Mostrando postagens com marcador 17º Domingo do Tempo Comum. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 17º Domingo do Tempo Comum. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de julho de 2017

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilia, subsídios homiléticos

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM    -   
 Tema “O tesouro que vale a pena!”

Sinopse:
Primeira leitura: Salomão é o protótipo do homem “sábio”, que escolhe o que é importante.
Evangelho: Jesus recomenda que façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental.
A segunda: convida-nos a seguir a proposta de Jesus. Esse é o valor que sobrepõe-se a todos os outros valores.

PRIMEIRA LEITURA (1Reis 3,5.7-12) o Senhor apareceu a Salomão, em sonho E Salomão disse: Dá, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o povo e de discernir entre o bem e o mal. E Deus disse a Salomão: “dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes, nem haverá depois de ti”.
AMBIENTE - O grande rei David morreu em 972 a.C. Sucedeu-lhe no trono o filho, Salomão. Organizou a divisão administrativa do território que herdou, dotou-o de grandes construções (Templo de Jerusalém), fortificou as cidades mais importantes, potenciou o intercâmbio cultural e comercial com os países da zona, incentivou e apoiou a cultura e as artes. Salomão recrutou “sábios” estrangeiros para a corte e rodeou-se de homens  de “saber. Os “sábios” coligiram provérbios, redigiram “máximas” de carácter sapiencial, deram “instruções” (sobre as virtudes para ser feliz). Redigiram-se crônicas sobre os reinados anteriores. Os teólogos vão esforçar-se por sacralizar o poder de Salomão (vontade de Deus). (no Livro do Deuteronômio) dupla finalidade: apresentar Salomão como o escolhido de Jahwéh e justificar a sua proverbial “sabedoria”.
MENSAGEM - No nosso texto, num sonho, o jovem rei pede um coração “sábio” para governar com justiça. (na continuação – Deus acrescenta ainda outros três dons: a riqueza, a glória e a longa vida – cf. 1 Re 3,13-14).
o texto deixa claro que, em Israel, o rei é o “instrumento de Deus”, que intervém na vida do seu Povo. Depois, texto mostra que o seu papel foi um ministério que lhe foi confiado por Deus” e que o objetivo final desse serviço é a realização do bem comum. Salomão aparece aqui como o modelo do homem que sabe escolher as coisas importantes e que não se deixa distrair por valores efémeros.
ATUALIZAÇÃO - • A figura de Salomão questiona todos aqueles que detêm responsabilidades na comunidade (seja em termos civis, seja em termos religiosos). Convida-os a uma atitude de serviço: o seu objetivo não deve nunca ser a realização dos esquemas pessoais, mas sim o benefício de toda a comunidade, a concretização do bem comum.

SALMO RESPONSORIAL / SI 117 (118).
Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!
•              É esta a parte que escolhi por minha herança: / observar
vossas palavras, ó Senhor! / A lei de vossa boca, para
mim, / vale mais do que milhões em ouro e prata.
•              Vosso amor seja um consolo para mim, / conforme a
vosso servo prometeste. / Venha a mim o vosso amor
e viverei, / porque tenho em vossa lei o meu prazer!
•              Por isso amo os mandamentos que nos destes, / mais
que o ouro, muito mais que o ouro fino! / Por isso
eu sigo bem direito as vossas leis, / detesto todos os
caminhos da mentira.
•              Maravilhosos são os vossos testemunhos, / eis porque
meu coração os observa! / Vossa palavra, ao revelar-se,
me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos.


EVANGELHO (Mt 13,44-52) “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. O Reino dos Céus é ainda como uma rede que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores recolhem peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha. Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
AMBIENTE - (anos oitenta). O entusiasmo inicial deu lugar à monotonia, a uma vivência pouco comprometida. Mateus sente que é preciso chamar a atenção para o Reino, suas exigências e seus valores.
MENSAGEM - Na primeira parte, Quer a parábola do tesouro escondido, quer a parábola da pérola preciosa, sugerem que o Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro” precioso. Ora, quando alguém encontra um “tesouro” como esse, deve elegê-lo como a riqueza mais preciosa, o fim último da própria existência, o valor fundamental pelo qual se renuncia a tudo o resto e pelo qual se está disposto a pagar qualquer preço. O cristão é confrontado com muitos valores e opções; mas deve aperceber-se de que o Reino é o valor mais importante.
Na segunda parte, Mateus apresenta o Reino na imagem de uma rede que apanha diversos tipos de peixes. É um ensinamento semelhante ao da parábola do trigo e do joio (domingo passado): o é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente. Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele dá ao homem o tempo necessário para amadurecer as suas opções e fazer as suas escolhas. A referência que Mateus faz (mais uma vez) ao juízo final é uma forma de exortar os irmãos a porem em prática as propostas de Jesus.
Na terceira parte, Mateus sugere que o verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que “compreende”. Ora, “compreender”, na teologia mateana, significa “prestar atenção” e comprometer-se com o ensinamento proposto. A referência ao “escriba” que “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” pode referir-se aos judeus, conhecedores do Antigo Testamento (o “velho”), convidados agora a refletirem essas velhas promessas à luz das propostas de Jesus (o “novo”).
ATUALIZAÇÃO • O cristão faz a sua caminhada num mundo que exalta o orgulho, a autossuficiência, a independência; mas ele já aprendeu, com Jesus, que o Reino é perdão, tolerância, encontro, fraternidade; a prioridade é o Reino.
• Escolher o Reino não é agradar a Deus e ao diabo, mas é optar por Deus e pelos valores do Evangelho.
• O Evangelho convida-nos a admirar os métodos de Deus, que não tem pressa em condenar e destruir.

