quarta-feira, 12 de março de 2014

2º DOMINGO DA QUARESMA ANO A 16/03/2014

2º DOMINGO DA QUARESMA ANO A 16/03/2014 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Tema: “Levantai-vos e não tenhais medo!” Caminho do discípulo: ouvir e obedecer aos projetos do Pai para alcançarmos a felicidade plena e eterna.
Primeira leitura: Abraão é nosso exemplo de homem de fé, que sabe ler os sinais de Deus e responde com a obediência total.
Evangelho: A transfiguração de Jesus: Usando símbolos teofânicos, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, que vai concretizar o seu projeto libertador através do dom da vida.
Segunda leitura: O discípulo é chamado a dar testemunha, sem medo, do projeto de Deus ao mundo

5. PRIMEIRA LEITURA (Gn 12,1-4a) Leitura do Livro do Gênesis.
Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: “Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. Farei de ti um grande povo e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!” E Abrão partiu, como o Senhor lhe havia dito.

AMBIENTE - É um texto das “tradições patriarcais sobre a vida dos clãs nômades durante o 2º milênio a.C. e reflexões teológicas posteriores destinadas a apresentar modelos de vida e de fé.
Abraão, Isaac e Jacob – tinham os seus sonhos e esperanças; terra fértil e possuir uma família forte e numerosa que perpetuasse a “memória” da tribo. O Deus aceito pelo grupo era o potencial concretizador.

MENSAGEM - Nos capítulos anteriores (cf. Gn 3-11), o autor descreveu uma humanidade que escolheu o pecado e que se afastou de Deus; agora, o autor vai apresentar um novo ponto de partida: Deus continua a querer construir uma história de salvação. Para isso, Deus chamou Abraão a deixar a sua terra e a sua família; ligado a este convite, aparece uma bênção e a promessa de a família de Abraão se tornar uma grande nação. Abraão, sem discutir, simplesmente, pôs-se a caminho, confiando na Palavra de Deus. Na promessa aqui formulada, a bênção concretiza-se como descendência numerosa (noutros textos também a promessa de uma terra). O Povo nascido de Abraão será uma fonte de bênção para todas as nações: inaugura-se, aqui, a ideia de que Israel é o centro do mundo e de que a sua “vocação” é ser testemunha da salvação de Deus diante de todos os povos da terra. Não se trata de um privilégio concedido a Israel, mas de uma responsabilidade.

ATUALIZAÇÃO
Abraão é o homem que encontra Deus, que está atento aos seus sinais e sabe interpretá-los, que responde aos desafios de Deus com uma obediência total.
A figura de Abraão questiona, também, o homem instalado e comodista, que prefere apostar na segurança do que já tem, em vez de arriscar na novidade de Deus.
Deus tem um projeto para os homens e esse projeto é de amor e de salvação… Deus continua a vir ao seu encontro com novas propostas.

6. SALMO RESPONSORIAL / Sl 32 (33)

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, venha a vossa salvação!
• Pois reta é a palavra do Senhor, / e tudo o que ele faz merece fé. /
  Deus ama o direito e a justiça, / transborda em toda a terra a sua graça.
• Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem / e que confiam esperando em seu amor, /
  para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.
• No Senhor, nós esperamos confiantes, / porque Ele é nosso auxílio e proteção! /
  Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça / da mesma forma que em vós nós esperamos!

9. EVANGELHO (Mt 17,1-9) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

AMBIENTE - A secção de Mt 16,21-20,34 é uma catequese sobre o discipulado, como seguimento de Jesus até à cruz. O relato da transfiguração é antecedido do anúncio da paixão e de uma instrução ao discípulo (convidado a renunciar a si mesmo, a tomar a sua cruz e a seguir Jesus no seu caminho de amor e de entrega da vida). Depois de terem ouvido falar do “caminho da cruz”, os discípulos estão desanimados, pois parece um fracasso; seguir um mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na cruz.
É neste contexto que Mateus coloca o episódio da transfiguração. A cena constitui uma palavra de ânimo para os discípulos, pois nela manifesta-se a glória de Jesus e atesta-se que Ele é – apesar da cruz que se aproxima – o Filho amado de Deus. Recebem, assim, a garantia de que o projeto que Jesus apresenta é um projeto que vem de Deus; e recebem esperança que lhes permite apostar nesse projeto.
Literariamente, a transfiguração é uma teofania – uma manifestação de Deus. O autor vai colocar todos os ingredientes que, no imaginário judaico, acompanham as manifestações de Deus (presentes nos relatos teofânicos do Antigo Testamento): o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturbação daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer: não estamos diante de um relato fotográfico de acontecimentos, mas de uma catequese a ensinar que Jesus é o Filho amado de Deus, que traz aos homens um projeto de Deus.

MENSAGEM - Esta catequese está construída sobre elementos simbólicos tirados do Antigo Testamento: é sempre num monte que Deus Se revela; e, faz uma aliança com o seu Povo. A mudança do rosto e as vestes recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai. A nuvem indica a presença de Deus quando conduzia o seu Povo através do deserto. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas. Além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva.
O temor e a perturbação são a reação de qualquer homem diante da majestade de Deus.
As tendas parecem aludir à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”, no deserto.
A mensagem pretende dizer quem é Jesus. O autor deixa claro que Jesus é o Filho amado de Deus e também o Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias): ele é um novo Moisés através de quem o próprio Deus dá a nova lei e uma nova aliança.
Da ação libertadora de Jesus irá nascer um novo Povo de Deus. Com esse novo Povo, Deus vai fazer uma nova aliança; e vai conduzi-lo através do “deserto” que leva da escravidão à liberdade.
Esta apresentação tem como destinatários os discípulos de Jesus (grupo desanimado e frustrado porque no horizonte próximo do seu líder está a cruz e porque o mestre exige dos discípulos que aceitem percorrer um caminho semelhante).  Ela aponta para a ressurreição, aqui anunciada pela glória de Deus que se manifesta em Jesus, pelas vestes resplandecentes (que lembram as vestes resplandecentes dos anjos que anunciam a ressurreição – cf. Mt 28,3) e pelas palavras finais de Jesus (“não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do Homem ressuscitar dos mortos”): diz-lhes que a cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus (e dos discípulos) está a ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.
Pedro quer construir três tendas no cimo do monte, “assentar arraiais”. Os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus. Jesus nem responde à proposta: Ele sabe que o projeto de Deus  tem de passar pelo amor até às últimas consequências.

