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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

32º Domingo do Tempo Comum, homilias, subsídios homiléticos


32º DT Comum (ADAPTADO PELO DIÁCONO ISMAEL)

SINOPSE:
Tema: “Todos deram a sobra, enquanto ela ofereceu o que possuía para viver.” 
Primeira leitura: uma mulher pobre de Sarepta garante-nos que a partilha não empobrece, mas gera vida.
Evangelho: através do exemplo de outra mulher pobre, aprendemos que Só os que têm o coração cheio de amor são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro.
Segunda leitura: Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida por todos, mostrou-nos que Deus quer de nós um serviço de amor nesse projeto de salvação para o mundo.

LEITURA I – 1 Re 17,10-16 Naqueles dias, Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”. Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.

AMBIENTE - Elias (“o meu Deus é o Senhor”) atua no Reino do Norte (Israel) durante o século IX a.C.. Elias é o grande defensor da fidelidade a Jahwéh. O ciclo de Elias começa com o anúncio, diante do rei Acab, de uma seca que irá atingir Israel. Essa seca é apresentada como uma forma de mostrar que é Jahwéh o verdadeiro senhor da vida (e não Baal, o deus cananeu das colheitas e da fertilidade, cujo culto era favorecido por Jezabel, a esposa fenícia de Acab).

MENSAGEM
A mulher tem apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite.
1. Com ela, o autor sugere que o Deus de Israel é o vencedor, pois é Ele que dá o trigo e o azeite de que o Povo se alimenta.
2. Uma viúva e um órfão: Jahwéh tem uma especial predileção pelos fracos, pois necessitam da proteção e da misericórdia de Deus.
3. O pão e o azeite multiplicam-se: A generosidade, a partilha e a solidariedade são geradoras de vida e de vida em abundância.
4. A graça de Deus é universal e se destina a todos os povos.

ATUALIZAÇÃO
♦ Deus opta pelos pobres porque eles vivem numa situação de necessidade e precisam da ajuda de Deus; e, em segundo lugar, porque os pobres estão sempre mais atentos e disponíveis para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. (pobre na bíblia é ser humilde, e se achar necessitado de Deus, pois tudo é de Deus e só ele pode nos conceder algum bem e nós somos apenas administradores de seus bens).
♦ Quando repartimos, não ficamos mais pobres; os bens repartidos tornam se fonte de vida e de benção para nós e para todos aqueles que deles beneficiam.
♦ A nossa história prova que só Jahwéh dá ao homem vida em abundância. Só Deus

SALMO RESPONSORIAL (Sl 145[146])
 Bendize, minha alma, bendize ao Senhor!
• O Senhor é fiel para sempre, / faz justiça aos que são oprimidos; / Ele dá alimento aos famintos, / é o Senhor que liberta os cativos.
• O Senhor abre os olhos aos cegos, / o Senhor faz erguer-se o caído; / o Senhor ama aquele que é justo. / É o Senhor quem protege o estrangeiro / quem ampara a viúva e o órfão, / mas confunde os caminhos dos maus.
• O Senhor reinará para sempre! / Ó Sião, o teu Deus reinará / para sempre e por todos os séculos!

EVANGELHO – Mc 12,38-44 Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. Jesus estava sentado no Templo diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava as suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

AMBIENTE - Os líderes da comunidade judaica tinham transformado a religião de Moisés – com proibições e obrigações, numa proposta vazia. O próprio Templo tinha se tornado um lugar de exploração e de injustiça. Jesus repara na viúva que  deposita a sua oferta.

MENSAGEM - Jesus não se detém nas aparências, mas olha o coração.  Os doutores da Lei são hipócritas: fazem as coisas, não por convicção, mas para serem admirados; os primeiros lugares, devoção de fachada, fazem dos ritos um espetáculo … A sua vida é uma  mentira. E mais: aproveitam-se da sua posição para explorar os mais pobres (os preferidos de Deus).
Na segunda parte (vers. 41-44), Jesus convida os discípulos a perceber a essência do verdadeiro culto; quando agimos com o coração. Jesus aponta uma pobre viúva, que deposita duas simples moedas; era tudo o que a mulher possuía. Apenas Jesus percebe seu total despojamento. O verdadeiro crente não é o que impressiona as multidões; mas é o que faz com amor e humildade o seu compromisso para com Deus.

ATUALIZAÇÃO 
*** Deus valoriza os gestos que saem do coração. O cristão não pensa só em si, mas sabe repartir o pouco que tem e coloca tudo nas mãos de Deus.
♦ Os doutores da Lei estão dominados pelo egoísmo, pela ambição e  vaidade. Apostam tudo nos bens materiais, mesmo que isso implique explorar e roubar as viúvas e os pobres… No seu coração não há lugar para Deus e para os outros irmãos; só para os seus interesses. Quem vive para si e é incapaz de viver para Deus e para os irmãos, não pode integrar a família de Jesus, a comunidade do Reino. 
♦ Jesus ensina-nos a não julgar as pessoas pelas aparências. Muitas vezes o que consideramos insignificante, é importante e significativo.
♦ Jesus critica aqueles que se servem da religião,  para obter honras e privilégios.

LEITURA II – Heb 9,24-28 Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no santuário com sangue alheio. Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. O destino de todo homem é morrer uma só vez e depois vem o julgamento. Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.

AMBIENTE
No domingo passado, o autor da Carta aos Hebreus apresentava Cristo como o sumo sacerdote por excelência. Hoje o autor apresenta Cristo como o sacerdote perfeito. Reflete sobre a imperfeição do culto antigo que era repetido e porque o sacrifício oferecido por Cristo é perfeito; Ele é o mediador da Nova Aliança, é o enviado do Pai.  Dirigindo-se a cristãos em dificuldade, que já perderam o entusiasmo inicial e que, diante das dificuldades, correm o risco de renunciar ao compromisso assumido no dia do Batismo, o autor da Carta procura animá-los e revitalizar a sua experiência de fé.