SEGUNDA LEITURA (Rm 8, 28-30) ...tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus. Pois a esses ele predestinou a serem imagem do seu Filho, para que este seja primogênito numa multidão de irmãos. E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.
AMBIENTE – Deus oferece gratuitamente ao homem a sua graça e dá-lhe a possibilidade de chegar à salvação (cf. Rom 3,21-4,25); e é em Jesus Cristo que esse dom de Deus se comunica ao homem (cf. Rom 5,1-7,25). É o Espírito Santo que permite ao homem acolher esse dom e viver na fidelidade à graça que Deus oferece (cf. Rom 8,1-39). Depois de assegurar aos cristãos que o Espírito “vem em auxílio da nossa fraqueza” e “intercede por nós” (cf. Rom 8,26-27), Paulo relembra que Deus tem um projeto de amor que se traduz no oferecimento da salvação.
MENSAGEM - Aos que aderem a esse projeto, Deus chama-os a identificarem-se com o seu filho Jesus, liberta-os do egoísmo e do pecado e fá-los, com Jesus, chegar à vida nova e plena (justificação).
ATUALIZAÇÃO - • Deus nos ama, vem continuamente ao nosso encontro, aponta-nos o caminho da vida plena e verdadeira, desafia-nos à identificação com Jesus, convida-nos a integrar a sua família. Nós, os crentes, somos convidados a testemunhar, com palavras, com ações, com a vida, no meio dos irmãos o caminho da vida, o amor e o projeto de salvação que Deus tem.

=========----------------==========

Pe. Antônio Geraldo - O Tesouro

A Liturgia deste domingo nos convida a refletir nos valores sobre os quais fundamentamos a nossa existência.

 As leituras nos ajudam a escolher esses valores...

Na 1ª Leitura, o rei Salomão escolhe o seu tesouro: a SABEDORIA. (1Rs 3,5.7-12)

- No início de seu reinado, o jovem rei vai a Gabaon, onde se achava o Tabernáculo sagrado, construído por Moisés, a fim de oferecer sacrifícios ao Senhor.
- Em sonho, o Senhor manifesta o seu agrado por este gesto e convida-o a pedir o que quisesse.
- O rei não se deixou seduzir e alienar por valores efêmeros (poder, riquezas, prestígio político).
  Pelo contrário, escolhe o mais importante: um coração "sábio" para governar seu povo com justiça e retidão.
- A ESCOLHA agradou plenamente a Deus:
E Deus lhe concedeu uma sabedoria inigualável e acrescentou ainda outros três valores não solicitados: riqueza, glória e vida longa.  Salomão soube escolher o melhor: SABEDORIA

* O texto queria também apresentar Salomão como o escolhido do Senhor e justificar a sua proverbial sabedoria.

A 2ª Leitura apresenta etapas do caminho que conduz à Salvação.
Precisamos da Sabedoria de Deus, para discernir o desígnio de Deus, que nos "predestinou" para sermos conformes à imagem do seu Filho. (Rm 8,28-30)

No Evangelho, Jesus apresenta o seu tesouro: o REINO DE DEUS.
É a conclusão do 3º Discurso de Jesus, com as últimas três "Parábolas": o Tesouro, a Pérola e a Rede. (Mt 13,44-52)

+ O Reino de Deus é um TESOURO escondido...  uma PÉROLA que se procura...

A DESCOBERTA desse tesouro e dessa pérola provoca, em quem os encontrou, duas atitudes: Renúncia e Alegria.

1. RENÚNCIA a tudo para adquiri-los...
    O Reino proposto por Jesus é um "tesouro" precioso pelo qual se renuncia a tudo e pelo qual os seguidores de Cristo devem estar dispostos a pagar qualquer preço.

* Desde que descobrimos Cristo, o que mudou em nossa vida?
   O que nós já renunciamos por esse tesouro?
   Onde gastamos mais tempo em nossa vida diária?
   A serviço da comunidade, em leituras sérias, na Oração, ou no futebol, na TV, no dinheiro, no bate-papo com os amigos?
2. ALEGRIA muito grande pelo bem encontrado...
Todo comerciante que realizou um bom negócio sente-se feliz... mesmo tendo de se desfazer de muitos bens...
O Reino de Deus é um tesouro pelo qual compensa a renúncia de todos os bens deste mundo.

* Demonstramos alegria e felicidade por termos achado o nosso tesouro?
   Se temos consciência desse tesouro, como podemos permanecer acabrunhados, tristes e desanimados?

+ Mas ficam ainda umas perguntas inquietantes:

Se o Reino de Deus é tão precioso,
  - Por que há tantos homens que o ignoram ou até o desprezam?
  - Por que vemos tantos males entre os bons?
  - Será que, no final, todos teremos a mesma sorte?
 
+ Na 3a Parábola, Jesus nos dá a resposta: O Reino de Deus é uma REDE:

A Igreja é comparada a uma rede de arrastão, lançada ao lago, que apanha peixes de todos os tipos e qualidades... O Pescador, depois de ter puxado lentamente a rede à terra, recolhe os peixes, separando os bons e os maus, os aproveitáveis e os inúteis.
Recolhe os bons e joga fora os maus...
Deus não tem pressa em condenar e destruir... sabe esperar...

- Qual a nossa situação: dentro da Igreja, diante do divino Pescador?
Somos um membro vivo, atuante, útil à vida da Igreja, ou um peixe inútil, desprezado pelo próprio Deus?
Tudo depende de nossa escolha, devemos SABER ESCOLHER...