ATUALIZAÇÃO
A transfiguração revela Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de si próprio por amor. Pela transfiguração de Jesus, Deus demonstra que uma existência feita dom não é fracassada – mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de pôr a sua vida ao serviço dos irmãos.
A transfiguração de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à felicidade sem fim.
Os três discípulos parecem não ter vontade de “descer” e enfrentar o mundo e os problemas. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, alheios a realidade do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. Jesus obriga a “regressar ao mundo” para testemunhar com o dom da vida; A religião não é um ópio, mas um compromisso com Deus, que se faz amor com o mundo.

7. SEGUNDA LEITURA (2Tm 1,8b-10) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo, sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho.

AMBIENTE - Timóteo recebeu a “imposição das mãos” (cf. 1 Tim 4,14) que o designava como enviado para anunciar o Evangelho de Jesus. Estão começando as grandes perseguições; muitos estão desanimados e vacilam na fé. É preciso que os líderes – entre os quais está Timóteo – mantenham o ânimo e ajudem as comunidades.

MENSAGEM - Deus que, de forma gratuita, quer salvar os homens e chamá-los à santidade. Esse projeto manifestou-se em Jesus Cristo, o libertador, que destruiu a morte e o pecado e ofereceu a todos os homens a vida plena e definitiva, Mesmo no meio das perseguições e dificuldades, todos não podem desistir da missão que Deus lhes confiou… Têm de ser testemunhas vivas, entusiastas e corajosas do projeto amoroso de Deus.

ATUALIZAÇÃO
Deus tem um projeto de salvação para todos os homens. Deus está a velar pela nossa realização e pela nossa felicidade. Necessitamos mais serenidade, mais paz, mais esperança.
Nós somos, aqui e agora, as testemunhas vivas de Deus e do seu projeto para o mundo. O comodismo não pode distrair-nos dessa responsabilidade. Temos a missão de animar e orientar a comunidade – sinais vivos de Deus, do seu amor, da sua bondade e ternura, da sua preocupação com os homens.
As dificuldades não podem ser uma desculpa para fugirmos das nossas responsabilidades e de levarmos a sério a vocação a que Deus nos chama.

Pe. Joaquim G, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

===================---------------------------==============

Homilia de D. Henrique Soares da Costa
No Domingo passado, primeiro da Quaresma, meditamos sobre as tentações de Jesus. O Senhor no deserto, lutando contra o diabo, convidava-nos ao combate espiritual, próprio do deserto quaresmal. Sim, porque é isso que o tempo santo que estamos vivendo deseja ser: tempo de retiro no deserto do coração para combater nossos demônios interiores e, pela oração, a penitência, a caridade fraterna, a escuta da Palavra de Deus e a reconciliação sacramental, caminharmos para a santa Páscoa.
Na liturgia de hoje, ladeado por Moisés e Elias, que também enfrentaram durante quarenta dias e quarenta noites o combate no deserto para experimentarem o fulgor da glória de Deus, Jesus nos mostra qual a finalidade do nosso caminho quaresmal, Jesus nos revela aonde nos leva nosso combate espiritual. Qual o objetivo? Qual a finalidade? Ei-los: celebrar com ele a sua Páscoa, sendo com ele transfigurado em glória! Nosso objetivo, nosso escopo, o feliz e gozoso fim do nosso caminho é o Cristo envolto na sua glória pascal que nos transfigura também a nós! Mais que Moisés e Elias, nós seremos envolvidos da glória de Cristo, aquela glória que é o Espírito Santo que o Pai derramou sobre ele na sua ressurreição! Passaremos, portanto, do roxo quaresmal, tão sóbrio, para o esfuseante branco pascal, sinal da glória e da imortalidade, transfigurados em Jesus e por Jesus, o homem perfeito, modelo de todo ser humano que vem a este mundo. Um dia, meus caros em Cristo, passaremos do roxo das lágrimas desta vida, para o branco da glória eterna dos que, revestidos da glória do Cordeiro, haverão de segui-lo para sempre! De Quaresma em Quaresma e de Páscoa em Páscoa, passaremos da Quaresma deste mundo para a Páscoa da glória eterna!
Mas, detenhamo-nos um pouco no Tabor do Evangelho hodierno. Ele é prenúncio, uma misteriosa antecipação da ressurreição. Com sua bendita Transfiguração, Jesus deseja preparar o seus para as dores da paixão – do mesmo modo que a Igreja nos deseja alentar e motivar para as renúncias e observâncias quaresmais. Por isso mesmo, Pedro, Tiago e João, o três que estão no Tabor são os mesmos que estarão no Jardim das Oliveiras. Por isso também o Evangelho de hoje termina com uma alusão à ressurreição de Jesus dentre os mortos e, o relato da transfiguração em Lucas afirma que “Jesus falava de sua partida que iria consumar-se em Jerusalém” (9,30). Eis: Moisés e Elias, a Lei e os Profetas dão testemunho da paixão do Senhor: tudo estava no misterioso desígnio de Deus! Após a ressurreição, isso ficará claro: “’Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?’ E começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito” (Lc 34,26-27). Eis que mistério: a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) dão testemunho de Jesus e aparecem iluminados por ele. Somente nele, na luz da sua cruz e ressurreição, o Antigo Testamento encontra sua plenitude e sua luz!
Sendo assim, levantemo-nos! Tornemos, generosos, nosso caminho quaresmal! Também nós somos chamados, como nosso pai Abraão o foi, a sair: sair de nós mesmos, sair de nós velhos para nós renovados, transfigurados à imagem do Cristo Jesus! Tenhamos a coragem de atravessar o deserto interior, enfrentar o deserto do nosso coração, como Moisés e Elias, como o povo de Israel, como o próprio Senhor Jesus, que por nós quis ser tentado no seu período de deserto! Somente assim chegaremos renovados e purificados ao nosso destino. Este destino não é um lugar, mas uma situação, uma realidade: é o homem novo, transfigurado à imagem do Cristo que, após o tormento imenso da cruz, foi glorificado pelo Espírito do Pai. Eis o caminho quaresmal: do homem velho ao homem novo, do pecado à graça, do vício à virtude, da preguiça espiritual à generosidade, da morte à vida, da tristeza à alegria… trazendo em nós, na nossa vida, o reflexo da glória do próprio Cristo Jesus! Não é este o significado das palavras de São Paulo, na segunda leitura de hoje? “Sofre comigo pelo Evangelho. Deus nos salvou e nos chamou a uma vocação santa… em virtude da graça que nos foi dada em Jesus Cristo. Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade”. Eis! Os sofrimentos e lutas desta vida não são pesados se compararmos com o objetivo tão alto que nos preparam!
Caríssimos, que as práticas quaresmais, vividas com generosa fidelidade, arrancando o pecado que nos torna opacos, possam revelar em nós o resplendor da glória de Cristo a que somos chamados e que já está presente em nós desde o nosso batismo!
Mais ainda: que a novidade de nossa vida transborde para o mundo, que tanto tem necessidade do testemunho dos cristãos. Nunca esqueçamos: este mundo mergulhado na violência (violência da injustiça, violência do desrespeito à dignidade humana, violência da fome, violência dos atentados à paz, violência das drogas e das mentiras, violência dos meios de comunicação, violência da negação de Deus)… este mundo precisa de nosso testemunho e de nossa palavra, mesmo quando nos rejeita, quando despreza o nome de Cristo, quando deseja esquecer o seu Senhor e pisar os valores do Evangelho!
Deixemo-nos, portanto, transfigurar pelo Senhor e sejamos luz para o mundo! Como pede a oração inicial da Missa hodierna: Senhor, “que purificado o olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória!” Por Cristo, nosso único Senhor. Amém. –
 D. Henrique Soares
=============-----------------------=============

