quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilias, subsídios homiléticos

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: As nossas atitudes diante do projeto de Deus.
Primeira leitura: O homem é livre de escolher entre a proposta de Deus e a autossuficiência do próprio homem. Para ajudar, Deus propõe “mandamentos”: são  “sinais” que indicam o caminho da salvação.
Evangelho: completa a reflexão balizada pelos “mandamentos”: não apenas de cumprir regras externas; mas de assumir uma adesão a Deus e às suas propostas em todos os passos da vida.
Segunda leitura: Paulo apresenta o projeto de Deus ( “sabedoria de Deus” ou “o mistério”). É um projeto que Jesus Cristo revelou com palavras, gestos e, sobretudo, com a sua morte na cruz.

PRIMEIRA LEITURA -  Leitura do Livro do Eclesiástico.
Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar. Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

AMBIENTE - O Livro de Ben Sira (“Eclesiástico”) é um livro “sapiencial” – apresenta uma reflexão sobre a arte de viver bem, e ter êxito e ser feliz. Estamos no séc. II a.C.; a cultura grega minava a cultura, a fé, os valores tradicionais de Israel. Jesus Ben Sira apresenta uma síntese e da sabedoria da religião de Israel, mostrando que não fica a dever nada à cultura grega.

MENSAGEM - Opção entre dois caminhos – o caminho da vida e da felicidade e o caminho da morte e da desgraça. Essa é questão: se o homem escolhe caminhos de orgulho e de autossuficiência, à margem de Deus, prepara um futuro de morte e de desgraça; mas se o homem escolhe viver no “temor” de Deus e no respeito pelas propostas de Jahwéh (mandamentos), ele constrói um futuro de felicidade. Um pormenor é que Deus respeita a liberdade do homem. O  homem que faz as suas escolhas e tem nas mãos o próprio destino. Deus indica os caminhos para à vida e à felicidade; mas, respeita as opções que o homem faz. Resta ao homem fazer suas escolhas: com Deus, ou contra Deus; ou um destino felicidade, ou desgraça.

ATUALIZAÇÃO • Sentimos essa responsabilidade de encolher, ou apenas seguimos a moda de outros valores?
• Uma proposta leva à vida e à felicidade. Percorrer esse caminho implica escuta de Deus e suas propostas.
• A outra proposta. é o caminho do egoísmo, da autossuficiência, do orgulho, ignorando as propostas de Deus que geram injustiça, miséria, exploração, sofrimento, morte.
• Atenção: a morte e a desgraça é o resultado de escolhas egoístas, que geram desequilíbrios e que destroem a paz, a harmonia do mundo, da família e de mim próprio.

SALMO RESPONSORIAL / 118(119)
Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
• Feliz o homem sem pecado em seu caminho, / que na lei do Senhor Deus vai progredindo! / Feliz o homem que observa seus preceitos / e de todo o coração procura a Deus!
• Os vossos mandamentos vós nos destes, / para serem fielmente observados. / Oxalá seja bem firme a minha vida / em cumprir vossa vontade e vossa lei!
• Sede bom com vosso servo, e viverei / e guardarei vossa palavra, ó Senhor. / Abri meus olhos, e então contemplarei / as maravilhas que encerra a vossa lei!
• Ensinai-me a viver vossos preceitos; / quero guardá-los fielmente até o fim! / Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei / e de todo o coração a guardarei.

 EVANGELHO (Mt 5,17-37) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Porque eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes o que foi dito: 'Não cometerás adultério'. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. Foi dito também: 'Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio'. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério. Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso', mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'. Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde apóia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Não jures tão pouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso 'sim', 'Sim', e o vosso 'não', 'Não'. Tudo o que for além disso vem do Maligno.”

AMBIENTE – dissemos: o discurso de Jesus “no alto de um monte” transporta-nos à montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu a Lei; agora, é Jesus que, numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus essa nova Lei do “Reino”, que deve guiar os discípulos de Jesus na sua marcha pela história. As questões são: continuamos a cumprir a Lei de Moisés? Jesus não aboliu a Lei antiga? O que é que há de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus?

MENSAGEM - Cristo não veio abolir essa Lei que Deus ofereceu no Sinai. Os fariseus achavam que a salvação passava pelo cumprimento de certas normas concretas; mas Mateus achava que a proposta libertadora de Jesus ia mais além e passava por assumir uma atitude interior de compromisso total com Deus e com as suas propostas.
A Lei de Moisés exige o não matar; mas, na perspectiva de Jesus (que exige uma nova atitude interior), o não matar implica o evitar causar qualquer tipo de dano ao irmão… Há muitas formas de destruir o irmão: as palavras que ofendem, as calúnias que destroem, os gestos de desprezo que excluem, os confrontos que põem fim à relação. Os discípulos do “Reino” têm que assumir uma nova atitude, mais abrangente, que os leve a um respeito absoluto pela vida e pela dignidade do irmão. Na perspectiva de Mateus, a reconciliação com o irmão deve sobrepor-se ao próprio culto, pois é uma mentira a relação com Deus de alguém que não ama os irmãos.
O adultério. A Lei de Moisés exige o não cometer adultério; mas, na perspectiva de Jesus, é preciso ir nas raízes – ou seja, no coração … É no coração que nascem os desejos de apropriação daquilo que não lhe pertence; portanto, é aíl que é preciso realizar uma “conversão”. Arrancar o olho ou cortar a mão que é ocasião de pecado, são expressões fortes (da cultura semita) para dizer que é preciso atuar lá onde as ações más têm origem e eliminar, na fonte, as raízes do mal.
O terceiro refere-se ao divórcio. A Lei de Moisés permite ao homem repudiar a sua mulher; mas, na perspectiva de Jesus, a Lei tem de ser corrigida: o divórcio não estava no plano original de Deus, quando criou o homem e a mulher e os chamou a amarem-se e a partilharem a vida.
O quarto refere-se à questão do julgamento. A Lei de Moisés pede fidelidade ao juramento; mas, na perspectiva de Jesus, a necessidade de jurar implica desconfiança que é incompatível com o “Reino que os simples “sim” e “não” bastam.
A questão essencial é: é preciso uma atitude interior nova com Deus que envolva o homem todo e lhe transforme o coração.

ATUALIZAÇÃO • Cumprir regras externas não assegura, automaticamente, a salvação. Os nossos comportamentos têm de resultar, não do medo, mas de verdadeira adesão a Deus e às suas propostas. Os “mandamentos” me ajudam na relação com Deus e a não me desviar do caminho que conduz à vida.
• “Não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irmão.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 2,6-10) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. Irmãos, entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal, estão votados à destruição. Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida, que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram nem os ouvidos ouviram nem coração algum jamais pressentiu”. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus. Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

AMBIENTE - A pretensão dos coríntios era equiparar a fé cristã a um caminho filosófico sob a orientação de mestres humanos (para uns, Paulo, para outros Pedro, para outros Apolo), à maneira das escolas filosóficas gregas. Paulo está consciente que o único mestre é Cristo e que a verdadeira sabedoria não está no brilho e na elegância das palavras, mas resulta da cruz.

