sexta-feira, 3 de julho de 2015

14º Domingo do Tempo Comum, homilias dominicais

14º Domingo do Tempo Comum ano B 2015  (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

INTRODUÇÃO: Na celebração recebemos aquele que foi rejeitado por ser PESSOA COMUM.
Tema: Deus escolhe e envia pessoas para serem testemunhas do seu projeto de salvação.
A primeira leitura: A vocação profética é iniciativa de Jahwéh, que chama um “filho de homem” para ser a voz de Deus no meio do povo.
O Evangelho: Deus manifesta-se aos homens na fraqueza e na fragilidade.
Na segunda leitura: Paulo assegura que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis e limitados.

LEITURA I - Ez 2,2-5
Leitura da Profecia de Ezequiel. Naqueles dias, depois de me ter falado, entrou em mim um espírito que me pôs de pé. Então, eu ouvi aquele que me falava, o qual me disse: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. Eles e seus pais se revoltaram contra mim até ao dia de hoje. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar e tu lhes dirás: ‘Assim diz o Senhor Deus’. Quer te escutem, quer não – pois são um bando de rebeldes – ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”.

AMBIENTE -  Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilônia.
O texto faz parte do relato da vocação de Ezequiel no qual Jahwéh define a missão que lhe vai confiar: falar e atuar e atuar em nome de Deus.

MENSAGEM - A vocação é sempre uma iniciativa de Deus. Ezequiel é chamado “filho de homem” – expressão hebraica que significa simplesmente “homem ligado à terra, fraco e mortal. Deus chama homens frágeis e limitados, não seres extraordinários, dotados de capacidades incomuns: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.
A sua missão é apresentar a esse Povo as propostas de Deus. O mais importante não é que as palavras do profeta sejam ou não escutadas; o que é importante é que o profeta seja, no meio do Povo, a voz que indica os caminhos de Deus.
ATUALIZAÇÃO - • No batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta.
• O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo 
• As nossas limitações não podem servir de desculpa para realizar a missão: Ele dar-nos a força para cumprir o que nos pede.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 122 (123)
Os nossos olhos estão fitos no Senhor: Tende piedade, ó Senhor, tende piedade!
• Eu levanto os meus olhos para vós, / que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos / nas mãos do seu senhor.
• Como os olhos das escravas estão fitos / nas mãos de sua senhora, / assim os nossos olhos, no Senhor, / até de nós ter piedade.
• Tende piedade, ó Senhor, tende piedade; / já é demais esse desprezo! / Estamos fartos do escárnio dos ricaços / e do desprezo dos soberbos!

EVANGELHO – Mc 6,1-6 - Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

 AMBIENTE - Jesus foi à sinagoga para participar no ofício sinagogal; e, fazendo uso do direito, leu e comentou as Escrituras. Aí, Jesus é apresentado como o Messias que proclama, por toda a Galiléia, o Reino de Deus. À medida que o “caminho do Reino” vai avançando, vão-se multiplicando as oposições e incompreensões face ao projeto que Jesus anuncia.
 MENSAGEM - Depois de escutarem Jesus, na sinagoga, os seus conterrâneos traduzem a sua perplexidade através de várias perguntas… (“de onde lhe vem tudo isto? Para eles, Jesus é “o carpinteiro”: não é um “rabbi” e não tem qualificações para dizer as coisas que diz. Eles conhecem a família de Jesus e não descobrem nela nada de extraordinário.
Conclusão: Ele está fora da instituição judaica; o seu ensinamento não pode vir de Deus, mas do diabo. Os conterrâneos de Jesus não reconhecem a presença de Deus naquilo que Jesus diz e faz. Jesus responde: “nenhum profeta é respeitado no seu lugar de origem”). Nessa resposta, Jesus assume-se como profeta – isto é, como um enviado de Deus, que atua em nome de Deus e que tem uma mensagem de Deus para oferecer aos homens. Os ensinamentos que Jesus propõe não vêm dos mestres judaicos, mas do próprio Deus.
Por que é que Jesus “não podia ali fazer qualquer milagre”? os homens são livres; se eles se mantêm fechados nos preconceitos egoístas e rejeitam a vida que Deus lhes oferece, Jesus não pode fazer nada. Marcos observa, apesar de tudo, que Jesus “curou alguns doentes impondo-lhes as mãos”. Provavelmente, estes “doentes” são aqueles que manifestam uma certa abertura a Jesus mas que não têm a coragem de cortar os mecanismos religiosos do judaísmo para descobrir a novidade do Reino que Jesus anuncia.
Eles estão acomodados e preferem a vida velha da escravidão à novidade libertadora de Jesus.

ATUALIZAÇÃO *• Deus manifesta-se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na pobreza, nas situações mais simples… 
*• Esperavam um Deus forte e majestoso, que se havia de impor de forma estrondosa, e assombrar os inimigos com a sua força; e Jesus não se encaixava nesse perfil. 
• Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro”, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente…
Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, as homilias nas celebrações dominicais feitas por diáconos ou ministros da palavra que não são presbíteros, mas que são autorizados a proclamar a palavra de Deus... Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz? Muitos paroquianos só aceitam ir a igreja se o padre estiver presente e não aceitam que outra pessoa (autorizada pela Igreja) assuma a presidência da celebração.

• A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?

• Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projetos e sabe como transformar um fracasso num êxito.

8. SEGUNDA LEITURA (2Cor 12,7-10 Carta de São Paulo aos Coríntios. Irmãos: Para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais. A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. Mas ele disse-me: “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta”. Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte.

 AMBIENTE - A segunda Carta de Paulo aos Coríntios espelha uma época de relações conturbadas entre Paulo e os cristãos de Corinto. Paulo teve um violento confronto com os seus detratores. As notícias trazidas por Tito eram animadoras: os coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo. Reconfortado, Paulo escreveu uma apologia do seu apostolado. Estamos no ano 56 ou 57. Como apóstolo, Paulo não se sente inferior a ninguém. Paulo quer apenas que o vejam como um homem frágil e vulnerável, a quem Deus chamou e a quem enviou para dar testemunho de Jesus Cristo no meio dos homens.
 MENSAGEM - Paulo fala de uma limitação que transporta no seu corpo, um “anjo de Satanás” que lhe recorda continuamente a sua finitude e fragilidade. Provavelmente, uma doença física crônica; mas nada garante que essa enfermidade física esteja relacionada com este “anjo de Satanás”. deve ter a ver com o fato de a mentalidade judaica ligar as enfermidades aos “espíritos maus”. Outra interpretação poderia referir-se aos obstáculos ao anúncio do Evangelho. Em todo o caso, o que é determinante é a graça de Deus… é ele que dá a Paulo a força para continuar a sua missão, apesar dos limites que esse “espinho na carne” lhe impõe. No apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força de Deus e de Cristo.

ATUALIZAÇÃO - • Deus não utiliza métodos espetaculares, poderosos, majestosos, que se impõem de espanto na memória dos povos; mas utiliza a fraqueza, a fragilidade, a simplicidade para nos dar a conhecer os seus caminhos. Nós deixamo-nos impressionar pelos grandes gestos,  por tudo o que aparece envolvido de riqueza, de prestígio social, de poder, de beleza; e, por outro lado, temos mais dificuldade em reparar naquilo que se apresenta pobre, humilde, simples, frágil, débil… A Palavra garante-nos que é na fraqueza que se revela a força de Deus. Precisamos aprender a ver o mundo e descobrir esse Deus que na simplicidade, na pobreza, na fragilidade que vem ao nosso encontro e nos indica os caminhos da vida.

• O “profeta” deve sentir-se, apenas, um instrumento frágil através do qual a força e a graça de Deus agem no mundo. A missão do “profeta” não é atrair sobre si próprio as luzes; a missão é servir de veículo à proposta de Deus para os homens.
 • Paulo sentia que Deus o tinha chamado a uma missão e que era preciso levar essa missão até ao fim, doesse a quem doesse… Todos experimentamos momentos de incompreensão e de oposição. O exemplo de Paulo deve ajudar-nos a vencer o desânimo e a tentação de desistir.

