sexta-feira, 15 de setembro de 2017

XXIV Domingo do Tempo comum, homilias, subsídios homiléticos

24º Domingo do Tempo Comum (Diácono Ismael)
SINOPSE:
Tema: O Amor de Deus; Deus que é amor convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos.
Primeira leitura: a ira e o rancor são sentimentos que não convêm à felicidade do homem. É ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão.
Evangelho: No Domingo passado, Jesus nos mandava corrigir o irmão. Hoje, Pedro pergunta quantas vezes se deve dar o perdão. Jesus responde: Perdoa sempre! Somos convidados a descobrir a lógica de Deus e agir nesta lógica para com todos os irmãos na questão do perdão e da misericórdia..
Segunda leitura: Paulo sugere que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.

PRIMEIRA LEITURA (Eclo 27,33–28,9) Leitura do Livro do Eclesiástico. (ver lei de Lamec)
O rancor e a raiva são coisas detestáveis;... Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. ... Lembra-te do teu fim e deixa de odiar;... Pensa nos mandamentos e não guardes rancor ao teu próximo. Pensa na aliança do Altíssimo e não leves em conta a falta alheia!

AMBIENTE - O livro de Ben Sira (“Eclesiástico”), é um livro sapiencial que reflete a arte de bem viver e de ser feliz. Estamos no II a.C., época do helenismo que minava a cultura e os valores tradicionais de Israel. O autor apresenta uma síntese da sabedoria de Israel que não fica a dever nada à cultura grega.

MENSAGEM - A verdadeira “sabedoria” é não se deixar dominar pelo rancor, ira e vingança. O “sábio” é aquele que é capaz de perdoar as ofensas e de ter compaixão pelo seu semelhante.
Quem se recusa a perdoar ao irmão, como poderá pedir o perdão de Deus?
: “pensa no teu fim e deixa de ter ódio”… Fundamentalmente, temos aqui um apelo a invertermos a lógica do “olho por olho, dente por dente”, por sentimentos de perdão e de misericórdia. Assim, será possível a felicidade nesta terra; e o homem poderá pedir e esperar de Deus o perdão para as suas falhas.

ATUALIZAÇÃO - ** Todos os dias vemos a lógica do “responder na mesma moeda”. Desencadeando a espiral  de vingança, morte de inocentes, sofrimentos e violência sem limites. É este o mundo que queremos? A única forma de interromper o rancor e o ódio desta espiral é o perdão.
** uma relação clara entre o perdão de Deus e o perdão humano. Um coração duro, violento e agressivo, estará disponível para acolher a bondade e o amor de Deus?
** Muitos pensam que só nos afirmamos quando somos fortes e respondemos com força e agressividade.  Ben Sirac ensina que a “sabedoria”, e a felicidade não passam pelo ódio, mas pelo perdão e misericórdia.

EVANGELHO (Mt 18,21-35) - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Pedro perguntou: “quantas vezes devo perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “até setenta vezes sete”. Um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado caiu aos pés do patrão e suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ O patrão teve compaixão e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ Mas o empregado mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, o patrão lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

AMBIENTE - Por detrás do texto, podemos entrever uma comunidade tem muita dificuldade em perdoar.

MENSAGEM - O mandamento do perdão não é novo. Os catequistas de Israel ensinavam a perdoar o irmão. A obrigação de perdoar existia apenas em relação aos membros do Povo de Deus (os inimigos estavam excluídos da misericórdia). A discussão girava quanto ao limite de vezes em que se devia perdoar. Todos  aceitavam, contudo, que não fosse indefinidamente. Pedro consulta Jesus acerca dos limites do perdão. (“até sete vezes?”: “totalidade”). Jesus responde que não só se deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada, total, absoluta (“setenta vezes sete”). (mesmo aos inimigos).
Jesus propõe uma parábola: Um empregado deve e não pode saldar a dívida. O senhor perante a humildade e a submissão do servo, tem sentimentos de misericórdia e perdoa a dívida. O que impressiona é o montante da dívida: dez mil talentos (um talento = 36 Kg em ouro ou em prata. O exagero serve para pôr em relevo a misericórdia infinita do senhor.
O segundo que experimentou a misericórdia se recusou, logo a seguir, a perdoar um companheiro que lhe devia cem denários (um denário equivalia a 12 gramas de prata, pagamento diário de um operário).
Sobressaem  a desproporção entre as duas dívidas e a diferença de atitudes entre o senhor (que perdoa) e o funcionário (incapaz do perdão). Informaram ao rei do sucedido; e o rei, escandalizado, castigou-o duramente.
A parábola mostra o perdão é ilimitado de Deus. Mostra como a nossa lógica está distante da lógica de Deus. Diante de qualquer falha do irmão, tomamos atitudes de desforra e de vingança.
Finalmente, a parábola sugere que existe uma relação entre o perdão de Deus e o perdão humano. Mateus sugere que Deus nos perdoa se perdoarmos.
ATUALIZAÇÃO - A necessidade de perdoar sempre, de forma radical e ilimitada. Na cruz, Jesus morreu pedindo perdão para os seus assassinos… O cristão é um seguidor de Jesus e imita-o.
O “mundo” considera que perdoar é próprio dos fracos; Deus considera que perdoar é dos fortes. A lógica do mundo aumenta a espiral de violência, de injustiça, de morte; a lógica de Deus ajuda a mudar os corações e frutifica em gestos de amor, de partilha, de diálogo e de comunhão.

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O que é perdoar? Significa pactuar com a injustiça e a opressão? Significa tolerar tudo num silêncio e conformismo? Não. O perdão não é passividade, alienação, conformismo ou indiferença. O cristão não esconde a cabeça na areia. O cristão não se cala diante do que está errado; mas não guarda rancor para com o irmão que falhou, mas procuro diálogo, encontro de comunhão, de partilha. Perdoar significa estar sempre disposto a ir ao encontro, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade.

Este Evangelho recorda-nos aquilo que a primeira leitura já sugeria: quem faz a experiência do perdão, envolve-se numa lógica de misericórdia e de amor para com os irmãos, numa atitude marcada pela bondade, pela compreensão, pelo acolhimento e pelo amor.

SEGUNDA LEITURA (Rm 14,7-9) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos
Irmãos: Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto: para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

AMBIENTE - Paulo preocupa-se com os valores que marcam a vida daqueles que Deus chama à salvação.
Paulo considera que existem os “fortes” e os “fracos”. Os “fortes” são os que se libertaram da Lei e dos ritos e  acolheram o Evangelho. Os “fracos” são aqueles que fincam-pé nas leis, nos ritos e nas tradições antigas e não assumem o espírito do Evangelho. Provavelmente, estes dois grupos viviam em confronto, provocando divisão na comunidade. Os “fortes” não podem desprezar aqueles que não pensam como eles; e os “débeis” não têm o direito de julgar aqueles que têm, quanto à fé, uma outra perspectiva.