Homilia do Mons. José Maria Pereira

ENCONTRAR E OUVIR O FILHO!

O Evangelho (Mt 17, 1-9) relata-nos o que aconteceu no Tabor.
A caminho de Jerusalém, Jesus faz o primeiro anúncio da Paixão. Disse que iria sofrer e padecer em Jerusalém, e que morreria às mãos dos príncipes dos sacerdotes, dos anciãos e dos escribas. Os apóstolos tinham ficado aflitos e tristes com a notícia. O caminho da salvação esperado pelos discípulos é bem diferente! Para fortalecer o ânimo profundamente abalado dos discípulos, Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João e leva-os a um lugar à parte para orar. Aí, no Monte Tabor, revela-lhes a glória da divindade. “Enquanto orava, o seu rosto transformou-se e as suas vestes tornaram-se resplandecentes” (Lc 9, 29).
São Leão Magno diz que “a finalidade principal da Transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz.”
Pela Transfiguração, Deus demonstra que uma existência feita dom não é fracassada, mesmo quando termina na Cruz. Também nos revela que Jesus é “o Filho amado do Pai” e nos convida a escutar o que Ele diz.
A Transfiguração do Senhor antecipa a Ressurreição e anuncia a divinização do homem. Conduz-nos a um alto Monte para acolher de novo, em Cristo, como filhos do Filho, o dom da Graça de Deus: “Este é o meu Filho amado: Escutai-O.”
A Transfiguração foi uma centelha de glória divina que inundou os apóstolos de uma felicidade tão grande que fez Pedro exclamar: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas…” (Mt 17, 4). Pedro quer prolongar aquele momento. Mas, Pedro não sabia o que dizia; pois o que é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar sempre com Cristo, em qualquer parte, e vê-lo por trás das circunstâncias em que nos encontramos. Se estamos com Ele, tanto faz que estejamos rodeados dos maiores consolos do mundo ou prostrados no leito de um hospital, padecendo dores terríveis. O que importa é somente isto: vê-lo e viver sempre com Ele! Esta é a única coisa verdadeiramente boa e importante na vida presente e na outra. Desejo ver-te, Senhor, e procurarei o teu rosto nas circunstâncias habituais da minha vida!
São Beda diz que o Senhor, “numa piedosa autorização, permitiu que Pedro, Tiago e João fruíssem durante um tempo muito curto da contemplação da felicidade que dura para sempre, a fim de fortalecê-los perante a adversidade”. A lembrança desses momentos ao lado do Senhor, no Tabor, foi sem dúvida uma grande ajuda nas várias situações difíceis em que estes três Apóstolos viriam a passar.
A Transfiguração leva-nos a pensar no Céu, que é a nossa morada. O Senhor quer confortar-nos com a esperança do Céu, de modo especial nos momentos mais duros ou quando se torna mais patente a fraqueza da nossa condição: “à hora da tentação, pensa no Amor que te espera no Céu. Fomenta a virtude da esperança, que não é falta de generosidade” (Caminho, 139).
O pensamento da glória que nos espera deve animar-nos na nossa luta diária. Nada vale tanto como ganhar o Céu. Ensina Santa Teresa: “E se fordes sempre avante com essa determinação de antes morrer do que desistir de chegar ao termo da jornada, o Senhor, mesmo que vos mantenha com alguma sede nesta vida, na outra, que durará para sempre, vos dará de beber com toda abundância e sem perigo de que vos venha a faltar.”
“Este é o meu Filho amado: ouvi-O”. Deus Pai fala através de Jesus Cristo a todos os homens, de todos os tempos. Ensinava o papa João Paulo II: “procura continuamente as vias para tornar próximo do gênero humano o mistério do seu Mestre e Senhor: próximo dos povos, das nações, das gerações que se sucedem e de cada um dos homens em particular” (Encíclica Redemptor Hominis, 7). A sua voz faz-se ouvir em todas as épocas, sobretudo através dos ensinamentos da Igreja.
Nós devemos encontrar Jesus na nossa vida corrente, no meio do trabalho, na rua, nos que nos rodeiam, na oração, quando nos perdoa no Sacramento da Penitência (Confissão), e sobretudo na Eucaristia, onde se encontra verdadeira, real e substancialmente presente. Devemos aprender a descobri-Lo nas coisas ordinárias, correntes, fugindo da tentação de desejar o extraordinário.
Mons. José Maria Pereira
================------------------------===============
2º Domingo da Quaresma ano 2014   Do Tabor ao Calvário

A Vida cristã pode ser comparada a uma caminhada que deve ser percorrida na escuta atenta de Deus, na observância total aos seus planos.

Na 1a Leitura, vemos a Caminhada de Abraão: (Gen 12,1-4)

- Deus chama Abraão, convida-o a deixar a terra e a família e a partir ao encontro de uma outra terra, para ser um sinal de Deus no meio dos homens.
- Deus lhe oferece a sua bênção e a promessa de uma família numerosa, que será testemunha da Salvação de Deus diante de todos os povos.
- Diante do desafio de Deus, Abraão pôs-se a caminho.
  Abraão percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.

