quinta-feira, 11 de maio de 2017

5º Domingo da Páscoa ANO A 2017, Homilias, Subsídios homiléticos

5º Domingo da Páscoa ANO A 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema:  A comunidade que nasce de Jesus, dando testemunho do projeto de Deus no amor a Deus e aos homens.
Evangelho: A Igreja é a comunidade dos que seguem o “caminho” de Jesus, na obediência ao Pai.
Primeira leitura: (Igreja): é uma comunidade santa, formada por pecadores; que recebem dons põem esses dons ao serviço dos irmãos; e pelo Espírito são testemunhas de Jesus.
Segunda leitura: Cristo é a “pedra angular” e os cristãos “pedras vivas”. É um “povo sacerdotal”, que oferece a Deus o verdadeiro culto na obediência ao Pai e no amor aos irmãos.

EVANGELHO (Jo 14, 1-12)  Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa do meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós. E para aonde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para aonde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes!” Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai?’ Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai ao menos por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

AMBIENTE A ressurreição de Lázaro  levou o Sinédrio a decidir matá-lo. Jesus está consciente de que a morte está no seu horizonte próximo. O ambiente é o de uma ceia de despedida. Os discípulos estão inquietos e preocupados. Os discípulos não sabem o que vai acontecer nem que caminhos vão percorrer.

MENSAGEM É uma catequese sobre “o caminho”: O “caminho” que Jesus percorreu é o mesmo “caminho” dos discípulos; obediência ao Pai e amor aos irmãos.
Na ceia de despedida, começa o último ato da missão; a lição do amor que se dá até à morte; fala também o dom do Espírito, que capacitará os homens para viverem como Jesus, na obediência a Deus e na entrega aos irmãos. Ao dizer “vou preparar-vos um lugar”, Jesus sugere que tem de ir ao encontro do Pai, para que os homens possam (pela lição do amor e pelo dom do Espírito) fazer parte da família de Deus.
A “casa do Pai” é a comunidade dos seguidores de Jesus (a Igreja). O “caminho” é Jesus: é a sua vida, os seus gestos de amor e de bondade, a sua morte que mostram o itinerário. Quem aceita percorrer esse “caminho” de amor, de entrega, de dom da vida, chega até ao Pai e torna-se – como Jesus – “filho de Deus”.
O Pai está presente em Jesus. Quem adere a Jesus, já faz parte da família do Pai, porque Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens: as obras de Jesus são as obras do Pai; o seu amor é o amor do Pai; a vida que Ele oferece é a vida que o Pai dá aos homens.
É no final desse “caminho” que encontrarão o Pai e serão integrados na família de Deus.
É o Espírito que renova e transforma o homem em Homem Novo, que vive na obediência a Deus e no amor aos irmãos. Nasce a comunidade de Homens Novos, a família de Deus, a Igreja.

ATUALIZAÇÃO • No dia do nosso batismo, fomos integrados nesta família… Esta família tem falhas, esforçamo-nos para que ela viva de forma mais coerente e verdadeira.
• Falar do “caminho” de Jesus é falar de uma vida dada a Deus e gasta em favor dos irmãos. Dessa morte para si mesmo nasce o Homem Novo.
• A comunhão com o Pai não resulta de momentos mágicos de fórmulas ou ritos, mas da intimidade e da comunhão com Jesus e percorrendo o caminho do amor e da entrega, em doação total a Deus e aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus tem de sair do egoísmo e a fazer da sua vida um dom a Deus e aos homens.

PRIMEIRA LEITURA (At 6,1-7) Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

AMBIENTE – Há uma tensão entre os “hebreus” e os “helenistas”. Os “hebreus” são cristãos de origem judaica, que são apegados às tradições e interpretações dos rabis.
Os “helenistas” são cristãos de origem judaica, mas originários da “diáspora”. Falam o grego. O seu contato com outras realidades culturais torna-os mais tolerantes e abertos à novidade.
Com dois grupos tão diversos na mesma comunidade, era natural que surgissem conflitos: na distribuição dos alimentos aos membros necessitados da comunidade, as viúvas helenistas sentiam-se prejudicadas. O fato provocou queixas, levando à intervenção dos líderes.

MENSAGEM - há quatro idéias fundamentais:
A primeira; NA Igreja HÁ tensões, preconceitos, rivalidades, invejas e ciúmes: é uma comunidade que está em contínuo processo de conversão.
A segunda diz respeito à hierarquia (na Igreja). Os Doze não estão interessados em poder absoluto; fazendo com que todos participem na procura de soluções para os problemas comuns.
A terceira revela a Igreja como uma comunidade de serviço. Sete homens “cheios do Espírito Santo”, cuja missão é o serviço das mesas. Na verdade, estes “sete” aparecem, noutros episódios, mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas.
A quarta: a Igreja é a comunidade criada, animada e dinamizada pelo Espírito..

ATUALIZAÇÃO • A Igreja seja fiel à sua missão no mundo; mas deve também compreender as suas falhas, dificuldades e infidelidades.
• Há irmãos investidos da autoridade (os Doze), quando surgem problemas. Os Doze convidam a escolher as pessoas a quem devem ser confiados certos serviços.
• Deus concede dons que devem ser postos ao serviço da comunidade. As missões não para promoção pessoal, mas devem ser missões com espírito de serviço, em benefício dos irmãos.

SALMO RESPONSORIAL / 32 (33)
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
• Ó justos, alegrai-vos no Senhor! / Aos retos fica bem glorificá-lo. /
 Dai graças ao Senhor ao som da harpa, / na lira de dez cordas celebrai-o!
• Pois reta é a Palavra do Senhor / e tudo que ele faz merece fé. /
 Deus ama o direito e a justiça, / transborda em toda a terra a sua graça.
• O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem / e que confiam esperando em seu amor, /
para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.

SEGUNDA LEITURA (1Pd 2, 4-9) Primeira Carta de São Pedro.
Caríssimos, aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular, pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.
AMBIENTE - Estamos no final do século I (final da década de 80). O autor recorda o exemplo de Cristo, que passou pela cruz, antes de chegar à ressurreição. É um convite à esperança: apesar dos sofrimentos, não devemos desanimar, pois somos destinados a triunfar com Cristo. Pede-se que enfrentem as adversidades e que vivam com fidelidade o seu compromisso batismal.

MENSAGEM - A imagem da pedra leva-nos a Is 28,16, onde se refere ao novo Templo que o próprio Jahwéh vai construir e que será um sinal da intervenção de Deus em favor do seu Povo. Isaías anuncia que Deus vai colocar em Sião uma pedra angular : “quem nela se apóia, não vacila”. A imagem (retomada pelo Sal 118,22) adquire uma conotação messiânica: o “Messias” será essa pedra, sobre a qual Deus vai construir a sua intervenção salvadora na história, em favor do seu Povo. O autor da Primeira Carta de Pedro aplica esta imagem a Cristo. 
Os cristãos são convidados a aproximar-se de Cristo (a aderir à sua proposta, a segui-lo no caminho do dom da vida) e a entrar na construção do edifício de Cristo  e “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”. No antigo Templo ofereciam-se sacrifícios de animais; mas, no novo Templo (Cristo como pedra angular e os cristãos como pedras vivas), oferecer-se-ão sacrifícios espirituais: uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom aos irmãos. Os membros desta “construção” serão um povo de sacerdotes, que oferecerão a Deus aquilo que têm de mais precioso: a sua vida e o seu amor.
Esta “construção” será rejeitada pelos homens (paixão e morte de Jesus); mas, para Deus, esta comunidade/Templo será uma “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores”. Os cristãos são a comunidade da “nova aliança”, o povo que Deus libertou, que Deus conduziu da escravidão para a liberdade e a quem Deus encarregou de testemunhar diante do mundo o seu projeto de salvação.