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A Voz de Deus

Na realização dos seus planos, Deus sempre chama e envia pessoas para serem a sua VOZ no meio do Povo.

As leituras falam de três escolhidos por Deus para serem instrumentos de sua Palavra:
- Um Profeta desterrado...
- Um "carpinteiro", filho de Maria;
- Um que reconhece suas fraquezas...

A 1a Leitura fala da Missão de EZEQUIEL. (Ez 2, 2-5)

Vemos os elementos da vocação profética:
- A Iniciativa é sempre de Deus;
- O chamado é um "filho de homem";
- A Missão é ser a VOZ DE DEUS no meio do povo.

Na 2a Leitura, PAULO fala da sua experiência: as dificuldade encontradas no seu apostolado. (2 Cor 12, 7-10)


Paulo assegura aos cristãos de Corinto, que Deus atua e manifesta seu poder no mundo através de instrumentos fracos e limitados.
 - Deus garante a Paulo e a todos os que têm algum tipo de "espinho":
"Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente".

No Evangelho, encontramos a experiência de CRISTO. (Mc 6, 1-6)

Jesus volta a Nazaré e ensina na sinagoga. 
- O povo se admira da sabedoria, dos milagres… e, perplexo, se pergunta:
  "Quem é esse homem? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria?"
- Este Jesus não podia ser o Messias esperado.
Eles esperavam um guerreiro como Davi, sábio como Salomão.
Não um humilde carpinteiro. Eles o conheciam muito bem: o carpinteiro, filho de Maria, não poderia ser o enviado de Deus…

- Sua Palavra escandaliza, sua mensagem gera oposição e sua vida cria conflitos. 
  Não conseguem reconhecer em Jesus o Messias esperado e o rejeitam.
  Até os parentes de Jesus não aderem à sua mensagem.
* Como ficaria uma visita de Jesus, hoje?

- JESUS, decepcionado, concluiu: "Um Profeta não é estimado entre os seus".
   Mas apesar da incompreensão, continuou fiel aos planos do Pai...

+ Quem são os Profetas?
Os "profetas não são pessoas extintas do passado, mas são uma realidade
com que Deus continua a contar ainda hoje para intervir no mundo.
Todo "batizado" tem a sua história de vocação profética...
O Profeta não é o encarregado de fazer milagres e prever o futuro.
Deus espera dele uma coisa: que transmita a sua palavra.
Deus não tem boca e precisa de alguém para ser a sua "Voz".
- Para isso, deve escutar a mensagem de Deus e
  deixar que ela penetre até o íntimo do coração…
  E depois anunciá-la com entusiasmo e fidelidade.

  + Como desempenhar a missão de Profeta?
    Ele deve estar em comunhão com Deus e atento à realidade humana.
    Intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir.
- A denúncia profética implica, muitas vezes, a perseguição, o sofrimento,
  a marginalização e, em muitos casos, a própria morte...
- Normalmente, Deus não se manifesta na força, no poder,
  nas qualidades que os homens admiram tanto.
  Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade,
  nas pessoas mais humildes e despretensiosas...
- As nossas limitações humanas não podem servir de desculpa
  para não realizar a missão que Deus nos confia.
  Se ele nos pede um serviço, também nos dará a força
  para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede.

+ Jesus não fez milagres em Nazaré, porque não acreditaram nele...
   Só a fé dá condições para que os milagres aconteçam...

- Hoje, afirma-se que "Santo de casa não faz milagre".
  Por que será? A culpa é dele ou nossa?
- Conhecemos pessoas, ignoradas ou rejeitadas na própria Comunidade,
  que fazem grande sucesso lá fora?  Por que será?

+ A Liturgia de hoje nos apresenta três exemplos bonitos:
   Ezequiel, Paulo e Jesus.
   Diante das dificuldades, nenhum desistiu. Lutaram e venceram.

* Nós também podemos nos sentir na mesma situação:
  O testemunho, que Deus nos chama a dar, realiza-se,
  muitas vezes, no meio de incompreensões e oposições…
  Frequentemente nos sentimos desanimados e frustrados
  porque não somos entendidos, nem acolhidos.
  Temos a sensação de que estamos perdendo tempo…
  Jesus nos convida a nunca desanimar, nem desistir:
  Ele sabe como transformar um fracasso num êxito.

Qual a nossa atitude?

- Nós continuamos a ser a "Voz" de Deus na comunidade, na família,
   mesmo diante das contrariedades e adversidades?
- Valorizamos as pessoas que atuam com dedicação em nossa comunidade,
   acolhendo-as como a "Voz" de Deus?

Façamos nossa profissão de fé, não apenas em Deus,
mas também nas pessoas com quem convivemos…
E veremos, que os santos de casa também farão milagres…

