quinta-feira, 16 de junho de 2016

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Subsídios homiléticos, homilias

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM C (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Tomar a cruz” : “Quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”  A Palavra de Deus nos convida à identificação com Cristo – isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom aos outros.

No Evangelho
Jesus apresenta seu caminho que não é de glória nem de triunfos humanos, mas um caminho de amor e de cruz. “Conhecer Jesus” é aderir a Ele e segui-lo nesse caminho de entrega, de doação, de amor total.
A primeira leitura apresenta-nos um misterioso profeta “ferido de morte”, que trouxe conversão e purificação para os seus concidadãos. João, o autor do Quarto Evangelho, identificará essa misteriosa figura profética com Cristo.
A segunda leitura Paulo nos diz, que o cristão deve “revestir-se” de Jesus, renunciar ao egoísmo e ao orgulho e percorrer o caminho do amor e do dom da vida.

PRIMEIRA LEITURA (Zc 12,10-11;13,1) Leitura da profecia de Zacarias.
Assim diz o Senhor: “Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de oração; eles olharão para mim. Ao que eles feriram de morte, hão de chorá-lo, como se chora a perda de um filho único, e hão de sentir por ele a dor que se sente pela morte de um primogênito. Naquele dia, haverá um grande pranto em Jerusalém, como foi o de Adadremom, no campo de Magedo. Naquele dia, haverá uma fonte acessível à casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém, para ablução e purificação”.

AMBIENTE - Depois do anúncio da intervenção de Deus na pessoa de um rei/messias, os textos apresentam-nos um conjunto de oráculos que se referem à salvação e glória de Jerusalém.

MENSAGEM - O profeta anuncia a efusão de um espírito de piedade e de súplica sobre a casa de David e os habitantes de Jerusalém: esse espírito provocará uma transformação interior, numa atitude de confiança e de abertura a Deus.
Tal ação resultará da atividade profética de um misterioso “trespassado”. A figura que melhor ilumina esta passagem ainda é a do “servo sofredor” de Is 53. Como acontece com o “servo de Jahwéh”, o sacrifício deste mártir inocente é fonte de transformação dos corações: um processo de arrependimento e de purificação. João, o autor do Quarto Evangelho, verá em Jesus, morto na cruz e com o coração trespassado pela lança do soldado, a concretização da figura aqui evocada (cf. Jo 19,37).

ATUALIZAÇÃO
¨ Esta figura do “trespassado” faz-nos pensar em todos os “profetas” que lutam pela justiça e são torturados.
¨ Fomos constituídos profetas no momento da nossa opção por Cristo (Baptismo).
¨ Este texto garante-nos que o sofrimento por causa do testemunho profético não é em vão. Do testemunho profético – mesmo quando “cumprido” na dor, na dificuldade, no fracasso aos olhos do mundo – resultará sempre a transformação dos corações, a conversão e, portanto, o nascimento de um mundo novo.

EVANGELHO (Lc 9,18-24) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém. E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofre muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”.

AMBIENTE - Os discípulos são convidados a tirar as suas conclusões acerca do que viram, ouviram e testemunharam. Quem é este Jesus, que se prepara para cumprir a etapa final de uma vida de entrega, de dom, de amor partilhado?

MENSAGEM - Depois de rezar, Jesus tem sempre uma mensagem importante –que vem do Pai – para comunicar aos discípulos. “Quem é Jesus?” O Povo sonhava com a chegada do libertador anunciado pelos profetas – um grande chefe militar que iria restaurar o império de seu pai David. Jesus não é considerado pelas multidões “o messias”: o Povo identifica-o com Elias, o profeta reservado para o anúncio do grande momento da libertação do Povo de Deus.
Pedro não tem dúvidas em afirmar: “Tu és o messias de Deus”. Dizer que Jesus é o “messias” significa reconhecer nele esse “enviado” de Deus, da linha davídica, que haveria de trazer a libertação. Jesus não discorda da afirmação de Pedro. Ele sabe que sonhavam com um “messias” político, poderoso e vitorioso e apressa-se a desfazer possíveis equívocos e a esclarecer as coisas: Ele é o enviado de Deus para libertar os homens; no entanto, não vai realizar essa libertação não pelas armas, mas pelo amor e pelo dom da vida. No seu horizonte está a cruz: é aí, na entrega da vida por amor, que Ele realizará as antigas promessas de salvação feitas ao seu Povo. Todos são convidados a seguir Jesus, isto é, a tomar – como Ele – a cruz do amor, a renunciar a si mesmo e a fazer da vida um dom.

E Jesus, falando de sua Paixão... Apresenta-se como o "Servo Sofredor", desprezado e rejeitado pelos homens...
o Caminho do Discípulo é o mesmo: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".

Isso implica TRÊS COISAS:
- "Renuncie a si mesmo..."   Libertar-se de toda ambição pessoal.
- "Tome sua cruz cada dia"  Libertar-se do apego à vida e estar pronto a morrer...   nos compromissos diários.
- "E Siga-me..."    Só quem se libertou do eu e do apego à vida, pode seguir Jesus até o fim.
Seguir Jesus não é apenas reconhecê-lo como Messias... é segui-lo no caminho do amor, da verdade e da justiça.

Ainda Hoje, - muitos o reconhecem como um grande Mestre - Mas continuam acreditando que os verdadeiros messias são outros:  os políticos, os generais, os donos das multinacionais...

Quem é Jesus para nós? Cristo é alguém, que está no centro de nossa existência e nos transforma.
“Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; Ainda hoje é assim: o mundo não poderá compreender Jesus em sua verdade última. Uns acham-no um sábio; um iluminado, um filósofo, um revolucionário; Em geral, quase como um mito, bonzinho, romântico, mas sem muita serventia...
               Em Mateus, Jesus claramente: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está no céu” (Mt 16,17). A carne e sangue, isto é, só inteligência humana, não pode alcançar quem é Jesus! Somente na revelação do Pai, isto é, somente na experiência da fé da Igreja, nós podemos ter acesso ao mistério de Cristo, à sua realidade profunda. Portanto, o mundo tem dificuldade de crer, de aceitar o Cristo e as exigências do seu Evangelho! Então, é na escuta fiel e devota da Palavra, na oração pessoal, na vida da comunidade eclesial, no empenho sincero e sacrificado de viver o Evangelho com suas exigências e, sobretudo, na celebração dos santos mistérios que podemos fazer uma experiência autêntica de quem é Jesus. Não cremos simplesmente no Jesus que a ciência ou a história podem apreender; cremos no Cristo crido, adorado, experimentado e anunciado pela Igreja, a partir do testemunho dos apóstolos!
               O núcleo do mistério de Cristo é o mistério de sua cruz. Somente na cruz o discípulo pode reconhecer em profundidade o seu Senhor. Mas, a cruz é uma realidade em nossa vida: a cruz da solidão, do fracasso, da doença, das lágrimas, da pobreza, da morte... Somente quando abraçamos na nossa cruz a cruz de Cristo, podemos, então, compreendê-lo: “renuncie a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me!” 
 São Paulo afirmou: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele... É preciso que rejeitemos um cristianismo bonzinho, que agrade ao mundo! O cristianismo é radical, é escandaloso, é incompreensível ao mundo “A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem!” (1Cor 1,18) –E, no entanto, “para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1,19). Do coração amoroso e ferido do Cristo, brota a vida do mundo; cremos que pela sua encarnação, cruz e ressurreição ele nos deu uma vida nova. Jesus é a nossa verdade, o nosso caminho e o sentido último da realidade. Por isso nele fomos batizados, dele nos alimentamos e nele queremos viver.
Há palavras da Sagrada Escritura que são muito agradáveis ao ouvido: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sal 22), “Vinde a mim, vós todos os que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28), “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13), “Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente (…)” (Sal 90).
Outras, ao contrário, são menos agradáveis: “Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24), “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8,33), “vai, vende tudo o que tens e dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mc 10,21). Poderíamos continuar fazendo uma lista, mas já é suficiente. Talvez, uma dessas palavras incômodas do Evangelho é a de hoje: renúncia. Jesus pede como exigência para segui-lo o renegar-se a si mesmo, tomar a cruz de cada dia, perder (doando) a vida pelo Reino (cf. Lc 9,23-24).
Seguir a Cristo é uma decisão com muitas consequências. Ou se aceita ou não se aceita!
O que não pode acontecer é que, por não conseguirmos fazer as coisas bem, digamos que o bem está mal e que o mal está bem. É justamente o que está acontecendo na sociedade. Como se vê, por exemplo, que há pessoas do mesmo sexo que estão convivendo juntos, a lei se põe do lado deles para assegurar-lhes uma união civil. Esta atitude acaba “legalizando”, isto é, dizendo que “está legal” a união dos homossexuais. E não está! Segundo a Bíblia e a doutrina da Igreja, são pecados graves (Lv 18,22; Rm 1,26-27).
É preciso ser coerentes! A partir do momento que decidimos seguir a Cristo, aceitemos tudo o que ele nos propõe. Não podemos seguir a Cristo mantendo as nossas próprias ideias, quando essas são errôneas. Além do mais, Jesus Cristo não é uma ideia, é uma Pessoa.
Isso pode ser duro para escutar e para pregar no mundo atual, mas é preciso acreditar que as pessoas desejam a verdade, o bem e a autêntica beleza. Jesus Cristo não muda a sua doutrina! Quando Jesus falou da Eucaristia, os seus ouvintes acharam que era uma doutrina muito dura e inadmissível. Jesus Não retirou nenhuma só letra daquilo que tinha dito (cfr. Jo 6,60-67). A Igreja não pode falsificar o Evangelho porque nós somos fracos e nem sempre conseguimos vivê-lo, é o Evangelho quem tem que fortalecer-nos e modificar-nos.
Quem quiser ser seu discípulo, deverá imitá-Lo, não apenas uma vez, mas dia após dia, negando-se a si mesmo – vontade, inclinações, gostos – para se conformar com o Mestre sofredor e crucificado.
A pedagogia de Deus, que consiste em converter o homem não pela força, mas pelo exemplo do amor até o fim. A cruz do dia a dia é nossa participação da cruz do Calvário.
 “À luz da Cruz de Cristo, entendemos que é na dor que se manifesta o amor: a verdade do amor, do nosso amor a Deus e a todos os homens”. O Senhor disse por meio de Neemias: Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força (Ne 8,10).