ATUALIZAÇÃO
• Depois de dois mil anos de cristianismo, Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho.
• As “pedras vivas” do Templo do Senhor formam um Povo de sacerdotes, cuja missão é viver uma vida coerente com os compromissos assumidos no dia do Batismo – isto é, viver (como Cristo) na entrega a Deus e no amor aos irmãos.
Dehonianos
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Complemento:
A Igreja é:
- É um POVO ORGANIZADO, com diferentes tarefas: serviço da Caridade, da Palavra e do Culto.
- É um EDIFÍCIO ESPIRITUAL, em que Cristo é a Pedra fundamental e  nós Pedras vivas...
- É um POVO PEREGRINO que caminha para Deus, sob a guia de Cristo, que é  Caminho,  Verdade e Vida.
Circuminsessio ou “perichoresis” = A doutrina da circuminsessio afirma que o Pai está no Filho e o Filho está no Pai E o mesmo se diga do Espírito Santo em relação ao Pai e ao Filho. Há uma presença de Deus no homem, e à inversa.  A vida cristã é consequência da in-habitação trinitária em nós. A Escritura afirma que nós somos templos do Espírito Santo. Deus mora em nós. Ou seja, o que acontece nas profundezas da comunhão trinitária, acontece, a outro nível, entre Deus e nós. As relações entre o homem e Deus tem que ser a imagem das relações que há entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo.
 “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Ter fé em Cristo! Não seria loucura, alienação, infantilidade, confiar assim, de modo tão absoluto, em um alguém? Por que apostar toda a vida em Jesus e somente em Jesus? Por que não um pouquinho de Buda, um pouquinho de Maomé, um pouquinho de Dalai Lama, um pouquinho de esoterismo, um pouquinho mais de consumismo e outro tantinho de rédea solta aos nossos instintos? Por que somente Cristo? Por que absolutizar Jesus? Eis a resposta, que ele mesmo nos dá; eis a resposta surpreendente! Escutemo-la: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!”
É precisamente neste mundo de tantos desafios e de tantos caminhos, que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho! Nestes tempos de tantas verdades, ele nos proclama: Eu sou a Verdade! Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a Vida! Jesus se nos apresenta como aquele que vem de Deus e é o único que nos pode revelar de modo pleno, de modo claro o caminho para Deus!: é nosso Caminho é nossa única Verdade e nossa única e verdadeira Vida! Deus entregou seu Filho ao mundo para ser nosso Caminho, Verdade e Vida e os homens a rejeitaram. 

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"Caminho, Verdade e Vida"

No Evangelho dos Domingos passados, vimos a preocupação de Jesus em formar uma Comunidade, que continuasse a sua obra.
Nós estamos aqui, porque pertencemos a essa Comunidade...
O que é mesmo uma Comunidade Cristã?

As Leituras bíblicas de hoje nos dão uma resposta:

A 1ª Leitura mostra o 1º Conflito na Comunidade de Jerusalém e como resolveram o problema. (At 6,1-7)

- Os cristãos de origem grega queixam-se que as suas viúvas não estão recebendo a mesma atenção do que as viúvas judaicas...
- Os Apóstolos propõem a escolha de sete homens honrados.
  Nascia assim o 1º Ministério na Igreja: o Diaconato. (Domingo dos ministérios)

* O episódio nos mostra que a IGREJA é:
- Uma Comunidade que sempre teve, tem e terá conflitos...  mas deve enfrentar as situações novas e difíceis com sentido eclesial de unidade na pluralidade.

- Uma Comunidade hierárquica: Ela recorre aos apóstolos, reza invocando o Espírito Santo e
  busca uma solução para o problema. Partilham as responsabilidades... A Comunidade escolhe... Os Apóstolos confirmam impondo as mãos...

- Uma Comunidade de Servidores.
  Escolhe sete homens "cheios do Espírito Santo". Assim a Igreja Apostólica, guiada pelo Espírito de Cristo Ressuscitado, vai desenvolvendo os ministérios para realizar a sua tríplice missão: o Serviço da Palavra, do Culto e da Caridade.

Na 2a Leitura, Pedro compara a Igreja a um Edifício Espiritual, no qual Cristo é a "Pedra angular" e os cristãos "Pedras vivas".
O antigo templo de Jerusalém construído com pedras materiais será substituído por esse novo templo formado de pedras vivas. (1Pd 2,4-9)

No Evangelho, a Igreja aparece como um Povo Peregrino que caminha para Deus, guiado por Cristo,
que é o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. (Jo 14,1-12)

O texto faz parte do "Discurso da despedida", na última ceia.
Lidas neste tempo litúrgico de Páscoa, as palavras do Senhor nos orientam para  a Ascensão.
"Não vos preocupeis... vou preparar um lugar para vós... depois voltarei
 e vos levarei comigo... Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..."  

Jesus é o CAMINHO porque é o único "Mediador" da Salvação;
é a VERDADE porque é o "Revelador" do projeto de Deus;
é a VIDA porque é o "Salvador", que nos dá a vida de Deus que ele possui.
Por isso: "Ninguém pode chegar ao Pai senão por mim".

* Resumindo, a Igreja é:

- É um POVO ORGANIZADO, em que os membros têm diferentes tarefas, tais como o serviço da Caridade, da Palavra e do Culto.
- É um EDIFÍCIO ESPIRITUAL, em que Cristo é a Pedra fundamental e  nós Pedras vivas...
- É um POVO PEREGRINO que caminha para Deus, sob a guia de Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.


Cristo continua presente ainda hoje através da sua Igreja.


Cristo garante: "Estou convosco... Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..."
                                    
