terça-feira, 2 de junho de 2015

CORPO E SANGUE DE CRISTO, corpus christi, Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

CORPO E SANGUE DE CRISTO ANO B 2015

Corpus Christi
Ano A: Dt 8,2-3.14-16; Sl 147; 1Cor 10,16-17; Jo 6,51-58
Ano B: Ex 24,3-8; Sl 116; Hb 9,11-15; Mc 14,12-16.22-26
Ano C: Gn 14,18-20; Sl 110; 1Cor 11,23-26; Lc 9,11-17

6. PRIMEIRA LEITURA (Ex 24,3-8) Leitura do Livro do Êxodo. Naqueles dias, Moisés veio e transmitiu ao povo todas as palavras do Senhor e todos os decretos. O povo respondeu em coro: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse”. Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. Levantando-se na manhã seguinte, ergueu ao pé da montanha um altar e doze marcos de pedra pelas doze tribos de Israel. Em seguida, mandou alguns jovens israelitas oferecer holocaustos e imolar novilhos como sacrifícios pacíficos ao Senhor. Moisés tomou metade do sangue e o pôs em vasilhas, e derramou a outra metade sobre o altar. Tomou depois o livro da aliança e o leu em voz alta ao povo, que respondeu: “Faremos tudo o que o Senhor disse e lhe obedeceremos”. Moisés, então, com o sangue separado, aspergiu o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco, segundo todas essas palavras”

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 115 (116)
Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
• Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor? / Elevo o cálice da minha salvação, / invocando o nome santo do Senhor.
 • É sentida por demais pelo Senhor / a morte de seus santos, seus amigos. / Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, / que nasceu de vossa serva; / mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
• Por isso oferto um sacrifício de louvor, / invocando o nome santo do Senhor. / Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido.
8. SEGUNDA LEITURA (Hb 9,11-15) Leitura da Carta aos Hebreus.
Irmãos, Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, quanto mais o Sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do Espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. Por isso, ele é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna.  * Palavra do Senhor

9. SEQUÊNCIA (cantada)
1. Terra, exulta de alegria, / louva teu pastor e guia / :Com teus hinos, tua voz.: (Bis).
2. Tanto possas, / tanto ouses, / em louvá-lo não repouses. / :Sempre excede o teu louvor.: (Bis).
3. Hoje a Igreja te convida: / ao pão vivo, que dá vida, / :vem com ela celebrar!: (Bis).
4. Este pão, que o mundo creia, / por Jesus, na santa ceia, / :foi entregue aos que escolheu.: (Bis).
5. Nosso júbilo cantemos, / nosso amor manifestemos /: pois transborda o coração.: (Bis).
6. Quão solene a festa, / o dia, / que da Santa Eucaristia / nos recorda a instituição.: (Bis).
7. Novo Rei e nova mesa, / nova Páscoa e realeza, / : foi-se a páscoa dos judeus.: (Bis).
8. Era sombra o antigo povo, / o que é velho cede ao novo, / :foge a noite, chega a luz.: (Bis).
9. O que o Cristo fez na ceia, / manda à Igreja que o rodeia / :repeti-lo até voltar.: (Bis).
10. Seu preceito conhecemos: / pão e vinho consagremos / :para a nossa salvação.: (Bis)

11. EVANGELHO (Mc 14, 12-16. 22-26)
S. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. T. Glória a vós, Senhor.
No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” Jesus enviou então dois dos seus discípulos e lhes disse: “Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro. Segui-o e dizei ao dono da casa em que ele entrar: “O Mestre manda dizer: onde está a sala em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?” Então ele vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada com almofadas. Aí fareis os preparativos para nós!” Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: “Tomai, isto é o meu Corpo”. Em seguida, tomou o cálice, deu graças, entregou-lhes, e todos beberam dele. Jesus lhes disse: “Isto é o meu Sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos. Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus”. Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. * Palavra da Salvação.