MENSAGEM - Para Paulo, falar da “sabedoria de Deus” é falar do projeto de salvação que Deus preparou para a humanidade, no sentido de nos levar à salvação, à vida plena. Esse plano resulta do amor de Deus revelado através do seu Filho, Jesus Cristo (antes da revelação feita através das palavras, agora dos gestos de Cristo). Ele veio ao nosso encontro, fez aliança conosco, indicou-nos os caminhos da felicidade; e nos libertou do pecado, nos inserindo numa dinâmica de amor e de doação da vida à comunhão com Deus e com os irmãos. Na cruz está expressa esta história de amor por nós… Esse plano de salvação continua na vida dos crentes pela ação do Espírito: é o Espírito que nos anima a nascermos, dia a dia, como homens novos, até nos identificarmos com Cristo.

ATUALIZAÇÃO • O projeto de salvação que Deus tem para os homens garante a vida plena, a identificação final com Cristo. Os crentes olham a vida com os olhos cheios de confiança, que sabem enfrentar sem medo os problemas que o dia-a-dia lhes apresenta, e que caminham cumprindo a sua missão no mundo, em direção à meta final que Deus reservou.
• No entanto, Deus não força ninguém: a opção pelo caminho é uma escolha livre. O que Deus faz é dar “sinais” (mandamentos) que indicam como chegar a essa meta final de vida definitiva.
Dehonianos

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Jesus não aboliu as Leis do Antigo Testamento. O que Jesus fez foi ensinar-nos a obedecer-lhes corretamente.
Obedecer corretamente a uma lei é praticar a intenção do autor. Há duas maneiras de interpretar uma lei: A literal (jurídica) e a espiritual, que é seguir o espírito da lei.
Através do mandamento “não matar”, Deus está dizendo que não quer que façamos o mal ao próximo, e sim o bem.
“Não cometer adultério e divórcio”, é respeitar o matrimônio, e não ir além nem com um olhar e ser fiel ao projeto matrimonial
“Não jurar falso” é ser verdadeiro, falar sempre a verdade e nunca enganar ninguém.
“Olho por olho, dente por dente” significa não se deixar levar pela raiva ou pela ganância. Se alguém nos tomar a capa, vamos entregar-lhe também a túnica.
“Amar o próximo e odiar o inimigo.” Deus Pai cortou 90% do ódio, ao dizer que é só ao inimigo. No fundo o que ele queria é que amássemos a todos, até os inimigos.
E Jesus resume: “Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Deus quer que sejamos parecidos com ele, pois os filhos se parecem com os pais. Ser santo consiste em amar a Deus e ao próximo.  O amor tudo transforma. Ele brota da nossa liberdade, não de leis. Jesus nos libertou da lei. Mas é uma liberdade que nos leva a viver para os outros. “Ame, e faça o que você quiser... Se a verdade nos faz livres, o amor nos faz escravos” (Santo Agostinho).

Homicídio, Adultério, Divórcio e Perjúrio.
As última duas: Perdão no lugar  de vingança (Lei do talião) e
e o Amor ao inimigo, em invés de ódio, fica para o próximo domingo.

1) HOMICÍDIO: "Ouvistes: Não matarás...  aquele que matar terá de responder em Juízo..."
EU: "Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão,  terá que responder em  juízo..."

CONDENA: todo tipo de morte: calúnia... mentira... fraude... ofensa...
                      Matar lideranças, não dando espaço na comunidade... E o ABORTO?
(Se houvesse um Raio X capaz de mostrar o cemitério que criamos dentro de nosso coração, nós nos assustaríamos... Quantas pessoas estão mortas, para nós!

2) ADULTÉRIO: "Ouvistes: não cometerás adultério..." (eram bem mais severos para as mulheres).
EU: "Quem olhar para uma mulher com desejo desonesto... já pecou em seu coração".
CONDENA: Não só o ato consumado de adultério, mas também o desejo... O adultério de coração.... Certas amizades já são adultério... Não basta manter escondido da esposa ou do esposo as infidelidades. "Se teu olho for ocasião de queda... corta-o"... Não devemos tomar ao pé da letra, mas significa radicalidade.

3) DIVÓRCIO: "Ouvistes: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe um certificado de repúdio".
           A lei de Moisés "tolerava" o divórcio em certos casos (união ilícita), para preservar a mulher nesses casos: direito de igualdade.
EU: "Todo aquele que repudia sua mulher, faz com que ela adultere:  E quem se casa com ela, comete adultério".

CONDENA: O Divórcio anula a tolerância da Lei mosaica... e afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial...
       
4) PERJÚRIO: "Ouviste: Não jurarás falso...”
EU: "Não jureis de modo algum... Vosso SIM seja SIM, vosso NÃO, NÃO.
         Tudo que for, além disso, vem do Maligno..."

CONDENA: A falsidade... - E por que precisa jurar? Não basta uma prática apenas externa da lei... temos que obedecer, viver o espírito da Lei.

Observar sábados, não comer carne de porco, não realizar transfusões de sangue, estabelecer a saia ou o vestido como indumentárias únicas para as mulheres etc. Essas coisas caducaram: “ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é Cristo” (Cl 2,16-17).

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O Cristão e a Lei

A LEI DE DEUS: Para muitos, é um tabu, uma série de proibições.
- Será esse o verdadeiro sentido dos Mandamentos?

A 1a Leitura nos apresenta Deus propondo os Mandamentos ao Povo de Israel, num clima de aliança... E o povo acolhe unânime. (Eclo 5,16-21)

* Para o povo de Israel, o amor e a fidelidade à Lei constituem toda a justiça e a santidade... apesar de muitas infidelidades...  Mas, com o passar do tempo, reduziu a Lei a uma observância puramente externa, sem uma convicção interior mais profunda...

No Evangelho, CRISTO censura tal atitude: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus!"

* Não é suficiente uma fidelidade material e externa da Lei...    É preciso uma fidelidade mais profunda, interior...

E Jesus apresenta 6 exemplos concretos.
São Antíteses: "Ouvistes o que foi dito... EU, porém, vos digo..." 
mediante as quais ele proclama o sentido da nova Lei.
Hoje são lidas as primeiras quatro, referentes aos temas:
Homicídio, Adultério, Divórcio e Perjúrio.
As última duas: Perdão no lugar  de vingança (Lei do talião) e
e o Amor ao inimigo, em invés de ódio, fica para o próximo domingo.

1) HOMICÍDIO: "Ouvistes: Não matarás...  aquele que matar terá de responder em Juízo..."
EU: "Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão,  terá que responder em  juízo..."

CONDENA: todo tipo de morte: calúnia... mentira... fraude... ofensa...
                      Matar lideranças, não dando espaço na comunidade... E o ABORTO?
(Se houvesse um Raio X capaz de mostrar o cemitério que criamos dentro de nosso coração, nós nos assustaríamos... Quantas pessoas estão mortas, para nós!

