quinta-feira, 8 de outubro de 2015

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Subsídios para homilias, Homilia dominical, Homilia

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2015 ANO B (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: A liturgia convida-nos a refletir sobre as escolhas que fazemos, a fim de adquirir os valores da vida eterna.
Primeira leitura: convida-nos a adquirir a verdadeira “sabedoria” (que é um dom de Deus).
Evangelho: Jesus convida renunciar às riquezas e a escolher “caminho do Reino” – partilha, solidariedade, doação, amor. É nesse caminho que se encontra a vida eterna.
Segunda leitura: A Palavra de Deus é viva e atuante. Uma vez acolhida, transforma e ajuda a discernir o bem e o mal para chegar à vida plena e definitiva.

7. PRIMEIRA LEITURA (Sb 7,7-11) Leitura do Livro da Sabedoria.
Orei, e foi-me dada a prudência; supliquei, e veio a mim  o espírito da sabedoria. Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos e, em comparação com ela, julguei sem valor a riqueza; a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro do mundo é um punhado de areia e, diante dela, a prata será como a lama. Amei-a mais que a saúde e a beleza e quis possuí-la mais que a luz, pois o esplendor que dela irradia não se apaga. Todos os bens me vieram com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos.

AMBIENTE- O “Livro da Sabedoria” séc. I a.C. por um judeu de Alexandria; elogio da “sabedoria” israelita. O que é esta “sabedoria”? É a capacidade de fazer as escolhas corretas que conduzem à felicidade. Esta “sabedoria” é um dom que Deus oferece a todos os homens. É preciso ter os ouvidos atentos para acolher a “sabedoria” de Deus.

MENSAGEM- Salomão pediu a Deus a “sabedoria”. Há aqui uma alusão ao 1 Re 3,5-15, onde Salomão pediu a Deus “um coração cheio de entendimento para governar o povo, para discernir entre o bem e o mal” (1 Re 3,9); Ela é a “luz” que indica caminhos e que permite discernir as opções corretas a tomar. Ao contrário dos bens terrenos, ela não se extingue nem perde o brilho: é um valor duradouro, que vem de Deus e que conduz o homem ao encontro da felicidade perene. Contudo, a “sabedoria” não afastou este rei dos outros bens… É ela que lhe permite gozar os bens terrenos com maturidade e equilíbrio, sem obsessão e sem cobiça.

ATUALIZAÇÃO
A “sabedoria” é um dom de Deus que o homem deve acolher com humildade. O “sábio”, reconhecendo a sua finitude, se coloca nas mãos de Deus, escuta as suas propostas e aceita os seus desafios.
Há valores passageiros (o dinheiro, o poder, o êxito, a moda, o reconhecimento social…) que não podem ser absolutizados. Eles não são maus, por si próprios; não podemos é deixar que eles nos escravizem.
O autor garante-nos que escolher a “sabedoria” não significa prescindir de valores materiais; trata-se de darmos prioridade àquilo que é realmente importante e que nos assegura a felicidade e de vida plena.

11. EVANGELHO (Mc 10,17-30) Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida – casa, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições – e, no mundo futuro, a vida eterna.”

AMBIENTE- Na perspectiva dos teólogos de Israel, as riquezas são uma bênção de Deus (Dt 28,3-8); mas colocar a confiança e a esperança nos bens materiais envenena o coração do homem, torna-o orgulhoso e autossuficiente e afasta-o de Deus e das suas propostas (Sal 49,7-8; 62,11). Jesus vai retomar a catequese na perspectiva do Reino.

MENSAGEM - O que é necessário fazer para ter a vida imortal? “não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe”. Jesus reconhece a sinceridade; por isso, olha para ele “com simpatia” e convida-o a integrar a comunidade do Reino. Jesus aponta três requisitos:
a) não centrar a própria vida nos bens deste mundo, b) assumir a partilha e a solidariedade, c) seguir o próprio Jesus
O Reino é incompatível com o egoísmo, com a lógica do “ter”, com a obsessão pelos bens deste mundo.
O homem rico que não está preparado para viver no amor, na partilha, na entrega da própria vida aos irmãos. Os bens do mundo impõem ao homem uma lógica de egoísmo, de fechamento, de escravidão que são incompatíveis com a adesão plena ao Reino e aos seus valores. Os discípulos questionam: “quem pode, então, salvar-se?” Jesus apresenta o poder de Deus como maior do que a debilidade humana (“aos homens é impossível, mas não a Deus”. A ação de Deus pode mudar o coração do homem e fazê-lo acolher as exigências do Reino. É preciso, no entanto, que o homem esteja disponível para escutar Deus e para se deixar desafiar por Ele.
Na segunda parte, Pedro recorda que deixaram tudo para o seguir. Jesus confirma a validade desta opção e assegura que o caminho não é de perda, mas é de ganho, mas será sempre incompreendida pelo mundo. Por isso, conhecerão também a perseguição e o sofrimento.

ATUALIZAÇÃO • O que fazer para alcançar a vida eterna? - viver os mandamentos; e assumir os valores do Reino e seguir Jesus no caminho do amor a Deus e da entrega aos irmãos. Isto não é conquista, ou mérito. A vida eterna é sempre um dom gratuito de Deus, fruto da bondade, da misericórdia, do amor pelo homem. Quando o homem vive de acordo com os mandamentos e segue Jesus, está respondendo positivamente à oferta de vida que Deus lhe faz.
• Vida eterna; Deus oferece-nos essa vida já neste mundo; a plenitude só quando nos libertarmos das limitações humanas. A vida eterna atingirá a plenitude na outra vida, no céu.
• Na perspectiva de Jesus, a vida eterna passa pela adesão a esse Reino que Ele veio anunciar. Jesus, com as suas propostas e valores, veio propor aos homens o caminho da vida eterna. Quem quiser “alcançar a vida eterna” tem de olhar para Jesus, aprender com Ele, segui-lo, fazer da própria vida uma escuta atenta das propostas de Deus e um dom de amor aos irmãos. Muitas vezes, a lógica do mundo sugere que a vida do “ter” mais coisas, poder, no reconhecimento social … Nós sabemos que os bens deste mundo, embora nos proporcionem bem estar e segurança, não nos oferecem a vida eterna; essa vida eterna está nesse caminho de amor, de serviço, de dom da vida que Cristo nos ensinou a percorrer.
• A riqueza escraviza o coração do homem, desenvolve o egoísmo e a cobiça, leva o homem à injustiça, à exploração, à desonestidade, ao abuso dos irmãos… se o nosso coração vive obcecado com os bens deste mundo e fechado ao amor, à partilha, à solidariedade, não podemos fazer parte da comunidade do Reino.
• Jesus confirma a validade desse caminho de renúncia: não se trata de um caminho de fracasso, mas de um caminho que realiza as necessidades dos homens que O escolheram. Seguir o “caminho do Reino” é escolher um caminho de vida plena, de realização, de alegria, de felicidade.
• Jesus avisa que o “caminho do Reino” é um caminho que gera o ódio do mundo, perseguições e incompreensões.

9. SEGUNDA LEITURA (Hb 2,9-11) Carta aos Hebreus.
A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e
espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. E não há criatura que possa ocultar se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas.

AMBIENTE - a Carta aos Hebreus é destinada a comunidades desanimadas na prática da fé… O objetivo é estimular a vivência do compromisso. O autor apresenta o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência, fiel e misericordioso que o Pai enviou para aproximar os homens de Deus. O objetivo é levar os crentes a escutar e a Palavra de Jesus.

MENSAGEM- A Palavra de Deus é viva, transformadora e eficaz, que uma vez escutada, entra como uma espada afiada e transforma os seus sentimentos, pensamentos, valores, opções e atitudes.
A Palavra de Deus confronta-se com os desejos, intenções, valores a que o homem dá prioridade na sua relação com Deus, com o mundo e com os outros homens… A Palavra de Deus, mesmo que pareça frágil, é uma força que traz ao homem a vida e a salvação.

ATUALIZAÇÃO •  Valorizar a Palavra de Deus que chega através de Jesus, pois  ela salva e liberta.
• A Palavra de Deus é viva, atuante, eficaz e renovadora. Ela deveria ter um impacto positivo nas nossas vidas, nas nossas famílias, nas nossas comunidades, … No entanto continuamos a escolher valores errados pela inveja, pelo ciúme, pela discórdia, injustiça, violência, exploração, e ódio… É preciso deixarmos que ela nos transforme e se expresse em gestos concretos de vida nova. Sem o nosso “sim”, a Palavra de Deus não nos transforma.
• A Palavra de Deus ajuda-nos a discernir o bem e o mal e a fazer as opções corretas. Que não nos fechemos na autossuficiência; mas é preciso que, com humildade, aceitemos transformarmo-nos, convertermo-nos.
•  É preciso que a Palavra de Deus esteja no centro da nossa experiência de fé. É ela que nos questiona, nos transforma, nos indica caminhos, que nos permite discernir a vontade de Deus a nosso respeito.

