quinta-feira, 14 de novembro de 2019

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


33º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C 2016


TEMA: Somos cidadãos da Terra e também do Céu.

Primeira leitura:, O profeta anuncia que Deus não abandona seu Povo. O Deus libertador vai intervir no mundo e vai fazer com que nasça esse “sol da justiça” que traz a salvação.
Evangelho: A Igreja tem um caminho a percorrer, até à segunda vinda de Jesus. A missão é a transformação do mundo para que nasça o Reino. Esse “caminho” será de dificuldades e perseguições; mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus.
Segunda leitura: enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo na construção do Reino.

PRIMEIRA LEITURA (Ml 3,19-20a) Leitura da Profecia de Malaquias.
Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas.

AMBIENTE -  “Malaquias” significa “o meu mensageiro”. É um profeta pós-exílio. Metade do séc. V a.C. O Templo já havia sido reconstruído. No entanto, o entusiasmo estava apagado; Duvidava do amor de Deus, da sua justiça, do seu interesse por Judá. Este “mensageiro de Deus” reage contra a situação. Exige a conversão do Povo e a reforma da vida cultual.

MENSAGEM - O nosso texto refere-se ao “dia do julgamento”, - e não ao fim do mundo– Jahwéh vai oferecer ao seu Povo a salvação definitiva… O profeta está – utilizando uma linguagem e imagens proféticas para que não desanimem, pois Deus vai intervir no mundo para fazer aparecer um mundo novo. Trata-se de um apelo à esperança: “apesar da situação caótica em que estamos, não desanimemos, mantenhamo-nos fiéis a Jahwéh, pois Deus vai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade para todos”. Para os cristãos, esta profecia compreende-se à luz da intervenção libertadora de Jesus: Ele é o “sol de justiça” que brilha no mundo e que insere os homens na dinâmica de um mundo novo – a dinâmica do “Reino”.

ATUALIZAÇÃO Muitas vezes temos a sensação de que o nosso mundo caminha para o abismo e que nada o pode deter. A questão é: a esperança ainda faz sentido? Este mundo tem saída? Um profeta anônimo de há 2450 anos dá voz à esperança e garante-nos: Deus não nos abandonou; Ele vai intervir – Ele está sempre a intervir – no mundo…
É preciso ter consciência de que a intervenção libertadora de Deus acontece a cada instante; e nós devemos estar numa espera vigilante e ativa, a fim de sabermos reconhecer e acolher de braços abertos a intervenção libertadora de Deus na nossa história e na nossa vida.
Muitas vezes esta profecia e outras semelhantes são usadas para incutir medo: “quem não ganhar juízo, irá sofrer castigos pavorosos e ser atirado para o inferno”… Interpretar estes textos desta forma é distorcer a Palavra de Deus: eles não pretendem amedrontar-nos, mas fortalecer a nossa esperança no Deus libertador e dar-nos a coragem necessária para enfrentar os dramas da vida e da história.

SALMO RESPONSORIAL 97 (98)
O Senhor virá julgar a terra inteira; / com justiça julgará.
• Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa / e da cítara
suave! / Aclamai, com os clarins e as trombetas,/ ao
Senhor, o nosso Rei!
• Aplauda o mar com todo ser que nele vive, / o mundo
inteiro e toda gente! / As montanhas e os rios batam
palmas / e exultem de alegria.
• Exultem na presença do Senhor, pois ele vem, / vem
julgar a terra inteira. / Julgará o universo com justiça
/ e as nações com equidade

EVANGELHO (Lc 21,5-19) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, algumas pessoas comentavam a respeito do Templo, que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isso? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”.

AMBIENTE - Lucas conclui a pregação de Jesus com um discurso escatológico onde se misturam referências à queda de Jerusalém e ao “fim dos tempos”.

MENSAGEM - No discurso escatológico de Lucas aparecem três momentos da história da salvação: a destruição de Jerusalém, o tempo da missão da Igreja e a vinda do Filho do Homem (que porá fim ao “tempo da Igreja” e trará a plenitude do “Reino de Deus”. Na perspectiva profética, Jerusalém é o lugar onde deve irromper a salvação de Deus e para onde convergirão todos os povos empenhados em ter acesso a essa salvação. No entanto, Jerusalém recusou a oferta de salvação que Jesus veio trazer. A destruição da cidade e do Templo significa que Jerusalém deixou de ser o lugar exclusivo e definitivo da salvação. A Boa Nova de Jesus vai, portanto, deixar Jerusalém e partir ao encontro de todos os povos.
Começa, assim, uma outra fase da história da salvação: começa o  “tempo da Igreja” – o tempo em que a comunidade dos discípulos testemunhará a salvação a todos os povos da terra. Vem, depois, uma reflexão sobre o “tempo da Igreja”, que culminará com a segunda vinda de Jesus. Como será esse tempo? Em primeiro lugar, Lucas sugere que, após a destruição de Jerusalém, surgirão falsos messias e visionários que anunciarão o fim. Lucas avisa: “não sigais atrás deles”; e esclarece: “não será logo o fim”. A destruição de Jerusalém no ano 70 pelas tropas de Tito deve ter parecido aos cristãos o prenúncio da segunda vinda de Jesus e alguns pregadores populares deviam alimentar essas ilusões… Mas Lucas (que escreve durante os anos 80) está apostado em eliminar essa febre escatológica que crescia em certos setores cristãos: em lugar de viverem obcecados com o fim, os cristãos devem preocupar-se em viver uma vida cristã cada vez mais comprometida com a transformação “deste” mundo.
Em segundo lugar, paulatinamente, irá surgindo um mundo novo. Para dizer isto, Lucas recorre a imagens apocalípticas (“povo contra povo e reino contra reino”; “terremotos e, fome e epidemias; grandes sinais no céu”), muito usadas para falar da queda do mundo velho – o mundo do pecado, do egoísmo, da exploração – e do surgimento de um mundo novo… A questão é esta: no tempo que medeia entre a queda de Jerusalém e a segunda vinda de Jesus, o “Reino de Deus” ir-se-á manifestando; o mundo velho desaparecerá e nascerá um mundo novo (recordemos que os discípulos devem empenhar-se na sua construção). É claro que a libertação plena e definitiva só acontecerá com a segunda vinda de Jesus.
Em terceiro lugar, Lucas põe os cristãos de sobreaviso para as dificuldades e perseguições que marcarão a caminhada, até à segunda vinda de Jesus. Lucas lembra-lhes que não estarão sós, pois Deus estará sempre presente; será com a força de Deus que eles enfrentarão os adversários e que resistirão à tortura, à prisão e à morte; O discurso escatológico define, portanto, a missão da Igreja na história (até à segunda vinda de Jesus): dar testemunho da Boa Nova e construir o Reino. Os discípulos nada deverão temer: haverá dificuldades, mas eles terão sempre a ajuda e a força de Deus.