ATUALIZAÇÃO ¨ O Evangelho de hoje define a existência cristã como um “tomar a cruz” do amor, da doação, da entrega aos irmãos. Supõe uma existência vivida na simplicidade, no serviço humilde, na generosidade, no esquecimento de si para se fazer dom aos outros.
¨ Na sociedade e na Igreja, Como é possível usar bem os talentos que nos são confiados, sem nos deixarmos tentar pelo prestígio, pelo poder, pelas honras?
¨ Quem é Jesus, para nós? É alguém que está no centro da nossa existência, com quem nos identificamos e amamos?

SEGUNDA LEITURA (Gl 3,26-29) Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas. Irmãos, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

AMBIENTE - Continuamos onde se discute se Cristo basta para chegar à salvação ou são precisas também as obras da Lei. Já sabemos que, para Paulo, só Cristo salva e não as leis de Moisés.

MENSAGEM - Paulo recorda que pelo Batismo, os crentes foram “revestidos de Cristo” e tornaram-se “filhos de Deus”. “revestidos de Cristo” significa que Cristo se estabeleceu uma relação que não é apenas exterior: pelo Batismo os cristãos tornaram-se, como Ele, pessoas que renunciaram à vida velha do egoísmo e do pecado, para viverem a vida nova da entrega a Deus e do amor aos irmãos. Em todos os crentes circula, agora, a vida do próprio Cristo; essa vida veste-os completamente, da cabeça aos pés.
A primeira consequência que daqui resulta é que os cristãos são livres: eles receberam de Cristo uma vida nova e não estão mais sujeitos à escravatura do egoísmo, do pecado e da morte.
A segunda consequência que daqui resulta é que os cristãos são iguais. Identificados com Cristo (porque todos – judeus e não judeus, homens e mulheres – foram revestidos da mesma vida), não há qualquer discriminação quanto à raça, ou ao sexo; todos são “filhos”, com igual direito quanto à herança (todos filhos do mesmo Pai e todos têm acesso, em Cristo, à mesma vida plena). A “salvação” que Cristo trouxe significa a igualdade fundamental de todos.

ATUALIZAÇÃO ¨  O cristão se “revestiu de Cristo”. Significa que assumimos o compromisso de viver como Cristo, de assumir os seus valores, de fazer da nossa vida um dom de amor, de nos entregarmos para construir um mundo de justiça e de paz para todos.
¨  Para os judeus as mulheres eram discriminadas. “Dou-te graças, Deus altíssimo – diz uma célebre oração rabínica – porque não me fizeste pagão, escravo ou mulher”. Paulo proclama, neste texto, que, a partir da nossa identificação com Cristo, toda a discriminação entre os homens e, sobretudo entre os cristãos, carece de sentido.

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Tu és o Cristo

Estamos aqui reunidos, porque somos "cristãos". Mas quem é Cristo para você?

A Palavra de Deus nos propõe a descobrir em Jesus o "Messias" de Deus, que realiza a libertação dos homens através do amor e do dom da vida, e convida cada "cristão" a fazer da própria vida um dom generoso aos irmãos.

A 1ª Leitura apresenta o profeta anuncia e descreve a imagem do Messias:
um homem justo e inocente "transpassado", um servo sofredor,que desperta uma atitude de conversão e volta a Deus. João identificou esse misterioso personagem com Jesus. (Zc 12,10-11;13,1)

A 2ª Leitura afirma que, pelo Batismo, fomos "REVESTIDOS de Cristo". Por isso, devemos renunciar à vida velha do egoísmo e do pecado, para viver a vida nova da entrega a Deus e do amor aos irmãos. (Gl 3,26-29)

No Evangelho temos a profissão de fé de Pedro no Messias e o anúncio da Paixão. (Lc 9,18-24)

No final de sua atividade na Galiléia, Jesus, depois de ter ORADO, provoca os Apóstolos a dizer o que pensam dele, de sua identidade e Missão:

"Quem sou eu no dizer do POVO?"
Estranha curiosidade: Cristo interessado em saber o que os outros pensam dele.
Até parece um levantamento de IBOPE para verificar sua popularidade...
- Responderam-lhe: "João Batista... Elias... ou um dos antigos profetas..."
* Reconhecem em Jesus um grande Mestre, um grande operador de milagres,
mas um HOMEM apenas...

- Os DISCÍPULOS deviam ter uma idéia mais amadurecida, pois foram testemunhas de seus milagres e
destinatários privilegiados de sua doutrina. Por isso, acrescenta:

"Mas PARA VÓS, tornou Jesus, QUEM SOU EU?”
- Pedro, em nome de todos, responde: "Tu és o CRISTO de Deus"
A resposta era exata, eco da profecia de Isaías...
Pedro reconhece o Messias...  - Mas que Messias?
Como esperavam todos os judeus e os demais apóstolos: um "messias" político, poderoso e vitorioso? Por isso não era tudo...

E Jesus completa, apontando "O Caminho de Jesus", falando pela primeira vez de sua Paixão...
Apresenta-se como o "Servo Sofredor", desprezado e rejeitado pelos homens, na expressão usada pelo profeta...
Para os discípulos, que esperavam um Messias-Rei, tal afirmação deve ter sido dura e decepcionante...

Mas Jesus não volta atrás, pelo contrário, reafirma que o Caminho do Discípulo é o mesmo:
"Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-me".

Ele irá à frente para dar o exemplo: Será o primeiro a levar a cruz. Quem quiser ser seu discípulo, há de imitá-lo.
E conclui: "Aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem a perder, por minha causa, esse se salvará".

Isso implica TRÊS COISAS:
- "Renuncie a si mesmo..."
    Libertar-se de toda ambição pessoal. Libertar-se de todas as seguranças em que se apoia o próprio eu, para estar disponível a seguir a Jesus.
- "Tome sua cruz cada dia"
    Libertar-se continuamente do apego à vida e estar pronto a morrer...   nos compromissos diários do cristão.
    A Cruz é Sinal do cristão. Está presente em toda parte, com muitos nomes...
- "E Siga-me..."
    Só quem se libertou do eu e do apego à vida, pode seguir Jesus até o fim, abandonando-se a Deus em favor dos homens.

