sábado, 16 de agosto de 2014

20º DOMINGO DO Tempo Comum ANO A 2014, Assunção da Virgem Maria, homilias, louvor

20º DOMINGO DO TC ANO A 2014 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)
                                                                                                        Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

Tema: ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA (15 de Agosto) Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu
Evangelho: Maria, Cheia do Espírito Santo, encontra palavras de fé e esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem- aventurada!
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mundo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Segunda leitura: Jesus, Novo Adão, faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.

 6. PRIMEIRA LEITURA (Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab) Leitura do Livro do Apocalipse de São João.
Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a arca da Aliança. Então, apareceu no céu um
grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Então, apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.

 BREVE COMENTÁRIO - O livro do Apocalipse foi composto no ambiente das perseguições sobre a jovem Igreja. O profeta evoca estes acontecimentos numa linguagem codificada, em que os animais designam os perseguidores. A Mulher pode representar a Igreja, novo Israel, o que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho. Na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.

Maria, imagem da Igreja. (Ap 11,19a; 12,1-10ab)
Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal. Essa "Mulher" representa a Comunidade de Israel, composta de 12 tribos.
Mas se aplica também a Maria, de quem nasceu o Messias.

7. SALMO RESPONSORIAL / SI 44(45)
À vossa direita se encontra a rainha, Com veste esplendente de ouro de Ofir.
•           As filhas de reis vêm ao vosso encontro, / e à vossa direita se encontra a rainha /
com veste esplendente de ouro de Ofir.
•           Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: / “Esquecei vosso povo e a casa paterna! /
Que o Rei se encante com vossa beleza! / Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
•           Entre cantos de festa e com grande alegria, / ingressam, então, no palácio real”.

10. EVANGELHO (Lc 1,39-56) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou
na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem- aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera
aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. 

BREVE COMENTÁRIO - O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.

Rezar por Maria.
Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é absolutamente exata, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”

Rezar com Maria.
Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz: “Eis o teu Filho!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.

Rezar como Maria.
Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se acção de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor: elevou os humildes.
Hoje nós celebramos, “A Imaculada Mãe de Deus, a Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assumida em corpo e alma na glória celeste.” Foi assim que o Papa Pio XII, dia 01/11/1950, declarou a Assunção de Maria como dogma revelado por Deus.

Maria é consolo e esperança para o povo ainda em caminho”.
O último inimigo a ser destruído é a morte”
 Maria é exemplo E Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar às "coisas do alto, e não às coisas da terra" (cf. Cl 3, 2).
O Papa João Paulo II diz: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem'. Nos estimula a elevar nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde serva de Nazaré, já na glória celestial". Graças à vitória pascal de Cristo sobre a morte, a Virgem de Nazaré, unida ao mistério do Filho de Deus, compartilhou os seus efeitos salvíficos. Correspondeu com o seu «Sim» à vontade divina, participou na missão de Cristo e foi a primeira, depois d'Ele, a entrar na glória, em corpo e alma, na integridade do seu ser humano. ... Nossa Senhora, elevada entre os Santos à glória de Deus, é sinal seguro de esperança para a Igreja e para a humanidade inteira. A glória da Mãe é motivo de alegria imensa para todos os seus filhos... Elevada ao céu, Maria indica a estrada do Céu. Mostra-a aos seus filhos batizados em Cristo e a todos os homens de boa vontade”.
Bento XVI diz: “quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver mais do que de outras maneiras a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos realmente sentir a luz divina neste rosto. "Todas as gerações me chamarão bem-aventurada". Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é "bem-aventurada", é bendita para sempre. Este é o contexto da presente Solenidade. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus”.
O Concílio Vaticano II: A Mãe de Jesus, tal como está nos céus já glorificada de corpo e alma, é a imagem e o começo da Igreja como deverá ser consumada no tempo futuro.  Assim também brilha aqui na terra como sinal da esperança segura e do conforto para o povo de Deus em peregrinação, até que chegue o dia do Senhor. Portanto, o triunfo de Cristo sobre a morte é mais uma vez celebrado como conteúdo eclesial da fé e da promessa.
8. SEGUNDA LEITURA (1Cor 15,20-27a) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é
também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”. 

BREVE COMENTÁRIO - A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.
O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.

 A Assunção tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro dão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

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Pe. Antônio -  Quem é essa Mulher?

Celebramos hoje a festa da Assunção de Nossa Senhora.

Esse DOGMA foi definido como verdade de fé pelo papa Pio XII em 1950:
"É dogma revelado por Deus que a Imaculada Mãe de Deus, a Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celestial."
Mas a FESTA da Assunção é bem mais antiga. Inicialmente, era a festa da "Dormição" de Maria (não se fala de morte) e da transferência de seu corpo para o paraíso.

As LEITURAS BÍBLICAS relacionam-se com a festa:
1ª Leitura: Maria, imagem da Igreja. (Ap 11,19a; 12,1-10ab)
Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal. Essa "Mulher" representa a Comunidade de Israel, composta de 12 tribos.
Mas se aplica também a Maria, de quem nasceu o Messias

2a leitura: Maria, nova Eva.
Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens. (1Cor 15,20-27)

A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. O apóstolo não evoca Maria, mas esta leitura na Assunção,  leva a reconhecer o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.

Evangelho: Maria, Mãe dos crentes.
Cheia do Espírito Santo, Maria encontra palavras de fé e de esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada! (Lc 1,39-56)

* O cântico de Maria descreve desde o começo o Plano de Deus, que prosseguiu em Maria e que se cumpre agora na Igreja.

+ O SENTIDO DA FESTA: uma Mulher SINAL

- A primeira e a mais perfeita discípula de Cristo.
A Virgem se constitui em imagem e tipo de Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo.
Maria encarnou em sua pessoa e em sua vida terrena, o ideal de santidade do seguidor de Cristo.
- Sinal escatológico da Igreja:
Maria Assunta é figura e primícias da Igreja que um dia será glorificada; é consolo e esperança  do povo ainda peregrino na terra.
- É um Sinal humano de esperança.
A contemplação de Maria na glória nos faz ver a vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, das perspectivas eternas sobre as temporais, da vida sobre a morte.