ATUALIZAÇÃO O fundamental não é o discurso sobre o “fim do mundo”, mas sim o discurso sobre o percurso que devemos percorrer, até chegarmos à plenitude da história humana… Trata-se de uma caminhada que não nos leva ao aniquilamento, à destruição absoluta, mas à vida nova, à vida plena; por isso, deve ser uma caminhada que devemos percorrer de cabeça levantada, cheios de alegria e de esperança.
É uma caminhada de dificuldades, de lutas, onde o bem e o mal se confrontarão sem cessar; mas é um percurso onde o mundo novo irá surgindo  e onde a semente do “Reino” irá germinando. Aos crentes pede-se que reconheçam os “sinais” do “Reino”, que se alegrem porque o “Reino” está presente e que se esforcem, todos os dias, por tornar possível essa nova realidade. A nossa vida não pode ser um ficar de braços cruzados a olhar para o céu, mas um compromisso sério, de forma que floresça o mundo da justiça, do amor e da paz.
 Os crentes não estão sós, mas Deus vai com eles… É essa presença de Deus que lhes permitirá enfrentar as forças da morte; permitirá aos discípulos vencer o desânimo, a adversidade, o medo.
Alguns sinais são, apenas, sinais de que estamos a nascer para algo novo e melhor. Todos sabemos que é impossível construir algo mais bonito, sem a destruição do que é velho.

SEGUNDA LEITURA (2Ts 3,7-12) Leitura da 2ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses
Irmãos, bem sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade. De ninguém recebemos de graça o pão que comemos. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e cansaço, de dia e de noite, para não sermos pesados a ninguém. Não que não tivéssemos o direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado. Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer”. Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão.

AMBIENTE - Nesta carta percebe-se, claramente, que alguns cristãos de Tessalônica, persuadidos de que a vinda do Senhor estava muito próxima, viviam “nas nuvens”, negligenciando os seus deveres de todos os dias.

MENSAGEM - O autor da Carta rejeita a atitude daqueles que  vivem ocupados com futilidades e não fazem nada de útil. Dá como exemplo o próprio Paulo: ele nunca escolheu a ociosidade, nem viveu à custa de quem quer que fosse. Onde houver parasitas que vivem à custa dos demais, rapidamente a comunidade chegará a uma situação insustentável: surgirão os conflitos, as acusações, as divisões e a fraternidade será uma miragem. Viver em comunidade exige a repartição equitativa dos recursos a que a comunidade tem acesso; mas exige, também, a responsabilização de todos os membros, a fim de que todos ponham ao serviço dos irmãos os próprios dons e contribuam para a construção, para o equilíbrio e para a harmonia comunitárias.

ATUALIZAÇÃO  O “Reino de Deus” é uma realidade que atingirá o ponto culminante na vida futura; mas começa a construir-se aqui e agora e exige o esforço e o empenho de todos.
É preciso cuidado para não nos tornarmos parasitas da sociedade: a nossa missão é tornarmo-nos “sinais” que anunciam o mundo novo e trabalhar para que esse mundo novo seja uma realidade.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho
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"Levantai a cabeça"

A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em nós a esperança e a coragem
para enfrentar as adversidades e lutar pelo Advento do Reino.

Na 1a leitura: Malaquias descreve o "Dia do Senhor". (Mal 4,1-2)

- O Povo de Israel tinha voltado do exílio com muitas promessas de um futuro maravilhoso, um reino de paz, de bem estar e de justiça.
Mas, o que ele vê é o contrário. Por isso, começa a manifestar a desilusão.
- Malaquias, numa linguagem profética, dirige palavras de conforto e esperança.
Deus não abandona o seu povo. Vai intervir na história, destruindo o mal e fazendo triunfar o Bem, a Justiça e a Verdade.

* O texto não pretende incutir medo, falando do "fim do mundo", mas fortalecer a ESPERANÇA no Deus libertador para enfrentar os dramas da Vida e da História.
Esperança que devemos ter ainda hoje, apesar do que vemos...

A 2a Leitura fala da comunidade de Tessalônica, perturbada por fanáticos que pregavam estar próximo o fim do mundo. Por isso, não valia mais a pena continuar trabalhando.
Paulo apresenta o exemplo de trabalho de sua vida e acrescenta:
"Quem não quer trabalhar, também não deve comer..." (2Ts 3,7-12)

*  O TRABALHO é o melhor jeito de se preparar para a vinda do Senhor.

No Evangelho, temos o Discurso Escatológico, em que aparecem três momentos da História da Salvação:
A destruição de Jerusalém, o tempo da Missão da Igreja e a Vinda do Filho do Homem. (Lc 21,5-19)

- Lucas escreveu o evangelho uns 50 anos depois da morte de Cristo (pelos anos 80).
  Durante esse tempo, aconteceram fatos terríveis:   guerras, revoluções, a destruição do Templo de Jerusalém, a perseguição dos cristãos por parte dos judeus e dos romanos.

- Para muitos eram sinais do fim do mundo...
  Lucas, com palavras do próprio Mestre, indica duas atitudes:
     . Não se deixar enganar por falsos profetas.
     . Não perder a esperança, Deus está conosco.

- Os Discípulos mostram a Jesus com orgulho a grandiosidade do TEMPLO...
- Jesus não se entusiasma com essa estrutura, para ele já superada, e anuncia o fim desse modelo de sociedade e o surgimento de outra:
   "Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra... Tudo será destruído."
  - Diante disso, curiosos, querem saber mais informações:
    "Quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal?"
  - Jesus responde numa linguagem apocalíptica, misturando referências à queda de Jerusalém e ao fim do mundo:
    "Haverá grandes terremotos... fome e peste...
     aparecerão fenômenos espantosos no céu...

+ Jesus alerta sobre os falsos profetas: Não se deixar enganar:
   "Cuidado para não serdes enganados,  porque muitos virão em meu nome... Não sigais essa gente".

* Ainda hoje muitas pessoas falam em nome de Jesus, dando respostas fantasiosas produzidas por motivações pessoais. Não é prudente acreditar em tudo o que se diz em nome de Jesus. 

+ Jesus exorta à esperança: Não ter medo...
   Esses sinais de desagregação do mundo velho não devem assustar, pelo contrário são anúncio de alegria e esperança, de que um mundo novo está para surgir.
  "Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se, ERGAM A CABEÇA, porque a Libertação está próxima". (Lc21,28)

* Jerusalém deixa de ser o lugar exclusivo e definitivo da salvação; começa o tempo da Igreja, em que a Comunidade dos discípulos testemunharão a Salvação a todos os povos da terra.

+ As catástrofes continuam ainda hoje...
   Guerras, revoluções, terrorismo infernizam por toda parte...
   Muita gente morre de fome, o aquecimento global é ameaçador; ciclones, terremotos e maremotos se multiplicam. Parece mesmo o fim de tudo.
   Os discípulos não devem temer: Haverá dificuldades, mas eles terão sempre a ajuda e a força de Deus.
   No Discurso escatológico, Jesus define a missão da Igreja na História:
   Dar testemunho da Boa nova e construir o Reino.

