sexta-feira, 10 de novembro de 2017

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Diácono Ismael)

Tema: Vigilância: devemos caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem.
Na segunda leitura, Paulo garante que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo.
O Evangelho lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino.
A primeira leitura apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece.

PRIMEIRA LEITURA (Sb 6,12-16) Leitura do Livro da Sabedoria.
A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado. Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.

AMBIENTE - O “Livro da Sabedoria” é o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do séc. I a.C.). O seu autor – um judeu de língua grega, provavelmente nascido e educado na Diáspora (Alexandria?) – exprimindo-se em termos e concepções do mundo helênico, faz o elogio da “sabedoria” israelita, traça o quadro da sorte que espera o justo e o ímpio no mais-além e descreve (com exemplos tirados da história do Êxodo) as sortes diversas que tiveram os pagãos (idólatras) e os hebreus (fiéis a Jahwéh). O seu objetivo é duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a fé dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pagãos, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahwéh, o verdadeiro e único Deus… Para uns e para outros, só Jahwéh garante a verdadeira “sabedoria” e a verdadeira felicidade.
O que é esta “sabedoria” de que aqui se fala? A “sabedoria” é a arte de bem viver, de ser feliz. Consta de um conjunto de princípios práticos, de normas de comportamento deduzidas da reflexão e da experiência, destinadas a orientar o homem sobre a forma de conduzir-se na vida do dia a dia. O objetivo dessas normas é proporcionar ao homem uma vida harmoniosa, equilibrada, ordenada, cheia de êxitos.
No entanto, a reflexão israelita acabou por identificar a “sabedoria” com a Torah (Lei de Deus). Ser “sábio” é – para a reflexão judaica da época em que o “Livro da Sabedoria” apareceu – cumprir integralmente os mandamentos da Lei. Na “sabedoria”/Torah, revelada por Jahwéh, está o caminho para ter êxito, para ultrapassar os obstáculos que a vida traz e para ser feliz.
É neste contexto que devemos entender este convite à “sabedoria”.
MENSAGEM - A “sabedoria” não é, na perspectiva do autor do texto, algo de misterioso, e de oculto, que o homem tem dificuldade em encontrar… Ela brilha com brilho inalterável e atraente, que prende o olhar de quem a procura. Não é preciso correr atrás dela, com cuidado e fadiga, trilhando caminhos difíceis ou procurando em lugares recônditos e sombrios… Basta sentir interesse por ela, amá-la, desejá-la, que ela imediatamente se fará presente, oferecendo a vida e a felicidade a todos os que anseiam por ela. Quem ama a “sabedoria” facilmente “tropeça” nela, nas circunstâncias mais comuns da vida do dia a dia: à porta da casa, nos caminhos e até na intimidade dos próprios pensamentos… Para que a “sabedoria” ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para a acolher.
ATUALIZAÇÃO • A “sabedoria” é um dom de Deus para que o homem saiba conduzir a sua vida ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira felicidade. Deus é cheio de amor, preocupado em proporcionar ao homem todas as possibilidades de ser feliz e de se realizar plenamente. Deus é esse Pai cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, sempre disposto a oferecer-lhes os seus dons e a conduzi-los para a vida e para a salvação; e convida-nos a uma atenção contínua, a fim de detectarmos e acolhermos esses dons que, a cada instante.
• Deus coloca os seus dons à disposição do homem, de forma gratuita e incondicional; ao homem é pedido apenas que não se feche no seu egoísmo e na sua autossuficiência, mas abra o seu coração à graça que Deus lhe oferece.
SALMO RESPONSORIAL / 62(63)
A minh'alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.
• Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco! / A minh'alma tem sede de vós, / minha carne também vos deseja, / como terra sedenta e sem água!
• Venho, assim, contemplar-vos no templo, / para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida: / e por isso meus lábios vos louvam.
• Quero, pois vos louvar pela vida,/ e elevar para vósminhas mãos! / A minh'alma será saciada, / como em grande banquete de festa; / cantará a alegria em meus lábios.
• Penso em vós no meu leito, de noite, / nas vigílias suspiro por vós! / Para mim fostes sempre um socorro; / de vossas asas à sombra eu exulto!

EVANGELHO (Mt 25,1-13)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.’ As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

AMBIENTE - Enquanto em Marcos, o “discurso escatológico” (cf. Mc 13)  se refere, especialmente, aos sinais que precederão a destruição do Templo de Jerusalém, em Mateus o mesmo discurso aborda, sobretudo, o tema da segunda vinda de Jesus e a atitude com que os discípulos devem preparar essa vinda. Esta mudança de perspectiva tem a ver com as necessidades da comunidade de Mateus…
Estamos nos finais do séc. I (década de 80)… Já tinha passado a “febre escatológica” e os cristãos já não esperavam a vinda iminente de Jesus. Passado o entusiasmo inicial, a vida de fé dos crentes tinha arrefecido e a comunidade tinha-se instalado na rotina, no comodismo, na facilidade… Era preciso algo que despertasse de novo para o compromisso com o Evangelho.
Fundamentalmente, lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana; mas enquanto esse acontecimento não se realiza, os crentes são chamados a viver com coerência e entusiasmo a sua fé, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino. A isto, a catequese primitiva chama “estar vigilantes, à espera do Senhor que vem”.
A parábola que hoje nos é proposta alude aos rituais típicos dos casamentos judaicos. De acordo com os costumes, a cerimónia do casamento começava com a ida do noivo a casa da noiva, para levá-la para a sua nova casa. Normalmente, o noivo chegava atrasado, pois devia, antes, discutir com os familiares da noiva os presentes que ofereceria à família da sua amada. As negociações entre as duas partes eram demoradas e tinham uma importante função social… Os parentes da noiva deviam mostrar-se exigentes, sugerindo dessa forma que a família perdia algo de muito precioso ao entregar a menina a outra família; por outro lado, o noivo e os seus familiares ficavam contentes com as exigências, pois dessa forma mostravam aos vizinhos e conhecidos o valor e a importância dessa mulher que entrava na sua família. Os que testemunhavam o acordo, estavam prontos para ir avisar a noiva de que as negociações estavam concluídas e o noivo ia chegar… Enquanto isso, a noiva, vestida a preceito, esperava em casa do seu pai que o noivo viesse ao seu encontro. As amigas da noiva esperavam também, com as lâmpadas acesas, para acompanhar a noiva, entre danças e cânticos, à sua nova casa. Era aí que tinha lugar a festa do casamento.