  Pe, Antônio

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Homilia de D. Henrique Soares - Jo 14,1-12
Neste Domingo quinto do Tempo da Páscoa, elevemos o olhar ao Ressuscitado; deixemo-nos tomar por sua palavra: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Estejamos atentos: estas não são palavras ditas ao vento, para ninguém! São palavras, é exortação a nós, cristãos de agora; palavras para cada um de nós e para nós todos, palavras verdadeiramente provocantes! No mundo complexo, numa realidade plena de desafios, na nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, tantas vezes ferida, cheia de tantas contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as mãos, abre-nos o coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se perturbe o vosso coração!”
Pensemos nos desafios dos tempos atuais: o desafio de crer e testemunhar o Senhor em situações tão cheias de promessas, mas também tão confusas. Pois bem, o Senhor insiste: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Ter fé em Cristo! Eis o desafio para nós! Ontem, como hoje, é necessário proclamar nossa fé nele, nossa entrega a ele, nossa certeza de que ele pode dar um sentido à nossa existência. E por quê? Não seria loucura, alienação, infantilidade, confiar assim, de modo tão absoluto, em um alguém? Por que apostar toda a vida em Jesus e somente em Jesus? Por que não um pouquinho de Buda, um pouquinho de Maomé, um pouquinho de Dalai Lama, um pouquinho de esoterismo, um pouquinho mais de consumismo e outro tantinho de rédea solta aos nossos instintos? Por que somente Cristo? Por que absolutizar Jesus? Eis a resposta, que ele mesmo nos dá; eis a resposta surpreendente! Escutemo-la: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!” É precisamente neste mundo de tantos desafios e de tantos caminhos, que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho! Nestes tempos de tantas verdades, ele nos proclama: Eu sou a Verdade! Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a Vida! De fato, ele não é simplesmente um profeta, um sábio, não é alguém a quem podemos admirar e seguir ao lado de outros personagens igualmente ilustres! Jesus se nos apresenta como aquele que vem de Deus e é o único que nos pode revelar de modo pleno, de modo claro e conclusivo o caminho para Deus! Mais ainda: Aquele que é nosso Caminho é também nossa única Verdade e nossa única e verdadeira Vida!
Caríssimos, é diante dele que temos sempre que nos decidir, que somos chamados a dar um rumo à nossa existência e à existência da sociedade, da família, das relações sociais, do mundo. O Santo Padre Bento XVI dizia, pouco antes de sua eleição, que o mundo tem tantas e tantas medidas para avaliar o bem e o mal, o certo e o errado… E ele advertia: nossa medida é Cristo! Eis! Ele é nossa medida porque é o único Caminho, a única Verdade, a única Vida! O que o Sucessor de Pedro quis dizer, o próprio Apóstolo Pedro nos afirma na segunda leitura da Missa de hoje: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus! Com efeito, nas Escrituras se lê: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido!’ Mas, para os que não crêem, ‘a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular pedra de tropeço e rocha que faz cair’”. Não há como escapar: diante de Cristo, é necessária uma escolha, uma decisão! Aqui não se tem nada a ver com ser conservador ou progressista, otimista ou pessimista! Aqui tem-se a ver com a experiência tremenda de Deus que entregou seu Filho ao mundo para ser nossa Vida e Caminho e os homens a rejeitaram. Ora, é diante do Cristo, Caminho, Verdade e Vida que nossa existência será julgada, que o mundo será examinado! E, no entanto, ele será sempre sinal de contradição e pedra de tropeço… Vimos, agora mesmo, por ocasião da eleição do novo Papa, tantas idéias disparatadas – algumas, para nossa tristeza, apresentadas até mesmo por padres ou religiosos… Alguns se iludem, pensando numa Igreja que faça o jogo da moda, que diga amém a um modo de pensar, agir e viver estranho ao Evangelho! Que engano tão danado! A renovação da Igreja está em voltar sempre a Cristo e nele se reencontrar sempre, retomando o vigor, como de uma fonte puríssima! O verdadeiro serviço à humanidade e ao mundo é apresentar o Cristo e nele colocar toda a esperança!
“Não se perturbe o vosso coração!” – Já nos inícios da Igreja havia tensões, desafios, dificuldades externas e internas. Pois bem, já ali o Senhor dizia aos cristãos: “Não se perturbe o vosso coração!” Já ali lhes garantia a grandeza do amor do Pai: “na casa do meu Pai há muitas moradas!” E já ali, entre as consolações de Deus e as provações da vida, “a Palavra do Senhor se espalhava”. Portanto, não temamos em colocar toda a nossa confiança no Senhor; não hesitemos em procurar de todo o coração seguir os passos do Senhor Jesus! A oração inicial da Missa de hoje exprimiu muito bem o que espera o cristão, ao colocar no Senhor a sua existência. Recordemo-la: “Ó Deus, Pai de bondade, concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna!” – Eis o que buscamos, o que esperamos, o que temos a certeza de alcançar: a liberdade verdadeira e a herança eterna! Amém.
D. Henrique Soares da Costa
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Homilia do Pe. Françoá Costa

Circuminsessio

Que palavra é essa? É simples. É o sinônimo de “perichoresis”. O quê? Ficará mais simples se eu utilizar as palavras de Jesus que escutamos neste domingo: “Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede ao menos por causa destas obras” (Jo 14,11). Agora ficou claro. Não? Então vamos deixar por um momento a palavra grega e analisemos a latina: “circuminsessio”. “Circum” significa “o que está em volta”, “sessio” significa “sentar-se”. Uma variante desta expressão é “cicumincessio”; neste caso, “cessio” estaria relacionada com “incessum” que significa “avançado”. Tem, por tanto, um significado mais dinâmico. Esse dinamismo se encontra presente na palavra grega, “perichoresis”, que conserva o significado de “recirculação” entre as Pessoas divinas.
São Gregório Nazianzeno utilizou a palavra “perichoreo” para explicar a mútua presença da natureza divina e da natureza humana, compenetradas e sem confusão, em Cristo. São Máximo o Confessor utilizou essa mesma palavra para expressar a união das duas naturezas, mas com relação às ações do Verbo encarnado. A partir do assim chamado “Pseudo-Cirilo” começou a usar-se o vocábulo para a doutrina trinitária, desta maneira se afirma a multiplicidade das Pessoas em Deus permanecendo sempre a unidade divina. Os Doutores medievais utilizaram a palavra grega traduzindo-a por circumincessio ou circuminsessio.
Perichoresis ou circumisessio é a in-existência ou presença de cada uma das pessoas da Santíssima Trindade nas outras duas. A doutrina cristã afirma que há um só Deus em três Pessoas verdadeiramente distintas. O Pai não é o Filho, nem o Filho é o Pai; o Pai não é o Espírito Santo, o Filho não é o Espírito Santo; o Espírito Santo não é nem o Pai nem o Filho. Não obstante, como existe um só Deus, é importante falar desse mútuo “permanecer em” das três Pessoas divinas para evitar qualquer divisão na essência divina e, em consequência, para evitar falar de três deuses.
A doutrina da circuminsessio afirma que o Pai está no Filho e o Filho está no Pai, que onde está o Pai aí também está o Filho. E o mesmo se diga do Espírito Santo em relação ao Pai e ao Filho.
Observemos também que Jesus nos convida a descobrir essa mútua presencia entre Ele e o Pai através das suas obras. As ações de Jesus mostram que ele faz em todo momento a vontade daquele que o enviou, que ele espera sempre o tempo que o Pai determinou para realizar as coisas, que ele está –de maneira semelhante a como estava Adão antes do pecado– em total dependência do Pai. Ele, ao contrário do primeiro homem, não se rebelou contra Deus, não o desobedeceu. Jesus sempre amou o Pai e fez em tudo a sua vontade. Essa maneira de fazer e de ensinar-nos, leva à compreensão da presença do Pai nele, e à inversa.
A nossa maneira de atuar também mostra que em nós residem o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Que ninguém se assuste se nesse momento eu utilizo a palavra “perichoresis” ou “circuminsessio” não somente no sentido cristológico ou trinitário, mas também em perspectiva antropológica. Há uma presença de Deus no homem, e à inversa: há uma presença do homem em Deus. Esse é o “divinum comercium”, o comércio divino entre Deus e o homem, e que os Padres da Igreja gostavam de expressá-lo dessa maneira: o Filho de Deus se fez homem para que o filho do homem se fizesse filho de Deus.
É importante que a nossa maneira de atuar, como no caso de Jesus, manifeste que Deus encontrou uma casa no nosso coração, que as três Pessoas divinas habitam na nossa vida em graça, que nós estamos presentes em Deus e que Deus está presente em nós. Agora mesmo, nesse exato momento, a humanidade que se encontra na Pessoa de Jesus, no céu, é a nossa humanidade. A humanidade gloriosa de Cristo manifesta como deve ser o homem segundo o plano de Deus porque Deus o criou para a incorruptibilidade, para a santidade e para a imortalidade. A nossa humanidade está na intimidade de Deus e Deus está no mais íntimo do nosso ser quando vivemos em graça.
A vida cristã é consequência da in-habitação trinitária em nós. Assim fica mais fácil entender a Escritura quando afirma que nós somos templos do Espirito Santo. Não poderia ser diferente uma vez que Deus mora em nós. Ou seja, o que acontece nas profundezas da comunhão trinitária, acontece, a outro nível, entre Deus e nós. As relações entre o homem e Deus tem que ser a imagem das relações que há entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo.
Pe. Françoá Costa
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Erros históricos sobre a Trindade:
3.1.1- O Modalismo.
3.1.2- O Subordinacionismo.
3.1.3-  O Triteísmo.
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Homilia de Mons. José Maria Pereira

