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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

3º DOMINGO DO ADVENTO, Homilias, subsídios homiléticos

3º DOMINGO DO ADVENTO ANO B

Tema: “Aplainai o caminho do Senhor.” “Deus vem para a alegria dos pobres.
Na primeira leitura: A missão deste “profeta” (trito-Isaías) é anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, que Deus vai oferecer aos “pobres”, humildes e pequeninos.
O Evangelho: O Profeta João Baptista, é a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena.
Na segunda leitura: Paulo explica aos cristãos a atitude que é preciso assumir enquanto se espera o Senhor que vem… Paulo pede-lhes que sejam uma comunidade “santa” e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus.

PRIMEIRA LEITURA (Is 61,1-2a.10-11) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor. Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias. Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.

AMBIENTE – É um texto do Trito-Isaías (capítulos 56-66). Os textos são da época posterior ao Exílio e numa Jerusalém em reconstrução. Para os retornados do Exílio, são tempos difíceis e incertos… A população da cidade é pouco numerosa, a reconstrução é lenta e modesta, os inimigos estão à espreita. Aos poucos, com a reorganização da vida na cidade, voltam as injustiças dos poderosos sobre os fracos e os pobres, bem como a corrupção, e a prepotência dos chefes. O Povo está desanimado e sem esperança.
Os profetas que desenvolvem a sua missão nesta fase vão tentar acordar a esperança num futuro de vida plena e de salvação definitiva. Nesse sentido, vão falar de uma época em que Deus vai voltar a residir em Jerusalém, oferecendo em cada dia ao seu Povo a vida e a salvação. Essa “salvação” implicará, não só a reconstrução de Jerusalém e a restauração das glórias passadas, mas também a libertação dos pobres, dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados.

MENSAGEM – O profeta apresenta-se como o “ungido” do Senhor, sobre quem repousa o Espírito; e é o mesmo Espírito que o move e o impele para a missão – como acontecia com os juízes e os antigos profetas (cf. Nm 11,25-26; 24,2).
Em concreto, a missão do profeta consiste em anunciar uma “boa notícia” (“evangelho”), em curar os corações feridos, em proclamar a libertação aos prisioneiros, em promulgar “o ano da graça do Senhor”. O anúncio do “ano da graça” alude aos anos jubilares (celebrados de cinqüenta em cinqüenta anos – cf. Lev 25,10-17) e aos anos sabáticos (celebrados de sete em sete anos). De acordo com a Lei de Deus, eram anos destinados a restaurar a situação original de justiça e implicavam, por isso, a libertação dos escravos (cf. Ex 21,2; Dt 15,12), o perdão das dívidas (cf. Dt 15,1) e a restituição dos bens e propriedades alienados durante esse período.
Os destinatários dessa mensagem de esperança são os “pobres”. A categoria “pobres”, no contexto bíblico, é menos uma categoria sociológica e mais uma categoria espiritual… Os pobres são os carentes de bens, de dignidade, de liberdade e de direitos, mas que pela sua especial situação de miséria e de necessidade são considerados os preferidos de Deus e o objeto de uma especial proteção e ternura de Deus. Por isso, são olhados com simpatia, são retratados como pessoas pacíficas, humildes, simples, piedosas, cheias de “temor de Deus” (isto é, que se colocam diante de Jahwéh com serena confiança, em total obediência e entrega). Representam essa parte do Povo de Deus frequentemente maltratada e oprimida pelos poderosos, mas que se entrega com fé, humildade e confiança nas mãos de Deus e que Deus ama de forma especial.

ATUALIZAÇÃO • Neste trecho do Trito-Isaías afirma-se, de forma clara, a existência de um projeto de salvação que Deus tem para oferecer ao seu Povo, especialmente aos pobres – isto é, a todos aqueles que vivem numa situação intolerável de carência de bens, de dignidade, de liberdade, de justiça, de vida. O profeta garante-lhes que Deus os ama, que não os abandona à sua miséria e sofrimento e que tem um projeto de vida, de alegria, de felicidade para propor a cada homem ou a cada mulher que a vida magoou. Esta “boa notícia” deve encher de esperança todos aqueles que não têm acesso aos bens essenciais (educação, saúde, trabalho, justiça, amor), que não têm vez nem voz, que são injustiçados e explorados, que são mastigados e digeridos por um sistema econômico que gera exclusão, alienação e miséria. O Deus em quem acreditamos não é um Deus indiferente, que pactua com o racismo, a exclusão, a violência, a exploração, o terrorismo, o imperialismo, a prepotência; mas é um Deus que ama cada “pobre” explorado e injustiçado, que está ao lado dos que sofrem e que dá aos pequenos, aos marginalizados, aos excluídos a força para vencer o desânimo, a miséria, as forças da opressão e da morte.

• Como é que Deus atua no mundo? Cada crente é um profeta, chamado a ser testemunha de Deus e sinal vivo do seu amor, da sua justiça e da sua paz.


SALMO RESPONSORIAL / Ct de Lc 1
A minh’alma se alegra no meu Deus

• A minha alma engrandece o Senhor, / e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, /
pois ele viu a pequenez de sua serva; / desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
• O Poderoso fez por mim maravilhas. / E Santo é o seu nome! /  
Seu amor, de geração em geração, / chega a todos os que o respeitam.
• De bens saciou os famintos / e despediu os ricos sem nada. /
Acolheu Israel, seu servidor, / fiel ao seu amor.

EVANGELHO (Jo 1,6-8.19-28) Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “’És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. Perguntaram então: Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor” - conforme disse o profeta Isaías. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

AMBIENTE - João Baptista é o “apresentador” oficial de Jesus. Hoje ele apresenta o primeiro testemunho sobre Jesus, diante dos enviados das autoridades judaicas.
Para percebermos o alcance do diálogo entre João e os líderes judaicos, é preciso ter em conta o ambiente político, social e religioso da Palestina do século I. Dominado pelos romanos, explorado por uma classe dirigente comodamente instalada nos seus privilégios, escravizado por um sistema religioso ritual e legalista, o Povo de Deus vivia na expectativa da chegada do Messias libertador, enviado por Deus para inaugurar uma nova era de liberdade, de alegria, de felicidade. Muitos israelitas estavam dispostos a aproveitar qualquer oportunidade de libertação e eram presa fácil dos falsos messias e dos vendedores de sonhos. A hierarquia religiosa judaica não gostava de ouvir falar na chegada do Messias. De fato, um dos objetivos do Messias,  deveria ser a reforma das instituições da hierarquia religiosa judaica, considerada indigna. Não admira, pois, que as autoridades se inquietassem diante da atividade de João.