2) ADULTÉRIO: "Ouvistes: não cometerás adultério..." (eram bem mais severos para as mulheres).
EU: "Quem olhar para uma mulher com desejo desonesto... já pecou em seu coração".
CONDENA: Não só o ato consumado de adultério, mas também o desejo... o adultério de coração.... certas amizades já são adultério... Não basta manter escondido da esposa ou do esposo as infidelidades.
"Se teu olho for ocasião de queda... corta-o"... Não devemos tomar ao pé da letra, mas significa radicalidade.

3) DIVÓRCIO: "Ouvistes: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe um certificado de repúdio".
           A lei de Moisés "tolerava" o divórcio em certos casos (união ilícita), para preservar a mulher nesses casos: direito de igualdade.
EU: "Todo aquele que repudia sua mulher, faz com que ela adultere:  E quem se casa com ela, comete adultério".

CONDENA: O Divórcio anula a tolerância da Lei mosaica... e afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial...
        * Qual nossa Atitude Pastoral, hoje, para os separados, e os de 2ª União?

4) PERJÚRIO: "Ouviste: Não jurarás falso...”
EU: "Não jureis de modo algum... Vosso SIM seja SIM, vosso NÃO, NÃO.
         Tudo que for, além disso, vem do Maligno..."

CONDENA: A falsidade... - E por que precisa jurar? Não basta uma prática apenas externa da lei... temos que obedecer, viver o espírito da Lei.

O Sermão da Montanha nesse trecho nos ensina que a vida espiritual não está num catálogo de normas perfeitas que proíbem as más ações, mas limpeza da fonte de todas as ações: o coração. Pois dele procedem assassínios, adultérios, prostituições, falsos testemunhos e difamações.

O Salmo afirma: "Feliz quem tem vida pura e segue a Lei do Senhor".

Na 2ª Leitura, Paulo fala da "Sabedoria de Deus", tão diferente da dos homens.  (1Cor 2,6-10)

E NÓS, como observamos os Mandamentos?
- Com o espírito do Antigo Testamento? (fazer isto ou aquilo porque é lei, porque é "obrigado" ?
- Por que vou à Missa?  Porque é um preceito?

"Se a justiça de vocês não for maior que a dos escribas e fariseus...  vocês não entrarão no Reino dos céus".

"Quem me AMA, guarda os meus mandamentos..."
 Seja a nossa observância uma expressão sincera e profunda  do nosso amor para com Deus.      

                                            Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, as leituras deste domingo são muito ricas. Não é possível, agora, tocar em todos os pontos. Senão, iríamos prolongar muito. De qualquer maneira, são palavras que nos anima a viver firmes na fé e VIVER na sabedoria de Deus. Daqui a pouco, na Celebração Eucarística (missa) nós iremos dizer: Senhor, obrigado porque nos achastes dignos de estarmos aqui presentes. Fomos chamados por Deus para  CELEBRAR ESTA ALIANÇA e fazer esta caminhada com Ele.
Outro dia, um artigo de jornal trazia um grande filósofo argumentando porque ele não crê em Deus.  Ele dizia: “ Eu não creio em Deus, porque se Deus é o todo poderoso, como é que ele permite injustiças, sofrimentos, como é que ele permite que uns sejam beneficiados e outros não”. Eu mesmo dizia comigo mesmo: Ele precisa ouvir um pouco a Palavra de Deus para ver se não está equivocado. Porque a primeira Leitura hoje é muito clara: Deus nos trata realmente como seres humanos e nos leva a sério! Veja a primeira leitura:  Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. Você pode escolher o bem ou o mal. Se escolheu o mal, fez a suja escolha. Se escolher o bem, também fez a sua escolha. A liberdade é sua, mas Deus não dá licença para qualquer um pecar. O que significa, que se eu creio em Deus, eu não tenho licença para o pecado. A história de dizer que somos livres, depende em que aspecto. Eu sou livre para fazer o bem e não sou livre para pecar. Veja lá: Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar. Eu me torno livre, na medida em que estabelecida esta aliança com Deus, eu passo a seguir o caminho. Agora, se eu não quero compromisso com Deus, então, eu posso fazer o que eu quiser, mas não vou poder afirmar que eu creio em Deus. Há um descompasso quando alguém diz que crê em Deus e não pratica a vontade de Deus. Quem crê tem que praticar a vontade de Deus. Senão, é um mentiroso.
A vontade de Deus está onde? Aí, vem o trecho do Evangelho. É interessante observar, que a primeira orientação que Jesus dá é: “Não matarás”. Isto é um aspecto muito importante! Porque as pessoas não dão muita importância à pessoa que mata, alguém que é morto, comparado ao “Amar a Deus sobre todas as coisas”.
Ora, é uma contradição: se eu amo a Deus, se eu creio em Deus, eu preciso respeitar o irmão que é feito imagem e semelhança Dele! De que adianta eu dizer que creio em Deus e depois trato o irmão como uma coisa, como um objeto! Ou, então, eu simplesmente O mato.
A Lei de Deus é muito prática. É evidente que ela se dirige a quem está disposto a caminhar com Deus. Estas leis e estes ensinamentos de Jesus, elas são consideradas palavras de Jesus MESMO, porque Ele amplia a nossa compreensão. Veja por exemplo: “não cometerás adultério”. É interessante observar, que não cometer adultério pode se ligar ao sexo, mas não somente nisto; gasolina adulterada, documento adulterado, história adulterada, verdade adulterada: tudo isto é adultério. Pensar, que a mulher pode ser propriedade de um homem, é um adultério, porque está pervertendo aquilo que Deus fez igual: “façamos o homem a nossa imagem e semelhança e homem e mulher os criou”. Então, não respeitar esta dignidade dada por Deus, é adulterar a obra do Criador.
Aqui vem algo muito importante, que as pessoas se sentem incomodadas: porque Ele é Deus e que nós não somos deuses: quando Ele diz: “não jure pelos céus, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é onde Ele sustenta os seus pés, nem pela sua cabeça, porque sequer você pode decidir se um fio de cabelo pode ser branco ou preto”. Ou seja, se dê conta de é um necessitado de Deus.  É isto que nos dá segurança, porque Deus aceita todo aquele que dele se aproxima, que com Ele estabelece uma aliança e cuida de cada um de nós com carinho, dedicação e atenção. Mas, é preciso que Deus possa agir.
No mesmo jornal, um outro que fundou uma igreja, que não crê em Deus. Na Inglaterra ele reúne os que não creem em Deus. Bom, cada um tem o direito de reunir quem quiser. Ele dizia: deixei de acreditar em Deus, porque a minha mãe morreu de câncer e eu pedi tanto a Ele e Ele não me atendeu.
Ora, quantas vezes nós nos dirigimos a Deus pedindo o que Ele quer?  Este é um questionamento. Porque se você só se dirige a Deus pedindo o que você quer, então, você se coloca como aquele que é sábio e Deus o teu servo. Nós invertemos o papel. Não é assim.
A segunda leitura vai nos dizer: é interessante fazer uma distinção da sabedoria, mas não a humana, porque a sabedoria humana nos leva a perdição. Está aqui na segunda leitura: Irmãos, entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal, estão votados à destruição. Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida, que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram nem os ouvidos ouviram nem coração algum jamais pressentiu”. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus. Aí é que está. Invertendo este papel, faz com que encontremos a destruição. Não é por maldade nossa, porque tudo o que pedimos a Deus, é em vista da nossa felicidade, em vista da nossa realização. Ninguém pede a Deus a sua destruição! Só que nem sempre temos a compreensão completa para levarmos a cabo aquilo que nós desejamos. Contentar-se com a sabedoria de Deus, significa também crer na sua PROVIDÊNCIA. O fato de Deus não atender uma oração minha, não significa que Ele não existe, mas significa que na visão Divina, aquilo que está sendo pedido não é possível. Se cada filho desistisse dos pais quando os pais dizem NÃO, então, não teríamos mais famílias. Ou os pais sempre dizem sim para os filhos? Não é assim. Então, pensar, analisar, contemplar toda esta liturgia que as leituras nos trazem hoje, só reforça a nossa esperança e a nossa segurança em Deus. É evidente, que aqui ou ali acabamos nos perdendo, porque somos limitados. De qualquer maneira, Deus sempre nos acolhe e procura nos resgatar. Na comunhão somos alimentados para termos força e coragem de continuar esta caminhada.
Quando o salmo diz: “Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor vai progredindo”. Esta é a nossa vida. Cada dia progredindo mais, para nos tornarmos pessoas sem pecado.
Que Deus nos ajude a viver a Palavra que contemplamos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
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1) “Não matarás.” Deus está dizendo que não quer que façamos o mal ao próximo, e sim o bem. Isso começa com pequenos gestos, como tratar o nosso irmão com raiva.
2) “Não cometer adultério.” No fundo, é respeitar a família, e não desrespeitar o matrimônio nem com um olhar.
3) “Não jurarás falso.”. No fundo, é ser verdadeiro, falar sempre a verdade e nunca enganar ninguém e nunca colocar Deus como nossa testemunha. “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não”.
4) “Olho por olho, dente por dente.” Significa não se deixar levar pelo espírito de vingança ou pela ganância. Se alguém nos tomar a capa, vamos entregar-lhe também a túnica. Se alguém nos der um tapa, vamos virar-lhe a outra face.
5) “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.” Com esta Lei, Moisés cortou noventa por cento do ódio que havia entre as pessoas, e introduziu um controle. No fundo, o que Deus queria era que amássemos a todos, até os nossos inimigos. “Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre juntos e injustos” (Mt 5,45).
E Jesus termina o discurso com uma frase chave que resume tudo: “Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Aí está a grande meta da nossa vida: que sejamos parecidos com Deus Pai, pois o filho se parece com o pai.
Ser cristão é obedecer aos mandamentos de Deus. “Isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça ainda, e cada vez mais, em conhecimento e em toda percepção, para discernirdes o que é melhor. Assim estareis puros e sem nenhuma culpa para o dia de Cristo...” (Fl 1,9-10).







PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (DIÁCONOS OU MINISTROS EXTRAORDINÁRIOS DA PALAVRA):










LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS,  por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, sois o nosso Deus e salvador!
- Senhor, nosso Deus, Vos louvamos e Vos agradecemos por nos amar e nos dar Jesus como a palavra viva que nos orienta e nos salva.
T: Senhor, sois o nosso Deus e salvador!
- Senhor, nosso Deus, grande é o vosso amor nos ensinando os caminhos que nos conduzem à felicidade plena. Que sejamos atentos aos vossos ensinamentos e saibamos ensinar aos irmãos.
T: Senhor, sois o nosso Deus e salvador!
- Senhor, nosso Deus, Sois cheio de bondade. Dai-nos o entendimento para que cumpramos os vossos mandamentos e sejamos fiéis na construção de vosso Reino.
T: Senhor, sois o nosso Deus e salvador!
- Senhor, nosso Deus, que nosso coração seja renovado pelo vosso amor e possamos refletir ao mundo o vosso amor. Que vossas leis sejam luz para nossas ações e possamos viver como irmãos em nossa comunidade.
T: Senhor, sois o nosso Deus e salvador!
- PAI NOSSO...  A Paz de Cristo... CORDEIRO DE DEUS.





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

5º Domingo do Tempo Comum ANO A 2017, Homilias, Subsídios homiléticos

5º Domingo do Tempo Comum ANO A 2017 (Diácono Ismael )

SINOPSE:
Tema: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo.” O compromisso cristão na construção do Reino.
Primeira leitura: A religião nos faz comprometidos com a construção do Reino; somos luz.
Evangelho: Jesus pede que sejamos sal do mundo e luz de liberdade e de esperança.              
Segunda leitura: Ser “luz” é identificar-se com Cristo e espelhar sua imagem ao mundo.

PRIMEIRA LEITURA (Is 58, 7-10)
Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Brilhará tua luz como a aurora; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, tua vida obscura será como meio-dia.
AMBIENTE - “Trito-Isaías”. séc. VI. a.C. Estamos em Jerusalém;
Há dois temas: a denúncia de um culto vazio, que não sai do coração; e santidade do sábado .
MENSAGEM - o “jejum” autêntico se traduz em partilha, na eliminação da opressão, da injustiça.                                                                   
Não basta o cumprimento de ritos, precisa o compromisso concreto.

EVANGELHO (Mt 5, 13-16) -: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo.   
AMBIENTE – A nova Lei que deve reger a caminhada do novo Povo de Deus na história.
MENSAGEM - Jesus define a missão do novo Povo de Deus; trazer ao mundo o sabor à vida; fidelidade da aliança.  A“Luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém é P/ todos. A “Luz” de Deus para alumiar as nações dar-se-á, nos discípulos, Eles são as testemunhas do “Reino”.
ATUALIZAÇÃO • Missão: Ser cristão é ser luz: eu não sou “a Luz”, mas apenas um reflexo da “luz” que É Deus. Somos ligado a uma FONTE geradora
* Tornar a Religião apetitosa e agradável...
* Os cristãos podem fazer o sal perder seu sabor: tirando o sabor da mensagem de Jesus
- E Cristo não quer ser Luz sozinho: Por isso, nos convida a também nós sermos LUZ:
SAL =  Dá sabor, preserva e purifica.
LUZ -  Ilumina e se consome a serviço dos irmãos, iluminando o caminho que leva ao Pai...
***ser "Luz" é identificar-se com Cristo.
– Um só é a luz: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como podemos, então, sermos luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Somente na sua luz, seguindo seus passos, tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis trevas! Agora, sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8). Por nós mesmos não somos sal, mas insípidos; Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor!