                            Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a liturgia hoje nos propõe um grande desafio: Eu creio na Palavra de Deus dependendo da Inteligência, ou creio dependendo da fé. Eu creio na Palavra de Deus na medida que o anúncio é bastante estudado ou eu creio na Palavra de Deus na medida que alguém se propõe a falar sobre a Palavra. Até onde o estudo me ajuda a compreender a Palavra de Deus e até onde a minha fé me auxilia nesta compreensão. Não são situações opostas; não é que você escolhe a inteligência, o estudo ou escolhe a fé. Não. São complementares.
Veja a primeira leitura. Hoje temos Ezequiel.  Ezequiel é um grande profeta, um dos profetas maiores; maiores não porque eram mais importantes, mais porque escreveram mais coisas. O profeta Ezequiel é tido como um grande mestre da Palavra de Deus no seu tempo. Entretanto, diz o texto de hoje, que o povo de seu tempo era de cabeça tão dura, que nem ele pode transmitir aquilo que era para ser falado, a ponto que Deus lhe diz; se eles ouvem ou não, se eles acolhes ou não, o importante é que nós fizemos a nossa parte.  Então, não é importante você ser um especialista para falar da Palavra de Deus. É importante que do outro lado as pessoas estejam com o coração aberto e de mente aberta. Caso contrário você pode tentar o máximo. Também, se nós tivermos o coração aberto e a mente aberta, mesmo que não seja um grande pregador, nõs vamos ouvir, acolher e viver a Palavra de Deus. Então, o que é importante para que eu possa acolher a Palavra de Deus? Estar disposto. Se eu não estiver disposto, posso utilizar todos os recursos do mundo e não conseguir transmitir a Palavra, porque o ouvinte não está disposto a acolher esta Palavra. Este é um aspecto importante. Agora, às vezes, nós, enquanto seres humanos, não nós aqui presentes, mas todos, às vezes temos a coragem de dizer; não queremos ouvir a Palavra e pronto. São Paulo vai anunciar no areópago, grande lugar do saber, ali todos pregavam, todos que estavam ali queriam ouvir as grandes novidades, teorias novas; era uma forma de se atualizar, ir lá para ouvir. São Paulo vai aproveitar para dizer; olha, eu vejo que vocês são muito interessados e muito religiosos, porque vocês tem um altar para cada deus e aqui tem um lugar para o Deus desconhecido. Então, eu vim anunciar quem é esse Deus desconhecido. Eles pararam para ouvir, porque, a final de contas... a hora que ele começou a falar da ressurreição, eles disseram; não queremos mais te ouvir. Quem sabe um outro dia. Hoje não temos tempo para ouvir esta palavra. Então, foram muito sinceros; não queremos ouvir e pronto. Mas, tem aqueles que não tem coragem de dizer “eu não vou ouvir” e tentam desqualificar a Palavra. Um exemplo é dizer que Jesus era possuído por Belzebu, por isso faz o que faz. Aí Jesus vai dizer; “como é que satanás pode expulsar satanás? Se está dividido contra si mesmo, então este reino não tem força. Outra forma de desqualificar Jesus é o Evangelho de hoje; Eles estão encantados com esse Jesus que realiza milagres, que faz belas pregações, mas não querem acolher. Então dizem: escuta, onde Ele aprendeu tudo isso? Não é ele carpinteiro, nós conhecemos sua família toda, seus irmãos, suas irmãs e agora ele vem querer nos dar lição de moral? Jesus é muito simples. Ele diz: um profeta só não é bem recebido em sua casa. Por que? Porque quanto mais nós temos contato com as pessoas, mais conhecemos essas pessoas. Então, eu não tenho dúvida nenhuma, de que aqueles que se aproximam mais do “padre”, vão conhecer, além do padre, o ser humano. Aí vai ter uma visão diferente do que o padre prega, porque sabe que nem sempre vive o que ele prega, do que aqueles que não o conhecem e admiram uma grande pregação, dizendo: olha que maravilha e não sabem se ele vive ou não o que prega. Então, quanto mais próximos nós estamos das pessoas, maior a dificuldade de acolher o que estas pessoas falam sobre Deus. Muitos comentam comigo assim; olha, você que não sai da igreja pensa desse jeito, imagina se você não fosse na igreja então? Para falar então? Escute, você não é nenhum santo, não é todo certinho, não. Te conheço muito bem! Esta é a realidade de quem convive com os pregadores e aqueles que falam e procuram anunciar a Palavra. O problema não está em quem anuncia, porque a grande vantagem de ser apóstolo de Jesus Cristo, e isto todos nós somos, ide, pregai o Evangelho a todos os povos, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, então, aqueles que são os apóstolos de Jesus Cristo, eles tem vantagens, comparados com apóstolos de outros. Qual é a vantagem? A mesma palavra que eu dirijo para você, ela volta para mim. Não é preciso que eu me torne um santo, que atinja a perfeição, para poder anunciar a Palavra. Não. Com toda nossa limitação que Deus conta para que a Palavra seja anunciada. Aí vamos entender São Paulo, que reclama desse espinho da carne. Para alguns, ele tinha problema de visão. De tal maneira que ele não se conformava; como ele pode escrever, tem tanta coisa para escrever e não enxerga. Então, tinha que ter um ajudante. E, como garantir que ele está escrevendo exatamente o que eu falo? Aí o grande drama de Paulo; ter que confiar, também nele, na Palavra. É evidente, que quem crê na Palavra de Deus, tem que confiar na Palavra, a começar pelas palavras das pessoas. Outros dizem que ele tinha problema de nervo ciático; não conseguia andar muito tempo. E isto para ele, modo de dizer, era grande morte, porque ai de mim se não evangelizar; tenho que viajar, tenho que andar, eu não tenho tanto tempo, assim, para anunciar a Palavra. E se sentia, assim, amarrado, impedido de fazer mais do que ele gostaria, fazendo menos.  Só que São Paulo vai ser alguém de gênio muito forte; ninguém vai conseguir trabalhar com ele muito tempo. Encrenqueiro, togo briga com os companheiros. Então, veja que na realidade, São Paulo se torna um exemplo para nós, daquele que é um pregador por excelência, mas que tem os seus limites, suas limitações. O absurdo está que em Jesus, ninguém apresenta uma limitação. Ninguém. De fato, Ele é a Palavra de Deus feito carne. De tal maneira que não dá para falar dos defeitos de Jesus, mas dá para dizer: da onde Ela tira toda essa sabedoria?
Então, meus irmãos e irmãs, essa contemplação da Palavra, nesse final de semana, mostra que só não evangelizamos se não quisermos. E só não acolhemos a Palavra que nos é anunciada, se não quisermos também.  Porque todos nós temos limitações, todos temos nossas dificuldades, todos nós temos os nossos problemas.  Um deles, às vezes, é o dinheiro. Olha o salmo de hoje: fica claro; • Eu levanto os meus olhos para vós, / que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos / nas mãos do seu senhor.
• Como os olhos das escravas estão fitos / nas mãos de sua senhora, / assim os nossos olhos, no Senhor, / até de nós ter piedade.
• Tende piedade, ó Senhor, tende piedade; / já é demais esse desprezo! / Estamos fartos do escárnio dos ricaços / e do desprezo dos soberbos!
Então, é alguém que de fato tem problemas financeiros, mas nem por isso deixa de louvar a Deus. Então, seja que situação for, cada um de nós é convidado a acolher essa Palavra e a se dispor a anunciar para todos. Uma maneira muito prática de anunciar a Palavra é viver em harmonia no lar, no trabalho, nas diversões, etc.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.


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Homilia de D. Henrique Soares

O Evangelho deste Domingo apresenta-nos Jesus na sua Nazaré. Ali mesmo, na sua própria cidade, onde nascera e fora criado, os seus o rejeitam: "'Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?' E ficaram escandalizados por causa dele". Assim, cumpre-se mais uma vez a Escritura: "Veio para o que era seu e os seus não o receberam" (Jo 1,11). E a falta de fé foi tão grande, a dureza de coração, tão intensa, a teimosia, tão pertinaz, que São Marcos afirma, de modo surpreendente: "Ali não pôde fazer milagre algum!", tão grande era a falta de fé daquele povo. 
            Meus caros, pensemos bem na advertência que esta Palavra de Deus nos faz! O próprio Filho do Pai, em pessoa, esteve no meio do seu povo, conviveu com ele, falou-lhe, sorriu-lhe, abraçou-lhe e, no entanto, não foi reconhecido pelos seus. E por quê? Pela dureza de coração, pela insistência teimosa em esperar um messias de encomenda, sob medida, a seu bel prazer... Valia bem para Israel a censura da primeira leitura de hoje, na qual o Senhor Deus se dirige a seu servo: "Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: 'Assim fala o Senhor Deus'. Quer escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta!"Que coisa tremenda, meus caros: houve entre os israelitas um profeta, e mais que um profeta: o Filho de Deus, o Eterno, o Filho amado... E Israel o rejeitou! 
            Mas, deixemos Israel. E nós? Acolhemos o Senhor que nos vem? Escutamos com fé sua Palavra, quando ele se dirige a nós na Escritura, aquecendo nosso coração? Acolhemo-lo na obediência da fé, quando ele se nos dirige pela boca da sua Igreja católica, ensinando-nos o caminho da vida? Acolhemo-lo, quando nos fala pela boca de seus profetas? Não tenhamos tanta certeza de que somos melhores que aqueles de Nazaré! Aliás, é bom que nos perguntemos: por que os nazarenos não foram capazes de reconhecer Jesus como Messias? Já lhes disse: porque o Senhor não era um messias do jeito que eles esperavam: um simples fazedor de milagres, um resolvedor de problemas... Jesus, pobre, manso, humilde, era também exigente e pedia do povo a conversão de coração. Mas, há também uma outra razão para os nazarenos rejeitarem Jesus: eles foram incapazes de ver além das aparências. De fato, enxergaram em Jesus somente o filho de José, aquele que correra e brincara nas suas praças, aquele ao qual eles haviam visto crescer. Assim, sem conseguir olhar com mais profundidade, empacaram na descrença. Mas, nós, conseguimos olhar com profundidade? Somos capazes de escutar na voz dos ministros de Cristo a própria voz do Senhor? Somos sábios o bastante para ouvir na voz da Igreja a voz de Cristo? 
            É exatamente pela tendência nossa, tremenda, de sermos surdos ao Senhor, que Jesus tanto sofreu e que Paulo se queixava das dificuldades do seu ministério. O Apóstolo fala de um anjo de Satanás que o esbofeteava. Que anjo era esse? Ele mesmo explica: suas "fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor de Cristo". O drama de Paulo é uma forte exortação aos pregadores do Evangelho e a todos os cristãos. Aos pregadores do Evangelho essa palavra do Apóstolo recorda que o anúncio será sempre numa situação de pobreza humana, de apertos e contradições. A evangelização, caríssimos, não é um trabalho de marketing televisivo como vemos algumas vezes nos "missionários" dos meios de comunicação. O Evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado, é proclamado não somente pela palavra do pregador, mas também pela carne de sua vida. Como proclamar a Palavra sem sofrer por ela? Como anunciar o Crucificado que ressuscitou sem participar da sua cruz na esperança firme da sua ressurreição? O Evangelho não é uma teoria, não é um sistema filosófico. O Evangelho é Cristo Jesus encarnado na nossa vida, de modo que possamos dizer como São Paulo: "Eu trago no meu corpo as marcas de Jesus" (Gl 6,17) Triste do pregador que pensar em anunciar Jesus conservando-se para si mesmo. Um diácono, um padre, um bispo, que quisessem se poupar, que separasse a pregação do seu modo de viver, que fosse pregador de ocasião, tornar-se-ia um falso profeta, transformar-se-ia em marketeiro do Evangelho, portanto, inútil e estéril. É toda a vida do pregador que deve ser envolvida na pregação: seu modo de viver, de agir, de vestir, de relacionar-se com os bens materiais, sua vida afetiva, seu modo de divertir-se, seu tipo de amizade... Tudo nele dever ser comprometido com o Senhor e para o Senhor! 
            Mas, essa palavra de São Paulo na liturgia de hoje vale também para cada cristão. Hoje, somos minoria. O mundo não-crente, seculartizado zomba de nós e já não crê no anúncio de Cristo que lhe fazemos. Sentimos isso na pela! Pois bem, quando experimentarmos a frieza e a dura rejeição, quando em casa, no trabalho, nos círculos de amizades, formos ignorados ou ridicularizados por sermos de Cristo, recordemos do Evangelho de hoje, recordemo-nos dos sofrimentos dos apóstolos e retomemos a esperança: o caminho de Cristo é também o nosso; se sofrermos com ele, com ele reinaremo; se morrermos com ele, com ele viveremos (cf. 2Tm 2,11-12) Não tenhamos medo: nós somos as testemunhas, os profetas, os sinais de luz que Deus envia ao mundo de hoje! Sejamos fiéis: o Senhor está conosco, hoje e sempre. Amém.

