quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

3º Domingo do tempo comum 2018, homilias, subsídios homiléticos

3º Dom. TC  2018 Ano B - (Diácono Ismael)

SINOPSE
Tema: “Deus no hoje do homem.”
Primeira leitura: Através de Jonas Deus diz que ama a todos e a todos chama à salvação.
Segunda leitura: Paulo nos lembra que o tempo é breve, tudo acaba, mas Cristo nos dá a possibilidade de vida eterna e feliz.
Evangelho: Jesus convida a todos para se tornarem seus discípulos; para isso Ele nos diz: “convertei-vos e crede no Evangelho”.

 PRIMEIRA LEITURA (Jn 3,1-5.10) Leitura da Profecia de Jonas.
...”Levanta-te e põe-te a caminho de Nínive e anuncia-lhe a mensagem”. Nínive era grande; eram necessários três dias para ser atravessada. Jonas ... pregava: “Nínive será destruída”. Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum e vestiram sacos. Deus compadeceu se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes e não o fez.
AMBIENTE - O “Livro de Jonas” (440 e 410 a.C.). O livro é ficção, escrito  para ensinar e educar. Esdras e Neemias favorecia o nacionalismo, e o fechamento aos outros povos. Considerava-se que todos os outros povos eram inimigos de Deus, odiados por Deus, que deviam ser destruídos por Deus. Reagindo, o autor apresenta um Deus universal, cuja bondade e misericórdia se estendem a todos os povos. A escolha de Nínive não é casual: Nínive, capital do império assírio  era símbolo do imperialismo. Jonas, como os outros, não está interessado que Jahwéh perdoe aos opressores do Povo. Em lugar de se dirigir para Nínive, toma o barco para Társis, Ocidente.
MENSAGEM - desta vez, Jonas aceita a missão, vai a Nínive, os ninivitas escutam-no, fazem penitência e manifestam a vontade de conversão. Finalmente, Deus desiste do castigo.
1 -  Deus ama todos os homens, sem exceção, mesmo os maus, e oferece a salvação.
2 - Os ninivitas “acreditaram em Deus” e se converteram “do seu mau caminho”. Desta forma, o autor denuncia a visão nacionalista, exclusivista. Jahwéh oferece o seu amor e a sua salvação a todos os homens, até aos maus. Desafia os habitantes de Judá a assumirem a mesma lógica de Deus – lógica de bondade, de misericórdia, de perdão, de amor sem limites.
ATUALIZAÇÃO - • A catequese apresenta a misericórdia e bondade de Deus. Deus ama até os maus e os opressores.
Nós preferíamos um Deus mais duro e exigente, que se impusesse aos maus, Mas Ele é amor.
Aqueles que consideramos “maus” estão, às vezes, mais disponíveis para Deus.
Ver em cada homem um irmão, independente da raça, cor pele, cultura, ou até da sua bondade.

EVANGELHO (Mc 1,14-20)... : “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” ...  Jesus viu Simão e André, e ... lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. ... viu também Tiago e João,  ...  e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo Jesus.

AMBIENTE - Marcos (cf. Mc 1,14-8,30) tem como objetivo levar à descoberta de Jesus como o Messias. Este percurso de descoberta do Messias termina em Mc 8,29-30, com a confissão de Pedro, (que é a confissão  de todos): “Tu és o Messias”.
hoje, Marcos apresenta os primeiros passos da ação do Messias libertador, convocando discípulos.

MENSAGEM -: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.
 “Cumpriu-se o tempo”, a palavra grega “tempo” (“kairós”) refere-se a um tempo bem distinto do tempo material (“chronos”), que é o tempo medido pelos relógios. Poderia traduzir-se como “de acordo com o projeto de salvação que Deus tem para o mundo, chegou a altura determinada por Deus para o cumprimento das suas promessas”.
É o “tempo” do “Reino de Deus”.
A catequese de Israel referia-se a Jahwéh como a um rei que, sentado no seu trono, governa o seu Povo. Mesmo quando Israel passou a ter reis terrenos, esses eram considerados apenas como homens escolhidos e ungidos por Jahwéh para governar o Povo, em lugar do verdadeiro rei que era Deus. Os profetas, por sua vez, vão alimentar a esperança do Povo anunciando a chegada de um tempo, no futuro, em que Jahwéh vai voltar a reinar sobre Israel e vai restabelecer a situação ideal da época de David. Essa missão será confiada a um “ungido” (Messias, Cristo) que Deus vai enviar ao seu Povo. Esse “ungido” estabelecerá um tempo de paz, de justiça, de abundância, de felicidade sem fim – isto é, o tempo do “reinado de Deus”. O “Reino de Deus” é, portanto, uma noção que resume a esperança de Israel num mundo novo, de paz e de abundância, preparado por Deus para o seu Povo. Esta esperança está viva na época em que Jesus aparece a dizer: “o tempo completou-se e o Reino de Deus aproximou-se”. Jesus começa a construção desse “Reino” pedindo a conversão (“metanóia”) e o acolhimento da Boa Nova (“evangelho”).
Converter-se” significa transformar a mentalidade e os comportamentos, assumir uma nova atitude de base, reformular os valores, de modo a que Deus ocupe sempre o primeiro lugar. Na perspectiva de Jesus, não é possível esse mundo novo, sem a renuncia ao egoísmo, orgulho, autossuficiência e passe a escutar a Deus e as suas propostas.
Acreditar” é aderir à pessoa de Jesus, fazer dela o guia da própria vida. “
 “Conversão” e “adesão ao projeto de Jesus” são duas faces de uma mesma moeda de um homem novo, com nova mentalidade e novos valores.
Marcos apresenta-nos os primeiros discípulos. Pedro e André, Tiago e João são os primeiros a responder ao desafio do Reino, apresentado por Jesus. “converter-se” e a “acreditar na Boa Nova” (isto é, a aderir a Jesus, a escutar a sua proposta de libertação, a acolhê-la no coração e a transformá-la em vida).
Nesta catequese sobre a vocação, Marcos sugere que:
1º O chamamento é sempre uma iniciativa de Jesus.
2º Esse chamamento é exigente e radical.
3º Esse chamamento é para aderir à pessoa de Jesus, para aprender com Ele a ser uma pessoa nova no amor a Deus e aos irmãos.
4º O chamamento exige uma resposta imediata, total e incondicional (Pedro, André, T. e J. limitam-se a “deixar tudo”)
ATUALIZAÇÃO - • Quando contemplamos a realidade de sombras, vemos nos projetos de Deus um mundo diferente – de harmonia, de justiça, de reconciliação, de amor e de paz, o “Reino”.
• o “Reino de Deus” exige  “conversão, modificar a mentalidade, valores  e atitudes. de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de comodismo e escutar Deus.
• O“Reino de Deus” exige também o “acreditar” no Evangelho. “Acreditar” é uma adesão total à pessoa de Jesus e ao seu projeto de vida. Jesus propôs amor, doação, serviço, perdão.
• Deus dirige a todos O chamamento. Todos os batizados são chamados a ser discípulos, a “converter-se”, a “acreditar no Evangelho. O chamamento é radical e incondicional: exige que o “Reino” se torne o valor fundamental, a prioridade.
• O “Reino” já está na nossa história. Não tem fronteiras; através dos gestos de bondade, de serviço, de doação, de amor gratuito que acontecem à nossa volta e que são um sinal visível do amor de Deus nas nossas vidas. é uma realidade em construção. Em cada dia, temos de renovar o compromisso com o “Reino” e na sua edificação.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 7,29-31) o tempo está abreviado. Os que têm mulher vivam como se não tivessem; os que choram como se não chorassem; os alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma;. Pois a figura deste mundo passa.