MENSAGEM – De João se diz: é “um homem” e que foi “enviado por Deus”. O agente principal nesta história é, naturalmente, Deus: é Deus que escolhe esse homem e o envia ao mundo com uma missão concreta. É, habitualmente, esse o “método” de Deus: chama homens, confia-lhes uma missão e, através deles, intervém no mundo. A missão de João é “dar testemunho da luz”. A “luz”, no Quarto Evangelho, representa essa realidade que vem de Deus e com a qual Deus se propõe construir para os homens um mundo novo de vida definitiva e de felicidade total. João não atua por sua própria iniciativa, mas em resposta à escolha divina e para concretizar uma missão que Deus lhe confiou. Por outro lado, embora enviado por Deus, João não é “a luz” – isto é, ele não tem a capacidade de eliminar as trevas que escurecem a vida dos homens, porque não tem a capacidade de dar vida aos homens. João é apenas “a testemunha” que vem preparar os homens para acolher esse que vai chegar e que será “a luz/vida”.
Na segunda parte do nosso texto (vers. 19-28), temos o “testemunho” de João. A cena coloca-nos diante de uma comissão oficial, enviada de Jerusalém para investigar João e constituída por sacerdotes e levitas (encarregados, entre outras coisas, de vigiar a ortodoxia e a fidelidade à ordem religiosa judaica). A comissão investigadora começa por interrogar João com uma pergunta aparentemente inócua: “quem és tu?”. Os interrogadores não tomam posição. Limitam-se a esperar que o próprio João declare a sua posição e as suas intenções. João descarta totalmente a hipótese de ser o Messias. Também não aceita identificar-se com Elias (de acordo com Mal 3,22-23, Elias devia vir preparar o “dia de Jahwéh” – que, no século I era o dia da vinda do Messias libertador, enviado por Deus para construir um mundo novo). Tampouco aceita assumir o título de “o profeta” (este título parece aludir a Dt 18,15 e significava, na época de Jesus, um “segundo Moisés” que deveria aparecer nos últimos tempos). Na verdade, João não aceita que lhe atribuam nenhuma função que possa centrar a atenção na sua própria pessoa. As suas três respostas são rotundas negativas. Ele não busca a sua glória ou a sua afirmação, nem vem em seu próprio nome; a sua missão é meramente dar testemunho da “luz”.
“Eu sou uma voz”. “Voz” é um termo relacional que supõe ouvintes a quem é comunicada uma mensagem… A “voz” não tem rosto, é anônima e passa despercebida; o importante é o conteúdo da mensagem. É isso que João é: uma “voz” através da qual Deus passa aos homens uma mensagem. É à mensagem e não à “voz” que os homens devem dar atenção.
A mensagem que a “voz” veicula é: “endireitai o caminho do Senhor”. A expressão é tomada de Is 40,3, numa versão livre. Em Isaías, a expressão é usada no contexto da intervenção salvadora de Deus para fazer regressar à Terra da Liberdade os judeus cativos na Babilônia. Pedia que o Povo instalado e acomodado, desanimado e frustrado fizesse um esforço para acolher os desafios de Deus e aceitasse pôr-se a caminho com Deus em direção a um futuro novo de vida e de esperança. É essa mesma realidade que João é chamado a acordar no coração do seu Povo.
As respostas negativas de João desconcertam a comissão… Se João não reivindica nenhum dos títulos tradicionais – “Messias”, “Elias”, “o profeta” – a que título é que ele batiza?
O batismo ou imersão na água era um símbolo relativamente freqüente no judaísmo. Era usado como rito de purificação (por exemplo, para um enfermo curado da sua doença – cf. Lev 14,8) ou para significar a mudança de estado de vida (podia significar, por exemplo, a passagem de uma situação de escravidão a uma situação de liberdade; para os prosélitos, significava o abandono das práticas e crenças pagãs e a adesão ao judaísmo). O batismo de João significava, provavelmente, a ruptura com a vida das trevas e o desejo de aderir a uma nova vida. Para João seria, apenas, um primeiro passo para acolher “a luz”.
João evita responder diretamente à objeção que os fariseus lhe colocam. Ele prefere desvalorizar o seu batismo com água e apontar para “aquele” que vem e a quem João não é digno “de desatar as correias das sandálias”. Esse é que é “a luz” que vai libertar o homem da escuridão, da cegueira, da mentira, do egoísmo, do pecado. É como se João dissesse: “não vos preocupeis com o batismo com água que eu administro, pois ele é, apenas, um símbolo de transformação e de adesão a uma nova realidade; mas olhai antes para essa nova realidade que já está no meio de vós e que o Messias vos vai oferecer. É o batismo do Messias (o batismo no Espírito) que transformará totalmente os corações dos homens, os fará livres e lhes dará a vida definitiva. Esse que vem batizar no Espírito já está presente, a fim de iniciar a sua obra libertadora. Procurai conhecê-lo – isto é, escutá-lo e acolher a sua proposta de vida e de libertação”.
A indicação de que os líderes não “conhecem” esse “alguém” que já chegou e do qual João apenas é “a voz” é, provavelmente, uma denúncia da situação em que se encontra a classe dirigente judaica, instalada nos seus privilégios, certezas e preconceitos e muito pouco aberta à novidade e aos desafios de Deus.

ATUALIZAÇÃO • A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar “o caminho do Senhor”. É, na linguagem do Evangelho segundo João, um convite a deixar “as trevas” e a nascer para “a luz”. Implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, a instalação, o comodismo, a auto-suficiência, tudo o que nos torna escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade.

• A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois só Ele é “a luz” e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para apresentar aos homens. À nossa volta abundam os “vendedores de sonhos”, com propostas de felicidade “absolutamente garantida”. Atraem-nos, seduzem-nos, manipulam-nos, escravizam-nos e, quase sempre, deixam-nos decepcionados e infelizes. João garante-nos: só Jesus é “a luz” que liberta os homens da escravidão e das trevas e lhes oferece a vida verdadeira e definitiva.

• João convida-nos a pensar sobre a forma de Deus atuar na história. Deus chama e a quem confia determinada missão, missão de dar testemunho da “luz” e de tornar presente a proposta libertadora de Jesus.
• João não procura atrair sobre si as atenções, não usa a missão para a sua glória ou promoção pessoal, não busca a satisfação de interesses egoístas; ele é apenas uma “voz” anônima e discreta que recorda as realidades importantes. João é uma interpelação para todos aqueles a quem Deus chama e envia… Com ele, o profeta (isto é, todo aquele a quem Deus chama e a quem confia uma missão) deve aprender a ser discreto e simples, de forma a que as pessoas não o vejam a ele mas às realidades importantes que ele propõe.
• A atitude dos fariseus instalados no seu comodismo e nos seus privilégios, impede-os de “conhecer” “a luz” que está a chegar. Trata-se de um aviso, para nós: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa autossuficiência, fechamos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz… Dessa forma, não reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e não O deixamos entrar na nossa vida.

SEGUNDA LEITURA (1Ts 5,16-24) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
Irmãos, estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não apagueis o espírito! Não desprezeis as profecias, mas examinai tudo e guardai o que for bom; afastai-vos de toda espécie de maldade! Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente e que tudo aquilo que sois - espírito, alma, corpo - seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso.

AMBIENTE - Tessalônica era, no século I da nossa era, a cidade mais importante da Macedônia. Porto marítimo e cidade de intenso comércio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo.
A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, anos 49-50. O tempo de evangelização foi curto – talvez uns três meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída maioritariamente por pagãos convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela reação da colônia judaica… Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. Act 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade às pressas, de noite, indo para Beréia e, depois, para Atenas (cf. Act 17,10-15).
Entretanto, Paulo tinha a consciência de que a formação doutrinal da comunidade cristã de Tessalônica ainda deixava muito a desejar. Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalônica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1 Tes 3,2-5). Quando Timóteo voltou e apresentou o seu relatório, Paulo estava em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, o apóstolo decidiu escrever aos cristãos de Tessalônica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspectos menos exemplares da vida da comunidade.
A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.
O texto que hoje nos é proposto faz parte das exortações com que Paulo encerra a carta. Depois dos ensinamentos sobre a segunda vinda do Senhor (cf. 1 Tess 4,13-18) e de um convite veemente a esperar, vigilantes, esse momento final da história humana (cf. 1 Tess 5,1-11), Paulo apresenta alguns elementos concretos que os tessalonicenses devem ter sempre em conta e que devem marcar a existência cristã nesse tempo de espera (cf. 1 Tess 5,12-28).

MENSAGEM - Como é que os cristãos devem, então, viver esse tempo de espera do Senhor? - Paulo começa por pedir aos tessalonicenses que vivam alegres e que pautem a sua vida por uma intensa oração, sobretudo a oração de ação de graças. O cristão é sempre uma pessoa livre e feliz, consciente da presença salvadora e libertadora de Deus ao seu lado, que contempla permanentemente esse horizonte último de vida eterna e de felicidade definitiva que Deus lhe reserva e que, por isso, agradece e louva ao seu Senhor.
Depois, o apóstolo pede também aos tessalonicenses que abram o coração ao Espírito e que não desprezem os seus dons. Esta referência pode significar que as experiências carismáticas começavam a criar problemas na comunidade… Provavelmente, nem toda a gente entendia e estava aberta às interpelações que o Espírito fazia através de alguns membros da comunidade… Paulo recomenda aos cristãos de Tessalônica que saibam tudo analisar com cuidado e discernimento, sem preconceitos, de coração aberto à novidade de Deus, guardando “o que é bom” e afastando-se de “toda a espécie de mal”.
Uma comunidade construída de acordo com estes princípios – que vive a sua existência histórica com alegria e serenidade, que louva o seu Senhor e que está permanentemente atenta para discernir e aceitar os dons do Espírito – é uma comunidade “santa” e irrepreensível, preparada para acolher, em qualquer momento, o Senhor que vem.

