quinta-feira, 3 de setembro de 2015

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilias, Homilias dominicais, Subsídios para homilias

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B 2015 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Tema: “Ele tem feito bem todas as coisas!” Deus quer nos transformar para que tenhamos vida plena.
Na primeira leitura, um profeta no exílio na Babilônia garante aos exilados que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar: os cegos contemplarão a luz, os surdos ouvirão, os coxos que saltarão e os mudos cantarão.
No Evangelho, Jesus abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo… Jesus, revela-se esse Deus amor.
A segunda leitura Convida-nos a não discriminar ou marginalizar o irmão e a acolher com bondade os pobres.
PRIMEIRA LEITURA (Is 35,4-7a) Leitura do Livro do Profeta Isaías. Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água.
AMBIENTE - O autor escreve na fase final do exílio na Babilónia (550 a.C.). A intenção é consolar os exilados.

MENSAGEM - O Povo, exilado na Babilónia, está em desespero e sem esperança. O profeta anuncia-lhes a libertação. Deus não esqueceu o seu Povo. O próprio Jahwéh irá realizar a libertação. O encontro com o Deus libertador transformará o Povo, dar-lhe-á de novo a liberdade, a alegria  e a vida em abundância. O dom de Deus manifestar-se-á na própria natureza. O deserto transformar-se-á numa terra fértil, com água em abundância e onde o Povo não terá dificuldade em saciar a sua fome e a sua sede. A abundância de água no deserto, de que o profeta fala, é outra imagem para mostrar a vontade de Deus em acumular o seu Povo de vida plena e abundante.
A marcha será um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador; este segundo êxodo será ainda mais grandioso, quanto à manifestação e à ação de Deus. Será uma peregrinação festiva, solene, feita na alegria e na festa.

ATUALIZAÇÃO • Para os optimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear…
• Para os crentes, “Deus está aí”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da esperança. Aos cegos Deus irá oferecer a luz que indica o caminho para a felicidade; aos surdos Deus abrirá os ouvidos para que escutem os gritos de sofrimento dos; aos coxos, que estão presos por cadeias de opressão, de injustiça, de pecado, Deus vai oferecer a liberdade; aos mudos, pelo medo, pelo comodismo, pela preguiça, pela passividade, Deus vai enviá-los como mensageiros da justiça, do amor e da paz.
•  Quando todos cruzam os braços e se afundam no desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para lá do horizonte, um amanhã novo. Ele vai fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor.
7. SALMO RESPONSORIAL / Sl 145/146
Bendize, ó minha alma ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida!
 O Senhor é fiel para sempre, / faz justiça aos que são oprimidos; / ele dá alimento aos famintos, / é o Senhor quem liberta os cativos.
• O Senhor abre os olhos aos cegos; / o Senhor faz erguer-se o caído; / o Senhor ama aquele que é justo. / É o Senhor quem protege o estrangeiro.
• Ele ampara a viúva e o órfão, / mas confunde os caminhos dos maus. / O Senhor reinará para sempre! / Ó Sião, o teu Deus reinará / para sempre e por todos os séculos!
EVANGELHO (Mc 7,31-37) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

AMBIENTE A Decápole (“dez cidades”) era o nome dado ao território situado na Palestina oriental, estendendo-se desde Damasco, ao norte, até Filadélfia, ao sul. O nome servia para designar dez cidades, que se formou depois da conquista da Palestina pelos romanos, no ano 63 a.C.. As “dez cidades” estavam em território pagão, considerado pelos judeus completamente à margem dos caminhos da salvação. É nesse ambiente que o episódio da cura do surdo-mudo nos vai situar. O gesto de Jesus de curar o surdo-mudo deve ser visto como mais um passo no anúncio do Reino de Deus.
MENSAGEM - As pessoas que trouxeram o surdo-mudo suplicaram a Jesus. Na sequência Marcos descreve como Jesus curou o doente e lhe deu a possibilidade de comunicar.
A descrição de Marcos, enriquecida com um número significativo de elementos simbólicos, é uma catequese sobre a missão de Jesus e sobre o papel que Ele desenvolve no sentido de fazer nascer um Homem Novo. Vejamos:
1 No centro da cena está Jesus e o surdo-mudo (literalmente, “um surdo que tinha também um problema na fala”). Se a linguagem é um meio privilegiado de comunicar, de estabelecer relação, o surdo-mudo é um homem que tem dificuldade em estabelecer laços, em partilhar, em dialogar, em comunicar. Por outro lado, num universo religioso que considera as enfermidades físicas como consequência do pecado, o surdo-mudo é, de forma notória, um “impuro”, um pecador e um maldito. Finalmente, o surdo-mudo vive no território pagão da Decápole: é provavelmente um desses pagãos que a teologia judaica considerava à margem da salvação.
2 Na catequese de Marcos, este surdo-mudo representa todos aqueles que vivem fechados no seu mundo, na sua autossuficiência, fechados às propostas de Deus e fechado aos outros. Representa também os pecadores, incapazes de estabelecer uma relação verdadeira com Deus, de escutar a Palavra de Deus e de viver de forma coerente com os desafios de Deus.
3. O encontro com Jesus transforma a vida desse surdo-mudo. Jesus abre-lhe os ouvidos e solta-lhe a, tornando-o capaz de comunicar, de escutar, de falar, de partilhar, de entrar em comunhão. O episódio lembra-nos o anúncio de Isaías na primeira leitura: “Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-vos. Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens, a fim de os libertar das cadeias do egoísmo, do comodismo, da autossuficiência, dos preconceitos que impedem a relação com Deus e com os irmãos.
4. Não é o surdo-mudo que tem a iniciativa de se encontrar com Jesus (“trouxeram-Lhe”). O surdo-mudo não sente necessidade de abrir seu coração para o encontro com Deus e com os irmãos. É preciso que alguém o traga, que o apresente a Jesus, que o empurre para essa vida nova de amor e de comunhão. É esse o papel da comunidade cristã… Os que já descobriram Jesus, que se deixaram transformar pela sua Palavra, que aceitaram segui-lo, devem dar testemunho dessa experiência e desafiar outros irmãos para o encontro libertador com Jesus.
5. A sós com o surdo-mudo, Jesus realiza gestos significativos: mete-lhe os dedos nos ouvidos, faz saliva e toca-lhe com ela a língua. Tocar com o dedo significava transmitir poder; a saliva transmitia, pensava-se, a própria força ou energia vital (equivale ao sopro de Deus que transformou o barro inerte do primeiro homem num ser dotado de vida divina). Assim, Jesus transmitiu ao surdo-mudo a sua própria energia vital, dotando-o da capacidade de ser um Homem Novo, aberto à comunhão com Deus e à relação com os outros homens.
6.. Jesus teria pronunciado a palavra “effathá” (“abre-te”), quando abriu os ouvidos e desatou a língua do surdo-mudo. Não se trata de uma fórmula mágica … É um convite ao homem fechado no seu mundo pessoal a abrir o coração à vida nova da relação com Deus e com os irmãos. É um convite ao surdo-mudo a sair do seu fechamento, do seu comodismo, do seu egoísmo, da sua instalação, para fazer da sua vida uma história de comunhão com Deus e de partilha com os irmãos. O processo de transformação do surdo-mudo em Homem Novo não é um processo em que só Jesus age e onde o homem assume uma atitude de passividade; mas é um processo que exige o compromisso ativo e livre do homem. Jesus faz as propostas, lança desafios, oferece o seu Espírito que transforma e renova o coração do homem; mas o homem tem de acolher a proposta, optar por Jesus e abrir o coração aos desafios de Deus.