+ Maria é um modelo cristão para hoje ?
"A Virgem Maria sempre foi proposta pela Igreja à imitação dos fiéis, porque ela aderiu totalmente à vontade de Deus, porque soube acolher a sua palavra e pô-la em prática, porque a sua ação foi animada pela caridade e pelo espírito de serviço,
porque foi a primeira e mais perfeita discípula de Cristo". (Paulo VI)

+ Maria sinal do amor de Deus.
Na vida sentimos necessidade de expressões de amor e sinais de carinho, que os outros têm para conosco e que temos pelos outros: uma saudação, um beijo, uma carta, um gesto, um sorriso...
Na vida espiritual também necessitamos desses sinais...
Cristo é o grande Sacramento do Pai e Maria é o sinal perene e maternal do amor que Deus nos tem em Cristo Jesus nosso Senhor.

A festa de hoje é sinal do que Deus prepara para os que são capazes de amar e servir.
É a antecipação do que Deus quer doar: a plena felicidade...


Esta festa desperta e reforça a nossa ESPERANÇA, porque a vitória de Cristo e de sua Mãe assegura também nossa vitória: nos aponta o destino que Deus quer para todos.

E essa vitória será possível se, a exemplo de Maria, formos fiéis à Palavra de Deus, tivemos um coração humilde e estivermos atentos às necessidades dos irmãos...


                                           Pe. Antônio

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Homilia do Pe. Françoá Costa - Assunção, festa da esperança

Esperamos conseguir do Senhor o que Maria, sinal glorioso da Igreja, já conseguiu. Esperamos estar completos, corpo e alma, com o Senhor. Ao contemplar a Mãe de Deus de maneira tão gloriosa no dia de hoje, os nossos corações se enchem de luz e de esperança. Deus cuida de nós e nos conduz cada vez mais à sua vida divina.
Os Padres da Igreja, especialmente a partir de S. João Damasceno e S. Germão de Constantinopla, pregavam abertamente a existência da incorruptibilidade do corpo de Nossa Senhora. A festa da Dormição de Nossa Senhora foi celebrada primeiramente em Jerusalém. Mas para os antigos, “dormição” não significava necessariamente ausência de morte. Defensor da Assunção de Nossa Senhora na Idade Média foi o assim chamado “Pseudo-Agostinho” (século IX). Baldo de Ubaldi, no século XV, também foi um grande defensor desta verdade de fé. Finalmente, o Papa Pio XII definiu solenemente o dogma da Assunção no dia 1 de novembro de 1950 através da Constituição “Munificentissimus Deus”. Inclusive o nome desta constituição deixa claro que se trata de uma graça de Deus “munificentissimus”, isto é, generosíssimo.  Uma graça tal que é um privilégio: Maria recebeu o privilégio de que nela fosse antecipado aquilo que acontecerá com todos os eleitos.
O Papa sentencia “que é dogma divinamente revelado: que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, ao término de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”. É interessante que antes do Papa definir o quarto dogma sobre Nossa Senhora, ele recorde os outros três: Mãe de Deus, sempre Virgem (antes, durante e depois do parto), Imaculada. Pio XII não diz se Maria, antes de ser elevada ao céu, morreu ou não: isso continua como tema aberto à livre discussão teológica, isto é, pode-se defender uma ou outra coisa. O que todos devem reter como doutrina de fé solenemente definida é que ela, Nossa Senhora, foi elevada em corpo e alma aos céus, antecipadamente, como privilégio.
Quanto à morte de Nossa Senhora, parece muito mais acertado afirmar que ela realmente morreu e somente depois teria sido elevada aos céus. Por um lado, quando os antigos Padres falavam de “dormição” eles falavam também de morte. De fato, não é difícil encontrar textos na patrística que transmitam uma dormição de Jesus na Cruz referindo-se à sua morte real. Por outro lado, o desejo de imitar a Cristo que estava no coração de Nossa Senhora faz com que seja mais conveniente que ela imite o seu filho também nisso e se una, desta maneira, ao valor redentor do seu mistério de cruz.
Mas, como dizíamos antes, a Assunção de Nossa Senhora é sinal de esperança para nós. O Concílio Vaticano II afirmou: “Entretanto, a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor (cfr. 2 Ped. 3,10)” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, nº 68).
A esperança é virtude sobrenatural, teologal, uma disposição plantada pelo Senhor na nossa alma que nos une a ele através da vontade, do desejo. Esperamos em Deus e nos auxílios (graças) que ele nos concede para alcançá-lo. Temos a firme esperança de chegar ao céu, à bem-aventurança eterna. É nesse sentido que a Assunção de Maria nos anima a continuar com os olhares fixos na meta: uma como nós conseguiu aquilo que nós conseguiremos. O nosso caminho rumo ao céu já foi selado por uma da nossa raça. Assim como ela chegou lá por graça, também nós chegaremos. Além do mais, temos que ser pessoas prontas a preparar os caminhos da esperança nos outros e, consequentemente, da alegria: há um futuro promissor fundado na fidelidade de Deus para com o seu povo. Por isso um filho de Deus não pode ser pessimista, negativo e mal humorado; ao contrário, a esperança que traz no peito o leva a estar sempre alegre… Apesar dos pesares.             
  Pe. Françoá Costa

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Homilia de D. Henrique Soares - Lc 1,39-56

Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai! Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de São Paulo:“Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele crêem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a ele!
Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição -, foi elevado ao céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz (cf. Lc 2,34s; Jo 19,25ss), agora está perfeitamente unida a ele na glória. São Paulo não dissera, falando do Cristo morto e ressuscitado? “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm 2,12). Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da ressurreição. Aquela que sempre foi “plenamente agraciada” (Lc 1,28), de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte, salário do pecado. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora e plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe!
Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama: “Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo!
Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool… É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo- pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1Cor 6,14.20).
Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!” A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares da Costa