MENSAGEM - Paulo recorda que todos pertencem ao Senhor: “quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos”. Os crentes, antes de se deixarem dividir e separar por questões secundárias (que tipo de alimentos se devem comer, que festas se devem celebrar, que jejuns se devem fazer), devem ter consciência do essencial da fé e daquilo que os une: Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para a todos dar a mesma vida. A comunidade é uma família de irmãos, reunida à volta do mesmo Senhor.
ATUALIZAÇÃO - Paulo está consciente de que há vários caminhos válidos para chegar a Cristo e à sua proposta de salvação.. A diversidade não exclui a unidade. Por isso, a comunidade não é o lugar da intolerância, da incompreensão, do desrespeito pela diversidade de opiniões; mas é o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, da partilha e do perdão.
Paulo recomenda-lhes: “não julgueis nem condeneis os vossos irmãos; não esqueçais que a única coisa importante e decisiva é Cristo, a quem todos pertencemos”.
Às vezes perdemo-nos na discussão das coisas secundárias e esquecemos o essencial. Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.
 (Dehonianos)


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O PERDÃO.
O perdão após uma ofensa recupera a fraternidade, a paz e a alegria dos dois lados. Ele impede aquele círculo vicioso: A vingança gera violência e esta gera mais vingança.
O ressentimento faz aumentar o tamanho da ofensa recebida. No Pai Nosso, nós pedimos a Deus que nos perdoe do jeito que perdoamos os outros. Isso nos compromete.
Jesus disse em outra ocasião: “Não julgueis e não sereis julgados. Perdoai e sereis perdoados”. Ele mesmo, na cruz, nos deu o exemplo, quando rezou a Deus Pai pelos que o torturavam: “Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23,34). Mesmo morrendo, Jesus ainda encontra uma saída para perdoar, a ignorância E, assim, morreu unido a todos e sem mágoa de ninguém.
Perdoar não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é sinal de coragem, bravura e heroísmo. O motivo principal do nosso perdão é o mandamento de Deus.

Perdoar é uma decisão e não um sentimento. Perdoar não é esquecer tudo, ter uma amnésia! Perdoar é uma decisão. O que sente não interessa, porque a decisão de perdoar está no seu coração e você está livre. Você pode perdoar e continuar a sentir-se incomodado, aborrecido com a pessoa, mas pela Palavra de Deus, podemos ver que perdoar é fácil: não é um sentimento, é uma decisão.
Deus perdoou-nos e nos deu salvação. Nós não temos o direito de não perdoar aos outros. Quando tiver que perdoar alguém faça-o quer sinta ou não. Devo me lembrar de que o perdão mede a minha capacidade de amar.

Precisamos como, filhos de Deus, imitar as atitudes do Nosso Pai. Ele perdoa sempre, nós também devemos perdoar sempre! Quando fazemos a vontade de Deus, mostramos que somos seus amigos! Jo. 15:14.
Deus perdoa tudo, com a única condição de que nós devemos perdoar a quem nos ofendeu. Muitos, diante de criminosos, de assassinos, de terroristas, defendem com a maior naturalidade a vingança ou a pena de morte. Só Deus tem direito sobre a vida e sobre a morte. Só ele é o Juiz dos vivos e mortos.

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Perdoai-nos, ó Pai!

Uma atitude muito difícil na vida de uma pessoa, de uma família e também de uma Comunidade
é o PERDÃO.  - O que a Bíblia nos diz a respeito?

No Antigo Testamento, um aperfeiçoamento sobre o sentido do Perdão:
- Inicialmente a vingança era aceita: como método para compensar as injustiças recebidas e desencorajar a alguém a repeti-las.
- Posteriormente, a "Lei do Talião" visou limitar a vingança...
  Só podia ser proporcional à ofensa recebida: "dente por dente..."

+ A 1a Leitura de hoje é um apelo para superar a lógica dessa lei e adotar sentimentos de misericórdia e de PERDÃO. (Eclo 27,33-29,9)

- Estabelece uma relação clara entre o perdão de Deus e o perdão humano.
  Quem não perdoa o irmão, não poderá exigir o perdão de Deus.
- Ademais o pensamento da morte relativiza o agravo e nos faz pensar diferente.
- E a felicidade do homem não está em cultivar sentimentos de ódio e de rancor,  mas sim em cultivar sentimentos de perdão e misericórdia.

+ O Salmo nos mostra o Exemplo de Deus:
   "O Senhor é bondoso e compassivo... ele perdoa toda culpa..." (Sl 102)

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que a Comunidade cristã deve ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. (Rm 14,7-9)
Permanecer unidos no essencial e desprezar o secundário que nos divide.

+ No Evangelho, Jesus revela um caminho de Reconciliação. (MT 8,21-35)


+ Pedro consulta Jesus sobre os "limites do perdão": "Quantas vezes devemos perdoar"?
   Segundo a Tradição: 2, 3 ou 4 vezes no máximo... Pedro propõe até sete.
- Jesus responde: "70 x 7",  isto é,  Sempre e Todos, "um perdão sem limites", inclusive aos inimigos que os judeus não incluíam.

+ JESUS ilustra o seu pensamento, com uma Parábola:
    - Um Empregado devia uma fortuna imensa e, por compaixão, foi perdoado.
    - Em seguida, ele, sem compaixão, se recusa a perdoar um companheiro que lhe devia uma quantia irrisória: "Paga-me o que me deves"
    - O Rei indignado o castiga severamente... 

+ E Jesus conclui dizendo:
   "Assim agirá meu Pai com quem não perdoar seu irmão de todo o coração..."


* A PARÁBOLA É UMA CATEQUESE SOBRE A MISERICÓRDIA DE DEUS.

Mostra como, na perspectiva de Deus, o perdão é "sem limites", total e absoluto.
Depois convida-nos a analisar as nossas atitudes para com os irmãos que erram.

+ O testemunho de Jesus:
   - "Amar até os inimigos..."
   - No Pai Nosso: "Perdoai... como perdoamos..."
   - "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia".
   - "Se estiveres diante do altar... vá antes te reconciliar..."
   - No Filho Pródigo: o Pai misericordioso que perdoa com alegria...
   - Na Cruz: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem..." (desculpa...)

+ Motivos para perdoar:
- Deus nos perdoa, na mesma medida com que nós perdoamos...
- O amor é o distintivo do Cristão...
  E às vezes o amor só é possível através do PERDÃO...
  . Quantos casais se desfazem por falta de perdão...
  . Quantos filhos abandonam a família por falta de perdão...
  . Quantas pessoas deixam a comunidade por falta de perdão e acolhida.
- O Perdão ajuda a romper o círculo vicioso do ódio e da vingança.

+ O que significa perdoar?
   - Não é apenas não se vingar ou "ceder" sempre aos que nos ofendem...
     É estar sempre disposto a ir ao encontro, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade.