ATUALIZAÇÃO •  Deus cheio de amor, a cada instante, vem ao nosso encontro, convida-nos aos caminhos que nos conduzem à felicidade e à vida verdadeira.
• O surdo-mudo, incapaz de escutar a Palavra de Deus, representa esses homens que vivem fechados aos projetos e aos desafios de Deus.
• O surdo-mudo representa também aqueles que não se preocupam em comunicar, partilhar a vida, dialogar com outros… vive instalado nas suas certezas e nos seus preconceitos, convencido de que é dono da verdade. É aquele que não tem tempo para o irmão; não é tolerante, não compreende os erros dos outros e não sabe perdoar. Uma vida de “surdez” é uma vida vazia, estéril, triste, egoísta, fechada, sem amor.
• O surdo-mudo se fecha no egoísmo e no comodismo, indiferentes aos apelos dos irmãos. Somos surdos quando não escutamos os injustiçados; surdos quando toleramos injustiça, miséria, sofrimento e morte; somos surdos quando encolhemos os ombros, indiferentes, face à guerra, à fome, à injustiça, à doença, ao analfabetismo; somos surdos quando temos vergonha de testemunhar os valores em que acreditamos; somos surdos quando  não assumimos responsabilidades e deixamos que sejam os outros a comprometer-se; somos surdos quando calamos; Uma vida comodamente instalada nesta “surdez” descomprometida é uma vida que vale a pena ser vivida?
• A missão de Cristo consistiu precisamente em abrir os olhos aos cegos e desatar a língua dos mudos… Ele veio abrir-nos à relação com Deus, ao amor dos irmãos, ao compromisso com o mundo. Quem adere a Cristo e quer segui-lo no caminho do amor a Deus e da entrega aos irmãos, não pode resignar-se a viver fechado a Deus e ao mundo. O encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e desperta-nos para o compromisso, para o testemunho. Ainda somos os surdo-mudo, ou ainda não assumimos a missão que Cristo nos deixou?.
• Cristo lembra-nos o nosso papel de fazer a ponte entre os irmãos que vivem prisioneiros da “surdez” e a proposta libertadora de Jesus Cristo. Não podemos ficar de braços cruzados quando algum dos nossos irmãos se instalam em esquemas de fechamento, de egoísmo, de auto-suficiência; mas, com o nosso testemunho de vida, temos de lhe apresentar essa proposta libertadora que Cristo quer oferecer a todos os homens.
• Antes de curar o surdo-mudo, Jesus “ergueu os olhos ao céu”. O gesto de Jesus recorda-nos que é preciso manter sempre, no meio da ação, a referência a Deus. É necessário dialogarmos continuamente com Deus para descobrir os seus projetos, para perceber as suas propostas, para ser fiel aos seus planos; é preciso tomar continuamente consciência de que é Deus que age no mundo através dos nossos gestos; é preciso que toda a nossa ação encontre em Deus a sua razão última: se isso não acontecer, rapidamente a nossa ação perde todo o sentido.
SEGUNDA LEITURA (Tg 2,1-5) Leitura da Carta de São Tiago. Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”. Não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos? Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
AMBIENTE - O objetivo fundamental do autor é exortar os crentes para que não percam os valores cristãos herdados através dos ensinamentos de Cristo. A fé concretiza-se no amor ao próximo, sem qualquer discriminação.
MENSAGEM - Jesus a todos amou igualmente. Quem aderiu a Jesus Cristo e procura segui-lo, tem de assumir os mesmos valores; por isso, não pode marginalizar ninguém.
Na comunidade cristã, todos são iguais e dignos de consideração e de respeito, ainda que desempenhem funções diferentes e serviços diversos. Os “pobres deste mundo” são, na linguagem bíblica, os humildes, os débeis, os pacíficos, aqueles que se apresentam diante de Deus numa atitude de simplicidade, despidos de qualquer atitude de orgulho, de autossuficiência, de preconceitos; são aqueles que, com humildade, aceitam os dons de Deus e acolhem as suas propostas com alegria e gratidão. Porque é que Deus os prefere? Em primeiro lugar, porque são os que mais necessitam de ser libertados e salvos; em segundo lugar, porque são os mais disponíveis para acolher o dom do reino. Não é que o reino de Deus seja uma opção de classe e que os ricos e poderosos não possam ter acesso ao reino; mas os ricos com o coração cheio de orgulho e de autossuficiência, não estão disponíveis para acolher a novidade revolucionária e libertadora do reino… São os “pobres”, na sua simplicidade, humildade e despojamento, na sua ânsia de libertação, que estão preparados para acolher o dom de Deus que se torna presente em Jesus e no seu projeto.

ATUALIZAÇÃO - • O cristão que aderiu a Jesus Cristo, que assumiu os valores que Ele veio propor, procura concretizar essa proposta de vida que Ele veio fazer. A comunidade cristã é o rosto de Cristo para os homens; por isso, não faz sentido qualquer acepção de pessoas na comunidade cristã. Não esqueçamos: a comunidade cristã é chamada a testemunhar o amor, a bondade, a misericórdia de Cristo para com todos os irmãos, sem exceção.
•  A fraternidade, o amor, a misericórdia, a tolerância que Cristo nos propõe têm de derramar-se sobre aqueles que encontramos em cada instante, mesmo se são de outra raça, outra cultura, se frequentam ambientes diversos, se não concordam com as nossas ideias, se têm uma forma diferente de encarar a vida.
•  Deus oferece o seu amor, a sua graça e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros não… O que é decisivo, na perspectiva de Deus, é a disponibilidade para acolher a sua proposta e os seus dons. O nosso texto convida-nos a despir-nos do orgulho, da autossuficiência, dos preconceitos, para acolher com humildade e simplicidade os dons de Deus.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Ornelas

=========-------------==========

Os Sinais Messiânicos

No mês de setembro, dedicado à Bíblia, a Palavra de Deus de hoje nos fala dos sinais dos tempos messiânicos,
com os quais Deus manifesta seu Plano de amor e de libertação para todo seu povo.

Na 1a leitura, o Profeta anuncia ao povo sofrido do exílio um sinal da iminência da sua libertação: a cura de
surdos, mudos, coxos e cegos. (Is 35,4-7)

 * Para os judeus, esses sinais serão sinal que chegou o Messias.

Na 2ª Leitura, Tiago convida a não discriminar as pessoas e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres. (Tg 2,15)

No Evangelho temos a realização da profecia da 1ª leitura: (Mc 7,31-37)

- Jesus abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo.
- E o povo, entusiasmado, vê nessa cura um SINAL da presença do Poder salvífico do Messias e exclama:
  "Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem".
- Como na "criação", quando Deus viu que tudo era bom. (Gn 1,31)

Quem é o surdo-mudo?

É uma pessoa incapaz de escutar... de falar... (a palavra).
- O que seriamos nós sem o uso da PALAVRA?

A Palavra é o meio por excelência de comunicação do homem

- A CRIANÇA não precisa só de alimento, ela necessita também de palavras de carinho;
- Os NAMORADOS têm necessidade de traduzir em palavras os sentimentos de seu coração;
- A Palavra acompanha o nascimento e o desenvolvimento de todo AMOR e AMIZADE;
- Os MUDOS convertem seus gestos em palavras.

Há palavras vazias que não dizem nada… mas há também palavras, que carregam todo o peso de uma existência.

+ Deus também fez uso da Palavra.

Não quis apenas que sua palavra fosse lida e ouvida...
Quis que fosse também vista, andando no meio dos homens.
Ele próprio SE FEZ PALAVRA, na pessoa de Jesus Cristo.

E essa Palavra de Deus ainda hoje a encontramos em parte escrita num livro que chamamos de BÍBLIA
Muito se perdeu ao longo da história…
Muito ainda permanece escondida em nossos corações e aguarda que a escutemos e anunciemos.
É o que nos lembra São Tiago: "Acolhei com humildade a Palavra que lhes foi plantada no coração". (Tg 1,21)

Quem são os surdos e mudos de hoje?

+ Diante da REALIDADE em que vivemos:
- São os que ficam indiferentes, vivem fechados no seu mundo,   de ouvidos fechados às propostas de Deus e de coração fechado aos irmãos.
   Nada vêem, nada escutam, nada falam...
   Preferem que sua voz só seja ouvida na hora de rezar, permanecendo cegos, surdos e mudos aos problemas da vida real.
- O Surdo-mudo representa os que não se preocupam em comunicar,  em partilhar a vida, em dialogar...
   * E Cristo convoca a ouvir o clamor dos que sofrem e a falar  em defesa da justiça, dos direitos humanos, na honestidade pública.
     - Quantas pessoas continuam sendo... surdo-mudas!...

+ Diante da FAMÍLIA:
   São os que não têm tempo para escutar... nem para falar...  e quando falam é bronca...
   - Quantos pais, mães, filhos... surdo-mudos!...

+ Diante da BÍBLIA:
   São os que têm os ouvidos e a boca fechados à Palavra de Deus...   
   São os que não lêem, não escutam, não estudam, não anunciam...
- Quantos católicos surdos-mudos!...
- Que tal valorizar um pouco mais a Bíblia nesse mês? 

- No Rito do Batismo, há uma oração muito significativa:
    "O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvirem e os mudos falarem,
      te conceda que possas logo ouvir a Palavra e  professar a fé para louvor e glória de Deus Pai."

- Desde o Batismo, nossos ouvidos se abriram para escutar a Palavra e a nossa língua se soltou para professar a fé e louvar o Senhor.
Nossos ouvidos estão atentos à Palavra divina e nossa boca é Palavra de oração permanente?

O Evangelho de hoje nos fala do milagre do surdo-mudo.
Jesus tocou os ouvidos e a boca do doente e ele começou a escutar e a falar.
- A Missão da Igreja é trazer e apresentar essas pessoas a Jesus  para que Ele as liberte de todos os males...