O Caminho e a Oração

Hoje e sempre encontramos multidões que têm  fome e sede de Deus. Continuam a ser atuais as palavras de Santo Agostinho no início de suas Confissões: “Criaste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti.” O coração da pessoa humana foi feito para procurar e amar a Deus. E o senhor facilita esse encontro, pois ele também procura cada pessoa através de inúmeras graças, de atenções cheias de delicadeza e de amor. A sua sede de salvar os homens é tal que declara: “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Tal declaração tem a sua origem na pergunta de Tomé o qual, ao não compreender tudo o que Jesus afirmara acerca de Seu regresso ao Pai, lhe perguntara: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como é que sabemos o caminho?” (Jo 14,5). O apóstolo pensava num caminho material, mas Jesus indica-lhe um espiritual, tão sublime que se identifica com a Sua Pessoa: “Eu sou o caminho”; e não lhe mostra apenas o caminho, mas também a meta- “ a verdade e a vida”- à qual conduz e que é também Ele mesmo. Jesus é o caminho que conduz ao Pai: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6); é a verdade que O revela: “Quem Me viu, viu o Pai” (Jo 14,9); é a vida que comunica aos homens a vida divina: “Assim como o Pai  tem a vida em Si mesmo” , assim a tem o Filho e dá-a “àquele que quer” (Jo 5, 26. 21). “Eu estou no Pai e o Pai está em Mim”(Jo 14,11). Sobre esta fé em Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, caminho que conduz ao Pai e igual em tudo ao Pai, fundamenta-se a vida do cristão e a de toda a Igreja.
Jesus, com a sua resposta, está “como que a dizer: Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-Se caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a Sua humildade e chegarás até Deus” (Santo Agostinho).
Em At 6, 1-7 temos a escolha dos diáconos para ajudarem os Apóstolos no atendimento da comunidade que crescia cada dia, pois a Palavra de Deus ia se espalhando cada vez mais. Disseram os Apóstolos: “Quanto a nós entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra” (At 6,4).
Assim como o Mestre passava longas horas em oração individual, também o apóstolo reconhece a necessidade de alcançar forças novas na oração pessoal, feita em íntima união com Cristo, pois só assim será eficaz o seu ministério e poderá levar ao mundo a palavra e o amor do Senhor.
Já dizia o Santo João Paulo II: “A oração é para mim a primeira tarefa e como o primeiro anúncio; é a primeira condição de meu serviço à Igreja e ao mundo.”
São Josemaria Escrivá ensinou: “… a nossa vida de apostolo vale o que valer a nossa oração” (caminho, nº 108). E, continua São Josemaria: “ Se não és homem de oração, não acredito na retidão de tuas intenções quando dizes que trabalhas por Cristo” (Caminho, nº 109)
O apostolado é fruto do amor a Cristo. Ele é a luz com que iluminamos, a verdade que devemos ensinar, a Vida que comunicamos. E isto só será possível se formos homens e mulheres unidos a Deus pela oração.
A oração nunca deixa de dar os seus frutos. Dela tiraremos a coragem necessária para enfrentar as dificuldades com a dignidade dos filhos de Deus, bem como para perseverar no convívio com os amigos que desejamos levar a Deus. Por isso a nossa amizade com Cristo há de ser cada dia mais profunda e sincera. Sem oração, o cristão seria como uma planta sem raízes; acabaria por secar, e não  teria assim a menor possibilidade de dar fruto. A oração é o suporte de toda a nossa vida e a condição de todo o apostolado. “Persevera na oração.- Persevera, ainda que o teu esforço pareça estéril.- A oração é sempre fecunda” (Caminho, nº 101)
Mons. José Maria Pereira








PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)




louvor (quando o pão consagrado estiver sobre o altar)                                   Jo 14, 1-12
- o senhor esteja com todos vocês... demos graças ao senhor, o ...
- com jesus, POR JESUS E EM JESUS, na força do espírito santo, louvemos ao pai.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE.
- Pai, nós Vos damos graças pelo Vosso Filho e Vosso Espírito Santo; Vosso Filho que nos fortalece e Vosso Espírito Santo que nos transforma e nos capacita. Fortalecidos e transformados queremos ser testemunhas de vosso Reino. Queremos anunciar e denunciar. Anunciar vosso projeto e denunciar os desvios que corroem este Reino.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE, ALELUIA.
- Nós Vos damos graças por Jesus Ressuscitado: Ele é a pedra viva e a pedra angular, que a morte não conseguiu eliminar. Ele é a rocha sobre a qual repousa a nossa fé. Por Ele e n’Ele nós Vos Louvamos e vos agradecemos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE, ALELUIA.
- Pai, nós Vos bendizemos por Jesus, Vosso Filho, porque Ele é para nós o Caminho, a Verdade e a Vida. N’Ele descobrimos o Vosso rosto. Ele é a luz do mundo.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE, ALELUIA.
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...



quinta-feira, 4 de maio de 2017

4º Domingo de Páscoa ANO A 2017

4º Domingo de Páscoa ANO A 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema:  JESUS, O “Bom Pastor”; “Em verdade vos digo, eu sou a porta... Quem entrar por mim, será salvo!”
Evangelho: Cristo é o  Bom Pastor que tem a missão de libertar o povo de Deus da escravidão.
Segunda leitura: seguir “o Pastor” é responder à injustiça com o amor, ao mal com o bem.
Primeira leitura:: é preciso converter-se (isto é, deixar os esquemas de escravidão), ser batizado (isto é, aderir a Jesus e segui-lo) e receber o Espírito Santo (acolher no coração a vida de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela).

EVANGELHO (Jo 10,1-10) Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

AMBIENTE - O “Bom Pastor”. Uma catequese sobre a missão de Jesus: em conduzir o homem à vida em plenitude.
A imagem do “Bom Pastor” está em Ez 34. Falando aos exilados da Babilônia, os líderes de Israel foram maus “pastores”, que conduziram o Povo por caminhos de morte e de desgraça; o próprio Deus vai agora assumir a condução do seu Povo; Ele porá à frente do seu Povo um “Bom Pastor” (o “Messias”), que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida.