MENSAGEM - A “parábola das dez virgens”, tal como saiu da boca de Jesus, era uma “parábola do Reino”. O Reino de Deus é, aqui, comparado com uma das celebrações mais alegres e mais festivas que os israelitas conheciam: o banquete de casamento. As dez jovens, representam a totalidade do Povo de Deus, que espera ansiosamente a chegada do messias (o noivo)… Uma parte desse Povo (as jovens previdentes) está preparada e, quando o messias finalmente aparece, pode entrar a fazer parte da comunidade do Reino; outra parte (as jovens descuidadas) não está preparada e não pode entrar na comunidade do Reino.
A parábola original constituía, pois, um apelo aos israelitas no sentido de não perderem a oportunidade de participar na grande festa do Reino.
Algumas dezenas de anos depois, Mateus retomou a mesma parábola, adaptando-a às necessidades da comunidade. A parábola foi, então, convertida numa exortação a estar preparado para a vinda do Senhor, a qual pode acontecer no momento menos esperado. A festa é, neste novo contexto, a segunda vinda de Jesus. O noivo que está para chegar é Jesus. As dez jovens representam a Igreja que, experimentando na história as dificuldades e as perseguições, anseia pela chegada da libertação definitiva. Uma parte da Igreja (as jovens previdentes) está preparada, vigilante, atenta e, quando o “noivo” chega, pode entrar no banquete da vida eterna; a outra parte (as jovens descuidadas) não está preparada, porque apostou nos valores do mundo, guiou a sua vida por eles e esqueceu os valores do Reino.
O que é que significa, na perspectiva de Mateus, “estar preparado para acolher a vinda do Senhor”? Significa, escutar as palavras de Jesus, acolhê-las no coração e viver de forma coerente com os valores do Evangelho… “Estar preparado” significa, fundamentalmente, viver na fidelidade aos projetos do Pai e amar os irmãos até ao dom da vida, em todos os instantes da nossa existência.
A mensagem é esta: nós os crentes, não podemos afrouxar a vigilância e enfraquecer o nosso compromisso com os valores do Reino. Com o passar do tempo, as nossas comunidades têm tendência para se instalar no comodismo, no adormecimento, no descuido, numa vida de fé que não compromete, numa religião de facilidade, num testemunho pouco empenhado e pouco coerente… É preciso, no entanto, que o nosso compromisso com Jesus se renove cada dia. A certeza de que Ele vem outra vez, deve impulsionar-nos a um compromisso ativo com os valores do Evangelho, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e ao compromisso com o Reino.

ATUALIZAÇÃO • Nós, os cristãos do séc. XXI, não somos significativamente diferentes dos cristãos que integravam a comunidade de Mateus… Também percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de instalação, de comodismo, de adormecimento, de pouco empenho. As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, a nossa fragilidade levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e a correr atrás de valores efémeros, que parecem garantir-nos a felicidade e só nos arrastam para caminhos de escravidão e de frustração. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa existência e que não podemos alienar os valores do Evangelho, pois só eles nos mantêm identificados com esse Senhor Jesus que há de voltar para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, manter-nos atentos e vigilantes, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.
• “Estar preparado” significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso batismal. “Estar preparado” passa por descobrirmos dia a dia os projetos de Deus para nós e para o mundo e procurar concretizá-los, com alegria e entusiasmo; “estar preparado” passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos irmãos, no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.
• O Evangelho deste domingo avisa-nos que não podemos instalar-nos no nosso egoísmo e na nossa autossuficiência e recusar-nos a escutar os apelos do Senhor.
• Mateus, com algum dramatismo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. O objetivo da catequese de Mateus não é dizer-nos que, se não nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas é alertar-nos para a seriedade com que devemos avaliar as nossas opções, de forma a não perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos à felicidade plena e definitiva.

SEGUNDA LEITURA (1Ts 4,13-18, mais longa) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou - e esta é nossa fé - de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. Exortai-vos, pois, uns aos outros, com estas palavras.

AMBIENTE - De acordo com os “Atos dos Apóstolos”, Paulo não teve muito tempo para evangelizar os tessalonicenses. Depois de poucas semanas de pregação, um motim habilmente preparado pelos judeus da cidade obrigou-o a deixar precipitadamente Tessalônica, deixando atrás de si uma comunidade cristã fervorosa e entusiasta, mas insuficientemente preparada do ponto de vista catequético (cf. At 17,1-10). Paulo foi para Bereia, depois para Atenas e Corinto. De Corinto, Paulo enviou Timóteo ao encontro dos tessalonicenses, para verificar como é que a comunidade se estava a aguentar face à hostilidade dos judeus. No regresso a Corinto, Timóteo deu conta a Paulo da situação da comunidade: os tessalonicenses continuavam a viver com entusiasmo a sua fé, embora sentissem algumas dúvidas em questões de fé e de doutrina.
Um dos problemas teológicos que mais preocupava os tessalonicenses era a questão da parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos)… Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que esse dia surgiria num espaço de tempo muito curto e que assistiriam ao triunfo final de Jesus. A este propósito os tessalonicenses punham, no entanto, um problema muito prático: qual será a sorte dos cristãos que morrerem antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com ele no Reino de Deus se já estão mortos?
É então que Paulo escreve aos tessalonicenses, encorajando-os na fé e respondendo às suas dúvidas. Estamos no ano 50 ou 51.

MENSAGEM - Paulo confirma aquilo que, provavelmente, já antes havia ensinado aos tessalonicenses: que Cristo virá para concluir a história humana; e que todo aquele que tiver aderido a Cristo e se tiver identificado com Ele, esteja morto ou esteja vivo, encontrará a salvação (vers. 14). Se Cristo recebeu do Pai a vida que não acaba, quem se identifica com Cristo está destinado a uma vida semelhante; a morte não tem poder sobre Ele… Isto deve encher de esperança o cristão, mantendo-o alegre, sereno e cheio de ânimo.
Paulo não é demasiado explícito, pois está consciente que se trata de uma realidade misteriosa, que foge à lógica e à linguagem humanas. De qualquer forma, para descrever a passagem do homem velho para a realidade do homem novo que vive para sempre junto de Deus, Paulo vai recorrer ao gênero literário “apocalipse”, um gênero literário que utiliza preferentemente a imagem e o símbolo (afinal, a linguagem mais adaptada para expressar uma realidade que nos ultrapassa e que não conseguimos definir e explicar nos seus detalhes). O quadro que Paulo traça é o seguinte: aqueles crentes que entretanto morreram ressuscitarão primeiro (“à voz do arcanjo”, “ao som da trombeta de Deus” – elementos típicos da escatologia judaica); depois, em companhia de “nós, os vivos”, irão ao encontro do Senhor que vem na sua glória e permanecerão com Ele para sempre.
O que Paulo aqui pretende é tranquilizar os tessalonicenses, assegurando-lhes que não haverá qualquer diferença ou discriminação entre os que morreram antes da segunda vinda de Jesus e aqueles que permanecerem vivos até esse instante: uns e outros encontrar-se-ão com o Senhor Jesus, partilharão o seu triunfo e entrarão com ele na glória.