+ E Jesus conclui o Discurso com um breve diálogo com os discípulos, no qual afirma que o verdadeiro discípulo é aquele que descobre o Tesouro do Reino e se compromete com ele.

Só a Sabedoria divina poderá nos iluminar para compreendê-lo e assim anunciar a todos com alegria a nossa descoberta.

Como Salomão, peçamos a Deus
- muita SABEDORIA... para saber escolher sempre o verdadeiro Tesouro e
- muito ENTUSIASMO... para nos pôr com alegria na sua conquista...


                                           Pe. Antônio Geraldo

=============-------------------------===============

Homilia de D. Henrique Soares Mt 13,44-52
Continuamos a escutar Jesus falando-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegado em casa, ele nos conta ainda três parábolas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor; o homem vende tudo e, fascinado por sua beleza, vende tudo e a adquire...
Observem, irmãos, que Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida, encontra aquilo por que vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria!
Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência... é encontrar-se consigo mesmo! Quem encontra o Reino assim, se encontra, parte de si mesmo e vai viver de verdade! Quantos cristãos experimentaram isso, quantos fizeram-se loucos, pareceram loucos, por amor de Cristo! Quantos jogaram fora amores, família, projetos, bens materiais... O que os levou a isso? O que aconteceu com Santo Antão, que vendeu todos os bens e deu aos pobres e foi viver no deserto, sozinho? O que aconteceu com Francisco de Assis? O que aconteceu com a Beata Madre Teresa de Calcutá ou com a Ir. Dulce? O que aconteceu com aquele moço que largou tudo e foi ser religioso, com aquela moça sem juízo que entrou numa comunidade de vida? O que aconteceu com aquele casal, que mudou seu modo de viver, seu círculo de amizade, que deixou suas badalações? O que aconteceu com São Maximiliano Kolbe, que entregou a vida no lugar de um pai de família? Com o Bem-aventurado Anchieta, que deixou sua pátria e se embrenhou no Brasil selvagem para anunciar Cristo aos índios? O que aconteceu com todos esses? Eles descobriram o tesouro, eles encontraram uma pérola de valor imensurável, eles experimentaram a paz, a doçura, a verdade do Reino dos Céus!
 Meus caros, estejamos atentos! Quem é mole nas coisas de Deus, quem é pouco generoso no seguimento de Cristo, quem sente como um fardo os apelos do Senhor, não experimentou ainda, não encontrou o tesouro, não viu a pérola de grande valor, não descobriu de verdade o Reino dos Céus! Cristãos cansados, cristãos sem entusiasmo, cristãos pouco generosos, cristãos com uma lógica igual à do mundo são cristãos que nunca – nunca! – experimentaram a paz do Reino, a beleza do Reino, a doçura do Reino, a plenitude do Reino que Jesus nos mostra e nos dá! Atentos, irmãos: pode-se ser cristão e nunca ter experimentado o Reino! Pode-se ser padre ou religioso sem nunca ter descoberto o Reino... Aí, já não há alegria, já não há entusiasmo, já não se corre, se arrasta, se rasteja! O Reino tem pressa, o Reino faz vibrar, o Reino nos impele porque descobrir o Reino e experimentar o amor de Deus em Jesus Cristo! Quantos de nós se entusiasmam com tantas coisas e são tão lerdos quando se trata do Senhor e do seu Reino... Não seríamos nós um desses?
E, no entanto, o sonho de Deus é que todos possam encontrar o seu Reino; para isso ele nos criou, para isso nos destinou. Escutemos o Apóstolo: "Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde toda eternidade, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho... E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou". Isso nos coloca diante de duas realidades, caríssimos. Primeiro: o dever que temos de anunciar o Reino a toda a humanidade! A Igreja é missionária, anunciadora do Reino dos Céus! Uma Igreja que não tenha o desejo, que não sinta a necessidade de levar Jesus aos que ainda não o conhecem, é uma Igreja morta, uma Igreja que já não experimenta a alegria de crer! Estejamos atentos: há tantos em terras distantes e tantos bem próximos de nós que não tiveram ainda a alegria do Reino dos Céus, pois que não encontraram o tesouro, na viram a pérola de grande valor! Ai de nós se não anunciarmos a esses a Boa Nova do Reino dos Céus! Nunca esqueçamos: quem encontra algo de muito bom, sente o desejo de comunicar, de partilhar, de tornar conhecido aos demais. Se em nós não há ímpeto missionário, é porque não encontramos, de verdade, a o Reino e sua alegria! Pensemos bem!
Mas, há uma segunda realidade, que precisamos levar em conta. Descobrir o Reino exige um olhar iluminado pela graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão, um coração para compreender: "Dá ao teu servo um coração compreensivo – um coração que escute!" No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando: "Compreendeste essas coisas?" – Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família e dinheiro não ter!
Concluamos, agora, com a última, das sete parábolas: O Reino dos Céus é como uma rede jogada no mar deste mundo... Ela apanha todo tipo de peixe – apanhou a mim, a você... Olhem a Igreja, olhem a nossa comunidade: há de tudo! Todo tipo de gente, todo tipo de cristão! Mas, um dia, a rede será puxada para a margem... e os peixes bons serão recolhidos nos cestos do Senhor e os peixes ruins serão lançados fora, para o fogo queimar... Eis como Jesus termina! Prevenindo-nos que é necessário decidir-se pelo Reino, que nossa vida valerá ou não a pena, terá ou não sentido dependendo de nossa atitude em relação ao Reino que ele veio anunciar...
Irmãos, irmãs! "Compreendestes tudo isso?" Que o Senhor no-lo conceda, ele que Reina para sempre. Amém.
D. Henrique Soares.
(PARA OS diáconos ou ministros da Palavra)
Louvor (Quando o Pão Consagrado estiver sobre o altar)
O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- Por Jesus, com Jesus e em Jesus,  na força do Espírito Santo, louvemos aos Pai:
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Pai, nós Vos bendizemos pelo Vosso amor, quando nos enviais reis e mestres como Salomão para nos instruir em vossos caminhos. Como o rei Salomão, nós Vos pedimos pelos dirigentes das nações e das Igrejas: dai-lhes um coração atento, na condução dos povos e das comunidades segundo o Vosso Espírito e saibam discernir o bem do mal.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Nós Vos damos graças pelo Vosso filho Jesus, que nos ensinou os caminhos do Reino. Que saibamos valorizar tão grande tesouro encontrado. Fazei que o Vosso Espírito nos transforme e que sejamos Vossa imagem de bondade, sabedoria e amor.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Nós Vos bendizemos pelo vosso Reino que estabelecestes em nosso coração como um tesouro escondido e como uma pérola rara que nos dá força para que vençamos as tentações do egoísmo, da vaidade e do orgulho. Fazei-nos mais humildes, servidores e amantes da riqueza do vosso amor.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!

