quinta-feira, 4 de junho de 2015

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2015, homilias dominicais, leituras do domingo

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM  07/06/2015 ANO B    

(SÍNTESE) (adaptada e postada pelo Diácono Ismael)

Tema: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
O Evangelho: Muitos não aceitaram e muitos não aceitam a Jesus como enviado de Deus Pai. Na caminhada de fé, todos são livres para aceitar ou não a Jesus que veio revelar a vontade do Pai.
A primeira leitura nos mostra o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência. Viver à margem de Deus leva ao sofrimento, destruição, infelicidade e morte.
A segunda leitura nos lembra que para o cristão, o que dá sentido a nossa vida é a certeza da ressurreição. O nosso alento é saber que já somos cidadãos do céu e como ainda estamos no mundo, vivemos dificuldades e sofrimentos, aguardando o dia de nossa Glória.

6. PRIMEIRA LEITURA (Gn 3,9-15) Leitura do Livro do Gênesis.
...“Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”.... Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão  disse: “A mulher que tu me deste ...me deu do fruto da árvore, e eu comi”. E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “...serás maldita...! Rastejarás ...e comerás pó...! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

AMBIENTE - O Gn 2,4b-3,24 é um texto do séc. X a.C., na época do rei Salomão. A finalidade do autor é teológica: ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem está Jahwéh e que na origem do mal estão as opções erradas do homem; É catequese.  Deus criou o homem para a felicidade… Então, como é que hoje conhecemos o egoísmo, a injustiça, a violência? A resposta é: o homem que Deus criou livre e feliz fez escolhas erradas e introduziu na criação boa de Deus dinamismos de sofrimento e de morte.

MENSAGEM - A vergonha e o medo de Adão são sinais de uma ruptura com a situação de inocência anterior, de harmonia, de serenidade e de paz. Chegou a esta situação Desobedecendo a Deus.
A “árvore do conhecimento do bem e do mal” – significa o orgulho, a autossuficiência, o prescindir de Deus e das suas propostas, o querer decidir por si só o que é bem e o que é mal, o pôr-se a si próprio em lugar de Deus, o reivindicar autonomia total em relação ao criador. Daí a vergonha e o medo.
Ao defender-se, o homem acusa a mulher e, ao mesmo tempo, acusa veladamente o próprio Deus (“a mulher que me deste deu-me do fruto da árvore e eu comi”). Adão representa a humanidade que, mergulhada no egoísmo e na autossuficiência, esqueceu os dons de Deus e vê em Deus um adversário; Escolher caminhos contrários aos de Deus não pode senão conduzir a uma vida de ruptura com Deus e com os outros irmãos.
Vem, depois, a “defesa” da mulher: “a serpente enganou-me e eu comi”. Entre os povos cananeus, a serpente estava ligada aos rituais de fertilidade e de fecundidade. Os israelitas deixavam-se fascinar por esses cultos e abandonavam Jahwéh para seguir os rituais religiosos dos cananeus e assegurar, assim, a fecundidade dos campos e dos rebanhos. Na época, a serpente era o “fruto proibido”, que seduzia os crentes e os levava a abandonar a Lei de Deus. A “serpente” é, neste contexto, um símbolo literário de tudo aquilo que afastava os israelitas de Jahwéh. A humanidade ignorou a Deus e as suas propostas e seguiu seus próprios caminhos. Achou, no seu egoísmo e autossuficiência, que podia encontrar a verdadeira vida à margem de Deus.
A humanidade que pensou poder ser feliz em caminhos de egoísmo e de autossuficiência, à margem dos caminhos que foram propostos por Deus.
Que tem Deus a acrescentar? O nosso catequista jahwista sabe que a serpente é um animal miserável, que passa toda a sua existência mordendo o pó da terra. O autor vai servir-se deste dado para pintar, plasticamente, a condenação radical de tudo aquilo que leva os homens a afastar-se dos caminhos de Deus e a enveredar por caminhos de egoísmo e de autossuficiência.
O que é que significa a inimizade e a luta entre a “descendência” da mulher e a “descendência” da serpente? a interpretação judaica e cristã viu nestas palavras uma profecia messiânica: Deus anuncia que um “filho da mulher” (o Messias) acabará com as consequências do pecado e inserirá a humanidade numa dinâmica de graça.
Atenção: o autor sagrado está apenas ensinando que a raiz de todos os males está no fato de o homem prescindir de Deus e construir o mundo a partir de critérios de egoísmo e de autossuficiência.

ATUALIZAÇÃO - • O mal vem de Deus, ou vem do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus… Deus criou-nos para a vida e para a felicidade. O mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e autossuficiência. Quando o homem escolhe viver ignorando as propostas de Deus, constrói  sofrimento e morte.  
• O nosso texto deixa também claro que prescindir de Deus, leva o homem ao confronto com os outros. Nasce, então, a injustiça, a exploração, a violência. Os outros deixam de ser irmãos, para passarem a ser ameaças ao próprio bem-estar, à própria segurança, aos próprios interesses.
• A natureza deixa de ser, então, a casa comum que Deus ofereceu a todos os homens como espaço de vida e de felicidade, para se tornar algo que eu uso e exploro em meu proveito próprio, sem considerar a sua dignidade, beleza e grandeza.
Pretendeu libertar-se de Deus e tornou-se escravo de suas paixões e egoísmos.
A "serpente" seduziu e continua seduzindo o homem para se apropriar dos frutos proibidos...

Consequência: surge a desarmonia na natureza, com os homens, com Deus...
- O HOMEM não se encontra mais no lugar que lhe foi designado na Criação.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 129 (130)

No Senhor toda a graça e redenção!
• Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, / escutai a minha voz! / Vossos ouvidos estejam bem atentos / ao clamor da minha prece!
 • Se levardes em conta as nossas faltas, / quem haverá de subsistir? / Mas em vós se encontra o perdão, / eu vos temo e em vós espero.
• No Senhor ponho a minha esperança, / espero em sua palavra. / A minh’alma espera no Senhor / mais que o vigia pela aurora.
• Espere Israel pelo Senhor, / mais que o vigia pela aurora! / Pois no Senhor se encontra toda a graça / e copiosa redenção. / Ele vem libertar Israel / de toda a sua culpa.