 Cristo nos garante: "Coragem, LEVANTAI A CABEÇA, porque se aproxima a libertação".

 

                               Pe.  Antônio Geraldo
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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa –
Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. Domingo próximo celebraremos Cristo-Rei e, daqui a precisos quinze dias estaremos entrando no santo tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Pois bem, o final de um período sempre nos faz recordar que o tempo corre e a vida passa veloz. Isto deve fazer-nos pensar no fim de todas as coisas e da nossa vida. “Fim” não somente como final, mas “fim” também como finalidade… É diante desta realidade que a Palavra de Deus nos quer colocar nestes últimos dias do ano litúrgico de 2004.
No Evangelho, Jesus nos recorda que nossa existência é breve, tão fugaz. Àqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profissão, as pessoas às quais amamos, os projetos que temos, a nossa própria vida: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído!” Aqui, o Senhor não deseja ser um desmancha-prazer, não nos quer arrancar o gosto de viver; deseja tão somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectiva da eternidade, daquilo que é definitivo. Haverá um momento final, haverá um juízo do Senhor sobre a história humana e sobre a história de cada um de nós, quando, então, ficará claro o que serviu e o que não serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que não passou de ilusão e falsidade. Nunca esqueçamos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haverá, sim, um juízo de Deus: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los… Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”. Este juízo, portanto, será discriminatório: pode significar vida ou morte, salvação ou condenação!
Ante esta realidade, os discípulos perguntam a Jesus: “Mestre, quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” A curiosidade de ontem é a mesma de hoje… A resposta de Jesus contém dois significados. Primeiro: observemos que o Senhor dá sinais que se referem à natureza (“Haverá grandes terremotos… acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos nos céus.”), sinais que se referem à história humana (“Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país”) e sinais referentes à própria vida dos discípulos – vale dizer, à nossa vida (“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ ou ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente”). Isto quer dizer que a manifestação final do Senhor vai marcar tudo: a história, a criação e a vida de cada um de nós; nada ficará fora do juízo de Deus que haverá de se manifestar em Cristo! Tudo será confrontado com o amor manifestado na cruz do Senhor. A história humana será passada a limpo e o que foi pecado, desamor, maldade será destruído; a criação será transfigurada: passará a figura deste mundo como é agora e, no Espírito do Cristo, haverá um novo céu e uma nova terra; os discípulos serão examinados pelo Senhor de acordo com sua perseverança na fé verdadeira, sem se deixarem levar pelas novidades religiosas, pura falsificação, como as que estamos vendo hoje em dia…
Há ainda um segundo significado: observemos que os sinais que Jesus dá, acontecem em todas as épocas: sempre houve e haverá convulsões na natureza, guerras e revoluções na história humana, hereges e falsos profetas, falsos pregadores e falsos pastores no caminho da Igreja. Tem sido assim desde o início… Então, por que o Senhor apontou esses sinais? Para deixar claro que cada geração deve estar vigilante, cada geração deve recordar sempre que haverá de estar, um dia, diante do Senhor e, portanto, deve levar a sério sua fé e sua adesão a Jesus. Sobretudo num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar. Vale-nos, então, o conselho de São Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo pão cotidiano, sem viver à toa, mas construindo a vida com a dignidade de cristãos. O Senhor nos previne que não é fácil: o mundo não nos amará, porque seus pensamentos não são os do Cristo – e isto mais que nunca é claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus não existisse… Ouçamos a advertência tão sincera e franca de Cristo: “Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão (= vos amarão menos, não vos terão entre seus amigos) por causa do meu nome… É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”
Eis aqui! Vivamos fielmente a nossa vocação cristã, não tenhamos medo de ser fiéis e de dar o bom testemunho de Cristo, para que possamos ser aprovados ante o tribunal de Cristo. Nossa vida neste mundo é semente de eternidade; nossas escolhas e atitudes terão consequências eternas. Que o Senhor nos conceda a graça da perseverança que nos fará ganhar a vida. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa

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Homilia do Padre Françoá Costa –

O fim do mundo

Não é raro ver escrito por aí que o mundo vai se acabar em 2012, isso segundo uma previsão do calendário maia. Mas não é a primeira vez que se prevê o fim do mundo. Graças a Deus, até o momento todas tem falhado! Nostradamus, astrólogo francês do século XVI, parece ter previsto que a terceira guerra mundial eclodiria em 1999. Essa guerra poderia ser semelhante a um fim de mundo devido ao arsenal bélico em mão de alguns países. Não houve guerra! Ainda bem!
31 de dezembro de 1980 também foi data do fim do mundo, segundo um presságio árabe. Naquela noite Júpiter e Saturno ficaram a 9 graus, mas o mundo não se acabou, como é evidente. 1874, 1914 e 1975 foram as três datas previstas pelas Testemunhas de Jeová para o fim do mundo. Falharam todas! Também o fundador da igreja Millerita, William Miller, previu o fim do mundo: 1843 seria o fim. Não foi! Não obstante, e apesar das falhas do “profeta”, o movimento dos milleritas está presente em várias igrejas, entre elas a Adventista do Sétimo Dia. Emmanuel Swendenberg, consultando a alguns anjos, disse que o mundo se acabaria em 1757. Falhou! João de Toledo, à sua vez, disse que no dia 23 de setembro (ufa, dia do meu aniversário!) de 1186 todos os planetas estariam alinhados em Libra e o mundo se acabaria. Os planetas se alinharam, mas o mundo persistiu na sua existência. Por último, para que não nos cansemos, Bernardo da Turingia em 960 afirmou que o mundo se acabaria em 992. E já estamos em 2010!
É algo verdadeiramente humano e nobre: ninguém quer morrer, ninguém quer ser enganado. E porque tantas pessoas se empenharam tanto em saber a data do fim do mundo? A curiosidade também é algo assaz humana. Viver e conhecer a verdade são dois grandes desejos que estão no coração de cada ser humano. Nisso se pode ver que o céu será a realização de tudo isso: viveremos para sempre conhecendo e amando a Verdade, que é Deus. Quando? Para cada um, logo após a sua morte haverá um juízo na qual já se decidirá a sua sorte eterna (cfr. Hb 9,27). Para todos, na consumação dos tempos, haverá um juízo universal que reafirmará a sentença do juízo particular tendo em conta as consequências das nossas ações (cfr. Mt 25,31-46). Ambos os eventos são desconhecidos quanto à sua realização.
De todas as maneiras, e em contra de qualquer teoria que pretenda saber mais que os desígnios do Altíssimo, no Evangelho da Missa de hoje, Jesus nos deixa de sobreaviso: “vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles” (Lc 21,8). É verdade: Jesus voltará, ressuscitaremos com os nossos corpos, seremos julgados, há prêmio (céu) e castigo (inferno), haverá um novo céu e uma nova terra. Essas são verdades da nossa fé. Mas, quando acontecerá? Em primeiro lugar, o Senhor nos diz que tenhamos cuidado para não sermos enganados e depois nos diz que não sigamos os falsificadores da verdade. Em outra passagem lemos: “vigiai, pois, porque não sabeis a hora em virá o Senhor. (…) Por isso, estai também vós de preparados porque o Filho do homem virá numa hora em que menos pensardes” (Mt 24,42-44). O importante é vigiar e estar preparado sempre, isto é, em graça de Deus e praticando as obras da fé.
Quanto aos “presságios” do Novo Testamento sobre o fim – difusão do Evangelho, anticristo, conversão dos judeus –, parece que é preciso entendê-los como sinais enigmáticos presentes na história entre a primeira e a segunda vinda de Cristo que ajudam os cristãos a manter-se em estado de vigilância continua e a desejar a vinda do Senhor. Há uma presença permanente de Cristo na história que se culminará com a sua Parusia gloriosa na consumação desses últimos tempos que estamos vivendo. Em efeito, já estamos nos últimos tempos desde a Encarnação do Filho de Deus: “Quando veio plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei” (Gl 4,4).
Tampouco se pode afirmar que o fim do mundo será uma aniquilação da criação material. Mas esse assunto ficará para uma reflexão posterior.
Pe. Françoá Costa