Seguir Jesus não é apenas reconhecê-lo como Messias... acreditar apenas num pacote de verdades aprendidas na catequese... é segui-lo no caminho do amor, da verdade e da justiça.

Ainda Hoje,
- muitos o reconhecem como um grande Mestre que pregou o amor, a fraternidade, a paz, a justiça;
- o admiram pela atenção dada aos pobres e excluídos;
- o apreciam pela sua coragem, pela sua coerência, pela sua nobreza de espírito, pela sua fortaleza diante da morte...
- Mas continuam acreditando que os verdadeiros messias são outros:  os políticos, os generais, os donos das multinacionais...

Quem é Jesus para nós?

A pergunta de Jesus é ainda atual. Não é apenas uma sondagem de opinião...
Não é suficiente saber o que os outros dizem... é fundamental o que diz a nossa experiência de fé, de esperança e de amor...
Cristo é alguém, que está no centro de nossa existência, cuja vida circula em nós e nos transforma, com quem dialogamos, com quem nos identificamos e a quem amamos?

- Estamos dispostos a segui-lo, também na cruz?
- Reconhecemos Cristo no irmão necessitado, sofredor...  no MIGRANTE, cujo Dia Nacional hoje comemoramos?

                              Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a pergunta de Jesus, hoje, é dirigida a todos nós. A pergunta de Jesus é: “Quem dizem os homens que eu sou”? Isto é importante para cada um de nós. Às vezes, as pessoas pensam que Jesus é um empecilho na vida! É um empecilho, porque não dá para viver o que ele nos pede. Bom, isto são os outros. Mas, Jesus diz: “E você”? O que é que pensa sobre Jesus? Quem é Jesus para você? O que os outros pensam, não importa tanto. Importa o que eu penso. Ora, por que as pessoas acham que Jesus é um empecilho? Porque nós só conseguimos enxergar Jesus há dois mil anos atrás. Nós não conseguimos perceber Jesus vivo hoje. É evidente, que se eu for viver como eles viviam há dois mil anos atrás, eu não vou conseguir o que Jesus me pede. Claro! Ele diz: “Não leveis duas túnicas”. Mas, a única vez que usamos a túnica é durante a celebração. Então, eu vou ter que andar de túnica agora? “Não sou digno nem de desatar as correias de sua sandália”. Eu vou ter que andar de sandália? “Mais fácil é um camelo passar pelo buraco de uma agulha”. Então, eu vou ter que andar de camelo? Não é assim, a questão. Eu não devo estar preocupado como Jesus vivia em seu tempo, há dois mil anos atrás, mas eu devo recuperar os gestos realizados por Jesus. Isto, às vezes, sequer paramos para pensar. Quais foram os gestos realizados por Jesus? Porque hoje estes gestos podem ser vividos, sim. Há dois mil anos atrás as pessoas se amavam. Hoje continuam se amando. Há dois mil anos atrás as pessoas se odiavam. Hoje continuam se odiando. Então, os gestos, os compromissos com o irmão ou o ignorar o irmão, pode ser feito da mesma maneira, que foi feito há dois mil anos atrás.
Quais são os gestos de Jesus? Ora, um deles, tomou o pão, partiu e deu aos discípulos. Ora, este é um gesto de dois mil anos atrás, que pode se repetir hoje: partir o pão. O que significa partir o pão? Primeiro, significa que temos que sentar à mesa. Claro. Se eu não tenho o hábito de me encontrar com os irmãos ao redor da mesa, então, não adianta. Este gesto não vai dar para ser vivido, é evidente. É claro, que não se condena ninguém, pois sabemos como é corrido o nosso dia a dia, mas podemos sim, abrir um espaço pelo menos uma vez por semana, para sentar-se ao redor da mesa, a família e aí partir o pão, sim. É muito interessante observar, que quem não exercita à mesa, vira bicho. Infelizmente, hoje estão colocando cachorro e gato à mesa e as pessoas estão indo para fora da mesa. Mas, isto são os outros. Nós preservamos este valor; eu tenho que me sentar à mesa, porque é na mesa, que vou descobrir o que é partir o pão. Ah, mas nem comemos pão, pois engorda! Pão é um símbolo! É um símbolo de partilhar a vida. Creiam no que digo: Jesus reservou um tempo imenso da sua vida? Não. Três anos, mas para partilhar com os discípulos tudo aquilo que julgava importante. Agora, nós cremos que Jesus é Deus. Portanto, se nós não tivermos o tempo de Jesus, mais ou menos, será que somos mais ocupados do que ele?  Quantas pessoas dependem da minha atenção? Vinte, trinta, cinquenta? Quantas pessoas tem no mundo? Bilhões? Então, não vamos dizer que somos mais ocupados que Deus. Não. Aí é uma questão de opção. É uma questão de escolha.
Eu estou muito feliz e creio que os catequistas também, porque vocês optaram por partilhar com seus filhos também, um tempo para a catequese. Eu sei o quanto é complicado. Por dois anos os pais trazem os filhos, levam os filhos para a catequese. Ora, mas é uma hora por semana! Jesus partilhou três anos dando catequese para aquele grupo! Mas, Jesus chegou lá. “Para vocês, quem eu sou”? – “Tu és o Cristo de Deus”. Ah, se nós ouvirmos esta resposta de todos que fazem a catequese, atingimos o objetivo.
Ah, mas eles já nasceram sabendo que Jesus é o Cristo. Isto não vale! Olhe o que Jesus disse para Pedro: “Não conte isto para ninguém”. Por que? Não é para saber que Jesus é o Cristo? Não adianta saber com a cabeça. Tem que saber com o coração. É com convicção. É algo que não aprendo nos livros, mas eu experimento na vida. Não vai adiantar eu lhe falar, que Jesus é importante, se você não descobrir esta importância. Você vai achar até interessante, mas não vai além disto. Então, pedir a graça de Deus, primeira leitura de hoje, é fundamental, para que eu possa experimentar Jesus. Mas, eu experimento Jesus, se eu quiser fazer a experiência. É tão interessante, Ana Maria Braga fala isto. Ela falou: “Todas as receitas que eu transmito para vocês, eu experimento antes, para ver se dá certo”. Ora, se eu faço isto com uma receita de bolo, eu teria que fazer com Jesus também, pois Ele é muito mais importante. Como vou transmitir para o outro que Jesus é o Messias, se antes eu não experimentar? Eu tenho que fazer esta experiência. Esta experiência nós fazemos na medida que nos propomos a sentarmos juntos e sentir presente o Cristo vivo que está aqui. Como é que vivemos os valores ensinados por Jesus? Tenho certeza que a maioria, se não todos, vivem isto, mas não tem o hábito de parar para pensar. É o que chamamos oração. Não temos o hábito e achamos que a oração é só o Pai nosso e a Ave Maria, quando na realidade no final do dia seria nos perguntar: como eu experimentei Jesus hoje?  Aí, você vai se lembrar, que deu passagem para um carro, deu o seu lugar para alguém que precisava sentar-se, que deu um trocado para alguém que pediu, que deixou o que estava fazendo para ir ajudar alguém que pediu ajuda, você vai ver, que muitos gestos da sua vida, são gestos que Jesus realizou. Aí, você diz: Senhor, eu vos agradeço, pois hoje vivi muitos gestos que você me ensinou a dois mil anos. Também, haverá momentos que diremos: Senhor, eu não consegui fazer o que você me ensinou; foi sem maldade, eu não pensei direito e acabei deixando de fazer os seus gestos que você me ensinou. Senhor, tende piedade de mim. Me ajude a viver isto. Eu lhe garanto: sua vida será muito melhor, porque, quando agente sente, experimenta Jesus em nossa vida, agente descobre o que significa Ele ter dado a sua vida para nos salvar. Ele nos ensina um caminho seguro. Ele nos ajuda a fazer de nossa vida um estímulo e uma esperança para os outros. Quanta gente está sem esperança! Nós podemos ajuda-las. Obrigado aos pais que trouxeram seus filhos para participar conosco e aprender conosco, pois vocês e eles serão os grandes beneficiados. Aonde se fala de amor e de Deus, aí nós temos concórdia, harmonia, fraternidade, e assim por diante.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