10. EVANGELHO (Mc 3,20-35)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Jesus voltou para casa.... E de novo se reuniu tanta gente, que eles nem podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estavam fora de si.
**Os mestres da Lei diziam que ele estava possuído por Belzebu e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. Então Jesus ...falou-lhes...: Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se.
***Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa.
****... tudo será perdoado..., ...Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado.... Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau.”
*****Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. ...Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” E, olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

COMENTÁRIO: Cresce a contestação à pregação  de Jesus. Os líderes judaicos manifestam a sua oposição à novidade do “Reino”. A cena se passa numa “casa”. Que casa é essa? É uma casa onde Jesus está pregando a Palavra onde « acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer». É também uma casa onde estão alguns especialistas da Lei (escribas). A “casa” representa essa comunidade judaica a quem Jesus dirige a pregação do “Reino”.
** Os Escribas dizem que ele está possuído por Belzebu. As autoridades religiosas andavam preocupadas, porque o povo estava deixando-as de lado e seguindo a Jesus. Isso devido aos contra testemunhos que elas davam. Os dirigentes religiosos apenas repetiam tradições antigas, e criavam um emaranhado de leis, cada vez mais complexas, que só os peritos podiam interpretar. E a Palavra de Deus, assim como a justiça e a fraternidade, ficavam esquecidas. Jesus, ao contrário, falava com clareza e dava exemplo com a própria vida, daquilo que falava. Ele libertava as pessoas de todos os males que tinham, do corpo, da alma e do espírito. Por isso, o povo se entusiasmava com ele e chamava a sua mensagem e gestos de Boa Nova. As autoridades religiosas ficavam com inveja e ao mesmo tempo com  preocupação, pois se continuasse assim, a religião deles iria acabar. Procuravam então desmoralizar Jesus diante do povo e desacreditá-lo. Mas, e os milagres que Jesus fazia, como explicar? Foi aí que tiveram a idéia de atribuir os milagres a Belzebu, o chefe dos demônios.
Entretanto, quando Jesus expulsa um demônio, por si desmente a afirmação deles. Saída que tiveram: Jesus age por Belzebu, o chefe dos demônios. É o próprio chefe dos demônios que expulsa os seus súditos.
Belzebu era o nome de um ídolo antigo dos pagãos. O povo havia tomado este nome para designar o chefe dos demônios. Jesus explica, através de uma comparação, que o argumento das autoridades era furado: Um reino divido contra si mesmo logo acaba. Uma família dividida se acaba.
E Jesus apresenta o motivo verdadeiro por que ele expulsa demônios: “Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar”. A casa é o possesso. O homem forte que toma conta da casa é o demônio. O que entra é Jesus. Portanto, Jesus é mais forte que todos os demônios, inclusive Belzebu. Com esse argumento, Jesus prova duas coisas. Primeira: Que não pelo poder do demônio que ele age. Segunda: Que ele é mais forte que todos os demônios.
***Os parentes correm em seu socorro por muitas razões: muito tempo fora da família, notícias contraditórias sobre a sua atividade, mensagem em contraste com a doutrina oficial dos escribas e fariseus, contato com os pecadores de quem é amigo, não seguimento da tradição dos antigos nem respeito pelo sábado; enfim, Jesus é considerado louco e herético. A intenção principal é reconduzi-lo ao caminho reto de um autêntico judeu; querem levá-lo para casa.
Há os que ficam de fora e os que estão dentro. Imagem atualíssima para nós hoje. Podemos andar por fora, arredios, ficar à porta, até nos chamarmos “católicos não praticantes”. Que significa isso? Ou se é ou não se é. Aí está de novo a radicalidade da opção por Jesus. Ou ficamos fora, ou estamos dentro da casa, unidos a Jesus, a escutá-lo e a segui-lo com todo o nosso ser, com todo o nosso coração.
****Blasfemar contra o Espírito Santo é atribuir ao demônio uma obra que é do Espírito Santo, e fazer isso por maldade, sabendo que é obra de Deus. Na prática, não é Deus que recusa a pessoa, mas a pessoa que o recusa e procura destruir as obras de Deus.
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Com a expressão, “quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, Jesus não está excluindo Maria, sua Mãe. Ao contrário, Ela não tem somente importância pela relação sanguínea com Ele, mas pela sua fé e dedicação incondicional ao projeto do Pai. A verdadeira família de Jesus é formada pelos que estão ao redor dele, em atitude de discípulos que fazem a vontade de Deus.
A relação mais intima com Jesus não se faz através do parentesco de sangue, mas na sintonia com sua prática libertadora.

* Maria era "Mãe" duplamente: porque gerou a Jesus e porque mais do que ninguém soube fazer sempre a vontade de Deus.
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8. SEGUNDA LEITURA (2Cor4,3-18-51) Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: ...nós também cremos e que aquele que ressuscitou Jesus nos ressuscitará também.... Por isso, não desanimemos. ...uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. De fato, sabemos que se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu, que não é obra de mãos  humanas, mas que é eterna.

COMENTÁRIO: Paulo apresenta suas convicções de fé: que Deus há-de ressuscitar-nos com Jesus e vai levar-nos para ficarmos eternamente em comunhão com Ele; o homem interior renova-se em cada dia na medida em que intensifica o seu olhar nas coisas invisíveis que são eternas. Em consequência, há que renovar constantemente esta opção pela habitação eterna, em comunhão plena com Deus. Coisas essenciais, ditas de modo claro, a exigir coerência àqueles que querem continuar a viver como autênticos discípulos de Cristo.