ATUALIZAÇÃO • A existência cristã mergulhado na alegria e na tristeza, no sofrimento e na esperança, não pode perder de vista essa meta final que dá sentido a toda a caminhada. O caminho cristão deve ser percorrido na atenção e na vigilância, procurando viver com coerência os compromissos assumidos no dia do Batismo e na fidelidade às propostas de Deus.

• O cristão é alegre, porque sabe para onde caminha e está certo de que no final da caminhada encontra os braços amorosos de Deus que o acolhem e o conduzem para a felicidade plena, para a vida definitiva. Nem os sofrimentos, nem as dificuldades, nem as incompreensões, nem as perseguições podem eliminar essa alegria serena de quem confia no encontro com o Senhor.

• O crente é alguém que “ora sem cessar” e “dá graças em todas as circunstâncias” pelos dons de Deus, pela sua presença amorosa, pela salvação que Deus não cessa de oferecer em cada passo da caminhada.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Pe. Antônio     -    Alegrai-vos"

É o "DOMINGO DA ALEGRIA" (Gaudete)

A 1ª Leitura é uma declaração de ALEGRIA,  pela "boa notícia" de salvação, prometida por Deus. (Is 61,1-2ª.10-11)

- Os retornados do exílio estão desanimados e sem esperança,  pela frieza e hostilidade com que foram recebidos pelos habitantes de Jerusalém.
  O povo espera dias melhores para breve.
- E o Profeta anuncia ao povo oprimido a "boa notícia" da plena restauração da paz e da justiça e um ano de graça (jubilar) para restaurar a harmonia.
- O Povo reage agradecido numa atitude de louvor e alegria.

     * A descoberta do amor e da presença libertadora de Deus sempre conduz ao louvor, à adoração, à alegria.

Na 2ª Leitura, Paulo exorta à ALEGRIA: "Sede sempre alegres". (1Ts 5,16-24)

O texto ensina onde nasce a verdadeira alegria:
   - Da oração: "rezai sem cessar, dai graças";
   - Da abertura do coração aos apelos do Espírito:
   - Uma vida moral irrepreensível.

* O que é a alegria para você? Réveillon num restaurante cinco estrelas?
A alegria cristã não é uma atitude passageira de festas humanas, mas um estado permanente, de quem confia que a vida cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem.
A Alegria é um dos sinais da presença de Deus no coração de uma pessoa.

No Evangelho João Batista dá o grande motivo da ALEGRIA:
"Já está no meio de vós aquele que ainda não conheceis..." (Jo 1,6-8.19-28)

O texto apresenta João Batista, "enviado por Deus" com uma MISSÃO: "Dar testemunho da Luz".

- Essa "Luz" está no mundo, mas o mundo não a conhece.

Na segunda parte, temos o "Testemunho de João" sobre sua pessoa: Afirma não ser o Messias, nem Elias, nem o "Profeta"...É apenas a "VOZ" que clama no deserto, convidando os homens a prepararem o caminho do Senhor...
É a "voz" que aponta para a única luz que vale a pena seguir: a de Jesus Cristo.

Essa "Voz" nos convida a olhar para JESUS, pois só Ele é a "Luz" que ilumina o caminho...
Deus iniciou a Criação, criando a LUZ e dissipou as trevas.
Dela surgiu tudo o que existe. Ela é a vida dos homens.  


A Missão de João Batista é hoje a nossa missão: abrir caminhos para a chegada do Messias,
que é a luz das nações.
Ser uma "voz" que clama no deserto, anunciando o Cristo presente no meio de nós...
- A "Voz" não tem rosto, é anônima. Ela passa despercebida, transmite a mensagem e depois desaparece...
- Quais os desertos, nos quais devemos clamar?   (na família... na escola... no trabalho...)

DUAS ATITUDES OPOSTAS AO CRISTO QUE VEM:

A atitude humilde de João:
Ele não usa a missão para a sua promoção pessoal; ele é apenas uma "voz" discreta que recorda realidades importantes.


A atitude orgulhosa dos fariseus: Fechados em sua autossuficiência, não reconheceram a "Luz".
Se fecharmos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz, também nós não o reconheceremos. E ele continuará procurando lugar onde possa nascer...

A alegria que os anjos anunciaram em Belém aos homens de boa vontade é possível também para nós... desde que nos deixemos iluminar por essa Luz.

Assim a nossa alegria será um testemunho muito forte de que Cristo já está no meio de nós.

                                Pe. Antônio Geraldo

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Homilia de Dom Henrique Soares
A tradição litúrgica da Igreja chama este Terceiro Domingo do Advento de Gaudete, isto é “Alegrai-vos!” No Missal Romano, a antífona de entrada exclama: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4.5). Como expressão dessa alegria, pode-se usar no lugar do roxo, o cor-de-rosa, no tom conhecido como “rosa antigo”. É um roxo suavizado, que exprime a exultação pela aproximação do Santo Natal. Alegrai-vos! Alegremo-nos! O Senhor está perto! Está próximo o Natal; está próxima a Vinda do Senhor; está próximo de nós o Salvador nosso nos diversos momentos de nossa existência! Ele não é Deus de longe; é Deusde perto: seu nome será para sempre Emanuel, Deus-conosco!
Alegrai-vos! Há quem se alegre no pecado, há quem se alegre em futilidades, há quem, mesmo alegrando-se com coisas que valem a pena, esquece que toda alegria é passageira. Quanto a vós, caríssimos, alegrai-vos com tudo quanto é bom e louvável, mas colocai vossa maior e definitiva alegria no Senhor! Somente nele o coração repousa plenamente, somente nele encontra-se a paz que dura mesmo em meio à tribulação mais dura, somente nele o anseio mais profundo de nossa alma. Alegrai-vos! Mas seja o Senhor o fundamento da vossa alegria, a causa última da vossa exultação!
Mas, quem é esse Senhor em quem nos mandam que nos alegremos? O Batista, neste hoje, nos adverte: “No meio de vós está Aquele que vós não conheceis!” Quem é ele? Quem é este “Aquele”? João Batista, como bom mensageiro faz questão de desaparecer: “Não sou o Messias, não sou Elias (coitados dos espíritas!), não sou o Profeta anunciado por Moisés! Sou apenas a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor!’” Insistimos: quem é esse que está no nosso meio e que é preciso conhecer e reconhecer sempre de novo para ter a alegria verdadeira? Ele é o Messias, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, o Enviado para trazer a salvação, a alegria e a paz para todos os pobres de todas as pobrezas do mundo. Ouçamo-lo, deixemos que ele se nos apresente: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a Boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção aos cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor!” Eis, caríssimos, o Messias que esperamos, o Salvador que Deus nos concedeu. Ele, que veio em Belém, que virá no final dos tempos, ele mesmo vem a cada dia de nossa atribulada existência! – Vem, Senhor Jesus! Vem, santo Messias! Teu povo suspira por ti, tua Igreja sofrida e caminheira precisa de ti! Não nos abandones, não nos deixes sozinhos! Vem, Ungido de Deus, prometido aos nossos pais, anunciado pelos profetas, apontado pelo Batista, colocado sob a guarda do carpinteiro José, concebido e dado à luz pela Virgem Mãe! Vem, e a Mãe Igreja exclamará (e nosso coração exclamará  com ela):“Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se no meu Deus; ele me vestiu com vestes de salvação; adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias!”
Caríssimos, eis a causa da nossa alegria. Nós, os cristãos, temos direito de nos alegrar, mesmo diante das tristezas do mundo; temos o dever de manter a esperança, mesmo quando as possibilidades humanas fracassam; temos a oportunidade de continuar esperando ainda quando os nossos cálculos mostrem-se errados. Porque nossa esperança e certeza não se fundam em nós nem em nossas possibilidades, mas naquele que vem, naquele que o Pai do céu nos envia, naquele que nunca conseguiremos conhecer totalmente, o Santo Messias do Pai, Jesus, nosso Deus-Salvador!
Resta-nos, então, escutar com atenção o conselho do Apóstolo: estar sempre alegre em Cristo; com os olhos fixos nele; orar sem cessar, buscando realmente ser amigo íntimo do Senhor, dando graças em todas as circunstâncias, sabendo que ele está próximo de nós, nunca longe de nossas aflições e desafios. E mais: afastarmo-nos de toda maldade, procurando viver segundo Cristo e não segundo o mundo, santificando no Senhor nosso corpo, nossa alma e nosso espírito ou, em outras palavras, nossa dimensão física, nossa vida inteligente e nossa sede de Deus, nossa saudade de Infinito.
Caríssimos, num mundo que nos despreza porque somos cristãos, numa sociedade pagã, que nos ridiculariza e nos olha com indiferença, tenhamos esta certeza: “Quem vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso!” Ele nunca nos deixará!
Que a escuta da Palavra santa do Senhor e a participação no mistério do seu Corpo e do seu Sangue nos preparem não somente para as festas que se aproximam mas, sobretudo para o Dia da Vinda do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo! Amém.
D. Henrique Soares
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou ministros da Palavra):



LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS PRESENTE ENTRE NÓS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Alegres aguardamos o renascer de Jesus em nosso corações.
- Senhor, nosso Deus e Pai, nós vos louvamos porque sois bondoso e fiel. Desde o começo do mundo vos revelastes como Deus de amor e por meio dos profetas alimentastes nossa esperança de nos enviar o Salvador. Vosso profeta João Batista nos indicou que Jesus era o nosso Messias, o nosso Salvador. Pai, que o renascer de vosso Filho entre nós, nos transforme.
T: Alegres aguardamos o renascer de Jesus em nosso corações.
-  Senhor, nosso Deus e Pai, bendito seja o Vosso nome sobre em todo o universo. Grande é vosso amor nos enviando vosso Filho para nos guiar ao Vosso Reino. Pai, agradecemos pela nossa vida, pelo nosso batismo e pela esperança da vida eterna.
T: Alegres aguardamos o renascer de Jesus em nosso corações.
-  Senhor, nosso Deus e Pai, enviai o Espírito Santo sobre nós, para que nos transformemos e tenhamos força e coragem de levar vosso nome sobre todos os nossos irmãos que não vos conhecem ou que vos abandonaram. Que o Cristo que renasce seja luz de justiça, de paz, de amor  para todos os povos.
T: Alegres aguardamos o renascer de Jesus em nosso corações.
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

3º Domingo do Advento, homilias, subsídios homiléticos

3º DOMINGO DO ADVENTO

Tema: “Ficai firmes até à vinda do Senhor.” A liturgia Diz-nos: “alegrai-vos, pois a libertação está chegando”.
Primeira leitura: anuncia a chegada de Deus, para dar vida nova ao seu Povo e libertá-lo.
Evangelho: O Messias é aquele que dá vista aos cegos, os coxos recuperem o movimento, cura os leprosos, faz com que os surdos ouçam, ressuscita os mortos, anuncia que o “Reino” da justiça e da paz chegou. É vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer.
Segunda leitura: convida-nos a não deixar que o desespero nos envolva enquanto esperamos a vinda do Senhor; tenhamos paciência e confiança.

PRIMEIRA LEITURA (Is 35, 1-6a.10) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto.

AMBIENTE - Isaías descreve a transformação do deserto sírio, pelo qual vão passar os israelitas que retornam do Exílio. O profeta consola os exilados, desanimados e frustrados.

MENSAGEM - É um “hino de alegria”, que traz esperança aos exilados. Deus vai intervir na história salvando Judá do cativeiro, para que o seu Povo possa regressar em triunfo a Sião. O deserto é convidado a revestir-se de vida abundante. A natureza manifestará a sua alegria pela intervenção de Jahwéh para salvar e libertar o seu Povo. Os exilados devem unir-se à natureza nessa corrente de alegria e de vida nova, pois a libertação chegou. O resultado será que os olhos dos cegos se abrirão e se desimpedirão os ouvidos dos surdos… O coxo saltará como a corsa; o mudo cantará de alegria. A ação de Deus é transformadora e geradora de vida nova em abundância.  Será, um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador; no entanto, este segundo êxodo será ainda mais grandioso. Será uma caminhada festiva, uma procissão solene. O resultado final será a eterna felicidade, a alegria sem fim.

ATUALIZAÇÃO ♦ Para os otimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações e descobertas; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios e de risco. E para nós? É tempo de esperança ou de desespero?
♦  “Deus aí está”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e do desespero brote a flor da esperança. É com Deus que caminhamos para a vida eterna e feliz.
♦  Ele só virá, se eu estiver disposto a acolhê-lo com a sua proposta.
♦ O profeta olha para o futuro com os olhos de Deus e vê um novo amanhã. Ele vai gritar a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria fazendo nascer uma luta por um mundo melhor.

SALMO RESPONSORIAL 145 (146)
Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!
• O Senhor é fiel para sempre, / faz justiça aos que são oprimidos; /
ele dá alimento aos famintos, / é o Senhor quem liberta os cativos.
• O Senhor abre os olhos aos cegos, / o Senhor faz erguer-se o caído, /
o Senhor ama aquele que é justo,/ é o Senhor que protege o estrangeiro.
• Ele ampara a viúva e o órfão, / mas confunde os caminhos dos maus. /
O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará.

EVANGELHO (Mt 11,2-11) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões, sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”.

AMBIENTE - João esperava um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar os maus e os pecadores, dar início ao “juízo de Deus”; e, ao contrário, Jesus aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros, estendeu lhes a mão, mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salvação. João e os seus discípulos estão desconcertados: É provável que Mateus, ao fazer esta apresentação, queira dirigir se aos discípulos de João que ainda continuavam ativos na época em que o Evangelho foi escrito, no sentido de que eles adiram à proposta de Jesus.

MENSAGEM: 1 Jesus responde à pergunta de João e dá a entender que Ele é o Messias;
2  A apreciação que Jesus faz da figura e da ação profética de João.
Jesus tem consciência de ser o Messias. Jesus recorre às citações de Isaías que definem a ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos, curar os surdos, dar vista aos cegos, dar movimentos aos coxos, anunciar a Boa Nova aos pobres. Se realizou estas obras, é porque Ele é o Messias, enviado por Deus para libertar os homens e para lhes trazer o “Reino”. A sua mensagem e gestos contêm a proposta libertadora que Deus faz aos homens.
Na segunda parte, utiliza um recurso retórico: uma série de perguntas que convidam os ouvintes a dar uma resposta concreta. A resposta às duas primeiras questões é, evidentemente, negativa: João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, nem um elegante convencido que vive no luxo. A resposta à terceira é positiva: João é um profeta e mais do que um profeta: é o precursor do Messias; é “Elias”, aquele que tinha de vir antes, a fim de preparar o caminho para o Messias (cf. Mal 3,23-24)… No entanto, aqueles que entraram no “Reino” através do seguimento de Jesus são mais do que Ele.

ATUALIZAÇÃO ♦  Neste tempo de espera, com a certeza de que Deus não nos abandonou, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-nos a salvação.
♦ Os “sinais” que Jesus realizou, continua a acontecer na história; agora, são os discípulos de que continuam a sua missão libertadora de Deus. Os que vivem amarrados na doença encontram em nós um sinal vivo do Cristo libertador. Os “surdos”, sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus para a comunhão e para o amor. Os “cegos”, do egoísmo ou da violência, encontram em nós o caminho para à luz. Os “coxos”, privados liberdade, encontram em nós a Boa Nova da liberdade. Os “pobres”, marginalizados, sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
♦  João não é um pregador da moda, cujas ideias variam conforme a opinião pública ou os interesses dos poderosos; nem é um charlatão bem vestido, que prega para ganhar dinheiro,  ou para ter uma vida cômoda. Mas é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la, com fidelidade e sem medo.
♦ A “dúvida” de João é sinal de honestidade. Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas inamovíveis, do que daqueles que procuram as respostas. Sou um fundamentalista, que nunca se engana, ou ouço os irmãos, e que procura, com eles, descobrir o caminho?

