terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Batismo do Senhor, homilias, subsídios homiléticos


1º DOM. DO T. Comum. ANO C BATISMO DO SENHOR
(Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: O Batismo do Senhor
No Baptismo de Jesus revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Jesus fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e libertou-nos do egoísmo e do pecado para que pudéssemos chegar à vida plena.
A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Animado pelo Espírito, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade.
No Evangelho Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens.
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar a todos os povos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 42,1-4.6-7) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz Minh’ alma; pus meu espírito sobre ele; ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

AMBIENTE - Deutero-Isaías (cf. Is 40-55) é um profeta da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética na Babilónia, entre os exilados judeus, entre 550 e 539 a.C.; os judeus exilados estão frustrados, a libertação tarda… Será que Deus se esqueceu do seu Povo? O Deutero-Isaías aparece, então, com uma mensagem destinada a consolar os exilados. Começa por anunciar a iminência da libertação à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).
No meio desta proposta “consoladora” aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13- que falam de uma personagem misteriosa e enigmática, que os biblistas designam como o “Servo de Jahwéh”: a quem Deus chamou, confiou uma missão e  o enviou aos homens; a sua missão cumpre-se no sofrimento para o perdão do pecado do Povo.

MENSAGEM - O nosso texto  afirma que o “Servo” é um “eleito” de Deus, em vista da missão especial (cf. Nm 16,5.7; 17,20; Dt 4,37; 7,6.7; 10,15; 14,2; 18,5; 21,5; 1 Sm 2,28; 10,24; 2 Sm 6,21; 1 Re 3,8; etc.).
A “ordenação” do “Servo” realiza-se através do dom do Espírito (“ruah”), que dará ao “Servo” o alento de Jahwéh, a capacidade para levar a cabo a missão. A implementação dessa “nova ordem” não se dará com o recurso à força, à violência, ao espetáculo, mas com a bondade, a mansidão e a simplicidade que definem a lógica de Deus.
Na segunda parte (vers. 6-7), começa-se por afirmar que o “Servo” foi “chamado” a instaurar “a justiça”. Deus convida-o a ser “a luz das nações” e, a abrir os olhos aos cegos, a tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas. É, portanto, uma missão de libertação e de salvação.

ATUALIZAÇÃO - • A história do “Servo” mostra-nos que Deus atua através de instrumentos a quem Ele confia a transformação do mundo e a libertação dos homens. Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir os meus compromissos quanto a esta questão? Os pobres, os oprimidos, todos os que “jazem nas trevas e nas sobras da morte” podem contar com o meu apoio e empenho?
 É Deus que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a missão… Aquilo que eu faço, por mais válido que seja, não é obra minha, mas sim de Deus; o meu êxito na missão não resulta das minhas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em mim e através de mim.

SALMO RESPONSORIAL / SI 28 (29)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
• Filhos de Deus, tributai ao Senhor, / tributai-lhe a glória e o poder! / Dai-lhe a glória devida ao seu nome; / adorai-o com santo ornamento!
• Eis a voz do Senhor sobre as águas, / sua voz sobre as águas imensas! / Eis a voz do Senhor com poder! / Eis a voz do Senhor majestosa.
• Sua voz no trovão reboando! / No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” / É o Senhor que domina os dilúvios; / o Senhor reinará para sempre!

EVANGELHO (Lc 3,15-16.21-22) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”. Palavra da Salvação.

AMBIENTE - João Batista anunciava a proximidade do “juízo de Deus”. A sua mensagem estava centrada na urgência da conversão e incluía um rito de purificação pela água. O “batismo” proposto por João não era uma novidade. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água, sempre ligados a contextos de purificação ou de mudança de vida:  quem aceitava este “batismo” renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova.
O que é que Jesus tem a ver com isto? O aparecimento em cena de Jesus significa o começo de um novo tempo, o tempo em que o próprio Deus vem ao mundo, feito pessoa humana, para oferecer à humanidade a vida e a salvação.