  - Jesus aponta o caminho:
      . Desfazer-se dos bens terrenos;
      . Partilhar com os irmãos mais pobres.
      . Seguir Jesus no seu caminho de amor e entrega.
   A riqueza pode ser um obstáculo no caminho do Reino,  quando ela se torna a nossa segurança e não partilhamos com os necessitados.
   O "caminho do Reino dever ser um caminho na solidariedade, no serviço, na partilha, na verdade, no amor e  no dom da vida aos irmãos...

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Saber Escolher

Durante a nossa vida, temos que fazer escolhas.
Há muitas coisas que nos atraem, mas não conseguimos conquistar todas.
Escolher uma significa renunciar às outras.

As leituras desde dia tratam fundamentalmente deste tema sobre a ESCOLHA.

A 1a Leitura fala da escolha feita por SALOMÃO:
Ele preferiu a Sabedoria de Deus a qualquer outro bem. (Sb 7,7-11)

- Recém coroado, o jovem Rei vai ao templo oferecer um sacrifício a Deus.
- Deus, satisfeito, lhe diz: "Pede-me o que queres... e eu te darei..."
- Salomão: "Sou um adolescente... dai-me um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o Bem e o Mal..."
- O pedido agradou a Deus:
   "Já que não pediste nem vida longa, nem riquezas, nem a morte  de teus inimigos, mas sim inteligência para governar meu povo...   vou te dar o que pedes... e também o que não pediste..."

* Salomão escolheu a SABEDORIA como Bem maior, preferível ao poder e às riquezas...

A 2ª Leitura convida-nos a acolher a PALAVRA DE DEUS. (Hb 4,12-13)
"Ela é viva, eficaz e mais penetrante de qualquer espada de dois gumes".
Ela ajuda a discernir o bem e o mal e a fazer a ESCOLHA certa.

No Evangelho, Jesus propõe uma escolha do JOVEM RICO(Mc 10,17-30)

- Jesus está a caminho, ensinando aos discípulos as exigências do Reino e as condições para integrar a comunidade messiânica.
- Um jovem ajoelha-se diante de Jesus e pergunta: "Que devo fazer para conseguir a vida eterna?"

- Inicialmente, Jesus lhe propõe os Mandamentos.

  O Jovem responde que já observa tudo isso... Ele quer algo mais...

 

- Então Jesus o olha com amor, porque de fato praticava... e "queria mais"...
  "Convida-o" a integrar a comunidade do Reino, apontando o caminho:
      . Desfazer-se dos bens terrenos;
      . Partilhar com os irmãos mais pobres.
      . Seguir Jesus no seu caminho de amor e entrega.

A escolha era muito comprometedora: ou segui-lo, "renunciando" a todos os bens, ou ficar com tudo, mas deixando-o.

- Era o "algo mais" que lhe faltava para passar da vivência tradicional da religião, para uma vivência mais generosa. Mas o Jovem prefere a segurança da riqueza e recusa o "convite" de Jesus. Não tem coragem de dar um passo a mais... e RETIRA-SE TRISTE...

- Jesus comenta: "Como é difícil a um rico entrar no Reino de Deus!"

* A reação do Jovem rico evidencia um fato:
   Quanto mais riquezas alguém possui, mais forte se faz sentir a tentação de amarrar o próprio coração aos próprios tesouros, a ponto de se tornarem um obstáculo no caminho do Reino.  O "caminho do Reino" deve ser um caminho a ser percorrido no amor, na solidariedade, no serviço, na partilha, na verdade, no dom da vida aos irmãos...

- E os apóstolos não perderam a oportunidade: 
  "E nós que deixamos tudo?"
- Jesus garante:
  "Vocês terão recompensa em bens e...  perseguições... e a vida eterna..."

Quem é esse Jovem do Evangelho?
Posso ser eu. Pode ser você... São muitas pessoas que observam os Mandamentos e até "desejariam fazer mais"...
Mas quando Deus pede algo mais... elas se retiram tristes, porque estão apegadas a muitas coisas, que amarram o seu coração e impedem de dar esse passo a mais.
Estão satisfeitas apenas com o "mínimo" necessário...
* E nós nos satisfazemos como o mínimo...   ou procuramos oferecer "algo mais"?

Cristo nos dirige ainda hoje o mesmo convite:
"Vai e vende TUDO... dá aos pobres... e depois me segue".

* Todos nós temos alguma coisa para vender... Quais são as "riquezas", de que devemos nos desfazer para esse algo mais e que tornam o nosso coração materializado e insensível às coisas de Deus.

- Será que Cristo nos olha "com amor" porque vê a nossa generosidade?
  ou  nós "nos afastamos tristes" porque não damos esse algo mais?

- Quantos pobres estão à espera de nossa oferta!...
  Pobres da palavra de Deus, de conforto, de entusiasmo, de orientação,  educação... instrução religiosa...

E nesse mês de outubro, dedicado às missões, a Igreja nos lembra que todos devemos nos sentir responsáveis pelas missões.
Devemos distribuir as riquezas espirituais e materiais que possuímos, também aos que ainda vivem na miséria religiosa e social.

Cristo ainda HOJE continua a convidar: "Vai e vende tudo o que tens... e dá aos pobres... e depois vem e segue-me..."
Ele continua nos "olhando com amor"...Ele conta com cada um de nós!...

