terça-feira, 12 de janeiro de 2016

2º DOMINGO DO Tempo Comum, subsídios, homilias

2º DOMINGO DO TC C 2016 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Sinopse:
Tema: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” A liturgia de hoje apresenta O casamento como imagem de amor que Deus estabeleceu com o seu povo.  A relação de amor que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa).
A primeira leitura o amor de Deus continuamente renova a relação e transforma a esposa.
Evangelho: no contexto de um casamento Jesus apresenta aos homens o Pai que os ama, e que com o seu amor os convoca para a alegria e a felicidade.
A segunda leitura fala dos “carismas” – dons, através dos quais o amor de Deus continua a manifestar-se. É na comunidade que o amor de Deus se manifesta através da diversidade de dons e carismas. Amando, perdoando, auxiliando, você está sendo o instrumento de Deus agindo em seu povo.

LEITURA I – Is 62,1-5 -... Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predileta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predileta do Senhor e a tua terra terá um esposo. Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

AMBIENTE Trito Isaías: Jerusalém pós-exílica. Esperam a restauração do Templo com uma Jerusalém nova, outra vez bela e cheia de “filhos”, que viva, finalmente, em paz.

MENSAGEM - A imagem do amor do marido pela esposa é uma imagem feliz do imenso amor de Deus pelo seu Povo. Deus que não esquece o seu amor e que, apesar das falhas da esposa no passado, continua a amar. 

ATUALIZAÇÃO ♦O amor de Deus está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro; e esse amor gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos.
Viver em relação com o Deus/amor implica também dar testemunho.

EVANGELHO – Jo 2,1-11 - ... Em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois o inferior». Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

AMBIENTE o autor apresenta Jesus e o seu programa. O episódio pertence à categoria dos sinais. Apresentar o programa de Jesus: trazer à relação entre Deus e o homem o vinho da alegria, do amor e da festa.

MENSAGEM A antiga “aliança”: tornou-se uma relação seca, sem alegria, sem amor e sem festa, que já não potencia o encontro amoroso entre Israel e o seu Deus. Esta realidade de uma “aliança” estéril e falida é representada pelas “seis talhas de pedra destinadas à purificação dos judeus”.
O número seis evoca a imperfeição, o incompleto; a “pedra” evoca as tábuas de pedra da Lei do Sinai e os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel (cf. Ez 36,26); a referência à “purificação” evoca os ritos e exigências da antiga Lei que revelavam um Deus susceptível, zeloso, impositivo, que guarda distâncias: Deus terrível…
As talhas estão “vazias”, porque era inútil: não servia para aproximar o homem de Deus. 
A “mãe”: ela “estava lá”, pertence à boda; se apercebe da situação (“não têm vinho”): representa o Israel fiel e infeliz.
O “chefe de mesa”: os dirigentes judeus que não se apercebem que a antiga “aliança” caducou.
Os “serventes” são os que colaboram com o Messias.
Jesus: é a Ele que o Israel fiel (a “mulher”/mãe) se dirige no sentido de dar nova vida a essa “aliança” caduca; mas o Messias anuncia que é preciso deixar cair essa “aliança” onde falta o vinho do amor (“que temos nós com isso?”).
A obra de Jesus é apresentar a novidade quando chegar a “Hora” (a “Hora” é, em João, o momento da morte na cruz  lição do amor total de Deus).
O episódio das “bodas de Caná” anuncia o programa de Jesus: trazer à relação entre Deus e os homens o vinho da alegria, do amor e da festa. Este programa – que Jesus vai cumprir paulatinamente ao longo de toda a sua vida – realizar-se-á em plenitude no momento da “Hora” – da doação total por amor.

ATUALIZAÇÃO Quando a relação com Deus fica apenas em ritos externos, de regras e de obrigações, a religião torna-se insuportável. Ora, Jesus veio revelar-nos Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”: o “vinho” do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos.
O que é que mostramos aos outros: a alegria ou a tristeza de nossa religião?
Com qual dos personagens da “boda” nos identificamos: com o chefe, comodamente instalado numa religião estéril, vazia e hipócrita, com a “mulher”/mãe que pede a Jesus que resolva a situação, ou com os “serventes” que vão fazer “tudo o que Ele disser” e colaborar com Jesus no estabelecimento da nova realidade?

LEITURA II – 1 Cor 12,4-11 - Irmãos: Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.

AMBIENTE -  “Carisma” é certos “dons especiais” concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas em benefício da comunidade. Criavam individualismo e divisão na comunidade. É a este problema que Paulo procura responder.

MENSAGEM - Paulo deixa claro que, apesar da diversidade, todos eles se reportam ao mesmo Deus. Mais: cada um dos crentes possui o Espírito e, portanto, de diversos modos e medidas, recebe “carismas”. Esses “carismas” não sejam usados de forma egoísta, mas ao serviço do bem comum. Não faz sentido discutir qual é o “carisma” mais importante. Também não faz sentido que os possuidores de “carismas” se considerem “iluminados” e se confrontem com o resto da comunidade. Faz ainda menos sentido considerar que há cristãos de primeira e cristãos de segunda… É o mesmo Deus uno e trino que a todos une; a comunidade tem de ser o espelho dessa comunidade divina, da comunidade trinitária.

ATUALIZAÇÃO - A comunidade cristã tem de ser o reflexo da comunidade trinitária.
♦somos todos membros de um único corpo, com diversidade de funções e de ministérios. A diversidade de “dons” não pode ser um fator de divisão ou de conflito, mas de riqueza para todos. Os “dons” que Deus nos concede são sempre postos ao serviço do bem comum e não servem para nos autopromover.

5. À ESCUTA DA PALAVRA. - A água é um elemento vital. Mas é um elemento simples e comum. A água encontra-se na natureza, não precisa de ser fabricada. O vinho é fruto da vinha, mas também do trabalho do homem.
Jesus manda encher as talhas de água, a água que é símbolo da nossa vida ordinária, de todos os dias. Jesus toma esta água ordinária para a transformar com a força do Espírito Santo. Toma a nossa vida, com as nossas alegrias, amores, conquistas, nossos tédios, os nossos dias sem gosto e sem cor, os nossos fracassos e mesmo os nossos pecados, também eles ordinários. E aí, Ele “trabalha-nos” pelo seu amor para fazer brotar em nós a vida que tem o sabor do vinho do Reino.