SEGUNDA LEITURA (1Cor 2, 1-5) - Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, não recorri a uma linguagem elevada. Aliás, estive junto de vós, com fraqueza e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas do poder do Espírito, para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens.
AMBIENTE - A busca de uma sabedoria humana, os levava a apostar em pessoas (Pedro, Paulo, Cefas),  e a esquecer Jesus Cristo e por passar ao lado da “sabedoria da cruz”.
a “sabedoria humana” não salva nem realiza plenamente o homem. A realização plena do homem está em Jesus Cristo e na “loucura da cruz”.
MENSAGEM - Paulo não se apresentou com discursos sublimes, com filosofias elaboradas; mas no paradoxo de um Deus fraco, que morreu numa cruz rejeitado por todos. Porque a força de Deus se impõe, muito para além dos limites do homem. O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração dos que se deixem tocar pela sabedoria de Deus.
ATUALIZAÇÃO - • O êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais. Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

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Mt 5, 13-16 5º Domingo do Tempo Comum ANO A  05/02/2017

Tema: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo.”
A Palavra de Deus convida-nos a viver comprometidos com a transformação do mundo– o mundo do “Reino”.

Primeira leitura: As condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platônica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.
Evangelho: Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.
Segunda leitura: Paulo avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: (Deus, que é eterno, nasce e morre por amor a humanidade)
PRIMEIRA LEITURA (Is 58, 7-10) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: “Eis-me aqui”. Se destruíres teus instrumentos de opressão e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, tua vida obscura será como meio-dia.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. séc. VI, ou nos primeiros anos do séc. V. a.C. Estamos em Jerusalém, na época pós-exílica;
O capítulo 58 apresenta-se como uma reclamação de Deus contra o Povo. Há dois temas: a denúncia de um culto vazio, que não sai do coração
nem tem a necessária correspondência na vida nem tem a necessária correspondência na vida (cf. Is 58,1-12); e um convite a que o Povo respeite a santidade do sábado (cf. Is 58,13-14).

MENSAGEM - O tema do “jejum”, No Antigo Testamento, é um gesto religioso utilizado para traduzir a humildade diante de Deus. Para Deus, a atitude de humildade, de entrega, tem de ser em atitudes concretas com o pleno de Deus. Assim, o “jejum” autêntico é aquele que se traduz em partilha com os pobres, na eliminação da opressão, da injustiça, da violência.                                                                   
Para Deus, o Povo de Judá será uma luz que anuncia Deus no mundo, se testemunhar o amor e a misericórdia em gestos concretos de libertação, de partilha, de amor e de paz.
A relação com Deus (expressa nos gestos cultuais) só é verdadeira se se traduz em gestos que anunciem e testemunhem a misericórdia e o amor de Deus no meio dos outros homens.

ATUALIZAÇÃO • A melhor liturgia é aquela que se traduz no amor ao irmão e se manifesta em gestos de partilha, de fraternidade, de libertação. A multiplicidade de ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a devida correspondência na vida de relação com os irmãos.
• A multiplicidade de ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a devida correspondência na vida de relação com os irmãos.

SALMO RESPONSORIAL / SI 111 (112).
Uma luz brilha nas trevas para o justo; Permanece para sempre o bem que fez.
• Ele é correto, generoso e compassivo, / como luz brilha nas trevas para os justos. /
 Feliz o homem caridoso e prestativo, / que resolve seus negócios com justiça.
• Porque jamais vacilará o homem reto; / sua lembrança permanece eternamente! /
Ele não teme receber notícias más: / confiando em Deus, seu coração está seguro.
• Seu coração está tranquilo e nada teme. / Ele reparte com os pobres os seus bens; /
permanece para sempre o bem que fez, / e crescerão a sua glória e seu poder.

EVANGELHO (Mt 5, 13-16) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?
Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

AMBIENTE - Continuamos no contexto do “sermão da montanha”. Jesus está no cimo de um monte, apresentando a nova Lei que deve reger a caminhada do novo Povo de Deus na história.

MENSAGEM - Jesus define a missão do novo Povo de Deus. O sal dá sabor e conserva os alimentos. Dizer que os discípulos são “o sal” significa que os discípulos são chamados a trazer ao mundo o sabor à vida dos homens; significa também que da fidelidade depende a permanência firme da aliança entre Deus e os homens do projeto salvador e libertador de Deus no mundo e na história. Se os discípulos recusarem ser sal e se demitirem das suas responsabilidades, o mundo guiar-se-á por critérios de egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais distante da realidade do “Reino” que Jesus veio propor.
A segunda comparação é a da luz. Para a explicar, Jesus utiliza duas imagens.
A primeira imagem (a da cidade situada sobre um monte) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos.
. A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro) repete e explicita a mensagem da primeira: O Povo de Deus devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Jahwéh diante de todos os povos da terra. Os que aderem ao “Reino” devem ser uma luz que ilumina e desafia o mundo. Na perspectiva de Jesus, essa presença da “luz” de Deus para alumiar as nações dar-se-á, doravante, nos discípulos, isto é, naqueles que aceitaram o apelo do “Reino” e aderiram à nova Lei (as “bem-aventuranças”) proposta por Jesus. Eles são a “nova Jerusalém”, ou o novo “Servo de Jahwéh” de onde a proposta libertadora de Deus irradia e a partir de onde ela transforma e ilumina a vida de todos os homens.
Os discípulos de Jesus devem mostrar-se, escolher lugares de visibilidade de onde as massas os admirem e os aplaudam. Mas pretende dizer que a missão das testemunhas do “Reino” deve levá-las a dar testemunho, a questionar o mundo, a ser uma interpelação profética, a ser um reflexo da luz de Deus; e que não devem esconder-se, demitir-se da sua missão, fugir às suas responsabilidades. A missão dos discípulos é, portanto, a de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Eles são as testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência das “bem-aventuranças”. Neles tem de estar presente essa realidade nova, que Jesus chamava “Reino”.

ATUALIZAÇÃO • Deus propôs-nos um projeto de salvação que conduzirá à inauguração de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o “Reino” se torne uma realidade.
• Ser cristão é ser uma luz, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade…
• Atenção: eu não sou “a Luz”, mas apenas um reflexo da “luz”… É Deus que é “a luz” e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens para Deus e para o “Reino”.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 2, 1-5) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da
sabedoria humana. Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. Aliás, estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens.

AMBIENTE - A comunidade cristã de Corinto tinha a propensão para a busca de uma sabedoria puramente humana, que os levava a apostar em pessoas (Pedro, Paulo, Cefas), em mestres humanos capazes de transportar os discípulos ao encontro da sua realização; mas, dessa forma, acabavam por esquecer Jesus Cristo e por passar ao lado da “sabedoria da cruz”.
Neste contexto, Paulo recorda aos coríntios que a “sabedoria humana” não salva nem realiza plenamente o homem. A realização plena do homem está em Jesus Cristo e na “loucura da cruz”.
Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro (domingo passado), Paulo refere o caso da própria comunidade de Corinto: apesar da pobreza, debilidade e fragilidade dos membros da comunidade, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salvação no mundo. No segundo, Paulo apresenta com humildade o seu próprio caso.