                                         Pe. Antônio Geraldo
                                        

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Há três anos atrás celebramos o ano da fé. Em outubro de 1962 estávamos fazendo a abertura do Concílio Vaticano II. Vinte e três anos atrás nos era apresentado o Catecismo da Igreja Católica. Uma pessoa me veio perguntar: então, depois do Concílio, mudou o catecismo da Igreja? Não. Não mudou o catecismo, mas a Igreja quis incorporar no catecismo o que o Concílio nos apresentou. Então, houve uma atualização. Então, é por isso que levou trinta anos para se fazer esta atualização, com a colaboração e participação de gente do mundo inteiro. No catecismo, temos aí, uma síntese de tudo aquilo, enquanto católico apostólico romano, professamos. O papa Bento XVI dizia: “é com grande alegria, cinquenta anos, depois da abertura do Concílio Vaticano II, damos início ao ano da fé (que foi celebrado no ano 2012). Tenho o prazer de saudar a todos vós, especialmente sua santidade Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla”.  Este é um ponto que gostaria de chamar a atenção. Normalmente chamamos o Papa de Santidade. Agora, o Papa está chamando Bartolomeu I de Santidade. Como é que é isto? A meu ver, bastante significativo, porque Bento XVI é sucessor de Pedro e Bartolomeu I é sucessor de Paulo. Portanto, os dois são sucessores dos Apóstolos. É por isso que dizemos que somos Católicos apostólicos romanos. Porque seguimos a sucessão Petrina. Enquanto que, o católico apostólico ortodoxo segue a sucessão Paulina e nós formamos uma única Igreja, como dizia o Papa João Paulo II: “assim como o corpo humano tem dois pulmões, a Igreja também respira por dois pulmões. Um, sucessão Petrina, outro, sucessão Paulina. É muito interessante, porque a sucessão Petrina é do Ocidente para o Oriente. Por isso, o sinal da Cruz, que nós fazemos, é da esquerda para a direita. Enquanto a sucessão Paulina é do Oriente para o Ocidente. Portanto, o sinal da Cruz é da direita para a esquerda. É muito interessante, que vivemos em comunhão. Diz o Apocalipse: “as minhas duas testemunhas estarão presentes e expostas até o fim dos tempos”.  Quando se chega à Basílica de São Pedro, de um lado você tem  de um lado a estátua de Pedro e do outro lado a de Paulo. Então, os dois juntos vão nos ajudar a compreender as questões de fé. O concílio quando se abriu, não quis tratar as questões de fé, porque a nossa fé é a mesma desde os Apóstolos, mas quis tratar de maneira eficaz a fé que nós temos. É isso, que o Papa Bento XVI nos pediu, para vermos de que maneira nós vamos aplicar, de maneira eficaz, a fé que nós temos. Meus irmãos e irmãs, isso é muito urgente, porque se você perguntar às pessoas, dificilmente, elas vão dizer; não tenho fé. Todos dizem; creio em Deus, mas ao meu modo. Ora, não existe um modo para cada pessoa crer em Deus. Nós cremos em Deus a partir daquilo que é revelado. Nós podemos crer em Deus a partir da criação, podemos crer em Deus a partir da Palavra de Deus. Entretanto, uma coisa é crer, outra coisa é compreender. Muitas vezes, vamos ver no Evangelho, escrito assim: “e eles não compreendiam o que Jesus falava”.  Eles acreditavam em Jesus. Nós acreditamos em Jesus, mas nem sempre compreendemos aquela Palavra. Quem é que vai nos ajudar a compreender a Palavra? É a Igreja, é a comunidade. Portanto, não é suficiente crer, porque eu crendo, mas não compreendendo, eu não vou praticar. Porque crendo, como vou traduzir isto para o meu dia a dia de minha vida? Ora, é a comunidade que vai me ajudar a confrontar o que a  Palavra de Deus diz com aquilo que eu vivo. É na comunidade que eu vou crescendo na fé, porque eu vou compreendendo aquilo que me é falado. O nosso Bispo D. Nelson Westrup utilizou uma frase que é muito significativa, que nós vamos daqui a pouco recitá-la. “Gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. Quem compreende o que é consubstancial ao Pai? então, eu digo que eu creio, mas não compreendo. Então, aí, a fé se torna um tanto frágil. Por isso, a Igreja tem que fazer um grande esforço para compreendermos o significado do Pai Nosso, o símbolo Niceno
Constantinopolitano, que é o Credo, uma série de coisas que nós cremos, mas nem sempre compreendemos.
O Evangelho de hoje é bastante pertinente, nesta reflexão de nossa fé. Primeiro, diz que Jesus saiu a caminhar. Jesus está sempre caminhando no Evangelho. O que significa para quem quer ser cristão, discípulo de Jesus Cristo, tem que estar disposto a caminhar. Nesta caminhada Jesus se encontra com alguém, que eu chamo de fulano, porque nos outros Evangelhos; Lucas, Mateus, vão dizer que ele é um jovem, mas no Evangelho de Marcos, não. O Evangelho de Marcos vai dizer que desde toda juventude ele já observava as leis de Deus. Portanto, supõe-se que não seja mais jovem. Ele começa o encontro com Jesus, elogiando Jesus. E, é característica, quando eu te faço um elogio, a educação me convida a retribuir o elogio. Isto é uma questão de educação. Ele começa dizendo: “Bom mestre, que devo fazer par ter a vida eterna?”.  Jesus corta, logo de cara, como se diz no popular: “vamos parar com rasgação de seda. O único bom é Deus. Não vem me bajulando”. Bom, é o primeiro ponto; que devo fazer para ganhar a vida eterna? É muito interessante, que ele vivia os mandamentos de Deus, desde a juventude, mas ainda não estava feliz. Ainda não tinha encontrado a convicção sobre a vida eterna. Ainda está em busca. Diante da Palavra de Deus, diz a  segunda leitura de hoje, ninguém fica sem estar exposto. A Palavra de Deus é tão penetrante, que ela revela tudo que tem no coração de cada pessoa. Portanto, como Jesus é a Palavra de Deus, Ele acaba se expondo. É tão interessante observar; ele esperava de Jesus um elogio, imagina, não se preocupe com isto, siga a bíblia, a lei de Deus. Está tudo maravilhoso, está tudo perfeito. Só que, quando estivermos “tudo perfeito”, não temos mais que caminhar. Então, Jesus diz: Olha, eu te peço somente uma coisa. Vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e depois vem e me segue. E, ele saiu muito triste. Por que? Porque ele não conseguiu se desvencilhar das coisas que o impediam de acompanhar Jesus. Veja que Jesus não humilhou o rapaz, não humilhou aquele fulano. Não. Ele olha com amor. Só que ele não foi capaz de seguir Jesus. Aqui há algo importante para observar: “quem não deixar pai, mae, campo, irmão, irmã, não é digno de mim”. Falta alguém aí. Ele não diz; quem não deixar esposa, marido, para me seguir não é digno de mim. Por que? Bom, Evangelho do domingo passado: o que Deus uniu, o homem não separe. Porque o casal já tem um propósito na vida: construir o Reino na família. Enquanto, quem não constituiu família pode, quem sabe, construir o Reino de outra forma. Então, isto pode ser um grande chamado a pensarmos a vocação, sobretudo os solteiros e solteiras, porque é possível construir o reino de Deus como marido e mulher, mas também é possível você deixar tudo para construir o Reino de Deus não constituindo família. De qualquer maneira, Pedro,  que sempre representa a comunidade, vai dizer: nós deixamos tudo, e aí? Jesus vai dizer: quem deixou pai, mãe, casa, vai receber cem vezes mais, com perseguição. Jesus não quer ninguém acomodado.  Quem está atrás de Jesus para encontrar conforto,  está no endereço errado. Ele sempre avisa isto. Portanto, quem prega outra coisa, não prega o Evangelho de Jesus Cristo. Ele sempre avisa: você vai ter tudo, com perseguição. Porque, de fato, a fé exige de nós um testemunho. O testemunho é muito importante. É muito interessante o que disse o Papa Bento XVI: “Quem tem fé, tem que ter caridade. A fé sem caridade não dá fruto e a caridade sem fé estaria a mercê da dúvida. A medida em que eu pratico a caridade é na medida que eu começo a encontrar os obstáculos”. Experimente fazer o bem e você vai ver sempre alguém falando mal de você. Sempre. Por que? Porque a caridade incomoda as pessoas. Valeria, aqui, retomar uma frase que D. Nelson disse: “Quando é que nós recebemos a fé? No dia de nosso Batismo. O representante da Igreja; o presbítero, o diácono, o ministro extraordinário do Batismo, pergunta: o que você deseja? A gente não diz o Batismo. Agente diz: A FÉ. O Batismo nos trás a fé. Batismo não é meramente um rito, mas é uma porta de entrada para a fé. Depois, na caminhada vai-se compreendendo esta fé. Precisamos sempre retomar a nossa fé e sempre ir aprofundando cada vez mais, para ir compreendendo cada vez mais e sempre poder celebrá-la. Que Deus nos ajude a viver o convite que nos foi feito. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André – SP.


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Homilia de D. Henrique Soares

