo o país, para todo o território. Agora, em cada cidade existia a sinagoga, pouco maior que uma casa, para abrigar as pessoas. Para elas, todo sábado era lida a Palavra de Deus, contemplada e eventualmente, se converter de seus pecados. Ora, sinagoga é um lugar onde se fala de Deus e Jesus vai ali, porque se é para ouvir a Palavra, tem tudo a ver com Ele. E chega lá, tem alguém com o espírito impuro, que logo pergunta a ele; o que você quer aqui entre nós, Jesus? Tu és o Santo de Deus. -  Então, primeira conclusão: nem sempre quem reconhece Jesus como o Santo de Deus é um espírito puro. Muitos que são espírito impuro reconhecem Jesus como o Santo de Deus. Meus irmãos e irmãs, não é suficiente falar de Deus, porque também o Diabo reconhece quem é Deus. O suficiente é ouvir a Palavra de Deus e por em prática. É isto que não estava acontecendo na Sinagoga. Eles ouviam a Palavra de Deus, contemplavam, refletiam, mas não praticavam. Ora, vem Jesus mostrando então, que a sinagoga não está mais respondendo ao desejo de Deus. Aí poderíamos dizer: bem feito. Eles são judeus! Não. Cuidado. Porque a Palavra de Deus deve nos questionar também. Também aqui, nós contemplamos a Palavra. Também aqui nos ouvimos a Palavra. E estamos pondo em prática? Este é o questionamento. Deixe que os judeus questionem eles mesmos. Vamos nos questionar nós a nós mesmos. Não é necessário questionarmos os outros, mas é necessário nos perguntar; aquilo que eu ouço, eu pratico? Aquilo que eu pratico ajuda as pessoas a conhecer o amor que Deus tem para com elas? Este é o processo, a nossa caminhada de conversões, de ajudas. E muitas vezes somos chamados a pedir a Deus que nos purifique, porque nós temos um “espíritozinho” aqui, outro ali, que não nos ajuda a viver a Palavra. É por isso que muita gente não quer ouvir a Palavra. Porque a Palavra questiona e ao questionar tira do comodismo e me obriga a uma mudança de vida. Alguns poderiam dizer: se eu não tivesse filho, se não fosse casado, eu até que poderia viver bem a Palavra, mas não tem jeito. Outros poderiam dizer: deixa eu casar, e aí eu vou ter uma vida de casado e então vou poder viver a Palavra de Deus. São Paulo vem dizer: tudo isto é conversa. Quem não é casado, que sirva o Senhor. E quem é casado, que sirva o Senhor também. É muito interessante isto. Eu fico pensando, sem querer generalizar; mas a segunda leitura diz; o homem não casado é solícito para com as coisas do Senhor e procura agradar o Senhor. Será mesmo? Todos os solteiros procurem agradar o Senhor? Né! Depois; o homem casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar a sua mulher e assim, está dividido. Será mesmo, que todo casado procura agradar a mulher? Então, meus irmãos e irmãs, não vamos ao “pé da letra”.  Nós somos convidados a interpretar este texto a partir do contexto que São Paulo escreve; Já, semana passada, ele dizia: as pessoas vivam como se não tivesse mulher. Eu lembrava a todos do que? Não dê atenção somente à sua esposa, mas procure praticar o bem para com todos. Hoje volta o mesmo assunto. Não seja motivo de omissão; olhe, eu não posso promover o amor no mundo, porque eu estou casado, eu tenho a minha família, é dela que eu devo pensar. Ou então: não posso viver o amor no mundo, porque sou solteiro e tenho que curtir a vida; quando eu me casar, aí então eu sossego. Não! A postura do cristão qual é? Ser solícito e praticar o bem em qualquer situação. É evidente, que em primeiro lugar, em casa, para quem for casado, porque se você não for capaz de cuidar bem de quem você diz que ama, como é que você vai cuidar bem dos outros? Mas que não sirva de empecilho, para que você possa fazer o bem fora de casa, o fato de ser casado. Aliás, o sentido do matrimônio é fazer da vida do casal um sinal do amor de Deus, onde vendo a forma como eles vivem, agente possa ver a maneira como Deus se relaciona com a humanidade. Na medida em que praticam o bem entre si, manifeste o desejo de Deus para com toda a sociedade.
Que Deus nos ajude a estarmos sempre dispostos a ouvir a Palavra e nos converter, a medida em que isto for necessário e continuemos a conviver com Deus através a Eucaristia, que nos reúne e nos fortalece a cada domingo. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO



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Autoridade de Jesus – liberdade do cristão

“Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar” (Mc 1,21). Lemos nas páginas do Evangelho como o Senhor Jesus dá importância à pregação da boa nova: indo de uma cidade a outra para anunciar a sua mensagem e realizando-a com perfeição, com autoridade. As pessoas reconhecem-no: “eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!” (Mc 1,27).
Por nossa parte, deveríamos estar muito interessados no que ele nos diz. A formação que vamos recebendo de Cristo através da Igreja tende a fazer-nos homens ou mulheres responsavelmente livres. A nossa liberdade vai sendo educada paulatinamente para que possamos escolher aquelas coisas que nos fazem mais humanos e mais cristãos. Longe, portanto, da autêntica formação a coação e o controle sobre os outros. Não se trata de asfixiar as pessoas para que façam o bem. O importante é ajudá-las a amar o bem, a desfrutar na prática das coisas boas, a ver que somente na realização do bem verdadeiro encontra-se a felicidade. De fato, a autoridade de Jesus não retira a liberdade do cristão, mas a favorece aperfeiçoando-a.
Cristo é o Mestre por excelência. Ele, pacientemente, foi formando os discípulos e os apóstolos para uma missão que, sem dúvida, os superava. Não obstante, o Senhor os ensinou a confiar na graça e a lutar decididamente pelas causas que valem a pena e… conseguiram! Os apóstolos não cumpriram a vontade de Deus à força de prescrições legais, mas graças ao fogo do amor de Deus que lhes aquecia o coração e à formação recebida e assumida. Primeiro, o Senhor os fez ativos no amor e, consequentemente, essa caridade tornou-se fecunda através do apostolado que trouxe muitas pessoas ao encontro com o Divino Mestre.
Um dos efeitos do ensinamento de Cristo feito com autoridade é a formação da nossa consciência. Neste sentido, o Concílio Vaticano II ofereceu-nos uma definição de enorme beleza: “a consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa a sua voz” (GS 16). Na consciência ressoa a voz de Deus… É preciso escutá-la! A formação da consciência é um dos requisitos indispensáveis para conseguirmos a perfeição da liberdade. Como se lê no Catecismo da Igreja Católica, “a consciência deve ser educada e o juízo moral, esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influência negativas e tentados pelo pecado a preferir seu julgamento próprio e a recusar os ensinamentos autorizados. (…) A educação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração” (Cat.1783-1784).
Deus quer que sejamos os responsáveis pelas nossas próprias ações livres. Mas para que elas fossem verdadeiramente responsáveis e livres, Deus infundiu em nós, por criação, uma luz natural que nos faz agir segundo a reta razão. Contudo, isso não é suficiente! Pela nossa debilidade e pelo pecado, essa luz enfraqueceu-se e, nalguns casos, quase apagou-se. A graça, junto com as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo, iluminam e fortalecem de maneira nova o nosso organismo natural tornando mais suave a consecução do fim para o qual fomos criados. Esse fim, que é Deus, torna-se presente em cada um dos fins intermediários que escolhemos diariamente.
Estar atentos ao ensinamento de Cristo formará a nossa consciência de maneira eficaz. Mas é preciso conhecer a sua doutrina cada vez mais. E não há como conhecê-la profundamente se não aplicarmos a nossa mente e o nosso coração a ela, especialmente através da leitura da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica. Mas não é só questão de doutrina, é questão de conhecer o próprio Jesus, a sua Pessoa e a sua obra; é preciso, portanto, tratá-lo na oração, conversar com ele, aprender dos seus gestos e palavras.
Pe. Françoá Costa
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O Demônio, etc…

O Evangelho (Mc 1, 21-28) ao narrar a ida de Jesus à Sinagoga de cafarnaum, conta que Ele “começou a ensinar” e os seus ouvintes “se maravilhavam… porque ensinava como quem tem autoridade”. Até o espírito impuro, presente num homem, se dá conta da Sua presença e, enquanto grita, não deixa de reconhecer em Jesus “o Santo de Deus.” Ao expulsar o demônio, libertando o possesso, todos ficam maravilhados e dizem: “Que é isto? Eis uma nova doutrina e feita com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros, e eles obedecem-lhe”.
Desde a chegada de Cristo, o demônio bate em retirada, mas o seu poder é ainda muito grande e “ a sua presença torna-se mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus” (Beato Papa João Paulo II); devido ao pecado mortal, não poucos homens ficam sujeitos à escravidão do demônio, afastam-se do Reino de Deus para penetrarem no reino das trevas, do mal; convertem-se, em diferentes graus, em instrumento do mal no mundo e ficam submetidos à pior das escravidões.
A experiência da ofensa a Deus é uma realidade. E o cristão não demora a descobrir essa profunda marca do mal e a ver o mundo escravizado pelo pecado, ensina a Gaudium et Spes, 13.
São Paulo recorda-nos que fomos resgatados por um preço muito alto (1Cor 7, 23) e exorta-nos firmemente a não voltar à escravidão. Ensina São Josemaría Escrivá: “O primeiro requisito para desterrar esse mal é procurar comportar-se com a disposição clara, habitual e atual, de aversão ao pecado. Energicamente, com sinceridade, devemos sentir – no coração e na cabeça – horror ao pecado grave” (Amigos de Deus, 243).
O pecado mortal é a pior desgraça que nos pode acontecer. Quando um cristão se deixa conduzir pelo amor, tudo lhe serve para a glória de Deus e para o serviço dos seus irmãos, os homens, e as próprias realidades terrenas são santificadas: o lar, a profissão, o esporte, a política… “Pelo contrário, quando se deixa seduzir pelo demônio, o seu pecado introduz no mundo um princípio de desordem radical, que afasta do seu Criador e é a causa de todos os horrores que se aninham no seu íntimo. Nisto está a maldade do pecado: em que os homens tendo conhecido a Deus não o honraram como Deus nem lhe renderam graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato… Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito pelos séculos” (Rm 1, 21-25).
O pecado – um só pecado – exerce uma misteriosa influência, umas vezes oculta, outras visível e palpável, sobre a família, os amigos, a Igreja e a humanidade inteira. Se um ramo de videira é atacado por uma praga, toda a planta se ressente; se um ramo fica estéril, a videira já não produz o fruto que se esperava dela; além disso, outros ramos podem também secar e morrer.
Renovemos hoje o propósito firme de repelir tudo aquilo que possa ser ocasião, mesmo remota, de ofender a Deus: espetáculos, leituras inconvenientes, ambientes em que destoa a presença de um homem ou uma mulher que segue o Senhor de perto… Amemos muito o Sacramento da Penitência (Confissão). Meditemos com freqüência a Paixão de Cristo para entender melhor a maldade do pecado.
Os santos recomendaram sempre a confissão freqüente, sincera e contrita, como meio eficaz de combater essas faltas e pecados, e caminho segura de progresso interior. Dizia S. Francisco de Sales: “Deves ter sempre verdadeira dor dos pecados que confessas, por leves que sejam, e fazer o firme propósito de emendar-te daí por diante. Há muitos que perdem grandes bens e muito proveito espiritual porque, ao confessarem os pecados veniais como que por costume e só por cumprir, sem pensarem em corrigir-se, permanecem toda a vida carregados deles”.
“Oxalá não endureçais os vossos corações quando ouvirdes a sua voz” (Sl 94, 7-8). Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a ter um coração cada vez mais limpo e forte, capaz de cortar o menor laço que nos aprisione, e de se abrir a Deus tal como Ele espera de cada cristão. E, assim seremos capazes de entender e acolher a mensagem de S. Paulo que apresenta a beleza e a grandeza do seguimento do Senhor, no Celibato.
S. Paulo, advertindo que os casados, sujeitos aos deveres familiares, não podem entregar-se ao serviço de Deus com a mesma liberdade que os celibatários, louva e aconselha a virgindade que permite ocupar-se nas coisas de Deus com um coração indiviso e sem preocupações (1Cor 7, 32-35). A Virgindade consagrada é uma maneira típica da novidade da resposta, que devem a Deus os seguidores de Cristo e tem, ao mesmo tempo, a função de recordar a todos os crentes que, em todas as coisas, o primeiro lugar pertence a Deus.
Mons. José Maria Pereira





sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

4º DOMINGO DO Tempo COMUM, subsídios homiléticos, homilias

4º DOMINGO DO T. COMUM ANO C 2016 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
TEMA: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura.” O profeta sofre, mas tem paz e esperança.
Primeira leitura: Jeremias encara dificuldades, mas não desiste de sua missão.
Evangelho: Jesus é desprezado pelos habitantes de Nazaré.
Segunda leitura: O amor desinteressado e gratuito como a essência da vida cristã.