Na 2ª leitura, Paulo exorta Timóteo a superar a sua timidez e a ser um modelo de fidelidade no testemunho da fé. (2Tm 1,8b-10)

No Evangelho, vemos a Caminhada de Jesus:  (Mt 17,1-9)

A caminho de Jerusalém, Jesus faz o primeiro anúncio da Paixão.
O caminho da salvação esperado pelos discípulos é bem diferente.
Por isso, ficam profundamente desanimados e frustrados.
A aventura parece encaminhar-se para um grande fracasso.
- Para fortalecer o ânimo profundamente abalado dos discípulos, Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João, e revela-lhes no Monte Tabor a glória da divindade.
Após um momento de medo, eles reencontram a paz e a alegria.

Com a TRANSFIGURAÇÃO, Mateus quer duas coisas:
- Revelar: QUEM É JESUS: É "o Filho amado do Pai" e
- Convidar: "Escutem o que ele diz".

* Pela Transfiguração, Deus demonstra que uma existência feita dom não é fracassada, mesmo quando termina na cruz.
A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos os que forem capazes de pôr sua vida a serviço dos irmãos, como Jesus.

A Nossa caminhada para Deus:
Também nós somos chamados a uma caminhada, que começa com o BATISMO.
No final dessa viagem, seremos envolvidos pela mesma "nuvem luminosa", que envolveu o Mestre e brilharemos como o sol no reino do Pai.
O Papa enviou uma linda Mensagem Quaresmal, que vou tentar resumir. Inicia com as palavras de Paulo (Cl 2,12):
"Sepultados com ele no BATISMO, foi também com ele que ressuscitastes".

 A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é um tempo litúrgico muito precioso e importante... para intensificar o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do mistério da Redenção a Vida nova em Cristo Senhor.
Essa vida já nos foi transmitida no dia do nosso Batismo, quando iniciou para nós a aventura jubilosa do discípulo.
Um vínculo particular liga o Batismo com a Quaresma, como momento favorável para experimentar a Graça que salva.
A Igreja associa sempre a Vigília Pascal à celebração do Batismo.
Os textos evangélicos da Quaresma nos guiam para um encontro intenso com o Senhor, fazendo percorrer as etapas do caminho da Iniciação cristã.

- O Primeiro domingo evidencia a nossa condição de homens nesta terra.
O combate vitorioso contra as Tentações é um convite a tomar consciência da própria fragilidade, para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo.
- A Transfiguração do Senhor antecipa a Ressurreição e anuncia a divinização do homem. Conduz-nos a um alto Monte para acolher de novo em Cristo, como filhos do Filho, o dom da Graça de Deus: "Este é o meu Filho amado: Escutai-o".
- O pedido de Jesus à Samaritana "Dá-me de beber" exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar em nosso coração o desejo dessa água que jorra para a vida eterna. É o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos verdadeiros "adoradores do Pai, em espírito e verdade..."
- A Cura do Cego de Nascença apresenta Cristo como Luz do Mundo.
O Evangelho nos interpela: "Tu crês no Filho do Homem?" "Creio, Senhor", afirmou com alegria o cego... fazendo-se voz de todos os crentes.
- No 5º domingo, a Ressurreição de Lázaro nos põe diante do último mistério da nossa existência: "Eu sou a ressurreição e a Vida... crês tu isto?"
A resposta de Marta deve ser a nossa: "Sim, eu creio que tu és o Filho de Deus".

Na grande Vigília Pascal, renovamos as promessas batismais e reafirmamos que Cristo é o Senhor de nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou no Batismo e reconfirmamos...

Mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do Jejum, da Esmola e da Oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Batismo.
Renovemos nessa Páscoa o acolhimento da graça, que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas ações.

                                      Pe. Antônio Geraldo












Para a Celebração da Palavra:





LOUVOR: (quando o Pão Sagrado estiver sobre o altar)
à O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
à Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo Louvemos ao Pai:
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
à Pai! Nós Vos damos graças por Abraão, que escolhestes e chamastes para constituir um novo povo. Somos o vosso povo. Recebemos o Batismo e somos profetas em vosso Filho; Nós Vos pedimos por todas as famílias para que sejam abençoadas.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
à Deus de vida, nós Vos bendizemos, porque fizestes resplandecer a vida e a imortalidade pelo anúncio do Evangelho. Vós nos salvastes e nos destes a Dignidade de filhos vossos.  Vos pedimos pelos que sofrem no testemunho do Evangelho. Sustentai-os com a força do vosso Espírito.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
à Deus de luz, nós Vos damos graças pela transfiguração do vosso Filho, quando manifestes vossa glória. Nós Vos pedimos; curai os nossos corações para que acolhamos as palavras do Vosso Filho. Estabelecei a Vossa tenda nas nossas casas e em nossos corações.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
àPAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...


quinta-feira, 6 de março de 2014

1º DOMINGO DA QUARESMA ANO 2014

1º DOMINGO DA QUARESMA ANO 2014

Tema: “Livrai-nos, ó Pai, de todos os males!”. Deus convida-nos à “conversão”

Primeira leitura: Deus criou a humanidade para a felicidade; mas pelo egoísmo, orgulho e prepotência,  construímos nossos próprios caminhos que terminam em sofrimento e morte.
Evangelho: Jesus recusou uma vida à margem de Deus e dos seus projetos. Recusou o projeto tentador da                     riqueza, do prestígio e do poder.
Segunda leitura: Adão ignora as propostas de Deus e decide, por si só; Jesus escolhe a obediência ao Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena.

6. PRIMEIRA LEITURA (Gn2,7-9;3,1-7) Leitura do Livro do Gênesis.
O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou- lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. E
o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’ E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim nós podemos comer. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, ao contrário morrereis’”. A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.

AMBIENTE - Texto jahwista séc. X a.C., época de Salomão. Finalidade teológica: na origem está Jahwéh. Trata-se, portanto, de uma catequese e não de um tratado científico sobre as origens do mundo e da vida.

