quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2º DOMINGO do Tempo comum, homilias, subsídios homiléticos

2º DOMINGO DO  TC ANO B 2015 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Ouvir a Deus; “Fala, Senhor, que teu servo escuta!”

SINOPSE:
Primeira leitura; Samuel: O chamado é sempre iniciativa de Deus.
Evangelho: Para João, o discípulo é aquele que reconhece no Cristo o Messias E o segue, vive com ele e anuncia-O aos irmãos.
Segunda: No crente que vive em comunhão com Cristo deve manifestar-se sempre a vida nova de Deus.

LEITURA I – 1 Sam 3,3b-10.19  Samuel dormia... O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’»...; o Senhor estava com ele...

AMBIENTE - fase pré-monárquica. Samuel simultaneamente juiz, sacerdote e chefe dos exércitos. Uma reflexão sobre o chamamento de Deus e a resposta do homem.

MENSAGEM - A vocação é iniciativa de Deus: Deus dirige-Se a Samuel enquanto este estava deitado. É o momento do silêncio, da tranquilidade.
A dificuldade de Samuel em reconhecer a voz do Senhor.
É Eli que compreende “que era o Senhor quem chamava”.
Finalmente a disponibilidade para ouvir Deus: “fala, Senhor; o teu servo escuta”.
No mundo bíblico, “escutar” não significa apenas ouvir; mas, acolher no coração e transformar aquilo que se ouviu em compromisso de vida.

ATUALIZAÇÃO • A vocação é sempre iniciativa de Deus. Um profeta não se torna profeta para realizar sonhos pessoais, … O profeta torna-se profeta porque escutou Deus a chamá-lo e a confiar-lhe uma missão.

• é mais fácil ouvir a sua voz nesse ambiente de silêncio.
• Samuel não identificou a voz de Deus sozinho, mas recorreu à ajuda do sacerdote Heli… Os irmãos de caminhada podem ajudar-nos a identificar a voz de Deus.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 39 (40)
Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!
• Esperando, esperei no Senhor / e, inclinando-se, ouviu meu clamor. / Canto novo ele pôs em meus lábios, / um poema em louvor ao Senhor.
• Sacrifício e oblação não quisestes, / mas abristes, Senhor, meus ouvidos; / não pedistes ofertas nem vítimas, / holocaustos por nossos pecados.
• E então eu vos disse: “Eis que venho!” / Sobre mim está escrito no livro: / Com prazer faço a vossa vontade, / guardo em meu coração vossa lei!”
• Boas novas de vossa justiça / anunciei numa grande assembleia; / vós sabeis: não fechei os meus lábios.

EVANGELHOJo 1,35-42 «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus.: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi, onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas.

AMBIENTE -: “quem é Jesus?” João apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Espírito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da água e do Espírito.

MENSAGEM - João viu Jesus “que passava” e indicou-O dizendo: “eis o cordeiro de Deus”. João é que prepara os homens para acolher o Messias libertador; “cordeiro pascal”, símbolo da libertação oferecida por Deus ao seu Povo, prisioneiro no Egito. Jesus como o enviado de Deus, que vem inaugurar a nova Páscoa e realizar a libertação definitiva dos homens.
Os discípulos reconhecem em Jesus esse Messias e seguem-no. “Seguir Jesus” Significa caminhar atrás de Jesus, percorrer o mesmo caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, adotar os mesmos objetivos de Jesus e colaborar com Ele na missão.
 (“que procurais?”) sugere que é importante, para os discípulos, terem consciência do objetivo que esperam de Jesus. Talvez, há quem segue Jesus por motivos errados, procurando n’Ele a realização de objetivos pessoais que estão longe da oferta que Jesus.
(“rabbi, onde moras?”). Vontade de aderir totalmente a Jesus, de aprender com Ele, de habitar com Ele, de estabelecer comunhão de vida com Ele.
rabbi”, indica que estão dispostos a seguir as suas instruções, a aprender com Ele.
Jesus convida-os: “vinde ver”. significa que Ele aceita a pretensão dos discípulos e os convida a segui-lo, a aprender com Ele, a partilhar a sua vida.
Nasce, assim, a comunidade do Messias, a comunidade da nova aliança.
Num terceiro momento, os discípulos tornam-se testemunhas.

ATUALIZAÇÃO - • O cristão é aquele que acolheu o chamado de Deus para seguir Jesus Cristo. É ver n’Ele o Messias libertador com uma proposta de vida verdadeira e eterna, aceitar o desafio de entrar na sua casa e de viver em comunhão com Ele.

• Quem experimenta a vida que Cristo oferece, não pode calar essa descoberta; mas deve sentir a necessidade de partilhar com os outros, a fim de que também eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua existência.

LEITURA II – 1 Cor 6,13c-15a.17-20 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. Fugi da imoralidade. Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus?.

AMBIENTE - Corinto, cidade nova e próspera, servida por dois portos de mar: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento. A riqueza de alguns contrastava com a miséria da maioria. De ambiente corrupto: moral, disputas, lutas, sedução da sabedoria filosófica de origem pagã.
No centro da cidade, o templo de Afrodite, a deusa grega do amor, atraía os peregrinos e favorecia os desregramentos e a libertinagem sexual.
 “«tudo me é permitido», mas nem tudo é conveniente.

MENSAGEM: Pelo Batismo, o cristão torna-se membro de Cristo e forma com ele um único corpo. As palavras, as atitudes do cristão devem ser os de Cristo e devem testemunhar, diante do mundo, o próprio Cristo. No “corpo” do cristão manifesta-se, portanto, a realidade do “corpo” de Cristo.
Por outro lado, o cristão torna-se também Templo do Espírito. “Templo do Espírito” significa que eles são agora o lugar onde reside e se manifesta a vida de Deus.
O “corpo” não é algo desprezível; mas tem dignidade, pois é nele que se manifesta para o mundo a realidade da vida de Deus.
É através de comportamentos e atitudes onde se manifesta a realidade da vida nova de Jesus que os crentes podem “prestar culto” a Deus.
É preciso que em todas as circunstâncias – inclusive no campo da vivência da sexualidade – a vida do crente seja entrega, serviço, doação, respeito, amor verdadeiro. É esse o culto que Deus exige.

ATUALIZAÇÃO  •: Deus chama-nos a acolher a vida nova que Ele nos oferece e a dar testemunho dela em cada instante da nossa existência.
• Acolher o chamamento de Deus significa assumir, em todos os momentos, comportamentos coerentes com a nossa opção por Cristo e pelo Evangelho. Nada do que é egoísmo, exploração do outro, abuso dos direitos e dignidade do outro pode fazer parte da vida do cristão.
• Para o cristão, tudo o que signifique explorar os irmãos ou desrespeitar a sua dignidade é um comportamento proibido.
• O cristão tem de ter consciência de que “nem tudo lhe convém”.
• Paulo sugere que o verdadeiro culto é uma vida coerente, traduzida em gestos concretos de amor, de doação, de respeito pelo outro e pela sua dignidade.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros da Palavra):



LOUVOR Jo 1, 35-42 (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
- T  Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Abençoado seja o Vosso nome, pois sois eterno e único. Sois poderoso e repleto de amor. Sois o nosso Deus e somos o vosso povo. Pai, que saibamos ouvir a Vossa voz quando nos falais através das sagradas leituras e através dos irmãos da comunidade de vossa Igreja.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai! Sois o Deus do universo! Fazei reinar, agora e sempre o vosso Reino na vida de todos os que receberam o batismo.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Pelo batismo nos tornaste vosso templo santo. Santo é vosso Nome e os santos vos louvarão para sempre.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai! João Batista nos indicou o Vosso envidado, o messias, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus”. Com vosso Filho entre nós, uma nova páscoa, um novo tempo, uma nova criação se deu entre nós. Transformados por Jesus, vosso Filho, somos também vossos Filhos prediletos.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Sendo vossos filhos, estabelecei o vosso Reino na nossa vida e na vida de todas as comunidades. Que vosso Reino venha a nós e seja feita a Vossa vontade.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
 PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS...


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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