LEITURA I – Jer 1,4-5.17-19 [ ]«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi;  [ ] e te constituí profeta entre as nações. [ ] Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

AMBIENTE - Jeremias 626 a.C. até depois da queda de Jerusalém aos Babilônios (586 a.C.). reis multiplicaram altares aos deuses. Josias (640-609 a.C.): rei bom.

MENSAGEM - A vocação profética é um desígnio divino: foi Deus que escolheu, consagrou e constituiu como profeta, confiou uma missão que tem um alcance universal. Tudo é escolha, iniciativa de Deus e não escolha do homem. 
Ele deve ir “dizer o que o Senhor ordenar”, enfrentando os grandes da terra, armado apenas com a força de Deus. É o “caminho profético”; sofrimento, risco, solidão, conflito com todos os que se opõem à proposta de Deus. Jeremias denunciou, criticou, e os amigos marginalizaram-no,.

ATUALIZAÇÃO   ♦No Batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo.
♦O profeta vive de olhos postos em Deus e no mundo. Ele intervém, denuncia e anuncia.
♦A denúncia implica a perseguição, sofrimento, marginalização (O. Romero, L. King, Gandh

EVANGELHO – Lc 4,21-30 -  Jesus na sinagoga Nazaré: «Cumpriu-se a Escritura»: «Não é este o filho de José?»: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Muitas viúvas e Elias foi enviado a uma viúva de Sarepta. Havia muitos leprosos e Eliseu curou apenas o sírio Naamã». Levantaram-se, expulsaram Jesus e levaram-no até a colina para O precipitarem dali abaixo.
AMBIENTE - A reação dos habitantes de Nazaré à ação e às palavras de Jesus.
MENSAGEM - Lucas enuncia o programa que o Messias vai cumprir; libertação aos pobres, marginalizados e oprimidos. Os “seus” rejeitarão a proposta e tentarão eliminá-lo; e a evangelização segue o seu caminho, até atingir os dispostos a acolher a salvação/libertação. Lucas anuncia o caminho da Igreja: consciência de que, em continuidade com o caminho de Jesus, a missão é levar a Boa Nova – como Elias ou como Eliseu fez.

ATUALIZAÇÃO  ♦“Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”.
♦ Profeta”: incompreensão, críticas, solidão, mas Deus chama à fidelidade da Palavra e está com ele.

LEITURA II – 1 Cor 12,31-13,13 Aspirai aos dons mais elevados.  [ ]Ainda que eu fale as línguas dos anjos, tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé e transporte montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens se não tiver caridade, de nada me aproveita. A caridade é paciente, benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; [ ]; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.  [ ] Agora permanecem: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior é a caridade.

AMBIENTE: Paulo diz que só há um carisma absoluto: o amor.
MENSAGEM:  Paulo fala do amor (“ágape”): não é amor egoísta, mas gratuito, desinteressado, que se preocupa com o outro, sem esperar nada em troca. Sem amor, a fé, a ciência, a profecia, esmolas, são vazias.

ATUALIZAÇÃO –  ♦ O amor  desinteressado  é que leva a procurar o bem do outro.

- Crer não é fácil… sobretudo quando Deus nos visita de modo humildade. Santo de casa não faz milagre! Discernir a Palavra e o apelo do Senhor naqueles que nos são enviados e convivem conosco!
- A falta de fé fez os nazarenos expulsarem o Messias.
- Quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé! E o amor pode ser visto na paciência, na benignidade, na generosidade, na humildade, na gratuidade, na mansidão, na retidão, na verdade…
- Paulo recorda: Quem não ama é imaturo na fé, é criança que pensa e age como criança! Só o amor nos amadurece, só o amor nos faz ver os outros e a vida com os olhos de Deus

- Palavra de Deus hoje:
(1) uma fé, a capacidade de acolher o Senhor, de tal modo que reconheçamos que ele vem a nós na palavra e no testemunho de tantos irmãos que conosco convivem;
(2) uma fé capaz de suportar com paciência e alegria a missão que Deus nos confiou e
(3) uma fé capaz de desabrochar em amor aos irmãos; amor provado e revelado em atitudes concretas.
- Como você imagina o imagina um profeta hoje?: Cada cristão, pelo batismo, é sacerdote, profeta e rei!
- O Apóstolo não fala de um amor-sentimento, amor-simpatia, amor-amizade, mas do amor-caridade, o amor de Deus, amor que é capaz de dar a vida... Amor como aquele do Cristo que nos amou! Quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé!

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4º DOMINGO DO T. COMUM

Tema: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura.” O convida a refletir sobre o “caminho do profeta”:
Primeira leitura: Jeremias encara dificuldades, mas não desiste de sua missão.
Evangelho: Jesus é desprezado pelos habitantes de Nazaré.
Segunda leitura: Fala do amor desinteressado e gratuito como a essência da vida cristã.

6. PRIMEIRA LEITURA (Jr 1,4-5.17-19) Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo o que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

AMBIENTE - Jeremias começa atuar em 626 a.C. até depois da queda de Jerusalém aos Babilônios (586 a.C.). Em Judá reis multiplicaram altares aos deuses estrangeiros. Na época em que Jeremias começa o seu ministério profético, o rei de Judá é Josias (640-609 a.C.): trata-se de um rei bom, que procura eliminar o culto aos deuses estrangeiros.