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO:

Irmãos e irmãs, podemos contemplar estas leituras a partir de vários pontos. Não dá para tratar de todos. Mesmo porque estamos aqui para Celebrar a Palavra de Deus e o que importa é a mensagem que podemos tirar destas leituras.
Na primeira leitura nós temos algo que pode ajudar cada um de nós. Normalmente, quando nós fazemos algo de errado, assim, quando nos questionam sobre o erro, nós queremos justificar logo de cara.  Quando não dá para justificar, agente procura transferir a responsabilidade para o outro. Veja o Adão; Deus pergunta: você comeu do fruto da árvore? A mulher me deu e eu comi. Pronto. Então, ele já está inocentado. Porque a final de contas, ela é que mandou eu comer. Pergunta à mulher; você deu? A serpente mandou e eu comi. Pronto. Também ela está inocentada. O interessante é que a serpente assume. É muito interessante. Então, é algo que nós precisamos levar em conta. Quando eu faço algo de errado, se eu confio em quem está me questionando, não há porque ter medo, não vou precisar explicar, devo apenas dizer; eu errei e agora me dei conta de que fiz errado. Pronto. Ou então, eu errei, me perdoe. Ou então, não sei se errei. Me mostre o erro. Porque são várias as situações onde até erramos pensando até estar fazendo o melhor possível.  Então, o outro vai me mostrar onde errei e pronto.  É assim que aprendemos a assumir os nossos atos e crescemos também. Agora, é muito interessante observar o lado inverso deste assunto. Porque São Paulo diz: diante das dificuldades que nos são apresentadas por falar a verdade, é o mínimo você sofrer, assim, um tempo. E se não destruir esta tenda, Deus nos dará uma tenda não feita por mãos humanas. O que significa? Ora, se eu não devo ter medo de falar a verdade, ainda que a verdade vai demonstrar o erro que eu cometi, por que ter medo de falar a verdade se esta verdade vem de Deus? Então, são dois aspectos importante; errado ou certo, diante de Deus eu devo ter confiança e nunca medo. Porque Deus na sua misericórdia, tem toda condição de me acolher, mesmo no erro. A única coisa que ele espera é que possamos reconhecer o erro. Se lembra daquele fulano que entrou nas bodas, mas não trajava as vestes? O senhor da festa, claro é Deus, foi lhe perguntar: como é que você entro aqui sem as vestes adequadas? O mínimo que o senhor da festa esperava, é que ele dissesse; olha, eu entrei sem querer, eu não resisti e quis entrar, mesmo sabendo que não estava com roupa adequada... Ele simplesmente ignorou a pergunta. Ora, quando eu ignoro o questionamento feito por Deus, é sinal que eu não estou disposto a crescer. Se eu confio de fato em Deus, na medida que eu sou questionado, eu sou convidado a agradecer, dizendo: muito obrigado, meu Deus, eu nunca tinha pensado nisso e agora eu vejo que preciso crescer um pouco mais. Então, este é um ponto importante, que a primeira leitura começa dizendo: eu ouvi teus passos e me escondi, porque estava nu.  Quem diz que você está nu? Por acaso, comeste do fruto da árvore? Não vamos pensar nudeza aqui, a ausência de roupa, corpo pelado. Não! É uma nudez simbólica, onde me sinto nu, totalmente desarmado, para qualquer defesa. Ora, diante de Deus eu não preciso ter medo. Não preciso ter medo. Se não preciso ter medo quando me sinto indefeso, porque é aí que o Senhor se torna minha defesa; No Senhor, toda graça e redenção. Este é o Salmo:
• Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, / • Se levardes em conta as nossas faltas, / quem haverá de subsistir? / • No Senhor ponho a minha esperança, • Espere Israel pelo Senhor, / mais que o vigia pela aurora!
E assim por diante. Ainda que eu me encontre totalmente nu diante de Deus, assim mesmo, a minha confiança Nele deve prevalecer.
Temos muitas situações de nudez. Vou falar de quatro nudez. Esta nudez do diálogo entre Adão e Deus, nós já vimos. Está aí na primeira leitura de hoje: “ ouvi tua voz, estava nu e me escondi”. Esta é uma situação. Temos uma segunda situação: aonde, no horto das oliveiras, quando vieram para prender Jesus, todos fugiram e diz o Evangelho: que um rapaz, que estava apenas enrolado num lençol, para não ser agarrado, ele largou o lençol e foi embora nu. A outra situação.  Não é a situação de Adão, mas outra. Para preservar a vida dele, ele foge e não deseja testemunhar a sua amizade com Jesus. Isto que nós chamamos apelação; a pessoa apela para tudo, inclusive saindo sem roupa, não me comprometa, porque eu não quero testemunhar este Jesus.
Nós temos uma terceira situação de nudez, aonde, aliás, é uma das estações da Via Sacra, ali o texto fala com carinho, mas o sentido é o mesmo; despoja Jesus de suas vestes. Então, Ele é pregado na cruz nu, mas nem por isso, Jesus perde a compostura. O que é que eu quero dizer? Ele sabe em quem Ele depositou sua confiança. Então, Ele não tem porque se esconder, não tem porque fugir e não tem porque reagir. Ele quer mostrar ao mundo, que ele é ele mesmo em qualquer situação, mesmo estando nu. É assim que Ele vai salvar a humanidade, porque Ele não precisa de nenhum subterfúgio, de nenhum recurso, de nenhuma máscara, Ele não precisa de nada que possa lhe dar uma ajuda; Ele é o Senhor da história. Então, Ele se apresenta assim.
Tem uma quarta situação: tem várias outras, viu! Esta é bastante significativa; Eles estão pescando, depois da morte e ressurreição de Jesus, os discípulos estão no barco e alguém grita: é o Mestre! Então, Pedro pula na água, porque estava nu. Aí já é uma outra situação: diante de Deus, todos nós estamos nus. Todos. Porque, quem somos nós diante do Senhor? Aí é evidente que este é um gesto de respeito de Pedro para com o Senhor. Não na sua nudez, porque Deus que nos fez, Deus que nos vê com roupa ou sem roupa, não! O respeito diante do Mestre, pois não temos argumentos, a não ser a nossa fragilidade. Ora, agora temos algo importante; qual é a nudez que eu me identifico mais? Aquela em que eu jogo a responsabilidade para os outros? Aquela onde eu não quero testemunhar Jesus? Aquela em que eu dou a vida pelos irmãos? Ou aquela onde eu me dou conta que sou pequeno diante do Senhor? Qualquer uma destas situações pode nos ajudar a refletir.
Muito bem. Partindo disto, nós vamos ver o Evangelho. Veja que a reação que Jesus provoca, ela não é de indiferença. Cada um, diante de Jesus, toma uma atitude. E no caso, a família de Jesus achou que Ele estava fora de si. Fora de si significa não estar regulando bem da cabeça. Por outro lado, os mestres da lei dizem: ele faz tudo isso é por Belzebu. Ora, o que significa? A família de Jesus tem dificuldade em reconhecer nele alguém que vem para cumprir a vontade do Pai. É uma dificuldade reconhecer nele que ele veio cumprir a vontade do Pai. Eles não estão querendo, em momento algum, desmerecer o que Jesus está fazendo. Mas, os doutores da lei, não! Quando eles dizem é por Belzebu, eles estão tentando desqualificar, desmerecer, esvaziar toda a atitude de Jesus. Jesus então, coloca uma condição: primeiro: qual é a família que dividida vai se manter? Portanto, chamou a atenção da família dele; ou vocês me apoiam, ou vocês não tem futuro. Por outro lado, aqueles que acusam, não por ignorância, mas para menosprezar, caluniam alguém para esvaziar e desqualificar o seu trabalho, estes estão pecando contra o Espírito Santo. Porque estão impedindo as pessoas de ouvir aquilo que está sendo falado e ensinado.
Bom, nós já sabemos o final da história. Nossa Senhora vai estar no pé da Cruz. Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos, o que faz a vontade de Deus. Ela entendeu o recado e passa a acompanhar Jesus até lá. Também temos os parentes dele, que acompanham Jesus até a cruz também. Então, meus irmãos e minhas irmãs, veja que maravilhoso: diante de Deus podemos nos sentir nus. Não tem problema. Eu deposito minha confiança e passo a caminhar com Jesus. Na medida em que caminho, eu vou adquirindo tudo que é necessário para testemunhá-lo. Na medida em que vou testemunhando, eu vou mostrando ao mundo, que de fato o amor de Deus é maravilhoso, ao ponto que, se for preciso, eu poderei dar testemunho de Jesus, porque mesmo que acabarem com o meu corpo, Deus me dará outro na vida eterna. Isto é o MÁXIMO que podemos chegar no testemunho oferecendo nossa vida a Jesus. Então, que Jesus nos ajude a testemunhá-lo e nos ajude a crescer nesta caminhada.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.