ATUALIZAÇÃO • A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.
• A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.
• Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser – já neste mundo – uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).
• Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.
Dehonianos

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Dez virgens saíram ao encontro do noivo, empolgadas com as alegrias vindouras da festa de casamento. Todas estavam presentes; todas estavam esperando o noivo; todas se sentiam satisfeitas com a sua preparação, pois estavam cochilando e dormindo, e todas tinham lâmpadas. A diferença entre as cinco virgens prudentes e as cinco tolas era que as cinco prudentes trouxeram óleo junto com suas lâmpadas. O tempo da preparação tinha-se passado. Enquanto as virgens tolas estavam comprando óleo, o noivo chegou e elas foram deixadas fora do casamento para sempre. Jesus declarou a aplicação: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” na qual o Filho do homem vem (versículo 13).
preparação adequada contrastada com negligência. Esse é o grande perigo. Não despreparo completo, mas negligência: negligência em abandonar algum mau hábito; negligência em confessar algum erro; negligência em tornar-se como seu Senhor.
“E, tardando o noivo”, Sem dúvida, isso contribuiu para a negligência mencionada acima.
responsabilidade individual. As virgens prudentes não podiam compartilhar seu óleo com as tolas. Cada um tinha que prestar contas pelo que tinha feito pessoalmente. Assim será quando o Senhor retornar. Nenhum pai será capaz de partilhar um pouco da sua fidelidade com os seus filhos; nenhum esposo com a sua esposa ou vice-versa; nenhum amigo com outro amigo. Ninguém poderá se gabar dizendo “veja o que nós fizemos”; ele só pode obter a graça na base de sua própria preparação.
separação. As cinco virgens prudentes entraram com o noivo no casamento, enquanto as cinco tolas não puderam entrar.
A expressão “Fechou-se a porta”, é uma das expressões mais tristes nas Escrituras. Ela retrata a exclusão final e eterna, do céu, quando o Senhor retornar. Dentro, há insuperável beleza, mas estes estão de fora. Dentro estão os anjos de Deus e todos os redimidos reunidos em volta do trono, mas estes estão de fora. Dentro há alegria, amor e paz, mas estes estão de fora.
A lição é clara: cada um de nós precisa submeter-se, totalmente e sem resistência, ao domínio de Deus em Jesus Cristo para que, quando o Senhor retornar, o galardão eterno do reino dos céus seja nosso.
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São Jerônimo, Santo Hilário e Orígenes dizem que a lâmpada designa a fé; o óleo designa as boas obras, sem as quais é morta a nossa fé, como está em São Tiago 2, 17: “Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento”.
As virgens prudentes levaram vasos com suas lâmpadas; mas as loucas ao pegarem as lâmpadas, não levaram azeite consigo. O Presbítero Duarte Leopoldo escreve: “As virgens prudentes são as almas que tem a fé e também as obras de misericórdia, de caridade e de outras virtudes; as loucas, as pecadoras que crêem e não praticam, são os católicos do Credo e hereges dos Mandamentos”. O Presbítero acrescenta: “Não basta crer para salvarmos a nossa alma, é ainda indispensável agir conforme os ensinos da fé, não de uma fé individual, como a quer e entende cada um, mas como a quer e entende Jesus Cristo e ensina a sua Igreja”. As virgens loucas possuíam as lâmpadas da fé, mas não possuíam o óleo das boas obras  nem a chama da caridade.
O Presbítero Duarte Leopoldo escreve: “A demora do Esposo será até o momento da morte”. Está claro que não podemos adiar a nossa conversão e a nossa mudança de vida; não podemos deixar para depois o bem que podemos fazer hoje; precisamos estar sempre preparados para o encontro com Nosso Senhor que acontecerá logo após a nossa morte.
Essa vigília é a vida cristã. Não sabemos nem o dia nem a hora que o Senhor virá, isto é, o noivo; cabe-nos vivermos sempre preparados, isto é, na graça de Deus e entesourando tesouros no céu através das boas obras, da oração constante, da recepção digna dos sacramentos, etc.
Na 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 10: “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal”,
“Ir aos vendedores, comprar o óleo, preparar as lâmpadas de novo, voltar à procura do esposo, etc., tudo isto exige tempo e trabalho”, por isso, siga o conselho de São João Berchmans: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. 

Não há qualquer menção à noiva, que é a personagem que fica faltando, o que é de se admirar, já que Jesus está a falar de uma festividade de casamento, onde o centro das atenções é, precisamente, a noiva. Porém, na parábola das dez virgens, a grande ausente é a noiva. A noiva, que, como sabemos, é a Igreja, está ausente aqui desta parábola, porque é alguém que surgirá somente quando do arrebatamento da Igreja, quando, então, os salvos de todas as épocas, pela primeira vez, estarão reunidos diante de Jesus. Esta ausência corrobora o entendimento de alguns estudiosos das Escrituras que crêem que a inauguração da Igreja se dará apenas no dia do arrebatamento, pois só então teremos a “reunião dos tirados para fora do mundo”. Até lá, jamais se terá a “universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23a). Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo: ”…Eis-Me aqui, e aos filhos que Deus me deu”(Hb 2:13). Então haverá festa nos céus, todas as hostes celestiais se alegrarão juntamente com todos os seus servos(Ap 19:5-7).

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As dez Virgens - Em  que eram semelhantes e em que eram diferentes

Elas eram iguais aos olhos dos homens – “...pois o homem vê o que está diante dos olhos...”, porém, eram diferentes diante dos olhos de Deus, porque – “...o Senhor olha para o coração”(I Sm 16:7).
– Todas eram Virgens - O fato de serem virgens não significa que eram puras, ou santas; se fossem, não ficariam de fora algumas delas.
Para a mesma Bíblia o adultério e a prostituição, no sentido espiritual, significa traição a Deus, ou seja, quando uma pessoa vai atrás da idolatria, de qualquer natureza, ela é considerada, espiritualmente, como tendo cometido adultério, ou prostituição. Assim, todas são virgens porque nenhuma delas pode ser contada entre os idólatras, ou pagãos. Todas dizem servir somente a Deus. Todas se identificam como sendo cristãs, evangélicas. Por isto se diz que todas são virgens.
– Todas estavam vestidas iguais - Pelo aspecto exterior não podemos identificar e diferenciar os verdadeiros e os falsos crentes.
– Todas tinham lâmpadas nas mãos  - A lâmpada é um dos símbolos da Palavra de Deus, conforme afirmou o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra...” (Salmo 119:105). Todos possuem uma Bíblia, mesmo que não a leiam e nem a sigam, porém, a lâmpada está em suas mãos.
– Todas estavam no mesmo lugar  
– Todas estavam esperando o noivo
A diferença fundamental entre elas, é que as virgens prudentes levaram azeite de reserva para uma eventual situação, enquanto que as virgens loucas não levaram.
As virgens loucas não tiveram como repor o azeite nas suas lâmpadas, e por isso foram excluídas da festa.
Para ser de Cristo não basta ser cristão; não basta ter a Bíblia nas mãos, na cabeça, ou no Púlpito. Para ser de Cristo é preciso ter azeite na vasilha , ter plena comunhão com o Espírito Santo e fazer as mesmas obras do Mestre; “Eu vim para servir e não para ser servido, amai-vos como eu vos amei”; faltavam-lhes as obras de amor. Por isso ficaram de fora.

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"De lâmpadas acesas"

Aproximando-se o fim do ano litúrgico, a Liturgia é marcada pelo pensamento do FIM, fim da vida, fim do mundo e faz um apelo à vigilância
para a grande chegada do Senhor que vem.

A 1a leitura louva a busca da Sabedoria proveniente de Deus e ordenada ao serviço.
Esta Sabedoria torna prudentes os homens, ensina-lhes a não desperdiçar a vida em coisas vãs, e sim a
empenhá-la no serviço divino à espera de Deus. (Sb 6, 12-16)

Na linguagem bíblica, sabedoria se identifica com a pessoa de Cristo, que é a plenitude da sabedoria. Quem a procura, a encontra... desde já...
Para que a Sabedoria ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para acolher.

