sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ANO A 2017

SINOPSE:
Tema: “Em Cristo todos são chamados a ser santos” Deus tem um Plano de vida plena para todos e, ao longo da História, escolhe e envia pessoas,  para a realização desse Plano.
Primeira leitura: O Servo de Jahwéh – a quem Deus elegeu como sinal do projeto libertador.
Evangelho: João apresenta-nos Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro para nos libertar e nos dar o acesso à vida plena.
Segunda leitura: A carta aos coríntios; os batizados são chamados a viver os valores do Reino.

PRIMEIRA LEITURA (Is 49,3.5-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
O Senhor me disse: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz nas nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.

AMBIENTE - O Deutero-Isaías é um profeta da época do exílio na Babilônia, entre os exilados.  A sua mensagem – de consolação e de esperança – A missão do Servo de Jahwéh cumpre-se no sofrimento e no meio das perseguições; mas do sofrimento do Servo resultará a redenção para o Povo. No fim, o Servo será recompensado por Jahwéh e será exaltado. Aqui, esse Servo seria a figura do Povo de Deus, chamado a ser testemunha de Jahwéh no meio dos outros povos.

MENSAGEM - É Deus que escolhe, chama e envia: Israel existe porque Deus o escolheu entre todos os povos, revelou-lhe o seu rosto, constituiu-o como Povo, libertou-o da escravidão, conduziu-o através do deserto e estabeleceu com ele uma relação especial de comunhão e de aliança.
A eleição e a aliança pressupõem a missão e o testemunho. A missão de “reconduzir Jacob e reunir Israel” a Jahwéh: Israel deve dar testemunho da salvação de Deus, de forma a que a proposta salvadora e libertadora chegue, por intermédio do Servo/Povo aos homens e mulheres de toda a terra.  Aqui afirma-se o jeito de Deus, que age no mundo, salva e liberta recorrendo a instrumentos frágeis.

ATUALIZAÇÃO
• Na origem da vocação está Deus: é Ele que elege,  chama e que confia a cada um uma missão. A nossa vocação é sempre algo que tem origem em Deus e que só se entende à luz de Deus.
• O homem chamado por Deus é sempre um homem que testemunha e que é um sinal vivo de Deus, dos seus valores e das suas propostas diante dos outros homens.
• Ao refletirmos na lógica da vocação, é preciso estarmos cientes de que toda a vocação tem origem em Deus, é alimentada por Deus, e de que Deus se serve, muitas vezes, da nossa fragilidade e indignidade para atuar no mundo. Aquilo que fazemos de bom e de bonito não resulta, portanto, das nossas forças ou das nossas qualidades, mas de Deus. O coração do profeta não tem, portanto, qualquer razão para se encher de orgulho, de vaidade e de autossuficiência: convém ter consciência de que por detrás de tudo está Deus, e que só Deus é capaz de transformar o mundo, a partir dos nossos pobres gestos e das nossas frágeis forças.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 39 (40)
Eu disse: Eis que venho, Senhor, / com prazer faço a vossa vontade!
• Esperando, esperei no Senhor; / e, inclinando-se, ouviu meu clamor. /
Canto novo ele pôs em meus lábios, / um poema em louvor ao Senhor.
• Sacrifício e oblação não quisestes, / mas abristes, Senhor, meus ouvidos; /
não pedistes ofertas nem vítimas, / holocaustos por nossos pecados.
• E então eu vos disse: “Eis que venho!” / Sobre mim está escrito no livro: /
“Com prazer faço a vossa vontade, / guardo em meu coração vossa lei!”
• Boas-novas de vossa justiça / anunciei numa grande assembleia. /
Vós sabeis: não fechei os meus lábios!

EVANGELHO (Jo 1,29-34) . Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. Também eu não o conhecia, mas, se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. E João deu testemunho dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba, do céu e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”.

AMBIENTE - João é o apresentador oficial de Jesus. A catequese sobre Jesus que aqui é feita xpressa-se através de duas afirmações com um profundo impacto teológico: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; e é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito.