 OUTRO ÂNGULO DAS bodas de Cana : Cana à é verbo, = ADQUIRIR.
Casamento = no antigo Testamento significa = Aliança de Deus com a humanidade.
Quem é o Noivo? = Deus (Jesus) - Quem é a Noiva? = o povo, (representada por Maria).
Quem são os convidados? – Jesus, discípulos
Qual casa que tem 6 talhas, cada uma de mais ou menos 100 litros? – só um lugar. É o templo.
Água = é o símbolo da vida biológica, o que sustenta a vida.
Vinho = vida plena. Vinho novo = plenitude, abundância (que só se dá após a morte) (e a plenitude de Jesus se dá no alto da cruz.)
 


                                                                           vida                         plenitude, abundância.
                                                                          plena                                        
                                       Vida

No batismo é para o cristão, a primeira morte. Adquire vida nova. Somos transformados pela água em vinho. E ao passarmos pela morte, se torna vinho novo, plenitude, abundância.
- Não será o batismo a festa de casamento de Caná? Onde somos adquiridos por Deus?
- O Mestre sala = o batizando. É ele que experimenta o vinho novo. É o discípulo amado.
- Jo 19,28-30 - No primeiro milagre  Jesus pede água e transforma em vinho.
Na cruz, pede água. O que trazem? Vinagre. É Vinho estragado. Vinho estragado é morte, deterioração, vida “sem graça”. O que Jesus pode fazer? – nada. “Tudo está consumado”.
- No primeiro milagre, pede água, manifesta sua glória e seus discípulos; “creram nele”. Agora, diz tenho sede e lhe dão vinagre. Não tem jeito; tudo está consumado.
- No primeiro caso, Maria diz; “eles não têm MAIS vinho”. Se Maria é a noiva e representa o povo, o que Maria lhe diz na cruz? – Não tem Mais vinho. Deixaram estragar tudo. E  não tem mais as talhas de cem litros. Apenas um baldinho com vinho azedo, estragado; vinagre; molham uma esponja e  lhe dão; tudo está consumado!
-  Se não tiver a festa, estraga tudo e sobra vinagre. Aí danou tudo; tudo está consumado. Todo domingo celebramos, festejamos o Dia do Senhor. É na Eucaristia que se dá a grande festa, a grande transformação. (pelo mistério desta água e deste vinho, que a nossa humanidade possa participar da glória de vosso Filho e nos sirva de mérito para nossa salvação).
-
O mestre sala somos nós que podemos experimentar o Vinho Novo, a Vida nova.
Antes, quando Maria lhe diz que não tem mais vinho, Jesus lhe diz: “o que queres que eu faça, não chegou a minha hora”. Agora, na hora certa, na cruz, Jesus lhe dá o discípulo amado.
Maria é a nova Eva, Maria é a noiva, Maria é o povo, Maria é a Igreja.

O casamento quem faz é o Pai. Casamento é o pacto entre Deus e a humanidade.
Jesus veio fazer a vontade do Pai. Ele é o convidado a executar a obra.
Sua primeira coisa a fazer, segundo Marcos, é ser batizado no Jordão;  Faz a conversão para Deus. É o grande convidado. O noivo é o batizando, o que experimenta o vinho novo. Quem cria a casamento e a festa é o Pai. O casamento se dá na cruz. Caná significa adquirir. Na cruz onde somos adquiridos.

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Em Caná

Após as festas natalinas, inicia o Tempo Comum, em que revivemos os principais Mistérios da Salvação.

Com a imagem do CASAMENTO, a liturgia apresenta a relação de amor, que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa).
Nossa alegria é saber que Deus garante a alegria dessa festa.

Na 1ª Leitura, a imagem do CASAMENTO revela a profunda união que existe entre Deus e a Humanidade. (Is 62,1-5)

Deus se casou com o seu Povo. Ele é o Esposo e Israel, a Esposa.
Deus é eternamente fiel, a esposa às vezes se afasta de Deus e vai atrás de outros amores, adora outros deuses.

A 2ª Leitura fala dos "carismas", dons, através dos quais o amor de Deus continua a se manifestar. (1Cor 12,4-11)

Como sinais do amor de Deus, eles destinam-se ao bem de todos.
É essencial que na comunidade cristã se manifeste, apesar da diversidade de membros e de carismas, o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O Evangelho fala das Bodas de Caná. (Jo 2,1-11) Aí Jesus realiza o primeiro milagre, "Sinal" de uma realidade mais profunda: mostrar aos homens o Pai, que os ama, e os convoca para a alegria e a felicidade plenas.
A festa do Reino já está acontecendo. Jesus é o Noivo, que já está no mundo, para celebrar o casamento de Deus com a humanidade.

O CENÁRIO DO CASAMENTO  reflete o contexto da "ALIANÇA" entre Israel e o seu Deus.
A essa "aliança", em certo momento, vem a faltar o vinho. O "vinho" é símbolo do amor entre o esposo e a esposa, da alegria e da festa.
Constata-se que a antiga "aliança" tornou-se uma relação seca, sem alegria, sem amor e sem festa, que já não
proporciona o encontro amoroso entre Israel e o seu Deus.

Esta realidade de uma "aliança" estéril e falida é representada pelas "seis talhas de pedra destinadas à purificação dos judeus". - O número seis evoca a imperfeição, o incompleto;
- a "pedra" evoca as tábuas de pedra da Lei do Sinai e os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel;
- a referência à "purificação" evoca os ritos e exigências da antiga Lei que revelavam um Deus impositivo, que guarda distâncias.
  Um Deus assim pode-se temer, mas não amar...
- As talhas estão "vazias" porque todo este aparato era inútil e ineficaz: não servia para aproximar o homem de Deus, mas sim para o afastar desse Deus difícil e distante.
- As "Bodas de Caná sem vinho" representam a situação do povo, desiludido e insatisfeito. O amor foi substituído pela observância da lei...
- "Façam tudo o Ele disser":
  Agora Jesus fará a passagem do Antigo para o Novo. E o novo é melhor...