MENSAGEM - Paulo não se apresentou com discursos sublimes, com filosofias elaboradas; mas apresentou-se com toda a simplicidade para anunciar esse paradoxo (opinião contrária, diferente) de um Deus fraco, que morreu numa cruz rejeitado por todos. Paulo apresentou-se em Corinto consciente da sua fraqueza. Não foi, portanto, pela sedução da sua personalidade arrebatadora, pelas suas “brilhantes” qualidade do pregador, que os coríntios se sentiram atraídos por Jesus e pelo Evangelho.                 Porque a força de Deus se impõe, muito para além dos limites do homem que apresenta a proposta ou do ouvinte que a escuta. O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração dos crentes, de forma a que eles não se fiquem pelos esquemas da sabedoria humana, mas se deixem tocar pela sabedoria de Deus.

ATUALIZAÇÃO • A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez.
• Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem recordar sempre que a eficácia da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus concretiza o seu projeto de salvação para o mundo… Para além do nosso esforço, da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

Fonte - Dehonianos

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"Sal e Luz"

Continuando o Sermão da Montanha, JESUS mostra, mediante dois símbolos, o compromisso no Reino de Deus: ser: SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.

A 1ª Leitura apresenta as condições para ser Luz. Não basta o cumprimento de ritos, precisa o compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal do amor de Deus no meio do povo. (Is 58,7-10)

A 2ª Leitura avisa que ser "Luz" não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas identificar-se com Cristo. (1Cor 2,1-5)

No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a serem o "Sal da terra e a luz do mundo". (Mt 5,13-16)

+ Para que serve o Sal?

  - Para dar SABOR à comida e CONSERVAR os alimentos...
    O que o Sal é para a comida, o cristão deve ser para o seu semelhante:
     * Tornar a Religião apetitosa e agradável...
        Ser o tempero que dá o gosto pelas coisas de Deus, que dá o sabor à vida, com seu entusiasmo, seu otimismo, sua alegria nascida de Deus, fonte de todo bem.
     * Ser um elemento que preserva o mundo de hoje da corrupção...

- Sua PRESENÇA na comida é discreta, mas atua eficazmente.
  O sal se dissolve completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor.
  (Só se nota quando há de mais ou quando falta).
  * Assim o cristão: Ser sal da terra, humilde, derretido, saboroso, que atua de dentro, que não se nota, mas é indispensável.

- O Sal jamais PERDE A QUALIDADE de sal...
  * Os cristãos podem fazer o sal perder seu sabor: tirando o sabor da mensagem de Jesus, das exigências do evangelho... E o que fazer deles? "De nada mais serve senão ser jogado fora..."

E Cristo reforça essa verdade, ilustrando com outra figura: "Vós sois a LUZ DO MUNDO".

+ O que é a Luz para nós?  Sinal de vida, de calor, dinamismo, trabalho...

- Na Bíblia: a Luz tem um significado muito rico...:
  * Na criação: A Luz recorda o 1o ato do Criador...
  * No Êxodo do Egito, a Coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida.
  * Isaías: O Servo de Javé: "Luz das nações".
  * Jesus: "Eu sou a Luz do Mundo"...
     A Luz por excelência é o esplendor do Pai...
     É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte...
- E Cristo não quer ser Luz sozinho: Por isso, nos convida a também nós sermos LUZ:
    
+ Para que serve a Luz?
- Para mostrar o caminho... as belezas presentes na natureza. Sem a luz não as enxergamos...
  * O cristão deve ser uma luz acesa apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade...
- Para iluminar os objetos, não para ser olhada em si mesma... nem para ficar escondida...
  * Cristão não é a "Luz", mas um "reflexo da Luz", que mostra as coisas bonitas que a ação de Deus realizou em nós.
     "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens... para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no céu". (Mt 5,16)
      Jesus ensina que os homens devem enxergar "as boas obras" e glorificar o Pai (não a nós).

+ Ninguém é Luz por si próprio: é ligado a uma FONTE geradora:

   * Como a Lâmpada depende do Gerador, assim nós dependemos do gerador que é Cristo para iluminar.
      E iluminamos na medida em que estivermos ligados ao Senhor.
      Essa união se faz pela meditação da palavra de Deus, pela comunhão eucarística e pela oração...

+ Essa é a nossa Missão:
                Ser Sal da Terra e Luz do Mundo...
                SAL  que preserva da corrupção e dá gosto das coisas de  Deus...
                LUZ  que ilumina e se consome a serviço dos irmãos, iluminando o caminho que leva ao Pai...

Se não, seremos INÚTEIS... jogados fora...

Peçamos a Deus muita LUZ para compreender essa missão e muita FORÇA para sermos de fato:          
                                               - Sal da Terra e
                                               - Luz do Mundo...

                                Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Julio Lancellotti no 5º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Link

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Homilia do Pe. Françoá Costa