MENSAGEM - Na primeira parte, Jesus apresenta-se como “O Bom Pastor”, e diz: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos, que se servem das suas prerrogativas para explorar o Povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos). Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): O seu objetivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse.
Ao contrário, Jesus é “o Pastor” que entra pela porta: ele tem uma missão, que foi-Lhe confiada pelo Pai.
Ao apresentar-se como Aquele “que entra pela porta”, com autoridade legítima, Jesus declara-Se o “Messias” enviado por Deus para conduzir o seu Povo para as pastagens onde há vida em plenitude. Ele entra no redil das “ovelhas” para cuidar delas, não para explorá-las. Em primeiro lugar, irá chamar pelo “seu nome”, porque conhece cada uma: para Jesus, não há “massas”, mas pessoas, com a sua identidade própria, com a sua riqueza, com a sua dignidade.
Não obrigará ninguém a responder-Lhe; mas os que responderem, Jesus conduzi-los-á “para fora”: caminhará “diante das ovelhas” e estas o seguirão, pois Ele próprio é “o caminho” que leva à vida plena. As “ovelhas” seguem-no no caminho do amor e do dom da vida, a fazer d’Ele a sua referência. As “ovelhas” “escutam a sua voz”, porque sabem que só a voz de Jesus as conduz ao encontro da vida.
Na segunda parábola, Jesus apresenta-Se como “a porta”. Aqui, ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver um mandato de Jesus, se não tiver sido convidado por Jesus; e significa também que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver os mesmos sentimentos, a mesma atitude de Jesus (que não é a de explorar as “ovelhas”, mas a de dar-lhes vida). Jesus é o único lugar de acesso para que as “ovelhas” possam encontrar as pastagens que dão vida. “Passar pela porta” que é Jesus significa aderir a Ele, segui-lo, acolher as suas propostas. As “ovelhas” que passam pela porta que é Jesus (isto é, que aderem a Ele) podem passar para a terra da liberdade, onde encontrarão “pastos” (vida em plenitude).
O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Contraste entre Jesus e os maus dirigentes: Estes utilizam o “rebanho”, despojam e exploram o povo; mas Jesus só procura que o seu “rebanho” encontre vida em plenitude.


ATUALIZAÇÃO • “o Pastor” é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o “rebanho” de Deus das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida.
• Cristo conhece as “ovelhas” e chama-as pelo nome, mas não força ninguém a segui-lo: respeita a liberdade de cada pessoa.
• As “ovelhas” têm de “escutar a voz” do “Pastor” e segui-lo… Isso significa percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.
• Para que distingamos a “voz” de Jesus, é preciso um permanente diálogo com “o Pastor”, um confronto permanente com a sua Palavra e a participação ativa nos sacramentos onde Ele nos comunica essa vida que “o Pastor” nos oferece.
A Porta permite a passagem dos donos da casa  e impede o ingresso dos estranhos:

SALMO RESPONSORIAL / 22(23)
O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha.
• O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta
coisa alguma. / Pelos prados e campinas verdejantes
/ ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes
me encaminha / e restaura as minhas forças.
• Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do
seu nome. / Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
/ nenhum mal eu temerei; / estais comigo com bastão
e com cajado; / eles me dão a segurança!
• Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do
inimigo, / e com óleo vós ungis minha cabeça; / o meu
cálice transborda.
• Felicidade e todo bem hão de seguir-me / por toda a
minha vida; / e, na casa do Senhor, habitarei / pelos
tempos infinitos.

SEGUNDA LEITURA (1Pd 2,20b-25) Leitura da Primeira Carta de São Pedro.
Caríssimos, se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus. De fato, para isto fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

AMBIENTE - Continuamos com essa Primeira “Carta de Pedro”, década de 80.
O autor prevê que, num futuro próximo, o ambiente se vá tornar menos favorável ainda. Recorda o exemplo de Cristo, que sofreu e morreu, antes de chegar à ressurreição. É um convite à esperança: os crentes estão destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem o seu compromisso batismal.

MENSAGEM - O exemplo de Cristo: Ele sofreu sem ter feito mal nenhum; maltratado, não respondeu com agressão e vingança; pelo dom da sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e uns dos outros; por isso, Ele é o Pastor que conduz e guarda os crentes.
O autor está sugerindo que foi do sofrimento de Cristo que resultou vida e salvação para o rebanho de Deus.
O autor aconselha a suportar com paciência as provações. – deve rejeitar o recurso à violência. É nessa atitude de bondade e de mansidão que se manifesta a graça de Deus.

ATUALIZAÇÃO
• Como devemos lidar com a injustiça e com a violência? O autor propõe o exemplo de Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem e foi preso, torturado, assassinado sem resistir, sem Se revoltar, sem responder “na mesma moeda” aos seus assassinos. O cristão é chamado a ser testemunha desta novidade: só o amor gera vida nova e transforma o mundo.
• Seguir o Pastor é responder à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

PRIMEIRA LEITURA (At 2,14a.36-41) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

AMBIENTE - Pedro testemunha Jesus, a sua vida, a sua morte e a sua ressurreição. apresenta o kerigma sobre Jesus.

MENSAGEM - Pedro, em nome da comunidade, convida a reconhecer o “Senhor”, o “Messias” (o “ungido” de Deus). O arrependimento é o primeiro passo para a mudança de vida.
 A “conversão” (“metanoia”) significa a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores. A “conversão” é a renúncia ao egoísmo e à autossuficiência, e o aceitar a proposta de salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus e segui-lo, no caminho do amor, da entrega, do dom da vida. A adesão a Jesus traduz-se num gesto: o “receber o batismo”. “Pedir o batismo” é reconhecer que Jesus tem uma proposta de salvação  e vida nova que Jesus propõe.

ATUALIZAÇÃO
• Por intermédio de Pedro, a comunidade toma consciência dos caminhos errados.
• Converter-se é deixar os velhos esquemas de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de autossuficiência, para ir atrás de Jesus e aprender com Ele a amar, a servir, a dar a vida.

Pe. Joaquim, Pe. Carvalho, Pe Barbosa.