Pai nosso...   A Paz de Cristo...   Eis o Cordeiro...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

17º Domingo do Tempo Comum, subsídios homiléticos, homilias

XVII D. Tempo Comum (adaptado pelo diácono Ismael)

SÍNTESE:
TEMA: A Palavra de Deus mostra-nos a importância da oração.
Primeira leitura: Oração é um diálogo, no qual o homem – com humildade e confiança – apresenta a Deus seus anseios e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo.
Evangelho: Jesus ensina que a oração deve ser um diálogo confiante de uma criança com o seu “papá”.
Segunda leitura: convida a fazer de Cristo a referência fundamental (Cristo tem de ser o modelo: quer na frequência com que se dirige ao Pai, quer na forma como dialoga com o Pai).

PRIMEIRA LEITURA (Gn 18, 20-32)
Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: “O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado. ...Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor. Então... disse Abraão: “Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? ... O Senhor respondeu: “Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira”. Abraão prosseguiu...: “Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza. ... “E se houvesse  quarenta?” ...E se houvesse trinta justos?” Ele respondeu: “Também não o faria, se encontrasse trinta”. Tornou Abraão a insistir: “Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?” Ele respondeu: “Não a iria destruir por causa dos vinte”. Abraão disse: “Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?” Ele respondeu: “Por causa dos dez, não a destruiria”.

AMBIENTE - Este texto vem na sequência da primeira leitura do domingo passado. Depois de terem deixado a tenda de Abraão, os três personagens dirigiram se para a cidade de Sodoma, a fim de constatar “in loco” o pecado dos habitantes da cidade. Abraão acompanhou os seus visitantes divinos durante algum tempo. Sodoma era uma cidade antiga, que se supõe ter existido nas margens do Mar Morto, ao sul da península de El-Lisan. De acordo com as lendas, foi uma das cidades destruídas por um cataclismo que ficou na memória do povo bíblico. Alguns estudiosos modernos têm procurado uma explicação para a lenda na geologia da área: a região fica situada na falha do vale do Jordão, numa zona sujeita a terremotos e a atividades vulcânicas. Depósitos de betume e de petróleo têm sido descobertos nesta região; e alguns escritores antigos atestam a presença de gases que, uma vez inflamados, poderiam causar uma terrível destruição, do tipo relatado em Gn 19. Terá sido isso que aconteceu nessa zona? É, provavelmente, essa recordação de um antigo cataclismo que destruiu a área, que originou a reflexão que esta leitura nos apresenta. Poder-se-ia pensar que um acontecimento tenha excitado a fantasia religiosa, no sentido de procurar as causas de uma tão terrível catástrofe. Os autores jahwistas aproveitaram o ensejo para propor uma catequese sobre o peso que o justo e o pecador têm diante de Deus.

MENSAGEM - O autor jahwista resolve inserir essa pergunta que o inquieta: Deus vai castigar toda a comunidade se nela houver justos? Será que um punhado de justos vale tanto que, por amor deles, Deus esteja disposto a perdoar o castigo a uma multidão de culpados? A ideia de que um punhado de “justos” possa salvar a cidade pecadora é, em pleno séc. X a.C. (a época do jahwista), uma ideia revolucionária. Para a mentalidade religiosa dos israelitas desta altura, todos os membros de uma comunidade (família, cidade, nação) eram solidários no bem e no mal; se alguém falhasse, o castigo devia derramar-se sobre o grupo. No entanto, os catequistas jahwistas atrevem-se a sugerir que talvez a “justiça” de uns tantos seja, para Deus, mais importante do que o pecado da maioria. Apesar de tudo, ainda estamos longe da perspectiva da retribuição e da responsabilidade individuais: essas ideias só serão consagradas pela catequese de Israel a partir do séc. VI a.C. (época do exílio na Babilônia). O problema que Abraão procura resolver é, portanto, se aos olhos de Deus um grupo de “justos” tem tal peso que, por amor deles, Deus esteja disposto a suspender o castigo que pesa sobre toda a coletividade. Os números sucessivamente avançados por Abraão (em forma descendente, de 50 até 10) fazem parte do folclore do “regateio” oriental; mas servem, também, para pôr em relevo a misericórdia e a “justiça de Deus”: a descida até aos dez “justos” e as sucessivas manifestações da vontade de Deus em suspender o castigo mostram que, n’Ele, a misericórdia é maior do que vontade de castigar, que a vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder.
É um diálogo “face a face” no qual Abraão se apresenta com humildade, com respeito, pois sente-se “pó e cinza” diante da onipotência de Deus. No entanto, à medida que o diálogo avança e que Abraão se confronta com a benevolência de Deus, vai surgindo a confiança. Abraão chega a ser importuno na sua insistência e ousado no seu regateio. Recordando a Deus os seus compromissos, ele aparece como o “intercessor”, que consegue da misericórdia de Deus que um número insignificante de justos tenha mais peso do que um número muito elevado de culpados. É possível dialogar com Deus desta forma familiar, confiante, insistente, ousada? Certamente, pois o Deus de Abraão é esse Deus que veio ao encontro do homem, que entrou na sua tenda, que Se sentou à sua mesa, que estabeleceu com ele comunhão, que realizou os sonhos desse homem que O acolheu, que aceitou partilhar com Ele os seus projetos. Um Deus que Se revela dessa forma é um Deus com quem o homem pode dialogar, com amor e sem temor.