OS PERSONAGENS apresentados:

- A "Mãe": é Previdente: nota primeiro o problema; "não têm mais vinho".
    É Providente: aponta um caminho: Cristo...
    É Perseverante: não desiste diante da aparente indiferença de Jesus:
- O "Chefe de mesa": representa os dirigentes judeus, que não percebem que a antiga "Aliança" já caducou.
- Os "Serventes" são os que colaboram com o Messias, que estão dispostos a fazer tudo "o que ele disser"   para que a "Aliança" seja revitalizada.
- JESUS: é a Ele que o Israel fiel (a "mulher"/mãe) se dirige no sentido de dar nova vida a essa "aliança" caduca.
  A obra de Jesus não será preservar as instituições antigas, mas realizar uma profunda "transformação"...
  Ele veio trazer à relação entre Deus e os homens o vinho da alegria, do amor e da festa...
  Isso acontecerá quando chegar a "Hora".
  Jesus acolheu o pedido da mãe... e a alegria continuou até o fim da festa...

+ As Bodas continuam... e somos também convidados...
Quando a relação com Deus se resume num jogo complicado de ritos externos, de regras e de obrigações que é preciso cumprir, a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime.

Jesus veio nos revelar Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos.
É esse o "vinho" que Jesus veio trazer para alegrar a "aliança": o "vinho" do amor de Deus, que produz alegria e
que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos.

- A nossa "religião" é um encontro com o Jesus, que nos dá o vinho do amor?
- O que os nossos olhos e os nossos lábios revelam aos outros:   a alegria que brota de um coração cheio de amor,   ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de leis e de medo?

+ Com que personagem das "Bodas" nos identificamos?
   - com o chefe de mesa, comodamente instalado numa religião estéril e vazia,
   - com a "mulher"/mãe que pede a Jesus que resolva a situação,
   - ou com os "serventes" que vão fazer "tudo o que ele disser" e colaborar com Jesus no estabelecimento da nova realidade?

                                   Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, hoje temos dois casais celebrando vinte e cinco anos de vida matrimonial. Em momento oportuno, iremos dar a benção para todos os casais presentes, porque hoje celebramos, neste segundo domingo do tempo comum, a bodas de Caná. Se quisermos comtemplar a boda de Caná, nós vamos verificar que Jesus realiza o que foi prometido pelo profeta Isaías. Isaías diz com muito clareza: por amor de Sião, não me calarei. Por amor a Jerusalém não descansarei enquanto não surgir nela o luzeiro da justiça e não se acender nela uma tocha salvação. Então, Deus promete restaurar a Justiça e salvar a humanidade. Ele, Deus, na primeira leitura diz: Eu farei isto, porque amo a humanidade, como a donzela  é amada pelo seu noivo, assim Eu amo toda a humanidade. Então, veja, que a imagem do amor de Deus se traduz na imagem do amor de um casal. Amor, salvação,  justiça: eu afirmo que somente Deus ama plenamente, pratica a justiça plenamente e salva plenamente as pessoas. Por mais que eu queira ser justo, por mais que eu queira salvar o irmão, por mais que eu ame alguém, eu não farei isto com a mesma plenitude, perfeição de Deus. Por isso, sem Deus em nossa vida, não somos capazes de amar plenamente, praticar a justiça plenamente,  salvar plenamente as pessoas. Agora, como estar com Deus, se Deus é inatingível? É aí que nós dizemos: Deus amou tanto o mundo, que envia o seu Filho para que o mundo possa conhece-lo. Já que eu não consigo chegar até Deus, Deus veio ao nosso encontro. Isto acontece na pessoa de Jesus de Nazaré. Portanto, quando nós ouvimos a boda de Caná, é bom nós ampliarmos a nossa visão. Não se trata de um casamento qualquer, e nem um mágico, que transforma água em vinho. É algo muito mais profundo. Quem vai até Caná, na Galiléia, vai perceber que lá existem escavações, estudos arqueológicos, que comprovam, que naquele local, a cidade se reunia para celebrar as suas festas. Cidade, relativamente pequena, as casas sem acomodação, de forma então, era costume, um casamento, um aniversário, qualquer coisa, era costume celebrar naquele local. Se quiséssemos falar na linguagem de hoje, diríamos era um “Buffet”, onde as pessoas se encontram, porque não há espaço em casa, é muito mais prático organizar um local. Nós também sabemos, que organizando em casa ou em outro local, quem é que sabe a quantidade a ser servida na festa?  Só quem está muito por dentro desta festa. Um convidado não vai saber o quanto tem ainda para ser servido. Só quem ajudou a organizar a festa é que sabe isto. E, Nossa Senhora chega para Jesus e diz: eles não tem mais vinho. Então, ela é alguém que está muito a par da organização desta festa. O Evangelho nos dá outra informação importante: somente sabiam da procedência do vinho que foi servido, quem estava servindo os convidados. Tanto é que Nossa Senhora sabe, porque é ela quem manda: obedecer e fazer tudo o que Jesus falar. Aqueles que tiraram a água sabem, porque estavam servindo na festa. Primeira coisa, para eu saber de onde vem o vinho oferecido por Jesus, eu sou chamado a servir. Se eu não servir, eu não saberei a procedência deste vinho. Nem o mestre sala sabia. Nem os donos da festa, os noivos, mas só que estava servindo.
Ora, existe um segundo dado importante: Nossa Senhora disse: faça tudo o que Ele vos disser. Portanto, se eu quiser saber a procedência do vinho, eu sou convidado a me por em serviço e fazer tudo o que Jesus me pede. O que Ele me pede? Continuar aquilo que Ele iniciou. O que Ele iniciou? Ele inaugura o Reino de Deus, onde você tem o amor, a justiça e a salvação.
Ora, o vinho que Jesus oferece, ninguém pode fazer um igual. Não é apenas pegar as uvas, tratar, fermentar... não. Este é um vinho que só Ele tem a disposição. Tomou o cálice com vinho e disse: Tomai e bebei: isto é meu sangue. Não é qualquer vinho. É um vinho ofertado por Jesus. E, Ele disse: já não mais beberei do fruto da videira, até que vamos beber juntos no Reino dos Céus. Portanto, o vinho que Ele oferece é uma Celebração, um sinal, do Reino de Deus. Aliás, o próprio João Evangelista vai dizer: este foi o primeiro sinal, que Ele realizou em Caná da Galiléia. Sinal é uma palavra que também significa Milagre. Sinal vem da palavra semente. É uma semente que foi plantada, para que as pessoas possam cultivá-la. A semente plantada é a fé, que deve ser cultivada. O Batismo é uma semente. O matrimônio é uma semente. Os sacramentos são sementes para serem cultivados. Milagre vem da palavra Flesch, luz, para que você possa enxergar com mais nitidez, mais clareza. Por isso, o gesto de Jesus é para que seja plantada a fé nas pessoas. João Evangelista vai dizer: este milagre foi feito para que os discípulos pudessem acreditar. Por que ele tira Maria? Porque Nossa Senhora já acreditou, desde o momento da sudação do anjo. Este sinal é para que nós, seus discípulos, possam crer em Jesus. Ora, quem crê, fará o que Ele manda. O que Ele manda, é que possamos, de fato, junto com Ele, participar do seu Reino. Então, somos convidados, além do serviço, além de crer, colocar a disposição para o trabalho. Aí é que entra a segunda leitura, onde diz, que cada um tem o seu dom e cada um motivado pelo Espírito Santo, para realizar estes dons. Ora, então, sou chamado a realizar a Justiça, o amor e  a salvação. Não importa se vou ou não conseguir cem por cento. O importante é o tentar ser justo, tentar amar, tentar salvar o irmão de qualquer que seja a sua necessidade.
Então, cada vez que eu participo da Celebração Eucarística (missa), eu participo deste boda, onde Deus estabelece a sua aliança com o povo, onde sou alimentado por este vinho que não existe em lugar nenhum, porque Ele é oferecido por Jesus. É o vinho que me ajuda a Celebrar o Reino de Deus, é o vinho que me leva para a vida eterna. Jesus diz: quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.
Celebrar este pão e este vinho, é celebrar o que nos leva à eternidade. Tanto o batismo, eucaristia ou qualquer outro sacramento, nos garante vida eterna, porque é a promessa de Deus, que é realizada na pessoa de Jesus.  Agradecer sempre a Deus e sempre participar desta boda é o mínimo que fazemos, diante da grandeza que Ele nos oferece.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PADRE PEDRINHO – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

Em certo sentido, a liturgia da Palavra deste segundo Domingo comum, ainda está ligada ao Santo Natal, tempo da manifestação do Senhor. Na liturgia da Igreja antiga, a festa da Epifania, da Manifestação, celebrava, de uma só vez e num só dia, a visita dos Magos, o batismo de Jesus e as bodas da Caná. São três momentos da Manifestação do Senhor: aos Magos, ele se manifestou como Rei dos Judeus pelo brilho da Estrela; no batismo, o Pai o manifestou como Messias de Israel, ungindo-o com o Espírito Santo para a missão e, em Caná, Jesus manifestou a sua glória ao transformar a água em vinho, e os seus discípulos creram nele. Portanto, estamos ainda em clima de Manifestação, de Epifania daquele que veio do Pai para nossa salvação; e é neste contexto que as leituras da Missa de hoje devem ser interpretadas.
Comecemos por observar que o evangelho narra uma festa de casamento e não informa nada sobre o nome dos noivos… É de caso pensado! O Evangelista tomou um fato histórico e deu-lhe um sentido espiritual e teológico: o verdadeiro noivo é o Cristo, Deus em pessoa que vêm desposar sua esposa, o povo de Israel e, mais precisamente, o novo Israel, a Igreja, representada pela Mulher – a Virgem Maria! Tudo, na perícope do evangelho, fala disso: porque o Messias-Esposo chegou, a água da Antiga Aliança (água da purificação segundo os ritos judaicos da Lei de Moisés) é transformada no vinho da Nova Aliança (o vinho, símbolo da alegria e da exultação do Espírito Santo, que é fruto da morte e ressurreição do Senhor). É esta a glória que Jesus manifestou, é este o sinal! “Sinal” não é um simples milagre; “sinal” é um gesto do Senhor Jesus, carregado de sentido profundo, que revela sua pessoa, sua missão e sua obra de salvação. “Este foi o princípio dos sinais de Jesus… e seus discípulos creram nele”. Na verdade, o sinal de Caná, é uma preparação uma antecipação da Páscoa, quando o Cristo, Esposo ressuscitado, desposará para sempre a Igreja, dando-lhe como dote eterno, o dom do Espírito: “Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro, e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente” (Ap 19,7s). Por isso, a exultação da primeira leitura de hoje. Saudando o povo de Deus, o novo Israel, a Igreja-Esposa, o profeta afirma: “As nações verão a tua justiça; serás chamada por um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão de teu Deus. Não mais te chamarão abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria do teu Deus”. Maria, a Virgem-Mulher do evangelho de hoje é, pois, imagem viva da Igreja-Esposa, desposada na Nova e Eterna Aliança!
Esta Aliança não é mais aquela de Moisés. A Antiga Lei passou; passaram os antigos preceitos, as antigas observâncias, as coisas antigas! Não esqueçamos o Prólogo de João, tantas vezes ouvido no Natal: “A Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). Esta Nova Aliança não se funda em uma lei de preceitos escritos, mas na Nova Lei, que é o Espírito de amor, derramado nos nossos corações. O Espírito que o Cristo derramou sobre nós com a sua morte e ressurreição é a alma, a lei, a vida da Igreja-Esposa, novo Israel, novo povo de Deus. Por isso, a segunda leitura da Missa de hoje nos apresenta toda a vida da Igreja, tão rica e dinâmica, como sendo fruto da ação animadora e sustentadora do Espírito Santo: “A cada um de nós é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum”, isto é, em vista da edificação da Igreja, Corpo e Esposa de Cristo!
O que nos fica da Liturgia da Palavra de hoje? A gratidão ao Cristo por ter vindo, por ter manifestado sua glória em nosso mundo tão pobre e na nossa vida tão ameaçada pelas trevas. Fica também essa consciência que somos o povo de Deus da Nova Aliança, povo nascido da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo; povo nascido na força do Espírito Santo que ele nos concedeu. Fica ainda a certeza que ele permanece conosco, alimentando e construindo sua Igreja-Esposa na força do Espírito Santo. Esta Igreja é a una e santa nossa mãe católica. Ela foi eternamente desejada, escolhida, amada pelo Esposo Jesus; ela foi desposada quando ele se fez homem e por ela morreu e ressuscitou! Lembremo-nos das palavras do Apóstolo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la, com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,25-27). Por isso a Igreja será sempre Esposa, será sempre bela, sem mancha nem ruga, será sempre santa, apesar dos pecados de seus membros! Ela é a Amada, a Escolhida… a ornada com o a jóia do Espírito Santo! Se formos fiéis a esse Espírito, vinho novo do Reino de Deus, seremos pessoas novas na nossa vida: novos sentimentos, novo modo de ver e de agir, de sentir e de enfrentar as situações da vida. Nem os fracassos, nem as tristezas, nem as lágrimas, nem mesmo a morte poderão nos tirar a alegria e a certeza de viver! Fica também a certeza certíssima, de que como Igreja, como Comunidade dos discípulos de Cristo, o Espírito nos vivifica, nos guia, nos une e nos conduz sempre. Não temamos, não sejamos frios, não sejamos frouxos! O Cristo que habitou entre nós, conosco continua na potência do seu Espírito Santo. Se formos fiéis à sua ação, nossa Comunidade será viva, os carismas e ministérios serão abundantes, a alegria de ser e viver como Comunidade não faltará, o nosso testemunho de Jesus Cristo será entusiasmado e convincente e a nossa esperança será inabalável, mesmo diante das dificuldades do mundo e da vida… mesmo diante da morte!
O Senhor manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele! O Senhor se manifesta agora, pela sua Palavra e pela sua Eucaristia, e nos reúne na força amorosa do Espírito Santo! Creiamos! E que nossa Eucaristia seja toda ungida, toda doçura, toda renovação da nossa vida em Cristo: “Felizes aqueles que foram convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19,9). Felizes somos nós, que vivemos em Cristo, ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.
 D. Henrique Soares da Costa