MENSAGEM - (“Adam” – “homem” – e “’adamah” – “terra”, sugere que o homem vem da “terra”– e, morrendo, voltará à terra). No entanto, o homem não é apenas terra, pois recebe também o “sopro” de Deus. É a vida que vem de Deus que torna o homem vivo… O homem procede diretamente, de Deus. O homem é o centro do projeto de Deus: é para ele que tudo é criado. Deus coloca-o num “jardim”. Para um povo do deserto o ideal de felicidade seria um lugar com muitas árvores e muita água. No centro do jardim, duas árvores especiais: a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. A “árvore da vida” é o símbolo da imortalidade: desde o início, Deus ofereceu ao homem a possibilidade da vida plena e imortal, que passa pela Lei e mandamentos… A “árvore do conhecimento do bem e do mal” é o outro caminho e representa o orgulho e a auto-suficiência de quem acha que pode conquistar a sua própria felicidade, prescindindo de Deus. “Comer da árvore do conhecimento” significa fechar-se em si, decidir por si só o que é bem e o que é mal, pôr-se a si próprio em lugar de Deus, reivindicar autonomia total em relação ao criador. O homem que renuncia à comunhão com Deus está seguindo o caminho da morte.
A idéia do nosso catequista é esta: Deus criou o homem para ser feliz; deu-lhe a possibilidade de vida imortal; mas o homem pode escolher prescindir de Deus e percorrer caminhos onde Deus não está.

Na segunda parte o autor reflete: De onde vem o mal que impede o homem de ter vida plena? Esse mal – sugere o teólogo jahwista – vem das opções erradas que, desde o início da história, o homem tem feito. Para dizer isto, o autor recorre à imagem da serpente. Entre os povos antigos, a serpente aparece como um símbolo por excelência da vida e da fecundidade. Entre os cananeus, estava também bastante difundido o culto da serpente. Nos santuários cananeus invocavam-se os deuses da fertilidade (baal) (representados muitas vezes pela serpente) e realizavam-se rituais mágicos para assegurar a fecundidade dos campos… Os israelitas se deixaram fascinar por esses cultos e praticavam os rituais dos cananeus destinados a assegurar a vida e a fecundidade dos campos e dos rebanhos. No entanto, isso significava prescindir de Jahwéh e abandonar o caminho da Lei e dos mandamentos. A “serpente” surge aqui, portanto, como símbolo de tudo o que afasta os homens de Deus e das suas propostas, sugerindo-lhes caminhos de orgulho, de egoísmo e de auto-suficiência.
Conclusão: Deus criou o homem para ser feliz e indicou-lhe o caminho da imortalidade e da vida plena; no entanto, o homem escolhe muitas vezes o caminho do orgulho e da auto-suficiência e vive à margem de Deus. Na opinião do autor jahwista, é essa a origem do mal que destrói a harmonia do mundo.

ATUALIZAÇÃO De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? É Deus a nossa origem e o nosso destino último. Somos seres que Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu próprio “sopro”, a quem animou com a sua própria vida. O fim da nossa existência é a felicidade sem fim com Deus.
• Quando aceitamos Deus, Ele nos indica os caminhos da felicidade (mandamentos).
• O mal não vem de Deus, mas das escolhas erradas, do orgulho, do egoísmo e autossuficiência. Quando o homem escolhe viver sem Deus e prescindindo do amor, constrói a injustiça, o sofrimento, a morte…
- "Nus": Despojados da dignidade inicial (viver nu é a condição dos animais; sem perspectiva).

7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 50 (51)

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.
• Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! /
Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai todas as minhas transgressões.
• Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. /
Foi contra vós, só contra vós que eu pequei / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
• Criai em mim um coração que seja puro, / dai-me de novo um espírito decidido. /
Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, / nem retireis de mim o vosso Santo Espírito.
• Dai-me de novo a alegria de ser salvo / e confirmai-me com espírito generoso! /
Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, / e minha boca anunciará vosso louvor!

10. EVANGELHO (Mt 4,1-11) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”. Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’”. Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto’”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

AMBIENTE - “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo”. Os quarenta dias resumem os quarenta anos que Israel passou em caminhada pelo deserto. O deserto é o lugar da “prova”, (do encontro com Deus e da sua fragilidade onde se encontra o amor de Deus). É uma catequese, que Jesus soube centralizar o projeto do Pai.

MENSAGEM - A catequese sobre as opções de Jesus aparece em três quadros:
1 Tentação do caminho de realização material; É fazer dos bens materiais a prioridade. Jesus sabe que “nem só de pão vive o homem”; a realização é o cumprimento da Palavra do Pai.
2 Tentação do caminho de êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado e aclamado. Jesus não utiliza os dons para satisfazer projetos pessoais de êxito e de triunfo. “Não tentar” o Senhor significa não exigir de Deus sinais e provas que sirvam para a promoção pessoal, não usar os dons para se impor aos outros homens.
3 Tentação do caminho de poder, de domínio, de prepotência, ao jeito dos grandes da terra. Jesus sabe que só o Pai é absoluto e que só Ele deve ser adorado.
        As três tentações não são mais do que três faces de uma única tentação: a tentação de prescindir de Deus, de escolher um caminho de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência, à margem das propostas de Deus. Mas, para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz, realizar os seus projetos, cumprir os seus planos. Jesus vai confirmar esta sua “opção” e vai concretizar, com fidelidade, o projeto do Pai.
Jesus venceu a tentação de prescindir de Deus e de escolher caminhos à margem dos projetos do Pai. De Jesus vai nascer um novo Povo de Deus, cuja vocação é viver em comunhão com o Pai e concretizar o seu projeto para o mundo e para os homens.

ATUALIZAÇÃO
• Jesus recusou o individualismo. Ele quer a comunhão com o Pai; é obediente ao seu projeto…
• Quando o homem esquece Deus, se fecha no egoísmo e na autossuficiência, facilmente cai na escravidão de outros “deuses” que, no entanto, estão longe de assegurar vida plena e felicidade duradoura.
**
Somos obra do amor gratuito: do nada ele nos tirou e encheu-nos de vida.; nos colocou no jardim: Se o homem confiasse em Deus, se cumprisse seu preceito, se reconhecesse seus limites, um dia comeria do fruto da árvore da Vida…
** O homem foi seduzido e deseja ser seu próprio Deus, sem limite, sem abertura à graça! Somente sua vontade importa, somente sua medida! Hoje, como no princípio, ele pensa que é a medida de todas as coisas! Eis aqui o seu pecado!
** Ser como Deus, sendo autônomo, decidindo o que é certo e errado; decidindo que a libertinagem é um bem, que as aventuras com embriões humanos, que o aborto, que a infidelidade feita de preservativos, são um bem… que levar a sério a religião e a Palavra de Deus é um mal… Resultado: viram que estavam nus… somos pó e ao pó tornaremos!
1) Tentação da Abundância (Riqueza): "Nem só de pão vive o homem..."
2) Tentação do Prestígio e da fama: um caminho fácil, mostrando o seu poder e sendo admirado e aclamado. "Não tentarás o Senhor teu Deus".
3) Tentação do Poder,: um caminho de poder, de domínio : "Só a Deus adorarás".