D. Henrique Soares

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos, Ministros da Palavra..)

Mc 6, 1-6 ; LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- - COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Vos louvamos e agrademos pelo vosso amor. Muito nos amais nos enviando o vosso Filho único; Bendito sejais para sempre!
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Pelo batismo nos tornastes vossos profetas para anunciar o vosso amor a todos os vossos filhos e filhas. Vós sois a nossa força; vinde sempre em nosso auxílio!
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Muitas vezes pensamos em nossos projetos e não no vosso projeto. Transformai o nosso coração para que tenhamos mais amor ao vosso Reino.
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Enviai-nos o Espírito Santo para nos iluminar e nos encorajar na ação de cada dia.
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
- Pai nosso... A paz de Cristo...   Cordeiro de Deus






sexta-feira, 26 de junho de 2015

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2015, SOLENIDADE DE S. PEDRO E S. PAULO, festa de são pedro e são paulo, Homilias

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ANO A 2015

SOLENIDADE DE S. PEDRO E S. PAULO

SINOPSE:
Tema: Pedro e Paulo; exemplos de fidelidade e testemunho a Jesus Cristo. Ambos deram a vida por Jesus.
Evangelho: À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus.
Primeira leitura: Deus cuida dos discípulos quando o mundo os rejeita.
Segunda leitura: Paulo apresenta o “testamento”, “balanço final” do seu compromisso com o Evangelho.

10. EVANGELHO (Mt 16,13-19) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens
ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros, ainda, que é
Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, por que não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

AMBIENTE - A proposta de Jesus não é acolhida, senão por um pequeno grupo. Jesus pergunta aos discípulos não para ver sua popularidade, mais para tornar as coisas mais claras.

MENSAGEM – Muitos vêem Jesus um homem enviado como os profetas… Pedro diz: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Ele é o enviado por Deus para libertar o seu Povo. Jesus não é, apenas, o Messias: é, também, o “Filho de Deus”; significa reconhecer a unidade e intimidade entre Jesus e o Pai e que Jesus realiza os projetos do Pai no meio dos homens.
Na segunda parte, Jesus elogia Pedro (a comunidade) pela fé. Pedro é “a rocha”, pela fé que tem em Jesus, sobre a qual vai assentar a sua Ekklesia. Jesus promete a Pedro “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”. “atar e desatar” designava interpretar a Lei com autoridade. Assim, Jesus nomeia Pedro como “administrador” da Igreja, com autoridade para interpretar, adaptar, atualizar as palavras de Jesus e para acolher ou não novos membros na comunidade do Reino (todos são chamados; mas aqueles que não aceitam as propostas de Jesus não podem ser admitidos).
Pedro é o protótipo do discípulo; nele, está representada essa comunidade que proclama a sua fé em Jesus como o “Messias” e o “Filho de Deus”. É a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir.
Por isso, nesse dia celebramos também o DIA DO PAPA, o chefe visível da Igreja na terra.
Em dois mil anos de Cristianismo, até hoje, Pedro teve 265 sucessores! Podemos dizer, ontem Pedro, hoje Francisco.

ATUALIZAÇÃO ** Muitos vêem em Jesus um homem bom, “mestre” de moralrevolucionário, que procurou promover os pobres e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o “statu quo”.
• Para os discípulos, é “o Messias, o Filho de Deus”, capaz de  dar vida plena da felicidade sem fim.
•  A Igreja é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como “o Messias, o Filho de Deus”.

6. PRIMEIRA LEITURA (At 12, 1-11) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão
de João. E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender Pedro. Eram os dias dos pães ázimos. Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresenta-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam as portas da prisão. Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” Pedro acompanhou-o e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”

AMBIENTE –Pedro foi preso, e libertado. É uma catequese de como Deus cuida dos discípulos.

MENSAGEM 1. A morte de Tiago e a prisão de Pedro mostram como o projeto de Deus gera confronto.
2. “A Igreja orava por ele”, mostra a unidade da Igreja e que Deus escuta a oração da comunidade.
3. A libertação de Pedro mostra que Deus está com sua igreja e cuida daqueles que dão testemunho.

ATUALIZAÇÃO • O projeto de Deus gera oposição. • Deus não nos abandona.
• A importância da solidariedade com os irmãos que estão em sofrimento.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 33 (34)
De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
 • Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, / seu louvor estará sempre em minha boca. / Minha alma se gloria no Senhor; / que ouçam os humildes e se alegrem!
• Comigo engrandecei ao Senhor Deus, / exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu / e de todos os temores me livrou.
• Contemplai a sua face e alegrai-vos, / e vosso rosto não se cubra de vergonha! / Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido; / e o Senhor o libertou de toda a angústia.
• O anjo do Senhor vem acampar / ao redor dos que o temem e os salva. / Provai e vede quão suave é o Senhor! / Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

8. SEGUNDA LEITURA (2Tim 4,6-8. 17-18) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida.
Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a
sua manifestação gloriosa. Mas o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse
anunciada por mim integralmente e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo o mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

AMBIENTE - Paulo convida a redescobrir o entusiasmo por Jesus e pelo testemunho da Boa Nova.

MENSAGEM Paulo doou sua vida ao Evangelho. Resta-lhe receber a coroa de glória, reservada aos vencedores.  Há duas maneiras de dar a vida por Cristo: uma é gastá-la dia a dia; outra é derramar o sangue por causa da fé. Paulo conheceu as duas modalidades; imitar Paulo é um desafio. O autor pede: apesar das dificuldades, descubram a presença de Deus, confiem, mantenham-se fiéis ao Evangelho: assim recebereis a salvação que Deus reserva a quem combateu o bom combate da fé.

ATUALIZAÇÃO • Paulo é modelo. O caminho não é fácil, mas vale a pena, pois conduz à vida plena.
• Aquele que escolhe Cristo não está só; o Senhor está ao seu lado, dá-lhe força, e livra-o de todo o mal.
Olhando a escolha de Pedro para conduzir a Igreja, podemos perceber que Jesus fundou a sua Igreja sobre a fragilidade humana, ela foi fundada sobre a responsabilidade de um homem sujeito a falhas!
Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Alguns pontos:

A resposta da comunidade representada por Pedro é uma profissão de fé no “Cristo, Filho do Deus vivo”. 
Essa profissão de fé não é fruto da lógica e do esforço humano, mas é revelação divina, pois quem o revela à comunidade é o próprio Pai, que está no céu. Foi a abertura da comunidade à revelação divina que possibilitou reconhecer o Cristo e confessar a fé nele. E é sobre a fé confessada no Cristo, Filho do Deus vivo, que a Igreja é edificada. A expressão “esta pedra” refere-se à confissão de fé e é um trocadilho com a palavra “Pedro”, por cujos lábios ela é pronunciada. O fundamento da Igreja é Jesus, pedra angular (Mt. 21,42), confessado por Messias/Cristo pela comunidade de seus seguidores.