ATUALIZAÇÃO ♦ O diálogo entre Abraão e Deus a propósito de Sodoma confirma esse Deus da comunhão, que vem ao encontro do homem, que entra na sua casa, que Se senta à mesa com ele, que escuta os seus anseios e que lhes dá resposta; e mostra, além disso, um Deus cheio de bondade e de misericórdia, cuja vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de condenar. É esse Deus “próximo”, cheio de amor, que quer vir ao nosso encontro e partilhar a nossa vida que temos de encontrar: só será possível rezar, se antes tivermos descoberto este “rosto” de Deus.
♦ A “oração” de Abraão é paradigmática da “oração” do crente: é um diálogo com Deus – um diálogo humilde, reverente, respeitoso, mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança. Não é uma repetição de palavras ocas, gravadas e repetidas, mas um diálogo espontâneo e sincero, no qual o crente se expõe e coloca diante de Deus tudo aquilo que lhe enche o coração.

EVANGELHO (Lc 11, 1-13)
Jesus estava rezando..., um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação”. E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”

AMBIENTE - Jesus apresenta aos discípulos a forma de dialogar com Deus. Não se trata tanto de ensinar uma fórmula fixa, que os discípulos devem repetir de memória, mas mais de propor um “modelo”. De resto, o “Pai nosso” conservado por Lucas é um tanto diferente do “Pai nosso” conservado por Mateus (cf. Mt 6,9-13). A versão de Mateus condiz com um meio judeu-cristão, enquanto que a de Lucas – mais breve e com menos embelezamentos litúrgicos – está mais próxima (provavelmente) da oração original. Nenhuma destas versões pretende, na realidade, reproduzir literalmente as palavras de Jesus, mas mostrar às comunidades cristãs qual a atitude que se deve assumir no diálogo com Deus.

MENSAGEM - Como é que os discípulos devem, então, rezar? Primeiro diz respeito à “forma”: deve ser um diálogo de um filho com o Pai; segundo diz respeito ao “assunto”: o diálogo incidirá na realização do plano do Pai, no advento do mundo novo. Tratar Deus como “Pai” não é novidade nenhuma. No Antigo Testamento, Deus é “como um pai” que manifesta amor e solicitude pelo seu Povo (cf. Os 11,1-9). No entanto, na boca de Jesus, a palavra “Pai” referida a Deus não é usada em sentido simbólico, mas em sentido real: para Jesus, Deus não é “como um pai”, mas é “o Pai”.
A própria linguagem com que Jesus Se dirige a Deus mostra isto: a expressão “Pai” usada por Jesus traduz o original aramaico “abba” (cf. Mc 14,36), tomada da maneira comum e familiar como as crianças chamavam o seu “papá”. Ao referir-se a Deus desta forma, Jesus manifesta a intimidade, o amor, a comunhão de vida, que o ligam a Deus. No entanto, o aspecto mais surpreendente reside no fato de Jesus ter aconselhado os seus discípulos a tratarem a Deus da mesma forma, admitindo-os à comunhão que existe entre Ele e Deus. Porque é que os discípulos podem chamar “Pai” a Deus? Porque, ao identificarem-se com Jesus e ao acolherem as propostas de Jesus, eles estabelecem uma relação íntima com Deus (a mesma relação de comunhão, de intimidade, de familiaridade que unem Jesus e o Pai). Tornam-se, portanto, “filhos de Deus”. Sentir-se “filho” desse Deus que é “Pai” significa outra coisa: implica reconhecer a fraternidade que nos liga a uma imensa família de irmãos. Dizer a Deus “Pai” implica sair do individualismo que aliena, superar as divisões e destruir as barreiras que impedem de amar e de ser solidários com os irmãos, filhos do mesmo “Pai”. Desta forma, Cristo convida os discípulos a assumirem, na sua relação e no seu diálogo com Deus, a mesma atitude de Jesus: a atitude de uma criança que, com simplicidade, se entrega confiadamente nas mãos do pai, acolhe naturalmente a sua ternura e o seu amor e aceita a proposta de intimidade e de comunhão que essa relação pai/filho implica; convida, também, os discípulos a assumirem-se como irmãos e a formarem uma verdadeira família, unida à volta do amor e do cuidado do “Pai”. Definida a “atitude”, falta definir o “assunto” ou o “tema” da oração.

