quinta-feira, 12 de maio de 2016

Pentecostes, subsídios homiléticos, homilias

SOLENIDADE DO PENTECOSTES ano 2016


Introdução ao espírito da Celebração

Atenágoras afirmou que «sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja é uma simples organização; a autoridade é um poder; a missão é propaganda; o culto, uma velharia; e o agir moral, um agir de escravos”.
“Mas, no Espírito, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino; Cristo ressuscitado torna-Se presente; o Evangelho faz-se poder e vida; a Igreja realiza a comunhão trinitária; a autoridade transforma-se em serviço; a liturgia é memorial e antecipação; o agir humano é deificado».

Tema: “O dom do Espírito nos faz um só corpo em Cristo Senhor.” O Espírito dá vida, renova, transforma e faz nascer o Homem Novo.
Evangelho: A comunidade reunida à volta de Jesus ressuscitado, pelo Espírito Santo, se torna uma nova comunidade que supera limitações e medos e passam a ser testemunhas do Reino.
Primeira leitura: É o Espírito Santo que Cria nova comunidade, orienta e capacita para a missão.
Segunda leitura: Paulo diz que o Espírito Santo é a fonte viva da comunidade. É Ele que concede os dons e, por isso, devem ser postos ao serviço de todos.

EVANGELHO (Jo 20,19-23) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

AMBIENTE - Este situa-nos no cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Esta comunidade ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado. É uma comunidade insegura e com medo.  João situa no anoitecer do dia de Páscoa a recepção do Espírito pelos discípulos.

MENSAGEM - João começa por pôr em relevo a comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar. Entretanto, Jesus aparece “no meio deles” e eles  redescobriram o seu centro, o seu ponto de referência à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade. A comunidade cristã só existe de forma consistente se está centrada em Jesus ressuscitado.
Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes “a paz” da serenidade, da tranquilidade, da confiança, que permitirão aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte, nem a hostilidade do mundo poderão derrotar os discípulos, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.
Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” do amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” que os discípulos reconhecem Jesus. O fato de esses “sinais” permanecerem no ressuscitado indica que Jesus será, de forma permanente, o Messias cujo amor se derramará sobre os discípulos e cuja entrega alimentará a comunidade.
Vem depois a comunicação do Espírito. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (Gn 2,7). Com o “sopro” de Deus, o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos possuem a vida em plenitude e estão capacitados – como Jesus – para fazerem da sua vida um dom de amor aos homens. Animados pelo Espírito, eles formam a comunidade da nova aliança e são chamados a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus.
Finalmente, Jesus diz qual a missão dos discípulos: a eliminação do pecado. Os discípulos são chamados a testemunhar no mundo essa vida que o Pai quer oferecer a todos os homens. Quem aceitar essa proposta será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte, isto é, de pecado. A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.

ATUALIZAÇÃO = A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?
= Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus?
= As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar fracassos, derrotar o ceticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.

PRIMEIRA LEITURA (At 2,1-11) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia
próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

AMBIENTE - O livro dos “Atos” não pretende ser uma reportagem jornalística de acontecimentos históricos, mas sim ajudar os cristãos – desiludidos porque o “Reino” não chega – a redescobrir o seu papel e a tomar consciência do compromisso que assumiram, no dia do seu Batismo. É uma construção artificial, criada por Lucas com intenção teológica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética das metáforas. Ora, o interesse fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.

MENSAGEM - Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no séc. I, tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Ao situar neste dia o dom do Espírito, Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova aliança (pois é Ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos crentes) e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo (cf. Ez 36,26-28). O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus. Estes símbolos evocam a força de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus.
O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de língua de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços duradouros entre as pessoas, de criar comunidade. “Falar outras línguas” é criar relações, é a possibilidade de superar o gueto, o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… Aqui, temos o reverso de Babel: lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, à relação, à construção de uma comunidade capaz do diálogo, do entendimento, da comunicação. É o surgimento de uma humanidade unida, não pela força, mas pela partilha da mesma experiência interior, fonte de liberdade, de comunhão, de amor. A comunidade messiânica é a comunidade onde a ação de Deus (pelo Espírito) modifica profundamente as relações humanas, levando à partilha, à relação, ao amor.
É neste enquadramento que devemos entender os efeitos da manifestação do Espírito: todos “os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas de Deus”. O elenco dos povos convocados e unidos pelo Espírito atinge representantes de todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, passando por Canaã, pela Ásia Menor, pelo norte de África, até Roma: a todos deve chegar a proposta libertadora de Jesus, que faz de todos os povos uma comunidade de amor e de partilha. A comunidade de Jesus é assim capacitada pelo Espírito para criar a nova humanidade, a anti-Babel. A possibilidade de ouvir na própria língua “as maravilhas de Deus” outra coisa não é do que a comunicação do Evangelho, que irá gerar uma comunidade universal. Sem deixarem a sua cultura, as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua e onde todos poderão experimentar esse amor e essa comunhão que tornam povos tão diferentes, irmãos. O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra.
O Pentecostes dos “Atos” é o resultado da ação das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

ATUALIZAÇÃO = A Igreja é uma comunidade de irmãos reunidos por causa de Jesus, animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado e que testemunha na história o projeto libertador de Jesus. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salvação, que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas. A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Tem consciência de que o Espírito está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?
 = Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à acção do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?
= Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito – mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?

SALMO RESPONSORIAL / Sl 103(104)

Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai.

• Bendize, ó minha alma, ao Senhor! / Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! / Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! / Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
• Se tirais o seu respiro, elas perecem / e voltam para o pó de onde vieram. / Enviais o vosso espírito e renascem / e da terra toda a face renovais.
• Que a glória do Senhor perdure sempre, / e alegre-se o Senhor em suas obras! / Hoje seja-lhe agradável o meu canto, / pois o Senhor é a minha grande alegria!

SEGUNDA LEITURA (1Cor 12,3b-7.12-13) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

AMBIENTE - A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era exemplar no amor: as divisões, as rivalidades, perturbavam a comunhão e constituíam um contratestemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com frequência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.
No texto que nos é proposto, Paulo aborda a questão dos “carismas”.

MENSAGEM - Paulo fala em “carismas” a propósito de comportamentos que pretendem apenas garantir os privilégios. Segundo Paulo, o verdadeiro “carisma” é o que leva a confessar que “Jesus é o Senhor” (pois não pode haver oposição entre Cristo e o Espírito) e que é útil para o bem da comunidade.
De resto, é preciso que os membros da comunidade tenham consciência de que, apesar da diversidade de dons espirituais, é o mesmo Espírito que atua em todos; que apesar da diversidade de funções, é o mesmo Senhor Jesus que está presente em todos; que apesar da diversidade de ações, é o mesmo Deus que age em todos. Não há, portanto, “cristãos de primeira” e “cristãos de segunda”. O que é importante é que os dons do Espírito resultem no bem de todos e sejam usados – não para melhorar a própria posição ou o próprio “ego” – mas para o bem de toda a comunidade.
Paulo conclui o seu raciocínio comparando a comunidade cristã a um “corpo” com muitos membros. Apesar da diversidade de membros e de funções, o “corpo” é um só. Em todos os membros circula a mesma vida, pois todos foram batizados num só Espírito e “beberam” um único Espírito.
O Espírito é, pois, apresentado como Aquele que alimenta e que dá vida ao “corpo de Cristo”; dessa forma, Ele fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é o responsável pela unidade desses diversos membros que formam a comunidade.

ATUALIZAÇÃO 
·                     Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?
·                     É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo fato de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?
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Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar…
Ele tudo perdoa e renova: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo…” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é una na diversidade de tantos dons e carismas …
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Nasce a Igreja

Celebramos hoje a festa de PENTECOSTES, encerrando na Liturgia o Ciclo Pascal...

PENTECOSTES é uma festa antiga, que já existia no Antigo Testamento.

- Para Israel: Inicialmente era uma festa ligada às colheitas.
- Mais tarde, tornou-se uma celebração da Aliança, feita no Sinai, que acontecia 50 dias depois da Páscoa. Era a festa da LEI...
- Hoje: É a Plenitude do Mistério Pascal, com o Dom do Espírito Santo à Igreja.
  É o NATAL da IGREJA... o Dia das Comunidades... o Dia da nossa CRISMA...