Caríssimos, antes de mais nada, fixemos nosso olhar em Jesus nosso Senhor: ele é a Sabedoria de Deus, como diz São Paulo (cf. 1Cor 1,24.30). Ele é aquela de que fala a primeira leitura de hoje. Sim, caríssimos no Senhor: encontrar Jesus vale mais que os cetros e tronos; em comparação com essa bendita Sabedoria, saída do Pai no ventre da Virgem, as riquezas são sem valor porque ela é a grande riqueza de nossa existência.
Por isso, vale a pena amar nosso Jesus, Sabedoria de Deus, mais que a saúde e a beleza; vale a pena possuí-lo mais que a luz, pois o esplendor que ele irradia não se apaga. – Sim, Senhor bendito, os que te amam brilham como o sol, como o sol ao amanhecer! Tu és a luz do mundo, o esplendor do Pai, a luz de nossos olhos, a Sabedoria que dá sentido à nossa vida! Contigo todos os bens desta vida nos são dados; sem ti nada é verdadeiramente bom, nada durável, nada encherá verdadeiramente o nosso coração! Bendito seja tu, Senhor Jesus, Sabedoria eterna, saída da boca do Pai para dar luz e sentido ao universo!
Jesus é também a Palavra do Pai, Palavra viva, definitiva, eterna. A Palavra de Deus, caríssimos, não é primeiramente a Bíblia. A Palavra de Deus por excelência é Jesus: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por ela e sem ela nada foi feito de tudo quanto existe. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1,1-2.14) Eis, portanto: a Bíblia somente é a Palavra de Deus porque dá testemunho de Jesus – e não de qualquer Jesus, mas do Jesus crido, adorado, testemunhado e enunciado pela Igreja católica, fundada pelo próprio Cristo e por ele sustentada na sua Palavra pela força do Espírito Santo da Verdade, que conduz sempre a Igreja à verdade plena! Fora disso, a Bíblia já não é Palavra de Deus, mas confusão e caminho para o erro! Eis! Voltemos o olhar para Cristo: Ele é “a Palavra de Deus, viva e eficaz e mais cortante que qualquer espada de dois gumes. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração”. Isso nós sabemos, irmãos; isso experimentamos, quando tantas vezes somos questionados pelo Senhor Jesus, que penetra até o íntimo de nós, com sua verdade, com sua exigência, com os projetos que tem a nosso respeito. Cristo é esta Palavra viva e definitiva de Deus: “E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas”. Por isso mesmo, o Senhor é o critério de nossa existência: quem nele crê tem a vida; quem não crê não conhecerá nunca o verdadeiro e pleno sentido da vida! – Bendito sejas tu, Senhor Jesus, Palavra e Verdade do Pai! Dá-nos a graça de vivermos em ti, de compreendermos que tu és a nossa vida e que somente em ti nossa existência será realmente plena de sentido e atingirá o fim para que fomos criados. A ti a glória, ó Cristo, Sabedoria e Palavra do Pai! A ti nosso amor, nossa adoração, nossa ilimitada entrega e confiança, a ti a nossa vida toda inteira, ó Cristo nosso Deus!
Agora, amados em Cristo, podemos compreender o Evangelho deste hoje. Pensemos bem: A pergunta que este alguém faz a Jesus, não é aquela mesma que nós tantas vezes fazemos? Não é a pergunta definitiva da nossa existência? “Bom Mestre, que devo fazer de bom para ganhar a vida eterna?” – Eis Senhor, qual dos caminhos da vida seguir? Qual me levará para mais longe ou para mais perto de ti? Dize-me, Mestre Bom!
A resposta de Jesus surpreende: “Por que me chamas de bom? Só Deus é o Bom!” É verdade: só o Pai é o Bom, é a fonte eterna de toda bondade, como só o Pai é o Santo, e a fonte de toda Santidade. E, no entanto, o próprio Senhor afirma: “Tudo que o Pai tem é meu. Eu e o Pai somos um. Quem me vê, vê o Pai!” Por isso mesmo, sem medo, podemos dizer todos os domingos: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus Pai!” Sim, meus caros, Jesus é Bom porque vem do Pai, porque tudo recebeu do Pai e participa plenamente da plenitude de plena bondade que é o Pai! Mas, “tu conheces os mandamentos!” – Jesus é prático, meus caros: indica ao alguém que vem a ele os mandamentos; e notem bem: os mandamentos da segunda tábua, aqueles que falam do amor e do respeito pelo próximo! Vede, amados no Senhor, como o seguimento a Jesus exige atitudes muito concretas na nossa vida! Aquele lá, que buscava a vida respondeu feliz: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude!” Meus irmãos, nessa resposta há uma coisa boa e outra ruim. A coisa boa é que este homem é realmente observante da Lei de Deus; a coisa ruim é que ele parece satisfeito consigo mesmo; prece que, para ele, a religião consiste em fazer, em observar normas. Pronto. Fazendo isso, tudo bem! Notai, caríssimos, que também aquele fariseu que rezava no Templo estava satisfeito porque cumpria todos os preceitos; e os cumpria mais da conta! Ah, meus irmãos, que para o Senhor isso não basta! O Senhor é exigente, o Senhor olha o coração, o Senhor, Palavra “tão penetrante como espada de dois gumes”, quer saber de nossas intenções e não se contenta com nada menos que nosso coração e nossa vida! “Jesus olhou para ele com amor, e disse: ‘Só uma coisa te falta: vai, vende tudo que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Meus irmãos, como Jesus é bonito, como é sábio, como é exigente, como vai direto ao ponto! Primeiro, vede como olha aquele lá: com amor, com aquele amor eterno com que nos amou e reservou para nós o seu amor! Nunca esqueçamos: suas exigências são exigências de amor! Na verdade, o Senhor deseja fazer aquele homem passar de uma religião de simples fazer coisas e cumprir preceitos para uma religião de amar de verdade: “Vai, vende tudo que és, moço! Vai, deixa-te a ti mesmo; larga essa preocupação contigo! Deixa-te vendendo tudo; abre-te para os outros, repartindo teus bens e teu amor e, depois, estarás pronto de verdade para experimentar o quanto eu sou o Bom: “Vem e segue-me!” Tu me chamaste de Bom sem saber o que isso queria dizer… Vem comigo, deixa tudo por mim e verás de verdade que eu sou o Bom, o teu Bem, todo Bem, o sumo Bem! Será livre, mocinho; encontrarás a vida em abundância! Deixa-te por mim e tu me encontrarás e, encontrando-me, encontrarás a própria vida!
Mas, não! Esse risco aquele lá não queria correr. Queria uma religião arrumadinha, que lhe oferecesse garantias; uma religiãozinha burguesa, na qual se sirva a Deus para servir-se de Deus… Arriscar tudo por esse Mestre de Nazaré? Deixar e deixar-se? Era demais! “Quando ele ouviu isso, ficou abatido, foi embora cheio de tristeza porque era muito rico”. Vede, meus irmãos, como nós somos! Vede qual a nossa tentação! Esse homem era rico de bens materiais, rico de apego a si próprio, rico de se buscar a si mesmo, mas pobre de amor a Deus e pobre de generosidade para com os outros; pobre de sonhos, pobre de ideal, pobre de generosidade, pobre de grandeza interior… Ele queria ser aquilo que Cristo abomina: um cristão burguês, acomodado na vidinha medíocre, de fácil moral e fáceis compromissos… cristãos que rastejam como vermes quando deveriam voar alto como as águias…
Daí a dura constatação de Jesus: “Como é difícil para os riscos entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!’ A palavra é clara: é mais fácil um camelo passar pela agulha fininha, que um rico entrar no Reino. E por quê? Porque a riqueza – seja qual for ela – tende a nos apegar, a nos fechar, a nos fazer pensar que nos bastamos! Somente quem for pobre de coração pode entrar no Reino, pois só quem é pobre deixa que Deus reine de verdade na sua vida! E como é difícil para nós, tão fáceis de sermos iludidos, compreender isso! Desapeguemo-nos, caríssimos, de nós mesmos; deixemo-nos para poder encontrar a vida verdadeira. Nunca será digno de Jesus quem não tiver a coragem de tudo deixar por Jesus: “Quem tiver deixado tudo por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida, com perseguições e, no futuro, a vida eterna”. = se deixar para receber, não deixou nada; se deixar para receber nunca amou, não compreendeu a Palavra!
Os apóstolos não compreenderam isso – como também muitas vezes nós não compreendemos e não compreendem de modo algum aqueles que falam em seguir Jesus só para ter lucro. Basta ver na televisão, os falsos pregadores, de falsos evangelhos, que não passam da velhice pecaminosa disfarçada. Basta pensar na maldita teologia da prosperidade: “serve a Deus e ficarás rico!” Caros, quem deixa para receber, nada deixou; quem deixa esperando recompensas, nunca amou; quem segue o Senhor pensando em pagamentos, nunca compreendeu a Palavra! – Senhor, Sabedoria e Palavra do Pai, nosso tudo e nossa vida, só tu és nosso caminho, só tu, nosso destino, só tu nossa eterna recompensa. Nada nos falta se temos a ti! A ti a glória. Amém.
 D. Henrique Soares da Costa
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra)

Louvor: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)        -                                                      Mc 10, 17-30
O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor nosso Deus:
à Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao Pai:
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
àSenhor, sois nosso Deus e somos vosso povo. Nós vos agradecemos por tudo que nos destes. Agradecemos pela vida, pelo batismo, pela família, parentes e amigos. Agradecemos pela saúde, pelos nossos alimentos, pela fé, pelos ensinamentos e pelos bens que nos destes.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
à Ó Pai, ajudai-nos a valorizar a vossa Sabedoria, a vossa Palavra que nos edifica e fortalece. Em nosso mundo ouvimos propostas de poder, glória e riqueza... Que nossos ouvidos se abram para que a vossa Palavra penetre em nossos corações e sejamos transformados.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
à Ó Deus, obrigado por nos enviar vosso Filho Jesus Cristo, para nos instruir com a Palavra que nos conduz ao Vosso Reino. Pai, ajudai-nos a sermos menos egoístas, termos menos apego aos bens terrenos e valorizarmos mais a Sabedoria que nos dá um tesouro no céu.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
àSenhor, que a Sabedoria ensinada por vosso Filho nos transforme e nos edifique. Ajudai-nos a seguir os passos de Jesus na doação e carinho para com todos.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
- PAI NOSSO...Oração da Paz... Eis o Cordeiro...
 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

27º DOMINGO DO T. COMUM ANO B 2015, XXVII Domingo do Tempo Comum, Subsídios dominicais, Homilias

27º DOMINGO DO T. COMUM ANO B 2015 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

Tema: “Teu amor faz maravilhas!” Deus sonha com uma comunidade de amor indissolúvel a começar pela família.
Primeira leitura: Deus criou o homem e a mulher para se completarem, se ajudarem e se amarem.
No Evangelho, Jesus reafirma o projeto ideal de Deus; o homem e a mulher unidos pelo amor se tornam inseparáveis. O que Deus une, Ele não separa.
Segunda leitura: O Filho de Deus dá a sua vida por nós. Ele nos mostra que a verdadeira felicidade só se dá nos projetos de Deus.

PRIMEIRA LEITURA (Gn 2,18-24) Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. ...E Adão deu nome a todos os animais...; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão...., tirou-lhe uma das costelas e ...da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. E Adão exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.

AMBIENTE - Texto do séc. X a.C., época de Salomão. A finalidade do autor não é científica ou histórica, mas teológica: quer ensinar que na origem da vida está Jahwéh. O homem não estava realizado, pois faltava-lhe alguém com quem compartilhar a vida e a felicidade. O homem não foi criado para viver sozinho, mas para viver em relação.

MENSAGEM - No “jardim” da felicidade, Deus fez desfilar “todos os animais”, a fim de que o homem os chamasse “pelos seus nomes”. O fato de “dar um nome” era um ato de domínio e de posse. Era a autonomia do homem à obra criadora. O homem não encontrou aí o complemento que esperava. A nova ação de Deus começa com um “sono profundo” do homem. Tirou parte do corpo do homem e com ela fez a mulher. “Sono profundo” porque criar é segredo de Deus. Depois de ter “construído” a mulher, Jahwéh acompanha-a à presença do homem. A mulher é aqui apresentada como uma noiva conduzida à presença do noivo e Deus como o “padrinho” desse noivado. O homem, despertado do “sono”, acolhe a mulher com um grito de alegria: na Bíblia a primeira fala do homem é um poema de amor; “Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne”. O homem dá à sua companheira o nome de “mulher”. O catequista termina afirmando: “por isso, o homem deixará pai e mãe para se  unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne” . Para o catequista jahwista, o amor vem de Deus, que fez o homem e a mulher de uma só carne; por isso, homem e mulher buscam essa unidade e estão destinados a viver em comunhão um com o outro.

ATUALIZAÇÃO - “Não é bom que o homem esteja só”; realização plena do homem acontece na relação e não na solidão. O homem que vive fechado em si próprio é um homem infeliz; a vocação do homem é o amor; a solidão, mesmo na abundância de bens, é um caminho de infelicidade.
♦ Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. É no amor e não na solidão que o homem encontra a sua realização plena e o sentido para a sua existência.
Homem e mulher são iguais em dignidade, completam se e ajudam-se na realização.

10. EVANGELHO (Mc10, 2-16) ... Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido divorciar-se de sua mulher. Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” Os fariseus responderam: “Moisés permitiu uma certidão de divórcio e despedi-la”. Jesus disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” Em casa... Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério...”. Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.

AMBIENTE - A Lei de Israel permitia o divórcio, mas as razões não eram claras. Uma resposta negativa de Jesus seria interpretada como condenação do matrimônio de Herodes Antipas com Herodíades, a sua cunhada.

MENSAGEM - Diante da questão, Jesus recordar-lhes que a Lei permite o divórcio; contudo, essa Lei não resulta do projeto de Deus, mas é o resultado da “dureza do coração” dos homens. Em contraste com a permissividade da Lei, Jesus vai apresentar o projeto primordial de Deus para o amor do homem e da mulher. Citando Gn 1,27 e Gn 2,24, Jesus explica que, no projeto original de Deus, o homem e a mulher foram criados um para o outro, para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão “uma só carne”. Ser “uma só carne” implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro. A separação será sempre o fracasso do amor; pois Deus não considera um amor que não seja total e duradouro.  Para Jesus, chegou o momento de abandonar a facilidade, a mesquinhez. Ora, o patamar mais alto é o projeto inicial de Deus, que previa um compromisso de amor estável, duradouro, indissolúvel.
Jesus reitera que a relação entre o homem e a mulher se deve enquadrar no projeto inicial de Deus e não nas facilidades concedidas pela Lei de Moisés. A perspectiva de Deus é que marido e mulher, unidos pelo amor, formem uma comunidade de vida estável e indissolúvel. O divórcio não entra nesse projeto.
O texto termina com uma cena em que Jesus acolhe as crianças, defende-as e abençoa-as. As crianças são simples, transparentes; não têm prestígio ou privilégios a defender; entregam-se nos braços do pai e dele esperam tudo, com amor. Por isso são o modelo do discípulo. O Reino de Deus é daqueles que vivem com sinceridade e verdade, sem se preocuparem com a defesa dos seus interesses egoístas, acolhendo as propostas de Deus com simplicidade e amor. Quem não é “criança”, quem não renuncia ao orgulho e autossuficiência, quem despreza a lógica de Deus e só conta com a lógica do mundo (também na questão do divórcio), quem conduz a vida nos interesses efêmeros, não pode integrar comunidade do Reino.
ATUALIZAÇÃO  ♦ Deus apresenta-nos o projeto ideal: o casal é convidado a viver em comunhão total, partilhando a vida um com o outro. O amor do homem e da mulher deve ser reflexo do amor de Deus pelos homens.
Para os cristãos, o fracasso do amor não é uma normalidade. Marido e esposa têm que esforçar-se por realizar a sua vocação de amor, apesar das dificuldades.
 A vida está cheia de fracassos. A comunidade cristã deve usar de compreensão para aqueles que falharam no seu projeto de amor. A comunidade deve acolher, integrar, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o tal projeto ideal de Deus. Não se trata de renunciar ao “ideal” que Deus propõe; trata-se de testemunhar a bondade e a misericórdia de Deus.
♦As crianças convidam-nos à simplicidade, à humildade, à sinceridade, ao acolhimento humilde dos dons de Deus. A dinâmica do Reino exige pessoas dispostas a acolher, escutar e a servir os irmãos com humildade e simplicidade.

8. SEGUNDA LEITURA (Hb 2,9-11) Leitura da Carta aos Hebreus.
Irmãos: Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos.

AMBIENTE - A Carta aos Hebreus apresenta  o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência. O objetivo do autor é estimular a vivência do compromisso cristão e levar os crentes a crescer na fé. Ao longo destes dois capítulos, vai afirmando a superioridade de Jesus em relação a todas as criaturas, nomeadamente em relação aos anjos.
MENSAGEM - Jesus aceitou despojar-se das suas prerrogativas divinas e fazer-se “por um pouco, inferior aos anjos” a fim de que, pelo dom da sua vida até à morte, se cumprisse o projeto salvador do Pai para os homens. A questão da paixão e morte de Cristo era uma “conveniência” do projeto de salvação que Deus tinha para o homem. O objetivo de Deus é que o homem cresça até chegar à vida plena. Ora, para fazer com que a humanidade atinja esse fim, Deus deu-lhe um guia – Jesus Cristo. Ele devia mostrar, com a sua vida e o seu exemplo, que se chega à plenitude da vida cumprindo integralmente a vontade do Pai e fazendo da existência um dom de amor aos irmãos. A cruz foi a expressão máxima e total dessa vida de entrega aos desígnios de Deus e de doação aos irmãos. Morrendo por amor, Jesus ensinou aos homens como é que eles devem viver, qual caminho devem percorrer, a fim de chegarem à plenitude da vida; morrendo por amor e ressuscitando para a vida plena, Jesus libertou os homens do medo da morte e mostrou-lhes que a morte não é o fim da linha para quem vive na entrega a Deus e na doação aos irmãos. Ao fazer-Se irmão dos homens, Cristo inseriu os homens na órbita de Deus e mostrou-lhes o caminho para integrar a família de Deus.
ATUALIZAÇÃO ♦A incarnação, paixão e morte de Jesus atestam o amor de Deus pelos homens.  Deus enviou o próprio Filho a fim de mostrar aos homens o caminho da vida plena e definitiva.
A aceitação do projeto do Pai assumido por Cristo contrasta com o egoísmo e a autossuficiência de Adão face às propostas de Deus. A obediência de Cristo trouxe vida plena ao homem; a desobediência de Adão trouxe sofrimento e morte à humanidade. Quando o homem prescinde de Deus e das suas propostas e decide que é ele quem define o caminho a seguir, fatalmente resvala para projetos de ambição, de orgulho, de injustiça, de morte; quando o homem escuta e acolhe os desafios de Deus, aprende a amar, a partilhar, a servir, a perdoar e torna-se uma fonte de bênção para todos que caminham ao seu lado.
Jesus mostrou que a morte não é o final do caminho para quem faz da vida uma escuta atenta dos planos de Deus e uma doação de amor aos irmãos. Dessa forma, Ele libertou os homens do medo da morte.

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À ESCUTA DA PALAVRA.
Jesus Vai ao “princípio da criação”, à vontade primeira de Deus. Ora, esta vontade é que os seres humanos se tornem “imagens de Deus”, no amor recíproco. O amor humano É dom de Deus.

1) A Origem da vida e do homem está em Deus...

2) A solidão  - ADÃO, apesar de possuir o domínio sobre todas as criaturas, não está realizado. Sente SOLIDÃO.
É na partilha de suas vidas no amor, que o homem encontra  a realização plena de sua existência.


A 2ª Leitura lembra a "qualidade" do amor de Deus pelos homens. (Hb 2,9-11)
 O Filho solidarizou-se com os homens, partilhou a debilidade deles e aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a verdadeira vida está no amor,  e na obediência aos projetos de Deus.


O divórcio e a poligamia não fazem parte do projeto de Deus. O Matrimônio Não é uma norma da Igreja, é Plano de Deus, reafirmado por Cristo.

+ O texto finaliza com As mães levam seus filhos até Jesus para que os abençoe.