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Homilia do Mons. José Maria Pereira - Assunção de Maria ao Céu

No dia 15 de agosto a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora da Glória.
Diz o Prefácio da Solenidade que proclama maravilhosamente o mistério celebrado: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança do vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável o vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”.
Trata-se de uma verdade de fé, um dogma, proclamada pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950: “Terminando o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Ali a esperava o seu Filho Jesus, com o seu corpo glorioso, tal como Ela o tinha contemplado depois da Ressurreição.
As leituras contemplam esta realidade. A 1ª Leitura (Ap 11, 19; 12, 1-10) apresenta uma mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés, e do Filho que ela deu à luz, um varão, que irá reger todas as nações. Nesta imagem a Mulher e o Filho representam Jesus Cristo e a Igreja, mais a mulher confunde-se também com Maria, pois nela realizou-se plenamente a Igreja.
A 2ª Leitura (1 Cor 15, 20-27) completa a idéia da 1ª. Paulo, falando de Cristo, primícias dos ressuscitados, termina dizendo que, um dia, todos os que crêem terão parte na Sua glorificação, mas em proporção diversa: “Primeiro, Cristo, como os primeiros frutos da seara; e a seguir, os que pertencem a Cristo” (1 Cor 15, 23). Entre os cristãos, o primeiro lugar pertence, sem dúvida, a Nossa Senhora, que foi sempre de Deus, porque jamais conheceu o pecado. É a única criatura em quem o esplendor da imagem de Deus nunca se viu ofuscado; é a Imaculada Conceição, a obra prima e intacta da Santíssima Trindade em quem o Pai, o Filho e o Espírito Santo sentiram as suas complacências, encontrando nela uma resposta total ao Seu amor.
A resposta de Maria ao amor de Deus ressoa no Evangelho (Lc 1, 35-56), tanto nas palavras de Isabel que exaltam a grande fé que levou Maria a aderir, sem vacilação alguma à vontade de Deus, como nas palavras da própria Virgem, que entoa um hino de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizou nela.
Ela é a nossa grande intercessora junto do Altíssimo. Maria nunca deixa de ajudar os que recorrem ao seu amparo: “Nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção fosse por Vós desamparado”, rezava São Bernardo. Procuremos confiar mais na sua intercessão, persuadidos de que Ela é a Rainha dos céus e da terra, o refúgio dos pecadores, e peçamos-lhe com simplicidade: Mostrai-nos Jesus!
A Assunção de Maria é uma preciosa antecipação da nossa ressurreição e baseia-se na ressurreição de Cristo, que transformará o nosso corpo corruptível, fazendo-o semelhante ao seu corpo glorioso. Por isso São Paulo recorda-nos (1 Cor 15, 20-26): “Se a morte veio por um homem (pelo pecado de Adão), também por um homem, Cristo, veio a ressurreição. Por Ele, todos retornarão à vida, mas cada um a seu tempo: como primícias, Cristo; em seguida, quando Ele voltar, todos os que são de Cristo; depois , os últimos, quando Cristo devolver a Deus Pai o seu reino…Essa vinda de Cristo, de que fala o Apóstolo, disse o Papa João Paulo II, “não devia por acaso cumprir-se, neste único caso (o da Virgem), de modo excepcional, por dizê-lo assim, imediatamente, quer dizer, no momento da conclusão da sua vida terrena? Esse final da vida que para todos os homens é a morte, a Tradição, no caso de Maria, chama-o com mais propriedade dormição.  Para nós, a Solenidade de hoje é como uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão do Senhor.  E é, ao mesmo tempo, o sinal e a fonte da esperança da vida eterna e da futura ressurreição”.
A Solenidade de hoje enche-nos de confiança nas nossas súplicas. Pois, diz São Bernardo, “subiu aos céus a nossa Advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratar dos negócios da nossa esperança.” Ela alenta continuamente a nossa esperança. Ensina São Josemaria Escrivá: “Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o termo do caminho: repete-nos que é possível lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E ante a nossa súplica – mostra que és Mãe – , não sabe nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.
Fixemos o nosso olhar em Maria, já assunta aos céus. Ela é a certeza e a prova de que os seus filhos estarão um dia com o corpo glorificado junto de Cristo glorioso. A nossa aspiração à vida eterna ganha asas ao meditarmos que a nossa Mãe celeste está lá em cima, que nos vê e nos contempla com o seu olhar cheio de ternura, com tanto mais amor quanto mais necessitados nos vê.
No dia dedicado às Vocações Religiosas, Maria é apresentada como Modelo de pessoa consagrada e um “sinal” de Deus no mundo de hoje.

Mons. José Maria Pereira

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 BÊNÇÃO SOLENE
— O Senhor esteja convosco! — Ele está no meio de nós.
— O Deus de bondade, que pelo Filho da Virgem Maria quis salvar a todos, vos enriqueça com sua bênção. — Amém.
— Seja-vos dado sentir sempre e por toda parte a proteção da Virgem, por quem recebestes o autor da vida. — Amém.
— E vós, que vos reunistes hoje para celebrar sua solenidade, possais colher a alegria espiritual e o prêmio eterno. — Amém.
+ Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho † e Espírito Santo. -Amém.
— A alegria do Senhor seja a vossa força; ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
 _ Graças a Deus!                      