A liturgia de hoje nos convida a pensar se Deus se dirige a nós e fala conosco. Eu gostaria de em primeiro lugar, eu vejo que aqui tem bastante gente que tem criança pequena. Olha como Eli orientou aquela criança chamada Samuel. Samuel ouvia alguma coisa e pensava: é Eli que está chamando. E Eli compreendeu que era o Senhor.  Ora, nós somos chamados por Deus desde o nosso nascimento. É na medida que nós vamos crescendo e nos tornando adultos, agente acaba impedindo de ouvir a Palavra de Deus, porque temos tantas outras coisas a nos preocupar. Samuel não conseguia distinguir quem falava com ele. Então, quem narrou esta história de Samuel diz: Ele não distinguia quem era o Senhor, porque não distinguia ainda a sua Palavra. Que bom se nós nos preocuparmos com o desenvolvimento das crianças, mas o desenvolvimento integral, que inclui o encontro com o Senhor, o encontro com Deus. É que as vezes, nós mesmos não sabemos nos encontrar com Deus. Então, como é que eu posso ajudar a criança? Então aqui vai uma dica preciosa: para conhecer a Deus é necessário se encontrar com a sua Palavra, com a Palavra de Deus. Por isso, A Igreja nos orienta as leituras da semana. Para que? Para podermos nos encontrar com o Senhor. Agora, este é um ponto importante; o nosso encontro com o Senhor vai nos ajudar a compreender que nós somos chamados a ter uma vida de MORALIDADE. Não podemos ter prática imoral. Quando agente fala em prática imoral, muita gente (claro que estou generalizando) já pensa em sexo. Imoralidade o que é? Sexo, pornografia? Quando na realidade imoralidade é tratar o outro SEM NENHUM CRITÉRIO. Olha, o Evangelho nos ensina amai-vos uns aos outros. Jesus ainda nos ajuda a compreender ainda de forma mais clara: “Amai vos uns aos outros, como EU vos amei”.  De forma que eu sou chamado a gastar a minha vida para ajudar o outro, para salvar o outro. Então, o que é uma atitude imoral? É quando eu desrespeito o próximo, quando eu xingo uma pessoa, quando eu grito com o outro,  grito com a esposa, com os filhos, com os pais, isto é atitude IMORAL. Quando eu me prevaleço do outro, ganho dinheiro à custa do outro, isto é imoral. Quando de fato eu sou corrupto, isto é imoral. Muitas pessoas pensam que não têm imoralidade porque são bem regradas no sexo. Não! Isto seria restringir, estreitar a compreensão. Claro que também implica a questão sexual, mas não é somente ela. Então, ter uma atitude MORAL, porque somos membros de Cristo. Então, respeito com o próximo. Isto vale para as crianças também. Cada vez mais agente vê crianças não respeitando os mais velhos, então estamos ensinando atitudes imorais. São Paulo nos diz que o cristão tem uma atitude moral. Mais alguém poderia dizer: aqui está falando em fornicação. Ora, se olharmos no dicionário, fornicação é quando eu trato o outro como um objeto. E aí eu posso ser objetos em vários sentidos. Por exemplo: nós vamos ver muitos fornicadores nos procurando este ano, pensando na eleição. Não porque estão com atenção conosco, mas porque querem ganhar um voto. Isto é fornicação. É quando eu utilizo do outro para o meu interesse próprio.  E inclusive isto serve também para o sexo. Às vezes, pensamos no nosso prazer e não do irmão. Não do companheiro ou companheira. E acaba fazendo do nosso ato uma fornicação. Na realidade, fornicação é muito mais amplo, do que normalmente nos é mostrado.  Muito bem. Então nós já sabemos da atitude do cristão, sabemos como ouvir a Deus e aí vem o evangelho. O Evangelho é muito interessante, porque João Batista está com dois discípulos seus e diz: Ali está o Cordeiro que tira o pecado do mundo.  Imediatamente eles foram atrás de Jesus. Jesus olha e diz: o que vocês estão buscando? Eles disseram: mestre, onde moras? Não sei se já percebemos o quanto agente gosta de endereços. Todo mundo tem uma agenda de endereços. De e-mail, de endereços, mas raramente agente utiliza. Então, Jesus se nega a dar endereço. Ele disse: vocês querem ver onde eu moro? Vinde e vede. Então, Jesus é direto. Ele não fica assim: passa lá em casa quando quiser. Não! Vinde e vede. E diz que eles foram e passaram aquele dia com Ele. Não ficaram o dia inteiro, não! É exagero ficar o dia inteiro com Jesus, porque você não vai agir. Diz que era lá pelas quatro horas da tarde. Daí pra frente. O resto do dia é para você ir trabalhar. É evidente isto. As pessoas dizem: não, eu estou a serviço do Senhor e não fazem nada, ficam somente ali. Não fazem nada e não estão a serviço de ninguém. Isto é interessante, pois não sabemos como foi este encontro no certo, mas foi um encontro pessoal. A Este encontro pessoal  é nós somos chamados a fazer com Jesus, ir até onde Ele mora. André saiu de lá tão animado, que ele foi contar pro Pedro; Olha, nós encontramos o Messias, o Cristo. O Pedro vai, e aí Jesus diz: tu és Simão, serás chamado pedra. E nós sabemos que é daí que Ele vai edificar a sua Igreja. Se fôssemos nós, iriamos dizer: tem que ser André, porque ele foi o primeiro a encontrar o Cristo.  Mas isto nos ajuda a compreender algo também. Eu sou chamado, cada um aqui é chamado a mostrar o Cristo para o outro. Mas a missão de cada um, quem vai confiar é o próprio Jesus.  Eu não posso dizer; Cristo está te chamando para fazer isto, isto, isto. Não!  Cristo é o nosso Messias, vá ver onde Ele mora. Vá ter um encontro com Ele. Ele vai dizer o que espera de você. Este é o grande convite da liturgia de hoje. Nós devemos estar sempre atentos, para ter este encontro com o Senhor e a partir daí, realizar a missão que Ele nos confia. É assim que somos chamados a praticar a nossa fé; sendo pessoas que respeita o próximo, sendo pessoas atentas às palavras de Deus, e claro, se alimentando da Eucaristia, porque muitas vezes nos acabamos desviando do caminho, mas também desanimados por falta de força necessária que vem de Cristo. Seria muito bom se nós pedíssemos, nesta celebração de hoje, para que o Senhor continue nos chamando, nos convocando e que nós tenhamos a mesma atitude de São João Batista e de André; anunciar o Cordeiro que tira o pecado do mundo.  Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO  – DIOCESE DE SANTO ANDRÉ, SÃO PAULO.
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Mestre, onde moras?

Após as festas natalinas, iniciamos os domingos do Tempo Comum, apresentando nas leituras do Evangelho, o
início da vida pública de Jesus e os primeiros encontros com os discípulos.

A Leituras falam do CHAMADO de Deus.

Na 1ª Leitura, SAMUEL, no silêncio da noite, se ENCONTRA com Deus, que o "chama". (1Sm 3,3b-10-19)

- A Vocação é sempre uma iniciativa misteriosa e gratuita de Deus.
O Profeta torna-se profeta porque um dia escutou Deus a chamá-lo pelo NOME e a confiar-lhe uma missão.
- A Voz de Deus se faz ouvir no silêncio da noite.
Longe das preocupações do dia a dia, o ambiente é mais favorável  para ESCUTAR os apelos e os desafios de Deus.
- Samuel não reconhece logo e sozinho a voz de Deus. Só consegue após quatro vezes e com a ajuda do sacerdote Eli. Deus não desiste diante de nossa surdez...
- Samuel responde: "Fala, Senhor, o teu servo escuta".
É a expressão de uma total disponibilidade, abertura e entrega face aos desafios e aos apelos de Deus.
* A Vocação de Samuel ilustra a vocação de todos nós.

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que, pelo Batismo, o cristão se ENCONTROU com Cristo e se tornou templo do Espírito Santo.
Não podemos profanar esse templo. (1Cor 6,13c-15a.17-20)

No Evangelho, temos o ENCONTRO dos PRIMEIROS DISCÍPULOS com Jesus. (Jo 1,35-42)

O Texto faz parte da semana inaugural no Evangelho de João e apresenta um modelo de chamado e de seguimento de Jesus.
O chamado nasce do testemunho de João Batista, a partir do qual formou-se uma corrente. Ninguém chega a Jesus sozinho...
- João Batista reconhece o Cristo que "passa" e aponta a dois discípulos, André e Filipe: "Eis o Cordeiro de Deus…"
- Os Dois Discípulos seguem o Cristo de longe, timidamente.
- Cristo vai ao encontro deles e começa o Diálogo:    "Que procurais"? - "Mestre, onde moras"?    "Vinde e vede"…
    Foram e permaneceram com ele todo o dia…
- No dia seguinte: André leva o irmão Pedro até Cristo:   Felipe chama Natanael: "Encontramos o Cristo".




* Só podemos encontrar Jesus, se alguém nos fala dele.
   O Batista introduziu seus discípulos a Jesus,    em seguida os discípulos procuraram outros candidatos.

VOCAÇÃO: Busca e Convite:
O Cristão é, antes de tudo, aquele que acolhe o chamado de Deus para seguir Jesus Cristo. Esse seguimento tem um caminho a percorrer...

- "O que estais procurando?"
São as primeiras palavras de Jesus no evangelho de João.
Nós também estamos à PROCURA de algo e de alguém... 
Como os discípulos, procuramos saber quem é Jesus...
* O que estais buscando na vida? Qual a razão principal que nos move?

 - "Mestre, onde moras?"
A resposta dos discípulos é movida pelo desejo de comunhão.
Os discípulos não estão interessados em teorias sobre Jesus.
Querem, ao contrário, criar laços de intimidade com ele. "Onde moras?"

- "Vinde e Vede"
Para criar intimidade com Jesus, são convidados: "Vinde e vede".
É o encontro com Jesus na intimidade, na simplicidade e acolhimento...
E o resultado da experiência aparece:
"Então eles foram e viram onde Jesus morava.
E permaneceram com ele naquele dia".

* Discípulo de Jesus é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias libertador, que está
disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita o convite de Jesus para entrar na sua casa e para viver em comunhão  com ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-lo aos outros irmãos.

- Samuel reconheceu a voz de Deus e acolheu prontamente...
- João Batista: reconheceu a presença de Cristo no meio da multidão e   o indicou como Salvador.                                                                         
- Os Discípulos também reconheceram a presença de Cristo,   com alegria o anunciaram a seus amigos e o seguiram prontamente…

Deus também nos chama e convida para fazer parte da Comunidade de Jesus...
- Temos a mesma disponibilidade de Samuel:   "Fala, Senhor, que teu servo escuta".
- Temos o mesmo ardor missionário dos primeiros discípulos, que partiram com entusiasmo para anunciar aos amigos  o tesouro que encontraram?

Cristo conta com Você!...
                
                                           Pe. Antônio Geraldo

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Homilia de D. Henrique Soares

Caríssimos em Cristo, após as santas festas do Tempo do Natal do Senhor, estamos iniciando o Tempo Comum. Terminada ontem a primeira semana deste tempo “verde”, entramos hoje no Segundo Domingo chamado Comum: comum do dia-a-dia, da vida miúda, vivida na presença do Senhor que está sempre presente na sua Igreja na potência do seu Espírito Santo, dando vigor à Palavra e eficácia aos sacramentos. 