8. SEGUNDA LEITURA (Rm 5,12-19) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos: Consideremos o seguinte: o pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram... Na realidade, antes de ser dada a lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, o qual era a figura provisória daquele que devia vir. Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Também o dom é muito mais eficaz do que o pecado de um só. Pois, a partir de um só pecado, o julgamento resultou em condenação, mas o dom da graça frutifica em justificação, a partir de inúmeras faltas. Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.

AMBIENTE - (anos 57/58). Os cristãos de origem judaica consideravam que, além da fé em Jesus Cristo, era necessário cumprir as obras da Lei (circuncisão) para ter acesso à salvação; Paulo vai mostrar que judeus e não judeus são, de igual forma, chamados por Deus à salvação; o essencial não é cumprir a Lei de Moisés; o essencial é acolher a oferta de salvação que Deus faz a todos, por Jesus Cristo. Através de Jesus se faz a oferta de salvação para todos.

MENSAGEM - Para deixar bem claro que a salvação vem através de Jesus Cristo, Paulo vai expor o seu raciocínio através de duas figuras: Adão e Jesus. Adão que prescinde de Deus e das suas propostas e que escolhe caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência. Ora, essa escolha produz injustiça, alienação, sofrimento, desarmonia. Porque o pecado gera morte. A morte deve ser entendida, neste contexto, como morte espiritual e escatológica que é afastamento temporário ou definitivo de Deus (a fonte da vida autêntica).
Cristo propôs outro caminho. Ele viveu na obediência total aos projetos do Pai. Esse caminho leva à superação do egoísmo, do orgulho, da autossuficiência e faz nascer um Homem Novo, que vive em comunhão com o Deus que é fonte de vida autêntica (a vitória de Cristo sobre a morte é a prova de que só a comunhão com Deus produz vida definitiva). Foi essa a grande proposta que Cristo fez à humanidade… Assim, Cristo libertou os homens da economia de pecado e introduziu no mundo uma dinâmica nova, uma economia de graça que gera vida plena (salvação).
O que é claro é que, para Paulo, a intervenção de Cristo na história humana se traduziu num dinamismo de esperança, de vida nova, de vida autêntica. Cristo veio propor à humanidade um caminho de comunhão com Deus e de obediência aos seus projetos; é esse caminho que conduz o homem em direção à vida plena e definitiva.

ATUALIZAÇÃO • Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos…
Adão o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só; egoísmo, sofrimento e morte;
Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus; gera vida plena e definitiva.
** Pela obediência de Cristo a nossa desobediência é redimida; pela cruz, nós temos acesso ao fruto da Vida  plena, nós somos divinizados, por pura graça, aquilo que queríamos ser de modo autônomo e soberbo! Assim, manifestou-se a justiça de Deus: em Jesus, e só nele, a humanidade encontra vida!
** Mas, esta salvação em Jesus teve alto preço: a obediência, até a morte e morte de cruz. renunciando ser o senhor de sua existência humana: ele acolheu a proposta do Pai, ele se fez obediente: à glória do pão (dos bens materiais, dos prazeres) ele preferiu a Palavra do Pai como único sentido e única orientação de sua vida; à glória do sucesso (a honra, a fama, o aplauso), ele preferiu a humildade de não tentar Deus; à glória do poder (da força, das amizades poderosas e influentes, do prestígio político para impor e conseguir tudo) ele preferiu o compromisso absoluto e total com o Absoluto de Deus somente. Assim, Cristo Jesus, o Homem novo, o novo Adão (de quem o primeiro era somente figura e sombra) abriu-nos o caminho da obediência que nos faz retornar ao Pai!
Deixemos a ilusão de achar que nos bastamos a nós mesmos! Percorramos o caminho de Cristo!
Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