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
O Senhor esteja com todos vocês... Irmãos e irmãs, demos graças ao Senhor, Nosso...
à COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos AGRADECEMOS.
à Pai, pela assunção de Maria podemos proclamar: Eis agora a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o poder de Cristo. É grande a nossa esperança, pois Maria é nossa mãe e está junto de Vós. Pai, ajudai-nos para que não nos desviemos de vossos caminhos.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos AGRADECEMOS.
à Pai, rei do universo e Senhor da vida, nós Vos damos graças pela ressurreição que manifestastes pelo Vosso Filho Jesus, o novo Adão, e pela assunção de Maria. Bendito sejais para sempre.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos AGRADECEMOS.
à Nós Vos bendizemos, Deus do universo, porque pelo Vosso Filho visitastes o Vosso povo. Guiai as nossas comunidades e iluminai-as pelo Vosso Espírito Santo”.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos AGRADECEMOS.
à Nós vos agradecemos, Deus amor, porque em Cristo nos transformastes em novas criaturas. Dai-nos a graça de um dia cantarmos com Maria a vossa glória no céu.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos AGRADECEMOS.
= pai nosso... a paz...   eis o cordeiro... COMUNHÃO



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2014, XIX Domingo do Tempo comum ano A, A barca na tempestade, Deus sempre está conosco, nada temos a temer, homilia do XIX domingo.

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2014 10/08/14 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Dia da vocação para a vida em família

Tema: A revelação de Deus; Ele caminha conosco na nossa história.
Primeira leitura: Deus não se encontra nas manifestações espetaculares, mas no silêncio, na humildade, na simplicidade, na interioridade.
O Evangelho: A comunidade do Reino não está sozinha: em Jesus, Deus vem ao encontro dos discípulos, dá-lhes a força para vencer a adversidade do mundo.
A segunda leitura: Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.

6. PRIMEIRA LEITURA (1Rs 19,9a.11-13a) Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
Naqueles dias, ao chegar ao Horeb, o monte de Deus, o profeta Elias entrou numa gruta, onde passou a noite. E eis que a palavra do Senhor lhe foi dirigida nestes termos: “Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar”. Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos. Mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, houve um terremoto. Passado o terremoto, veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo, ouviu-se um murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta.

AMBIENTE - Reino do Norte (Israel), reinado de Acab (873-853 a.C.). No país, muitos deuses estrangeiros. Elias desafia os profetas de Baal, que termina com o massacre de quatrocentos profetas de Baal, no monte Carmelo. Jezabel promete matar Elias; e o profeta foge, , atravessa o Reino do Sul (Judá), e dirige-se para o deserto, em direção ao monte Horeb/Sinai.

MENSAGEM - A peregrinação de Elias ao Sinai/Horeb é uma espécie de regresso aos inícios. Com Elias, é todo o Israel que regressa às suas origens, ao lugar do seu compromisso inicial com Deus e redescobrir a sua vocação de Povo da Aliança.
A Moisés, Deus revelou-Se no meio de fenômenos naturais aterrorizadores. A Elias, revelou-Se na “brisa ligeira”: Elias“cobriu o rosto com o manto”, já que o homem não pode contemplar face a face o mistério de Deus.
Baal era considerado, na mitologia Cananéia, o deus do trovão e da tempestade, que fazia a terra tremer com a sua voz poderosa. A intenção do autor seria mostrar que Jahwéh não Se manifesta em fenômenos assombrosos, mas sim na intimidade, na tranqüilidade, no silêncio que ecoa no coração de quem procura a comunhão com Deus. Jahwéh confia a Elias uma missão profética –: o encontro com Deus conduz o homem a um compromisso com o mundo.

ATUALIZAÇÃO - • Devemos descobrir  Deus no silêncio, na simplicidade, na intimidade…
• Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair… Há deuses que gritam alto (em todos os canais de televisão?) a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terremoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio… Temos, de partir ao encontro do Deus que fez conosco uma Aliança e que nos chama todos os dias à comunhão com Ele…
• Na história de Elias (e na história de qualquer profeta), a descoberta de Deus leva ao compromisso, testemunho…
** Elias tem razão: nos momentos de dúvida, de crise, voltar às origens, às raízes de nossa fé; Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Elias caminhou, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor se revela, vai passar… Mas, não como Elias o esperava: não no vento que destrói, não no terremoto, não no fogo que tudo devora… E o Senhor não estava aí. Elias teve de descobrir sua Presença no murmúrio da brisa suave!
7. SALMO RESPONSORIAL / 84 (85)
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
•              Quero ouvir o que o Senhor irá falar: /é a paz que ele vai anunciar. /
Está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra.
•              A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão; /
da terra brotará a fidelidade, / e a justiça olhará dos altos céus.
•              O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas; /
 a justiça andará na sua frente, / e a salvação há de seguir os passos seus.

10. EVANGELHO (Mt 14,22-33) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Depois da multiplicação dos pães, Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou e Jesus continuava ali, sozinho. A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

AMBIENTE - No domingo passado, Jesus mostrou-lhes que os bens são um dom de Deus, a ser partilhado – isto é, uma comunidade fraterna de amor e de partilha, que se senta à mesa de Deus e que d’Ele recebe vida em abundância. Para os judeus, Mar era o lugar onde habitavam os monstros, os demônios que se opunham e à felicidade do homem; e só o poder de Deus podia salvá-lo …– O Evangelho, escrito na década de 80, se destina a uma comunidade que já esqueceu o seu entusiasmo inicial por Jesus. Avizinham-se grandes perseguições… A comunidade só poderá subsistir se confiar em Jesus, na sua presença, na sua proteção.

MENSAGEM - os discípulos estão sozinhos. Essa viagem não é fácil … É de noite; o barco é açoitado pelas ondas com vento contrário. Os discípulos estão preocupados, pois Jesus não está com eles… A “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que “navegam” através da história … As “ondas” representam a hostilidade do mundo… Os “ventos”, a resistência ao projeto de Jesus. Se sentem perdidos, sozinhos, incapazes de enfrentar as tempestades… É aí, que Jesus manifesta a sua presença. Ele vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar”. Na catequese judaica, só Deus “caminha sobre o mar”; só Ele acalma as ondas e as tempestades. Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que não deixa que as forças da morte (o “mar”) o destruam. A expressão “sou Eu” reproduz a fórmula de identificação com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento; e a exortação “tende confiança, não temais” transmite aos discípulos a certeza de que nada têm a temer porque Jesus, o Deus que vence as forças da morte e da opressão da caminhada histórica e dá-lhes a força para vencer a adversidade do mundo. Pedro sai do barco e vai ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a violência do vento, começa a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Jesus censura a sua pouca fé e as suas dúvidas. Os discípulos debatem-se entre a confiança em Jesus e o medo, mas que se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades… Então, começam a afundar-se pelo “mar” da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão… No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”. É para aqui que converge todo o relato. O Senhor da vida e da história que acompanha a caminhada dos seus, que lhes dá a força para vencer as forças da opressão e da morte, que lhes estende a mão quando eles estão desanimados e com medo e não os deixa afundar.