1. Pedro recebe a revelação de que Jesus é o Messias: “não foi alguém de carne e sangue que te revelou isso, e sim meu Pai do céu” (v. 17b). Mas para Pedro Jesus não passa por um humano a ponto de enfrentar a morte. Pedro está ligado ainda a um Messias glorioso e poderoso (mentalidade da época).
2. Tanto que, logo após Jesus confirmar que Pedro será a pedra sobre a qual edificará a sua Igreja (v. 18-19), Jesus vai dizer-lhe que ele é pedra de tropeço (satanás), porque não pensa do modo de Deus, mas do modo humano (v. 22-23).
3. Jesus mostra as conseqüências como Messias (vv. 24-28: tomar a cruz … perder a vida … que adianta ganhar o mundo inteiro …). O reconhecimento de Jesus-Messias conduz ao testemunho e à cruz. Pedro vai fazer um longo processo de conversão para identificar sua vida com a do Mestre. Vai deixar de lado um Messias à moda humana (à nossa imagem e semelhança) para tornar-se discípulo à imagem e semelhança de Jesus-Messias-Servo (1ª leitura).
4. Pedro recebe o título de satanás, porque não é inspirado pelo Pai, a pedra que se transforma em tropeço (cf. Is. 8,14-15). Pedro não aceita a paixão do Mestre porque não compreende o valor que ela tem.

7. Pedagogicamente Jesus leva os discípulos para longe de Jerusalém, centro do poder político, econômico e ideológico. Cesaréia de Filipe é uma espécie de “periferia” e terra que espera um anúncio qualificado acerca de quem é Jesus. Assim, a partir dessa realidade, – longe das influências ideológicas do centro, – é que os discípulos são convidados a dar uma resposta plena de quem é Jesus.

9. Pedro responde: “Tu és o Messias (o Cristo), o Filho do Deus vivo!”(v. 16). Jesus é a realização das expectativas messiânicas, o portador da justiça que cria sociedade e história novas. Ele supera, portanto, a barreira do velho e introduz a grande “novidade” (o novo).
10. Reconhecer Jesus desse modo é ser bem-aventurado (v. 17), porque é o projeto de Deus. Ninguém chega a entender “quem é Jesus” a não ser no compromisso com suas propostas (a justiça do Reino) que são as mesmas do Pai.
11. O reconhecimento de Jesus é fruto da vivência de seu projeto (prática da justiça). E a partir de pessoas que, como Pedro, o reconhecem e o confessam é que nasce a comunidade (v. 18a).
12 Pedro, antes pedra de edificação, se torna “satanás”, pois propõe um messianismo diferente (já rejeitado por Jesus nas tentações – cf. 4,1-11).
13. Confessar é aderir a ele com todas as conseqüências que o testemunho acarreta. O Mestre não é do jeito que Pedro imagina. O Mestre não é do jeito que nós imaginamos. O Mestre quer que nós sejamos do jeito que ele é.
14. E o cristianismo, o que é? É o prolongamento da ação de Cristo que promove a justiça.
16. O poder da comunidade das testemunhas de Cristo é o poder do mesmo Cristo: é o próprio Jesus quem age na comunidade, permitindo-lhe ligar e desligar. É Jesus quem construirá e dará do que é seu. A comunidade administra esse poder a partir do testemunho que vive e anuncia.
17. E Pedro? Sua liderança leva a comunidade ao discernimento e aceitação de tudo o que promove a vida e ao discernimento e rejeição de tudo o que patrocina e provoca a morte.

No livro dos Atos dos Apóstolos vemos a comunidade que sofre por causa dos conflitos e perseguições.
21. Herodes mata por interesses políticos: agradar aos judeus.
22.1. Acontece com Pedro o mesmo que acontecera com Jesus. Há inclusive coincidência de datas: a referência à festa dos pães sem fermento (v. 3 com Lc. 22,1). Assim como o Pai libertou Jesus da morte, o anjo do Senhor liberta Pedro da prisão.
23. Face à perseguição, Deus é aquele que liberta a comunidade dos seus seguidores. Da mesma forma que libertou Jesus da morte, também conduzirá a comunidade através dos conflitos. E a comunidade, por sua vez, reproduzirá em sua vida a paixão e a páscoa de Jesus, que é uma “paixão” por um mundo novo e libertado.

25. O chamado ‘testamento de Paulo’. Chegou o momento de dar o grande testemunho. Seu sangue derramado, ele interpreta como sacrifício de valor expiatório: “já fui oferecido em libação” (v.6a). A libação de vinho, água ou óleo era, nos sacrifícios judaicos, derramado sobre a vítima (Ex. 29,40; Nm. 28,7). A morte não é o fim, mas o início da nova viagem. É o último gesto de auto-entrega, a porta de entrada para a meta definitiva. Qual meta? “O Senhor… me levará para o seu Reino eterno” (4,18b).
27. Olhando o passado, Paulo tem consciência de ter cumprido sua missão de forma exemplar, com garra e constância. Usa o exemplo do soldado: “combati o bom combate”, e do atleta que corre no estádio: “terminei minha corrida”. Mas o fundamental para ele é ter corrido em vista da evangelização: “guardei a fé!” (v. 7).
28. Olhando para o futuro tem esperança de receber a coroa da justiça.
30. A paixão de Paulo é o prolongamento da paixão de Jesus (cf. Cl. 2,14: “completo em minha carne o que falta nas tribulações de Cristo”).
31. - Abandonado por todos, sua única esperança é Jesus. E isso se torna motivo de profunda alegria, que o leva a render graças e a dar glória a Deus enquanto viver (v. 18b).

R e f l e t i n d o
1. Nos santos se manifesta o que Deus faz por nós e como ele é admirável. Este é o significado da festa para nossa comunidade.
2. Os santos não foram isentos de limitações e pecados (não eram anjos!). O que importa realmente é que fizeram opção radical por seguir Jesus Cristo, confiantes na graça do Espírito e na misericórdia do Pai.
7. A verdade da resposta de Pedro revela a identidade de Jesus: “o Cristo, o Filho do Deus vivo!” Essa resposta comprometeu Pedro com Jesus, pois reconheceu quem ele é e a ele aderiu. Jesus o chama de bem-aventurado.
8. Quando não conhecemos (ou reconhecemos) “quem é Jesus”, não podemos segui-lo. Seguiremos as opiniões dos outros, as convicções dos outros, talvez o caminho dos outros, … mas não o caminho de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo!
9. Apesar dessa confissão de fé, Pedro continua com suas limitações. Não aceita que Jesus fale de sua paixão (e Jesus o chama de satanás); não queria que Jesus lhe lavasse os pés; usa a espada no monte das oliveiras; negou Jesus três vezes… e fica indeciso diante dos problemas dos não-judeus e das tradições judaicas.
10. Entretanto, Ele será o responsável por manter unidos aqueles homens (tão diferentes) no seguimento de Jesus, o Mestre. Ele não é melhor que ninguém, talvez um dos mais “fracos” dos discípulos, pois, além de abandonar Jesus no pior momento, também o renegou. Por que Jesus o escolheu? Porque Pedro (apesar dos seus pecados) se entregou totalmente no seguimento de Jesus: “tu sabes que eu te amo! Tu sabes o quanto eu te amo! Tu sabes que eu sou fraco… mas tu sabes também o quanto te amo!”
11. Pedro é um homem comum, de carne e osso, “humano” como todos nós. Pedro é um homem verdadeiro, espontâneo, honesto. Quando reconhece que errou volta atrás, se arrepende e continua seu comprometimento com o Mestre. Comprometimento que levou até às últimas conseqüências: perseguido, preso e martirizado.
12. Pedro foi um homem muito parecido conosco, muito humano nas suas limitações e quedas. Mas foi um homem verdadeiro (honesto consigo mesmo!) que descobriu a verdadeira identidade de Jesus e o seguiu (entrega total, de corpo e alma) … até o fim!
13. Paulo de Tarso relembra as dificuldades por que passou, reafirma sua adesão a Cristo.
15. O encontro com Jesus muda a sua vida: de perseguidor para evangelizador (ai de mim se não evangelizar!).