AMBIENTE - Na comunidade cristã de Corinto, dificuldades da fé cristã em se inserir num ambiente de cultura pagã. Um choque entre a fé cristã e a cultura helênica é a ética sexual: laxismo (cidade marítima e Afrodite, a deusa do amor); por outro lado, um desprezo pela sexualidade (tendência filosófica platônica). Provavelmente, tinham consultado Paulo acerca do melhor caminho a seguir – o do matrimônio ou o do celibato. Paulo considera que não tem “nenhum preceito do Senhor”; no entanto, o seu parecer é que quem não está comprometido com o casamento deve continuar assim e quem está comprometido não deve “romper o vínculo” (1 Cor 7,25-28).
MENSAGEM - “o tempo é breve. As realidades terrenas são passageiras e não devem ser absolutizadas. O cristão, embora amando as realidades deste mundo, pode renunciar a elas em vista de um bem maior. O mais importante é o amor a Cristo e a adesão ao Reino. Tudo o resto deve subjugar-se a isto. Para os crentes a segunda e definitiva vinda de Jesus estava iminente; era preciso relativizar as realidades transitórias, entre as quais se contava o casamento.
ATUALIZAÇÃO • A todo o instante temos de fazer as nossas escolhas. A mentalidade dominante, os preconceitos e interesses egoístas interferem nas opções. Muitas vezes, endeusamos valores passageiros. O texto sugere: os valores deste mundo não devem ser absolutizados. Não colocar nelas a nossa esperança, a segurança e o objetivo da vida.
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Antes de sermos pescadores nós fomos pescados pelo Senhor. O primeiro foi a vocação à santidade, chamou-nos desta maneira: “vinde após mim”. Estas palavras significam discipulado, seguimento, imitação fiel, santidade!
Toda a nossa vida deve ser tempo de conversão! Conversão é mudança de valores, é colocar Deus em primeiro lugar, é mudar os objetivos, as prioridades. Para seguirmos o Senhor, é preciso que tenhamos a alma livre de todo o apegamento; do amor próprio, riquezas e bens materiais. Quando o coração se enche dos bens da terra, já não resta lugar para Deus.
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo!” Deus fez-se próximo, Deus veio acolher, consolar, indicar o caminho, salvar! Em Jesus, o Filho amado, Deus veio revelar sua paternidade sobre o aflito, o pobre, o pecador. Chegou o Reino: Deus veio consolar o seu povo!
Senhor intima o povo: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” Os israelitas não estavam esperando o Reino? Por que precisam se converter? O Reino que Jesus veio trazer não é sob medida, como gostaríamos. O Senhor não vem nos trazer um Deus à nossa medida, para consumo das nossas necessidades, interesses e expectativas. No mundo do fácil, do prático e do descartável, gostaríamos de um deusinho assim… Jesus nos grita: “Convertei-vos! Crede no Evangelho!” O Reino somente será Boa-Notícia para quem abrir-se à esse Deus que chega, exige que saiamos de nós mesmos, como os ninivitas que, escutando o apelo de Jonas, converteram-se! Mais tarde, Jesus irá criticar duramente o seu povo: “Os habitantes de Nínive se levantarão no Julgamento, juntamente com esta geração, e a condenarão, porque eles se converteram pela pregação de Jonas. Mas aqui está algo mais do que Jonas!” (Mt 12,41). A primeira palavra do Senhor no Evangelho é “convertei-vos!” Não é possível domar Jesus, não é possível um cristianismo sob medida! Não é por acaso que o Evangelho de hoje começa falando da prisão de João Batista, aquele santo profeta que preparou a vinda do Reino. O Reino sofre violência; violência do mundo, violência do nosso coração envelhecido pelo pecado, da nossa razão tanta vez fechada para a luz do Cristo. 
“Pescadores de homens” é a vocação de todo cristão: seguir Jesus no caminho da vida. Nesse sentido, a lição é clara: seguir Jesus exige deixar tudo, deixar-se e colocar a vida em relação com o Senhor! Somente assim poderemos acolher o Reino!
Diante da urgência de estar com Jesus, tudo o mais é relativo! Daí a advertência de São Paulo na segunda leitura de hoje: “O tempo está abreviado. ...os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois passa a figura deste mundo”. Aqui, trata-se de colocar as coisas na sua real perspectiva, na perspectiva do Infinito de Deus e da urgência do Reino. O mundo atual deseja que esqueçamos os verdadeiros valores, que deixemos de lado aquilo que realmente importa. E o que importa? “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado!” (Mt 6,33). Somos chamados a abrir nosso coração, nossa vida, nossos valores para o Cristo que nos traz o Reino do Pai do Céu! Mas somente poderemos acolhê-lo com um coração de pobre, com a consciência de que sozinhos, não seremos felizes, não alcançaremos a verdadeira vida!
Caríssimos, convertamo-nos! Levemos a sério que o modo de pensar e sentir de Deus não são o nosso! Tenhamos a coragem de nos deixar por Cristo. São Jerônimo, comentando a atitude dos quatro primeiros discípulos chamados pelo Senhor, afirma: “A verdadeira fé não conhece hesitação: imediatamente ouve, imediatamente crê, imediatamente segue…” Seja assim a nossa fé no Senhor, seja assim nossa adesão ao nosso Salvador! Então, seremos felizes de verdade, porque Cristo nos trouxe a Boa Notícia: Deus nos ama, caminha conosco e nos convida à amizade íntima com ele, nesta vida e por toda eternidade! Amém. - D. Henrique Soares
Pe. Pedrinho =  - responder a chamada de Deus: primeiro chamado é o da vida. São vários os chamados. Jonas é chamado a animar o povo para a conversão. O objetivo dos ninivitas era dominar todos os povos e o profeta lhes pede que convertam. Tarsis não é lugar geográfico, mas expressão “foi para o fim do mundo”. Simão é hebraico e André é grego e são irmãos!!! = unir todos os povos. Os discípulos é que escolhiam os seus mestres. Com Jesus é diferente; ele é que chama os que quer como discípulos. O pescador que pesca, tira o peixe da água e ele morre. O lugar do homem não é na água, temos que pescá-lo para que viva.
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(Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)
LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO...
- POR JESUS, COM JESUS E EM JESUS CRISTO, NA FORÇA DO E. SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus.
- Senhor nosso Deus, vós sois amor e nos amais mesmo quando nos afastamos de vossos caminhos. Nós somos orgulhosos e muitas vezes nos comportamos como Jonas e não levamos a boa nova da Palavra àqueles que são diferentes. Dái-nos um coração amoroso para que saibamos espelhar o vosso amor e a vossa bondade.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus.
- Pai de amor, abri nossos olhos para que vejamos além das realidades terrenas e tenhamos coragem para seguir o chamado de vosso Filho, pois pelo batismo fomos convocados a sermos seus discípulos. Enviai-nos a força do Espírito Santo para que sejamos testemunhas de bondade e amor na construção do vosso Reino.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus.
- Deus eterno e todo Poderoso, nossa limitação não nos permite ver a grandiosidade de vosso Reino. Somos prepotentes, egoístas e orgulhosos, só visando os interesses próprios. Dái-nos mais fé e esperança para que vivamos o projeto que vosso Filho nos ensinou; amor a Deus e amor ao próximo.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus.
- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...

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HOMILIAS:

HOMILIA DO PE. PEDRINHO

A liturgia de hoje nos leva a contemplar o chamado de Deus. É evidente, que o primeiro chamado que Deus nos faz é à vida; nascemos. Nós não viemos por acidente ou obra do acaso, mas viemos para conhecer o amor de Deus. Dentro desse chamado, nós temos um pedido de Deus; que nós sejamos a sua imagem e semelhança. Portanto, ele espera de cada ser humano a disposição de servir ao irmão, como Ele mesmo faz, servindo toda a humanidade. São vários os tipos de chamados. Cada um, a partir da realidade de cada pessoa. Jonas é chamado por Deus para animar o povo de Nínive, a se converter do pecado, de todo mal que eles realizaram. Nínive é uma cidade importante na época dos profetas, principalmente na época de Jonas. É uma cidade que tem como objetivo dominar todos os povos. Nínive tem como meta eliminar a todos que lhe fizer oposição. É por conta disso que Deus vai dizer a Jonas: você vai lá e peça que eles se convertam. Jonas tem consciência de que assumir esta missão, no mínimo é colocar a sua cabeça a prêmio. Então, Jonas procura dar um jeito; ao invés de ir para Nínive, ele vai para Tarsis. Tarsis não é bem uma cidade geográfica, Tarsis é um modo de dizer “ele foi para o fim do mundo”, na esperança de que ninguém o encontrasse. E nesta ida para Tarsis, ele acaba sendo jogado ao mar e é resgatado por um peixe que o devolve à terra firme, devolve-o em segurança. É assim que Jonas compreende que Deus não mede esforços para salvar aqueles que Ele ama e Ele ama toda a humanidade. E que qualquer pessoa que aceite a proposta, o convite, a missão confiada por Deus, que Deus estará ajudando a esta pessoa a realizar esta missão. É assim que ele perde o medo e vai anunciar para Nínive a conversão, e todos se convertem. É muito interessante observar isto. A experiência de Jonas relatada no livro de Jonas, vai fazer com que São Paulo anime as comunidades para que elas também assumam a sua missão. É isto que nós temos na segunda leitura de hoje. É uma leitura aparentemente complicada, porque São Paulo começa o trecho de hoje dizendo: doravante, quem tiver mulher é como se não tivesse mulher. Então, será que Paulo é contra o matrimônio? De forma alguma! De fato, é preciso entender o contexto, para nós não desvirtuarmos o texto. No tempo que São Paulo escreveu esta carta, era obrigação do marido cuidar da esposa e cuidar de todos os sentidos, de sua segurança, da sua alimentação, do seu vestuário; cuidar totalmente da sua esposa. São Paulo diz: olha, isto não precisa de fé para fazer isto. Você cuidar de quem você ama, é uma consequência lógica. Você cuidar da sua esposa e dos filhos é uma obrigação. Mesmo quem não tem fé, fará isto. Agora, nós que somos cristãos, somos chamados a algo mais. Quão bom começar o quanto antes, pois o tempo é curto. De fato, quanto tempo nós vivemos? Oitenta, cem anos? Se formos observar bem, cem anos não é nada. Se a terra leva um ano para dar uma volta em torno do sol, cem anos são cem voltas e cem voltas não é nada. Então Paulo diz; não se iluda, o tempo é muito curto, muito breve. Portanto, você deve ir muito além de qualquer pessoa responsável. Você não deve somente se preocupar com a sua esposa, você deveria ter uma postura de alguém que não tivesse mulher e iria cuidar de todo mundo e não somente de sua mulher. Não vai ficar chorando a vida inteira um problema, deixa isto de lado e vai ajudar o irmão. Não fique somente nas suas alegrias, mas vá ajudar o irmão para que também ele seja feliz. Saiba aproveitar o seu tempo para construir coisas que enobrecem e integrem todas as pessoas. Tem gente que fica adulando suas compras. Aja como se não tivesse comprado nada. Gaste a vida naquilo que vale a pena. São Paulo nos chama a atenção; nós cristãos somos chamados a ir além daquilo que é o normal e natural para todo mundo. Como cuidar das coisas que valem a pena? Aí vem o Evangelho de hoje. E é muito interessante, porque Jesus vai chamar os seus discípulos, aqui temos o relato dos quatro primeiros: Simão e André seu irmão. É importante observar no tempo em que o Evangelho foi escrito e no tempo de Jesus, normalmente o mestre conseguia reunir no máximo cinco discípulos, mas é importante observar que não era o mestre que escolhia os discípulos, mas eram os discípulos que escolhiam o mestre. Assim nós vamos ver Platão, Aristóteles, outros tantos que foram mestres e que tiveram discípulos. Jesus é diferente. Ele é quem convida os que deseja que sejam seus discípulos. Aqui já temos uma inversão. São Marcos vai dizer no capítulo três, que Ele chamou quem Ele quis.  Então, não adianta ficar perguntando; porque ele chamou fulano e não chamou beltrano? Podemos levantar algumas idéias; uma delas é esta: Simão é nome hebraico, portanto, pertence ao povo judeu. André é nome grego, portanto, pertence a uma outra cultura, é um outro povo. Se ele chama os dois e é colocado como irmãos, é porque Ele quer que todas as culturas sejam unidas. Que todos se sintam e sejam irmãos de fato. Quando Ele chama Simão e André, de fato ele está chamando toda a humanidade. E chama doze apóstolos. Porque? Por que nós temos no Antigo Testamento as doze tribos? Por que Ele quer reunir todo o povo de Deus novamente? Porque Ele quer ser o elo de união entre estes povos e então chama doze, então temos aí algo muito especial. Jesus não chama três ou quatro, o que de fato os mestres da época conseguiam reunir, Mas chama doze. Ele convida para deixar de serem pescadores para serem pescadores de homens. Ora, isto tem um significado muito interessante, porque pescador é uma profissão de muita dignidade, mas é um trabalho relativamente simples; mostra que Jesus não escolhe a pessoa pela classe social ou pelo grau de escolaridade, pela importância na sociedade. Não. Ele chama as pessoas pela disponibilidade de cada um. De tal maneira que estes pescadores vão deixar suas redes para seguir Jesus. É muito interessante que Ele também vai chamar Mateus, que é influente no império, pois caso contrário ele não teria autorização para cobrar impostos. Ele vai chamar o próprio Judas, que é aquele que sabe fazer contas. E nós temos Paulo, que dentre os pensadores cristãos, ninguém superou Paulo. Ele não é somente muito bem preparado, mas uma pessoa de extrema inteligência. Então veja que Jesus chama quem está disponível. Não quem não é estudado, quem não é letrado, quem não tem dinheiro ou quem não tem influência. No seu grupo cabe todos. Talvez por isso Ele chamou quem Ele quis, e cada um com uma personalidade diferente para que todos nós nos sentíssemos chamados. Este é o apelo da liturgia de hoje; somos chamados para sermos pescadores de homens. Isto é muito interessante; o pescador que pesca o peixe, tira o peixe da água e o peixe morre, porque o ambiente natural do peixe é a água. Agora, se o ser humano estiver na água, ele vai morrer, porque o ambiente natural do ser humano não é na água. Quantas vezes nós estamos atolados na lama, sufocados pelos nossos problemas, pelos desafios que aparecem no dia-a-dia, pelos problemas, por uma enfermidade, por uma desarmonia, por falta de um emprego, enfim, são tantos os casos que nos sentimos afogando e então Jesus diz: eu chamo os cristãos para serem pescadores de homens, tirar os homens dessa situação de morte e garantir para eles a vida. Então, ninguém precisa mudar a sua atividade, o seu trabalho, mas colaborar para que o ser humano se sinta melhor, por causa da nossa presença, da nossa atitude. Assim estamos colaborando para que o mundo mude esta situação de morte e tristeza, para uma situação de vida e de alegria. Que possamos estar disponíveis ao chamado de Deus e possamos deixar aquilo que não vale a pena, para servir e colaborar na construção do seu Reino.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.



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Pescadores de homens

A Liturgia continua o tema do CHAMADO.
A RESPOSTA do homem passa por um caminho de conversão pessoal e de identificação com Jesus.

A 1ª Leitura apresenta o Profeta Jonas anunciando a Palavra do Senhor aos habitantes de Nínive. (Jn 3,1-5.10)

Os ninivitas creram em Deus, acolheram o apelo de conversão,e provaram a misericórdia de Deus, que é oferecida a todos os povos...

O Salmo nos ensina a caminhar guiados pela bondade e compaixão do Senhor. (Sl 25)

A 2ª Leitura convida a colocar a esperança nos valores eternos,que proporcionam viver como ressuscitados,
dedicados ao serviço do reino. (1Cor 7,29-31)

No Evangelho, Jesus convida os primeiros discípulos a integrarem a sua comunidade. (Mc 1,14-20)

O texto apresenta Jesus no início de sua vida pública,em povoados afastados e desconhecidos da Galiléia, meia pagã

 É o resumo de toda a sua mensagem:

+ Uma Afirmação:
"O tempo já se completou… o Reino de Deus está próximo…"
Reino de Deus resume a esperança de Israel num mundo novo de Paz e de abundância, preparado por Deus ao seu Povo. Era um fato esperado há muito tempo pelo Povo de Deus.
Agora o tempo da espera acabou. O Reino de Deus já chegou, ele já está presente, as promessas estão se realizando.

+ Duas Condições para participar desse Reino:
   Convertei-vos… e crede no evangelho…"

- Converter-se não quer dizer mudar de religião.
Quer dizer mudar a mente e o coração, reformular os valores da vida, para que Deus ocupe nela sempre o primeiro lugar.
É rever e remover em nós tudo aquilo que nos afasta de Deus e dos irmãos…
* Quem precisa de conversão? Só os outros?
                  
- Crer no evangelho não quer dizer apenas conhecer o que está escrito num livro.
Quer dizer aceitar Cristo e todos os valores que ele propõe para a nossa vida.     É escutar a sua palavra e conformar a nossa vida aos seus mandamentos, que se resumem num só: O amor a Deus e ao próximo.

* E nós vivemos de fato o espírito do Evangelho?

+ Um Convite: Para continuar e completar esse Reino,    Cristo convida os primeiros quatro apóstolos e... hoje a todos nós:    "Vinde comigo… farei de vós PESCADORES DE HOMENS".

- Escolhe pessoas ignorantes, pobres, desconhecidas, grosseiras…
  Pareceria mais lógico a nós, que a escolha recaísse sobre os sacerdotes de Jerusalém, sobre os fariseus e escribas, profundos conhecedores da  Bíblia.
  E, no entanto, não… a escolha foi outra! Por que?
- Deus não aparece na imponência dos fatos ou das pessoas, mas na humildade, na simplicidade, onde geralmente existe mais fé…
  Primeiramente ESTAR com ele e depois EVANGELIZAR em seu nome...

+ O Chamado continua hoje:
   Cada um de nós recebeu e recebe continuamente esse chamado à conversão e a seguir Jesus.
   O texto é um Modelo de toda vocação cristã:

- É sempre uma iniciativa de Jesus dirigida a pessoas "normais".
  Não aconteceu enquanto estavam rezando ou fazendo algo de extraordinário, mas enquanto estavam simplesmente exercendo a sua profissão. 
- É sempre é radical e incondicional:
  O "Reino" deve ser um valor fundamental, a prioridade, o principal objetivo do discípulo para seguir Jesus
  e para se integrar à comunidade do Reino. 
- É um chamamento para aderir à pessoa de Jesus, para fazer com Ele uma experiência de vida, para aprender com Ele a ser uma pessoa nova que vive no amor a Deus e aos irmãos.
- Exige uma resposta imediata, desapego e fidelidade.

Esse chamamento é uma missão especial no mundo e na Igreja, confiada a todas as pessoas.
Todos os batizados são chamados a serem discípulos de Jesus, a "converterem-se", a "acreditarem no Evangelho",
a seguirem Jesus nesse caminho de amor e de dom da vida.

Cristo continua dirigindo ainda HOJE o mesmo apelo:
"Vinde após mim, farei de vocês pescadores de homens…"
Se tivermos medo, se nos sentirmos incapazes para tanto, olhemos esses pescadores da Galiléia… pobres e ignorantes, mas com uma generosidade sem limites…
Largaram tudo e seguiram a Jesus…

A nós também, ele continua exigindo as mesmas condições, para poder segui-lo: "Convertei-vos e crede no evangelho…"

Quando percebemos o chamado de Jesus, o que tivemos de abandonar, que laços tivemos de romper para seguir Cristo?

                                        Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Françoá Costa

Qual é a minha vocação?

“Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17). Estamos ainda no mês de janeiro e, graças a bondade de Deus e a sabedoria da nossa Mãe Igreja, estamos meditando nesses primeiros domingos alguns temas importantíssimos na configuração da própria vida cristã. Hoje o Evangelho nos leva a fazer oração sobre a realidade da vocação.
Deus chamou a cada um de nós – leigos, sacerdotes, religiosos – para sermos pescadores de homens. Sendo isso verdade, não nos esqueçamos de que antes de sermos pescadores nós fomos pescados pelo Senhor. E isso tem uma importância enorme: considerar-se pescado pelo Senhor é saber-se na mesma barca de Cristo governada visivelmente pelo sucessor de Pedro e que navega rumo à eternidade, à santidade, à felicidade. Todos e cada um de nós, ao considerarmo-nos pescados por Cristo, somos conscientes de que a Igreja vai adiante também com a nossa santidade pessoal. Sem dúvida, a Igreja é indefectível (não perece, não morre), isto é, chegará à escatologia, será fiel até o fim; mas nós, que também somos Igreja, precisamos ser fiéis de verdade, ou seja, santos. O primeiro chamado que Deus nos dirigiu foi a vocação à santidade, chamou-nos desta maneira: “vinde após mim”. Estas palavras significam discipulado, seguimento, imitação fiel, santidade!
Na Igreja todos temos vocação: a universal, à santidade; outra, específica. Esta vocação específica nada mais é que a maneira concreta de realizarmos a vocação universal à santidade: uns se santificarão como leigos no meio do mundo, levando todas as coisas a Deus desde dentro das mesmas realidades temporais; outros, santificar-se-ão através do ministério sacerdotal, no qual se dedicarão inteiramente ao serviço dos seus demais irmãos na fé ministrando-lhes a Palavra de Deus e os Sacramentos da fé, governando o Povo de Deus com a autoridade do próprio Cristo; outros, finalmente, encontram o seu caminho de santidade na vida consagrada através dos conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade vividos em comunidade e como sinal da vida eterna presente no meio de nós. Em cada uma dessas vocações se deve viver o seguimento do Senhor: vinde após mim! Segue-me com o teu amor e a tua fidelidade!
A vocação é uma realidade norteadora de toda a nossa vida. Quem tem uma meta sente-se motivado a procurar determinados meios para conseguir o objetivo vocacional. Para cada cristão é capital saber o chamado específico que Deus lhe faz: qual é a minha vocação? Pergunta-se a filha ou o filho de Deus interessado no cumprimento da vontade amorosa do seu Pai do céu.
Nesse sentido, é muito importante que os pais ajudem os seus filhos a descobrirem a própria vocação. Uma vez descoberta a vontade do Senhor para um dos seus, os pais devem respeitar o caminho que o Senhor escolheu para eles e que eles aceitaram livremente para a glória de Deus, o bem dos outros e a consecução da própria felicidade. Neste sentido, é interessante notar o fato de que Zebedeu, pai de João e de Tiago, que contava com a ajuda de seus filhos no ofício de pescadores, não os impediu de seguirem Jesus. Gosto de pensar em Zebedeu como um homem bom que, apesar das próprias necessidades laborais, entendia que os seus filhos iam estar muito bem na companhia do Messias, de Jesus Cristo. Também a mulher de Zebedeu será contada entre o grupo daquelas mulheres piedosas que seguiram o Cristo (cf. Mt 27,56).
Ajudados ou não pelos pais, cada pessoa deve sentir-se responsável diante de Deus pela resposta que lhe dá ao chamado feito para segui-lo. Cada um é responsável pela própria vocação e ninguém o substitui na resposta e na conservação do chamado. A grande maioria da juventude será chamada para a vocação laical e matrimonial; alguns serão chamados à entrega a Deus no celibato apostólico. Destes últimos, uns permanecerão no estado laical, outros receberão o sacramento da ordem, outros ainda se dedicarão ao Senhor na vida religiosa. No dia de hoje, vamos pedir ao Senhor que muitos jovens descubram a sua vocação, o sentido das suas vidas, o encanto do seu existir.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de D. Henrique Soares
Nestes inícios do Tempo Comum, a Liturgia apresenta-nos também os inícios do Evangelho segundo Marcos. Hoje Jesus aparece inaugurando seu ministério público. Suas palavras são consoladoras: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo!” Eis! A esperança de Israel até que enfim iria realizar-se: o Messias, o Salvador esperado estava chegando para instaurar o Reino! Com Jesus, com sua Pessoa, seus gestos e sua pregação, o Reinado de Deus, a proximidade do Santo de Israel, seria realmente tocada pelo povo de Deus. É isso o Reino de Deus: em Jesus, Deus fez-se próximo, Deus veio acolher, consolar, indicar o caminho, salvar! Em Jesus, o Filho amado, Deus veio revelar sua paternidade, debruçando-se sobre o aflito, o pobre, o pecador. Chegou o Reino: Deus veio consolar o seu povo!
Mas, há algo surpreendente nesse alegre anúncio de Jesus: logo após afirmar que o Reino chegou, o Senhor intima o povo: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” Por que Jesus dá esta ordem? Os israelitas não estavam esperando o Reino? Por que precisam se converter? Caríssimos: o Reino que Jesus veio trazer não é de encomenda, não é sob medida, como gostaríamos. O Senhor não vem nos trazer um Deus à nossa medida, à medida do mundo, um deus moderninho para consumo das nossas necessidades, interesses e expectativas. No mundo do fácil, do prático e do descartável, gostaríamos de um deusinho assim… Jesus nos grita: “Convertei-vos! Crede no Evangelho!” O Reino somente será Boa-Notícia para quem abrir-se à surpresa inquietante do Deus que Jesus anuncia. Acolher a novidade, a Boa-notícia, o Evangelho, acolher esse Deus que chega, exige que saiamos de nós mesmos, como os ninivitas que, escutando o apelo de Jonas, converteram-se! Mais tarde, Jesus irá criticar duramente o seu povo: “Os habitantes de Nínive se levantarão no Julgamento, juntamente com esta geração, e a condenarão, porque eles se converteram pela pregação de Jonas. Mas aqui está algo mais do que Jonas!” (Mt 12,41). Como é atual a Palavra deste Domingo! Cheios de nós, adormecidos e satisfeitos com nossos pensamentos, com nossa lógica cômoda e pagã, jamais poderemos acolher o Reino em nós e experimentar sua alegria e sua paz! Não esqueçamos, caros em Cristo: a primeira palavra do Senhor no Evangelho é “convertei-vos!” Não é possível domar Jesus, não é possível um cristianismo sob medida! Não é por acaso que o Evangelho de hoje começa falando da prisão de João Batista, aquele santo profeta que preparou a vinda do Reino. O Reino sofre violência; violência do mundo, violência do nosso coração envelhecido pelo pecado, da nossa razão tanta vez fechada para a luz do Cristo. Por isso mesmo, logo após apresentar o apelo de Jesus, são Marcos nos fala da vocação dos quatro primeiros discípulos. Certamente, esse chamado deve ser compreendido de modo muito particular como referindo-se à vocação sacerdotal, que faz dos chamados “pescadores de homens”. Mas, esse chamamento indica também a vocação de todo cristão: seguir Jesus no caminho da vida. Nesse sentido, a lição é clara: seguir Jesus exige deixar tudo, deixar-se e colocar a vida em relação com o Senhor! Somente assim poderemos acolher o Reino!
Nunca esqueçamos, irmãos: diante da urgência de estar com Jesus, de viver unido a ele, de acolher sua pessoa, tudo o mais é relativo! Daí a advertência de São Paulo na segunda leitura de hoje: “O tempo está abreviado. Então que, doravante os que têm mulher vivam como se não tivessem, os que choram, como se não chorassem e os que estão alegres, como se não estivessem; os que fazem compras como se não possuíssem; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois passa a figura deste mundo”. Aqui, não se trata de desvalorizar o mundo e o que de belo e de bom há nele. Trata-se, sim, de colocar as coisas na sua real perspectiva, na perspectiva do Infinito de Deus e da urgência do Reino. O mundo atual, com sua cultura pagã, deseja que esqueçamos os verdadeiros valores, que absolutizemos aquelas coisas que são relativas, que deixemos de lado aquilo que realmente importa. E o que importa? Escutai, caríssimos: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado!” (Mt 6,33). Somos chamados a abrir nossa existência, abrir nosso coração, nossa vida, nossos valores para o Cristo que nos traz o Reino do Pai do Céu! Mas somente poderemos acolhê-lo de fato se nos colocarmos diante dele com um coração de pobre, com a consciência de que precisamos realmente do Senhor, que, sozinhos, não nos realizaremos, não seremos felizes, não alcançaremos a verdadeira vida!
É triste perceber hoje quantos cristãos se sentem tão à vontade nessa sociedade consumista, secularizada, pagã e satisfeita consigo própria. Esses, infelizmente, jamais experimentarão a doçura do Reino, que somente poderá ser compreendido por quem chorou, quem teve fome e sede de justiça (isto é de amizade com Deus), quem foi puro, que foi perseguido… É por isso que tantas vezes ouviremos, nos domingos deste ano, o Senhor afirmar que somente poderá compreender e acolher o Reino quem tiver um coração de pobre.
Caríssimos, convertamo-nos! Levemos a sério que o modo de pensar e sentir de Deus não são o nosso! Tenhamos a coragem de nos deixar por Cristo. São Jerônimo, comentando a atitude dos quatro primeiros discípulos chamados pelo Senhor, afirma: “A verdadeira fé não conhece hesitação: imediatamente ouve, imediatamente crê, imediatamente segue…” Seja assim a nossa fé no Senhor, seja assim nossa adesão ao nosso Salvador! Então, seremos felizes de verdade, porque perceberemos que o que Cristo nos trouxe é uma Boa Notícia, a melhor de todas: Deus nos ama, caminha conosco e, no seu bendito Filho, nos convida à amizade íntima com ele, nesta vida e por toda eternidade! Amém.
D. Henrique Soares





quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2º DOMINGO do Tempo comum, homilias, subsídios homiléticos

2º DOMINGO DO  TC ANO B 2015 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Ouvir a Deus; “Fala, Senhor, que teu servo escuta!”