+ E NÓS como é que perdoamos?
   - Como Pedro, contamos quantas vezes? Uma vez sim, duas não...
   - "Perdôo, mas não esqueço... não falo... não o visito mais..."
       * Será esse o perdão generoso, "de coração", esperado por Deus?

   - Na Parábola, o servo que não perdoou foi para a prisão...
     A falta de perdão tem consequências pesadas para quem não perdoa... 
     Costuma provocar uma vida azeda e estressante...
     Só o perdão alivia e restitui a alegria... É a chamada "terapia do perdão".

+ Qual é a nossa atitude diante do perdão?
   - Temos humildade para pedir o perdão?
   - Demonstramos alegria e gratidão diante de um perdão recebido?
   - Somos generosos em oferecer o nosso perdão?

Sabemos que é difícil perdoar. Contudo, vale a pena não desistir. Quem faz a experiência do perdão de Deus e envolve-se numa lógica de misericórdia, deixa-se transformar por ele e assume com os irmãos uma atitude diferente, uma atitude marcada pela bondade, pela compreensão, pela misericórdia, pelo acolhimento, pelo Amor.
Amando e perdoando, abriremos espaço para um mundo melhor acontecer...
              
                                      Pe. Antônio Geraldo

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D. Henrique Soares
Caríssimos, no Evangelho ouvimos a parábola do devedor implacável. Recordemos que estamos terminando o capítulo 18 de São Mateus, no qual Jesus trata da vida da Igreja, a Comunidade dos seus discípulos. No Domingo passado, o Senhor Jesus nos mandava corrigir o caso o irmão nos fizesse o mal. Corrigir para salvar, corrigir para dar o perdão. Hoje, Pedro pergunta quantas vezes se deve dar o perdão a quem nos fez mal na Comunidade. Jesus responde: Perdoa sempre! Mas, aprofundemos esta Palavra de Deus que nos é dirigida como luz e caminho da nossa vida.
Uma coisa que a humanidade atual, tão cheia de si, não compreende é que a verdadeira liberdade nossa, a autêntica maturidade, somente é possível se formos abertos para Deus na nossa vida. O homem fechado em si é presa de suas paixões, de sua tendência à autoafirmação, à amargura, ao rancor, à vingança... Quando nos abrimos para Deus e temos a coragem de nos deixar medir por ele, aí sim, somos obrigado a nos deixar a nós mesmos e nos sentimos compelidos a ver, sentir e agir conforme o coração de Deus. Tomemos a primeira leitura da Missa. Observemos como Deus nos coloca freio, como nos educa, como nos serve de medida e modelo: “Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos. Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!” Eis, irmãos, Deus no colocando freio e rédeas às paixões! E por quê? Porque, como diz o Salmo: “Ele te perdoa toda culpa, e te cerca de carinho e compaixão. Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas nem nos pune em proporção às nossas culpas...” É esta a grande diferença entre quem crê e não crê, entre quem é aberto para Deus e para ele se fecha. Para quem crê, a medida é Deus, é o coração do Pai do céu, tal qual Jesus no-lo revelou!
Esta idéia aparece muito clara na segunda leitura de hoje. O Apóstolo nos recorda que a vida não nos pertence de modo fechado, absoluto; a vida é um dom e como dom deve ser vivida: “Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor”. Ele, portanto, é nossa medida, nosso critério e nossa realização; ele, que por nós morreu e ressuscitou, para ser o nosso Senhor.
Pensando nisso, detenhamo-nos, agora, no Evangelho. Como já disse, a questão aqui é ainda a vida na Igreja. Quantas vezes perdoar? Até quando conservar um coração aberto, disponível, sem deixar-se levar pela tristeza e a amargura, o rancor e o fechamento? Até quando manter a doçura, filha da esperança, fruto da certeza da vitória do Senhor? O Senhor Jesus nos adverte que o perdão deve ser dado sempre porque o coração do Pai, como o do rei da parábola, é assim: cheio de compaixão, capaz de perdoar toda a dívida. Observem, caríssimos, que Jesus começa dizendo que o Reino dos Céus é assim: o reinado de um rei que é Pai e perdoa. Ora, o Pai somente reina no coração de quem perdoa como ele mesmo perdoa, como ele mesmo nos perdoou e acolheu em Jesus, que morreu e ressuscitou para ser o perdão de Deus para nós! Eis o que é a Igreja: o espaço, o ambiente no qual o reinado de Deus deve manifestar-se no mundo; lugar da misericórdia, do acolhimento, do amor, do perdão mil vezes, da esperança que não desiste, da doçura aprendida e bebida daquele Coração aberto na cruz. A Igreja deve ser assim, Não porque sejamos bonzinhos, mas porque aprendemos assim do coração do Pai de Jesus. Com efeito, como experimentará o perdão de Deus quem tem o coração fechado para os outros? Quem reconhecerá de verdade que tudo deve a Deus e nunca pagará o bastante quem não perdoa as dívidas dos irmãos? É preciso que compreendamos ser impossível experimentar Deus como amor e doçura – e nosso Deus é assim; Jesus no-lo revelou assim! – se não nos deixar inundar pelo amor e doçura de Deus, inundar nosso coração, até transbordar para os irmãos!
Caríssimos, no Senhor, que o silêncio da oração, que a contemplação persistente do Cristo e de seus gestos e palavras, que a participação piedosa, recolhida e devota da Eucaristia, faça o nosso coração aprender do Coração do Pai de Jesus. Eis aqui como a Comunidade chamada Igreja – esta Comunidade reunida para a Eucaristia – será sinal do Reino, início do Reino, semente do Reino. Somente assim, poderemos dizer ao mundo sedento de Deus: Vinde e vede! Que o Senhor no-lo conceda. Amém!