ATUALIZAÇÃO • enviados à “outra margem”, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus.
• A caminhada do Reino não é um caminho fácil. A comunidade (o “barco”) tem de abrir caminho através de um mar de dificuldades. Todos os dias o mundo nos mostra que os valores em que acreditamos estão ultrapassados.  E que só seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas do poder, do orgulho, da prepotência, da ganância…
• “tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Mesmo quando a sua fé vacila, eles sabem que a mão de Jesus está lá, estendida, para que eles não sejam submergidos pelas forças do egoísmo, da injustiça, da morte. Nada nem ninguém poderá roubar a vida àqueles que lutam para instaurar o Reino. Jesus, vivo e ressuscitado, não deixa nunca que sejamos vencidos.
** Na nossa vida também Deus se dá a conhecer. Umas vezes será de forma dramática, com tempestade, seguida dum período de calma. É o caso relatado no Evangelho. Outras, como vento forte que tudo derruba. Foi o que aconteceu a Saulo, no caminho de Damasco. O mais frequente todavia será como uma ligeira brisa no fim dum dia sufocante.
** Na Bíblia, quando Deus vem visitar o homem, há sempre silêncio (Hab 2, 20; Sof 1, 7; Is 41, 1; Apoc 8). Não é no meio da noite, no silêncio (Lc 2,8) que o Verbo de Deus feito carne nasce Menino no presépio de Belém? E que dizer do silêncio do Sacrário onde Jesus está vivo e glorioso como no Céu, sempre a interceder por nós?
** Lá vamos nós, a Igreja, no meio da noite, navegando com dificuldade porque a barca da vida é agitada pelos ventos… e Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas! Em Jesus, Deus vem ao nosso encontro, em nosso socorro: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” EU SOU! É o nome do próprio Deus como se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus presente para nós em Jesus Cristo!
Então, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida! Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, começou a afundar! Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda como Pedro gritar: “Senhor, salva-me!”, porque somos de pouca fé! Salva tua Igreja, salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida! E tu vens! Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos…
8. SEGUNDA LEITURA (Rm 9,1-5) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos, não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência. Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça. Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos, Deus bendito para sempre! Amém!

AMBIENTE - Paulo se preocupa: que acontecerá a Israel, o Povo eleito de Deus? Israel ficará à margem da salvação? Paulo procura responder nos capítulos 9-11 da Carta aos Romanos.
O texto que nos é proposto é a introdução a esta questão.

MENSAGEM - O problema da salvação de Israel incomoda tanto a Paulo, que ele até aceitaria tornar-se “anátema” (equivale a “maldito” e implicava a exclusão da comunidade) e ser separado de Cristo, se isso servisse para que o Povo judeu aceitasse a salvação que Deus lhe oferece. Israel é, até, o Povo do qual nasceu Cristo; ora, esse Cristo que “está acima de todas as coisas” deixará o seu Povo “segundo a carne” entregue à morte? Paulo mostrará que Deus é fiel às suas promessas e que nunca falha… Ele tem os seus planos; e a desobediência atual de Israel deverá fazer parte dos planos de Deus. Paulo acabará, no final da secção, por manifestar a sua convicção de que a misericórdia de Deus se derramará também sobre Israel.

ATUALIZAÇÃO • Paulo sente a infelicidade do seu Povo. A obstinação de Israel em recusar a salvação fá-lo sentir “uma grande tristeza”.
• Todos conhecemos irmãos que vivem numa indiferença face à Vida plena que Deus lhes quer dar.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Onde está Deus?

Muitas vezes nos perguntamos: "Onde está Deus?" "Onde o podemos encontrar?"

As Leituras de hoje têm duas cenas muito bonitas, que mostram como Deus SE REVELA.

Na 1a Leitura, Deus se revela a Elias, na BRISA suave. (1Rs 19,9a.11-13)

Cansado e perseguido de morte por Jesabel, Elias foge para o deserto, a caminho do Monte Horeb, onde Moisés se encontrara com Deus...
- Lá, Elias o esperava no vento, no terremoto, no fogo, mas ele não estava lá.
Deus vai ao seu encontro de uma forma completamente diferente: "no sopro suave de uma BRISA..." e ali lhe fala...

* Deus geralmente se manifesta na humildade, na simplicidade, na interioridade.
Por isso, é preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações, nos sinais, quase sempre discretos, que ele deixa na história e em nossa vida.

Na 2ª Leitura, Paulo fala que Deus se revelou, oferecendo a todos uma proposta de Salvação, mas o seu povo infelizmente a rejeitou. (Rm 9,1-5)

No Evangelho, Deus se revela na TEMPESTADE. (Mt 14,22-33)

- Jesus envia os discípulos em missão na outra margem do lago   e, cansado, retira-se da multidão... vai ao monte para rezar...
- Enquanto isso, os apóstolos navegam "de noite" preocupados, na barca agitada pelos ventos contrários.
- Jesus interrompe o descanso... vai ao encontro, "caminhando sobre o MAR".
- Eles o confundem: "É um fantasma..."
- E Jesus se identifica: "Coragem, SOU EU, não tenham MEDO".
- Pedro o desafia: "Se és Tu, manda-me caminhar sobre as águas".
- Jesus aceita: "Vem!"
- Pedro vai ao encontro de Jesus; mas, assustado pelo vento, começa a duvidar e afundar. Então grita por socorro: "Salva-me, Senhor!".
- Jesus antes estende a mão e depois o questiona: "Por que duvidaste, homem de pouca fé?"
- Jesus entra na Barca e a tempestade se acalma.
- Então todos se prostram em adoração diante de Jesus, dizendo: "Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus".
* Deus se manifesta em meio às dificuldades, aos ventos da tempestade.

Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, não é fácil e serena… É de noite; o barco é açoitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contrário. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles…
Esse BARCO é a COMUNIDADE CRISTÃ:   
A "noite" representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes "navegam" através da história os discípulos de Jesus, sem saberem exatamente que caminhos percorrer nem para onde ir…
As "ondas" representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os discípulos…
Os "ventos contrários" representam as resistências ao projeto de Jesus.
Os discípulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as forças da morte e da opressão (o "mar") lançam contra eles…
É precisamente aí, que Jesus manifesta a sua presença.
Ele vai ao encontro dos discípulos "caminhando sobre o mar".

O episódio reflete a fragilidade da fé dos discípulos, quando tiveram de enfrentar as forças adversas, sem a presença de Jesus na barca.
Os discípulos seguem a Jesus de forma decidida, mas se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades…
Então, começam a afundar e a ser submergidos pelo "mar" da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão…
No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".

Esse texto é uma CATEQUESE sobre a caminhada da Comunidade de Jesus, enviada à "outra margem", para convidar todos para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos.
- A caminhada não é um caminho fácil.
A comunidade (o "barco") dos discípulos deve abrir caminho através de um mar de dificuldades, pela hostilidade dos adversários do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projetos de Jesus.
- Os discípulos devem estar conscientes da presença de Jesus.
O "fantasma" do MEDO desvanece e as crises de fé são superadas, quando aceitamos a presença de Deus em nossa vida pessoal e comunitária.
Ele continua a garantir: "Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo".

Quando Cristo entra na BARCA, o vento e as ondas param... e volta a tranqüilidade... a paz.
 
                                              Pe. Antônio
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Homilia do Pe. Françoá Costa