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Homilia do Padre Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, neste final de semana a Igreja celebra o domingo do Bom Pastor. Desde o Concílio Vaticano II, neste dia oramos pelas vocações, pois a igreja viu neste concílio que todos somos chamados a sermos pastores ou pastoras. Por esta razão, na igreja católica, o presbítero (padre) não é chamado de pastor, enquanto as outras denominações de igrejas cristãs não católicas chamam seus dirigentes de pastores.
Todos somos pastores ou pastoras na medica em que somos chamados a darmos a vida pelo irmão, somos, então, parecidos com Jesus. Jesus é o único e o grande o Bom Pastor. Ele é o Bom pastor, enquanto os outros são chamados só de pastores. Ele é o Bom pastor porque os pastores normalmente vivem da vida das ovelhas. Eles cuidam das ovelhas, fazem as ovelhas ganharem peso, depois comercializa as ovelhas, normalmente as ovelhas vão para o abate e ele, então, fica com o dinheiro da venda ou ele mesmo abate a ovelha para seu alimento. Isto é a prática normal para quem é pastor.
Jesus é o Bom Pastor; Ele cuida das ovelhas e quando ela ganha peso, ao invés de comercializá-la ou abatê-la, Ele é que entrega sua vida pela ovelha. Neste sentido, Ele se diferencia dos outros pastores. Jesus é aquele que nos resgatou da escravidão com o seu sangue. Jesus é aquele que se colocou no lugar da ovelha, por isso é o Cordeiro para o sacrifício de salvação. Jesus é o Cordeiro imolado. Ele se coloca no lugar do cordeiro para servir de alimento a todas as pessoas. Todos nós, inspirados no exemplo de Jesus, somos chamados a ser este pastor. Por isso, todos nós somos pastores uns dos outros. Assim sendo, a Igreja se recolhesse como sendo a grande Pastora para os povos. Ela é chamada a mostrar o caminho que leva à vida e vida em abundância. Ser pastor e luz para os povos não é tão simples. Passamos por tribulações. Nossa Igreja foi construída com o sangue dos mártires, aqueles que enfrentaram a tribulação. São João nos diz no Apocalipse: “Eu, João, vi uma multidão imensa, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do Cordeiro. Trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Então o ancião me disse: são os que vieram da grande tribulação”.
A nossa Igreja foi construída com o sangue dos mártires, aqueles que enfrentaram a tribulação. A estes que chamamos de “Santos”, que tantas outras igrejas não católicas não aceitam. Está aqui na Bíblia; eles são os santos. Se nós os homenageamos, não é que os tratamos como deuses. Não há outro Deus que não seja o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Deus único em três Pessoas. Não. Nós os homenageamos porque eles merecem o nosso reconhecimento. Eles tiveram coragem de entregar o seu sangue, coisa que não sei se todos nós teríamos a mesma coragem. Se eles merecem uma atenção, merecem o nosso muito obrigado, porque é graças ao testemunho deles, que outros tomaram coragem e foram transmitindo a fé até os dias de hoje. Nós não somos tão ingênuos de pensar que eles tem poder como Deus, mas também não somos ingênuos de pensar que eles não colaboraram com nada. Eles servem para nós como inspiração; assim como eles tiveram coragem de testemunhar que Deus é bom e Deus é a segurança, que nós também tenhamos coragem de testemunhar a nossa fé.
Celebrar o Bom Pastor, é reconhecer que Ele é um alimento tão forte, ao ponto das ovelhas não ter medo de se apresentarem ao matadouro. Deus não quer que ninguém entregue a sua vida, mas muitas pessoas, ainda hoje no mundo, sobretudo na Ásia, no Oriente, porque são cristãs, são perseguidas. Isto é importante nós falarmos. Porque se nós não homenagearmos nossos mártires, quem fará isto?
Meus irmãos e irmãs temos que ter clareza. Realmente a bíblia diz para não fazermos imagem e não dá para fazer mesmo, porque Deus não tem imagem. Por isso temos o sacrário onde não há imagem, pois ali está que sabemos ser Deus. As imagens estão no restante da igreja, para lembrarmos da pessoas que foram fiéis a Deus até a morte.
Um exemplo de perseguição foi Paulo e Barnabé. Começaram a pregar o Evangelho e todos correram para impedi-los. Quando nós encontrarmos dificuldades no caminho, é bom lembrarmos que não é um privilégio para nós. Outros já enfrentaram as mesmas dificuldades e às vezes com maior intensidade. Assim como eles puderam enfrentar as perseguições, que também nós possamos enfrenta-las, pois Jesus está ao nosso lado a todo momento, sobretudo nos momentos mais difíceis. “Eu dei-lhes a vida eterna e eles jamais se perderão”. É isto que nós cremos. É isto que celebramos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.


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4º Domingo da Páscoa; Porta das ovelhas

Celebramos hoje o Domingo do BOM PASTOR.
É uma imagem muito conhecida já no Antigo Testamento.
É um título de Cristo muito familiar aos primeiros cristãos.
É um modelo apresentado a todos os que exercem alguma Liderança na Comunidade

Na 1ª e 2ª Leitura, Pedro explica como entrar pela Porta, ou escutar a voz do Pastor: mediante a conversão e o Batismo (At 2,14a.36-41), e através do seguimento das pegadas de Cristo, fazendo o bem sob o peso do sofrimento. (1Pd 2,20-25)

O Salmista testemunha as ações do Pastor e o desejo de habitar sempre com ele: "O Senhor é meu Pastor, nada me faltará". (Sl 22)

No Evangelho Jesus se apresenta como o Bom Pastor.
É uma catequese sobre a Missão de Jesus: conduzir os homens às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de
onde brota a vida em plenitude. (Jo 10,1-10)

O texto está dividido em duas partes, ou duas parábolas:

1. Na primeira parte, aparece a figura do Bom Pastor, numa atitude de ternura com as ovelhas...
Ele as conhece, as chama pelo nome, caminha com elas e estas o seguem. Elas escutam a sua voz, porque sabem que as conduz com segurança.

Em contraste com o pastor, aparecem as figuras dos ladrões e dos bandidos.
São todos os que se apresentam como Pastor, ou até falam em nome de Cristo, mas procuram somente vantagens pessoais.

2. Na segunda parte, Jesus se apresenta como a "Porta das ovelhas":  "Quem entrar por mim será salvo".
    A Porta permite a passagem dos donos da casa e impede o ingresso dos estranhos:
    Quando a porta é fechada é para proteger as ovelhas dos assaltantes;  quando é aberta o pastor vai à frente, para conduzir as ovelhas às pastagens.
- Para os líderes significa que ninguém pode ir ao encontro das ovelhas se não tiver um mandato de Jesus, se não tiver sido convidado por Jesus, se não se orientar pela prática de Jesus.
- Para as ovelhas significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as ovelhas possam encontrar as pastagens que dão vida.

A figura do Pastor era uma imagem muito familiar no tempo de Jesus.
Mas no mundo urbanizado de hoje, talvez ela perde a força que tinha então...
àO que nos diz ainda hoje esta imagem?

+ Convida-nos a refletir sobre o serviço da Autoridade… Propõe como  Modelo: Deve ser exercido numa atitude de Serviço contínuo e gratuito.
+ Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo:
   Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus...
   - Cristo, de fato, é o nosso "Pastor"? Ou temos outros "pastores", que orientam a nossa existência?
   - Quem conduz as nossas escolhas? Cristo? 
      Ou a voz da política, a voz da opinião pública, a voz do partido, a voz do comodismo e da instalação, a voz dos nossos privilégios,  a voz do êxito e do triunfo a qualquer custo, a voz da novela? A voz da televisão?

+ Como Cristo desempenha a sua missão de Pastor?
   Ele conhece as "ovelhas" e as chama pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação muito pessoal.
     - Aqueles que receberam de Deus a missão de presidir,  de animar uma comunidade, o fazem dessa forma humana e amorosa?   

+ As ovelhas do rebanho de Jesus devem escutar a voz do Pastor e segui-lo… 
   Isso significa aderir a Jesus, percorrer o mesmo caminho dele,  na entrega total aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.

- Procuramos nós seguir o nosso "Pastor" no caminho exigente do dom da vida, ou preferimos outros caminhos mais cômodos.

+ Em nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam.   
   - Aceitamos sem problemas as pessoas que receberam essa missão de Cristo e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições?
   - De outro lado, estamos conscientes de que Cristo é o nosso único "Pastor", que devemos escutar e seguir sem condições?
     Os outros "pastores" têm uma missão válida, se a receberam de Cristo. E o seu jeito de atuar nunca pode ser diferente do de Cristo.

+ Para distinguir a "Voz" do "Pastor", é preciso três coisas:
   - um permanente DIÁLOGO íntimo com "o Pastor",
   - um confronto permanente com a sua PALAVRA e
   - uma participação ativa nos SACRAMENTOS, onde recebemos a vida, que "o Pastor" nos oferece.

+ Nesse 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa enviou uma mensagem, com o tema: " Vocações, testemunho da verdade!":
"A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si.
A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno... A colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós."