MENSAGEM – O “messias” que “vai chegar” é definido por João como “aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno desatar as correias das sandálias”. “Desatar as correias das sandálias” era tarefa dos escravos. A missão é estar ao serviço desse “messias” que está para chegar. O “messias”, além de ser “mais forte” do que João, irá “batizar com o Espírito e com o fogo”. Tanto a fortaleza, como o batismo no Espírito, são prerrogativas que caracterizam o Messias que Israel esperava (cf. Is 9,5-6; 11,2). O testemunho de João não oferece dúvidas: chegou o tempo do “messias”, o tempo da libertação que os profetas anunciaram, o tempo em que o Povo de Deus irá receber o Espírito. Na perspectiva de Lucas, esta “profecia” de João concretizar-se-á no dia de Pentecostes: o “fogo” do “messias”, derramado sobre os discípulos reunidos no cenáculo, fará nascer um Povo novo e livre, a comunidade da nova Aliança.
A cena do “batismo” identifica claramente esse “messias” anunciado por João com o próprio Jesus. O Espírito Santo, que desce sobre Jesus como uma pomba”, leva-nos a essa figura de “Servo de Jahwéh” apresentada na primeira leitura, que recebe o Espírito de Deus para levar “a justiça às nações”. Por outro lado, a “voz vinda do céu” apresenta Jesus como “o Filho muito amado” de Deus (vers. 22). A missão de Jesus será, como a do “Servo”, “abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas” (Is 42,7); para concretizar esse projeto, Ele irá “batizar no Espírito” e inserir os homens numa dinâmica de vida nova.

A abertura do céu significa a união da terra e do céu. A imagem inspira-se, provavelmente, em Is 63,19, onde o profeta pede a Deus que “abra os céus” e desça ao encontro do seu Povo. Desta forma, Lucas anuncia que a atividade de Jesus vai reconciliar o céu e a terra, vai refazer a comunhão entre Deus e os homens.
O símbolo da pomba é, Provavelmente, símbolo do Espírito de Deus que, no início, pairava sobre as águas – cf. Gn 1,2) evoca a nova criação que terá lugar a partir da atividade que Jesus vai iniciar. A missão de Jesus é, portanto, fazer aparecer um Homem Novo, animado pelo Espírito de Deus.
Temos, finalmente, a voz do céu. Trata-se de uma forma muito usada pelos rabbis para expressar a opinião de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus é o Filho de Deus; e fá-lo com uma fórmula tomada desse cântico do “Servo de Jahwéh” que vimos na primeira leitura de hoje (cf. Is 42,1)… A referência ao Servo de Jahwéh sugere que a missão de Jesus, o Filho de Deus, não se desenrolará no triunfalismo, mas na obediência total ao Pai; não se cumprirá com poder e prepotência, mas na suavidade, na simplicidade, no respeito pelos homens (“não gritará, nem levantará a voz; não quebrará a cana fendida, nem apagará a tocha que ainda fumega” – Is 42,2-3).
Porque é que Jesus quis ser batizado por João? Jesus solidarizou-Se com o homem limitado e pecador, assumiu a sua condição, colocou-Se ao lado dos homens para os ajudar a sair dessa situação e para percorrer com eles o caminho da libertação, o caminho da vida plena. Esse era o projeto do Pai, que Jesus cumpriu integralmente.
A cena do Batismo de Jesus revela que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projeto de libertação em favor dos homens. Como verdadeiro Filho, Ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai; por isso, vem ao encontro dos homens, solidariza-Se com eles, assume as suas fragilidades, caminha com eles, refaz a comunhão entre Deus e os homens que o pecado havia interrompido e conduz os homens ao encontro da vida em plenitude. Da atividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade.

ATUALIZAÇÃO - • No episódio do Batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica… É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens e que, através da ação do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso Batismo, comprometemo-nos com esse projeto…
• O episódio do Batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irmãos mais desfavorecidos e estender-lhes a mão?
• No Batismo, Jesus tomou consciência da sua missão, recebeu o Espírito e partiu pelos caminhos da Palestina.

SEGUNDA LEITURA (At 10,34-38) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”. Palavra do Senhor

AMBIENTE - O texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesaréia, em casa do centurião romano Cornélio. Pedro entra na casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At 10,23b-48). Cornélio é o primeiro pagão a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova que nasce de Jesus se destina a todos os homens, sem exceção.

MENSAGEM - Pedro reconhece que a proposta de salvação oferecida por Deus e trazida por Cristo é universal. Cristo veio trazer a “boa nova da paz” (salvação) a todos os homens ou seja, a todo o homem e mulher, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, que aceita a proposta e adere a Jesus. 

ATUALIZAÇÃO - • Jesus de Nazaré “passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos”. Nos seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade, de amor, os homens encontraram o projeto libertador de Deus em ação… Esse projeto continua, hoje, em ação no mundo?

Fonte: Dehonianos

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Batismo de Jesus

A Liturgia de hoje nos apresenta o início da vida pública de Jesus.

Tudo começa com o BATISMO DE JESUS, cuja festa hoje celebramos. 

A 1ª Leitura fala de um misterioso "Servo" escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz. (Is 42,1-4.6-7)

A 2ª Leitura narra o Batismo de Cornélio. (At 10, 34-38)

Pedro dá seu testemunho e catequese na casa de Cornélio e no final batiza toda a sua família.
Cornélio é o primeiro pagão a ser admitido ao cristianismo por um apóstolo.

No Evangelho temos o Batismo de Jesus.
Jesus aparece como o Filho enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. (Lc 3. 15-16.21-22)

O Batismo de Jesus foi acompanhado de 3 fatos : (não é crônica...) :
- "Os céus se abriram...": Deus encerrou o seu silêncio...  abriu seu coração e voltou a ser amigo dos homens:
  É o momento da reconciliação entre o céu e a terra, entre Deus e os homens...
- "O Espírito Santo desceu como uma  Pomba":
  Relembra o início da criação onde o Espírito de Deus pairava sobre as águas...
- "Ouviu-se uma voz do céu...":
  Há 300 anos o povo não ouvia a voz de Deus pelos profetas...
  Ao enviar o  Espírito sobre Jesus, Deus voltou a falar com os homens...
  Era a TRINDADE presente... comemorando o grande acontecimento.

+ Jesus precisava receber o Batismo?
É claro que não. João até não queria batizar Jesus:
Mas Jesus queria mostrar que a sua atividade, que estava iniciando, seria a continuação daquilo que João Batista já estava anunciando...
Basta comparar os sermões de JB e os primeiros de JC: são idênticos...

* O Batismo de João: não era sacramento... (foram instituídos por Jesus).
Era um rito de iniciação à Comunidade Messiânica: Renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a Comunidade do Messias...
= Era uma antecipação do Batismo cristão, na "água e no Espírito".

+ O que significa o Batismo para nós?
- A Nicodemos, Jesus afirma: "Só se salvará quem renascer..."
- Na Ascensão, recomenda: "Ide... Batizai..."
- São Paulo resumia as obrigações e esperanças dos cristãos: "Pelo batismo, fomos adotados filhos..."

Sabemos o que realiza na pessoa:
  - Lava a mancha do pecado original...
  - Dá uma vida nova...
  - Nos torna membros do Povo de Deus e da Igreja...
  - Nos torna Filhos de Deus e herdeiros do céu.
   
Sabemos que tudo isso se realiza através de SINAIS:
- de PALAVRAS e GESTOS escolhidos por Deus
- de PESSOAS escolhidas por Deus (na Igreja)...

Para ser cristão, basta apenas receber o Batismo?

Ninguém duvida do valor e da eficácia do Batismo dado às crianças, mas a Igreja se pergunta: "Será oportuno batizar as crianças se os pais não praticam, não vivem o seu batismo?"
O que importa não é marcar a data do batismo, mas percorrer um caminho de fé...

O BATISMO nos tornou:

- CRISTÃOS: seguidores de Cristo...
- Para isso precisa:
    - Conhecer: estudar... ler... cursos... (Catequese permanente...)
    - Viver: o amor, o perdão, a fraternidade...
    - Anunciar: pela palavra, pela oração, pela ação...
    - Ser Membros do GRUPO de Cristo  (numa COMUNIDADE)...

+ "Este é o meu filho amado."

  Essa maravilha se renovou com cada um de nós, quando fomos batizados... 
  Ele só espera que conservemos essa vida divina que ele nos infundiu,  que vivamos o nosso Batismo...

Agradeçamos o grande dom do nosso Batismo... e peçamos forças para sermos fiéis a esse COMPROMISSO assumido...


                                     Pe, Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, estamos na festa do Batismo do Senhor e eu iniciei outras pregações chamando a atenção das pessoas: cada vez que participamos da Celebração Eucarística, é uma vez a mais que estamos participando, mas a Celebração Eucarística é sempre a mesma e única: é a mesma ceia, onde Jesus reúne seus discípulos, toma o pão e diz: Isto é o meu corpo, toma o vinho e diz: Isto é o meu sangue. Então, não existe duas, três ou dez missas (Celebração Eucarística). Existe duas, três, dez participações na mesma Celebração (missa). Isto, para nós cristãos católicos, não é simbólico, mas uma realidade. Agora, a Missa (Celebração Eucarística) possui uma liturgia. Na liturgia incluímos muitos símbolos. Hoje, por exemplo, estamos celebrando, simbolicamente, o Batismo do Senhor. Agora, se formos nos lembrar do domingo passado, nós celebrávamos o encontro dos Magos com Jesus na manjedoura. Hoje, estamos celebrando o Batismo do Senhor, o que significa que estamos celebrando trinta anos depois. Se eu não me der conta disso, vou achar que terminado a visita dos magos eles já foram batizar Jesus. Aí, eu formo toda confusão na minha compreensão e na celebração que eu participo. Então, é importante lembrar: o Batismo do Senhor, conforme os Evangelhos narram, acontece trinta anos depois do nascimento de Jesus. Então, damos aí um pulo de trinta anos. É evidente, que entre a Manjedoura e o Batismo de Jesus, a única informação que vamos ter é Jesus aos doze anos de idade, onde vamos ter Jesus com os doutores no Templo. É evidente também, que dos doze aos trinta anos, nós não temos informação alguma. O que dá margem para cada um falar o que quiser. E, às vezes falar até bobagem, porque você encontrará livros e pessoas atestando que dos doze aos trinta anos Jesus foi para outro planeta se preparar. As pessoas não conseguem aceitar um Deus que é filho de um carpinteiro. Ele tem que ser de um outro mundo. Nós, cristãos católicos, cremos, que Jesus viveu uma vida tão normal, dos doze aos trinta anos, que não teve nada para ser relatado. Não teve nada que pudesse ajudar alguém em sua caminhada de fé. Portanto, não temos relato nenhum. Este fato é importante para nós compreendermos que dos doze aos trinta anos Jesus teve uma vida como a nossa. Normal. É evidente, que não é assim preciso, matemático, mas é aos trinta anos que acabamos definindo o rumo de nossa vida, a nossa vocação. É um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, mas é por aí. Então, aos trinta anos, Jesus será apresentado por João Batista para a humanidade. Por que com trinta anos? Não sabemos. Sabemos que aos trinta anos João Batista vai apresenta-lo dizendo: Este é o cordeiro que tira o pecado do mundo. Ora, Jesus foi procurar o batismo na pessoa de João Batista. À primeira vista, então, João é mais importante que Jesus. É isto que o Evangelho quer responder: João Batista vai dizer: eu só vim preparar o caminho. Ele é o messias, do qual eu não sou digno de desatar as correias da sua sandália. Isto é importante para deixar claro, que João Batista realiza uma missão e Jesus outra. Dou um exemplo: quando João Paulo II foi eleito papa, então, teve a celebração da entronização , onde cada cardeal oferece, promete fidelidade e obediência ao papa. É uma missa em que cada cardeal chega, se ajoelha, promete fidelidade, sai, vem outro. Na ocasião, estava presente um cardeal muito idoso. Na sua vez, foi fazer seu voto de fidelidade e obediência a João Paulo II. Quando João Paulo II viu aquele cardeal, ele se levantou e o abraçou e o velho cardeal fez questão de jurar obediência a ele. Quem era esse cardeal? Foi o que o ordenou presbítero (padre), que depois, se torna Papa. Ora, se nós formos pensar, este cardeal deveria ser mais importante que João Paulo II, porque se ele não o ordenasse padre (presbítero), João Paulo II nunca seria Papa. É que na Igreja não funciona assim. Existe o mais importante e o menos importante segundo sua missão. Existem missões diferentes. Se quisermos ler com os olhos da fé, a missão daquele cardeal era ordená-lo presbítero e a missão de João Paulo II era de ser Papa. Missões diferentes, importância igual. É assim, entre João Batista e Jesus. A missão de  João Batista era apresentar Jesus para a humanidade e a missão de Jesus era salvar a humanidade. Os dois realizaram muito bem a missão. Desta maneira fica claro que quem é o mais importante fica claro: cada um tem a sua missão. Como cada um de nós temos a nossa missão. Isto não quer dizer que um seja mais importante do que o outro: temos missões diferentes.  Dentro de minha missão, eu sou importante. Dentro de sua missão, você é importante. Todos são importantes. Não existe um mais importante que o outro. Diz o Evangelho, também, que, quando Jesus foi Batizado, o céu se abriu, o Espírito de Deus desceu como uma pomba e uma voz disse: Este é o meu Filho amado. Nós somos crentes na Palavra de Deus, por isso, cremos que Jesus é o Filho amado de Deus, porque assim foi dito. Mas, por que será que o céu se abre? Porque os profetas tinham dito: “já não mais vos falarei, até que meu servo falará por mim.” O que significa, que a comunicação entre o céu e a terra estava fechada. A partir de agora, o céu se abre novamente e Deus, diretamente, fala com as pessoas. Não há mais necessidade de intermediar. O Espírito Santo, como o pombo enviado como correio, não se perde. Como um pombo, o Espírito Santo sabe por onde voar. De tal maneira, que quem confia no Espírito Santo, nunca estará perdido, porque ele sabe, muito bem, por onde conduzir e por caminhos que só ele conhece.
Se formos ler o Antigo Testamento, todo ritual de purificação dizia assim: você deve oferecer um boi ou novilho para a purificação. Mas, se você for pobre, ofereça um pombo. De tal maneira, que São Lucas quer frisar muito bem, que Jesus veio evangelizar a partir dos pobres.
Quem quiser continuar a leitura do Evangelho de hoje, verá que logo no capítulo quatro, Jesus vai dizer: o Espírito do Senhor está sobre mim e Ele me ungiu para evangelizar os pobres. A imagem da pomba tanto representa o Espírito de Deus que sabe por onde andar, como também representa a missão de Jesus, que é a partir dos pobres.
Este Evangelho é riquíssimo em símbolos e mostra que Jesus foi aquele que assumiu a missão de ser o servo de Deus. Celebrar o Batismo de Jesus é celebrar o nosso Batismo, porque cada um de nós, quando foi batizado, o Espírito de Deus desceu sobre nós, o céu se abriu e Deus falou: você é meu filho amado. Será que nós cremos que somos o filho amado de Deus? Se cremos, podemos nos tranquilizar, porque na leitura diz: Eu te escolhi, eu te tomei pela mão e te conduzi. Como isto é importante nós lembrarmos, num momento de uma enfermidade, no momento de um desemprego, no momento de uma dificuldade qualquer, ás vezes, desarmonia no lar, ás vezes alguma injustiça que estamos enfrentando, qualquer que seja a dificuldade. Em situação difícil lembrar: Eu te tomei pela mão, eu te conduzo. Como Deus sabe como caminhar, a exemplo da pomba, se nos deixarmos conduzir por Deus, saberemos como enfrentar todos os obstáculos. Jesus acreditou tanto nisto, que enfrentou a morte e venceu a morte, porque sabia em quem estava depositando a sua confiança. Para quem é esta promessa? Para todas as pessoas. Esta é a segunda leitura: Deus não faz distinção de pessoas. Basta que queiramos. Basta que aceitemos. Este é o grande convite da Celebração de hoje. Ao mesmo tempo relembrar do nosso Batismo ou retomar o nosso Batismo, porque a maioria, talvez, nem se lembre dele. E, caminhar, buscando realizar a missão. Temos a mesma missão de Jesus. Domingo passado Ele era apresentado como a luz das nações. Hoje quem é chamado a ser luz para os povos? Cada um de nós. Temos todas as condições, a exemplo de Jesus. A única diferença entre nós e Jesus é que Ele honrou o seu Batismo até o fim e às vezes, nós não honramos tanto. Esta é a diferença. Se honrarmos o nosso Batismo, veremos o que nós somos capazes de realizar.
Que Deus nos ajude a viver o que recebemos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André - SP


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Homilia de D. Henrique Soares

 A Festa de hoje encerra o sagrado tempo do Natal: o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!” (3,17).



Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!
Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz.
Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!
Uma última observação, muito importante: João diz: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Para os cristãos, não há batismo nas águas, mas somente Batismo no Espírito, simbolizado pela água (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao se fazer homem igual a nós! Mas este testemunho não é festivo, não é de oba-oba, mas um testemunho dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia!
Eis! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de sua Estrela atraiu a si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: ele é o Filho querido, ele é o Servo sofredor, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-o, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com ele e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares


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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):











 LOUVOR: (Quando o Pão Consagrado estiver sobre o altar)
Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao Pai:
O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor Nosso Deus...
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
- Pai, nós vos bendizemos, pois muitos profetas Vos anunciaram como um Deus vingativo, mas Vos apresentastes como um Deus pastor, que reúne e conduz o seu rebanho com amor e solicitude. Na nossa sociedade do consumo e do lucro, tão dura para quem perde, nós vos pedimos: que as nossas comunidades cristãs sejam lugares de reconforto e de esperança”.
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
- Oh Deus, nosso Pai, nós vos damos graças, porque manifestastes Vossa bondade e ternura para com a nossa humanidade; Fizestes nos renascer pela água do Batismo e nos renovastes no Espírito Santo. Que o Vosso Espírito Santo nos ensine a rejeitar o pecado e as paixões deste mundo e a viver no mundo presente como pessoas justas e cheias de amor para com todos.
T: Bendito seja o Senhor, o nosso Deus!
- Senhor, nosso Deus e pai, que nenhum olhar pode ver, sois Bendito pela revelação que comunicastes no Batismo de Jesus, porque Vos manifestastes como o Pai de Jesus e nosso Pai e ainda nos revelastes o Espírito Santo. Nós Vos pedimos pelas crianças e pelos jovens que serão batizados neste ano. Pedimos também pelos pais e pelos catequistas para que possam transmitir o vosso amor a todos os vossos filhos.

Pai nosso... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

EPIFANIA DO SENHOR ANO C, homilias, subsídios homiléticos


EPIFANIA DO SENHOR ANO C 2019 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Epifania do Senhor: A manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é a “luz” que atrai a todos os povos.  Primeira leitura: Anuncia a chegada da luz de Jahwéh, que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
Evangelho: Ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Segunda leitura:  O projeto salvador de Deus vai atingir toda a humanidade numa mesma comunidade de irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 60,1-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está
a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. Trata-se de um profeta, pós-exílio, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilónia, nos anos 537/520 a.C.; Deus para trazer a salvação definitiva ao seu Povo. Então, Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo será reconstruído e Deus habitará para sempre no meio do seu Povo.

MENSAGEM - Inspirado pelo sol nascente que ilumina as construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã, o profeta sonha com uma Jerusalém muito diferente daquela que os retornados do Exílio conhecem; essa nova Jerusalém levantar-se-á quando chegar a luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Nesse dia, Jerusalém vai atrair os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, a cidade será repovoada; além disso, povos de toda a terra – atraídos pela promessa do encontro com a salvação de Deus – convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas (nomeadamente incenso, para o serviço do Templo) e cantando os louvores de Deus.

ATUALIZAÇÃO - O projeto de libertação que Jesus veio apresentar aos homens será a luz que vence as trevas do pecado e da opressão e que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 71 (72)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
• Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres.
• Nos seus dias a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra!
• Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo.
• Libertará o indigente que suplica, / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará.

EVANGELHO (Mt 2,1-12) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

AMBIENTE - O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de Deus aos homens de toda a terra.

MENSAGEM - Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-lo a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar fatos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacó (cf. Nm 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguro para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “magos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contato com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-no como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagão-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direção a Jesus.

ATUALIZAÇÃO
• Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados).
• Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
• Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?
• Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.

SEGUNDA LEITURA (Ef 3,2-3a.5-6) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

AMBIENTE - A Carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
Na parte dogmática da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre “o mistério”: depois de um hino que põe em relevo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da salvação (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes angélicos e do seu papel de cabeça da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situação universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); expõe, ainda, como é que Cristo – realizando “o mistério” – levou a cabo a reconciliação de judeus e pagãos num só corpo, que é a Igreja (cf. 2,11-22)… O texto que nos é proposto vem nesta sequência: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do “mistério” diante dos judeus e diante dos pagãos (cf. Ef 3,1-13).

MENSAGEM - É esse “mistério” que Paulo aqui desvela … Paulo insiste que, em Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não se destina exclusivamente aos judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou Igreja), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias com os judeus, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.

ATUALIZAÇÃO - • A primeira novidade é que Cristo é a revelação e a realização plena desse projeto. A segunda novidade é que esse projeto não se destina apenas “a Jerusalém” (ao mundo judaico), mas é para ser oferecido a todos os povos.
• Destinatários, todos, do mistério, somos “filhos de Deus” e irmãos uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade…

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho


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Homilia do Pe. PEDRINHO

Cada ano somos convidados a voltar o olhar para a epifania do Senhor.  Jesus que se manifesta o messias para todo o ser humano. Esta festa tem como símbolo principal a LUZ. Qual a razão? Porque a luz ocupa muitas páginas da Bíblia, tanto no antigo como no novo testamento. Já na primeira página que fala da criação, o texto diz: No princípio era o caos e Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita. Houve tarde e manhã; primeiro dia. Esta luz não pode ser confundida com o sol, porque no relato da criação, o sol será criado no quarto dia. O sol é o luzeiro maior para iluminar o dia e o luzeiro menor para iluminar a noite, que é a lua. Nós sabemos que esta luz será de grande ajuda para o povo de Deus. Na libertação do povo no Egito, nós temos o sarça ardente, uma luz que brilha, um fogo que não consome a sarça. E através desta sarça, Deus se comunicando com Moisés, dizendo: “Você deve me ajudar a libertar o meu povo. Depois vamos ver uma coluna de fogo acompanhando o povo que era escravo no Egito para a terra prometida. Esta luz, coluna de fogo, ilumina o caminho para aqueles que vão para a terra prometida e ofusca os olhos dos egípcios. Nós temos esta mesma manifestação de Deus, através do fogo, apresentada para nós, através de São João Evangelista e de São Paulo. São João vai dizer: No princípio era a palavra, a palavra estava em Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Ele é a LUZ que veio a este  mundo, mas o mundo preferiu as trevas. Então, São João nos apresenta Jesus, como sendo esta luz. Também são Paulo na caminhada para Damasco, em pleno sol do meio dia no deserto, vê uma luz muito mais forte do que o sol, senão ele não teria percebido esta luz. E no encontro com esta luz, descobre que esta luz é Jesus, apresentado então como luz do mundo. O próprio Jesus disse: Eu sou a luz do mundo e vós sois a luz do mundo; ninguém acende uma lâmpada para colocar debaixo da cama, mas em lugar que ilumina todo o ambiente. Jesus se apresenta como luz e espera de cada um que sejamos luz. Como posso ser luz? O batismo me concede isto. No batismo somos apresentados ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. O Pai se revela como luz na sarça ardente, o Filho se revela como luz na medida em que abre os olhos do cego, o Espírito Santo se revela como luz na medida que se revela como luz de fogo em Pentecostes e se reparte em línguas de fogo sobre os apóstolos e vai iluminar a compreensão de cada ser humano. No batismo recebemos uma vela, onde se diz; recebei a luz de Cristo. Esta luz vos é entregue para que alimenteis, esforçai-vos para que caminheis sob a luz que é o Cristo e possas ir ao seu encontro quando Ele vier. Esta vela é acesa naquela outra vela que é o Círio, que tanto lembra a coluna de fogo no antigo testamento, quanto Jesus ressuscitado, Círio este que nós acendemos no sábado santo, na vigília da Páscoa da Ressurreição.
Então veja, que todo este símbolo, toda esta grandeza simbólica para nos ajudar a experimentar Jesus. Como podemos ligar tudo isto com a liturgia de hoje? Primeiro porque Isaías vai dizer que Jerusalém tem como vocação ser a luz para o mundo, pois para lá se dirigirão todos os povos de todos os países e trarão para Deus ouro e incenso.
São Paulo vai dizer; eu de fato descobri o mistério e quero revelar a vocês; através do Evangelho de Jesus Cristo, a promessa de Deus se estende a toda a humanidade. Isto ele descobriu no encontro com Deus, na pessoa de Jesus, no deserto.