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Homilia de d. Henrique (sinopse)
 Deus, à medida que vai criando, vê que tudo é bom… Ao criar o ser humano, vê que “era muito bom” (Gn 1,31). Mas, há algo na criação que o Senhor Deus viu que não era bom: “Não é bom que o homem esteja só”. a primeira vez que o homem falou, na Bíblia! E sua palavra foi uma declaração de amor… não a Deus, mas à mulher que o Senhor Deus lhe dera de presente: osso de meus ossos, carne de minha carne…
Já aqui há três observações a serem feitas: (a) o laço de amor entre o homem e a mulher é superior a qualquer outro laço, inclusive aquele que liga pais e filhos: o homem e a mulher deixarão pai e mãe para ir ao encontro de sua esposa, de seu esposo.
 (b) Esta união, no sonho original de Deus, envolve a pessoa toda, corpo e alma: “serão uma só carne
 (c) A relação matrimonial, no sonho de Deus, é uma relação entre um homem e uma mulher. Por isso mesmo, jamais os cristãos poderão equiparar a união entre homossexuais ao matrimônio! O respeito às pessoas homossexuais é dever de todos nós; Eles têm o direito de dar o rumo que acharem justo às suas vidas. Mas, equiparar a relação matrimonial a qualquer outra relação afetiva, sobretudo homossexual, nunca! Por fidelidade a Cristo, nunca!
A família, para nós, não é uma realidade simplesmente natural, mas tem sua raiz no próprio plano de Deus.
O problema é que nossa sociedade já não é cristã; é pagã e pensa e age como pagã; age como se Deus não existisse… Nossa sociedade acha que o homem é a medida de todas as coisas, o senhor do bem e do mal, do certo e do errado.
Já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” É uma palavra que parece dura, e os próprios discípulos tiveram dificuldades em compreender… como muitíssimos a têm hoje em dia. Jesus veio para reconduzir este mundo ferido pelo pecado ao plano original de Deus. Na perspectiva de Jesus, o divórcio é contrário ao plano de Deus para o amor humano! Aqui é preciso deixar claro que a Igreja não tem autoridade para ensinar ou fazer diferente! Seria trair o Senhor!
Amor não é só sentimento que nasce e morre de repente: O amor pode e deve ser cultivado, cuidado. Como dizia São João da Cruz: “Onde não há amor, semeia amor e colherás amor”. A grande ilusão do mundo atual é pensar que o amor se reduz a sentimento, que não precisa ser cuidado nem cultivado! Confunde-se amor com paixão!
As dificuldades conjugais, para o cristão, têm o nome de cruz, cruz que, assumida com amor e por amor, é transformada em alegria e plenitude de ressurreição. A presença de Cristo na união conjugal não exclui as crises, as dificuldades, a incompatibilidade de temperamentos e até mesmo os erros na escolha do cônjuge! Mas tudo isso pode se tornar, em Cristo caminho de felicidade!
(3) E os nossos irmãos e irmãs que fracassaram na aliança conjugal! Compete-nos respeitá-los e acolhê-los com espírito fraterno. Isto, no entanto, não significa aprovação da separação. Mas, simplesmente, respeito pela consciência e pelo mistério da vida e das opções de cada irmão e de cada irmã.
Não esqueçamos que a primeira coisa que o Messias quis santificar foi um lar. O primeiro milagre que Jesus fez foi
A Missão dos pais é repetir o gesto das mães israelitas: levar seus filhos a Jesus, para que, abençoados por Ele e crescendo na sua escola, conservem a inocência e sejam um dia recebidos no reino dos Céus, preparado para eles.
O Documento de Aparecida diz: “Cremos que a família é imagem de Deus que em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família. Na comunhão de amor das Três Pessoas Divinas, nossas famílias têm sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e seu último destino” (434).
A família é um dos tesouros mais importantes dos povos. “O futuro da humanidade passa pela família” (Beato João Paulo II).

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A Família que Deus quer

Vivemos num tempo em que os Valores da família são por muitos ignorados ou esquecidos.

As leituras falam da dignidade do Matrimônio cristão,dentro do maravilhoso PLANO DE DEUS...

A 1a leitura apresenta Deus criando o Homem e a Mulher, para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. (Gn 2,18-24)
uma CATEQUESE:

1) A Origem da vida e do homem está em Deus...

2) A solidão é uma experiência terrível para a pessoa humana.
- ADÃO, apesar de possuir o domínio sobre todas as criaturas, não está plenamente realizado. Sente profunda SOLIDÃO. Falta-lhe alguém com quem compartilhar a vida e a felicidade.
- DEUS preenche sua solidão, criando então a mulher,  dotada da mesma natureza e da mesma dignidade.
É na partilha de suas vidas no amor, que o homem encontra  a realização plena de sua existência.

3) Homem e mulher são iguais em dignidade.
Eles são "da mesma carne", partícipes do mesmo destino. Completam-se um ao outro e juntos complementam a obra do Criador. Esta realidade exige que homem e mulher se respeitem e exclui qualquer atitude egoísta de dominação.

4) Unidade: "Se tornarão uma só carne" = uma só pessoa...
Uma fusão não apenas dos corpos, mas na sua totalidade: corpo e alma: com seus projetos, seus sentimentos, seus ideais, suas tendências, suas esperanças, suas amizades... SUA FÉ...

A 2ª Leitura lembra a "qualidade" do amor de Deus pelos homens. (Hb 2,9-11)

Deus amou tanto os homens, que enviou ao mundo o seu Filho único. O Filho solidarizou-se com os homens, partilhou a debilidade deles e aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a verdadeira vida está no amor, que se dá até às últimas conseqüências.

* O casal cristão deve também testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.

No Evangelho, Jesus é perguntado sobre o DIVÓRCIO permitido pela lei de Moisés em certos casos, para proteger a mulher das arbitrariedades do marido. (Mc 10,2-6)

- Cristo responde: Moisés permitiu por causa da dureza do vosso coração…
  Mas desde o começo da Criação, Deus os fez homem e mulher.   Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne...  Portanto, o que Deus uniu o homem não separe”. 
 
- Diante da posição do Mestre, os discípulos ficam perplexos... - E Jesus conclui:

   "Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério"


* O Evangelho nos apresenta o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher que se amam:  eles são convidados a viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. 
O amor de um homem e de uma mulher que se comprometem diante de Deus e da sociedade deve ser um amor eterno e indestrutível, que é reflexo desse amor que Deus tem pelos homens.

O divórcio e a poligamia não fazem parte do projeto de Deus.
Jesus reafirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio e condena o divórcio e a poligamia.
- Numa época, em que muitos procuram destruir ou desfigurar a família, é urgente proclamar o Plano de Deus sobre o Matrimônio e a Família.
Não é uma norma da Igreja, é Plano de Deus, reafirmado por Cristo.

+ O texto finaliza com uma referência às CRIANÇAS,  as maiores vítimas de uma família fragmentada:

- As mães levam seus filhos até Jesus para que os abençoe.
- Os apóstolos impacientes tentam impedir…
- JESUS: "Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais,   porque o Reino de Deus é dos que são como elas…
   Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos".

* Os esposos não podem pensar só em si mesmos, esquecendo os filhos…
A Missão dos pais é repetir o gesto das mães israelitas: levar seus filhos a Jesus, para que, abençoadas por ele e
crescendo na sua escola, conservem a inocência e sejam um dia recebidas no reino dos céus, preparado para elas.

+ Nossa atitude para com os divorciados:        
- Acolher, integrar, compreender e ajudar aqueles a quem  as circunstâncias da vida impediram de viver o projeto ideal de Deus.
- Sem renunciar ao "ideal", que Deus propõe e Jesus reafirma no Evangelho.

A felicidade de uma família só existe quando há COMUNHÃO: - entre os esposos  - com os filhos e  - também com Deus