A Palavra que hoje escutamos coloca-nos diante da questão fundamental de nossa fé: quem é Jesus de Nazaré? Sejamos espertos; estejamos atentos a um detalhe importantíssimo: Jesus distingue a pergunta sobre a opinião do mundo daquela outra, sobre a fé dos discípulos. “Quem diz o povo que eu sou?” E as opiniões são humanas e, portanto, incompletas, parciais, superficiais: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Ainda hoje é assim: o mundo não poderá jamais compreender Jesus em sua profundidade e verdade última. Uns acham-no um sábio; outros, um iluminado, ou um filósofo, ou um humanista, ou um revolucionário romântico, do tipo Che Guevara; outros acham-no, sinceramente um alienado ou um falso profeta... Em geral, o mundo atual, vê-lo quase como um mito, bonzinho, romântico, mas sem muita serventia prática...
                Mas, Jesus, pergunta aos discípulos, pergunta a nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?” A resposta de Pedro é perfeita, é completa: “Tu és o Cristo, o Ungido, o Messias de Deus”. Esta resposta não veio da lógica humana, da inteligência ou da esperteza de Pedro. Em Mateus, Jesus afirma-o claramente: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está no céu” (Mt 16,17). A afirmação do Senhor é clara, direta e gravíssima: carne e sangue, isto é, a só inteligência humana, não pode alcançar quem é Jesus! Somente na revelação do Pai, isto é, somente na experiência da fé da Igreja, nós podemos ter acesso ao mistério de Cristo, à sua realidade profunda. Portanto, não nos deve surpreender se o mundo tem dificuldade de crer realmente, de aceitar seriamente o Cristo e as exigências do seu Evangelho! Não devemos nos importar muito com o que as revistas e as ciências (história, sociologia, antropologia...) dizem a respeito de Jesus. Elas não conseguem penetrar no núcleo do seu mistério; ficam sempre no limiar, na soleira. Então, é na escuta fiel e devota da Palavra, na oração pessoal, na vida da comunidade eclesial, no empenho sincero e sacrificado de viver o Evangelho com suas exigências e, sobretudo, na celebração dos santos mistérios que podemos fazer uma experiência autêntica de quem é Jesus. Não cremos simplesmente no Jesus que a ciência ou a história podem apreender; cremos no Cristo crido, adorado, experimentado e anunciado pela Igreja, a partir do testemunho dos apóstolos!
                Mas, tem mais! O núcleo do mistério de Cristo é o mistério de sua cruz. Observe-se bem: assim que Pedro afirma que Jesus é o Messias, ele precisa, esclarece que tipo de Messias ele é: "O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado... deve ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Somente na cruz o discípulo pode reconhecer em profundidade o seu Senhor. Mas, a cruz não é uma teoria; é uma realidade em nossa vida e na vida do mundo: a cruz da solidão, do fracasso, da doença, das lágrimas, da pobreza, da morte... Somente quando abraçamos na nossa cruz a cruz de Cristo, podemos, então, compreendê-lo: “Se alguém me quer seguir, quer ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me!” Fora da cruz, fora do seguimento de Cristo até o fim, não há verdadeiro conhecimento do Senhor, não há a mínima possibilidade de uma verdadeira comunhão com ele. São Paulo nos emociona, quando afirmou: “O que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele.. para conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição” (Fl 3,7-11). É preciso que rejeitemos claramente um cristianismo bonzinho, que agrade ao mundo! O cristianismo é radical, é escandaloso, na sua essência, é incompreensível ao mundo “A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem!” (1Cor 1,18) – Será que não andamos meio esquecidos disso? E, no entanto, “para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1,19). Na fé, contemplamos a cruz do Senhor, tão dura para ele e para nós, e vemos nela a fonte de purificação e de vida de que fala a primeira leitura da missa de hoje. Do coração amoroso e ferido do Cristo, brota a vida do mundo e o sentido último da nossa existência. As palavras são impressionantes: “Derramarei um Espírito de graça e de oração... Eles olharão para mim. Quanto ao que traspassaram, haverão de chorá-lo, como se chora a perda de um filho único, e hão de sentir por ele o que se sente pela morte de um primogênito. Naquele dia, haverá uma fonte acessível para a ablução e a purificação”.
                Eis o escândalo: não cremos na tocha olímpica, não cremos que a globalização trará a salvação, não cremos que a ciência salve o ser humano dos demônios e monstros do seu coração, não cremos que a tecnologia nos faça mais felizes, não cremos que o esporte traga a paz universal, não esperamos que o prazer e o poder nos saciem o coração! Não somos idólatras para a perdição! Cremos que Jesus é o Cristo; cremos que pela sua encarnação, cruz e ressurreição ele nos deu uma vida nova, uma torrente de vida na potência do seu Espírito Santo. Cremos que Jesus é a nossa verdade, o nosso caminho e o sentido último da realidade. Por isso nele fomos batizados, dele nos alimentamos e nele queremos viver.
               Quando levarmos isso a sério, seremos cristãos e iluminaremos o mundo. Que o Senhor no-lo conceda por sua misericórdia. Amém.

D. Henrique Soares
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra):


 LOUVOR: QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR:
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à Por Jesus, COM JESUS e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, nós vos agradecemos pela vossa bondade.
à Pai, olhando para vosso Filho transpassado, descobrimos quão grande é o vosso amor por nós. Pela vossa graça, no batismo nos tornamos vossos filhos prediletos e assumimos a missão da construção de vosso Reino.
T: Senhor, nós vos agradecemos pela vossa bondade.
à Pai, nós Vos louvamos pela nossa transformação, pois pela vossa graça fomos revestidos de Cristo e pertencemos a um só povo que caminha rumo ao vosso Reino.
T: Senhor, nós vos agradecemos pela vossa bondade.
à Pai, nós também afirmamos como os apóstolos; Jesus é o nosso messias, o envidado que nos dá a libertação e a vida eterna.
T: Senhor, nós vos agradecemos pela vossa bondade.
à Pai, enviai-nos o Espírito Santo para que sejamos fortalecidos em nossa fé e tenhamos mais ardor e coragem para transportar nossa cruz na construção da paz. Dai-nos um coração cheio de amor para com nossos irmãos e irmãs. PAI, a Vós elevamos a oração que Jesus nos ensinou:
à PAI NOSSO...    A PAZ DE CRISTO...  EIS O CORDEIRO...



quinta-feira, 9 de junho de 2016

11º Domingo do Tempo Comum, subsídios homiléticos, homilias

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C (Adaptado pelo diácono Ismael)

SINOPSE: -

Tema: “Tua fé te salvou. Vai em paz!” Deus detesta o pecado, mas ama o pecador.
Primeira leitura: através da história De David, vemos um Deus que tem misericórdia para com o pecador arrependido.
Evangelho: uma “mulher pecadora” vem chorar aos pés de Jesus. O dom gratuito do perdão gera amor e vida nova.
Segunda leitura: Paulo garante-nos que a salvação é um dom gratuito que Deus oferece e não uma conquista humana. Para ter acesso a esse dom é preciso aderir a Jesus no amor e na entrega que conduz à vida plena.

PRIMEIRA LEITURA (2Sm 12,7-10.13) Leitura do Segundo Livro de Samuel.
Naqueles dias, Natã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu te ungi como rei de Israel e salvei-te das mãos de Saul. Dei-te a casa do teu senhor e pus nos teus braços as mulheres do teu senhor, entregando-te também a casa de Israel e de Judá; e, se isto te parece pouco, vou acrescentar outros favores. Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias, para fazer da sua mulher a tua esposa, fazendo-o morrer pela espada dos amonitas. Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa”. Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento, o filho que te nasceu morrerá”.

AMBIENTE - David cometeu adultério com Betsabé e Urias foi colocado num lugar arriscado a fim de que morresse. Nathan apresenta a reação de Deus diante do pecado.