A primeira afirmação (“o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” ) evoca duas imagens tradicionais. Por um lado, evoca a imagem do “servo sofredor”, o cordeiro levado para o matadouro, que assume os pecados do seu Povo e realiza a expiação (cf. Is 52,13-53,12); por outro lado, evoca a imagem do cordeiro pascal, símbolo da ação libertadora de Deus em favor de Israel (cf. Ex 12,1-28). Qualquer uma destas imagens sugere que a pessoa de Jesus está ligada à libertação dos homens.
Ele veio para tirar (“eliminar”) “o pecado do mundo”. A palavra “pecado” aparece, aqui, no singular: não designa os “pecados” dos homens, mas um “pecado” único que oprime a humanidade inteira; esse “pecado” parece ter a ver, no contexto da catequese Joanina, com a recusa da proposta de vida com que Deus quis presentear a humanidade. Deus propôs-se tirar a humanidade da situação de escravidão em que esta se encontra; enviou ao mundo Jesus, com a missão de realizar um novo êxodo, que leve os homens da terra da escravidão para a terra da liberdade.
A segunda afirmação (o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito Santo e que batiza no Espírito) completa a anterior. Há aqui vários elementos bem sugestivos: o “cordeiro” é o Filho de Deus; Ele recebeu a plenitude do Espírito; e tem por missão batizar os homens no Espírito.
Dizer que Jesus é o Filho de Deus é dizer que Ele é o Deus que se faz pessoa, que vem ao encontro dos homens, que monta a sua tenda no meio dos homens, a fim de lhes oferecer a plenitude da vida divina. A sua missão consiste em eliminar “o pecado” que torna o homem escravo e que o impede de abrir o coração a Deus.
Dizer que o Espírito desce sobre Jesus e permanece sobre Ele sugere que Jesus possui a plenitude da vida de Deus, toda a sua riqueza, todo o seu amor. Por outro lado, a descida do Espírito sobre Jesus é a sua investidura messiânica, a sua unção (“messias” = “ungido”). O quadro leva-nos aos textos do Deutero-Isaías, onde o “Servo” aparece como o eleito de Jahwéh, sobre quem Deus derramou o seu Espírito (cf. Is 42,1), a quem ungiu e a quem enviou para “anunciar a Boa Nova aos pobres, para curar os corações destroçados, para proclamar a libertação aos cativos, para anunciar aos prisioneiros a liberdade” (Is 61,1-2).
Jesus é, finalmente, aquele que batiza no Espírito Santo. O verbo “batizar” aqui utilizado tem, em grego, duas traduções: “submergir” e “empapar (como a chuva empapa a terra)”; refere-se, em qualquer caso, a um contato total entre a água e o sujeito. A missão de Jesus consiste, portanto, em derramar o Espírito sobre o homem; e o homem que adere a Jesus, “empapado” do Espírito e transformado por essa fonte de vida, abandona a experiência da escuridão (“o pecado”) e alcança o seu pleno desenvolvimento, a plenitude da vida.
: só a partir do encontro com Jesus será possível chegar à vida plena, à meta final do Homem Novo.

ATUALIZAÇÃO • Em primeiro lugar, importa termos consciência de que Deus tem um projeto de salvação para o mundo e para os homens. A história humana não é, portanto, uma história de fracasso, de caminhada sem sentido; mas é uma história onde é preciso ver Deus a conduzir o homem pela mão e a apontar-lhe a realidade feliz do novo céu e da nova terra.
• Jesus, não é apenas um homem bom, é o Deus que Se fez pessoa, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe até nós uma proposta objetiva de salvação, oferecendo-nos a vida plena e definitiva. Ele é, agora e sempre, a verdadeira fonte da vida e da liberdade.
• O Pai investiu Jesus de uma missão: eliminar o pecado do mundo. No entanto, o “pecado” continua a enegrecer o nosso horizonte diário, traduzido em guerras, vinganças, terrorismo, exploração, egoísmo, corrupção, injustiça… Jesus falhou?  - Deus propõe ao homem o seu projeto de salvação, mas não impõe nada e respeita absolutamente a liberdade das nossas opções. Ora, muitas vezes, os homens pretendem descobrir a felicidade em caminhos onde ela não está. De resto, é preciso termos consciência de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de limitação e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experiência histórica. A libertação plena e definitiva do “pecado” acontecerá só nesse novo céu e nova terra que nos espera para além da nossa caminhada terrena.
• A missão dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretização na história.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 1,1-3) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos o que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

AMBIENTE - No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Grécia, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeu-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Mas não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.
Corinto era uma cidade nova e muito próspera. Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta, disputas, sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1 Cor 1,19-2,10).
Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas raízes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores que estão em profunda contradição com a pureza da mensagem evangélica.

MENSAGEM -  Paulo reivindica a sua condição de escolhido por Deus (de apóstolo), sugerindo que está revestido de autoridade para proclamar com plena garantia o Evangelho. A mensagem serve para os cristãos de todas as épocas e de todas as latitudes.
Paulo foi chamado por Deus a ser apóstolo e os coríntios são uma comunidade de chamados à santidade. Deus tem um projeto para os homens e para o mundo. Todos  são chamados a um compromisso com esse projeto.
O que é ser chamado à santidade? No contexto Paulino, os santos são todos aqueles que acolheram a proposta libertadora de Jesus e aceitaram os valores do Evangelho. Os “santos” são os “separados”.   

ATUALIZAÇÃO - • Deus chama os homens e as mulheres à santidade.
• Realizar a vocação à santidade significa, sobretudo, acolher a proposta libertadora que Deus oferece em Jesus e viver de acordo com os valores do Reino.
• A comunidade dos “chamados à santidade”, é constituída por “todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Pe. Joaquim Pe. Barbosa, Pe. Carvalho
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Cordeiro de Deus!

Deus tem um Plano de vida plena para os homens e, ao longo da História, escolhe e envia pessoas,  para a realização desse Plano.
Após o Batismo, em que o céu confirmou a missão de Jesus, João Batista aponta que o CORDEIRO DE DEUS já está presente no meio do Povo.