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Louvor na Celebração da Palavra (Diáconos ou Ministros Extraordinários da Palavra):

Louvor: (Quando o Pão consagrado estivera sobre o altar)
àO Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor nosso Deus...
àCom Cristo, por Cristo e em Cristo, na força do Espírito Santo louvemos ao Pai:
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor!
à: Nós vos damos graças, ó Pai, por toda a vossa criação e por tudo o que fizestes no meio de nós, por meio de Jesus Cristo, vosso Filho e nosso irmão, que nos destes como imagem viva do vosso amor e de vossa bondade.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor!
Min.: Como expressão de nosso louvor, colocamos aqui o nosso desejo de corresponder com mais fidelidade à missão que nos destes.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min.: Enviai sobre nós, aqui reunidos, o vosso Espírito e dai a esta terra que nos sustenta uma nova face. Que haja paz em nossas famílias e cresça em nossa comunidade a alegria de sermos vossos.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min.: Pela palavra do Evangelho de vosso Filho, fazei que as Igrejas do mundo inteiro caminhem na unidade e sejam sinais da presença do Cristo ressuscitado. Tornai esta comunidade cada vez mais sinal da vossa bondade.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min. Lembrai-vos, ó Pai, dos nossos irmãos, que morreram na paz do Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé vós conheceis: acolhei-os na luz da vossa infinita misericórdia.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min.: Ó Deus, criador do céu e da terra, os nossos louvores e nossas preces cheguem a vós pelas mãos daquele que é nosso único mediador, Jesus Cristo nosso Senhor.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.

RITO DA COMUNHÃO
à: Rezemos, com amor e confiança, a oração que o Senhor Jesus nos ensinou:
T.: Pai nosso...

à: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador.
T.: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
à: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: “Eu vos deixo em paz, eu vos dou a minha paz”. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. Amém.
à: A paz do Senhor esteja sempre convosco!
T.: O amor de Cristo nos uniu.

à: Meus irmãos, saudai-vos uns aos outros em Cristo.
à Eis o Cordeiro de Deus...




terça-feira, 2 de junho de 2015

CORPO E SANGUE DE CRISTO, corpus christi, Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

CORPO E SANGUE DE CRISTO ANO B 2015

Corpus Christi
Ano A: Dt 8,2-3.14-16; Sl 147; 1Cor 10,16-17; Jo 6,51-58
Ano B: Ex 24,3-8; Sl 116; Hb 9,11-15; Mc 14,12-16.22-26
Ano C: Gn 14,18-20; Sl 110; 1Cor 11,23-26; Lc 9,11-17

6. PRIMEIRA LEITURA (Ex 24,3-8) Leitura do Livro do Êxodo. Naqueles dias, Moisés veio e transmitiu ao povo todas as palavras do Senhor e todos os decretos. O povo respondeu em coro: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse”. Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. Levantando-se na manhã seguinte, ergueu ao pé da montanha um altar e doze marcos de pedra pelas doze tribos de Israel. Em seguida, mandou alguns jovens israelitas oferecer holocaustos e imolar novilhos como sacrifícios pacíficos ao Senhor. Moisés tomou metade do sangue e o pôs em vasilhas, e derramou a outra metade sobre o altar. Tomou depois o livro da aliança e o leu em voz alta ao povo, que respondeu: “Faremos tudo o que o Senhor disse e lhe obedeceremos”. Moisés, então, com o sangue separado, aspergiu o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco, segundo todas essas palavras”