MENSAGEM
Cristo, o sacerdote perfeito, entrou no verdadeiro santuário que é o céu. Está em comunhão com o Pai e continua a interceder pelos homens. Mais: Enquanto que o sumo-sacerdote da antiga Aliança tinha que entrar no santuário todos os anos (Dia da Expiação – o “Yom Kippur” – o único dia do ano em que o sumo-sacerdote entrava no “Santo dos Santos” do Templo de Jerusalém, a fim de aspergir o “propiciatório” com o sangue de um animal imolado e obter, assim, o perdão de Deus para os pecados do Povo), Cristo entrou uma só vez no santuário perfeito, levando o seu próprio sangue, e obteve a redenção de toda a humanidade. A humanidade, a partir desse instante, está salva.

ATUALIZAÇÃO
♦ Cristo veio libertar o homem das cadeias de egoísmo e de pecado. Cristo pediu uma “metanóia” (transformação radical) do coração, da mente, dos valores, das atitudes do homem e propôs, com a sua palavra, com o seu exemplo, com a sua vida, que o homem passasse a percorrer o caminho do amor, da partilha, do serviço, do perdão, do dom da vida. A sua luta contra o pecado, levou-o a confrontar-Se com as estruturas políticas, sociais ou religiosas geradoras de injustiça e de opressão; a sua morte, arquitetada pelos detentores do poder (as autoridades políticas e religiosas do país), foi, também, a consequência da sua luta contra as estruturas que oprimiam o homem e que geravam egoísmo e morte. Ele ofereceu a sua vida em sacrifício para nos libertar do pecado. Aderir a Jesus, ser cristão, é fazer da própria vida um dom de amor aos irmãos; é, também, lutar contra todas as estruturas que geram injustiça e pecado.

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Dar sem medida
A Liturgia desse domingo nos fala do espírito com que devemos fazer as nossas OFERTAS.
São protagonistas nas leituras de hoje DUAS VIÚVAS, pessoas frágeis e carentes, segundo a sociedade antiga, mas muito generosas em doar...

Na 1a Leitura, temos o Exemplo da viúva de Sarepta. (1 Rs 17,10-16)
 O povo vivia numa época difícil de seca e fome.
O Profeta Elias chega à cidade de Sarepta, morto de fome e sede...
Encontra uma viúva a quem lhe pede água e pão.
- Ela dispunha apenas de um punhado de farinha e um pouco de azeite...
Ela oferece tudo o que tem e Deus abençoa a sua generosidade: proporciona alimento, para ela e para o filho, durante todo o tempo da seca.
* Deus não abandona quem dá com alegria. A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem,
pelo contrário, são geradoras de vida.

A 2ª Leitura nos apresenta o Exemplo de Cristo, o Sumo Sacerdote, que se doa inteiramente pela salvação da Humanidade. (He 9,24-28)
O Salmo convida a confiar no Deus da vida, que ampara a viúva e o órfão e confunde o caminho dos opressores. (Sl 146)
No Evangelho, vemos o Exemplo de outra viúva. (Mc 12,38-44)
Jesus senta-se perto da caixa de esmolas no templo e observa:
- De um lado, uma pobre viúva, oferece discretamente duas moedinhas;
- Do outro, gente importante dá solenemente grandes quantias...
Jesus censura o gesto dos fariseus e louva a GENEROSIDADE da viúva.
A oferta da viúva era pequena, mas era tudo o que ela tinha.
Deus não calcula a quantia que damos, mas o amor com que damos.
Duas viúvas, simples e humildes, revelam a grandiosidade dos pequenos gestos. Toda oferta que brota do coração tem valor incalculável aos olhos de Deus.
A hospitalidade da primeira é compensada pelo milagre de Elias e a humilde generosidade da segunda merece de Jesus um grande elogio.
+ Se Jesus viesse hoje em nossa igreja, o que ele enxergaria?
- A que grupo nós pertenceríamos?
- Quais as pessoas que mais oferecem na comunidade?
  O Padre, os ministros, os animadores das pastorais? É difícil responder...
  Mas eu tenho a certeza, que muitas pessoas humildes, silenciosas, muito ocupadas, oferecem à comunidade um serviço semelhante à oferta da viúva: oferecem com sacrifício TUDO o que podem...
  E Deus não se deixa vencer em generosidade...
- E se Jesus olhasse as nossas OFERTAS, o que teria a dizer?
São ofertas generosas, dadas com alegria, como gesto de amor e de fé, ou é um jeito para se livrar de uns trocadinhos?
Podemos dar uma esmola material, podemos partilhar nosso tempo, nossos conhecimentos ou até nossa alegria com um sorriso.
E se olhasse o nosso DÍZIMO?
É uma oferta para retribuir a Deus um pouco do muito que recebemos e assim participar na manutenção da nossa religião? Ou apenas nos lembramos quando precisamos de um serviço da comunidade, dando a idéia que é uma taxa para comprar algum sacramento?
- Na Bíblia, encontramos com freqüência uma verdade: Deus, embora criador de todo o universo,   sempre quer e exige ofertas da parte dos homens.
- Assim já nas primeiras páginas da Bíblia, encontramos os homens oferecendo em sacrifício as primícias de seus trabalhos,  como homenagem de gratidão a Deus.
- Encontramos: Abel e Caim oferecendo um sacrifício a Deus. (Gn 4)
  Deus aceitou o de Abel e rejeitou o de Caim...
- No Antigo Testamento: tinham taxas fixas: o DÍZIMO...
- Primeiros cristãos: punham os bens em comum...
A Igreja retomou o Dízimo, como um dos PRECEITOS, que os nossos católicos esquecem com muita facilidade.
O costume do dízimo foi introduzido por Deus.
No Livro de Malaquias, Deus se queixa de quem o "enganava", por não pagar "integralmente"...  (Ml 3,6-10)   - Será que ainda hoje há gente, que continua enganando?
QUANTO se deve dar?
Deus não nos dá uma taxa fixa. Deixa a critério de nossa generosidade.
Entre os Antigos, dava-se o Dízimo (10%), atualmente muitos cristãos dão o Centésimo (1%) da renda familiar, outros o correspondente a um dia de trabalho por mês...
Deve ser uma verdadeira oferta, não apenas uma esmola insignificante...
No Evangelho, vimos muitos ricos colocando grandes quantidades,
e a única pessoa que impressionou a Cristo foi a pobre viúva, que não pôs muito, mas deu tudo o que tinha, e com alegria.
Dízimo não é doação apenas de dinheiro. Podemos dar também o nosso tempo, em favor da comunidade... Tudo pode ser feito com gestos muito simples, como o da viúva...
- Como partilhamos aquilo que somos e temos?