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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Estamos praticamente chegando ao final de mais um ano litúrgico. Um percurso pedagógico-espiritual que nos ajuda a mergulhar no mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo, Alfa e Ômega, Princípio e Fim, mas, ao mesmo tempo, ilumina a nossa realidade humana nas suas dimensões de finitude e eternidade. Portanto, o tema do fim não pode ser estranho ao ser humano, nem muito menos causa de terror e desespero; é uma realidade que não se pode negar. Contudo, na perspectiva cristã, todo fim deve expressar uma finalidade alcançada, e, portanto, marca um novo começo, que não significa um eterno retorno cíclico, mas passagem qualitativa para uma nova realidade que supera todo o vivido até então.
A perícope evangélica deste XXXIII Domingo do Tempo Comum, penúltimo do ano litúrgico, apresenta um ensinamento de Jesus diante de uma compreensão errada em relação às realidades terrenas. Consciente do iminente fim da sua missão, e utilizando uma linguagem própria (apocalíptica), o Mestre adverte os seus discípulos sobre a missão que irão receber e à qual deverão permanecer fiéis: “É pela perseverança que mantereis vossas vidas”.

Diante da reação de admiração e encantamento de alguns frente à beleza do Templo, ornado de belas pedras e de ofertas votivas, Jesus declara que tudo é passageiro, “não ficará pedra sobre pedra”. Naquele mesmo contexto, encontramos um pouco antes o episódio da viúva que do pouco que possuía para viver, ofereceu tudo (Lc 21,1-4). Jesus, exaltando o gesto dessa pobre viúva, declara qual é a atitude mais coerente de quem entendeu a indiscutível verdade da vida, isto é, que tudo passa. Por outro lado, o evangelista evidencia o contraste entre o olhar de Jesus, que vê as pessoas e as suas atitudes, e o olhar alienado daqueles que só conseguem ver a superficialidade das coisas, e, rapidamente, apegam-se à beleza efêmera do Templo, e não conseguem reconhecer o verdadeiro templo que é o coração desprendido de tudo, e que é capaz de ser espaço aberto, tornar-se morada de Deus, a qual não poderá ser destruída. Enquanto que o espaço físico do Templo, suas ornamentações, sua beleza material, não existem mais, o gesto generoso da viúva, consciente da sua finitude terrena, não desapareceu, continua vivo, pois tornou-se Boa Notícia, evangelho.

O anúncio profético de Jesus em relação à destruição do Templo historicamente se realizou por ocasião da invasão de Jerusalém por parte dos Romanos (70 d.C.). Quando os evangelhos foram escritos esse terrível acontecimento estava muito presente na mente e no coração do povo, que buscava explicações não apenas nas causas históricas, mas uma compreensão à luz da fé. Diante das várias especulações do tempo, a comunidade cristã era interpelada a se posicionar e responder se aquilo que estava acontecendo era, de fato, anúncio do iminente fim do mundo. Era urgente fazer ressoar as palavras de Jesus: “Atenção para não serdes enganados…”. Relembrando essas palavras, os cristãos cresciam na convicção de que prever o fim do mundo não era a missão deles, pois esta também não foi a missão do Mestre. Porém, não viviam de forma ingênua negando as vicissitudes do tempo (guerras, catástrofes naturais, perseguições externas e internas), mas fortalecidos pela palavra e exemplo do Mestre não se deixavam enganar por propostas fáceis (abandonar o caminho) ou desencaminhar-se seguindo os “messias da hora” (salvadores da pátria oportunistas, fundamentalistas de plantão), que aproveitam de situações calamitosas para enganar as pessoas aflitas, e tirar vantagens da sua fragilidade circunstancial.
Ainda que muitos acontecimentos provocadores de angústia, tristeza, sofrimentos e mortes não tenham uma explicação plausível, a comunidade cristã tem uma firme convicção fundamentada no ensinamento de Jesus: “Não vos atemorizeis; pois é preciso que primeiro aconteça isso, mas não será logo o fim”. Cabe à comunidade fazer o discernimento para não se deixar enganar (grego planao: ser induzido ao erro, desencaminhar-se. Daí a palavra “planeta”; os antigos astrônomos chamavam de planetas corpos celestes que se movimentavam, isto é, errantes, porque os via deslocar-se no espaço sideral como se estivessem perdidos). Diante de intensos sofrimentos, abalos emocionais, o ser humano tende a perder o rumo, vagar sem direção. Contudo, os discípulos de Jesus não são planetas (errantes), mas devem ser bússola que ajuda a não perder o seu destino e, por isso, não temem a perseguição tanto religiosa (sinagogas) quanto política (reis e governadores), nem mesmo a traição dos seus mais próximos (pai, mãe, irmãos, parentes, amigos) por causa de sua fidelidade a Cristo. Não vagueiam ao sabor das ondas porque estão enraizados na certeza de que tais ocasiões são as molduras mais propícias para o autêntico testemunho: “Isso vos será ocasião de testemunho, (grego: martiria).