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 115 (116)
Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
• Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor? / Elevo o cálice da minha salvação, / invocando o nome santo do Senhor.
 • É sentida por demais pelo Senhor / a morte de seus santos, seus amigos. / Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, / que nasceu de vossa serva; / mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
• Por isso oferto um sacrifício de louvor, / invocando o nome santo do Senhor. / Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido.
8. SEGUNDA LEITURA (Hb 9,11-15) Leitura da Carta aos Hebreus.
Irmãos, Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, quanto mais o Sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do Espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. Por isso, ele é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna.  * Palavra do Senhor

9. SEQUÊNCIA (cantada)
1. Terra, exulta de alegria, / louva teu pastor e guia / :Com teus hinos, tua voz.: (Bis).
2. Tanto possas, / tanto ouses, / em louvá-lo não repouses. / :Sempre excede o teu louvor.: (Bis).
3. Hoje a Igreja te convida: / ao pão vivo, que dá vida, / :vem com ela celebrar!: (Bis).
4. Este pão, que o mundo creia, / por Jesus, na santa ceia, / :foi entregue aos que escolheu.: (Bis).
5. Nosso júbilo cantemos, / nosso amor manifestemos /: pois transborda o coração.: (Bis).
6. Quão solene a festa, / o dia, / que da Santa Eucaristia / nos recorda a instituição.: (Bis).
7. Novo Rei e nova mesa, / nova Páscoa e realeza, / : foi-se a páscoa dos judeus.: (Bis).
8. Era sombra o antigo povo, / o que é velho cede ao novo, / :foge a noite, chega a luz.: (Bis).
9. O que o Cristo fez na ceia, / manda à Igreja que o rodeia / :repeti-lo até voltar.: (Bis).
10. Seu preceito conhecemos: / pão e vinho consagremos / :para a nossa salvação.: (Bis)

11. EVANGELHO (Mc 14, 12-16. 22-26)
S. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. T. Glória a vós, Senhor.
No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” Jesus enviou então dois dos seus discípulos e lhes disse: “Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro. Segui-o e dizei ao dono da casa em que ele entrar: “O Mestre manda dizer: onde está a sala em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?” Então ele vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada com almofadas. Aí fareis os preparativos para nós!” Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: “Tomai, isto é o meu Corpo”. Em seguida, tomou o cálice, deu graças, entregou-lhes, e todos beberam dele. Jesus lhes disse: “Isto é o meu Sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos. Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus”. Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. * Palavra da Salvação.

ANEXO 1
Homilia de Bento XVI para a Solenidade do Corpo de Deus em 2012 [Ano B]
Prezados irmãos e irmãs!
Esta tarde gostaria de meditar convosco sobre dois aspetos, ligados entre si, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante retomá-los em consideração para os preservar de visões incompletas do próprio Mistério, como aquelas que se relevaram no passado recente.
Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em particular da adoração do Santíssimo Sacramento. É a experiência que, também esta tarde, nós viveremos após a Missa, antes da procissão, durante a sua realização e no seu encerramento. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II tinha penalizado esta dimensão, limitando praticamente a Eucaristia ao momento Celebrativo. Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, no qual o Senhor convoca o seu povo, o reúne ao redor da dúplice mesa da Palavra e do Pão de vida, o alimenta e o une a Si no ofertório do Sacrifício. Esta valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor age e realiza o seu mistério de comunhão, permanece obviamente válida, mas ela deve ser recolocada no equilíbrio justo. Com efeito - como acontece com frequência - para ressaltar um aspeto termina-se por sacrificar outro. Neste caso, a justa evidência conferida à celebração da Eucaristia prejudicou a adoração, como gesto de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Este desequilíbrio teve repercussões inclusive na vida espiritual dos fiéis. Com efeito, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia unicamente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar da sua presença o resto do tempo e do espaço existenciais. E assim compreende-se menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e conosco, uma presença concreta, próxima, no meio das nossas casas, como «Coração vibrante» da cidade, do povoado, do território com as suas várias expressões e atividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida quotidiana.
Na realidade, é errado opor a celebração à adoração, como se uma com a outra estivessem em concorrência. É precisamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui como que o «ambiente» espiritual em cujo contexto a comunidade pode celebrar bem e na verdade a Eucaristia. A ação litúrgica só pode expressar o seu pleno significado e valor se for precedida, acompanhada e seguida por esta atitude interior de fé e de adoração. O encontro com Jesus na Santa Missa realiza-se verdadeira e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que no Sacramento Ele habita a sua casa, nos espera, nos convida à sua mesa e depois, quando a assembleia se dissolve, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e acompanha-nos com a sua intercessão, continuando a receber os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.
A este propósito, apraz-me sublinhar a experiência que juntos viveremos também esta noite. No momento da adoração, nós estamos todos no mesmo plano, de joelhos diante do Sacramento do Amor. O sacerdócio comum e o ministerial encontram-se unidos no culto eucarístico. É uma experiência muito bonita e significativa, que vivemos várias vezes na Basílica de São Pedro e também nas inesquecíveis vigílias com os jovens - recordo, por exemplo, as de Colônia, Londres, Zagreb e Madrid. É evidente para todos que estes momentos de vigília eucarística preparam a celebração da Santa Missa e predispõem os corações para o encontro, de tal modo ele seja ainda mais fecundo. Estarmos todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja, que é acompanhado de maneira complementar pela celebração da Eucaristia, ouvindo a Palavra de Deus, cantando, aproximando-nos juntos da mesa do Pão de Vida. Comunhão e contemplação não se podem separar, pois caminham juntas. Para me comunicar verdadeiramente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la e fitá-la com amor. O amor autêntico e a amizade verdadeira vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes e repletos de respeito e de veneração, de tal maneira que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial. E infelizmente, se falta esta dimensão, também a própria comunhão sacramental pode tornar-se, da nossa parte, um gesto superficial. No entanto, na comunhão autêntica, preparada pelo diálogo da oração e da vida, nós podemos dirigir ao Senhor palavras de confiança, como aquelas que há pouco ressoaram no Salmo Responsorial: «Senhor, sou teu servo, filho da tua serva; / quebraste as minhas cadeias. / Hei de oferecer-te sacrifícios de louvor / invocando, Senhor, o teu nome» (Sl 115, 16-17).
Agora gostaria de passar brevemente ao segundo aspeto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui ressentimos, no passado recente, de um determinado desentendimento a respeito da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã em relação ao culto foi influenciada por uma certa mentalidade secularista dos anos sessenta e setenta do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não se encontra nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida e no seu mistério pascal. E todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado já não existe, mas que ele encontrou o seu cumprimento em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A Carta aos Hebreus, que ouvimos esta tarde na segunda Leitura, fala-nos precisamente da novidade do sacerdócio de Cristo, «Sumo Sacerdote dos bens futuros» (Hb 9, 11), mas não afirma que o sacerdócio terminou. Cristo «é Mediador de uma nova aliança» (Hb 9, 15), estabelecida no seu sangue, que purifica «a nossa consciência das obras mortas» (Hb 9, 14). Ele não aboliu o sagrado, mas completou-o, inaugurando um novo culto, que é sem dúvida plenamente espiritual, mas que no entanto, enquanto estivermos a caminho no tempo, ainda se serve de sinais e de ritos, que só virão a faltar no final, na Jerusalém celeste, onde já não haverá templo algum (cf. Ap 21, 22). Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa e, como acontece no caso dos mandamentos, também mais exigente! Não é suficiente a observância ritual, mas exigem-se a purificação do coração e o compromisso da vida.
Apraz-me ressaltar também que o sagrado tem uma função educativa, e inevitavelmente o seu desaparecimento empobrece a cultura, em particular a formação das novas gerações. Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada que já não precisa de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana do Corpus Christi, o perfil espiritual de Roma ficaria «nivelado» e por isso a nossa consciência pessoal e comunitária seria debilitada. Ou então, pensemos numa mãe e num pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem os próprios filhos de toda a ritualidade religiosa: na realidade, acabariam por deixar este campo livre aos numerosos sucedâneos presentes na sociedade consumista, a outros ritos e sinais, que mais facilmente poderiam tornar-se ídolos. Deus, nosso Pai, não agiu assim com a humanidade: mandou o seu Filho ao mundo não para abolir, mas para levar a cumprimento também o sagrado. No ápice desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, o Memorial do seu Sacrifício pascal. Agindo deste modo, Ele pôs-se no lugar dos sacrifícios antigos, mas fê-lo no âmbito de um rito, que ordenou aos Apóstolos que perpetuassem como sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo. Caros irmãos e irmãs, é com esta fé que nós celebramos hoje e cada dia o Mistério eucarístico e que O adoramos como Centro da nossa vida e âmago do mundo! Amém.

ANEXO 2
Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia
Catequese 1.
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, falar-vos-ei da Eucaristia. A Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Batismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.
O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o alimento que recebemos é também a sua Palavra.
Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo... Tomai e bebei, isto é o meu sangue».
O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema ação de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. Em grego, «ação de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema ação de graças ao Pai, o qual nos amou a tal ponto que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Por conseguinte, a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que, no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.
Estimados amigos, nunca daremos suficientemente graças ao Senhor pela dádiva que nos concedeu através da Eucaristia! Trata-se de um dom deveras grandioso e por isso é tão importante ir à Missa aos domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto! E todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão importante para nós! E com a Eucaristia sentimos esta pertença precisamente à Igreja, ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o seu valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. E fazemos isto durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte a Jesus Cristo, depois do Batismo e do Crisma.
Catequese 2.
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Na última catequese elucidei o modo como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos formular algumas interrogações a propósito da relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como simples cristãos. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É apenas um momento de festa, uma tradição consolidada, uma ocasião para nos encontrarmos, para estarmos à vontade, ou então é algo mais?
Existem sinais muito concretos para compreender como vivemos tudo isto, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se vivemos bem a Eucaristia, ou se não a vivemos muito bem. O primeiro indício é o nosso modo de ver e considerar os outros. Na Eucaristia Cristo oferece sempre de novo o dom de si que já concedeu na Cruz. Toda a sua vida é um gesto de partilha total de si mesmo por amor; por isso, Ele gostava de estar com os discípulos e com as pessoas que tinha a oportunidade de conhecer. Para Ele, isto significava partilhar os seus desejos, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e vidas. Pois bem, quando participamos na Santa Missa encontramo-nos com homens e mulheres de todos os tipos: jovens, idosos e crianças; pobres e abastados; naturais do lugar e estrangeiros; acompanhados pelos familiares e pessoas sós... Mas a Eucaristia que eu celebro leva-me a senti-los todos verdadeiramente como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de me alegrar com quantos rejubilam, de chorar com quem chora? Impele-me a ir ao encontro dos pobres, dos enfermos e dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles o rosto de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e, na Eucaristia, queremos compartilhar a sua paixão e ressurreição. Mas amamos, como deseja Jesus, os irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, nestes dias vimos em Roma muitas dificuldades sociais, ou devido às chuvas, que causaram prejuízos enormes para bairros inteiros, ou devido à falta de trabalho, consequência da crise econômica no mundo inteiro. Pergunto-me, e cada um de nós deve interrogar-se: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, em aproximar-me, em rezar por quantos devem enfrentar este problema? Ou então sou um pouco indiferente? Ou, talvez, preocupo-me em tagarelar: reparaste como se veste esta pessoa, ou como está vestida aquela? Às vezes é isto que se faz depois da Missa, mas não podemos comportar-nos assim! Devemos preocupar-nos com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, far-nos-á bem pensar nos nossos irmãos e irmãs que devem enfrentar estes problemas aqui em Roma: problemas devidos à tragédia provocada pelas chuvas, questões sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los!
Um segundo indício, muito importante, é a graça de nos sentirmos perdoados e prontos para perdoar. Por vezes, alguém pergunta: «Por que deveríamos ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na Santa Missa é pecador como os outros?». Quantas vezes ouvimos isto! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se considera ou quer parecer melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo. Se não nos sentirmos necessitados da misericórdia de Deus, se não nos sentirmos pecadores, melhor seria não irmos à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar na redenção de Jesus e no seu perdão. Aquele «Confesso» que recitamos no início não é um «pro forma», mas um verdadeiro ato de penitência! Sou pecador e confesso-o: assim começa a Missa! Nunca devemos esquecer que a Última Ceia de Jesus teve lugar «na noite em que Ele foi entregue» (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos, e ao redor dos quais nos congregamos, renova-se de cada vez a dádiva do corpo e do sangue de Cristo, para a remissão dos nossos pecados. Temos que ir à Missa como pecadores, humildemente, e é o Senhor que nos reconcilia.
Um último indício inestimável é-nos oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós fazemos; não é uma nossa comemoração daquilo que Jesus disse e fez. Não! É precisamente uma ação de Cristo! Ali, é Cristo quem age, Cristo sobre o altar! É um dom de Cristo, que se torna presente e nos reúne ao redor de Si, para nos alimentar com a sua Palavra e a sua vida. Isto significa que a própria missão e identidade da Igreja derivam dali, da Eucaristia, e ali sempre adquirem forma. Uma celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, ao contrário, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la com a sua graça, de tal modo que em cada comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.
O coração transborda de confiança e de esperança, pensando nas palavras de Jesus, citadas no Evangelho: «Quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de júbilo comunitário, de solicitude pelos necessitados e pelas carências de numerosos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!
Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho
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TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO Mc 14,12-16.22-2
Celebramos hoje a festa do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, reafirmamos a nossa fé na presença real e substancial de Cristo no pão e no vinho consagrados como alimento da nossa salvação. Diante de tão grande mistério, somos chamados a elevar os nossos corações para o alto e fazer eco à profissão de fé eucarística no pão e vinho.
Esta festa de Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264, em vista de destacar a dimensão sacramental que a tradição romana associou à última ceia de Jesus, já celebrada na semana santa.
A ceia é um momento de alegria, partilha e comunhão. Descartando comer o cordeiro pascal, Jesus apresenta-se como o pão que dá a vida, e o vinho que alegra a todos, inaugurando a nova celebração do Reino de Deus. A Eucaristia é a celebração da comunidade viva, animada pelo Espírito, unida em torno de Jesus, empenhada em cumprir a vontade do Pai, que é vida para todos.
Por que o Senhor utilizou pão e vinho? Porque são os alimentos mais simples, mais comuns da mesa dos judeus. O pão e o vinho eram do dia-a-dia do pobre e do rico. Ainda hoje, nos países da bacia do Mediterrâneo, ao sentarmo-nos para o almoço ou jantar, encontramos logo na mesa uma garrafa d’água, uma garrafa de vinho e pão fatiado. Pois bem: Jesus não quis ser o Jesus dos grandes momentos, o Jesus de algumas poucas ocasiões; ele quis ser o Jesus de todos os dias, o Jesus de todos os momentos, o Jesus dos pobres e dos ricos, o Jesus de todos e de tudo. Por isso mesmo escolheu sinais tão ínfimos, tão humildes.

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Anônimo - 11/06/2009
Por que Jesus disse “é meu corpo, é meu sangue”? Corpo ou carne, na Bíblia, não é somente a musculatura da pessoa, mas toda ela – sua inteligência, seus sentimentos, seu corpo, suas emoções, seus planos… É dito carne ou corpo para significar que o homem é frágil, murcha como a erva do campo. Pois bem, quando Jesus diz: “Isto é o meu corpo”, ele quer dizer: “Isto sou eu com minha vida, que tomei de vós no seio de Maria, a Virgem. Eu vos dou minha humanidade: meus cansaços, meus sonhos, minhas andanças… Dou-vos tudo quando vivo no meio de vós, feito homem, eu, o Verbo que se fez carne!” E o sangue? Não significa simplesmente o líquido vermelho que corre nas nossas artérias. Sangue, na Bíblia, significa a vida. O sangue derramado significa a vida tirada, a vida violentada. Pois, vede que coisa tão linda: ao dizer “Isto é o meu sangue”, o Senhor está dizendo: “Eu vos dou toda a minha vida que se foi derramando por vós, desde o primeiro momento da minha existência humana. Fui me derramando por vós em cada cansaço, em cada decepção; fui me derramando em cada noite em oração, em cada agonia… até aquela última, da cruz e da sepultura…” Então, meus caros, “isto é o meu corpo, isto é o meu sangue” significa “isto sou eu todo, com o que tenho, com o que sou, com o que vivi e com o que morri, com o que amei e com o que sonhei, que agora entrego a vós e por vós”.
Que podemos dizer? Senão simplesmente: Obrigado, Senhor, por esse amor tão grande, que te fez a nós te entregares assim, totalmente! Dá-nos a graça de, recebendo teu Corpo e Sangue, plenos do Espírito Santo, na força do mesmo Espírito, fazer de nossa vida uma entrega a Ti e, por Ti, a todos os irmãos e irmãs. Ensina-nos a ser para os outros pão repartido e dado por amor afim de que um dia possamos chegar ao Pai do Céu, onde convosco viveremos e reinaremos em comunhão com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos! Amém.

1.       O sentido da celebração

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

2.       Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

3. Nasce a festa do Corpus Christi

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que ·principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas· (cân. 944).

4. A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 - ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 - ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 - ano C).

5. A devoção popular

Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.

A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.

