quinta-feira, 13 de novembro de 2014

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A, A parábola dos talentos

SINOPSE: - 33º D.t. COMUM - Ano A  2014
“Felizes os que temem o Senhor e trilham os seus caminhos!”
Cada cristão é testemunha ativa e comprometida no projeto de salvação.
A primeira leitura: A mulher virtuosa, talentosa, generosa e com temor a Deus, são alguns dos valores que asseguram a felicidade: são valores de quem quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.
O Evangelho: Jesus louva o discípulo que faz frutificar os “bens” que Deus lhe confia; e condena quem não põe a render os “bens”.
Na segunda leitura, Paulo deixa claro que o importante é estar vigilante, vivendo os ensinamentos de Jesus, testemunhando e trabalhando na construção do Reino
LEITURA I – Provérbios 31,10-13.19-20.30-31
mulher virtuosa? O seu valor é o das pérolas. Nela confia o coração do marido...Ela dá-lhe bem-.... põe mãos ao trabalho alegremente. ... Abre as mãos ao pobre e estende os braços ao indigente... a mulher que teme o Senhor é que será louvada.
MENSAGEM – Trabalho, Generosidade e Temor: A mulher que gerencia bem a casa e não deixa que nada falte, o coração do marido descansa e confia. É, de coração generoso, que tem piedade do infeliz e que partilha com o pobre que pede auxílio. Não se preocupa com a sua aparência, mas em viver no temor do Senhor. Respeita os mandamentos.

ATUALIZAÇÃO • o “sábio” exalta os que vivem de acordo com os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do “temor de Deus”. São estes valores que nos asseguram uma vida feliz, tranqüila e próspera.
• No Antigo Testamento, o “temor de Deus” é quem ama a Deus, procura conhecer os seus projetos e cumpre a vontade de Deus. Esta é condição para a realização plena.

EVANGELHO – Mt 25,14-30
AMBIENTE
- Mateus Lembra  que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana; e que, até lá, os crentes devem “pôr a render os seus talentos”, vivendo na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino. Um “talento” (Um talento é mais ou menos a 54.000,00 reais no ano 2011).

MENSAGEM - Os dois primeiros servos foram louvados pelo “senhor”, ao passo que o terceiro foi criticado e condenado.
Os “bens” são os dons que Deus ofereceu aos homens – a Palavra de Deus, os valores do Evangelho, o amor aos irmãos, a misericórdia e a fraternidade, que ajudam a construir a comunidade do Reino… Os “bens” devem dar frutos. O servo preguiçoso
não correu riscos; e impediu que os bens do “senhor” fossem criadores de vida nova.
Mateus exorta: deixar na gaveta os dons de Deus é privar os irmãos e o mundo dos frutos a que têm direito. O discípulo não pode esperar o Senhor de mãos erguidas e de olhos postos no céu, alheios aos problemas do mundo e preocupado em não se contaminar com as questões do mundo…  O discípulo espera o Senhor envolvido e empenhado, ocupado em distribuir a todos os “bens” de Deus e em construir o Reino.

ATUALIZAÇÃO • Nós somos as testemunhas de Cristo e do projeto que o Pai tem para os homens. É com o nosso coração que Jesus ama os pecadores; é com as nossas palavras que Jesus consola os que estão tristes; é com os nossos braços que Jesus acolhe os imigrantes que fogem da miséria; é com as nossas mãos que Jesus quebra as cadeias que prendem os oprimidos; é com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado; é com a nossa solidariedade que Jesus alimenta as multidões famintas e a dá medicamentos e cultura àqueles que nada têm… Nós, cristãos, membros do “corpo de Cristo”, que nos identificamos com Cristo, temos responsabilidade de O testemunhar e de deixar que, através de nós, Ele continue a amar os homens e as mulheres que caminham ao nosso lado.
• Há cristãos que têm a coragem de arriscar. Não aceitam a injustiça e lutam contra ela; não pactuam com o egoísmo, o orgulho, a prepotência e propõem os valores do Evangelho; não aceitam que os grandes decidam os destinos do mundo e têm a coragem de lutar contra os projetos desumanos; … Muitas vezes, são perseguidos, condenados, reduzidos ao silêncio, incompreendidos; muitas vezes, no seu excesso de zelo, cometem erros de avaliação, fazem opções erradas… Apesar de tudo, Jesus diz-lhes: “muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”.
• O servo que escondeu os “bens” … Não lutou, não se esforçou, não arriscou, não ganhou. Há cristãos que desistem por medo e covardia e se demitem do seu papel na construção de um mundo melhor. Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho cômodo, sem coragem de ir mais além. Não falham, não fazem mal a ninguém, não correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; não fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar aqueles que se esforçam por mudar as coisas… Não põem a render os “bens” que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juros”.

LEITURA II – 1 Tessalonicenses 5,1-6
Irmãos: ...o dia do Senhor vem como um ladrão noturno. Mas vós, irmãos, não andeis nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão, porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia: nós não somos da noite nem das trevas. Por isso, não durmamos como os outros, mas permaneçamos vigilantes.
AMBIENTE - Paulo e as primeiras comunidades acreditavam que o “dia do Senhor” surgiria em breve e que ainda assistiriam ao triunfo final de Jesus.

MENSAGEM - os crentes devem estar atentos para não serem surpreendidos. Deus surpreende-nos como um ladrão que chega de noite, quando ninguém está à espera; Em conseqüência, a vida cristã deve estar marcada por atitude de vigilância.
Os crentes têm de viver de maneira diferente dos não crentes, pois os horizontes são diferentes… Os não crentes vivem nas trevas, estão adormecidos; vivem no presente, despreocupados com o futuro, de olhos postos no horizonte terreno. Os crentes são filhos da luz e do dia, estão vigilantes; vivem de olhos no futuro, à espera que chegue a vida verdadeira, plena, definitiva que Deus lhes vai oferecer.

ATUALIZAÇÃO - • Paulo deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.
• Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade, mas sim os valores de Deus.
• A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes esperam um futuro como dom de Deus.

OS TALENTOS:

Não importa se temos muitas ou poucas qualidades; o que Deus olha é o uso delas.
Os talentos não são só diferentes, mas complementares,
Somos administradores, por isso ninguém deve orgulhar-se dos talentos que possui.
Enterrar os talentos: Medo do risco. Pessimismo. Comodismo. Egoísmo. Insensibilidade diante das necessidades do próximo.
Aquela história de “eu quero ser humilde, por isso vou esconder o meu dom” é papo furado. Isso é orgulho ou comodismo, disfarçado em humildade.

 Nós, pelo nosso pecado, podemos enterrar os talentos dos outros. impedimos nosso próximo de estudar, ou lhe fechamos as portas, impedindo-o de se desenvolver.

 Muitos usam os próprios talentos para o mal! Quanta inteligência é usada na fabricação de armas,. O mesmo vale para os fabricantes de drogas, para os traficantes e os que fabricam ou espalham vírus de computador.
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33º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

A primeira leitura: O trabalho, a generosidade, o temor de Deus, são alguns dos valores do discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus.
Tema: Fidelidade: “Como foste fiel no pouco, eu te confiarei muito mais!”
O Evangelho: Jesus louva o discípulo faz frutificar os “bens” que Deus lhe confia; e condena o discípulo que não põe a render os “bens” que Deus lhe entrega.
Na segunda leitura, Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.