Na 1ª Leitura, ISAÍAS aponta a Vocação de Israel. (Is 49,3,5-6)

Um misterioso "Servo de Deus" é escolhido por Deus, desde o seio materno, com a missão de dar testemunho da Salvação de Deus a todas as nações:
"Vou fazer de ti a LUZ DAS NAÇÕES  para que a minha Salvação chegue até aos confins da terra ..."
Esse "Servo" é identificado com Israel.
Desde então povo aguardava... a realização da grande esperança...

* A VOCAÇÃO é sempre um Mistério...
- Sua origem é Deus, que escolhe, chama e envia...
- O "vocacionado" é sempre uma Testemunha e um Sinal vivo de Deus, dos seus valores e dos seus projetos diante dos homens...
- A Vocação é alimentada por Deus e, muitas vezes,  Deus se serve de nossa fragilidade para atuar no mundo

Na 2ª leitura, PAULO lembra sua vocação a Apóstolo e a vocação de todos à Santidade, comprometidos com os valores do Reino. (1Cor 1,1-3)

No Evangelho, JOÃO BATISTA aponta Jesus aos discípulos, como o "Cordeiro de Deus". (Jo 1,29-34)

O Evangelho retoma o episódio do Batismo, no qual aparecem duas afirmações sobre QUEM É JESUS:

1. Jesus é "O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

* "Cordeiro": Essa expressão lembra duas imagens:
    - O misterioso personagem de que nos fala Isaías (servo sofredor),  que irá ao matadouro como um cordeiro silencioso...   Ele assume os pecados do seu povo e realiza a expiação.
    - O Cordeiro Pascal imolado no Egito:
      O seu sangue, com que ungiram os portais das casas, foi sinal de libertação, de proteção divina e de certeza de salvação...

* "Pecado" (no singular), para João, é a atitude de rejeição a Jesus:
    - Hoje se fala muito de libertação da guerra, da opressão, da fome, do analfabetismo, da doença, da poluição, do desemprego...
    - Não se fala da libertação do pecado, que é a fonte dos demais pecados.

* "Mundo" designa a humanidade que resiste à Salvação.

2. Jesus é o "Filho de Deus", que possui a plenitude do Espírito Santo e que batiza no Espírito.

+ "Eu vi e dei o testemunho..."
O caminho espiritual, percorrido por João Batista, para chegar à descoberta de Jesus como Cordeiro de Deus, é o mesmo que todos os cristãos devem percorrer.

Ele começa dizendo por 2 vezes que "não conhecia Jesus".
- Este é o ponto de partida do caminho espiritual de todos nós:
  No começo, não conhecemos o Mestre.
  Em seguida, algum amigo nos fala dele.
  Reconhecemos que é uma pessoa extraordinária.

Mais adiante, Deus ilumina o Batista com alguns sinais especiais.
Ele abre os olhos por completo e reconhece em Jesus o Filho de Deus:
"Eu vi e dei o testemunho de que este é o Filho de Deus".
- Quando descobrimos Jesus como Luz e Salvador do mundo, sentimos a necessidade de comunicar aos outros a nossa alegria.
  O Batista fala daquilo que viu, os cristãos também deveriam falar somente daquilo que viram e experimentaram.

Deus continua precisando de outros Batistas:
Há muito tempo, os homens estão à procura de Cristo.
E se ainda não o encontraram, talvez seja porque está faltando para eles um João Batista que lhes indique.
E o Batista do tempo de hoje devo ser eu, devemos ser todos nós.

- Todos nós devemos ser testemunhas do evangelho, preparar o encontro dos homens com Cristo.
Em todos nós se esconde um precursor, um João Batista.
É preciso acordá-lo.

- Todos nós devemos indicar ao irmão o Cristo que se aproxima.
Indicar o Cristo, e depois desaparecer... discretamente.

Como João Batista: não sou eu o protagonista desta história.
Ele virá depois de mim. Eu sou apenas uma voz, sou apenas o dedo dele... Depois é preciso que eu desapareça, para que Ele possa aparecer.
Preparar o encontro do homem com Cristo e depois morrer...
Então, a nossa passagem neste mundo não terá sido em vão.

Esta é a missão de todo cristão: preparar o caminho do Senhor e o encontro do homem com Deus,
levantar o dedo e proclamar bem alto:
"Eis aquele que o teu coração está procurando,
 eis aquele que veio para te amar e te salvar!"

         
                                       Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, domingo passado chamei a atenção para o batismo de João e o Batismo que fomos batizados. João Batista diz: “Eu batizo com água, mas me foi revelado que Ele vos batizará no Espírito Santo”. Esta é a grande diferença. Hoje João Batista apresenta, de maneira solene, Jesus como o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Não são os pecados, mas O pecado. O que significa que existe um único pecado. O restante é decorrência deste único pecado. Qual seria este pecado? O pecado original. No que consiste o pecado original? Ali, no diálogo entre a serpente e a mulher, nós temos claro; o pecado original ocorre quando o ser humano quer ocupar o lugar de Deus. É verdade que você não pode comer do fruto da árvore? Ela diz: não podemos comer nem tocar, porque o dia que fizermos isto, morreremos. A serpente diz: não é assim. O dia em que comerdes do fruto, os seus olhos se abrirão e serão como deuses. Daí em diante, o ser humano nunca mais se conformou em ser gente. Ele sempre quis ser Deus. Ouvimos sempre: como é que Deus não vê isto, como Deus permite tais coisas? Sinal de que Deus errou e eu tenho a solução para Ele. Por que Deus não mata esta praga? Eu decido quem tem que morrer! Por que Deus fez isto comigo? Olha aí. São frases que mostram o quanto nós disputamos o lugar com Deus. Este é O Pecado. No momento que o ser humano pensou em ser Deus, a primeira atitude dele foi matar o irmão. Pode ver lá no capitulo 3 de Gênesis e depois o capítulo 4 Caim e Abel. É a primeira atitude dele como Deus; matar.

Deus escolheu o povo de Israel para que fosse um sinal para toda a humanidade. Esta é a Primeira Leitura de hoje, onde Isaías diz: você, Israel, é meu servo. Quer dizer; espero que seja um povo diferente dos outros. Mas, não aconteceu assim. Não vamos pensar que Israel é um povo pior que outros povos. Não. Toda a humanidade é a mesma. Qualquer conflito, resolve matar, resolve punir, qualquer que seja a sociedade. Bom, se não é assim, quem será então o servo de Deus? Aí é que vem João Batista dizendo: “É Jesus”. Porque é Ele que traz para cada um de nós a Palavra de Deus COMPLETA e foi apresentado pelo próprio Deus: no seu Batismo o Céu se abre e Deus, diretamente, diz: “Este é meu Filho amado”. Portanto, Jesus é o Servo de Deus. É interessante observar, que Deus nunca deixou de atender as necessidades de seu povo. Mas, muitas vezes, o diálogo foi interrompido entre Deus e o povo, porque o povo deixou de dirigir o seu olhar para Deus. Deus sempre se inclina pra ouvir a oração do necessitado. Isto diz o salmo.
Esperando, esperei no Senhor; / e, inclinando-se, ouviu meu clamor. /
Deus se inclina para ouvir o meu pedido, o meu clamo.
O que é inclinar-se? É o que vamos chamar de graça de Deus. Deus volta sua atenção para o ser humano, porque Ele quer. É gratuito. Ele não espera nada do ser humano, a não ser anunciar a sua justiça. É o Salmo que continua: • Boas-novas de vossa justiça / anunciei numa grande assembleia. /
Vós sabeis: não fechei os meus lábios! Então, veja: eu dirijo a Deus a minha oração e Ele inclina o seu ouvido para ouvir o que eu peço e depois espero que eu viva a sua vontade; a vontade de Deus é que sejamos justos.
São Paulo vai dizer: está aí o caminho para a santidade. Quem é santo? Aquele que proclama que Jesus é o Senhor. Se Jesus é o Senhor, Ele me dá orientação e eu vivo esta orientação e a partir daí, eu pratico a justiça. E Paulo continua: “e isto em todo lugar que invocam o nome do Senhor Jesus”.  Estes são os santos. Por isso, nós somos santos. Quem sabe, acabamos não honrando esta santidade, mas já é uma questão de detalhe. Aí, basta se reconciliar com Deus.
Quando João Batista apresenta Jesus como o Cordeiro que tira O PECADO do mundo, ele está dizendo: Não precisa procurar mais nada! Se você acolher Jesus como aquele que tira o pecado, o restante será todo o acréscimo.
Vamos pedir a Deus que nos mantenha animados a testemunhar a Jesus, sobretudo, quando alguém nos pedir uma orientação, uma ajuda. Como fazer? Ouça Jesus. Esteja atento à sua Palavra e certamente não nos perderemos, porque é Ele que tira O PECADO  e nos revela a vontade de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André
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Homilia de D. Henrique Soares

Neste segundo Domingo Comum, a Palavra de Deus ainda nos liga ao Batismo do Senhor, celebrado no Domingo passado. Recordemo-nos do que vimos na Festa que encerrou o santo Tempo do Natal: Jesus foi batizado por João Batista e ungido pelo Pai com o Espírito Santo como Messias de Israel: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu bem-querer!" (Mt 3,17). Recordemos que o Pai lhe revelou o caminho pelo qual ele deveria passar para cumprir sua missão: o caminho do Servo Sofredor de Isaías, pobre e humilde: "Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas". Servo manso e misericordioso: "Não quebra a cana rachada nem apaga o pavio que ainda fumega". Servo perseverante no serviço de Deus: "Não esmorecerá nem se deixará abater". Servo que será redenção para o povo de Israel e para todas as nações, dando-lhes a luz, o perdão e a paz: "Eu o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constitui como aliança do povo, luz das nacões, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos das prisões, livrar do cárcere os que viviam nas trevas!" (Is 42,2-4.6-7) 
            Pois bem, o Evangelho de hoje aprofunda ainda mais este quadro impressionante, que nos revela a missão de Cristo Jesus: "João viu Jesus aproximar-se dele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" Em aramaico, língua que João e Jesus falavam, "cordeiro" diz-se talya, que significa, ao mesmo tempo "servo" e "cordeiro". Então, "eis o Cordeiro-Servo de Deus, que tira o pecado do mundo!" Mas, que Cordeiro? Aquele, expiatório, que segundo Levítico 14, era mandado para o deserto, colocado fora da cidade, carregando os pecados de Israel... Como Jesus que "para santificar o povo por seu próprio sangue, sofreu do lado de fora da porta" (Hb 13,12) de Jerusalém, como um rejeitado, um condenado renegado. Repitamos a pergunta: Que Cordeiro? Aquele cordeiro pascal de Ex 12, cujos ossos não poderiam ser quebrados (cf. Jo 19,36); cordeiro comido como aliança de Deus com Israel! Que cordeiro? – insistamos na pergunta! Aquele, cujo sangue, aspergido sobre o povo, selará a nova e eterna aliança entre Deus e o povo santo (cf. Ex 24,8; Mt 26,27). Jesus é esse Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tomando-o sobre si! E que Servo? O Servo sofredor anunciado pelo Profeta Isaías. Já ouvimos falar dele no Domingo passado; fala-nos dele novamente a Liturgia deste Domingo hodierno: Servo predestinado desde o nascimento: o Senhor "me preparou desde o nascimento para ser seu Servo"; Servo destinado a recuperar e salvar Israel: "que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória"; Servo destinado não só a Israel, mas a todas as nações: "Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue aos confins da terra". Eis, portanto, quem é o nosso Jesus: o Cordeiro, o Servo! Nele, feito homem, nele, sofrido como nós, nele, morto e ressuscitado, no seu corpo macerado e transfigurado em glória, Deus reuniu e formou um novo povo, o verdadeiro Israel, a Igreja – esta que aqui está reunida em torno do altar e esta mesma, reunida em toda a terra e, como diz São Paulo hoje,"em qualquer lugar" onde o nome do Senhor Jesus é invocado! Eis: este povo que Cristo veio reunir, esta Igreja que o Senhor veio formar somos nós, já santificados no Batismo e chamados a ser santos por nosso procedimento, por nosso seguimento ao Senhor! 
            João reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: ele é o próprio Deus: "passou à minha frente porque existia antes de mim!" E como Deus feito homem, ele é o único e absoluto Salvador de todos – e não há salvação sem ele ou fora dele! João reconhece nele o ungido, aquele sobre quem o Espírito"desceu e permaneceu". O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: "O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor" (Lc 4,18-19). João reconhece nele ainda aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo:"Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo". Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos! 
            Enfim, João dá testemunho de que esse Jesus bendito é mais que um Servo, mais que um Cordeiro, mais que um Profeta: ele é o Filho de Deus: "Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!" 
            Que mais dizer, ante um Messias tão humilde e tão grande? "Senhor Jesus Cristo, Santo Messias, Servo e Cordeiro de Deus, cremos em ti, a ti seguimos, em ti colocamos nossa vida e nossa morte! Sustenta-nos, pois em ti esperamos: tu és o sentido de nossa existência, a razão de nossa vida e o rumo da nossa estrada! Queremos seguir-te, a ti, tão pequeno e tão grande; queremos morrer contigo e contigo ressuscitar-nos para a vida eterna; queremos ser testemunhas do Reino do Pai que plantaste com tua bendita vinda. Senhor Jesus, a ti amamos, em ti esperamos, em ti vivemos! Sê bendito para sempre. Amém".
D. Henrique Soares

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (quando o Pão sagrado estiver sobre o altar)
- O Senhor esteja com todos vocês....   Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Por Jesus, Com Jesus e em Jesus, na força do Esp. Santo, louvemos ao Pai:
T: louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- Ó Deus e nosso Pai! Nós Vos bendizemos pelo envio de salvadores, de profetas, juízes e reis, mas sobretudo pelo envio do vosso Filho, vosso  eleito, em quem pusestes toda a vossa alegria, e que Se manifestou como a luz das nações.
T: louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- Pai, Nós, os batizados, somos agradecidos por nos dar vosso Filho, Jesus Cristo, como nosso mestre, guia e salvador. Somos também agradecidos por nos enviar o Espírito Santo que nos fortalece e nos transforma.
T: louvor e glória a vós, ó pai de bondade!
- Ó Deus e nosso Pai, nós Vos damos graças pelo batismo de Jesus no Jordão, porque nele nos revelastes a nova humanidade, da qual Jesus é a cabeça. Ele é o Cordeiro que nos tira do mundo da maldade. Fazei de nós também vossos filhos bem-amados e cumulai-nos com o Vosso Santo Espírito, para que possamos anunciar ao mundo o vosso amor
T: louvor e glória a vós, ó pai de bondade!
--- PAI NOSSO... a Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EPIFANIA DO SENHOR, Homilias, subsídios homiléticos

EPIFANIA DO SENHOR ANO A 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Sinopse:
Tema: Epifania do Senhor:
A manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é a “luz” que atrai a todos os povos.  Primeira leitura: Anuncia a chegada da luz de Jahwéh, que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
Evangelho: Ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Segunda leitura:  O projeto salvador de Deus vai atingir toda a humanidade numa mesma comunidade de irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 60,1-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está
a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê- los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. Trata-se de um profeta, pós-exílio, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilónia, nos anos 537/520 a.C.; Deus para trazer a salvação definitiva ao seu Povo. Então, Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo será reconstruído e Deus habitará para sempre no meio do seu Povo.