            A Escritura que escutamos nesta Missa falou-nos de um Deus que chama, que entra na nossa vida e nos dirige o seu apelo. Foi assim com Samuel que, novinho, sequer sabia reconhecer a voz do Senhor; foi assim com os primeiros discípulos, traspassados pela palavra do Batista que, apresentando o Cordeiro de Deus, quase que forçava aqueles dois, André e Tiago, a seguirem Jesus. E lá vão eles: “Rabi, onde moras? Onde tens tua vida?” E Jesus os convida: “Vinde e vereis! Somente se tiverdes a coragem de virdes comigo, de comigo permanecerdes, podereis ver de verdade!” Não é impressionante, quase que inacreditável, caríssimos, que Deus nos conheça pelo nome, que o Senhor nos chame e nos queira parceiros seus no caminho da vida? E, no entanto, é assim! Também nós somos conhecidos pelo nome, nossos passos, nosso coração, nossa vida são conhecidos pelo Senhor... E ele nos chama com amor. A nós, que estamos procurando a felicidade e a realização na vida, o Senhor também dirige a pergunta: “O que estais procurando?” Vinde, caríssimos, fiquemos com o Senhor e encontraremos aquilo que nosso coração procura, aquilo que faz a vida valer a pena. 
            Mas, esse “estar com o Senhor”, esse “permanecer com ele”, que é o início da própria vida eterna já neste mundo, não pode se dar sem que realmente sejamos de Cristo, com todo o nosso ser, corpo e alma. Aqui aparece com toda clareza a urgência e atualidade da advertência de São Paulo, feita aos coríntios e a nós. Corinto era uma cidade particularmente devassa do Império Romano. E, como hoje, os cristãos eram tentados a “corintiar”, a entrarem na onda, achando tudo normal, moderno e compatível com a fé. O Apóstolo, em nome de Cristo, desmascara essa ilusão, tão comum entre os cristãos de hoje. Ouçamo-lo! É incômodo, é chato, mas é a Palavra de Deus, que nos ilumina, liberta e nos salva... Ouçamo-la! “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo!” Eis cristão: teu corpo pertence ao teu Senhor Jesus Cristo que nele habita pela potência do seu Espírito Santo desde o dia do teu Batismo: “Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Compreende, cristão! Tu pertences a Cristo, tu és sagrado porque no Batismo foste consagrado pelo Espírito de Cristo que habita em ti! Teu corpo foi lavado pela água, símbolo do Santo Espírito, foi ungido pelo óleo batismal, sinal da graça de Cristo, foi untado pelo santo Crisma, sinal da força e da energia do Espírito de Cristo; teu corpo foi alimentado com o Corpo do Senhor... Teu corpo é sagrado, cristão, teu corpo é santo, teu corpo pertence ao Senhor! “Portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Solteiro ou casado, todos nós temos o dever sagrado, o dever de amor de fugir da imoralidade! À medida que o paganismo avança, perde-se o sentido cristão do corpo e da sexualidade! Tem-se a idéia que o corpo é para o prazer, para a satisfação da libido; pensa-se que o corpo é uma coisa, um objeto de prazer, que a bel prazer pode ser usado... Isso pensam os pagãos, isso vivem os pagãos. Nós sabemos que não é assim: “O corpo é para o Senhor e o Senhor é para o corpo...” para este corpo, que será ressuscitado para a glória de Cristo! 
            Eis, caríssimos em Cristo, os pecados de hoje: a impureza (ou seja a busca do prazer solitário e de atos e pensamentos sensuais que aguçam propositalmente o erotismo), a fornicação (isto é, o ato sexual antes do casamento com pessoas do mesmo ou do outro sexo) o adultério (ou seja, a relação fora do casamento). Nunca deveremos esquecer qual a verdade do Evangelho: o ato sexual somente é santo, responsável, bendito e plenamente agradável a Deus no casamento. Fora dele, é sempre um pecado – e esta regra não conhece nenhuma exceção! E mais: a vida sexual do casal deve ser santa. Como diz a Palavra do Senhor: “O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Hb 13,4). 
            Caríssimos, o modo que os cristãos têm de vivenciar a sexualidade não pode ser o modo dos pagãos. Eles seguem seus caprichos, suas paixões... Nós, mesmo frágeis, mesmo com nossos instintos e tendências muitas vezes desordenadas, por amor do Cristo que nos amou, temos o dever de lutar para colocar nossa sexualidade debaixo do senhorio de Cristo! Esse senhorio é mistério de cruz, mas também de ressurreição. Nós, que somos um só corpo com o Senhor pelo Batismo e a Eucaristia, nós que pelo Espírito Santo nos tornamos uma só coisa com o Senhor, de corpo e alma, não podemos pensar e viver nossa sexualidade como os pagãos! Então, jovem solteiro, jovem solteira, tua vida sexual, teu namoro, devem ser vividos à luz do Senhor Jesus! Casados cristãos, vossa vida conjugal não deve ser como a dos pagãos, sujeita e ditada simplesmente pela libido... Vossa sexualidade deve ser vivida na luz do Senhor! Homossexual cristão, vive tua tendência de modo cristão, lutando para seres casto, recorrendo à oração, completando corajosamente na carne da tua vida e da tua luta, aquilo que falta à paixão do Cristo. Procura viver dignamente, procura acompanhamento espiritual e coloca em Cristo a tua esperança e a tua alegria. Solteiro cristão, vive tua sexualidade na castidade e na continência por amor a Cristo! Padre, religioso, religiosa, tem coragem e generosidade para viveres o que prometeste a Cristo diante de toda a Igreja reunida no dia da tua profissão religiosa ou da tua ordenação sacerdotal! O Senhor nos pedirá contas, a todos nós! Ninguém está acima da Palavra, ninguém está acima do juízo do Cristo Jesus! 
            Talvez, caríssimos, alguns de vocês pensem como os judeus pensaram ao término do Discurso sobre o Pão da Vida: “Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (Jo 6,60). Pois bem, a nós, com doçura e também com firmeza o Senhor diz: “Isto vos escandaliza? Quereis também vós ir embora?” (Jo 6,61.67). Não é fácil, irmãos! Não somos melhores nem mais fortes que ninguém... Sentimos em nós pensamentos, afetos e desejos contraditórios... Mas, sabemos que Cristo nos chamou, nos amou e por nós entregou a vida. Então, que digamos como Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tens palavra de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,69). 
            É isto, caríssimos, dizer na vida como Samuel disse: “Eis-me aqui”; é isto atender ao convite do Senhor: “Vinde e vereis”; é isto, finalmente, “ir ver onde ele mora e permanecer com ele”.  Que ele nos dê também a nós a sua graça! Amém.

D. Henrique Soares

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Epifania do Senhor, Homilias, Subsídios homiléticos

EPIFANIA DO SENHOR ANO B 2018 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Epifania do Senhor: A manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é a “luz” que atrai a todos os povos.  Primeira leitura: Anuncia a chegada da luz de Jahwéh, que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
Evangelho: Ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Segunda leitura:  O projeto salvador de Deus vai atingir toda a humanidade numa mesma comunidade de irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 60,1-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está
a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. Trata-se de um profeta, pós-exílio, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilónia, nos anos 537/520 a.C.; Deus para trazer a salvação definitiva ao seu Povo. Então, Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo será reconstruído e Deus habitará para sempre no meio do seu Povo.

MENSAGEM - Inspirado pelo sol nascente que ilumina as construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã, o profeta sonha com uma Jerusalém muito diferente daquela que os retornados do Exílio conhecem; essa nova Jerusalém levantar-se-á quando chegar a luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Nesse dia, Jerusalém vai atrair os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, a cidade será repovoada; além disso, povos de toda a terra – atraídos pela promessa do encontro com a salvação de Deus – convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas (nomeadamente incenso, para o serviço do Templo) e cantando os louvores de Deus.

ATUALIZAÇÃO - O projeto de libertação que Jesus veio apresentar aos homens será a luz que vence as trevas do pecado e da opressão e que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 71 (72)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
• Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres.
• Nos seus dias a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra!
• Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo.
• Libertará o indigente que suplica, / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará.

EVANGELHO (Mt 2,1-12) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

AMBIENTE - O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de Deus aos homens de toda a terra.

MENSAGEM - Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-lo a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar fatos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacó (cf. Nm 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguro para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contato com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-no como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagão-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direção a Jesus.

ATUALIZAÇÃO
• Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados).
• Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
• Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?
• Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.

SEGUNDA LEITURA (Ef 3,2-3a.5-6) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

AMBIENTE - A Carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
Na parte dogmática da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre “o mistério”: depois de um hino que põe em relevo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da salvação (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes angélicos e do seu papel de cabeça da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situação universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); expõe, ainda, como é que Cristo – realizando “o mistério” – levou a cabo a reconciliação de judeus e pagãos num só corpo, que é a Igreja (cf. 2,11-22)… O texto que nos é proposto vem nesta sequência: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do “mistério” diante dos judeus e diante dos pagãos (cf. Ef 3,1-13).

MENSAGEM - É esse “mistério” que Paulo aqui desvela … Paulo insiste que, em Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não se destina exclusivamente aos judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou Igreja), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias com os judeus, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.

ATUALIZAÇÃO - • A primeira novidade é que Cristo é a revelação e a realização plena desse projeto. A segunda novidade é que esse projeto não se destina apenas “a Jerusalém” (ao mundo judaico), mas é para ser oferecido a todos os povos.
• Destinatários, todos, do mistério, somos “filhos de Deus” e irmãos uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade…

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho


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Homilia do Pe. PEDRINHO

Cada ano somos convidados a voltar o olhar para a epifania do Senhor.  Jesus que se manifesta o messias para todo o ser humano. Esta festa tem como símbolo principal a LUZ. Qual a razão? Porque a luz ocupa muitas páginas da Bíblia, tanto no antigo como no novo testamento. Já na primeira página que fala da criação, o texto diz: No princípio era o caos e Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita. Houve tarde e manhã; primeiro dia. Esta luz não pode ser confundida com o sol, porque no relato da criação, o sol será criado no quarto dia. O sol é o luzeiro maior para iluminar o dia e o luzeiro menor para iluminar a noite, que é a lua. Nós sabemos que esta luz será de grande ajuda para o povo de Deus. Na libertação do povo no Egito, nós temos o sarça ardente, uma luz que brilha, um fogo que não consome a sarça. E através desta sarça, Deus se comunicando com Moisés, dizendo: “Você deve me ajudar a libertar o meu povo. Depois vamos ver uma coluna de fogo acompanhando o povo que era escravo no Egito para a terra prometida. Esta luz, coluna de fogo, ilumina o caminho para aqueles que vão para a terra prometida e ofusca os olhos dos egípcios. Nós temos esta mesma manifestação de Deus, através do fogo, apresentada para nós, através de São João Evangelista e de São Paulo. São João vai dizer: No princípio era a palavra, a palavra estava em Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Ele é a LUZ que veio a este  mundo, mas o mundo preferiu as trevas. Então, São João nos apresenta Jesus, como sendo esta luz. Também são Paulo na caminhada para Damasco, em pleno sol do meio dia no deserto, vê uma luz muito mais forte do que o sol, senão ele não teria percebido esta luz. E no encontro com esta luz, descobre que esta luz é Jesus, apresentado então como luz do mundo. O próprio Jesus disse: Eu sou a luz do mundo e vós sois a luz do mundo; ninguém acende uma lâmpada para colocar debaixo da cama, mas em lugar que ilumina todo o ambiente. Jesus se apresenta como luz e espera de cada um que sejamos luz. Como posso ser luz? O batismo me concede isto. No batismo somos apresentados ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. O Pai se revela como luz na sarça ardente, o Filho se revela como luz na medida em que abre os olhos do cego, o Espírito Santo se revela como luz na medida que se revela como luz de fogo em Pentecostes e se reparte em línguas de fogo sobre os apóstolos e vai iluminar a compreensão de cada ser humano. No batismo recebemos uma vela, onde se diz; recebei a luz de Cristo. Esta luz vos é entregue para que alimenteis, esforçai-vos para que caminheis sob a luz que é o Cristo e possas ir ao seu encontro quando Ele vier. Esta vela é acesa naquela outra vela que é o Círio, que tanto lembra a coluna de fogo no antigo testamento, quanto Jesus ressuscitado, Círio este que nós acendemos no sábado santo, na vigília da Páscoa da Ressurreição.
Então veja, que todo este símbolo, toda esta grandeza simbólica para nos ajudar a experimentar Jesus. Como podemos ligar tudo isto com a liturgia de hoje? Primeiro porque Isaías vai dizer que Jerusalém tem como vocação ser a luz para o mundo, pois para lá se dirigirão todos os povos de todos os países e trarão para Deus ouro e incenso.
São Paulo vai dizer; eu de fato descobri o mistério e quero revelar a vocês; através do Evangelho de Jesus Cristo, a promessa de Deus se estende a toda a humanidade. Isto ele descobriu no encontro com Deus, na pessoa de Jesus, no deserto.
Mateus então vai nos ajudar que de fato Jesus é esta luz que veio para iluminar as nações e a cada ser humano, pois Jesus é o grande Messias. De que maneira ele nos anuncia isto? Contando, relatando a história dos magos. É interessante, que os magos vão ao encontro de Jesus e encontrarão Jesus na manjedoura, e encontrarão Jesus no colo de Nossa Senhora e ali oferecem os seus presentes. É interessante que Mateus adiciona, coloca um presente a mais; Isaías dissera que Ele receberia ouro e incenso. Ouro simbolizando toda a realeza e o incenso toda a Divindade. São Mateus vai dizer que tem a Mirra também. Jesus é revelado como a luz do mundo em sua paixão e morte de cruz. A Mirra simboliza o sofrimento enfrentado por Jesus. Nós sabemos bem, que no momento  da morte, do meio dia às três da tarde, houve trevas sobre toda a terra, que é exatamente a ausência da luz. Jesus vence as trevas para nos trazer a luz do dia, mas o dia do Senhor. Portanto, Mateus assim nos ensina que através dos magos, Jesus pode brilhar como a luz para todos os povos, porque nenhum dos magos pertence ao povo de Deus. Agora, Jesus é luz para todo aquele que o acolhe como sendo a luz. É evidente, que a luz que estamos falando, eu a enxergo com os olhos da fé. É por isto mesmo que somos chamados a enxergar esta luz, cada vez que participamos da Eucaristia.
O que tem de haver a Eucaristia com esta luz? Em primeiro lugar, quando nós nos encontramos na Igreja, é como os magos fizeram; agente vem toda parte para se encontrar com Jesus. E onde eu me encontro com Jesus? Na Eucaristia  (em grego: εὐχαριστία = "reconhecimento", "ação de graças"). Jesus se apresenta na patena, pratinho onde eu coloco o alimento. Portanto, Jesus se apresenta na Manjedoura. E eu vou ao encontro de Jesus para adorá-lo. Por isto, é muito interessante, que Jesus tem que nascer em Belém. Porque Belém significa a casa do pão. Se Jesus é o pão, o alimento para todos nós. Ele além de ser a Luz, é também o nosso alimento. É muito interessante, porque inverteu o papel. Lá, os Magos foram presentear Jesus e aqui é Ele que nos presenteia com seu corpo e seu sangue. Então, como os Magos, hoje nós viemos ao encontro de Jesus e o que podemos presentar, dar de presente a Jesus? É você que escolhe o que pode lhe oferecer na sua vida. Sabemos que Jesus não precisa de nada. Ele no entanto nos fala: Senhor, quando foi te vimos com fome, com sede, preso, nu, necessitado? O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fazes. Então, o presente de Jesus é em vista do irmão, em vista do próximo. Será que eu posso ser uma luz para o irmão? Ajuda-lo a caminhar no caminho do Senhor, ajuda-lo a vencer as dificuldades da vida? As incertezas, os medos, a falta de alimento, a falta de um ombro amigo? É tudo isto que a liturgia nos convida a pensar e a refletir no dia de hoje.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO

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Homilia de D. Henrique Soares

Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).
 Na segunda leitura, Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!
Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos Herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes/ chegar o Rei que é Deus?/ Não rouba aos reis da terra/ quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… e termina matando e se matando!
Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”
Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?
Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).
Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.
 Dom Henrique Soares da Costa


LOUVOR PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)
:
LOUVOR: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, Louvemos ao Pai.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Bendito sejais, Pai, pois tanto nos amais que nos enviastes o vosso Filho para ser nossa luz, nossa verdade e a salvação de nossa vida.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Seja o vosso nome honrado, engrandecido e glorificado, pois através de vosso Filho, nos tornastes filhos adotivos e através de nosso batismo nos escolhestes como um povo predileto que se esforça para seguir os passos de Jesus Cristo.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Enviai-nos o Espírito Santo para que nos transformemos em pessoas mais dóceis aos ensinamentos de vosso Filho e possamos, cheios de esperança, caminhar rumo ao vosso Reino.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Os magos foram até Belém para se encontrarem com o Menino Jesus. Nós também aqui viemos para nos encontrar com o vosso Filho. Que vosso Filho seja reconhecido, glorificado, honrado e adorado por todos os povos.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...




quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Maria Mãe de Deus, homilias, subsídios homiléticos

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS
(Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Dia da Paz

SINOPSE:
Tema: Um olhar para Maria.
Na primeira leitura, sublinha-se a presença de Deus na nossa caminhada.
Evangelho: a chegada do projeto libertador de Deus provoca alegria e felicidade. Maria é o modelo do crente que é sensível aos projetos de Deus e que colabora com Deus na concretização do projeto divino de salvação para o mundo.
Na segunda leitura:, Deus nos envia seu filho e através dele nos torna também seus filhos.

6. PRIMEIRA LEITURA (Nm 6,22-27) Leitura do Livro dos Números.
O Senhor falou a Moisés, dizendo: “Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: O Senhor te abençoe e te guarde! ‘O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”.

AMBIENTE - O nosso texto situa-nos no Sinai, frente à montanha onde se celebrou a aliança entre Deus e o seu Povo… No contexto das últimas instruções de Jahwéh a Moisés, antes de Israel levantar o acampamento e iniciar a caminhada em direção à Terra Prometida, é apresentada uma fórmula de bênção, que os “filhos de Aarão” (sacerdotes) deviam pronunciar sobre a comunidade.
Provavelmente, trata-se de uma fórmula litúrgica utilizada no Templo de Jerusalém para abençoar a comunidade, no final das celebrações litúrgicas, antes de o Povo regressar a suas casas… Essa bênção é aqui apresentada como um dom de Deus, no Sinai.
A “bênção” (“beraka”) é concebida, no universo dos povos semitas, como uma comunicação de vida, real e eficaz, que atinge o “abençoado” e que lhe transmite vigor, força, êxito, felicidade. É um dom que, uma vez pronunciado, não pode ser retirado nem anulado. Aqui, essa comunicação de vida – fruto da generosidade e do amor de Deus – derrama-se sobre os membros da comunidade por intermédio dos sacerdotes (no Antigo Testamento, os intermediários entre o mundo de Jahwéh e a comunidade israelita).

MENSAGEM - Esta “bênção” apresenta-se numa tríplice fórmula, sempre em crescendo (no texto hebraico, a primeira afirmação tem três palavras; a segunda, cinco; a terceira, sete). Em cada uma das fórmulas, é pronunciado o nome de Jahwéh… Ora, pronunciar três vezes o nome do Deus da aliança é dar uma nova atualidade à aliança, às suas promessas e às suas exigências; é lembrar aos israelitas que é do Deus da aliança que recebem a vida nas suas múltiplas manifestações e que tudo é um dom de Deus.
A cada uma das invocações, correspondem dois pedidos de bênção: “que Jahwéh te abençoe (isto é, que te comunique a sua vida) e te proteja”; “que Jahwéh faça brilhar sobre ti a sua face (hebraísmo que se pode traduzir como ‘que te mostre um rosto sorridente e favorável’) e te conceda a sua graça”; que Jahwéh dirija para ti o seu olhar (hebraísmo que significa ‘olhar para ti com benevolência’, ‘acolher-te’) e te conceda a paz” (em hebraico: ‘shalom’ – no sentido de bem-estar, harmonia, felicidade plena).
Este texto lembra ao israelita que tudo é um dom do amor de Jahwéh e que o Deus da aliança está ao lado do seu Povo em cada dia do ano, oferecendo-lhe a vida plena e a felicidade em abundância.

ATUALIZAÇÃO
• Em primeiro lugar, somos convidados a tomar consciência da generosidade do nosso Deus, que nunca nos abandona, mas que continua a sua tarefa criadora derramando sobre nós, continuamente, a vida em plenitude.
• É de Deus que tudo recebemos: vida, saúde, força, amor e aquelas mil e uma pequeninas coisas que enchem a nossa vida e que nos dão instantes plenos. Tendo consciência dessa presença contínua de Deus ao nosso lado, do seu amor e do seu cuidado, somos gratos por isso? No nosso diálogo com Ele, sentimos a necessidade de O louvar e de Lhe agradecer por tudo o que Ele nos oferece? Agradecemos todos os dons que Ele derramou sobre nós no ano que acaba de terminar?
• É preciso ter consciência de que a “bênção” de Deus não cai do céu como uma chuva mágica que nos molha, quer queiramos, quer não (magia e Deus não combinam); mas a vida de Deus, derramada sobre nós continuamente, tem de ser acolhida com amor e gratidão e, depois, transformada em gestos concretos de amor e de paz. É preciso que o nosso coração diga “sim”, para que a vida de Deus nos atinja e nos transforme.

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 66 (67)
Que Deus nos dê a sua graça e a sua benção.
• Que Deus nos dê a sua graça e a sua benção, /
e sua face resplandeça sobre nós! /
Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos.
• Exulte de alegria a terra inteira, /
pois julgais o universo com justiça; /
os povos governais com retidão /
e guiais, em toda a terra, as nações.
• Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, /
que todas as nações vos glorifiquem! /
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, /
e o respeitem os confins de toda a terra

10. EVANGELHO (Lc 2,16-21) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.

AMBIENTE - O texto do Evangelho de hoje é a continuação daquele que foi lido na noite de Natal: após o anúncio do “anjo do Senhor”, os pastores (destinatários desse anúncio) dirigiram-se a Belém e encontraram o menino, deitado numa manjedoura de uma gruta de animais. Mais uma vez, Lucas não está interessado em fazer a reportagem do nascimento de Jesus, ou a crónica social das “visitas” que, então, o menino de Belém recebeu; mas está, sobretudo, interessado em apresentar uma catequese que dê a entender quem é esse menino e qual a missão de que ele foi investido por Deus. Nesta catequese fica bem claro que Jesus é o Messias libertador, enviado a trazer a paz; e há também uma reflexão sobre a resposta que Deus espera do homem.