Peçamos a Cristo, que toque também
- NOSSOS OUVIDOS para que se tornem sensíveis em escutar sua Palavra,
- NOSSOS LÁBIOS para que se tornem entusiastas em anunciá-la e
- NOSSAS MÃOS para que nos tornemos generosos em testemunhá-la…
- NOSSOS PÉS, para que desperte em nós novo ardor missionário...  
                                      
                                      Pe. Antônio Geraldo

=========----------------=====

Homilia de D. Henrique Soares


          O Evangelho deste Domingo apresenta-nos um homem surdo e gago que é colocado diante de Jesus para que ele o cure.
Quem é o surdo-gago? É a humanidade, enquanto fechada para o dom de Deus que Jesus nos traz. Surda, porque incapaz de ouvir a Palavra, ouvi-la compreendendo-a, acolhendo-a no coração: "tem ouvido para ouvir, mas não ouve" (Jr 5,21; cf. Mt 13,14-15).
Esta é a tendência do coração humano, que a Escritura sempre denunciou: o fechamento para não acolher a proposta que Deus nos faz, de um caminho com ele, a tendência de nos fechar em nós e viver a vida como se fosse nossa de modo absoluto: "Escutai, prestai ouvidos, não sejais orgulhosos, porque o Senhor falou!" (Jr 13,15); "Ah! Se meu povo me escutasse, se Israel andasse em meus caminhos... Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me; então os entreguei ao seu coração endurecido: que sigam seus próprios caminhos!" (Sl 81/80,14.13). Assim, no fundo, é o fechamento para Deus, para um Deus verdadeiro, a resistência em realmente levar a sério o primeiro mandamento: "Ouve, ó Israel!" (Dt 6,4).
Nossa civilização ocidental tem sido particularmente fechada à Palavra do Senhor: construímos a sociedade e construímos nossa vida privada, nossos valores morais, nossas escolhas, do nosso modo, sem realmente ouvir a proposta e o caminho que o Senhor nos indica. Reunimos e escutamos os especialistas: economistas, antropólogos, sociólogos, sexólogos, psicólogos... mas, para nós, o Senhor não tem mais nada a dizer! Os gurus são os economistas e psicólogos, é o Paulo Coelho, são os livros de auto-ajuda... Somos uma geração de surdos!
Ora, se somos surdos, também não podemos falar com clareza: nossas idéias são embotadas, nossos debates, nossas palavras, não chegam ao essencial da vida, do sentido da existência, não podemos proclamar de verdade a alegria da salvação, da plenitude de quem sabe de onde vem e para onde vai. A comunicação se torna oca, alienada e alienante. Basta observar o que os meios de comunicação veiculam! Por isso, Jesus cura primeiro a surdez e, depois, a gagueira do homem. Quando ele puder ouvir o Senhor, tornando-se discípulo pela fé, também poderá falar, proclamar a ação de Deus em Jesus: do Deus que salva e nos mostra o sentido da vida, abrindo-nos a esperança eterna!
            Sigamos os detalhes da narração de Marcos: (1) Trouxeram o homem surdo-gago para que Jesus o curasse. "Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão" – bem ao contrário dos curadores pentecostais de televisão, que exploram seus "milagres" e "curas" como shows, Jesus procura evitar todo sensacionalismo: ele quer encontrar-se realmente com aquele homem, pessoa a pessoa, quer que aquele homem o descubra como sua salvação; (2) "Em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele" – o homem, sendo surdo, somente poderia compreender a linguagem dos símbolos, dos sinais; é a que Jesus empregou: toca os dedos que, para os antigos, transmitiam poder (cf. Ex 8,15) e, depois, toca sua língua com a saliva, significando o dom do Espírito que cura e liberta. Para os antigos, a saliva era o Espírito em estado líquido (a idéia é estranha, mas é preciso que nos transportemos para o modo de pensar semítico)! (3)"Olhando para o céu, suspirou e disse: 'Ephatà'". Assim, Jesus indica que a salvação que ele traz procede do Pai, que o enviou. Mais ainda: ao suspirar, ao gemer, ele exprime sua compaixão, sua dor pela situação humana; (4) "Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade". Somente Jesus, com o poder do seu Espírito, pode curar o homem de seu fechamento para escutar e para proclamar. Sim, porque também nossa geração cristã é, muitíssimas vezes, covarde para proclamar, para professar sem medo e respeito humano nossa fé. O cristão ou é testemunha ou não é cristão:"Não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Nós somos testemunhas destas coisas, nós e o Espírito Santo" (At 4,20; 5,32)
            Este caminho do surdo-gago é urgente para o cristão: reaprender a escutar de verdade Jesus (= crer nele de verdade) e falar dele ao mundo no testemunho corajoso, pois, somente assim, a humanidade atual encontrará a paz que tanto almeja. Somente em Cristo aquilo que a primeira leitura vislumbra e anuncia de modo tão belo, pode realizar-se: "Dizei às pessoas deprimidas: 'Criai ânimo, não tenhais medo! Vede! É o nosso Deus que vem; é ele que vem para salvar!' Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terá árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d'água" – Que imagens impressionantes, belas, evocativas! Quando Deus vem, quando ele está presente, tudo é vida, tudo é plenitude, tudo canta de alegria! Não é disso que nosso mundo atual tanto precisa? Mas, o homem fechado na sua soberba – nós, fechados na nossa auto-suficiência e no nosso comodismo! – jamais vai experimentar isso!
Para acolher na alegria e simplicidade, é necessário reconhecer-se necessitado, como o surdo-gago, que procurou Jesus, para que lhe impusesse as mãos: somente quem é pobre diante de Deus, quem se reconhece pequeno diante do Altíssimo, pode abrir-se para a salvação e recebê-la do Senhor! Daí a lembrete de São Tiago: "Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?" São palavras que nos incomodam e até escandalizam: Deus prefere os pobres... porque os pobres são abertos para Deus. Eles conseguem experimentar dolorosamente na carne aquilo que nós tentamos esquecer ou temos dificuldades para compreender: que somos todos pobres, necessitados, pequenos diante de Deus! Com nossas posses e nossas seguranças, apoiamo-nos em nós mesmos, tornando-nos surdos e mudos para o Senhor! O pobre é profético sempre, porque recorda o que nós somos e, quando descobrimos isso, podemos ser curados de nossa auto-suficiência surda e libertados de nossa preguiça muda. O salmo da Missa de hoje canta exatamente esta experiência: Deus salva o pobre, o pequeno, o desvalido! 
            Se o pobre é sempre profeta, sempre uma palavra de Deus ao nosso lado e, mais ainda, é presença do próprio Cristo, que sendo rico se fez pobre (cf. 2Cor 8,9) - "O que fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes" (Mt 25,40) -, então, o nosso modo de tratar o pobre, de ver o pobre, de nos aproximar do pobre – seja pessoal, seja comunitariamente – diz muito daquilo que nós e nossa Comunidade somos em relação a Deus; diz muito dos nosso critérios: se são segundo Deus ou segundo nosso coração mundano!
            Que o Senhor nos cure da surdez e da gagueira; faça-nos atentos à sua Palavra e ao seu testemunho; dê-nos olhos para reconhecê-lo nos irmãos, sobretudo nos pobres, seja de que pobreza for... sobretudo os pobres, social e economicamente falando!