A Escritura nos garante: "Deus ama a quem dá com alegria". (2Cor 9,7)

                                                              Pe. Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, anos atrás, tivemos, na campanha da fraternidade, o tema sobre a Amazônia e a questão ecológica. Na época e agora pensamos assim: Amazônia é tão distante, é difícil a gente se sentir comprometido com a Amazônia. Certamente, muitas pessoas não têm noção nem da distância. Entretanto, a igreja está nos pedindo, o que podemos fazer a favor da Amazônia?  Fomos buscar na Bíblia e encontramos este trecho, da leitura de hoje: “usará e não acabará”. Claro, que todos pensam em mágica, mas quem quer seguir a mensagem de Deus, deixa a mágica de lado. Pensamos o que poderíamos fazer: começamos a campanha do óleo usado na cozinha. Recolhemos este óleo usado, vendemos e mandamos este dinheiro para ajudar na Amazônia.  Com isto, já fizemos lá um barco hospital, fizemos uma casa missionária. Quanto custou para cada um de nós? Nenhum centavo. Quem trás aquele óleo toda semana. Que pena que muita gente só se lembra disso quando o padre fala e continua jogando óleo no ralo ou jogando no lixo. Depois tem que pagar encanador para desentupir tudo ou continua a poluir os lixões. Depois, vai dizer: que poluição! O governo não faz nada. Não estou criticando, mas mostrando nossa visão frente a Bíblia. Agente adora ouvir a bíblia, acha belíssimo as histórias, mas não se sente comprometido com aquela palavra. Achamos que os outros é que devem se converter, mudar de vida, agente nunca. Então, veja, ainda hoje, esta palavra continua sendo realizada, sem nenhum tipo de mágica. Alguns preferem fazer sabão com o óleo, outros preferem fazer não sei o que, outros jogam mesmo no ralo e dizem que estão bem longe do rio ou dos lixões.
Tem um segundo aspecto nessa moedinha da viúva. Esta moedinha é o que ela tinha para viver. Ela nos mostra, que quando temos fé, nós conseguimos realizar as obras de Deus. Mais uma vez, estamos sendo solicitados por Deus para darmos um sinal de fé. A nossa fé exige um ato concreto. Se não tivermos um ato concreto, como vou revelar que tenho fé? Mas, como ter fé se não tiver gesto concreto? As duas coisas caminham juntas. Creio que temos um momento de apresentar um ato de fé. Olha quanto sangue está sendo derramado pelas cidades. Nestes dias alguém comentava sobre Israel: não sei como vocês tem coragem de viajar para Israel. Lá muitas pessoas são mortas devido ao conflito entre judeus e palestinos e muitas vezes sobra para turistas.  – só em São Paulo, em um mês, morreu o dobro do que em um ano em Israel. Só este mês, aqui, aqui. Nós não temos medo de ficar aqui? Temos. Volta de novo a história da moedinha, a história do homem. Precisamos fazer alguma coisa. O que fazer? Primeiro, pedir a Deus que nos dê luz, para decidirmos que caminho tomar. E, se fizermos isto, Ele vai nos falar. Agora, se Ele falar e a gente não abraçar, Ele vai dizer: por que você me pediu um conselho, para depois não segui-lo? Então, veja que estamos em momento de crise: peço a Deus, mas tenho medo de ouvir a resposta? A segunda leitura nos trás conforto, nos dizendo que Jesus voltará uma segunda vez para a glória e para reunir aqueles que esperam nele. Então, tudo isto para dizer o seguinte: está aqui um gesto bem concreto: não existe mágica na Bíblia, mas existe um gesto concreto para mostrar que há sempre esperança. Quando nós paramos para ouvir o que Deus nos fala, sempre vamos ouvi-lo. Agora uma historinha: não é verdadeira, mas dá para pensar: um dia alguém pediu para Deus que lhe desse um conselho. Deus lhe apareceu e falou. Ele disse: não estou te ouvindo. Deus disse: chega mais perto. Ainda não estou te ouvindo. Chega mais perto. Chegando perto da boca de Deus, ouviu o que Deus lhe dizia. Moral: só ouvimos a Deus se estivermos perto dele. Talvez, precisamos nos aproximar mais de Deus para ouvi-lo e por em prática o seu conselho. Por fim, é muito interessante, que em qualquer situação, Jesus está sempre presente. Por isso, não vamos nos alarmar, perder a esperança, nem o rumo, porque Jesus está com os homens e mulheres de boa vontade. Jesus, com certeza, tem algo a nos dizer. Talvez, eu preciso parar para ouvi-lo ou seguir o que Ele já tem falado. Que ninguém perca a esperança. Alimentemo-nos da Eucaristia para termos ânimo em nossa caminhada e podermos levar fé e esperança ao mundo.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André - SP


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HOMILIA DE D. HENRIQUE SOARES

