terça-feira, 11 de outubro de 2016

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA 12/10/2016, homilias

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA  12/10/2016 (Adaptado pelo Diácono Ismael)
        (no final, a benção das crianças, Consagração a N.S. Aparecida e a Benção de despedida)

“Fazei o que ele vos disser!”
Celebrar a festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, significa contemplar aquela que soube orientar sua vida na fidelidade ao projeto de Deus, defendendo e promovendo a vida do povo sofredor.
O seu protagonismo está explicitado nas três leituras da liturgia de hoje.
A primeira leitura apresenta Ester. Atenta à difícil situação na qual se encontrava o povo, com sua originalidade e ousadia, ela se propõe ser mediadora eficaz para salvá-lo da opressão e da morte. .
O Evangelho de João revela que o primeiro sinal público de Jesus foi realizado com a mediação de Maria, atenta às necessidades dos convidados de uma festa de casamento.
O livro do Apocalipse apresenta a mulher como geradora de vida nova num contexto de perseguição violenta. A mulher, nos textos de hoje, retrata a comunidade de fé que se mobiliza a favor do povo em situação de necessidade, proporcionando-lhe condições de vida com paz e alegria. Tudo a ver com a celebração de Nossa Senhora Aparecida, a nossa Mãe negra, que apareceu a pobres pescadores em 1717 num contexto de escravidão dos negros. A solidariedade de Maria com as pessoas necessitadas e excluídas é importante indicativo para todos os que desejam caminhar na vida como discípulos e missionários de Jesus.

PRIMEIRA LEITURA (Est 5,1b-2; 7,2b-3) Leitura do Livro de Ester.
Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro. Então, o rei disse: “O que pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for do teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!”.

Contexto: A história de Ester atualiza a proposta do Êxodo. O povo oprimido pode mudar a história. Existem caminhos de libertação que precisam ser abertos com inteligência e organização. Deus age por meio das pessoas aparentemente fracas. Ester é uma das mulheres que, ao longo da história de Israel, foram protagonistas de movimentos populares capazes de transformação social: as parteiras do Egito, Míriam, Débora, Judite… Leve-se em conta que, na época da redação do livro de Ester, as mulheres eram oficialmente excluídas de qualquer estância decisória. Pertenciam à categoria das pessoas impuras, conforme estabelecia o sistema sacerdotal de pureza. No entanto, por essas pessoas, Deus suscita projetos de vida e salvação para o povo.
Ester, fazendo uso de seus atributos femininos, com sabedoria e coragem, toma a iniciativa de enfrentar o poder que mata. O que a move não são interesses pessoais, mas a libertação do povo. Sua estratégia demonstra maturidade e consciência. Mesmo após conquistar a simpatia e a confiança do rei, a ponto de tornar-se rainha, não se deixa arrastar pelas tentativas de cooptação da parte de quem domina. Não aceita a oferta de riquezas; pelo contrário, usa agora de seu poder para garantir a vida de seu povo. Ester encarna a liderança que não trai o seu povo. Doa-se por inteiro e arrisca a vida para salvá-lo.

O livro de Ester, conta como uma jovem judia que estava entre os deportados, tornou-se a imperatriz da Pérsia, ao se casar com o imperador Assuero (geralmente identificado com Xerxes), e como seu primo e tutor Mordekai (ou Mardoqueu) que descobriu um complô contra a vida do rei; como o Grão-vizir Haman (Amã) procurou liquidar os judeus; como Ester interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi enforcado e os judeus autorizados a fazer uma contraofensiva destrutiva, cujo aniversário celebram com a festa dos Purim.
Os acontecimentos descritos no livro de Ester aconteceram quando o povo de Israel era cativo na Babilônia. O local da história é Susã, a cidade onde o Rei da Pérsia e Média, o Rei Assuero, vivia. Este Rei após mandar embora sua primeira esposa, a rainha Vasti, ele estava buscando uma nova esposa para se tornar rainha. Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres de todo o reino foram convidadas a vir até Susã com o propósito de que uma delas preenchesse o lugar vazio da rainha. No meio dessas mulheres estava também Ester, uma jovem hebreia que foi criada por Mardoqueu, um dos cativos que foram trazidos de Jerusalém por Nabucodonosor. Finalmente esta jovem após obter a graça, primeiro de “Hegai, guarda das mulheres", segundo a graça mais importante do próprio Rei, ganhou a competição. Então Ester se tornou a nova rainha. Contudo, ela não revelou a ninguém que era judia, conforme a ordem dada por Mardoqueu. Então ninguém, nem mesmo o Rei sabia qual a nacionalidade de Ester.

ATUALIZANDO: A Rainha Ester, judia, que conseguiu a proteção de seu povo dominado, graças às suas qualidades reais e à presença de Deus na sua vida. Ester é um símbolo do amor que Deus dedica a qualquer nação que expressa a sua confiança nele reconhecendo a sua obra em Maria, a “rainha”, mas também acolhendo a sua vontade e justiça como rumo de seu caminho.
Veneramos a Virgem Maria, que nos trouxe a salvação, quando todos somos chamados a amar a Virgem com o coração de filhos, tendo em vista que em Jesus, tornamo-nos todos irmãos pelo batismo. 
A Virgem Aparecida nos traz recordações importantes na vida cristã: como a ternura maternal da Virgem, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade. Em Maria temos o mais perfeito exemplo do discípulo e da discípula de Jesus, que sabe cumprir os mandamentos e fazer realizar a única vontade do Pai, que se concretiza na salvação do povo de Deus.

Relembramos assim, a visita do Conde de Assumar, em 1717, em Guaratinguetá, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram escalados para pescar peixes para a refeição da visita ilustre, sendo este dia uma sexta-feira, dia de abstinência de carne. Os homens simples do Vale do Paraíba nada pescaram. Quando já estavam quase desanimando jogaram a rede e retiram uma imagem pequena de Nossa Senhora da Conceição, um pouco enegreada pela água, sem a cabeça. Outro arremesso. Veio a cabeça da imagem. Assim prosseguiu mais um arremesso e veio a pesca abundante. Deus abençoava, naquele momento, os três pescadores.

A imagem da Virgem da Conceição, feita de barro cozido, enegrecida pelas águas e pelo tempo, medindo 36 cm, foi levada para o culto divino. Em 1745 foi construída uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros. Nascia, assim, a devoção a Virgem Aparecida, Mãe do Povo Brasileiro. Em 1888 foi substituída a primitiva capela por uma Igreja.

Desde 1953, a festa de Nossa Senhora Aparecida, tem como dia de celebração o dia 12 de outubro. Desde 1930 Nossa Senhora Aparecida abençoa o povo brasileiro como sua Padroeira Nacional. Em 4 de Julho de 1980 o Sumo Pontífice João Paulo II, de venerável memória, consagrou o novo Santuário Nacional. Em 13 de maio de 2007, o Sumo Pontífice, Papa Bento XVI, abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho nos fazendo o doce convite para “sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e vida plenamente”. 

Atualizando: Enquanto os poderosos se embriagam e se alienam em banquetes para sustentar o próprio poder, os oprimidos se conscientizam e se preparam para agir, através da oração e do jejum. Noutras palavras, sua necessidade e clamor chegam ao limite e os impelem a tomar posição. As situações estão prestes a se inverter: através da fraqueza os oprimidos (Ester), Deus começa a agir para quebrar a força dos poderosos e derrotar o poder do inimigo. Enquanto isso, os oprimidos, mesmo ameaçados, não se dobram diante do opressor. É a resistência dos oprimidos desmascarando a "verdade" do opressor e acelerando os acontecimentos. O pedido e o desejo de Ester são os mesmos de todo o povo: a vida. No entanto, para que todos tenham vida é preciso denunciar a perversidade do sistema opressor, que vende o povo para ser exterminado, morto e aniquilado. Além do mais, o que se ganha, destruindo o povo? A atitude de Ester é exemplo ousado para qualquer autoridade: ela arrisca a própria vida para salvar a vida do povo e a ele servir.

SALMO RESPONSORIAL / 44 (45)
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: Que o Rei se encante com a vossa beleza!
• Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: / “Esquecei vosso  povo e a casa paterna! /
Que o Rei se encante com a  vossa beleza! / Prestai-lhe homenagem: é o vosso Senhor!
• O povo de Tiro vos traz seus presentes, / os grandes do povo vos pedem favores. /
 Majestosa, a princesa real vem chegando, / vestida de ricos brocados de ouro.
• Em vestes vistosas ao Rei se dirige, / e as virgens amigas lhe formam cortejo; /
Entre cantos de Festa e com grande alegria, / ingressam, então, no palácio real.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Como é bela é graciosa / a esposa do Senhor! Aleluia!
Maria, tu foste preservada / da mancha do pecado original,
/ por isso és Imaculada / e tens uma beleza divinal.

EVANGELHO (Jo 2,1-11)  Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, porque dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
Atualização: O evangelho de hoje, o das Bodas de Caná, tem como ambiente uma família. Nossa Senhora deve ser lembrada como a padroeira das famílias. Assim a nossa família, toda ela Mariana, deve buscar em Maria a protetora para as suas necessidades e a sua intercessora privilegiada junto de Deus, porque o que se pede a Mãe o Filho atende. Maria intercede junto a Jesus. Da mesma maneira ela haverá de interceder pelo povo brasileiro em suas múltiplas necessidades. Maria, nossa Mãe, mãe da misericórdia, cuja ternura toca o nosso coração, recebe e atende nossos pedidos, dos mais simples aos mais complexos e difíceis. 
Maria deposita toda a sua confiança em Jesus, no seu poder salvador, na sua misericórdia e na largueza de seu imenso coração misericordioso. Faltava o vinho e Maria intercede pedindo aos funcionários que eles “fizessem tudo o que Ele dissesse”. Houve abundância do vinho que era água. A riqueza desta graça que Maria distribui, também
ela com abundância, aos filhos que a ela recorrem. Dela podemos dizer o mesmo que a carta aos Hebreus aconselhava a respeito do Sumo Sacerdócio de Jesus: “Aproximemo-nos confiantemente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia” (cf. Hb 4, 16).
Maria e Jesus, com os seus discípulos, participam nestas bodas, em Caná. E falta o vinho. O fato é verosímil, se tivermos em conta que a festa de bodas, nesses tempos, durava oito dias. A família ficou naturalmente embaraçada. É então que Maria intervém. A resposta de Jesus é desconcertante, quase escandalosa. Esta resposta só se compreende se pensarmos que, ao iniciar a vida pública, muda a relação Maria/Jesus. A partir daí, Jesus quer atuar unicamente determinado pela vontade do Pai, não admitindo ingerências, nem sequer da parte da Mãe. Maria/Mãe reaparecerá apenas junto da cruz. A nova relação clarifica-se exatamente em Caná, no começo da missão de Jesus. Maria pede ajuda a Jesus, com plena confiança e esperança. Por isso recomenda aos servos que façam o que Jesus disser. E Jesus acaba por dar o primeiro sinal da sua glória. O episódio de Caná é cristológico. Só em segundo lugar é Mariológico. Se, quando ainda não chegara a sua hora, Jesus faz um milagre a pedido de Maria, quanto mais eficaz será o seu poder de intervenção quando essa hora chegar!

O concílio Vaticano II explicou amplamente o papel de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Expôs também cuidadosamente o sentido e a força da “mediação” da Bem-aventurada Virgem Maria: “A função materna de Maria em relação aos homens em nada obscura ou diminui a única mediação de Cristo, mas revela a sua eficácia. Porque toda a influência da Bem-aventurada Virgem em favor dos homens não nasce de verdadeira necessidade, mas do beneplácito de Deus, e brota da superabundância dos méritos de Cristo, fundamenta-se sobre a sua mediação, depende absolutamente dela e nela atinge toda a sua eficácia; não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, mas facilita-a” (LG 60).
Em 1971, a Sagrada Congregação para o Culto divino aprovou a missa com o título de “Bem-aventurada Virgem Maria Mãe e medianeira de graça”. A Liturgia celebra, em primeiro lugar, a Cristo “verdadeiro Deus e verdadeiro homem, único mediador… sempre vivo a interceder por nós”. Mas também honra a Bem-aventurada Virgem Maria, mãe e mediadora de graça, porque o Pai, “segundo o admirável desígnio do seu amor”, a constituiu mãe e colaboradora do Redentor. A Virgem Maria é mãe de graça, porque trouxe no seu “seio puríssimo” Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e nos deu o próprio “Autor da graça”. A Virgem Maria é medianeira de graça, pois foi associada a Cristo para nos dar a graça maior, a redenção, isto é, a salvação, a vida divina e a glória eterna. A sua “mediação” é “providência de amor”, “de intercessão e de perdão, de proteção e de graça, de reconciliação e de paz”. (cf. Missal Romano, Missas da Bem-aventurada Virgem Maria).
“Maria, Mãe de Jesus, está intimamente associada à vida e obra redentora de seu Filho. Mãe da Igreja, por sua intercessão maternal, está presente junto daqueles que trabalham para a regeneração dos homens” (cf. LG 65).

Foi o próprio Jesus quem nos deu Maria por Mãe. Ela tem por missão conduzir-nos ao seu Coração, ao seu amor. A ternura que ela tem por nós ultrapassa a das mães mais amorosas. Acolhe sempre com bondade aqueles que vão ter com ela. Ela apresenta incessantemente ao seu Filho as almas e os corações dos seus fiéis servidores. Jesus ama aqueles que ela ama. Como Ele é o mediador entre o seu Pai e os homens, Maria é a mediadora entre os homens e Ele. Para isso, deu-lhe todo o poder sobre o seu Coração. Dispõe dele como uma mãe pode dispor do coração do melhor dos filhos. Dirijamo-nos, portanto, à Virgem Imaculada, peçamos-lhe a devoção ao Sagrado Coração e havemos de obtê-la. Jesus é a verdade e a vida, mas comunica-nos a vida espiritual pelo Espírito de verdade e de amor. Maria é a esposa do Espírito Santo. Ela coopera a este duplo título de Mãe do Sagrado Coração e de Esposa do Espírito Santo nas operações da graça. Ela é a porta do céu, porque é a distribuidora das graças, que a Ele conduzem.

A mulher da nova aliança
O relato das bodas de Caná constitui uma releitura da aliança que Deus realizou com o povo de Israel. O compromisso de amor mútuo foi rompido por sucessivas infidelidades por parte de Israel, desde a opção pela monarquia até a organização do sistema sacerdotal de pureza. Não é por acaso que, logo após as bodas de Caná, Jesus se dirige ao Templo, onde, profeticamente, denuncia a exploração ali instalada e anuncia um novo Templo, que é ele próprio.
Na festa de casamento, Jesus é apresentado como o esposo da nova humanidade. O sistema judaico, organizado segundo os interesses de uma elite religiosa, esvaziou o sentido da antiga aliança; já não responde ao amor de Deus. A imposição de um legalismo excludente criou imenso vazio no coração do povo. Os seis potes vazios representam as festas judaicas (o Evangelho de João apresenta seis delas), que deveriam ser expressão de plena alegria pela presença amorosa e salvadora de Deus. No entanto, estão vazias, perderam o verdadeiro conteúdo que saciaria a sede que o povo tem de Deus.
A comunidade de João manifesta sua fé em Jesus como Deus-esposo que vem resgatar (Caná significa “adquirir”) sua esposa e oferecer-lhe o vinho do amor e da alegria. Essa festa de casamento, portanto, é a celebração da nova aliança. A esposa é o novo povo de Deus, formado pelas comunidades cristãs. A esposa é representada pela mãe de Jesus. Por isso Jesus se dirige a ela chamando-a de “mulher”. Ela executa um papel muito especial: percebe que naquela festa falta o essencial. Dirige-se a Jesus, pois sabe que dele vem a solução: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe responde que sua hora ainda não chegou. O texto supõe que aquela mãe-mulher-comunidade entendeu perfeitamente e, por isso, confia em Jesus: “Fazei tudo o que ele disser”. Na cena seguinte, vemos Jesus-esposo dizendo de modo imperativo aos que serviam: “Enchei os potes de água”, e depois: “Tirai e levai ao mestre-sala”. Este provou sem saber de onde viera o melhor vinho. Porém, “os que serviam estavam sabendo”. O vinho em abundância simboliza o dom do amor de Deus para a humanidade. É a volta da plena alegria oferecida por Deus, que celebra com seu povo a aliança definitiva.
João faz questão de dizer que “esse foi o princípio dos sinais… e os discípulos acreditaram nele”. Até a “hora de Jesus” – o momento de sua morte e glorificação –, vários outros sinais serão por ele realizados. O tema da aliança contemplado no primeiro sinal serve como chave de interpretação para todos os demais. No final do evangelho, João vai dizer: “Esses sinais foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, vocês tenham a vida em seu nome” (20,31). Nesse mesmo evangelho, Jesus declarou: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (10,10).
A mãe de Jesus, que aparece nas bodas de Caná como representante do novo povo de Deus, indica como podemos ser fiéis à aliança com Deus: permanecendo atentos às necessidades do povo, contando com a graça de Jesus presente no meio de nós e pondo-nos a serviço do seu projeto de vida em abundância para todos.
3. II leitura (Ap 12,1.5.13a.15-16a): A mulher geradora de vida nova

Atualizando: Segundo João, a primeira semana de Jesus termina com a festa de casamento em Cana. João relata este episódio por causa do seu aspecto simbólico: o casamento é o símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus, Deus-e-Homem. Sem Jesus, a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho. Maria, aliviando a situação constrangedora, simboliza a comunidade que nasce da fé em Jesus, e as últimas palavras que ela diz neste evangelho são um convite: “Façam o que Jesus mandar”. Jesus diz que a sua hora ainda não chegou, pois só acontecerá na sua morte e ressurreição, quando ele nos reconcilia com Deus. Jesus utilizou a água que os judeus usavam para as purificações. Os judeus estavam cegos pela preocupação de não se mancharem, e sua religião multiplicava os ritos de purificação. Mas Jesus transformou a água em vinho! É que a religião verdadeira não se baseia no medo do pecado. O importante é receber de Jesus o Espírito. Este, como vinho generoso, faz a gente romper com as normas que aprisionam e com a mesquinhez da nossa própria sabedoria. O episódio de Cana é uma espécie de resumo daquilo que vai acontecer através de toda a atividade de Jesus: com sua palavra e ação, Jesus transforma as relações dos homens com Deus e dos homens entre si. Maria, como mãe de Jesus, o Filho de Deus, é revestida de imensa glória. Sua proximidade do Filho permite que seja um apoio para nossa fé. Maria nos conduz a Jesus. Pois é a si próprio que Jesus chama a todos para segui-lo como discípulos. O evangelista João fala sempre em "a mãe de Jesus", sem dizer seu nome. "Mãe", com seu sentido de origem do ser, representa a maternidade universal e divina de Maria, gerando para a vida eterna. A nossa piedade vê, neste evangelho, o importante papel de Nossa Senhora no projeto salvífico de Deus. Ela é sensível às nossas necessidades, e intercede por nós junto a seu Filho. E Jesus atende aos apelos de sua mãe.

Em Ester (primeira leitura) a tradição encontrou uma similitude com Maria: ela intercede junto ao rei por seu povo. No Apocalipse, a mulher celestial que dá à luz um filho homem (segunda leitura), também encontramos uma alusão à Maria. Aqui podemos, ainda, ver uma referência à Igreja, na terra, perseguida pela Serpente. No evangelho de João temos uma simbologia abrangente. Jesus está inaugurando seu ministério. Nele encontramos algo extraordinariamente novo, que extrapola as expectativas e observâncias do judaísmo. Na tradição profética, a Aliança de Deus com seu povo é apresentada como uma núpcias. Nesta narrativa de João, a festa de núpcias não oferece vinho suficiente. Havia seis talhas de pedra, vazias, destinadas às purificações rituais dos judeus, que foram preenchidas com água. A água de purificação não é solução. É preciso transformá-la. A atual prática do judaísmo deixa a desejar. A mãe de Jesus percebe o problema. Com seu simbolismo, João não pretende realçar a relação amorosa, mãe-filho, mas sim a relação de maternidade entre Maria e a humanidade. Jesus afirma que não é a "sua hora", a hora de sua glorificação na cruz, que consagra uma vida toda dedicada à renovação do mundo pelo amor, até o fim, sem temer a morte. Contudo Jesus resolve sinalizar sua "hora", e associa a água, fonte da vida, ao vinho, fonte de alegria! O amor de Jesus liberta da Lei e gera vida e alegria.

SEGUNDA LEITURA (Ap 12,1.5.13a. 15-16a) Leitura do Apocalipse de São João.
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro.
Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. A serpente, então, vomitou, como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. A terra, porém, veio em socorro da mulher.

Na leitura do Apocalipse, temos a descrição do povo de Deus, por meio de uma simbologia bíblica tradicional: a mulher adornada com todo o seu esplendor - o sol, a lua e as doze estrelas. O dragão, Satanás, é descrito com os símbolos do domínio. O menino, Messias, é o início do novo povo de Deus. Desde os primeiros tempos da Igreja, esse texto foi aplicado a Maria. Mais do que ser fiel aos mandamentos de Deus para alcançar a salvação, ela gera para o mundo a salvação, dizendo sim ao Senhor. De sua humanidade, podemos conhecer o nosso Deus, que se revela mediante seu Filho, imagem visível do Deus invisível.

A segunda Leitura nos remete a liturgia da Assunção. Maria que protege a humanidade e a Igreja – exerce a missão de Mãe e Mestra. Maria gerou e levou o Salvador ao mundo, e presenciou a sua vitória, eis o que une Maria e a Igreja, que tem a missão de levar o Salvador ao Mundo e presenciar a Vitória de Cristo sobre o mundo, como Rei da Humanidade. Que fazem de Maria e da Igreja uníssonas na obra da salvação.
Assim neste dia santo para nós católicos queremos reafirmar a nossa sã doutrina que o aprovado culto Mariano está sempre em relação ao seu Filho Jesus. A salvação do homem consiste na comunhão com o Deus trino, comunhão que lhe é concedida através do encontro existencial com Jesus Cristo: quem o vê, vê também o Pai(cf. Jo 14,9). Por isso, a salvação é sempre a salvação em Cristo: ela tem um lugar quando alguém se insere nele, cabeça do corpo, videira para os sacramentos. Nossa Senhora Aparecida constituiu importante ponto de referência neste empreendimento. Esta Maria unida a Jesus de maneira única não só no plano biológico, mas também – e sobretudo – no plano espiritual, religioso e existencial. Aquele que em seu espírito, em sua espiritualidade e conduta prática se aproxima o mais possível de Maria, também se encontra numa estreita relação com Cristo e se coloca realmente na sua caminhada, que conduz ao Deus uno e trino, nossa vida. Maria não é a meta da existência cristã, mas o seu perfeito modelo e, neste sentido é insubstituível.
Como bem asseverou o Servo de Deus João Paulo II: “Ajudem, pois, os fiéis a viverem sua devoção mariana como um claro e corajoso testemunho de amor a Cristo, que manifeste a identidade pessoal e comunitária dos católicos, contra o perigo do secularismo e do consumismo, e ao mesmo tempo favoreça nas famílias a prática das virtudes cristãs. De igual modo, esta devoção ajudará a consolidar os vínculos de comunhão com os Pastores da Igreja de Cristo, enfrentando a desagregação da fé, fomentada tantas vezes pelo proselitismo das seitas.
A história ensina que Maria é a verdadeira salvaguarda da fé; em cada crise, a Igreja reúne-se à volta d'Ela. Só assim os discípulos do Senhor poderão ser para os outros sal da terra a luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14). “Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!” Assim proclamava o Papa Pio XII. A missão essencial da Igreja consiste precisamente em fazer nascer Cristo no coração dos fiéis (cf.Lumen gentium, 65) pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização.
Salvos das águas pela fé e pelo Batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam na Virgem Aparecida, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que Ele vos disser!”.  Amém!

O capítulo 12 do Apocalipse apresenta a situação de sofrimento pela qual passam as comunidades cristãs no final do século I, sob a opressão do imperador Domiciano. A mulher e o dragão representam dois projetos antagônicos: o de Jesus com as comunidades cristãs e o do império romano. Percebe-se aqui uma evocação do texto de Gênesis: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (3,15).
A mulher é descrita como “um grandioso sinal no céu, vestida com o sol, tendo a lua sob os seus pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”. São símbolos com profundo significado. A mulher aparece no céu, irradiando a gloriosa luz divina, revestida de grande poder cósmico. A coroa de doze estrelas tem relação com as tribos de Israel e o novo povo de Deus nascido da fé em Jesus Cristo. A mulher também representa Maria, a mãe de Jesus, o verdadeiro rei de toda a humanidade que subiu ao céu e está junto do trono de Deus.
O dragão é a antiga serpente, isto é, aquele que introduz o mal e a morte no mundo. Persegue a mulher e procura matá-la. O vômito do dragão atrás da mulher, tentando afogá-la, é o império romano, que, com força e poder, faz submergir todo o povo com sua ideologia. Não admite outros projetos. Por isso persegue especialmente os seguidores de Jesus. A terra, porém, engole o vômito do dragão, salvando a mulher. É a própria história que “engole” os impérios. Eles não são eternos; não são absolutos. Dentro de si carregam o germe da própria destruição.
A mulher, portanto, representa os pequeninos e fracos pelos quais Deus se manifesta ao mundo, oferecendo vida e salvação. Maria de Nazaré gerou o Filho de Deus, nosso salvador. As comunidades cristãs, seguidoras de Jesus, têm a missão de gerar vida e dignidade no mundo. Essa missão contrapõe-se aos projetos de morte impostos pelos poderosos. A mulher que, na fé e confiança em Deus, vence o dragão é símbolo de todas as pessoas empenhadas na defesa e promoção da vida contra todo tipo de opressão e exclusão.

Atualizando: A Mulher é um símbolo cheio de significados: é Eva, a mãe da humanidade (cf. Gn 3,15-20); também o povo de Israel (doze estrelas = doze tribos) assim como Sião, o resto do povo de Deus que espera o Messias (Is 66,7). É também Maria enquanto mãe de Jesus e mãe dos discípulos de Jesus (Jo 19,25-27), e o povo de Deus da nova Aliança (doze estrelas = doze apóstolos). O dragão personifica o mal, inimigo de Deus. Trata-se do egoísmo, orgulho e autossuficiência que deformam os indivíduos e os grupos sociais. Ele é sanguinário (vermelho), tem pleno poder sobre os impérios do mundo (sete cabeças e sete diademas), mas sua força é relativa e imperfeita (dez chifres). Ele tem a pretensão de lutar contra Deus (estrelas do céu). Quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo. O Filho é Jesus, que nasce (ressurreição) para a glória e para dominar as nações, destruindo o poder do dragão. O mal foi derrotado. Agora a situação do povo de Deus é como a dos hebreus no deserto, libertados da escravidão: viverá no deserto até o fim da história, em meio a perseguições e na intimidade com Deus. O mal não conseguiu vencer Jesus; por isso agora persegue os cristãos seguidores de Jesus. Mas estes são continuamente protegidos por Deus, até o final da história. É tempo de perseguição (rio) mas, como no Êxodo, o povo de Deus não sucumbe.
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
- Senhor, nós vos louvamos, pois sois bondoso e fiel. Desde o começo do mundo vos revelastes como Deus de amor e por meio dos profetas alimentastes nossa esperança de nos enviar o Salvador. Senhor, obrigado por nos dar Maria como nossa mãe e nossa intercessora.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
- Senhor, nosso Deus e Pai, bendito seja o Vosso nome sobre em todo o universo. Grande é vosso amor nos enviando vosso Filho para nos guiar ao Vosso Reino. Pai, agradecemos pela nossa vida, pelo nosso batismo e pela esperança da vida eterna.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
Pai, enviai o Espírito Santo sobre nós, para que nos transformemos e tenhamos coragem de levar vosso nome a todos os nossos irmãos que não vos conhecem ou que vos abandonaram. Que a Virgem Maria, nossa mãe, seja a nossa força na obediência aos vosso projetos e seja a nossa defensora em nossas dificuldades.
T: Pai, que a Mãe de Vosso Filho interceda por nós.
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...



ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
S. Oremos: ...
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Avisos ...
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COM TODAS AS CRIANÇAS PERTO DA IMAGEM:

Coroação de Maria... (Canto:   ... te coroamos, ó Mãe...)
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As crianças coroam Maria
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Canto: DAI-NOS A BENÇÃO, Ó MÃE QUERIDA, NOSSA SENHORA APARECIDA. (bis)
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BÊNÇÃO DAS CRIANÇAS

Presid.: Senhor, nosso Deus, que da boca das crianças preparastes um louvor do vosso nome, olhai para estas crianças que a fé da Igreja recomenda à vossa piedade; e, assim como o vosso Filho, nascido da virgem, recebia com amor as crianças, abraçando-as e abençoando-as e propôs o exemplo delas à imitação de todos, assim, Ó Pai, derramai sobre elas a vossa bênção e dai a vossa proteção, a fim de que, quando crescerem através de uma boa convivência com as pessoas e com a cooperação da força do Espírito Santo, se tornem testemunhas de Cristo no mundo e saibam espalhar e defender a fé. Por Cristo, Nosso Senhor.
Todos: Amém.

CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA
“Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil. Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. 
Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte.
Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja!”
Amém.

VIVA A SENHORA APARECIDA! (3x)

23. BÊNÇÃO FINAL
Pres- O Deus de bondade, que pelo Filho da Virgem Maria quis salvar a todos, vos enriqueça com sua bênção. AMÉM.

- Seja-vos dado sentir sempre e por toda parte a proteção da Virgem Maria, por quem recebestes o autor da vida. AMÉM.

- E vós, que vos reunistes hoje para celebrar sua solenidade, possais colher a alegria espiritual e o prêmio eterno. AMÉM.

- Abençoe-vos Deus todo-poderoso: PAI E FILHO E ESPÍRITO SANTO. AMÉM.

- Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
 GRAÇAS A DEUS.




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, Homilias, subsídios homilicais

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C 2016

 Tema: “Agora estou convencido de que não há outro Deus, senão o que há em Israel!”.

Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os homens.
A primeira leitura apresenta-nos a história de um leproso (o sírio Naamã). Jahwéh oferece ao homem a vida e a salvação; ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-lo como o único salvador e manifestar-Lhe gratidão.
O Evangelho apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e descobrem a misericórdia e o amor de Deus: todos os que experimentam a salvação que Deus oferece devem manifestar a Deus a sua gratidão.
A segunda leitura define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos e chega à vida nova da ressurreição.

 PRIMEIRA LEITURA (2Rs 5,14-17) Leitura do Segundo Livro dos Reis.
Naqueles dias, Naamã, o sírio, desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado. Em seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! Por favor, aceita um presente de mim, teu servo”. Eliseu respondeu: “Pela vida do Senhor, a quem sirvo, nada aceitarei”. E, por mais que Naamã insistisse, ficou firme na recusa. Naamã disse então: “Seja como queres. Mas permite que teu servo leve daqui a terra que dois jumentos podem carregar. Pois teu servo já não oferecerá holocausto ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor”.

 AMBIENTE -  A primeira leitura situa-nos no reino do Norte (Israel), durante o reinado de Jorão (853-842 a.C.). Os reis de Israel mantêm um intercâmbio com os povos da redondeza. Em termos religiosos, essa política traduz-se numa invasão de deuses, de cultos e de valores estrangeiros, que ameaçam a integridade da fé jahwista. É uma época em que os deuses cananeus assumem um grande protagonismo e Baal substitui Jahwéh no na vida de muitos israelitas.
O profeta Eliseu assume-se como defensor da fé jahwista continuando, aliás, a obra do seu antecessor Elias.
O general sírio Naamã, considerado um dos heróis da Síria, era leproso; mas, informado por uma serva de que em Israel havia um profeta que podia curá-lo do seu mal, veio ao encontro de Eliseu, carregado de presentes. Eliseu mandou, apenas, que Naamã se banhasse sete vezes no rio Jordão (cf. 2 Re 5,1-13).

MENSAGEM -  Em primeiro lugar, os catequistas de Israel quiseram deixar claro que Jahwéh é o Senhor da vida e que só Ele pode salvar aquele que parece condenado à morte; é preciso que os israelitas reconheçam isto, como o sírio Naamã o reconheceu.
Em segundo lugar, os catequistas de Israel quiseram mostrar que a intervenção salvadora de Jahwéh não é uma ação meramente circunstancial, mas é uma ação que transforma a vida do homem… Naamã não ficou só curado de uma doença física, mas fez do sírio Naamã um homem novo e o levou a deixar os ídolos para servir o verdadeiro e único Deus…
Em terceiro lugar, a história deixa claro que Deus não faz distinção de pessoas e oferece a todos, sem exceção, a sua graça. O que é decisivo é o acolher o dom de Deus e aceitar deixar-se transformar por Ele.
Em quarto lugar, a catequese deuteronomista sublinha a “gratidão” de Naamã. Liberto dos males que o apoquentavam, ele quis agradecer a sua cura cumulando Eliseu de presentes; mas depressa percebeu (por ação de Eliseu, que o ajudou a ver claro) que não era a um homem que tinha de agradecer o dom da vida, mas sim a Deus… E a sua gratidão manifestou-se numa adesão total a Jahwéh. Os catequistas de Israel sugerem que é essa a resposta que Deus espera do homem.
Em quinto lugar, Eliseu nunca manifestou qualquer vontade de se aproveitar da intervenção de Deus em favor de Naamã para benefício próprio. Ao recusar aceitar qualquer presente das mãos de Naamã, Eliseu dá a entender que não é a ele mas a Jahwéh que o general sírio deve agradecer a cura.

ATUALIZAÇÃO •          É em Deus que eu coloco a minha esperança de vida plena, ou há outros deuses que me seduzem, que dirigem a minha vida e que são a minha esperança de realização e de felicidade? - o dinheiro, o poder, a moda, o comodismo, o êxito, a casa com piscina, uma Ferrari?

•           A proposta de salvação que Deus faz se destina a todos os homens e mulheres, sem exceção. Daqui resultam duas coisas importantes: a primeira é que não basta ser batizado e a segunda é que não podemos marginalizar ou excluir qualquer irmão nosso.

•           Estou consciente de que é de Deus que recebo tudo e manifesto-Lhe a minha gratidão pela sua presença, pelos seus dons, pelo seu amor?

•           Aqueles que recebem de Deus carismas para pôr ao serviço dos irmãos: sentem-se apenas instrumentos de Deus, ou estão preocupados em sublinhar os seus méritos e em concentrar em si próprios a gratidão que brota dos corações daqueles a quem servem?


SALMO RESPONSORIAL 97 (98)
O Senhor fez conhecer a salvação e às nações revelou sua justiça.
•           Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque Ele
fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo /
alcançaram-lhe a vitória.
•           O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua
justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa
de Israel.
•           Os confins do universo contemplaram / a salvação do
nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
/ alegrai-vos e exultai!

EVANGELHO (Lc 17,11-19) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Ao vê-los, disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

AMBIENTE -   O leproso é, no tempo de Jesus, o protótipo do marginalizado… Além de causar naturalmente repugnância pela sua aparência e de infundir medo de contágio, o leproso é um impuro ritual (cf. Lev 13-14), a quem a teologia oficial atribuía pecados especialmente graves (a lepra era o castigo de Deus para esses pecados); por isso, o leproso não podia sequer entrar na cidade de Jerusalém, a cidade santa. Devia afastar-se de qualquer convívio humano para que não contaminasse os outros com a sua impureza física e religiosa. Em caso de cura, devia apresentar-se diante de um sacerdote, a fim de que ele comprovasse a cura e lhe permitisse a reintegração na vida normal (cf. Lev 14). Podia, então, voltar a participar nas celebrações do culto.
Um dos leprosos é samaritano. Os samaritanos eram desprezados pelos judeus de Jerusalém, por causa do seu sincretismo religioso. A desconfiança religiosa dos judeus em relação aos samaritanos começou quando, em 721 a.C. (após a queda do reino do Norte), os colonos assírios invadiram a Samaria e começaram a misturar-se com a população local. Para os judeus, os habitantes da Samaria começaram, então, a paganizar-se… Após o regresso do exílio da Babilónia, os habitantes de Jerusalém recusaram qualquer ajuda dos samaritanos na reconstrução do Templo e evitaram os contatos com esses hereges, “raça misturada com pagãos”. A construção de um santuário samaritano no monte Garizim consumou a separação e, na perspectiva judaica, lançou definitivamente os samaritanos nos caminhos da infidelidade a Jahwéh. Algumas picardias mútuas nos séculos seguintes consolidaram a inimizade entre judeus e samaritanos. Na época de Jesus, a relação entre as duas comunidades era marcada por uma grande hostilidade.

MENSAGEM -  O episódio dos dez leprosos (que é exclusivo de Lucas) insere-se na ótica teológica de apresentar Jesus como o Deus que Se fez pessoa para trazer, com gestos concretos, a salvação/libertação a todos os homens, particularmente aos oprimidos e marginalizados.
Lucas mostra que Deus tem uma proposta de vida nova e de libertação para oferecer a todos os homens. O número dez tem, certamente, um significado simbólico: significa “totalidade” (o judaísmo considerava necessário que pelo menos dez homens estivessem presentes, a fim de que a oração comunitária pudesse ter lugar, porque o “dez” representa a totalidade da comunidade). A presença de um samaritano no grupo indica que essa salvação oferecida por Deus, em Jesus, não se destina apenas à comunidade do “Povo eleito”, mas se destina a todos os homens.
Contudo, dos dez leprosos curados, só um voltou para agradecer a Jesus e era um samaritano. Lucas está interessado em mostrar que quem recebe a salvação deve reconhecer o dom de Deus e deve estar agradecido… E avisa que, com frequência, são os desprezados, aqueles que a teologia oficial considera à margem da salvação, que estão mais atentos aos dons de Deus.

ATUALIZAÇÃO  •         Lucas garante que Deus tem um projeto de salvação para todos os homens, sem exceção; e que é em Jesus e através de Jesus que esse projeto atinge todos os que se sentem “leprosos” e os faz encontrar a vida plena, a reintegração total na família de Deus e na comunidade humana.

•           Às vezes, aqueles que lidam diariamente com o mundo do sagrado estão demasiado cheios de autossuficiência e de orgulho para acolherem com humildade e simplicidade os dons de Deus, para manifestarem gratidão e para aceitarem ser transformados pela graça…

•           Curiosamente, os dez “leprosos” não são curados imediatamente por Jesus, mas a “lepra” desaparece “no caminho”, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. Isto sugere que a ação libertadora de Jesus não é uma ação mágica, caída repentinamente do céu, mas um processo progressivo (o “caminho” define, neste contexto, a caminhada cristã), no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até à adesão plena às suas propostas e à efetiva transformação do coração. Assim, a nossa “cura” não é um momento mágico que acontece quando somos batizados, ou fazemos a primeira comunhão ou nos crismamos; mas é uma caminhada progressiva, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova.

SEGUNDA LEITURA (2Tm 2,8-13) Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo: Lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu
evangelho. Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada. Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo. 

AMBIENTE O autor exorta Timóteo (e, na pessoa de Timóteo, todos os crentes, em geral) a perseverar na fé, a conservar a sã doutrina recebida de Jesus e a dedicar-se totalmente ao serviço do Evangelho.

MENSAGEM -  O exemplo de Cristo, que chegou à glória da ressurreição pelo caminho da cruz e do dom da vida… O próprio Paulo seguiu esse duro caminho e é por isso que está preso; mas não está preocupado, pois o essencial é que a Palavra de Deus continue a transformar o mundo. Aliás, é preciso que alguns entreguem a própria vida para que a proposta libertadora de Jesus chegue a todos os homens… Vale a pena sofrer, a fim de que este objetivo se concretize.
O cristão é chamado a identificar-se com Cristo na entrega da vida e no serviço aos irmãos; essa entrega não termina no fracasso e no sem sentido, mas – a exemplo de Cristo – na ressurreição, na vida nova. O cristão não pode é recusar fazer da sua vida um dom de amor, se quiser identificar-se com Cristo.

ATUALIZAÇÃO -  •       O autor da Segunda Carta a Timóteo recorda, aqui, algo de central para a experiência cristã: a essência do cristianismo é a identificação de cada crente com Cristo. Isto traduz-se, concretamente, no entregar a própria vida em favor dos irmãos, se necessário até ao dom total.


Dehonianos
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"Obrigado, Senhor"

Na 1ª Leitura: O Profeta Eliseu cura o leproso Naaman. (2Rs 5,14-17)

O general sírio apresenta-se ao Profeta para ser curado... Eliseu, sem acolhê-lo, manda lavar-se sete vezes no Rio Jordão. O General  obedece e fica curado...
Reconhecido, proclama sua fé no Deus de Israel e, como sinal de sua gratidão, leva consigo de Israel um pouco de terra, a fim de cultuar na própria terra o Deus verdadeiro.

Na 2ª Leitura, São Paulo em meio aos sofrimentos e privações da prisão, agradece a Deus pelos favores recebidos, chegando a afirmar: "Estou algemado como um prisioneiro,  mas a palavra de Deus não pode ser algemada". (2Tm 2,8-13)

* Mesmo nos acontecimentos desagradáveis da vida, encontra motivos de alegria, de esperança e de gratidão.

No Evangelho, Jesus cura 10 leprosos. (Lc 17,11-19)

Os leprosos deviam morar fora do povoado, longe do convívio humano para não contaminarem os outros com a sua impureza física e religiosa.
- Eles gritam de longe: "Jesus, mestre, tem compaixão de nós..."
- Jesus se "compadece" e os manda se apresentarem aos sacerdotes, que eram os responsáveis para comprovar a cura e liberar a reintegração na Comunidade.
- Os dez obedecem e "no caminho" se vêem curados. Mas só um volta para agradecer...  - Cristo questiona: "Não foram 10 os curados? Onde estão os outros nove?"
  E acrescenta: "Levanta-te e vai. TUA FÉ te salvou".

A fé se concretiza "a caminho" na obediência à Palavra de Jesus.

Pormenores significativos da narrativa do milagre:

- "A Lepra" representa o mal que atinge toda a humanidade,   gerando exclusão, opressão e injustiça (número 10 significa "totalidade").
 
- A Lepra desaparece "no caminho":
  A Ação libertadora de Jesus é um processo progressivo, no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até à adesão plena às suas propostas e à efetiva transformação do coração.

- Só um volta para agradecer:
  O Leproso curado volta "glorificando a Deus em alta voz".
  Agradece e acredita, por isso recebe mais: "Vai a tua fé de salvou".
 
- "E é um Samaritano" (estrangeiro)
* A graça de Deus é mais valorizada por quem não pertence à Comunidade...
   - O que nos diz esse fato?

Nem todos sabem agradecer. (Nem obrigado recebi!)
- Não basta na hora da necessidade gritar: "Senhor, tem piedade de mim!".
É preciso também manifestar a nossa gratidão pela libertação que faz acontecer em nós, comprometendo-nos com ele.


- "Obrigado" é uma palavra tão simples, mas tão esquecida por muitos.
  
+ EUCARISTIA quer dizer: "ação de graças".
Aproveitemos esse momento privilegiado para agradecer a Deus de todos os favores recebidos em nossa vida, e partamos daqui dispostos a reconhecer agradecidos
também os inúmeros favores recebidos de nossos irmãos...