Louvor: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
O Senhor esteja convosco... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao Pai:
- T: Senhor nosso Deus, nós vos bendizemos!
à Nós vos louvamos pelo vosso amor por nós e vos agradecemos por nos enviar vosso Filho para que um novo povo se formasse. Pai, pedimos por todos os casais para que sejam sinal de vosso amor. Que eles saibam se respeitar e saibam educar seus filhos no vosso amor.
T: Senhor nosso Deus, nós vos bendizemos!
à Senhor, nosso Deus! Sois bondade e amor. Deixai que Maria nos trate como tratou vosso Filho. Que ela possa nos socorrer em todas as nossas dificuldades e sofrimentos. Que ela possa nos proteger e nos guiar em vossos caminhos.
T: Senhor nosso Deus, nós vos bendizemos!
àSenhor, Vos louvamos e agradecemos pela nossa vida e pelo nosso batismo, pois foi Vós que nos acolhestes como filhos prediletos. Pai, quando vacilarmos, reconduzi-nos ao vosso caminho. Quando nos abatermos pelas dificuldades, sede a nossa força e nosso amparo,  para que possamos seguir os passos de vosso Filho Jesus Cristo na construção de vosso Reino.
T: Senhor nosso Deus, nós vos bendizemos!
àElevemos ao Pai a oração que Jesus nos ensinou: Pai nosso... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Batismo do Senhor, I domingo do tempo comum, subsídios homiléticos, homilias

1º DOM. DO T. Comum. BATISMO DO SENHOR
(Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: O Batismo do Senhor
No Baptismo de Jesus revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Jesus fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e libertou-nos do egoísmo e do pecado para que pudéssemos chegar à vida plena.
A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Animado pelo Espírito, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade.
No Evangelho Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens.
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar a todos os povos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 42,1-4.6-7) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz Minh’ alma; pus meu espírito sobre ele; ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

AMBIENTE - Deutero-Isaías (cf. Is 40-55) é um profeta da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética na Babilónia, entre os exilados judeus, entre 550 e 539 a.C.; os judeus exilados estão frustrados, a libertação tarda… Será que Deus se esqueceu do seu Povo? O Deutero-Isaías aparece, então, com uma mensagem destinada a consolar os exilados. Começa por anunciar a iminência da libertação à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).
No meio desta proposta “consoladora” aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13- que falam de uma personagem misteriosa e enigmática, que os biblistas designam como o “Servo de Jahwéh”: a quem Deus chamou, confiou uma missão e  o enviou aos homens; a sua missão cumpre-se no sofrimento para o perdão do pecado do Povo.

MENSAGEM - O nosso afirma que o “Servo” é um “eleito” de Deus, em vista da missão especial (cf. Nm 16,5.7; 17,20; Dt 4,37; 7,6.7; 10,15; 14,2; 18,5; 21,5; 1 Sm 2,28; 10,24; 2 Sm 6,21; 1 Re 3,8; etc.).
A “ordenação” do “Servo” realiza-se através do dom do Espírito (“ruah”), que dará ao “Servo” o alento de Jahwéh, a capacidade para levar a cabo a missão. A implementação dessa “nova ordem” não se dará com o recurso à força, à violência, ao espetáculo, mas com a bondade, a mansidão e a simplicidade que definem a lógica de Deus.
Na segunda parte (vers. 6-7), começa-se por afirmar que o “Servo” foi “chamado” a instaurar “a justiça”. Deus convida-o a ser “a luz das nações” e, a abrir os olhos aos cegos, a tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas. É, portanto, uma missão de libertação e de salvação.

ATUALIZAÇÃO - • A história do “Servo” mostra-nos que Deus atua através de instrumentos a quem Ele confia a transformação do mundo e a libertação dos homens. Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir os meus compromissos quanto a esta questão? Os pobres, os oprimidos, todos os que “jazem nas trevas e nas sobras da morte” podem contar com o meu apoio e empenho?
•  É Deus que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a missão… Aquilo que eu faço, por mais válido que seja, não é obra minha, mas sim de Deus; o meu êxito na missão não resulta das minhas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em mim e através de mim.

SALMO RESPONSORIAL / SI 28 (29)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
• Filhos de Deus, tributai ao Senhor, / tributai-lhe a glória e o poder! / Dai-lhe a glória devida ao seu nome; / adorai-o com santo ornamento!
• Eis a voz do Senhor sobre as águas, / sua voz sobre as águas imensas! / Eis a voz do Senhor com poder! / Eis a voz do Senhor majestosa.
• Sua voz no trovão reboando! / No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” / É o Senhor que domina os dilúvios; / o Senhor reinará para sempre!

EVANGELHO (Lc 3,15-16.21-22) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”. Palavra da Salvação.

AMBIENTE - João Baptista anunciava a proximidade do “juízo de Deus”. A sua mensagem estava centrada na urgência da conversão e incluía um rito de purificação pela água.
O “batismo” proposto por João não era uma novidade. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água, sempre ligados a contextos de purificação ou de mudança de vida:  quem aceitava este “batismo” renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova.
O que é que Jesus tem a ver com isto? O aparecimento em cena de Jesus significa o começo de um novo tempo, o tempo em que o próprio Deus vem ao mundo, feito pessoa humana, para oferecer à humanidade a vida e a salvação.