MENSAGEM - trata-se de uma reflexão e de uma catequese sobre a “vocação”. A vocação profética, na perspectiva de Jeremias, é um encontro com Deus e com a sua Palavra (“a Palavra do Senhor foi-me dirigida…”). a vocação é um desígnio divino: foi Deus que escolheu, consagrou e constituiu como profeta. Deus “constituiu” o profeta “para as nações” significa que Deus lhe confiou uma missão, missão que tem um alcance universal. Tudo é escolha, iniciativa de Deus e não escolha do homem. 
Ele deve ir “dizer o que o Senhor ordenar”, enfrentando os grandes da terra, armado apenas com a força de Deus. É a definição do “caminho profético”, percorrido no sofrimento, no risco, na solidão, no conflito com todos os que se opõem à proposta de Deus. Jeremias denunciou, criticou, demoliu e destruiu, edificou e plantou. Não teve muito êxito: a família, os amigos, o povo, as autoridades, os sacerdotes, marginalizaram-no, perseguiram-no e maltrataram-no. Jeremias nunca renunciou a missão. 

ATUALIZAÇÃO No Batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?
O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo. Ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir.
♦A denúncia profética implica a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, a própria morte (Óscar Romero, Luther King, Gandhi…).

7. SALMO RESPONSORIAL / 70 (71)
Minha boca anunciará todos os dias vossas graças incontáveis, ó Senhor.
Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: / que eu não seja envergonhado para sempre! /
Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! / Escutai a minha voz, vinde salvar-me!
Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! /
Porque sois a minha força e meu amparo, / o meu refúgio, proteção e segurança!/
Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.
Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, / em vós confio desde a minha juventude! /
Sois meu apoio desde antes que eu nascesse; / desde o seio maternal, o meu amparo.
Minha boca anunciará todos os dias / vossa justiça e vossas graças incontáveis. /
Vós me ensinastes desde a minha juventude, / e até hoje canto as vossas maravilhas.

10. EVANGELHO
(Lc 4,21-30) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram
da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Palavra da Salvação.

AMBIENTE - Jesus Leu uma citação de Is 61,1-2 e “atualizou-o”, aplicando o que o profeta dizia, a Si próprio e à sua missão: “cumpriu-se hoje mesmo este trecho da Escritura que acabais de ouvir”. O Evangelho de hoje apresenta a reação dos habitantes de Nazaré à ação e às palavras de Jesus.

MENSAGEM - Lucas quer enunciar o programa que o Messias vai cumprir. O programa de Jesus é uma proposta de libertação aos pobres, marginalizados e oprimidos. Esse “caminho” não vai ser entendido, pois estão interessados num Messias milagreiro e espetacular. Os “seus” rejeitarão a proposta de Jesus e tentarão eliminá-lO (anúncio da morte na cruz); mas a liberdade de Jesus vence os inimigos (alusão à ressurreição) e a evangelização segue o seu caminho (“passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho”), até atingir  os que estão verdadeiramente dispostos a acolher a salvação/libertação (alusão a Elias e Eliseu que se dirigiram aos pagãos porque o seu próprio povo não estava disponível para escutar a Palavra de Deus). Neste texto Lucas anuncia o caminho da Igreja: a comunidade crente toma consciência de que, em continuidade com o caminho de Jesus, a sua missão é levar a Boa Nova aos pobres e marginalizados – como Elias fez com uma viúva de Sarepta ou como Eliseu fez com um leproso sírio. Se percorrer esse caminho, a Igreja viverá na fidelidade a Cristo.

O profeta tem o dom de falar a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa e do jeito certo. Ele fala aquilo que os ouvintes precisam ouvir, não o que querem ouvir. E é claro, quando se toca na ferida, dói. Diante do profeta, nós temos dois caminhos: Ou acolher a sua mensagem e mudar de vida, ou atacá-lo. Isso explica muitas críticas ao Papa, a bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e líderes cristãos. O profeta fala direto, sem perseguir ninguém, sem ódio, mas também sem camuflar a verdade. Ele denuncia com clareza as situações contrárias ao plano de Deus. Ele não se preocupa em agradar os ouvintes mas em levá-los à conversão, cujo primeiro passo é o reconhecimento do erro.

É mais fácil destruir o mensageiro do que acolher a mensagem. Os pecadores costumam atacar os profetas de Deus e ir procurar “profetas” que falem conforme o seu gosto, ou procura outra “Igreja” que aceita a sua vida errada. Há muitos modos de perseguir um profeta: Exagerando os seus pontos fracos, torcendo a sua mensagem...
Não conseguiram jogar Jesus no precipício. Deus protege os seus profetas. Tudo concorre para o bem daqueles que estão com Deus. Queriam matá-lo. Mas, passando pelo meio deles, Jesus continuou seu caminho. Nós recebemos no batismo, e principalmente na crisma, a missão de profetas. A sociedade está precisando de profetas, pois vive “tapando o sol com a peneira” em muitos pontos.

• Como na primeira leitura, o Evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o “caminho do profeta”: é um caminho onde se lida, permanentemente, com a incompreensão, com a solidão, com o risco… É, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. Temos a coragem de seguir este caminho? As “bocas” dos outros, as críticas que magoam, a solidão e o abandono, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?

ATUALIZAÇÃO “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. Os habitantes de Nazaré julgam conhecer Jesus, mas não perceberam a profundidade do seu mistério.
♦“Faz também aqui na terra o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum”. Esta é a atitude de quem procura Jesus para ver o seu espetáculo ou para resolver os seus problemas pessoais. Esperamos espetáculo em nosso favor, ou o Deus que em Jesus nos apresenta uma proposta séria de salvação?
♦o “caminho do profeta”: é um caminho onde se lida com a incompreensão. É um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. As críticas, a solidão, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?

8. SEGUNDA LEITURA (1Cor 12,31–13,13) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria. A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.

AMBIENTE: Há quem chame a este texto o “hino ao amor”. A verdade é que Paulo quer aqui dizer, sem meias palavras e de forma clara que só há um carisma absoluto: o amor.