As leituras bíblicas nos ajudam a entender melhor esta festa:

1ª Leitura, Lucas apresenta o fato 50 dias após a Páscoa, fazendo coincidir com o Pentecostes judeu. (At 2,1-11)

O interesse do autor é apresentar a Igreja como Comunidade,  que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito
e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto do Pai.
Para isso se serve de imagens e símbolos: o VENTO e chamas de FOGO.
- O fogo transforma qualquer matéria: Transforma os medrosos apóstolos em ardorosos anunciadores das maravilhas de Deus...
- O Vento sinaliza o movimento que se opõe à passividade.
Esses dois elementos são o combustível para a Igreja que inicia sua missão e também para a Igreja de hoje.
Essa renovação e esse movimento devem estar presentes na Igreja ainda hoje, para pronunciar as maravilhas de Deus em todas as línguas e na linguagem do nosso tempo.

- Lembram a 1a ALIANÇA realizada no Sinai:
  Foi em meio a trovões e relâmpagos...
  O Espírito é a Lei da Nova Aliança e por ele se constitui a Nova Comunidade do Povo de Deus

- É o oposto de BABEL: Desmoronam as barreiras de línguas e raças... para formar um novo povo, sem fronteiras, onde todos se entendem.
  Todos falam a mesma linguagem a língua do Espírito de Jesus.

O Espírito presente no início da vida pública de Jesus, está presente também no início da atividade missionária da Igreja.


Na 2ª Leitura, Paulo afirma que o Espírito Santo é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã.
É ele que concede os DONS, que enriquecem a comunidade e  fortalecem a unidade de todos os membros. (1Cor 12,3b-7.12-13) 

* Devemos acolher os apelos do Espírito Santo para que ele possa continuar fazendo ainda hoje as maravilhas que realizou no começo da Igreja.
No Evangelho de João, os Apóstolos recebem a efusão do espírito Santo, no "anoitecer" do dia da Páscoa. (Jo 20,19-23)

- Eles estão reunidos de "portas fechadas" por medo das autoridades.
- Jesus ressuscitado aparece "no meio deles",  deseja a PAZ: "A Paz esteja com vocês",  e envia em MISSÃO: "Como o Pai me enviou, eu também vos envio."
- Para isso, "sopra" sobre eles, transmitindo-lhes a "vida nova",  a força, o ESPÍRITO SANTO: "Recebei o Espírito Santo..."  e o Dom do PERDÃO e da RECONCILIAÇÃO.

* O Espírito é portador do dom da paz e mensageiro do perdão e do amor do Senhor.
O cristão é um "enviado" para viver e contagiar PAZ, experimentar o PERDÃO e a misericórdia e ser construtor da COMUNIDADE.

João e Lucas têm perspectivas diferentes, a finalidade é a mesma:
O Espírito que ajudou Jesus a realizar o projeto de Deus, também anima agora a Comunidade cristã...

O nosso Pentecostes...

Diante do Fato, talvez invejemos a sorte dos Apóstolos.
E nos esquecemos que o Pentecostes continua acontecendo.
Também em nossa vida houve um PENTECOSTES...

No BATISMO: - Recebemos pela 1a vez o Espírito Santo.
                                      - Fomos inseridos na Igreja, obra do Espírito Santo...
Mas na CRISMA, recebemos a Plenitude do Espírito Santo...

Por isso, o BATISMO é a nossa PÁSCOA...
               a CRISMA é o nosso PENTECOSTES....

Lendo a Bíblia, notamos que Deus, sempre que escolhia uma pessoa  para uma missão importante, ungia-o e enviava o seu Espírito.
- No Antigo Testamento: Sacerdotes, Profetas e Reis...
- Cristo: no Batismo, antes de iniciar a vida apostólica...
- Maria: Quando aceitou ser a Mãe do Salvador...
- Assim todo cristão: quando inicia a sua missão de cristão adulto...

Pelo Batismo: entramos na família, nos tornamos membros da Igreja.
Pela Crisma: nos tornamos membros adultos, atuantes e responsáveis na Igreja...

A chama do Espírito Santo transformou totalmente os apóstolos...
A Igreja nasce e se renova constantemente por obra do Espírito Santo.
Que essa mesma chama ILUMINE E AQUEÇA a nossa vida
no caminho da Unidade, do Bem e da Verdade...

Por isso, cantemos: Vem, vem, vem, vem Espírito Santo de Amor,
                                vem a nós, traz à Igreja um novo vigor.