Na 2a Leitura, Paulo fala do destino eterno dos homens.
A vida terrena não termina no vazio, mas no encontro com Cristo, que virá para concluir a História humana.
A morte nos introduzirá nas núpcias eternas, onde estaremos sempre com o Senhor. (1Tess 4,13-18)

O Evangelho apresenta o início do sermão escatológico, o quinto e último dos grandes sermões, que estruturam o evangelho de Mateus. (Mt 25,1-13)

Encaixa-se bem no ambiente dos últimos domingos do Ano Litúrgico.
Sob a figura de núpcias, apresenta as relações entre Deus e o homem.
O Filho de Deus desposou a humanidade ao encarnar-se.
Depois consumou estas núpcias na cruz com que remiu os homens e os ligou a si, reunindo-os na Igreja, sua mística esposa.
Assim a existência é uma vigilante espera do esposo, ocupada em boas obras,
que são o óleo que alimenta a lâmpada da fé.

+ As Virgens prudentes, preparadas, previdentes, atentas aos sinais dos tempos,
   representam o cristão que acendeu um dia a chama da fé no batismo,
   e continua alimentando essa fé, com a Oração... com os Sacramentos...
   com a Palavra de Deus.... e continua ainda hoje fiel a Deus e sempre atento às vindas do Cristo...

+ As Virgens imprudentes, imprevidentes, acomodadas, julgam que no momento oportuno haverá alguém que as ajude....
    Elas representam o cristão despreocupado com as realidades profundas.
   Apenas se contenta de ter aceso à chama da fé com o Batismo, mas hoje não participa da Missa, nem de grupos de reflexão, não estuda, não atua em nenhuma pastoral, não se responsabiliza por nada.
   Muitas vezes Cristo cruza o seu caminho e mesmo vai ao encontro dele, mas ele distraído não o reconhece e nem faz caso.
   São aqueles aos quais Cristo um dia fechará a porta, dizendo aquelas terríveis palavras: "Eu não vos conheço"...

E a Parábola conclui:
"Portanto ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora..."

A Parábola era atual para os cristãos daquele tempo, que esperavam a Parusia (esta vinda) para breve. Mateus desejava passar a eles uma mensagem de Vigilância.

* A vida do cristão é considerada como um empenho de fidelidade nupcial a Cristo, inspirada por um amor que não admite compromissos.
   Assim vivida, a existência é uma vigilante espera do esposo, ocupada em boas obras, que são o óleo que alimenta a lâmpada da fé.
   Quem espera o Senhor com a lâmpada acesa entrará no banquete...

O que significa Vigiar?

+ Ser Previdentes: alimentando essa chama, com reserva, não apenas o mínimo necessário.
   Se faltar o óleo, a comunidade empaca, não anda, não realiza a festa e não participa dela. Sem óleo, a lâmpada se apaga e a comunidade estaciona...

+ Estar Atentos: aos sinais de Deus, para reconhecer o seu rosto e sua voz...
   - no grito do pobre, no desespero do marginalizado, no pranto do doente...
   - Naquele que anuncia a Paz, naquele que clama por justiça, por amor,
     por respeito, por igualdade...
     Vigilância é sinal de amor, quem ama fica vigilante aguardando...
     mesmo se ele demora para chegar...

Por isso, vemos que o esposo não virá somente uma vez no fim do mundo,
mas é preciso esperá-lo todos os dias...

+ Deus está sempre conosco: Jesus permanece sempre ao nosso lado.

Há porém momentos de um encontro mais profundo: são as visitas de Deus;
sobretudo a última para a qual o Senhor chamou hoje especial atenção.
Mas quem vive vigilante, não se preocupa...
pelo contrário, aguarda com profunda esperança esse momento.

Cristo continua advertindo também a nós: "Ficai vigiando..."
para que o Cristo não fique despercebido e um dia, fechando-nos a porta,
ele nos diga aquelas terríveis palavras: "Eu não vos conheço..."

A Liturgia de hoje nos convida a esperar
- com muito amor na lâmpada do nosso coração e
- com muita sabedoria na lâmpada de nossa mente.
Que assim seja.

                                                       Pe. Antônio Geraldo





sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Solenidade Todos os Santos, homilias, subsídios homiléticos

Todos os Santos ano  2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
TEMA: Todos os Santos; ”Dia de contemplar os nossos heróis na fé.
Todos os Santos é a festa de todos aqueles que procuram, em cada dia, amar a Deus e os seus irmãos.
Primeira leitura: João recorre a uma visão para descrever nossos heróis na fé.
Evangelho: Jesus nos fala das bem-aventuranças no Reino.
Segunda leitura: João nos diz que pelo batismo somos filhos de Deus e nós nem podemos imaginar a felicidade que nos aguarda.

PRIMEIRA LEITURA (Ap 7,2-4.9-14) Leitura do Livro do Apocalipse de São João.
...marcado na fronte ...eram cento e quarenta e quatro mil, ...multidão imensa ...quatro seres vivos ...ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

Breve comentário – Em meio às perseguições o profeta traz esperança. É uma linguagem codificada, que evoca Roma (Babilônia). Proclama a vitória do Cordeiro que transformou o caminho de morte em caminho de vida para todos aqueles que O seguem, e eles são numerosos; participam do seu triunfo, numa festa eterna.
1- «O selo (o sinete de marcar); nesta marca, em forma de cruz, o caráter batismal.
2- «Cento e quarenta e quatro mil» é simbólico; 12 x 12 x 1000 e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9).
3 «Os (24) Anciãos».12 as tribos de Israel e 12 todas as tribos do mundo.
4- «Os 4 Viventes», os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo; única adoração e louvor a Deus.
6- «A grande tribulação»; perseguição violenta no curso da história da Igreja.
7- «Lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro». Todos alcançaram a purificação através do sangue do crucificado, pois aceitaram Jesus e sua vida foi um esforço contínuo de conversão na imitação do Mestre Divino.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 23 (24)
É assim a geração dos que procuram o Senhor.
• Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, / o mundo inteiro com os seres que o povoam, / porque ele a tornou firme sobre os mares, / e sobre as águas a mantém inabalável.
• “Quem subirá até o monte do Senhor, / quem ficará em sua santa habitação?” / “Quem tem mãos puras e inocente coração, / quem não dirige sua mente para o crime.
 • Sobre este desce a bênção do Senhor / e a recompensa de seu Deus e Salvador”. / “É assim a geração dos que o procuram / e do Deus de Israel buscam a face”.

EVANGELHO (Mt 5,1-12a) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
...: “Bem-aventurados os pobres em espírito, ...os aflitos serão consolados. os mansos... fome e sede de justiça, ...os misericordiosos, ...os puros de coração, ...os que promovem a paz, ...os que são perseguidos quando vos injuriarem e perseguirem... Alegrai-vos..., porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

AMBIENTE - Mateus nos lembra da montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu ao seu Povo a antiga Lei. Agora é Jesus, que, numa montanha, oferece ao novo Povo a nova Lei que deve guiar todos.