            Duas cenas comoventes, de gente pobre, sem valor nem importância, histórias de gentinha sem nome, ocupam hoje nossa atenção. Ah, meus irmãos, que Deus gosta de se ocupar com quem não vale nada!
            Primeiro, a Viúva de Sarepta. Qual o nome dela? Qual o enredo da sua vida? Qual o nome do seu filho? Que idade tinha? Nada! Silêncio! A Escritura se cala. Vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as consequências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo... Deus não super-protege seus amigos numa redoma... Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida... Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca... Conhecemos essa história de tantos nordestinos que fogem da sequidão, deixando para trás sua terra e indo para o Sudeste do País. Pois bem: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante, como um coitado flagelado nordestino! E chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva Cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e também um pedacinho de pão. Devia estar morto de fome, o Elias retirante, flagelado, como os “severinos” da vida... E, ante o pedido do Homem de Deus, a resposta da viúva pobre e sem nome, uma maria-ninguém, é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhado dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. É um fim da pouca comida na casa daquela coitada, daquela pobre. E observem que ele não amaldiçoa Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” – ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera...
            Uma segunda cena. A de uma viúva também sem nome, sem importância, outra maria-ninguém; Maria Nadinha de Nada – poderia ser esse o seu nome... Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Dinheiro de nada. Não dá para comprar nem o azeite de um dia para manter o candelabro do Senhor aceso! Mas, era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! – Esta segunda história nós conhecemos bem das nossas igrejas; a mão aberta, generosa, dos pobres para com a Casa de Deus e a parcimônia mesquinha e desdenhosa dos que muito possuem... Pois bem: esta viúva, indigente, quase esmoler, dá tudo ao Senhor, não reserva nada para si! Talvez nós pensemos, do alto da nossa prudência: “Mulher imprudente, mulher tola, mulher irresponsável...” Mas, o Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos miseráveis e mundanos, tem opinião diferente: Ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.
            Caríssimos, agora procuremos responder: Como essas duas mulheres tiveram coragem de agir assim? Como foram capazes de tal desapego? Eis a resposta: As duas acreditavam de verdade no Deus de Israel. Para elas, Deus não era uma teoria, uma hipótese, uma idéia vaga, fria e distante! Para elas, Deus era concreto, presente, atuante. Ainda hoje é assim para os pobres. Vão, meus caro! Vão às nossas comunidades de periferia e vocês ficarão impressionados com a generosidade e a fé da gente pobre! Para essas duas mulheres e para os pobres de Deus, as palavras do salmo da Missa de hoje não são uma brincadeira, não são palavras vazias: O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos./ É o Senhor quem protege o estrangeiro,/ quem ampara a viúva e o órfão./ O Senhor reinará para sempre!” Só quem crê de verdade, de verdade se abandona, de verdade doa, de verdade não procura segurança fora de Deus! Só quem crê de verdade faz como essas viúvas sem juízo: dão tudo, porque dão para o Senhor! Caríssimos, aquelas mulheres pobres acreditavam nisso, aquelas duas coitadas sabiam abandonar-se nas mãos benditas do Deus de Israel: uma dá tudo quanto tinha para comer a um estranho simplesmente porque ele era um homem de Deus; a outra, não hesita em jogar tudo no tesouro da Casa do Senhor... Elas são como o Cristo Jesus, “que sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9). Elas são tão diferentes de nós, apegados, desconfiados, iludidos com o pensamento que podemos garantir nossa vida com nosso egoísmo e que somos senhores dos nossos dias. – Senhor, dá-nos um coração de pobre! Senhor, fonte de riqueza, dá-nos um coração confiante!
           E agora, para terminar, agora olhemos Jesus. A segunda leitura de hoje no-lo apresenta no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (cf. Ap 5,6), até que apareça nos final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis caríssimos, o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo!
           Por favor, voltemos agora o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: ele se deu todo... Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para este Altar, em torno do qual nos reunimos. Daqui a pouco, esse sacrifício único e santíssimo, essa sacrifício que está para sempre diante de Deus, estará aqui, sobre este Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participemos! Daqui a pouco, a Hóstia santa – isto é, a Vítima do Sacrifício – estará aqui, do céu para nós, do céu entre nós, para ser nossa oferta e nosso alimento! É muito dom, é muito mistério, é muito piedade, é muita misericórdia de Deus para conosco!
           Caríssimos, não sejamos mesquinhos, não sejamos incrédulos, não sejamos duros de coração: aprendamos a ver Deus agindo na nossa vida, aprendamos a confiar, e coloquemos nossa vida e nossa pobreza nas mãos de Deus! Amém.

D. HENRIQUE SOARES
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):
LOUVOR - O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, Nosso...
COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, fazei-nos misericordiosos.
1-  Ó Deus, Nosso Pai, bendito e louvado sejais para sempre. Muito nos amais nos enviando vosso Filho para nos ensinar os caminhos do Reino.
T: Senhor, fazei-nos misericordiosos.
2- Senhor, nosso Deus, muitas vezes nos apegamos às coisas que nos destes e nos fechamos às necessidades de nossos irmãos e irmãs. A viúva de Serepta nos ensina uma grande lição; o pouco repartido se torna sinal de vida e esperança, porque sois o nosso Deus e sabeis suprir as nossas necessidades.
T: Senhor, fazei-nos misericordiosos.
3-  Senhor, nosso Deus, muitas vezes queremos o nosso próprio louvor e esquecemos a humildade. Vós que a tudo conheceis, sabeis também que somos fracos e egoístas. Vinde sempre em nosso auxílio e transformai-nos.
T: Senhor, fazei-nos misericordiosos.
4-  Pai, pelo Vosso Filho fomos salvos. Somos o vosso povo e sois o nosso Deus. Enviai-nos o Espírito Santo para que sejamos transformados no nosso coração e possamos ser mais amor e mais ajuda aos que necessitam de nós. Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.            
T: Senhor, fazei-nos misericordiosos.
- Pai nosso... Abraço da Paz... Eis o Cordeiro de Deus...





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Diácono Ismael)

Tema: Vigilância: devemos caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem.
Na segunda leitura, Paulo garante que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo.
O Evangelho lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino.
A primeira leitura apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece.

PRIMEIRA LEITURA (Sb 6,12-16) Leitura do Livro da Sabedoria.
A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado. Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.