MENSAGEM - O amor de que Paulo fala aqui é o amor (em grego, “ágape”) tal como ele é entendido pelos cristãos: não é o amor egoísta, que procura o próprio bem, mas o amor gratuito, desinteressado, sincero, fraterno, que se preocupa com o outro, que sofre pelo outro, que procura o bem do outro sem esperar nada em troca. Paulo sustenta que, sem amor, até as melhores coisas (a fé, a ciência, a profecia, a distribuição de esmolas pelos pobres) são vazias e sem sentido. Só o amor dá sentido a toda a vida e a toda a experiência cristã.
O amor é a fonte e a origem de todos os bens e qualidades. Paulo enumera quinze características ou qualidades do verdadeiro amor: sete positivas e as outras oito negativas; [
A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.] mas todas elas se referem a coisas simples e quotidianas, que vivemos a todo os instante, a fim de que ninguém pense que este “amor” é algo que só diz respeito aos santos, aos sábios. Este amor – diz Paulo – não desaparecerá nunca. Ele é a única coisa perfeita; por isso permanecerá sempre. Fica, assim, confirmada a superioridade do amor frente a qualquer outro carisma.

ATUALIZAÇÃO
♦O amor cristão é o amor desinteressado que leva a procurar o bem do outro.
• Desse amor partilhado nasce a comunidade de irmãos a que chamamos Igreja. O amor que une os vários membros da nossa comunidade cristã é esse amor generoso e desinteressado de que Paulo fala? Quando a comunidade cristã é palco de lutas de interesses, de ciúmes, de rivalidades egoístas, que testemunho de amor está a dar?

Fonte: Dehonianos
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O Fracasso

No Domingo passado, vimos a importância da Palavra de Deus na vida do Povo.
E Deus precisa de gente, que proclame a sua Palavra.
São os PROFETAS.

As Leituras de hoje falam de DOIS PROFETAS,   que enfrentaram a rejeição e o desprezo, por serem fiéis à sua Missão...

Na 1a Leitura, JEREMIAS é chamado a ser Profeta das Nações. (Jr 1,4-5.17-19)

- Jeremias tentou recusar: "Eu não sei falar... sou apenas uma criança..."
- Deus não desiste: "Antes de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações.Não tenhas medo, não conseguirão te vencer, estarei contigo para te livrar".

Deus escolheu Jeremias para profeta e ele foi um exemplo de disponibilidade à Palavra de Deus. Sua fidelidade provocou muito sofrimento. Um aparente fracasso.
É o que ele revela em suas "lamentações". Mas Deus nunca o abandonou.

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que a Caridade é a profecia permanente.

É o "Hino do Amor". Só o amor dá sentido à vida e à experiência cristã...
Sem amor até as melhores coisas ficam sem sentido. (1Cor 12,31-13,13)

* O Profeta deve deixar-se guiar pelo Amor e nunca pelo próprio interesse.
Só consegue ser um verdadeiro profeta, quem tiver uma profunda experiência do amor de Deus.

O Evangelho apresenta em Nazaré o Profeta JESUS, rejeitado pelos conterrâneos e até pelos próprios parentes. "Nenhum profeta é bem recebido na sua terra". (Lc 4,21-30)

+ Por que é rejeitado?

- Porque o conhecem muito bem: ''É o Filho de José".
  Mas esse conhecimento superficial não os levou a uma adesão a Jesus.
* E o nosso conhecimento de Jesus nos leva a acolhê-lo e VIVER com alegria e entusiasmo a sua mensagem?

- Porque não realiza milagres na sua cidade...
  "Faz também aqui, o que fizestes em Cafarnaum"!
  É a atitude de quem procura Jesus para ver espetáculo, ou para resolver problemas pessoais.

* Qual é o Deus que procuramos?
   O Deus dos milagres ou o Deus com uma proposta de salvação?

Diante dessa incredulidade, Jesus recorda Elias e Eliseu, que realizaram prodígios entre estrangeiros que acreditaram neles.

- A Reação é rápida e violenta: rejeitam Jesus e tentam matá-lo, jogando-o num precipício...
- Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho...

Quem são os Profetas?
A palavra "profeta" está em moda. Aplica-se à Igreja, ao cristão, às pessoas que se destacam por sua vida e mensagem, mesmo em âmbito político.
O verdadeiro profeta é a consciência crítica de um povo, uma consciência crítica não em nome de um sistema ou de uma ideologia, mas em nome da Palavra de Deus.
E por ser fiel a Deus e ao Povo, o Profeta nunca é um personagem aplaudido e elogiado pelas multidões.

O "Caminho do Profeta" é sempre um caminho de incompreensão, de sofrimento, de solidão, de risco...
É o que Jeremias revela em suas "Lamentações".
Foi o que também aconteceu com Jesus na própria terra...
Mas é também um caminho de paz e de esperança, porque pode contar com a graça divina que o preveniu e o acompanhará em todas as situações.

- Quem são profetas, hoje?
Os "profetas" não são apenas pessoas do passado.
No Batismo, nós fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo.
O profeta vive atento ao sonho de Deus e à realidade dos homens, e intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar e para corrigir. 


* Estamos convencidos de que somos a "boca" através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?
 - Temos coragem de nos envolver pela palavra do Senhor e pelo seu projeto?
    Ou temos medo de denunciar situações e atitudes contrárias ao Evangelho?
 - As críticas, a solidão e o abandono, nos impediram às vezes de cumprir a missão que Deus nos confiou?

+ Como acolhemos os profetas, de hoje?
   Como os habitantes de Nazaré?
   - Estamos convencidos, de que os santos de casa também podem fazer milagres,      quando encontrarem pessoas que acreditem neles?

Renovemos agora nossa fé, não apenas em DEUS, mas também nas PESSOAS, que convivem conosco... Assim, teremos a certeza de que também os santos de casa acabarão fazendo seus milagres...