                                             Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, hoje, para a igreja católica, é um dia muito importante: Celebramos Pentecostes. Pentecostes significa cinquenta dias. Cinquenta dias da morte e ressurreição de Jesus. Há cinquenta dias atrás, celebrávamos o domingo da Páscoa. De onde a Igreja tirou esta data? Pentecostes é uma festa já celebrada no Antigo Testamento. Significa primeira colheita depois da semeadura. Isto se torna, para nós, significativo, porque quando se fala em colheita, aos olhos da fé, nós nos lembramos de Jesus. Ele quem disse: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, ele não dá frutos”. Para nós Jesus é o grão de trigo é Jesus, porque Ele disse: “Eu sou o Pão da Vida”. Ele é o grão de trigo que foi semeado, foi sepultado, depois ressuscitou e gerou frutos, que somos todos nós. Nós somos os frutos da morte e ressurreição do Senhor. Celebrar Pentecostes é celebrar os frutos da morte e ressurreição do Senhor. Agora, também nós somos chamados a sermos sementes. Muitos já fizeram a experiência de plantar. Há uma diferença entre a semente apenas prantada e a semente plantada e aguada. A água é importante. Nós somos a semente e o batismo é a água regada sobre nós, para que possamos dar frutos. Por isso, a segunda leitura vai nos dizer, que somos todos irmaos e irmãs. Qual é o fruto que Deus espera de nós? No Evangelho temos duas grandezas: a primeira, Jesus diz: “A Paz esteja convosco”. A paz de Jesus: “Eu vos dou a minha paz”. Eu não dou a paz que o mundo oferece. O papa Francisco dizia: “O Espirito Santo é Deus e Deus sempre é novidade. Não é qualquer novidade, mas Ele sempre tras algo de novo”. Posso ler a mesma parte da bíblia todos os dias e todos os dias eu vou encontrar algo novo. O Papa Francisco ainda dizia: “Todos nós temos medo de novidade”. Por que? Porque temos que sentir senhores da situação e quando surge uma novidade, sempre nos pega de surpresa. Então, a tendência é rejeitar. Entre aquilo que é novo e aquilo que já conheço, a tendência pé permanecer com o que já conheço. Qual é a paz que nós conhecemos? Nós não conhecemos a paz. Qualquer solução em vista da paz, a nossa tendência é partir daquilo que nós temos. O que temos? O argumento que é preciso matar para garantir a paz. Aí vem pena de morte, declaração de guerra, vem uma série de coisas, que de fato, parte daquilo que conhecemos. Quanto a entregar-se ao Espírito de Deus é buscar a Paz de Jesus Cristo. Nós somos pessoas bem intencionadas, mas está misturado em nossa vida o pecado. Então, eu tenho dificuldade de buscar o caminho da paz fora daquilo que o mundo já experimentou. A novidade de Jesus Cristo é a Paz fruto da justiça. Como viver a justiça num mundo injusto? Olha o fruto que nos é esperado... ajudar a transformarmos o mundo. Alguém me pedia: dá uma palavrinha sobre abaixar a idade penal para dezesseis anos. Se fizermos isto, o de doze começará nas contravenções. Por que? Porque este é o caminho que o mundo ensina. Quantas vezes dissemos: por que fulano não morre? Pronto. Já declaramos a morte. Ou outro: só matando que resolve. Quantos pais falam isto dos próprios filhos mesmo? A novidade é um desafio. Peçamos ao Espírito Santo a Paz de Jesus a partir do novo que Ele tras.
Tem o segundo ponto, que é o perdão: “Recebeo o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados”. Há uma confusão hoje. Ao pregar o perdão, nós estamos falando da identidade do cristão. A fé cristã é a única que prega o perdão. A única. As outras religiões pregam olho por olho e dente por dente. Nós somos os únicos que pregamos o perdão. Só que muitos confundem perdão com conivência. Ora, perdoar é exigir que o outro se corrija. Portanto, perdoar significa responsabilizá-lo por tudo que fez e ajudá-lo a recompor o seu caminho. Perdoar é orientar, mas nunca castigar. Aqui a diferença. Quando agente pede que alguém seja condenado, nós não estamos pedindo para ser corrigido, mas para ser castigado. Nós confundimos perdão com conivência, passar a mão na cabeça, dizendo: ah, deixa para lá. Faz de conta que não aconteceu nada. Não. Isto não é atitude cristã. Atitude cristã é: aconteceu sim, e você vai responder pelo que você fez, mas EU VOU TE AJUDAR. É a segunda palavra que o Papa Francisco dizia: “primeiro é a novidade. A segunda é a harmonia”. Quando é que eu consigo perdoar? Quando eu fiz a experiência de ser perdoado. Isto é muito importante. Veja são Pedro: São Pedro negou Jesus, mas foi perdoado. Então, ele total tranquilidade, para sair do cenáculo e pregar, como foi falado na primeira leitura. Pregar para todos e todos compreenderem. Por que? Porque a linguagem do perdão é a linguagem que todos compreendem. Mas quem compreende? Quem já foi perdoado. Quando você oferece o perdão é porque já fez a experiência do perdão. Caso contrário, você não é capaz disto. Ora, como perdoar? Buscar a harmonia. O Papa Francisco dava como exemplo, um barco à vela. O Espírito Santo é um vento que sopra e Ele que conduz o barco, que é a nossa vida. Se você se deixar levar, este barco vai te levar até margens seguras. Esta experiência de ser conduzido por Deus, te leva a viver em harmonia com a natureza. Se você não impor a condução do barco, ele, sequer, vai chacoalhar. É importante observar isto:  a experiência do perdão. Primeiro a novidade, segundo o perdão e ele dizia: a terceira é missão. Qual é a nossa missão? A missão é de ajudar o mundo a descobrir a novidade que é Jesus Cristo e o perdão, que é a linguagem que nos leva a assumir as nossas responsabilidades e nos tornar, de fato, ser humano. Eu creio, que a sociedade tem geito? Quem acredita que o ser humano é bom, gasta o seu tempo para ajudá-lo a crescer. Quem não acredita, não vai perder tempo com isto. “não vou gastar vela benta com morto ruim”. É assim que agente fala. Não. Ou eu creio que o ser humano é bom e ele foi infruenciado pelo pecado, ele acabou sendo transtornado pelo pecado ou ninguém tem esperança. Nem eu mesmo. Nós vivemos numa sociedade e se ninguém presta, também eu, no meio, acabo me corrompendo. Não. O ponto de partida é este: o ser humano tem geito. Temos esperança. É possível transformar. Basta que façamos a experiência do novo, do perdão e da missão. É isto, que Pentecostes nos leva hoje a celebrar; nós sementes, que vamos rendendo estes frutos. Frutos, que só compreende, quem de fato, tem fé.
Que Deus nos mantenha firmes na fé, dispostos a levar ao mundo estes frutos vindo de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
 Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa
A Igreja conclui hoje o Tempo Pascal com a solenidade de Pentecostes. Não poderia ser diferente, pois o Espírito Santo é o fruto da paixão morte e ressurreição do Senhor Jesus. Ele morreu entregando na cruz o Espírito e, no mesmo Espírito, foi ressuscitado pelo Pai. Agora, plenificado por esse Espírito, derramou-o e derrama-o sobre a Igreja e sobre toda a criação.
Vejamos alguns aspectos da ação do Espírito.
(1) Primeiramente, por ser Espírito do Cristo, ele nos une ao Senhor Jesus, dando-nos a sua própria vida, como a cabeça dá vida ao corpo e o tronco dá vida aos ramos. É no Espírito que Cristo habita realmente em nós desde o nosso batismo, e faz crescer sua presença em nós em cada eucaristia, quando comungamos o corpo e o sangue daquele Senhor, que é pleno do Espírito. Só no Espírito podemos dizer que Cristo permanece em nós e nós permanecemos nele; só no Espírito podemos dizer que já não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós, com seus sentimentos, suas atitudes e sua entrega ao Pai. Por isso, somente no Santo Espírito nossa vida pode ser vida em Cristo, vida de santidade.
(2) Mas, o Espírito, além de agir em cada cristão, age na Comunidade como um todo, edificando a Igreja, fazendo-a sempre corpo de Cristo. Antes de tudo, ele vivifica a Igreja com a vida do Ressuscitado, incorporando sempre nela novos membros, fazendo-a crescer mais na plenitude de Cristo. Depois, ele suscita incontáveis ministérios, carismas e dons, desde os mais simples, como até aqueles mais vistosos ou mais estáveis, como os ministérios ordenados: os Bispos, padres e diáconos. É o Espírito que mantém esta variedade em harmonia e unidade, para que tudo e todos contribuam para a edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja. Assim, é no Espírito que surge e ressurge sempre a vida religiosa, com tantos carismas diferentes, é no Espírito que os mártires testemunham Cristo até a morte, é no Espírito que se exerce a caridade, se visita os enfermos, se consola os sofredores, se aconselha, se socorre os pobres, se prega o Evangelho… enfim, é no Espírito que a Igreja vive, cresce e respira!
(3) É no Espírito que os santos sacramentos são celebrados com eficácia, pois que o Espírito é a própria energia, a própria graça, a própria força de vida e ressurreição que o Cristo recebe do Pai e derrama sobre a Igreja. Sendo assim, é no Espírito que a Igreja é continuamente edificada e renovada, até a vida eterna.
(4) É no Espírito que os cristãos podem rezar, proclamando do fundo do coração que Jesus é Senhor e que Deus é nosso Pai de verdade. Somente porque temos o Espírito recebido no batismo é que somos realmente filhos de Deus, já que recebemos o Espírito do Filho que clama em nós “Abbá” – Pai. O Espírito une a nossa oração à oração de Jesus, dando-lhe valor e eficácia e colocando-nos na vida da própria Trindade Santa. Sem o Espírito, não poderíamos chamar a Deus de Pai, sem o Espírito nossa oração não seria a de Jesus e nosso louvor, nossa adoração e nossa intercessão não estariam unidas e inseridas na própria união de Jesus com o Pai.
(5) É o Espírito quem recorda sempre à Igreja a verdade do Evangelho, conduzindo-a sempre mais adiante no conhecimento de Cristo. Por isso, assistida pelo Espírito da Verdade, a Igreja jamais pode errar na sua profissão de fé; jamais pode afastar-se da verdade católica que recebeu dos apóstolos. Assim, somente no Espírito é que cremos com fé certa na fé da Igreja!
(6) É ainda no Espírito que a Igreja, ansiosa, olha para a frente, para o futuro e, inquieta, clama que o Esposo venha logo para consumar todas as coisas. Por isso, na força do Espírito, a Igreja deverá ser sempre fiel a cada época, sem saudosismos nem medos, construindo com humildade o Reino de Deus, até que venha o seu Esposo e leve tudo à consumação. É no Espírito que os cristãos devem viver como profetas do Reino que está por vir, denunciando com doçura e vigor tudo quanto se oponha à manifestação desse Reino. No Espírito, a Igreja anunciará sempre o Evangelho, superando todo medo de falar de modo novo a constante e imutável verdade do Evangelho, que interpela, transforma e converte o coração.
(7) Mas, o Espírito não está restrito à Igreja. Ele enche, impregna e renova o universo e toda a humanidade. Onde menos esperamos, onde ainda não chegamos, lá já podemos encontrar a ação do Espírito do Senhor, que cai cristificando toda a humanidade e todas as coisas.
(8) É o Espírito que vai, com força e discrição, guiando a história humana para a plenitude de Cristo, e isto por mais que, tantas vezes, o mundo pareça perdido e sem rumo, em meio a guerras, injustiças, hipocrisias, violências, tristezas e mortes. Cabe aos cristãos, saberem discernir e interpretar os sinais dos tempos, que o Santo Espírito faz brotar por toda parte, tendo ouvidos para ouvir o que o ele diz à Igreja.
(9) Finalmente, é no Espírito, que um dia, no Dia de Cristo, quando ele, nossa vida, aparecer em glória, tudo será glorificado, a história será passada a limpo, a criação inteira será transfigurada, o pecado será destruído para sempre, a morte será vencida e nossos corpos mortais ressuscitarão, transfigurados como o corpo do Cristo Jesus ressuscitado. Então, plena do Espírito, toda criação será plenamente corpo de Cristo. O Ressuscitado será Cabeça dessa nova criação e entregará tudo ao Pai, para que o Pai, pelo Filho, no Espírito, seja tudo em todas as coisas.
É esta a nossa esperança, a nossa certeza e a plenitude da nossa salvação. É esta realidade estupenda que se iniciou com o dom do Espírito, celebrado na festa de hoje.
Só nos resta implorar novamente o que cantamos antes do “aleluia”:
“Espírito de Deus,/ enviai dos céus/ um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,/ dai aos corações/ vossos sete dons.
Consolo que acalma,/ Hóspede da alma,/ doce Alívio, vinde!
No labor, Descanso,/ na aflição, Remanso, / no calor, Aragem.
Enchei, Luz bendita,/ Chama que crepita,/ o íntimo de nós.
Sem a Luz que acode,/ nada o homem pode,/ nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,/ ao seco regai,/ curai o doente.
Dobrai o que é duro,/ guiai-nos no escuro, o frio aquecei.
Daí à vossa Igreja,/ que espera e deseja,/ vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte/ uma santa morte,/ alegria eterna./ Amém”.