ANEXO 1
Homilia de Bento XVI para a Solenidade do Corpo de Deus em 2012 [Ano B]
Prezados irmãos e irmãs!
Esta tarde gostaria de meditar convosco sobre dois aspetos, ligados entre si, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante retomá-los em consideração para os preservar de visões incompletas do próprio Mistério, como aquelas que se relevaram no passado recente.
Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em particular da adoração do Santíssimo Sacramento. É a experiência que, também esta tarde, nós viveremos após a Missa, antes da procissão, durante a sua realização e no seu encerramento. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II tinha penalizado esta dimensão, limitando praticamente a Eucaristia ao momento Celebrativo. Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, no qual o Senhor convoca o seu povo, o reúne ao redor da dúplice mesa da Palavra e do Pão de vida, o alimenta e o une a Si no ofertório do Sacrifício. Esta valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor age e realiza o seu mistério de comunhão, permanece obviamente válida, mas ela deve ser recolocada no equilíbrio justo. Com efeito - como acontece com frequência - para ressaltar um aspeto termina-se por sacrificar outro. Neste caso, a justa evidência conferida à celebração da Eucaristia prejudicou a adoração, como gesto de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Este desequilíbrio teve repercussões inclusive na vida espiritual dos fiéis. Com efeito, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia unicamente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar da sua presença o resto do tempo e do espaço existenciais. E assim compreende-se menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e conosco, uma presença concreta, próxima, no meio das nossas casas, como «Coração vibrante» da cidade, do povoado, do território com as suas várias expressões e atividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida quotidiana.
Na realidade, é errado opor a celebração à adoração, como se uma com a outra estivessem em concorrência. É precisamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui como que o «ambiente» espiritual em cujo contexto a comunidade pode celebrar bem e na verdade a Eucaristia. A ação litúrgica só pode expressar o seu pleno significado e valor se for precedida, acompanhada e seguida por esta atitude interior de fé e de adoração. O encontro com Jesus na Santa Missa realiza-se verdadeira e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que no Sacramento Ele habita a sua casa, nos espera, nos convida à sua mesa e depois, quando a assembleia se dissolve, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e acompanha-nos com a sua intercessão, continuando a receber os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.
A este propósito, apraz-me sublinhar a experiência que juntos viveremos também esta noite. No momento da adoração, nós estamos todos no mesmo plano, de joelhos diante do Sacramento do Amor. O sacerdócio comum e o ministerial encontram-se unidos no culto eucarístico. É uma experiência muito bonita e significativa, que vivemos várias vezes na Basílica de São Pedro e também nas inesquecíveis vigílias com os jovens - recordo, por exemplo, as de Colônia, Londres, Zagreb e Madrid. É evidente para todos que estes momentos de vigília eucarística preparam a celebração da Santa Missa e predispõem os corações para o encontro, de tal modo ele seja ainda mais fecundo. Estarmos todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja, que é acompanhado de maneira complementar pela celebração da Eucaristia, ouvindo a Palavra de Deus, cantando, aproximando-nos juntos da mesa do Pão de Vida. Comunhão e contemplação não se podem separar, pois caminham juntas. Para me comunicar verdadeiramente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la e fitá-la com amor. O amor autêntico e a amizade verdadeira vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes e repletos de respeito e de veneração, de tal maneira que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial. E infelizmente, se falta esta dimensão, também a própria comunhão sacramental pode tornar-se, da nossa parte, um gesto superficial. No entanto, na comunhão autêntica, preparada pelo diálogo da oração e da vida, nós podemos dirigir ao Senhor palavras de confiança, como aquelas que há pouco ressoaram no Salmo Responsorial: «Senhor, sou teu servo, filho da tua serva; / quebraste as minhas cadeias. / Hei de oferecer-te sacrifícios de louvor / invocando, Senhor, o teu nome» (Sl 115, 16-17).
Agora gostaria de passar brevemente ao segundo aspeto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui ressentimos, no passado recente, de um determinado desentendimento a respeito da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã em relação ao culto foi influenciada por uma certa mentalidade secularista dos anos sessenta e setenta do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não se encontra nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida e no seu mistério pascal. E todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado já não existe, mas que ele encontrou o seu cumprimento em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A Carta aos Hebreus, que ouvimos esta tarde na segunda Leitura, fala-nos precisamente da novidade do sacerdócio de Cristo, «Sumo Sacerdote dos bens futuros» (Hb 9, 11), mas não afirma que o sacerdócio terminou. Cristo «é Mediador de uma nova aliança» (Hb 9, 15), estabelecida no seu sangue, que purifica «a nossa consciência das obras mortas» (Hb 9, 14). Ele não aboliu o sagrado, mas completou-o, inaugurando um novo culto, que é sem dúvida plenamente espiritual, mas que no entanto, enquanto estivermos a caminho no tempo, ainda se serve de sinais e de ritos, que só virão a faltar no final, na Jerusalém celeste, onde já não haverá templo algum (cf. Ap 21, 22). Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa e, como acontece no caso dos mandamentos, também mais exigente! Não é suficiente a observância ritual, mas exigem-se a purificação do coração e o compromisso da vida.
Apraz-me ressaltar também que o sagrado tem uma função educativa, e inevitavelmente o seu desaparecimento empobrece a cultura, em particular a formação das novas gerações. Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada que já não precisa de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana do Corpus Christi, o perfil espiritual de Roma ficaria «nivelado» e por isso a nossa consciência pessoal e comunitária seria debilitada. Ou então, pensemos numa mãe e num pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem os próprios filhos de toda a ritualidade religiosa: na realidade, acabariam por deixar este campo livre aos numerosos sucedâneos presentes na sociedade consumista, a outros ritos e sinais, que mais facilmente poderiam tornar-se ídolos. Deus, nosso Pai, não agiu assim com a humanidade: mandou o seu Filho ao mundo não para abolir, mas para levar a cumprimento também o sagrado. No ápice desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, o Memorial do seu Sacrifício pascal. Agindo deste modo, Ele pôs-se no lugar dos sacrifícios antigos, mas fê-lo no âmbito de um rito, que ordenou aos Apóstolos que perpetuassem como sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo. Caros irmãos e irmãs, é com esta fé que nós celebramos hoje e cada dia o Mistério eucarístico e que O adoramos como Centro da nossa vida e âmago do mundo! Amém.