Hipotético apagão

Pode acontecer que venha a faltar luz em casa. Caso seja durante o dia, não há problema, a não ser que estejamos vendo algo na televisão. Graças a Deus, e à técnica, os celulares funcionam com baterias que podem durar de três a quatro dias. Ainda que seja verdade que quando se trata de um iPhone, e caso essa máquina seja muito utilizada, logicamente a bateria durará muito menos. Ao contrário, durante a noite, quando a luz falta, incomoda bastante. De repente, tudo fica escuro, não podemos ver os outros nem a nós mesmos; é preciso, então, ter cuidado para não pisar as crianças, nem o rabo dos cachorros, tampouco dar um passo em falso na escada. Nesse momento, se agradece encontrar aquele pedacinho de vela que outrora fora deixado de lado: se trata duma pequena luz, mas é luz. Depois de uma hora ou duas, três horas ou mais, a luz costuma voltar. E parece que tudo volta ao normal. Como se pode observar, não é tão evidente que nós vejamos “com os olhos”, parece mais evidente que vemos com a luz.
Quem tem luz vê; quem não a tem, ainda que tenha olhos, não vê nada! “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Nós, os cristãos, somos verdadeiramente a luz que ilumina os nossos ambientes! Por nossa causa é que o mundo pode enxergar. Mas por quê? Porque nós fomos iluminados por aquele que é a luz, Jesus. “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo 9,5). Enquanto estou no mundo… ?! Mas, e depois da sua Ascensão? Nós somos a luz do mundo, Jesus continua iluminando através de nós.
Conta-se que Jesus, no dia da sua Ascensão aos céus, se encontrou com S. Gabriel Arcanjo que vinha, caminho contrário, cumprir alguma missão aqui na terra. Gabriel, ao ver o Senhor subindo aos céus e que a terra ficaria sem ele, olhou também para o planeta e observou um cenário curioso: a terra estava coberta por uma nuvem negra e o contraste negro-azul não resultava muito agradável a não ser por uns poucos, pouquíssimos, pontos de luz. Chamou a atenção do arcanjo o ambiente desolador, mas chamou-lhe mais imperiosamente a atenção a existência desses poucos pontos de luz. O arcanjo perguntou então ao Senhor: “e aqueles pontos de luz? O que são?” Jesus respondeu: “são a minha mãe e os meus outros discípulos. Eles vão iluminar toda a terra”. Gabriel, conhecendo a debilidade humana, depois de pensar um pouco, disse: “Senhor, excetuando a tua mãe, e se eles falharem?”. Ao que Jesus respondeu: “Eu não tenho outros planos”. Dito isso, Jesus continuou ascendendo rumo ao Pai.
No começo da humanidade, quando esta falhou em Adão, Deus tinha um “plano B”. O “plano A” era que Adão e Eva fossem fiéis e vivessem para sempre em amizade com Deus. Quando eles pecaram, Deus colocou em ação o plano B: a salvação por meio do seu Filho. A extensão dessa salvação, no entanto, conta com a nossa colaboração. Nós somos a luz do mundo! Existe o “plano C”? A revelação de Deus que chegou até nós através da Sagrada Escritura e da Tradição da Igreja não nos fala de um suposto “plano C”. O que nos foi revelado – e é de notar-se que não acontecerá outra revelação pública e que tudo nos foi dito em Cristo – é que Deus veio à terra e nos salvou e que ele conta conosco para estender essa salvação a cada homem, a cada mulher.
Nós, filhas e filhos de Deus, temos um papel insubstituível. Se nós falharmos, o mundo se perde! Grande responsabilidade! Grande motivo de ação de graças! Grande oportunidade para aproveitarmos os tempos e evangelizarmos, convidando todos à amizade com Deus! Ele conta conosco. Nós somos a luz e, sem nós o mundo estaria na escuridão mais terrível, no apagão geral mais tenebroso que poderia acontecer.
Quando a Igreja alça a sua voz dando critério nas coisas humanas, inclusive na vida político-econômica, ela sempre o faz tentando iluminar essas realidades terrestres com a luz de Cristo. Se ela, que é luz, e se os cristãos, que são luz, não falarem e não atuarem, o mundo ir-se-ia afundando nas trevas mais profundas. Nós precisamos aproveitar todas as ocasiões para anunciar a Cristo, para iluminar com a luz de Cristo, para queimar com o fogo de Cristo que ilumina e aquece e do qual nós somos os portadores. A política, a economia, o mundo esportivo, os lazeres, as fábricas, os comércios, e todo lugar onde um cristão pode estar honradamente, são lugares onde se deve alçar a Cruz do Senhor, que é luz, paz, alegria, responsabilidade e liberdade, vida nova.
Não podemos permitir que o mundo pereça nas trevas. Sem nós, que somos luz do mundo, tal coisa aconteceria. Logicamente, o panorama é vasto, as dificuldades são patentes e as forças são limitadas. No entanto, a nossa limitação não é um problema para ser luz, e sim a possibilidade de sê-la. São Jose Maria Escrivá expressava essa realidade da seguinte maneira: “Lança para longe de ti essa desesperança que te produz o conhecimento da tua miséria. – É verdade: por teu prestígio econômico, és um zero…, por teu prestígio social, outro zero, e outros por tuas virtudes, e outro por teu talento… Mas, à esquerda dessas negações está Cristo… E que cifra incomensurável resulta!” (Caminho, 473). Com a luz de Cristo é que os cristãos iluminarão cidades inteiras, partidos políticos, grupos de empresários, universidades e centros educativos, comércios e estádios de futebol. Onde está um cristão, aí está a luz de Cristo! Mas o cristão tem que ser coerente, tem que dar a vida se for preciso. A luz que eu dou ao meu ambiente é forte como esses refletores para filmar ou fraco como aquela velinha que utilizamos quando falta luz? E, no entanto, não importa tanto a intensidade, o mais importante é continuar iluminando e pedir ao Senhor que ele intensifique a sua luz em nós.
Pe. Françoá Costa
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Homilia Mons. José Maria Pereira

Ser Sal e Luz do Mundo

No evangelho (Mt 5, 13-16) o Senhor fala-nos da nossa responsabilidade perante o mundo: Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo. E diz isso a cada um de nós, àqueles que queremos ser seus discípulos.
Jesus proclama-se luz do mundo (Jo 9, 5). Hoje Ele nos diz: “Vós sois a luz do mundo.” Só poderemos iluminar se tivermos sido iluminados por Cristo. Jesus acrescenta que não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um alqueire, mas no candelabro para que brilhe para todos os que estão na casa. Jesus diz mais: “A vossa luz brilhe diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” Portanto, a maneira concreta de sermos luz do mundo é pelas boas obras.
O sal dá sabor aos alimentos, torna-os agradáveis, preserva da corrupção e era, no passado, um símbolo da sabedoria divina. No Antigo Testamento, prescrevia-se que tudo que se oferecesse a Deus devia estar condimentado com sal (cf. Lv 2, 13), para significar o desejo de que a oferenda fosse agradável. A luz é a primeira obra da criação (Gn 1, 15), e é o símbolo do Senhor, do Céu e da Vida. As trevas, pelo contrário, significam a morte, o inferno, a desordem e o mal. Os discípulos de Cristo são o sal da terra: dão um sentido mais alto a todos os valores humanos, evitam a corrupção, trazem com as suas palavras a sabedoria aos homens. São também luz do mundo, que orienta e indica o caminho no meio da escuridão. Quando os cristãos vivem segundo a sua fé e têm um comportamento irrepreensível e simples, brilham como astros no mundo (Fil 2, 15), no meio do trabalho e dos seus afazeres, na sua vida normal.
Cristo deixou-nos a sua doutrina e a sua vida para que os homens encontrassem o sentido da sua existência e achassem a felicidade e a salvação. “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens…” E para isso é necessário, em primeiro lugar, o exemplo de uma vida reta, a pureza de conduta, o exercício das virtudes humanas e cristãs na vida simples de todos os dias. A luz, o bom exemplo, deve abrir caminho.
Perante a onda de materialismo e de sensualidade que sufoca os homens, o Senhor “quer que das nossas almas saia outra onda – branca e poderosa, como a mão do Senhor –, que afogue com a sua pureza a podridão de todo o materialismo e neutralize a corrupção que inundou o mundo: é para isso que vêm – e para mais – os filhos de Deus”: para levar Cristo a tantos que convivem conosco, para que Deus não seja um estranho na sociedade.
Transformaremos verdadeiramente o mundo – a começar por esse pequeno mundo em que se desenvolve a nossa atividade – na medida em que o ensinamento começar com o testemunho da nossa própria vida.
O exemplo prepara a terra em que a palavra frutificará. Sem cairmos em atitudes grotescas, impróprias de um cristão corrente, podemos mostrar ao mundo o que significa seguir verdadeiramente o Senhor na tarefa cotidiana, tal como fizeram os primeiros cristãos. São Paulo dizia aos cristãos de Éfeso: “Eu vos exorto a que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados…” (Ef 4, 1).
Devemos ser conhecidos como homens e mulheres leais, simples, verazes, alegres, trabalhadores, otimistas; devemos comportar-nos como pessoas que cumprem retamente os seus deveres e que sabem atuar a todo o momento como filhos de Deus, que não se deixam arrastar por qualquer vento. A vida do cristão constituirá então um sinal claro da presença do espírito de Cristo na sociedade.
Por isso devemos refletir e perguntar-nos com freqüência se os nossos colegas de trabalho, os nossos familiares e amigos se vêem levados a glorificar a Deus quando presenciam as nossas ações, porque vêem nelas a luz de Cristo. Seria um bom sinal de que em nós há luz e não escuridão, amor a Deus e não tibieza.
Disse o Papa João Paulo II: “Ele tem necessidade de vós. De alguma forma vós lhe emprestais os vossos rostos, o vosso coração, toda a vossa pessoa, na medida em que vos entregais ao bem dos outros e vos tornais servidores fiéis do Evangelho. Então é o próprio Jesus a ficar bem; mas se fordes fracos e vis, obscureceis a sua autêntica identidade e não o honrareis”. Não percamos nunca de vista esta realidade: os outros devem ver Cristo no nosso comportamento diário simples e sereno.
As nossas boas obras! Não vamos fazer o bem para nos orgulhar, mas para a glória de Deus.
As boas ações, este colocar-se a serviço do próximo, passa pelo mistério da Cruz (1Cor 2, 1-5).
Mons. José Maria Pereira
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Homilia de D. Henrique Soares da Costa 

Hoje, no Evangelho, escutamos umas frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que riscam não significar muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações, para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!
“Vós sois o sal da terra!” O sal, na Escritura, aparece como o elemento que dá sabor, purifica e conserva, tornando perenes e duradouros os alimentos… Daí a expressão “aliança de sal”, isto é, “uma aliança perene aos olhos do Senhor” (Nm 18,19). Por causa dessa pureza e perenidade, é que Israel deveria ajuntar o sal a toda oferta que fizesse ao Senhor Deus: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus” (Lv 2,13).
Pois bem, irmãos caríssimos, vós sois o sal que dá sabor, pureza e conservação ao mundo diante de Deus! Sois a pitadinha de sal que torna o mundo uma oferenda agradável e aceitável ao Senhor! Sois tão pequenos, tão poucos, tão frágeis, tão impotentes, tão tolos! Lembrai-vos da leitura do Domingo passado: “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres… Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que o mundo considera sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para, assim, mostrar a inutilidade do que é considerado importante… É graças a ele que vós sois em Cristo..” (1Cor 1,26-31). Sim, sois essa pitadinha de nada, esse tico desprezível de sal.. E, no entanto, sois o sabor, a purificação, a conservação da aliança entre Deus e o mundo! Sois, em Cristo Jesus, o povo sacerdotal! Por isso, a nós, o Senhor ordena: “Tende sal em vós mesmos” (Mc 9,50); em outras palavras: uni-vos a mim, ao meu sacerdócio, à minha vida entregue ao Pai como amor que se entrega para a vida do mundo! Lembremo-nos do conselho de São Paulo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: esse é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2). Era este o significado daquela pitadinha de sal que o sacerdote colocou nos nossos lábios no momento do nosso Batismo, quando nos tornamos membros do povo da aliança, povo sacerdotal. Colocando-nos o sal, ele recordou as palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra!” No entanto, não nos iludamos: somente seremos sal, se permanecermos unidos a Cristo! Sem ele, seremos insípidos, seremos como o mundo, sem sabor e para nada serviremos, “senão para sermos jogados fora e pisados pelos homens”.
“Vós sois a luz do mundo!” – Que afirmação impressionante! Um só é a luz: Aquele que disse de si próprio: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como pode, então, dizer agora que nós somos luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Eis: se em Cristo – e somente nele – somos sal da aliança selada na cruz, também somente na sua luz, seguindo seus passos, tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis treva! Agora, sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8). Por nós mesmos não somos sal, mas insípidos; por nós mesmos não somos luz, mas trevas tenebrosas! Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor! Não somos luz, mas iluminados pela luz de Cristo, refletiremos a luz sobre o mundo tenebroso, como a lua que, sem ter luz própria, mas iluminada pela luz do sol, ilumina de modo belíssimo a noite escura…
Portanto, meus caros, tenhamos cuidado: somente seremos sal se nos deixarmos salgar pelo Senhor no cadinho da provação e da participação na sua cruz; somente seremos luz se nos deixarmos iluminar pela luz fulgurante que brota da sua cruz! Que o cristão não busque outro sal ou outra luz, a não ser o Cristo e Cristo na sua humildade, na sua pobreza, no seu serviço, na sua disponibilidade total em relação ao Pai: “Não julguei saber coisa alguma entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado!” Aquilo que passa da cruz do Senhor, que foge da cruz do Senhor, que procura outro caminho e outra lógica, que não a da cruz que conduz à ressurreição, não salga e não ilumina! Então, que brilhe a luz de Cristo em nossa vida e em nossas obras! Que o nosso modo de viver dê novo sabor a este mundo tão insosso pelo pecado – vede no carnaval: quanta treva, quanta insipidez, quanto velho gosto da velha podridão do velho pecado! Se no nosso modo de viver formos sal e luz, cumprir-se-á em nós a palavra do Profeta: “Então, brilhará tua luz como a aurora e a glória do Senhor te seguirá!”
Eis a nossa missão, eis a nossa vocação, eis a ordem que o Senhor nos dá! Agora, compete a nós! Como nos perguntava Paul Claudel, poeta francês, convertido a Cristo na metade do século XX: “Ó vós, cristãos, que tendes a luz, que fazeis com essa luz?” Ó irmãos, ó irmãs! “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus!” Que o Senhor no-lo conceda por sua graça. Amém!

D. Henrique Soares da Costa

Louvor: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)                                             V Domingo do TC Mt 5, 13-16
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus,  NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI|:
T: Bendito sejais, senhor nosso Deus.
- Deus de luz, nós Vos bendizemos. Nós vos agradecemos a vossa presença no meio de nós.                      Enchei-nos do Espírito de generosidade e nos inspirai palavras de esperança e de coragem para nossa ação no mundo.
T: Bendito sejais, senhor nosso Deus.
- Nós Vos damos graças, Pai todo-poderoso, pelo Vosso Filho Jesus Cristo, o Messias crucificado, que transformou a cruz em passagem para a vida. Nós Vos pedimos; fortificai a nossa fé, fortalecei nossa coragem e fazei-nos aderir ao vosso Filho, para que sejamos luz e sal entre os irmãos e irmãs.
T: Bendito sejais, senhor nosso Deus.
- Pai, nós vos damos glória pela luz manifestada no vosso Filho, e pela multidão dos fiéis que caminharam no seguimento da luz, fazendo o bem. Nós vos pedimos por todas as nossas comunidades cristãs: que elas dêem sabor à nossa humanidade e sejam a luz que brilha para o nosso mundo.
T: Bendito sejais, senhor nosso Deus.

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...