MENSAGEM - Deus não fica indiferente diante da injustiça cometida e que pede contas ao agressor. Jahwéh não pactua com as injustiças. Davi reconhece, com humildade, o seu erro e pede perdão; e Deus perdoa. Deus, que condena o pecado, mas que não abandona o pecador. Dá-nos o recomeço.

ATUALIZAÇÃO •  Deus não pactua com o pecado, mas manifesta uma misericórdia infinita para com o pecador.

SALMO RESPONSORIAL / 31 (32)
Eu confessei, afinal, meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta.
• Feliz o homem que foi perdoado / e cuja falta já foi encoberta! / Feliz o homem a quem o Senhor / não olha mais como sendo culpado / e em cuja alma não há falsidade!
• Eu confessei, afinal, meu pecado / e minha falta vos fiz conhecer. / Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” / E perdoastes, Senhor, minha falta.
• Sois para mim proteção e refúgio; / na minha angústia me haveis de salvar / e envolvereis a minha alma no gozo. / Regozijai-vos, ó justos, em Deus / e no Senhor exultai de alegria! / Corações retos, cantai jubilosos!

EVANGELHO (Lc 7,36–8,3) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume. Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”. Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, Mestre!”. “Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentas moedas de prata; o outro, cinquenta. Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”. Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor”. E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. Então os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz!” Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.

AMBIENTE - Jesus define a sua missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres”. Este episódio põe em evidência a misericórdia de Jesus frente àqueles que necessitam de libertação.

MENSAGEM - O fato principal é a atitude de Jesus para com os pecadores. A personagem central é “uma mulher pecadora”. A ação da mulher (o choro, as lágrimas, o enxugar os pés com os cabelos, o beijar os pés e ungi-los com perfume) é como uma resposta de gratidão, como consequência do perdão recebido: o amor manifestado pela mulher nasce de um coração agradecido que não se sentiu excluído, mas que, nos gestos de Jesus, tomou consciência da bondade e da misericórdia de Deus. Simão, o fariseu, representa aqueles zelosos defensores da Lei que evitavam qualquer contato com os pecadores e que achavam que o próprio Deus não podia acolher nem deixar-se tocar pelos transgressores da Lei e da moral. Jesus procura fazê-lo entender que só a lógica de Deus – uma lógica de amor e de misericórdia – pode gerar o amor e, portanto, a conversão e a vida nova. Jesus mostra a Simão que não é marginalizando que se pode obter uma nova atitude do pecador; mas que é amando e acolhendo que se pode transformar os corações e despertar neles o amor. É esta atitude de Deus que gera o amor e a vontade de começar vida nova, inserida na lógica do Reino. O fato de o “mestre” se fazer acompanhar por mulheres era algo novo, numa sociedade em que a mulher desempenhava um papel social e religioso marginal. Deus não exclui ninguém, mas integra a todos.

ATUALIZAÇÃO ///¨ Deus ama sempre (mesmo antes da conversão e do arrependimento). É o Deus da bondade e da misericórdia que a todos convida a integrar a sua família.
///¨ Simão, o fariseu, representa os instalados nas suas certezas feita de ritos e obrigações bem definidos e cumpridos e se acham em regra com Deus. Consideram-se no direito de exigir de Deus a salvação e desprezam aqueles que não têm comportamentos social e religiosamente corretos.
///¨ A exclusão e a marginalização não geram vida nova; só o amor e a misericórdia provocam uma resposta de amor. A lógica de Deus garante-nos que só o amor e a misericórdia conduzem à vida nova.
///¨ Ele perdoa, não porque ela pecou muito, mas porque amou muito

SEGUNDA LEITURA (Gl 2,16.19-21) Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.
Irmãos: Sabendo que ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo, nós também abraçamos a fé em Jesus Cristo. Assim fomos justificados pela fé em Cristo e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado. Aliás, foi em virtude da Lei que eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. Eu não desprezo a graça de Deus. Ora, se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu inutilmente.

AMBIENTE - As comunidades da Galácia, pelos anos 57, sofreram instabilidade. Pregadores de origem judaica impunham a prática da Lei de Moisés e, em particular, a circuncisão. Para ele, se as obras da Lei são fundamentais, é porque Cristo, por si só, não pode salvar. Para Paulo, Cristo basta; a Lei de Moisés não é importante para a salvação: não é a Lei e as obras que salvam, mas a fé.

MENSAGEM - Paulo sustenta que a salvação vem exclusivamente por Cristo. É por Cristo que somos “justificados” e não pelas obras da Lei. “Justificação” é sinónimo de “salvação”. Significa que a “justiça de Deus” (é a fidelidade de Deus aos compromissos que Ele assumiu para com o seu Povo, no sentido de salvá-lo) derrama gratuitamente sobre o homem o amor e a misericórdia, mesmo quando o homem pecador não merece. Ora, Deus “salva” o homem pecador, não por ele cumprir a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus (“crer” significa aderir a Ele, segui-lo).
A Lei salva? Não. Ao crucificar Jesus, a Lei demonstrou que não gerava vida, mas morte; desqualificou-se, assim, e demonstrou a sua falência no sentido de conduzir à vida plena o homem que estava sob a sua jurisdição. Depois de ser responsável pela morte de Cristo, a Lei não terá qualquer legitimidade para se impor e já não será vista por ninguém como geradora de vida. Cristo, por seu lado, com a sua vida e com a sua morte (provocada pela Lei) mostrou a falência da Lei e libertou os homens de um regime que apenas criava escravatura e morte.
Paulo identifica-se com Cristo. Sendo um com Cristo, Paulo também foi crucificado pela Lei e descobriu, com Cristo, que a Lei não gerava vida, mas morte. Assim, ele aprendeu que só Cristo dá vida e que só Cristo liberta. É na identificação com esse Cristo do amor e da entrega total (“que me amou e Se entregou por mim”) e não na Lei, que Paulo descobre a vida plena, a vida do Homem Novo. Conclusão: a Lei gera morte; só Cristo salva. Esta é a convicção  de Paulo.

ATUALIZAÇÃO
///¨ Deus, de forma gratuita, que “justifica” o homem. A salvação não é uma conquista humana, mas um dom gratuito de Deus. De Deus não podemos exigir nada, mesmo que nos tenhamos “portado bem” e cumprido as regras: de Deus, podemos apenas esperar a graça da salvação como dom gratuito.
///¨ “Cristo basta”. Muitas vezes Inventamos comportamentos “religiosamente corretos” e magoamos as pessoas por causa de preceitos legais, marginalizamos por causa dos princípios de um código legal e esquecemos que Cristo é o único essencial.
///¨ O cristão é aquele que se identifica com Cristo no seu amor e na sua entrega e que, nesse caminho, encontra a verdadeira vida, a vida em plenitude.