                                        Pe. Antônio Geraldo
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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

A gratidão pela ação benéfica de Deus na nossa vida. Gratidão e ingratidão. Primeiro, a gratidão de Naamã, um pagão, inimigo de Israel, que sabe ser agradecido a Deus; levou terra de Israel para Damasco, para, sobre essa terra, adorar a Deus. Também a gratidão de outro pagão, o leproso samaritano que voltou a Jesus “para dar glória a Deus”. Mas também, hoje, aparece a ingratidão. Nove leprosos, filhos do povo de Israel, que curados, não retornam para agradecer o dom…
Estejamos atentos! Hoje, temos tudo… Vamos nos tornando insensíveis para perceber a vida como dom, como graça, como presente. É impressionante como o mundo nos vai tornando dormentes, insensíveis mesmo, para Deus! Se a vida já não mais é percebida como um dom, também não brota mais a ação de graças. Somente quando abrimos o coração e os olhos da fé, podemos perceber que tudo é graça, imenso dom de um Amor. Poderemos ouvir a palavra de Jesus: “Levanta-te e vai! A tua fé te salvou! Salvou-te de uma vida mesquinha, fechada, incapaz de olhar as estrelas, incapaz de comunhão com o Pai do céu, incapaz de dizer “Pai nosso”  e de reconhecer nos outros teus irmãos…” Mas, para isso – nunca esqueçamos – é necessário um coração de pobre, um coração humilde, que reconheça que tudo quanto possuímos foi recebido de Deus.
Vale a advertência de São Paulo, na segunda leitura de hoje: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos!”. Lembrar-se de Jesus é nunca esquecer que Deus está conosco, amando-nos, perdoando-nos e acolhendo-nos como Deus providente e misericordioso. Lembrar-se de Jesus morto e ressuscitado é nunca duvidar da misericórdia de Deus e de seu compromisso na nossa existência e na existência do mundo. “Lembra-te de Jesus Cristo ressuscitado! Se nós o renegarmos, também ele nos negará.” Aqui está o motivo último; vale a pena morrer com ele para, nele, viver uma vida nova; vale a pena sofrer com ele para, nele, reinarmos: a ingratidão de negá-lo em nossa vida, de fechar-se de tal modo para ele, que já não mais deixemos que ele seja o Senhor de nossa existência, que já não mais percebamos que tudo é graça, tudo é presente de amor, se o negarmos então tudo estará perdido.
Dom Henrique Soares da Costa
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Homilia do Mons. José Maria
A vida humana transformou-se num grande comércio onde tudo se compra e tudo se paga… É a época do descartável! Diante dessa realidade, muitos perderam o valor da gratuidade e da gratidão.
“Obrigado” é uma palavra tão simples, mas tão esquecida por muitos! Jesus cura dez leprosos, mas apenas um volta para agradecer.
Jesus se compadece e os manda se apresentarem aos sacerdotes, para comprovar a cura e liberar a reintegração na Comunidade.
No caminho se vêem curados; mas só um volta para agradecer… e era um samaritano, considerado estrangeiro e desprezado pelos judeus… Onde estão os outros nove? E acrescenta: Levanta-te e vai. TUA FÉ te salvou.”
Estes leprosos ensinam-nos a pedir: recorrem à misericórdia divina, que é fonte de todas as graças. E mostra-nos o caminho da cura, seja qual for a lepra que tenhamos na alma: em nome do Mestre, nos indicam o que devemos fazer.
Imaginemos o samaritano correndo, glorificando a Deus em voz alta; e foi prostrar-se aos pés do Mestre, dando-lhe graças.
Foi uma ação profundamente humana e cheia de beleza. Dizia Santo Agostinho: “Que coisa melhor podemos trazer no coração, pronunciar estas palavras: “graças a Deus”? A gratidão é uma das virtudes que enobrecem a pessoa humana. Desde criança, fomos educados a agradecer os favores recebidos. A gratidão é uma atitude que brota do coração de quem se sente amado pelo amor de Deus…
“Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?” Quantas vezes Jesus não terá perguntado por nós, depois de tantas graças!
Com frequência, temos melhor memória para as nossas necessidades e carências do que para os nossos bens. Vivemos pendentes daquilo que nos falta, e reparamos pouco naquilo que temos, e talvez seja por isso que ficamos aquém no nosso agradecimento. Pensamos que temos pleno direito ao que possuímos e esquecemo-nos do que diz Santo Agostinho: “Nada é nosso, a não ser o pecado que possuímos. Pois que tens tu que não tenhas recebido? (1Cor 4, 7).”
Toda a nossa vida deve ser uma contínua ação de graças. Lembrai-vos das maravilhas que Ele fez, exorta o salmista. O samaritano, através do seu mal, pôde conhecer Jesus Cristo e por ser agradecido conquistou a sua amizade e o incomparável dom da fé: …Tua fé te salvou.
Saibamos agradecer a tantas pessoas que tornaram nossa vida mais feliz: nossos pais, nossos professores, o padre, o médico, o catequista, os colegas de estudo, de trabalho, de esporte e de tantos outros.
Também é significativo que fosse um estrangeiro quem voltasse para agradecer. Isso recorda-nos que, por vezes, não sabemos dar importância às delicadezas e atenções que recebemos dos mais próximos.
Não existe um só dia em que Deus não nos conceda alguma graça particular e extraordinária! Em todos os momentos saibamos dizer: “Obrigado, Senhor, por tudo.”
Não podemos esquecer-nos de que na vida das criaturas humanas tudo é dom de Deus, tudo é graça, tudo é benção de Deus.
Ensina São Paulo: “Em todas as circunstâncias dai graças…” (1Ts 5, 18). Já dizia Sêneca: “Só os espíritos bem formados são capazes de cultivar a gratidão.” Importantíssimo é educar-nos para esta atitude de ação de graças.
Mons. José Maria Pereira


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PARA A CELEBRAÇAO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros da Palavra):


Louvor: (quando o Pão sagrado estiver sobre o altar)
à Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, Louvemos ao Pai:
-T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
à Ó Deus, nosso Pai, sois nosso Deus e somos vosso povo. Hoje nos ensinastes que todas as pessoas são filhos e filhas vossas. A cura da salvação é para todos que vos procuram. O sírio Naamam foi curado e reconheceu o bem que lhe fizeste. Nós vos agradecemos por tudo que nos tem dado. Agradecemos pela vida, pelo batismo, pela família que nos criou, pelos amigos e parentes. Agradecemos pela saúde, pelos nossos alimentos, pela fé, pelos ensinamentos, pela casa e pelos bens que nos destes.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
à Ó Pai, nos ensinastes através de Paulo que temos que carregar as nossas cruzes, que devemos seguir o exemplo de Vosso Filho no amor a todos os irmãos. Que Vosso Espírito Santo nos fortaleça para que sejamos servos fiéis aos vossos ensinamentos, porque somos vossos filhos e através de Jesus se manifestou a vossa bondade para com todos. Pai, ajudai-nos a sermos melhores.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
àSenhor, obrigado por nos enviar vosso Filho, nos dar a salvação e nos enviar o Espírito Santo para nos iluminar e nos fortalecer. Pai, temos as nossas cruzes e as nossas dificuldades que bem o sabeis. Dai-nos força e coragem para perseverarmos em nossa fé.
T: Bendito sejais, ó Deus de bondade.
- Rito da comunhão:  - Pai nosso... A Paz... Eis o Cordeiro...