                               P. Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, somos convidados neste final de semana a contemplar as nossas famílias. A importância dos pais, das mães, dos filhos. A importância do esposo, da esposa. Exatamente porque o primeiro capítulo do livro do Gênesis e depois o segundo, parte dele também, onde nós temos aí o desejo de Deus. Deus convoca, na sua obra criadora, a humanidade para que seja sua imagem e semelhança. Esta é a nossa grande vocação; sermos a imagem e semelhança de Deus. Para sermos imagem e semelhança de Deus, nós somos convocados a promover o amor no mundo. Promover a justiça no mundo e promover a paz no mundo. Ora, depois de uma longa caminhada no Antigo Testamento, nós, a partir de Jesus, aprendemos que Deus se apresenta como Três Pessoas distintas; o Pai, o Filho e o Espírito Santo. De tal maneira, que contemplando cada uma destas Pessoas, eu tenho opção, de a partir de minha vida, responder a opção de Deus. Alguns contemplam o Deus Pai e diz: esta é a imagem que eu quero promover no mundo. Bom, lá está mundo claro; a imagem de Deus Ele fez homem e mulher e nos criou. Então, a imagem do Deus Criador deve ser o homem e a mulher. Portanto, é o matrimônio. Através do casamento, eu vou transmitir ao mundo o amor de Deus. É muito interessante, porque a união do homem e da mulher sempre está em crise. Sempre. Por que? Porque a convivência das pessoas no trabalho, na escola, na comunidade já é tensa e imagina uma convivência diária! E, uma convivência que se propõe a ir até o final da vida. Muito mais complicado ainda. Entretanto, é um desafio a ser superado. O homem e a mulher deve, de fato, entrar numa profunda comunhão, como Deus Pai estabelece uma comunhão com o Deus Filho e o Deus Espírito Santo. Agora, a competição às vezes acontece; lá, no segundo capítulo do livro do Gênesis vai dizer: ninguém vai se dar ao luxo de falar eu sou melhor do que você; porque um é o osso do osso do outro. Carne da carne do outro. “Agora sim, eis aqui alguém que é osso dos meus ossos e carne da minha carne”. Portanto, a natureza nos apresente gêneros diferentes; homem e mulher, mas na mesma dignidade. Isto precisamos nos lembrar todos os dias. Por que? Porque a tendência é um querer se impor sobre o outro. Não, porque é marido e mulher. É porque o ser humano é assim. O ser humano é desse jeito. Em determinada época os homens vão se prevalecer, em determinada época as mulheres vão se prevalecer. É o ciclo. Vamos sempre nos lembrar: “osso dos meus ossos, carne da minha carne”.  De tal maneira, que tirando uma costela, nos diz Carlos Mesters: “ a mulher não é mais inteligente que o homem, porque não saiu o osso do cérebro. A mulher não é mais trabalhadora do que o homem, porque não saiu dos pés, nem das pernas; é das costelas para serem parceiros”.  Quando agente abraça uma pessoa, agente une a costela de um com o outro; parceiros. Só, que nem sempre foi assim. Teve uma época que os homens acharam o seguinte: e se eu me enjoar da mulher? Então, puseram, lá, como sendo Moisés o autor da lei: enjoou pode mandar embora. Faz-se uma carta de divórcio e pode mandar embora. Mas, se a mulher enjoar do homem? Ah, não! A mulher não pode fazer carta de divórcio e mandar o homem embora não! Ora, nem preciso dizer que é injusto; duas medidas. Então, quiseram pegar Jesus no “pulo”.  Porque Jesus pregava o respeito e a dignidade de todos igualmente. Porque eles diziam: se pegarmos Jesus contra a lei de Moisés, temos motivo para prendê-lo. E, aí perguntam a Jesus: podemos ou não, dar carta de divórcio para nossas esposas? Jesus diz: O que está desde o início? Jesus recupera o primeiro e o segundo capítulo do livro do Gênesis: “O homem deixará pai e mãe, se unirá a sua mulher e já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”.  Jesus não estava debatendo o divórcio de hoje. Hoje são outras questões e que precisam serem tratadas, também, com calma para podermos entender bem. Mas, Jesus está dizendo: Todo homem que se divorciar de sua mulher e se unir a outra, comete adultério. E, olha a novidade: toda mulher que se unir a outro homem, comete adultério. O que que Ele fez? Resgatou a igualdade dos dois. Quer dizer: se vocês querem igualdade, se a mulher não pode se divorciar, também o marido não pode se divorciar. Vocês escolham: ou as mulheres têm liberdade, para também dispensar o marido, ou vamos parar com esta conversa. Aí é que está. Então, veja; para nós, que seguimos Jesus Cristo, o matrimônio é uma vocação. É assim que precisa ser tratado. Nem todo ser humano nasceu para a vida matrimonial. Nem homens, nem mulheres. Primeira prova disso é quando o casal não quer filhos. Porque a imagem do Deus Criador necessariamente inclui os filhos, senão não é criação, não imagem de Deus Criador. Ah! Mas, nós não podemos ter filhos. Bom, aí é outra história. Aí tem muitos filhos para adotar, como Deus Pai adotou a todos nós como filhos. Sem problema nenhum. Agora, dizer: nós queremos casar, mas não queremos filhos, então, a vocação para o matrimônio não está clara aí. Porque o matrimônio é, exatamente, você se abrir para ter filhos. Ah! Mas eu quero viver sem nenhum compromisso com família. Então, você procura ser a imagem do Deus Espírito Santo. Ué, como assim? Eu não quero um compromisso com uma família, mas eu não vivo isolado no mundo. Eu sou chamado a promover o amor, mesmo não casando. – então, é a imagem do Espírito Santo. O Espírito Santo é o amor que impulsiona a Igreja, para ela promover a paz e a justiça. E são tantos os trabalhos que necessitam de pessoas que não tenham uma única família como compromisso, para se doar para o mundo. Ah! Mas eu quero ser a imagem de Jesus. Então, você vai procurar ser padre ou freira. É difícil? Esta é a proposta. De qualquer maneira, tem espaço para todos. Todos que aderem, abraçam a fé em Jesus Cristo podem se encontrarem aí. É evidente, que cada um veja como se realizar melhor como ser humano e aí escolher a Pessoa do nosso Deus; Pai, Filho ou Espírito que vai transmitir para o mundo. De qualquer maneira, aquele que se propõe a ser a imagem do Deus Pai, o salmo já diz com clareza: é do trabalho de tuas mãos que viverás. Portanto, quer gostar de ser a imagem do Deus Pai, tem que gostar de trabalhar, porque o Deus Pai é o Criador. É através do trabalho que eu crio as coisas. Eu crio uma música, eu crio um banco, eu crio uma árvore artificial, eu crio uma toalha; tudo isso é trabalho. – eu não tenho vontade de trabalhar. – então, você não pode ser a imagem do Deus Criador. Quem não gosta de trabalhar, não tem esta vocação. Em segundo lugar, diz o salmo, tua videira é uma videira bem fecunda. Videira da onde se retira o fruto para fazer vinho. Videira não é parreira. Videira é para fazer vinho. A Bíblia diz que o vinho alegra o coração. A esposa deve ser a alegria do coração do marido. Se está sendo tristeza, tem que parar para conversar. Porque não é esta a vocação da esposa. A vocação do marido é ser imagem do Deus Criador, a esposa é ser sinal da alegria. Tentas vezes, as pessoas relutam em voltar para casa, porque sabem que está um inferno lá. Ai é que está. Alegria. Por fim, os filhos são rebentos da oliveira ao redor de tua mesa. (oliveira produz azeitonas, que produzem azeite). Os filhos que vão ungir este matrimônio. A unção significa a confirmação de Deus. Veja que a Bíblia nos trás uma imagem positiva do matrimônio. Muito positiva. O que que falta às pessoas? Bom, talvez eu não seja a pessoa indicada para falar, pelo fato de não ser casado. Mas tenho clareza sobre o que significa matrimônio. Se eu tenho esta clareza, eu simplesmente vou parar para pensar, se eu quero isto para a minha vida. É que agente não ensina assim às crianças e aos jovens. Agente ensina: você gosta dele, você gosta dela, então, se casem. Isto não é suficiente. Nem sempre a gente gosta da pessoa e todos os dias. Tem dia que agente não está gostando da pessoa. E no entanto, não é por isso que vai desistir de tudo. Aqui não vai nenhum julgamento àqueles que não conseguiram manter o seu casamento. Vai simplesmente uma reflexão, no sentido de recuperar o sentido do matrimônio e ajuda-las a viverem bem. Só tem mais um critério e aí eu concluo a nossa reflexão. Não é suficiente o marido respeitar a esposa e a esposa respeitar o marido. É preciso respeitar as crianças. É muito interessante: as crianças se aproximaram de Jesus, mas os discípulos as repreendiam. Nisso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças, não as aborreçais, porque o Reino de Deus são como elas. Então, veja, que o respeito não é só do marido pela esposa e da esposa pelo marido, e, de ambos pelos filhos. O grande segredo é que o respeito deve se dar porque são pessoas humanas. Independente de ser marido, esposa filho, idoso, jovem, criança, ... não, é respeito ao ser humano. É isto que faz prosperar Jerusalém, é isto que traz a paz a Israel, diz o salmo de hoje. Como recomeçar, como retomar toda esta reflexão? Lembrando que Jesus nos chama de irmãos. O que significa que Ele intervém em nossa vida e nos orienta como irmão. Nem como maior, nem como menor; como irmão. E, de fato, pode ser chamado de irmão, porque experimentou toda realidade humana. Que possamos pedir a Deus que nos ajude a ajudar as pessoas a compreender o sentido do matrimônio, para que, de verdade, elas sejam felizes. E, a felicidade consiste em descobrir a vocação certa.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Paróquia São José Operário – Santo André.