MENSAGEM – O “messias” que “vai chegar” é definido por João como “aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno desatar as correias das sandálias”. “Desatar as correias das sandálias” era tarefa dos escravos. A missão é estar ao serviço desse “messias” que está para chegar. O “messias”, além de ser “mais forte” do que João, irá “batizar com o Espírito e com o fogo”. Tanto a fortaleza, como o baptismo no Espírito, são prerrogativas que caracterizam o Messias que Israel esperava (cf. Is 9,5-6; 11,2). O testemunho de João não oferece dúvidas: chegou o tempo do “messias”, o tempo da libertação que os profetas anunciaram, o tempo em que o Povo de Deus irá receber o Espírito. Na perspectiva de Lucas, esta “profecia” de João concretizar-se-á no dia de Pentecostes: o “fogo” do “messias”, derramado sobre os discípulos reunidos no cenáculo, fará nascer um Povo novo e livre, a comunidade da nova Aliança.
A cena do “batismo” identifica claramente esse “messias” anunciado por João com o próprio Jesus. O Espírito Santo, que desce sobre Jesus como uma pomba”, leva-nos a essa figura de “Servo de Jahwéh” apresentada na primeira leitura, que recebe o Espírito de Deus para levar “a justiça às nações”. Por outro lado, a “voz vinda do céu” apresenta Jesus como “o Filho muito amado” de Deus (vers. 22). A missão de Jesus será, como a do “Servo”, “abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas” (Is 42,7); para concretizar esse projeto, Ele irá “batizar no Espírito” e inserir os homens numa dinâmica de vida nova.

A abertura do céu significa a união da terra e do céu. A imagem inspira-se, provavelmente, em Is 63,19, onde o profeta pede a Deus que “abra os céus” e desça ao encontro do seu Povo. Desta forma, Lucas anuncia que a atividade de Jesus vai reconciliar o céu e a terra, vai refazer a comunhão entre Deus e os homens.
O símbolo da pomba não é, Provavelmente, símbolo do Espírito de Deus que, no início, pairava sobre as águas – cf. Gn 1,2) evoque a nova criação que terá lugar a partir da atividade que Jesus vai iniciar. A missão de Jesus é, portanto, fazer aparecer um Homem Novo, animado pelo Espírito de Deus.
Temos, finalmente, a voz do céu. Trata-se de uma forma muito usada pelos rabbis para expressar a opinião de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus é o Filho de Deus; e fá-lo com uma fórmula tomada desse cântico do “Servo de Jahwéh” que vimos na primeira leitura de hoje (cf. Is 42,1)… A referência ao Servo de Jahwéh sugere que a missão de Jesus, o Filho de Deus, não se desenrolará no triunfalismo, mas na obediência total ao Pai; não se cumprirá com poder e prepotência, mas na suavidade, na simplicidade, no respeito pelos homens (“não gritará, nem levantará a voz; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega” – Is 42,2-3).
Porque é que Jesus quis ser batizado por João? Jesus solidarizou-Se com o homem limitado e pecador, assumiu a sua condição, colocou-Se ao lado dos homens para os ajudar a sair dessa situação e para percorrer com eles o caminho da libertação, o caminho da vida plena. Esse era o projeto do Pai, que Jesus cumpriu integralmente.
A cena do Batismo de Jesus revela que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projeto de libertação em favor dos homens. Como verdadeiro Filho, Ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai; por isso, vem ao encontro dos homens, solidariza-Se com eles, assume as suas fragilidades, caminha com eles, refaz a comunhão entre Deus e os homens que o pecado havia interrompido e conduz os homens ao encontro da vida em plenitude. Da atividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade.

ATUALIZAÇÃO - • No episódio do Batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica… É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens e que, através da ação do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso Batismo, comprometemo-nos com esse projeto…
• O episódio do Batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irmãos mais desfavorecidos e estender-lhes a mão?
• No Batismo, Jesus tomou consciência da sua missão, recebeu o Espírito e partiu pelos caminhos da Palestina.

SEGUNDA LEITURA (At 10,34-38) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”. Palavra do Senhor

AMBIENTE - O texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesaréia, em casa do centurião romano Cornélio. Pedro entra na casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At 10,23b-48). Cornélio é o primeiro pagão a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova que nasce de Jesus se destina a todos os homens, sem exceção.

MENSAGEM - Pedro reconhece que a proposta de salvação oferecida por Deus e trazida por Cristo é universal. Cristo veio trazer a “boa nova da paz” (salvação) a todos os homens ou seja, a todo o homem e mulher, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, que aceita a proposta e adere a Jesus. 

ATUALIZAÇÃO - • Jesus de Nazaré “passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos”. Nos seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade, de amor, os homens encontraram o projeto libertador de Deus em ação… Esse projeto continua, hoje, em ação no mundo?

Fonte: Dehonianos

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Batismo de Jesus

A Liturgia de hoje nos apresenta o início da vida pública de Jesus.

Tudo começa com o BATISMO DE JESUS, cuja festa hoje celebramos. 

A 1ª Leitura fala de um misterioso "Servo" escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz. (Is 42,1-4.6-7)

A 2ª Leitura narra o Batismo de Cornélio. (At 10, 34-38)

Pedro dá seu testemunho e catequese na casa de Cornélio e no final batiza toda a sua família.
Cornélio é o primeiro pagão a ser admitido ao cristianismo por um apóstolo.

No Evangelho temos o Batismo de Jesus.
Jesus aparece como o Filho enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. (Lc 3. 15-16.21-22)

O Batismo de Jesus foi acompanhado de 3 fatos : (não é crônica...) :
- "Os céus se abriram...": Deus encerrou o seu silêncio...  abriu seu coração e voltou a ser amigo dos homens:
  É o momento da reconciliação entre o céu e a terra, entre Deus e os homens...
- "O Espírito Santo desceu como uma  Pomba":
  Relembra o início da criação onde o Espírito de Deus pairava sobre as águas...
- "Ouviu-se uma voz do céu...":
  Há 300 anos o povo não ouvia a voz de Deus pelos profetas...
  Ao enviar o  Espírito sobre Jesus, Deus voltou a falar com os homens...
  Era a TRINDADE presente... comemorando o grande acontecimento.