HOME: REVISTA: Ciência Dezembro/2007

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/423/imagens/humanidade1.jpgDe acordo com o estudo da equipe da Universidade de Cambridge, os africanos possuem a maior variação genética encontrada no planeta.
Humanidade uma origem única - O mais novo estudo sobre a origem humana, feito por cientistas liderados pelo geneticista Andrea Manica, da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha), mostrou que o homem provém da África subsaariana. A pesquisa concentrou- se em duas perguntas: de onde viemos e quando começamos a nos espalhar pelo mundo. Tudo indica que derivamos de uma espécie que surgiu na África há 150 mil anos, antes de começar as migrações que levaram a raça humana a dominar a Terra.
Os cientistas fizeram um estudo de variação genética da humanidade (diferenciação de DNA das populações) e uma comparação entre mais de seis mil esqueletos de povos nativos encontrados em locais como América, África, China e Austrália. Para eles, as variações, tanto genéticas quanto físicas, indicam que a humanidade teve apenas um ancestral. “Achamos evidências para um ser originário da África, localizado em algum local do centro-sul do continente, que abriga maior diversidade intrapopulacional fenotípica”, diz Manica. “Não encontramos nenhuma evidência de uma segunda origem.”
A pesquisa constatou que a variação genética dos povos diminui conforme as pessoas vivem em regiões mais afastadas da África. Índios sul-americanos e aborígines australianos, por exemplo, tinham variação genética menor do que os povos mais próximos do continente de origem. Os africanos são a etnia com a maior variação genética do mundo.
A idéia pode ser comparada a uma tigela de água cheia de gotas coloridas, que representam a variação genética. Algumas gotas saíram da tigela, levando consigo uma pequena fração da diversidade genética. Ao se reproduzirem, estas reduzem ainda mais a variação de genes de seus descendentes.
HÁ DUAS TEORIAS sobre a origem humana. Uma afirma que o Homo sapiens surgiu na África e migrou para povoar o mundo, substituindo outros supostos ancestrais. Pela outra, a “Hipótese Multirregional”, ondas sucessivas de Homo sapiens vieram da África e, a partir de cruzamentos com outros tipos de seres humanos da Ásia e da Europa, surgiu o homem atual. Se isso ocorreu, a humanidade possui uma bagagem genética muito maior do que se houvesse evoluído de um único ancestral.
Até hoje não se sabe o que levou nossos ancestrais à extinção. Se eles foram “substituídos” pelos modernos, como isso ocorreu? Pode ter sido resultado de uma competição por comida, na qual o Homo sapiens extinguiu o grupo nativo. É possível que haja descendentes do Homo sapiens com o Homo erectus e o Neandertal, mas ainda não se achou evidência disso.

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MOMENTO DE LOUVOR (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, O NOSSO DEUS...
- POR JESUS, COM JESUS E EM JESUS, LOUVEMOS AO PAI, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO:
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai misericordioso, nós Vos bendizemos pela longa aprendizagem ao perdão na qual formastes o vosso povo desde o tempo de Moisés. Nós Vos louvamos pela pedagogia da misericórdia e pelas mensagens de paz. Nós Vos pedimos por todas as populações ainda submetidas ao ciclo do ódio, do terrorismo, do rancor e da vingança cega.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai, bendito sejais por nos dar o vosso amor.
Vos agradecemos por nos enviar Vosso Filho para nos ensinar o caminho da felicidade eterna. Vos damos graças por nos conceder a vitória sobre a morte.
Nós Vos pedimos por todos os batizados para que vivam como cidadãos do alto e promovam o amor e o perdão na construção de Vosso Reino. 
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai do céu, Deus de paciência, Vós que perdoastes a nossa imensa dívida, bendito sejais pelo perdão que nos liberta e nos dá felicidade. Vos pedimos: que o Vosso Reino venha aos nossos corações, que todas as nossas comunidades manifestem a presença do Vosso Reino na nossa terra, como um reino de paz, em que o perdão é dado do fundo do coração.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus! 
Pai nosso... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus... 


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

23º Domingo do Tempo Comum

23º Domingo do Tempo Comum ANO A 2017 (Diácono Ismael)

Tema: Todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura fala-nos do profeta como uma “sentinela”. Como sentinela responsável alerta a comunidade para os perigos que a ameaçam.
O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina que o correto para atingir esse objetivo não passa pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos a colocar no centro o mandamento do amor.

PRIMEIRA LEITURA (Ez 33, 7-9) Leitura da Profecia de Ezequiel.
Assim diz o Senhor: “Quanto a ti, filho do homem, eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel. Logo que ouvires alguma palavra de minha boca, tu os deves advertir em meu nome. Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte. Mas, se advertires o ímpio a respeito de sua conduta, para que se arrependa, e ele não se arrepender, o ímpio morrerá por própria culpa, porém tu salvarás tua vida”.

AMBIENTE - Ezequiel é conhecido como “o profeta da esperança”. Ezequiel exerce a sua missão profética entre os exilados judeus. A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (data do seu chamamento) e 586 a.C. (data em que Jerusalém é arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma segunda leva de exilados é encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperanças e anuncia que, ao contrário do que pensam os exilados, o cativeiro está para durar… Eles não só não vão regressar a Jerusalém, mas os que ficaram em Jerusalém (e que continuam a multiplicar os pecados e as infidelidades) vão fazer  companhia aos que já estão desterrados na Babilônia.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estão desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador – esse Deus que Israel descobriu na sua história – não os abandonou nem esqueceu.
O profeta é, entre os exilados, como uma sentinela atenta, que escuta os apelos de Deus e que avisa o Povo dos perigos que aparecem no horizonte da comunidade.

MENSAGEM - A sentinela é o vigilante atento que, quando pressente o perigo, tem a obrigação de dar o alarme. Se a sentinela não vigiar ou se não der o alarme, será responsável pela catástrofe que atingiu o seu Povo. Assim é o profeta. Ele é esse guarda que Jahwéh colocou no meio da comunidade do Povo de Deus, para perscrutar atentamente o horizonte da história e da vida do Povo e para dar o alarme sempre que a comunidade corre riscos.
Para que o profeta seja uma sentinela eficiente, ele tem de ser, simultaneamente, um homem de Deus e um homem atento ao mundo que o rodeia.
O profeta é, antes de mais, um homem que Jahwéh chamou ao seu serviço. Eleito por Jahwéh, chamado para o serviço de Jahwéh, ele vive em comunhão com Deus; e nessa intimidade que vai criando com Deus, ele descobre a vontade de Deus e aprende a discernir os projetos que Deus tem para os homens e para o mundo. Ao mesmo tempo, o profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.
Ao contemplar os planos de Deus apercebe-se de que a realidade da vida dos homens é muito diferente dessa realidade que Deus projetou. Diante disto, o profeta tem que dizer a todos – mesmo que recusem escutá-lo – que continuar a trilhar esses caminhos errados não pode senão conduzir à infelicidade, ao sofrimento, à morte.
O profeta/sentinela é, em última análise, um sinal vivo do amor de Jahwéh pelo seu Povo. É Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que o apóia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão… O profeta/sentinela é a prova de que Deus continua a oferecer ao seu Povo caminhos de salvação e de vida. O profeta/sentinela demonstra que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.

ATUALIZAÇÃO - • Pelo Batismo, todos nós fomos constituídos profetas. Recebemos a missão de dizer que certos valores que o mundo cultiva são responsáveis por muitos dos dramas que afligem os homens.
• O profeta/sentinela tem de ser alguém que vive em comunhão com Deus, medita a Palavra de Deus e vai percebendo o que Deus quer para os homens. É dessa relação forte com Deus que o profeta/sentinela tira a coragem para falar, para denunciar e para agir.
• O profeta/sentinela tem de estar atento aos acontecimentos da vida nacional e internacional e tem de aprender a ler os acontecimentos à luz de Deus e do projeto de Deus.