+++++

Homilia II
            Caríssimos em Cristo, hoje a santa Palavra do Senhor nos fala de um Deus que vem. E ele vem sempre, amados! Vem porque está entre nós na potência do seu Santo Espírito, que age constantemente nos sacramentos da Igreja, que proclamam a Palavra da Salvação e tornam realidade essa Palavra salvífica! Eis, portanto, nosso Deus vem, vem sempre no seu Filho Jesus pleno do Santo Espírito. E quando ele vem, a nossa sorte muda: "Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus: é ele que vem para vos salvar! Abrir-se-ão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos... brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d'água". Ó caros! Não é coxo o mundo atual, não é cego, não é seco? Vede ao redor em que tem se tornado a nossa existência! Tanto mais o homem se feche para Deus, tanto menos vive, tanto menos se realiza, tanto menos é feliz... E, no entanto, se nos abrirmos, se nos deixarmos curar, o Senhor transformará a nossa pobre vida: nossa surdez será curada e escutaremos a doce voz do Senhor que nos guia, nossa mudez transformar-se-á em canto de exultação e da sequidão do nosso coração sem vida, a água fresca e vivificante brotará em abundância! Humanidade dura e teimosa, a nossa, que procura vida sem Deus e não encontra a não ser desilusão! Pois bem, caríssimos, é de paz, é de vida, é de felicidade que o Senhor nos fala hoje, nos fala sempre nos anúncios dos profetas! E o que eles anunciaram para os tempos do Messias, tempos de salvação, o Senhor Jesus realiza em plenitude: hoje, no Evangelho que ouvimos, ele coloca os dedos nos ouvidos dum surdo-mudo e, com a saliva, toca-lhe a língua. Que significa esse gesto? A saliva, para os judeus, era o ar feito líquido. Assim, Jesus dá seu Sopro, seu Espírito ao homem. Agora aquele zé-ninguém, aquele surdo-mudo de vida semi-humana é homem novo: pode ouvir o Senhor, pode proclamar suas maravilhas! Mas, não é isso que somos? Não é isso que devemos testemunhar com a nossa vida? 
            Recordam, irmãos amados, do rito batismal, quando o sacerdotes traçou o sinal da cruz nos nossos ouvidos e nos nossos lábios, repetindo o gesto de Jesus? Recordam quando ele exclamou: "Efatá!", como o próprio Jesus, naquele tempo? Recordam? Surdos curados por Jesus, é o que somos; mudos libertados pelo Senhor, é a nossa realidade! Agora curados, aprendamos a escutar realmente a palavra e os apelos daquele que nos curou; agora libertos, proclamemos ante o mundo incréu as maravilhas daquele que nos livrou e nos chamou das trevas para a sua luz admirável! Somos novos em Cristo, somos novas criaturas! Externemos essa realidade com nossa vida pessoal e comunitária! Ó cristão, quantas vezes será necessário exortar-te a viver de acordo com aquilo que tu és? Por que és frouxo, por que covarde, por que sem entusiasmo, por que omisso, por que és duro e surdo para a voz do teu Senhor? Por que, caríssimos meus, o nosso modo de viver não impressiona? Por que nosso testemunho do Senhor não contagia os outros? Por que nossas ações não iluminam o mundo em trevas? Porque fugimos do Senhor, porque não deixamos que ele nos toque, nos cure, nos liberte! Sufocamos a graça recebida no batismo! E como  a sufocamos? Pela vida frouxa, pela existência displicente, que não leva a sério realmente a ação libertadora do Senhor em nós! 
            Somos novos de uma nova vida! Novos, cada um de nós; novos, nós todos como Igreja! Somos a comunidade dos que experimentam essa vida nova, dos que vivem já neste mundo o sonho de um novo modo de existir. Não se trata, meus caros, de um ideal sociológico ou simplesmente humanístico: o motivo da vida nova é o Cristo de Deus que, nos dando o seu Santo Espírito, faz-nos criaturas novas, capazes de viver no seu amor e do seu amor. A Igreja é isso: uma comunhão brotada do amor do Cristo – e este amor é o Santo Espírito. Uma comunidade que vive neste Espírito, que não é o do mundo, que não é o da esquerda festiva ou da direita egoísta, do centro omisso ou dos extremos exaltados... Nossa vida, nossa inspiração, nossa força é o Espírito no qual o Pai e o Filho se amam e se dão! Pois bem! Uma comunidade que vive nesse Espírito não admite discriminações injustas, não admite o desprezo de uns pelos outros, sobretudo dos seus membros mais frágeis e pobres. Uma comunidade "espiritual" julga segundo os critérios do Evangelho e descobre que aquilo que para o mundo é frágil, é perdido, é sem valor, na verdade é o que há de mais precioso aos olhos de Deus:"Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?" Aqui não se trata de bom-mocismo, de uma filantropia meramente humana; trata-se, antes, de uma consciência que brota da contemplação do próprio modo de agir de Deus: ele ama o miserável porque é misericordioso, ele se volta para o pobre, de qualquer pobreza que seja, porque nos ama gratuitamente, e lhe apraz retirar o pobrezinho do monturo e elevá-lo com os nobres do seu povo! Neste sentido, São Tiago nos chama atenção para uma realidade bem concreta, palpável em cada geração: são os pobres, os débeis, os fracos que mais têm fé, que mais se abandonam no Senhor. Quem enche nossas igrejas? Quem é mais generoso para com Deus? Quem mais se esforça para levar a sério os preceitos do Senhor? Quem mais teme a Deus? Em geral, os pobres, os sofredores, os desvalidos! E por quê? Porque ali, na humana miséria, podemos ver sem máscaras aquilo que somos o tempo todo: pobres! Ainda que não queiramos admitir, somos todos pobres, todos necessitados, todos dependentes diante de Deus. Precisamente aqui está a grande bem-aventurança: ser pobre diante de Deus. E são os pobres do mundo e os pobres de nossas comunidades quem melhor nos lembram isso! Olhemos os pobres e vejamos o que somos; sirvamos e honremos os pobres, e serviremos e honraremos aquele por quem e para quem somos! 
            Neste sentido, a segunda leitura deste hoje é um sério convite a que nos perguntemos sobre como nossa comunidade e nossa casa se comportam em relação aos pobres e carentes do mundo. Damos-lhe atenção? Preocupamo-nos com eles? Uma comunidade cristã – a de casa, da paróquia ou do grupo e movimento de Igreja – que não abra o coração para os pobres, não é comunidade cristã! É incômodo isso que eu digo; mas, é a verdade da Palavra de Deus, que não pode ser maquiada nem domesticada! Nosso comportamento em relação aos pobres definirá nossa situação para sempre diante de Cristo no Último Dia! Disso não tenhamos a mínima dúvida! Portanto, ouçamos e tremamos! 
            Caríssimos, calem no coração as palavras que o Senhor hoje nos dirigiu. E que esta Eucaristia cure nossa surdez, desate nossa língua e converta o nosso coração. Amém.
D. Henrique Soares



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

22º DOMINGO DO Tempo Comum, Homilias, Homilias dominicais, subsídios para o domingo,

22º DOMINGO DO T. COMUM Ano B (adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Tema: Uma reflexão sobre a “Lei”. Deus quer a vida plena para o homem e propõe-lhe a sua “Lei”.
A primeira leitura garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a vida em plenitude. No Evangelho, Jesus denuncia que não basta cumprir as leis externamente, mas fazer da vida uma contínua conversão para Deus e um compromisso de amor e de partilha para com os irmãos.
A segunda leitura: A Palavra escutada e acolhida no coração tem de tornar-se um compromisso de amor.

6. PRIMEIRA LEITURA (Dt 4,1-2.6-8) Leitura do Livro do Deuteronômio.
Moisés falou ao povo, dizendo: “Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida pelo Senhor Deus de vossos pais. Nada acrescenteis, nada tireis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus que vos prescrevo.  Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas estas leis, digam: ‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!’. Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?”

AMBIENTE - O Livro do Deuteronômio é aquele “livro” descoberto no Templo no do reinado de Josias (622 a.C.). O livro apresenta: há um só Deus, que deve ser adorado; Moisés deixa ao Povo uma espécie de “testamento espiritual”: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Jahwéh. O capítulo 4 do Livro do Deuteronômio é um texto redigido na fase final do Exílio do Povo de Deus na Babilónia. Impressionado com o esplendor ritual e as solenidades do culto babilônico, o Povo corria o risco de trocar Jahwéh pelos deuses babilónicos. É neste contexto que os teólogos vão convidar o Povo a olhar para a sua história, a redescobrir nela a presença salvadora e amorosa de Jahwéh e a comprometer-se de novo com Deus e com a Aliança.

MENSAGEM: O Deus que, no passado, interveio na história para libertar Israel agora oferece leis e preceitos.
As leis e preceitos são caminhos da felicidade. Israel deve ter cuidado para não adulterar as leis que Deus lhe propõe. Há sempre o perigo de os homens suavizarem a Palavra de Deus, de forma a que ela não seja tão exigente, atribuindo a Deus ideias e propostas com as quais Deus não tem nada a ver. O povo nem sempre cumpriu as leis e que o Senhor lhe propôs. É essa  a preocupação que o catequista deuteronomista nos propõe.

ATUALIZAÇÃO à O autor vê nas leis e preceitos de Deus um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude.
à Palavra de Deus é um caminho sempre atual, que liberta o homem da escravidão do egoísmo e que o conduz ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira liberdade: salva-nos do egoísmo, do orgulho, da autossuficiência e projeta-nos para o amor, para a partilha, para o serviço, para o dom da vida.
à Uma das insistentes recomendações é a de não adulterar a Palavra de Deus, ao sabor dos interesses pessoais. Este processo de discernimento é mais fácil quando é feito em comunidade, no diálogo e no confronto com os irmãos que caminham conosco, que nos questionam e que partilham conosco a sua perspectiva das coisas.
à  Sem a escuta da Palavra, a nossa ação torna-se um “fazer coisas” estéril e vazio que, mais tarde ou mais cedo, nos leva a perder o sentido do nosso testemunho e do nosso compromisso.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 14 (15)
Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
• É aquele que caminha sem pecado / e pratica a justiça fielmente; / que pensa a verdade no seu íntimo / e não solta em calúnias sua língua.
• Que em nada prejudica o seu irmão, / nem cobre de insultos seu vizinho; / que não dá valor algum ao homem ímpio, / mas honra os que respeitam o Senhor.
• Não empresta o seu dinheiro com usura, / nem se deixa subornar contra o inocente. / Jamais vacilará quem vive assim!