SEGUNDA LEITURA (Tg 5,7-10) Leitura da Carta de São Tiago.
Irmãos, ficai firmes até à vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera. Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns aos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor.

AMBIENTE - A carta exorta a todos a que não percam os valores cristãos, sublinhando a importância das obras. O nosso texto apresenta indicações destinadas a favorecer uma vida cristã autêntica.

MENSAGEM - O autor da carta dirige-se aos pobres e convida-os a esperar com paciência a vinda do Senhor (como o agricultor). A questão é esta: os pobres vivem numa situação intolerável de exploração e de injustiça, devem confiar no Senhor e não embarcar no mesmo esquema injusto e violento dos opressores… O acento é posto na esperança que deve alumiar o coração de quem sofre: a libertação está a chegar.

ATUALIZAÇÃO:
♦  Tiago diz: “apesar do sofrimento, Deus não vos abandonou nem esqueceu, mas vai libertar-vos. Esperai-O com esperança e confiança”.
♦  Deus não pode chegar ao coração dominado pelo ódio, rancor e pelo desejo de vingança.
♦ Nós, Igreja de Jesus, temos de anunciar o projeto libertador de Deus aos oprimidos e não deixar que a luz da esperança se apague… A salvação chega ao mundo através do nosso testemunho. 

Dehonianos
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+ A Liturgia de hoje é um convite forte à alegria:
  
O mundo vive carente de alegria. A depressão tornou-se a doença dos tempos modernos.
Muitos, na ânsia de ter alegria, agarram-se a momentos fugazes de prazer.

A Boa Nova trazida no Natal é mensagem de alegria... Gabriel na anunciação “Alegra-te, cheia de graça... Isabel na visitação E o Batista saltará de alegria no seio de Isabel, ante a proximidade do Messias.... Maria no Magnificat... Os Anjos aos pastores...  A alegria é ter Jesus, a tristeza é perdê-lo.

O cristão deve ser um homem alegre. É a alegria de Cristo, que traz a justiça e a paz, e que só Ele pode dar e conservar, porque o mundo não possui o seu segredo.
A alegria do mundo é pobre e passageira. A alegria do cristão é profunda e capaz de subsistir no meio das dificuldades. É compatível com a dor, com a doença, com o fracasso e as contradições. “Eu vos darei uma alegria que ninguém vos poderá tirar” (Jo 16, 22), prometeu o Senhor.
O profeta Isaías (35, 1-10) convida o povo a alegrar-se com a vinda do Senhor: “Alegre-se a Terra que era deserta e intransitável…” (Is 35, 1). “Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus; é Ele que vem para vos salvar” (Is 35, 3-4). Ele virá para lhes infundir coragem, para amparar os fracos, para curar as feridas do pecado e dar a todos a salvação.
Intensifiquemos a nossa oração! E aí encontraremos a fonte da alegria.
A tristeza nasce do egoísmo. Quem anda excessivamente preocupado consigo próprio dificilmente encontrará a alegria da abertura para Deus e para os outros. Em contrapartida, com o cumprimento alegre dos nossos deveres, podemos fazer muito bem à nossa volta, pois essa alegria leva a Deus.

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 Alegrai-vos no Senhor

O mundo vive carente de alegria.

Na exortação apostólica "A ALEGRIA DO EVANGELHO", o Papa Francisco nos lembra que "a alegria do Evangelho  enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus.
Os que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento.
Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria". (Francisco)

As Leituras bíblicas são um convite muito forte para a ALEGRIA, porque o Senhor, que esperamos, já está conosco e com ele preparamos o Advento do seu Reino.
Por isso, o 3º domingo do Advento é chamado "Domingo da alegria".

A 1ª Leitura é um Hino à ALEGRIA. (Is 35,1-6a.10)

O profeta deseja despertar e fortalecer a esperança dos exilados.
O povo atravessava um dos piores períodos de sua história:
Jerusalém e o templo destruídos, o povo deportado na Babilônia.
Mesmo assim, o profeta prevê a ALEGRIA dos tempos messiânicos: fala do deserto que vai florir, da tristeza que vai dar lugar à alegria, Ele libertará os cegos, os coxos, os mudos de suas doenças...
* São SINAIS que indicam a chegada de um mundo novo, onde não haverá mais lugar para a doença, a dor e o pranto..

Na 2ª Leitura, Tiago convida à espera com PACIÊNCIA. (Tg 5,7-10)

No Evangelho, Jesus mostra que o mundo novo anunciado pelo Profeta já chegou.

O texto tem 3 partes: (Mt 11,2-11)

1. A PERGUNTA de João Batista:
João Batista estava preso... por Herodes... por reprovar o seu comportamento...
No cárcere, ouve falar das obras de Cristo, tão diferente do que se esperava:
Ele anunciara um juiz severo que castigaria os pecadores...
Ao invés, defronta-se com alguém que se aproxima dos pecadores.
Perplexo, envia a Jesus dois discípulos com uma pergunta bem concreta:
   "És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar por outro"?

2. A RESPOSTA de Jesus:
Jesus responde apontando seis sinais concretos de libertação, já anunciados por Isaías há muito tempo:
   "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
    cegos... paralíticos... leprosos... surdos... mortos... pobres evangelizados..."
    E acrescenta:  "Feliz quem não se escandalizar de mim..."
* Jesus mostra a João que as suas obras comprovam a era messiânica,  mas sob a forma de atos de salvação, não de violência e castigo.

3. O TESTEMUNHO de Jesus sobre João:
- João Batista não é um CANIÇO que verga conforme o vento:  não é um pregador oportunista que se adapta conforme a situação.
- Não é um CORRUPTO que vive na fortuna e no luxo...
- É muito mais que um PROFETA... "É o maior dos nascidos de mulher".
= Mas, com surpresa, acrescenta:  "No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele".

* Os que já pertencem ao Reino transcendem àqueles que o precederam e prepararam.
   Declaração implícita da superioridade do Novo sobre o Antigo Testamento; da Igreja sobre a Sinagoga; da Lei de Cristo sobre a Lei de Moisés.

+ A Ação libertadora de Deus deve continuar na História  através de gestos concretos dos seguidores de Cristo.

A resposta de Jesus a João Batista foi clara: "Ide contar a João o que estais OUVINDO e VENDO..."
Pelos "sinais", que podiam ver e ouvir, Jesus comprovava a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens.
Para perpetuar no mundo a ação salvadora e libertadora de Deus, os "Sinais", que Jesus realizava então, devem continuar acontecendo agora, através dos seus seguidores.
- Em nossa vida e nossas comunidades há gestos de salvação e libertação que são sinais que o Reino de Deus já chegou?

- Os "surdos", fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus
que os desperta para a comunhão e para o amor?
- Os "cegos", encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência, encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz?
- Os "coxos", privados de movimento e de liberdade, escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra,
encontram em nós a Boa Nova da liberdade?
- Os "pobres", sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
   * O que significa hoje recuperar a vista aos cegos, a capacidade de andar aos coxos, a audição aos surdos, a ressurreição aos mortos?
        
+ A Liturgia de hoje é um convite forte à alegria:
   "Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo:  alegrai-vos: o Senhor está perto". (Ant. de Entrada)

A Boa Nova trazida no Natal é mensagem de alegria... Gabriel na anunciação... Isabel na visitação... Maria no Magnificat... os Anjos aos pastores...

A ALEGRIA é uma característica de nossas Comunidades?
Somos semeadores de alegria ou motivo de dor e tristeza?

                                            Pe. Antônio Geraldo

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Pe. Paulo refletindo a Palavra

No Advento a Palavra se faz Carne e vem habitar no meio de nós. É o domingo da alegria. No entanto, o Evangelho não parece origem de tanta alegria. Ele fala de uma decepção. A pessoa decepcionada é João Batista. É o grande profeta que Batizou Jesus, mas agora ele foi aprisionado por Herodes na prisão de “Maqueronte”. João Batista tinha pregado com toda clareza a vinda do Messias. O Messias, como está abundantemente atestado no Antigo Testamento: um messias que viria na GLÓRIA. Onde encontramos como na figura do Filho do Homem em Daniel, que vem glorioso sobre as nuvens e vem para JULGAR, conforme o capítulo 66 de Isaías.