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Na pessoa de Pedro, destaca-se a fé. Na pessoa de Paulo, o Missionário, que forma comunidades.
- O testemunho dos discípulos gera oposição e morte.
- A Comunidade cristã é unida e solidária, na Oração e Deus escuta a oração da Comunidade...
- Mostra a presença de Deus na caminhada da Igreja e Deus não nos abandona...

Paulo está preso e faz um balanço final de sua vida:  " combati o bom combate ...  terminei a corrida... conservei a fé... O Senhor esteve comigo... a ele GLÓRIA..." * Paulo está consciente do dever cumprido..

Paulo disse: “Escolheu-nos antes da constituição do mundo” (Ef 1, 4). A vocação é um dom que Deus preparou desde toda a eternidade. Todos nós o Senhor chama à santidade; e é uma vocação aproximar os outros de Cristo, fonte de alegria, da paz e da plenitude. Relembrando o ardor Pedro e Paulo que o Senhor nos conceda o mesmo entusiasmo para sermos discípulos e missionários de Cristo.
Pedro, generoso e frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo pregou o Evangelho pelas cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero.
Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles plantaram a Igreja de Cristo,  buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Ambos viveram o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo”. Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida.
Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor. Hoje também nos voltamos para Roma, aquela que foi regada com o sangue de Pedro e Paulo. Quando surgem tantas seitas cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência segura na verdadeira fé. Rezemos, hoje, pelo nosso Papa Francisco. Que Deus lhe conceda firmeza na fé.

Que dizer de São Paulo? São Paulo foi um homem que na pregação do Evangelho colocou todas as suas potencialidades a serviço. Um homem totalmente entregue às coisas de Deus. De perseguidor de cristãos tornou-se um dos cristãos mais fervorosos, homem inflamado de zelo apostólico. Como não identificar por detrás dessas frases um homem magnânimo e cheio do amor de Deus?

o    “Estou pregado à cruz de Cristo” (Gl 2,19).
o    “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).
o    “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14).
o    Nos exorta: “não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos  afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza” (Ef 17-19).
o    “Contanto que de todas as maneiras, por pretexto ou por verdade, Cristo seja anunciado, nisto não só me alegro, mas sempre me alegrarei” (Fl 1,18).
o    Em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2,3).
o    “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (2 Tim 4,7).

Jesus não edificou a sua igreja sobre homens considerados grandes aos olhos do mundo, mas sobre Pedro, um homem de origem simples, que representa os homens de toda história da Igreja: homens santos e pecadores!

Ambos foram perseverantes na missão que o Senhor lhes confiara: entre lágrimas plantaram a Igreja de Cristo. Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor.

Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Eles apostaram tudo por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.
Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.
Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Francisco. Nossa comunhão com Pedro é garantia na verdadeira fé. Rezemos, hoje, pelo nosso Santo Padre, Francisco. Que Deus lhe conceda firmeza na fé.


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Reflexões do Pe. Antônio

Toda Igreja unida

Celebrando hoje a festa de Pedro e Paulo, exaltamos seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e seu ardoroso testemunho no projeto libertador de Deus.

Na pessoa de Pedro, destaca-se o Pastor das Comunidades, aquele que é referência da fé para os irmãos.
Na pessoa de Paulo, aparece mais o líder Missionário, que forma comunidades e faz expandir a fé em todas as nações.
Pedro recorda mais a instituição... Paulo, o carisma...

As Leituras bíblicas nos falam dos dois Apóstolos:

Na 1ª Leitura, vemos PEDRO: (At 12,1-11)

Preso pelas autoridades... "para agradar os judeus"...
Guardado como "perigoso" por 16 homens... e libertado por Deus...
- O texto mostra que o testemunho dos discípulos gera oposição e morte.
  Mas a oposição não pode calar esse testemunho.
- Mostra uma Comunidade cristã unida e solidária, na Oração.
  E Deus escuta a oração da Comunidade...
- Mostra a presença efetiva de Deus na caminhada da Igreja e  o cuidado de Deus para os que lhe dão testemunho.
  O nosso Deus não nos abandona...

Na 2ª Leitura vemos PAULO: (2Tm 4, 6-8.17-18)

Também está preso, pela última vez: Está ciente da própria condenação.
Faz um balanço final de sua vida a serviço do Evangelho:
- "Estou pronto... chegou a minha hora... combati o bom combate ...  terminei a corrida... conservei a fé...
- E agora aguardo o prêmio dos justos...
 - O Senhor esteve comigo... a ele GLÓRIA..."
A própria Morte ele a vê como a Libertação definitiva...

* Suas palavras são um "testamento espiritual" sereno e alegre, consciente do dever cumprido..
   Modelo de Missionário ardoroso e entusiasta...

No Evangelho, Pedro faz a Profissão de Fé e recebe o Primado. (Mt 16, 13-19)

O texto tem duas Partes:
- A primeira de caráter cristológico: centra-se em CRISTO e na definição de sua identidade:
  "Tu é o Cristo, o Filho de Deus Vivo".
- Na segunda de caráter eclesiológico: centra-se na IGREJA que Jesus convoca à volta de Pedro:
  "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja".
A base ("Rocha") firme sobre a qual vai se assentar a Igreja de Jesus é a fé que Pedro e a Comunidade dos discípulos professaram: a fé em Jesus como o "Messias, Filho de Deus vivo".

Dessa adesão, nasce a Igreja, a Comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro.
A Pedro e à Comunidade dos discípulos é confiado o poder das chaves, isto é, a autoridade para interpretar as palavras de Jesus, às novas necessidades e situações e para acolher ou não novos membros na Comunidade dos discípulos do Reino. Pedro torna-se assim uma figura de referência para os primeiros cristãos e desempenha um papel de primeiro plano na animação da igreja nascente.

+ PEDRO E PAULO são figuras gigantescas da Igreja primitiva, que tinha a missão de continuar a OBRA salvadora de Cristo...

Na Igreja, Pedro recebe poderes para desempenhar a sua missão:
Por isso, nem o poder do inferno terá vez contra ela...

E essa promessa de Cristo não é apenas à pessoa de Pedro.
Se a Igreja deve permanecer, mesmo depois da morte de Pedro,
devemos admitir que os poderes concedidos a Pedro, 
passem também aos seus legítimos sucessores, que são os PAPAS...

Por isso, nesse dia celebramos também o DIA DO PAPA, que ainda hoje continua sendo sinal de unidade e de comunhão na fé.

O Papa é o chefe visível da Igreja na terra.
Sua missão é espinhosa, sobretudo hoje, com mudanças rápidas e violentas...
com contestações dentro e fora da Igreja...
Como é difícil saber discernir, no meio de tantas turbulências!...

Ele merece o nosso amor...
mas que não seja um amor só de palavras, mas um amor concreto...
Rezando por ele... escutando a sua voz... e praticando seus ensinamentos...

Relembrando as figuras de São Pedro e São Paulo, perguntemo-nos:
- Damos testemunho de Cristo, como eles, no ambiente em que vivemos?
- Acreditamos que somos responsáveis pela continuação do Projeto de Deus?

Relembrando a figura do Papa,
continuemos a nossa oração, pedindo a Deus que lhe dê:
- MUITA LUZ... para apontar sempre o melhor caminho para a Igreja... e
- MUITA FORÇA... para enfrentar com otimismo e alegria
  as contestações do mundo moderno...