ANEXO 2
Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia
Catequese 1.
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, falar-vos-ei da Eucaristia. A Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Batismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.
O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o alimento que recebemos é também a sua Palavra.
Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo... Tomai e bebei, isto é o meu sangue».
O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema ação de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. Em grego, «ação de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema ação de graças ao Pai, o qual nos amou a tal ponto que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Por conseguinte, a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que, no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.
Estimados amigos, nunca daremos suficientemente graças ao Senhor pela dádiva que nos concedeu através da Eucaristia! Trata-se de um dom deveras grandioso e por isso é tão importante ir à Missa aos domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto! E todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão importante para nós! E com a Eucaristia sentimos esta pertença precisamente à Igreja, ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o seu valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. E fazemos isto durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte a Jesus Cristo, depois do Batismo e do Crisma.
Catequese 2.
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Na última catequese elucidei o modo como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos formular algumas interrogações a propósito da relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como simples cristãos. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É apenas um momento de festa, uma tradição consolidada, uma ocasião para nos encontrarmos, para estarmos à vontade, ou então é algo mais?
Existem sinais muito concretos para compreender como vivemos tudo isto, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se vivemos bem a Eucaristia, ou se não a vivemos muito bem. O primeiro indício é o nosso modo de ver e considerar os outros. Na Eucaristia Cristo oferece sempre de novo o dom de si que já concedeu na Cruz. Toda a sua vida é um gesto de partilha total de si mesmo por amor; por isso, Ele gostava de estar com os discípulos e com as pessoas que tinha a oportunidade de conhecer. Para Ele, isto significava partilhar os seus desejos, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e vidas. Pois bem, quando participamos na Santa Missa encontramo-nos com homens e mulheres de todos os tipos: jovens, idosos e crianças; pobres e abastados; naturais do lugar e estrangeiros; acompanhados pelos familiares e pessoas sós... Mas a Eucaristia que eu celebro leva-me a senti-los todos verdadeiramente como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de me alegrar com quantos rejubilam, de chorar com quem chora? Impele-me a ir ao encontro dos pobres, dos enfermos e dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles o rosto de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e, na Eucaristia, queremos compartilhar a sua paixão e ressurreição. Mas amamos, como deseja Jesus, os irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, nestes dias vimos em Roma muitas dificuldades sociais, ou devido às chuvas, que causaram prejuízos enormes para bairros inteiros, ou devido à falta de trabalho, consequência da crise econômica no mundo inteiro. Pergunto-me, e cada um de nós deve interrogar-se: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, em aproximar-me, em rezar por quantos devem enfrentar este problema? Ou então sou um pouco indiferente? Ou, talvez, preocupo-me em tagarelar: reparaste como se veste esta pessoa, ou como está vestida aquela? Às vezes é isto que se faz depois da Missa, mas não podemos comportar-nos assim! Devemos preocupar-nos com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, far-nos-á bem pensar nos nossos irmãos e irmãs que devem enfrentar estes problemas aqui em Roma: problemas devidos à tragédia provocada pelas chuvas, questões sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los!
Um segundo indício, muito importante, é a graça de nos sentirmos perdoados e prontos para perdoar. Por vezes, alguém pergunta: «Por que deveríamos ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na Santa Missa é pecador como os outros?». Quantas vezes ouvimos isto! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se considera ou quer parecer melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo. Se não nos sentirmos necessitados da misericórdia de Deus, se não nos sentirmos pecadores, melhor seria não irmos à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar na redenção de Jesus e no seu perdão. Aquele «Confesso» que recitamos no início não é um «pro forma», mas um verdadeiro ato de penitência! Sou pecador e confesso-o: assim começa a Missa! Nunca devemos esquecer que a Última Ceia de Jesus teve lugar «na noite em que Ele foi entregue» (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos, e ao redor dos quais nos congregamos, renova-se de cada vez a dádiva do corpo e do sangue de Cristo, para a remissão dos nossos pecados. Temos que ir à Missa como pecadores, humildemente, e é o Senhor que nos reconcilia.
Um último indício inestimável é-nos oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós fazemos; não é uma nossa comemoração daquilo que Jesus disse e fez. Não! É precisamente uma ação de Cristo! Ali, é Cristo quem age, Cristo sobre o altar! É um dom de Cristo, que se torna presente e nos reúne ao redor de Si, para nos alimentar com a sua Palavra e a sua vida. Isto significa que a própria missão e identidade da Igreja derivam dali, da Eucaristia, e ali sempre adquirem forma. Uma celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, ao contrário, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la com a sua graça, de tal modo que em cada comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.
O coração transborda de confiança e de esperança, pensando nas palavras de Jesus, citadas no Evangelho: «Quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de júbilo comunitário, de solicitude pelos necessitados e pelas carências de numerosos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!
Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho
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TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO Mc 14,12-16.22-2
Celebramos hoje a festa do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, reafirmamos a nossa fé na presença real e substancial de Cristo no pão e no vinho consagrados como alimento da nossa salvação. Diante de tão grande mistério, somos chamados a elevar os nossos corações para o alto e fazer eco à profissão de fé eucarística no pão e vinho.
Esta festa de Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264, em vista de destacar a dimensão sacramental que a tradição romana associou à última ceia de Jesus, já celebrada na semana santa.
A ceia é um momento de alegria, partilha e comunhão. Descartando comer o cordeiro pascal, Jesus apresenta-se como o pão que dá a vida, e o vinho que alegra a todos, inaugurando a nova celebração do Reino de Deus. A Eucaristia é a celebração da comunidade viva, animada pelo Espírito, unida em torno de Jesus, empenhada em cumprir a vontade do Pai, que é vida para todos.
Por que o Senhor utilizou pão e vinho? Porque são os alimentos mais simples, mais comuns da mesa dos judeus. O pão e o vinho eram do dia-a-dia do pobre e do rico. Ainda hoje, nos países da bacia do Mediterrâneo, ao sentarmo-nos para o almoço ou jantar, encontramos logo na mesa uma garrafa d’água, uma garrafa de vinho e pão fatiado. Pois bem: Jesus não quis ser o Jesus dos grandes momentos, o Jesus de algumas poucas ocasiões; ele quis ser o Jesus de todos os dias, o Jesus de todos os momentos, o Jesus dos pobres e dos ricos, o Jesus de todos e de tudo. Por isso mesmo escolheu sinais tão ínfimos, tão humildes.

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Anônimo - 11/06/2009
Por que Jesus disse “é meu corpo, é meu sangue”? Corpo ou carne, na Bíblia, não é somente a musculatura da pessoa, mas toda ela – sua inteligência, seus sentimentos, seu corpo, suas emoções, seus planos… É dito carne ou corpo para significar que o homem é frágil, murcha como a erva do campo. Pois bem, quando Jesus diz: “Isto é o meu corpo”, ele quer dizer: “Isto sou eu com minha vida, que tomei de vós no seio de Maria, a Virgem. Eu vos dou minha humanidade: meus cansaços, meus sonhos, minhas andanças… Dou-vos tudo quando vivo no meio de vós, feito homem, eu, o Verbo que se fez carne!” E o sangue? Não significa simplesmente o líquido vermelho que corre nas nossas artérias. Sangue, na Bíblia, significa a vida. O sangue derramado significa a vida tirada, a vida violentada. Pois, vede que coisa tão linda: ao dizer “Isto é o meu sangue”, o Senhor está dizendo: “Eu vos dou toda a minha vida que se foi derramando por vós, desde o primeiro momento da minha existência humana. Fui me derramando por vós em cada cansaço, em cada decepção; fui me derramando em cada noite em oração, em cada agonia… até aquela última, da cruz e da sepultura…” Então, meus caros, “isto é o meu corpo, isto é o meu sangue” significa “isto sou eu todo, com o que tenho, com o que sou, com o que vivi e com o que morri, com o que amei e com o que sonhei, que agora entrego a vós e por vós”.
Que podemos dizer? Senão simplesmente: Obrigado, Senhor, por esse amor tão grande, que te fez a nós te entregares assim, totalmente! Dá-nos a graça de, recebendo teu Corpo e Sangue, plenos do Espírito Santo, na força do mesmo Espírito, fazer de nossa vida uma entrega a Ti e, por Ti, a todos os irmãos e irmãs. Ensina-nos a ser para os outros pão repartido e dado por amor afim de que um dia possamos chegar ao Pai do Céu, onde convosco viveremos e reinaremos em comunhão com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos! Amém.

1.       O sentido da celebração

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

2.       Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

3. Nasce a festa do Corpus Christi

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que ·principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas· (cân. 944).

4. A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 - ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 - ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 - ano C).

5. A devoção popular

Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.

A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.

Evaldo César de Souza, C.Ss.R

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          O PÃO DE DEUS, PARA A VIDA DO MUNDO (Mc 14, 12-16.22-26).
                                                                             Cônego Ivanir Leonardi
    