SINOPSE:
Primeira leitura; Samuel: O chamado é sempre iniciativa de Deus.
Evangelho: Para João, o discípulo é aquele que reconhece no Cristo o Messias E o segue, vive com ele e anuncia-O aos irmãos.
Segunda: No crente que vive em comunhão com Cristo deve manifestar-se sempre a vida nova de Deus.

LEITURA I – 1 Sam 3,3b-10.19  Samuel dormia... O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’»...; o Senhor estava com ele...

AMBIENTE - fase pré-monárquica. Samuel simultaneamente juiz, sacerdote e chefe dos exércitos. Uma reflexão sobre o chamamento de Deus e a resposta do homem.

MENSAGEM - A vocação é iniciativa de Deus: Deus dirige-Se a Samuel enquanto este estava deitado. É o momento do silêncio, da tranquilidade.
A dificuldade de Samuel em reconhecer a voz do Senhor.
É Eli que compreende “que era o Senhor quem chamava”.
Finalmente a disponibilidade para ouvir Deus: “fala, Senhor; o teu servo escuta”.
No mundo bíblico, “escutar” não significa apenas ouvir; mas, acolher no coração e transformar aquilo que se ouviu em compromisso de vida.

ATUALIZAÇÃO • A vocação é sempre iniciativa de Deus. Um profeta não se torna profeta para realizar sonhos pessoais, … O profeta torna-se profeta porque escutou Deus a chamá-lo e a confiar-lhe uma missão.

• é mais fácil ouvir a sua voz nesse ambiente de silêncio.
• Samuel não identificou a voz de Deus sozinho, mas recorreu à ajuda do sacerdote Heli… Os irmãos de caminhada podem ajudar-nos a identificar a voz de Deus.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 39 (40)
Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!
• Esperando, esperei no Senhor / e, inclinando-se, ouviu meu clamor. / Canto novo ele pôs em meus lábios, / um poema em louvor ao Senhor.
• Sacrifício e oblação não quisestes, / mas abristes, Senhor, meus ouvidos; / não pedistes ofertas nem vítimas, / holocaustos por nossos pecados.
• E então eu vos disse: “Eis que venho!” / Sobre mim está escrito no livro: / Com prazer faço a vossa vontade, / guardo em meu coração vossa lei!”
• Boas novas de vossa justiça / anunciei numa grande assembleia; / vós sabeis: não fechei os meus lábios.

EVANGELHOJo 1,35-42 «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus.: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi, onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas.

AMBIENTE -: “quem é Jesus?” João apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Espírito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da água e do Espírito.

MENSAGEM - João viu Jesus “que passava” e indicou-O dizendo: “eis o cordeiro de Deus”. João é que prepara os homens para acolher o Messias libertador; “cordeiro pascal”, símbolo da libertação oferecida por Deus ao seu Povo, prisioneiro no Egito. Jesus como o enviado de Deus, que vem inaugurar a nova Páscoa e realizar a libertação definitiva dos homens.
Os discípulos reconhecem em Jesus esse Messias e seguem-no. “Seguir Jesus” Significa caminhar atrás de Jesus, percorrer o mesmo caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, adotar os mesmos objetivos de Jesus e colaborar com Ele na missão.
 (“que procurais?”) sugere que é importante, para os discípulos, terem consciência do objetivo que esperam de Jesus. Talvez, há quem segue Jesus por motivos errados, procurando n’Ele a realização de objetivos pessoais que estão longe da oferta que Jesus.
(“rabbi, onde moras?”). Vontade de aderir totalmente a Jesus, de aprender com Ele, de habitar com Ele, de estabelecer comunhão de vida com Ele.
rabbi”, indica que estão dispostos a seguir as suas instruções, a aprender com Ele.
Jesus convida-os: “vinde ver”. significa que Ele aceita a pretensão dos discípulos e os convida a segui-lo, a aprender com Ele, a partilhar a sua vida.
Nasce, assim, a comunidade do Messias, a comunidade da nova aliança.
Num terceiro momento, os discípulos tornam-se testemunhas.

ATUALIZAÇÃO - • O cristão é aquele que acolheu o chamado de Deus para seguir Jesus Cristo. É ver n’Ele o Messias libertador com uma proposta de vida verdadeira e eterna, aceitar o desafio de entrar na sua casa e de viver em comunhão com Ele.

• Quem experimenta a vida que Cristo oferece, não pode calar essa descoberta; mas deve sentir a necessidade de partilhar com os outros, a fim de que também eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua existência.

LEITURA II – 1 Cor 6,13c-15a.17-20 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. Fugi da imoralidade. Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus?.

AMBIENTE - Corinto, cidade nova e próspera, servida por dois portos de mar: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento. A riqueza de alguns contrastava com a miséria da maioria. De ambiente corrupto: moral, disputas, lutas, sedução da sabedoria filosófica de origem pagã.
No centro da cidade, o templo de Afrodite, a deusa grega do amor, atraía os peregrinos e favorecia os desregramentos e a libertinagem sexual.
 “«tudo me é permitido», mas nem tudo é conveniente.

MENSAGEM: Pelo Batismo, o cristão torna-se membro de Cristo e forma com ele um único corpo. As palavras, as atitudes do cristão devem ser os de Cristo e devem testemunhar, diante do mundo, o próprio Cristo. No “corpo” do cristão manifesta-se, portanto, a realidade do “corpo” de Cristo.
Por outro lado, o cristão torna-se também Templo do Espírito. “Templo do Espírito” significa que eles são agora o lugar onde reside e se manifesta a vida de Deus.
O “corpo” não é algo desprezível; mas tem dignidade, pois é nele que se manifesta para o mundo a realidade da vida de Deus.
É através de comportamentos e atitudes onde se manifesta a realidade da vida nova de Jesus que os crentes podem “prestar culto” a Deus.
É preciso que em todas as circunstâncias – inclusive no campo da vivência da sexualidade – a vida do crente seja entrega, serviço, doação, respeito, amor verdadeiro. É esse o culto que Deus exige.

ATUALIZAÇÃO  •: Deus chama-nos a acolher a vida nova que Ele nos oferece e a dar testemunho dela em cada instante da nossa existência.
• Acolher o chamamento de Deus significa assumir, em todos os momentos, comportamentos coerentes com a nossa opção por Cristo e pelo Evangelho. Nada do que é egoísmo, exploração do outro, abuso dos direitos e dignidade do outro pode fazer parte da vida do cristão.
• Para o cristão, tudo o que signifique explorar os irmãos ou desrespeitar a sua dignidade é um comportamento proibido.
• O cristão tem de ter consciência de que “nem tudo lhe convém”.
• Paulo sugere que o verdadeiro culto é uma vida coerente, traduzida em gestos concretos de amor, de doação, de respeito pelo outro e pela sua dignidade.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros da Palavra):



LOUVOR Jo 1, 35-42 (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
- T  Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Abençoado seja o Vosso nome, pois sois eterno e único. Sois poderoso e repleto de amor. Sois o nosso Deus e somos o vosso povo. Pai, que saibamos ouvir a Vossa voz quando nos falais através das sagradas leituras e através dos irmãos da comunidade de vossa Igreja.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai! Sois o Deus do universo! Fazei reinar, agora e sempre o vosso Reino na vida de todos os que receberam o batismo.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Pelo batismo nos tornaste vosso templo santo. Santo é vosso Nome e os santos vos louvarão para sempre.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Pai! João Batista nos indicou o Vosso envidado, o messias, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus”. Com vosso Filho entre nós, uma nova páscoa, um novo tempo, uma nova criação se deu entre nós. Transformados por Jesus, vosso Filho, somos também vossos Filhos prediletos.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
- Senhor, Sendo vossos filhos, estabelecei o vosso Reino na nossa vida e na vida de todas as comunidades. Que vosso Reino venha a nós e seja feita a Vossa vontade.
- Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
 PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS...


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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

A liturgia de hoje nos convida a pensar se Deus se dirige a nós e fala conosco. Eu gostaria de em primeiro lugar, eu vejo que aqui tem bastante gente que tem criança pequena. Olha como Eli orientou aquela criança chamada Samuel. Samuel ouvia alguma coisa e pensava: é Eli que está chamando. E Eli compreendeu que era o Senhor.  Ora, nós somos chamados por Deus desde o nosso nascimento. É na medida que nós vamos crescendo e nos tornando adultos, agente acaba impedindo de ouvir a Palavra de Deus, porque temos tantas outras coisas a nos preocupar. Samuel não conseguia distinguir quem falava com ele. Então, quem narrou esta história de Samuel diz: Ele não distinguia quem era o Senhor, porque não distinguia ainda a sua Palavra. Que bom se nós nos preocuparmos com o desenvolvimento das crianças, mas o desenvolvimento integral, que inclui o encontro com o Senhor, o encontro com Deus. É que as vezes, nós mesmos não sabemos nos encontrar com Deus. Então, como é que eu posso ajudar a criança? Então aqui vai uma dica preciosa: para conhecer a Deus é necessário se encontrar com a sua Palavra, com a Palavra de Deus. Por isso, A Igreja nos orienta as leituras da semana. Para que? Para podermos nos encontrar com o Senhor. Agora, este é um ponto importante; o nosso encontro com o Senhor vai nos ajudar a compreender que nós somos chamados a ter uma vida de MORALIDADE. Não podemos ter prática imoral. Quando agente fala em prática imoral, muita gente (claro que estou generalizando) já pensa em sexo. Imoralidade o que é? Sexo, pornografia? Quando na realidade imoralidade é tratar o outro SEM NENHUM CRITÉRIO. Olha, o Evangelho nos ensina amai-vos uns aos outros. Jesus ainda nos ajuda a compreender ainda de forma mais clara: “Amai vos uns aos outros, como EU vos amei”.  De forma que eu sou chamado a gastar a minha vida para ajudar o outro, para salvar o outro. Então, o que é uma atitude imoral? É quando eu desrespeito o próximo, quando eu xingo uma pessoa, quando eu grito com o outro,  grito com a esposa, com os filhos, com os pais, isto é atitude IMORAL. Quando eu me prevaleço do outro, ganho dinheiro à custa do outro, isto é imoral. Quando de fato eu sou corrupto, isto é imoral. Muitas pessoas pensam que não têm imoralidade porque são bem regradas no sexo. Não! Isto seria restringir, estreitar a compreensão. Claro que também implica a questão sexual, mas não é somente ela. Então, ter uma atitude MORAL, porque somos membros de Cristo. Então, respeito com o próximo. Isto vale para as crianças também. Cada vez mais agente vê crianças não respeitando os mais velhos, então estamos ensinando atitudes imorais. São Paulo nos diz que o cristão tem uma atitude moral. Mais alguém poderia dizer: aqui está falando em fornicação. Ora, se olharmos no dicionário, fornicação é quando eu trato o outro como um objeto. E aí eu posso ser objetos em vários sentidos. Por exemplo: nós vamos ver muitos fornicadores nos procurando este ano, pensando na eleição. Não porque estão com atenção conosco, mas porque querem ganhar um voto. Isto é fornicação. É quando eu utilizo do outro para o meu interesse próprio.  E inclusive isto serve também para o sexo. Às vezes, pensamos no nosso prazer e não do irmão. Não do companheiro ou companheira. E acaba fazendo do nosso ato uma fornicação. Na realidade, fornicação é muito mais amplo, do que normalmente nos é mostrado.  Muito bem. Então nós já sabemos da atitude do cristão, sabemos como ouvir a Deus e aí vem o evangelho. O Evangelho é muito interessante, porque João Batista está com dois discípulos seus e diz: Ali está o Cordeiro que tira o pecado do mundo.  Imediatamente eles foram atrás de Jesus. Jesus olha e diz: o que vocês estão buscando? Eles disseram: mestre, onde moras? Não sei se já percebemos o quanto agente gosta de endereços. Todo mundo tem uma agenda de endereços. De e-mail, de endereços, mas raramente agente utiliza. Então, Jesus se nega a dar endereço. Ele disse: vocês querem ver onde eu moro? Vinde e vede. Então, Jesus é direto. Ele não fica assim: passa lá em casa quando quiser. Não! Vinde e vede. E diz que eles foram e passaram aquele dia com Ele. Não ficaram o dia inteiro, não! É exagero ficar o dia inteiro com Jesus, porque você não vai agir. Diz que era lá pelas quatro horas da tarde. Daí pra frente. O resto do dia é para você ir trabalhar. É evidente isto. As pessoas dizem: não, eu estou a serviço do Senhor e não fazem nada, ficam somente ali. Não fazem nada e não estão a serviço de ninguém. Isto é interessante, pois não sabemos como foi este encontro no certo, mas foi um encontro pessoal. A Este encontro pessoal  é nós somos chamados a fazer com Jesus, ir até onde Ele mora. André saiu de lá tão animado, que ele foi contar pro Pedro; Olha, nós encontramos o Messias, o Cristo. O Pedro vai, e aí Jesus diz: tu és Simão, serás chamado pedra. E nós sabemos que é daí que Ele vai edificar a sua Igreja. Se fôssemos nós, iriamos dizer: tem que ser André, porque ele foi o primeiro a encontrar o Cristo.  Mas isto nos ajuda a compreender algo também. Eu sou chamado, cada um aqui é chamado a mostrar o Cristo para o outro. Mas a missão de cada um, quem vai confiar é o próprio Jesus.  Eu não posso dizer; Cristo está te chamando para fazer isto, isto, isto. Não!  Cristo é o nosso Messias, vá ver onde Ele mora. Vá ter um encontro com Ele. Ele vai dizer o que espera de você. Este é o grande convite da liturgia de hoje. Nós devemos estar sempre atentos, para ter este encontro com o Senhor e a partir daí, realizar a missão que Ele nos confia. É assim que somos chamados a praticar a nossa fé; sendo pessoas que respeita o próximo, sendo pessoas atentas às palavras de Deus, e claro, se alimentando da Eucaristia, porque muitas vezes nos acabamos desviando do caminho, mas também desanimados por falta de força necessária que vem de Cristo. Seria muito bom se nós pedíssemos, nesta celebração de hoje, para que o Senhor continue nos chamando, nos convocando e que nós tenhamos a mesma atitude de São João Batista e de André; anunciar o Cordeiro que tira o pecado do mundo.  Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO  – DIOCESE DE SANTO ANDRÉ, SÃO PAULO.
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Mestre, onde moras?

Após as festas natalinas, iniciamos os domingos do Tempo Comum, apresentando nas leituras do Evangelho, o
início da vida pública de Jesus e os primeiros encontros com os discípulos.

A Leituras falam do CHAMADO de Deus.

Na 1ª Leitura, SAMUEL, no silêncio da noite, se ENCONTRA com Deus, que o "chama". (1Sm 3,3b-10-19)

- A Vocação é sempre uma iniciativa misteriosa e gratuita de Deus.
O Profeta torna-se profeta porque um dia escutou Deus a chamá-lo pelo NOME e a confiar-lhe uma missão.
- A Voz de Deus se faz ouvir no silêncio da noite.
Longe das preocupações do dia a dia, o ambiente é mais favorável  para ESCUTAR os apelos e os desafios de Deus.
- Samuel não reconhece logo e sozinho a voz de Deus. Só consegue após quatro vezes e com a ajuda do sacerdote Eli. Deus não desiste diante de nossa surdez...
- Samuel responde: "Fala, Senhor, o teu servo escuta".
É a expressão de uma total disponibilidade, abertura e entrega face aos desafios e aos apelos de Deus.
* A Vocação de Samuel ilustra a vocação de todos nós.

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que, pelo Batismo, o cristão se ENCONTROU com Cristo e se tornou templo do Espírito Santo.
Não podemos profanar esse templo. (1Cor 6,13c-15a.17-20)

No Evangelho, temos o ENCONTRO dos PRIMEIROS DISCÍPULOS com Jesus. (Jo 1,35-42)

O Texto faz parte da semana inaugural no Evangelho de João e apresenta um modelo de chamado e de seguimento de Jesus.
O chamado nasce do testemunho de João Batista, a partir do qual formou-se uma corrente. Ninguém chega a Jesus sozinho...
- João Batista reconhece o Cristo que "passa" e aponta a dois discípulos, André e Filipe: "Eis o Cordeiro de Deus…"
- Os Dois Discípulos seguem o Cristo de longe, timidamente.
- Cristo vai ao encontro deles e começa o Diálogo:    "Que procurais"? - "Mestre, onde moras"?    "Vinde e vede"…
    Foram e permaneceram com ele todo o dia…
- No dia seguinte: André leva o irmão Pedro até Cristo:   Felipe chama Natanael: "Encontramos o Cristo".




* Só podemos encontrar Jesus, se alguém nos fala dele.
   O Batista introduziu seus discípulos a Jesus,    em seguida os discípulos procuraram outros candidatos.

VOCAÇÃO: Busca e Convite:
O Cristão é, antes de tudo, aquele que acolhe o chamado de Deus para seguir Jesus Cristo. Esse seguimento tem um caminho a percorrer...

- "O que estais procurando?"
São as primeiras palavras de Jesus no evangelho de João.
Nós também estamos à PROCURA de algo e de alguém... 
Como os discípulos, procuramos saber quem é Jesus...
* O que estais buscando na vida? Qual a razão principal que nos move?

 - "Mestre, onde moras?"
A resposta dos discípulos é movida pelo desejo de comunhão.
Os discípulos não estão interessados em teorias sobre Jesus.
Querem, ao contrário, criar laços de intimidade com ele. "Onde moras?"

- "Vinde e Vede"
Para criar intimidade com Jesus, são convidados: "Vinde e vede".
É o encontro com Jesus na intimidade, na simplicidade e acolhimento...
E o resultado da experiência aparece:
"Então eles foram e viram onde Jesus morava.
E permaneceram com ele naquele dia".

* Discípulo de Jesus é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias libertador, que está
disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita o convite de Jesus para entrar na sua casa e para viver em comunhão  com ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-lo aos outros irmãos.

- Samuel reconheceu a voz de Deus e acolheu prontamente...
- João Batista: reconheceu a presença de Cristo no meio da multidão e   o indicou como Salvador.                                                                         
- Os Discípulos também reconheceram a presença de Cristo,   com alegria o anunciaram a seus amigos e o seguiram prontamente…

Deus também nos chama e convida para fazer parte da Comunidade de Jesus...
- Temos a mesma disponibilidade de Samuel:   "Fala, Senhor, que teu servo escuta".
- Temos o mesmo ardor missionário dos primeiros discípulos, que partiram com entusiasmo para anunciar aos amigos  o tesouro que encontraram?

Cristo conta com Você!...
                
                                           Pe. Antônio Geraldo

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Homilia de D. Henrique Soares

Caríssimos em Cristo, após as santas festas do Tempo do Natal do Senhor, estamos iniciando o Tempo Comum. Terminada ontem a primeira semana deste tempo “verde”, entramos hoje no Segundo Domingo chamado Comum: comum do dia-a-dia, da vida miúda, vivida na presença do Senhor que está sempre presente na sua Igreja na potência do seu Espírito Santo, dando vigor à Palavra e eficácia aos sacramentos. 

            A Escritura que escutamos nesta Missa falou-nos de um Deus que chama, que entra na nossa vida e nos dirige o seu apelo. Foi assim com Samuel que, novinho, sequer sabia reconhecer a voz do Senhor; foi assim com os primeiros discípulos, traspassados pela palavra do Batista que, apresentando o Cordeiro de Deus, quase que forçava aqueles dois, André e Tiago, a seguirem Jesus. E lá vão eles: “Rabi, onde moras? Onde tens tua vida?” E Jesus os convida: “Vinde e vereis! Somente se tiverdes a coragem de virdes comigo, de comigo permanecerdes, podereis ver de verdade!” Não é impressionante, quase que inacreditável, caríssimos, que Deus nos conheça pelo nome, que o Senhor nos chame e nos queira parceiros seus no caminho da vida? E, no entanto, é assim! Também nós somos conhecidos pelo nome, nossos passos, nosso coração, nossa vida são conhecidos pelo Senhor... E ele nos chama com amor. A nós, que estamos procurando a felicidade e a realização na vida, o Senhor também dirige a pergunta: “O que estais procurando?” Vinde, caríssimos, fiquemos com o Senhor e encontraremos aquilo que nosso coração procura, aquilo que faz a vida valer a pena. 
            Mas, esse “estar com o Senhor”, esse “permanecer com ele”, que é o início da própria vida eterna já neste mundo, não pode se dar sem que realmente sejamos de Cristo, com todo o nosso ser, corpo e alma. Aqui aparece com toda clareza a urgência e atualidade da advertência de São Paulo, feita aos coríntios e a nós. Corinto era uma cidade particularmente devassa do Império Romano. E, como hoje, os cristãos eram tentados a “corintiar”, a entrarem na onda, achando tudo normal, moderno e compatível com a fé. O Apóstolo, em nome de Cristo, desmascara essa ilusão, tão comum entre os cristãos de hoje. Ouçamo-lo! É incômodo, é chato, mas é a Palavra de Deus, que nos ilumina, liberta e nos salva... Ouçamo-la! “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo!” Eis cristão: teu corpo pertence ao teu Senhor Jesus Cristo que nele habita pela potência do seu Espírito Santo desde o dia do teu Batismo: “Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Compreende, cristão! Tu pertences a Cristo, tu és sagrado porque no Batismo foste consagrado pelo Espírito de Cristo que habita em ti! Teu corpo foi lavado pela água, símbolo do Santo Espírito, foi ungido pelo óleo batismal, sinal da graça de Cristo, foi untado pelo santo Crisma, sinal da força e da energia do Espírito de Cristo; teu corpo foi alimentado com o Corpo do Senhor... Teu corpo é sagrado, cristão, teu corpo é santo, teu corpo pertence ao Senhor! “Portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Solteiro ou casado, todos nós temos o dever sagrado, o dever de amor de fugir da imoralidade! À medida que o paganismo avança, perde-se o sentido cristão do corpo e da sexualidade! Tem-se a idéia que o corpo é para o prazer, para a satisfação da libido; pensa-se que o corpo é uma coisa, um objeto de prazer, que a bel prazer pode ser usado... Isso pensam os pagãos, isso vivem os pagãos. Nós sabemos que não é assim: “O corpo é para o Senhor e o Senhor é para o corpo...” para este corpo, que será ressuscitado para a glória de Cristo! 
            Eis, caríssimos em Cristo, os pecados de hoje: a impureza (ou seja a busca do prazer solitário e de atos e pensamentos sensuais que aguçam propositalmente o erotismo), a fornicação (isto é, o ato sexual antes do casamento com pessoas do mesmo ou do outro sexo) o adultério (ou seja, a relação fora do casamento). Nunca deveremos esquecer qual a verdade do Evangelho: o ato sexual somente é santo, responsável, bendito e plenamente agradável a Deus no casamento. Fora dele, é sempre um pecado – e esta regra não conhece nenhuma exceção! E mais: a vida sexual do casal deve ser santa. Como diz a Palavra do Senhor: “O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Hb 13,4). 
            Caríssimos, o modo que os cristãos têm de vivenciar a sexualidade não pode ser o modo dos pagãos. Eles seguem seus caprichos, suas paixões... Nós, mesmo frágeis, mesmo com nossos instintos e tendências muitas vezes desordenadas, por amor do Cristo que nos amou, temos o dever de lutar para colocar nossa sexualidade debaixo do senhorio de Cristo! Esse senhorio é mistério de cruz, mas também de ressurreição. Nós, que somos um só corpo com o Senhor pelo Batismo e a Eucaristia, nós que pelo Espírito Santo nos tornamos uma só coisa com o Senhor, de corpo e alma, não podemos pensar e viver nossa sexualidade como os pagãos! Então, jovem solteiro, jovem solteira, tua vida sexual, teu namoro, devem ser vividos à luz do Senhor Jesus! Casados cristãos, vossa vida conjugal não deve ser como a dos pagãos, sujeita e ditada simplesmente pela libido... Vossa sexualidade deve ser vivida na luz do Senhor! Homossexual cristão, vive tua tendência de modo cristão, lutando para seres casto, recorrendo à oração, completando corajosamente na carne da tua vida e da tua luta, aquilo que falta à paixão do Cristo. Procura viver dignamente, procura acompanhamento espiritual e coloca em Cristo a tua esperança e a tua alegria. Solteiro cristão, vive tua sexualidade na castidade e na continência por amor a Cristo! Padre, religioso, religiosa, tem coragem e generosidade para viveres o que prometeste a Cristo diante de toda a Igreja reunida no dia da tua profissão religiosa ou da tua ordenação sacerdotal! O Senhor nos pedirá contas, a todos nós! Ninguém está acima da Palavra, ninguém está acima do juízo do Cristo Jesus! 
            Talvez, caríssimos, alguns de vocês pensem como os judeus pensaram ao término do Discurso sobre o Pão da Vida: “Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (Jo 6,60). Pois bem, a nós, com doçura e também com firmeza o Senhor diz: “Isto vos escandaliza? Quereis também vós ir embora?” (Jo 6,61.67). Não é fácil, irmãos! Não somos melhores nem mais fortes que ninguém... Sentimos em nós pensamentos, afetos e desejos contraditórios... Mas, sabemos que Cristo nos chamou, nos amou e por nós entregou a vida. Então, que digamos como Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tens palavra de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,69). 
            É isto, caríssimos, dizer na vida como Samuel disse: “Eis-me aqui”; é isto atender ao convite do Senhor: “Vinde e vereis”; é isto, finalmente, “ir ver onde ele mora e permanecer com ele”.  Que ele nos dê também a nós a sua graça! Amém.

D. Henrique Soares

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Epifania do Senhor, Homilias, Subsídios homiléticos

EPIFANIA DO SENHOR ANO B 2018 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Epifania do Senhor: A manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é a “luz” que atrai a todos os povos.  Primeira leitura: Anuncia a chegada da luz de Jahwéh, que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
Evangelho: Ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Segunda leitura:  O projeto salvador de Deus vai atingir toda a humanidade numa mesma comunidade de irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Is 60,1-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está
a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. Trata-se de um profeta, pós-exílio, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilónia, nos anos 537/520 a.C.; Deus para trazer a salvação definitiva ao seu Povo. Então, Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo será reconstruído e Deus habitará para sempre no meio do seu Povo.

MENSAGEM - Inspirado pelo sol nascente que ilumina as construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã, o profeta sonha com uma Jerusalém muito diferente daquela que os retornados do Exílio conhecem; essa nova Jerusalém levantar-se-á quando chegar a luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Nesse dia, Jerusalém vai atrair os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, a cidade será repovoada; além disso, povos de toda a terra – atraídos pela promessa do encontro com a salvação de Deus – convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas (nomeadamente incenso, para o serviço do Templo) e cantando os louvores de Deus.

ATUALIZAÇÃO - O projeto de libertação que Jesus veio apresentar aos homens será a luz que vence as trevas do pecado e da opressão e que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 71 (72)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
• Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres.
• Nos seus dias a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra!
• Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo.
• Libertará o indigente que suplica, / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará.