Se formos olhar o capítulo 66 de Isaías e a pregação de João Batista, no início do Evangelho de Mateus, capítulo 3, iremos ver que são pregações paralelas. João Batista anuncia exatamente o que o profeta Isaías anunciou no capítulo 66: O Filho do Homem, o Messias, vem para julgar e vem com uma pá na mão para limpar sua eira e vem com fogo para queimar a palha. Então, trata-se de um Messias glorioso e juiz. O problema é que João Batista ouviu falar da atuação de Jesus e a forma como Jesus se comportava, não batia, absolutamente. Não estava em sintonia com esta descrição, que João Batista estava esperando. Por isso, a pergunta que João Batista faz, é toda pertinente: “És tu o Messias ou devemos esperar um outro”?

A palavra: “aquele que há de vir” em grego é “her rômenos”. Esta palavra, her rômenos, martela constantemente no apocalipse de São João, que fala na segunda vinda gloriosa de Jesus, que virá no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos. É importante nós entendermos aqui: não é que João Batista errou, que começou a pregar um Messias que não era Jesus, como se João Batista tivesse se equivocado na interpretação das Escrituras e tivesse apresentado um falso Messias. Alguns pregadores fazem este tipo de contraposição: eles dizem:  “João Batista estava ligado no Antigo Testamente e só via um Messias justiceiro”, “ mas Jesus quando se manifesta se manifesta como um Deus misericordioso”. Esta visão não é exata. Para sermos mais corretos, nós temos que ver, que a confusão de João Batista está no fato de que ele não sabe da novidade que Jesus veio trazer. Qual novidade? O fato do Messias previsto, no Antigo Testamento, não terá uma única vinda, mas terá duas vindas. Ou seja, são duas vindas diferentes. Uma na humildade, na misericórdia, para anunciar um tempo de misericórdia e compaixão e uma outra, na glória, para julgar. Não é que João Batista está anunciando um messias do passado, que sintoniza com a visão do Antigo Testamento, ultrapassado. Não. É que João Batista começou a anunciar o julgamento antes do tempo, por assim dizer. Ou seja, João Batista está adiantado no cronograma. Ele está anunciando o Messias na sua vinda gloriosa de juiz, mas esta vinda gloriosa de juiz será no último dia, ou seja, no fim dos tempos, conforme o próprio São Mateus irá nos descrever no capítulo 25, Jesus como o juiz, que vem para julgar as pessoas. Então, não se trata de negar aquilo que João Batista pregou, mas trata-se de adiarmos, colocarmos um freio. João Batista está correto: o Messias virá glorioso, virá para julgar, mas ainda não. Ou seja, estamos vivendo ainda a primeira vinda, que é na humildade e na misericórdia. Para provar, que de fato, é aquele que há de vir, ou seja, o “her rômenos”, Jesus recorda a João Batista, que não existe apenas o capítulo 66 de Isaías, que fala do Messias que vem para Julgar, mas existe também o capítulo 35 do Deutero Isaías, que é exatamente a nossa primeira Leitura de hoje, que fala do consolo que vem de Deus. Por que? Porque os sinais do Messias são estes: Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto. Esta profecia de Isaías nos mostra que o Messias, ao vir, vem com estes sinais, sinais de alegria para um povo que saíra de um cativeiro da Babilônia, encontra no Messias a sua liberdade de um povo de Deus.

Jesus está lembrando a João, que havia também este aspecto, que ele não está se lembrando.

 

Até aqui tudo bem, é uma bela explicação exegética. Mas, pensemos bem, nos colocando no lugar de João Batista, para entendermos com profundidade este Evangelho. João Batista está preso na fortaleza de “Maqueronte”, debaixo do querer de um rei esquizofrênico, um rei que tem medo de João, mas gosta de ouvi-lo, um rei que parece gostar das coisas de Deus, mas não quer mudar de vida, João Batista, que tinha pregado claramente a vinda de Deus que viria fazer justiça, poderia estar tranquilo esperando esta libertação, ou seja, João Batista está num drama existencial. Ele se sente apodrecendo na prisão, ele esperava que Jesus viesse fazer justiça, mas a justiça não vem e Contam-lhe o quanto Jesus é manso e humilde. João Batista começa a ter, podemos dizer, uma experiência de noite escura. Ele, que tanto se entregou ao serviço da Palavra de Deus, agora só escuta o silêncio. Deus parece se esconder, se retrair e negar todo tipo de consolação. João Batista está cheio de dúvidas; será que preguei errado? Será que coloquei a minha esperança onde não deveria? Será que construí minha casa sobre areias e não na rocha? É aí, que Jesus responde a este drama existencial de João Batista, para lhe dar ALEGRIA. A situação de João Batista é uma situação idêntica a do povo exilado no Antigo Testamento. O profeta Isaías, quando o povo estava exilado na Babilônia, o Deutero Isaías, começa a consolar o povo. Consolando o povo, dá uma alegria que vem da esperança. A esperança, que é uma das virtudes que mais devemos cultivar neste tempo de advento. Sem a esperança esta vida se torna uma realidade obscura. Santo Agostinho dizia: “Esta vida sem esperança é como a superfície de um lago num dia de nuvens escuras. A superfície do lago só refrete o cinzento e o lago parece feito de metal, de um cinza triste, sem esperança. Mas, se temos esperança, a nossa vida é como o mesmo lago num dia ensolarado. Ou seja, a superfície refrete as cores das árvores, do céu azul, das nuvens brancas. A superfície do lago torna-se um festival caleidoscópico, cheio de alegria e felicidade”. Então, a esperança tem este poder de transformar a nossa vida e transformar completamente a visão que temos da vida. O mesmo lago pode espelhar a tristeza, o cinza ou a alegria e beleza da criação. João Batista ao receber a mensagem dos discípulos que enviara, está recebendo a esperança. Está nascendo, ali, a verdadeira esperança cristã. Jesus está dizendo a João Batista o que o Deutero Isaías disse ao povo exilado na Babilônia: “Eu sei que você está exilado nesta prisão, mas erga sua cabeça; virá a salvação. Não da forma que você espera, mas virá. Criai ânimo e não tenhais medo. Deus vem para salvar”. Jesus, começa, nos seus milagres, a dar seus sinais de que Ele é o Salvador. É um salvador diferente. O que João Batista precisa aprender é que se fazendo pequenino na cruz que Deus irá nos salvar. Esta é a novidade.

João Batista é um grande profeta. O próprio Jesus disse: “de todos os nascidos, nenhum é maior que João Batista.  No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. Quem é o menor? É o próprio Jesus. Jesus se fez ínfimo na manjedoura, ínfimo na cruz.

Jesus está mostrando, que na sua primeira vinda, na sua humildade, existe ali um reino glorioso, porém escondido. Esta vitória de Deus na manjedoura e na cruz, deveria trazer ESPERANÇA para todos. João Batista e nós temos que aprender a verdade, que São Pedro nos ensina em sua carta: “A demora de Deus, a paciência de Deus é fonte de salvação para nós”. Se estamos vivendo num mundo de miséria, de injustiça que desanimam, se Deus viesse logo, com a pá e com o fogo para limpar a sua eira, poucos se salvariam. Deus nos dá uma esperança, chamada misericórdia. Estamos no tempo da MISERICÓRDIA. A demora de Deus em fazer justiça deve ser considerada por nós como fonte de salvação. Se formos ficar clamando por justiça, a justiça virá. Mas virá não só contra os nossos adversários e inimigos que nos oprimem, mas virá também para nós. Muitos clamam por justiça, mas se esquecem de que a justiça virá para todos. A demora de Deus em fazer justiça é fonte de esperança e de alegria. Se Ele não está fazendo justiça contra os ímpios é porque está no tempo da MISERICÓRDIA.

Jesus disse a Santa Faustina, que Ele terá a eternidade inteira para fazer justiça. Agora é tempo da misericórdia. É tempo de aproveitarmos esta misericórdia de Deus.