6. PRIMEIRA LEITURA (Pr 31,10-13. 19-20. 30-31) Leitura do Livro dos Provérbios.
Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as jóias. Seu marido confia nela plenamente, e
não terá falta de recursos. Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. Estende a mão para a roca, e seus dedos seguram o fuso. Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!

AMBIENTE O “Livro dos Provérbios” apresenta várias coleções de ditos, de máximas, de provérbios onde se cristaliza o resultado da reflexão e da experiência (“sabedoria”) de várias gerações de “sábios” antigos (israelitas e alguns não israelitas).
Tema do poema: a mulher virtuosa. Provavelmente, o Livro dos Provérbios foi usado como manual para a formação de jovens que freqüentavam as escolas de “sabedoria”. Este poema, situado no final do livro, poderia ser a “instrução final”: antes de abandonar a escola e depois de haver assimilado os ensinamentos dos “sábios”, o aluno era instruído acerca da eleição da esposa.

MENSAGEMA mulher virtuosa gerencia bem a casa e não deixa que nada falte. Ao constatar a boa ordem em que tudo caminha, por ação da esposa, o coração do marido descansa e confia. É, ainda, a mulher de coração generoso, que tem piedade do infeliz e que partilha generosamente o fruto do seu trabalho com o pobre que pede auxílio.
É, finalmente, a mulher que não se preocupa com a sua aparência, mas se preocupa em viver no temor do Senhor. Viver no “temor do Senhor” significa respeitar os mandamentos, obedecer a Deus, aceitar com humildade e confiança a sua vontade, os seus planos e os seus projetos. O ideal de mulher aqui apresentado é o da mãe de família que dirige com eficiência, com dedicação e com empenho a sua casa e que é corresponsável com o marido na administração da casa, dos bens e da propriedade.

ATUALIZAÇÃO • Mais do que uma mulher virtuosa ideal, o “sábio” autor exalta todos aqueles – mulheres e homens – que conduzem a sua vida de acordo com os valores do trabalho, do empenho, do compromisso, da generosidade, do “temor de Deus”. São estes valores, na opinião do autor, que nos asseguram uma vida feliz, tranqüila e próspera.
• O nosso texto sugere também uma reflexão sobre as nossas prioridades… Da mulher virtuosa diz-se que não se preocupa com os valores efêmeros (a aparência), mas que se preocupa com os valores eternos (o “temor de Deus”).
• A referência à generosidade para com o pobre e o necessitado é questionante… Como é que consideramos e tratamos aqueles irmãos que nos batem à porta, a pedir um pedaço de pão, um pouco de atenção, ou ajuda?
• No Antigo Testamento, o “temor de Deus” é a qualidade quem ama Deus, que procura conhecer os seus projetos e que cumpre – com total confiança – a vontade de Deus. Esta dependência de Deus – diz-nos um “sábio” de Israel – não diminui a nossa liberdade, nem atenta contra a nossa realização; pelo contrário, é condição essencial para a realização plena do homem.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 127 (128)
Felizes os que temem o Senhor / e trilham seus caminhos!
• Feliz és tu, se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos!
/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem!
• A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração da tua casa; /
os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa.
• Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor. /
O Senhor te abençoe de Sião, / cada dia de tua vida.

10. EVANGELHO (Mt 25,14-30) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “Um homem ia viajar para o estrangeiro.
Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um;
a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lu crou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Chegou também o que havia rece bido dois talentos e disse: ‘Senhor, tu me entregastes dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te per tence’. O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro num banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.’ Em seguida o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”.

AMBIENTE - A catequese que Mateus apresenta tem em conta as necessidades da sua comunidade cristã. Estamos no final do séc. I (década de 80). Os cristãos, fartos de esperar a segunda vinda de Jesus, esqueceram o seu entusiasmo inicial… Instalaram-se na mediocridade, na rotina, no comodismo. As perseguições provocam o desânimo … Era preciso reaquecer o entusiasmo dos crentes, despertar a fé, renovar o compromisso cristão com Jesus e com a construção do Reino.
É para responder a este contexto que Mateus elabora o “discurso escatológico” de Marcos (cf. Mc 13) e compõe, com ele, uma exortação dirigida aos cristãos. Lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana; e que, até lá, os crentes devem “produzir com os seus talentos”, vivendo na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino. A parábola que hoje nos é proposta fala de “talentos” que um senhor distribuiu pelos servos. (Um talento equivale a 36 quilos de prata e ao salário de aproximadamente 3.000 dias de trabalho [100 meses] de um operário não qualificado é mais ou menos correspondente a 54.000,00 reais no ano 2011 no Brasil).

MENSAGEM - Os dois primeiros servos foram louvados pelo “senhor”, ao passo que o terceiro foi severamente criticado e condenado.
O amo exigente seria Deus, que reclama para Si uma lealdade a toda prova e que não aceita situações de acomodação e de preguiça. Os servos a quem Ele confia os valores do Reino devem acolher os seus dons e pô-los a render, a fim de que o Reino seja uma realidade. No Reino, ou se está comprometido, ou não se está.
Depois, Mateus pegou na mesma parábola e situou-a num outro contexto: o da vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos… A vinda do Senhor é uma certeza; e, quando Ele voltar, julgará os homens conforme o comportamento que tiverem assumido na sua ausência. Nesta versão da parábola, o “senhor” é Jesus que, antes de deixar este mundo, entregou bens consideráveis aos seus “servos” (os discípulos). Os “bens” são os dons que Deus, através de Jesus, ofereceu aos homens – a Palavra de Deus, os valores do Evangelho, o amor que se faz serviço aos irmãos e que se dá até à morte, a partilha e o serviço, a misericórdia e a fraternidade, os carismas e ministérios que ajudam a construir a comunidade do Reino… Os discípulos de Jesus são os depositários desses “bens”. A questão é, portanto, esta: como devem ser utilizados estes “bens”? Eles devem dar frutos, ou devem ser conservados cuidadosamente enterrados? Os discípulos de Jesus podem – por medo, por comodismo, por desinteresse – deixar que esses “bens” fiquem infrutíferos? Na perspectiva da nossa parábola, os “bens” que Jesus deixou aos seus discípulos têm de dar frutos. A parábola apresenta como modelos os dois servos que mexeram com os “bens”, demonstraram interesse, se preocuparam em não deixar parados os dons do “senhor”, fizeram investimentos, não se acomodaram nem se deixaram paralisar pela preguiça, pela rotina, ou pelo medo. Por outro lado, a parábola condena veementemente o servo que entregou intactos os bens que recebeu. Ele teve medo e, por isso, não correu riscos; mas não só não tirou desses bens qualquer fruto, como também impediu que os bens do “senhor” fossem criadores de vida nova.
Através desta parábola, Mateus exorta a sua comunidade no sentido de estar alerta e vigilante, sem se deixar vencer pelo comodismo e pela rotina. Esquecer os compromissos assumidos com Jesus e com o Reino, demitir-se das suas responsabilidades, deixar na gaveta os dons de Deus, aceitar passivamente que o mundo se construa de acordo com valores que não são os de Jesus, instalar-se na passividade e no comodismo, é privar os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito. O discípulo de Jesus não pode esperar o Senhor de mãos erguidas e de olhos postos no céu, alheios aos problemas do mundo e preocupado em não se contaminar com as questões do mundo…  O discípulo de Jesus espera o Senhor profundamente envolvido e empenhado no mundo, ocupado em distribuir a todos os homens seus irmãos os “bens” de Deus e em construir o Reino.