AMBIENTE - O “Livro da Sabedoria” é o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do séc. I a.C.). O seu autor – um judeu de língua grega, provavelmente nascido e educado na Diáspora (Alexandria?) – exprimindo-se em termos e concepções do mundo helênico, faz o elogio da “sabedoria” israelita, traça o quadro da sorte que espera o justo e o ímpio no mais-além e descreve (com exemplos tirados da história do Êxodo) as sortes diversas que tiveram os pagãos (idólatras) e os hebreus (fiéis a Jahwéh). O seu objetivo é duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a fé dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pagãos, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahwéh, o verdadeiro e único Deus… Para uns e para outros, só Jahwéh garante a verdadeira “sabedoria” e a verdadeira felicidade.
O que é esta “sabedoria” de que aqui se fala? A “sabedoria” é a arte de bem viver, de ser feliz. Consta de um conjunto de princípios práticos, de normas de comportamento deduzidas da reflexão e da experiência, destinadas a orientar o homem sobre a forma de conduzir-se na vida do dia a dia. O objetivo dessas normas é proporcionar ao homem uma vida harmoniosa, equilibrada, ordenada, cheia de êxitos.
No entanto, a reflexão israelita acabou por identificar a “sabedoria” com a Torah (Lei de Deus). Ser “sábio” é – para a reflexão judaica da época em que o “Livro da Sabedoria” apareceu – cumprir integralmente os mandamentos da Lei. Na “sabedoria”/Torah, revelada por Jahwéh, está o caminho para ter êxito, para ultrapassar os obstáculos que a vida traz e para ser feliz.
É neste contexto que devemos entender este convite à “sabedoria”.
MENSAGEM - A “sabedoria” não é, na perspectiva do autor do texto, algo de misterioso, e de oculto, que o homem tem dificuldade em encontrar… Ela brilha com brilho inalterável e atraente, que prende o olhar de quem a procura. Não é preciso correr atrás dela, com cuidado e fadiga, trilhando caminhos difíceis ou procurando em lugares recônditos e sombrios… Basta sentir interesse por ela, amá-la, desejá-la, que ela imediatamente se fará presente, oferecendo a vida e a felicidade a todos os que anseiam por ela. Quem ama a “sabedoria” facilmente “tropeça” nela, nas circunstâncias mais comuns da vida do dia a dia: à porta da casa, nos caminhos e até na intimidade dos próprios pensamentos… Para que a “sabedoria” ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para a acolher.
ATUALIZAÇÃO • A “sabedoria” é um dom de Deus para que o homem saiba conduzir a sua vida ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira felicidade. Deus é cheio de amor, preocupado em proporcionar ao homem todas as possibilidades de ser feliz e de se realizar plenamente. Deus é esse Pai cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, sempre disposto a oferecer-lhes os seus dons e a conduzi-los para a vida e para a salvação; e convida-nos a uma atenção contínua, a fim de detectarmos e acolhermos esses dons que, a cada instante.
• Deus coloca os seus dons à disposição do homem, de forma gratuita e incondicional; ao homem é pedido apenas que não se feche no seu egoísmo e na sua autossuficiência, mas abra o seu coração à graça que Deus lhe oferece.
SALMO RESPONSORIAL / 62(63)
A minh'alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.
• Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco! / A minh'alma tem sede de vós, / minha carne também vos deseja, / como terra sedenta e sem água!
• Venho, assim, contemplar-vos no templo, / para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida: / e por isso meus lábios vos louvam.
• Quero, pois vos louvar pela vida,/ e elevar para vósminhas mãos! / A minh'alma será saciada, / como em grande banquete de festa; / cantará a alegria em meus lábios.
• Penso em vós no meu leito, de noite, / nas vigílias suspiro por vós! / Para mim fostes sempre um socorro; / de vossas asas à sombra eu exulto!

EVANGELHO (Mt 25,1-13)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.’ As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

AMBIENTE - Enquanto em Marcos, o “discurso escatológico” (cf. Mc 13)  se refere, especialmente, aos sinais que precederão a destruição do Templo de Jerusalém, em Mateus o mesmo discurso aborda, sobretudo, o tema da segunda vinda de Jesus e a atitude com que os discípulos devem preparar essa vinda. Esta mudança de perspectiva tem a ver com as necessidades da comunidade de Mateus…
Estamos nos finais do séc. I (década de 80)… Já tinha passado a “febre escatológica” e os cristãos já não esperavam a vinda iminente de Jesus. Passado o entusiasmo inicial, a vida de fé dos crentes tinha arrefecido e a comunidade tinha-se instalado na rotina, no comodismo, na facilidade… Era preciso algo que despertasse de novo para o compromisso com o Evangelho.
Fundamentalmente, lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana; mas enquanto esse acontecimento não se realiza, os crentes são chamados a viver com coerência e entusiasmo a sua fé, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino. A isto, a catequese primitiva chama “estar vigilantes, à espera do Senhor que vem”.
A parábola que hoje nos é proposta alude aos rituais típicos dos casamentos judaicos. De acordo com os costumes, a cerimónia do casamento começava com a ida do noivo a casa da noiva, para levá-la para a sua nova casa. Normalmente, o noivo chegava atrasado, pois devia, antes, discutir com os familiares da noiva os presentes que ofereceria à família da sua amada. As negociações entre as duas partes eram demoradas e tinham uma importante função social… Os parentes da noiva deviam mostrar-se exigentes, sugerindo dessa forma que a família perdia algo de muito precioso ao entregar a menina a outra família; por outro lado, o noivo e os seus familiares ficavam contentes com as exigências, pois dessa forma mostravam aos vizinhos e conhecidos o valor e a importância dessa mulher que entrava na sua família. Os que testemunhavam o acordo, estavam prontos para ir avisar a noiva de que as negociações estavam concluídas e o noivo ia chegar… Enquanto isso, a noiva, vestida a preceito, esperava em casa do seu pai que o noivo viesse ao seu encontro. As amigas da noiva esperavam também, com as lâmpadas acesas, para acompanhar a noiva, entre danças e cânticos, à sua nova casa. Era aí que tinha lugar a festa do casamento.