EVANGELHO (Mt 2,1-12) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

AMBIENTE - O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de Deus aos homens de toda a terra.

MENSAGEM - Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-lo a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar fatos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacó (cf. Nm 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguro para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contato com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-no como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagão-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direção a Jesus.

ATUALIZAÇÃO
• Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados).
• Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
• Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?
• Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.

SEGUNDA LEITURA (Ef 3,2-3a.5-6) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

AMBIENTE - A Carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
Na parte dogmática da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre “o mistério”: depois de um hino que põe em relevo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da salvação (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes angélicos e do seu papel de cabeça da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situação universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); expõe, ainda, como é que Cristo – realizando “o mistério” – levou a cabo a reconciliação de judeus e pagãos num só corpo, que é a Igreja (cf. 2,11-22)… O texto que nos é proposto vem nesta sequência: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do “mistério” diante dos judeus e diante dos pagãos (cf. Ef 3,1-13).

MENSAGEM - É esse “mistério” que Paulo aqui desvela … Paulo insiste que, em Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não se destina exclusivamente aos judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou Igreja), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias com os judeus, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.

ATUALIZAÇÃO - • A primeira novidade é que Cristo é a revelação e a realização plena desse projeto. A segunda novidade é que esse projeto não se destina apenas “a Jerusalém” (ao mundo judaico), mas é para ser oferecido a todos os povos.
• Destinatários, todos, do mistério, somos “filhos de Deus” e irmãos uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade…

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho


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Homilia do Pe. PEDRINHO

Cada ano somos convidados a voltar o olhar para a epifania do Senhor.  Jesus que se manifesta o messias para todo o ser humano. Esta festa tem como símbolo principal a LUZ. Qual a razão? Porque a luz ocupa muitas páginas da Bíblia, tanto no antigo como no novo testamento. Já na primeira página que fala da criação, o texto diz: No princípio era o caos e Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita. Houve tarde e manhã; primeiro dia. Esta luz não pode ser confundida com o sol, porque no relato da criação, o sol será criado no quarto dia. O sol é o luzeiro maior para iluminar o dia e o luzeiro menor para iluminar a noite, que é a lua. Nós sabemos que esta luz será de grande ajuda para o povo de Deus. Na libertação do povo no Egito, nós temos o sarça ardente, uma luz que brilha, um fogo que não consome a sarça. E através desta sarça, Deus se comunicando com Moisés, dizendo: “Você deve me ajudar a libertar o meu povo. Depois vamos ver uma coluna de fogo acompanhando o povo que era escravo no Egito para a terra prometida. Esta luz, coluna de fogo, ilumina o caminho para aqueles que vão para a terra prometida e ofusca os olhos dos egípcios. Nós temos esta mesma manifestação de Deus, através do fogo, apresentada para nós, através de São João Evangelista e de São Paulo. São João vai dizer: No princípio era a palavra, a palavra estava em Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Ele é a LUZ que veio a este  mundo, mas o mundo preferiu as trevas. Então, São João nos apresenta Jesus, como sendo esta luz. Também são Paulo na caminhada para Damasco, em pleno sol do meio dia no deserto, vê uma luz muito mais forte do que o sol, senão ele não teria percebido esta luz. E no encontro com esta luz, descobre que esta luz é Jesus, apresentado então como luz do mundo. O próprio Jesus disse: Eu sou a luz do mundo e vós sois a luz do mundo; ninguém acende uma lâmpada para colocar debaixo da cama, mas em lugar que ilumina todo o ambiente. Jesus se apresenta como luz e espera de cada um que sejamos luz. Como posso ser luz? O batismo me concede isto. No batismo somos apresentados ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. O Pai se revela como luz na sarça ardente, o Filho se revela como luz na medida em que abre os olhos do cego, o Espírito Santo se revela como luz na medida que se revela como luz de fogo em Pentecostes e se reparte em línguas de fogo sobre os apóstolos e vai iluminar a compreensão de cada ser humano. No batismo recebemos uma vela, onde se diz; recebei a luz de Cristo. Esta luz vos é entregue para que alimenteis, esforçai-vos para que caminheis sob a luz que é o Cristo e possas ir ao seu encontro quando Ele vier. Esta vela é acesa naquela outra vela que é o Círio, que tanto lembra a coluna de fogo no antigo testamento, quanto Jesus ressuscitado, Círio este que nós acendemos no sábado santo, na vigília da Páscoa da Ressurreição.
Então veja, que todo este símbolo, toda esta grandeza simbólica para nos ajudar a experimentar Jesus. Como podemos ligar tudo isto com a liturgia de hoje? Primeiro porque Isaías vai dizer que Jerusalém tem como vocação ser a luz para o mundo, pois para lá se dirigirão todos os povos de todos os países e trarão para Deus ouro e incenso.
São Paulo vai dizer; eu de fato descobri o mistério e quero revelar a vocês; através do Evangelho de Jesus Cristo, a promessa de Deus se estende a toda a humanidade. Isto ele descobriu no encontro com Deus, na pessoa de Jesus, no deserto.
Mateus então vai nos ajudar que de fato Jesus é esta luz que veio para iluminar as nações e a cada ser humano, pois Jesus é o grande Messias. De que maneira ele nos anuncia isto? Contando, relatando a história dos magos. É interessante, que os magos vão ao encontro de Jesus e encontrarão Jesus na manjedoura, e encontrarão Jesus no colo de Nossa Senhora e ali oferecem os seus presentes. É interessante que Mateus adiciona, coloca um presente a mais; Isaías dissera que Ele receberia ouro e incenso. Ouro simbolizando toda a realeza e o incenso toda a Divindade. São Mateus vai dizer que tem a Mirra também. Jesus é revelado como a luz do mundo em sua paixão e morte de cruz. A Mirra simboliza o sofrimento enfrentado por Jesus. Nós sabemos bem, que no momento  da morte, do meio dia às três da tarde, houve trevas sobre toda a terra, que é exatamente a ausência da luz. Jesus vence as trevas para nos trazer a luz do dia, mas o dia do Senhor. Portanto, Mateus assim nos ensina que através dos magos, Jesus pode brilhar como a luz para todos os povos, porque nenhum dos magos pertence ao povo de Deus. Agora, Jesus é luz para todo aquele que o acolhe como sendo a luz. É evidente, que a luz que estamos falando, eu a enxergo com os olhos da fé. É por isto mesmo que somos chamados a enxergar esta luz, cada vez que participamos da Eucaristia.
O que tem de haver a Eucaristia com esta luz? Em primeiro lugar, quando nós nos encontramos na Igreja, é como os magos fizeram; agente vem toda parte para se encontrar com Jesus. E onde eu me encontro com Jesus? Na Eucaristia  (em grego: εὐχαριστία = "reconhecimento", "ação de graças"). Jesus se apresenta na patena, pratinho onde eu coloco o alimento. Portanto, Jesus se apresenta na Manjedoura. E eu vou ao encontro de Jesus para adorá-lo. Por isto, é muito interessante, que Jesus tem que nascer em Belém. Porque Belém significa a casa do pão. Se Jesus é o pão, o alimento para todos nós. Ele além de ser a Luz, é também o nosso alimento. É muito interessante, porque inverteu o papel. Lá, os Magos foram presentear Jesus e aqui é Ele que nos presenteia com seu corpo e seu sangue. Então, como os Magos, hoje nós viemos ao encontro de Jesus e o que podemos presentar, dar de presente a Jesus? É você que escolhe o que pode lhe oferecer na sua vida. Sabemos que Jesus não precisa de nada. Ele no entanto nos fala: Senhor, quando foi te vimos com fome, com sede, preso, nu, necessitado? O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fazes. Então, o presente de Jesus é em vista do irmão, em vista do próximo. Será que eu posso ser uma luz para o irmão? Ajuda-lo a caminhar no caminho do Senhor, ajuda-lo a vencer as dificuldades da vida? As incertezas, os medos, a falta de alimento, a falta de um ombro amigo? É tudo isto que a liturgia nos convida a pensar e a refletir no dia de hoje.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO

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Homilia de D. Henrique Soares

Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).
 Na segunda leitura, Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!
Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos Herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes/ chegar o Rei que é Deus?/ Não rouba aos reis da terra/ quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… e termina matando e se matando!
Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”
Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?
Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).
Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.
 Dom Henrique Soares da Costa


LOUVOR PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)
:
LOUVOR: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, Louvemos ao Pai.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Bendito sejais, Pai, pois tanto nos amais que nos enviastes o vosso Filho para ser nossa luz, nossa verdade e a salvação de nossa vida.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Seja o vosso nome honrado, engrandecido e glorificado, pois através de vosso Filho, nos tornastes filhos adotivos e através de nosso batismo nos escolhestes como um povo predileto que se esforça para seguir os passos de Jesus Cristo.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Enviai-nos o Espírito Santo para que nos transformemos em pessoas mais dóceis aos ensinamentos de vosso Filho e possamos, cheios de esperança, caminhar rumo ao vosso Reino.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!
à Os magos foram até Belém para se encontrarem com o Menino Jesus. Nós também aqui viemos para nos encontrar com o vosso Filho. Que vosso Filho seja reconhecido, glorificado, honrado e adorado por todos os povos.
T: Obrigado, Pai, por nos enviar Jesus que é nossa luz e salvação!

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...