Mateus então vai nos ajudar que de fato Jesus é esta luz que veio para iluminar as nações e a cada ser humano, pois Jesus é o grande Messias. De que maneira ele nos anuncia isto? Contando, relatando a história dos magos. É interessante, que os magos vão ao encontro de Jesus e encontrarão Jesus na manjedoura, e encontrarão Jesus no colo de Nossa Senhora e ali oferecem os seus presentes. É interessante que Mateus adiciona, coloca um presente a mais; Isaías dissera que Ele receberia ouro e incenso. Ouro simbolizando toda a realeza e o incenso toda a Divindade. São Mateus vai dizer que tem a Mirra também. Jesus é revelado como a luz do mundo em sua paixão e morte de cruz. A Mirra simboliza o sofrimento enfrentado por Jesus. Nós sabemos bem, que no momento  da morte, do meio dia às três da tarde, houve trevas sobre toda a terra, que é exatamente a ausência da luz. Jesus vence as trevas para nos trazer a luz do dia, mas o dia do Senhor. Portanto, Mateus assim nos ensina que através dos magos, Jesus pode brilhar como a luz para todos os povos, porque nenhum dos magos pertence ao povo de Deus. Agora, Jesus é luz para todo aquele que o acolhe como sendo a luz. É evidente, que a luz que estamos falando, eu a enxergo com os olhos da fé. É por isto mesmo que somos chamados a enxergar esta luz, cada vez que participamos da Eucaristia.
O que tem de haver a Eucaristia com esta luz? Em primeiro lugar, quando nós nos encontramos na Igreja, é como os magos fizeram; agente vem de toda parte para se encontrar com Jesus. E onde eu me encontro com Jesus? Na Eucaristia  (em grego: εὐχαριστία = "reconhecimento", "ação de graças"). Jesus se apresenta na patena, pratinho onde eu coloco o alimento. Portanto, Jesus se apresenta na Manjedoura. E eu vou ao encontro de Jesus para adorá-lo. Por isto, é muito interessante, que Jesus tem que nascer em Belém. Porque Belém significa a casa do pão. Se Jesus é o pão, o alimento para todos nós. Ele além de ser a Luz, é também o nosso alimento. É muito interessante, porque inverteu o papel. Lá, os Magos foram presentear Jesus e aqui é Ele que nos presenteia com seu corpo e seu sangue. Então, como os Magos, hoje nós viemos ao encontro de Jesus e o que podemos presentar, dar de presente a Jesus? É você que escolhe o que pode lhe oferecer na sua vida. Sabemos que Jesus não precisa de nada. Ele no entanto nos fala: Senhor, quando foi te vimos com fome, com sede, preso, nu, necessitado? O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fazes. Então, o presente de Jesus é em vista do irmão, em vista do próximo. Será que eu posso ser uma luz para o irmão? Ajuda-lo a caminhar no caminho do Senhor, ajuda-lo a vencer as dificuldades da vida? As incertezas, os medos, a falta de alimento, a falta de um ombro amigo? É tudo isto que a liturgia nos convida a pensar e a refletir no dia de hoje.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO

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Homilia de D. Henrique Soares

Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).
 Na segunda leitura, Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!
Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos Herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes/ chegar o Rei que é Deus?/ Não rouba aos reis da terra/ quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… e termina matando e se matando!
Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”
Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?
Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).
Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.
 Dom Henrique Soares da Costa
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LOUVOR PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)
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LOUVOR: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, Louvemos ao Pai.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Bendito sejais, Pai, pois tanto nos amais que nos enviastes o vosso Filho para ser nossa luz, nossa verdade e a salvação de nossa vida.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Seja o vosso nome honrado, engrandecido e glorificado, pois através de vosso Filho, nos tornastes filhos adotivos e através de nosso batismo nos escolhestes como um povo predileto que se esforça para seguir os passos de Jesus Cristo.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Enviai-nos o Espírito Santo para que nos transformemos em pessoas mais dóceis aos ensinamentos de vosso Filho e possamos, cheios de esperança, caminhar rumo ao vosso Reino.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
- Os magos foram até Belém para se encontrarem com o Menino Jesus. Nós também aqui viemos para nos encontrar com o vosso Filho. Que vosso Filho seja reconhecido, glorificado, honrado e adorado por todos os povos.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...