MENSAGEM - Inspirado pelo sol nascente que ilumina as construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã, o profeta sonha com uma Jerusalém muito diferente daquela que os retornados do Exílio conhecem; essa nova Jerusalém levantar-se-á quando chegar a luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Nesse dia, Jerusalém vai atrair os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, a cidade será repovoada; além disso, povos de toda a terra – atraídos pela promessa do encontro com a salvação de Deus – convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas (nomeadamente incenso, para o serviço do Templo) e cantando os louvores de Deus.

ATUALIZAÇÃO - O projeto de libertação que Jesus veio apresentar aos homens será a luz que vence as trevas do pecado e da opressão e que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 71 (72)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
• Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres.
• Nos seus dias a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra!
• Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo.
• Libertará o indigente que suplica, / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará.

EVANGELHO (Mt 2,1-12) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

AMBIENTE - O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de Deus aos homens de toda a terra.

MENSAGEM - Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-lo a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar fatos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacó (cf. Nm 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguro para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contato com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-no como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagão-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direção a Jesus.

ATUALIZAÇÃO
• Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados).
• Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
• Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?
• Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.

SEGUNDA LEITURA (Ef 3,2-3a.5-6) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

AMBIENTE - A Carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
Na parte dogmática da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre “o mistério”: depois de um hino que põe em relevo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da salvação (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes angélicos e do seu papel de cabeça da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situação universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); expõe, ainda, como é que Cristo – realizando “o mistério” – levou a cabo a reconciliação de judeus e pagãos num só corpo, que é a Igreja (cf. 2,11-22)… O texto que nos é proposto vem nesta sequência: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do “mistério” diante dos judeus e diante dos pagãos (cf. Ef 3,1-13).

MENSAGEM - É esse “mistério” que Paulo aqui desvela … Paulo insiste que, em Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não se destina exclusivamente aos judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou Igreja), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias com os judeus, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.

ATUALIZAÇÃO - • A primeira novidade é que Cristo é a revelação e a realização plena desse projeto. A segunda novidade é que esse projeto não se destina apenas “a Jerusalém” (ao mundo judaico), mas é para ser oferecido a todos os povos.
• Destinatários, todos, do mistério, somos “filhos de Deus” e irmãos uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade…

Dehonianos


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"Vimos a Estrela"

O tempo de Natal é a uma caminhada à procura de Jesus.
Com a festa da EPIFANIA, que hoje celebramos, concluímos esse tempo, lembrando a procura e o encontro de Jesus pelos Magos, que representam todos os povos e nações.

A palavra "Epifania" significa: Manifestação de Deus aos homens.

A Liturgia desse domingo leva-nos à manifestação de Jesus.
Ele é uma "Luz", que se acende na noite do mundo e ilumina os caminhos dos homens, conduzindo-os ao encontro da Salvação.

A 1a Leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor, que transfigurará Jerusalém e atrairá a ela povos de todo o mundo. (Is 60,1-6)
* Esta Jerusalém nova representa a Igreja, comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a Luz salvadora que ele veio trazer.

A 2ª Leitura apresenta o projeto salvador de Deus, como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus. (Ef 3,2-3a.5-6)

No Evangelho vemos a concretização da promessa da 1ª leitura. (Mt 2,1-12)

Guiados pela LUZ da Estrela, os Magos procuram com esperança o Messias até encontrar, reconhecem nele a "Salvação de Deus" e o aceitam como "Senhor".
"Salvação" rejeitada pelo seu povo e agora oferecida a todos os povos.

+ A narrativa, exclusiva de Mateus, tornou-se muito conhecida e popular...
   No entanto, não é uma reportagem jornalística, mas uma CATEQUESE sobre Jesus e sua Missão.

- A ESTRELA, inventada por Mateus, não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus. Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas.
- Os MAGOS representam os povos estrangeiros, que vão ao encontro de Jesus e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor.
  São imagem da Igreja, formada de todos os povos que aderem a Jesus e o reconhecem como o seu "Senhor".
- Intenção de Mateus era apresentar Jesus como o novo Moisés... o ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceito pelos pagãos, que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.