10. EVANGELHO (Mc 7,1-8.14-15.21-23)   Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidade, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.

AMBIENTE - A proposta de Jesus provoca reações nos líderes judaicos, no povo e nos próprios discípulos.
Pouco antes, Jesus tinha realizado a multiplicação dos pães, propondo, com o seu gesto, um mundo novo de fraternidade, de serviço e de partilha (o “Reino de Deus”); e os líderes judaicos, sem coragem para enfrentar diretamente a Jesus, escolhem os discípulos como alvo das suas críticas… esses fariseus, fanáticos da Lei, vão questionar os discípulos de Jesus acerca da forma como eles cumprem a “tradição dos antigos”. Para os fariseus, a “tradição dos antigos” abrangia um imenso conjunto de leis orais onde apareciam as decisões e as sentenças dos rabis acerca dos mais diversos temas. Na época de Jesus, essa “tradição dos antigos” constava de 613 leis. Essas leis – que o Povo tinha dificuldade em conhecer na sua totalidade e que tinha, ainda mais, dificuldade em praticar – eram, para os fariseus, o caminho para tornar Israel um Povo santo e para apressar a vinda libertadora do Messias. Quando Marcos escreveu o seu Evangelho (década de 60), a questão do cumprimento da Lei judaica ainda era uma questão “quente”. Para os cristãos vindos do judaísmo, a fé em Jesus devia ser complementada com o cumprimento rigoroso das leis judaicas… No entanto, a imposição dos costumes judaicos levaria, certamente, ao afastamento dos cristãos vindos do paganismo. A questão que era preciso equacionar era a seguinte: o cumprimento da Lei de Moisés era importante, para a comunidade cristã? O Concílio de Jerusalém (por volta do ano 49) já havia dado uma primeira resposta à questão: para os cristãos, o fundamental é a pessoa de Jesus e o seu Evangelho; não é lícito impor aos cristãos vindos do paganismo o fardo da Lei de Moisés. No entanto, o problema continuou. É, provavelmente, a esta temática que o evangelista Marcos quer responder.

MENSAGEM - Os povos antigos sentiam um grande desconforto quando tinham de lidar com certas realidades desconhecidas e misteriosas (ligadas à vida e à morte) que não podiam controlar nem dominar. Criaram, então, um conjunto de regras que interditavam o contato com essas realidades (os cadáveres, o sangue, a lepra, etc.) ou que, pelo menos, regulamentavam a forma de lidar com elas, de forma a torná-las inofensivas. No contexto judaico, quem infringia – mesmo involuntariamente – essas regras colocava-se na marginalidade e de indignidade que o impedia de se aproximar do mundo divino (o culto, o Templo) e de integrar a comunidade do Povo santo de Deus. Dizia-se que a pessoa ficava “impura”. Para readquirir o estado de “pureza” e poder reintegrar a comunidade do Povo santo, o crente necessitava realizar um rito de “purificação”, estipulado na “Lei”.
Na época de Jesus, as regras da “pureza” tinham sido absurdamente ampliadas pelos doutores da Lei. Na opinião dos rabis de Israel, existia uma lista imensa de coisas que tornavam o homem “impuro” e que o afastavam da comunidade do Povo santo de Deus. Daí a obsessão com os rituais de “purificação”, que deviam ser cumpridos a cada passo da vida diária. Um desses ritos consistia na lavagem das mãos antes das refeições. Na sua origem está a universalização do preceito que mandava os sacerdotes lavarem os pés e as mãos, antes de se aproximarem do altar para o exercício do culto. Na perspectiva dos doutores da Lei, a purificação das mãos antes das refeições não era uma questão de higiene, mas uma questão religiosa… Em cada momento o crente corria o risco, mesmo sem o saber, de tropeçar com uma realidade impura e de lhe tocar; para evitar que a “impureza” (que lhe ficara agarrada às mãos) se introduzisse, juntamente com os alimentos, no corpo exigia-se a lavagem das mãos antes das refeições.
Na Galileia, terra em permanente contato com o mundo pagão e onde as normas de “pureza” não eram tão rígidas como em Jerusalém, não se dava demasiada importância ao ritual de lavar as mãos antes das refeições para evitar a ingestão da “impureza”. Os fariseus vindos de Jerusalém, testemunhando como os discípulos comiam sem realizar o gesto ritual de purificação das mãos, ficaram escandalizados e referiram o caso a Jesus. Provavelmente, a história serviu aos fariseus para sondar Jesus e para averiguar a sua ortodoxia e o seu respeito pela tradição dos antigos.
Para Jesus, a obsessão dos fariseus com os ritos externos de purificação é sintoma de uma grave deficiência quanto à forma de ver e de viver a religião; por isso, Jesus responde com dureza… Partindo da Escritura, Jesus denuncia essa vivência religiosa que aposta apenas na repetição de práticas externas e formalistas, mas que não se preocupa com a vontade de Deus (“este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”) ou com o amor aos irmãos. Trata-se de uma religião vazia e estéril (“é vão o culto que Me prestam”), que não vem de Deus mas foi inventada pelos homens (“preceitos humanos”). Àqueles que apostam na religião dos ritos estéreis, Jesus chama “hipócritas”: interessa-lhes mais o “parecer” do que o “ser” das coisas… Eles cumprem as regras, mas não amam; vestem com fingimento a máscara da religião, mas não se preocupam com a vontade de Deus. Esta religião é uma mentira, uma hipocrisia, ainda que se revista de ares muito santos e muito piedosos.
Jesus dirige-Se à multidão: “não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro; o que sai do homem é que o torna impuro”. “do interior do homem é que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro”. Os alimentos que entram no estômago não são fonte de “impureza”; os pensamentos e as ações más que saem do coração do homem é que são fonte de “impureza”: fastam o homem de Deus e da comunidade do Povo santo.
Na antropologia judaica, o “coração” é o “interior do homem” em sentido amplo; é aí que está a sede dos sentimentos, dos desejos, dos pensamentos, dos projetos e das decisões do homem. É nesse “centro vital” de onde tudo parte que é preciso atuar. A verdadeira religião não passa, portanto, pelo cumprimento de regras externas, que regulam o que o homem come ou não come; mas passa por uma autêntica conversão do coração, que leve o homem a deixar a vida velha e a transformar-se num Homem Novo, que assume e que vive os valores do Reino. A preocupação com as regras externas de “pureza” é uma preocupação estéril; pode até servir para distrair o crente do essencial, dando-lhe uma falsa segurança e uma falsa sensação de estar em dia com Deus. A verdadeira preocupação do crente deve ser moldar o seu coração, a fim de que os seus sentimentos, os seus desejos, os seus pensamentos, os seus projetos, as suas decisões se concretizem, no dia a dia, na escuta atenta dos desafios de Deus e no amor aos irmãos.

ATUALIZAÇÃO
à As “leis” têm o seu lugar numa experiência religiosa, enquanto sinais indicadores de um caminho a percorrer. No entanto, é preciso que o crente tenha o discernimento suficiente para dar à “lei” um valor justo, vendo-a apenas como um meio para chegar mais além no compromisso com Deus e com os irmãos. A finalidade da nossa experiência religiosa não é cumprir leis, mas aprofundar a nossa comunhão com Deus e com os outros homens sendo, eventualmente, ajudados nesse processo por “leis” que nos indicam o caminho a seguir.
à Se fizermos das leis algo de absoluto, elas podem tornar-se para nós um fim e não um caminho. Nesse caso, as “leis” serão, em última análise, uma forma de acalmar a nossa consciência, de nos julgarmos em dia com Deus, de sentirmos que Deus nos deve algo porque nós cumprimos todas as regras estabelecidas. Tornamo-nos orgulhosos e autossuficientes, pois sentimos que somos nós que, com o nosso esforço para estar em regra, conquistamos a nossa salvação. Deixamos de precisar de Deus, ou só precisamos d’Ele para apreciar o nosso esforço e para nos dar aquilo que julgamos ser uma “justa recompensa”. O culto que prestamos a Deus pode tornar-se, nesse caso, um processo interesseiro de compra e venda de favores e não uma manifestação do amor que nos enche o coração. A nossa religião será, nesse caso, uma mentira, uma negociata, que Deus não aprecia nem pode caucionar.
à De acordo com os ensinamentos de Jesus, não é muito religioso ou muito cristão quem aceita todas as “leis” propostas pela Igreja, ou quem cumpre escrupulosamente todos os ritos; mas é cristão verdadeiro aquele que, no seu coração, aderiu a Jesus e procura segui-lo no caminho do amor e da entrega, que aceita integrar a comunidade dos discípulos, que acolhe com gratidão os dons de Deus, que celebra a fé em comunidade, que aceita fazer com os irmãos uma experiência de amor partilhado.
à É isso que Jesus quer dizer quando convida os seus discípulos a não se preocuparem com as leis e os ritos externos, mas a preocuparem-se com o que lhes sai do coração. É no interior do homem que se definem os sentimentos, os desejos, os pensamentos, as opções, os valores, as ações do homem. É daí que nascem os nossos gestos injustos, as discórdias e violências que destroem a relação, as tentativas de humilhar os irmãos, os rancores que nos impedem de perdoar e de aceitar os outros, as opções que nos fazem escolher caminhos errados e que nos escravizam a nós e àqueles que caminham ao nosso lado… A verdadeira religião passa por um processo de contínua conversão, no sentido de nos parecermos cada vez mais com Jesus e de acolhermos a proposta de Homem Novo que Ele nos veio fazer.
à É preciso mantermo-nos livres e críticos em relação às “leis” que nos são propostas, sejam elas leis civis ou religiosas... Elas servem-nos e devem ser consideradas se nos ajudarem a ser mais humanos, mais fraternos, mais justos, mais comprometidos, mais coerentes, mais “família de Deus”; elas deixam de servir se geram escravidão, dependência, injustiça, opressão, marginalização, divisão, morte. O processo de discernimento das “leis” boas e más não pode, contudo, ser um processo solitário; mas deve ser um processo que fazemos, com o Espírito Santo, na partilha comunitária, no confronto fraterno com os irmãos, numa procura coerente e interessada do melhor caminho para chegarmos à vida plena e verdadeira.