MENSAGEM - A “parábola das dez virgens”, tal como saiu da boca de Jesus, era uma “parábola do Reino”. O Reino de Deus é, aqui, comparado com uma das celebrações mais alegres e mais festivas que os israelitas conheciam: o banquete de casamento. As dez jovens, representam a totalidade do Povo de Deus, que espera ansiosamente a chegada do messias (o noivo)… Uma parte desse Povo (as jovens previdentes) está preparada e, quando o messias finalmente aparece, pode entrar a fazer parte da comunidade do Reino; outra parte (as jovens descuidadas) não está preparada e não pode entrar na comunidade do Reino.
A parábola original constituía, pois, um apelo aos israelitas no sentido de não perderem a oportunidade de participar na grande festa do Reino.
Algumas dezenas de anos depois, Mateus retomou a mesma parábola, adaptando-a às necessidades da comunidade. A parábola foi, então, convertida numa exortação a estar preparado para a vinda do Senhor, a qual pode acontecer no momento menos esperado. A festa é, neste novo contexto, a segunda vinda de Jesus. O noivo que está para chegar é Jesus. As dez jovens representam a Igreja que, experimentando na história as dificuldades e as perseguições, anseia pela chegada da libertação definitiva. Uma parte da Igreja (as jovens previdentes) está preparada, vigilante, atenta e, quando o “noivo” chega, pode entrar no banquete da vida eterna; a outra parte (as jovens descuidadas) não está preparada, porque apostou nos valores do mundo, guiou a sua vida por eles e esqueceu os valores do Reino.
O que é que significa, na perspectiva de Mateus, “estar preparado para acolher a vinda do Senhor”? Significa, escutar as palavras de Jesus, acolhê-las no coração e viver de forma coerente com os valores do Evangelho… “Estar preparado” significa, fundamentalmente, viver na fidelidade aos projetos do Pai e amar os irmãos até ao dom da vida, em todos os instantes da nossa existência.
A mensagem é esta: nós os crentes, não podemos afrouxar a vigilância e enfraquecer o nosso compromisso com os valores do Reino. Com o passar do tempo, as nossas comunidades têm tendência para se instalar no comodismo, no adormecimento, no descuido, numa vida de fé que não compromete, numa religião de facilidade, num testemunho pouco empenhado e pouco coerente… É preciso, no entanto, que o nosso compromisso com Jesus se renove cada dia. A certeza de que Ele vem outra vez, deve impulsionar-nos a um compromisso ativo com os valores do Evangelho, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e ao compromisso com o Reino.

ATUALIZAÇÃO • Nós, os cristãos do séc. XXI, não somos significativamente diferentes dos cristãos que integravam a comunidade de Mateus… Também percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de instalação, de comodismo, de adormecimento, de pouco empenho. As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, a nossa fragilidade levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e a correr atrás de valores efémeros, que parecem garantir-nos a felicidade e só nos arrastam para caminhos de escravidão e de frustração. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa existência e que não podemos alienar os valores do Evangelho, pois só eles nos mantêm identificados com esse Senhor Jesus que há de voltar para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, manter-nos atentos e vigilantes, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.
• “Estar preparado” significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso batismal. “Estar preparado” passa por descobrirmos dia a dia os projetos de Deus para nós e para o mundo e procurar concretizá-los, com alegria e entusiasmo; “estar preparado” passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos irmãos, no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.
• O Evangelho deste domingo avisa-nos que não podemos instalar-nos no nosso egoísmo e na nossa autossuficiência e recusar-nos a escutar os apelos do Senhor.
• Mateus, com algum dramatismo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. O objetivo da catequese de Mateus não é dizer-nos que, se não nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas é alertar-nos para a seriedade com que devemos avaliar as nossas opções, de forma a não perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos à felicidade plena e definitiva.

SEGUNDA LEITURA (1Ts 4,13-18, mais longa) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou - e esta é nossa fé - de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. Exortai-vos, pois, uns aos outros, com estas palavras.

AMBIENTE - De acordo com os “Atos dos Apóstolos”, Paulo não teve muito tempo para evangelizar os tessalonicenses. Depois de poucas semanas de pregação, um motim habilmente preparado pelos judeus da cidade obrigou-o a deixar precipitadamente Tessalônica, deixando atrás de si uma comunidade cristã fervorosa e entusiasta, mas insuficientemente preparada do ponto de vista catequético (cf. At 17,1-10). Paulo foi para Bereia, depois para Atenas e Corinto. De Corinto, Paulo enviou Timóteo ao encontro dos tessalonicenses, para verificar como é que a comunidade se estava a aguentar face à hostilidade dos judeus. No regresso a Corinto, Timóteo deu conta a Paulo da situação da comunidade: os tessalonicenses continuavam a viver com entusiasmo a sua fé, embora sentissem algumas dúvidas em questões de fé e de doutrina.
Um dos problemas teológicos que mais preocupava os tessalonicenses era a questão da parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos)… Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que esse dia surgiria num espaço de tempo muito curto e que assistiriam ao triunfo final de Jesus. A este propósito os tessalonicenses punham, no entanto, um problema muito prático: qual será a sorte dos cristãos que morrerem antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com ele no Reino de Deus se já estão mortos?
É então que Paulo escreve aos tessalonicenses, encorajando-os na fé e respondendo às suas dúvidas. Estamos no ano 50 ou 51.

MENSAGEM - Paulo confirma aquilo que, provavelmente, já antes havia ensinado aos tessalonicenses: que Cristo virá para concluir a história humana; e que todo aquele que tiver aderido a Cristo e se tiver identificado com Ele, esteja morto ou esteja vivo, encontrará a salvação (vers. 14). Se Cristo recebeu do Pai a vida que não acaba, quem se identifica com Cristo está destinado a uma vida semelhante; a morte não tem poder sobre Ele… Isto deve encher de esperança o cristão, mantendo-o alegre, sereno e cheio de ânimo.
Paulo não é demasiado explícito, pois está consciente que se trata de uma realidade misteriosa, que foge à lógica e à linguagem humanas. De qualquer forma, para descrever a passagem do homem velho para a realidade do homem novo que vive para sempre junto de Deus, Paulo vai recorrer ao gênero literário “apocalipse”, um gênero literário que utiliza preferentemente a imagem e o símbolo (afinal, a linguagem mais adaptada para expressar uma realidade que nos ultrapassa e que não conseguimos definir e explicar nos seus detalhes). O quadro que Paulo traça é o seguinte: aqueles crentes que entretanto morreram ressuscitarão primeiro (“à voz do arcanjo”, “ao som da trombeta de Deus” – elementos típicos da escatologia judaica); depois, em companhia de “nós, os vivos”, irão ao encontro do Senhor que vem na sua glória e permanecerão com Ele para sempre.
O que Paulo aqui pretende é tranquilizar os tessalonicenses, assegurando-lhes que não haverá qualquer diferença ou discriminação entre os que morreram antes da segunda vinda de Jesus e aqueles que permanecerem vivos até esse instante: uns e outros encontrar-se-ão com o Senhor Jesus, partilharão o seu triunfo e entrarão com ele na glória.

ATUALIZAÇÃO • A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.
• A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.
• Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser – já neste mundo – uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).
• Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.
Dehonianos

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Dez virgens saíram ao encontro do noivo, empolgadas com as alegrias vindouras da festa de casamento. Todas estavam presentes; todas estavam esperando o noivo; todas se sentiam satisfeitas com a sua preparação, pois estavam cochilando e dormindo, e todas tinham lâmpadas. A diferença entre as cinco virgens prudentes e as cinco tolas era que as cinco prudentes trouxeram óleo junto com suas lâmpadas. O tempo da preparação tinha-se passado. Enquanto as virgens tolas estavam comprando óleo, o noivo chegou e elas foram deixadas fora do casamento para sempre. Jesus declarou a aplicação: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” na qual o Filho do homem vem (versículo 13).
Há preparação adequada contrastada com negligência. Esse é o grande perigo. Não despreparo completo, mas negligência: negligência em abandonar algum mau hábito; negligência em confessar algum erro; negligência em tornar-se como seu Senhor.
“E, tardando o noivo”, Sem dúvida, isso contribuiu para a negligência mencionada acima.
Há responsabilidade individual. As virgens prudentes não podiam compartilhar seu óleo com as tolas. Cada um tinha que prestar contas pelo que tinha feito pessoalmente. Assim será quando o Senhor retornar. Nenhum pai será capaz de partilhar um pouco da sua fidelidade com os seus filhos; nenhum esposo com a sua esposa ou vice-versa; nenhum amigo com outro amigo. Ninguém poderá se gabar dizendo “veja o que nós fizemos”; ele só pode obter a graça na base de sua própria preparação.
Há separação. As cinco virgens prudentes entraram com o noivo no casamento, enquanto as cinco tolas não puderam entrar.
A expressão “Fechou-se a porta”, é uma das expressões mais tristes nas Escrituras. Ela retrata a exclusão final e eterna, do céu, quando o Senhor retornar. Dentro, há insuperável beleza, mas estes estão de fora. Dentro estão os anjos de Deus e todos os redimidos reunidos em volta do trono, mas estes estão de fora. Dentro há alegria, amor e paz, mas estes estão de fora.
A lição é clara: cada um de nós precisa submeter-se, totalmente e sem resistência, ao domínio de Deus em Jesus Cristo para que, quando o Senhor retornar, o galardão eterno do reino dos céus seja nosso.
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São Jerônimo, Santo Hilário e Orígenes dizem que a lâmpada designa a fé; o óleo designa as boas obras, sem as quais é morta a nossa fé, como está em São Tiago 2, 17: “Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento”.
As virgens prudentes levaram vasos com suas lâmpadas; mas as loucas ao pegarem as lâmpadas, não levaram azeite consigo. O Presbítero Duarte Leopoldo escreve: “As virgens prudentes são as almas que tem a fé e também as obras de misericórdia, de caridade e de outras virtudes; as loucas, as pecadoras que crêem e não praticam, são os católicos do Credo e hereges dos Mandamentos”. O Presbítero acrescenta: “Não basta crer para salvarmos a nossa alma, é ainda indispensável agir conforme os ensinos da fé, não de uma fé individual, como a quer e entende cada um, mas como a quer e entende Jesus Cristo e ensina a sua Igreja”. As virgens loucas possuíam as lâmpadas da fé, mas não possuíam o óleo das boas obras  nem a chama da caridade.
O Presbítero Duarte Leopoldo escreve: “A demora do Esposo será até o momento da morte”. Está claro que não podemos adiar a nossa conversão e a nossa mudança de vida; não podemos deixar para depois o bem que podemos fazer hoje; precisamos estar sempre preparados para o encontro com Nosso Senhor que acontecerá logo após a nossa morte.
Essa vigília é a vida cristã. Não sabemos nem o dia nem a hora que o Senhor virá, isto é, o noivo; cabe-nos vivermos sempre preparados, isto é, na graça de Deus e entesourando tesouros no céu através das boas obras, da oração constante, da recepção digna dos sacramentos, etc.
Na 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 10: “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal”,
“Ir aos vendedores, comprar o óleo, preparar as lâmpadas de novo, voltar à procura do esposo, etc., tudo isto exige tempo e trabalho”, por isso, siga o conselho de São João Berchmans: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. 

Não há qualquer menção à noiva, que é a personagem que fica faltando, o que é de se admirar, já que Jesus está a falar de uma festividade de casamento, onde o centro das atenções é, precisamente, a noiva. Porém, na parábola das dez virgens, a grande ausente é a noiva. A noiva, que, como sabemos, é a Igreja, está ausente aqui desta parábola, porque é alguém que surgirá somente quando do arrebatamento da Igreja, quando, então, os salvos de todas as épocas, pela primeira vez, estarão reunidos diante de Jesus. Esta ausência corrobora o entendimento de alguns estudiosos das Escrituras que crêem que a inauguração da Igreja se dará apenas no dia do arrebatamento, pois só então teremos a “reunião dos tirados para fora do mundo”. Até lá, jamais se terá a “universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23a). Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo: ”…Eis-Me aqui, e aos filhos que Deus me deu”(Hb 2:13). Então haverá festa nos céus, todas as hostes celestiais se alegrarão juntamente com todos os seus servos(Ap 19:5-7).