+ ATITUDES diante dessa estrela:

- ADORAÇÃO: os Magos viram a "estrela", deixaram tudo e puseram-se a caminho para descobrir Jesus e adorá-lo.
  Os Magos representam todos os povos não judeus, agora associados à História da Salvação.
- INDIFERENÇA: Os Sacerdotes o conheciam bem nas Escrituras.
Sabiam até o lugar onde deveria nascer, mas não perceberam o sinal de sua chegada, nem se preocuparam de ir  ao seu encontro. Estavam muito seguros de sua sabedoria...  e por isso não tiveram a alegria de encontrar e adorar o Salvador.

- REJEIÇÃO: Herodes tentou até apagar esta Luz.
  Simboliza os grandes desse mundo, que temem a sua chegada.  Poderia roubar-lhe o trono.

+ Todos viram a mesma realidade: um menino recém-nascido,  mas as opções foram e são diferentes...

Com quem nos assemelhamos?
- Com os Magos, atentos aos sinais, capazes de ler os acontecimentos de nossa vida e a história do mundo à luz de Deus?
- Com os Sacerdotes, orgulhosos de seu saber, mas acomodados?
- Com Herodes, que procura matar o menino?

Um caminho a seguir à procura de Deus...
O itinerário seguido pelos magos reflete o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus:
- Estão atentos aos sinais (estrela),
- percebem que Jesus traz a Salvação,
- põem-se a caminho para o encontrar...
- perguntam aos judeus, que conhecem as Escrituras, o que fazer,
- encontram Jesus e o adoram;
  oferecem "seus tesouros" (seu coração) e
  voltam por outro "Caminho", oposto aos interesses de Herodes.

* Nesse relato, descobrimos as etapas do nosso caminho à procura de Jesus:
   - Sensibilidade em distinguir os sinais de Deus…
   - Generosidade em aceitar o convite: "Viram a estrela e vieram adorá-lo".
   - Eles não perderam a esperança na incompreensão dos contemporâneos…
     nem diante das dificuldades da longa caminhada…
     da ignorância e maldade de Herodes…
     ou ambiente rústico em que encontraram o menino, Rei dos judeus.

Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé…  tudo será uma manifestação e presença de Deus… uma perene Epifania...

+ Os magos não se apresentaram de mãos vazias
  Ofereceram o que tinham de melhor... E nós, o que temos a oferecer?
  Um pouco de nosso tempo, fidelidade da nossa fé, perdão, justiça, honestidade, fraternidade?...