SALMO 94 (95) ;Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

EVANGELHO (Mt 18,15-20) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público. Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.

AMBIENTE – Na comunidade de Mateus existem tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os débeis; há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros… Para responder a este quadro, Mateus elaborou uma exortação que convida à simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, dos pobres e dos excluídos, ao perdão e ao amor. Ele desenha, assim, um “modelo” de comunidade para os cristãos de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma família de irmãos, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor.

MENSAGEM - Em primeiro lugar, Mateus propõe um encontro com o irmão que provocou conflitos e que se fale com ele cara a cara sobre o problema. O caminho correto não passa, por dizer mal “por trás”, por criticar publicamente (ainda que não se invente nada), e muito menos por espalhar boatos, por caluniar, por difamar. O caminho correto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto, sereno, compreensivo e tolerante com o irmão em causa.
Se
esse encontro não resultar, Mateus propõe uma segunda tentativa. Essa nova tentativa implica o recurso a outros irmãos que, com serenidade, sensibilidade e bom senso, sejam capazes de fazer o infrator perceber o sem sentido do seu comportamento.

Se também essa tentativa falhar, resta o recurso à comunidade. A comunidade será então chamada a confrontar o infrator, a recordar-lhe as exigências do caminho cristão e a pedir-lhe uma decisão. No caso de o infrator se obstinar no seu comportamento errado, a comunidade terá que reconhecer, com dor, a situação em que esse irmão se colocou a si próprio; e terá de aceitar que esse comportamento o colocou à margem da comunidade. Mateus acrescenta que, nesse caso, o faltoso será considerado como “um pagão ou um cobrador de impostos”. Isto significa que os pagãos e os cobradores de impostos não têm lugar na comunidade de Mateus? Não. Ao usar este exemplo, o autor deste texto não pretende referir-se a indivíduos, mas a situações. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que estão instaladas em situações de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salvação.
A Igreja tem o direito de expulsar os pecadores? Mateus não sugere aqui, com certeza, que a Igreja possa excluir da comunhão qualquer irmão que errou. Na realidade, a Igreja é uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere é que a Igreja tem de tomar posição quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada, recusa a proposta do Reino e realiza atos que estão frontalmente contra as propostas que Cristo veio trazer. Nesse caso, contudo, nem é a Igreja que exclui o prevaricador: ele é que, pelas suas opções, se coloca decididamente à margem da comunidade. A Igreja tem, no entanto, que constatar o fato e agir em consequência.
Depois desta instrução sobre a correção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus.
O primeiro refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas aí Pedro representava a comunidade dos discípulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs.
O segundo sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Assegura aos discípulos, reunidos em oração, que o Pai os escutará.
O terceiro garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.

ATUALIZAÇÃO • O Evangelho deste domingo sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Convida-nos a respeitar o nosso irmão, mas a não pactuar com as atitudes erradas que ele possa assumir. Amar alguém é não ficar indiferente quando ele está a fazer mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar… É preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de não concordar com ele, de lhe fazer observações que o vão magoar; no entanto, trata-se de uma exigência que resulta do mandamento do amor…
• Sobretudo, é preciso que a nossa intervenção junto do nosso irmão não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas seja guiada pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a sua conversão; e essa lógica devia estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irmãos que falharam. O que é que nos leva, por vezes, a agir e a confrontar os nossos irmãos com os seus erros: o orgulho ferido, a vontade de humilhar aquele que nos magoou, a má vontade, ou o amor e a vontade de ver o irmão reencontrar a felicidade e a paz?
• A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de denúncia e de condenação, diante de atos que afetam gravemente o bem comum… No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa e os seus atos errados. As ações erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas ações devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, a quem se acolhe e a quem se dá sempre outra oportunidade de acolher as propostas de Jesus e de integrar a comunidade do Reino.

SEGUNDA LEITURA (Rm 13,8-10) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos: Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei. De fato, os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não cobiçarás” e  qualquer outro mandamento se resumem neste: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.

AMBIENTE - Deus oferece a todos a salvação; ao homem resta acolher o dom de Deus, aderindo a Jesus e à sua proposta… Mas a adesão a Jesus implica assumir, na prática do dia a dia, atitudes coerentes com essa vida nova que o cristão acolheu no dia do seu batismo.

MENSAGEM - Paulo exorta os crentes de Roma a construir toda a sua vida sobre o amor. O cristianismo sem amor é uma mentira. Qualquer dívida pode ser liquidada de uma vez; mas o amor não: em cada instante é preciso amar e amar sempre mais. O cristão nunca poderá cruzar os braços e dizer que já ama o suficiente ou que já amou tudo: ele tem uma dívida eterna de amor para com os seus irmãos.
No mandamento do amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor.

ATUALIZAÇÃO • Na última ceia Jesus resumiu desta forma a proposta que veio apresentar aos homens: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). Este não é “mais um mandamento”, mas é “o mandamento” de Jesus. Na nossa experiência cristã, só o amor é essencial; tudo o resto é secundário.
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Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles.

Neste Evangelho, Jesus nos fala a respeito da correção fraterna. O modo de Deus agir para corrigir os que erram é através dos próprios cristãos, uns corrigindo os outros. Daí as orientações que Jesus nos deu neste Evangelho. Corrigir em particular porque pode acontecer que estávamos enganados ou mal informados. Quantos casos se esclarecem nesses contatos pessoais, e morrem ali mesmo!

O discernimento em grupo é mais objetivo do que a nossa opinião particular. Pode acontecer que essas pessoas que chamamos nos convençam de que a pessoa está certa, e a questão termina ali.
Os nossos julgamentos nem sempre são objetivos. Somos influenciados por muitos fatores, como a simpatia ou antipatia, o estado emocional naquela hora, a desinformação... Por isso que devemos ser humildes e consultar outras pessoas.
Outro motivo para convidar pessoas é que: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. E com Jesus presente, é claro, tudo funciona melhor. Jesus supõe também que vai haver diálogo, no qual a pessoa que errou terá oportunidade de se explicar. Daí para frente, a decisão, se a pessoa está errada ou não, é grupal e não mais pessoal nossa.

“Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como um pagão ou um pecador público.” Agora sim, podemos e devemos contar para os membros da Comunidade, para que todos saibam distinguir o que é certo e o que é errado. Mas noventa e nove por cento dos casos se resolvem antes de chegar a esse ponto.
Em relação às pessoas que persistem no erro, Jesus não quer que cruzemos os braços. São ovelhas desgarradas que nós devemos sempre procurar, para tentar trazê-las de volta ao rebanho.
O grande problema em relação à correção fraterna é que nós frequentemente invertemos a ordem desses passos apresentados por Jesus, e começamos pelo último, que é comentar com os outros, antes mesmo de falar com a própria pessoa que errou.
O contrário também acontece: uma pessoa está dando um escândalo, continua participando da Comunidade, e ninguém a adverte nem toma providência. Assim, a Comunidade perde o brilho e o povo começa a deixá-la, a começar com os jovens.
Ao corrigir alguém, devemos ser humildes, expressando os nossos sentimentos, de tal modo que a pessoa perceba que estamos querendo o bem dela, e nada mais. Fazendo assim, a pessoa não se sente humilhada e vai até nos agradecer. “Aquele que quer aprender, gosta que lhe digam o que está certo” (Prov 12,1).
S. Paulo nos lembra o perigo de a pessoa fazer a nossa cabeça e nós também entrarmos no erro dela.
Devemos também ser compreensivo e paciente com os que erram, não querendo que mudem da noite para o dia.
E neste Evangelho Jesus fala: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. Veja como é importante a vida em Comunidade! Em outras palavras, Jesus diz: Tudo o que vocês, como Comunidade, fizerem, e as decisões que tomarem, Deus assina embaixo. Por exemplo, se uma pessoa morre legitimamente dentro da Igreja da terra, e em comunhão com ela, é certo que estará eternamente dentro da Igreja celeste, junto com Deus, com seus anjos e santos, inclusive junto com os seus parentes que faleceram também dentro da Igreja.

Na antigüidade, alguns imperadores maometanos eram chamados de sultões. Eles eram senhores absolutos. Certa vez, um sultão teve um sonho triste. Sonhou que seus dentes iam caindo, um por um, até ele ficar banguela.
No dia seguinte, ele chamou um adivinho e lhe pediu que interpretasse o sonho. O adivinho lhe disse, com um ar triste: "Majestade, este sonho prediz uma grande desgraça. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade".
O sultão, enfurecido, lhe respondeu: "Mas que atrevimento! Fora daqui!" E mandou que aquele adivinho fosse açoitado.
Mandou chamar outro adivinho. Este, após ouvir o sonho, sorriu e disse: "Grande felicidade está reservada para vossa majestade. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes".
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso; e mandou dar cem moedas de ouro a este adivinho.
Os dois adivinhos disseram a mesma coisa, só que de maneira diferente. O primeiro de forma negativa e o segundo de forma positiva.
Este é o segredo da correção. Apresentar o lado positivo da pessoa, pois todos temos qualidades e virtudes. Só o diabo é totalmente ruim, assim como só Deus é totalmente bom.
A Comunidade cristã tem uma Mãe zelosa para com seus filhos e filhas desgarradas. Com seu jeito de mãe, ela sabe como corrigir. Que ela nos ajude a praticar bem este mandamento de Jesus, da correção fraterna. 

"Sentinelas de Deus"
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Estamos no mês de Setembro, dedicado à BÍBLIA.
A melhor homenagem que podemos fazer à Palavra de Deus  é acolhê-la e procurar vivê-la na vida de cada dia.  Nela sempre temos uma resposta, uma luz para todas as situações da vida.

Uma situação concreta, que muitas vezes nos aflige: Diante de uma pessoa amiga que está no erro,
que atitude devemos tomar: Falar ou calar? As leituras bíblicas de hoje nos dão uma resposta...

Na 1a Leitura, o profeta Ezequiel aparece como uma "SENTINELA", que Deus colocou a vigiar a "Casa de Israel". (Ez 33,7-9)

- SENTINELA é o guarda atento, que perscruta o horizonte para prevenir o Povo de possíveis perigos.
Quando percebe um perigo, deve dar o sinal combinado. Assim a comunidade poderá preparar-se para enfrentar o inimigo. Se não o fizer, será RESPONSÁVEL pela catástrofe.

- PROFETA é a Sentinela do Senhor no meio do Povo para perscrutar atentamente a realidade e alertar os perigos que a ameaçam. Como profundo conhecedor de Deus e das realidades dos homens, o profeta não pode ficar indiferente diante de uma pessoa má e corrupta.
Ezequiel é conhecido como o "Profeta da Esperança". Aos exilados, que estão em terra estrangeira, privados do Templo, do sacerdócio e do culto, e duvidam da bondade e do amor de Deus, alimenta a esperança de que Deus não os abandonou nem esqueceu. Deus continua a amar o seu Povo e a enviar seus profetas.

* Na Igreja, todos somos profetas ("sentinelas"), portanto RESPONSÁVEIS também pelo destino dos nossos irmãos.

Na 2a leitura, Paulo ensina que o AMOR é a plenitude da Lei e caminho para corrigir o irmão que erra. (Rm 13,8-10)

* O verdadeiro amor não deixa as pessoas como são, com seus defeitos. Por isso, faz parte do amor corrigir com humildade o irmão, que está errado. A correção fraterna é fácil quando animada pela caridade e muito difícil quando a comunhão fraterna não existe.

O Evangelho sugere o modo de proceder com o irmão que errou. (Mt 18,15-20)

Como corrigir o irmão que errou e provocou conflitos na Comunidade?
O Evangelho propõe um caminho em VÁRIAS ETAPAS:

- 1o Passo: Um encontro pessoal a sós com esse irmão...

* Muitas vezes costumamos espalhar o erro ao quatro ventos... 
   O AMOR é mais importante do que a VERDADE...
   A verdade nua e crua, muitas vezes destrói a convivência entre as pessoas, pode arruinar uma família e destruir um casamento...

* Convém dizer sempre toda a verdade?
  A verdade que não produz amor, mas provoca perturbações, gera discórdias, ódios e rancor, não deve ser dita.
  Ex.:   - Mãe que esconde atitude dos filhos ao esposo, para evitar conflitos...
            - Esposo convertido deve contar o passado infiel? è Falando, "Vai ajudar?" (Calando, quantos dissabores evitaríamos!)
               Saber quando devemos calar... quando devemos falar... e como falar...

- 2o Passo: Se ele não ouvir, pedir a ajuda de OUTRAS PESSOAS, que tenham sensibilidade e sabedoria...

- 3o Passo: Se essa tentativa também falhar, levar o assunto à COMUNIDADE para recordar ao infrator as exigências do caminho cristão.                  
                  Mas a intervenção deve ser guiada pelo amor.
                  * Como vemos, recomenda-se que fique tudo em casa...
      Ex.  - Falar mal da própria Comunidade: é negativo...
                - da família: Pode aumentar os ressentimentos... "roupa suja se lava em casa".
              - Você ouviu um "crente" falar mal da sua igreja ou do seu pastor?
                 Você ouviu um católico falar mal da sua paróquia ou do seu padre?
                 
- Finalmente: Se persistir no erro, será considerado um gentio, um pagão.
     Não é a Igreja que exclui o infrator, é ele que recusa a proposta do Reino e se coloca à margem da Comunidade.

+ E o Evangelho acrescenta uma Exortação à ORAÇÃO em comum:
"Se dois estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhe será concedido por meu Pai que está nos    céus. Pois, onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles".