ATUALIZAÇÃO • Nós, os cristãos, somos no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação que o Pai tem para os homens. É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo; é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados; é com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da miséria; é com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos; é com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado; é com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm… Nós, cristãos, membros do “corpo de Cristo”, que nos identificamos com Cristo, temos a grande responsabilidade de O testemunhar e de deixar que, através de nós, Ele continue a amar os homens e as mulheres que caminham ao nosso lado pelos caminhos do mundo.
• Os dois “servos” da parábola que, talvez correndo riscos, fizeram frutificar os “bens” que o “senhor” lhes deixou, mostram como devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Eles tiveram a ousadia de não se contentar com o que já tinham; não se deixaram dominar pelo comodismo … Lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam. Todos os dias, há cristãos que têm a coragem de arriscar. Não aceitam a injustiça e lutam contra ela; não pactuam com o egoísmo, o orgulho, a prepotência e propõem, em troca, os valores do Evangelho; não aceitam que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e têm a coragem de lutar contra os projetos desumanos que enfeiam esta terra; … Muitas vezes, são perseguidos, condenados, desautorizados, reduzidos ao silêncio, incompreendidos; muitas vezes, no seu excesso de zelo, cometem erros de avaliação, fazem opções erradas… Apesar de tudo, Jesus diz-lhes: “muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”.
• O servo que escondeu os “bens” que o Senhor lhe confiou mostra como não devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Esse servo contentou-se com o que já tinha e não teve a ousadia de querer mais; entregou-se sem luta, deixou-se dominar pelo comodismo e pela apatia… Não lutou, não se esforçou, não arriscou, não ganhou. Todos os dias há cristãos que desistem por medo e covardia e se demitem do seu papel na construção de um mundo melhor. Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho cômodo, sem força, sem vontade, sem coragem de ir mais além. Não falham, não cometem “pecados graves”, não fazem mal a ninguém, não correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; não fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar asperamente aqueles que se esforçam por mudar as coisas… Não põem a render os “bens” que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu”.

8. SEGUNDA LEITURA (1Ts 5,1-6) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia
do Senhor virá como ladrão, de noite. Quando as pessoas disserem: “Paz e segurança!”, então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.

AMBIENTE - um dos problemas para os tessalonicenses residia na compreensão dos acontecimentos ligados à parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos).
Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que o “dia do Senhor” (o dia da intervenção definitiva de Deus na história, para derrotar os maus e para conduzir os bons à vida plena e definitiva) surgiria num espaço de tempo muito curto e que os membros da comunidade ainda assistiriam ao triunfo final de Jesus. No entanto, os dias foram passando e, provavelmente, faleceu algum membro da comunidade. Por isso, os tessalonicenses perguntavam: qual será a sorte dos cristãos que morreram antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão eles sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se já estão mortos?
A estas questões Paulo respondeu já no texto que nos foi proposto no domingo passado … Mas, no texto de hoje, Paulo continua a sua reflexão sobre o “dia em que o Senhor virá” e sobre a forma como os cristãos se devem preparar.

MENSAGEM - Paulo está convicto de que esse acontecimento (a volta de Cristo) se dará proximamente; no entanto, a data exata continua desconhecida e imprevista.
Por isso, os crentes devem estar atentos para não serem surpreendidos. Para descrever a “surpresa de Deus”, Paulo utiliza duas imagens bem significativas: Deus surpreende-nos como um ladrão que chega de noite, quando ninguém está à espera; e Deus é como as dores de parto que surgem de repente. Em conseqüência, a vida cristã deve estar marcada por uma atitude de preparação e de vigilância. Para além da questão da data, o que é importante é que os cristãos vivam de forma coerente com a opção que fizeram no dia do seu Batismo. Os crentes têm de viver de maneira diferente dos não crentes, pois os horizontes de uns e de outros são diferentes… Os não crentes vivem mergulhados na noite e nas trevas, estão adormecidos; vivem no presente, despreocupados em relação ao futuro, de olhos postos no horizonte terreno. Os crentes são filhos da luz e do dia, estão vigilantes; vivem de olhos postos no futuro, à espera que chegue a vida verdadeira, plena, definitiva que Deus lhes vai oferecer. Na verdade, a vida dos crentes é mais bela e significativa, porque está cheia de esperança.

ATUALIZAÇÃO - • A questão fundamental da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. Paulo deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.
• Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade, mas sim os valores de Deus.
• A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro – um futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.


Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Talentos a serviço

Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Liturgia nos convida a estarmos prontos a prestar conta a Deus da administração dos bens que ele nos concedeu.
É um apelo à VIGILÂNCIA para a vinda do Senhor, que pode vir a qualquer momento.

A 1a Leitura apresenta a figura da "mulher virtuosa", que sabe administrar a sua casa. (Pr 31,10-13.19-20.30-31)

Esse poema retrata a Mãe de família, que valoriza o trabalho, o compromisso, a generosidade e o "temor de Deus".
Esses valores garantem ainda hoje para todos uma vida feliz, tranqüila e próspera.

Na 2ª leitura, Paulo fala da 2ª vinda do Senhor e como devemos esperar e preparar esse momento: vigilantes e sóbrios na presença do Senhor. (1Ts 5,1-6)

No Evangelho, com a Parábola dos TALENTOS, Jesus fala da sua 2ª vinda no fim dos tempos e a atitude com que os discípulos devem esperar e preparar essa vinda. (Mt 25,14-30)

Um "senhor" partiu em viagem e deixou sua fortuna nas mãos dos servos.
A um, deixou cinco talentos, a outro dois e a outro um.
Quando voltou, chamou os servos e pediu-lhes conta da sua gestão.
Os dois primeiros tinham duplicado a soma recebida; mas o terceiro escondeu cuidadosamente o talento recebido, pois conhecia a exigência do "senhor" e tinha medo.
Os dois primeiros servos foram louvados pelo "senhor", ao passo que o terceiro foi severamente criticado e condenado.

A Parábola refere-se à Vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos...
- O "Senhor" representa Jesus, que antes de deixar este mundo, para viajar de volta ao Pai, deixou todos os seus "Bens" aos discípulos.
- Os Talentos são os "bens" que Jesus deixou na sua Igreja: o Evangelho, a sua mensagem de salvação;  o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, seu amor pelos pobres, sua atenção para os doentes...
- Os Servos, depositários desses bens, são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que devemos produzir na medida de nossas possibilidades...

Depositários dos Bens de Cristo...

Nós somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação que o Pai tem para os homens.
- É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo;
- é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados;
- é com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da miséria e da degradação;
- é com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos;
- é com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado;
- é com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm…

O que a Parábola nos diz hoje?

A Parábola mostra a grande responsabilidade de quem se omite, deixando que os bens do Senhor permaneçam infrutíferos, privando desta forma a comunidade e o mundo dos frutos a que têm direito.

- os dois "servos" da parábola, que fizeram frutificar os "bens", nos mostram como devemos proceder:  Eles lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam.
  Não se deixaram dominar pelo comodismo e tiveram a coragem de arriscar.
  Também nós não devemos nos deixar dominar pelo comodismo e ter a coragem de lutar contra a injustiça e propor os valores do Evangelho; Não aceitar que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e ter a coragem de lutar contra os projetos desumanos que desfiguram esta terra; Não aceitar que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder e procurar  torná-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evangélica; Não aceitar que a liturgia deva ser sempre tão solene que assuste os mais
  simples, nem tão etérea que não tenha nada a ver coma vida do dia a dia...