D. Henrique Soares da Costa

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Domingo de Pentecostes = (Terminada a oração depois da comunhão e os avisos, antes da benção final, o Presidente da Celebração se dirige para junto do Círio:)


RITO PARA APAGAR O CÍRIO PASCAL
Diácono
ou o Presidente da Celebração - Irmãos e irmãs, na noite da Vigília Pascal, aclamamos Cristo nossa Luz e acendemos o Círio Pascal. A luz do Círio nos acompanhou nestes cinquenta dias do Tempo Pascal. Hoje, dia de Pentecostes, ao concluir o Tempo da Páscoa, o Círio será apagado. Este sinal nos é tirado para que, educados na escola pascal do mestre Ressuscitado, nos tornemos a “luz de Cristo” que se irradia, como uma coluna luminosa que passa no mundo, para iluminar os irmãos e irmãs e guiá-los no êxodo definitivo rumo ao céu.

O presidente se inclina para o Círio, este então é apagado.

Presidente: – Oremos: Dignai-vos, ó Cristo, acender nossas lâmpadas da fé; que em vosso templo elas refuljam constantemente, alimentadas por vós, que sois a luz eterna; sejam iluminados os ângulos escuros do nosso espírito e sejam expulsas para longe de nós as trevas do mundo. Vós, que viveis e reinais para sempre.
Todos: Amém, aleluia!


Segue-se a Bênção final, própria para o dia. Por fim, para a retirada do Círio, forma-se uma procissão, semelhante ao início da Celebração, conduzindo, agora, o Círio Pascal apagado, passando pela nave central da Igreja.   (O Círio será aceso nas celebrações do batismo)

·       Bênção Final (própria de Pentecostes)
              Ver o Missal romano, p. 524.

* Deus, o Pai das luzes, que (hoje) iluminou os corações dos discípulos, derramando sobre eles o Espírito Santo, vos conceda a alegria de sua bênção e a plenitude dos dons do mesmo Espírito.  AMÉM!
* Aquele fogo, descido de modo admirável sobre os discípulos, purifique os vossos corações de todo mal e vos transfigure em sua luz.  AMÉM!
* Aquele que na proclamação de uma só fé reuniu todas as línguas vos faça perseverar na mesma fé, passando da esperança à realidade.  AMÉM!
Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho + e Espírito Santo.  AMÉM!




Louvor: (Diáconos e ministros da Palavra)

SOLEN. PENTECOSTES: LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Deus criador, nós vos bendizemos pelos dons do  Espírito Santo, que concedeis à vossa Igreja e a cada um de nós. Pai, que possamos compreender as pessoas que conosco vivem e possamos conviver em tranquilidade com todos.
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Pai santo, nós vos damos graças porque pelo batismo nos dais o Espírito Santo para ser a nossa força, nossa luz e nossa esperança na construção de vosso Reino. Que nossa fé seja ardente e nosso exemplo seja sinal de vosso amor entre todos. 
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Nós vos bendizemos pelo Espírito Santo que nos defende do mal e nos impulsiona para vós. Pai, renovai a vossa igreja e fazei-nos mais vigorosos na transformação de uma sociedade mais humana e fraterna. 
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Renovai a vinda do Espírito Santo na Igreja para a salvação do mundo! Que Ele abra o nosso coração para o amor e a fraternidade. Que Ele nos faça mais fraternos e leais a vossa vontade, pois em Vós está a nossa esperança e a nossa salvação.
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Solenidade da Ascensão, A Ascensão do Senhor, subsídios homiléticos, homilias

Solenidade da Ascensão. (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
TEMA: “O Senhor subiu ao toque da trombeta!” Ascensão: a vida junto com Deus.
Evangelho, Jesus ressuscitado se despede e nos envia em missão como testemunhas. 
Primeira leitura, Jesus volta ao Pai e os discípulos são enviados para continuar o seu projeto. 
Segunda leitura convida os batizados a darem-se as mãos e caminharem nesta esperança.

EVANGELHO (Lc 24,46-53) disse Jesus: “está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e, no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. Então Jesus levou- até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria.

AMBIENTE O Evangelho situa-nos no dia de Páscoa: ressurreição e ascensão são formas de falar da passagem da morte à vida definitiva junto de Deus.

MENSAGEM Jesus se despede e os discípulos são convocados para a missão: envia-os como testemunhas, a pregar a conversão (“metanóia”) e o perdão dos pecados (Deus os convida a deixar o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência para iniciarem uma vida de Homens Novos). Os discípulos contam com a ajuda do Espírito.
Jesus dá a bênção aos discípulos: Eles se tornam capacitados pelo dom que vem de Deus para a missão: a alegria é o grande sinal messiânico e escatológico, indicando que o mundo novo já começou.

ATUALIZAÇÃO à A ressurreição/ascensão nos mostra que a morte não é o fim; no final de um caminho de amor, está a vida de comunhão com Deus. Uma vida plena que é o nosso destino final.
à A ascensão e a convocação dos discípulos para a missão, indicam a nossa responsabilidade na construção desse mundo novo onde habita a justiça e a paz; temos de construir o novo céu e a nova terra.
à Os seguidores de Jesus têm de testemunhar a esperança, no final do caminho, a vida em plenitude.

PRIMEIRA LEITURA (Atos 1,1-11) Jesus fez e ensinou, até ao dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. Durante uma refeição, deu lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém; vós sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. Então perguntaram: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?” Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou. Mas recebereis o poder do Espírito Santo para serdes minhas testemunhas até os confins da terra”. Depois, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu. Os apóstolos continuavam olhando para o céu. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “por que ficais aqui, parados, olhando para o céu”? “Esse Jesus virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

AMBIENTE Estamos na década de 80. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o “Reino” e há certa desilusão. Quando vai concretizar se o projeto de Deus? Lucas avisa que o projeto de salvação que Jesus veio apresentar passou para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel e testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao “caminho” que Jesus percorreu.

MENSAGEM  "quarenta dias" entre a ressurreição e a ascensão, Jesus falou aos discípulos. O número quarenta é um número simbólico: é o tempo necessário para que o discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. 
A despedida de Jesus sublinha dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar "até aos confins do mundo". O Espírito irá derramar-se sobre a comunidade e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo.
O último tema é o da ascensão. Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu. Não estamos  falando de uma pessoa que decola da terra; é teológico: é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai. 
Temos, depois, a nuvem a meio caminho entre o céu e a terra, um símbolo para exprimir a presença e ausência do divino. Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos. 
Temos ainda os discípulos a olhar para o céu. Significa a expectativa dessa comunidade que espera a segunda vinda de Cristo, a fim de realizar o projeto de libertação do homem e do mundo. 
Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco. O branco sugere o mundo de Deus, o testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus. 
O sentido da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o "caminho" de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.