Na perspectiva de Jesus, o diálogo do crente com Deus deve abordar o tema do advento do Reino, do nascimento desse mundo novo que Deus nos quer oferecer. A referência à “santificação do nome” expressa o desejo de que Deus se manifeste como salvador aos olhos de todos os povos e o reconhecimento por parte dos homens, da justiça e da bondade do projeto de Deus para o mundo; a referência à “vinda do Reino” expressa o desejo de que esse mundo novo que Jesus veio propor se torne uma realidade definitivamente presente na vida dos homens; a referência ao “pão de cada dia” expressa o desejo de que Deus não cesse de nos alimentar com a sua vida (na forma do pão material e na forma do pão espiritual); a referência ao “perdão dos pecados” pede que a misericórdia de Deus não cesse de derramar-se sobre as nossas infidelidades e que, a partir de nós, ela atinja também os outros irmãos que falharam; a referência à “tentação” pede que Deus não nos deixe seduzir pelo apelo das felicidades ilusórias, mas que nos ajude a caminhar ao encontro da felicidade duradoura, da vida plena… Duas parábolas finais completam o quadro. O acento da primeira (vers. 5-8) não deve ser posto tanto na insistência do “amigo importuno”, mas mais na ação do amigo que satisfaz o pedido; o que Jesus pretende dizer é: se os homens são capazes de escutar o apelo de um amigo importuno, ainda mais Deus atenderá gratuitamente aqueles que se Lhe dirigem. A segunda parábola (vers. 9-13) convida à confiança em Deus: Ele conhece-nos bem e sabe do que necessitamos; em todas as circunstâncias Ele derramará sobre nós o Espírito, que nos permitirá enfrentar todas as situações da vida com a força de Deus.

ATUALIZAÇÃO ♦ A forma como Jesus Se dirige a Deus mostra a existência de uma relação de intimidade, de amor, de confiança, de comunhão entre Ele e o Pai (de tal forma que Jesus chama a Deus “papá”); e Ele convida os seus discípulos a assumirem uma atitude semelhante quando se dirigem a Deus… É essa a atitude que eu assumo na minha relação com Deus? Ele é o “papá” a quem amo, a quem confio, a quem recorro, com quem partilho a vida, ou é o Deus distante, inacessível, indiferente?
♦ A minha oração é uma oração egoísta, de “pedinchice” ou é, antes de mais, um encontro, um diálogo, no qual me esforço para escutar Deus, por estar em comunhão com Ele, por perceber os seus projetos e acolhê-los?
♦ A minha oração é uma “negociata” entre dois parceiros comerciais (“dou-te isto, se me deres aquilo”) ou é um encontro com um amigo de quem preciso, a quem amo e com quem partilho as preocupações, os sonhos e as esperanças?

SEGUNDA LEITURA (Cl 2, 12-14) Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses.
Irmãos: Com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados. Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz.

AMBIENTE - Paulo defende a absoluta suficiência de Cristo para a salvação do homem. Paulo polemiza contra os “falsos doutores” que confundiam os cristãos de Colossos com exigências acerca de anjos, de ritos e de práticas ascéticas (cf. Col 2,4-3,4). Depois de exortar os Colossenses à firmeza na fé frente aos erros dos “falsos doutores” (cf. Col 2,4-8), Paulo afirma que Cristo basta, pois é n’Ele que reside a plenitude da divindade; Ele é a cabeça de todo o principado e potestade e foi Ele que nos redimiu com a sua morte (cf. Col 2,9-15).

MENSAGEM - A questão fundamental é a afirmação da supremacia de Cristo e da sua suficiência na salvação do crente. Pelo Batismo, o crente aderiu a Cristo e identificou-se com Cristo; a vida de Cristo passou a circular nele: por isso, o crente morreu para o pecado e nasceu para a vida nova do Homem Novo. Em Cristo encontramos a vida em plenitude, sem que seja necessário recorrer a mais nada (poderes angélicos, ritos, práticas) para ter acesso à salvação. Para representar, de forma mais explícita, o que significa este “morrer” e “ressuscitar”, Paulo refere-se a um “documento de dívida” que a morte de Cristo teria “anulado”. Este “documento” em que se reconhece a nossa dívida para com Deus pode designar aqui, quer a Lei de Moisés (com as suas leis, exigências, prescrições, impossíveis de cumprir na totalidade e constituindo, portanto, um documento de acusação contra as falhas dos homens), quer o “registro” onde, de acordo com as tradições judaicas da época, Deus inscreve as contas da humanidade (cf. Sal 139,16). De uma forma ou de outra, não interessa acentuar demasiado esta imagem do “documento de dívida”: ela é, apenas, uma linguagem, utilizada para significar que Cristo anulou os nossos débitos (no sentido em que o nosso egoísmo e o nosso pecado morreram, no instante em que Ele nos libertou); e, através de Cristo, começou para nós uma vida nova, liberta de tudo o que nos oprime, nos escraviza, nos rouba a felicidade, nos impede o acesso à vida plena.

ATUALIZAÇÃO ♦  É por Cristo que o nosso pecado e o nosso egoísmo são saneados e temos acesso à salvação, à vida nova do Homem Novo. É nisto que se deve centralizar a nossa existência de cristãos. Ao denunciar a atitude dos Colossenses (mais preocupados com os poderes dos anjos e com certas práticas e ritos do que com Cristo), Paulo adverte-nos para não nos deixarmos afastar do essencial por aspectos secundários. O critério deve ser este: tudo o que contribui para nos levar até Cristo é bom; tudo o que nos distrai de Cristo é dispensável.
♦ Pelo Batismo nos identificamos com Jesus e partimos para uma vida vivida ao jeito de Jesus, na doação, no serviço, na entrega da vida por amor. A minha vida caminha em direção ao Homem Novo, ou mantém-me no homem velho do egoísmo, do orgulho e do pecado?