- e o servo, que enterrou os "bens", mostra como não devemos proceder:   contentar-se com o que se tem e não querer mais, por medo ou covardia...
  Não fazer render os "bens" que Deus nos confiou... não dar frutos...

Como usamos os talentos que o Senhor nos confiou?

- Em muitas comunidades encontramos pessoas ricas de talentos... de estudo, de tempo e de recursos... mas não se doam aos outros...
  Dizem que não tem tempo... não tem jeito... e não fazem nada pela comunidade...

- No entanto, encontramos pessoas pobres, humildes, muito ocupadas... e com pouco ou nenhum estudo,  que se entregam com generosidade a serviço da Comunidade: nas pastorais, nos movimentos e no serviço de caridade...

* No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir?
"Servo bom e fiel... vem participar da minha alegria..."
  ou "Servo mau e preguiçoso... Servo inútil... joguem-no fora...
        na escuridão... onde haverá choro e ranger de dente?"

  A Escolha será nossa!...

                          Pe. Antônio
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Homilia de D. Henrique Soares

Mt 25,14-30

De um modo ou de outro, a Palavra do Senhor sempre nos fala da vida, nos revela o sentido, nos mostra o caminho. Hoje, o Senhor nos apresenta a existência como um punhado de talentos, de dons, de oportunidades que a providência gratuita e misteriosa de Deus  colocou em nossas mãos para que façamos frutificar. Certamente, jamais compreenderemos porque nascemos desse modo ou somos daquele outro. Podemos, no entanto, ter a certeza que o Senhor nos deu uma vida, “a cada um de acordo com a sua capacidade”. Ora, é esta vida, dom de Deus, fruto de um desígnio de amor sem fim, que cada um de nós deve responsavelmente cultivar e fazer frutificar em benefício nosso de dos irmãos. Na mulher forte e industriosa da primeira leitura, aparece um exemplo de alguém que não se contenta em passar pela vida, mas vai tecendo o fio da existência com as pequenas fidelidades de cada dia. Do mesmo modo, a segunda leitura chama-nos atenção para o fato que nos serão pedidas contas da vida, dom recebido de Deus. Daí, o conselho: “Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios”.
Caríssimos, uma das grandes tentações do mundo atual é pensar que a existência é nossa de modo absoluto, como se cada um de nós se tivesse criado a si próprio, dado a si próprio a existência. Fechados em si próprios, os homens pensam que podem ser felizes construindo a vida de seu próprio modo, à medida de suas próprias idéias e objetivos. Ilusão! A vida é dom de Deus e somente nos faz felizes se dela fizermos um diálogo amoroso com o Senhor, autor e doador de nosso ser. Mais que talentos na vida, o Senhor nos concedeu a própria vida como um precioso talento. Desenvolvê-lo e ser feliz e buscar não a nossa própria satisfação, não nossa própria medida, não nosso próprio caminho, mas fazer da existência uma busca amorosa e cheia de generosidade da vontade de Deus. Eis! Somente seremos felizes e maduros quando tivermos a capacidade de arriscar verdadeiramente nos perder, nos deixar para nos encontrar no Senhor, alicerce e fonte de nossa vida. Eis o verdadeiro investimento!
Infelizmente, a dinâmica do mundo hodierno, pagão e ateu, não no ajuda nessa direção. Há distração demais, novidade demais, produto demais a ser consumido; há preocupação demais com uma felicidade compreendida como satisfação de nossos desejos, carências e vontades. Há consciência de menos de que a vida é dom e serviço, doação e abertura para o infinito; há percepção de menos de que aqui estamos de passagem e de que lá, junto ao Senhor, é que permaneceremos para sempre. Atolamo-nos de tal modo nos afazeres da vida, no corre-corre de nossas atividades, no esforço por satisfazer nossas vontades, na busca de nossa auto-afirmação, que perdemos a capacidade de compreender realmente que somos passageiros e viandantes numa existência breve e fugaz que somente valerá a pena será vivida na verdade se for compreendida como abertura para o Senhor e, por amor a ele, abertura generosa e servidora para os outros.
Caríssimos, estejamos atentos à advertência do Apóstolo: “Vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia” O Dia é Cristo, a Luz é Cristo. Viver na luz, viver no dia é viver na perspectiva de Cristo Jesus, é valorizar o que ele valoriza e desprezar o que ele despreza. Filhos da luz, filhos do dia – eis o que deveríamos ser! Mas, com tanta freqüência nossa mente e nosso coração, nossos pensamentos e nossos afetos encontram-se entenebrecidos como o dos pagãos… Quão grave para nós, porque conhecemos a Luz, cremos no Dia que é o Cristo-Deus!
Não nos iludamos, não façamos de conta que não sabemos: todos haveremos de dar contas a Deus de nossa existência, do sentido que lhe demos, daquilo que nela construímos. Queira Deus que nossa vida seja como a do Cristo Jesus: uma verdadeira e amorosa abertura para Deus e uma abertura para os outros! Queira Deus que consigamos, iluminados pela sua Palavra, nutridos pela sua Eucaristia e animados pela oração diária, viver nossa existência na perspectiva de Deus, de tal modo que vivamos, vivamos de verdade, vivamos em abundância, vivamos uma vida que valha a pena!
Que o Senhor no-lo conceda pela sua graça. Amém.

D. Henrique Soares

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Espiritualidade do trabalho

Aquele que recebeu cinco talentos e o que recebeu somente dois foram bons trabalhadores. Cada um deles, recebidos os talentos, “negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros” (Mt 25,16). É preciso trabalhar! Mais ainda, é preciso trabalhar bem! João Paulo II, na sua Carta Encíclica sobre o trabalho humano (“Laborem exercens”), falava de “elementos para uma espiritualidade do trabalho”. No entanto, ninguém duvida que a primeira coisa para falarmos de uma espiritualidade do trabalho é que se tenha um trabalho e se trabalhe. É verdade que nem sempre é fácil ter um trabalho. Há muitas pessoas desempregadas. Nesse sentido, a justiça social apela aos representantes responsáveis pelo bem comum da sociedade que se empenhem em criar cada vez mais postos de trabalho.
Mas também é verdade que alguém poderia não trabalhar ou trabalhar mal simplesmente porque é um preguiçoso. Como vencer a preguiça? Trabalhando. Uma boa lição deixou aos filhos aquele camponês que estava prestes a morrer. Conta-se que os seus filhos eram bem comodistas e o pai, já moribundo, disse-lhes: ‘meus filhos, estou morrendo, mas vou deixar como herança um campo e um tesouro que se encontra neste mesmo campo; vocês só terão que procurá-lo cavando o terreno’. Morto o pai, começou a caça ao tesouro. Vão cavando, revolvendo o terreno e… nada. Depois de, literalmente, cavar todo o terreno não encontraram nenhum tesouro; só então entenderam qual era o tesouro que o pai lhes tinha deixado: o trabalho.
O trabalho é um dom de Deus, que criou o homem para que trabalhasse (cf. Gn 2,15). No nosso trabalho nós temos que fazer como aqueles servos que negociaram e fizeram com que os talentos se multiplicassem. Eles sabiam que eram administradores de bens que não lhes pertenciam. E nós, o que somos? Administradores, servos, trabalhadores na vinha do Senhor, negociantes com os talentos de Deus. O Senhor nos pedirá conta da nossa administração. Temos que trabalhar santificando a nossa profissão.
O primeiro requisito para santificar o próprio trabalho, agradando ao Senhor e fazendo do trabalho um ambiente de apostolado, é fazê-lo bem: pontualidade, responsabilidade, honestidade, prudência, solidariedade etc. Essas e outras virtudes formam o cortejo das virtudes do trabalhador. Um cristão que deseja ser santo, mas desenvolve mal o seu trabalho pode vir a ser um autêntico contra testemunha do Evangelho: reza, mas não trabalha bem; vai à Missa, mas não é honesto nas relações de compra e venda; faz penitência, mas não pratica a pequena mortificação de chegar pontualmente ao trabalho; fala que todo mundo tem que ser bom, mas ele mesmo é não é justo com os seus funcionários… Mal serviço à evangelização! Ainda que participe de uns cinco grupos da paróquia, se não é bom trabalhador, bom pai de família e bom amigo dos seus amigos, não vai atrair para Deus, não estará se santificando, não estará vivendo uma boa espiritualidade.
É justamente em meio ao barulho do mundo, ao ruído das fábricas, à paciente leitura dos livros da faculdade, enfim, por ocasião dos diversos afazeres do cotidiano nós encontramos a Deus, ele nos espera em meio a essas coisas. Fugir dessa realidade é fugir do mundo real e seria, portanto, fugir do encontro com Deus. Nesse sentido, as palavras de S. Francisco de Sales são atuais para animar-nos a viver essa “espiritualidade do trabalho” da qual falava o grande João Paulo II: “a prática da devoção tem que atender à nossa saúde, às nossas ocupações e deveres particulares. Na verdade, Filotéia, seria porventura louvável se um bispo fosse viver tão solitário como um cartuxo? Se pessoas casadas pensassem tão pouco em juntar para si um pecúlio, como os capuchinhos? Se um operário frequentasse tanto a igreja como um religioso o coro? Se um religioso se entregasse tanto a obras de caridade como um bispo? Não seria ridícula tal devoção, extravagante e insuportável? Entretanto, é o que se nota muitas vezes, e o mundo, que não distingue nem sequer a devoção verdadeira da imprudência daqueles que a praticam desse modo excêntrico, censura e vitupera a devoção, sem nenhuma razão justa e real” (S. Francisco de Sales, Filotéia, 1,3).
Vamos continuar negociando com os nossos talentos. Há momentos nos quais precisamos ser fortalecidos para continuar com esse empenho firme e alegre: santificar a realidade profissional, a de todos os dias. Vamos fortalecer-nos na Missa dominical, e até diária se possível; na meditação diária da Palavra de Deus; na reza quotidiana do Terço; nas visitas ao Santíssimo. Todas essas práticas de piedade são como um “posto de combustível” aonde o carrinho da nossa alma vai se reabastecer para continuar caminhando, encontrando e amando a Deus, conversando com ele em todos os momentos da nossa jornada.

Pe. Françoá Costa

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Os talentos continuam sendo de Deus, como na parábola. Ele os entregou a nós para os desenvolvermos e usarmos para o bem comum.
Exemplos de talentos: Saúde, estudo, inteligência, dom artístico, aptidão profissional, amor, boas maneiras, as virtudes cristãs...
Todos nós, quando fomos criados, recebemos de Deus muitos talentos. Todo mundo tem talento, senão Deus não nos teria criado, pois ele não faz nada inútil.
Deus nos deu pensando mais nos outros do que em nós. Ele quer fazer de nós seus instrumentos, para que os outros sejam felizes. É a maravilha da entreajuda humana. Entretanto, nós recebemos os talentos em forma de semente. Precisamos desenvolvê-los, através do estudo, do treinamento etc.
Na parábola, os empregados que receberam cinco e dois talentos ganharam a mesma recompensa: “Vem participar da minha alegria”. Isto significa que não importa se temos muitas ou poucas qualidades; o que Deus olha é o uso que fazemos delas.
Os talentos são diferentes de uma pessoa para outra, dentro da família, do bairro, da sociedade e da Comunidade cristã. É difícil encontrarmos duas pessoas com as mesmas qualidades e aptidões. Deus nos fez um por um, e foi quebrando as formas. Isso é uma riqueza. Imagine se todo mundo só soubesse tocar violão!
E os talentos não são só diferentes, mas complementares, formando como que uma rede de talentos. Um é dentista, outro é barbeiro... Cada um serve os outros e é servido por eles.
Daí a importância de cada um de nós se aceitar como é, sem querer ser igual a ninguém, procurando descobrir os próprios talentos e desenvolvê-los ao máximo. Ser feliz por ser “único”.
Se alguém não usa seus talentos, nem por isso deixa de se beneficiar dos talentos dos outros. É servido pelos outros, e não faz nada em troca. Isso gera um desequilíbrio na sociedade. A pessoa torna-se semelhante à parasita, aquela plantinha que nasce nos troncos das árvores, suga a seiva da árvore e às vezes mata a árvore.
“Irmãos, como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10). Somos administradores, não donos da graça de Deus, por isso ninguém deve orgulhar-se dos talentos que possui. E essa graça é multiforme, porque atua em cada um de nós de forma diferente.
Ninguém deve considerar-se “o tal”, por ter esse ou aquele talento.

São muitos os motivos que levam as pessoas a enterrarem os próprios talentos: Medo do risco. Pessimismo. Falta de confiança em Deus. Comodismo. Perda de tempo com coisas fúteis. Egoísmo. Insensibilidade diante das necessidades do próximo. Preconceito em relação aos talentos políticos...
Um dia Deus nos pedirá contas dos talentos que ele nos confiou! Aquela história de “eu quero ser humilde, por isso vou esconder o meu dom” é papo furado. Isso é orgulho ou comodismo, disfarçado em humildade.
Existe
uma coisa triste em relação aos talentos: muitos não usam os dons que têm, não porque os enterram, mas porque outros não os deixam usar. Nós, pelo nosso pecado, podemos enterrar os talentos dos outros. Fazemos isso quando, por exemplo, impedimos nosso próximo de estudar, ou lhe fechamos as portas, impedindo-o de se desenvolver.

Em nossas Comunidades, uma maneira muito comum de impedir os outros de usar seus talentos são os cargos vitalícios. Isto é, a mesma pessoa fica ocupando o mesmo cargo anos e anos a fio.
Bom remédio para evitar isso é instituir na Comunidade a celebração do mandato. De tempo em tempo, a Comunidade se reúne e impõe as mãos sobre os novos nomeados para os diversos serviços, especialmente serviços de coordenação. O rodízio nos vários serviços é uma riqueza na Comunidade, justamente porque possibilita a todos desenvolverem seus talentos.
Ainda uma observação: Na sociedade, infelizmente, muitos usam os próprios talentos para o mal! Quanta inteligência é usada na fabricação de armas, que depois serão usadas para matar pessoas humanas, ou feri-las gravemente, como é o caso das minas! Aqueles que as fabricam, ou que as vendem, não estão sendo bons administradores dos dons que receberam de Deus. O mesmo vale para os fabricantes de drogas, para os traficantes e os que fabricam ou espalham vírus de computador.



PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:

LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: SENHOR, SOIS BONDADE E MISERICÓRDIA.
à Ó DEUS, SOIS PODEROSO E REPLETO DE AMOR. VÓS SOIS A FONTE DE TODAS AS COISAS. NÓS VOS BENDIZEMOS. PAI, FAZEI DE NÓS PESSOAS DEDICADAS  NA CONSTRUÇÃO DO REINO, SEGUNDO VOSSA VONTADE.
T: SENHOR, SOIS BONDADE E MISERICÓRDIA.
à Ó DEUS, VOSSO É O REINO, O PODER E A GLÓRIA. TUDO O QUE SOMOS E TEMOS É DE VÓS QUE RECEBEMOS. PAI, DAI-NOS FORÇA E CORAGEM PARA QUE MULTIPLIQUEMOS A SABEDORIA DE VOSSOS ENSINAMENTOS DE AMOR, DE PAZ, DE PERDÃO, DE AUXÍLIO AOS IRMÃOS. QUE SEJAMOS VOSSA IMAGEM DE BONDADE E AMOR.
T: SENHOR, SOIS BONDADE E MISERICÓRDIA.
à Ó DEUS, VÓS NOS ENVIASTES VOSSO FILHO JESUS CRISTO PARA NOS TRANSFORMAR. PAI, QUE SEJAMOS ATENTOS AOS COMPROMISSOS DE NOSSO BATISMO, QUE SEJAMOS LUZ PARA NOSSOS IRMÃOS. QUEREMOS MULTIPLICAR OS DONS QUE NOS DESTES.
T: SENHOR, SOIS BONDADE E MISERICÓRDIA.
à PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A - 9 de Novembro de 2014, Dedicação da Basílica de Latrão.

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A - 9 de Novembro de 2014

SINOPSE: Tema: Dedicação da Basílica de Latrão. “dedicação” aconteceu no ano de 320.
Na primeira leitura: Ezequiel, na Babilônia, anuncia que Deus vai estabelecer a sua morada no meio dos homens; vida em abundância.
No Evangelho: Jesus apresenta-Se como o Novo Templo.
Na segunda leitura, Paulo: o cristão é o Templo de Deus.

LEITURA I – Ez 47,1-2.8-9.12

AMBIENTE - Ezequiel é “o profeta da esperança”. Os exilados duvidam da bondade e de Deus. Ezequiel Anuncia a chegada de uma nova era … em que Deus irá conduzir do seu Povo, como um “Bom Pastor; no Templo reconstruído, Deus residirá no meio do seu Povo.
MENSAGEM - Do Templo o profeta “vê” brotar um rio de águas; símbolo de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade.
ATUALIZAÇÃO • Deus no meio dos homens é a “boa nova”; é um convite à confiança e à esperança, pois Deus está presente.  • os males resultam das indiferenças às propostas de Deus …

LEITURA II – 1 Cor 3,9c-11.16-17
O alicerce é Jesus Cristo. Somos templo de Deus.

AMBIENTECorinto: todas as raças e as religiões. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros ávidos de prazer. A riqueza contrastava com a miséria da maioria. Formaram-se partidos: uns admiravam Paulo, outros Pedro, outros Apolo. Paulo questiona a sabedoria do mundo, em detrimento da sabedoria de Deus. Os
cristãos devem dar testemunho dos valores e da lógica de Deus.
MENSAGEM - As divisões na comunidade não revela Deus e os seus valores. Animados pelo Espírito, os cristãos são chamados a viver Jesus no caminho do amor, da partilha, do serviço, da obediência a Deus e da entrega aos irmãos: o Templo de Deus é a comunidade.
ATUALIZAÇÃO • Os cristãos são Templos de Deus, sinal vivo de Deus
• minha vida: a “sabedoria de Deus” que é amor e dom da vida, ou a “sabedoria do mundo”, que é poder,

EVANGELHO – Jo 2,13-22
... não façais da casa de meu Pai casa de comércio»... Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». ...Jesus, porém, falava do templo do seu Corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.

AMBIENTE - O Templo foi construído por Herodes em 19 a.C. e ficou pronta no ano 9 d.C... Vendiam-se os animais e outros produtos destinados à liturgia do Templo. Havia, também, as tendas dos cambistas que trocavam as moedas romanas.
MENSAGEM - Quando Jesus pega no chicote; chegaram os novos tempos. Jesus aboliu o culto. Era sem sentido: a casa de Deus era um mercado;  exploração, miséria, injustiça e afastava o homem de Deus: “destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias”. Jesus não Se referia ao Templo de pedra, mas a um outro “Templo” que é Ele próprio. Jesus o “novo Templo” é o lugar onde Deus reside, Se encontra com os homens e Se manifesta ao mundo. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida.
ATUALIZAÇÃO - • Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e oferece a vida plena, e aponta-lhes caminhos de salvação.
• Os cristãos são Membros do Corpo de Cristo, são pedras vivas desse novo Templo e deve manifestar a vida de Deus.
• O culto que Deus aprecia é uma vida vivida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos.

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32º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano  A 2014 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Tema da Festa da Dedicação da Basílica de Latrão; “Deus está no seu meio!”

A Basílica de S. João de Latrão, cuja “dedicação” aconteceu no ano de 320. Ela é a “mãe de todas as igrejas”, o símbolo das Igrejas de todo o mundo, unidas à volta do sucessor de Pedro.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel, na Babilônia, anuncia a chegada de um tempo de salvação e de graça, em que Deus vai estabelecer a sua morada no meio dos homens e vai derramar sobre a humanidade sofredora vida em abundância.
No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o Novo Templo, o “lugar” onde Deus reside no mundo e onde os homens podem fazer a experiência do encontro com Deus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida.
Na segunda leitura, Paulo recorda aos cristãos que são, no mundo, o Templo de Deus onde reside o Espírito. Animados pelo Espírito, os cristãos são chamados a viver no caminho do amor, da partilha, do serviço, e da entrega aos irmãos.

6. PRIMEIRA LEITURA (Ez 47,1-2.8-12)Leitura da Profecia de Ezequiel.
Naqueles dias, o homem fez-me voltar até a entrada do Templo, e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção de leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte e fez-me dar uma volta por fora, até a porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornam saudáveis. Aonde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida aonde chegar o rio. Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão; cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio.

AMBIENTE - Ezequiel é chamado “o profeta da esperança”. Ezequiel exerce a sua missão profética entre os exilados judeus na Babilônia. Ele procura destruir falsas esperanças e anuncia que, ao contrário do que pensam os exilados, o cativeiro está para durar…
Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerdócio, sem culto, os exilados estão desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador não os abandonou. Ezequiel anuncia aos exilados a chegada de uma nova era, de felicidade e de paz sem fim… Será o tempo em que Deus irá, Ele próprio, assumir a condução do seu Povo, como um “Bom Pastor” que cuida das suas ovelhas (cf. Ez 34,11-16); será o tempo em que Deus vai operar uma mudança no interior dos homens, substituindo os “corações de pedra”, duros e insensíveis, por “corações de carne”, capazes de acolher os preceitos da Aliança e de viver no amor a Deus e aos irmãos (cf. Ez 36,25-28); o Templo de Jerusalém será reconstruído e Deus irá voltar a residir no meio do seu Povo (cf. Ez 40,1-47,12).

MENSAGEM - Desse Novo Templo que vai surgir e que será a habitação de Deus no meio do seu Povo, o profeta “vê” brotar um rio de águas profundas e impetuosas. A água é um símbolo universal de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade. Dado que esse “rio” brota da casa de Deus, a sua água simboliza o poder vivificante e fecundante de Deus que, de Jerusalém, se derrama sobre o seu Povo. A sua água tem um efeito vivificador, fecundando a aridez do deserto, tornando saudáveis as águas do Mar Morto e enchendo-as de vida. Este quadro de água abundante, que faz brotar árvores de fruto de toda a espécie, dotadas de frutos de toda a espécie e de folhas medicinais (vers. 12), retoma a imagem paradisíaca do Jardim do Éden, local de água e de árvores de fruto, onde o homem – vivendo em comunhão com Deus e obedecendo às suas propostas – tinha todas as condições para ser feliz (cf. Gn 2,9-14).
Aos exilados o profeta anuncia, portanto, a chegada de um tempo em que Deus vai voltar a residir no meio do seu Povo e vai derramar sobre os seus eleitos vida em abundância. A ação salvadora de Deus irá possibilitar que a desolação e a morte do presente se transformem, no futuro, em vida e felicidade sem fim. Para o autor do Quarto Evangelho, Jesus é esse Novo Templo de que o profeta falou (cf. Jo 2,21), o “lugar” da residência de Deus no meio dos homens; do coração desse Cristo que brota uma fonte de água (cf. Jo 19,34) que mata definitivamente a sede de vida que o homem tem (cf. Jo 4,14; 7,37-39). O Livro do Apocalipse apresenta o quadro do trono celeste do Cordeiro imolado, de onde sai um “rio de água viva” (cf. Ap 22,1-2).


ATUALIZAÇÃO • A presença de Deus no meio dos homens, trata-se de uma “boa nova” que devemos ter continuamente presente… As guerras, as injustiças, a depressão econômica, os escândalos que abalam a sociedade, a crise de valores, a falta de respeito pela vida humana, desenvolvem em nós sentimentos de angústia, de frustração, de insegurança, de instabilidade, de orfandade. Diante dos dramas que todos os dias nos atingem, sentimo-nos abandonados, perdidos … Contudo, a certeza de que Deus reside no meio dos homens e derrama continuamente sobre eles vida em abundância é um convite à serenidade, à confiança e à esperança. O mundo não caminha para um beco sem saída, pois Deus está presente em cada passo da caminhada histórica da humanidade. Nós temos de dar testemunho desta certeza que nos anima.
• Se Deus reside no meio dos homens e derrama vida em abundância, Convém ter presente que muito dos males da humanidade resulta do fato de os homens serem indiferentes às propostas de Deus … Não é Deus que falha; são os homens que, utilizando a sua liberdade, recusam a vida que Deus lhes oferece e preferem construir a história de acordo com esquemas de egoísmo e de pecado. Para que a presença de Deus se manifeste na nossa história, é necessário que a humanidade abandone os caminhos do orgulho e da autossuficiência e aprenda a escutar, com humildade, as propostas de Deus.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 45 (46)
Os braços de um rio vêm trazer alegria / à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.
• O Senhor para nós é refúgio e vigor, / sempre pronto, mostrou-se em socorro na angústia; /
assim não tememos, se a terra estremece, / se os montes desabam, caindo nos mares.
• Os braços de um rio vêm trazer alegria / à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo. /
Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! / Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.
• Conosco está o Senhor do universo! / O nosso refúgio é o Deus de Jacó! /
Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus / e a obra estupenda que fez no universo: /
reprime as guerras na face da terra.

10. EVANGELHO (Jo 2,13-22) Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

AMBIENTE - A cena situa-nos no Templo de Jerusalém. O Templo foi construído por Herodes para conseguir a benevolência dos judeus. A construção do Templo iniciou-se em 19 a.C. e ficou pronta no ano 9 d.C.. João situa o episódio nos dias que antecedem a festa da Páscoa. Era a época em que as grandes multidões se concentravam em Jerusalém para celebrar a festa principal do calendário religioso judaico. Jerusalém, que normalmente teria à volta de 55.000 habitantes, chegava a albergar cerca de 125.000 peregrinos nesta altura. No Templo sacrificavam-se cerca de 18.000 cordeiros, destinados à celebração pascal.
Neste ambiente, o comércio relacionado com o Templo sofria um espantoso incremento. Três semanas antes da Páscoa, começava a emissão de licenças para a instalação dos postos comerciais à volta do Templo. O dinheiro arrecadado com a emissão dessas licenças revertia para o sumo sacerdote. Havia tendas de venda que pertenciam, diretamente, à família do sumo sacerdote. Vendiam-se os animais para os sacrifícios e vários outros produtos destinados à liturgia do Templo. Havia, também, as tendas dos cambistas que trocavam as moedas romanas correntes por moedas judaicas (os tributos dos fiéis para o Templo eram pagos em moeda judaica). Este comércio sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do Templo.

MENSAGEM - Os profetas tinham criticado o culto sacrificial que Israel oferecia a Deus, considerando-o vazios e sem significado, uma vez que não eram expressão verdadeira de amor a Jahwéh; tinham, inclusive, denunciado a relação do culto com a injustiça e a exploração dos pobres (cf. Am 4,4-5; 5,21-25; Os 5,6-7; 8,13; Is 1,11-17; Jer 7,21-26). Quando Jesus pega no chicote de cordas, expulsa do Templo os vendedores de ovelhas, de bois e de pombas, deita por terra os trocos dos banqueiros e derruba as mesas dos cambistas (vers. 14-16), está a anunciar que chegaram os novos tempos, os tempos messiânicos. No entanto, Jesus vai bem mais longe do que os profetas. Jesus mostra que não propõe apenas uma reforma, mas a abolição do próprio culto. O culto prestado a Deus no Templo de Jerusalém era algo sem sentido: ao transformar a casa de Deus num mercado, os líderes judaicos tinham suprimido a presença de Deus… esse culto criava exploração, miséria, injustiça e, por isso, em lugar de potenciar a relação do homem com Deus, afastava o homem de Deus. Jesus, o Filho, com a autoridade que Lhe vem do Pai, diz um claro “basta”: “não façais da casa de meu Pai casa de comércio” (vers. 16). Os líderes judaicos ficam indignados. Com que legitimidade é que Ele se arroga o direito de abolir o culto oficial prestado a Jahwéh?
A resposta de Jesus é, à primeira vista, estranha: “destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias” (vers. 19). João deixa claro que Jesus não Se referia ao Templo de pedra onde Israel celebrava os seus ritos litúrgicos (vers. 20), mas a um outro “Templo” que é o próprio Jesus (“Jesus, porém, falava do Templo do seu corpo” – vers. 21). O que é que isto significa? Jesus desafia os líderes que O questionaram, a suprimir o Templo que é Ele próprio; mas deixa claro que, três dias depois, esse Templo estará outra vez erigido no meio dos homens. Jesus alude, evidentemente, à sua ressurreição. A prova de que Jesus tem autoridade para “proceder deste modo” é que os líderes não conseguirão suprimi-lo. A ressurreição garante que Jesus vem de Deus e que a sua atuação tem o selo de garantia de Deus. No entanto, o mais notável, aqui, é que Jesus Se apresenta como o “novo Templo”. O Templo representava, no universo religioso judaico, a residência de Deus, o lugar onde Deus Se revelava e onde Se tornava presente no meio do seu Povo. Jesus é, agora, o lugar onde Deus reside, onde Se encontra com os homens e onde Se manifesta ao mundo. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida.

ATUALIZAÇÃO - • Como podemos perceber as propostas de Deus e descobrir os seus caminhos? O Evangelho responde: é olhando para Jesus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o seu amor, oferece aos homens a vida plena, faz-Se companheiro de caminhada dos homens e aponta-lhes caminhos de salvação.
• Os cristãos são Membros do Corpo de Cristo, são pedras vivas desse novo Templo onde Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro dos homens para lhes oferecer a vida e a salvação. Talvez o fato de Deus parecer tão ausente da vida, das preocupações e dos valores dos homens do nosso tempo tenha a ver com o fato de os discípulos de Jesus se demitirem da sua missão e da sua responsabilidade… O nosso testemunho pessoal é um sinal de Deus para os irmãos que caminham ao nosso lado? A vida das nossas comunidades dá testemunho da vida de Deus? A Igreja é essa “casa de Deus” onde qualquer homem ou qualquer mulher pode encontrar essa proposta de libertação e de salvação que Deus oferece a todos?
• Qual é o verdadeiro culto que Deus espera? O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos.

8. SEGUNDA LEITURA (1Cor 3,9c.16-17) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: Vós sois lavoura de Deus, construção de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, eu coloquei – como
experiente mestre de obra – o alicerce, sobre o qual outros se põem a construir. Mas cada qual veja bem como está construindo. De fato, ninguém pode pôr outro alicerce diferente do que está aí, já posto: Jesus Cristo. Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo e vós sois este santuário.

AMBIENTE - No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto,  e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). No entanto, não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga. Corinto era uma cidade nova e muito próspera. Servida por dois portos de mar, possuía as características típicas das cidades marítimas: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterrâneo, ávidos de prazer, após meses de navegação. Na época de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois terços eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a miséria da maioria. Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora, em geral, de condição humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas havia também elementos de origem hebraica (cf. Act 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).
De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto. Em Corinto estão bem representadas as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores em profunda contradição com a pureza da mensagem evangélica. Depois de Paulo ter deixado a cidade, apareceu por lá um cristão de origem judaica com o nome de Apolo. Era um brilhante pregador e foi de grande utilidade para a comunidade nas polêmicas doutrinais com os judeus de Corinto. Formaram-se partidos: uns admiravam Paulo, outros Pedro, outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). É de crer que os vários partidos manifestassem uma certa rivalidade. De qualquer forma, a comunidade estava dividida e, dia a dia, acentuavam-se os conflitos. Este estado alarmante da comunidade chegou ao conhecimento de Paulo quando o apóstolo se encontrava em Éfeso. Imediatamente, Paulo escreveu aos Coríntios questionando a opção pela sabedoria do mundo, em detrimento da sabedoria de Deus. Depois de apresentar a “sabedoria de Deus”, revelada em Jesus Cristo, Paulo constata que os coríntios ainda não acolheram essa sabedoria: mantêm-se na dimensão do homem carnal (isto é, do homem fraco, limitado, pecador, escravo das suas paixões e apetites), imaturos na fé; cultivam as divisões e os conflitos, em flagrante contradição com o que Jesus lhes ensinou; correm atrás de mestres humanos como se eles tivessem a chave da felicidade e da realização plena, esquecendo que, por detrás de Paulo ou de Apolo, está Deus. Os cristãos não devem lutar pelo partido de Paulo ou de Apolo; mas devem dar testemunho dos valores e da lógica de Deus.

MENSAGEM - A comunidade cristã deve ter consciência de que é um edifício de Deus (vers. 9c). No entanto, as divisões, as apostas em valores e em mestres humanos, são uma realidade diária na comunidade de Corinto… O testemunho que os membros da comunidade dão aos seus concidadãos não é um testemunho que revela Deus e os seus valores. Neste contexto, Paulo pergunta aos Coríntios: “não sabeis que sois Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (vers. 16). O Templo (de Jerusalém) era, no Antigo Testamento, a residência de Deus, o lugar por excelência da presença de Deus no meio do seu Povo. É aí que Israel encontrava o seu Deus e estabelecia comunhão com Ele. Agora, contudo, é a comunidade cristã que é o verdadeiro Templo da nova aliança, isto é, o lugar onde Deus reside, onde Ele Se manifesta aos homens e onde Ele oferece ao mundo a salvação.
Animados pelo Espírito, os cristãos são chamados a viver numa dinâmica nova, seguindo Jesus no caminho do amor, da partilha, do serviço, da obediência a Deus e da entrega aos irmãos. Mais: o Templo de Deus que é a comunidade cristã é santo. Paulo declara que, se alguém destrói o Templo de Deus, Deus o destruirá (vers. 17). A expressão deve ser entendida como um aviso àqueles que, com o seu egoísmo e orgulho, impedem que a comunidade viva de forma coerente o seu compromisso cristão: Deus não pactua com esse “pecado” e não aceitará que essas pessoas integrem a família de Deus.

ATUALIZAÇÃO • Os cristãos são Templo de Deus, onde reside o Espírito. Isso quer dizer, em concreto, que, animados pelo Espírito, eles têm de ser o sinal vivo de Deus e as testemunhas da sua salvação diante dos homens do nosso tempo.
• O que é que preside à minha vida: a “sabedoria de Deus” que é amor e dom da vida, ou a “sabedoria do mundo”, que é luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem estar econômico, pelos bens perecíveis e secundários.


Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Homilia de D. Henrique Soares

Jo 2,13-22 
            Quando uma festa litúrgica em honra do Cristo ocorre no Domingo, ela se torna solenidade. É o caso de hoje: a Dedicação da Basílica do Latrão, Catedral do Papa, Bispo de Roma. No século IV o Imperador Constantino deu este grande edifício ao Papa são Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma. A nova Catedral foi dedicada ao divino Salvador e, mais tarde, também aos santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão. Pois bem, a presente solenidade traz-nos à mente e ao coração três aspectos da nossa fé.
            Primeiro. Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo: ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei... Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo”. É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo... Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas... que servirão de alimento e suas folhas serão remédio”. A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai. 
            Segundo. A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Nossos templos são chamados de “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Irmãos, a Igreja somos nós, a Igreja é cada um de nós, chamados a assumir nossa parte na edificação do Reino de Deus. Na Igreja, não somos espectadores; somos atores, somos participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!  
            Terceiro. A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da Cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside à todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”... O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro. Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Papa Francisco. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja. Num mundo tão complexo, com tantas idéias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade, sem nenhum enraizamento na Tradição Apostólica, difundindo-se pela força do dinheiro e a conivência dos meios de comunicação, ávidos de lucro, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados – num mundo assim, reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.
            Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amém.


D. Henrique Soares




PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:



LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
-COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
: Pai de amor, sois a fonte que nos sustenta e nos dá vida:
à Senhor, nosso Deus, sois a fonte de toda graça que nos transforma e nos dá vida. Tudo o que somos e temos é de vós que recebemos. Pai, transformai-nos em bons filhos e filhas para que possamos cumprir vossa vontade na construção do Reino.
: Pai de amor, sois a fonte que nos sustenta e nos dá vida:
à Senhor, nosso Deus, vos louvamos e agradecemos por nos dar vosso Filho Jesus Cristo como alicerce de nossa vida. Pelo nosso batismo nos transformastes em Igreja viva onde habitais. Pai, que vosso amor nos transforme em pessoas meigas, cheias de paz, para que possamos amar e respeitar a cada irmão ou irmã que vós criastes.
: Pai de amor, sois a fonte que nos sustenta e nos dá vida:
à Senhor, santificado seja a vossa presença em nosso meio. Seja bendito e louvado por todo o tempo e em todos os lugares. Vossa morada é santa! Que saibamos valorizar vossa presença no meio de nós, que saibamos ver no irmão a vossa imagem e semelhança. Que saibamos cumprir a vossa vontade, que saibamos amar e a perdoar a todos que nos ofenderam.
: Pai de amor, sois a fonte que nos sustenta e nos dá vida:
à PAI NOSSO.... A PAZ... EIS O CORDEIRO...

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