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As dez Virgens - Em  que eram semelhantes e em que eram diferentes

Elas eram iguais aos olhos dos homens – “...pois o homem vê o que está diante dos olhos...”, porém, eram diferentes diante dos olhos de Deus, porque – “...o Senhor olha para o coração”(I Sm 16:7).
– Todas eram Virgens - O fato de serem virgens não significa que eram puras, ou santas; se fossem, não ficariam de fora algumas delas.
Para a mesma Bíblia o adultério e a prostituição, no sentido espiritual, significa traição a Deus, ou seja, quando uma pessoa vai atrás da idolatria, de qualquer natureza, ela é considerada, espiritualmente, como tendo cometido adultério, ou prostituição. Assim, todas são virgens porque nenhuma delas pode ser contada entre os idólatras, ou pagãos. Todas dizem servir somente a Deus. Todas se identificam como sendo cristãs, evangélicas. Por isto se diz que todas são virgens.
– Todas estavam vestidas iguais - Pelo aspecto exterior não podemos identificar e diferenciar os verdadeiros e os falsos crentes.
– Todas tinham lâmpadas nas mãos  - A lâmpada é um dos símbolos da Palavra de Deus, conforme afirmou o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra...” (Salmo 119:105). Todos possuem uma Bíblia, mesmo que não a leiam e nem a sigam, porém, a lâmpada está em suas mãos.
– Todas estavam no mesmo lugar  
– Todas estavam esperando o noivo
A diferença fundamental entre elas, é que as virgens prudentes levaram azeite de reserva para uma eventual situação, enquanto que as virgens loucas não levaram.
As virgens loucas não tiveram como repor o azeite nas suas lâmpadas, e por isso foram excluídas da festa.
Para ser de Cristo não basta ser cristão; não basta ter a Bíblia nas mãos, na cabeça, ou no Púlpito. Para ser de Cristo é preciso ter azeite na vasilha , ter plena comunhão com o Espírito Santo e fazer as mesmas obras do Mestre; “Eu vim para servir e não para ser servido, amai-vos como eu vos amei”; faltavam-lhes as obras de amor. Por isso ficaram de fora.

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"De lâmpadas acesas"

Aproximando-se o fim do ano litúrgico, a Liturgia é marcada pelo pensamento do FIM, fim da vida, fim do mundo e faz um apelo à vigilância
para a grande chegada do Senhor que vem.

A 1a leitura louva a busca da Sabedoria proveniente de Deus e ordenada ao serviço.
Esta Sabedoria torna prudentes os homens, ensina-lhes a não desperdiçar a vida em coisas vãs, e sim a
empenhá-la no serviço divino à espera de Deus. (Sb 6, 12-16)

Na linguagem bíblica, sabedoria se identifica com a pessoa de Cristo, que é a plenitude da sabedoria. Quem a procura, a encontra... desde já...
Para que a Sabedoria ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para acolher.

Na 2a Leitura, Paulo fala do destino eterno dos homens.
A vida terrena não termina no vazio, mas no encontro com Cristo, que virá para concluir a História humana.
A morte nos introduzirá nas núpcias eternas, onde estaremos sempre com o Senhor. (1Tess 4,13-18)

O Evangelho apresenta o início do sermão escatológico, o quinto e último dos grandes sermões, que estruturam o evangelho de Mateus. (Mt 25,1-13)

Encaixa-se bem no ambiente dos últimos domingos do Ano Litúrgico.
Sob a figura de núpcias, apresenta as relações entre Deus e o homem.
O Filho de Deus desposou a humanidade ao encarnar-se.
Depois consumou estas núpcias na cruz com que remiu os homens e os ligou a si, reunindo-os na Igreja, sua mística esposa.
Assim a existência é uma vigilante espera do esposo, ocupada em boas obras,
que são o óleo que alimenta a lâmpada da fé.

+ As Virgens prudentes, preparadas, previdentes, atentas aos sinais dos tempos,
   representam o cristão que acendeu um dia a chama da fé no batismo,
   e continua alimentando essa fé, com a Oração... com os Sacramentos...
   com a Palavra de Deus.... e continua ainda hoje fiel a Deus e sempre atento às vindas do Cristo...

+ As Virgens imprudentes, imprevidentes, acomodadas, julgam que no momento oportuno haverá alguém que as ajude....
    Elas representam o cristão despreocupado com as realidades profundas.
   Apenas se contenta de ter aceso à chama da fé com o Batismo, mas hoje não participa da Missa, nem de grupos de reflexão, não estuda, não atua em nenhuma pastoral, não se responsabiliza por nada.
   Muitas vezes Cristo cruza o seu caminho e mesmo vai ao encontro dele, mas ele distraído não o reconhece e nem faz caso.
   São aqueles aos quais Cristo um dia fechará a porta, dizendo aquelas terríveis palavras: "Eu não vos conheço"...

E a Parábola conclui:
"Portanto ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora..."

A Parábola era atual para os cristãos daquele tempo, que esperavam a Parusia (esta vinda) para breve. Mateus desejava passar a eles uma mensagem de Vigilância.

* A vida do cristão é considerada como um empenho de fidelidade nupcial a Cristo, inspirada por um amor que não admite compromissos.
   Assim vivida, a existência é uma vigilante espera do esposo, ocupada em boas obras, que são o óleo que alimenta a lâmpada da fé.
   Quem espera o Senhor com a lâmpada acesa entrará no banquete...

O que significa Vigiar?

+ Ser Previdentes: alimentando essa chama, com reserva, não apenas o mínimo necessário.
   Se faltar o óleo, a comunidade empaca, não anda, não realiza a festa e não participa dela. Sem óleo, a lâmpada se apaga e a comunidade estaciona...

+ Estar Atentos: aos sinais de Deus, para reconhecer o seu rosto e sua voz...
   - no grito do pobre, no desespero do marginalizado, no pranto do doente...
   - Naquele que anuncia a Paz, naquele que clama por justiça, por amor,
     por respeito, por igualdade...
     Vigilância é sinal de amor, quem ama fica vigilante aguardando...
     mesmo se ele demora para chegar...

Por isso, vemos que o esposo não virá somente uma vez no fim do mundo,
mas é preciso esperá-lo todos os dias...

+ Deus está sempre conosco: Jesus permanece sempre ao nosso lado.

Há porém momentos de um encontro mais profundo: são as visitas de Deus;
sobretudo a última para a qual o Senhor chamou hoje especial atenção.
Mas quem vive vigilante, não se preocupa...
pelo contrário, aguarda com profunda esperança esse momento.

Cristo continua advertindo também a nós: "Ficai vigiando..."
para que o Cristo não fique despercebido e um dia, fechando-nos a porta,
ele nos diga aquelas terríveis palavras: "Eu não vos conheço..."

A Liturgia de hoje nos convida a esperar
- com muito amor na lâmpada do nosso coração e
- com muita sabedoria na lâmpada de nossa mente.
Que assim seja.

                                                       Pe. Antônio Geraldo