quarta-feira, 9 de outubro de 2019

N.S. Aparecida 12 de outubro, homilias, subsídios homiléticos


N.S. Aparecida 12 de outubro de 2019

Pres.  - Queridos irmãos, sejamos bem-vindos! É com grande alegria que nos reunimos para celebrar Jesus Cristo, fazendo memória de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.   - Comemorando hoje, o dia da criança, peçamos a intercessão de Maria para que não falte alegria, amor e proteção a todos seus filhos e filhas amados.
- Com grande Alegria, aclamemos a Trindade Santa, cantando: Em Nome do Pai...

PRIMEIRA LEITURA (Est 5,1b-2; 7,2b-3) Leitura do Livro de Ester.
Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro. Então, o rei disse: “O que pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for do teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!”.

Contexto: A história de Ester atualiza a proposta do Êxodo. O povo oprimido pode mudar a história. Existem caminhos de libertação que precisam ser abertos com inteligência e organização. Deus age por meio das pessoas aparentemente fracas. Ester é uma das mulheres que, ao longo da história de Israel, foram protagonistas de movimentos populares capazes de transformação social: as parteiras do Egito, Míriam, Débora, Judite… Leve-se em conta que, na época da redação do livro de Ester, as mulheres eram oficialmente excluídas de qualquer estância decisória. Pertenciam à categoria das pessoas impuras, conforme estabelecia o sistema sacerdotal de pureza. No entanto, por essas pessoas, Deus suscita projetos de vida e salvação para o povo.
Ester, fazendo uso de seus atributos femininos, com sabedoria e coragem, toma a iniciativa de enfrentar o poder que mata. O que a move não são interesses pessoais, mas a libertação do povo. Sua estratégia demonstra maturidade e consciência. Mesmo após conquistar a simpatia e a confiança do rei, a ponto de tornar-se rainha, não se deixa arrastar pelas tentativas de cooptação da parte de quem domina. Não aceita a oferta de riquezas; pelo contrário, usa agora de seu poder para garantir a vida de seu povo. Ester encarna a liderança que não trai o seu povo. Doa-se por inteiro e arrisca a vida para salvá-lo.

O livro de Ester, conta como uma jovem judia que estava entre os deportados, tornou-se a imperatriz da Pérsia, ao se casar com o imperador Assuero (geralmente identificado com Xerxes), e como seu primo e tutor Mordekai (ou Mardoqueu) que descobriu um complô contra a vida do rei; como o Grão-vizir Haman (Amã) procurou liquidar os judeus; como Ester interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi enforcado e os judeus autorizados a fazer uma contraofensiva destrutiva, cujo aniversário celebram com a festa dos Purim.
Os acontecimentos descritos no livro de Ester aconteceram quando o povo de Israel era cativo na Babilônia. O local da história é Susã, a cidade onde o Rei da Pérsia e Média, o Rei Assuero, vivia. Este Rei após mandar embora sua primeira esposa, a rainha Vasti, ele estava buscando uma nova esposa para se tornar rainha. Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres de todo o reino foram convidadas a vir até Susã com o propósito de que uma delas preenchesse o lugar vazio da rainha. No meio dessas mulheres estava também Ester, uma jovem hebreia que foi criada por Mardoqueu, um dos cativos que foram trazidos de Jerusalém por Nabucodonosor. Finalmente esta jovem após obter a graça, primeiro de “Hegai, guarda das mulheres", segundo a graça mais importante do próprio Rei, ganhou a competição. Então Ester se tornou a nova rainha. Contudo, ela não revelou a ninguém que era judia, conforme a ordem dada por Mardoqueu. Então ninguém, nem mesmo o Rei sabia qual a nacionalidade de Ester.

ATUALIZANDO: A Rainha Ester, judia, que conseguiu a proteção de seu povo dominado, graças às suas qualidades reais e à presença de Deus na sua vida. Ester é um símbolo do amor que Deus dedica a qualquer nação que expressa a sua confiança nele reconhecendo a sua obra em Maria, a “rainha”, mas também acolhendo a sua vontade e justiça como rumo de seu caminho.
Veneramos a Virgem Maria, que nos trouxe a salvação, quando todos somos chamados a amar a Virgem com o coração de filhos, tendo em vista que em Jesus, tornamo-nos todos irmãos pelo batismo. 
A Virgem Aparecida nos traz recordações importantes na vida cristã: como a ternura maternal da Virgem, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade. Em Maria temos o mais perfeito exemplo do discípulo e da discípula de Jesus, que sabe cumprir os mandamentos e fazer realizar a única vontade do Pai, que se concretiza na salvação do povo de Deus.

Relembramos assim, a visita do Conde de Assumar, em 1717, em Guaratinguetá, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram escalados para pescar peixes para a refeição da visita ilustre, sendo este dia uma sexta-feira, dia de abstinência de carne. Os homens simples do Vale do Paraíba nada pescaram. Quando já estavam quase desanimando jogaram a rede e retiram uma imagem pequena de Nossa Senhora da Conceição, um pouco enegreada pela água, sem a cabeça. Outro arremesso. Veio a cabeça da imagem. Assim prosseguiu mais um arremesso e veio a pesca abundante. Deus abençoava, naquele momento, os três pescadores.

A imagem da Virgem da Conceição, feita de barro cozido, enegrecida pelas águas e pelo tempo, medindo 36 cm, foi levada para o culto divino. Em 1745 foi construída uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros. Nascia, assim, a devoção a Virgem Aparecida, Mãe do Povo Brasileiro. Em 1888 foi substituída a primitiva capela por uma Igreja.

Desde 1953, a festa de Nossa Senhora Aparecida, tem como dia de celebração o dia 12 de outubro. Desde 1930 Nossa Senhora Aparecida abençoa o povo brasileiro como sua Padroeira Nacional. Em 4 de Julho de 1980 o Sumo Pontífice João Paulo II, de venerável memória, consagrou o novo Santuário Nacional. Em 13 de maio de 2007, o Sumo Pontífice, Papa Bento XVI, abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho nos fazendo o doce convite para “sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e vida plenamente”. 

Atualizando: Enquanto os poderosos se embriagam e se alienam em banquetes para sustentar o próprio poder, os oprimidos se conscientizam e se preparam para agir, através da oração e do jejum. Noutras palavras, sua necessidade e clamor chegam ao limite e os impelem a tomar posição. As situações estão prestes a se inverter: através da fraqueza os oprimidos (Ester), Deus começa a agir para quebrar a força dos poderosos e derrotar o poder do inimigo. Enquanto isso, os oprimidos, mesmo ameaçados, não se dobram diante do opressor. É a resistência dos oprimidos desmascarando a "verdade" do opressor e acelerando os acontecimentos. O pedido e o desejo de Ester são os mesmos de todo o povo: a vida. No entanto, para que todos tenham vida é preciso denunciar a perversidade do sistema opressor, que vende o povo para ser exterminado, morto e aniquilado. Além do mais, o que se ganha, destruindo o povo? A atitude de Ester é exemplo ousado para qualquer autoridade: ela arrisca a própria vida para salvar a vida do povo e a ele servir.