8. SEGUNDA LEITURA (Tg 1,17-18.21b-22.27) Leitura da Carta de São Tiago.
Irmãos bem-amados, todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem sombra de variação. De livre vontade ele nos gerou, pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas. Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada e que é capaz de salvar as vossas almas. Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Com efeito, a religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.

AMBIENTE - A carta certamente de um sábio judeu-cristão que repensa, de maneira original, as máximas da sabedoria judaica, em função do cumprimento que elas encontraram na boca e no ensinamento de Jesus.
A carta Denuncia, sobretudo, certas interpretações consideradas abusivas da doutrina paulina da salvação pela fé, sublinhando a importância das obras; e ataca com extrema severidade os ricos (cf. Tg 1,9-11; 2,5-7; 4,13-17; 5,1-6).

MENSAGEM - como os crentes devem ver e acolher a Palavra de Deus…
1.            Deus oferece continuamente os seus dons, a fim de lhe proporcionar vida e felicidade. A Palavra de Deus é um dom que destina-se a gerar uma nova humanidade. Os iluminados pela “Palavra da verdade” podem caminhar em segurança em direção à vida plena, à felicidade sem fim.
2.            Os crentes devem estar disponíveis para acolher a Palavra de Deus. Não podem fechar-se no seu orgulho e autossuficiência, ignorando as propostas de Deus; mas devem abrir o coração para que a Palavra aí encontre lugar, aí possa lançar raízes e desenvolver-se.
3.            A Palavra têm de conduzir à ação, à conversão, à mudança, ao abandono da vida velha do egoísmo e do pecado, a fim de abraçar uma vida segundo Deus. A Palavra de Deus também não pode fechar o homem num espiritualismo alienante e estéril, mas tem de conduzir a um compromisso efetivo com a transformação do mundo.
4.            a religião autêntica (por oposição à religião vazia, inoperante, morta, daqueles que falam muito mas não praticam ações coerentes com as suas palavras): “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo”. A escuta atenta da Palavra de Deus nos projeta para a ação e para o compromisso. A escuta da Palavra de Deus leva o crente a passar de uma religião ritual, legalista, externa, superficial, para uma religião de compromisso com a realização do projeto de Deus e com o amor dos irmãos.

ATUALIZAÇÃO - à A Palavra de Deus é Palavra geradora de vida, de eternidade, de felicidade; por isso, deve ser por nós valorizada.
à Criamos hábitos de não escuta e tornamo-nos surdos aos apelos que chegam até nós através da palavra.
à A Palavra de Deus que escutamos e que acolhemos no coração deve conduzir-nos à ação. Se ficamos apenas pela escuta e pela contemplação da Palavra, ela torna-se estéril e inútil. É preciso transformar essa Palavra que escutamos em gestos concretos, que nos levem à conversão e que tragam um acréscimo de vida para o mundo. A Palavra de Deus que escutamos tem de nos levar ao compromisso – à luta pela justiça, pela paz, pela dignidade dos nossos irmãos, pelos direitos dos pobres, por um mundo mais fraterno e mais cristão.
à A nossa religião, sem a escuta atenta e comprometida da Palavra de Deus, pode facilmente tornar-se o mero cumprimento de ritos, a fidelidade a certas práticas de piedade, uma tradição que herdámos e na qual nos instalamos. É a Palavra de Deus que dá sentido a toda a nossa experiência religiosa, transformando-a numa verdadeira experiência de vida nova, de vida autêntica.
à As nossas palavras e orações devem ser a expressão do nosso amor filial e fraternal. A lei de Deus está inscrita no nosso coração, conhecemos a sua vontade, sabemos muito bem o que Lhe agrada: cabe a nós pormo-nos de acordo sobre os nossos comportamentos e sobre esta vontade de Deus. Aliás, falta-nos pedir-Lhe: “Que a tua vontade seja feita!” Então, talvez Deus dir-nos-á: “Honras-Me com os lábios, fazes a minha vontade, mas o teu coração está longe de Mim”.

Fonte: Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

==============----------------===================
A Lei de Deus
A Liturgia nos convida a refletir sobre o sentido da "LEI".
Deus quer a realização e a vida plena para o homem e, nesse sentido, propõe a sua "Lei" e o modo como ela deve ser
 observada.

Na 1a Leitura, o Povo de Deus recebe a LEI. (Dt 4,1-2.6-8)

No final da vida, antes de entrar na Terra Prometida, MOISÉS deixa um "testamento Espiritual": A LEI proposta por Deus. A LEI DE DEUS é sagrada, não pode ser alterada...
- A "Lei" de Deus representa uma Sabedoria desconhecida pelos outros povos, um meio de viver a Aliança com Deus, e assim chegar à Terra Prometida...
- A Observância da Lei será uma Resposta de gratidão a esse Deus libertador, que muitas vezes no passado agiu para salvar o seu Povo.
- A "Lei" de Deus é um Caminho seguro para a felicidade e a vida plena.

Na 2a leitura: SÃO TIAGO lembra:
"Sede CUMPRIDORES da Palavra, e não apenas ouvintes" (Tg 1,17-18.21-22.27)

* A Palavra de Deus devemos acolher e por em prática...
A Verdadeira Religião não consiste apenas no cumprimento de ritos e na fidelidade a certas práticas de piedade,
mas na dedicação em favor dos necessitados ("órfãos e viúvas"), no compromisso por um mundo mais fraterno e cristão.

No Evangelho, temos a atitude de CRISTO diante da LEI. (Mc 7,1-8.14-15.21-23)

Retomamos o Evangelho de Marcos...
- Os fariseus, que tramavam contra a vida de Cristo,
eram exigentes na observância externa das leis e se escandalizaram porque os apóstolos não faziam antes de comer os ritos de "purificação", prescritos por "preceitos humanos"...
- Cristo denuncia esse espírito mesquinho:
  "Hipócritas... Abandonais o Mandamento de Deus,  apegando-vos à tradição dos homens"

* Na VERDADEIRA RELIGIÃO, não basta apenas a observância externa da Lei e das "tradições humanas",
precisa também uma autêntica conversão do coração.
Deus olha o interior das pessoas e não as práticas exteriores e formais.
+ A LEI: um CAMINHO, não um fim.

- A "Lei" tem o seu lugar numa experiência religiosa, enquanto sinal indicador de um caminho a percorrer,
é um meio para chegar mais além no compromisso com Deus e com os irmãos.
- A verdadeira religião não se resume no cumprimento formal das "leis", mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus e a viver numa real partilha de amor com os irmãos.
Nesse processo, as "leis" são apenas um caminho, não um fim absoluto...

+ A Lei o que é para nós?

- Nos contentamos apenas com a PRÁTICA EXTERNA,
  uma religião de tradição, talvez para salvar as aparências?
- Ou procuramos ter sempre um coração puro e
  disponível à voz de Deus e à voz de nossa consciência?

Cristo veio para nos libertar de uma religião exterior,
e nos levar a uma religião interior... "em espírito e verdade..."

E Nós? 
- Praticamos uma Religião como a dos fariseus, ou a verdadeira religião proposta por Jesus,
como expressão dum verdadeiro compromisso com o Reino de Deus?