Silêncio eloquente

Esforço, suor, dor nas pernas, sol quente, cansaço. São palavras que expressam o final de um caminhar que chega ao cume de uma alta montanha e que tem como resultado o sabor da vitória e da alegria. Lembro-me daquele rapaz cheio de energia, mas pouco animado a escalar: a marcha custava-lhe muito e o desejo de que chegasse logo ao fim daquilo que ele julgava um grande sacrifício era colossal. Finalmente, passadas as cinco horas previstas, tudo era alegria e o nosso jovem tinha uma expressão de vitória no rosto. Maravilhado com a vista que a natureza lhe proporcionava, brotava de todo o seu ser um estremecimento cheio de agradecimento. Tudo era grandeza ao seu redor e ele sentiu-se realmente localizado na criação: era um ser quase insignificante, mas era o único capaz de apreciar e explicar algo daquilo que ele admirava.
Há muita poesia acerca das montanhas. Lembrava-me disso porque o Evangelho de hoje narra que Jesus “subiu à montanha para orar na solidão” (cfr. Mt 14,23). Ele ficou rezando lá naquela montanha até à quarta vigília, ou seja, até às três horas da madrugada, aproximadamente. Que medo! Ficar sozinho numa montanha até a essas altas horas deve ser terrível: o silêncio acompanhado de pequenas interrupções dos habitantes naturais daquele espaço, a escuridão iluminada apenas pela tênue luz duma noite pouco estrelada, a solidão que parece fazer-se acompanhada pela sensação de que a qualquer momento alguém poderia aparecer e fazer-nos dano. Enfim, a noite é misteriosa, mas numa montanha ela pode ser verdadeiramente pavorosa.
Além do mais, Jesus ficou rezando durante umas oito horas porque – diz o Evangelho – Jesus começou a rezar quando chegou a noite e ficou rezando até às três. Muita oração! Quando procuramos estar atentos à grande atividade de Jesus durante o dia junto aos sedentos da Palavra de Deus, junto aos enfermos e aos atormentados por maus espíritos, junto aos fariseus e junto às pessoas de má vida, ficamos admirados de que ele ainda tenha forças para estar durante tantas horas acordado em oração vigilante ao seu Pai do céu. Dá vontade de ficar detrás de uma daquelas grandes árvores e espiar a oração de Jesus com grande curiosidade. Certamente, ao estar lá ou no caso de que pudéssemos obter alguma resposta a respeito daqueles acontecimentos misteriosos, não duvidaríamos em perguntar até mesmo àquelas montanhas e árvores que testemunharam aqueles momentos intensos de diálogo entre o Pai, Jesus e o Espírito Santo.
Jesus não temia o silêncio nas montanhas porque a ausência de palavras daquela noite estava preenchida pelo diálogo com quem ele tanto amava: o seu Pai. Curiosamente, até para rezar se promove o ruído hoje em dia. Quando se faz um momento de silêncio parece ser um convite quase imediato a tocar uma música ou a ler alguma coisa ou… sei lá. Teme-se o silêncio! Por quê? Talvez porque os nossos silêncios sejam meros silêncios, quiçá porque estejamos sem a palavra interior que nos faz dialogar com o Pai ou quem sabe por que nem descobrimos que o silêncio existe para que falemos. Contradição?! Não. Existe um verbo interior e um verbo exterior. Antes que falemos (verbo exterior, palavra exterior) já tínhamos essas noções na nossa mente (como palavras interiores). Quando falamos sem consideração é exatamente por isso: porque não consideramos de verdade a nossa palavra interior. Então é quando saem as abobrinhas, as bobagens e a estultícia.
O silêncio é para que aprofundemos na palavra interior que levamos, para que falemos com Deus sobre essas coisas que estão no nosso coração, para que resolvamos as nossas dificuldades à luz da Palavra que sempre existiu no coração do Pai, o seu Filho que se fez carne.
A experiência da “solidão” acompanhada por Jesus é maravilhosa. As pessoas que cultivam uma autêntica vida interior sentem uma necessidade imperiosa de momentos de silêncio, de consideração e, em definitiva, de oração, que bem pode ser definida como um “falar com Deus”. E por que Jesus rezava tanto e durante tantas horas? Ora, simplesmente por que ele ama o Pai e gosta de estar muitas horas com a Pessoa amada. Não é esta uma luz para que descubramos o porquê do tédio que às vezes experimentamos na oração, o porquê da pressa para terminar a nossa meditação da Palavra de Deus, o porquê de tantas orações vocais sem a consideração do que estamos dizendo a Deus, o porquê rezamos pouco? Será que amamos de verdade o nosso Pai do céu? Esses momentos de oração durante o dia, constantes ainda que poucos, nos ajudarão a ser “contemplativos no meio do mundo”, isto é, no nosso trabalho, na nossa família, nas relações sociais do dia a dia.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de D. Henrique Soares
Mt 14,22-23
A Escritura deste Domingo fala-nos de um Deus que é grande demais, misterioso demais, inesperado e surpreendente demais para que possamos enquadrá-lo na nossa lógica e no nosso modo de pensar. Eis, caríssimos! Uma grande tentação para o homem é achar que pode compreender o Senhor, enquadrar seu modo de agir e dirigir o mundo com a nossa pobre e limitada lógica… Mas, o Deus verdadeiro, o Deus que se revelou a Israel e mostrou plenamente o seu Rosto em Jesus Cristo, não é assim! Ele é Misterioso, é Santo, é livre como o vento do deserto!
Pensemos nesta misteriosa e encantadora primeira leitura, do Livro dos Reis. Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele quer encontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus. Elias tem razão: nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e nele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar. Pois bem, Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Pois bem, Elias caminhou, teimou em procurar o seu Deus, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor se revela, vai passar… Mas, não como Elias o esperava: não no vento impetuoso que força tudo e destrói tudo quanto encontra pela frente, não no terremoto que coloca tudo abaixo, não no fogo que tudo devora… Eis: três fenômenos que significam força, que causam temor, que fazem o homem abater-se… E o Senhor não estava aí. Muito tempo antes, quando foi entregar a Moisés as tábuas da Lei, Deus se manifestara no fogo, no vento e no terremoto: “Houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha… E o povo estava com medo e pô-se a tremer… Toda a montanha do Sinai fumegava, porque o Senhor desceu sobre ela no fogo… e toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,16.18). Mas, agora, o Senhor não está no vento impetuoso nem no terremoto nem no fogo… Elias teve de reconhecê-lo, de descobrir sua Presença no murmúrio da brisa suave! – Ah, Senhor! Como teus caminhos são imprevisíveis! Quem pode te reconhecer senão quem a ti se converte? Quem pode continuar contigo se pensar em dobrar-te à própria lógica e à própria medida? Tu és livre demais, grande demais, surpreendente demais! Não há Deus além de ti; tu, que convertes e educas o nosso coração! Elias te reconheceu e cobriu o rosto com o manto, saiu ao teu encontro e te viu pelas costas… Pobres dos homens deste século XXI, que tão cheios de si mesmos, querem te enquadrar à própria medida e, por isso, não te vêem, não te reconhecem, não experimentam a alegria e a doçura da tua Presença!
E, no entanto, meus irmãos, as surpresas de Deus não param por aí! O mais surpreendente ainda estava por vir. Não havia chegado ainda a plenitude do tempo! Pois bem! Na plenitude do tempo, veio a plenitude da graça: Deus enviou o seu Filho ao mundo; ele veio pessoalmente! Não mais no vento, não mais no fogo, não mais no terremoto, não mais pelos profetas! Ele veio pessoalmente, ele, em Jesus: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma coisa só” (Jo 14,9; 12,45). Por isso mesmo, São Paulo afirma hoje claramente que “Cristo, o qual está acima de todos, é Deus bendito para sempre!” É por essa fé que somos cristãos, meus irmãos! Jesus é Deus, o Deus Santo, o Deus Forte, o Deus Imortal, o Deus de nossos Pais! Nele o Pai criou todas as coisas, por Ele o Pai tirou Abraão de Ur dos Caldeus, por Ele o Pai abriu o Mar Vermelho, por Ele, deu o Maná ao seu povo, sobre Ele fez os profetas falarem e, na plenitude dos tempos no-lo enviou a nós! Surpreendente, o nosso Deus; surpreendente como vem a nós!
Lá vamos nós, lã vai a Igreja, no meio da noite deste mundo, navegando com dificuldade porque a barca da vida é agitada pelos ventos… e Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas! Em Jesus, Deus vem vindo ao nosso encontro, em Jesus, vem em nosso socorro… E, infelizmente, confundimo-lo com um fantasma, etéreo, irreal. E ele no diz mais uma vez: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” Atenção para esta frase do Senhor: “Coragem, EU SOU! Não tenhais medo!” EU SOU! É o nome do próprio Deus como se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus feito pessoalmente presente para nós em Jesus Cristo!
Então, caríssimos, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida! Todos temos de pedir isso, de fazer isso! Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, colocando a atenção mais na profundeza do mar e na força do vento que no poder amoroso e fiel do Senhor, começou a afundar! Assim acontecerá conosco, acontecerá com a Igreja, se medrosos, olharmos mais para o mar e a noite que para o Senhor que vem a nós com amor onipotente! E Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda como Pedro gritar de todo o coração: “Senhor, salva-me!” Salva-nos, Senhor, porque somos de pouca fé! Salva tua Igreja, salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida, do sombrio e escuro mar encrepado na noite opaca de nossa existência! Tu, que durante a noite oravas e vias o barco navegando com dificuldade, do teu céu, olha para nós e vem ao nosso encontro! E tu vens! Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos… Cristo-Deus, ajuda-nos a reconhecer-te, a caminhar ao teu encontro, vencendo as águas do mar da vida! Amém.
D. Henrique Soares da Costa
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Homilia do Mons. José Maria Pereira

“Salva-me, Senhor!”