ATUALIZAÇÃO à A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo "caminho" de Jesus subirá, como Ele, à vida plena. 
à A ascensão recorda-nos que Ele foi elevado para o Pai e nos encarregou do seu projeto libertador.

SEGUNDA LEITURA (Efésios 1,17-23) O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo vos dê um espírito de sabedoria e abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

AMBIENTE -  Estamos por volta dos anos 58/60.  Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.

MENSAGEM - A prova de que o Pai tem poder para realizar essa "esperança" é o que Ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-o e sentou-o à sua direita, exaltou-o e deu-Lhe a soberania sobre todos os poderes angélicos. Essa soberania estende-se à Igreja - o "corpo" do qual Cristo é a "cabeça". O mais significativo é a ideia de que a comunidade cristã é um "corpo" - o "corpo de Cristo". Dizer que Cristo é a "cabeça" da Igreja significa que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o "corpo" se articula, a partir do qual e em direção ao qual o "corpo" cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse "corpo"; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência. 
Dizer que a Igreja é a "plenitude" ("pleroma") de Cristo significa dizer que nela Ele se torna presente no mundo e continua a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens.

ATUALIZAÇÃO + A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria glorificação. Formamos com Ele um "corpo" destinado à vida plena.
+ Dizer que fazemos parte do "corpo de Cristo" significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e com todos os nossos irmãos, membros do mesmo "corpo", alimentados pela mesma vida.
+ Dizer que a Igreja é o "pleroma" de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-lo presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens.

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    A ASCENSÃO:- É o TÉRMINO da missão terrena de JESUS,  e o INÍCIO da missão da IGREJA...
  "Subiu não para se afastar da nossa humildade, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro, onde ele nos precedeu". (Prefácio)
- A Ascensão de Jesus é o preparo da nossa Ascensão: "Vou preparar um lugar para vocês...", disse Jesus aos Apóstolos.  Jesus preparou esse lugar, voltando para o Pai...  Compete agora a nós conquistar esse lugar...

+ Esperando a vinda do Espírito Santo pela Oração.  "Permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto".  Assim a Vida da Igreja não começa com a AÇÃO, mas com a ORAÇÃO, junto com Maria, a Mãe de Jesus...
A festa de hoje: - nos fortalece a esperança pelo destino que nos aguarda...
- mas também nos lembra que a nossa missão hoje é continuar o projeto de Jesus.
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 Sugestão:
1-                Quando alguém nasce, qual a nossa certeza?  - MORRE.
2-                E AÍ? O QUE VEM DEPOIS DA MORTE? – UM HOMEM RESSUSCITA E VAI PARA DEUS
3-                TODOS IRÃO PARA DEUS? – OS QUE OUVEM JESUS E O SEGUEM.
4-                TODOS GUARDAM O MANDAMENTO, o mundo é santo? – ALGUNS NÃO CONHECEM.
5-                QUEM VAI ENSINAR OS MANDAMENTOS?   – OS DISCÍPULOS. Os batizados.
6-                OS DISCÍPULOS SERÃO CAPAZES?  –  COM A AJUDA DO ESPÍRITO SANTO. Primeiro oro depois vou agir.
7-                  O QUE EU TENHO A VER COM O OUTRO? – FORMAMOS UM CORPO E CRISTO É A CABEÇA.
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Ascensão: Cristo recebeu do Pai, como verdadeiro homem, todo o poder no céu e na terra.
Na ressurreição, contemplamos o Cristo glorificado pelo Pai. Toda a sua natureza humana, corpo e alma, foi divinizada. Jesus, agora, é um homem totalmente novo, totalmente “espiritualizado”, totalmente glorificado, divinizado na sua humanidade. É este o mistério da ressurreição. Mas, há mais: ao ser glorificado, ele, que é uma pessoa divina, é entronizado com todo o poder no céu e na terra: ele, ressuscitado, é constituído Senhor do universo, Senhor da história, Senhor da nossa vida. É isto que a Escritura e a Tradição querem dizer ao afirmar que ele está “sentado à direita de Deus Pai”: ele tem o mesmo poder do Pai, ele recebeu o senhorio sobre tudo. Mas, não já o tinha antes? Não! Tinha como Verbo eterno e divino; mas, agora, é o Verbo como Filho feito homem que recebe tal poder! É este o significado da ascensão. Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas.
O “subir”, aqui, tem um sentido qualitativo: subiu para uma vida superior, para uma plenitude que não é deste mundo. Ele, agora, está totalmente imerso no mundo de Deus. É este o significado da nuvem que o encobre. Ela é símbolo do Espírito que, divinizando-o, coloca-o no âmbito de Deus Pai. Por isso já não podemos mais vê-lo com os olhos. Mas, a partida de Jesus não é um afastamento de nós. Ele estará presente no coração da Igreja e de cada fiel através da potência do seu Espírito Santo. É o mistério que celebraremos. Na glória, sentado à direita do Pai, ele agirá sempre como “Cabeça da Igreja, que é seu corpo”, vivificando-a, sustentando-a, e conduzindo-a sempre mais a ele, até que venha “do mesmo modo como o vistes partir”.
Para nós, a solenidade tem dois aspectos importantes. O primeiro, a certeza que há um Senhor no céu, há o Cristo, que tudo tem em suas mãos. Não há o que temer, cristão: teu Senhor é aquele que tudo dirige, tudo conduz e tudo plenifica. Finalmente, ao olhar para o céu, contemplamos, glorioso, aquele que é nossa Cabeça, aquele de cujo Corpo somos membros. Pois bem, a sua glória é antecipação e garantia da nossa.
Sustentados pelo Espírito Santo e com os olhos da fé, temos a certeza que nossa vida tem um sentido e é conduzida pelo Crucificado que foi glorificado à direita do Pai. Senhor nos convida a voltar cheios de alegria, como os apóstolos, e sermos testemunhas suas em toda a terra.

A esperança, segundo São Leão Magno, “tiraram tanto proveito da Ascensão do Senhor que tudo quanto antes lhes causava medo, depois se converteu em alegria”.
Jesus parte, mas permanece muito perto de cada um. Nós fomos feitos por Deus e para Deus, levamos dentro de nós essa marca de eternidade que nos faz desejar a felicidade. Cada ser humano tem dentro de si uma espécie de saudade do paraíso, um desejo de ser feliz para sempre, uma ânsia de eternidade que faz sentir certa náusea de viver para sempre numa situação incompleta e cheia de perigos. Aquela frase de Santo Agostinho, “Fizeste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”, continua atual.
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 Do céu desceu, para o céu subiu - Santo Agostinho.
Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu;  suba também com ele o nosso coração.
Ouçamos as palavras do Apóstolo:  “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está  Cristo sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl. 3,1-2).  E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também  nós subimos com ele, embora ainda não tenha se realizado em nosso corpo o que nos está prometido.
Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações  que nós experimentamos  como seus membros. Deu testemunho desta verdade  quando se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo por que me persegues? (At. 9,4). E ainda:  Eu estava com fome e me deste de comer (Mt. 25,35).
Cristo está no céu., mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com ele. Por sua divindade, por seu poder e por seu amor  ele está conosco.
= diz o Apóstolo: Como o corpo é um só,  embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo,  embora sejam muitos,  formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor. 12,12)  Cristo é um só, formado por muitos membros.
Desceu do céu  por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão ele;  mas nele pela graça, também nós subimos. Portanto,  ninguém mais desceu senão  Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.
Isto não quer dizer que a dignidade da cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do corpo não se separa da cabeça. Liturgia das Horas  II, p.828-830
- frei Almir Ribeiro Guimarães

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A Missão
Celebramos hoje a festa da Ascensão do Senhor...
Os últimos momentos de Jesus junto aos apóstolos e a volta de Cristo ao Pai...

A Intenção responder à expectativa da comunidade cristã primitiva, que esperava a segunda vinda de Cristo.
 
A 1ª Leitura sublinha a Vinda do Espírito Santo e o Testemunho dos discípulos "até os confins do mundo". (At 1,1-11)

A Ascensão não é: - Uma espécie de viagem de astronauta ao Universo.   O "Céu" não é um lugar... É estar com Deus...


A Ascensão não é: - Uma festa para olhar o céu, nosso destino,  desligados dos problemas da vida...



A Ascensão não é: - Um fato isolado. Faz parte do Mistério Pascal. (Paixão... Ressurreição... Ascensão... e Pentecostes...)

A Ascensão não é: - Não é um fato acontecido 40 dias após a Ressurreição:  O número é simbólico. É o tempo que prepara os apóstolos para a Missão...

* A ASCENSÃO É:
- Um convite para seguir o caminho de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do projeto de salvação e libertação, que Ele veio apresentar e passou para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito Santo.

A 2ª Leitura anuncia o sentido profundo e atual que tem a ASCENSÃO do Senhor para a Igreja e para cada cristão. (Ef 1,17-23)

O Evangelho de Lucas termina com o episódio da ASCENSÃO. (Lc 24,46-53)

Na despedida, Jesus define a MISSÃO dos discípulos no mundo.
Ao contrário dos "Atos", Ressurreição, Aparições e Ascensão são colocados, aqui, em Betânia, no mesmo dia da Páscoa, o que parece mais correto do ponto de vista teológico:
Ressurreição e Ascensão são apenas formas humanas de falar da passagem da morte à vida definitiva junto de Deus.

    A ASCENSÃO:

- É o TÉRMINO da missão terrena de JESUS,  embora continue sua atuação mediante o Espírito Santo...
- É o INÍCIO da missão da IGREJA:  Ela deve continuar o que Ele começou...
- Fortalece nossa ESPERANÇA. Nós saímos de Deus para um dia voltarmos a ele...
  É a fascinante vocação do homem, elevar-se, emigrar para um mundo novo...
  É um movimento para o alto, um impulso para o infinito...
  uma procura da vida que não tem fim...
  E Jesus, que se eleva, nos convida para esta aventura maravilhosa.
  "Subiu não para se afastar da nossa humildade, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro, onde ele nos precedeu". (Prefácio)
- A Ascensão de Jesus é o preparo da nossa Ascensão: "Vou preparar um lugar para vocês...", disse Jesus aos Apóstolos.
   Jesus preparou esse lugar, voltando para o Pai...  Compete agora a nós conquistar esse lugar...

E nós enquanto aguardamos a nossa Ascensão, não podemos ficar de braços cruzados, apenas olhando para o céu. Pelo contrário, devemos cumprir a ordem deixada por Cristo: "Vocês serão as minhas testemunhas..."

Qual o caminho ?

+ Não nos apegando às coisas da terra....    Nossa Pátria definitiva não é a terra... é o céu...
+ Sendo "testemunhas" de Cristo...  pregando o evangelho e administrando os sacramentos...
   "Ide... pregai... batizando..."
+ Esperando a vinda do Espírito Santo pela Oração.
  "Permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto".
   Assim a Vida da Igreja não começa com a AÇÃO, mas com a ORAÇÃO, junto com Maria, a Mãe de Jesus...
+ Rezando pela Unidade das Igrejas cristãs...
   É tradição nessa semana, várias Igrejas cristãs rezarem pela unidade...   pedindo ajuda do E. S., nesse esforço de diálogo e compreensão recíproca...

A festa de hoje:
- nos fortalece a esperança pelo destino que nos aguarda...
- mas também nos lembra que a nossa missão hoje é continuar o projeto de Jesus.

Será que não poderíamos também ser advertidos pelos anjos de Deus: "Por que ficais aí parados, de braços cruzados, olhando para o céu ?" Não é o momento de olhar ao nosso redor e... iniciar a Missão?
                          P. Geraldo
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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, começando pelas crianças da catequese, eu pergunto: quando eu digo: “eu estou no céu”, o que eu estou dizendo? – (que estou com Deus?) - (estou num lugar muito bom?) - (estou me sentindo muito bem?) - (significa que eu morri?) – não é para ir. É o mais certo de todos. Ninguém vai para o céu se não morrer. Continue: - (estou feliz?) – Olhe, existe felicidade maior, quando vivo em comunhão com Deus? E, agora, comunhão Plena? Tem que ser depois da morte, mas comunhão plena? É uma felicidade. Tem felicidade maior saber, que eu não corro mais o risco de ser desviado do caminho? Quem é que a morte incomoda? Quem tem a consciência pesada, porque acha que não está fazendo o bem, que deveria fazer. Aí é que está. No tempo de Jesus, tinha um grupo chamado saduceus, que não acreditavam na ressurreição. Por que? Porque eles viviam totalmente contrário do que era a vontade de Deus. Para quem vive de maneira contrária à vontade de Deus, tem um pouco de medo da morte ou tem muito medo da morte. Agora, uma coisa é ter medo da morte, outra coisa é ter medo de morrer, porque agente não sabe o que acontece quando está morrendo. Vamos saber um dia, mas agora não sabemos. Só que Jesus disse: eu vou dar um recado: o Filho do homem deve morrer e ressuscitar. Então, Ele já deu uma dica, uma orientação; fica tranquilo, agente não fica morto, Agente ressuscita.  Então, o que nos resta é aguardar o momento e até lá, aproveitar do tempo de maneira muito eficiente, muito boa. Uma das maneiras é sendo mãe. Sabe por que? Bom, agente está falando daquilo é mais ou menos comum para todos: “É um céu estar na casa da mãe”. Agente vai visitar a mãe ou vive com a mãe, agente se sente feliz, protegido, amparado. Então, o que acontece? Ir na casa da mãe é um céu. Quer fazer uma experiência? Basta ir em Aparecida, na casa da mãe. Agente se sente bem, muito a vontade. Então, a mãe pode nos ajudar na celebração de hoje. Hoje, comemoramos Jesus que foi para o céu, a ascensão do Senhor. Uma maneira simbólica, que apagamos o Círio durante o hino de louvor. Círio que é a presença de Cristo ressuscitado. Agora, ele não está entre nós com este corpo que temos, mas com o seu corpo Místico; ele a cabeça e todos nós os membros: Ele foi para o céu. Então, veja; não ficou na morte e sofrimento. Ele foi para um lugar de paz, de alegria, um lugar de tranquilidade. Agora, como bem diz o nosso irmão, Ele passou pela morte. Então, veja, que a mãe pode nos ajudar a entender o que é o céu.
É claro, que pode ser, que a mãe ou nós, porque não precisa ser só a mãe para isso, confunde ser amigo com ser colega. A mãe pode nos ensinar a participar do céu sendo amiga, mas não colega. É isto, que às vezes, nós filhos não entendemos bem. Queremos da mãe uma colega. Não. A mãe é um sinal de Jesus. Jesus sempre amou a todos, mas puxava a orelha na hora certa. Não precisa puxar. É modo de dizer. Chamava a atenção: chamava um de satanás, falou para o outro: vocês não tem fé? Falou para outro: você é pavio curto. Enfim, Jesus chamou a atenção na hora que precisou, mas também abençoou; O Evangelho de hoje. Quanto estamos praticando a benção? Jesus abençoou. Um convite às mães: ajude a criar o hábito de pedir benção. Ah, mas vão rir de mim em casa. Riram de Jesus também. Mas, é um sinal do céu. É um sinal de que estamos no céu quando recebemos a benção. Mas, só a mãe pode me levar para o céu? Não. Todo aquele ou aquela que trabalha para o irmão, para que este se sinta amado, este nos leva para o céu. Qualquer trabalho onde eu promovo a pessoa, no sentido dela se sentir amada, eu estou levando para o céu, porque o céu é o amor, por isso, Jesus está no céu, porque Ele é o amor em plenitude. Veja uma coisa. Isto é muito importante: as vezes, nós nos preocupamos em dar coisas, quando na realidade, é dar amor. Afinal, somos filhos nascidos do alto: Os valores a cultivar são os do alto. Olha, como é interessante: a mãe nos garante a vida; ela se torna mãe por isso! Mas, ela se torna nossa garantia, mesmo antes do nascimento. Ela, que de fato, nos dá proteção, nos acolhe, nos nutre e mesmo depois que nasce, até o filho viver em condições de caminhar sozinho, a mãe vai cuidando desse filho. Olha como é parecido com a Igreja: porque também nós nascemos do batismo. A placenta que a mãe trás com o líquido, é parecido com a água do batismo. Nascer, nascer para a vida. É claro, que agente vai cuidando; catequese e tudo mais, até ela poder caminhar sozinha. Aí, é de se esperar, que ela utilize daquilo que aprendeu. Então, a mãe e a Igreja são, assim, muito próximos. Então, a Igreja também nos leva para o céu e com todos aqueles que trabalham na igreja para garantir isto. Também os trabalhos sociais, muitas iniciativas na sociedade, exatamente para a pessoa se sentir mais amado, sobretudo, com aqueles que não têm com quem contar. A celebração da ascensão do Senhor é a esperança de um dia todos estarem no céu, dentro das compreensões que aqui foram faladas. Quando será isto?  É a pergunta dos discípulos para Jesus, na primeira leitura de hoje. Ninguém sabe. Depende o quando o mundo apostar no amor. Até lá, somos chamados a ajudar as pessoas a descobrir este amor.
Concluindo, é muito bom observarmos o que temos na carta aos efésios: Éfeso é a cidade onde Nossa Senhora viveu, depois da morte de Jesus, por conta, que acompanhou São João. Então, vamos pedir a Nossa Senhora, que anime as mães e que ao mesmo tempo acolha todas as mães junto de Jesus, aquelas que já estão no céu. Se alguém não se sentir amado pela mãe, tenha a certeza de que Maria ama a todos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.


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HOMILIA DE D. HENRIQUE SOARES DA COSTA

Ascensão: Cristo não somente foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito Santo, Senhor que dá a vida, mas também, neste mesmo Espírito, recebeu do Pai, como verdadeiro homem, todo o poder no céu e na terra. É este o sentido da festa de hoje. Mas, vejamo-lo por partes.
 Cristo Jesus, ao ressuscitar, saiu da morte e entrou na glória do Pai. A ressurreição e a ascensão são dois momentos, dois aspectos de um único acontecimento: a glorificação do Cristo feito homem e entregue à morte. Jesus não ressuscita, passa quarenta dias aqui na terra e, somente depois, vai para o Pai. Não. Ele já ressuscita no Pai, sua páscoa é passar deste mundo, atravessando o vale da morte, para entrar no Pai, saindo da morte. O que os Atos dos Apóstolos narram na primeira leitura de hoje, não é a ida de Jesus ao Pai, mas a despedida solene de Jesus, o fim daquele período de encontros do Ressuscitado, glorificado com o Pai, com os seus logo após a ressurreição.
Então, qual a diferença entre a ressurreição e a ascensão? Na ressurreição, contemplamos o Cristo totalmente glorificado pelo Pai na força do Espírito. Toda a sua natureza humana, corpo e alma, foi divinizada, impregnada pela vida divina, que é o Espírito Santo. Jesus, agora, é um homem totalmente novo, totalmente “espiritualizado”, totalmente glorificado, divinizado na sua humanidade. É este o mistério da ressurreição. Mas, há mais: ao ser glorificado, ele, que é uma pessoa divina, é entronizado com todo o poder no céu e na terra: ele, ressuscitado, é constituído Senhor do universo, Senhor da história, Senhor da nossa vida. É isto que a Escritura e a Tradição querem dizer ao afirmar que ele está “sentado à direita de Deus Pai”: ele tem o mesmo poder do Pai, ele recebeu o senhorio sobre tudo. Mas, não já o tinha antes? Não! Tinha como Verbo eterno e divino; mas, agora, é o Verbo como Filho feito homem que recebe tal poder! É este o significado da ascensão. Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas. É o que dirá a oração após a comunhão da Missa de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso... fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade”.
São Lucas exprime esta realidade, nos Atos dos Apóstolos, afirmando que Jesus “foi elevado ao céu” “uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo”. Não pensemos aqui numa subida espacial, como se o Senhor Jesus fosse fazer uma viagem pelo espaço sideral, de um lugar para o outro. O “subir”, aqui, tem um sentido qualitativo: subiu para uma vida superior, para uma plenitude que não é deste mundo. Ele, agora, está totalmente imerso no mundo de Deus. É este o significado da nuvem que o encobre. Ela é símbolo do Espírito que, divinizando-o completamente, coloca-o diretamente no âmbito de Deus Pai. Por isso já não podemos mais vê-lo com os olhos da carne.
Mas, a partida de Jesus não é um afastamento de nós. Ele estará, para sempre, interior e realmente, presente no coração da Igreja e de cada fiel através da potência do seu Espírito Santo. É o mistério que celebraremos no domingo próximo. Na glória, sentado à direita do Pai, ele agirá sempre como “Cabeça da Igreja, que é seu corpo”, vivificando-a, sustentando-a, e conduzindo-a sempre mais a ele, até que venha “do mesmo modo como o vistes partir”.
Para nós, a solenidade hodierna tem dois aspectos muito importantes. O primeiro, a certeza que, por mais incerta e sem sentido que muitas vezes a realidade e a nossa vida apareçam, há um Senhor no céu, há o Cristo, que tudo tem, amorosa e poderosamente, em suas mãos. Recordemos o que diz a segunda leitura: o Pai “manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”. Não há o que temer, cristão: teu Senhor é aquele que tudo dirige, tudo conduz e tudo plenifica. Tu e o mundo em que vives, tu e a história em que caminhas, estão nas mãos daquele que se senta no trono, à direita do Pai. Finalmente, ao olhar para o céu, contemplamos, glorioso, aquele que é nossa Cabeça, aquele de cujo Corpo somos membros. Pois bem, a sua glória é antecipação e garantia da nossa, como dizia a oração inicial da Missa: “membros do seu Corpo, somos chamados a participar da sua glória”.
Caríssimos, não tenhamos medo! Ainda que com os olhos da carne não possamos contemplar aquele que é o nosso Senhor e reina sobre tudo, sustentados pelo Espírito Santo e com os olhos da fé, temos a certeza que este mundo e nossa vida têm um sentido e são conduzidos pelo Crucificado que foi glorificado à direita do Pai. Renovemos o nosso ânimo e recordemos que o Senhor nos convida a voltar cheios de alegria, como os apóstolos, e sermos testemunhas suas em toda a terra. Sejamos

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Os relatos da ascensão do Senhor não querem indicar o afastamento de Jesus deste mundo. Querem, sim, revelar plenamente quem é Jesus, conforme já anunciado nas Sagradas Escrituras: o Messias sofredor que é glorificado. Revelam também que a missão de Jesus deve ser continuada pelos seus discípulos. Em nome dele, a boa notícia do perdão dos pecados, mediante o arrependimento, deverá ser proclamada a todas as nações. O Espírito Santo, promessa de Deus, é a força do alto que revestirá os discípulos missionários. Sem essa força, prevalecem os interesses próprios e as ambições de poder. Confessar a fé em Jesus que morreu, ressuscitou e subiu ao céu é voltar o olhar para a realidade deste mundo e comprometer-se com sua transformação (evangelho e Atos). Sejam dadas honra e glória a Deus, pois nos ama de maneira humilde e criativa. Sua grandeza e seu amor revelam-se plenamente em Jesus Cristo. O seu Espírito abre a nossa mente para que possamos conhecê-lo verdadeiramente. E nos chama a participar do Corpo Místico, a Igreja, cuja cabeça é Cristo, o qual está acima de todo poder (II leitura). Esta unidade precisa ser conservada e cultivada em cada comunidade e também entre as Igrejas cristãs, pois as divisões entre os membros do mesmo corpo impedem a vida digna e saudável.
Evangelho (Lc. 24,46-53): a bênção de Jesus
O Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos são dois volumes da mesma obra. Tanto no final do Evangelho como no começo do livro de Atos consta o relato da ascensão de Jesus, de formas diferentes. Originalmente, como muitos estudiosos defendem, não havia dois volumes, mas, sim, uma unidade, com apenas um relato da ascensão (o que se encontra em Atos). O que importa aqui, porém, é o sentido teológico dos dois relatos, assim como se encontram na Bíblia.
No Evangelho de Lucas, percebemos que todos os fatos acontecidos após a morte de Jesus se realizam no mesmo dia. Em Atos, Jesus ressuscitado permanece 40 dias entre seus discípulos, ensinando-lhes coisas referentes ao reino de Deus. Teologicamente, o tempo de um dia ou de 40 dias tem o mesmo significado: é o tempo propício concedido aos discípulos para serem testemunhas qualificadas de Jesus Cristo ressuscitado. Esse testemunho inaugura um novo tempo e deverá ser irradiado para o mundo inteiro. Para essa missão eles precisam ser preparados.
É por isso, então, que Lucas enfatiza a preocupação de Jesus em “abrir a mente” (v. 45) dos discípulos a fim de que entendam as Escrituras. Aprofunda a tarefa catequética de Jesus, já demonstrada no episódio dos dois discípulos a caminho de Emaús (24,13-35). Parece insistir na necessidade de uma retomada dos textos do Primeiro Testamento à luz do evento Jesus de Nazaré. Assim, tudo ficará esclarecido a respeito do Messias, o Salvador.
De fato, entre os apóstolos, bem como entre as comunidades cristãs, o processo de entendimento da pessoa de Jesus e de adesão profunda ao seu projeto não foi tão tranquilo como se pode pensar à primeira vista. É o que se percebe pelas reações dos discípulos diante das aparições de Jesus ressuscitado: os de Emaús caminham um longo trecho sem reconhecê-lo, pois eram “lentos de coração para crer no que os profetas anunciaram” (24,25); ao apresentar-se aos onze, desejando-lhes a paz, eles ficaram “tomados de espanto e temor, imaginando que fosse um espírito”, além de “perturbados e cheios de dúvidas em seus corações”, a ponto de Jesus insistir para que o apalpassem e entendessem... (cf. 24,36-40).
Diante dessas dificuldades, Jesus lhes anuncia o que o Pai prometeu: a força do alto. Enquanto isso não acontece, pede-lhes que permaneçam em Jerusalém, que, para Lucas, tem uma importância teológica muito especial, pois aí se deu o acontecimento salvador mediante a morte e ressurreição de Jesus. A partir desse espaço, a proclamação do arrependimento e da remissão dos pecados atingirá o mundo inteiro: é a boa notícia da salvação oferecida a toda a humanidade.
Lucas, porém, distingue a Jerusalém teológica da cidade em seu sentido político-econômico, com suas instituições opressoras. Não é por acaso que Jesus os tira desta cidade e os leva a Betânia. Isso lembra o êxodo do povo de Israel, tirado da escravidão do Egito. É em Betânia que ele os abençoa enquanto se eleva ao céu. As pessoas aí abençoadas tornar-se-ão portadoras da bênção divina a todos os povos.
1º leitura (At. 1,1-11): a exaltação de Jesus
O prólogo de Atos dos Apóstolos faz ligação com o início do Evangelho de Lucas, esclarecendo que se trata da continuação da obra endereçada ao mesmo destinatário, Teófilo (etimologicamente “amigo de Deus”), o qual, no plano simbólico, pode representar a comunidade cristã. Enquanto o primeiro volume tratou da vida de Jesus Cristo, o segundo vai ocupar-se da vida da Igreja, guiada pelo Espírito Santo. Ela está intimamente ligada à vida e à missão de Jesus, bem como à história de Israel, representada pelo seu centro religioso, Jerusalém, e pelo cumprimento da promessa anunciada na Sagrada Escritura.
O cristianismo tem suas raízes no judaísmo. Não há ruptura entre Israel e a Igreja: há continuidade. O testemunho dos apóstolos deverá percorrer uma trajetória sempre mais ampla, partindo de Jerusalém até os confins do mundo (1,8). Para isso, deverão antes mergulhar na experiência do Espírito Santo, que descerá sobre eles no dia de Pentecostes.
Para a narrativa da ascensão em Atos, Lucas inspira-se em passagens do Primeiro Testamento, como o arrebatamento de Elias aos céus (2Rs 2,1-18). Eliseu, discípulo de Elias, por testemunhar o arrebatamento do seu mestre, recebe “dupla porção” do seu espírito e torna-se o continuador da missão profética; como testemunhas oculares da ascensão de Jesus, seus discípulos receberão o Espírito Santo para continuar a sua obra. Os dois homens vestidos de branco são os mesmos de Lc 24,4, que anunciam às mulheres a ressurreição de Jesus e as fazem recordar as palavras por ele ditas. Aqui, em Atos, eles recordam aos discípulos a verdade da ascensão.
Ressurreição e ascensão são dois momentos que exprimem o novo modo de ser de Jesus: aquele que foi obediente ao Pai até a morte é glorificado e exaltado, mas permanece na comunidade. O transcendente manifesta-se na história humana.
2º leitura (Ef. 1,17-23): Jesus, cabeça da Igreja
A carta aos Efésios, com muita probabilidade, é fruto da reflexão das comunidades fundadas por Paulo. Escrita ao redor do ano 90, enfatiza o projeto de salvação de Deus para todos os seres humanos. O texto de hoje, num estilo litúrgico, apresenta a figura de Jesus glorioso como aquele que tem a soberania sobre toda a criação, está acima de toda autoridade e de todo poder.
O conhecimento de Deus dá-se por sua graça. É ele que nos concede “o espírito de sabedoria e de revelação”; é ele que “ilumina os olhos do coração” para compreendermos “a extraordinária grandeza do seu poder para nós” manifestada em seu Filho, Jesus Cristo. A ressurreição e a ascensão de Jesus são aqui lembradas como sinais que revelam a glória e a soberania de Jesus em tudo e em todos.
O discernimento da verdade a respeito de Jesus estende-se à verdade sobre a Igreja: formamos o Corpo Místico, cuja cabeça é Cristo. Ao mesmo tempo em que está sujeita à autoridade de Jesus Cristo, a Igreja vive intimamente unida a ele. É uma união vital, pois sem a cabeça não existe corpo e não existe vida.
Pistas para reflexão
A ascensão de Jesus não significa que ele tenha ido embora para retornar no final dos tempos. Na verdade, ele é exaltado, mas permanece no meio de nós. Os olhos da fé o vêem perfeitamente e o coração dos que acreditam o acolhem com amor e gratidão.
Jesus Cristo e a Igreja formam um corpo. Ter essa consciência implica cuidar uns dos outros com muito carinho e respeito. Significa responsabilizar-se pela promoção da vida, dando prioridade aos membros que sofrem. Significa acolher os que são diferentes, sem julgamentos superficiais, mas exercitando o diálogo e a mútua compreensão.
Celso Loraschi
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA


Lc 24, 46-53 à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, fonte da vida, dai-nos a vossa salvação!
à Pai, que dirigis o mundo na vossa liberdade soberana, nós vos bendizemos pela presença de Jesus, vosso filho, em nosso meio pela palavra que nos orienta e pelo pão que nos sustenta e transforma. Abri os nossos corações para que Vosso Espírito habite em nós e nos faça verdadeiras testemunhas de vosso amor.
T: Senhor, fonte da vida, dai-nos a vossa salvação!
à Pai, Vos bendizemos por nos dar Jesus Cristo como nosso único e eterno sacerdote, No qual nos inserimos para o vosso louvor e vossa glória. Vos louvamos pelo Cordeiro que está a Vossa direita a interceder por nós.
T: Senhor, fonte da vida, dai-nos a vossa salvação!
à Pai, nós Vos damos graças pela obra cumprida por Jesus, Vosso Filho, no meio de nós. Pelo batismo nos tornamos vossos filhos adotivos e com grande esperança, aguardamos o dia de nossa ressurreição, para habitarmos convosco para sempre.
T: Senhor, fonte da vida, dai-nos a vossa salvação!
à Pai, fazei-nos mais assíduos em nossa missão de testemunhas de vosso amor. Que vosso Espírito nos fortifique e nos transforme em verdadeiros anunciadores de vosso Reino.
T: Senhor, fonte da vida, dai-nos a vossa salvação! 
à Pai nosso... A Paz...   Eis o Cordeiro...