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A mulher conheceu Jesus e descobriu-se amada e querida por ele, apesar dos seus inúmeros pecados e a experiência desse amor a leva a reconhecer-se pecadora, sentindo uma incontida alegria, procurou manifestar na casa do fariseu, lavando e ungindo os pés daquele que a fez descobrir o verdadeiro amor.
O fariseu se sentia justificado pelas suas obras, dava-se o direito de julgar os que estavam em pecado, excluindo-os de sua companhia, e sentindo-se merecedor do amor de Deus e sua salvação.
Jesus não condena a conduta e o modo de viver do fariseu, e nem tão pouco aprova a vida pecaminosa da mulher, apenas realça o modo como ambos se relacionam com Deus. Jesus mostrando-nos que a iniciativa é sempre de Deus e que somente quando descobrimos o seu amor em nossa vida, é que percebemos o quanto somos pecadores por não correspondermos a esse amor.
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O Evangelho de hoje afirma que “Jesus pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus”. Que Boa-nova? Que nele, Deus se revelava como Pai cheio de amor e misericórdia, que se volta para o homem, para acolhê-lo, perdoá-lo, e caminhar com ele. Este anúncio requer uma decisão nossa: a conversão, isto é, um coração aberto à Boa-nova de Jesus; um coração capaz de acolher a presença salvífica de Deus e, cheio do amor do Senhor, abrir-se também para os outros, sobretudo para os pobres sejam de que pobrezas forem. E por que Jesus afirma que é dos pobres o Reino dos Céus? Esta pergunta é a chave para compreender as leituras de hoje. Quem é o pobre na Bíblia? Pobre é todo aquele que se encontra numa situação de fraqueza e impotência; O doente é um pobre, o que não tem casa e comida é um pobre, o discriminado e perseguido é um pobre, o que se sente só e sem amor é um pobre, o aidético, o que foi derrotado, o que foi incompreendido, o que foi pisado pelo peso da existência… Jesus proclama os pobres bem-aventurados. Porque o pobre toca o que a vida humana é realmente: precária, débil, incerta, dependente de Deus. Normalmente, nossa tendência é esquecer essa realidade, procurando mil ilusões: bens materiais, saúde, prestígio, amigos, ninho afetivo, poder… e julgamo-nos autossuficientes, senhores de nós mesmos e confiantes diante de Deus. Assim, autossuficientes, ricos para nós mesmos, não nos achamos necessitados de um Salvador, fechamo-nos para o Reino que Jesus veio anunciar. Só o pobre pode, com toda verdade, tocar a debilidade da vida com toda crueza e verdade e, assim, os pobres têm muito mais possibilidades de abrir-se para o Reino.
As leituras ilustram-nos esta realidade. Primeiro, a pobreza de Davi que, apesar de forte militarmente e rei de Israel, não hesita em reconhecer seu pecado com toda humildade diante do profeta do Senhor: “Pequei contra o Senhor” – diz o rei. Davi não usa máscara, não procura justificar-se com desculpas esfarrapadas. Reconhece-se pequeno, frágil, limitado… humilha-se ante o Senhor. A resposta do Senhor é imediata: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás”. Depois, as duas figuras contrapostas do Evangelho: de um lado Simão, cheio de si, de sua própria justiça, seguro de si próprio, julgando-se em dia com Deus e com seus preceitos e, por isso mesmo, fechado para a misericórdia e a delicadeza para com os outros. Jesus o desmascara: “Quando entrei na tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés… Tu não me deste o beijo de saudação… Tu não derramaste óleo na minha cabeça”. Simão, cheio de si, nunca pensou de verdade que precisasse de um Salvador e, por isso, não foi aberto para Jesus e para o Reino. Recebeu Jesus exteriormente, mas não aderiu a ele interiormente, de todo coração! Por outro lado, a mulher pecadora, adúltera pública, derrama as lágrimas e o coração aos pés de Jesus, com toda simplicidade, com toda sinceridade, do fundo de sua miséria… Reconhece-se pecadora, quebrada, infiel; sem máscara nenhuma, mostra-se ao Senhor e suplica sua misericórdia. Por isso, pode ouvir: “Teus pecados estão perdoados. Vai e paz!”
Somente quando experimentamos, de fato, esta pobreza, podemos acolher Deus que nos vem em Jesus como Salvador. Caso contrário, diremos que cremos nele, mas somente creremos de fato em nós e em nossas mil riquezas econômicas, afetivas, sociais, psicológicas, espirituais… Assim, do alto da nossa autossuficiência, tornamo-nos incapazes de acolher de verdade o Reino. Não é este o drama do mundo? Com nossa ciência, com nosso divertimento, com nossa liberação total, com nossos bens de consumo… quem precisa de um Salvador? Temos tudo, somos ricos, estamos bem assim e, sozinhos, nos bastamos!
São Paulo exprime na segunda leitura: aos cristãos de origem judaica, ele recordava que a salvação não vem das obras da Lei de Moisés, de nossa própria bondade, mas unicamente da fé em Jesus, presente de Deus, misericórdia de Deus para nós. É esta, muitas vezes, a nossa dificuldade: compreender que somos todos pobres diante de Deus; precisamos dele, a ele devemos abrir nossa mente, nosso coração, nossa vida. Aí, sim, o Reino de Deus começará a acontecer e Deus em Cristo reinará de verdade na nossa vida e, através de nós, na vida do mundo.
Que nos perguntemos: sou pobre ou sou rico? Reconheço devedor e dependente de Deus, realmente? Tenho-o como meu Salvador e minha riqueza? Aposto nele a minha vida? Tenho consciência que a vida não é minha de modo absoluto?
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O Pecado

A Igreja não é composta por "justos", mas por pecadores, que precisam do perdão de Deus e dos irmãos.

E a Liturgia de hoje nos apresenta um Deus de bondade e de misericórdia, que detesta o pecado, mas ama o pecador.

A 1ª Leitura apresenta a história de DAVI PECADOR e a reação de Deus diante do pecado do rei. (2Sm 12,7-10.12)

- Davi cometeu adultério com a mulher de Urias.
  Quando soube que a mulher estava grávida, mandou colocar Urias no lugar mais perigoso da batalha, onde acabou morrendo.

- O Profeta Natan denuncia o Rei desse crime  e anuncia os castigos de Deus contra ele e a sua família.

- O Rei reconhece humildemente seu erro: "Pequei contra o Senhor".
- Diante dessa atitude humilde e sincera de arrependimento, o profeta termina com uma mensagem de esperança: "O Senhor perdoou o teu pecado. Tu não morrerás".

* Deus condena o pecado, mas manifesta uma misericórdia infinita com o pecador..
   Dá sempre a possibilidade de recomeçar.
   Na fraqueza, Davi teve humildade em reconhecer o seu pecado  e confiança na bondade de Deus que perdoa...

Na 2ª Leitura Paulo afirma que a Salvação é um dom gratuito que Deus oferece. Mas para ter acesso a esse dom, é preciso aderir a Jesus e identificar-se com o Cristo do amor e da entrega. (Gl 2,16.19-21)

O Evangelho narra a História da MULHER PECADORA.
Só Lucas narra esse episódio. É o evangelho da misericórdia. (Lc 7,36-8,3)

- Jesus aceitava com alegria os convites para fazer refeições nas famílias...
   Vai à casa de Simão e a conversa estava animada...

- De repente aparece uma mulher intrusa...
  Ela enfrenta a condenação dos "bem comportados".
  Não fala nada. Suas lágrimas e o perfume precioso falam por ela.
  O gesto tocou o coração de Jesus.

- Por que procurou Jesus? Provavelmente já conhecia Jesus... O Mestre devia tê-la impressionado.

O "muito amor" manifestado pela mulher é o resultado da atitude de Jesus: nasce de um coração agradecido que não se sentiu excluído, nem marginalizado, mas que nos gestos de Jesus tomou consciência da bondade e da misericórdia de Deus.

+ No episódio, encontramos:

- Três Personagens
     - Um que convida,
     - um que é convidado,
     - uma que aparece sem ser convidada.

- Três olhares diferentes:
    - O olhar orgulho de Simão, com desprezo daquela pecadora e com desconfiança até do gesto de Cristo...
    - O olhar misericordioso de Cristo, que valoriza o gesto de amor daquela pecadora e censura a arrogância daquele fariseu puritano...
    - O olhar humilde da Pecadora, que reconhece seu pecado e descobre no gesto de Jesus a misericórdia de Deus.

+ A atitude de Deus: Ele ama sempre...
Ele ama todos como filhos e a todos convida a integrar a sua família.
É esse Deus que temos de propor aos nossos irmãos e que temos de apresentar àqueles que a sociedade trata como marginais.

A figura de Simão representa aqueles que, instalados nas suas certezas e numa prática religiosa feita de ritos e obrigações bem definidos e rigorosamente cumpridos, se acham em dia com Deus e com os outros.
Consideram-se "bons cumpridores" de suas obrigações e desprezam os que não as cumprem.

- Em nossas comunidades, Sabemos que a Igreja não é formada de "justos", mas de pecadores   que foram perdoados e necessitam SEMPRE do perdão de Deus e dos irmãos.
- Quantas vezes também nós podemos nos considerar mais ou menos "perfeitos"  e desprezamos os que nos parecem pecadores, imperfeitos, marginais!...

A exclusão e a marginalização não geram vida nova; só o amor e a misericórdia interpelam o coração e
provocam uma resposta de amor.

+ Qual é a NOSSA atitude diante do pecado?

   - Diante dos erros dos outros, imitamos o exemplo de Jesus, que acolhia e perdoava...
      ou de Simão, que rejeitava e condenava?
   - Diante dos nossos erros e pecados, imitamos o exemplo de humildade de Davi e da pecadora, ou somos tentados a escondê-los, ou, de alguma forma, justificá-los?