A suficiente defesa diante dos adversários não dependerá da eloquência humana, mas da sabedoria da palavra de Deus que lhes foi dada e que eles cultivam nos seus corações: “Eu vos darei eloquência (grego stoma: boca, símbolo da profecia) e sabedoria (grego sofia, conhecimento a partir da experiência).
A chegada do final do ano litúrgico se reverte em aurora de novo ano, com o tempo do advento, onde a esperança se renova com a vinda do Messias que nunca se ausenta, mas que sela a sua presença constante através do seu Mistério Pascal, onde o infinito toca o finito, e o fim torna-se sem fim.
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Louvor (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO ...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI!
Todos: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- Pai, hoje aprendemos que nunca estamos sós. Vós sois o sol de justiça e nos acompanhais em todos os momentos. Se passamos por dificuldades ou sofrimentos, estais junto de nós. Obrigado, Pai!! Dai-nos fé e esperança para que nunca desanimemos e sempre tenhamos esperança.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- Pai querido, Paulo nos alerta que devemos trabalhar na construção do Reino. Vosso Reino já está no meio de nós, e, como discípulos de Jesus, sabemos que Ele está conosco e temos que fazê-lo manifestado, mas também sabemos que a plenitude só virá depois que passarmos pela morte e ressuscitarmos com Cristo. Pai, dai-nos coragem para o trabalho comunitário e que saibamos valorizar o esforço de nossos irmãos de comunidade.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- Pai, muitas vezes esquecemos das riquezas eternas. Muitos chegam a dizer que não têm tempo para a vossa Igreja. Pai, abri nossos olhos para as verdades que vosso Filho nos ensinou. Que saibamos valorizar os bens que duram para a eternidade e que cada um se valorize como templo de Vossa Glória, pois somos a vossa imagem e semelhança.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!!!
- PAI NOSSO... A PAZ... EIS O CORDEIRO...




sexta-feira, 8 de novembro de 2019

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


32º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C

Tema: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele.” A vida não acaba.

Na primeira leitura, o testemunho de sete irmãos que deram a vida pela sua fé.
No Evangelho, Jesus garante que a ressurreição nos espera. A forma como isso acontecerá é um mistério.
Segunda leitura. Só com a oração será possível mantermo-nos fiéis ao Evangelho.

PRIMEIRA LEITURA (2Mac 7,1-2.9-14) Leitura do Segundo Livro dos Macabeus.
Naqueles dias, aconteceu que foram presos sete irmãos, com sua mãe, aos quais o rei, por meio de golpes de chicote e de nervos de boi, quis obrigar a comer carne de porco, que lhes era proibida. Um deles, tomando a palavra em nome de todos, falou assim: “Que pretendes? E que procuras saber de nós? Estamos prontos a morrer, antes que violar as leis de nossos pais”. O segundo, prestes a dar o último suspiro, disse: ‘Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna, a nós que morremos por suas leis’. Depois deste, começaram a torturar o terceiro. Apresentou a língua logo que o intimidaram e estendeu corajosamente as mãos. E disse, cheio de
confiança: “Do Céu recebi estes membros; por causa de suas leis os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo”. O próprio rei e os que o acompanhavam ficaram impressionados com a coragem desse adolescente, que considerava os sofrimentos como se nada fossem. Morto também este, submeteram o quarto irmão aos mesmos suplícios, desfigurando-o. Estando quase a expirar, ele disse: “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida!”.

AMBIENTE - Em 323 a.C., Alexandre, o Grande, morreu. A Palestina (desde 333 a.C., integrada no império de Alexandre) ficou, inicialmente, nas mãos dos Ptolomeus (que dominavam ainda o Egito e a Fenícia). No entanto, a partir do ano 200 (batalha das “fontes do Jordão”), a Palestina passou para as mãos dos Selêucidas (outra família de generais de Alexandre, que já dominava a Síria e a Mesopotâmia).
Os Ptolomeus tiveram uma atitude relativamente tolerante para com o judaísmo e respeitaram, no geral, as tradições e a fé do Povo de Deus; mas, sob a autoridade dos Selêucidas, sobreveio uma fase em que a cultura helênica se tornou mais agressiva, ameaçando pôr em causa a sobrevivência do judaísmo. Foi, sobretudo, no reinado de Antíoco IV Epifanes (175-164 a.C.) que o helenismo foi imposto – inclusive pela força – ao Povo de Deus. Muitos judeus foram perseguidos e mortos. O texto conta-nos o martírio de uma mãe e dos seus sete filhos, que se recusaram a violar a fé e as tradições judaicas e foram mortos por isso. 
MENSAGEM - A história apresenta-nos, portanto, uma família de sete irmãos e da sua mãe, que o rei pretendia coagir (através da tortura) a abandonar a fé e a comer carne de porco (proibida pela Lei, por ser carne de um animal “impuro”). O que é que lhes dá a coragem? De acordo com as explicações, é a fé na ressurreição. Os sete irmãos acreditavam que Deus lhes devolveria outra vez a vida, uma vida semelhante àquela que lhes ia ser tirada. O Deus criador tem, de acordo com a catequese aqui feita, o poder de ressuscitar os mártires para a vida eterna…
Não é, ainda, a noção neo-testamentária de ressurreição (uma vida nova, uma vida plena, uma vida transformada e elevada à máxima potencialidade) que aqui aparece; é apenas a ideia de uma revivificação, de um readquirir no outro mundo uma vida semelhante àquela que aqui foi roubada ao homem (embora se admitisse que, nesse mundo de Deus, já não haveria pranto, nem sofrimento, nem morte). De qualquer forma, é a ideia de imortalidade que aqui é formulada. Repare-se, no entanto, que o nosso texto ainda não ensina a revivificação de todos os homens, mas apenas dos justos.
É a primeira vez que a doutrina da ressurreição é explicitamente apresentada na Bíblia. A partir daqui, esta ideia vai desenvolver-se cada vez mais, até ser completamente iluminada pelo exemplo de Jesus.

ATUALIZAÇÃO  • A sua fé ditou-lhes a certeza de que a vida continua para além desta terra. É essa certeza que ele nos deixa, neste texto; e é essa experiência de fé que ele nos convida a fazer.
 • Quem acredita na ressurreição não pode deixar-se paralisar pelo medo (que nos impede de defender os valores em que acreditamos)… Pode comprometer-se na luta pela justiça e pela verdade, na certeza de que as forças da morte não o podem vencer ou destruir. É essa certeza que animou o testemunho de tantos mártires de ontem e de hoje… 

 7. SALMO RESPONSORIAL (Sl 16,1.5-6.8b.15)
Ao despertar, me saciará vossa presença e verei a vossa face!
• Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, / escutai-me e
atendei o meu clamor! / Inclinai o vosso ouvido à minha
prece, / pois não existe falsidade nos meus lábios!
• Os meus passos eu firmei na vossa estrada, / e por isso
os meus pés não vacilaram. / Eu vos chamo, ó meu
Deus, porque me ouvis, / inclinai o vosso ouvido e
escutai-me!
• Protegei-me qual dos olhos a pupila / e guardai-me à
proteção de vossas asas. / Mas eu verei, justificado, a
vossa face / e, ao despertar, me saciará vossa presença.
EVANGELHO (Lc 20,27-38) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, e lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: se alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão. Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. Também o segundo e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. Por fim, morreu também a mulher. Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela.” Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele.” 