MENSAGEM
Jesus proclama “bem-aventurados” os que estão de espírito aberto para acolher a proposta que Deus lhes oferece em Jesus; não colocam sua confiança na riqueza, no poder, no êxitos, mas sua esperança em Deus.
1- «Os pobres em espírito». Quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus. Daí que: pobre não é o sem bens, mas o que não se apega a ele; tudo é de Deus. Se colocaram nas mãos de Deus, para servirem os irmãos e partilharem tudo com eles; partilham; não explora, não mente e sente compaixão dos necessitados.
***• Jesus diz: “felizes os pobres em espírito”; o mundo diz: “felizes os que tem dinheiro, comodidade, poder, segurança, bem-estar, pois é o dinheiro que faz andar o mundo e nos torna mais poderosos, mais livres e mais felizes”.
2 «Os humildes». Os “mansos” não são os fracos, os que suportam passivamente as injustiças, mas os que não aceitam as injustiças dos poderosos, mas agem com amor, sem violência, para a construção da paz; Sabe compreender, perdoar.
***• Jesus diz: “felizes os mansos”; o mundo diz: “felizes os que sabem responder com força ainda maior a uma violência e a injustiça. 
3 «Os que choram», os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que vivem na aflição, no sofrimento provocados pela injustiça, pela miséria, pelo egoísmo; O cristão não se conforma diante do sofrimento dos outros. Ele se aflige, mas nem por isso perde a alegria, a esperança e a felicidade. O egoísta fala: “Senhor, obrigado por eu ter comida na mesa, quando há tantos que não tem”. O cristão fala o contrário: “Senhor, eu lhe agradeço este alimento, mas me preocupo com os que não tem.  Senhor, Abra o nosso coração à partilha!”
***• Jesus diz: “felizes os que choram”; o mundo diz: Feliz quem  faz da vida uma festa chic,  alta sociedade, amigos poderosos, uma boa conta bancária e um bom emprego arranjado pelo amigo político”.
4 «Fome e sede de justiça». Os que anseiam o projeto de Deus. A idéia de justiça é uma idéia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus. Ele anseia por uma sociedade nova e luta por ela, para que todos tenham o que lhe é necessário.
***• Jesus diz: “felizes os que têm sede de justiça”; o mundo diz: feliz quem não está bitolado por uma religião. Religião já era. Felizes os que não dependem de preconceitos ultrapassados e não acreditam num deus que diz o que deveis e não deveis fazer; Sois livres.
 5 Os “misericordiosos” são aqueles que têm um coração capaz de compadecer-se, que se deixam tocar pelos sofrimentos e alegrias dos outros; sentem como suas as alegrias e as tristezas dos irmãos e Deus também terá misericórdia dele.
***• Jesus diz: “felizes os que têm misericórdia”; o mundo diz: “felizes os que ficam longe dos miseráveis e sofredores, pois quem se comove e tem misericórdia dos outros nesse mundo competitivo nunca será grande”. 
6 «Os puros de coração» são aqueles que agem com honestidade e não enganando.   Não é falso nem engana ninguém, mas é verdadeiro e transparente. Estes verão a Deus porque Deus é assim.
***• Jesus diz: “felizes os sinceros de coração”; o mundo diz: A lei é dos espertos. “A verdade e a sinceridade destroem muitas carreiras e esperanças de sucesso”. 
7 «Os que promovem a paz» (pacíficos): Os que procuram ser instrumentos de reconciliação. Se recusam a aceitar que a violência e a lei do mais forte rejam as relações humanas; Na família, nos vizinhos, na Comunidade, no País, no mundo. Ele une os separados e integra os excluídos.
***• Jesus diz: “felizes os que constroem a paz”; o mundo diz: o que vale é a força e o poder. Cada um por si. “Quem pode mais chora menos, pois só assim podereis ser homens e mulheres de sucesso”.
8- Os “que são perseguidos por causa da justiça” são os que sofrem a injustiça dos homens. São os que lutam pela instauração do “Reino” e são desautorizados, humilhados, agredidos, por aqueles que praticam a injustiça.
***• Jesus diz: “felizes os que são perseguidos por cumprirem a vontade de Deus”; o mundo diz: Feliz é quem faz o jogo dos poderosos, pois sobe na carreira e tem êxito na vida.
As “bem-aventuranças” deixam uma mensagem de esperança para os pobres e débeis. Anunciam que Deus os ama e que está do lado deles; a libertação está  chegando.
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Bem-aventurados vós, os pobres de coração, porque vosso é o Reino de Deus!”.
Jesus Fala da pobreza que permite crer, esperar e amar (fé, esperança e caridade).
 O pobre é aquele que “tem fé” em Deus.
Pobre é o que reconhece a sua limitação, faz a leitura de toda realidade criada e de sua própria existência, e vê a sua limitação, pois tudo foi criado e ele próprio é um ser criado, não por sua vontade, mas por outro projeto que não foi o seu. Ele vê que existe alguém mais poderoso, mais capaz e deparando com sua fragilidade de criatura, acredita na bondade desse Criador. Acreditando, parte e grita em direção a este Deus no meio de seu sofrimento ou da sua confusão. É aquele que confia sempre em Deus, pois se sente pequeno.
 O pobre é também aquele que espera.
O rico não pode esperar, está plenamente satisfeito. O pobre, esse, está sempre virado para um futuro que espera que seja melhor; depois, ele procura, porque pensa nunca ter totalmente encontrado. A sua vida é uma procura e todos os sinais que ele encontra enchem-no de alegria e fazem-no avançar. O pobre é aquele que aceita ser criticado pela Palavra de Deus, sabe de sua pequenez e espera pela misericórdia desse Deus que o criou, pois só nele e com ele terá a plenitude da felicidade.
 O pobre é aquele que ama.
Por não estar plenamente satisfeito consigo mesmo, crendo no Deus Criador de tudo e de todos, vê no próximo o irmão. Sabendo de sua limitação, pois tudo que tem lhe foi dado, imita o criador na bondade e serve ao irmão com o que lhe foi dado. Não centra em si o interesse, mas abre os olhos e vê aqueles que esperam os seus gestos de amor; ouve os gritos dos seus irmãos e abre as suas mãos do pouco que tem para àquele que tem necessidade. Quem é pobre Crê, confia, espera e ama seu Criador e seu irmão.

As bem-aventuranças nos diz que: “Sois do mundo, e ao mesmo tempo não sois do mundo… Vós não sois do mundo do cada um para si, do consumo, da violência, da vingança, do comprometimento… E face a este mundo deveis dizer: não estou de acordo! É certo que sereis perseguidos ou, pelo menos, rir-se-ão de vós, ou procurarão fazer-vos calar. Sereis felizes, porque fareis ver onde está a verdadeira felicidade. Chamar-vos-ão santos”. Queremos experimentar ser já felizes? Basta-nos ter um coração de pobre.

SEGUNDA LEITURA (1Jo 3,1-3) Leitura da Primeira Carta de São João.
Caríssimos, vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

Breve comentário - Deus, no seu imenso amor, faz de nós seus filhos.
1 «E o somos de fato». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. 
2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adoção legal e extrínseca, como a adoção humana de um filho. A adoção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos».
3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efetivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).
Pelo baptismo fomos identificados com Cristo, filho de Deus. Logo também, nós o somos de direito e de fato. A nossa preocupação na terra há-de ser a de imitarmos Jesus Cristo. É uma luta todos os dias porque ainda se não nos manifestou o que havemos de ser pois que só no céu o conseguiremos. A multidão incontável de que nos fala S. João, são os nossos irmãos que venceram o que temos a vencer, lutaram como temos que lutar. Em Jesus Cristo fomos chamados por Deus à filiação divina, chamados a ser herdeiros no Céu. O mistério da nossa salvação é uma realidade a construir. É um trabalho árduo que, depende da nossa fé, do nosso querer. Deus quer contar com a nossa colaboração, com o nosso querer. A única dificuldade está na nossa liberdade que Deus respeita. Deus não nos falta com a Sua ajuda e por isso teremos o prêmio, seremos bem-aventurados.
“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram nem o homem pode imaginar o que Deus preparou para aqueles que o ama" (1 Cor2,9). "Agora vemos como num espelho, mas depois veremos face a face" (13,12).