MENSAGEM - Em Jesus, a proposta libertadora que Deus tinha para nos oferecer veio ao nosso encontro e materializou-se no meio dos homens; o próprio nome (“Jesus” significa “Jahwéh salva”) que foi dado ao menino por indicação do anjo que anunciou o seu nascimento aponta nesse sentido. Por outro lado, o fato dessa “boa notícia” ser dada, em primeiro lugar, aos pastores (classe marginalizada, considerada impura, pecadora e muito longe de Deus e da salvação) significa que a proposta de Jesus se destina, de forma especial, aos pobres e marginalizados, àqueles que a teologia oficial excluía e condenava. Diz-lhes que Deus os ama, que conta com eles e que os convoca para fazer parte da sua família.
Definida a questão essencial, atentemos nas atitudes dos intervenientes e na forma como eles respondem à chegada de Jesus…
Em primeiro lugar, repare-se como os pastores, depois de escutarem a “boa nova” do nascimento do libertador, se dirigem “apressadamente” ao encontro do menino. A palavra “apressadamente” sublinha a ânsia com que os pobres e os marginalizados esperam a ação libertadora de Deus em seu favor. Aqueles que vivem numa situação intolerável de sofrimento e de opressão reconhecem Jesus como o único salvador e apressam-se a ir ao seu encontro. É d’Ele e de mais ninguém que brota a libertação por que os oprimidos anseiam. A disponibilidade de coração para acolher a sua proposta é a primeira coisa que Deus pede.
Em segundo lugar, repare-se como os pastores reagem ao encontro com Jesus… Começam por glorificar e louvar a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido: é a alegria pela libertação que se converte em ação de graças ao Deus libertador. Depois, esse louvor torna-se testemunho: quem faz a experiência do encontro com Deus libertador tem obrigatoriamente de dar testemunho, a fim de que os outros homens possam participar da mesma experiência gratificante.
Finalmente, atentemos na atitude de Maria: ela “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”. É a atitude de quem é capaz de abismar-se com as ações do Deus libertador, com o amor que Ele manifesta nos seus gestos em favor dos homens. “Observar”, “conservar” e “meditar” significa ter a sensibilidade para entender os sinais de Deus e ter a sabedoria da fé para saber lê-los à luz do plano de Deus. É precisamente isso que faziam os profetas.
A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude “missionária” dos pastores, que proclamam a ação salvadora de Deus, manifestada no nascimento de Jesus. Estas duas atitudes definem duas coordenadas essenciais daquilo que deve ser a existência do crente.

ATUALIZAÇÃO
• No Evangelho que nos é, hoje, proposto, fica claro o fio condutor da história da salvação: Deus ama-nos, quer a nossa plena felicidade e, por isso, tem um projeto de salvação para levar-nos a superar a nossa fragilidade e debilidade; e esse projeto foi-nos apresentado na pessoa, nas palavras e nos gestos de Jesus. Temos consciência de que a verdadeira libertação está na proposta que Deus nos apresentou em Jesus e não nas ideologias, ou no poder do dinheiro, ou na posição que ocupamos na escala social? Porque é que tantos dos nossos irmãos vivem afogados no desespero e na frustração? Porque é que tanta gente procura “salvar-se” em programas de televisão que lhes dê uns minutos de fama, ou num consumismo alienante? Não será porque não fomos capazes de lhes apresentar a proposta libertadora de Jesus?

• Diante da “boa nova” da libertação, reagimos – como os pastores – com o louvor e a ação de graças? Sabemos ser gratos ao nosso Deus pelo seu amor e pelo seu empenho em nos libertar da escravidão?
• Os pastores, após terem tomado contato com o projeto libertador de Deus, fizeram-se “testemunhas” desse projeto. Sentimos também o imperativo do testemunho? Temos consciência de que a experiência da libertação é para ser passada aos nossos irmãos que ainda a desconhecem?
• Maria “conservava todas estas palavras e meditava-as no seu coração”. Quer dizer: ela era capaz de perceber os sinais do Deus libertador no acontecer da vida. Temos, como ela, a sensibilidade de estar atentos à vida e de perceber a presença – discreta, mas significativa, atuante e transformadora – de Deus, nos acontecimentos mais ou menos banais do nosso dia a dia?

8. SEGUNDA LEITURA (Gl 4,4-7) Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.
Irmãos, quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! Assim, já não és escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus. 

AMBIENTE - Entre as comunidades cristãs do norte da Galácia manifestou-se, pelos anos 55/56, uma grave crise… À região gálata chegaram pregadores cristãos de origem judaica, que punham em causa a validade e a legitimidade do Evangelho anunciado por Paulo. Este era acusado de pregar um Evangelho mutilado, distante do Evangelho pregado pelos apóstolos de Jerusalém… Para estes pregadores (“judaizantes”), a fé em Cristo devia ser complementada pelo cumprimento rigoroso da Lei de Moisés, nomeadamente pelo rito da circuncisão.
Paulo foi avisado da situação quando estava em Éfeso. Não o preocupava que a sua pessoa fosse posta em causa; preocupava-o o dano que este tipo de discurso podia trazer às comunidades cristãs… Paulo estava convencido que o movimento religioso iniciado por Jesus de Nazaré, não era uma religião formalista e ritual, uma religião de práticas exteriores, como o judaísmo farisaico do seu tempo, que se preocupava com questões formais e secundárias; além disso, estava convencido de que a salvação não tinha a ver com conquistas humanas (como se a salvação fosse conseguida à custa dos atos heróicos do homem), mas era um dom de Deus.
Alarmado pela gravidade da situação, Paulo escreveu aos gálatas. Com alguma dureza (justificada pela gravidade do problema), Paulo diz aos gálatas que o cristianismo é liberdade e que a ação de Cristo libertou os homens da escravidão da Lei… Os gálatas devem, portanto, fazer a sua escolha: pela escravidão, ou pela liberdade; no entanto – não deixa de observar Paulo – é uma estupidez ter experimentado a liberdade e querer voltar à escravidão…
No texto que nos é proposto, Paulo recorda aos gálatas a incarnação de Cristo e o objetivo da sua vinda ao mundo: fazer dos que a Ele aderem “filhos de Deus” livres.

MENSAGEM - Paulo recorda aqui aos gálatas algo de fundamental: Cristo veio a este mundo para libertá-los, definitivamente, do jugo da Lei; a consequência da ação redentora de Cristo é que os homens deixaram de ser escravos e passaram a ser “filhos” que partilham a vida de Deus.
A palavra-chave é, aqui, a palavra “filho”, aplicada tanto a Cristo como aos cristãos. Cristo, o “Filho”, foi enviado ao mundo pelo Pai com uma missão concreta: libertar os homens de uma religião de ritos estéreis e inúteis, que não potenciava o encontro entre Deus e os homens; e Cristo, identificando os homens com Ele, levou-os a um novo tipo de relacionamento com Deus e fê-los “filhos” de Deus. Por ação de Cristo, os homens deixaram de ser escravos (que cumprem obrigatoriamente regras e leis) e passaram a relacionar-se com Deus como “filhos” livres e amados, herdeiros com Cristo da vida eterna. Depois desta “promoção”, fará algum sentido querer voltar a ser escravo da religião das leis e dos ritos?
A nova situação dos homens dá-lhes o direito de chamar a Deus “abbá” (“papá”). Paulo utiliza esta palavra aqui (bem como na Carta aos Romanos), apesar de os judeus nunca designarem Deus desta forma. Ela expressa uma relação muito próxima, muito íntima, do género daquela que uma criança tem com o seu pai: exprime a confiança absoluta, a entrega total, o amor sem limites. A insistência de Paulo nesta palavra deve ter a ver com o Jesus histórico: Jesus adoptou a para expressar a sua confiança filial em Deus e a sua entrega total à sua causa. Ora, é este tipo de relação que os cristãos, identificados com Cristo, são convidados a estabelecer com Deus.
Gal 4,4 é o único lugar em que Paulo se refere à mãe de Jesus (“Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”); no entanto, Paulo não parece interessado, aqui, em falar de Nossa Senhora, mas em sublinhar a solidariedade de Cristo com o gênero humano.

ATUALIZAÇÃO
• A experiência cristã é fundamentalmente uma experiência de encontro com um Deus que é “abbá” – isto é, que é um “papá” muito próximo, com quem nos identificamos, a quem amamos, a quem nos entregamos e em quem confiamos plenamente. É esta proximidade libertadora e confiante que temos com o nosso Deus?
• A nossa experiência cristã leva-nos a sentirmo-nos “filhos” amados, ou ao cumprimento de regras e de obrigações? Na Igreja não se põe, às vezes, a ênfase em cumprir leis e ritos externos, esquecendo o essencial – a experiência de “filhos” livres e amados de Deus?
• A importante constatação de que somos “filhos” de Deus leva-nos a uma descoberta fundamental: estamos unidos a todos os outros homens – “filhos” de Deus como nós – por laços fraternos. É a mesma vida de Deus que circula em todos nós… O que é que esta constatação implica, em termos concretos? A que é que ela nos obriga? Faz algum sentido marginalizar alguém por causa da sua raça ou estatuto social? Aquilo que acontece aos outros – de bom e de mau – não nos diz respeito?

Fonte: Dehonianos
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Os pastores encontraram Maria e José,
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Hoje, primeiro dia do ano, além de ser o Dia Mundial da Paz, nós celebramos a solenidade da Santa Mãe de Deus Maria. O Evangelho narra a visita dos pastores ao Menino Jesus.
“Os pastores encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.”
Maria Santíssima é Mãe de Jesus. Jesus é Deus, portanto ela é Mãe de Deus. Não Mãe da divindade, evidentemente, mas Mãe de Jesus que é Deus. É um mistério muito grande. Cabe a nós ter a mesma atitude de Maria: Guardar todos esses fatos e meditar sobre eles em nosso coração. Meditar para descobrir o que eles nos ensinam, pois, como Maria e José, nós também queremos fazer a vontade de Deus.
Aí está o segredo da santidade: Ouvir ou ler a Palavra de Deus, meditar sobre ela e trazê-la para a nossa vida do dia-a-dia. A Palavra de Deus entra em nós pelos olhos ou pelos ouvidos, mas precisa ir para o nosso coração e depois sair pelas mãos, pés, palavras e atos, produzindo frutos e enchendo o mundo de alegria.
Em seguida, o Evangelho fala: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo...” Tudo em obediência a Deus. O casal cumpria direitinho seus deveres religiosos. Verdadeiro modelo para nós.
“Se alguém guarda a minha palavra, nunca verá a morte” (Jo 8,51). Quer dizer, viverá eternamente com Deus.
“O meu ensinamento não vem de mim mesmo, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer-lhe a vontade, saberá se meu ensinamento é de Deus ou se falo por mim mesmo” (Jo 7,16-17). Em outras palavras, Jesus está dizendo que quem faz a vontade de Deus, entende os seus ensinamentos; quem não faz, não entende.
Que a Santa Mãe de Deus Maria nos ajude a imitá-la, fazendo em tudo a vontade de Deus.
 