AMBIENTE - Discussão após discussão, torna-se claro que os líderes judaicos rejeitam a proposta de Jesus: prepara-se, assim, o quadro da paixão e da morte na cruz.
No tempo de Jesus, os saduceus formavam um grupo aristocrático, recrutado sobretudo entre os sacerdotes da classe superior. Exerciam a sua autoridade à volta do Templo e dominavam o Sinédrio. A sua importância política era real, ainda que muito limitada pela presença do procurador romano. Politicamente, eram conservadores e entendiam-se bem com o opressor romano… Pretendiam manter a situação, para não ver comprometidos os benefícios políticos, sociais e económicos de que desfrutavam.
Para os saduceus, apenas interessava a Lei escrita – a “Torah”. Negavam que a Lei oral (que era essencial para os fariseus) tivesse qualquer valor. Este apego conservador à Lei escrita explica que negassem algumas crenças e doutrinas admitidas nos ambientes populares frequentados pelos fariseus. Por isso, não aceitavam a ressurreição dos mortos: nenhum versículo da “Torah” apoiava essa crença. No seu conflito com os fariseus, estava em jogo uma certa visão da sociedade e do poder.

MENSAGEM - A questão da ressurreição, não significava nada para os saduceus. Percebendo que, quanto a essa questão, a perspectiva de Jesus estava próxima da dos fariseus, os saduceus apresentaram uma hipótese acadêmica, com o objetivo de ridicularizar a crença na ressurreição: uma mulher casou, sucessivamente, com sete irmãos, cumprindo a lei do levirato (segundo a qual, o irmão de um defunto que morreu sem filhos devia casar com a viúva, a fim de dar descendência ao falecido e impedir que os bens da família fossem parar a mãos estranhas, cf. Dt 25,5-10). Quando ressuscitarem, ela será mulher de qual dos irmãos?
A primeira parte da resposta de Jesus afirma que a ressurreição não é (como pensavam os fariseus do tempo) uma simples continuação da vida que vivemos neste mundo (na linha de uma revivificação – ideia apresentada na primeira leitura), mas uma vida nova e distinta, uma vida de plenitude que dificilmente podemos entender a partir das nossas realidades quotidianas. A questão do casamento não se porá, então (a expressão “são semelhantes aos anjos” do vers. 30 não é uma expressão de depreciação do matrimónio, mas a afirmação de que, nessa vida nova, a única preocupação será servir e louvar a Deus). O poder de Deus, que chama os homens da morte à vida, transforma e assume a totalidade do ser humano, de forma que nascemos para uma vida totalmente nova e em que as nossas potencialidades serão elevadas à plenitude. A nossa capacidade de compreensão deste mistério é limitada, pois estamos a contemplar as coisas e a classificá-las à luz das nossas realidades terrenas; no entanto, a ressurreição que nos espera ultrapassa totalmente a nossa realidade terrena.
A segunda parte da resposta de Jesus é uma afirmação da certeza da ressurreição. Jesus cita-lhes a “Torah” (cf. Ex 3,6): no episódio da sarça-ardente, Jahwéh revelou-Se a Moisés como “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó”… Ora, se Deus Se apresenta dessa forma – muitos anos depois de Abraão, Isaac e Jacó terem desaparecido deste mundo – isso quer dizer que os patriarcas não estão mortos (um homem “morto” – ou seja, um homem reduzido ao estado de uma sombra inconsciente e privada de vida no “sheol”, segundo a ideia semita corrente – tinha perdido a proteção de Deus, pois já não existia como homem vivo e consciente). Na perspectiva de Jesus, portanto, os patriarcas não estão reduzidos ao estado de sombras na obscuridade absoluta do “sheol”, mas vivem em Deus. Conclusão: se Abraão, Isaac e Jacob estão vivos, podemos falar em ressurreição.

ATUALIZAÇÃO • A questão da ressurreição não é uma questão pacífica e clara para a maioria dos homens do nosso tempo. Há quem veja na esperança da ressurreição apenas um “ópio do povo”, destinado a adormecer a justa vontade de lutar pela construção de um mundo mais justo; há quem veja na ressurreição uma forma de evasão, face aos problemas que a vida apresenta; há quem veja na ressurreição uma ilusão onde o homem projeta os seus desejos insatisfeitos… Convencidos de que a vida se resume aos anos que vivemos neste mundo, muitos dos nossos contemporâneos constroem a sua existência tendo apenas em conta os valores deste mundo, sem quaisquer horizontes futuros. 
• A ressurreição é, no entanto, a esperança que dá sentido a toda a caminhada do cristão. A fé cristã torna a esperança da ressurreição uma certeza absoluta, pois Cristo ressuscitou e quem se identifica com Cristo nascerá com Ele para a vida nova e definitiva. A nossa vida presente deve ser, pois, uma caminhada tranquila, confiante, alegre – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a essa nova realidade.
 • A ressurreição não é a revivificação dos nossos corpos e a continuação da vida que vivemos neste mundo; mas é a passagem para uma vida nova onde, sem deixarmos de ser nós próprios, seremos totalmente outros… É a plenitude de todas as nossas capacidades, a meta final do nosso crescimento, a realização da vida plena. Sendo assim, há alguma razão para temermos a morte ou para vermos nela algo que nos priva de alguma coisa importante (a relação com aqueles que amamos)?
 • A certeza da ressurreição não deve ser, apenas, uma realidade que esperamos; mas deve ser uma realidade que influencia, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da ressurreição que deve influenciar as nossas opções, os nossos valores, as nossas atitudes; é a certeza da ressurreição que nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, de forma a que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já.
• Temos de ter muito cuidado com a forma como falamos da ressurreição aos homens do nosso tempo, pois podemos pensá-la, explicá-la e projetá-la à luz da nossa vida atual e corremos sérios riscos de nos tornarmos ridículos. O que podemos fazer é afirmar a nossa certeza na ressurreição; depois, temos de confessar a nossa incapacidade de conceber e de explicar esse mundo novo que nos espera (como a criança no seio da mãe não compreende nem sabe explicar a vida que a espera no mundo exterior).

SEGUNDA LEITURA (2Ts 2,16 - 3,5) Leitura da 2ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses. Irmãos, nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra. Quanto ao mais, irmãos, rezai por nós, para que a palavra do Senhor seja divulgada e glorificada como foi entre vós. Rezai também para que sejamos livres dos homens maus e perversos, pois nem todos têm a fé! Mas o Senhor é fiel; ele vos confirmará e vos guardará do mal. O Senhor nos dá a certeza de que vós estais seguindo e sempre seguireis as nossas instruções. Que o Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo. 

AMBIENTE - Já vimos no domingo passado que a Segunda Carta aos Tessalonicenses nos coloca frente a uma comunidade cristã fervorosa, que vive com empenho e generosidade o seu compromisso cristão apesar das provações, constituindo mesmo um modelo para as comunidades vizinhas ; no entanto, a comunidade a que esta carta se destina é, também, uma comunidade com algumas dúvidas e inquietações em questões de doutrina – nomeadamente no que diz respeito ao “dia do Senhor” (isto é, à segunda vinda de Jesus). De resto, Paulo aproveita a ocasião para corrigir comportamentos, fazer alguns pedidos e exortar a uma fidelidade cada vez maior ao Evangelho de Jesus.

MENSAGEM - Depois de apresentar a doutrina sobre a segunda vinda do Senhor, o autor da carta convida os tessalonicenses a assumir a atitude correta, enquanto esperam essa vinda. Em concreto, o autor da carta pede aos cristãos de Tessalônica que guardem as tradições recebidas de Paulo, “de viva voz ou por carta”, isto é, pede-lhes que se mantenham fiéis ao Evangelho de Jesus que o apóstolo lhes transmitiu.
O convite a permanecer fiéis às tradições recebidas vai acompanhado de uma súplica a Deus Pai e a Jesus Cristo, para que tornem possível essa fidelidade. Mais uma vez fica claro que, no processo de salvação do homem, há dois planos: o dom de Deus e o esforço de fidelidade do homem. É preciso, no entanto, deixar claro que, sem a graça de Deus, o esforço do homem seria inútil.
Na segunda parte do nosso texto, temos um pedido de oração pelo apóstolo e pelo seu ministério. À súplica do autor em favor dos destinatários da carta, deve responder a súplica dos destinatários da carta em favor do apóstolo. A oração de uns pelos outros é uma forma preciosa de solidariedade cristã.
De resto, os crentes que já receberam a Palavra transformadora e libertadora de Jesus devem solicitar a ajuda divina para que a proposta de salvação que Cristo veio trazer, e que a Igreja ficou encarregada de testemunhar, chegue a todos os homens; ainda mais se, como parece insinuar-se no presente caso, as circunstâncias são decididamente adversas à proclamação e vivência do Evangelho. Repare-se como, também aqui, o papel de Deus é central: o autor da carta sabe que, sem a ajuda de Deus, será impossível ao apóstolo dar testemunho.

ATUALIZAÇÃO - • E com a ajuda de Deus que o crente consegue viver na fidelidade ao Evangelho, enquanto espera a vinda do Senhor. 
• É com a ajuda de Deus que o missionário tem a coragem de anunciar fielmente o Evangelho e de vencer as dificuldades, as injustiças, as incompreensões, as oposições que são obstáculo ao seu trabalho e ao seu testemunho.  
• O pedido de rezar “uns pelos outros” convida-nos a tomar consciência da solidariedade que deve marcar a experiência comunitária. O cristão nunca é uma pessoa isolada, mas o membro de uma família de irmãos, chamados a viver no amor, na partilha, na entrega da vida, como membros de um único corpo – o corpo de Cristo. É preciso tomar consciência dos laços que nos unem, sentirmo-nos responsáveis pelos nossos irmãos, partilhar as suas dores e alegrias, fazer nossos os seus problemas e, no nosso diálogo com Deus, ter presente as necessidades de todos.

  Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Homilia de D. Henrique Soares
Estamos já próximos do final do Ano Litúrgico. De hoje a 15 dias, estaremos celebrando a Solenidade de Cristo-Rei, que marca o final do ano da Igreja. Pois bem, a Liturgia vai nos educando, irmãos amados, fazendo-nos pensar no fim de nossa vida – fim que nos obriga a nos perguntar pelo sentido da nossa existência e pelo que estamos fazendo dela. Neste sentido, tivemos a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos... E hoje a Liturgia fala-nos da ressurreição.
O Evangelho nos apresenta uma disputa entre Jesus e os saduceus, que não acreditavam na ressurreição. O Senhor confirma: há, sim ressurreição! Os mortos ressurgirão, mas de um modo que nós não podemos descrever nem imaginar: “Os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e da vida futura, nem eles se casam nem elas dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram”. Em outras palavras: estaremos em tal comunhão com o Deus da vida, em tal proximidade dele – como os anjos – que, a morte nunca mais nos poderá atingir: nem a morte física, nem a morte da dor, nem a morte da tristeza, do medo, da saudade, nem a morte do pecado! Como diz o Salmista: “Eu verei, justificado, a vossa face e ao despertar me saciará vossa presença!”
Caríssimos, quando a Escritura fala em ressurreição, não está pensando simplesmente em voltarmos a esta nossa vida, deste nosso modo atual, somente que habitando no céu... De modo algum! Nós seremos glorificados em corpo e alma! Ressuscitar é receber em todo o nosso ser a vida de Deus, que Cristo, o primogênito dentre os mortos, nos conquistou e já derramou em nós no batismo. Semente dessa vida é o Espírito Santo vivificador – o mesmo em quem o Pai ressuscitou o Filho Jesus! É Jesus quem nos ressuscita, ele que disse a Marta: “Eu sou a Ressurreição!” (Jo 11,25) É somente nele e por causa dele que esperamos vencer a morte! Na primeira leitura deste Domingo escutamos o testemunho dos sete irmãos, filho de uma corajosa mãe viúva, que incentiva seus filhos a entregarem a vida por amor da Lei de Deus. Donde lhes vinha tanta coragem? Donde, tanta disponibilidade para serem fiéis até o fim? Da certeza de que ressuscitariam: “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará!” – disse um deles. E o outro, pensando na ressurreição da carne, afirmou sem medo: “Do céu recebi estes membros; por causa de suas leis os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo!” Vede, meus caros, o quanto a certeza da vida eterna muda nosso modo de enfrentar os revezes da vida. A este propósito, poderíamos perguntar: Tanta frouxidão na nossa fé, tanto relaxamento nos nossos costumes, tão pouca seriedade na prática da religião, tanta condescendência com os vícios, a comodidade e a tibieza, não seriam causados por uma fraca e sem convicção fé na ressurreição, na vida eterna?
E, no entanto, a nossa esperança é firme: fomos criados para Deus, para Deus estamos a caminho... Um dia morreremos, terminará nosso caminho neste mundo tão incerto. E, imediatamente após a morte, em nossas almas, estaremos diante do Cristo, nossa Salvador e Juiz. Se tivermos sido abertos ao seu Espírito Santo, se lhe tivermos sido realmente fiéis, ele, nosso Senhor, no seu abraço eterno, glorificará do seu Espírito Santo a nossa alma e, então, estaremos para sempre com o Senhor, onde ninguém mais vai sofrer, ninguém mais chorar, ninguém vai ter saudade, ninguém mais vai ficar triste. No final dos tempos, quando Cristo nossa vida, glorificar todo o universo, também nossos pobres corpos ressuscitarão, pela força e ação do mesmo Espírito Santo vivificador, que o Senhor tem em plenitude. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos para sempre com o Senhor! Eis por que somos cristãos, eis por que temos esperança! Eis por que queremos viver com retidão, sobriedade, abertura de coração para os irmãos e santo temor em relação a Deus. É o que exprime São Paulo na segunda leitura: “Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra. O Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo!”
Caríssimos, em Cristo, se fomos criados para Deus, para a comunhão com ele no céu, tenhamos, no entanto, o cuidado de não o perdermos para sempre no inferno. O inferno existe, é real e pode ser nossa miserável herança! Pode dar-se que, logo após a minha morte, não exista nenhuma comunhão com o Cristo que é Vida, mas somente o “Apartai-vos de mim, malditos! Não vos conheço!” E nossa alma caia na eterna tristeza, na depressão sem fim, que devora, como verme e queima como fogo! Não aconteça que, no fim dos tempos, também nosso corpo tenha de padecer também este triste destino!
Eis, amados em Cristo, que o Senhor nos adverte! Procuremos, pois, viver de tal modo, que possamos ser considerados dignos de viver para sempre com ele. Para isso, pautemos nossa vida pelo amor e obediência ao Senhor. Assim poderemos dizer como o Salmista, tendo os olhos fixos em Cristo nosso Deus e nossa vida: “Os meus passos eu firmei na vossa estrada,/ e por isso os meus pés não vacilaram./ Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,/ inclinai o vosso ouvido e escutai-me!/ Protegei-me qual dos olhos a pupila/ e guardei-me, à proteção de vossas asas./ Mas eu verei justificado a vossa face/ e ao despertar me saciará vossa presença!” Que o Senhor que tudo pode confirme a nossa esperança. Amém.
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Deus dos vivos