+ Dia das mães: A elas demonstremos nosso amor e gratidão com um gesto concreto. 
                   
                                      Pe. Antônio Geraldo
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Homilia de D. Henrique Soares

 “Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho”. Estas palavras da Liturgia exprimem admiravelmente o espírito deste Domingo IV do Tempo Pascal, chamado Domingo do Bom Pastor. Valeria a pena ler e meditar de modo contemplativo o capítulo 10,1-18 do Evangelho de São João. Aí, Jesus se revela como o Bom Pastor, ou melhor, o Perfeito, o Belo, o Completo e Pleno Pastor: “Eu sou o bom Pastor: o bom pastor dá sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Criticando duramente os pastores, isto é, os líderes do povo de Israel, Deus havia prometido ele mesmo vir pastorear o seu rebanho: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Os meus pastores não se preocupam com o meu rebanho! Eu mesmo cuidarei do meu rebanho e o procurarei. Eu mesmo apascentarei o meu rebanho, eu mesmo lhe darei repouso. Buscarei a ovelha que estiver perdida, reconduzirei a que estiver desgarrada, pensarei a que estiver fraturada e restaurarei a que estiver abatida” (cf. Ez 34). Pois bem! Agora, o Senhor Jesus – e pensemos nele ressuscitado, trazendo as marcas gloriosas da paixão – declara solenemente: “Eu sou o Bom Pastor!” Ele é o próprio Deus, que vem apascentar pessoalmente o seu povo!
Mas, sigamos a Palavra que hoje nos é anunciada. São Pedro e a Igreja proclamam com convicção: “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza; Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Mas, quem é este, constituído Senhor? Por que foi crucificado? A resposta está na segunda leitura deste hoje, nas palavras do próprio São Pedro: “Cristo sofreu por vós. Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava… Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda de vossas vidas!” Eis o nosso Bom Pastor, aquele que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer para que o rebanho tivesse vida!
Diante de um amor assim, de uma doação dessas, de um compromisso tão grande conosco, somente podemos fazer a pergunta que os ouvintes de Pedro fizeram: “Que devemos fazer?” E a resposta continua a mesma:“Convertei-vos e cada um de vós seja batizado, isto é, mergulhado, no nome de Jesus Cristo! Salvai-vos dessa gente corrompida!” Caríssimos, somos cristãos, somos ovelhas do rebanho do Bom Pastor! Ele é tudo: é o Pastor e é também a Porta do redil: somente encontra a vida verdadeira quem entre por ele. Há tantos falsos pastores no mundo atual, tantos sabichões, tantos que, nos meios de comunicação determinam o que é certo e o que é errado, o que é verdade e o que é mentira. Ainda agora, os maus pastores do nosso Congresso Nacional – ladrões e salteadores, diria Jesus – votaram pelo assassinato de embriões humanos; ainda agora o Governo Lula aprovou o aborto de modo disfarçado, facilitando o abortamento de qualquer jovem que alegue ter sido estuprada! Pastores falsos, que vêm “para roubar, matar e destruir”. Nós somos cristãos; nosso Pastor é o Cristo, aquele que por nós deu a vida, aquele que diz: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância!” Seremos ovelhas desse Pastor se escutarmos sua voz e atendermos ao seu chamado. Seguindo-o, encontraremos pastagens para a nossa vida. Mas, atenção: não poderemos segui-lo sem a conversão do nosso coração, sem nos deixarmos a nós mesmos, sem rompermos com aquilo que, no mundo, é modo de pensar e viver contrário ao Evangelho. Supliquemos, pois, ao Bom Pastor, o estado de espírito da ovelha confiante do Salmo da Missa de hoje: “O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. Ele me guia no caminho mais seguro. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei…”
Hoje também é Jornada de Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Peçamos ao Senhor que nos envie santos e sábios sacerdotes, cheios daquele amor que o Senhor Jesus tem pelo seu rebanho. Não nos iludamos: o único modo que o Senhor nos indicou para termos os pastores de que necessitamos é a oração: “Pedi ao Senhor da colheita que envie operários para a sua messe”. Rezemos, portanto, e nos empenhemos também, tanto material como espiritualmente, pela formação de nossos seminaristas!
Supliquemos hoje ao Bom Pastor que conceda a sua Igreja o Pastor cujo nome ele já conhece e escolheu. Que o novo Papa possa responder como Pedro à única questão que realmente importa: “Tu me amas? Sim, Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo!” (Jo 21,17). Todo o resto, toda a especulação humana, são de menos importância, diante do mistério do projeto de Deus para a sua Igreja. Então, que Deus nos conceda o Papa de que precisamos para nos apascentar nestes tempos até a Eternidade. Amém.
D. Henrique Soares da Costa
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Homilia do Pe. Françoá

 

 Amor de predileção pelos sacerdotes

Estamos no mês mariano. Durante este mês é importante que não nos esqueçamos de pedir à Mãe de Jesus que cuide dos sacerdotes. Cada padre, desde que João foi confiado a Maria, é seu filho predileto. Ela os ama de maneira muito especial.
O amor é necessariamente desigual. Não se pode pedir a uma mãe que ame com a mesa intensidade tanto os filhos que saíram das suas entranhas quanto aos estrangeiros que ela apenas teria saudado alguma vez. Não se pode pedir a um marido que a todas as mulheres por igual. Tampouco se pode exigir ao cristão amar a todos os seres humanos por igual. A caridade é ordenada e, por isso mesmo, justamente desigual. É lógico que amemos mais intensamente os nossos irmãos na fé, especialmente aqueles que convivem conosco; é totalmente normal que amemos mais fortemente os nossos familiares, especialmente os nossos pais; não há nada de estranho que amemos mais os nossos amigos que os nossos inimigos, ainda que devamos amar também aos inimigos.
Maria ama com predileção os sacerdotes do seu filho porque Jesus os confiou a ela enquanto sofria na cruz para a nossa salvação. Nossa Senhora não pôde esquecer jamais aquela cena. As últimas vontades de um moribundo, especialmente quando esse moribundo é o Filho de Deus, ficam gravadas na mente de uma maneira indelével. As últimas coisas que um filho pede a uma mãe ficam presentes para sempre na memória materna. Com Nossa Senhora não foi diferente: o desejo de Jesus permaneceu sempre presente no seu coração e ela tem cuidado dos sacerdotes com amor de predileção até hoje.
Gosto de pensar na figura de João. É o típico rapaz valioso e de pouca idade que decide entregar-se de corpo e alma a uma causa maior. João entregou tudo o que era seu aos cuidados de Jesus. João era jovem, tinha um coração puro, era um rapaz vigoroso, um jovenzinho de caráter forte, um coração grande e generoso. Eu não estou de acordo quando se escuta por aí que o vocacionado ao sacerdócio tem que fazer primeiro uma experiência de namoro antes de entrar no seminário. Aqueles que tiveram uma experiência desse tipo não são melhores nem piores do que aqueles que não a tiveram. No entanto, não posso deixar de elogiar a entrega total daqueles que, sem dividir o coração em nenhum momento, se entregaram totalmente a Cristo. Isso é maravilhoso!
Por outro lado, Jesus tem direito de escolher os seus ministros tanto entre os que mantiveram uma vida irrepreensível como o apóstolo João e o discípulo amado de Paulo, Timóteo; como entre aqueles que foram grandes pecadores, como Pedro, Paulo, Agostinho, etc. A todos esses o Senhor confiou a missão de ser pastores da sua grei.
No trecho do Evangelho de hoje, a palavra “porta” aparece quatro vezes. Jesus é a porta! Ou seja, o acesso a Deus, à felicidade, a uma vida verdadeiramente humana, é possível somente através de Cristo. Outras vozes, outras portas, outros pastores não conduzem à vida em abundância que só Jesus tem para dar-nos. Assim como Jesus é a porta das ovelhas, o sacerdote –agindo na Pessoa de Cristo cabeça e em nome da Igreja– também é porta.
Esse é um critério importante para pastores e ovelhas. O sacerdote tem que ser pastor no Pastor. Ele não pode pregar uma doutrina diferente da de Jesus. Se o padre pregasse algo diferente do Evangelho, ele estaria fazendo ressoar uma voz que as ovelhas não seguiriam porque elas não reconhecem nesse tipo de pregação a voz de Cristo, Pastor das suas almas. Nós, os sacerdotes, somos instrumentos do único Pastor. Chamam-nos pastores, e o somos, porque participamos no pastoreio de Jesus. Quando anunciamos a Palavra e quando celebramos os Sacramentos não somos nós, é Cristo em nós. Somos o mesmo Cristo, estamos identificados com ele. Que absurdo, portanto, pregar algo diferente do Evangelho! Que contrassenso pregar uma doutrina que não seja a doutrina católica, tanto em questões de fé quanto em questões de moral.
Os fiéis de Cristo têm direito a escutar a voz de Cristo através dos seus sacerdotes. Os ministros do Senhor foram ordenados para isso. Os fiéis podem e devem exigir deles o Cristo. Os demais cristãos não podem tolerar uma doutrina que não seja a do Divino Pastor e a da sua Esposa, a Igreja, vinda da boca de um sacerdote. Se tal coisa se desse, os fiéis deveriam, justamente, manifestar-se –mas com cuidado para não faltar à caridade– e pedir o que eles desejam: Jesus Cristo, sua palavra santa, os seus sacramentos.
Pe. Françoá Costa
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Pastor- Ovelhas- Vocações

O Quarto Domingo da Páscoa é o domingo do BOM PASTOR.
Depois de várias aparições de Cristo ressuscitado às mulheres, aos apóstolos, aos discípulos, hoje Jesus se apresenta como o BOM PASTOR! É um título de Cristo muito familiar aos primeiros cristãos. A liturgia deste domingo convida-nos a meditar na misericordiosa ternura de nosso Salvador, para que reconheçamos os direitos que Ele adquiriu sobre cada um de nós com a sua morte.
No Evangelho (Jo 10, 1-10) Jesus se apresenta como o BOM PASTOR. É uma catequese sobre a missão de Jesus: conduzir os homens às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.
O Bom Pastor aparece numa atitude de ternura com as ovelhas… Ele as conhece,as chama pelo nome, caminha com elas e estas O seguem. Elas escutam a Sua voz, porque sabem que as conduz com segurança.
Em contraste com o pastor, aparece a figura dos ladrões e dos bandidos. São todos os que se apresentam como Pastor, ou até falam em nome de Cristo, mas procuram somente vantagens pessoais. Além do título de Bom Pastor, Cristo aplica-Se a Si mesmo a imagem da porta pela qual se entra no aprisco das ovelhas que é a Igreja. Ensina o Concílio Vaticano II: “A Igreja é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo” (LG,6). No redil entram os pastores e as ovelhas. Tanto uns como outras hão de entrar pela porta que é Cristo. “Eu, pregava Santo Agostinho, querendo chegar até vós, isto é, ao vosso coração, prego-vos Cristo: se pregasse outra coisa, quereria entrar por outro lado. Cristo é para mim a porta para entrar em vós: por Cristo entro não nas vossas casas, mas nos vossos corações. Por Cristo entro gozosamente e escutais-me ao falar d Ele. Por quê? Porque sois ovelhas de Cristo e fostes compradas com o Seu Sangue”.
“… e as ovelhas O seguem, porque conhecem a sua voz” (Jo 10,4). Ora, a Igreja é Cristo continuado! Diz São Josemaria Escrivá: “Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho. Dispomos de um tesouro infinito de ciência: a Palavra de Deus guardada pela Igreja; a graça de Cristo, que se administra nos Sacramentos; o testemunho e o exemplo dos que vivem com retidão ao nosso lado e sabem fazer das suas vidas um caminho de fidelidade a Deus” (Cristo que passa, nº 34). Jesus é a porta das ovelhas! Para as ovelhas significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as ovelhas possam encontrar as pastagens que dão vida.
Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus… Portanto, Cristo deve conduzir as nossas escolhas.
Quem nos conduz? Qual é a voz que escutamos? A voz da política, a voz da opinião pública, a voz do comodismo e da instalação, a voz dos nossos privilégios, a voz do êxito e do triunfo a qualquer custo, a voz da novela? A voz da televisão?
Cristo é o nosso Pastor! Ele Conhece as ovelhas e as chama pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação muito pessoal.
A existência humana é bem complexa para que se possa vivê-la com segurança absoluta. Jesus, porém, oferece a quem O segue a direção exata e a proteção eficaz para evitar os elementos que podem prejudicar. Afirma o Sl 22(23): “ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei;estais comigo…”.
O Divino Pastor é quem pode, realmente, ajudar, salvar e conservar a vida. Ele afirmou: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Para distinguir a Voz do Pastor é preciso três coisas: – Uma vida de oração intensa; um confronto permanente com a Palavra de Deus e uma participação ativa nos sacramentos, onde recebemos a vida, que o Pastor nos oferece. Nesse 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa enviou uma mensagem, com o tema: “Propor as vocações na Igreja Local”: “É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobre tudo os adolescentes e os jovens, para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica… na escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus… A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local”.
Mons. José Maria Pereira


PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: Diáconos ou ministros extraordinários da Palavra)

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao senhor, o nosso Deus.
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito santo, louvemos ao Pai.
T: Louvor e Glória a vós, Pai de bondade, Aleluia!
- Bendito sejais, senhor nosso Deus, por manifestar Jesus como nosso Bom Pastor, nosso caminho e nossa entrada para o vosso Reino. É por Ele, com Ele e Nele que vos damos graças pela vossa bondade.  Agradecemos pela nossa vida, pelo nosso batismo e pela fé que recebemos de vossa Igreja.
T: Louvor e Glória a vós, Pai de bondade, Aleluia!
- Deus nosso Pai, nós Vos damos graças pelo Vosso Filho Jesus, porque suportou os nossos pecados no madeiro da cruz, a fim de que nós possamos morrer a tudo o que é mal e viver na vossa justiça. Nós éramos errantes como ovelhas sem pastor, mas Vós nos enviastes Jesus, o Bom Pastor, para que pudéssemos seguir os seus passos e sermos conduzidos para Vós.
T: Louvor e Glória a vós, Pai de bondade, Aleluia!
- Pai, Nós Vos damos graças e Vos bendizemos pelo Vosso amor. Renascidos pelo Batismo, temos o Bom Pastor que nos instrui e nos guia rumo a uma vida plena e feliz junto de Vós para toda a eternidade. Somos o vosso povo e sois o nosso Deus e Pai. 
T: Louvor e Glória a vós, Pai de bondade, Aleluia!
- PAI NOSSO...  A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS...