quinta-feira, 8 de setembro de 2016

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM  (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Sinopse:

Tema: “O Cristo veio para salvar os pecadores.”
Deus ama o homem e está sempre pronto a perdoar
Primeira leitura: No Sinai Jahwéh mostra sua misericórdia face à infidelidade do Povo.
Evangelho: A parábola do “filho pródigo”, apresenta Deus como um pai que espera o regresso do filho rebelde e que faz uma festa para celebrar o reencontro.
Segunda leitura: Paulo recorda que o amor de Jesus Cristo nos transforma em pessoas novas.

PRIMEIRA LEITURA (Ex 32,7-11.13-14) Leitura do Livro do Êxodo.
Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés: “Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram lhe sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!’” E o Senhor disse ainda a Moisés: “Vejo que este é um povo de cabeça dura. Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação”. Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: “Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte? Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste, por juramento, dizendo:
‘Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre’”. E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.

AMBIENTE - O texto situa-nos no deserto do Sinai, onde Israel celebrou uma aliança com o seu Deus. Depois de Moisés subir ao monte para receber de Deus as tábuas da Lei, o Povo, reunido no sopé da montanha, construiu um bezerro de ouro e infringiu os termos da aliança.

MENSAGEM - Na ausência de Moisés, o Povo constrói um bezerro de ouro. O Povo “desviou-se do caminho” que Deus lhe havia ordenado, pois infringiu o segundo mandamento do Decálogo (segundo o qual, Israel não devia fazer imagens, já que a “imagem” era uma definição de Deus e Deus não pode ser definido pelo homem; por outro lado, a luta contra os deuses e cultos pagãos era impossível se não se proibisse também os seus símbolos e imagens). Na segunda parte, descreve-se a intercessão de Moisés e a misericórdia de Deus. As palavras de intercessão de Moisés não fazem referência aos méritos do Povo, mas à honra de Deus e à sua fidelidade às promessas assumidas para com o Povo no âmbito da aliança. A resposta de Deus põe em relevo a sua misericórdia. Não são os méritos do Povo que sustêm o castigo; mas é o amor de Deus, a sua lealdade aos compromissos, a sua “justiça” (que é misericórdia, ternura, bondade) que acabam por triunfar. O amor infinito de Deus pelo seu Povo acaba sempre por falar mais alto do que a sua vontade de castigar os desvios e infidelidades.

ATUALIZAÇÃO
¨  Fica claro que a essência de Deus é esse amor gratuito que Ele derrama sobre os homens, qualquer que seja o seu pecado… Deus ama infinitamente, seja qual for a resposta do homem.
¨ O pecado dos israelitas (a construção de uma imagem deturpada de Deus) leva nos a questionar as imagens que, às vezes, construímos e transmitimos de Deus… O Deus em quem acreditamos e que testemunhamos, quem é? É o Deus que se revelou como amor, bondade, misericórdia, ao longo da história da salvação, ou é um Deus vingativo e cruel, que não desculpa as faltas dos homens?  - testemunhar um Deus vingativo, sem coração e sem misericórdia, é fabricar uma falsa imagem de Deus.
¨  Moisés intercede pelo Povo sem uma ambição pessoal sobre Israel (Deus propôs-lhe: “deixa que a minha indignação se inflame contra eles; de ti farei uma grande nação”; mas Moisés não aceitou a proposta). Quantas vezes os homens são capazes de “vender a alma ao diabo” para subir, para ter êxito? Quantas vezes sacrificam os valores mais sagrados para serem conhecidos, famosos, invejados, ou para adquirir mais e poder e influência?

SALMO RESPONSORIAL / 50 (51) Vou agora levantar-me, volto à casa do meu pai.

EVANGELHO (Lc 15,1-32) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.

AMBIENTE - No “caminho para Jerusalém” aparece, em dado momento, uma catequese sobre a misericórdia de Deus… Com efeito, todo o capítulo 15 de Lucas é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”. Para Lucas, Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer, em gestos concretos, a salvação. As parábolas da misericórdia expressam o amor de Deus aos pecadores. O discurso de Jesus apresentado em Lc 15 é enquadrado, pelo evangelista, numa situação concreta. Ao ver pecadores (cobradores de impostos, prostitutas) que se aproximavam de Jesus e eram acolhidos por Ele, os fariseus e os escribas (que não admitiam qualquer contato com os pecadores) expressaram a sua admiração por Jesus os acolher, Se sentar à mesa com eles (familiaridade, comunhão de vida). É essa crítica que vai provocar o discurso de Jesus sobre a misericordiosa de Deus.

MENSAGEM - As três parábolas da misericórdia pretendem justificar o comportamento de Jesus para com os publicanos e pecadores. Elas definem a “lógica de Deus” em relação a esta questão.
A primeira parábola é a da ovelha perdida. À luz da razão, é ilógica e incoerente, pois não é normal abandonar noventa e nove ovelhas por causa de uma; também não faz sentido todo o espalhafato criado à volta de um fato banal como é o reencontro com uma ovelha que se extraviou… Nesses exageros revela-se, contudo, a mensagem da parábola… O “deixar as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro da que estava perdida” mostra a preocupação de Deus com cada homem que se afasta da comunidade da salvação; o “pôr a ovelha aos ombros” significa o cuidado de Deus, que trata com amor os filhos que se afastaram e que necessitam de cuidados especiais; a alegria do pastor que encontrou a ovelha mostra a alegria de Deus, sempre que encontra um filho que se afastou da comunhão com Ele.
A segunda parábola reafirma o ensinamento da primeira. O amor misericordioso de Deus busca aquele que se perdeu e alegra-se quando o encontra. A imagem da mulher preocupada, que varre a casa, ilustra a preocupação de Deus em reencontrar aqueles que se afastaram da comunhão com Ele. Também aqui há novamente a referência à alegria do reencontro: essa alegria manifesta a felicidade de Deus diante do pecador que volta.
A terceira parábola apresenta o quadro de um pai (Deus), em cujo coração triunfa sempre o amor pelo filho, aconteça o que acontecer. Ele continua a amar o filho rebelde e ingrato, apesar da sua ausência, do seu orgulho e da sua autossuficiência; e esse amor acaba por revelar-se na forma emocionada como recebe o filho, quando ele resolve voltar para a casa paterna. Esta parábola apresenta a lógica de Deus, que respeita a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para buscar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar, a esperar o regresso do filho, preparado para acolhê-lo com alegria e amor. É essa a lógica que Jesus quer propor aos fariseus e escribas (os “filhos mais velhos”) que, a propósito dos pecadores que tinham abandonado a “casa do Pai”, professavam uma atitude de intolerância e de exclusão.
O que está em causa nas três parábolas da misericórdia é a justificação da atitude de Jesus para com os pecadores. Jesus deixa claro que a sua atitude se insere na lógica de Deus em relação aos filhos afastados. Deus não os rejeita, não os marginaliza, mas ama-os com amor de Pai… Preocupa-se com eles, vai ao seu encontro, solidariza-Se com eles, estabelece com eles laços de familiaridade, abraça-os com emoção, cuida deles com solicitude, alegra-Se e faz festa quando eles voltam à casa do Pai. Esta é a forma de Deus atuar em relação aos seus filhos, sem exceção; e é essa atitude de Deus que Jesus revela ao acolher os pecadores e ao sentar-Se com eles à mesa. Por muito que isso custe aos fariseus, essa é a lógica de Deus; e todos os “filhos de Deus” devem acolher esta lógica e atuar da mesma forma.

A veste nova representa a amizade de Deus recuperada, exatamente como era antes. Isto nos causa arrependimento e ao mesmo tempo alegria, após o pecado.  É próprio de quem ama respeitar a pessoa amada. Provavelmente o pai sabia onde o filho estava, cuidando dos porcos. Mas não foi buscá-lo. Sofria ao saber que o filho estava passando fome, mas respeitava a sua liberdade. Já o filho mais velho é mesquinho, sem coração, não sabe perdoar o irmão. Se nos julgamos perfeitos e não aceitamos ser irmãos daqueles que erram, tornamo-nos piores do que eles.                                                   

ATUALIZAÇÃO
¨ As parábolas da misericórdia revelam-nos um Deus que ama todos os seus filhos, sem exceção, mas que tem um “fraco” pelos marginalizados, pelos excluídos, pelos pecadores… Esse amor manifesta-se em atitudes exageradas de cuidado, de solicitude; revela-se também na “festa” que se sucede a cada reencontro… Deus abomina o pecado, mas não deixa de amar o pecador.
¨• Se essa é a lógica de Deus em relação aos pecadores, é essa mesma lógica que deve marcar a minha atitude face àqueles que me ofendem e, mesmo, face àqueles que têm vidas moralmente reprováveis. Como é que eu acolho aqueles que me ofendem: com intolerância ou com respeito?
¨• Ser testemunha da misericórdia e do amor de Deus não significa pactuar com o pecado… O pecado – tudo o que gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento – é mau e deve ser combatido e vencido. Distingamos as coisas: Deus convida-me a amar o pecador como um irmão; mas convida-me também a lutar contra o mal – todo o mal é uma negação desse amor de Deus.

SEGUNDA LEITURA (Tm 1,12-17) Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo: Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim ao designar-me para o seu serviço, a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. Transbordou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. Ao Rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

AMBIENTE - Timóteo é companheiro de Paulo, a partir da segunda viagem missionária. Paulo teria confiado a Timóteo missões importantes entre os tessalonicenses e entre os coríntios. A tradição considera-o como o primeiro bispo de Éfeso. Esta carta apresenta três temas: a organização da comunidade, a forma de combater os hereges e a vida cristã dos fiéis.

MENSAGEM - No texto, Paulo recorda a sua história de vocação. O apóstolo afirma que recebeu de Cristo o seu ministério; e proclama que isso se deve, não aos seus méritos, mas à misericórdia de Deus. Paulo tem consciência do seu passado de perseguidor da Igreja de Cristo. Atuou dessa forma por ignorância; Apesar desse passado, Deus, na sua bondade, cumulou-o da sua graça. Paulo reconhece que Cristo “veio ao mundo para salvar os pecadores”, entre os quais Paulo se inclui. Pelo exemplo de Paulo, fica evidente a misericórdia de Deus, que se derrama sobre todos os homens, sejam quais forem as faltas cometidas. A partir deste exemplo, todos os homens são convidados a tomar consciência da bondade de Deus e a responder-lhe da mesma forma que Paulo: com o dom da vida e com o empenho sério no testemunho desse projeto de amor que Deus tem para oferecer. O reconhecimento que Paulo sente diante da misericórdia com que Deus o distinguiu leva-o a um canto de louvor: (“ao rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos, amém”).

ATUALIZAÇÃO
¨  o amor de Deus derrama-se sobre todos os homens, mesmo sobre os pecadores. Somos filhos deste Deus e amamos os nossos irmãos, sem distinções? Como conciliar essas atitudes com o exemplo de amor sem restrições que Deus nos oferece?


=========---------------============

Deus está sempre de braços abertos para acolher os pecadores arrependidos.

A 1ª Leitura mostra a MISERICÓRDIA de Deus para com o Povo infiel.
Após ter recebido inúmeros favores de Deus na Libertação do Egito, o Povo rompe com a Aliança e adora um bezerro de ouro. Moisés intercede. Deus os perdoa.
* O BEZERRO DE OURO não pretende ser um novo deus, mas uma "imagem" de Javé, o que era proibido, para salvar a transcendência de Javé e evitar os símbolos e imagens dos cultos pagãos...

Na 2ª Leitura: PAULO fala da MISERICÓRDIA de Deus para com ele: Recorda o seu passado de perseguidor violento da Igreja. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, tornou-se um Apóstolo... E hoje manifesta toda a sua alegria e gratidão pelo que a graça e a misericórdia de Deus fez nele... (1Tm, 1,12-17)

Evangelho (Lc 15,1-32): Jesus fala da MISERICÓRDIA de Deus para com os Pecadores:

- Na Introdução, os fariseus criticam Cristo porque "acolhe pecadores e come com eles..."
- Essa crítica provoca a Resposta de Jesus   com as TRÊS PARÁBOLAS DA MISERICÓRDIA  que ilustram a atitude misericordiosa de Deus para com os pecadores,
  - A Ovelha perdida - A Moeda perdida - O Filho pródigo (perdido)

+ Elas manifestam a Alegria de encontrar o que estava perdido;  A alegria é tão grande, que precisa ser partilhada com os outros; É preciso festejar, tamanha é a felicidade.

+ Elas nos apresentam também Três Realidades:

1. A Existência do PECADO:

Nas leituras de hoje, encontramos vários exemplos:
- A IDOLATRIA dos judeus...
- A PERSEGUIÇÃO de Paulo
- A Atitude de INJUSTIÇA do Filho pródigo para com o Pai e a vida desordenada com meretrizes...
- A negativa de PERDÃO do irmão mais velho...
- O PURITANISMO dos fariseus e escribas, que murmuravam...
2. A MISERICÓRDIA de Deus:

- O Pai respeita a liberdade do filho,  mesmo quando busca a felicidade por caminhos errados...   Continua a amar e a esperar o seu regresso. E quando volta...
- Corre ao encontro, mesmo antes do filho pedir perdão...
- O Beijo revela o perdão, a acolhida, a alegria...
- A veste: manifesta que devolve a dignidade... uma vida nova
- O anel: simboliza o poder... é recebido "como filho", não como empregado...
- As sandálias: são próprias do homem livre, não do escravo...
- Festeja com a alegria o retorno.

* É a atitude de Deus para com os filhos afastados...
      O Pai nunca abandonou seu amor de Pai.
- Por que será que o filho mais novo quis ir embora?   Porque desejava uma vida liberdade, longe dos olhos e controle do pai. Ou porque o comportamento do seu irmão tornava a vida pesada e insuportável naquela casa?

3. A CONVERSÃO do pecador.

O Pecado existe e todo pecado é uma ofensa a Deus... Mas a misericórdia de Deus é maior do que todos os nossos pecados...

Contudo supõe uma atitude de retorno: CONVERSÃO. Assim entenderemos a preferência de CRISTO pelos pecadores, que humildemente reconheciam suas culpas e procuravam sinceramente uma conversão.
E compreenderemos também as censuras de Jesus aos fariseus, representados na Parábola pelo filho mais velho, que não aceita perdoar...

Todos nós somos pecadores... A Igreja não é feita de santos, mas de pecadores perdoados...
- A Liturgia afirma: "Somos povo santo e pecador..."
- S. Paulo: "Jesus veio salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles". (1Tm 1,15)

+ As Parábolas da misericórdia nos revelam um Deus que ama todos.
As transgressões dos filhos não anulam o Amor do Pai.
Se essa é a atitude de Deus, qual deve ser a nossa para com aqueles que se afastaram de Deus e da Comunidade? 
A Atitude de Cristo ou a dos fariseus? Do Pai ou do Filho mais velho?
Como viver a misericórdia em nossa Vida, em nossa Família?

Renovemos a nossa fé em Deus, Pai de bondade e misericórdia, e fiquemos de BRAÇOS ABERTOS também para nossos irmãos.

Pe. Antônio Geraldo
=========------------------========

Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

Na Solenidade do santo Natal, na segunda leitura da Missa da Aurora, a Igreja, olhando o Presépio, faz-nos escutar as palavras de São Paulo a Tito: “Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador, e o seu amor pelos homens. Ele salvou-nos, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia…” (Tt 3,4s). O Menino que veio viver entre nós, Jesus, nosso Senhor, é a bondade de Deus, é a sua salvação misericordiosa… Estas palavras são maravilhosamente ilustradas pela liturgia deste Domingo. Hoje, o Cristo nos é apresentado como a própria bondade, a própria ternura misericordiosa do Pai do céu, do nosso Deus. Aquilo que já fora prefigurado por Moisés, intercedendo pelo povo pecador, na primeira leitura; aquilo que, na segunda leitura, São Paulo pregou e experimentou na própria vida: “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!” – tudo isso nós tocamos nas três parábolas da misericórdia do Evangelho de São Lucas.
Sigamos a narrativa. Por que Jesus contou essas parábolas? Porque “os publicanos e pecadores aproximavam-se dele para o escutar. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’.” Aqui está: Jesus era um fio de esperança para aqueles considerados perdidos, metidos no pecado, sem jeito nem solução… Os publicanos, as prostitutas, os ignorantes, os pequenos e desprezados, gente sem preparo e sem cultura teológica… estavam aproximando-se de Jesus para escutá-lo; viam nele a ternura e a misericórdia de Deus. Os escribas e fariseus – homens praticantes e doutores da Lei – criticavam Jesus por isso. Ele se misturava com os impuros, ele acolhia a gentalha e os pecadores. Pois bem, foi para esses doutores que Jesus contou as parábolas, para mostrar-lhes que o coração do Pai é ternura, é amor, é vida, é amplo como uma casa grande…
O Pai se alegra, porque Jesus, o Bom Pastor, era capaz de deixar noventa e nove ovelhas para ir atrás daquela que se perdera totalmente, até encontrá-la! O convite que Jesus estava fazendo aos escribas e fariseus era claro: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!” Alegrai-vos, porque o coração do Pai está feliz: ele não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida! Do mesmo modo, na parábola da dracma perdida: Deus é como aquela mulher que acende a lâmpada e varre cuidadosamente a casa até encontrar sua moedinha. E não descansa até encontrá-la. Quando a encontra, como Deus, quando encontra o pecador, ela exclama: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que havia perdido!” O Deus que Jesus nos revela, o Deus a quem ele chamava de Pai é assim: bom, compassivo, misericordioso, preocupado conosco e com cada um de nós. Ele somente é glorificado quando estamos de pé, quando estamos bem, quando somos felizes. Mas, não há felicidade verdadeira para nós, a não ser juntinho dele, que é o Pai de Jesus e nosso Pai. É isso que Jesus inculca com a terceira parábola, a mais bela de todos: o Pai e os dois filhos.
“Um homem tinha dois filhos”. Este homem é o Pai do céu. “O filho mais novo disse ao pai: ‘Dá-me a parte da herança que me cabe’”. Esse moço quer ser feliz, deseja ser livre… e imagina que somente vai sê-lo longe do olhar do pai. Assim, sem juízo, como que mata o pai, pedindo-lhe logo a herança. “e partiu para um lugar distante”. Quanto mais longe do pai, melhor, mais livre. E aí dissipa tudo, numa terra pagã, longe do pai, longe de Deus. E termina na miséria, tendo esbanjado a vida, a felicidade, o futuro, o amor e o sexo… Vai pedir trabalho e dão-lhe o mais vergonhoso para um judeu: cuidar de porcos, animais impuros. E ele queria comer a lavagem dos porcos e não lha davam! Em que deu o sonho de autonomia, de liberdade, de felicidade longe do pai! Tudo não passara de ilusão! Mas, apesar de louco, o jovem era sincero: caiu em si, reconheceu que pecou. Não colocou a culpa no pai, nos outros, no mundo, no destino. Reconheceu-se culpado e recordou e confiou no amor do pai: “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti!” E volta! O jovem era corajoso, generoso, era sincero! O que ele não sabia é o pai nunca o esquecera; esperava-o todos os dias, olhando ao longo do caminho. De longe o avistou e o reconheceu, apesar da miséria e da fome e das roupas maltrapilhas. E, cheio de compaixão – como o coração do Pai de Jesus – correu ao encontro do filho, cobriu-o de beijos e de vida, e restituiu-lhe a dignidade de filho. E deu uma festa! O Pai é assim: não quer ninguém fora de sua casa, de seu coração, da festa do seu amor, do banquete de sua eucaristia! Mas, havia ainda o filho mais velho. Este, como os escribas e os fariseus, jamais havia desobedecido ao pai; cumprira todos os seus preceitos. Por isso, ficou com raiva e não quis entrar na festa do pai: “O pai, saindo, insistia com ele…” Notem que o mesmo pai que saíra ao encontro do mais novo, saiu agora ao encontro do mais velho, que estava perdido no seu egoísmo, na sua raiva, fora da festa e do aconchego do pai! E o mais velho passou-lhe na cara: “Eu trabalho para ti há tantos anos… e tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos…” O pai respondeu: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu…” É que aquele filho nunca amara o pai de verdade: cumpria tudo, de tudo fazia conta… e, um dia, iria pedir o pagamento, a recompensa por tudo… Por isso nunca se sentiu íntimo do pai, por isso não sentia que tudo quanto era do pai era dele também! Pode-se estar junto do pai e nunca o conhecê-lo de verdade! Não era esta a situação daqueles escribas e fariseus? Interessante que Jesus não diz se o filho entrou na festa do pai e na alegria do irmão ou se, ao contrário, ficou fora, onde somente há choro e ranger de dentes.
Pois bem, o Senhor nos convida hoje a acolher em Jesus a misericórdia incansável de Deus para conosco, um Deus que não sossega até nos encontrar… Mas, nos convida também a ser misericordioso para com os outros. É triste quando experimentamos que somos pecadores, experimentamos a bondade acolhedora de Deus para com nossos pecados e, depois, somos duros, insensíveis e exigentes em relação aos irmãos. Que o Senhor nos dê um coração como o coração de Cristo, imagem do coração do Pai, capaz de acolher o perdão e a misericórdia de Deus e transbordar esse perdão e essa misericórdia para com os outros. Amém. - Dom Henrique Soares da Costa
=============-------------------========

LOUVOR (quando o Pão Sagrado estiver sobre o altar)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS PRESENTE ENTRE NÓS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, nos coloquemos na presença do PAI:
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Pai de bondade, Vós que guiastes Moisés para que ele conduzisse o Vosso povo fora do Egito, nós Vos bendizemos pela paciência e pelo perdão que nos revelais. Ajudai-nos para que não nos afastemos de vosso amor e de vossa misericórdia.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Deus, Nosso Pai, honra e glória a Vós, Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, pelos séculos dos séculos. Reconhecemos o vosso amor e o vosso perdão que nos faz levantar todos os dias. Que cada dia possamos nos aproximar cada vez mais de vosso amor.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Deus, Nosso Pai, Vós que sabeis acolher os pecadores e ainda nos convidais a participar da mesa do vosso Filho, nós vos bendizemos; Sois amor e misericórdia. Enviai o Espírito Santo para que sejamos transformados e assim possamos espelhar ao mundo a misericórdia e o perdão.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!

- Pai nosso...  A Paz...   Eis o Cordeiro...








quinta-feira, 1 de setembro de 2016

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Subsídios homiléticos, homilias

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C

SINOPSE:
Odiar = sentir repugnância, detestar
Mateus  10 37 = amar mais

Evangelho: O “Reino” deve ter a primazia sobre as pessoas que amamos, sobre os nossos bens, sobre os nossos próprios interesses e esquemas pessoais
Segunda leitura: recorda que o amor é o valor fundamental

Lc 14,15-24) havia sugerido que o “banquete do Reino” estava aberto a todos os que aceitassem o convite de Jesus, inclusive aos pobres, estropiados, cegos e coxos… Agora, Lucas vai apresentar algumas exigências, predominando o tema da renúncia

A primeira exige o preferir Jesus à própria família
A segunda, a renúncia à própria vida
A terceira exige a renúncia aos bens.
Reino” implica viver no amor e partilha
Colocarmos o Senhor como o centro
Ser discípulo de Cristo comporta mudança de mentalidade
Não podemos ser cristãos fazendo política como o mundo faz, tendo uma vida sexual como o mundo tem, pensando em questões como o divórcio, o aborto, o adultério como o mundo pensa,


Tema: 
O caminho do Reino se dá na renúncia. “Qualquer um, se não renunciar a tudo, não pode ser meu discípulo!”
Primeira leitura: só em Deus é possível encontrar a verdadeira felicidade e o sentido da vida.
Evangelho: O “Reino” deve ter a primazia sobre as pessoas que amamos, sobre os nossos bens, sobre os nossos próprios interesses e esquemas pessoais
Segunda leitura: recorda que o amor é o valor fundamental; só ele permite descobrir a igualdade de todos os homens, filhos do mesmo Pai e irmãos em Cristo.

PRIMEIRA LEITURA (Sabedoria 9,13-18b)
Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de  Deus? Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos: porque o corpo corruptível  e a tenda de argila oprime a mente que pensa. Mal podemos conhecer o que há na terra; quem investigará o que há nos céus? Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos.

AMBIENTE - O Livro da Sabedoria (a arte de bem viver, de ter êxito e de ser feliz). livro escrito na primeira metade do séc. I a.C. por um judeu de Alexandria. Dirige-se aos mergulhados na idolatria e na imoralidade, e mostra-lhes as vantagens de perseverar na fé e de viver na justiça; apresenta-lhes a superioridade da fé e dos valores israelitas.

MENSAGEM - A questão é: só essa sabedoria que é um dom de Deus permite ao homem compreender tudo, fazer o que agrada a Deus e ser salvo. O autor parte da nossa finitude, das nossas limitações: por nós, não conseguimos compreender o verdadeiro sentido da nossa vida. Como “conhecer os desígnios de Deus”? O homem  tem de acolher a “sabedoria”, dom de Deus para dar um sentido à sua vida. Só a ação de Deus permite encontrar o sentido da vida e discernir o verdadeiro do falso, o importante do inútil.

ATUALIZAÇÃO • Face as teorias, ficamos confusos como escolher. as nossas escolhas são condicionadas pelos “mídia”,  pela ideologia dominante, pelos valores que as telenovelas impõem, pela filosofia … Será que esses caminhos nos conduzem no sentido da vida plena?
• Para os crentes, o critério para julgar é o Evangelho – apesar da contradição com os valores que a sociedade propõe.

SALMO RESPONSORIAL / 89 (90)
Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.
• Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, / quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” / Pois mil anos para vós são como ontem, / qual vigília de uma noite que passou.
• Eles passam como o sono da manhã, / são iguais à erva verde pelos campos. / De manhã ela floresce vicejante, / mas à tarde é cortada e logo seca.
• Ensinai-nos a contar os nossos dias / e dai ao nosso coração sabedoria! / Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? / Tende piedade e compaixão de vossos servos!
• Saciai-nos de manhã com vosso amor, / e exultaremos de alegria todo o dia! / Que a bondade do Senhor e nosso Deus / repouse sobre nós e nos conduza! / Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

EVANGELHO (Lc 14,25-33)  
Grandes multidões acompanhavam Jesus. Ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. Ou ainda: Qual o rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se, com dez mil homens, poderá enfrentar o outro, que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

AMBIENTE - Jesus dirige-se “às multidões”, quer dizer, a todos os presentes e futuros. A parábola anterior (cf. Lc 14,15-24) havia sugerido que o “banquete do Reino” estava aberto a todos os que aceitassem o convite de Jesus, inclusive aos pobres, estropiados, cegos e coxos… Agora, Lucas vai apresentar algumas exigências, predominando o tema da renúncia.

MENSAGEM - Jesus põe três exigências. A primeira exige o preferir Jesus à própria família: (“quem não odeia o pai, a mãe… não pode ser meu discípulo”). Odiar alguém? Não. “odiar” significa “pôr em segundo lugar algo, porque apareceu um valor mais importante”. Está, sim, a exigir que as relações familiares não nos impeçam de aderir ao “Reino”. Se for necessário escolher, a prioridade deve ser do “Reino”.
A segunda, a renúncia à própria vida . O discípulo não faz opções egoístas, colocando em primeiro lugar os seus interesses, aquilo que é melhor para ele; mas tem de colocar a sua vida ao serviço do “Reino” e fazer da sua vida um dom de amor aos irmãos, se necessário até à morte. Foi esse o caminho de Jesus; e o discípulo é convidado a imitar o mestre.
A terceira exige a renúncia aos bens. Pois os bens podem transformar-se em deuses, tornando-se uma prioridade, escravizando o homem e levando-o a viver em função deles; dar prioridade aos bens significa viver de forma egoísta, esquecendo as necessidades dos irmãos; viver na dinâmica do “Reino” implica viver no amor e partilha
A opção pelo “Reino” não é um caminho fácil.
A parábola do homem que, antes de construir uma torre, pensa se tem com que terminá-la e a parábola do rei que, antes de partir para a guerra, pensa se pode opor-se a outro rei com forças superiores convidam os discípulos a tomar consciência da sua decisão em corresponder aos desafios do Evangelho e em assumir as exigências do “Reino”.

ATUALIZAÇÃO ¨  • Jesus não faz promessas para atrair multidões a qualquer preço. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro com uma proposta de salvação, de vida plena; essa proposta implica uma adesão radical. O caminho de Jesus não é um caminho de “massas”, de “discípulos”: os que fazem séria opção.
¨  O caminho cristão é um caminho exigente, onde só cabem aqueles que aceitam a radicalidade de Jesus. A nossa pastoral deve facilitar tudo, ou ir pelo caminho da exigência?
¨  • A opção pelo batismo ou pelo casamento religioso é uma opção séria e exigente, que só faz sentido no quadro de um compromisso com o “Reino” e com a proposta de Jesus.
¨  • Outra exigência que Jesus faz é a renúncia à própria vida e o tomar a cruz do amor, do serviço, do dom da vida. O que é mais importante para mim: os meus interesses, os meus valores egoístas, ou o serviço dos irmãos e o dom da vida?
¨  • Uma terceira exigência de Jesus pede a renúncia aos bens. Os bens, as riquezas são, para mim, uma prioridade fundamental? O que é mais importante: a partilha, a solidariedade, a fraternidade, o amor aos outros, ou o ter mais, o juntar mais?

SEGUNDA LEITURA (Fm 9b-10.12-17) Leitura da Carta de São Paulo a Filêmon.
Caríssimo, eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho. Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo.

AMBIENTE - Onésimo, escravo de Filêmon, fugiu de casa do seu senhor. Encontrou Paulo, ligou-se a ele e tornou-se cristão. Paulo, que estava na prisão (em Éfeso? Em Roma?), manteve-o junto de si. Onésimo corria o risco de ser preso e castigado. Paulo envia Onésimo a Filêmon e intercede pelo escravo fugitivo. Paulo insinua a Filêmon que, sendo possível, lhe devolva Onésimo, já que este lhe vem sendo de grande utilidade.

MENSAGEM - Para Paulo, o amor dirige as decisões dos crentes. Ora, o amor tem consequências: o ver em cada homem um irmão. Nesta perspectiva, Paulo solicita a Filêmon que receba Onésimo não como o que era antes (um escravo), mas sim como é agora – um irmão em Cristo. Todos são “filhos de Deus” e irmãos em Cristo. A conversão ao amor exige a igualdade de todos, filhos do mesmo Deus e irmãos em Cristo; a partir do amor, o escravo descobre a afirmação clara da sua dignidade de homem. É esta a questão fundamental.

ATUALIZAÇÃO ¨• O amor exige a igualdade de todas as pessoas.
¨• O amor exige que as nossas comunidades sejam espaços de comunhão, de fraternidade, de acolhimento, sejam quais forem os defeitos dos irmãos.

É preciso que compreendamos que esta exigência tão radical do Senhor não é por capricho, não é arbitrária, não é humilhante ou desumana para nós. O Senhor é tão exigente porque nos quer libertar de nós mesmos, de nosso horizonte fechado e limitado à nossa própria razão, ao nosso próprio modo de ver e pensar as coisas e o mundo. O Senhor nos quer libertar da ilusão de que somos auto-suficientes e sábios, de que somos deuses! Como têm razão, as palavras do Livro da Sabedoria: “Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Quem, portanto, investigará o que há nos céus?” O homem, sozinho, é incapaz de compreender o mistério da vida, que somente é conhecido pelo coração de Deus! Isto valia para ontem, e continua valendo para hoje e valerá ainda para amanhã, mesmo com todo o desenvolvimento da ciência e com toda a ilusão de que nos bastamos a nós mesmos e podemos por nós mesmos decidir o que é certo e o que é errado. O homem, fechado em si mesmo, jamais poderá compreender de verdade o mistério de sua existência e o sentido profundo da realidade. É preciso ter a coragem de abrir-se, de ser discípulo, de seguir aquele que veio do Pai para ser nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida! 
 Só quando nos renunciarmos, só quando colocarmos o Senhor como o centro de nossa vida, do nosso modo de pensar e de agir, somente quando ele for realmente o nosso Tudo, seremos discípulos de verdade. Então mudaremos de vida, de valores, de modo de agir. É o que São Paulo propõe a Filêmon, cristão, proprietário do escravo Onésimo. Ser discípulo de Cristo comporta mudança de mentalidade: o escravo deve agora ser tratado como irmão no Senhor. Não podemos ser cristãos, apegados à nossa lógica e às coisas próprias do homem velho! Não podemos ser cristãos fazendo política como o mundo faz, tendo uma vida sexual como o mundo tem, pensando em questões como o divórcio, o aborto, o adultério como o mundo pensa, não podemos ser cristãos comportando-nos como o mundo se comporta e fazendo o que o mundo faz! Querer seguir o Senhor sem deixar-se, sem colocá-lo como eixo e prumo da vida, é como construir uma torre sem dinheiro: não se chegará ao fim; é como ir para uma guerra sem exército suficiente: seremos derrotados! “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu discípulo!”
Cuidemos bem, para que o nosso cristianismo não seja inacabado quanto uma torre deixada pela metade ou uma guerra na qual a derrota é certa. Que nos valha a misericórdia de nosso Senhor e nos ajude a viver da sua Palavra, como disse o Autor sagrado, dirigindo-se a Deus, “só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos”. Que nos salve o Cristo, Sabedoria de Deus. Amém. -

==========----------------================

O Seguimento de Jesus

Estamos no Mês da BIBLIA. Hoje ela nos fala do Seguimento de Jesus e suas EXIGÊNCIAS:
Não é um caminho de facilidade, mas sim de renúncia...

A 1ª Leitura lembra que só em DEUS é possível encontrar a verdadeira felicidade e o sentido da vida. (Sb 9,13-19)

Na 2ª Leitura, Paulo aplica as conseqüências do seguimento de Jesus: intercede em favor de um escravo fugitivo (Onésimo), junto a seu "dono" (Filêmon). (Fm 9b-10.12.17)

O Evangelho aponta o "Caminho do Discípulo". (Lc 14,25-33)

- Jesus estava a caminho de Jerusalém... onde iria ser morto numa Cruz...
- O Povo o seguia numeroso, entusiasmado pela sua pessoa. Mas Cristo não era um demagogo, que fazia promessas fáceis, para atrair multidões a qualquer preço. Ele sabia que entre eles havia:

   * Bons, desejosos da boa palavra... que buscavam sinceramente o Messias...
   * Curiosos: em satisfazer o desejo de novidade...
   * Interesseiros: na esperança de participar da glória e da fama...
   * Inimigos: à espreita de uma ocasião para acusá-lo e condená-lo.

+ Sem medo de perder alguns simpatizantes, Jesus aponta TRÊS CONDIÇÕES para segui-lo:

1. DESAPEGO afetivo: aos familiares... até à própria vida: "Quem não 'odeia' o seu pai, sua mãe... até a própria vida, não pode ser meu discípulo..."
     * ODIAR aqui não significa rejeitar os sagrados laços familiares, mas priorizar os valores do Reino.

2. DISPONIBILIDADE em carregar a Cruz:  "Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo..."

      * A CRUZ é a imagem que melhor sintetiza toda a vida de Cristo.

         O "Discípulo" é convidado a imitar o Mestre...

3. RENÚNCIA aos bens materiais:    "Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo..."
     * Vivendo em função deles, não sobra espaço para Deus, nem relações de partilha e solidariedade com os irmãos...

+ Seguir o Mestre, não deve ser uma atitude passageira, nascida num momento de entusiasmo, mas sim, uma decisão amadurecida e coerente até o fim.
+ Duas pequenas PARÁBOLAS, a TORRE a construir e a GUERRA a conduzir, ilustram
a necessidade de planejar, empenhando-se cada dia na vivência cristã.

 * O Povo não podia se deixar levar pelo entusiasmo momentâneo, pelo contrário, devia calcular bem, se está em condições de perseverar...
                    
* O seguimento de Cristo é...

   - um caminho fácil, onde cabe tudo?  ou
   - um caminho exigente, onde só cabem os que aceitam a radicalidade de Jesus?
     A nossa Pastoral deve facilitar tudo, ou ir pelo caminho da exigência?

- A grande maioria no nosso povo se diz "cristão"... seguidor de Cristo...
   Recebe os Sacramentos de Iniciação... Reconhece os valores de Deus e da Fé... 
   Mas a vivência cristã deixa a desejar...

- Muitas vezes, ficamos felizes, quando vemos a igreja lotada...
  Mas qual é o verdadeiro motivo que leva muitas pessoas à igreja?
  Todos os que participam com entusiasmo das cerimônias solenes, das procissões, das romarias... estão realmente conscientes dos compromissos que a fé cristã envolve?

- O que nos diria a respeito, o Evangelho de hoje?
  Será que Cristo está mais interessado no número, ou na qualidade?

+ Há dois tipos de Religião:

- As REVELADAS: como a nossa... em que a Bíblia é a fonte de inspiração...
   É Deus que se revela e nós aceitamos o que essa revelação nos propõe...
- As CRIADAS: que foram inventadas pelos homens, segundo o modelo que mais satisfaz seu modo de pensar e de agir...

Qual nos dá mais segurança de realizar o Plano de Deus?
Uma religião mais fácil pode até ser mais atraente... mas certamente não será a mais fiel à proposta de Cristo... 

à Estamos nós dispostos a ser verdadeiros Discípulos de Cristo, pelo caminho duro e exigente, que o evangelho de hoje nos propõe?

     Peçamos a Deus muita LUZ para compreender essa verdade...
     e muita FORÇA para sermos fiéis à escolha feita...

Procuremos nesse mês dedicado à Bíblia, valorizar ainda mais a Palavra de Deus, dedicando-lhe um tempo especial dentro do nosso dia, para uma atenciosa LEITURA ORANTE DA BÍLIA.
Pe. Antônio Geraldo
==============---------------------------=================

Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, o mês de setembro é um mês muito rico para nossa fé; é o Mês da Bíblia.
A primeira leitura chama a atenção para algo muito especial; nós sequer conhecemos tudo que existe na terra. É verdade! Esta semana alguns jovens que vieram da Europa, que estão nos visitando, ficaram encantados com a jabuticaba encontrada no mercado. Se nós formos aos seus países, também ficaremos encantados com as frutas de lá e que nós não conhecemos. Se formos ver, todo dia tem uma nova planta que é encontrada. Quantas são as espécies de peixes que existem? Se formos ver, não conhecemos tudo que há na terra. Passa-se uma vida inteira e não vai conhecer tudo. Aí, a primeira leitura que vai disser isso. Que dirá conhecer os pensamentos de Deus! Porque Deus é maior que todo o universo. Veja, que eu só posso conhecer os pensamentos de Deus, na medida em que eu adquiro sabedoria. Sabedoria não é estudo. Sabedoria não é diploma. Sabedoria é a arte de distinguir o bem do mal. Só adquiro isto, lendo a Palavra de Deus. Por isso, a Palavra de Deus é tão importante! É meditando na Palavra de Deus que vamos nos edificando.
Nós temos um grande desafio: um dos sinais de Deus é a liberdade e nós não somos educados para a liberdade! Por exemplo; a moda nos impõe um estilo de indumentária, de roupa e se eu quiser sair do jeito que eu quero, todo mundo vai estranhar. Então, eu não sou livre para decidir. Também não posso decidir quantos filhos vou ter. Posso querer dez, mas se o meu salário permitir dois, está de bom tamanho. Não tenho espaço para abrigar todos na casa, porque as casas só têm dois ou três quartos. Não somos livres. Não somos educados para a liberdade. Normalmente os pais dizem: você é quem sabe, mas pressiona para que escolha a profissão que ele acredita ser a melhor. Não somos livres para viver o Evangelho e nem para fazer os outros viver. Ou é do jeito que eu quero ou não vale.
São Paulo hoje vai dizer: Não! Em se tratando de fazer o bem, somos livres sempre! Só, que eu não posso lhe obrigar a fazer o bem; Eu posso lhe convidar para fazer o bem. Caso contrário, eu não transmito o sinal de Deus. É a segunda leitura. São Paulo diz: olhe, Filêmon, eu gostaria que você acolhesse o Onésimo, não mais como um escravo, mas como um irmão. Agora, é você quem vai resolver. Pela lei, pela lei, Filêmon é dono de Onésimo, porque ele comprou um escravo e faz o que ele quiser. Na medida em que Paulo o encontrou na prisão e ele ficou sabendo porque Paulo estava preso, estava preso porque falou em nome de Jesus Cristo, e, na época, falar de Jesus Cristo ia para a cadeira, ele se interessou pela mensagem e foi batizado. Paulo diz: Ele não é mais escravo. Ele é livre, porque o batismo deve me libertar de toda escravidão! Olha a coerência; batismo e vida! Então, eu vou devolver a Filêmon, mas é você que vai saber como você vai acolhê-lo. Talvez, se fosse um de nós, diríamos: você tem que acolher de maneira diferente! Você tem que... Não! Você vai decidir. Então, veja, que é a partir daí, que vamos entender o Evangelho. O Evangelho diz que grandes multidões acompanhavam Jesus. Quando? Quando Jesus fazia um milagre! Quando Jesus curava alguém! Quando Jesus deu de comer às pessoas. Aí, Jesus diz: Não! Ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. – Puxa vida! Jesus quer exclusividade, quer ser o “Cara”. Não. Não é esta a questão! É que eu não posso seguir a não ser o Evangelho. Caso contrário, eu não vou vier a liberdade do Evangelho. Às vezes, a pressão para eu não viver o Evangelho começa em casa. Então, eu não vou fazer que a opinião do pai, da mãe, da esposa, dos filhos, prevaleça frente ao Evangelho. O Evangelho me ensina a fazer o bem. Se qualquer outra pessoa me induzir ou tentar fazer com que eu realize o mal, nada disso!
Segundo ponto: se agente vai atrás de Jesus buscando glória, poder, fama, está enganado! Quem quiser me seguir, tome a sua cruz e venha atrás de mim.  Jesus não diz: quem quer me seguir, eu elimino a cruz. Eu insisto neste ponto, porque o que a gente mais ouve as pessoas dizer é: abrace a Jesus e a sua vida está resolvida! Na disso! Você vai resolver é na caminhada, carregando a  cruz. Você não vai ganhar mais dinheiro porque tem fé em Jesus, você não vai ganhar isto ou aquilo porque tem fé em Jesus e nem vai ser vitorioso, aos olhos do mundo, porque tem fé em Jesus. Não! Você vai ser alguém, que vai continuar a carregando a sua cruz, que vai poder contar com a AJUDA de Jesus, mas vai ter que caminhar. E, a caminhada, se for seguir Jesus, vai até Jerusalém. A Jerusalém Celeste. Caminhada até o céu.
Por fim, Jesus fala de duas parábolas: uma de construir a torre, outra, de vencer a guerra com dez mil contra um exército de vinte mil. Tem que calcular bem. Quer ser meu discípulo, tem que calcular. Aí o Papa Francisco dizia: não é que Jesus está falando que você tem que realizar as guerras que matam pessoas. Há guerras muito mais profundas de serem travadas e muito mais difíceis, porque você matou fulano, você eliminou o seu inimigo. Você não tem mais quem te faça confronto. Você não tem mais quem te desgaste. Agora, a guerra a ser travada e transformar as pessoas que apostam no ódio e torna-las pessoas que apostam na misericórdia! Para esta guerra você precisa fazer muitos cálculos. Porque é muito mais fácil dizer: fica no teu canto, que eu fico no meu. No entanto, a guerra para transformar as pessoas em misericordiosas, esta ninguém quer fazer. Daqueles que propõem guerra para cá e para lá. Só Jesus que nos propõe. Estamos dispostos? Temos que calcular. Este calculo, esta disposição, esta vontade, de acompanhar Jesus, nós vamos adquirindo em cada encontro nosso, comungando, ouvindo a Palavra, rezando, acreditando num mundo melhor.
Quanta coisa! Uma das pessoas que aceitaram, que se dispôs a vier, resolveu seguir Jesus, foi Nossa Senhora, que acompanha Jesus, desde sua concepção, durante sua vida e o segue até a cruz e ressurreição. Que ela nos ajude a viver esta palavra.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

==========---------------==============

Homilia de D. Henrique Soares
“Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus”. Eram muitos os que o admiravam, muitos os que o escutavam... como hoje. Mas, Jesus voltando-se, lhes disse – e diz aos que o querem acompanhar hoje -, com toda franqueza, quais as condições para serem aceitos como seus discípulos: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega e seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. É impressionante a sinceridade do Senhor! Olhemos bem que não são todos os que podem ser seus discípulos! É certo que todos são chamados, pois “o desejo de Deus é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4), mas também é certo que nem todos estão dispostos a escutar de verdade o convite do Senhor e a aceitar suas exigências. E Jesus é claríssimo: ele somente aceita como discípulo  quem se dispõe, com sinceridade, a caminhar atrás dele, seguindo seus passos no caminho! É ele quem dá as cartas, é ele quem dita as normas, é ele quem mostra o caminho e quem diz o que é certo e o que é errado! Que palavra tão difícil para cada um de nós, para o mundo atual, que se julga maduro e sábio o bastante para fazer seu próprio caminho e até para julgar os caminhos de Deus! Quem assim age, permanecendo fechado em si mesmo - diz Jesus -, “não pode ser meu discípulo!”
E o que é ser discípulo? É colocar-se no caminho dele, é renunciar a decidir por si mesmo que rumo dar à sua vida, para seguir o caminho do Mestre, colocando os pés nos seus passos; ser discípulo é se renunciar para ser em Jesus, pensando como ele, vivendo como ele, agindo como ele... Ser discípulo é fazer de Jesus o tudo, o fundamento da própria existência: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem, a tudo que é, à sua própria segurança, ao seu próprio modo de pensar, não pode ser meu discípulo!”
É preciso que compreendamos que esta exigência tão radical do Senhor não é por capricho, não é arbitrária, não é humilhante ou desumana para nós. O Senhor é tão exigente porque nos quer libertar de nós mesmos, de nosso horizonte fechado e limitado à nossa própria razão, ao nosso próprio modo de ver e pensar as coisas e o mundo. O Senhor nos quer libertar da ilusão de que somos auto-suficientes e sábios, de que somos deuses! Como têm razão, as palavras do Livro da Sabedoria: “Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor? Quem, portanto, investigará o que há nos céus?” O homem, sozinho, é incapaz de compreender o mistério da vida, que somente é conhecido pelo coração de Deus! Isto valia para ontem, e continua valendo para hoje e valerá ainda para amanhã, mesmo com todo o desenvolvimento da ciência e com toda a ilusão de que nos bastamos a nós mesmos e podemos por nós mesmos decidir o que é certo e o que é errado. O homem, fechado em si mesmo, jamais poderá compreender de verdade o mistério de sua existência e o sentido profundo da realidade. É preciso ter a coragem de abrir-se, de ser discípulo, de seguir aquele que veio do Pai para ser nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida! “Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões, incertas... Mal podemos conhecer o que há na terra e, com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos”. É por isso que o Salmista hoje nos faz pedir com humildade: “Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria!”
Só quando nos renunciarmos, só quando colocarmos o Senhor como o centro de nossa vida, do nosso modo de pensar e de agir, somente quando ele for realmente o nosso Tudo, seremos discípulos de verdade. Então mudaremos de vida, de valores, de modo de agir. É o que São Paulo propõe a Filêmon, cristão, proprietário do escravo Onésimo. O Apóstolo recorda ao rico Filêmon que ser discípulo de Cristo comporta exigências e mudança de mentalidade: o escravo deve agora ser tratado como irmão no Senhor. Não podemos ser cristãos, apegados à nossa lógica e às coisas próprias do homem velho! Não podemos ser cristãos fazendo política como o mundo faz, tendo uma vida sexual como o mundo tem, pensando em questões como o divórcio, o aborto, o adultério como o mundo pensa, não podemos ser cristãos comportando-nos como o mundo se comporta e fazendo o que o mundo faz! Querer seguir o Senhor sem deixar-se, sem colocá-lo como eixo e prumo da vida, é como construir uma torre sem dinheiro: não se chegará ao fim; é como ir para uma guerra sem exército suficiente: seremos derrotados! “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu discípulo!”
Que o mundo não compreenda esta linguagem, é de se esperar... Afinal, o homem psíquico – homem entregue somente à sua própria razão – não pode mesmo compreender as coisas do Espírito de Deus (cf. 1Cor 2,14). O triste mesmo é que os cristãos, isto é, nós, tenhamos a pretensão de ser discípulos sem procurar sinceramente nos renunciar, mortificando nossas tendências desordenadas, educando nossos instintos desatinados e deixando que a luz do Evangelho ilumine nossa razão e nosso modo de pensar...
Cuidemos bem, para que, no fim de tudo, o nosso cristianismo não seja inacabado, tão inútil quanto uma torre deixada pela metade ou uma guerra na qual a derrota é certa. Que nos valha a misericórdia de nosso Senhor e nos ajude a viver da sua Palavra, porque, como disse hoje o Autor sagrado, dirigindo-se a Deus, “só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos”. Que nos salve o Cristo, Sabedoria de Deus. Amém. –
D. Henrique Soares

=============--------------============

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)       XXIII DTC -  Lc 14, 25-33
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Deus de amor, iluminai-nos com a vossa Sabedoria.
à Senhor, nosso Deus, quem pode descobrir as vossas intenções e a vossa vontade? Mas nós podemos bendizer-vos por Jesus, por quem comunicastes a vossa Sabedoria e pelo Espírito Santo, que vós nos destes. Nós vos pedimos por todos os que nos educam na fé; nossos pais, nossos pregadores e nossos catequistas.
T: Deus de amor, iluminai-nos com a vossa Sabedoria.
à Deus, nosso Pai, nós vos damos graças pelo batismo, que é um novo nascimento. Por ele destes-nos a vida no vosso Filho Jesus.
T: Deus de amor, iluminai-nos com a vossa Sabedoria.
à Deus nosso Pai, como bom empreendedor Vós construístes a nova torre que nos liga a Vós e une o céu e a terra. Pelo Espírito Santo podemos nos unir ao vosso Filho e chamar-vos de Pai. Iluminai-nos para que tenhamos a Sabedoria de nunca nos desviarmos de vossos caminhos.
T: Deus de amor, iluminai-nos com a vossa Sabedoria.
à Senhor, que saibamos valorizar os ensinamentos de vosso Filho e possamos, um dia, chegar ao vosso Reino, participando de vossa glória para sempre.
T: Deus de amor, iluminai-nos com a vossa Sabedoria.
è Pai nosso...  A Paz...   Eis o Cordeiro de Deus...