Isso quer nos lembrar que, quando a correção não for possível por outros meios, ainda poderá ser possível pela oração, feita em comum, em nome de Jesus.

* Deus pode contar com você como uma "SENTINELA" fiel?

As ações erradas devem ser condenadas; os que as cometeram devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, se acolhe e se dá sempre outra oportunidade para voltar...

                                          Pe. Antônio Geraldo
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Correção fraterna: sinal de amor verdadeiro

Como é bom encontrarmos irmãos que querem o nosso bem. No cristianismo, a correção fraterna sempre foi o um bem admirado, ainda que, frequentemente, pouco compreendido e, talvez, praticado com escassez. Jesus, no dia de hoje, explica-nos de várias maneiras como corrigir quem erra. À pessoa que é corrigida, o Senhor lhe dirige essas palavras: “aquele que ama a correção ama a ciência, mas o que detesta a reprimenda é um insensato” (Prov 12,1). Perguntemo-nos: queremos que os outros nos ajudem? Desejamos que os nossos irmãos nos corrijam? Temos essa sensatez de quem é consciente de que sozinho não podemos chegar à meta da santidade e de que, portanto, necessitamos da ajuda dos irmãos na fé? São Cirilo dizia que “a repreensão que melhora os humildes costuma ser intolerável aos soberbos”. O humilde deseja ser ajudado, o soberbo basta-se a si mesmo e… quebra a cara!
Também, na literatura profana, encontramos exemplos de ajuda mútua, de orientação e de correção. É edificante ler que Circe de lindas tranças, na Odisséia (Homero), explica ao valente Ulisses como ele deve passar por entre as sereias de belas vozes sem deixar-se arrastar pelo seu harmonioso canto e, desta maneira, não terminar destinado ao cemitério de ossos humanos putrefatos. Ulisses, obediente, à voz de Circe, explica aos seus companheiros que devem ter os seus ouvidos untados com cera para não escutarem a voz das sereias. Ulisses, ao contrário, escutaria a voz das sereias, mas com a seguinte precaução: pede aos seus companheiros que lhe atem os pés e as mãos com cordas. Feitas as coisas desta maneira, chega o momento da terrível prova. Em efeito, Ulisses encantado com as vozes das sereias pede aos seus companheiros que lhe desatem, mas Perímedes e Euríloco, em vez de obedecer, ataram-lhe com mais cordas. Desta maneira, os amigos leais passaram incólumes por essa grande provação.
Nós também, se formos amigos leais ou, melhor ainda, se formos irmãos leais, ajudaremos os nossos irmãos. Não os ataremos com cordas para que não pequem, mas lhes daremos os oportunos conselhos para não ofenderem o Senhor e falar-lhes-emos da importância de ser prudentes nisso ou naquilo; caso errarem, lhes corrigiremos com caridade. Nem mesmo perderemos a oportunidade de advertir-lhes – esse é o coração da correção fraterna – sobre alguma coisa que represente algum perigo para eles, especialmente em relação à salvação eterna. O amigo atencioso e cheio da caridade cristã procurará inclusive prever as dificuldades do outro e procurará conduzi-los a bom porto.
Não podemos permitir que episódios semelhantes àqueles que aconteceram nos primórdios da criação continuem sucedendo. Você se lembra? Depois que Caim matou Abel, Deus lhe pergunta: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9). Caim, covarde e falto de sinceridade, responde ao Senhor: “Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Deus não quis dar uma resposta ao interrogante de Caim, mas, sem dúvida, a resposta seria “sim, você é o guarda do seu irmão”. Todos nós temos a responsabilidade de ajudar os outros, temos que cuidar dos nossos irmãos pois… são nossos irmãos!
Talvez seja esse o momento de recordar que há uma obra de misericórdia espiritual que acolhe em si a boa ação da correção a um irmão. “Instruir, aconselhar, confortar são as obras de misericórdia espiritual, como também perdoar e suportar com paciência” (Cat. 2447). Aconselhar! Aí se encontra, portanto, a correção fraterna entre as obras de misericórdia.
Quando não se pratica a correção fraterna é muito fácil cair na murmuração ou nas indiretas. No primeiro caso, murmuração, a coisa se transforma em fofoca; no segundo, dar indiretas, se procura o momento mais oportuno para disparar uma flecha venenosa com uma língua de serpente. “Isso chama-se: bisbilhotice, murmuração, mexerico, enredo, intriga, alcovitice, insídia…, calúnia?… vileza? – É difícil que a “função de dar critério” de quem não tem o dever de exercitá-la, não acabe em “negócio de comadres”” (S. Josemaría Escrivá, Caminho, 449).
Como irmãos em Cristo, temos o dever de corrigir-nos e o direito a que nos corrijam. Vou insistir no direito: é preciso inclusive pedir aos outros que, por favor, nos façam oportunas observações. Quando se tem a humildade de receber uma correção fraterna em silêncio, sem justificar-se, com um sorriso e com um agradecido “obrigado” nos lábios, é sinal de que realmente estamos sendo movidos pelo Espírito de Deus, de que temos autêntico desejo de santidade e de que sabemos ver nas correções que nos fazem o interesse dos nossos irmãos em ajudar-nos. Tenhamos por certo que as pessoas que nos corrigem querem o nosso bem. Os pais, por exemplo, que amam os seus filhos não omitem a oportuna correção. Advertir, corrigir, aconselhar é sinal de carinho verdadeiro pelas pessoas; isto é, porque queremos o bem delas, procuramos afastar para longe delas tudo aquilo que possa fazer-lhes dano.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de D. Henrique Soares
Nossa meditação da Palavra do Senhor neste Domingo pode ser desenvolvida em cinco afirmações. Ei-las:
(1) Cristo está presente na sua Igreja; jamais a deixará, “pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Caríssimos, quantas vezes tal afirmação foi distorcida como se bastasse que uns quatro gatos pingados se reunissem com a Bíblia e aí estaria Jesus. Nada disso! O sentido é exatamente o contrário. Aqui, neste capítulo 18 de São Mateus, Jesus está falando sobre a vida da Igreja, comunidade que ele fundou e entregou aos apóstolos, tendo Pedro por chefe. Os dois ou três aos quais se refere o Senhor são os líderes da Comunidade que vão decidir a questão do irmão que não quer ouvir os outros e divide a Comunidade! O que a Igreja liga ou desliga na terra – e são os pastores (os Bispos com o Papa) que têm, em última análise, essa responsabilidade – o Senhor ratifica no céu: “Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu!” A autoridade que Cristo deu a Pedro de um modo todo especial, deu-a, aos demais Bispos, os pastores autênticos da sua Igreja, em comunhão com Pedro. Pois bem, onde dois ou três, como Igreja, estiverem reunidos em nome do Senhor, ele estará ali, ratificando suas decisões. Que fique claro: não se pode agradar a Cristo, ser-lhe fiel, rompendo com a sua Igreja! Ela, por mais que seja frágil por causa da nossa fragilidade, é a Comunidade que o Senhor reuniu, sustenta e na qual se faz presente atuante!