A Igreja é um corpo vivo, que se constrói com pedras vivas.
Todos colaboramos na construção, mas sob a guia e supervisão dos que
são sucessores de Pedro (o Papa) e dos demais Apóstolos (os bispos).

                                       Pe. Antônio
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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, nós sabemos que o dia de São Pedro e São Paulo é dia 29 de junho, mas como no Brasil não é feriado, celebramos neste domingo.
São duas testemunhas, duas colunas muito importantes para nossa igreja. Quando eu digo nossa igreja, é para nós. Nós é que somos a igreja. São duas testemunhas importantes, porque elas podem nos animar a sermos fiéis na fé que professamos. Quando temos oportunidade, a acolhida que nós damos para quem vai ser batizado, é a cruz de Cristo. A nossa igreja, católica, apostólica, romana, ela não engana ninguém. O que podemos oferecer é a cruz de Cristo. Quem oferece outra coisa, está fora do projeto de igreja. Porque é através da cruz de Jesus Cristo, que a humanidade pode ser salva. Nós não adoramos a cruz, mas adoramos quem morreu na cruz para nos salvar. Isto é importante nós compreendermos. Importante porque hoje celebramos Pedro e Paulo. Alguém poderia dizer: isto é obra do passado. No entanto, muitos dos que professam a fé, são ainda hoje martirizados. Vejam que há casos na África e no Oriente médio, onde igrejas são destruídas e muita gente morre por esta fé. Muitos que professam a fé são martirizados. É importante observar isto. Desde Jesus até hoje, as pessoas acham que matando cristãos vai impedir o cristianismo de continuar, mas a Palavra de Jesus é uma só; ele diz: as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela. De tal maneira, que celebrando São Pedro e São Paulo, é nos prepararmos, nos perguntarmos se também eu estaria preparado para o martírio. Porque preparado para ser ajudado, preparado para receber um emprego, para isto buscamos Jesus Cristo. E para o martírio? Eu vou dizer com franqueza; ninguém sabe se está preparado ou não. Isto é um momento que nos ajuda a refletir. Se olharmos a caminhada de São Pedro, nós vamos ver o porque é importante celebrar o seu martírio. São Pedro é alguém que sempre se apresentou com muito medo das coisas. Às vezes alegava ignorância, às vezes mentia mesmo, o fato é que, quando percebia que algo era exigido dele, algo que pudesse comprometê-lo, ele dava um jeito de escapar. “você não é do grupo desse galileu? Nunca vi, não sei do que você fala”. Ou então: “Seu mestre paga imposto? Paga”.  Ou então; “Quem não deixar eu lavar os pés, não terá parte comigo. Então, lava a cabeça também”. Então, São Pedro sempre procurou evitar problemas. Olha que interessante; ele sempre caminhava COM JESUS. Nós vemos no Evangelho de hoje, que no caminho de Cesaréia que Jesus vai dialogar com ele. Jesus, várias vezes, falou para os discípulos, inclusive para ele; “vocês querem ir embora? A quem iremos, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna”. Então, de fato, São Pedro, apesar de suas dificuldades, NUNCA  se negou a caminhar com Jesus. E quem se coloca para caminhar com Jesus, vai amadurecendo a sua fé. É por isso que agente diz; o batismo é somente encontrar qual é a estrada, mas depois precisa caminhar. Porque se nós não caminharmos, nós acabamos não estando preparados para aquilo que nossa fé exige. O que nossa fé exige? Viver o Evangelho, sermos fiéis a Deus. O salmo de hoje diz com muita clareza: “Contemplai a sua face e alegrai-vos, / e vosso rosto não se cubra de vergonha! / Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido; / e o Senhor o libertou de toda a angústia”. • Comigo engrandecei ao Senhor Deus, / exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu / e de todos os temores me livrou”.
Ora, isto parece uma ironia. Desde quando Deus ouviu Pedro, se morreu na cruz? Mas desde quando Deus ouviu Jesus, se Ele morreu na cruz? Ora, por este caminho nós não chegamos a nada. O que é necessário é entendermos o diálogo de Jesus com Pedro. É o tipo de verdade que homem nenhum nos revela, mas só o Pai que está no Céu. Aparentemente, não foi ouvido nem Jesus, nem São Pedro. Entretanto, se nós observarmos, eles venceram a morte e puderam experimentar a VIDA, que é a última Palavra, Palavra que vem de Deus. Então, quem aposta na morte está derrotado. Talvez, por um pequeno tempo, não vai vencer, mas vai perceber que foi em vão a tentativa de resolver as coisas a partir da morte.
E por outro lado, celebramos São Paulo que também começou apostando na morte. Ele, inclusive, matou cristãos. E não foi por maldade. Ele acreditava estar servindo a Deus, quando defendia a existência de um só Deus. Quando ouviu falar que Jesus era Deus feito homem, ele disse; não é possível dois deuses. Eu preciso eliminar estes que estão criando esta confusão. Agora, ele se dá conta de algo que ele não conhecia; ele não conhecia o perdão. Perdão é próprio de Jesus Cristo. Por mais que se procure, vamos verificar que é a única proposta que inclui o perdão, é a proposta cristã. Nem os mulçumanos, nem os judeus, nem o hindu, nenhuma outra religião propõe o perdão. Só o cristianismo. É isto que chamou a atenção de Paulo. Ele soubera que Jesus, mesmo na cruz, tinha dito: “Pai, perdoai porque não sabem o que fazem”. Ele preside a morte de Estevão e este também diz: “Pai, perdoai porque não sabem o que fazem”. O que que isto? Estamos matando fulano e este está pedindo perdão pelos que estão lhe matando?  É aí, que São Paulo descobre a grandeza de Jesus Cristo. É evidente, que ele caindo por terra, isto é, se dando conta do que Jesus está propondo, ele muda totalmente de vida.
Então, meus irmãos e irmãs, seria muito difícil nós respondermos com segurança; “eu estou pronto para testemunhar minha fé”. Entretanto, não é difícil caminhar. Se for preciso, vamos testemunhar. Se não for preciso, certamente não vamos perder o tempo, porque esta caminhada nos leva ao Pai e Deus consegue, a quem procura, a vida eterna. Celebrar São Pedro e São Paulo é celebrar nossa caminhada. Caminhada de Igreja. De fato, Deus não medirá esforços para nos manter nesta trilha. Ele não vai criar obstáculos para que possamos continuar firmes. Mas, para isto é necessário todo dia perguntar; quem é Jesus com quem eu caminho? Porque se houver dificuldades, no primeiro obstáculo vamos desistir. Mas, se eu souber que Ele é o Messias, o Salvador, não terei dificuldade de caminhar com Ele. Posso ter exigências, mas jamais obstáculos, porque Deus já nos livrou de tudo aquilo que poderia impedir de acompanha-lo.
Que nós possamos continuar firmes na fé e ajudar a outros nesta caminhada.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.


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Homilia de D. Henrique Soares   Mt 16,13-19

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.

 Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez se apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero.
O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho… Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar…”
Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.
Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.
Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro. Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia. Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste. Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Bento XVI. Ao Santo Padre, nossa adesão filial, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho.
Rezemos, hoje, pelo nosso Santo Padre, Bento. Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.
Ao Senhor, que é admirável nos seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
D. Henrique Soares

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OUTRA HOMILIA DE D. HENRIQUE

Hoje celebramos o glorioso martírio dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, aqueles “santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Pedro, aquele a quem o Senhor constituiu como fundamento da unidade visível da sua Igreja e a quem concedeu as chaves do Reino; Paulo, chamado para ser Apóstolo de um modo único e especial, tornou-se o Doutor das nações pagãs, levando o Evangelho aos povos que viviam nas trevas. Um pela cruz e o outro pela espada, deram o testemunho perfeito de Cristo, derramando seu sangue e entregando a vida em Roma, por volta do ano 67 da nossa era.
Caríssimos, esta Solenidade hodierna dá-nos a oportunidade para algumas ponderações importantes.
A Igreja é apostólica. Esta é uma sua propriedade essencial. João, no Apocalipse, vê a Jerusalém celeste fundada sobre doze alicerces com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (cf. 21,14). Eis: a Igreja não pode ser fundada por ninguém, a não ser pelo próprio Senhor, que a estabeleceu sobre o testemunho daqueles Doze primeiros que ele mesmo escolheu. Seu alicerce, portanto, sua origem, seu fundamento são o ministério e a pregação apostólicas que, na força do Espírito Santo, deverão perdurar até o fim dos tempos graças à sucessão apostólica dos Bispos católicos, transmitida na Consagração episcopal. Dizer que nossa fé é apostólica significa crer firmemente que a fé não pode ser inventada nem tampouco deixada ao bel-prazer das modas de cada época; crer que a Igreja tem como fundamento os Apóstolos significa afirmar que não somos nós, mas o Cristo no Espírito Santo, quem pastoreia e santifica a Igreja pelo ministério dos legítimos sucessores dos Apóstolos. O critério daquilo que cremos, a regra da nossa adesão ao Senhor Jesus, a norma da nossa fé é aquilo que recebemos dos santos Apóstolos uma vez para sempre. Só a eles e aos seus legítimos sucessores o Senhor confiou a sua Igreja, concedendo-lhes a autoridade com a unção do Espírito para desempenharem o ofício de guiar o seu rebanho pelos séculos a fora. Olhemos, irmãos amados, para Pedro e Paulo e renovemos nosso firme propósito de nos manter alicerçados na fé católica e apostólica que eles plantaram juntamente com os demais discípulos do Senhor. Hoje, quando surgem tantas comunidades cristãs que se auto-intitulam “igrejas” e se auto-denominam “apostólicas”, estejamos atentos para não perder a comunhão com a verdadeira fé, transmitida de modo ininterrupto e fiel na única Igreja de Cristo, santa, católica e apostólica.
Um outro aspecto importante, caríssimos, é o significado de ser Apóstolo: ele não é somente aquele que prega Jesus, mas, sobretudo, aquele que, escolhido pelo Senhor, com ele conviveu, nele viveu e, por ele, entregou sua vida. Os apóstolos testemunharam Jesus não somente com a palavra, mas também com o modo de viver e com a própria morte. Por isso mesmo, seu martírio é uma festa para a Igreja, pois é o selo de tudo quanto anunciaram. O próprio São Paulo reconhecia: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor. Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila para que esse incomparável poder seja de Deus e não nosso. Incessantemente trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Assim, a morte trabalha em nós; a vida, porém, em vós” (2Cor 4,5.7.10.12). Eis o sinal do verdadeiro Apóstolo: dar a vida pelo rebanho, com Jesus e como Jesus, gastando-se, morrendo, pra que os irmãos vivam no Senhor! Por isso, caríssimos meus, a alegria da Igreja na Festa de hoje: Pedro e Paulo não só falaram, não só viveram, mas também morreram pelo seu Senhor; e já sabemos pelo próprio Cristo-Deus que não há maior prova de amor que dá a vida por quem amamos! Bem-aventurado é Pedro, bendito é Paulo, que amaram tanto o Senhor a ponto de darem a vida por ele! Nisto são um exemplo, um modelo, uma norma de vida para todos nós. Aprendamos com eles!
Um terceiro aspecto que hoje podemos considerar é a ação fecunda da graça de Cristo na vida dos seus servos. O exemplo de Pedro, o exemplo de Paulo servem muito bem para nós. Bento XVI, ao ser eleito, afirmou humildemente que se consolava com o fato de Deus saber trabalhar com instrumentos insuficientes: Quem era Simão, chamado Pedro? Um pescador sincero, mas rude, impulsivo e de temperamento movediço. No entanto, foi fiel à graça, e tornou-se Pedra sólida da Igreja, tão apegado ao seu Senhor, a ponto de exclamar, cheio de tímida humildade: “Senhor tu sabes tudo; tu sabes que te amo” (Jo 21,17). Quem era Saulo de Tarso, chamado Paulo? Um douto, mas teimoso e radical fariseu, inimigo de Cristo. Tendo sido fiel à graça, tornou-se o grande Apóstolo de Jesus Cristo, tão apaixonado pelo seu Senhor, a ponto de nos desafiar: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo!” (1Cor 11,1). Eis, caros meus, abramo-nos também nós à graça que o Senhor nos concede para a edificação da sua obra, para a construção do seu Reino, e digamos como São Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou, e sua graça em mim não foi em vão” (1Cor 15,10).
Ainda um derradeiro aspecto, amados no Senhor. Nesta hodierna Solenidade somos chamados a refletir sobre o ministério de Pedro na Igreja. Simão por natureza foi feito Pedro pela graça. Pedro quer dizer pedra. Eis, portanto, Simão Pedra. “Tu és Pedro e sobre esta Pedra eu edificarei a minha Igreja. Eu te darei as chaves do Reino” (Mt 16,16ss). Caríssimos, o ministério petrino é mais que a pessoa de Pedro. Seu serviço será sempre o de confirmar os irmãos na fé em Cristo, Filho do Deus vivo, mantendo a Igreja unida na verdadeira fé apostólica e na unidade católica. É este o ministério que até o fim dos tempos, por vontade do Senhor, estará presente na Igreja na pessoa do Sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, a quem chamamos carinhosamente de Papa, pai. O Papa é o Pastor supremo da Igreja de Cristo porque somente a ele o Senhor entregou de modo supremo o seu rebanho. Aquilo que entregou aos Doze e a seus sucessores, os Bispos, entregou de modo especial a Pedro e a seus sucessores, o Papa: “Tu me amas mais que estes? Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21,15). Estejamos atentos, caríssimos: nossa obediência, nossa adesão, nosso respeito, nossa veneração pelo Santo Padre não é porque o achamos simpático, sábio, ou de pensamento igual ao nosso, mas porque ele é aquele a quem o Senhor confiou a missão de confirmar os irmãos. Nossa certeza de que ele nos guia em nome de Cristo vem da promessa do próprio Senhor: “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31-32). É porque temos certeza da eficácia da oração de Jesus por Pedro e seus sucessores, que aderimos com fé ao ensinamento do Santo Padre. Estejamos certos de uma coisa: quem não está em comunhão com o Papa está fora da plena comunhão visível com a Igreja de Cristo, que é a Igreja católica.
Assim, rezemos hoje pelo Papa Bento XVI. E acompanhemos nossa oração com um gesto concreto: a esmola, o óbolo de São Pedro, aquela contribuição que no dia de hoje os católicos do mundo inteiro devem dar para as obras de caridade do Papa por todo o mundo. Assim, com as mãos e com o coração rezemos pelo Santo Padre, o Papa Bento: Que o Senhor nosso Deus que o escolheu para o Episcopado na Igreja de Roma, o conserve são e salvo à frente da sua Igreja, governando o Povo de Deus, de modo que o povo cristão a ele confiado possa sempre mais crescer na fé. Amém.
 D. Henrique Soares da Costa
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:

LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)                                             Mt 16, 13-19
O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, O NOSSO DEUS.
à Por Jesus, com Jesus e em Jesus, na força do espírito santo, louvemos ao Pai:
T:  louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
1 Senhor, nosso Deus, nós vos louvamos pela vossa bondade. Vos agradecemos pelo carinho com que nos criastes e pelo ardor com que nos sustentais. Sabemos que não nos abandonais em nossas dificuldades e em nossas lutas do dia a dia.
T :  louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
2 Pai, hoje nos falastes, através de Pedro, que Jesus é o messias, o vosso Filho enviado para que possamos, através dele, alcançar o Vosso Reino.
T:  louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!
3 Pai, dai-nos força e coragem para que possamos, um dia, dizer como Paulo: “Combati um bom combate”. Sabemos que é difícil anunciar o Vosso Reino neste mundo de injustiças, de poder opressor, de ganância pelo lucro e cheio de corrupção. Dai-nos a coragem de Paulo e o ardor de Pedro para que sejamos corajosos em construir o Vosso Reino.
T:  louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade!  
à PAI NOSSO... A Paz de Cristo...  Eis o Cordeiro...