                             Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho
As leituras de hoje são um convite a contemplarmos o sentido da vida. O próprio profeta Jeremias nos faz este convite: “Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações”. Para nós, que olhamos Jeremias e também vemos Jesus, Jesus é outro, humanamente falando, que foi enviado por Deus para cumprir a missão. O próprio anjo anuncia a Maria e a partir do seu sim, que Jesus é gerado e depois apresentado à humanidade e depois salva a humanidade. Jeremias e Jesus são exemplos que ajudam a cada um de nós a compreendermos: nós não viemos ao mundo por acidente ou por acaso. Deus nos escolheu, desde o ventre materno. E como diz o próprio Salmo: “sois o meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, sois o meu amparo”. Ele não somente nos escolhe, como nos ampara. Para que? Para realizarmos uma missão. Qual é a missão que Deus nos confia? Ele ama e quer cuidar de cada um. O Salmo fala isto o tempo todo. Nem adiantaria comentar o Salmo, porque tiraria o brilho que ele traz por si mesmo: Deus cuida de cada ser humano, mas Ele quer contar com a nossa colaboração, para que este cuidado e este amor, seja experimentado por todas as pessoas. Coincidente ou não, são tantas as pastorais que procuram levar vida plena para todos: desenvolvemos a pastoral do trabalho, que procura encaixar pessoas desempregadas no serviço, o amor exigente, que procura libertar as pessoas da dependência química, a promoção social, que procura amenizar a fome dos necessitados, farmácia, para quem não tem recurso financeiro e precisa de remédios, trabalhos manuais, assim como o serviço da escuta, espeço para quem não tem com quem conversar, possa vir conversar, desabafar, defesa da vida, para que não se faça o aborto, conselho econômico, já que o dinheiro da paróquia deve servir para a evangelização. Veja que temos, aqui na paróquia, muitos trabalhos, mas São Paulo vai chamar a atenção: “Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine”. Ora, o que é caridade? Palavra sinônimo de amor. Só que, na língua portuguesa, a palavra amor é uma palavra muito desgastada. Mas, na realidade, existe o amor entre amigos, amor do casal e o amor de Deus. Não que um seja mais importante que o outro, mas o que Deus espera que possamos transmitir o amor de Deus para o outro. Tanto o amor de amizade quanto do amor de um casal exige reciprocidade. O amor de Deus não. Se eu te amo e você não reconhecer, não tem problema. Por que? Porque o amor de Deus, ele ama sem esperar algo em troca. Aí, Ele nos convida, através do nosso trabalho, a apresentar este amor.
Portanto, meus irmãos e irmãs, nós temos esta missão. Jesus, quando está na cruz, Ele diz: “Tudo está consumado”. Aí, Ele entrega o seu espírito a Deus. É assim que está no Evangelho. O que significa, que, nós morremos, no momento que completamos nossa missão. A morte é um mistério. Eu sempre digo, que não se deve associar enfermidade, idade e morte. São três coisas, que uma não depende da outra. A prova disso são os jovens que morreram em Santa Maria, cheios de vida, jovens, certamente não tinham enfermidades sérias e morreram. A morte é um mistério, mas da morte podemos aprender lições muito importantes: veja Jesus hoje. No Evangelho diz: “hoje se cumpriu a Escritura, que acabastes de ouvir”. “Eu vim para por em prática toda Escritura”. Ele acaba concluindo sua missão na morte. Ora, Jesus, com sua morte, resgata a vida de toda humanidade e garante para todos, de fato, vida eterna. Será muito difícil explicar a morte destes jovens, mas podemos daí, tirar lições importantes. Uma delas: não vimos nenhuma mãe ou pai dizendo: graças a Deus meu filho morreu. Todos lamentaram as mortes dos jovens. Não vi, mesmo pessoas que não eram parentes dizer: graças a Deus eles morreram. Todos lamentaram. Agente olhando as cenas, as lágrimas vêm aos olhos. O que significa? O que os pais não dariam para terem seus filhos vivos? Que isto sirva para quem apóia o aborto, porque só mudou a data da morte. Que isto sirva para quem acha que o aborto é uma solução. Então, estes jovens não morreram em vão, mas nos ajuda a perceber, que quem tem chance de nascer, é amado. Agora, se eu não dou chance para a pessoa nascer, como ela pode, depois, transmitir aos genitores o amor? Isto  para nossa reflexão. Poderemos pensar: “depois que o ladrão rouba, colocamos a tranca”. Quer dizer; estes jovens não podem ter morrido em vão, que não seja o ímpeto do momento, esta preocupação com segurança, porque no Brasil tudo vai pelo jeitinho e pelo provisório, que depois acaba no permanente. Não. A nossa acultura precisa ser mudada. Ora, mas eles precisavam morrer? Não. Nem Jesus precisava morrer, mas é através da morte que aprendemos grandes lições. Então, o que fazer? Hoje é um grande convite para renovar  a nossa disposição, a exemplo de Jeremias e de tantos outros, de ser um sinal do amor de Deus para o mundo. Ah, mas é tão difícil. Jeremias também se lamentou muito. Tem até um livro; o livro de Jeremias. Entretanto, ele cumpriu a sua missão. Mesmo com dificuldade mesmo, se pudéssemos cumprir a nossa, estaríamos cumprindo a expectativa de Deus. E, Ele vai nos amparar. Nem Jeremias, nem Jesus e certamente nenhum desses jovens se decepcionaram com Jesus. Por que? Porque Ele é o Deus feito homem e é promessa de Deus atender a todos que colocam sua esperança nele. Ora, Jesus na cruz disse: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes”? Será, que Jesus confiou em Deus até o fim? Claro, que sim, porque se nós olharmos o Salmo que Jesus está dizendo, só vem esta “partezinha”, porque as pessoas, na época em que foram escritos os Evangelhos, eles já sabiam os salmos de cor. Então, indicando a primeira frase, eles sabiam o restante. Se nós não estamos lembrados, é bom lembrarmos: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes” e aí, o salmo continua: “ mas vós jamais abandonais quem coloca em tu as suas esperanças. Estão, como leões, ao redor de mim para devorar-me, mas jamais permitirás que se quebre sequer um osso, porque sou teu filho, teu amado”. Todo um salmo de confiança. Nem Jesus se decepcionou, nem Jeremias se decepcionou, nem estes jovens que morreram. Por que? Porque quem deposita sua confiança e cumpre a sua missão, Deus os resgata para a vida e vida eterna.
Que Deus nos ajude a confiar em sua Palavra e que cumpramos a nossa missão.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO


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HOMILIA DE D. HENRIQUE SOARES:

Se procurarmos uma idéia que dê unidade as leituras da Missa de hoje, encontraremos a fé. Comecemos pelo Evangelho. Após ler o trecho do rolo de Isaías, “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu… para levar a Boa Nova aos pobres e proclamar o Ano da graça do Senhor”, Jesus afirma, cheio de autoridade: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. É uma afirmação ousada. Somente quando o Messias viesse tal Escritura seria cumprida. Jesus, portanto, apresenta-se como o Messias. E o encanto de seu ensinamento dá testemunho de que ele é verdadeiro… Mas, infelizmente, crer não é fácil… sobretudo quando Deus nos visita de modo humildade, corriqueiro, nas coisas pequenas e banais. E, assim, os nazarenos se escandalizam com Jesus: “Não é este o filho de José?” Como pode alguém nosso, alguém tão do nosso meio ser o Messias? Como pode Deus se manifestar por este, que cresceu e viveu entre nós? Santo de casa não faz milagre! Gostamos do excepcional, da novidade, do exótico! O quanto é necessário sermos abertos para discernir a Palavra e o apelo do Senhor naqueles que nos são enviados e convivem conosco! O quanto precisamos aprender que Deus não é somente Deus de longe, mas também Deus de perto! A mesma experiência o profeta Jeremias fizera antes de Jesus. E o Senhor ordena que seu profeta fale e que não tenha medo, ainda que seja incompreendido e rejeitado pelo seu povo e seus parentes: “Não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze… Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque estou contigo para defender-te!
Por um lado, o Senhor exige fé e confiança absoluta daqueles que ele envia, de seus profetas; por outro lado, espera daqueles aos quais o profeta é enviado, espera do seu povo, a capacidade de discernir, de acolher, de crer! E quantas vezes não cremos: pensamos que Deus se calou, que não mais se manifesta, não mais nos dirige a Palavra. E, no entanto, o Senhor nos interpela por seus profetas, por aqueles que , tantas vezes, são na Comunidade e na vida uma palavra de Deus para nós! Caso não sejamos abertos à Palavra, corremos o risco de perdê-la. É o que Jesus recorda aos nazarenos: a viúva pagã de Sarepta e o leproso Naamã, também ele pagão, foram mais abençoados que as viúvas e os leprosos de Israel, porque foram abertos… Os nazarenos sentiram-se ofendidos porque Jesus insinuou que eles não tinham fé e não sabiam discernir nele Aquele que o Pai enviara… e terminam por expulsar Jesus de sua cidade. É dramático: a falta de fé fez os nazarenos expulsarem o Messias, o Enviado de Deus. A falta de fé e discernimento, a cegueira do coração, a dureza e o fechamento para as novidades de Deus, podem fazer o mesmo conosco: expulsar do coração e da vida aqueles que nos trazem a Palavra do Senhor e sua vontade a nosso respeito.
Mas, por sua vez, aqueles que são testemunhas do Senhor e ministros do Evangelho, devem estar preparados para a possibilidade de serem rejeitados. Somente os falsos pregadores, os malditos vendedores do Evangelho, os missionários de televisão, é que pregam uma adesão a Jesus fácil e que resolve nossos problemas. Na verdade, seguir o Cristo nos amadurece e nos faz, muitas vezes, enfrentar problemas e contradições. Qualquer um que queira colocar-se a serviço do Senhor, deve preparar-se para tal contradição: “Meu filho, se te ofereceres para servir o Senhor, prepara-te para a prova. Endireita teu coração e sê constante… Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes que te humilharem, sê paciente” (Eclo 2,1.4). Como Jesus e os profetas que vieram antes dele, o serviço e a fidelidade ao Evangelho nos colocam em dificuldades e provações! É a dor do Reino de Deus!
A mesma visão de fé que faz distinguir os profetas do Senhor, também nos abre os olhos para reconhecer nos outros irmãos de verdade, irmãos no Senhor, e amá-los de todo o coração. É este o verdadeiro dom, o maior carisma de que fala São Paulo na segunda leitura. Aí, o Apóstolo não fala de um amor-sentimento, amor-simpatia, amor-amizade, mas do amor-caridade, o amor de Deus, que é o Espírito Santo derramado em nossos corações, amor que é capaz de dar a vida… amor como aquele do Cristo que nos amou primeiro e amou-nos até o fim! É este amor, que nasce da raiz do amor a Deus, da abertura para Deus, da intimidade com Deus, que dá sentido a todas as coisas. E sem ele, nada tem sentido para o Reino de Deus… nem a fé! Em última análise, quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé! E o amor a Deus, que desabrocha no amor aos irmãos, é concreto, tem que ser concreto: pode ser visto na paciência, na benignidade, na generosidade, na humildade, na gratuidade, na mansidão, na retidão, na verdade… E São Paulo recorda que um amor assim é coisa de adultos na fé. Quem não ama é imaturo na fé, é criança que pensa e age como criança! Só o amor nos amadurece, só o amor nos faz ver os outros e a vida com os olhos de Deus
Eis, então, de modo resumido, o desafio, o convite da Palavra de Deus hoje: (1) uma fé, uma capacidade de acolher o Senhor, de tal modo que reconheçamos que ele vem a nós na palavra e no testemunho de tantos irmãos e irmãs que conosco convivem; (2) uma fé capaz de suportar com paciência e alegria os reveses da missão que Deus nos confiou e (3) uma fé capaz de desabrochar em amor aos irmãos; amor provado e revelado em atitudes concretas.
Creiamos: somos a Igreja, Comunidade do Senhor Jesus, continuamente vivificada e orientada pelo seu Espírito de amor! Arrisquemos crer; arrisquemos viver de amor… e experimentaremos a doçura do Senhor e a alegria de viver como irmãos.

D. Henrique Soares da Costa 


Homilia I
Se procurarmos uma idéia que dê unidade as leituras da Missa de hoje, encontraremos a fé. Comecemos pelo Evangelho. Após ler o trecho do rolo de Isaías, “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu... para levar a Boa Nova aos pobres e proclamar o Ano da graça do Senhor”, Jesus afirma, cheio de autoridade: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir". É uma afirmação ousada. Somente quando o Messias viesse tal Escritura seria cumprida. Jesus, portanto, apresenta-se como o Messias. E o encanto de seu ensinamento dá testemunho de que ele é verdadeiro... Mas, infelizmente, crer não é fácil... sobretudo quando Deus nos visita de modo humildade, corriqueiro, nas coisas pequenas e banais. E, assim, os nazarenos se escandalizam com Jesus: “Não é este o filho de José?” Como pode alguém nosso, alguém tão do nosso meio ser o Messias? Como pode Deus se manifestar por este, que cresceu e viveu entre nós? Santo de casa não faz milagre! Gostamos do excepcional, da novidade, do exótico! O quanto é necessário sermos abertos para discernir a Palavra e o apelo do Senhor naqueles que nos são enviados e convivem conosco! O quanto precisamos aprender que Deus não é somente Deus de longe, mas também Deus de perto! A mesma experiência o profeta Jeremias fizera antes de Jesus. E o Senhor ordena que seu profeta fale e que não tenha medo, ainda que seja incompreendido e rejeitado pelo seu povo e seus parentes: “Não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze... Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque estou contigo para defender-te!
Por um lado, o Senhor exige fé e confiança absoluta daqueles que ele envia, de seus profetas; por outro lado, espera daqueles aos quais o profeta é enviado, espera do seu povo, a capacidade de discernir, de acolher, de crer! E quantas vezes não cremos: pensamos que Deus se calou, que não mais se manifesta, não mais nos dirige a Palavra. E, no entanto, o Senhor nos interpela por seus profetas, por aqueles que , tantas vezes, são na Comunidade e na vida uma palavra de Deus para nós! Caso não sejamos abertos à Palavra, corremos o risco de perdê-la. É o que Jesus recorda aos nazarenos: a viúva pagã de Sarepta e o leproso Naamã, também ele pagão, foram mais abençoados que as viúvas e os leprosos de Israel, porque foram abertos... Os nazarenos sentiram-se ofendidos porque Jesus insinuou que eles não tinham fé e não sabiam discernir nele Aquele que o Pai enviara... e terminam por expulsar Jesus de sua cidade. É dramático: a falta de fé fez os nazarenos expulsarem o Messias, o Enviado de Deus. A falta de fé e discernimento, a cegueira do coração, a dureza e o fechamento para as novidades de Deus, podem fazer o mesmo conosco: expulsar do coração e da vida aqueles que nos trazem a Palavra do Senhor e sua vontade a nosso respeito.
Mas, por sua vez, aqueles que são testemunhas do Senhor e ministros do Evangelho, devem estar preparados para a possibilidade de serem rejeitados. Somente os falsos pregadores, os malditos vendedores do Evangelho, os missionários de televisão, é que pregam uma adesão a Jesus fácil e que resolve nossos problemas. Na verdade, seguir o Cristo nos amadurece e nos faz, muitas vezes, enfrentar problemas e contradições. Qualquer um que queira colocar-se a serviço do Senhor, deve preparar-se para tal contradição: “Meu filho, se te ofereceres para servir o Senhor, prepara-te para a prova. Endireita teu coração e sê constante... Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes que te humilharem, sê paciente" (Eclo 2,1.4). Como Jesus e os profetas que vieram antes dele, o serviço e a fidelidade ao Evangelho nos colocam em dificuldades e provações! É a dor do Reino de Deus!
A mesma visão de fé que faz distinguir os profetas do Senhor, também nos abre os olhos para reconhecer nos outros irmãos de verdade, irmãos no Senhor, e amá-los de todo o coração. É este o verdadeiro dom, o maior carisma de que fala São Paulo na segunda leitura. Aí, o Apóstolo não fala de um amor-sentimento, amor-simpatia, amor-amizade, mas do amor-caridade, o amor de Deus, que é o Espírito Santo derramado em nossos corações, amor que é capaz de dar a vida... amor como aquele do Cristo que nos amou primeiro e amou-nos até o fim! É este amor, que nasce da raiz do amor a Deus, da abertura para Deus, da intimidade com Deus, que dá sentido a todas as coisas. E sem ele, nada tem sentido para o Reino de Deus... nem a fé! Em última análise, quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé! E o amor a Deus, que desabrocha no amor aos irmãos, é concreto, tem que ser concreto: pode ser visto na paciência, na benignidade, na generosidade, na humildade, na gratuidade, na mansidão, na retidão, na verdade... E São Paulo recorda que um amor assim é coisa de adultos na fé. Quem não ama é imaturo na fé, é criança que pensa e age como criança! Só o amor nos amadurece, só o amor nos faz ver os outros e a vida com os olhos de Deus
Eis, então, de modo resumido, o desafio, o convite da Palavra de Deus hoje: (1) uma fé, uma capacidade de acolher o Senhor, de tal modo que reconheçamos que ele vem a nós na palavra e no testemunho de tantos irmãos e irmãs que conosco convivem; (2) uma fé capaz de suportar com paciência e alegria os reveses da missão que Deus nos confiou e (3) uma fé capaz de desabrochar em amor aos irmãos; amor provado e revelado em atitudes concretas.
Creiamos: somos a Igreja, Comunidade do Senhor Jesus, continuamente vivificada e orientada pelo seu Espírito de amor! Arrisquemos crer; arrisquemos viver de amor... e experimentaremos a doçura do Senhor e a alegria de viver como irmãos.

D. Henrique Soares


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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, nós vos amamos e somos os vossos profetas.
à Senhor, vós nos conheceis. Sois a nossa força nesta caminhada e estais ao nosso lado. Nós vos agradecemos e vos pedimos por todos os profetas de hoje, por aqueles que resistem aos poderosos pedindo o respeito pelos pobres e pelos fracos e  por aqueles que mostram o caminho de uma vida mais justa e mais libertadora.
T: Senhor, nós vos amamos e somos os vossos profetas.
à Pai, nós vos agradecemos pelo vosso amor infinito, que nos revelastes em Jesus, vosso Filho, porque Ele não procurou o seu interesse, mas tudo suportou em vista da construção do Reino. Pai, Nós vos recomendamos todas as famílias cristãs: enchei-as do Vosso Espírito de amor.
T: Senhor, nós vos amamos e somos os vossos profetas.
à Senhor, Deus fiel e paciente, bendito sejais pela mensagem de amor que vosso Filho nos deixou. Nós vos bendizemos pelos profetas que enviastes, porque Vós quereis a salvação e a felicidade de todos os homens. Nós Vos pedimos por aqueles que rejeitam a mensagem de amor do vosso Filho. Pai, perdoai-lhes e vinde em nosso auxílio.
T: Senhor, nós vos amamos e somos os vossos profetas.
à Pai, fortalecei-nos e iluminai-nos com a luz do Espírito Santo para que possamos espelhar ao mundo o vosso amor.
T: Senhor, nós vos amamos e somos os vossos profetas.
- - - Pai nosso... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...