Aos fariseus de hoje, Cristo continua denunciando: "Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim!"                          Pe. Antônio
============----------------------------------============

HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, o mês de setembro é sempre dedicado à Palavra de Deus, é o mês da Bíblia. Isto, é para animar, incentivar os católicos a se aproximarem, cada vez mais, da leitura bíblica. Há cinquenta anos atrás, o Concílio Ecumênico declarou que a importância da Eucaristia é a mesma da Palavra de Deus. Da mesma maneira que eu venero a Eucaristia, devo venerar a Palavra de Deus. A partir daí, na reforma litúrgica, nós tivemos dois momentos distintos da Celebração Eucarística; Um, é a celebração da Palavra. E dois, a Celebração Eucarística. As duas Celebrações no mesmo pé de igualdade. De tal maneira, que quem venera a Eucaristia, deve venerar a Palavra e quem venera a Palavra, deve venerar a Eucaristia. Infelizmente, ainda vamos levar um tempo para que todo católico se dê conta disso. De qualquer forma, a partir da liturgia de hoje, podemos entender porque a litura da Bíblia é tão importante. De partida, já afirmo com segurança; Jesus nunca foi contra a higiene. Muito pelo contrário. Ele, como Deus feito homem, Ele veio para que todos tenham vida e vida em abundância. Tudo que concorre para uma melhor qualidade de vida, é vontade de Deus. Por que eu digo isto? Porque olhando a leitura, dá  a impressão de que não precisa lavar a mão, lavar o copo. Na realidade, o livro do Deuteronômio traz todas estas prescrições. Mas, por que isto foi feito? Porque na terra em que Jesus nasceu e viveu, a água é muito escassa. Então, as pessoas não tinham muito o hábito da higiene, exatamente pela dificuldade desse liquido precioso. Então, foi regulamentado, como vontade de Deus, normas que pudessem garantir saúde para estas pessoas. O problema é que depois de um determinado tempo, as pessoas achavam que bastava observar as leis da higiene e já eram tementes de Deus perfeito. E, Jesus vai dizer; não. Quem não tem fé também tem que que ter higiene. Higiene é algo que precisa ser observado por todos. Agora, quem teme o Deus vivo e verdadeiro, tem que ir além disto. Não pode honrar a Deus somente em obras, mas também com o coração. É isto que Jesus está nos alertando no dia de hoje. É claro, que no Antigo testamento já tinha dito isto; a partir do salmo que nós recitamos, você tem clareza do que de fato é servir a Deus.  Senhor, quem morará em vossa casa?
• É aquele que caminha sem pecado / e pratica a justiça fielmente; / que pensa a verdade no seu íntimo / e não solta em calúnias sua língua. Quem entra na casa do Senhor?
• Quem em nada prejudica o seu irmão, / nem cobre de insultos seu vizinho; / que não dá valor algum ao homem ímpio, / mas honra os que respeitam o Senhor. Quem habita na casa do Senhor?
• Quem Não empresta o seu dinheiro com usura, / nem se deixa subornar contra o inocente. / -
Então, é claro que o Antigo Testamento já tinha indicado uma prática diferenciada daqueles que temem o Senhor. Aí, são Tiago diz: isto também deve ser aplicado por nós cristãos. Então, meus irmãos, é interessante... o Papa Bento XVI já falava. São Tiago diz que a religião pura, diante do Deus Pai, é assistir aos órfãos, às viúvas e não se contaminar pelo mundo. É claro, que  a oração é importante, mas precisamos ir além. É claro, que ter devoção a um santo é importante, mas nós somos chamados a ir além disto. É evidente que nós nos preocuparmos com a religião é importante, mas ter um gesto concreto, uma prática de vida, de acordo com a Palavra de Jesus, é esperado de nós. Então, é interessante, que o Papa Bento XVI dizia: infelizmente, também entre nós, aqueles que acham que praticar a religião é se limitar a uma atividade. Não. Precisamos ir além. Como eu posso cumprir isto? Eu me lembro de um professor que dizia: você não vê galinha abandonada na rua, você não vê boi abandonado, você não vê nenhum tipo de animal que tenha valor abandonado. Você vê menor abandonado, você vê ser humano abandonado. – Nós não temos culpa disso. Eu tenho clareza comigo, que se dependesse de nós que estamos aqui, não haveria ninguém abandonado. Entretanto, também isto não é o suficiente. É preciso cada dia mais pensar o que mais podemos fazer, para minimizar o sofrimento do órfão, e a viúva, aqui simbolizando todo aquele que não tem a quem recorrer. Com certeza, a solução parte de nós. Não vai partir de nenhum político, nenhum super-homem, porque ninguém resolve os desafios sozinho. Então, o que fazer? Em primeiro lugar, ser pessoa honesta, coerente, não corrupta, sermos pessoas dispostas a defender a justiça, o amor e se nós vivermos isto e ensinarmos isto aos outros, já é um bom caminho. Certamente, quem procurar defender a justiça será perseguido. É aí que entra o valor da oração, o valor da prática religiosa, o valor de todos os santos, porque é aí que encontramos força para realizar aquilo que nós é pedido. Que Deus, portanto, nos dê força e coragem para vivermos a Palavra que contemplamos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.