Certa vez, em um mosteiro, um noviço procurou o padre mestre e lhe disse: “Sr. Padre, estou preocupado. Minha memória é muito fraca. Eu não consigo guardar o que o senhor fala nas palestras e não guardo nem as leituras bíblicas que faço. Esqueço tudo. Esforço-me ao máximo para guardar as coisas, mas logo esqueço. Este é o meu grande problema”.
O mestre tinha em seu quarto dois cântaros vazios, que estavam no chão em um canto do quarto. Ele disse ao noviço: “Pegue um desses cântaros, vá ao riacho e lave-o. Depois de limpo, enxugue-o bem e traga aqui”.
O noviço fez tudo direitinho. Ao trazer, o mestre lhe disse: “Coloque o cântaro novamente ao lado do outro.” Ele o fez.
E o mestre perguntou: “Qual dos dois cântaros está mais limpo?” “É este que eu lavei”, respondeu o jovem. Então o padre explicou: “No entanto, meu caro, nós não estamos vendo a água que o lavou. Também aquele que lê ou ouve alguma coisa boa, o importante é estar com o coração aberto, porque assim, mesmo que não se recorde das palavras, o ensinamento vai para o coração e o transforma. O importante é que o seu coração esteja tão puro, tão limpo como este cântaro!”
A lição é clara, e vale para todos nós. Em relação aos mistérios de Deus, o importante é fazer como Maria: Guardá-los no coração, meditar sobre eles e colocá-los em prática.

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Maria, Mãe de Deus

Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas.
Celebra-se a Solenidade de Santa Maria, MÃE DE DEUS:  Somos convidados a contemplar a figura de Maria,  aquela mulher que, com o seu "sim" ao projeto de Deus, nos ofereceu Jesus, o nosso libertador.
Celebra-se também o DIA MUNDIAL DA PAZ: em 1968, o Papa Paulo VI propôs que, neste dia, se rezasse pela paz no mundo.
Celebra-se ainda o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama e que todo o dia nos oferece a sua bênção e a vida em plenitude.

As leituras nos propõem esses temas:

A 1ª Leitura, sublinha a presença contínua de Deus em nossa caminhada e recorda que a sua bênção nos proporciona a vida em plenitude. (Nm 6,22-27)

Era uma fórmula de Bênção usada no Templo de Jerusalém para abençoar a comunidade, no final das celebrações litúrgicas, antes de o Povo regressar a suas casas:
"O Senhor te abençoe e te guarde!
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti!
O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a Paz".
* A Bênção de Deus sempre é uma garantia de sua presença e uma fonte de paz.
   Fortalecidos pela nova luz que provêm da fé, queremos iniciar o novo Ano.

A 2ª Leitura evoca outra vez o amor de Deus, que enviou o seu Filho ao encontro dos homens para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus "filhos".
É nessa situação privilegiada de "filhos" livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe 'abbá" ("papai").
Cristo se "humaniza" para divinizar o homem. (Gl 4,4-7)

O Evangelho apresenta Maria, recebendo feliz a visita dos PASTORES... e meditando em seu coração tudo o que falavam do Messias. (Lc 2,16-21)

O texto não é uma reportagem do nascimento de Jesus;
Mais uma catequese sobre quem é esse menino e qual a sua missão: Jesus é o Messias libertador, enviado a trazer a paz.

- Quem são os Destinatários do anúncio?
Os Pastores, classe marginalizada, considerada impura, pecadora e muito longe de Deus e da Salvação.

* A proposta de Jesus se destina de modo especial àqueles que a teologia oficial excluía e condenava.
Deus os ama, conta com eles e os convoca para fazer parte da sua família..
- Como reagem? 
Depois de escutarem a "boa nova" do nascimento do libertador, dirigem-se "apressadamente" ao encontro do menino.
Sublinha a ânsia com que os pobres e os marginalizados esperam a ação libertadora de Deus e apressam-se para ir ao seu encontro.
A disponibilidade de coração é a primeira coisa que Deus pede.
- Glorificam e louvam a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido: é a alegria pela libertação que se converte em ação de graças.
Depois, vão correndo anunciar aos outros a sua grande alegria e todos os que os escutam também ficam admirados...

- A Atitude de Maria:
Ela "conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração".
É a atitude de quem é capaz de abismar-se com a ação do Deus libertador, com o amor que Ele manifesta nos seus gestos em favor dos homens.
A Maternidade de Maria não termina em Belém, prolonga-se até a Cruz e a toda a Igreja.
- A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude "missionária" dos pastores, que proclamam a ação salvadora de Deus, manifestada no nascimento de Jesus.
Estas duas atitudes são essenciais na existência de quem crê.

+  Hoje também é o 48º DIA MUNDIAL DA PAZ  dedicado ao tema: "Não mais escravos, mas irmãos".
Durante as festas de Natal, ouvimos com frequência a palavra "Paz".
Maria é apresentada como aquela que gerou o "Principe da Paz".
A Igreja quer nos lembrar desde o primeiro dia do ano, que a paz anunciada pelos anjos em Belém, é possível...
O Papa, na Mensagem para o dia de hoje, aborda uma questão urgente: "A luta contra a escravidão no mundo contemporâneo."
A escravidão não é algo do passado, mas um flagelo social muito presente. "A escravidão tem muitos rostos abomináveis: o tráfico de seres humanos, o tráfico    de imigrantes e a prostituição, a escravidão no trabalho, a exploração do homem pelo homem... Os indivíduos e os grupos especulam sobre esta escravidão, beneficiando-se dos conflitos no mundo, do contexto de crise econômica e da corrupção"...
+  Mais um ano... que começa...
Desejo que o novo ano seja para todos vocês, cheio de Paz e Prosperidade,
com todas as bênçãos de Deus...
Aproveitemos essa celebração para agradecer a DEUS pelo dom da Vida, pela sua Graça, pela sua Força...
Peçamos Perdão pelas vezes que falhamos e façamos uma Prece, para que Deus nos acompanhe sempre nesse ano que estamos iniciando.

                                           Pe. Antônio Geraldo


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HOMILIA DO PAPA FRANCISCO


Basílica Vaticana, Quinta-feira, 1° de Janeiro de 2015 - dia da Paz


Hoje voltam à mente as palavras com que Isabel pronunciou a sua bênção sobre a Virgem Santa: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43).


Esta bênção está em continuidade com a bênção sacerdotal que Deus sugerira a Moisés para que a transmitisse a Aarão e a todo o povo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça. O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26). Ao celebrar a solenidade de Santa Maria, a Santa Mãe de Deus, a Igreja recorda-nos que Maria é a primeira destinatária desta bênção. N’Ela tem a sua realização perfeita: na verdade, mais nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar.


E, para além de contemplar a face de Deus, podemos também louvá-Lo e glorificá-Lo como os pastores, que regressaram de Belém com um cântico de agradecimento depois de ter visto o Menino e a sua jovem mãe (cf. Lc 2, 16). Estavam juntos, como juntos estiveram no Calvário, porque Cristo e a sua Mãe são inseparáveis: há entre ambos uma relação estreitíssima, como aliás entre cada filho e sua mãe. A carne de Cristo – que é charneira da nossa salvação (Tertuliano) – foi tecida no ventre de Maria (cf. Sal 139/138, 13). Tal inseparabilidade é significada também pelo facto de Maria, escolhida para ser Mãe do Redentor, ter compartilhado intimamente toda a sua missão, permanecendo junto do Filho até ao fim no calvário.


Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projetos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe.


Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja, porque a Igreja e Maria caminham sempre juntas, sendo isto exatamente o mistério da mulher na comunidade eclesial, e não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja. Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja» (Ibid., 16). Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja, na nossa Santa Mãe Igreja hierárquica. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.


Esta ação e missão da Igreja exprimem a sua maternidade. Na verdade, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores.


Amados irmãos e irmãs! Jesus Cristo é a bênção para cada homem e para a humanidade inteira. Ao dar-nos Jesus, a Igreja oferece-nos a plenitude da bênção do Senhor. Esta é precisamente a missão do povo de Deus: irradiar sobre todos os povos a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo. E Maria, a primeira e perfeita discípula de Jesus, a primeira e perfeita crente, modelo da Igreja em caminho, é Aquela que abre esta estrada de maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos.


Que esta Mãe doce e carinhosa nos obtenha a bênção do Senhor para a família humana inteira! Hoje, Dia Mundial da Paz, invoquemos de modo especial a sua intercessão para que o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações. Este ano, a mensagem especial para o Dia Mundial da Paz reza: «Já não escravos, mas irmãos». Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo!


Olhemos para Maria, contemplemos a Santa Mãe de Deus. Gostaria de vos propor que a saudássemos juntos, como fez o povo corajoso de Éfeso, que gritava à frente dos seus pastores quando entravam na Igreja: «Santa Mãe de Deus»! Que bela saudação para a nossa Mãe… Conta-se, mas não sei se a história é verdadeira, que alguns de entre aquelas pessoas tinham os bastões na mão, talvez para dar a entender aos bispos o que lhes aconteceria se não tivessem tido a coragem de proclamar Maria «Mãe de Deus». Sem bastão, convido a todos vós que vos levanteis e, de pé, Lhe dirijais por três vezes esta saudação da Igreja primitiva: «Santa Mãe de Deus»!

1° de Janeiro de 2015 Papa Francisco

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Homilias de D. Henrique Soares
(Maria Mãe de Deus)

Hoje é a Oitava do Santo Natal, Primeiro do Ano. Nesta Eucaristia, é necessário que tenhamos em vista alguns aspectos importantes.