Nos acontecimentos trágicos que vivemos, em grandes dificuldades, muitas vezes parece-nos que combatemos um combate inócuo, inútil. Como se tivéssemos tentando impedir o desmoronamento de um dique de uma represa e a água começa a vazar por todos os lados, nós que estamos batalhando lá no congresso nacional visando a lei da mordaça gay, trabalhando contra um plano nacional de educação, que abraça a ideologia de gênero, batalhando contra um código penal, que aprove o aborto, nós que estamos nesta luta, nos sentimos um tanto desanimados. Desanimados porque o inimigo parece mais astuto e Deus parece que não está com vontade de fazer justiça e só nós que vamos recebendo as bordoadas.

Mas, o Advento nos lembra duas coisas: Primeiro, a ESPERANÇA. Esperança do Deus, que na sua misericórdia, pode discretamente, como pequenino que Ele é e que nós deveríamos ser, pode fazer uma grande diferença, pode mudar o ruma da história, como de fato aquela pequena criança nascida em Belém mudou de fato toda a história.

A segunda coisa que o Advento nos ensina e que podemos fazer grandes coisas com nossa pequenez. Com nossas pequenas obras e até mesmo sofrimentos, podemos completar a grande obra que falta em Cristo, como nos diz São Paulo. Por isso,           ALEGRIA. Alegria por sermos chamados a amar. Este duelo entre a vida e a morte, bem sabemos que a vida vencerá. Nós não estamos perguntando quem irá vencer. Deus irá vencer. A pergunta é: de que lado nos estaremos quando Deus vencer. Por isso, com alegria trabalhemos cheios de esperança.

Neste domingo todos nós somos João Batista preso e desesperançados em “Maqueronte”. Recebamos a Boa Notícia, o Evangelho de Cristo, de que Ele vem, mas ainda não para julgar, mas para nos trazer misericórdia e felicidade. É o TEMPO DA MISERICÓRDIA e há tempo para nos entregarmos a esta misericórdia. É tempo de alegria, pois a libertação está próxima.

 

 

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Homilia do Mons. José Maria - A Fonte da Felicidade

Alegremo-nos todos no Senhor, pois Ele está próximo! O Advento nos pede uma preparação digna, plena de motivações, para esse acontecimento tão significativo. A Palavra de Deus exorta-nos a expressar nossa alegria, pois o Senhor está para chegar! “Alegra-te, cheia de graça, porque o Senhor está contigo” (Lc 1, 28), diz o Anjo a Maria. A causa da alegria na Virgem é a proximidade de Deus. E o Batista, ainda não nascido, saltará de alegria no seio de Isabel, ante a proximidade do Messias. A alegria é ter Jesus, a tristeza é perdê-lo.
Podemos estar alegres se o Senhor estiver verdadeiramente presente na nossa vida, se não O tivermos perdido, se não tivermos os olhos turvados pela tibieza ou pela falta de generosidade. Quando, para encontrar a felicidade, se experimentam outros caminhos fora dAquele que leva a Deus, no fim só se acha infelicidade e tristeza. A experiência de todos os que, de uma forma ou de outra, voltaram o rosto para outro lado (onde Deus não estava), foi sempre a mesma: verificaram que fora de Deus não há alegria verdadeira. Encontrar Cristo, ou tornar a encontrá-Lo, é fonte de uma alegria profunda e sempre nova.
O cristão deve ser um homem essencialmente alegre. Mas a sua alegria não é uma alegria qualquer, é a alegria de Cristo, que traz a justiça e a paz, e que só Ele pode dar e conservar, porque o mundo não possui o seu segredo.
A alegria do mundo  procede de coisas exteriores: nasce precisamente quando o homem consegue escapar de si próprio, quando olha para fora, quando consegue desviar o olhar de seu mundo interior, que produz solidão porque é olhar para o vazio. O cristão leva a alegria dentro de si, porque encontra a Deus na sua alma em graça. Esta é a fonte da sua alegria. A alegria do mundo é pobre e passageira. A alegria do cristão é profunda e capaz de subsistir no meio das dificuldades. É compatível com a dor, com a doença, com o fracasso e as contradições. “Eu vos darei uma alegria que ninguém vos poderá tirar” (Jo 16, 22), prometeu o Senhor.
A nossa alegria deve ter um fundamento sólido. Não se pode apoiar exclusivamente em coisas passageiras: notícias agradáveis, saúde, tranqüilidade, situação econômica boa, etc., coisas que em si são boas se não estiverem desligadas de Deus, mas que por si mesmas são insuficientes para nos proporcionarem a verdadeira alegria.
O profeta Isaías (35, 1-10) convida o povo a alegrar-se com a vinda do Senhor: “Alegre-se a Terra que era deserta e intransitável…” (Is 35, 1). “Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus; é Ele que vem para vos salvar” (Is 35, 3-4). Estas palavras de Isaías, proclamadas para confortar os desterrados de Israel, podem muito bem aplicar-se a todos os homens que, ansiosos de conversão mais profunda a Deus, se sentem incapazes de se libertarem do pecado, da mediocridade e das vaidades terrenas; e anima-nos a confiar no Salvador. Ele virá para lhes infundir coragem, para amparar os fracos, para curar as feridas do pecado e dar a todos a salvação. Dentro de pouco tempo, de muito pouco, Aquele que vem, chegará e não tardará, e com Ele chegarão a paz e a alegria; em Jesus encontraremos o sentido da nossa vida.
Intensifiquemos a nossa oração! Será necessário que nos dirijamos ao Senhor num diálogo íntimo e profundo diante do Sacrário, e que lhe abramos a nossa alma com toda a confiança. E aí encontraremos a fonte da alegria.
Uma alma triste está à mercê de muitas tentações. Quantos pecados se têm cometido à sombra da tristeza! Por outro lado, quando a alma está alegre, abre-se e é estímulo para os outros; quando está triste, obscurece o ambiente e faz mal aos que têm à sua volta.
A tristeza nasce do egoísmo, de pensarmos em nós mesmos, esquecendo os outros. Quem anda excessivamente preocupado consigo próprio dificilmente encontrará a alegria da abertura para Deus e para os outros. Em contrapartida, com o cumprimento alegre dos nossos deveres, podemos fazer muito bem à nossa volta, pois essa alegria leva a Deus.
A Boa Nova trazida no Natal é mensagem da alegria…
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Homilia I - D. Henrique Soares:
Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).
 Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!
 Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão... Não é dessa que falamos aqui...
 Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! - gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos... E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos... Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido... Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante... E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo... Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel- Deus conosco!

Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos... Um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!’ Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!
 As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana... A conseqüência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”
 O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegra-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”
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 Homilia II  -  D. Henrique Soares
 Caríssimos no Senhor,
Este terceiro Domingo do Advento é conhecido como Domingo Gaudete, isto é, Domingo “Alegrai-vos”. Com efeito, são as palavras do Apóstolo São Paulo (Fl 4,4s), colocadas no Missal para o início da Missa de hoje: “Alegrai-vos sempre no Senhor; o Senhor está perto!” Alegrar-se, mesmo nas lutas da vida e nas incertezas da existência, alegrar-se mesmo no duro combate deste mundo... Mas, alegrar-se não por uma alegria qualquer! Alegra-se verdadeiramente, alegra-se com a alegria que dura e edifica a vida, aquele que se alegra no Senhor! Ele sim, é a fonte da perfeita alegria, porque é o Deus que nunca nos abandona, Deus fiel, que nos ama e permanece conosco!
Dessa alegria fala o Profeta Isaías na primeira leitura de hoje: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão. Germine de alegria e louvores!” Que terra é essa, que deserto, que solidão? São o nosso mundo, o nosso coração, a nossa vida. Alegre-se o homem, espere cheio de esperança o nosso coração! Fortaleçamos nossas mãos enfraquecidas e nossos joelhos debilitados pelo duro caminho deste mundo! E por quê? Vivemos uma vida tão estressante, a luta pela sobrevivência é tão pesada, os conflitos nas nossas relações são tão presentes, o que vemos de desafios e loucuras no mundo atual é tão assustador, a impiedade da humanidade é sempre tão surpreendente! Temos mesmo motivos para nos alegrar, para esperar, para fortalecer nossas mãos e continuar lutando, firmar nossos joelhos e prosseguir caminhando? Sim, temos: “Vede! É vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar!” Eis, meus caros! O Senhor vem para salvar, vem para vingar-se do pecado - e sua vingança é o amor que salva, o amor que liberta, e dá vida...
 Mesmo que pareça o contrário, o mundo não é uma realidade sem sentido e sem rumo, a existência humana não é o um pesado fruto do acaso cego... Há um Senhor, há um Deus de Amor que tudo toma em suas mãos e tudo dirige; um Deus que não está distante, mas nos conhece pelo nome e inclina-se sobre cada um de nós! Há um Deus que não é frio e indiferente, mas nos visitou pessoalmente no Filho Jesus! Neste Jesus bendito, um dia o Senhor Deus tudo julgará, tudo colocará às claras, tudo vingará, tudo purificará, tudo salvará! É importante não esquecermos isso, pois um dos grandes motivos do esfriamento da fé por parte de tantos na Igreja é a perda da consciência de que o Senhor Jesus nos julgará e julgará toda a história humana: ele virá, ele julgará, ele consolará, ele colocará às claras, ele salvará! Seu juízo terá como critério o amor, amor a ele e, nele e por ele, amor e profundo respeito pelos irmãos... Portanto, “ficai firmes até a vinda do Senhor! Façamos como o agricultor que espera (espera porque cultivou!) e fica firme! Deve encher-nos de consolo a exortação de São Tiago Apóstolo: “Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!” Vede bem, meus caros: São Tiago nos exorta a permanecer firmes, nos avisa que o Senhor está próximo – e estará sempre próximo, desde quando partiu para o céu, nunca deixou de estar próximo... Mas, também nos convida a recordar que os que servem a Deus não estão livres dos combates e sofrimentos da vida. Pelo contrário, devem suportar combates exteriores e interiores! Combates não nos devem desanimar; dificuldades não nos devem esfriar a fé, decepções não nos devem fazer duvidar da providente presença de Deus na nossa vida e na vida do mundo!
 Um belo exemplo de combate e fidelidade a Deus é-nos dado no evangelho de hoje. Pensai bem, meus amados no Senhor: um profeta tão grande, tão santo, tão fiel quanto João Batista! E aparece preso, abandonado, jogado numa masmorra, derrotado! – Senhor, por que permites? Senhor, por que diriges o mundo deste modo? Senhor, por que não defendes teus amigos? – João tem de suportar o combate exterior, tem de colocar no Senhor sua esperança, esperando na perseverança! Mas, há ainda um outro combate, pior, mais grave, mais doloroso: o combate interior. Onde aparece tal combate no evangelho que escutamos? Recordai que João havia anunciado um Messias forte e vingador; havia apontado Jesus como o Messias: ele viria para peneirar o trigo, viria para queimar a palha... E agora, na prisão, o Batista ouvira falar que Jesus era manso, misericordioso, compassivo... Jesus havia entrado na casa dos fariseus, sentando-se à mesa com os publicanos, perdoando mulheres pecadoras... João fica confuso: “Mas, não era bem assim que eu tinha imaginado o Messias!”... Manda seus discípulos perguntarem ao Carpinteiro de Nazaré: “És tu aquele que há de vir? És tu mesmo o Santo Messias tão esperado? Ou devemos ainda esperar um outro?” Eta, meus caros, que muitas vezes também temos vontade de fazer tais perguntas! Quando vemos os acontecimentos da vida, as coisas do mundo, o modo como vivemos, vem uma vontade de perguntar ao Senhor: “Mas, será que existes mesmo? Será que és fidelidade, que és amor, que te preocupas conosco? És tu mesmo a nossa esperança e a nossa vida? És tu o Salvador que a tudo dá sentido? Tu estás ou não no nosso meio? Tu és ou não um Deus próximo?”
 A resposta de Jesus a João é clara e desafiadora: Ele é o Messias anunciado pelos profetas, com ele cumprem-se as palavras da primeira leitura de hoje: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo esse desatará a língua dos mudos!” Mas, ele não é um Messias de encomenda, não um Messias como nós desejamos ou pensamos! Ele é o Messias vindo do coração do Pai, um Messias surpreendente, um Messias que revela a própria ternura, a própria misericórdia de Deus! Para acolhê-lo, para compreendê-lo, para ver sua beleza é necessário converter-se a ele! Por isso, Jesus manda dizer a João: “Feliz aquele que não se escandalizar por causa de mim!” E João faz sua última conversão: crê em Jesus, aceita o Messias Jesus como ele é, como o Pai o enviou, e não como ele gostaria que fosse! Por isso João é grande, por isso é o maior dos profetas, por isso hoje se encontra na glória e na gratidão da Igreja! Também nós, irmãos, se esperarmos o Senhor, se acolhermos o Senhor, se não duvidarmos do Senhor, se no Senhor permanecermos firmes, veremos a sua glória, nele nos alegraremos e dele experimentaremos a salvação. A cor deste Domingo, além do roxo, pode ser o rosa (mistura do roxo do Advento com o branco do Natal que se aproxima). Vamos, alegremo-nos! Que a espera e a vigilância deste santo Tempo já se mistura hoje com a alegre expectativa do Santo Natal! Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está próximo! Que ele venha! Que ele nos encontre vigilantes! Que ele nos veja abertos de coração! Amém!


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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:


LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Bendito seja o Senhor, que nos liberta e salva.
- Senhor, a nossa alegria é porque vindes até nós, como outrora, quando pelos profetas anunciastes ao povo exilado o fim do cativeiro. Nós Vos pedimos; vinde sempre em nosso auxílio. Sois a nossa força e o nosso amparo. 
T: Bendito seja o Senhor, que nos liberta e salva.
- Senhor, nosso Deus, sois bondade e amor. Dai-nos paciência como o agricultor que espera confiante a sua colheita. Atentos e ansiosos aguardamos a chegada de nosso Salvador que renasce a cada ano em nosso coração.
T: Bendito seja o Senhor, que nos liberta e salva.
- Senhor, Que o Espírito Santo nos ilumine com a chegada de Jesus que renasce em nossos corações para que, ouvindo e aprendendo as lições de amor, possamos tornar o mundo melhor, promovendo a justiça, a paz e o amor entre todos.
T: Bendito seja o Senhor, que nos liberta e salva.
- - Pai nosso... A Paz.. Eis o Cordeiro...

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lII Domingo do Advento - A vela dos pastores: a alegria. (vela rosa)

As duas primeiras velas já devem estar acesas na Coroa

Segue-se tudo normal até a saudação inicial feita pelo presidente da
celebração: A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo......

Antes do Ato penitencial segue-se o rito para acender a terceira vela
Animador: Hoje é o terceiro Domingo do Advento, o Domingo do "Alegrai-vos",
o domingo da alegria pela próxima vinda do Salvador, na celebração de sua primeira vinda ao nascer em Belém. Vamos acender a vela dos pastores. Foram eles os primeiros a receberem a notícia do nascimento de Deus entre os homens, notícia que os encheu de alegria.

(Alguém entra com uma vela acesa e acende a vela rosa da Coroa do Advento. Nesse
momento pode-se cantar um canto que fale de esperança ou apenas dedilhar o violão).


Oração
Pres. Ó Deus da alegria, quisestes ser o Emanuel, o Deus conosco em vosso
Filho Jesus Cristo. O vosso anjo anunciou aos pastores: "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor". Vigiando no campo e cuidando das ovelhas os pastores estavam atentos aos vossos sinais de Salvação. Tendo encontrado o Menino voltaram glorificando a vós pelas maravilhas que realizastes, enviando-nos vosso Filho. Fazei que, a exemplo dos pastores, ouçamos a boa-nova da manifestação da alegria e da felicidade que Jesus, o vosso Filho amado, nos trouxe. Que possamos todos ser causa de alegria e de felicidade para os que procuram a paz e a felicidade, ser luz e aconchego para os pobres e sofredores. Por Cristo, nosso Senhor.
T. Amém.