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Homilia de D. Henrique Soares
Neste domingo, a Palavra de Deus trata do matrimônio e de sua indissolubilidade. Eis aqui um tema que se tornou tabu nos tempos atuais e, por isso mesmo, precisa ser tratado com toda clareza pelos cristãos… Afinal, se o Evangelho não for sal e luz, para que serve?
Comecemos com o plano de Deus, descrito no Gênesis de modo figurado, como as parábolas que Jesus contava. São textos que não devem ser tomados ao pé da letra! Se lermos com atenção, perceberemos algo muito belo: Deus, à medida que vai criando, vê que tudo é bom… Ao criar o ser humano, vê que “era muito bom” (Gn 1,31). Mas, há algo na criação que o Senhor Deus viu que não era bom: “Não é bom que o homem esteja só”. Se o ser humano é imagem do Deus-Trindade, ele não foi criado para a solidão, mas deve viver em relação com outros: “Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja semelhante”. Notemos os detalhes tão belos da criação da mulher: (1) “O Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão”. Por quê? Para ficar claro que o homem não participou da criação da mulher; esta é tão obra de Deus quanto aquele. (2) “Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher”. A imagem é bela: tirada do lado do homem, como companheira e igual! (3) “E Adão exclamou: ‘Desta vez sim, é osso de meus ossos e carne da minha carne!’” É a primeira vez que o homem falou, na Bíblia! E sua palavra foi uma declaração de amor… não a Deus, mas à mulher que o Senhor Deus lhe dera de presente: osso de meus ossos, carne de minha carne… parte de mim, cara metade, outro lado do meu coração! E, finalmente, o preceito de Deus, inscrito no íntimo do coração humano pelo próprio Criador: “O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”. Pronto! Esta é o sonho de Deus para o amor humano!
Já aqui há três observações a serem feitas: (a) o laço de amor entre o homem e a mulher é superior a qualquer outro laço, inclusive aquele que liga pais e filhos: o homem e a mulher deixarão pai e mãe para ir ao encontro de sua esposa, de seu esposo. (b) Esta união, no sonho original de Deus, envolve a pessoa toda, corpo e alma: “serão uma só carne”! É uma união completa, abrangente, total: serão um só coração, um só sonho, uma só conta bancária, uma só casa, um só futuro, um só destino! (c) A relação matrimonial, no sonho de Deus, é uma relação entre um homem e uma mulher. Por isso mesmo, jamais os cristãos poderão equiparar a união entre homossexuais ao matrimônio! O respeito às pessoas homossexuais é dever de todos nós; o respeito pela consciência dessas pessoas, que têm o direito de dar o rumo que acharem justo às suas vidas, é obrigação nossa, é gesto de amor que Jesus espera de seus discípulos. Mas, equiparar a relação matrimonial a qualquer outra relação afetiva, sobretudo homossexual, nunca! Por fidelidade a Cristo, nunca! Por respeito ao plano de Deus, jamais! Hoje, no Direito, há uma forte corrente aqui no Brasil, que considera como sendo família qualquer união simplesmente afetiva: não importa se a união é entre marido e mulher, entre amigos ou entre duas pessoas do mesmo sexo. Para nós cristãos, tal concepção é inaceitável! A família, para nós, não é uma realidade simplesmente natural, mas tem sua raiz no próprio plano de Deus. A família é uma realidade também teológica! É preciso escutar o que Deus tem a dizer sobre a família! O problema é que nossa sociedade já não é cristã; é pagã e pensa e age como pagã; é atéia e age como se Deus não existisse… Nossa sociedade acha que o homem é a medida de todas as coisas, o senhor do bem e do mal, do certo e do errado. Isso é absolutamente inaceitável para o cristão!
Agora podemos compreender a palavra de Jesus no Evangelho! Naquele tempo havia o divórcio… E Jesus, que é tão misericordioso, condena sua prática: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés” permitiu o divórcio! “No entanto, no princípio da criação Deus os fez homem e mulher… Já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” É uma palavra que parece dura, e os próprios discípulos tiveram dificuldades em compreender… como muitíssimos a têm hoje em dia. Compreendamos! Jesus veio para reconduzir este mundo ferido pelo pecado ao plano original de Deus. Ora, o sonho de Deus para o amor conjugal é que ele seja uma entrega total e plena, no amor indissolúvel, fiel e fecundo. Este é o ideal que Jesus aponta aos seus discípulos! Na perspectiva de Jesus, o divórcio é contrário ao plano de Deus para o amor humano! Por isso mesmo, o matrimônio abraçado por um cristão e uma cristã, no Senhor Jesus, é indissolúvel! Aqui é preciso deixar claro que a Igreja não tem autoridade para ensinar ou fazer diferente! Seria trair o Senhor! Surgem, no entanto, algumas questões sérias e graves:
(1) Como prometer amor por toda a vida, se nosso coração é inconstante? Primeiramente é necessário recordar que o matrimônio cristão somente pode ser abraçado na fé, sabendo os esposos que jamais a graça de Cristo lhes faltará. Com toda certeza, o Senhor haverá de conduzir os esposos no caminho do amor. Isto, no entanto, de modo algum, dispensa os esposos de cultivarem esse amor, com o diálogo, os gestos de carinho e de perdão, de compreensão e de atenção. Amor não é só sentimento: o amor não nasce de repente, não é fatal, não é cego, nem morre de repente. O amor pode e deve ser cultivado, cuidado. Como dizia São João da Cruz: “Onde não há amor, semeia amor e colherás amor”. A grande ilusão do mundo atual é pensar que o amor se reduz a sentimento, que não precisa ser cuidado nem cultivado! Confunde-se amor com paixão!
(2) Como fazer uma aliança para sempre, se esta depende não só de mim, mas também da outra pessoa? A questão é séria e, para nós, cristãos, deve ser pensada na fé. O matrimônio entre cristãos é sinal, é sacramento, do amor entre Cristo e a Igreja. São Paulo explica este mistério de modo belíssimo no capítulo quinto da Carta aos Efésios: marido e mulher devem se amar como Cristo e a Igreja (cf. Ef 5,21-32). Ora, este amor foi selado na cruz e na ressurreição; é amor pascal, amor que envolve morte e vida! A indissolubilidade não deveria ser vista como um fardo, mas como uma proposta de um Deus que crê no homem que criou; um Deus que nunca brinca com o amor, um Deus que aposta na nossa capacidade, quando aberta à sua graça! Ora, este amor-doação matrimonial, imagem daquele outro, entre Cristo e a Igreja, certamente terá a marca da cruz. As dificuldades conjugais, para o cristão, têm o nome de cruz, cruz que, assumida com amor e por amor, é transformada em alegria e plenitude de ressurreição. Aqui não se trata somente de palavras bonitas, mas de uma realidade impressionante: quem capitula, quem desiste ante as dificuldades, nunca plantará um amor no sentido cristão! A presença de Cristo na união conjugal não exclui as crises, as dificuldades, a incompatibilidade de temperamentos e até mesmo os erros na escolha do cônjuge! Mas tudo isso, por quanto doloroso possa ser, pode se tornar, em Cristo, um modo libertador e eficaz de participar com generosidade e desapego da cruz do Senhor e caminho de felicidade! “Loucura! Insanidade! Demência!” – dirá o mundo! Mas, a linguagem da cruz é loucura para o mundo! A sabedoria da cruz é tolice para o mundo! Nunca esqueçamos isso! Mas, para quem crê, é poder de Deus e sabedoria de Deus! (cf. 1Cor 1,18; 3,18-20). O problema é que as pessoas casam como os cristãos, mas não crêem nem vivem como os cristãos! Que fique bem assentado: o sonho de Deus em Cristo para o matrimônio é a indissolubilidade!
(3) E os nossos irmãos e irmãs que fracassaram na aliança conjugal e estão numa nova união? É uma situação dolorosa. Se são cristãos de verdade, a coisa é primeiramente difícil para eles. Não nos compete julgar suas intenções e sua história! Compete-nos respeitá-los e acolhê-los com espírito fraterno, ajudando-os a viver esta nova união do melhor modo possível. Isto, no entanto, não significa aprovação da separação nem da nova união. Mas, simplesmente, respeito pela história, pela consciência e pelo mistério da vida e das opções de cada irmão e de cada irmã. Mesmo porque, quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra. Cuidado, irmãos: não coloquemos fardos na vida dos outros!
Que o Senhor socorra as famílias e fortaleça no amor os esposos cristãos, fazendo-os simples como as crianças, capazes de acolher a proposta do Cristo para o matrimônio e que, nas dificuldades, recordem-se que Cristo, autor da nossa salvação, também foi levado à consumação passando pelos sofrimentos. Que nossos sofrimentos, unidos aos dele, sejam semente e penhor de vida eterna. Amém.
 D. Henrique Soares da Costa
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (diáconos e ministros da Palavra)


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA CONVOSCO...          DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO DEUS...
à COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à 1. Senhor, imenso é o vosso amor e a vossa bondade para com a humanidade. Criando o homem lhe deste uma companheira para juntos partilhar as alegrias da terra.
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à 2. Senhor, como vossa imagem e semelhança, quando sabemos partilhar com os irmãos, sentimos uma alegria divina. Pai, aumentai a nossa Sabedoria para que saibamos espelhar a vossa bondade.
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à 3. Senhor, que nosso amor seja um pequeno reflexo de vosso amor na construção de um mundo melhor. Pai, somos fracos, mas com a vossa graça queremos nos redimir e ser luz de bondade para o mundo que não vos conhece.
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à 4 Senhor, abri e transformai o nosso coração para que tenhamos a inocência das crianças, nos despojando de nosso egoísmo e tenhamos a simplicidade, a sinceridade e o acolhimento humilde aos dons que nos destes. 
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à 5. Senhor, pelos exemplos de Jesus Cristo, que optou por fazer a vossa vontade, que saibamos amar, partilhar, servir e perdoar, pois também somos filhos vossos.
T: Bendito e louvado seja o Senhor nosso Deus.
à Pai nosso...  A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...