 SALMO RESPONSORIAL / 44 (45)
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: Que o Rei se encante com a vossa beleza!
• Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: / “Esquecei vosso  povo e a casa paterna! / Que o Rei se encante com a  vossa beleza! / Prestai-lhe homenagem: é o vosso Senhor!
• O povo de Tiro vos traz seus presentes, / os grandes do povo vos pedem favores. /  Majestosa, a princesa real vem chegando, / vestida de ricos brocados de ouro.
• Em vestes vistosas ao Rei se dirige, / e as virgens amigas lhe formam cortejo; / Entre cantos de Festa e com grande alegria, / ingressam, então, no palácio real.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Como é bela é graciosa / a esposa do Senhor! Aleluia!
Maria, tu foste preservada / da mancha do pecado original,
/ por isso és Imaculada / e tens uma beleza divinal.

EVANGELHO (Jo 2,1-11) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, porque dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
Atualização: O evangelho de hoje, o das Bodas de Caná, tem como ambiente uma família. Nossa Senhora deve ser lembrada como a padroeira das famílias. Assim a nossa família, toda ela Mariana, deve buscar em Maria a protetora para as suas necessidades e a sua intercessora privilegiada junto de Deus, porque o que se pede a Mãe o Filho atende. Maria intercede junto a Jesus. Da mesma maneira ela haverá de interceder pelo povo brasileiro em suas múltiplas necessidades. Maria, nossa Mãe, mãe da misericórdia, cuja ternura toca o nosso coração, recebe e atende nossos pedidos, dos mais simples aos mais complexos e difíceis. 
Maria deposita toda a sua confiança em Jesus, no seu poder salvador, na sua misericórdia e na largueza de seu imenso coração misericordioso. Faltava o vinho e Maria intercede pedindo aos funcionários que eles “fizessem tudo o que Ele dissesse”. Houve abundância do vinho que era água. A riqueza desta graça que Maria distribui, também ela com abundância, aos filhos que a ela recorrem. Dela podemos dizer o mesmo que a carta aos Hebreus aconselhava a respeito do Sumo Sacerdócio de Jesus: “Aproximemo-nos confiantemente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia” (cf. Hb 4, 16).
Maria e Jesus, com os seus discípulos, participam nestas bodas, em Caná. E falta o vinho. O fato é verosímil, se tivermos em conta que a festa de bodas, nesses tempos, durava oito dias. A família ficou naturalmente embaraçada. É então que Maria intervém. A resposta de Jesus é desconcertante, quase escandalosa. Esta resposta só se compreende se pensarmos que, ao iniciar a vida pública, muda a relação Maria/Jesus. A partir daí, Jesus quer atuar unicamente determinado pela vontade do Pai, não admitindo ingerências, nem sequer da parte da Mãe. Maria/Mãe reaparecerá apenas junto da cruz. A nova relação clarifica-se exatamente em Caná, no começo da missão de Jesus. Maria pede ajuda a Jesus, com plena confiança e esperança. Por isso recomenda aos servos que façam o que Jesus disser. E Jesus acaba por dar o primeiro sinal da sua glória. O episódio de Caná é cristológico. Só em segundo lugar é Mariológico. Se, quando ainda não chegara a sua hora, Jesus faz um milagre a pedido de Maria, quanto mais eficaz será o seu poder de intervenção quando essa hora chegar!

O concílio Vaticano II explicou amplamente o papel de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Expôs também cuidadosamente o sentido e a força da “mediação” da Bem-aventurada Virgem Maria: “A função materna de Maria em relação aos homens em nada obscura ou diminui a única mediação de Cristo, mas revela a sua eficácia. Porque toda a influência da Bem-aventurada Virgem em favor dos homens não nasce de verdadeira necessidade, mas do beneplácito de Deus, e brota da superabundância dos méritos de Cristo, fundamenta-se sobre a sua mediação, depende absolutamente dela e nela atinge toda a sua eficácia; não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, mas facilita-a” (LG 60).
Em 1971, a Sagrada Congregação para o Culto divino aprovou a missa com o título de “Bem-aventurada Virgem Maria Mãe e medianeira de graça”. A Liturgia celebra, em primeiro lugar, a Cristo “verdadeiro Deus e verdadeiro homem, único mediador… sempre vivo a interceder por nós”. Mas também honra a Bem-aventurada Virgem Maria, mãe e mediadora de graça, porque o Pai, “segundo o admirável desígnio do seu amor”, a constituiu mãe e colaboradora do Redentor. A Virgem Maria é mãe de graça, porque trouxe no seu “seio puríssimo” Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e nos deu o próprio “Autor da graça”. A Virgem Maria é medianeira de graça, pois foi associada a Cristo para nos dar a graça maior, a redenção, isto é, a salvação, a vida divina e a glória eterna. A sua “mediação” é “providência de amor”, “de intercessão e de perdão, de proteção e de graça, de reconciliação e de paz”. (cf. Missal Romano, Missas da Bem-aventurada Virgem Maria).
“Maria, Mãe de Jesus, está intimamente associada à vida e obra redentora de seu Filho. Mãe da Igreja, por sua intercessão maternal, está presente junto daqueles que trabalham para a regeneração dos homens” (cf. LG 65).

Foi o próprio Jesus quem nos deu Maria por Mãe. Ela tem por missão conduzir-nos ao seu Coração, ao seu amor. A ternura que ela tem por nós ultrapassa a das mães mais amorosas. Acolhe sempre com bondade aqueles que vão ter com ela. Ela apresenta incessantemente ao seu Filho as almas e os corações dos seus fiéis servidores. Jesus ama aqueles que ela ama. Como Ele é o mediador entre o seu Pai e os homens, Maria é a mediadora entre os homens e Ele. Para isso, deu-lhe todo o poder sobre o seu Coração. Dispõe dele como uma mãe pode dispor do coração do melhor dos filhos. Dirijamo-nos, portanto, à Virgem Imaculada, peçamos-lhe a devoção ao Sagrado Coração e havemos de obtê-la. Jesus é a verdade e a vida, mas comunica-nos a vida espiritual pelo Espírito de verdade e de amor. Maria é a esposa do Espírito Santo. Ela coopera a este duplo título de Mãe do Sagrado Coração e de Esposa do Espírito Santo nas operações da graça. Ela é a porta do céu, porque é a distribuidora das graças, que a Ele conduzem.

A mulher da nova aliança
O relato das bodas de Caná constitui uma releitura da aliança que Deus realizou com o povo de Israel. O compromisso de amor mútuo foi rompido por sucessivas infidelidades por parte de Israel, desde a opção pela monarquia até a organização do sistema sacerdotal de pureza. Não é por acaso que, logo após as bodas de Caná, Jesus se dirige ao Templo, onde, profeticamente, denuncia a exploração ali instalada e anuncia um novo Templo, que é ele próprio.
Na festa de casamento, Jesus é apresentado como o esposo da nova humanidade. O sistema judaico, organizado segundo os interesses de uma elite religiosa, esvaziou o sentido da antiga aliança; já não responde ao amor de Deus. A imposição de um legalismo excludente criou imenso vazio no coração do povo. Os seis potes vazios representam as festas judaicas (o Evangelho de João apresenta seis delas), que deveriam ser expressão de plena alegria pela presença amorosa e salvadora de Deus. No entanto, estão vazias, perderam o verdadeiro conteúdo que saciaria a sede que o povo tem de Deus.
A comunidade de João manifesta sua fé em Jesus como Deus-esposo que vem resgatar (Caná significa “adquirir”) sua esposa e oferecer-lhe o vinho do amor e da alegria. Essa festa de casamento, portanto, é a celebração da nova aliança. A esposa é o novo povo de Deus, formado pelas comunidades cristãs. A esposa é representada pela mãe de Jesus. Por isso Jesus se dirige a ela chamando-a de “mulher”. Ela executa um papel muito especial: percebe que naquela festa falta o essencial. Dirige-se a Jesus, pois sabe que dele vem a solução: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe responde que sua hora ainda não chegou. O texto supõe que aquela mãe-mulher-comunidade entendeu perfeitamente e, por isso, confia em Jesus: “Fazei tudo o que ele disser”. Na cena seguinte, vemos Jesus-esposo dizendo de modo imperativo aos que serviam: “Enchei os potes de água”, e depois: “Tirai e levai ao mestre-sala”. Este provou sem saber de onde viera o melhor vinho. Porém, “os que serviam estavam sabendo”. O vinho em abundância simboliza o dom do amor de Deus para a humanidade. É a volta da plena alegria oferecida por Deus, que celebra com seu povo a aliança definitiva.
João faz questão de dizer que “esse foi o princípio dos sinais… e os discípulos acreditaram nele”. Até a “hora de Jesus” – o momento de sua morte e glorificação –, vários outros sinais serão por ele realizados. O tema da aliança contemplado no primeiro sinal serve como chave de interpretação para todos os demais. No final do evangelho, João vai dizer: “Esses sinais foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, vocês tenham a vida em seu nome” (20,31). Nesse mesmo evangelho, Jesus declarou: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (10,10).
A mãe de Jesus, que aparece nas bodas de Caná como representante do novo povo de Deus, indica como podemos ser fiéis à aliança com Deus: permanecendo atentos às necessidades do povo, contando com a graça de Jesus presente no meio de nós e pondo-nos a serviço do seu projeto de vida em abundância para todos.
3. II leitura (Ap 12,1.5.13a.15-16a): A mulher geradora de vida nova

Atualizando: Segundo João, a primeira semana de Jesus termina com a festa de casamento em Cana. João relata este episódio por causa do seu aspecto simbólico: o casamento é o símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus, Deus-e-Homem. Sem Jesus, a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho. Maria, aliviando a situação constrangedora, simboliza a comunidade que nasce da fé em Jesus, e as últimas palavras que ela diz neste evangelho são um convite: “Façam o que Jesus mandar”. Jesus diz que a sua hora ainda não chegou, pois só acontecerá na sua morte e ressurreição, quando ele nos reconcilia com Deus. Jesus utilizou a água que os judeus usavam para as purificações. Os judeus estavam cegos pela preocupação de não se mancharem, e sua religião multiplicava os ritos de purificação. Mas Jesus transformou a água em vinho! É que a religião verdadeira não se baseia no medo do pecado. O importante é receber de Jesus o Espírito. Este, como vinho generoso, faz a gente romper com as normas que aprisionam e com a mesquinhez da nossa própria sabedoria. O episódio de Cana é uma espécie de resumo daquilo que vai acontecer através de toda a atividade de Jesus: com sua palavra e ação, Jesus transforma as relações dos homens com Deus e dos homens entre si. Maria, como mãe de Jesus, o Filho de Deus, é revestida de imensa glória. Sua proximidade do Filho permite que seja um apoio para nossa fé. Maria nos conduz a Jesus. Pois é a si próprio que Jesus chama a todos para segui-lo como discípulos. O evangelista João fala sempre em "a mãe de Jesus", sem dizer seu nome. "Mãe", com seu sentido de origem do ser, representa a maternidade universal e divina de Maria, gerando para a vida eterna. A nossa piedade vê, neste evangelho, o importante papel de Nossa Senhora no projeto salvífico de Deus. Ela é sensível às nossas necessidades, e intercede por nós junto a seu Filho. E Jesus atende aos apelos de sua mãe.

Em Ester (primeira leitura) a tradição encontrou uma similitude com Maria: ela intercede junto ao rei por seu povo. No Apocalipse, a mulher celestial que dá à luz um filho homem (segunda leitura), também encontramos uma alusão à Maria. Aqui podemos, ainda, ver uma referência à Igreja, na terra, perseguida pela Serpente. No evangelho de João temos uma simbologia abrangente. Jesus está inaugurando seu ministério. Nele encontramos algo extraordinariamente novo, que extrapola as expectativas e observâncias do judaísmo. Na tradição profética, a Aliança de Deus com seu povo é apresentada como uma núpcias. Nesta narrativa de João, a festa de núpcias não oferece vinho suficiente. Havia seis talhas de pedra, vazias, destinadas às purificações rituais dos judeus, que foram preenchidas com água. A água de purificação não é solução. É preciso transformá-la. A atual prática do judaísmo deixa a desejar. A mãe de Jesus percebe o problema. Com seu simbolismo, João não pretende realçar a relação amorosa, mãe-filho, mas sim a relação de maternidade entre Maria e a humanidade. Jesus afirma que não é a "sua hora", a hora de sua glorificação na cruz, que consagra uma vida toda dedicada à renovação do mundo pelo amor, até o fim, sem temer a morte. Contudo Jesus resolve sinalizar sua "hora", e associa a água, fonte da vida, ao vinho, fonte de alegria! O amor de Jesus liberta da Lei e gera vida e alegria.

SEGUNDA LEITURA (Ap 12,1.5.13a. 15-16a) Leitura do Apocalipse de São João.
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro.
Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. A serpente, então, vomitou, como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. A terra, porém, veio em socorro da mulher.

Na leitura do Apocalipse, temos a descrição do povo de Deus, por meio de uma simbologia bíblica tradicional: a mulher adornada com todo o seu esplendor - o sol, a lua e as doze estrelas. O dragão, Satanás, é descrito com os símbolos do domínio. O menino, Messias, é o início do novo povo de Deus. Desde os primeiros tempos da Igreja, esse texto foi aplicado a Maria. Mais do que ser fiel aos mandamentos de Deus para alcançar a salvação, ela gera para o mundo a salvação, dizendo sim ao Senhor. De sua humanidade, podemos conhecer o nosso Deus, que se revela mediante seu Filho, imagem visível do Deus invisível.

A segunda Leitura nos remete a liturgia da Assunção. Maria que protege a humanidade e a Igreja – exerce a missão de Mãe e Mestra. Maria gerou e levou o Salvador ao mundo, e presenciou a sua vitória, eis o que une Maria e a Igreja, que tem a missão de levar o Salvador ao Mundo e presenciar a Vitória de Cristo sobre o mundo, como Rei da Humanidade. Que fazem de Maria e da Igreja uníssonas na obra da salvação.
Assim neste dia santo para nós católicos queremos reafirmar a nossa sã doutrina que o aprovado culto Mariano está sempre em relação ao seu Filho Jesus. A salvação do homem consiste na comunhão com o Deus trino, comunhão que lhe é concedida através do encontro existencial com Jesus Cristo: quem o vê, vê também o Pai(cf. Jo 14,9). Por isso, a salvação é sempre a salvação em Cristo: ela tem um lugar quando alguém se insere nele, cabeça do corpo, videira para os sacramentos. Nossa Senhora Aparecida constituiu importante ponto de referência neste empreendimento. Esta Maria unida a Jesus de maneira única não só no plano biológico, mas também – e sobretudo – no plano espiritual, religioso e existencial. Aquele que em seu espírito, em sua espiritualidade e conduta prática se aproxima o mais possível de Maria, também se encontra numa estreita relação com Cristo e se coloca realmente na sua caminhada, que conduz ao Deus uno e trino, nossa vida. Maria não é a meta da existência cristã, mas o seu perfeito modelo e, neste sentido é insubstituível.
Como bem asseverou o Servo de Deus João Paulo II: “Ajudem, pois, os fiéis a viverem sua devoção mariana como um claro e corajoso testemunho de amor a Cristo, que manifeste a identidade pessoal e comunitária dos católicos, contra o perigo do secularismo e do consumismo, e ao mesmo tempo favoreça nas famílias a prática das virtudes cristãs. De igual modo, esta devoção ajudará a consolidar os vínculos de comunhão com os Pastores da Igreja de Cristo, enfrentando a desagregação da fé, fomentada tantas vezes pelo proselitismo das seitas.
A história ensina que Maria é a verdadeira salvaguarda da fé; em cada crise, a Igreja reúne-se à volta d'Ela. Só assim os discípulos do Senhor poderão ser para os outros sal da terra a luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14). “Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!” Assim proclamava o Papa Pio XII. A missão essencial da Igreja consiste precisamente em fazer nascer Cristo no coração dos fiéis (cf.Lumen gentium, 65) pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização.
Salvos das águas pela fé e pelo Batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam na Virgem Aparecida, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que Ele vos disser!”.  Amém!

O capítulo 12 do Apocalipse apresenta a situação de sofrimento pela qual passam as comunidades cristãs no final do século I, sob a opressão do imperador Domiciano. A mulher e o dragão representam dois projetos antagônicos: o de Jesus com as comunidades cristãs e o do império romano. Percebe-se aqui uma evocação do texto de Gênesis: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (3,15).
A mulher é descrita como “um grandioso sinal no céu, vestida com o sol, tendo a lua sob os seus pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”. São símbolos com profundo significado. A mulher aparece no céu, irradiando a gloriosa luz divina, revestida de grande poder cósmico. A coroa de doze estrelas tem relação com as tribos de Israel e o novo povo de Deus nascido da fé em Jesus Cristo. A mulher também representa Maria, a mãe de Jesus, o verdadeiro rei de toda a humanidade que subiu ao céu e está junto do trono de Deus.
O dragão é a antiga serpente, isto é, aquele que introduz o mal e a morte no mundo. Persegue a mulher e procura matá-la. O vômito do dragão atrás da mulher, tentando afogá-la, é o império romano, que, com força e poder, faz submergir todo o povo com sua ideologia. Não admite outros projetos. Por isso persegue especialmente os seguidores de Jesus. A terra, porém, engole o vômito do dragão, salvando a mulher. É a própria história que “engole” os impérios. Eles não são eternos; não são absolutos. Dentro de si carregam o germe da própria destruição.
A mulher, portanto, representa os pequeninos e fracos pelos quais Deus se manifesta ao mundo, oferecendo vida e salvação. Maria de Nazaré gerou o Filho de Deus, nosso salvador. As comunidades cristãs, seguidoras de Jesus, têm a missão de gerar vida e dignidade no mundo. Essa missão contrapõe-se aos projetos de morte impostos pelos poderosos. A mulher que, na fé e confiança em Deus, vence o dragão é símbolo de todas as pessoas empenhadas na defesa e promoção da vida contra todo tipo de opressão e exclusão.

Atualizando: A Mulher é um símbolo cheio de significados: é Eva, a mãe da humanidade (cf. Gn 3,15-20); também o povo de Israel (doze estrelas = doze tribos) assim como Sião, o resto do povo de Deus que espera o Messias (Is 66,7). É também Maria enquanto mãe de Jesus e mãe dos discípulos de Jesus (Jo 19,25-27), e o povo de Deus da nova Aliança (doze estrelas = doze apóstolos). O dragão personifica o mal, inimigo de Deus. Trata-se do egoísmo, orgulho e autossuficiência que deformam os indivíduos e os grupos sociais. Ele é sanguinário (vermelho), tem pleno poder sobre os impérios do mundo (sete cabeças e sete diademas), mas sua força é relativa e imperfeita (dez chifres). Ele tem a pretensão de lutar contra Deus (estrelas do céu). Quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo. O Filho é Jesus, que nasce (ressurreição) para a glória e para dominar as nações, destruindo o poder do dragão. O mal foi derrotado. Agora a situação do povo de Deus é como a dos hebreus no deserto, libertados da escravidão: viverá no deserto até o fim da história, em meio a perseguições e na intimidade com Deus. O mal não conseguiu vencer Jesus; por isso agora persegue os cristãos seguidores de Jesus. Mas estes são continuamente protegidos por Deus, até o final da história. É tempo de perseguição (rio) mas, como no Êxodo, o povo de Deus não sucumbe.

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA ( Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
- Senhor, nós vos louvamos, pois sois bondoso e fiel. Desde o começo do mundo vos revelastes como Deus de amor e por meio dos profetas alimentastes nossa esperança de nos enviar o Salvador. Senhor, obrigado por nos dar Maria como nossa mãe e nossa intercessora.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
-  Senhor, nosso Deus e Pai, bendito seja o Vosso nome sobre em todo o universo. Grande é vosso amor nos enviando vosso Filho para nos guiar ao Vosso Reino. Pai, agradecemos pela nossa vida, pelo nosso batismo e pela esperança da vida eterna.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
-  Pai, enviai o Espírito Santo sobre nós, para que nos transformemos e tenhamos coragem de levar vosso nome a todos os nossos irmãos que não vos conhecem ou que vos abandonaram. Que a Virgem Maria, nossa mãe, seja a nossa força na obediência aos vosso projetos e seja a nossa defensora em nossas dificuldades.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
- PAI NOSSO... Eis o Cordeiro...



ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
S. Oremos: ...
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Avisos ...
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COM TODAS AS CRIANÇAS PERTO DA IMAGEM:

Coroação de Maria... (Canto:   ... te coroamos, ó Mãe...)
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As crianças coroam Maria
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Canto: DAI-NOS A BENÇÃO, Ó MÃE QUERIDA, NOSSA SENHORA APARECIDA. (bis)
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BÊNÇÃO DAS CRIANÇAS

Presid.: Senhor, nosso Deus, que da boca das crianças preparastes um louvor do vosso nome, olhai para estas crianças que a fé da Igreja recomenda à vossa piedade; e, assim como o vosso Filho, nascido da virgem, recebia com amor as crianças, abraçando-as e abençoando-as e propôs o exemplo delas à imitação de todos, assim, Ó Pai, derramai sobre elas a vossa bênção e dai a vossa proteção, a fim de que, quando crescerem através de uma boa convivência com as pessoas e com a cooperação da força do Espírito Santo, se tornem testemunhas de Cristo no mundo e saibam espalhar e defender a fé. Por Cristo, Nosso Senhor.
Todos: Amém.

CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
“Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil. Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. 
Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte.
Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja!”
Amém.

- VIVA A SENHORA APARECIDA! (3x)-

23. BÊNÇÃO FINAL
Pres- O Deus de bondade, que pelo Filho da Virgem Maria quis salvar a todos, vos enriqueça com sua bênção. AMÉM.

- Seja-vos dado sentir sempre e por toda parte a proteção da Virgem Maria, por quem recebestes o autor da vida. AMÉM.

- E vós, que vos reunistes hoje para celebrar sua solenidade, possais colher a alegria espiritual e o prêmio eterno. AMÉM.

- Abençoe-vos Deus todo-poderoso: PAI E FILHO E ESPÍRITO SANTO. AMÉM.

- Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
 GRAÇAS A DEUS.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

27º Domingo do Tempo Comum C, homilias, subsídios homiléticos


27º Domingo do  Tempo Comum (Diácono Ismael)

TEMA: A nossa fé se pauta na misericórdia de Deus ou achamos que Deus é um contador que anota ações boas e más e depois tira uma média para nos salvar?
Primeira leitura: Habacuc interpela Deus para pôr fim à injustiça … Deus confirma a sua intenção de atuar no mundo, mas só o fará quando for o momento oportuno.
Evangelho: Jesus convida os discípulos a aderirem ao projeto de vida que Deus veio oferecer.  Essa adesão chama-se “fé”; e dela depende a instauração do “Reino” no mundo. Os discípulos são, apenas, instrumentos através dos quais Deus realiza a salvação. Resta-lhes cumprir o seu papel com humildade e gratuidade, como “servos que apenas fizeram o que deviam fazer”.
II leitura: O autor exorta os animadores cristãos para que conduzam com fortaleza, equilíbrio e amor as comunidades que lhes foram confiadas e a que defendam a verdade do Evangelho.

PRIMEIRA LEITURA (Hab 1,2-3; 2,2-4) Leitura da Profecia de Habacuc.
Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes? Até quando devo gritar a ti: “Violência!”, sem me socorreres? Por que me fazes ver iniquidades, quando tu mesmo vês a maldade? Destruições e prepotências estão à minha
frente; reina a discussão, surge a discórdia. Respondeu me o Senhor, dizendo: “Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza e não tardará. Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”.

AMBIENTE - Habacuc finais do séc. VII a.C.… O rei de Judá é Joaquim (609-598 a.C.), que explora o povo, aumenta as injustiças e desenvolve alianças com as potências da época… Tem simpatias pró-egípcias, sente o peso do imperialismo babilônio e vê-se obrigado a pagar um pesado tributo a Nabucodonosor. Prepara-se a queda de Jerusalém nas mãos dos babilônios, a morte de Joaquim,  e a deportação para o exílio de uma parte da classe dirigente de Judá (597 a.C.).

MENSAGEM - Habacuc grita na sua impaciência, questionando a atitude complacente de Deus para com o pecado. O profeta não se limita a escutar a Palavra de Jahwéh e a transmiti-la; mas ele próprio toma a iniciativa, pergunta a Deus, exige respostas. Finalmente, Deus digna-se responder. A mensagem é de esperança, pois a resposta de Deus deixa claro que Ele não fica indiferente diante do mal e que o momento da ação divina está para chegar; o orgulhoso e o prepotente receberão o castigo e o justo triunfará. Em conclusão: diante da injustiça e da opressão, Jahwéh parece indiferente e ausente; mas, de acordo com o seu plano, Ele encontrará o momento ideal para intervir, contra o imperialismo, o orgulho, a injustiça e a opressão.

ATUALIZAÇÃO Com frequência pessoas nos questionam acerca da relação entre Deus, a sua justiça e a situação do mundo: se Deus existe, como é que Ele pode pactuar com a injustiça e a opressão? Por que há crianças morrendo de doença ou de fome? Por que os bons sofrem? A nossa resposta tem de ser o reconhecimento humilde que nós nunca conseguiremos explicar os esquemas de Deus…
 Os caminhos de Deus não são iguais aos nossos. Do ponto de vista de Deus, as coisas integram-se num “todo” que nós, na nossa pequenez, não podemos abarcar.
 Deus é um Pai que nos ama como filhos e que tudo fará para nos oferecer vida e felicidade.
 Mesmo sem entender, a nossa missão é continuar a dar testemunho… Deus chama-nos a denunciar tudo o que impede a realização plena do projeto de felicidade que Ele tem para o homem; mas quanto ao tempo de Deus na ação no mundo e na história pessoal de cada um, isso só a Deus diz respeito.

SALMO RESPONSORIAL / 94 (95)

Não fecheis o coração; ouvi vosso Deus!
• Vinde, exultemos de alegria no Senhor, / aclamemos o
Rochedo que nos salva! / Ao seu encontro caminhemos
com louvores / e com cantos de alegria o celebremos!
• Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, / e nos
ajoelhemos ante o Deus que nos criou! / Porque ele é
o nosso Deus, nosso Pastor, / e nós somos o seu povo
e seu rebanho, / as ovelhas que conduz com sua mão.
• Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: / “Não fecheis os
corações como em Meriba, / como em Massa, no
deserto, aquele dia, / em que outrora vossos pais me
provocaram, / apesar de terem visto as minhas obras”.


EVANGELHO (Lc 17,5-10)  Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepare-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós: quando tiverdes feito tudo que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

AMBIENTE - Jesus fala sobre a fé e a humildade. Nas “etapas” anteriores, Jesus tinha avisado da dificuldade de percorrer o “caminho do Reino” (“porta estreita” – Lc 13,24; convidou-os à humildade e à gratuidade – Lc 14,7-14; avisou-os de que é preciso amar mais o “Reino” do que a própria família, interesses ou os bens – Lc 14,26-33; exigiu-lhes o perdão como atitude permanente – Lc 17,5-6); agora, são os discípulos que, preocupados com a exigência do “Reino”, pedem mais “fé”. 

MENSAGEM - Depois das exigências que Jesus apresentou, a resposta só pode ser: “aumenta-nos a fé”. O que é que a fé tem a ver com a exigência do “Reino”?  A fé não é a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus; mas é a adesão a Jesus, à sua proposta, ao seu projeto – ou seja, ao projeto do “Reino”. Pedir a Jesus que lhes aumente a fé significa pedir lhe que lhes aumente a coragem de optar pelo “Reino”; Jesus aproveita para recordar aos discípulos o resultado da “fé”. A imagem utilizada por Jesus (pela fé arrancar “amoreira”) mostra que, com a “fé” tudo é possível. Aderir ao “Reino” é ter na mão a chave para mudar a história. O discípulo que adere ao “Reino” com coragem e determinação é capaz de “milagres”: quantas vezes a coragem dos discípulos transformam a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em liberdade! Na segunda parte, Lucas descreve a atitude que o homem deve assumir diante de Deus. Os fariseus estavam convencidos de que bastava cumprir os mandamentos da Torah para alcançar a salvação: se o homem cumprisse as regras, Deus não teria outro remédio senão salvá-lo… A salvação dependia, de acordo com esta perspectiva, dos méritos do homem. Deus seria, assim, apenas um contabilista, empenhado em fazer contas para ver se o homem tinha ou não direito à salvação… Jesus coloca as coisas numa dimensão diferente. A atitude do discípulo que faz as “obras do Reino”– frente a Deus não deve ser a atitude de quem sente que fez tudo muito bem feito e que, por isso, Deus lhe deve algo; mas deve ser a atitude de quem cumpre o seu papel com humildade, sentindo-se um servo que apenas fez o que lhe competia. O que Jesus nos pede no Evangelho de hoje é que percorramos, com coragem e empenho, o “caminho do Reino”. Quando o discípulo aceita percorrer esse caminho, é capaz de operar coisas espantosas, milagres que transformam o mundo… E, cumprida a sua missão, resta ao discípulo sentir-se servo humilde de Deus, agradecer-lhe pelos seus dons, entregar-se confiada e humildemente nas suas mãos.