(2) Essa Igreja é uma Comunidade de amor. O amor cristão não é simplesmente amizade ou simpatia humana, mas o fruto da presença do próprio Espírito de Amor, o Espírito Santo em nós: “O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado!” (Rm 5,5) É desse amor que fala São Paulo no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios; é esse amor que “cobre uma multidão de pecados” (Tg 5,20), é esse amor que é “a plenitude da Lei”. Só ama assim quem se abre para o amor de Cristo, deixando-se guiar e impregnar pelo seu Espírito de amor! Ora, caríssimos, a Igreja deve ser o ambiente impregnado desse amor, mais forte que nossas diferenças de temperamento, de opiniões, de modo de agir… Onde está o amor, a caridade, Deus aí está; onde o amor reina, o Reino de Deus está presente neste mundo! A Igreja deve ser o lugar do amor, lugar do Reino!
(3) Essa Comunidade de amor é Comunidade de compromisso, de responsabilidade no seguimento de Cristo. Por isso, não se pode usar o amor para acobertar a covardia, a tibieza, a frieza para com o Senhor e os irmãos e os demandos na Comunidade! O amor é exigente: “O amor de Cristo nos impele” (cf. 2Cor 5,14). A infidelidade ao amor a Cristo e aos irmãos é, precisamente, o pecado, que gera a divisão, a desunião, que faz sangrar a Igreja. Por isso Jesus nos exorta à correção fraterna, desde aquela simples, feita entre irmãos, até a correção formal e mais solene, feita pelo Bispo ou até mesmo pelo Papa, como Chefe Supremo da Igreja de Cristo neste mundo: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo; se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas; se ele não der ouvido, dize-o à Igreja”. Muitas vezes, vê-se confundir amor e misericórdia com a covardia ou o comodismo de não corrigir. Ora, caríssimos, a correção é um modo de amar, é um modo de preocupar-se com o outro e com a Comunidade que é ferida pelo pecado e o mau exemplo. A correção pode salvar o irmão. Quantos escândalos nas nossas Comunidades poderiam ter sido evitados se houvera a correção no momento oportuno e do modo discreto e sincero que Jesus nos recomenda. Isso vale para a Igreja menorzinha, que é nossa família doméstica, vale para o grupo do qual participamos, vale para a paróquia, a diocese e a Igreja universal (não a “do Reino de Deus”, mas a de Cristo!), espalhada por toda a terra. A omissão em corrigir é covardia, é falta de amor à Comunidade que é a Igreja, é pecado de omissão e desatenção pelo irmão. Certamente, tal correção deverá ser feita sempre com amor, com discernimento, com caridade fraterna. São Bento, na sua Regra, dá um preceito encantador: “In tribulationem subvenire” – poderíamos traduzir assim: “socorrer na tribulação”. Mas, a palavra latina é subvenire: vir por baixo, vir de baixo. Ou seja, socorrer sim, corrigir sim, mas com a humildade de quem vem por baixo para sustentar, amparar e ajudar, para salvar; não vem com a soberba de quem está por cima para massacrar! Corrigir, sim, mas como Deus, que em Jesus, veio por baixo, na pobreza do presépio e na humilhação da cruz! Aí a correção terá mais chance de surtir efeito!
(4) Na Comunidade de amor às vezes pode ser necessária a punição. Pode ser que não surta efeito a correção fraterna; pode ser que aquele que é corrigido teime na sua dureza de propósito e repouse no erro. Jesus mesmo prevê tal possibilidade no Evangelho de hoje. E, então, o próprio Senhor exorta a que tal irmão seja punido. Que escândalo para a nossa mentalidade atual! O pobre do Papa Bento XVI, antigo Cardeal Ratzinger, sabe o quanto foi difamado porque teve que impor penalidades a teólogos ou outros irmãos que, após a correção, não se emendaram! A nossa tendência é somente recordar do Senhor as palavras que agradam! No entanto, a punição na Igreja não é pela vingança ou o desafogo, mas deverá ser sempre medicinal, isto é, para produzir o arrependimento e a correção, restabelecendo a paz na Comunidade e a salvação do irmão. Que os pais tenha a coragem de corrigir, os Bispos e o Santo Padre também. Aliás, de João Paulo II e Bento XVI, sabemos que a têm, graças a Deus!
(5) Qual o fruto de uma comunidade assim? A saúde fraterna: a alegria de viver como irmãos: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão!” Oh, que palavra tão doce: ganhar o irmão! Eis aqui o motivo último da correção fraterna! Pensemos bem, caríssimos: a Igreja não é um clube de amigos, mas uma família de irmãos em Cristo! É o amor do Senhor Jesus Cristo que nos une. A alegria da comunhão fraterna somente será experimentada na sinceridade das nossas relações. Correção, sim; crítica destrutiva, murmuração, difamação, não! Neste sentido, todos nós precisamos fazer um sério exame de consciência, seja em nível de família, como naquele de grupos e paróquias e, até mesmo, de Diocese!
São esses os aspectos que a Palavra de Deus nos põe hoje. Recordemos a exortação do Senhor pela boca de Ezequiel: se não corrigirmos o irmão e ele morrer no seu pecado, a culpa é nossa; se ele se corrigir, ganhamos o irmão: viveremos nós e viverá ele – eis a marca do Reino de Deus neste mundo! Que ele aconteça em nossas comunidades! Amém.
D. Henrique Soares
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LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI.:
T: Deus de Amor e de Misericórdia, nós vos  louvamos.
- Bendito sejais, Deus de amor, que nos chamais a ser amor também em nossa comunidade. Nós Vos louvamos pelos profetas que nos enviais para nos guiar. Pai, que o vosso Espírito nos purifique das más condutas que desvalorizam o nosso testemunho de bons discípulos.
T: Deus de Amor e de Misericórdia, nós vos  louvamos.
- Deus de amor, Nós Vos damos graças pelos exemplos de amor que nos destes em Jesus. Vossos santos nos mostram como devemos amar a todos que nos rodeiam. Nós Vos pedimos: tornai-nos abertos ao vosso Espírito de amor. Que ele nos torne conscientes e fortes para que tenhamos mais amor por nossos irmãos.
T: Deus de Amor e de Misericórdia, nós vos  louvamos.
- Deus justo e bom, fazei que nos tornemos mais compreensivos e mais cheios de zelo para com os irmãos. Que sejamos vigilantes em anunciar o vosso projeto e a denunciar tudo que vai contra o vosso Reino de amor. Que o vosso Espírito seja para nós fonte de discernimento e de coragem!
T: Deus de Amor e de Misericórdia, nós vos  louvamos.
... Pai nosso...  A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...