                                             Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho
Meus irmãos e irmãs, hoje a liturgia nos faz um convite para pensarmos na misericórdia de Deus. É bastante interessante observar, que desde uma mulher, que não sabemos o nome, é pecadora, até o mais importante dentre os personagens de Israel, até o dia de hoje, que é Davi. Davi se encantou por uma mulher, mas a mulher era casada! Como a mulher tinha que obedecer o homem em primeiro lugar, no tempo de Davi e principalmente o rei, esta mulher se deixou levar pelos caprichos de Davi e acabou grávida. E agora, como explicar este filho, se o marido dela estava na guerra?  Davi não mediu esforços e procurou de toda forma fazer com que ele morresse, mas ele não morria. Então, ele mandou matar o fulano. Assim, o próprio profeta vai dizer: você vai levar isto pelo resto da tua vida, porque quem soluciona os problemas com a espada, não consegue eliminar a espada da vida. Isto vem reforçar o que temos falado: que buscar como solução a morte, é cultivar, promover a morte. As soluções devem ser a partir da vida, do entendimento e da responsabilidade de cada um. Assim, podemos viver mais próximos da fraternidade e da justiça de Deus. De qualquer maneira, Davi, com seu erro, acabou ajudando todo o povo de Deus, porque ele vai se colocar diante de Deus e pedir perdão.
Um dos salmos que ele canta, salmo 50, outro, é o salmo de hoje (31 (32)).  É muito bonito, porque ele trata, exatamente, do sentimento daquele que se reconhece pecador e sabe que o único que pode lhe perdoar é Deus. Há momentos na vida, que sabemos que só Deus nos perdoa. Pior, que muitas vezes duvidamos do perdão de Deus! Não porque somos maus, não porque somos incrédulos, mas porque não conseguimos nos perdoarmos. Como pode Deus lhe perdoar, se você não se perdoar? É evidente, que o perdão é um processo: reconhecer que pecou, confessar-se pecador, porque senão o orgulho fala mais alto, e, a partir daí, ter certeza do perdão de Deus e dizer: A partir de hoje, eu estou perdoado e a partir daí, começar uma nova etapa na vida.
Nós merecemos o perdão de Deus? Não dá para falar, porque cada um tem a sua consciência. Eu digo por mim. Se for pelo caminho do merecimento, eu estou perdido. Aí, vamos compreender São Paulo: “Pela lei ninguém vai ser perdoado, ninguém será justificado”.  Por que? Porque nós não conseguimos, Paulo fala isto e eu concordo com ele, nós não conseguimos praticar todas as leis de Deus sempre. A lei diz, que Deus retribui a bênção para com aquele que pratica a lei. Neste sentido, quem  merece a benção de Deus? São Paulo diz: não. Eu tenho certeza, que fui perdoado, não por conta da lei, mas pela misericórdia de Deus, através de Jesus Cristo, que com seu sangue me lavou e me purificou de todos os pecados. Então, Jesus nos santifica. O que significa: O amor que ele tem para conosco é muito maior do que o nosso pecado, mas, é evidente, que ele só pode nos oferecer este amor, se eu aceitar este amor. Ele nos respeita. Aliás, Deus respeita o ser humano desde Adão e Eva. O que significa, que se eu não permitir, Ele não me perdoa. Mas, se eu permitir, Ele vai me perdoar sempre.
Isto é um pouco o que Jesus debate no Evangelho de hoje com Simão. O Simão está, assim, “pisando em ovos”, não sabe bem como se comportar, porque Jesus é um senhor estranho; Ele come com pecadores, cura enfermos, ele fala de partilha, ele fala de amor a Deus e amor ao próximo, ele diz que vem para cumprir todas as leis, mas depois cura em dia de sábado, colhe espigas no dia de sábado, enfim, ele está meio perdido. Então, ele diz: bom, para Jesus qualquer coisa serve.
Quando Jesus vai tomar refeição na casa dele, ele que é fariseu, portanto, conhecedor das leis, não faz aquilo, que um visitante merece, prescrito pela lei: o visitante chegava na casa, a pessoa lavava os seus pés, porque veio caminhando. Lavar os pés é, também, um descanso, um relaxamento, depois dava o beijo de boas vindas e jogava um pouco de óleo para refrescar, porque o sol era muito forte. Depois, lavava as mãos e tudo mais para tomar a refeição.
Claro, Ele não segue muito as leis, então, não vou fazer todo este ritual. Esta é a posição de Simão: pré-conceito contra Jesus. Achava que Jesus não ia se importar com isso e de fato Jesus não falou nada. Jesus só vai tratar deste assunto, por que? Porque ao lado de Simão vem uma mulher até Jesus e começa a beijar os seus pés, chorar, jogar perfume na cabeça e Jesus, até aí, não está tratando de nada. Só que Simão, segundo preconceito: “Se Ele fosse um profeta, saberia que esta mulher é uma pecadora”. Então, Jesus disse: Eu preciso ajudar este fulano: “Quem vai amar mais a Deus: quem tem mais pecados ou quem tem menos pecado”? Quem foi perdoado de uma dívida de 500 ou de 50 moedas de prata?
Claro, que isto é uma parábola, porque o amor de Deus e o amor de cada um de nós não se mede, mas para o Simão perceber qual era o caminho que ele estava percorrendo, que ele estava equivocado. – “Aquele que é perdoado na maior dívida, o que foi perdoado em 500 moedas”. – “Pois é. Você não é pecador, mas ela é. Entretanto, ela demonstra mais amor, do que você”. Aí, coloca para ele toda a questão: ela fez tudo o que você não fez. Por isso, eu digo a ela que teus pecados lhes são perdoados.
É a partir daí, que temos o sacramento da reconciliação, que muitos questionam: como é que um Presbítero (padre), pecador como eu, pode perdoar pecados? Dá licença! Não é o Presbítero que perdoa os pecados, não. ELE SÓ LHE ENTREGA O PERDÃO. “A quem perdoar, lhes será perdoado”. “A quem não perdoar, não será perdoado”. O ministério do presbítero é fazer com que Deus possa lhe perdoar. Igual o ministério de quem distribui comunhão. Que pode ser ordinário ou extraordinário. A pessoa só leva Jesus para você. Não é ela que te dá comunhão. Ela só faz com que você tenha Jesus em suas mãos para comungar. O perdão dos pecados é a mesma coisa. Acho uma das coisas mais belas que existe: o presbítero não pode perdoar os seus próprios pecados. Ele também tem que se sentir pecador e pedir perdão. Que maravilha, quando nos damos conta que somos pecadores. Como seria complicado se aproximar de alguém que não peca e confessar os pecados! Deus, na sua misericórdia e sabedoria, até isto prevê. É muito mais fácil eu falar para um pecador que eu pequei, do que falar para alguém que nunca pecou. Aí é que está. Esta é a grande misericórdia de Deus. Como é bom agente, assim, descarregar a nossa consciência. Mas, tem um ponto, que talvez, incomoda todos nós, mas é exigência que faz parte de nossa caminhada: “Vai e não peques mais”. Então, eu não tenho outra chance? O Papa Francisco dizia: “Deus nos perdoa sempre”.  “Deus nos perdoa sempre”. Ele repetiu três vezes. Claro, que temos sempre chance. O que é preciso? Veja, se eu estou numa caminhada de pecado, eu devo mudar de caminho. Caso contrário, vou continuar sempre no mesmo pecado. Então, não é somente confessar, mas buscar orientação também. Por isso, as pessoas dizem: a Igreja complicou um pouco, porque antigamente a pessoa ia ao confessionário, confessava os pecados e ia embora. Não! É preciso uma orientação. Ás vezes, no momento da confissão não dá para orientar. Tem tantos outros. Por isso, é bom se confessar pelo menos uma vez ao ano. É preciso também a pessoa dialogar com o presbítero (padre) e saber o que ele ou ela precisa fazer, para superar aquela dificuldade. É assim.
Tem um segundo ponto, que eu gostaria de tratar: “Com ele ia os doze e também algumas mulheres, que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças e Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios. Então, Maria Madalena é uma e a pecadora é outra. Não vamos colocar todo mundo na mesma situação. Maria Madalena, depois de Nossa Senhora, é a mulher mais pura, porque Jesus expulsou todos os demônios que existiam nela. Muito interessante isto. Maria Madalena não é a “pecadora”. A pecadora é aquela mulher que ungiu Jesus. Maria Madalena é aquela que acompanha Jesus. Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. Acho bom chamar a atenção: ouço muita gente dizer: para que a Igreja precisa de dinheiro, se o Evangelho é de graça? O Evangelho é de graça, mas também Jesus precisou de recursos materiais para poder Evangelizar. O que significa, que você pedir colaboração, não está errado, de forma alguma, desde que seja PARA A EVANGELIZAÇÃO. É isso, que eu gostaria de ajudar a perceber, porque se alguém perguntar: “para que a Igreja precisa de dinheiro”? Porque tudo se paga. O recurso material é o suporte para uma boa Evangelização. Em nossa paróquia temos a conta patrimonial e a conta paroquial. A patrimonial entra o dinheiro da quermesse, de rifas, bazar, para manter a parte material da igreja. A conta paroquial é fruto das coletas, da colaboração nas marcações de intenções, este tipo de trabalho e do dízimo. Com este dinheiro procuramos levar a Evangelização. É bom agente saber disto, para ajudar as pessoas a tomar consciência.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André, SP.