ATUALIZAÇÃO A “fé” é, antes de mais, a adesão à pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto. Jesus é o eixo central à volta do qual se constrói a minha existência.
O “Reino” é uma realidade sempre “a fazer-se” (Reino já e ainda não); mas apresentam-se situações de injustiça, de violência, de egoísmo, de sofrimento, de morte, que impedem a concretização do “Reino”. A minha “fé” em Jesus conduz-me a lutar contra tudo o que impede a concretização do “Reino”? Quais são os “milagres” que a minha “fé” pode fazer?
Nós construímos um deus que não é mais do que um contabilista, que escreve nos seus livros os nossos créditos e os nossos débitos, a fim de nos pagar religiosamente, de acordo com os nossos merecimentos… Na realidade – diz-nos o Evangelho de hoje – não podemos exigir nada de Deus: existimos para cumprir, humildemente, o papel que Ele nos confia, para acolher os seus dons e para O louvar pelo seu amor. É nesta atitude que o discípulo de Jesus deve estar sempre.

SEGUNDA LEITURA (2Tm 1,6-8.13-14) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo: Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Usa um compêndio das palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós.

AMBIENTE - A segunda Carta a Timóteo contém, como a primeira, conselhos pastorais de Paulo a seu sucessor na animação das Igrejas da Ásia. Quem escreve a carta (se apresenta como Paulo) diz encontrar-se na prisão e pressentir a proximidade da morte. Exorta Timóteo a perseverar no ministério e a conservar a sã doutrina.

MENSAGEM - As desilusões, os fracassos, a monotonia, a fragilidade humana esfriam o entusiasmo original; e é necessário, a cada instante, redescobrir o sentido das opções que, um dia, o discípulo fez. São recordadas a Timóteo três qualidades fundamentais: a fortaleza frente às dificuldades, o amor que o impulsionará para uma entrega total a Cristo e aos homens e a prudência (ou moderação) necessária para a animação e orientação da comunidade. Timóteo é exortado a conservar-se fiel à sã doutrina recebida de Paulo. Estamos numa época em que as heresias começam a infiltrar-se na comunidade cristã e a confundir os cristãos. O animador da comunidade tem o dever de ensinar a doutrina verdadeira e de defender a comunidade de tudo que a afasta da verdade do Evangelho, fielmente transmitido pelo testemunho apostólico.

ATUALIZAÇÃO - A Carta a Timóteo dirige-se a todos que um dia aceitaram o batismo e optaram por Cristo… Na verdade, o mundo que nos rodeia apresenta imensos desafios que, muitas vezes, nos desmobilizam do serviço do Evangelho e dos valores de Jesus. É por isso que é preciso redescobrir os fundamentos do nosso compromisso.
O texto Convida-nos a redescobrir, cada dia, esse entusiasmo que lhes enchia o coração no dia em que optaram pela entrega da própria vida a Cristo e aos irmãos. O que me impulsiona é o amor, ou são interesses próprios e egoístas?
Dehonianos

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Temos Fé?

Na 1a Leitura, o Profeta HABACUC diante da violência e corrupção no meio do povo, ele se queixa impaciente: "Até quando, Senhor?" E o Senhor o exorta a não desanimar. Ele intervirá no momento oportuno:
"O justo viverá por sua fé". (Hab 1,2-3.2,2-4)

* Quantas vezes também nós não conseguimos entender
porque Deus permite tantas coisas "absurdas"...
A fé é o único caminho para compreender o Mistério da História e
superar todas as dificuldades. Devemos confiar em Deus, mesmo quando ele "parece" ausente da história. Um dia veremos a intervenção salvadora e libertadora de Deus.

Na 2a Leitura: SÃO PAULO convida a reavivar a chama da nossa fé,    anunciando-a de todas as formas, em todos os lugares e culturas.

No Evangelho, Jesus afirma que a fé remove os obstáculos. (Lc 17,5-10)

Diante da caminhada difícil proposta por Cristo, os Apóstolos sentem-se tentados a voltar atrás, como já tinham feito muitos discípulos. Então, preocupados, pedem ao Senhor: "Senhor, aumentai a nossa fé".
- Jesus responde: "SE TIVÉSSEIS FÉ como um GRÃO DE MOSTARDA,   poderíeis dizer a essa amoreira, arranca-te daqui e planta-te no mar,   e ela vos obedeceria".

* A FÉ consegue realizar aquilo que aos olhos dos homens parece impossível.
   A fé autêntica, mesmo pequena, poderá superar os maiores obstáculos.

   O QUE É A FÉ?

- Um DOM GRATUITO DE DEUS, que tudo ilumina e fortalece na vida e ela exige UMA RESPOSTA VIVA E ATUANTE:     "A fé sem obras é morta". (Tg 2,17)
  A fé, mesmo que pequena, cresce e se torna forte pelo cultivo da oração,   da participação ativa na comunidade, pela prática da caridade, da justiça,    pela vivência fraterna e solidária.

- É, antes, uma ADESÃO DE VIDA ao Projeto de Deus.
 
- É uma ENTREGA TOTAL E GRATUITA...  sem esperar direitos e privilégios.
  Não é ter Deus a nosso serviço, mas nos colocar à disposição de Deus, confiando nele.
 
DUAS TENTAÇÕES:
1. O Desânimo: Sentimo-nos pequenos, incapazes, inúteis...     Por isso, muitas vezes pensamos até em largar tudo...

2. Considerar-nos "Necessários" ou "Merecedores"...
Muitas vezes, imaginamos Deus como um Contador que contabiliza cuidadosamente num livro nossos créditos e débitos, a fim de pagar religiosamente, de acordo com os nossos "merecimentos".
Para apagar essa imagem de Deus e eliminar a "Religião dos merecimentos" (comum aos judeus e a nós), Jesus contou uma PARÁBOLA: O Servo que volta da roça: "Quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei:   somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer".

Por isso, não fiquemos desanimados ou preocupados, façamos nosso o pedido dos Apóstolos: "Senhor, aumentai a nossa fé ..."  -   

Pe. Antônio Geraldo.

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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

Hoje, a Palavra de Deus nos coloca diante de um tema inquietante, o tema da fé. E o coloca com toda a dureza, nas palavras do profeta Habacuc. Ele viveu no final do século VII A.C. Reinava em Judá a injustiça, a imoralidade, a violência. Diante desta situação o profeta entra em crise e apresenta o seu protesto: “Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes?”. “Senhor, tu poderias resolver tudo!
Crer não é compreender tudo. O profeta, que fala em nome de Deus, nem mesmo ele compreende totalmente o agir de Deus, e se angustia, e pergunta, e chora: “Senhor, por que ages assim? Por que teus caminhos nos escapam deste modo?” A verdade é que a fé não é uma realidade quieta e pacífica! O próprio Jesus adverte que somente os violentos conquistam o Reino dos céus (cf. Mt 11,12s); somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar! A fé é uma realidade que sangra, sangra na dor de tantas perguntas sem resposta, sangra pelo sofrimento do inocente, pela vitória dos maus, pelo mal presente em tantas dimensões da nossa vida… E Deus parece calar-se! Um filósofo ateu do século passado chegou a dizer, escandalizado com o sofrimento no mundo: “Se Deus existe, o mundo é sua reserva de caça!” Jó, usou palavras parecidas: “Também hoje minha queixa é uma revolta, porque sua mão agrava os meus gemidos. Ele cobriu-me o rosto com a escuridão” (23,2.17). E, pesaroso, se queixa de Deus: “Clamo por ti, e não me respondes; insisto, e não te importas comigo. Tu te tornaste o meu carrasco e me atacas com teu braço musculoso!” (30,20s). Por que, Senhor? Por que te calas? Por que teus caminhos nos são escondidos? Por que parece que não te importas conosco? – Eis a dor que sangra das feridas dos crentes! A resposta de Deus a Habacuc não explica, mas convida a crer novamente, a abandonar-se novamente, a teimar na perseverança: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé!” Deus é assim: nunca nos explica, mas nos convida sempre à confiança renovada, ao abandono nas suas mãos. Quem não é correto, quem não se entrega nas mãos do Senhor, perderá a fé, morrerá na sua amizade com Deus… mas o justo, o amigo de Deus, viverá, permanecerá firme pela sua fé total e confiante. O justo vive da fé! É isto que é tão difícil para o homem de hoje, que tudo deseja enquadrar na sua razão e, quando não enquadra, se revolta e dá as costas a Deus e, assim, termina morrendo… porque viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos! O justo vive da fé, vive na fé, vive abandonado nas mãos do Senhor, como dizem as palavras da Antífona de Entrada, que o missal coloca para a liturgia de hoje: “Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra, e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!” (Est 13,9.10-11).
Nunca esqueçamos: Deus não nos explica seu modo de agir! Se o compreendêssemos, compreenderíamos o próprio Deus e, aí, já não seria o Deus verdadeiro, mas apenas um idolozinho! Contudo, isso não significa que Deus não liga para nossa dor e para o nosso destino. Pelo contrário! Ele veio a nós, fez-se um de nós, viveu nossa vida, suportou nossas dores, experimentou nossa morte! Deus próximo, Deus de amor, Deus solidário! Por isso, podemos olhar para ele e, suplicantes, estender-lhe as mãos, como os discípulos do Evangelho, que pediam: “Aumenta a nossa fé!” E Jesus responde – a eles e a nós – “Se vós tivésseis fé (em mim), mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’ e ela vos obedeceria”. Ou seja: se crermos de verdade naquele amor que se manifestou até a cruz, se crermos – aconteça o que acontecer – que Deus nos ama a ponto de entregar o seu Filho, teremos a força de enfrentar todas as noites com a sua luz, todos os pecados com a sua graça, todas as mortes com a sua vida! Mas, se não crermos, pereceremos… O que o Senhor espera dos seus servos é esta fé total, incondicional, pobre e amorosa! É o que o Senhor espera de nós. Mas, o que fazemos? Queremos recompensas, provas, certezas lógicas! E, os mais cultos, vamos atrás de filosofias e sabedorias humanas… e os mais incultos e tolos, vamos atrás de seitas, de descarregos, de exorcismos feitos por missionários de araques e pastores de si próprios, falsos profetas de um deus falso, feito de dízimos, moedas e gritarias…
O justo vive da fé! Como nos exorta a segunda leitura, reavivemos a chama do dom de Deus que recebemos! “Deus não nos deu um espírito de timidez, de frouxidão, de covardia e incerteza, mas de fortaleza, de amor e sobriedade”. Não nos envergonhemos do testemunho de nosso Senhor! Guardemos aquilo que aprendemos de nossos antepassados, conservemos o “preciosos depósito” da nossa fé católica e apostólica, “com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós”. Não corramos atrás das ilusões, fruto das invenções humanas! É isto que o Senhor espera de nós, é este o nosso dever, é esta a nossa vocação, é esta a nossa glória. E, após termos agido assim, não achemos que temos algum direito diante de Deus. Humildemente, digamos: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”.
Que o Senhor nos dê esta graça: a graça de viver e morrer na fé. Que o Senhor nos conceda a recompensa dosa servos bons e fiéis! Amém!
Dom Henrique Soares da Costa
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Homilia do Mons. José Maria – XXVII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

Aumentar a FÉ!

No Evangelho, em Lc 17, 5-10, surge a súplica dos Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé!” E Jesus disse-lhes: “se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria”. É uma linguagem figurada que exprime a onipotência da fé. Jesus não pede muito; pede apenas um pouquinho de fé, como o minúsculo grão de mostarda, bem menor do que a cabeça de um alfinete; mas, se for sincera, viva, convicta, a fé será capaz de coisas muito maiores, inconcebíveis à compreensão humana. Jesus quer educar os seus discípulos numa fé sem incerteza nem vacilações, numa fé que, apoiada na força de Deus, tudo crê, tudo espera, a tudo se atreve, e persevera invencível, mesmo nas dificuldades mais árduas e difíceis.
Precisamos de uma fé firme, que nos leve a alcançar metas que estão acima das nossas forças, que aplaine os obstáculos e supere os “impossíveis” na nossa tarefa apostólica. É esta a virtude que nos dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos e nos permite julgar retamente todas as coisas. Só pela luz da fé e pela meditação da palavra de Deus é que se pode sempre e por toda a parte divisar Deus “em quem vivemos e nos movemos e somos” (At 17, 28), procurar a sua vontade em todos os acontecimentos, ver Cristo em todos os homens, sejam próximos ou estranhos, e julgar com retidão sobre o verdadeiro significado e valor das coisas temporais, em si mesmas e em relação ao fim do homem.
Devemos pedir ao Senhor uma fé firme que reanime o nosso amor e nos faça superar as nossas fraquezas, a fim de sermos testemunhas vivas no lugar em que se desenvolve a nossa vida.
Que força comunica a fé! Com ela superamos os obstáculos de um ambiente adverso e as dificuldades pessoais, que com muita freqüência são mais difíceis de vencer.
Houve ocasiões em que Jesus chamou aos Apóstolos “homens de pouca fé” (Mt 8, 26; 6, 30), pois não se encontravam à altura das circunstâncias. O Messias estava com eles, e no entanto tremiam de medo diante de uma tempestade no mar (Mt 8, 26), ou preocupavam-se excessivamente com o futuro, quando fora o próprio Cristo quem os chamara para que O seguissem. “Senhor, aumenta-nos a fé, pediram a Jesus. O Senhor atendeu a esse pedido, pois todos eles acabaram por dar a vida em testemunho supremo da sua firme adesão a Cristo e aos seus ensinamentos.
Nós também precisamos de mais fé! Com ela seremos valentes e leais.
A fé é um dom de Deus que a nossa pequenez nem sempre consegue sustentar. Por vezes, é tão pequena como um grãozinho de mostarda. Não nos surpreendamos com a nossa debilidade, pois Deus conta com ela. Imitemos os Apóstolos quando compreenderam que tudo aquilo que viam e ouviam excedia a sua capacidade. Peçamos a Cristo, através de Nossa Senhora e com a humildade dos discípulos, que nos aumente a fé, para que, como eles, possamos ser fiéis até o fim dos nossos dias e levemos muitas pessoas até Ele, como fizeram aqueles que O seguiam de perto em todos os tempos.
Diante das provações, dos desafios, o Senhor nos fala pelo Profeta Habacuc: “… o justo viverá por sua fé” (Hab 2, 4). Este ensinamento tanto é para o israelita, como para o cristão de todos os tempos; é válido em qualquer circunstância da vida dos indivíduos, dos povos ou da Igreja. Mesmo que tudo aconteça como se Deus não existisse ou não visse, é necessário permanecer firmes na fé. Deus não pode demorar a Sua intervenção e intervirá, certamente, em favor dos que acreditam nEle e nEle depositam a sua confiança. “Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam” (Rm 8, 28).
Mons. José Maria Pereira
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Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Diante do pedido dos discípulos: “Aumenta a nossa fé”, a resposta de Jesus, mesmo parecendo um tanto dura, pois pode ser interpretada como uma correção, é um verdadeiro ensinamento sobre a autêntica fé. Ele não dá explicações teóricas sobre a fé, nem muito menos alimenta a ingenuidade dos discípulos que pensam a fé em termos de quantidade. Mas com uma linguagem viva e comparações bastante conhecidas, como o adágio da semente de mostarda ou a prática dos servos que não devem exigir nenhum louvor a mais por causa da natural obrigação do seu trabalho, Jesus adverte os seus discípulos que não é a fé que deve crescer, mas aquele que crê é que deve estar disposto ao compromisso do crescimento, cujo sinal evidente é a sua capacidade para o serviço humilde.

Observando a construção sintática do texto grego, poder-se-ia propor outras maneiras de traduzir esta frase (grego “Prosthes hemin pistis”: faz crescer em nós fé, coloca em nós fé, concede-nos fé, fortalece a nossa fé), cada uma dessas possibilidades apresenta um aspecto que enriquece e completa o significado profundo desse pedido-oração dos discípulos, os quais se dirigindo a Jerusalém, começam a sentir as consequências e exigências do seguimento do Mestre Jesus. Portanto, diante do futuro que os aguarda, quando o Senhor consumar a sua missão na cruz, e entregar-lhes a missão após a sua ressurreição, só a fé autêntica poderá sustentá-los, como o próprio Jesus irá afirmar: “pela perseverança é que manterão as suas vidas” (Lc 21,19).
Esclarecendo os seus discípulos, o Senhor afirma que a fé não se mede, mas é possível verificar a sua existência pelos frutos que ela produz. Certamente ela não cresce ou diminui, pois é dom de Deus. Mas, a fé, uma vez acolhida com generosidade e confiança, faz crescer naquele que crê a capacidade de assumir atitudes de serviço, que se caracteriza pela humildade e não pela cobrança de reconhecimento e privilégios.
Ao comparar a fé com um grão de mostarda, Jesus ensina que não há uma fé grande ou pequena, mas que há apenas momentos diferentes de percebê-la. Assim acontece com o próprio ser humano, ele começa a existir pequeno, mas quando vai crescendo essencialmente não deixa de ser aquilo que sempre foi. Apesar de a semente de mostarda ser considerada a menor, quando ela desabrocha, torna-se uma planta de tamanho inversamente proporcional.
Jesus relaciona ao tema da fé dois outros temas intimamente relacionados: o Reino de Deus e o serviço humilde. Anteriormente, Lucas já havia registrado o ensinamento de Jesus sobre o Reino de Deus, através das comparações, e entre elas se destaca a parábola do grão de mostarda (Lc 12,18). Jesus afirma que o Reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda que um homem recebe (grego: lambano, tomar, receber) e joga (grego: ballo¸joga, lança) na sua horta. O Senhor evidencia duas ações do homem que são fundamentais para que o pequeno grão se torne grande árvore. Destarte, destacam-se as duas dimensões primordiais da autêntica fé:  a gratuidade do dom (a semente) e o serviço de lançar na terra, o que exige disposição para preparar a terra e, ao mesmo tempo, cuidado constante para que a semente lançada encontre as condições necessárias para germinar, crescer e produzir frutos.
Assim como a semente para crescer desafia o agricultor fazendo-o crescer no seu empenho, exigindo dele serviço generoso e perseverante, alimentado pela esperança dos futuros frutos, assim a fé no coração do crente não cresce simplesmente, mas o faz crescer em convicção, confiança, generosidade e laboriosidade em vista da implantação do Reino. Não é o nosso trabalho que aumenta a nossa fé, mas a fé em nós acolhida com humildade é que nos faz crescer.
A exemplificação de fé feita por Jesus: “Poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”, entendida no conjunto dos ensinamentos e atitudes de Jesus, não quer insinuar que a fé seja uma força mágica utilizada para gestos espetaculares ou mesmo manifestações fantásticas próprias dos palcos do “show da fé”. O símbolo da amoreira, uma árvore que atinge até 6 metros de altura, e, portanto, de raízes profundas, serve para dizer que a fé não atinge apenas a superficialidade de quem crê, a fé não é apenas retoque superficial para fazer de conta que se confia; sendo um dom de Deus e acolhido pelo crente, produz em quem crê uma  verdadeira conversão, pois é capaz de desenraizar o ser humano até mesmo das situações mais profundas de pecado e conduzi-lo para uma nova situação de vida, talvez impensável segundo cálculos humanos.
Porém, a fé, acolhida como dom de Deus, exige do crente uma atitude de humildade diante das grandes coisas que ela produzirá nele. Portanto, assumir de forma perseverante e fiel a sua condição de servo, sem jamais ceder à tentação de se pensar o sujeito imprescindível do crescimento da semente, ou ter a presunção de que a qualidade da semente depende do seu esforço, isso será a garantia do seu crescimento. Arar a terra, cuidar dos animais, em termos comparativos, simbolizam a atitude responsável e fiel dos servos humildes, que jamais abandonam o seu avental (“cinge-te”) pois reconhece que é só servindo que eles nunca deixarão de crescer. A sua humildade transforma-se em alegre convicção e, por isso, afirmam: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer”. A expressão “servos inúteis” que se tornou a tradução mais corrente, apresenta-se um tanto contraditória: um servo que fez o que deveria fazer é inútil? Mas o evangelho, segundo a lógica humana, é muitas vezes contraditório, porém a palavra “inúteis” em grego pode ser também traduzida por “indignos de louvor” (grego achreioi: indignos de louvor, miseráveis, inúteis). Assim, não há nada mais coerente para aquele que crê do que reconhecer que só Aquele de quem recebeu a semente (fé) é digno de louvor e reconhecimento, porque é Ele quem faz crescer o servo que crê, pois só a fé autêntica faz o verdadeiro servo.

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LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
Pres.: O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS...
Pres.:  DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
Pres.: COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
Pres.:  - Bendito e louvado sejais para sempre, Senhor nosso Deus! Agradecemos nos terdes criado e nos acolher como vossos filhos prediletos. Agradecemos nos enviar Vosso Filho  para nos indicar o caminho de vosso Reino.
T: Senhor, ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
Pres.:  - Vos louvamos, ó Deus, pela vossa misericórdia, pois somos fracos e egoístas. Muitas vezes erramos e com a vossa graça nos arrependemos e sempre nos perdoais. Enviai-nos o Santo Espírito para que tenhamos mais força em nossa caminhada rumo ao vosso Reino.
T: Senhor, ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
Pres.:  Por vossa bondade, senhor, vinde sempre em nosso auxílio, para que no dia em nos chamar para junto de Vós, possamos ouvir este elogio: tu cumpriste a tua obrigação entre na alegria do Teu Senhor. 
T: Senhor, ajudai-nos a fazer a vossa vontade.

Pres.: Pai nosso... A Paz... Eis o cordeiro de Deus...