                                 Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. PEDRINHO

Cada ano somos convidados a voltar o olhar para a epifania do Senhor.  Jesus que se manifesta o messias para todo o ser humano. Esta festa tem como símbolo principal a LUZ. Qual a razão? Porque a luz ocupa muitas páginas da Bíblia, tanto no antigo como no novo testamento. Já na primeira página que fala da criação, o texto diz: No princípio era o caos e Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita. Houve tarde e manhã; primeiro dia. Esta luz não pode ser confundida com o sol, porque no relato da criação, o sol será criado no quarto dia. O sol é o luzeiro maior para iluminar o dia e o luzeiro menor para iluminar a noite, que é a lua. Nós sabemos que esta luz será de grande ajuda para o povo de Deus. Na libertação do povo no Egito, nós temos o sarça ardente, uma luz que brilha, um fogo que não consome a sarça. E através desta sarça, Deus se comunicando com Moisés, dizendo: “Você deve me ajudar a libertar o meu povo. Depois vamos ver uma coluna de fogo acompanhando o povo que era escravo no Egito para a terra prometida. Esta luz, coluna de fogo, ilumina o caminho para aqueles que vão para a terra prometida e ofusca os olhos dos egípcios. Nós temos esta mesma manifestação de Deus, através do fogo, apresentada para nós, através de São João Evangelista e de São Paulo. São João vai dizer: No princípio era a palavra, a palavra estava em Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Ele é a LUZ que veio a este  mundo, mas o mundo preferiu as trevas. Então, São João nos apresenta Jesus, como sendo esta luz. Também são Paulo na caminhada para Damasco, em pleno sol do meio dia no deserto, vê uma luz muito mais forte do que o sol, senão ele não teria percebido esta luz. E no encontro com esta luz, descobre que esta luz é Jesus, apresentado então como luz do mundo. O próprio Jesus disse: Eu sou a luz do mundo e vós sois a luz do mundo; ninguém acende uma lâmpada para colocar debaixo da cama, mas em lugar que ilumina todo o ambiente. Jesus se apresenta como luz e espera de cada um que sejamos luz. Como posso ser luz? O batismo me concede isto. No batismo somos apresentados ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. O Pai se revela como luz na sarça ardente, o Filho se revela como luz na medida em que abre os olhos do cego, o Espírito Santo se revela como luz na medida que se revela como luz de fogo em Pentecostes e se reparte em línguas de fogo sobre os apóstolos e vai iluminar a compreensão de cada ser humano. No batismo recebemos uma vela, onde se diz; recebei a luz de Cristo. Esta luz vos é entregue para que alimenteis, esforçai-vos para que caminheis sob a luz que é o Cristo e possas ir ao seu encontro quando Ele vier. Esta vela é acesa naquela outra vela que é o Círio, que tanto lembra a coluna de fogo no antigo testamento, quanto Jesus ressuscitado, Círio este que nós acendemos no sábado santo, na vigília da Páscoa da Ressurreição.
Então veja, que todo este símbolo, toda esta grandeza simbólica para nos ajudar a experimentar Jesus. Como podemos ligar tudo isto com a liturgia de hoje? Primeiro porque Isaías vai dizer que Jerusalém tem como vocação ser a luz para o mundo, pois para lá se dirigirão todos os povos de todos os países e trarão para Deus ouro e incenso.
São Paulo vai dizer; eu de fato descobri o mistério e quero revelar a vocês; através do Evangelho de Jesus Cristo, a promessa de Deus se estende a toda a humanidade. Isto ele descobriu no encontro com Deus, na pessoa de Jesus, no deserto.
Mateus então vai nos ajudar que de fato Jesus é esta luz que veio para iluminar as nações e a cada ser humano, pois Jesus é o grande Messias. De que maneira ele nos anuncia isto? Contando, relatando a história dos magos. É interessante, que os magos vão ao encontro de Jesus e encontrarão Jesus na manjedoura, e entrarão Jesus no colo de Nossa Senhora, encontrarão Jesus naquela casa e ali oferecem os seus presentes. É interessante que Mateus adiciona, coloca um presente a mais; Isaías dissera que Ele receberia ouro e incenso. Ouro simbolizando toda a realeza e o incenso toda a Divindade. São Mateus vai dizer que tem a Mirra também. Jesus é revelado como a luz do mundo em sua paixão e morte de cruz. A Mirra simboliza o sofrimento enfrentado por Jesus. Nós sabemos bem, que no momento  da morte, do meio dia às três da tarde, houve trevas sobre toda a terra, que é exatamente a ausência da luz. Jesus vence as trevas para nos trazer a luz do dia, mas o dia do Senhor. Portanto, Mateus assim nos ensina que através dos magos, Jesus pode brilhar como a luz para todos os povos, porque nenhum dos magos pertence ao povo de Deus. Agora, Jesus é luz para todo aquele que o acolhe como sendo a luz. É evidente, que a luz que estamos falando, eu a enxergo com os olhos da fé. É por isto mesmo que somos chamados a enxergar esta luz, cada vez que participamos da Eucaristia.
O que tem de haver a Eucaristia com esta luz? Em primeiro lugar, quando nós nos encontramos na Igreja, é como os magos fizeram; agente vem toda parte para se encontrar com Jesus. E onde eu me encontro com Jesus? Na Eucaristia  (em grego: εὐχαριστία = "reconhecimento", "ação de graças"). Jesus se apresenta na patena, pratinho onde eu coloco o alimento. Portanto, Jesus se apresenta na Manjedoura. E eu vou ao encontro de Jesus para adorá-lo. Por isto, é muito interessante, que Jesus tem que nascer em Belém. Porque Belém significa a casa do pão. Se Jesus é o pão, o alimento para todos nós. Ele além de ser a Luz, é também o nosso alimento. É muito interessante, porque inverteu o papel. Lá, os Magos foram presentear Jesus e aqui é Ele que nos presenteia com seu corpo e seu sangue. Então, como os Magos, hoje nós viemos ao encontro de Jesus e o que podemos presentar, dar de presente a Jesus? É você que escolhe o que pode lhe oferecer na sua vida. Sabemos que Jesus não precisa de nada. Ele no entanto nos fala: Senhor, quando foi te vimos com fome, com sede, preso, nu, necessitado? O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fazes. Então, o presente de Jesus é em vista do irmão, em vista do próximo. Será que eu posso ser uma luz para o irmão? Ajuda-lo a caminhar no caminho do Senhor, ajuda-lo a vencer as dificuldades da vida? As incertezas, os medos, a falta de alimento, a falta de um ombro amigo? É tudo isto que a liturgia nos convida a pensar e a refletir no dia de hoje.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO

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Homilia de D. Henrique Soares

Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).
 Na segunda leitura, Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!
Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos Herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes/ chegar o Rei que é Deus?/ Não rouba aos reis da terra/ quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… e termina matando e se matando!
Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”
Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?
Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).
Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.
 Dom Henrique Soares da Costa
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LOUVOR PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)                                                        Mateus 2,1-12
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, Louvemos ao Pai.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Bendito sejais, Pai, pois tanto nos amais que nos enviastes o vosso Filho para ser nossa luz, nossa verdade e a salvação de nossa vida.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Seja o vosso nome honrado, engrandecido e glorificado, pois através de vosso Filho, nos tornastes filhos adotivos e através de nosso batismo nos escolhestes como um povo predileto que se esforça para seguir os passos de Jesus Cristo.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Enviai-nos o Espírito Santo para que nos transformemos em pessoas mais dóceis aos ensinamentos de vosso Filho e possamos, cheios de esperança, caminhar rumo ao vosso Reino.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Os magos foram até Belém para se encontrarem com o Menino Jesus. Nós também aqui viemos para nos encontrar com o vosso Filho. Que vosso Filho seja reconhecido, glorificado, honrado e adorado por todos os povos.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...