+ Jesus precisava receber o Batismo?
É claro que não. João até não queria batizar Jesus:
Mas Jesus queria mostrar que a sua atividade, que estava iniciando, seria a continuação daquilo que João Batista já estava anunciando...
Basta comparar os sermões de JB e os primeiros de JC: são idênticos...

* O Batismo de João: não era sacramento... (foram instituídos por Jesus).
Era um rito de iniciação à Comunidade Messiânica: Renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a Comunidade do Messias...
= Era uma antecipação do Batismo cristão, na "água e no Espírito".

+ O que significa o Batismo para nós?
- A Nicodemos, Jesus afirma: "Só se salvará quem renascer..."
- Na Ascensão, recomenda: "Ide... Batizai..."
- São Paulo resumia as obrigações e esperanças dos cristãos: "Pelo batismo, fomos adotados filhos..."

Sabemos o que realiza na pessoa:
  - Lava a mancha do pecado original...
  - Dá uma vida nova...
  - Nos torna membros do Povo de Deus e da Igreja...
  - Nos torna Filhos de Deus e herdeiros do céu.
   
Sabemos que tudo isso se realiza através de SINAIS:
- de PALAVRAS e GESTOS escolhidos por Deus
- de PESSOAS escolhidas por Deus (na Igreja)...


Para ser cristão, basta apenas receber o Batismo?

Ninguém duvida do valor e da eficácia do Batismo dado às crianças, mas a Igreja se pergunta: "Será oportuno batizar as crianças se os pais não praticam, não vivem o seu batismo?"
O que importa não é marcar a data do batismo, mas percorrer um caminho de fé...


O BATISMO nos tornou:

- CRISTÃOS: seguidores de Cristo...
- Para isso precisa:
    - Conhecer: estudar... ler... cursos... (Catequese permanente...)
    - Viver: o amor, o perdão, a fraternidade...
    - Anunciar: pela palavra, pela oração, pela ação...
    - Ser Membros do GRUPO de Cristo  (numa COMUNIDADE)...

+ "Este é o meu filho amado."

  Essa maravilha se renovou com cada um de nós, quando fomos batizados... 
  Ele só espera que conservemos essa vida divina que ele nos infundiu,  que vivamos o nosso Batismo...

Agradeçamos o grande dom do nosso Batismo... e peçamos forças para sermos fiéis a esse COMPROMISSO assumido...