Dehonianos

==========------------========

"Pai Nosso..."

A Liturgia nos convida a refletir sobre um dos elementos essenciais da vida cristã e do seguimento de Cristo: a ORAÇÃO.
Mas o que é Oração? Como fazê-la?

A leituras nos dão dois exemplos concretos: Abraão e Jesus.

Na 1a Leitura, ABRAÃO reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra. (Gn 18,20-32)

É a primeira vez na Bíblia que um homem inicia uma conversa com Deus.
Sua oração é um DIÁLOGO com Deus, humilde, reverente, respeitoso,
mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança.
Não foi a repetição de fórmulas decoradas ou lidas, mastigadas às pressas,
mas um diálogo no qual apresenta a Deus as suas inquietações, dúvidas, anseios
e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo e para os homens.

A 2ª Leitura convida a viver de forma renovada, pois fomos libertados
pela obra redentora de Cristo na cruz. (Cl 2,12-14)

No Evangelho, JESUS reza e ensina a rezar. (Lc 11,1-13)

Lucas é o evangelista da oração de Jesus.
O texto não quer ensinar uma fórmula fixa, que os discípulos devem repetir de cor, mas propor um modelo, o espírito que deve estar presente em todas as orações.
Uma conversa de filho para Pai.  (em Lucas 5 pedidos; em Mateus 7)

1. A Introdução apresenta o contexto em que Jesus ensinou o Pai Nosso.
   - Jesus estava rezando...
   - Os Apóstolos, impressionados, pedem: "Ensina-nos a rezar..."
   - Jesus responde: "Quando rezardes, dizei: PAI NOSSO..."

2. A Oração:

 - "Pai nosso..."
     - Que imagem temos de Deus?
       De um patrão exigente, um juiz severo, do qual se deve ter medo?
     = Deus é PAI... é Nosso (não apenas meu)...
 - "Santificado seja o vosso nome..."
     "Glorificado seja o vosso Santo nome" seria uma tradução mais exata...
      Quando? Quando é ovacionado com salva de palmas? 
      ou quando a Salvação alcança o coração de todos os homens?
  - "Venha a nós o vosso Reino.."
     - Reino de Justiça, de Amor e Paz, de Liberdade, de Fraternidade...
 - "Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento..."
     - Todos precisamos do pão... e as coisas necessárias para uma vida digna.
        Isso não dispensa o nosso esforço e o nosso trabalho.
     - "Nosso" = "de todos..."
 - "Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos..."
     - Não é possível rezar o Pai Nosso, tendo ódio no coração...
       Muitas vezes, o amor e a união só são possíveis pelo caminho do perdão...

 - "Não nos deixeis cair em tentação...":  
     - Sobretudo o abandono da fé... dos projetos de Deus...
       para abraçar o espírito do mundo...

3. Duas Parábolas completam o quadro:
    - A 1ª salienta a eficácia da Oração perseverante:
      O "Amigo inoportuno" é atendido: "Pedi e recebereis..."

   - A 2ª convida à Confiança em Deus: lembra o amor de pai para os filhos...
     "Se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
      quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem..."

+ Não basta rezar... devemos rezar como convém...
   A Oração deve unificar a vida de um homem com Deus...
   deve impregnar a vida de cada dia... não é uma "gaveta" isolada.  
   - Que dizer de fórmulas "milagrosas", das "orações de poder?"
   - Das orações comerciais: "dou, se me deres?"
   - Dos decepcionados, quando não são atendidos?

+ O Valor da Oração não está condicionado:
   - Ao comprimento das velas... - Ao número de vezes que repetimos...
   - Ao comprimento da fita...     - Ao número de nós no barbante...
   - À fórmula milagrosa - Ao lugar em que fazemos... - Ao Santo que invocamos.
   = Mas sim ao espírito de FÉ e AMOR com que a fazemos...

REZAR: É um DIÁLOGO familiar com Deus,
que brota de um ato de fé e de um ato de amor e
que nos leva a entrar no Plano de Deus: "Seja feita a vossa vontade..."

REZAR: Não é apenas orar com os lábios,
mas também com a inteligência, com o coração e com toda a nossa vida...

* Temos tempo para rezar? Quando é que nos lembramos de rezar?
   Só nos momentos de apuro, como um pronto-socorro?

E Você, Pai (ou mãe) reza profundamente com o seu Deus,
a ponto provocar em seu filho o pedido: "Pai (Mãe), ensina-me a rezar?"

Estamos aqui reunidos, porque acreditamos na Oração...
- Ela está marcando de fato a nossa vida,
de modo a impressionar também os que aqui não vem,
percebendo em nós a alegria de alguém se encontrou com Deus na oração?

Se ainda não o conseguimos... façamos nossa, a oração dos apóstolos:
"Senhor, ensina-nos a rezar..."

No dia dedicado ao Agricultor e ao Motorista, nossa prece e reconhecimento
àqueles que cultivam a terra e aos que transportam os frutos.
Que São Cristóvão abençoe os motoristas e proteja todos os agricultores...

                            Pe. Antônio Geraldo
==============-------------=========

Homilia de D. Henrique Soares da Costa

Basta recordar a primeira leitura e o evangelho para ver claramente que a Palavra de Deus deste domingo fala da oração. Abraão reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra; Cristo ensina seus discípulos a rezar. Portanto, a oração.