     Primeiro. No Oriente, era costume, no dia seguinte ao parto, cumprimentar uma mulher que houvesse dado à luz. Por isso, nossos irmãos orientais, desde o século IV, no dia seguinte ao Natal, celebram a Festa da Congratulação da Mãe de Deus – uma homenagem, um parabém Àquela que deu à luz o Salvador. No Ocidente, a congratulação da Virgem é hoje, oito dias após o santo Natal. A Igreja, com os pastores, vai ao encontro do Menino e o encontra com sua Mãe; e proclama que este Menino é o Deus verdadeiro. Ele não é somente a criancinha frágil; mas o Deus forte, feito pequeno por nós! Por isso, o povo de Deus saúda, hoje, a Virgem, com o título antiqüíssimo de Mãe de Deus, isto é, Mãe de Deus Filho! “Bendita sejais, Virgem Maria! Trouxestes no ventre quem fez o universo! Vós destes à luz a quem vos criou e permaneceis Virgem para sempre!” Este Menino, o Deus verdadeiro, fez-se realmente um de nós, nascido realmente de uma Virgem. Ele não é a mãe de Deus Pai - isto seria uma blasfêmia! Também não é mãe do Espírito Santo - isto seria loucura! Não se pode tampouco dizer que ela é mãe da natureza divina - isto seria heresia! O que a Igreja crê, professa, testemunha e ensina com todo acerto e toda piedade é que a sempre Virgem Maria é Mãe santíssima do Deus Filho feito homem! Tudo quanto o Filho é na sua humanidade, ele o recebeu de Maria! O Filho não somente nasceu através de Maria, mas de Maria!
     Mais ainda: os Orientais gostam de invocar Jesus exclamando: Deus nascido da Virgem, salvai-nos! Estejamos atentos! Não somente Deus concebido de Maria, a Virgem, mas também Deus nascido de modo inefável, miraculoso, misterioso, da Virgem: Deus nascido da Virgem! Admirada com um nascimento assim, tão divino, tão único, a Igreja exclama: “Como a sarça, que Moisés viu arder sem se consumir, assim intacta é a vossa admirável virgindade. Virgem Maria, Mãe de Deus, por nós intercedei”. Deste modo, a Solenidade de hoje nos recorda não somente que a Virgem é verdadeiramente Mãe de Deus, mas que ela é sempre virgem: antes, durante e depois do parto! O Cristo nosso Deus não somente foi concebido da Virgem Maria, mas o Credo diz que ele nasceu da Virgem Maria! Nasceu sem destruir a virgindade da Mãe! Para o nosso mundo atual, que supervaloriza o sexo e faz com que os jovens tenham até mesmo vergonha de admitir que são virgens, proclamar a virgindade perpétua de Maria, recorda-nos que a castidade é uma preciosa e cara virtude cristã e a virgindade deve ser vista por nós como um valor e um ideal a ser buscado! Em Maria, a Virgem, o permanecer na virgindade exprime que ela sempre foi toda de Deus, absolutamente de Deus, em corpo e alma, em todo o seu ser, de modo constante e absoluto!
             Não é por acaso que, segundo o Evangelho de São Mateus, os magos encontraram o Menino com Maria, sua Mãe (cf. 2,11). É assim que Aquele que nos nasceu é sempre encontrado, pois o Deus que de nada necessita, contou com o “sim” da Virgem e dela, como de uma terra nova e virgem, gerou segundo a natureza humana o seu Filho para nossa salvação. É este mistério que a Igreja hoje celebra: este Menino é o Deus verdadeiro e sua Mãe faz parte do plano da salvação, pois “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma Mulher... a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei”. Na nossa salvação, esteve, está e estará sempre presente a Mulher, a Virgem Maria. Alegremo-nos, portanto, com a Virgem Maria e, com toda Igreja, digamos: “Virgem Santa e Imaculada, eu não sei com que louvores poderei engrandecer-vos! Pois Aquele a quem os céus não puderam abranger, repousou em vosso seio. Sois bendita entre as mulheres e bendito é o fruto que nasceu do vosso ventre!” 
            Há um segundo aspecto deste hoje. O Primeiro do ano e dia da confraternização universal, início do ano civil. A pedido do Papa Paulo VI, a ONU transformou esta data em dia festivo para todas as nações. É dia da paz, dia da confraternização entre os povos, nações, culturas... Ora, nós cristãos sabemos que a paz não é uma idéia, um sonho, um desejo; a paz é uma pessoa. São Leão Magno dizia, no século V: “O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Cristo é a nossa paz!” Não foi a respeito dele que o profeta afirmou: “Ele será chamado Admirável, Deus, Príncipe da Paz, Pai do mundo novo”? (Is 9,2-6) Não foi ele mesmo quem disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos sou; não vo-la dou como o mundo a dá?” (Jo 14,27). Que tenhamos cada vez mais sólida esta convicção: a paz que almejamos, a paz tão sonhada, a paz para o mundo e para a nossa vida, somente no Cristo poderá ser encontrada de modo definitivo e pleno! Nele, nem as tristezas, nem as desilusões, nem as angústias, nem as provações, poderão nos fazer perder a paz! Cristo, nossa Paz! 
            Finalmente, hoje, também, é dia da circuncisão do Menino. Como descendente de Abraão, ele foi circuncidado, passando a fazer parte do Povo da antiga Aliança, e recebeu o nome de Jesus, isto é, Deus salva! Que nome belo, que nome eloqüente, que nome bendito a nos encher de certa esperança para os dias de 2004 que chegou! Jesus, nome acima de todo nome, único nome no qual podemos encontrar salvação no céu e na terra. Jesus, doce lembrança do nosso coração, doce alívio nas dores, forte certeza nos momentos difíceis. Jesus, amigo certo de todas as horas, única certeza e apoio de nossa existência! Por isso mesmo, a primeira leitura da Missa de hoje, faz-nos ouvir a bênção de Aarão, que, por três vezes, invoca o nome do Senhor sobre o povo! Para os cristãos, o Senhor é Jesus, e não há outro! Pois é neste nome bendito que todos e cada um queremos iniciar o novo ano civil: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu olhar e te dê a paz!” Que o Cristo Jesus, Príncipe da Paz, esteja  conosco no novo ano e sempre. Amém.
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                                           Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - II
Lc 2,16-21
                Hoje é a Oitava do Santo Natal. É um antiqüíssimo costume da Igreja de Roma, voltar seu coração e sua mente, neste dia, para Aquela de quem nasceu o Salvador do mundo. O Evangelho de São Mateus afirma que os magos, ao entrarem onde estava a Sagrada Família, “viram o Menino com Maria, sua Mãe e, prostrando-se, o homenagearam” (2,11). Trata-se da homenagem solene e ritual prestada aos reis orientais. E, no Oriente, a Mãe do rei, chamada gebirah, exercia um papel importantíssimo. Pois, eis aqui, na cena do Evangelho, o Rei dos judeus, o Rei-Messias, o Rei que é Deus, e sua Rainha-Mãe, sua gebirah, a Virgem Maria! Agradecida pelo seu “sim” ao plano de Deus, a Igreja chama-a, desde os primórdios da fé cristã, de “Mãe de Deus”, isto é, “Mãe de Deus-Filho feito homem”! Com isto, nós confessamos que o Menino nascido da Virgem é Deus verdadeiro e perfeito, uma Pessoa divina com a natureza divina completa e uma verdadeira natureza humana. Ele, Filho do eterno Pai, fez-se realmente, como homem, filho de Maria Virgem, sem deixar de ser Deus! Na Virgem Santíssima, que trouxe em seu seio a segunda Pessoa da Trindade Santa, o divino e o humano se encontraram para sempre, os céus e a terra se abraçaram para nunca mais se deixarem!
                Ao recordar a Maternidade Divina de Nossa Senhora, a Igreja recorda também as condições maravilhosas dessa maternidade: ela aconteceu de modo virginal! Com efeito, a Mãe do Senhor concebeu virginalmente, virginalmente deu à luz e virgem permaneceu para sempre! A Virgem não somente concebeu, mas também virginalmente deu à luz um filho – eis a profecia de Isaías (cf. 7,14). A Igreja canta esse mistério com palavras admiráveis: “Na sarça que Moisés via arder sem se consumir, admiramos o sinal da vossa incomparável virgindade, ó Mãe de Deus!” e ainda, pensando na porta selada, pela qual somente o Senhor passaria, como profetizou Ezequiel (cf. 44,2), a Igreja exclama: “A porta eterna do Templo eternamente fechado feliz e pronta se abre somente ao Rei esperado!”. Aqui silencia a imaginação humana, pois que pertence ao segredo de Deus o modo como, Virgem, Nossa Senhora concebeu e ainda como, virginalmente, deu à luz! Uma coisa é certa: sua virgindade perpétua quer nos mostrar o quanto esse Menino todo vindo de Deus é um novo começo, um novo início para toda a criação e toda a humanidade! Além do mais, revela o quanto Maria Virgem foi integralmente de Deus, de corpo e alma. Num mundo que endeusa o sexo e exalta de modo abusivo a sensualidade, a Santíssima Virgem nos aponta outros valores e revela a beleza da virgindade e da castidade como expressão do ser humano vivendo livre, debaixo do senhorio de Cristo, no seu corpo, no seu afeto e na sua alma! Quanto mais alguém vive totalmente para o Senhor, mais fecundo se torna em sua vida e mais traz Jesus ao mundo, como testemunha do Reino dos céus. Por isso a saudação que a Igreja hoje dirige à Virgem Maria: “Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!”
                Hoje também, oitavo dia do nascimento do Fruto do ventre da Virgem, a Igreja recorda a circuncisão do Menino. Ele, circuncidado, passou a fazer parte do Povo de Israel. Assim, cumpriu-se a promessa que Deus fizera a Abraão, nosso Pai. Da sua descendência o Senhor fizera surgir um Salvador para todas as nações: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu filho, nascido de uma Mulher, nascido sob a Lei!”. Circuncidado, o Menino recebeu o nome de Jesus, que significa “o Senhor salva”. Seu nome revela sua identidade, sua missão e a causa da nossa alegria! Ele é a salvação que Deus nos concede, ele é a nossa Paz, pois nos reconcilia com Deus e nos abre as portas dos céus. Por isso mesmo, os cristãos hoje, juntamente com toda a humanidade, celebram o Dia da Paz. Para nós, essa Paz tem um nome, tem um rosto, tem um sorriso. Podemos encontrar tudo isso naquele que veio de Maria, a Virgem! Somente abrindo-se para ele, o mundo encontrará a verdadeira paz!
                Confiemos, pois, os dias do novo Ano civil que está começando, a este Menino, o Príncipe da Paz. Que o seu nome repouse sobre nós, como uma bênção! Certamente, neste 2005 choraremos e sorriremos, venceremos e fracassaremos, cairemos e nos ergueremos... Não importa! Importa, sim, que estejamos com o Senhor, ele, que estará sempre conosco. Ele foi apelidado – não esqueçamos – de Emanuel, Deus-conosco! Que este ano seja, como se colocavam nos antigos documentos, “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo!”
                Estamos iniciando o Ano Novo profundamente feridos e perplexos com a tragédia da Ásia. Escapa-nos o porquê de tanta dor, sofrimento e morte. Mas, teimamos em acreditar que há um Deus no céu, que, em Cristo, esse Deus fez-se presente como amor, como companhia, como ternura e consolo para toda a humanidade. Cremos que, neste Menino que nasceu e cresceu e chorou e sofreu e morreu, Deus faz-se, para sempre, solidário conosco. Queremos recordar cada morto e cada sobrevivente dessa tragédia; queremos recordar aqueles montes de cadáveres em decomposição, sem tempo para uma sepultura digna; queremos dizer que tudo isso é muito triste, é absurdamente incompreensível! Mas, queremos também colocar tudo isso nas mãos desse Menininho; também ele pobre, também ele perseguido, também ele sem abrigo, também ele sofredor até a morte de cruz, até o silêncio da sepultura, para dar sentido às nossas dores e vencer a nossa morte. Nesse Menino crucificado, a dor humana não se explica, mas encontra consolo; nesse Emanuel, nós sabemos que Deus está conosco, mesmo quando parece se calar ante uma tragédia como a que estamos assistindo!
                Coloquemos, pois, os dias de nossa vida nas mãos do Salvador. E, como penhor de que nossas preces serão ouvidas, supliquemos à Mãe de Deus toda Santa: “À vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus! Protegei os pobres, ajudai os fracos, consolai os tristes, rogai pela Igreja, protegei o clero, ajudai-nos todos, sede nossa salvação! Santa Maria, sois a Mãe dos homens, sois a Mãe do Cristo que nos fez irmãos! Rogai pela Igreja, pela humanidade e fazei que, enfim, tenhamos paz e salvação!”
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                               Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - III