Aproxima-se o final do ano litúrgico.
A Liturgia nos oferece a oportunidade de aprofundar 
uma verdade importante de nossa fé:
"Eu creio na Ressurreição dos mortos".

Os primeiros livros da Bíblia não falam claramente da Ressurreição dos mortos.
Só mais tarde, começou-se a falar em Israel de um despertar daqueles que estão dormindo no pó da terra.

Na 1a Leitura, temos a 1ª profissão de fé na Ressurreição. (2Mac 7,1-2.9-14)

No tempo da perseguição do rei Antíoco (± 170 aC), a experiência da morte de muitos justos fez nascer a
esperança da Ressurreição.
Nessa época, temos o belo testemunho da Mãe e os sete filhos Macabeus.
Eles são obrigados a violar a prática religiosa dos antepassados.
Fortalecidos pela esperança da ressurreição,eles preferem enfrentar as torturas e a própria morte, a transgredir a Lei...
Vejamos as respostas corajosas dos primeiros quatro irmãos:

- Um deles, tomando a palavra em nome de todos, falou assim:  "Estamos prontos a morrer, antes de violar as leis de nossos pais".
- O Segundo, prestes a dar o último suspiro, disse:
  "Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos
   ressuscitará para uma vida eterna, a nós que morremos por suas leis"
- Depois começaram a torturar o terceiro. Apresentando a língua e as mãos,   diz: "Do céu recebi estes membros... no céu espero recebê-los de novo..."
- E o quarto quase a expirar: "Prefiro ser morto pelos homens,   tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará.   Para ti, porém, ó Rei, não haverá ressurreição para a vida". 

* São as afirmações mais claras do A.T. sobre a vida além da morte.
Assim mesmo tinham uma idéia ainda muito imperfeita.
Era apenas a idéia de uma "revivificação dos justos", um readquirir no outro mundo uma vida semelhante a de antes.
A idéia foi se desenvolvendo, até ser completamente iluminada por Cristo.

No Evangelho, Jesus fala claramente da Ressurreição, afirmando que "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos". (Lc 20,27-38)

- Essa idéia imperfeita de Ressurreição existia ainda no tempo de Jesus.
Alguns Saduceus, que não acreditavam na Ressurreição, inventaram uma história e fizeram uma pergunta capciosa que visava ridicularizar a doutrina da ressurreição e da vida futura:
Uma mulher viúva sem filhos... casou com 7 maridos sucessivamente ...  Com quem ficará na vida futura?

- Jesus responde:

1. Aos Fariseus (que acreditavam numa ressurreição imperfeita):
A Ressurreição não é apenas um despertar do sepulcro para retomar a vida de antes. A vida com Deus é uma realidade completamente nova e distinta.  É um dom maravilhoso que o Pai reservou para todos os seus filhos.
Seremos imortais, glorificados, não mais sujeitos às leis da carne.
Por isso, será desnecessário o matrimônio para a conservação da espécie.

2. Aos Saduceus: Afirma a existência da vida futura:
Deus se manifestou a Moisés como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, muitos anos depois de terem desaparecido deste mundo.
Isso quer dizer que eles não estão mortos, mas vivem atualmente em Deus. 
Portanto, se Abraão, Isaac e Jacó estão vivos, podemos falar de Ressurreição.

A RESSURREIÇÃO:

- A Ressurreição é a esperança que dá sentido a toda a caminhada do cristão.
A fé cristã torna a esperança da ressurreição uma certeza absoluta, pois Cristo ressuscitou e quem se identifica com Cristo nascerá com ele para a vida nova e definitiva.
A nossa vida presente deve ser uma caminhada tranqüila, confiante, alegre, em direção a essa nova realidade.

- A Ressurreição não é a continuação da vida que vivemos neste mundo; mas é a passagem para uma vida nova onde, sem deixarmos de ser nós próprios, seremos totalmente outros... É a realização da vida plena.

- A certeza da Ressurreição não deve ser, apenas, uma realidade que esperamos; mas deve ser uma realidade que influencia, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da Ressurreição que deve influenciar as nossas atitudes; é a certeza da ressurreição que nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, de forma a que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já.

A Liturgia nos apresenta uma verdade consoladora: Viemos de Deus e, com a morte, voltamos para ele.
A Morte não nos deve assustar: É o encontro maravilhoso com os amigos e parentes, que foram na nossa frente.
E, sobretudo, vai ser o encontro com o melhor dos amigos: DEUS.
Nossa vida não termina aqui: ressuscitaremos...
"Nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos..."

- Cristo nos garante: "Eu sou a Ressurreição e a Vida.
  Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá". (Jo 11,25)

- "A esperança cristã é a ressurreição dos mortos: Tudo o que nós somos, o somos na medida em que acreditamos na Ressurreição." (Tertuliano)

                         Pe. Antônio
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Louvor para a celebração da Palavra (Diáconos ou ministros da Palavra)


LOUVOR (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- Com Jesus presente junto de nós, pela força do Espírito Santo, louvemos  ao Pai.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Ó Pai, hoje nos ensinastes que sois o Deus dos vivos. Vós vos apresentastes a Moisés como o Deus de nossos pais na fé, o Deus de Abraão, de Isac e de Jacó. Pai querido, agradecemos nossa existência. Em vós existimos e nos movemos. E é para Vós que nos tornaremos para louvar-vos eternamente. Senhor, dai-nos muita fé e esperança para que vivamos o sentido do eterno e não apenas as realidades desta vida por onde peregrinamos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Ó Pai, temos a esperança que Vós nos ressuscitareis. Senhor, transformai-nos em bons filhos. Que saibamos Vos amar e amar ao nosso próximo. Que tenhamos coragem e força de levar Vosso nome a todos os irmãos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Ó Pai, Enviai o Vosso Espírito Santo sobre nós, para que fortalecidos com a vossa graça construamos o Reino de Paz e amor.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...