===========-------------==============
Homilia D. Henrique Soares da Costa
Logo no início deste santo caminho para a Páscoa, a Palavra de Deus nos desvenda dois mistérios tremendos: o mistério da piedade e o mistério da iniqüidade! Esses dois mistérios atravessam a história humana e se interpenetram misteriosamente; dois mistérios que nos atingem e marcam nossa vida, e esperam nossa decisão, nossa atitude, nossa escolha! Um é mistério de vida; o outro, mistério de morte.
Comecemos pelo mistério da iniqüidade: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Eis! A vida que vivemos, a vida da humanidade é uma vida de morte, ferida por tantas contradições, por tantas ameaças físicas, psíquicas, morais… Viver tornou-se uma luta e, se é verdade que a vida vale a pena ser vivida, não é menos verdade que ela também tem muito de peso, de dor, de pranto, de fardo danado. Mas, como isso foi possível? Escutemos a primeira leitura: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente”. Somos obra de Deus, do seu amor gratuito: do nada ele nos tirou e encheu-nos de vida. Mais ainda: “O Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado”. Vede: o Senhor não somente nos tirou do pó do nada, não somente nos encheu de vida; também nos colocou no jardim de delícias, pensou nossa vida como vida de verdade toda banhada pela luz do oriente. E mais: nosso Deus passeava no jardim à brisa do dia (cf. Gn 3,8), como amigo do homem. Eis o mistério da piedade, o projeto que Deus concebeu para nós desde o início, apresentado pela Palavra de modo poético e simbólico: um Deus que é Deus de amor, de ternura, de carinho, de respeito pela sua criatura, com a qual ele deseja estabelecer uma parceria; um homem chamado a ser plenamente homem: feliz na comunhão com Deus, feliz em ter no seu Deus sua plenitude e sua vida; homem plenamente homem nos limites de homem. O homem é homem, não é Deus! Somente o Senhor Deus é o Senhor do Bem e do Mal. Por isso as duas árvores no Éden: a do conhecimento do Bem e do Mal (isto é, o poder de decidir por si mesmo o que é bem ou mal, certo ou errado) e a árvore da Vida (da vida plena, da vida divina). Se o homem confiasse em Deus, se cumprisse seu preceito, se reconhecesse seus limites, um dia comeria do fruto da árvore da Vida…
Mas, o homem foi seduzido; é seduzido inda agora: deseja ser seu próprio Deus, sem nenhum limite, sem nenhuma abertura à graça! Somente sua vontade lhe importa, somente sua medida! Hoje, como no princípio, ele pensa que é a medida de todas as coisas! Eis aqui o seu pecado! O Diabo o seduz: primeiro distorce o preceito de Deus (“É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim’?”), semeando no coração do homem a desconfiança e o sentimento de inferioridade; depois, mente descaradamente:“Não! Vós não morrereis! Vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal!” Ser como Deus, decidindo de modo autônomo o que é certo e o que é errado; decidindo que a libertinagem é um bem, que as aventuras com embriões humanos, que o aborto, que a infidelidade feita de preservativos, são um bem… Decidindo loucamente que levar a sério a religião e a Palavra de Deus é um mal… Ser como Deus… Eis nosso sonho, nossa loucura, nossa mais triste ilusão! Tudo tão atraente, tudo tão apto para dar conhecimento, autonomia, felicidade… O resultado: os olhos dos dois se abriram: estavam nus… estamos nus… somos pó e, por nós mesmos, ao pó tornaremos, inapelavelmente!
Então, nosso destino é a morte? Não há saída para a humanidade? O mistério da iniqüidade destruiu o mistério da piedade? Não! De modo algum! Ao contrário: revelou-o ainda mais: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte; mas foi de modo bem superior que a graça de Deus… concedida através de Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Por um só homem a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça”. Eis aqui o mistério tão grande, o mistério da piedade, o centro da nossa fé: em Cristo revelou-se todo o amor de Deus para conosco; pela obediência de Cristo a nossa desobediência é redimida; pela morte de Cristo na árvore da cruz, nós temos acesso ao fruto da Vida, da Vida plena, da Vida em abundância, da Vida que nunca haverá de se acabar! Pela obediência de Cristo, pelo dom do seu Espírito, nós temos a vida divina, nós somos divinizados, somos, por pura graça, aquilo que queríamos ser de modo autônomo e soberbo! Assim, manifestou-se a justiça de Deus: em Jesus morto e ressuscitado por nós – e só nele! – a humanidade encontra vida!
Mas, esta salvação em Jesus teve alto preço: a encarnação do Filho de Deus e sua humilde obediência, até a morte e morte de cruz. O Senhor desfez o nó da nossa desobediência, da nossa auto-suficiência, da nossa prepotência, renunciando ser o senhor de sua existência humana: ele acolheu a proposta do Pai, ele se fez obediente: à glória do pão (dos bens materiais, dos prazeres, do conforto) ele preferiu a Palavra do Pai como único sentido e única orientação de sua vida; à glória do sucesso (a honra, a fama, o aplauso), ele preferiu a humildade de não tentar Deus; à glória do poder (da força, das amizades poderosas e influentes, do prestígio político para impor e conseguir tudo) ele preferiu o compromisso absoluto e total com o Absoluto de Deus somente. Assim, Cristo Jesus, o Homem novo, o novo Adão (de quem o primeiro era somente figura e sombra) abriu-nos o caminho da obediência que nos faz retornar ao Pai!
Este é também o nosso caminho. Nossa vocação é entrar, participar, da obediência de Cristo pela oração, a penitência e a caridade fraterna para sermos herdeiros de sua vitória pascal! Este sagrado tempo que estamos iniciando é tempo de combate espiritual, para que voltemos, pelo caminho da obediência Àquele de quem nos afastamos pela covardia da desobediência. Convertamo-nos, portanto! Deixemos a teimosia e a ilusão de achar que nos bastamos a nós mesmos! Sinceramente, abracemos os sentimentos de Cristo, percorramos o caminho de Cristo, convertamo-nos a Cristo!
Concluamos com as palavras da Coleta de hoje: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”. Amém.
D. Henrique Soares da Costa
=========-------------==============
Homilia  Pe. Françoá Costa

Somos pessoas normais!

Essa afirmação poderia chamar a nossa atenção se não conhecêssemos a natureza humana, não somente através da bondade que ela manifesta constantemente, mas também por causa das dificuldades que a velha natureza encontra desde que Adão e Eva aprontaram, ou seja, pecaram. Antes o homem e a mulher estavam cheios de graça, a sua inteligência conhecia com rapidez e a sua vontade não encontrava dificuldade para amar, a sua memória era ágil, as suas forças permaneciam firmes diante do trabalho cotidiano e se vivia em grande harmonia com toda a criação. Eram pessoas normais!
No entanto, na situação atual, podemos afirmar tranquilamente: também nós somos pessoas normais! Isso significa que em nós há coisas boas e coisas más. Não nos deveriam surpreender demasiado nem as coisas boas, porque são graças de Deus; nem as más, porque são consequentes como uma natureza que, a partir, do pecado, tem aquilo que a tradição chama de vulnera peccati, ou seja, as feridas do pecado. Em efeito, depois do pecado, o ser humano perdeu a maravilhosa harmonia que existia no seu próprio ser e, consequentemente, também perdeu a harmonia que experimentava junto à natureza biológica e animal. Também o mundo que antes lhe era favorável, depois do pecado se lhe manifestava como hostil.
Pobre de nós se não reconhecermos que somos pecadores! Mais pobres ainda se não reconhecermos que a graça de Deus nos atingiu, nos curou e nos santificou! “O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição de homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Ef 6, 12), no qual o diabo é ativo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2011).
Consequência prática: é preciso lutar! É preciso fazer guerra! É preciso ser fortes na batalha! Sou um sacerdote de Jesus Cristo consciente da necessidade da graça de Deus como qualquer outro cristão; no entanto, não posso pregar uma santidade sem luta: utópica, fora da realidade. Em definitiva, santidade sem luta é um quimera! Não existe santo que não tenha lutado! Já o justo Jó era consciente de que “a vida do homem sobre a terra é uma luta” (Jó 7,1). A paz que se deseja não se consegue se não for através da guerra, através da derrota do inimigo. Qual o inimigo? Na verdade, são vários: há inimigos internos que causam desordem nos desejos e nos amores: soberba, avareza, luxúria e gula; há inimigos internos que causam desordem no nosso ânimo: inveja, ira, preguiça. Há ainda os inimigos externos: o demônio, pessoas que são tentadoras, algumas estruturas sociais injustas etc. Se o cristão não luta, é vencido.
Diante dessa realidade dramática, poder-se-ia assumir posturas que não condizem com aquilo que nós somos, isto é, filhos de Deus. Uma delas é uma espécie de naturalismo, que tem duas versões. Na primeira versão, luta-se somente com as próprias forças, com a vazia confiança de que se poderá vencer dessa maneira. A outra versão implicaria uma ausência de luta contra as más inclinações, simplesmente porque essas inclinações seriam concebidas como naturais ao homem e, no fundo, ele nem tem culpa das coisas que faz. Outra postura, diferente do naturalismo, é o pessimismo: luta-se, confia-se na graça de Deus, mas no fundo como se sabe que se cairá se desiste e se conforma com uma vida triste e aburguesada. Outra ainda, o rigorismo: tudo parece pecado e, por tanto, quase seria preferível fugir desse mundo, pois este se torna totalmente hostil e tudo se transforma em pecado, dessa atitude podem vir angústias, depressões e ansiedades.
A maneira de combater de um filho de Deus é equilibrada: confia, em primeiro lugar, na graça de Deus e, depois, coloca todos os meios que está ao seu alcance para conseguir a vitória: oração, sacramentos, fuga das ocasiões de pecado, cultivo do espírito de penitência, uma dimensão de serviço que ajuda a descomplicar-se. Além do mais, o filho de Deus luta com serenidade: caso haja alguma caída, se levanta rapidamente a través da contrição e da confissão, e continua lutando. Jesus saiu vitorioso das tentações. Ele não tinha as feridas do pecado porque não tinha pecado, mas foi tentado para vencer por nós. Nele nós somos vencedores. Já! Agora!
Pe. Françoá Costa
==========---------------=========
Homilia Mons. José Maria Pereira