É impressionante não somente o fato de Jesus nos ter mandado rezar, nos ter ensinado a rezar, mas sobretudo, o fato de ele mesmo ter rezado com muitíssima frequência. Basta recordar o início do evangelho de hoje: “Jesus estava rezando num certo lugar”. Nós sabemos que ele passava noites inteiras em oração, que rezava antes dos grandes momentos de sua vida, que morreu rezando.
Afinal, por que rezar? Para nos abrir para Deus, para nos fazer tomar consciência dele com todo o nosso ser, para que percebamos com cada fibra do nosso ser, do nosso consciente e do nosso inconsciente que não nos bastamos a nós mesmos, mas somos seres chamados a viver a vida em comunhão com o Infinito, em relação com o Senhor. Sem a oração, perderíamos nossa referência viva a Deus, cairíamos na ilusão que somos o centro da nossa vida e reduziríamos o Senhor Deus a uma simples idéia abstrata, distante e sem força. Todo aquele que não reza, seja leigo, seja religioso, seja padre, perde Deus, perde a relação viva com ele. Pode até falar dele, mas fala como quem fala de uma idéia, de uma teoria e não de alguém vivo e próximo, que enche a vida de alegria, ternura, paz e amor. Sem a oração, Deus morre em nós. Sem a oração é impossível uma experiência verdadeira e profunda de Deus e, portanto, é impossível ser cristão. Por tudo isso, a oração tem que ser diária, perseverante e fiel.
Assim, quando agradecemos, reconhecemos que tudo recebemos de Deus; quando suplicamos, reconhecemos e aprendemos que dependemos dele e da sua providência; quando intercedemos, aprendemos e experimentamos que tudo e todos estão nas mãos amorosas de Deus; quando pedimos perdão, reconhecemos que nossa vida é vivida diante dele e a ele devemos prestar contas da existência que recebemos. Portanto, a oração nos abre, nos educa, nos amadurece, nos faz viver em parceria com o Senhor.
Quanto aos modos de rezar, são variados. A melhor forma é com a Sagrada Escritura: tomando a Palavra de Deus, lendo-a com os lábios, meditando-a com o coração e procurando vivê-la na existência. Tome diariamente a Bíblia, leia-a com fé, repita as palavras ou frases que tocaram seu coração e derrame sua alma diante do Senhor. Nunca esqueçamos que essa Palavra de Deus é viva e eficaz, transformando a nossa vida e dando-lhe um novo sentido. Também é importante a oração espontânea, com nossas palavras e a oração vocal, aquela decorada, como o Pai-nosso e a Ave-Maria. Aqui, é bom recordar o terço, que tanto bem tem feito ao longo dos séculos. Mas, a oração por excelência é a própria Celebração Eucarística (missa). Aí, de modo pleno, nós somos unidos à própria oração de Cristo, participando do seu sacrifico pela salvação nossa e do mundo inteiro.
Mas, recordemos que a oração não é uma negociata com Deus nem é para dobrar Deus aos nossos caprichos. É, antes, para nos tornar disponíveis à vontade do Senhor a nosso respeito. Uma das coisas muito belas da oração é que, tendo rezado e pedido, o que acontecer depois podemos saber com certeza que é vontade de Deus! É nesse sentido que Nosso Senhor afirmou que tudo quanto pedirmos em seu nome, o Pai nos concederá. Ora, o que é pedir em nome de Jesus? É pedir como Jesus; “Pai, não se faça a minha, mas a tua vontade”. Rezar assim é entrar no cerne da oração de Jesus. Então, tudo que nos vier, saberemos que é vontade do Pai, pois sabemos que nossa oração foi atendida; e nisto teremos paz.
Que nesta Celebração Eucarística (Missa), nós peçamos, humildemente, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”. E aqui não se trata de fórmulas, mas de atitudes. Observemos que a oração que Jesus ensinou, o Pai-nosso, é toda ela centrada não em nós, mas no Pai: no seu Reino, na sua vontade, na santificação do seu nome. Somente depois, quando aprendermos a deixar que Deus seja tudo na nossa vida, é que experimentaremos que somos pessoas novas, transformadas pela graça do Senhor.
Cuidemos, pois de avaliar nossa vida de oração e retomar nosso caminho de busca de intimidade com o Senhor, ele que é a fonte e a razão de ser da nossa existência. Amém.
D. Henrique Soares da Costa


==========-----------=============

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros da Palavra):
LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, NOS COLOQUEMOS NA PRESENÇA DO PAI:
T: Pai querido, santificado seja o vosso nome.
à “Deus de bondade, nós Vos damos graças pelo Vosso Filho Jesus; com sua morte de cruz nos mostrou como é grande o vosso amor por nós. Pai, iluminai-nos para que saibamos ser instrumentos desse amor na construção do Reino.
T: Pai querido, santificado seja o vosso nome.
à “Deus da vida e da ressurreição, nós Vos damos graças pelo nosso batismo. Estávamos destinados à morte e Vós nos deste vida nova quando nos enviastes vosso Filho, que nos tornou também filhos vossos. Somos um novo povo rumo à eternidade junto a Vós. 
T: Pai querido, santificado seja o vosso nome.
à “Pai, nós Vos damos graças pela oração, porque Jesus ensinou-nos a procurar-vos, a bater à vossa porta, a pedir-vos o pão e a falar-vos diretamente e com confiança, como filhos a seu Pai. Que vosso nome seja santificado e que vosso Reino seja edificado. Dai-nos o pão de vida e o Espírito da fortaleza para que vençamos nossas dificuldades.
T: Pai querido, santificado seja o vosso nome.
à Jesus nos fez irmãos; como Jesus orou ao seu “papá”, ao seu paizinho, rezemos a oração que Ele nos ensinou:
 PAI NOSSO... EIS O CORDEIRO.