A santidade tem duas dimensões:
A Santidade não é fruto do esforço humano. É ação de Deus Espírito Santo e resposta do cristão.
A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, “santo” significa, “separado”. São João: “Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”.
Nesta perspectiva Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo –;se caíram, se erraram, foram lavando e alvejando suas vestes no sangue de Cristo: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo!
Realmente, o que faz feliz o coração humano não são as coisas desse mundo, mas o sentido na vivencia e na utilização dessas coisas. A mulher que vai ao salão de beleza e espera durante algumas horas para que a deixem bem bonita, é feliz; ela se submete a esse pequeno sacrifício por um bem maior.
Há coisas que levam à autêntica felicidade e outras que levam a uma aparente felicidade
Existe também uma “educação para a felicidade”. Há fases árduas, “chatas” que nos fazem felizes, como tomar um remédio amargo ou ir à escola. No momento não se percebe que é assim, mas com o passar do tempo estamos felizes e agradecidos por estar sadios e por não sermos burros.
Nossos heróis e modelos venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser. Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!
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Todos os Santos    Caminho da Santidade

Na reza do "Creio", professamos uma verdade: "Creio na Comunhão dos Santos".
Hoje, na festa de TODOS OS SANTOS, vamos aprofundar essa Verdade.

Os textos bíblicos nos falam dessa realidade:

A 1a leitura nos garante que os Santos são muitos. (Ap 7,2-4.9-14)

O número 144.000 é simbólico: 12x12 mil: significa todo povo de Israel...
e mais uma grande multidão de todos os povos e línguas...
O Caminho da santidade está aberto a todos que vivem os valores do Reino.

A 2a Leitura afirma que somos Filhos de Deus:
O Amor de Deus como Pai nos transforma em filhos e nos chama a viver como irmãos.  (1 Jo 3,1-3)
Ser Santo é viver em comunhão com o Pai e o Filho.

No Evangelho, Cristo nos aponta o caminho para ser Santo: Viver as Bem-aventuranças…  (Mt 5,1-12)

+ Quem são os santos:

- Para muitos, Santos são pessoas já mortas, que realizaram no passado fatos surpreendentes na vivência da fé.
  Pessoas privilegiadas que já nasceram santas...  milagreiras...  declaradas santas pela Igreja e hoje homenageadas em nossos altares...

- Na Bíblia, no princípio, o título de santo era só para Deus.
  Ainda hoje no Glória, recitamos: "Porque só vós sois santo".

- Em Cristo repousa o Espírito de Santidade…
  Ele irradia a Santidade de Deus e transmite a sua santidade à Igreja por meio dos Sacramentos, que trazem ao homem a vida de Deus.

- Esta doutrina era tão viva nos primeiros séculos, que os membros da Igreja não hesitaram em chamar-se "os santos" e a própria Igreja era chamada de "Comunhão dos Santos".

- A SANTIDADE cristã manifesta-se, assim, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja oferece, em particular com os Sacramentos.

- A SANTIDADE: não é fruto do esforço humano, que procura alcançar Deus com suas forças,
  Ela é Dom do Amor de Deus e Resposta do homem à iniciativa de Deus.
  É GRAÇA recebida e TAREFA a cumprir...

- A SANTIDADE não é uma realidade conseguida apenas no passado por umas pessoas privilegiadas, vivendo longe do mundo...
 
- SANTOS são pessoas como nós, que ainda hoje vivem a santidade de Deus, pelo testemunho de sua fé e fidelidade ao projeto de Jesus; homens e mulheres que lutam para serem justos e pacificadores, pobres e compassivos, puros de coração, segundo o espírito das Bem-aventuranças.

-  Ninguém será santo depois de morto, se não o foi quando vivo.

+ A Festa de hoje nos lembra duas realidades:

1) O Mundo da Santidade:
Mundo imenso, onde os santos são inumeráveis.
- Mundo maravilhoso, onde muitos desses santos são nossos parentes, nossos amigos, gente grande e crianças que conhecemos.
- Mundo feliz realizando-se na vida de trabalho e sofrimento, de sonhos e realizações.
- Mundo de portas abertas, que cresce sem parar, e, cada dia que passa, vê chegar novos eleitos.

2) A Nossa vocação à Santidade
O Mundo dos santos não é estranho para nós.
Pelo contrário, todos somos chamados à Santidade, todos somos chamados a alcançar no mundo de hoje a plenitude da vida, que está nessa íntima união com Deus, fonte de toda a vida.
 "Todos os cristãos são chamados pelo Senhor à perfeição da santidade". (LG31)

+ O Objetivo dessa Festa:

- Homenagear todos os Santos que morreram no Senhor, conhecidos ou não...
- Apresentar o ideal da SANTIDADE, como possível ainda hoje e ardentemente desejado por Deus:
  "Esta é a vontade de Deus, a nossa Santificação". (1 Ts 4,3)

+ A Santidade é participar da vida de Deus, que é "o Santo".
   E sendo nós pecadores, supõe um processo de conversão permanente...

- Para sermos santos, Cristo nos deixou alguns meios:
  à Os Sacramentos... a Igreja... a Oração … a Palavra de Deus


                                     P. Antônio Geraldo
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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Creio que a maioria sabe que dia primeiro de Novembro é o dia em que celebramos todos os Santos. O fato é, que no Brasil esta data não é feriado. Esta é uma solenidade importante, porque fala muito próximo para cada um de nós. No Brasil esta festa é sempre no primeiro domingo do mês de novembro. É evidente, que celebrar todos os santos, está muito próximo de celebrar os mortos. Por isso, dia primeiro de novembro celebra-se todos os santos e dia dois de novembro celebramos os nossos falecidos. Mas, por que isto? Porque nem todos os santos se tornam conhecidos de todos. São muitas as pessoas santas, mas que não ganharam lugar nos altares das igrejas. Por que? Porque temos muitos santos, de fato, anônimos. Pessoas que procuram viver a sua fé e viver, assim, com muita determinação, entretanto, somente Deus sabe. Somente Deus conhece. Agora, não poderíamos celebrar primeiro os mortos e depois os santos. Por que? Porque não nos tornamos santos na hora em que morremos, não. Nos tornamos santos na hora que fomos batizados. Porque com Cristo morremos para com Cristo ressuscitarmos. Isto se dá no Batismo.
O que você quer da Igreja? A pessoa não diz: eu quero o batismo, mas eu quero a fé. A fé nos leva a caminharmos em direção a Deus. Por isso, comtemplar a Deus face a face, é tornar-se santo. Veja, que é uma caminhada feita passo a passo. Somos chamados a ir cultivando a santidade a cada dia. Então, como fazer para ser santo? O salmo vai nos dizer: • “Quem subirá até o monte do Senhor, / quem ficará em sua santa habitação?” / “Quem tem mãos puras e inocente coração, / quem não dirige sua mente para o crime”.
Então, se não tivermos mãos puras, não quer dizer sujeira que a água pode lavar, mas mãos puras é honestidade, retidão, é de fato, justiça, é de fato, você trabalhar para um mundo melhor; isto são mãos puras. Ora, coração puro. Coração puro não se trata de coração inocente, mas um coração onde você pode cultivar os valores do Evangelho, a ética, a moral. Isto tudo, é de fato mãos puras e inocente coração. Agora, “quem não dirige sua mente para o crime”. Aqui não precisa nem comentar, porque vivemos um momento que tem sido uma grande realidade  em todos os lugares. Então, veja, que para ser santo é necessário estas coisas. Curioso é que aqui não diz que para ser santo precisa rezar. Não diz, que para ser santo, tem que rezar. É interessante, porque tem gente que pensa que para ser santo é necessário rezar o dia inteiro. Aqui, em nenhum momento diz rezar. Ora, então, para que serve a reza? Para que serve a oração? Aqui, vamos precisar compreender bem. Não é tirar conclusões precipitadas, não.  São João, na segunda leitura de hoje, ele diz: veja que coisa maravilhosa: o Pai nos concedeu de sermos filhos de Deus, e de fato, o somos. Agora, se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu a Deus. Então, São João nos mostra que com a ajuda de Jesus nós podemos ter as mãos puras e inocente o coração. Muitas vezes no mundo, encontramos pessoas que nos levam ao contrário: nos levam a praticar a injustiça, a “passar a perna” nos outros, a conquistar todos os seus objetivos ainda que tenha que burlar a lei, portanto criminosos, pessoas que não está, nem um pouso, preocupado se as pessoas vivem ou não na justiça. Esta é a proposta do mundo. E, nós que queremos caminhar na retidão para encontrar a Deus, muitas vezes, acabamos desanimados. Porque você faz o bem e “leva paulada” e assim por diante. Então, é a ORAÇÃO que nos mantém perseverantes e firmes. Quer dizer, a oração vazia, não vale de nada, mas uma oração de intimidade com Deus, pode ser em casa, no carro, pode ser na hora que está lavando roupa ou fazendo comida, é um momento de nos dirigirmos a Deus dizendo: Senhor, sabes que eu não estou totalmente fortalecido para enfrentar as tentações que o mundo me apresenta. Por isso, olha, me ajuda, porque eu também quero ser santo, mas nem sempre tenho a força necessária. Ou, então, quando nós celebramos juntos, e, aqui é a oração por excelência, a Celebração da Eucaristia, porque eu não só ouço o que Deus fala através das leituras, como eu me alimento do seu Corpo e do Seu Sangue. Assim tenho forças para enfrentar mais uma semana de caminhada. Esta caminhada termina o dia em que eu me encontro face a face com Deus. Isto se dá no momento da morte. Então, é importante nós termos clareza disto, que a caminhada de fé é sempre um passo a passo a cada dia para chegar até Deus. Se não chegar a Deus, morre na praia. Celebrar a festa de todos os santos é celebrar a caminhada de cada um de nós. São João nos mostra algo que também podemos experimentar. Ele descreve na primeira leitura, a visão que ele teve. Claro, que esta visão é num ambiente litúrgico. Certamente é num momento de celebração da Eucaristia. Onde ele se dá conta, que na Celebração Eucarística  reunimos todos, aqueles que estão caminhando, chamado igreja peregrina, mais aqueles que já triunfaram, aqueles que já estão junto de Deus. Então, vai desde os anjos, passando pelos anciãos, e, aí há uma multidão que ninguém pode contar. Ele diz: “cento e quarenta e quatro mil”. É doze vezes doze que dá cento e quarenta e quatro. Doze representando todo o povo do antigo testamento. Outros doze representando as comunidades fundadas pelos apóstolos. E, uma multidão que não posso contar, mas para que não haja dúvidas, e não interpretem como uma matemática, que só cento e quarenta e quatro vão ser salvos, ele diz: “vi uma grande multidão, que ninguém pode contar, de todas as raças e nações”. Portanto, inclui a nós também. Quantos de nós somos santos! Somos pessoas que tentam caminhar seguindo os passos de Jesus. Hoje é dia de celebrar esta luta, esta caminhada. Não vamos pensar que ser santo é imitar algum santo. Não adianta. Você vai tentar e não vai conseguir, porque Deus não faz duas pessoas iguais. Cada um tem a sua natureza, sua personalidade, cada um tem o seu modo. Somos chamados a ser santos, a partir de nossa própria realidade. Para que servem os santos que temos na igreja? Como estímulo, como exemplo. Eles tinham as mesmas dificuldades que nós e conseguiram. Por que nós não vamos conseguir também? É no exemplo de luta que eles são importantes para nós. Que tenhamos perseverança nesta caminhada. Que Maria nos ajude nessa caminhada.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Homilia II