O Evangelho (Mt 14,22-33) nos mostra Jesus enviando os discípulos em missão na outra margem do lago e, cansado, retira-se da multidão… vai ao monte, para orar a sós. Enquanto isso os apóstolos navegam, de noite, preocupados, na barca agitada pelos ventos contrários. Jesus interrompe o descanso e vai ao encontro deles, caminhando sobre o mar. Eles o confundem: É  um fantasma…” .Jesus se identifica: “Coragem! SOU EU, não tenham medo”. Pedro o desafia: “Se és Tu, manda-me caminhar sobre as águas”. Jesus aceita: “Vem!”
Pedro vai ao encontro de Jesus; mas, assustado pelo vento, começa a duvidar e afundar. Então grita por socorro: “Salva-me, Senhor!”. Jesus estende a mão e depois o questiona: “Por que duvidaste, homem de pouca fé?” Jesus entra na barca e a tempestade se acalma. Então todos se prostraram em adoração diante de Jesus, dizendo: “Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus”
O texto bíblico quer nos mostrar que a pouca fé do cristão torna-o medroso nos perigos, abatido nas dificuldades e, por isso, corre o risco de naufragar. Mas, ali onde a fé é viva, onde não se duvida do poder de Jesus e da sua presença contínua na Igreja, não há perigo de naufrágio, porque a mão do Senhor estende-se invisivelmente para salvar a barca da Igreja e cada cristão em particular.
Se a nossa vida se passar no cumprimento fiel do que Deus quer de nós, nunca nos faltará a ajuda divina. Na fraqueza, na fadiga, nas situações de maior dificuldade, Jesus irá se aproximar de nós, de modo inesperado, e nos dirá: “Sou Eu, na temais”. Ele nunca abandona os seus amigos, e muito menos quando o vento das tentações, do cansaço ou das dificuldades nos é contrário. Ensina Santa Teresa: “Se tiverdes confiança n’Ele e ânimo animosos, que Sua Majestade é muito amigo disso, não tenhais medo de que vos falte coisa alguma”.
Quando Pedro começou a afundar-se, para voltar à superfície, teve que segurar a mão forte do Senhor, seu Amigo e seu Deus. Não era muito, mas era o esforço que Deus lhe pedia; é a colaboração da boa vontade que o Senhor sempre nos pede.
Esse pequeno esforço que o Senhor pede aos seus discípulos de todos os tempos para tirá-los de uma má situação, pode ser muito diverso: intensificar a oração; cortar decididamente com uma ocasião próxima de pecar; obedecer com prontidão e docilidade de coração aos conselhos recebidos na confissão e na conversa com o diretor espiritual… Não nos esqueçamos nunca da advertência de São João Crisóstomo: “Quando falta a nossa cooperação, cessa também a ajuda divina”. Ainda que seja o Senhor quem nos tira da água.
Temos de aprender a nunca desconfiar de Deus, que não se apresenta apenas nos acontecimentos favoráveis, mas também nas tormentas dos sofrimentos físicos e morais da vida: “Tende confiança, sou Eu, não temais!”. Deus nunca chega tarde em nosso auxílio, e sempre nos ajuda nas nossas necessidades.
E se alguma vez sentimos que nos falta apoio, que submergimos, repitamos aquela súplica de Pedro:” Senhor, salva-me!” Não duvidemos do seu amor, nem da sua mão misericordiosa, não esqueçamos que “Deus não manda impossíveis, mas ao mandar pede que faças o que possas e peças o que não possas, e ajude para que possas” (Santo Agostinho).
Que enorme segurança nos dá o Senhor! Ensina S. João Crisóstomo: “Ele garantiu-me a sua proteção; não é nas minhas forças que eu me apoio. Tenho nas minhas mãos a sua palavra escrita.Este é o meu báculo. Esta é a minha segurança, este é o meu porto tranqüilo. Ainda que o mundo inteiro se perturbe, eu leio esta palavra escrita que trago comigo, porque ela é o meu muro e minha defesa. O que é que ela me diz? Eu estarei convosco até o fim do mundo.”
Junto de Cristo, ganham-se todas as batalhas, desde que tenhamos uma confiança seus limites na sua ajuda:”Cristo está comigo, que posso temer? Que venham assaltar-me as ondas do mar e a ira dos poderosos; tudo isso não pesa mais do que uma teia de aranha”(S. João Crisóstomo). Não larguemos a sua mão; Ele não larga a nossa!
Nesse dia do Padre rezemos para que todos os padres tenham uma verdadeira confiança no Cristo que nos chamou. Que escutemos sempre as palavras do Senhor: “Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!”
Mons. José Maria Pereira

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Para a Celebração da Palavra:

LOUVOR: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar) – 19º D.T. Comum Mt 12,22-33
à O Senhor esteja com todos vocês...  Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
à Por Jesus, Com Jesus e em Jesus, na força do Espírito santo, louvemos ao Pai:
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
à Bendito sejais, Deus todo-poderoso, porque nos convidais a reconhecer-Vos no silêncio, como um sopro de vida, que renova a face da terra. Nós Vos bendizemos, porque nos falais ao coração. Nós Vos pedimos pelos pregadores e pelos catequistas. Guiai-os e iluminai-os!
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
à Nós Vos damos graças, ó Pai, pois através de Jesus destes aos homens a Lei da vida eterna. Com o apóstolo Paulo, nós vos pedimos pelo Nosso povo, para que todos reconheçam a vossa Igreja como caminho para o vosso Reino.
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
à Senhor, nosso Deus e Pai. Mesmo quando somos ameaçados pelas tempestades da terra e a barca da vossa Igreja é sacudida por falsas ideologias, nós vos bendizemos, pela ressurreição de Jesus, pois como Ele, nós também ressuscitaremos: Com Pedro, nós vos suplicamos: salvai-nos! Dái-nos o vosso Espírito de confiança, para nos conduzir pelos caminhos da vida. T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
à PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...