     Jesus, como bom judeu, celebra também a Páscoa com os seus discípulos, e segue o ritual conforme as prescrições de Moisés, mas lhe dá  também um sentido totalmente novo. 
     Todo o Antigo Testamento é um preâmbulo para a nova e verdadeira Páscoa.  No sacrifício da Nova e Eterna Aliança, não apenas recordamos a libertação dos judeus da escravidão a que eram submetidos pelos egípcios, mas a libertação de toda a humanidade de uma escravidão que mata, para a vida eterna. Recordamos agora não mais a passagem do Mar Vermelho, mas vitória de Cristo que venceu a morte, e quer libertar a todos os que o seguem, para como Ele ressuscitarem também para uma nova vida.
     É na Ultima Ceia que Jesus celebra a nova Páscoa, onde o Pão ázimo e o vinho continuam com a mesma aparência, mas ocorre uma transubstanciação em que, mudam espiritualmente de substância e se tornam o corpo e o sangue de Cristo, Pão de Deus, Pão da Vida, e verdadeira  bebida para matar a nossa sede espiritual.
      O povo de Deus bem cedo começou a celebrar a alegria de tão grande dom, e a  Igreja há alguns  séculos institui a Festa de Corpus Christi.
     Não podia ser diferente. Como esquecer tamanha graça recebida pela humanidade, de ter sempre presente na Eucaristia a possibilidade de se fortalecer na caminhada com um alimento, que nem aos seres espirituais mais evoluídos ou elevados, foi dado saborear.
     Precisamos nos alimentar deste alimento sagrado, com o coração arrependido, para que ele possa se tornar parte de nós e nós parte dele.
     É preciso estar em comunhão, para poder  sentir os efeitos da comunhão. Quem não estiver em comunhão, não sentirá os seus benéficos  efeitos espirituais, mas corre o sério risco de não se salvar, e mesmo  ser condenado.
     O amor deve que ser traduzido em caridade, perdão e doação, para  nos fazer sentir que  participar da Eucaristia  já é sentir um pouco do céu, aqui na terra. 

Celebramos hoje, 60 dias após a Páscoa, a festa de Corpus Christi, palavra
latina que significa Corpo de Deus. Esta festa nos recorda a instituição da Eucaristia,
acontecida na Última Ceia da quinta-feira santa. Onde, na simplicidade do Pão
e do Vinho, Jesus confirma o novo modo de ser acolhido e estar com todos: a
Eucaristia.
A festa de Corpus Christi é também celebrada com muitas procissões, confecção
de tapetes e ornamentos. Tudo para manifestar o amor que os cristãos sentem
pelo Cristo Eucarístico. Diz o Papa Bento XVI que, ao seguir a procissão,
seguimos o próprio Cristo Jesus.
O sentido teológico mais atual dessa celebração, com a reforma litúrgica do
Concílio Vaticano II, é a unidade do povo ao redor do seu Senhor presente na
Eucaristia. Agradecer pelo alimento celeste que sustenta nossa caminhada para a
eternidade. É o momento de louvarmos e agradecermos a importância e a presença
da Eucaristia em nossa comunidade. A Eucaristia é o sinal do encontro e presença
de Deus, é a festa da partilha da Palavra e do Pão.
A festa de Corpus Christi é um grande momento de catequese que temos
sobre Deus. Um Deus próximo, que caminha conosco. Não é por acaso que o
povo chama a Eucaristia de Comunhão: comunhão com Deus, que nos leva forçosamente
à comunhão com as criaturas e, sobretudo, com as criaturas humanas.
Quem participa da comunhão se compromete diante de toda a comunidade a
transformar a própria vida. A Eucaristia não foi instituída para favorecer o individualismo
e o isolamento espiritual. A Eucaristia é sempre o alimento de uma comunidade.
O pão é partido entre irmãos. A Eucaristia é um alimento que sustenta a
fome de paz e de felicidade que emerge do ser humano.
Ao mesmo tempo, a Eucaristia se reveste de uma clara vinculação com a
realidade social. Realizada com o gesto de partir o pão, ela sinaliza uma necessidade
fundamental para a sobrevivência humana, que é não só o alimento corporal,
mas ao mesmo tempo a convivência fraterna, simbolizada pela mesa da refeição.
Recuperar esta dimensão social da Eucaristia é o caminho indispensável para
reencontrar o verdadeiro significado deste sacramento central dos cristãos. Se a
celebração da Eucaristia não levar os cristãos a realizarem na prática o que a partilha
do pão simboliza, perde-se muito do seu sentido teológico.
A autenticidade da celebração da Eucaristia postula a veracidade da partilha
do pão. Num mundo alucinado pela concentração, a Eucaristia aponta o caminho
da partilha.
Dom Girônimo Zanandréa

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O povo judeu em sua ceia pascal comemorava a história da salvação, as maravilhas de Deus para com seu povo, especialmente a libertação da escravidão de Egito. Nesta comemoração, cada família comia o cordeiro pascal. Jesus Cristo se converte no novo e definitivo cordeiro pascal sacrificado na cruz e comido em Pão Eucarístico.

A Eucaristia é sacrifício: é o sacrifício do corpo imolado de Cristo e de seu sangue derramado por todos nós. Na Última Ceia isto se antecipou. Ao longo da historia se irá atualizando em cada Eucaristia. Nela temos o alimento: é o novo alimento que dá vida e força ao cristão enquanto caminha em direção ao Pai.

A Eucaristia é presença de Cristo entre nós. Cristo ressuscitado e glorioso permanece entre nós de uma maneira misteriosa, mas real na Eucaristia. Esta presença implica uma atitude de adoração por nossa parte e uma atitude de comunhão pessoal com Ele. A presença eucarística nos garante que Ele permanece entre nós e opera a obra da salvação.

A Eucaristia é mistério de fé. É o centro e a chave da vida da Igreja. É a fonte e raiz da existência cristã. Sem vivência eucarística a fé cristã se reduziria a uma filosofia.

Jesus nos dá o mandamento do amor de caridade na instituição da Eucaristia. Não se trata da última recomendação do amigo que vai embora para longe ou do pai que vê próxima a morte. É a afirmação do dinamismo que Ele põe em nós. Pelo Batismo começamos uma vida nova, que é alimentada pela Eucaristia. O dinamismo desta vida leva a amar aos outros, e é um dinamismo em crescimento até dar a vida: nisto notarão que somos cristãos.

Cristo nos ama porque recebe a vida do Pai. Nós amaremos recebendo do Pai a vida, especialmente através do alimento eucarístico.



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Solenidade da Santíssima Trindade

Solenidade da Santíssima Trindade 2015 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Síntese:
TEMA: “Em nome do Pai e do Filho e do Esp. Santo é que nós existimos e somos.”
Primeira leitura: É Deus que vem ao encontro dos homens, lhes indica caminhos de vida plena e verdadeira.
Evangelho: Os discípulos recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida em nome da família divina; Pai, Filho e Espírito Santo. 
Segunda leitura: Deus acompanha a humanidade oferecendo a vida plena e definitiva.

6. PRIMEIRA LEITURA (Dt 4,32-34.39-40) Leitura do Livro do Deuteronômio.
Moisés falou ao povo, dizendo: “Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, e investiga de um extremo ao outro dos céus, se houve jamais um acontecimento tão grande, ou se ouviu algo semelhante. Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos? Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra e que não há outro além dele. Guarda suas leis e seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre”.

AMBIENTE - O Livro do Deuteronômio foi descoberto no Templo de Jerusalém no reinado de Josias (622 a.C). O capítulo 4 é um texto redigido na fase final do Exílio na Babilônia. O Povo corria o risco de trocar Jahwéh pelos deuses babilônicos. É neste contexto que os teólogos vão convidar o Povo a olhar para a sua história e a comprometer-se de novo com Deus e com a Aliança.

MENSAGEM - É uma história na qual se manifesta o amor de um Deus empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. Jahwéh falou-lhe ao coração e realizou gestos destinados a trazer ao Povo ao encontro da vida. Israel deve reconhecer que “só o Senhor é Deus… e que não há outro”. D’Ele e só d’Ele brotam a vida, a salvação, a felicidade, a liberdade. Esta constatação convida o Povo a não colocar a sua esperança noutros deuses e cumprir as leis e os mandamentos de Deus, pois são o caminho seguro para a felicidade.

ATUALIZAÇÃO  *¨ Deus é sensível aos problemas humanos, nos ama e tem misericórdia de nossas falhas.
*¨ É Deus que vem ao encontro dos homens e lhes indica caminhos de liberdade e de vida e intervém para nos libertar de tudo que nos oprime e para nos oferecer perspectivas de vida plena e verdadeira. Deus deve ser uma luz de esperança que ilumina o nosso caminho.
** Jahwéh é o único Deus e só n’Ele o homem encontra a verdadeira vida. Os outros “deuses” (o dinheiro, o poder, a fama, o sucesso, o reconhecimento social, os valores da moda…), são verdadeiramente garantia de vida e de felicidade?
** As leis e os mandamentos são o caminho para a felicidade e para a realização plena do homem.

10. EVANGELHO (Mt 28,16-20) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

AMBIENTE - Os judeus de Jerusalém desprezavam os judeus da Galileia “não podia sair nada de bom”. No entanto, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a sua vida. Foi também na Galileia que Ele começou a anunciar o Evangelho do “Reino” e que começou a reunir à sua volta um grupo de discípulos. Para Mateus, esse fato sugere que o anúncio de Jesus é universal: destina-se a judeus e pagãos. Mateus situa este encontro final entre Jesus ressuscitado e os discípulos, num “monte que Jesus lhes indicara”. o “monte” é sempre, no Antigo Testamento, o lugar onde Deus se revela.

MENSAGEM - Jesus ressuscitado revela se aos discípulos; e os discípulos reconhecem-no como “o Senhor” e adoram-n’O. Depois da adoração, Mateus acrescenta “alguns ainda duvidaram”. Ao reconhecimento e à adoração dos discípulos, segue-se uma manifestação do mistério de Jesus, que reflete a fé da comunidade de Mateus: Jesus é o “Kyrios”, que possui todo o poder sobre o mundo e sobre a história; Jesus é “o mestre”, cujo ensinamento será sempre uma referência para os discípulos; Jesus é o “Deus conosco”, que acompanhará a caminhada dos discípulos pela história.
Mateus descreve o envio dos discípulos em missão pelo mundo. A Igreja de Jesus é uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens e que deixou nas mãos dos discípulos. A missão destina-se a “todas as nações”. Começava-se pela catequese, cujo conteúdo eram as palavras e os gestos de Jesus (o discípulo começava sempre pelo catecumenato, que lhe dava as bases da proposta de Jesus). Quando os discípulos estavam informados da proposta de Jesus, vinha o batismo – que selava a íntima vinculação do discípulo com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Uma última nota: Jesus estará sempre com os discípulos, “até ao fim dos tempos”, ajudando-os a superar as crises e as dificuldades da caminhada.

ATUALIZAÇÃO **¨ Ser batizado é estabelecer uma relação pessoal com a comunidade trinitária do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
**¨ Quem acolheu o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária, torna-se testemunha dessa vida nova que Deus oferece. O papel dos discípulos é continuar a missão de Jesus, testemunhar o amor de Deus pelos homens e convidar os homens a integrar a família de Deus.
**¨ A missão que Jesus confiou aos discípulos é uma missão universal.
**¨ Testemunhar o amor de Deus e apresentar aos homens o convite para integrar a família de Deus é um enorme desafio. O confronto com o mundo gera muitas vezes, desilusão, sofrimento, frustração… Nos momentos de decepção convém recordar as palavras de Jesus: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.

8. SEGUNDA LEITURA (Rm 8,14-17) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos: Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. De fato, vós não recebestes um espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos nós clamamos: Abbá, ó Pai! O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se realmente sofremos com Ele, é para sermos também glorificados com Ele.

AMBIENTE - A Carta por volta do ano 57/58 do apóstolo apresenta uma síntese da sua mensagem e da sua pregação. Na comunidade cristã de Roma havia divergências entre cristãos vindos do judaísmo e cristãos vindos do paganismo acerca do caminho cristão. Para os judeu-cristãos, a salvação dependia, além da fé em Cristo, da prática da Lei de Moisés; para os pagão-cristãos, a adesão a Cristo bastava. A uns e a outros, Paulo vai apresentar o essencial da mensagem cristã… O apóstolo insiste no fato de a salvação não ser uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus. A salvação é oferecida por Deus ao homem através de Jesus Cristo; ao homem resta aderir a essa proposta de salvação, na fé.
O texto que hoje, Paulo reflete sobre a vida nova que Deus oferece ao batizado e que Paulo chama “a vida no Espírito”. Paulo procura mostrar que os cristãos, libertos da Lei, do pecado e da morte por Jesus Cristo, deixaram a vida velha da “carne” (que é viver em oposição a Deus, para viverem a vida nova do Espírito (escutando as suas propostas, na obediência aos projetos de Deus e na doação aos irmãos).

MENSAGEM
O crente que acolhe a proposta de salvação que Deus faz em Jesus vive “no Espírito”.
Aceitar essa proposta de vida é aceitar uma vida de relação e de comunhão com
Deus. Nessa relação, o crente é alimentado com a vida de Deus. Os que aceitam receber a vida de Deus e vivem “no Espírito” são “filhos de Deus”: Deus é, para eles, um Pai que continuamente os cria e lhes dá vida. A partir de então, os crentes integram a “família de Deus”. Não são escravos que vivem no medo; mas são “filhos” que Deus ama com amor infinito. A condição de “filhos” equipara os crentes com Cristo. Eles tornam-se “herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo”. A “herança” reservada é a vida plena e definitiva, que Deus oferece àqueles que aceitaram a proposta de Cristo e percorreram com Ele o caminho do amor, da doação.

ATUALIZAÇÃO
**¨:  Deus não é distante, mas é um Deus que acompanha a humanidade e oferece a vida. É preciso não esquecer que Deus nunca desiste dos seus filhos e que nenhum de nós Lhe é indiferente.
**¨ Os membros da comunidade cristã, que pelo Batismo aderiram ao projeto de salvação são animados pelo Espírito e integram a família de Deus. O fim último da nossa caminhada é a pertença à família trinitária.
**¨ A nossa relação com os irmãos deve refletir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão, o serviço, que são as consequências práticas do nosso compromisso com a comunidade trinitária.




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A Trindade

A festa da TRINDADE nos convida a refletir sobre o Mistério da vida íntima de Deus e conhecer melhor quem é nosso Deus. Ele se revela como Pai, Filho e Espírito Santo.

A 1ª Leitura apresenta o Deus da ALIANÇA.
Deus é o PAI que com sabedoria criou e dirige o universo. (Dt 4, 32-34.39-40)

É parte de um discurso de Moisés, no final de sua vida, em que resume a Aliança e suas exigências.
Convida Israel a contemplar a sua história e a ação de Deus na sua vida e na libertação do Egito.
Dá pistas para reconhecer o verdadeiro rosto de Deus.

É um Deus que estabelece COMUNHÃO e familiaridade com seu Povo.
Ele vai ao encontro, fala com eles e está sempre atento aos seus problemas. 
É um Deus fiel, apesar da infidelidade de Israel.
É um Deus próximo do Povo, embora esse se afaste dele.

- E conclui convidando o Povo a cumprir os mandamentos do Senhor, pois são sugestões de um Deus que nos ama e quer a nossa felicidade e a nossa plena realização.

* O Antigo testamento não conhecia o Mistério da Trindade.
Nessa etapa, aparece a UNICIDADE e a ESPIRITUALIDADE de Deus, assim como os atributos de ONIPOTÊNCIA e MISERICÓRDIA

Na 2ª Leitura, Paulo ressalta que, graças ao dom do ESPÍRITO através de CRISTO somos filhos de Deus e, por isso, podemos chamar Deus de "Abba", "PAI". (Rm 8,14-17)

No Evangelho, Jesus envia os discípulos em Missão para pregar o Evangelho e Batizar em nome da TRINDADE. (Mt 28,16-20)

O texto descreve o encontro final entre Jesus e os discípulos.
Nele aparece uma fórmula trinitária usada no batismo cristão.
Pelo Batismo, nos tornamos participantes da Comunhão trinitária.
Mateus revela que a Igreja é uma Comunidade Missionária e tem duas etapas de iniciação cristã: ENSINO e BATISMO.
Inicia com a catequese sobre as palavras e os gestos de Jesus e o Batismo sela a íntima comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

+ A celebração da festa da Trindade não é um convite para decifrar o Mistério de um Deus em três pessoas, mas um convite para contemplar Deus que é AMOR e vive em comunhão de pessoas e
nos convida a participar da vida íntima de Deus.

Esse Mistério é algo tão sublime, que supera nossa capacidade de compreender, mas podemos e devemos crescer no conhecimento de Deus...
Sabemos da existência desse Mistério, porque Jesus nos revelou.

Por que Cristo nos revelou esse Mistério?

+ Certamente, não foi para ser um problema para nossa compreensão.
Pelo contrário, porque Deus nos ama, ele quer que participemos ainda mais de perto de sua vida de amor.
O próprio Cristo nos apontou o modo:
"Se alguém me ama, guardará as minhas palavras;
 e meu Pai o amará e nós viremos a ele e
 faremos nele a nossa morada..."

Que verdade consoladora: a nossa pessoa ser um Templo da Trindade...
- Em nós está o PAI, que nos chamou do nada, insuflou-nos o sopro da vida, deu-nos um nome, confiou-nos uma missão.
- Em nós está o FILHO, que entregou sua vida por nós, imagem do Filho de Deus a ser imitada e reproduzida por todos nós.
- Em nós está o ESPÍRITO SANTO, que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus.

E toda essa maravilha começou em nós desde o nosso BATISMO.
- Do Pai, somos filhos amados...
- Do Filho, somos irmãos e participamos da mesma vida e do mesmo projeto.
- Do Espírito Santo, recebemos inspiração e impulso para vivermos a vida divina.
Essa relação com as três pessoas divinas, deve ser cultivada em nossa vida.
Somos chamados a renovar o nosso compromisso batismal, para sermos reflexos da Trindade, sinais de comunhão, partilha e esperança, num mundo tão dividido, individualista e desesperançado.

- A Bíblia nos conta que em Moisés, após ter falado com Deus, dois raios de luz tão intensa iluminavam sua face, que não podiam olhar para ele...

Que todos quantos nos encontrarem nessa semana, após esse nosso encontro com Deus nessa celebração, possam ver em nós, alguém que também se encontrou com seu Deus...

                                 Pe. Antônio
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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e minhas irmãs, nós celebramos a Páscoa do Senhor, depois celebramos todo o tempo Pascal, terminado o tempo Pascal, celebramos a Ascenção do  Senhor e a partir daí, celebramos a vinda do Espírito Santo. Hoje, concluindo este conjunto d celebrações, nós queremos glorificar a Trindade, o Deus que é Pai, o Deus que é Filho e o Deus que é Espírito Santo. Pela própria iniciativa de Deus, Ele nos buscou e quis comunicar o seu amor, revelando o seu rosto de Criador, de tal maneira que contemplando a natureza, nós podemos, temos condições, de conhecer e nos encontrar com Deus. Também, por iniciativa própria, buscou o ser humano para estabelecer um diálogo. Assim vamos entender Deus que se faz homem para, ao lado do ser humano, não somente estabelecer um diálogo com Ele, mas propor um caminho que leva à felicidade. Por fim, Deus, por iniciativa própria, Ele se torna presente na Igreja, que somos nós, para que tenhamos coragem e força para continuar esta caminhada, não nos sentindo abandonados, mas como termina o Evangelho de hoje; Eu estarei convosco todos os dias. Portanto, é a partir da Trindade que vamos entender o que é a vida em comunhão. O mesmo Deus, que busca de maneiras diferentes, estar sempre ao lado do ser humano. Portanto, na medida em que eu contemplo a Trindade, eu me dou conta da importância, pois também nós vivemos nesta unidade, cada um com um rosto diferente, mas formando um único corpo; o corpo Místico de Cristo. O que é que nos possibilita pertencer a este Corpo? É o Batismo. Santo Irineu vai dizer que o Batismo nos traz o mesmo efeito da água que jogamos na farinha de trigo. Você quer fazer uma massa, pega os grãos, que estão isolados uns dos outros, joga água e esta unirá todos os grãos que estavam separados, fazendo uma só massa. É assim o Batismo. Nós somos grãos isolados. Quando somos batizados, acabamos nos tornando uma única massa, um único corpo, que é o Corpo de Cristo, o Corpo Místico de Deus. A partir daí, vamos entender a importância do Batismo. O Batismo é a porta de entrada para a caminhada de vida comunitária, aonde experimentamos Deus e fazemos a experiência de comunhão entre nós. Aqui tem um detalhe, que para nós católicos, é fundamental e faz com que a nossa igreja se torne diferente de algumas igrejas cristãs. Porque nós somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, enquanto algumas igrejas oferecem o batismo em nome de Jesus. É aqui então, a diferença fundamental. Porque, como católicos, batizar alguém em nome de Jesus, é batizar lembrando um Jesus do passado, de alguém que veio à dois mil anos atrás, aonde nós temos uma mera lembrança e recordação. Enquanto que batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é batizar em nome de um Deus que permanece em nosso meio, é um Deus vivo e presente na vida das pessoas. Então, para nós, batizar em nome da Trindade, significa ingressar numa vida de comunhão. Então, para nós, a vida comunitária é muito importante, porque aprendemos isto de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Enquanto que, se fossemos batizados só em nome de Jesus, a vida comunitária não teria muito sentido. Seria eu e Deus somente, eu e Jesus somente, não seria eu ingressado, pertencente a uma família cristã. Para nós, este é um dado importante. Como nós não queremos ver ninguém isolado, não vemos impossibilidade alguém  em batizar alguém ainda criança. O Evangelho de hoje nos dá este fundamento. É importante buscar o sentido das palavras; toda autoridade me foi dado no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos da terra, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando tudo quanto vos ordenei. Aqui precisamos perceber o sentido do texto, porque aqui não diz o que deve ser feito primeiro. Aqui diz que precisamos fazer discípulos (meus) todos os povos, batizando. Batizando está no tempo do gerúndio, que é um tempo gramatical, tempo verbal, que não diz se é passado, presente ou futuro, mas mostra somente o que se deve fazer. Então, você pode batizar e tornar discípulo ou tornar discípulo e batizar, mas sobretudo, você deve viver o batismo cada dia. É um verbo, que está assim, de maneira muito dinâmica. Então, para nós, o quanto antes integrarmos a pessoa ao Corpo de Cristo, tanto melhor. É evidente que não basta o batismo. O batismo é a porta de entrada. Você chega em uma casa, bate na porta e a pessoa diz; entra! Você diz; não, vou ficar aqui fora. Bom, é estranho! Então, por que você foi naquela casa? Se você não quer entrar, está com pressa, não quer entrar mesmo, por que então bateu? Então, o batismo é o bater na porta. O batismo é a Trindade de Deus que diz: entra, venha fazer parte da nossa casa, da nossa família. Agora, é preciso que nós demos os passos necessários para poder entrar, experimentar esta vida em comunidade. Para muitos, eu cumpro a minha obrigação; eu levo e batizo. Depois eu vou trazer para a primeira comunhão, depois para a crisma e depois cada um por si; ele que decida o que quer. Não! Esta mentalidade é errada. Na medida em que eu participo da família Cristã, porque eu  pertenço a esta família, por força do Batismo, eu sou chamado a caminhar todos os dias. Fazei discípulos; discípulo é aquele que busca acompanhar o mestre e para que eu possa acompanhar o mestre, eu preciso ouvir o seu ensinamento, eu preciso experimentar a sua presença. Portanto, se começamos pelo Batismo, somos chamados a depois continuar esta caminhada de Cristãos. Quando eu Celebro o Batismo de alguém, sobretudo de criança, eu sempre pergunto aos pais; como é que esta criança vai saber que você é o pai, que você é a mãe? E a resposta é sempre a mesma; é por causa do nosso amor. Eu falo; não é verdade! Porque o avo ama, a avó ama, a tia ama, o tio ama e a criança vai saber que este que este é o pai, esta é a mãe, este é o tio e esta é a tia. A verdade é tão simples, que as pessoas não sabem responder. É porque, quando você está em contato com a criança, você diz: vem com o papai, vem com a mamãe, vem com o vovô, vem com a titia... Então, ele aprende; este é o pai, esta é a mãe, este o vovô, esta a vovó, esta a titia.  Se o pai nunca dizer; vem com o papai, ele nunca vai saber que ele é o pai. Assim é Deus. Tem gente que batiza a criança e nunca fala de Deus! Como é que esta criança vai saber quem é Deus? Ah! Então vou chamar todos os dias para falar de Deus. Não. Não é assim que funciona. É na naturalidade; olha que árvore bonita! É Deus Pai que criou. Você indicou quem é Deus Pai, é o criador. Olha como o meu amiguinho é bacana! É Jesus que nos ensinou a sermos amigos. É o Deus Filho. Olha como eu me sinto feliz aqui na convivência! É o Deus Espírito Santo que nos mantém unidos. Quer dizer; se eu não criar o habito de falar de Deus, as pessoas não conhecem a Deus. É evidente, que na medida que passa o tempo, aquela criança vai tomando consciência do Deus que ela crê e aí é hora dela dar a sua resposta. É aonde nós falamos do sacramento da Crisma. Aonde ela diz; eu creio, não mais por ter ouvido falar, mas eu mesmo conheci; eu quero confirmar a minha fé. É assim que a igreja católica compreende toda esta dinâmica, aonde para nós, não há mal algum batizar enquanto criança, porque ela deve fazer uma caminhada. É evidente, que se aparece alguém que é adulto e quer ser batizado, sem problema nenhum. Vamos fazer a caminhada e vai ser batizada. Para nós, quanto antes pertencer ao povo de Deus, tanto melhor. Ora, o nosso Deus, portanto, não é um Deus que nos abandonou e foi para o céu. É um Deus que está no céu e está no nosso meio. Isto, a primeira leitura nos fala muito bem. É um Deus que nos garante a alegria e a felicidade, segurança, esperança, amor, a primeira leitura nos diz isto também. É evidente, que, quando as pessoas não reconhecem Deus como Pai, dificilmente se reconhecerão como filhos. Aí o nosso grande desafio. Mostrar para os outros, que nós, que pertencemos a uma comunidade, nós nunca estamos sozinhos. Isto é tão importante. Ás vezes eu estou sem companhia, mas não me sinto só. Primeiro porque estou amparado pela Trindade de Deus. Segundo, porque pertenço a um povo que vai muito além de minha casa, do meu sangue; eu pertenço a um povo que quer ser discípulo do Senhor. Isto nos dá esperança e muita confiança. Por isso, ajudar as pessoas que se sentem só, a descobrir o valor de uma comunidade. Certamente, ela descobrindo este valor, ela redescobre toda a dinâmica da vida.
Para concluir: o momento em que somos UM, é o momento da comunhão. Por isso, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia são as grandezas que nos mantém e nos garante sermos sempre discípulos do Senhor. Que possamos continuar vivendo o nosso Batismo sendo um sinal no mundo.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.