Evaldo César de Souza, C.Ss.R

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          O PÃO DE DEUS, PARA A VIDA DO MUNDO (Mc 14, 12-16.22-26).
                                                                             Cônego Ivanir Leonardi
    
     Jesus, como bom judeu, celebra também a Páscoa com os seus discípulos, e segue o ritual conforme as prescrições de Moisés, mas lhe dá  também um sentido totalmente novo. 
     Todo o Antigo Testamento é um preâmbulo para a nova e verdadeira Páscoa.  No sacrifício da Nova e Eterna Aliança, não apenas recordamos a libertação dos judeus da escravidão a que eram submetidos pelos egípcios, mas a libertação de toda a humanidade de uma escravidão que mata, para a vida eterna. Recordamos agora não mais a passagem do Mar Vermelho, mas vitória de Cristo que venceu a morte, e quer libertar a todos os que o seguem, para como Ele ressuscitarem também para uma nova vida.
     É na Ultima Ceia que Jesus celebra a nova Páscoa, onde o Pão ázimo e o vinho continuam com a mesma aparência, mas ocorre uma transubstanciação em que, mudam espiritualmente de substância e se tornam o corpo e o sangue de Cristo, Pão de Deus, Pão da Vida, e verdadeira  bebida para matar a nossa sede espiritual.
      O povo de Deus bem cedo começou a celebrar a alegria de tão grande dom, e a  Igreja há alguns  séculos institui a Festa de Corpus Christi.
     Não podia ser diferente. Como esquecer tamanha graça recebida pela humanidade, de ter sempre presente na Eucaristia a possibilidade de se fortalecer na caminhada com um alimento, que nem aos seres espirituais mais evoluídos ou elevados, foi dado saborear.
     Precisamos nos alimentar deste alimento sagrado, com o coração arrependido, para que ele possa se tornar parte de nós e nós parte dele.
     É preciso estar em comunhão, para poder  sentir os efeitos da comunhão. Quem não estiver em comunhão, não sentirá os seus benéficos  efeitos espirituais, mas corre o sério risco de não se salvar, e mesmo  ser condenado.
     O amor deve que ser traduzido em caridade, perdão e doação, para  nos fazer sentir que  participar da Eucaristia  já é sentir um pouco do céu, aqui na terra. 

Celebramos hoje, 60 dias após a Páscoa, a festa de Corpus Christi, palavra
latina que significa Corpo de Deus. Esta festa nos recorda a instituição da Eucaristia,
acontecida na Última Ceia da quinta-feira santa. Onde, na simplicidade do Pão
e do Vinho, Jesus confirma o novo modo de ser acolhido e estar com todos: a
Eucaristia.
A festa de Corpus Christi é também celebrada com muitas procissões, confecção
de tapetes e ornamentos. Tudo para manifestar o amor que os cristãos sentem
pelo Cristo Eucarístico. Diz o Papa Bento XVI que, ao seguir a procissão,
seguimos o próprio Cristo Jesus.
O sentido teológico mais atual dessa celebração, com a reforma litúrgica do
Concílio Vaticano II, é a unidade do povo ao redor do seu Senhor presente na
Eucaristia. Agradecer pelo alimento celeste que sustenta nossa caminhada para a
eternidade. É o momento de louvarmos e agradecermos a importância e a presença
da Eucaristia em nossa comunidade. A Eucaristia é o sinal do encontro e presença
de Deus, é a festa da partilha da Palavra e do Pão.
A festa de Corpus Christi é um grande momento de catequese que temos
sobre Deus. Um Deus próximo, que caminha conosco. Não é por acaso que o
povo chama a Eucaristia de Comunhão: comunhão com Deus, que nos leva forçosamente
à comunhão com as criaturas e, sobretudo, com as criaturas humanas.
Quem participa da comunhão se compromete diante de toda a comunidade a
transformar a própria vida. A Eucaristia não foi instituída para favorecer o individualismo
e o isolamento espiritual. A Eucaristia é sempre o alimento de uma comunidade.
O pão é partido entre irmãos. A Eucaristia é um alimento que sustenta a
fome de paz e de felicidade que emerge do ser humano.
Ao mesmo tempo, a Eucaristia se reveste de uma clara vinculação com a
realidade social. Realizada com o gesto de partir o pão, ela sinaliza uma necessidade
fundamental para a sobrevivência humana, que é não só o alimento corporal,
mas ao mesmo tempo a convivência fraterna, simbolizada pela mesa da refeição.
Recuperar esta dimensão social da Eucaristia é o caminho indispensável para
reencontrar o verdadeiro significado deste sacramento central dos cristãos. Se a
celebração da Eucaristia não levar os cristãos a realizarem na prática o que a partilha
do pão simboliza, perde-se muito do seu sentido teológico.
A autenticidade da celebração da Eucaristia postula a veracidade da partilha
do pão. Num mundo alucinado pela concentração, a Eucaristia aponta o caminho
da partilha.
Dom Girônimo Zanandréa

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O povo judeu em sua ceia pascal comemorava a história da salvação, as maravilhas de Deus para com seu povo, especialmente a libertação da escravidão de Egito. Nesta comemoração, cada família comia o cordeiro pascal. Jesus Cristo se converte no novo e definitivo cordeiro pascal sacrificado na cruz e comido em Pão Eucarístico.

A Eucaristia é sacrifício: é o sacrifício do corpo imolado de Cristo e de seu sangue derramado por todos nós. Na Última Ceia isto se antecipou. Ao longo da historia se irá atualizando em cada Eucaristia. Nela temos o alimento: é o novo alimento que dá vida e força ao cristão enquanto caminha em direção ao Pai.

A Eucaristia é presença de Cristo entre nós. Cristo ressuscitado e glorioso permanece entre nós de uma maneira misteriosa, mas real na Eucaristia. Esta presença implica uma atitude de adoração por nossa parte e uma atitude de comunhão pessoal com Ele. A presença eucarística nos garante que Ele permanece entre nós e opera a obra da salvação.

A Eucaristia é mistério de fé. É o centro e a chave da vida da Igreja. É a fonte e raiz da existência cristã. Sem vivência eucarística a fé cristã se reduziria a uma filosofia.

Jesus nos dá o mandamento do amor de caridade na instituição da Eucaristia. Não se trata da última recomendação do amigo que vai embora para longe ou do pai que vê próxima a morte. É a afirmação do dinamismo que Ele põe em nós. Pelo Batismo começamos uma vida nova, que é alimentada pela Eucaristia. O dinamismo desta vida leva a amar aos outros, e é um dinamismo em crescimento até dar a vida: nisto notarão que somos cristãos.

Cristo nos ama porque recebe a vida do Pai. Nós amaremos recebendo do Pai a vida, especialmente através do alimento eucarístico.