                                     Pe, Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, estamos na festa do Batismo do Senhor e eu iniciei outras pregações chamando a atenção das pessoas: cada vez que participamos da Celebração Eucarística, é uma vez a mais que estamos participando, mas a Celebração Eucarística é sempre a mesma e única: é a mesma ceia, onde Jesus reúne seus discípulos, toma o pão e diz: Isto é o meu corpo, toma o vinho e diz: Isto é o meu sangue. Então, não existe duas, três ou dez missas (Celebração Eucarística). Existe duas, três, dez participações na mesma Celebração (missa). Isto, para nós cristãos católicos, não é simbólico, mas uma realidade. Agora, a Missa (Celebração Eucarística) possui uma liturgia. Na liturgia incluímos muitos símbolos. Hoje, por exemplo, estamos celebrando, simbolicamente, o Batismo do Senhor. Agora, se formos nos lembrar do domingo passado, nós celebrávamos o encontro dos Magos com Jesus na manjedoura. Hoje, estamos celebrando o Batismo do Senhor, o que significa que estamos celebrando trinta anos depois. Se eu não me der conta disso, vou achar que terminado a visita dos magos eles já foram batizar Jesus. Aí, eu formo toda confusão na minha compreensão e na celebração que eu participo. Então, é importante lembrar: o Batismo do Senhor, conforme os Evangelhos narram, acontece trinta anos depois do nascimento de Jesus. Então, damos aí um pulo de trinta anos. É evidente, que entre a Manjedoura e o Batismo de Jesus, a única informação que vamos ter é Jesus aos doze anos de idade, onde vamos ter Jesus com os doutores no Templo. É evidente também, que dos doze aos trinta anos, nós não temos informação alguma. O que dá margem para cada um falar o que quiser. E, ás vezes falar até bobagem, porque você encontrará livros e pessoas atestando que dos doze aos trinta anos Jesus foi para outro planeta se preparar. As pessoas não conseguem aceitar um Deus que é filho de um carpinteiro. Ele tem que ser de um outro mundo. Nós, cristãos católicos, cremos, que Jesus viveu uma vida tão normal, dos doze aos trinta anos, que não teve nada para ser relatado. Não teve nada que pudesse ajudar alguém em sua caminhada de fé. Portanto, não temos relato nenhum. Este fato é importante para nós compreendermos que dos doze aos trinta anos Jesus teve uma vida como a nossa. Normal. É evidente, que não é assim preciso, matemático, mas é aos trinta anos que acabamos definindo o rumo de nossa vida, a nossa vocação. É um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, mas é por aí. Então, aos trinta anos, Jesus será apresentado por João Batista para a humanidade. Por que com trinta anos? Não sabemos. Sabemos que aos trinta anos João Batista vai apresenta-lo dizendo: Este é o cordeiro que tira o pecado do mundo. Ora, Jesus foi procurar o batismo na pessoa de João Batista. À primeira vista, então, João é mais importante que Jesus. É isto que o Evangelho quer responder: João Batista vai dizer: eu só vim preparar o caminho. Ele é o messias, do qual eu não sou digno de desatar as correias da sua sandália. Isto é importante para deixar claro, que João Batista realiza uma missão e Jesus outra. Dou um exemplo: quando João Paulo II foi eleito papa, então, teve a celebração da entronização , onde cada cardeal oferece, promete fidelidade e obediência ao papa. É uma missa em que cada cardeal chega, se ajoelha, promete fidelidade, sai, vem outro. Na ocasião, estava presente um cardeal muito idoso. Na sua vez, foi fazer seu voto de fidelidade e obediência a João Paulo II. Quando João Paulo II viu aquele cardeal, ele se levantou e o abraçou e o velho cardeal fez questão de jurar obediência a ele. Quem era esse cardeal? Foi o que o ordenou presbítero (padre), que depois, se torna Papa. Ora, se nós formos pensar, este cardeal deveria ser mais importante que João Paulo II, porque se ele não o ordenasse padre (presbítero), João Paulo II nunca seria Papa. É que na Igreja não funciona assim. Existe o mais importante e o menos importante segundo sua missão. Existem missões diferentes. Se quisermos ler com os olhos da fé, a missão daquele cardeal era ordená-lo presbítero e a missão de João Paulo II era de ser Papa. Missões diferentes, importância igual. É assim, entre João Batista e Jesus. A missão de  João Batista era apresentar Jesus para a humanidade e a missão de Jesus era salvar a humanidade. Os dois realizaram muito bem a missão. Desta maneira fica claro que quem é o mais importante fica claro: cada um tem a sua missão. Como cada um de nós temos a nossa missão. Isto não quer dizer que um seja mais importante do que o outro: temos missões diferentes.  Dentro de minha missão, eu sou importante. Dentro de sua missão, você é importante. Todos são importantes. Não existe um mais importante que o outro. Diz o Evangelho, também, que, quando Jesus foi Batizado, o céu se abriu, o Espírito de Deus desceu como uma pomba e uma voz disse: Este é o meu Filho amado. Nós somos crentes na Palavra de Deus, por isso, cremos que Jesus é o Filho amado de Deus, porque assim foi dito. Mas, por que será que o céu se abre? Porque os profetas tinham dito: “já não mais vos falarei, até que meu servo falará por mim.” O que significa, que a comunicação entre o céu e a terra estava fechada. A partir de agora, o céu se abre novamente e Deus, diretamente, fala com as pessoas. Não há mais necessidade de intermediar. O Espírito Santo, como o pombo enviado como correio, não se perde. Como um pombo, o Espírito Santo sabe por onde voar. De tal maneira, que quem confia no Espírito Santo, nunca estará perdido, porque ele sabe, muito bem, por onde conduzir e por caminhos que só ele conhece.
Se formos ler o Antigo Testamento, todo ritual de purificação dizia assim: você deve oferecer um boi ou novilho para a purificação. Mas, se você for pobre, ofereça um pombo. De tal maneira, que São Lucas quer frisar muito bem, que Jesus veio evangelizar a partir dos pobres.
Quem quiser continuar a leitura do Evangelho de hoje, verá que logo no capítulo quatro, Jesus vai dizer: o Espírito do Senhor está sobre mim e Ele me ungiu para evangelizar os pobres. A imagem da pomba tanto representa o Espírito de Deus que sabe por onde andar, como também representa a missão de Jesus, que é a partir dos pobres.
Este Evangelho é riquíssimo em símbolos e mostra que Jesus foi aquele que assumiu a missão de ser o servo de Deus. Celebrar o Batismo de Jesus é celebrar o nosso Batismo, porque cada um de nós, quando foi batizado, o Espírito de Deus desceu sobre nós, o céu se abriu e Deus falou: você é meu filho amado. Será que nós cremos que somos o filho amado de Deus? Se cremos, podemos nos tranquilizar, porque na leitura diz: Eu te escolhi, eu te tomei pela mão e te conduzi. Como isto é importante nós lembrarmos, num momento de uma enfermidade, no momento de um desemprego, no momento de uma dificuldade qualquer, ás vezes, desarmonia no lar, ás vezes alguma injustiça que estamos enfrentando, qualquer que seja a dificuldade. Em situação difícil lembrar: Eu te tomei pela mão, eu te conduzo. Como Deus sabe como caminhar, a exemplo da pomba, se nos deixarmos conduzir por Deus, saberemos como enfrentar todos os obstáculos. Jesus acreditou tanto nisto, que enfrentou a morte e venceu a morte, porque sabia em quem estava depositando a sua confiança. Para que é esta promessa? Para todas as pessoas. Esta é a segunda leitura: Deus não faz distinção de pessoas. Basta que queiramos. Basta que aceitemos. Este é o grande convite da Celebração de hoje. Ao mesmo tempo relembrar do nosso Batismo ou retomar o nosso Batismo, porque a maioria, talvez, nem se lembre dele. E, caminhar, buscando realizar a missão. Temos a mesma missão de Jesus. Domingo passado Ele era apresentado como a luz das nações. Hoje quem é chamado a ser luz para os povos? Cada um de nós. Temos todas as condições, a exemplo de Jesus. A única diferença entre nós e Jesus é que Ele honrou o seu Batismo até o fim e às vezes, nós não honramos tanto. Esta é a diferença. Se honrarmos o nosso Batismo, veremos o que nós somos capazes de realizar.
Que Deus nos ajude a viver o que recebemos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André - SP


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Homilia de D. Henrique Soares

 A Festa de hoje encerra o sagrado tempo do Natal: o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!” (3,17).



Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!
Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz.
Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!
Uma última observação, muito importante: João diz: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Para os cristãos, não há batismo nas águas, mas somente Batismo no Espírito, simbolizado pela água (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao se fazer homem igual a nós! Mas este testemunho não é festivo, não é de oba-oba, mas um testemunho dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia!
Eis! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de sua Estrela atraiu a si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: ele é o Filho querido, ele é o Servo sofredor, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-o, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com ele e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares


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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):

 LOUVOR: (Quando o Pão Consagrado estiver sobre o altar)
Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao Pai:
O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor Nosso Deus...
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
à Pai, nós vos bendizemos, pois muitos profetas Vos anunciaram como um Deus vingativo, mas Vos apresentastes como um Deus pastor, que reúne e conduz o seu rebanho com amor e solicitude. Na nossa sociedade do consumo e do lucro, tão dura para quem perde, nós vos pedimos: que as nossas comunidades cristãs sejam lugares de reconforto e de esperança”.
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
à Oh Deus, nosso Pai, nós vos damos graças, porque manifestastes Vossa bondade e ternura para com a nossa humanidade; Fizestes nos renascer pela água do Batismo e nos renovastes no Espírito Santo. Que o Vosso Espírito Santo nos ensine a rejeitar o pecado e as paixões deste mundo e a viver no mundo presente como pessoas justas e cheias de amor para com todos.
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
à Senhor, nosso Deus e pai, que nenhum olhar pode ver, sois Bendito pela revelação que comunicastes no Batismo de Jesus, porque Vos manifestastes como o Pai de Jesus e nosso Pai e ainda nos revelastes o Espírito Santo. Nós Vos pedimos pelas crianças e pelos jovens que serão batizados neste ano. Pedimos também pelos pais e pelos catequistas para que possam transmitir o vosso amor a todos os vossos filhos.

Pai nosso... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...