Meus irmãos e imãs, estamos celebrando hoje a Solenidade de Todos os Santos. Fiz uma pergunta na missa das dez horas (já sabia a resposta): eu disse: quero que levante a mão quem acha que é santo, e duas ou três pessoas levantaram a mão, e aí eu disse; vejam como nós ainda não temos a consciência sobre a santidade, porque todos nós somos santos, todos.
Sei que isso pode soar estrando, mas o fato é esse. No batismo nós nos tornamos filhos de Deus e existe um ditado tão conhecido nosso: filho de peixe, peixinho é. Se eu sou filho de Deus e Ele é santo por excelência, eu sou santo também. Talvez, isto sim pode acontecer, talvez eu não tenha honrado o meu Pai, horar pai e mãe, talvez eu não tenha vivido conforme era de se esperar de um filho de Deus, mas então isto é uma outra questão. Não tenho honrado a minha santidade, não tenho servido talvez como modelo de santidade, mas eu sou santo.
O problema é que muitas vezes nos são apresentados santos a partir da vida de cada um deles, que achamos uma vida tão diferente, tão estranha, que acabamos dizendo que não somos capazes de viver assim. Então, a gente pega, por exemplo Santa Maria Goreti, Santa Catarina, Santa Teresinha, São Francisco de Assis, e vamos pegando cada vez um santo, olhando como eles viveram e até procuramos viver igual, copiá-los. Esse é o nosso erro.
Deus fez cada ser humano único e não existe cópia, e não existe alguém que possa imitar o outro. Então, eu tento a vida inteira copiar, imitar São Francisco e acabo frustrado, porque ele foi ele, e eu sou eu. Ele teve a sua característica, sua maneira de ser, e eu tenho a minha. Então, eu sou chamado a crescer na santidade a partir da minha realidade, a partir da minha maneira de ser. É evidente que eles podem fazer é mostrar que se eles conseguiram ser modelos de santidade, eu também posso chegar a ser um dia. Se eles foram limitados, pecadores e conseguiram, significa que eu também posso.
Então, a função do santo e da santa na Igreja é estimular-me, ajudar-me nesta caminhada, mas a caminhada é minha, é própria e ninguém será santo como eu, e eu não serei santo como os outros. Cada um tem o seu caminho de santidade. Agora, esse caminho ´´e muito bem orientado.
Em primeiro lugar, como diz a segunda leitura: “Somos filhos de Deus”. Então, ser santo significa chegar a contemplar o Pai face a face. Isto nós fazemos ao longo da nossa caminhada nesta vida e no dia que nós morrermos. Contemplaremos face a face.
Hoje, nesta missa temos dois sétimos dias, e é importante nós entendermos isso. Para nós que cremos na ressurreição, estamos celebrando o sétimo dia que esses irmãos nossos comtemplaram a Deus; é a grande meta, o grande objetivo da nossa caminhada. Por isso, nós temos saudades, mas não temos tristeza. A saudade é sinal do amor, a tristeza também é falta de esperança. Nós temos certeza de que eles procuraram caminhar como santos na terra, e, agora, portanto, contemplam a Deus. Agora, como saber se eu estou no caminho certo? Vêm a bem-aventuranças. As bem-aventuranças são critérios, valores que o Evangelho mostra de como eu devo agir no mundo para então eu poder honrar o nome de filho de Deus e viver a minha santidade.
Então, o projeto, o convite é este: em primeiro lugar, pobre em espírito, eu devo buscar em me desvencilhar de tudo aquilo que me impede de viver a vontade de Deus. É uma luta constante buscar,  consolar os aflitos, promover a mansidão, ter fome e sede de justiça, ser misericordioso, puro de coração, promotor da paz, e, se por ventura for perseguido por nome de Jesus, aceitar isso como consequência da minha fé. Também Jesus foi perseguido.
Então, vejam que são propósitos, propostas para nossa caminhada do dia a dia, e é evidente que Deus nos quer perfeitos. Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito, mas essa perfeição é um processo, é algo que vamos construindo ao longo da vida; por isso, a vida torna-se para nós um momento singular, tão importante, porque é aqui que temos possibilidade de ir superando os nossos limites, as nossas falhas, os nossos pecados e buscando cada dia mais sermos conformes à imagem e semelhança de Deus. Esse é o processo, esse é o caminho.
Agora, todo podermos ser santos? Todos. A primeira leitura (Livro do Apocalipse) diz: “Eu vi 144 mil que foram alvejados no sangue do cordeiro”.  Para algumas religiões, este número é fechado. Agora procuremos ler a Bíblia com inteligência e a partir daí n´os temos com muita clareza que 144 mil é simbólico. As 12 tribos de Israel representam todo o povo do Antigo Testamento que procurou viver e servir a Deus; os 12 apóstolos no Novo Testamento representam todos que a partir de Jesus procuraram  viver a vontade de Deus (12X12 igual a 144).  Então, são todos os homens e mulheres do Antigo Testamento, de Abraão até os fins do tempo que procuram viver a vontade de Deus esses são os santos. 144  mil é uma quantidade que não se pode contar, e para não ter nenhum tipo de dúvidas o texto ainda acrescenta; “E vi ainda uma grande multidão de todas a as tribos, raças e nações”; portanto, inclui toda a humanidade na medida que procuram viver aqueles critérios, aqueles valores apresentados nas bem-aventuranças.
Então, meus irmãos e irmãs, primeiro se nós sairmos daqui convencidos de que nós somos santos, já está muito bom, mas isto não é o suficiente. Segundo, embora santos que querem ser fiéis a Deus até a morte; portanto, cada dia procuremos aprimorar-nos mais em nossa santidade. Terceiro, devemos ajudar os outros a perceberam que eles também são chamados à Santidade e que por isso devem fazer de suas vidas uma razão válida, um bom motivo para construir então o reino de Deus; isso tem sido urgente.
João Paulo II já dizia isso aos jovens; “buscai a santidade”, convençam-se de que vocês devem ser santos, e é isto que nós estamos celebrando hoje. Além da reflexão sobre nossa caminhada, para a vivência de cada um no batismo, é preciso ajudar os outros porque nós, bem ou mal, vivemos aqui, buscamos ao menos viver a Palavra de Deus, alimentamo-nos da Eucaristia para termos força, mas há muitos outros que estão desorientados, sem saber sequer porque estão vivos, mas, porque vocês são filhos de Deus e porque Ele os quer santos.
Então, vale a pena nós também assumirmos a missão de ajudar os outros a descobrir esta vida, esta proposta, esta caminhada.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.


PE. PEDRINHO – DIOCESE DE SANTO ANDRÉ – SP.

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Homilia do D. Henrique Soares da Costa
Hoje, a Igreja volta seu olhar e seu coração para o céu e enche-se de alegria ao contemplar uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus Santo.
A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, “santo” significa, iteralmente, “separado”. Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus! Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: “Só vós sois o Santo”; ao Pai nós dizemos: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade”; ao Espírito nós chamamos de Santo.
Mas, a nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-se carinhosamente sobre a humanidade – sobre cada um de nós – para nos dar a sua própria vida, para nos fazer participantes de sua própria plenitude, sua própria santidade. Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos seu Filho único até nós, e este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o seu Espírito de santidade. Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por ele e para ele desde o nosso Batismo, para vivermos sua própria vida, vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus. Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo seu Espírito em direção ao Pai. Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje: “Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”.
Nesta perspectiva, podemos contemplar a estupenda leitura do Apocalipse que escutamos como primeira leitura. O que se vê aí? Uma multidão. Primeiro, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Isto simboliza todo o Israel. Recordemos: 12 é o número do Povo do Antigo Testamento. Pois bem, cento e quarenta e quatro mil equivale a 12 x 12 x 1000, isto é, à totalidade de Israel. Deus não se cansou de chamar o povo da antiga aliança: Israel haverá de ser salvo pelo sangue de Cristo. Mas, há ainda mais: “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro”. Essa multidão são todos os povos da terra, chamados por Cristo, na Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. Notemos bem: “uma multidão que ninguém podia contar”.A salvação é para todos, a santidade não é para um grupinho de eleitos, para uma elite espiritual. Todos são chamados a essa vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade! “Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”. Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo – por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus. Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo!
Olhemos para o céu: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos – uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam.
Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde… num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida! Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa visa com o Cristo, na sua Palavra e na sua Eucaristia para sermos inebriados da vida do próprio Deus.
Infelizmente, muitos hoje têm como heróis os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar. Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser.
Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!
Dom Henrique Soares da Costa
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):


- O senhor esteja com todos vocês... demos graças ao senhor, nosso Deus:
- Com Jesus, por jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao Pai:
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!
- Ó Pai, nós Vos bendizemos pela Vossa paciência e pela Vossa bondade. Quando nos afastamos do caminho da justiça, Vós nos recordais de vossos preceitos.  Senhor, purificai-nos da mentira, do egoísmo e fazei-nos mais justos e humildes.
 T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!
- Deus de infinita sabedoria, nós Vos damos graças, porque nos chamastes; escolheis aqueles que se reconhecem pobres, para lhes dar a Vossa sabedoria. Senhor, Pomos em Vós a nossa confiança, a nossa esperança e estendemos as mãos para o Vosso Filho: Ele é a nossa justiça, a nossa santificação e a nossa redenção. Só em Cristo somos fortes.
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!
- Bendito sejais, Vós que abris ao Vosso povo o Reino dos céus, Vós que o saciais com a Vossa justiça, Vós que nos chamais Vossos filhos. Fazei-nos corações puros, amáveis com os irmãos e testemunhas do Vosso Reino.
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!
: PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro de Deus...