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HOMILIA de D. Henrique Soares:
Terminado o tempo pascal com a Solenidade de Pentecostes, a liturgia celebra a Santíssima Trindade. Após proclamar nos santos mistérios que o Pai entregou o Filho por amor ao mundo na potência do Espírito Santo e, no mesmo Espírito Eterno, o ressuscitou dos mortos para nossa salvação, a Solenidade de agora é um modo que a Igreja encontra para louvar, engrandecer e adorar na proclamação exultante, o amor sem fim da Trindade Santa.
Estejamos atentos: por confessar a fé na Santa Trindade, os cristãos têm um modo absolutamente original de compreender Deus. Os judeus sabem que Deus é um só; aquele que os arrancou da terra do Egisto, da casa da servidão. Ouvimos falar dele na primeira leitura: Reconhece hoje e grava em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele”. Os muçulmanos afirmam que não há outro Deus a não ser o único Deus de Abraão. Neste sentido, esta é também a nossa fé. Deus é um só, uma Essência eterna, infinita, onipotente, imutável. Deus é absolutamente um, que não pode ser multiplicado nem dividido: ele é Amor todo inteiro, inteiro na Beleza, inteiro na Infinitude, inteiro na Onipotência e na Onipresença. Pois bem, como os judeus e como os muçulmanos nós confessamos firmemente que só há um Deus, absolutamente uno, Senhor do céu e da terra, diferente e para além de tudo quanto existe, de tudo quanto possamos compreender e imaginar.
No entanto, caríssimos, contemplando Jesus ressuscitado, todo glorificado, todo divinizado na sua natureza humana por obra do Espírito de Deus, nós proclamamos com o Novo Testamento e todas as gerações cristãs, que o nosso Salvador, o nosso Jesus amado, é Deus bendito pelos séculos, enviado pelo Pai, que é Deus, para nossa salvação; enviado na potência do Espírito que é também divino e divinizante, Paráclito que não é algo de Deus, mas Alguém de Deus, uma Pessoa, na qual o Pai ressuscitou o Filho Jesus e, habitando em nós, dá testemunho da divindade do Pai e do Filho, enche-nos de vida divina, guia-nos, sustenta-nos, ilumina-nos. Ouviram, amados, as palavras de São Paulo na segunda leitura? Davam testemunho das Três divinas pessoas: do Pai que enviando em nós o Espírito do Filho nos faz filhos no bendito e único filho Jesus. Eis o que dizia o Apóstolo: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”… Então, eis a nossa fé, que transborda a humana lógica, transcende o balbuciar de nossa pobre linguagem, ultrapassa nossos limitados e tateantes paradigmas: Deus é um só, absolutamente. Enquanto a natureza humana, apesar de genericamente uma só, se multiplica nos indivíduos humanos, a natureza divina é absolutamente una, indivisível e imultiplicável, una não só genérica, mas também numericamente; e, no entanto, essa natureza é, ao mesmo tempo e perfeitamente, Pai, Filho e Santo Espírito. A natureza divina está todinha no Pai e, incompreensivelmente, todinha no Filho e, ainda, todinha no Espírito Santo. A unidade em Deus é incompreensível, absolutamente perfeita e eterna. Assim sendo, em Deus não há três vontades iguais, mas uma só vontade; não há três poderes iguais, mas um só poder, não três consciências iguais, mas uma só consciência. Mais uma vez: Deus é absolutamente UM! E, no entanto, os três divinos são absolutamente diversos: só o Pai gera, só o Filho é gerado, só o Espírito é a própria Geração; só o Pai é o Amante, só o Filho é o Amado, só o Espírito é o Amor.
E neste amor que circula de modo eterno, perfeito e feliz, o Pai, eterno Amante, tudo criou através do Filho, eterno Amado, na potência do Espírito Santo, eterno Amor. E, por isso, o mundo existe, as estrelas brilham, a vida brota e, sobretudo, nós existimos. Vimos do Pai, pelo Filho, no Espírito; vivemos no Pai pelo Filho no Espírito; vamos para o Pai, através do Filho no Espírito, Trindade Santa, nossa vida e plenitude eterna. É assim que os cristãos confessam o seu Deus como eterno amor, amor vivo e circulante que, gratuita e livremente, se derrama sobre o mundo e sobre a nossa vida. De fato, nós conhecemos o amor de Deus e sua vida íntima porque o Pai amou tanto o mundo, a ponto de enviar o seu Filho e, pelo Filho, derramou no nosso coração o Espírito do Filho que, em nós, clama Abbá, Pai. Por isso, podemos dizer que Deus é amor e, quem não ama, não conhece a Deus! E toda esta vida divina, amados, nos é dada desde o Batismo, quando fomos mergulhados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; e cresce em nós a cada dia, nos sacramentos e na vida cristã, preparando-nos para nosso destino eterno: plenos do Espírito, sermos totalmente inseridos no Cristo e nele configurados, para contemplar eternamente o Pai!
Eis um pouquinho, um balbuciar do mistério da santa, consubstancial e eterna Trindade, a quem a glória e o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.
 D. Henrique Soares
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra)
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LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
-- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!
à Senhor, nosso Deus e pai, louvado seja o vosso nome por todos os séculos. Sois o nosso criador e sempre nos acompanhais derramando vosso amor sobre nós. Nós vos agradecemos e vos louvamos.
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!
à Senhor, nosso Deus e pai, bendito sejais para sempre. Imenso é o vosso amor nos enviando vosso filho para nos guiar nos vossos caminhos.
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!
à Senhor, nosso Deus e pai, enviai-nos o Espírito Santo para nos fortalecer em nossas fraquezas e para que tenhamos força e coragem em seguir os vossos mandamentos de amor.
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!
à Senhor, nosso Deus e pai, imenso é vossa misericórdia. Vinde sempre em nosso auxílio, pois muitas vezes somos egoístas e desprezamos os vossos projetos.
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!
à Senhor, nosso Deus e pai, que vosso Reino venha a nós e que a Vossa vontade seja feita. Que o Vosso amor se estenda a todos os povos e que todos proclamem o vosso Santo nome.
T: Ó Deus de amor, nós vos agradecemos pela vossa bondade!

= Pai nosso... /  a Paz de Cristo...  /  Cordeiro de Deus...