           Caríssimos em Cristo, certamente o pensamento mais presente neste hoje é o do início do Ano da graça de 2006, que iniciamos. Precisamente por este motivo, a primeira leitura da Missa invocou a bênção e a paz sobre nós: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” Três vezes foi pronunciado o nome do Senhor! Começamos bem o ano de 2006! Mas, nunca esqueçamos quem é este Senhor: é o Menino que nos nasceu, o Filho que nos foi dado e que, precisamente, hoje, oito dias após o seu admirável nascimento, recebeu o nome de Jesus, que significa Deus salva! Eis: em Jesus, Deus nos salva com a verdadeira paz, paz que brota da comunhão com o Senhor! Que ele inunde com sua doce paz os dias do novo Ano, criança como o Menino de Belém!
           Mas, hoje, é também a Oitava do Santo Natal, dia no qual a Igreja volta-se para a Virgem que gerou em seu seio e deu à luz o verdadeiro Deus feito homem. Chegou a plenitude dos tempos e “Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”, aquela mesma que os pastores encontraram velando o “recém-nascido deitado na manjedoura”. Somos gratos à Virgem Santa e, contemplando o seu filhinho, reconhecemos nele o Deus perfeito e a proclamamos verdadeiramente Mãe de Deus: “Salve, ó Santa Mãe de Deus! Vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!’ – assim canta a Igreja hoje, saudando a Toda Santa Virgem Maria. Nossos irmãos orientais, de rito bizantino, no Natal, cantam assim: “Ó Cristo, que podemos oferecer-vos como dom por vos terdes manifestado sobre a terra na nossa humanidade? Com efeito, cada uma das vossas criaturas exprime a sua ação de graças, e a vós traz: os Anjos, o seu cântico; o céu, uma estrela; os Magos, os seus dons; os Pastores, a admiração; a terra, uma gruta; o deserto, uma manjedoura; e nós, uma Virgem Mãe!” Eis, pois, caríssimos irmãos, nossa presente ao Salvador: a mais bela flor de nossa raça, o mais belo membro da Igreja, a Virgem Maria!
          Comprometamo-nos, então, a viver os dias do Novo Ano com as mesmas atitudes de Nossa Senhora! Primeiro, uma atitude de fé: ela escutou a Palavra, ela creu de todo o coração. Foi mulher totalmente aberta ao seu Senhor. Que neste 2006, saibamos, também nós, viver de fé; mesmo quando tudo parecer escuro, mesmo nos dias difíceis, mesmos nos momentos de pranto e nossa inteligência não conseguir compreender nem nossa vista conseguir enxergar os passos do Senhor. Em segundo lugar, uma atitude de disponibilidade à missão. Nossa Senhor não se furtou ao convite do Senhor, não se acomodou numa vida centrada nos seus próprios interesses: fez-se serva, fez-se disponível, fez-se ministra do plano salvífico do Senhor em nosso favor. Do mesmo modo, saibamos nós discernir o que o Senhor nos vai pedir e, sem medo, sem mesquinho fechamento, digamos-lhe “sim”, mesmo quando tal resposta for difícil e sofrida! Mas, tudo isso será impossível sem uma terceira atitude que devemos aprender da Mãe de Deus: aquela de escuta silenciosa e contemplativa. O Evangelho nos dá conta que Maria “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração!” Eis! A Virgem rezava, a Virgem pensava nos acontecimentos à luz de Deus, na presença silenciosa do Senhor, procurando entender o sentido profundo das coisas. Somente quem faz assim pode ver sempre Deus em todas as coisas e em todas as circunstâncias...
           Caríssimos, certamente, haveremos de sorrir e chorar nestes dias do novo ano. Que lágrimas e sorrisos, vitórias e derrotas, abraços e separações, sejam vividos na luz do Senhor, do Menino que brilhou como luz nas nossas trevas e que, nele, encontremos sempre a paz. Para tanto, valha-nos, cada dia deste 2006, as preces da Toda Santa Mãe de Deus! Amém.

D. Henrique Soares
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Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Ainda ressoa aos nossos ouvidos a solene proclamação do evangelho da noite de Natal: “Quando completaram-se os dias para o parto, Maria deu à luz o seu filho primogênito” (Lc 2,7). É justamente este o momento no qual se cumpre plenamente a palavra do anjo:“Eis que conceberás e dará à luz um filho” (Lc 1,32); e no alegre anúncio do Anjo do Senhor aos pastores, também, se confirma que uma mulher deu à luz: “Encontrareis um recém-nascido” (Lc 2,12). Portanto, não há dúvidas de que essa mulher, Maria, a esposa de José, que hoje recordamos na liturgia, é verdadeiramente mãe. Porém, afirmar simplesmente a sua maternidade não justificaria fazê-lo numa liturgia, pois a liturgia não é quadro de avisos nem muito menos lugar de anúncio de efemérides, mas é o espaço reservado exclusivamente para o louvor e a adoração de Deus. Destarte, a fim de que não se fira o espírito e a natureza do culto divino, faz-se necessário afirmar quem é esse filho que dela nasceu, e o fazemos proclamando a verdade de que Maria é Mãe de Deus. Consequentemente, tal proclamação de fé nos conduz ao centro do mistério fundamental do Cristianismo: Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, é o Verbo Eterno que é Deus desde sempre e que, na plenitude do tempo, se encarnou no seio de uma mulher de verdade, Maria, que por sua vez, é verdadeiramente a sua mãe.
No seio de Maria, a divindade se uniu à humanidade, o Deus invisível tornou-se visível. Portanto, ela é aquela que deu à luz um menino que é Deus. Já no momento da anunciação, antes mesmo de ser concebido, o anjo Gabriel já afirmara que este menino seria chamado Jesus. Nome que lhe foi dado oficialmente oito dias depois do seu nascimento por ocasião da circuncisão, que mais do que rito de declaração de pertença a um povo, foi a ocasião do anúncio do que Ele iria realizar pelo seu povo, isto é, a salvação. Ainda que este nome signifique “Deus salva” (Mt 1,21), ele poderia ser interpretado como mais um nome de uma longa tradição marcadamente religiosa que costuma relacionar pessoas, coisas e lugares à divindade (Bet-El: casa de Deus; Isra-El: luta com Deus). Contudo, as palavras do mensageiro celeste não deixam espaço para esse tipo de consideração, pois tal nome não é um simples título de honra ou uma homenagem aos deuses, mas é a realidade de uma pessoa: “Será grande, será chamado filho do Altíssimo…O Santo que nascerá de ti será chamado filho de Deus” (Lc 1,32.35).

Para não haver dúvidas sobre a realidade divina deste menino que vai nascer, o Espírito Santo se encarregou de confirmá-la pela boca de Isabel quando esta gritou: “Donde me vem a graça que a Mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1,43). Não se dirigiu a Maria apenas com gestos de cordialidade de quem recebe em casa uma parenta estimada, mas a sua reação foi de verdadeira reverência religiosa que reconhece a grandiosidade daquela maternidade, pois o filho carregado naquele ventre é o Senhor (Kurios na Bíblia grega é utilizado para Deus). Portanto, antes mesmo que a Igreja proclamasse o Dogma da maternidade divina de Maria, a própria revelação da Sagrada Escritura já dava testemunho disso.
O reconhecimento desta verdade de fé proclamada solenemente como dogma pelo Concílio de Éfeso (431 d.C. Teotokos: aquela que deu à luz Deus) está em plena sintonia e coerência com o fundamento da nossa fé: Jesus é verdadeiramente Deus e homem. Afirmar que Maria é Mãe de Deus não é fazer dela uma deusa, mas reconhecer que Deus ao encarnar-se quis ter uma mulher por mãe. E a verdade da encarnação exige que ela seja uma mãe humana, de carne e osso. Caso contrário, de onde o Verbo tomaria a carne que ele assumiu ao fazer-se um de nós?
Como mulher, Maria, apesar de ser Mãe de Deus, não deixou de ser humana. Por isso, precisou caminhar na fé, sobretudo quando não compreendia o que nela estava se realizando: “Guardava esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Portanto, apesar de ter sido chamada para ser mãe do Filho de Deus, não exigiu para si status que a colocasse acima dos outros seres humanos, pelo contrário, assumiu para si a condição de escrava do Senhor. Pois este Senhor, filho seu, também esvaziou-se de sua condição e fez-se servidor de todos. Mais uma confirmação da verdade da maternidade divina.

O sinal que os anjos indicaram aos pastores a fim de que pudessem reconhecer o Salvador foi justamente aquilo que fez a Mãe logo após dar à luz: “encontrareis um recém-nascido envolto em faixas deitado na manjedoura” (Lc 2,12). Nestes gestos da Mãe podemos ver uma profecia que anuncia quem é este recém-nascido. Envolvendo-o em faixas antecipa a sua morte, como a mulher de Betânia que ungindo os seus pés com perfume, prepara-o para a sepultura. A mãe depositando-o na manjedoura, prepara-o para ser alimento: carne e sangue dados para a salvação do mundo. Gestos que não se perderam no tempo, pois foram conservados como memorial do Filho no coração da sua Mãe: “guardava e meditava no coração”. Memorial que se atualiza em cada Eucaristia celebrada pela Mãe Igreja obediente à Palavra do seu Salvador: “Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19). Afirmar que Maria é Mãe de Deus é um dos modos mais coerentes de dizer que acreditamos que o homem Jesus, o seu filho, é Deus. Crer que Maria é Mãe de Deus é acreditar que a Eucaristia é verdadeiramente a carne e o sangue do filho de Deus, pois foi isto que Ele assumiu da humanidade para nos entregar a sua divindade.


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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros Extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
à Senhor, nós vos louvamos, pois sois bondoso e fiel. Desde o começo do mundo vos revelastes como Deus de amor e por meio dos profetas alimentastes nossa esperança de nos enviar o Salvador. Senhor, obrigado por nos dar Maria como nossa mãe e nossa intercessora.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
à  Senhor, nosso Deus e Pai, bendito seja o Vosso nome sobre em todo o universo. Grande é vosso amor nos enviando vosso Filho para nos guiar ao Vosso Reino. Pai, agradecemos pela nossa vida, pelo nosso batismo e pela esperança da vida eterna.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
à  Pai, enviai o Espírito Santo sobre nós, para que nos transformemos e tenhamos coragem de levar vosso nome a todos os nossos irmãos que não vos conhecem ou que vos abandonaram. Que a Virgem Maria, nossa mãe, seja a nossa força na obediência aos vosso projetos e seja a nossa defensora em nossas dificuldades.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
à PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...