As Tentações de Jesus!

O 1º Domingo da Quaresma nos apresenta todos os anos o mistério do jejum de Jesus no deserto, seguido das tentações (cf. Mt 4, 1-11).
Quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas TENTAÇÕES, que freqüentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.
A Quaresma comemora os quarenta dias que Jesus passou no deserto, como preparação para esses anos de pregação que culminam na CRUZ e na glória da Páscoa. Quarenta dias de oração e de penitência que, ao findarem, desembocam na cena que Mateus narra no cap. 4, 1-11. É uma cena cheia de mistério, que o homem em vão pretende entender – Deus que se submete à tentação, que deixa agir o Maligno –, mas que pode ser meditada se pedirmos ao Senhor que nos faça compreender a lição que encerra.
É a primeira vez que o demônio intervém na vida de Jesus, e faz isto abertamente. Põe à prova Nosso Senhor; talvez queira averiguar se chegou a hora do Messias. Jesus deixa-o agir para nos dar exemplo de humildade e para nos ensinar – diz São João Crisóstomo –, quis também ser conduzido ao deserto e ali travar combate com o demônio a fim de que os batizados, se depois do batismo sofrem maiores tentações, não se assustem com isso, como se fosse algo de inesperado. Se não contássemos com as tentações que temos de sofrer, abriríamos a porta a um grande inimigo: o desalento e a tristeza.
A narrativa das tentações que Jesus sofreu mostra que Jesus “foi experimentado em tudo” (Hb 4, 15), comprovando também a veracidade da Encarnação do Verbo de Deus.
Diz Santo Agostinho que, na sua passagem por este mundo nossa vida não pode escapar à prova da tentação, dado que nosso progresso se realiza pela prova. De fato, ninguém se conhece a si mesmo sem ser experimentado, e não pode ser coroado sem ter vencido, e não pode vencer, se não tiver combatido e não pode lutar se não encontrou o inimigo e as tentações.
Por isso, a existência do ser humano nesta terra é uma batalha contínua contra o mal. É esta luta contra o pecado, a exemplo de Cristo, que devemos intensificar nesta Quaresma; luta que constitui uma tarefa para a vida toda.
O demônio promete sempre mais do que pode dar. A felicidade está muito longe das suas mãos. Toda a tentação é sempre um engano miserável! Mas, para nos experimentar, o demônio conta com as nossas ambições. E a pior delas é desejar a todo o custo a glória pessoal; a ânsia de nos procurarmos sistematicamente a nós mesmos nas coisas que fazemos e projetamos. Muitas vezes, o pior dos ídolos é o nosso próprio eu. Temos que vigiar, em luta constante, porque dentro de nós permanece a tendência de desejar a glória humana, apesar de termos dito ao Senhor que não queremos outra glória que não a dEle. Jesus também se dirige a nós quando diz: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”. E é isto o que nós desejamos e pedimos: servir a Deus alicerçados na vocação a que Ele nos chamou.
O Senhor está sempre ao nosso lado, em cada tentação, e nos diz afetuosamente: “Confiai: Eu venci o mundo” (Jo16, 33). E com o salmista podemos dizer: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” (Sl 26, 1).
“Procuremos fugir das ocasiões de pecado, por pequenas que sejam, pois aquele que ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3, 27). Como Jesus nos ensinou na oração do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação”; é necessário repetir muitas vezes e com confiança essa oração!
Contamos sempre com a graça de Deus para vencer qualquer tentação. Usemos as armas para vencermos na batalha espiritual, que são: a oração contínua, a sinceridade com o diretor espiritual, a Eucaristia, o sacramento da Confissão (Penitência), um generoso espírito de mortificação cristã, a humildade de coração e uma devoção terna e filial a Nossa Senhora.
Na Quaresma somos todos chamados ao deserto, para um confronto conosco mesmos, com Deus e com o próximo e os bens materiais. Somos chamados a despojar-nos de nós mesmos para nos revestir de Deus.
Mons. José Maria Pereira

==============----------================
Tudo está no meu Blog
Copie e repasse:  http://www.diaconoismaelpereira.blogspot.com.br/
===========--------------===================
Para a Celebração da Palavra, ver abaixo:




LOUVOR (QUANDO O PÃO SAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, NOSSO DEUS...
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO, LOUVEMOS AO PAI :
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
à Senhor, criador do céu e da terra, bendito sejais, porque nos destes o Vosso sopro de vida e Por Jesus nos dignificastes com a graça da salvação. Que vosso Espírito nos fortifique sempre, para que saibamos optar pelos vossos projetos de vida e dignidade.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
à Nós Vos damos graças, porque nos enviastes o Vosso Filho, como um novo Adão, para que Ele fosse a cabeça de uma nova humanidade. Nós Vos bendizemos pelo dom gratuito da salvação.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
à Pai, Vos louvamos e vos bendizemos pela Palavra que sai da Vossa boca: ela é o verdadeiro pão que dá vida. Dai-nos força para que possamos sempre optar em seguir os vossos mandamentos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!


à PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...