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Homilia de D. Henrique Soares

Convém iniciar a meditação sobre a Palavra do Senhor deste Domingo recordando a primeira e principal das Bem-aventuranças; aquela que resume todas as demais: “Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).
O Evangelho de hoje afirma que “Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus”. Que Boa-nova é esta, que Jesus pregava? Que nele, Deus se revelava como Pai cheio de amor e misericórdia, que se volta para o homem, inclina-se em direção a ele, para acolhê-lo, perdoá-lo, e caminhar com ele. Este anúncio requer uma decisão nossa: a conversão, isto é, um coração aberto à Boa-nova de Jesus; um coração capaz de acolher a presença salvífica de Deus e, cheio do amor do Senhor, abrir-se também para os outros, sobretudo para os pobres sejam de que pobrezas forem. E por que Jesus afirma que é dos pobres o Reino dos Céus? Esta pergunta é a chave para compreender as leituras de hoje. Vejamos.
Quem é o pobre na Bíblia? De que pobre Jesus está falando? Pobre é todo aquele que se encontra numa situação extrema, situação de fraqueza e impotência; pobre é todo aquele que se encontra numa situação limite na vida. O gravemente doente é um pobre, o que não tem casa e comida é um pobre, o discriminado e perseguido é um pobre, o que se sente só e sem amor é um pobre, o aidético, o que foi derrotado, o que foi incompreendido, o que foi pisado pelo peso da existência… Notemos que a pobreza em si não é um bem. E por que Jesus proclama os pobres bem-aventurados, dizendo ser deles o Reino dos Céus? Porque o pobre, na sua pobreza, toca o que a vida humana é realmente: precária, débil, incerta, dependente de Deus. Normalmente, nossa tendência é esquecer essa realidade, procurando mil muletas, mil apoios, mil ilusões: bens materiais, saúde, prestígio, amigos, ninho afetivo, poder… e julgamo-nos auto-suficientes, senhores de nós mesmos, perdendo a atitude de criança simples e confiante diante de Deus. Assim, auto-suficiente, ricos para nós mesmos, não nos achamos necessitados de um Salvador, fechamo-nos para o Reino que Jesus veio anunciar. Só o pobre pode, com toda verdade, tocar a debilidade da vida com toda crueza e verdade e, assim, os pobres têm muito mais possibilidades de abrir-se para o Reino.
As leituras deste Domingo ilustram-nos esta realidade. Primeiro, a pobreza de Davi que, apesar de forte militarmente e rei de Israel, não hesita em reconhecer seu pecado com toda humildade diante do profeta do Senhor: “Pequei contra o Senhor” – diz o rei. Davi não usa máscara, não procura justificar-se com desculpas esfarrapadas. Reconhece-se pequeno, frágil, limitado… humilha-se ante o Senhor. A resposta do Senhor é imediata: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás”. Depois, as duas figuras contrapostas do Evangelho: de um lado Simão, cheio de si, de sua própria justiça, seguro de si próprio, julgando-se em dia com Deus e com seus preceitos e, por isso mesmo, fechado para a misericórdia e a delicadeza para com os outros. Jesus o desmascara: “Quando entrei na tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés… Tu não me deste o beijo de saudação… Tu não derramaste óleo na minha cabeça”. Simão, cheio de si, nunca pensou de verdade que precisasse de um Salvador e, por isso, não foi aberto para Jesus e para o Reino. Recebeu Jesus exteriormente, mas não aderiu a ele interiormente, de todo coração! Por outro lado, a mulher pecadora, adúltera pública, derrama as lágrimas e o coração aos pés de Jesus, com toda simplicidade, com toda sinceridade, do fundo de sua miséria… Reconhece-se pecadora, quebrada, infiel; sem máscara nenhuma, mostra-se ao Senhor e suplica sua misericórdia. Por isso, pode ouvir: “Teus pecados estão perdoados. Vai e paz!”
Somente quando experimentamos, de fato, esta pobreza, podemos verdadeiramente acolher Deus que nos vem em Jesus como Salvador. Caso contrário, diremos que cremos nele, mas somente creremos de fato em nós e em nossas mil riquezas econômicas, afetivas, sociais, psicológicas, espirituais… Assim, do alto da nossa auto-suficiência, tornamo-nos incapazes de acolher de verdade o Reino. Não é este o drama do mundo? Com nossa ciência, com nosso divertimento, com nossa liberação total, com nossos bens de consumo… quem precisa de um Salvador? Temos tudo, somos ricos, estamos bem assim e, sozinhos, nos bastamos!
Pois bem: faz parte do núcleo da convicção cristã que não nos bastamos, que somos pobres e, sozinhos, jamais nos realizaremos plenamente. É o que são Paulo exprime na segunda leitura da Missa: aos cristãos de origem judaica, ele recordava que a salvação não vem das obras da Lei de Moisés, de nossa própria bondade, mas unicamente da fé em Jesus, presente de Deus, misericórdia de Deus para nós. É esta, muitas vezes, a nossa dificuldade: compreender que somos todos pobres diante de Deus; precisamos dele, a ele devemos abrir nossa mente, nosso coração, nossa vida. Aí, sim, o Reino de Deus começará a acontecer e Deus em Cristo reinará de verdade na nossa vida e, através de nós, na vida do mundo.
Que nos perguntemos: sou pobre ou sou rico? Reconheço devedor e dependente de Deus, realmente? Tenho-o como meu Salvador e minha riqueza? Aposto nele a minha vida? Tenho consciência que a vida não é minha de modo absoluto, mas é um do qual deverei prestar contas ao doador? O Senhor nos ajude e ilumine nosso coração e nossa mente!
 D. Henrique Soares da Costa
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (DIÁCONOS E MINISTROS DA PALAVRA):
Louvor: QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR:
à O SENHOR ESTEJA CONVOSCO...   DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, NOSSO DEUS.
T: Ó DEUS DE BONDADE, NÓS VOS LOUVAMOS E VOS AGRADECEMOS.
à Senhor, nosso Deus de amor, bendito sejais para sempre. Sois eterno e único. Sois Deus de misericórdia. Bendito seja o vosso nome sobre todo o universo.
T: Ó DEUS DE BONDADE, NÓS VOS LOUVAMOS E VOS AGRADECEMOS.
à Senhor, nosso Deus e Pai que nos perdoa sempre que nos arrependemos. Dai-nos um coração de bondade, pois foi por amor que nos criastes e nos dignificastes como vossos filhos em Jesus Cristo.
T: Ó DEUS DE BONDADE, NÓS VOS LOUVAMOS E VOS AGRADECEMOS.
à Senhor, que sempre estais conosco nesta caminhada, mesmo na dificuldade e sofrimento nos alentais com a esperança da vida eterna e feliz.
T: Ó DEUS DE BONDADE, NÓS VOS LOUVAMOS E VOS AGRADECEMOS.
à Pai nosso... A Paz... Eis o cordeiro...