============-------------------============

Homilia de D. Henrique Soares

A palavra de Deus deste XXII Domingo chama atenção para o modo como o cristão deve viver sua prática religiosa: com sinceridade diante de Deus, humildade e amor para com os outros e não de forma legalista, fria e auto-suficiente. Com efeito, Jesus critica duramente os escribas e fariseus, que vieram de Jerusalém para observá-lo e questioná-lo. Qual é o problema deles? Certamente eram homens piedosos e queriam seguir a Lei de Deus. O problema era o espírito com o qual faziam: extremamente legalista. Vejamos:
1) A lei de Deus (para os judeus, expressa na Torah) é santa: “Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir... Nada acrescentareis, nada tirareis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus...” (1a. leitura). Ora, o zelo dos fariseus e dos escribas eram tais e com uma mentalidade de tanto apego à letra pela letra, que se tornaram extremamente legalistas. Eles diziam: “Façamos uma cerca em torno da Lei”, ou seja, criaram pouco a pouco um número enorme de preceitos para evitar qualquer desobediência, ao menos remota, à lei. Preceitos humanos que foram obscurecendo a pureza da lei de Deus e sua característica de ser sinal de amor. Por exemplo: (a) A Lei dizia que o castigo não poderia ultrapassar as quarenta varadas. Os fariseus permitam somente trinta e nove, para evitar qualquer perigo de ultrapassar a conta da lei. (b) A lei proibia o trabalho no sábado. Os escribas e fariseus insistiam que até carregar o instrumento de trabalho no sábado era já um pecado: o alfaiate não poderia carregar sua agulha no sábado. (c) A lei prescrevia abluções (banhos rituais para o culto) só para os sacerdotes. Os fariseus queriam impô-las a todo o povo. A intenção era boa.... mas o resultado, não: tornava a religião algo pesado, legalista e apegado a tantos detalhes que fazia esquecer o essencial: o amor a Deus e ao irmão! Os preceitos humanos obscureciam a intenção divina! 
2) A Lei não fora dada para ser um fardo que tira a liberdade e entristece a vida, mas como sinal do amor de Deus, que orienta e indica o caminho com ternura: “Vós os guardareis... porque neles está a vossa sabedoria e inteligência... Ouve as leis que vos ensino a cumprir para que vivais e entreis na posse da terra prometido pelo Senhor Deus” (1a. leitura). A lei e toda prática religiosa devem ser caminho de vida, e não um fardo insuportável e asfixiante, tornando a religião algo tristonho e pesado, como se fosse obra de um Deus ciumento e invejoso da nossa felicidade! Jesus critica os fariseus e os escribas por isso: tornaram a religião um fardo pesado e triste, ao invés de ser primeiramente um relacionamento com Deus, íntimo, feliz e amoroso! 
3) Jesus censura também os escribas e fariseus pela incapacidade de distinguir entre o essencial e o secundário; em discernir o que vem Deus e o que é meramente prática e tradição humanas, talvez boas e louváveis, mas não essenciais. Em matéria de religião, nem tudo tem igual valor, nem tudo tem a mesma importância. A medida de tudo é o amor: o amor é a plenitude da lei (Rm 13,10); só o amor dá sentido a todas as coisas! 
3) Outro motivo de crítica é que uma religião assim, apegada a preceitos exteriores, torna-se desatenta do coração, sem olhar a intenção com que se faz e se vive. Cai-se na hipocrisia (a palavra hipócrita vem dehypokrités = ator teatral): uma religião meramente exterior, sem aquelas atitudes interiores, que são as que importam realmente: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam!” (evangelho). É sério: a atitude exterior (lábios) não combina com o interior (coração)! As práticas externas valem quando são sinal de um compromisso interior de amor e conversão em relação a Deus. É importante observar que Jesus não condena as práticas exteriores, mas a sua supervalorização e a sua atuação sem sinceridade: “Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas”(Mt 23,23). 
4) Há também o perigo da auto-suficiência: a pessoa sente-se segura de si mesma por causa de suas práticas: “Ah, eu vou à missa todo domingo, rezo o terço e dou esmola! Estou em dia com Deus!” O homem nunca está em dia com Deus. Pensar assim, é deixar de perceber que tudo é graça e que jamais mereceremos o amor que Deus nos tem gratuitamente. Sem contar que tal atitude nos leva, muitas vezes, a nos julgar melhores que os outros, desprezando os que julgamos mais fracos ou imperfeitos! Era exatamente o que ocorria com os fariseus: “Este povo que não conhece a lei são uns malditos!” (Jo 7,49); “Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas?” (Jo 9,34); “Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano!” (Lc 18,11). É interessante comparar estas atitudes com as que São Paulo recomenda aos cristãos em Rm 12,3-13. 
5) Jesus convida a ir ao essencial: vigiar as intenções e atitudes do nosso coração, pois “o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior” (evangelho). Com um coração puro, poderemos reconhecer que tudo de bom que temos é dom de Deus (“Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes!” – 2a. leitura) e que, diante dele, somos sempre pobres e pecadores, necessitados de sua misericórdia. Isto nos abre de verdade para o amor aos outros e para a compaixão: somos todos pobres diante de Deus: “A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo”. 
6) Concluindo:
Como vai nossa prática religiosa, pessoal e comunitariamente? Buscamos um relacionamento amoroso, íntimo e pessoal com o Senhor ou nos contentamos com uma prática meramente exterior? Julgamo-nos melhores que os outros diante de Deus? Às vezes dizemos: “Eu não merecia este mal...” – julgando-nos credores de Deus! Dizemos também: “Há tanta gente pior que eu; por que aconteceu comigo?” – julgando-nos melhores que os outros!
O que é mais importante na nossa vida de fé? E na nossa vida em comunidade? O salmo de meditação da missa de hoje dá ótimas pistas para uma exame de consciência.
+++++
             Vivemos num mundo de muitos mestres, de muitas opiniões, de muita gente entendida sobre tudo que fala sobre tudo... Há tantos caminhos, tantas propostas, tanta gente com ares de sábio... Os meios de comunicação nos propõem tantas coisas: livros, televisão, rádio, Internet, jornais, revistas... E, no entanto, para nós, que cremos, o Senhor que nos orienta e educa na sua santa Palavra, recebida, guardada, crida, contemplada e ensinada pela Igreja, o Senhor é o único caminho, a única verdade, a única luz! É disso que fala a Palavra de Deus deste Domingo santo. 
            A grande tentação do nosso tempo, caríssimos em Cristo, é pensar que nossa razão é o critério da verdade, é a medida do bem e do mal. Assim, é certo, é bom, é aceitável o que nós julgamos ser ou o que a maioria, o senso comum julgam ser bom. Se agora o divórcio é um bem, então que seja; se nos tempos atuais a união homossexual é norma, então que seja aprovada; se nos cânones da ciência manipular embriões humanos é correto, então vá lá; se todo mundo tem numa boa relações pré-matrimoniais, então para que se opor? Eis aqui: o homem agora se julga adulto, emancipado, liberado: ele próprio julga poder definir sua vida, construí-la a seu modo. Para que um Deus que me diga o que fazer? Para que uma Igreja com ares de mãe e de mestra? Ninguém precisa mais disso! Esta é a mentalidade hodierna... 
            E, no entanto, para quem crê, há um Deus que é o Senhor da vida, de quem nós vimos e para quem vamos: “Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do Alto, descem do Pai das luzes: de livre vontade ele nos gerou pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas!” Nossa vida não é nossa de modo absoluto; não nos fizemos a nós mesmos. Tua vida, ó homem, é vida recebida gratuita e amorosamente; é dom de Deus, para que vivas na amizade com ele e, acolhendo sua Palavra sejas gerado para uma vida verdadeira, vida plena, vida eterna! 
            E, no entanto, quanto é difícil esta atitude de compreender a vida como um dom que recebemos! Quão grande a tentação de viver como donos absolutos da existência! Pois bem, o Senhor nos convida, o Senhor nos ordena a que vivamos abertos à sua Palavra, para que vivamos de verdade: “Agora, Israel, ouve! Para que, fazendo-o, vivais! Nada tireis, nada acrescenteis às palavras que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus! Vós os guardareis e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência.” Tristes de nós quando nos julgamos sábios a nossos próprios olhos e desprezamos a Palavra do Senhor e as orientações da sua Igreja, que dele recebeu a missão e a autoridade de nos educar nos caminhos do Senhor! Pensemos, caríssimos irmãos – que cada um pense: tenho construído a minha vida, segundo a Palavra do Senhor? Tenho feito minhas opções de vida de acordo com a moral cristã custodiada e ensinada maternalmente pela Igreja? No mundo da idolatria da autonomia, não é fácil a madura atitude de sair de nós mesmos e deixar que o Senhor e sua Igreja nos guiem. Entretanto, este é o caminho do cristão verdadeiro, do católico coerente e maduro! Na segunda leitura de hoje, São Tiago nos exorta com palavras muito claras e diretas, sem deixar margem para ilusões: “Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas! Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos!” Não deveríamos nos enganar com falsos raciocínios, não deveríamos dar ouvidos àqueles – mesmo dentro da Igreja, infelizmente, mesmo padres, infelizmente, mesmo teólogos, infelizmente – que tentam mundanizar o cristianismo para fazê-lo mais atraente. Escutai, caríssimos, a advertência do Senhor: “Vós abandonais os mandamentos de Deus para seguir a tradição dos homens!” Também São Paulo nos previne para que não caiamos nas teias de uma vã filosofia, uma sabedoria segundo o mundo e não segundo o Espírito de Cristo! Nunca esqueçamos: uma vida verdadeiramente cristã exige de nós fidelidade ao Senhor, ruptura com o que é mundano e um coração aberto para os necessitados: “A religião pura e sem mancha diante de Deus: assistir os órfãos e viúvas e não se deixar contaminar pelo mundo!” Estejamos atentos, amados no Senhor, porque o que passa disso vem do Maligno! 
            Supliquemos nesta Santa Missa que o Senhor converta o nosso coração para que nossa vida pessoal e familiar, nossa vida social e profissional seja pautada pelo Evangelho, pela lei de Cristo. Qual será o fruto de uma existência assim? Experimentar a proximidade do Senhor, do Deus vivo e cheio de ternura na nossa existência. Não é isso que diz o próprio Senhor na primeira leitura de hoje? “Qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor nossos Deus, sempre que o invocamos?” Sim! Esta é a verdadeira grandeza nossa, de nossa família, de nossa Pátria! Não simplesmente o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico, mas, antes de tudo e sobre tudo caminhar com o Senhor e experimentá-lo ao nosso lado, sabendo que somos uma sociedade que é aberta para Deus... 
            Certamente, não é nesse caminho que o mundo caminha; não é essa a estrada pela qual a nossa sociedade vai se movendo... mas deve ser essa a nossa direção, esse o nosso rumo. Nunca esqueçamos que somos as primícias de uma nova criação, de um novo mundo, de um modo de viver que seja alternativo, diferente, luz e sal desse mundo sem graça: “de livre vontade o Pai nos gerou pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas!” – Senhor, converte o nosso coração! Dá-nos um coração capaz de te escutar, um coração de carne e não de pedra, um coração para obedecer e te amar! Livra-nos de nós mesmos, Senhor, e faze-nos para o mundo sinais e instrumentos da verdadeira liberdade – aquela que somente tu sabes dar e somente tu podes dar! A ti a glória, ó Deus santo, que vives e reinas com o teu bendito Filho na unidade do Santo Espírito, pelos séculos dos séculos! Amém!
D. Henrique Soares

============----------------==========

PARA A CELEBRAÇAO DA PALAVRA (DIÁCONOS E MINISTROS EXTRAORDINARIOS DA PALAVRA):


LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à COM JESUS, com Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à Senhor, nosso Deus e Pai, Vos louvamos e agradecemos por nos amar e nos dar Jesus como a palavra viva que nos orienta, ensina  transforma.
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à Senhor, nosso Deus e Pai, grande é o vosso amor nos ensinando os caminhos que nos conduzem à felicidade plena  e eterna. Que sejamos atentos aos vossos ensinamentos e que façamos a vossa vontade
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à Senhor, nosso Deus e Pai, Sois imenso e cheio de bondade. Dai-nos o entendimento para que cumpramos os vossos mandamentos e sejamos fiéis na construção de vosso Reino.
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à Senhor, nosso Deus e Pai, que nosso coração seja renovado pelo vosso amor e possamos refletir ao mundo o vosso amor.
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à Senhor, nosso Deus e Pai, que vossas leis sejam luz para nossas ações e possamos viver como irmãos em nossa comunidade.
T: SENHOR, QUE A VOSSA PALAVRA NOS TRANSFORME!
à PAI NOSSO...   A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS.