quinta-feira, 8 de março de 2018

4º DOMINGO DA QUARESMA, homilias, subsídios homiléticos


4º DOMINGO DA QUARESMA 2018 (Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado!”.  
A salvação é oferecida de graça. Aceita quem quer.
Primeira leitura: Quando o homem escolhe caminhos de egoísmo, constrói um futuro de dor e de morte. No entanto, Deus dá sempre a possibilidade de recomeçar o caminho da vida nova.
Evangelho: Somos convidados a olhar para Jesus, a aprender com Ele a lição do amor total. É esse o caminho da vida plena e definitiva.
Segunda leitura: Deus ama o homem com um amor total; é esse amor que nos oferece um mundo novo de vida plena e eterna.

PRIMEIRA LEITURA (2Cr 36,14-16.19-23 ... os ...sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades. Ora, Deus dirigia-lhes frequentemente a Palavra por meio de seus mensageiros..., Mas eles zombavam dos enviados de Deus, ..., até que o furor do Senhor se levantou contra seu povo.... Os inimigos ...deitaram abaixo Jerusalém..., todos..., tornaram-se escravos do rei, até que o império passou para o rei dos persas. Assim se cumpriu a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias: “Até que a terra tenha desfrutado de seus sábados, ela repousará durante todos os dias da desolação, até que se completem setenta anos”. No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, ...o Senhor moveu o espírito de Ciro, ..., que mandou publicar: “Assim fala Ciro: O Senhor deu-me todos os reinos da terra e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem pertence ao seu povo? que se ponha a caminho”.

AMBIENTE - O Livro das Crônicas oferece a história de Israel, desde a criação, até o Exílio. A datação da obra (entre 515 a.C. e 250 a.C.). Neste texto, temos dois fatos: a queda de Jerusalém por Nabucodonosor (586 a.C.) e o regresso dos exilados a Jerusalém. O autor dá uma interpretação teológica.

MENSAGEM - A destruição de Jerusalém é vista como o resultado lógico dos pecados da nação. “Os chefes de Judá ignoraram os avisos enviados por Deus por intermédio dos profetas. Então, a ira do Senhor abateu-se o seu Povo. Aí está uma noção primitiva da justiça de Deus: quando o Povo vive na fidelidade à Aliança, Deus oferece-lhe felicidade; quando o Povo é infiel conhece morte e desgraça. O Cronista está consciente de que o castigo não é a última palavra de Deus. Á libertação operada por Ciro está a ideia de um Deus que não abandona o seu Povo, mas continua a dar-lhe a possibilidade de recomeçar.

ATUALIZAÇÃO  • A teologia da retribuição pode sugerir que Deus é apenas um contador incapaz de amor e de misericórdia. O Evangelho virá apresentar um Deus que, abomina o pecado, mas ama o homem e está sempre disposto a oferecer-lhe a vida e a salvação.
• Quando o homem prescinde de Deus e escolhe caminhos de egoísmo, está construindo um futuro de dor e de morte. A indiferença do homem face a Deus e às suas propostas gera violência, opressão, exploração, exclusão, sofrimento.
O Deus dá sempre a oportunidade de recomeçar o caminho da esperança e da vida nova.

EVANGELHO (Jo 3,14-21) Disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado.... Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz.... Quem pratica o mal  odeia a luz.... Mas, quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus”.


AMBIENTE- Nicodemos visita Jesus “de noite”, pois não queria se comprometer e arriscar a posição que gozava na estrutura religiosa judaica. Membro do Sinédrio, Nicodemos aparecerá, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus e quando Jesus foi descido da cruz e colocado no túmulo (Jo 19,39).
- Três etapas: Na primeira, Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, graças às suas obras; mas Jesus acrescenta que isso não é suficiente: o essencial é reconhecer Jesus como o enviado do Pai. Na segunda, Jesus anuncia que, para entender a sua proposta, é preciso “nascer de Deus” e explica-lhe que esse novo nascimento é o nascimento “da água e do Espírito”. Na terceira, Jesus descreve o projeto de salvação de Deus: é uma iniciativa do Pai, tornada presente através do Filho e que se concretizará pela cruz/exaltação de Jesus.

MENSAGEM - Jesus explica que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto (quando mordidos pelas serpentes, olhavam uma serpente de bronze e se curavam). Jesus refere-se à cruz. É aí que Jesus manifesta o seu amor e indica o caminho para a salvação. É necessário crer no “Filho do Homem” levantado na cruz, para que tenham a vida eterna. “Acreditar” significa aderir a Ele e à sua proposta de vida; significa aprender a lição do amor e fazer, como Jesus, dom total da própria vida a Deus e aos irmãos. Jesus, o “Filho único” enviado pelo Pai é o grande dom do amor de Deus à humanidade. A cruz é a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. O objetivo de Deus ao enviar o seu Filho, É libertá-los do egoísmo, da escravidão, da alienação, da morte, e dar-lhes a vida eterna. Com Jesus os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos irmãos, por amor. O Messias não veio excluir ninguém da salvação. Ele veio oferecer a todos a vida eterna, ensinando-os a amar e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos.
Quando o homem aceita a proposta de Jesus e adere a Ele, escolhe a vida eterna; mas quando o homem prefere continuar escravo de esquemas de egoísmo e de autossuficiência, rejeita a proposta de Deus,  auto exclui-se da salvação. A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prêmio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas é o resultado da escolha livre do homem, face à oferta de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai sobre Deus, mas sobre o homem. Para João, o juízo realiza-se aqui e depende da atitude que o homem assume diante da proposta de Jesus. Na parte final João constata que, por vezes, os homens rejeitam a proposta de Deus e preferem a escravidão e as trevas (o egoísmo, a injustiça, o orgulho, a autossuficiência, tudo o que torna o homem infeliz e lhe impede o acesso à vida definitiva). Ao contrário, quem pratica as obras do amor (as obras de Jesus), escolhe a luz, identifica-se com Deus e dá testemunho de Deus no meio do mundo.
Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação.

ATUALIZAÇÃO  Jesus, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, até à morte na cruz, para mostrar o “caminho” da vida eterna.
O amor de Deus traduz-se na oferta de vida plena eterna. O sofrimento e a morte não vêm de Deus, mas são o resultado das escolhas erradas feitas pelo homem na autossuficiência e que prescinde dos dons de Deus.
O caminho para à vida eterna é “acreditar” em Jesus. “Acreditar” é escutar, acolher a sua mensagem e os seus valores, segui-lo nesse caminho do amor e da entrega ao Pai e aos irmãos. Somos convidados a converter-nos a Jesus e a percorrer o mesmo caminho de amor que Ele percorreu.
Não é Deus que nos condena; somos nós que escolhemos vida eterna com Deus ou a eterna infelicidade.

SEGUNDA LEITURA (Ef 2,4-10) Irmãos: Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor..., quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus em virtude de nossa união com Jesus Cristo... Com efeito, é pela graça que sois salvos mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. Pois é Ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.

AMBIENTE - Paulo chegou a Éfeso, instruiu-os e formou uma comunidade cristã. O texto é uma reflexão sobre o papel de Cristo na salvação do homem. O homem por si só não sai do pecado. 

MENSAGEM - Deus é rico em misericórdia e ama o homem com um amor imenso. O amor de Deus não é um amor condicional, que só vem quando se converte; mas é um amor incondicional, que atinge o homem mesmo quando ele continua pecando. A esse homem orgulhoso, autossuficiente, egoísta, Deus ofereceu uma nova vida, ressuscitando-o. Unido a Cristo, o cristão já ressuscitou e já foi glorificado; ele continua a viver na terra, sujeito à finitude e às limitações da vida presente, mas é já é um cidadão do céu. A vida do cristão está marcada pela dupla condição da fragilidade e da eternidade. Apesar da sua debilidade, o cristão tem de testemunhar e anunciar essa vida nova que Deus já lhe ofereceu nesta terra.  A salvação não é uma conquista do homem, nem resulta das obras, mas é dom de Deus. A salvação é oferta gratuita que Deus faz a todos. Da oferta de salvação, nasce um homem novo, que pratica boas obras. As boas obras são o resultado da ação dessa graça que Deus derrama gratuitamente sobre o homem.
ATUALIZAÇÃO A vida está marcada pelas limitações. Paulo recorda: Deus ama-nos com um amor tão grande, que nos faz vencer os nossos limites, oferece esse mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim. Não somos condenadas ao fracasso, mas somos filhos amados a quem Deus oferece a vida plena.
Aqueles que acolheram o dom de Deus são chamados a dar testemunho de um mundo novo. Por isso, os crentes têm de anunciar e de construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. Eles são testemunhas de uma realidade nova de felicidade e de vida eterna.
O mérito não é nosso. É Deus que age no mundo; nós somos os instrumentos de Deus. Quando a humanidade aceita a proposta de Jesus e adere a Ele, escolhe a vida definitiva; mas quando prefere continuar escrava de esquemas de egoísmo e de autossuficiência, rejeita a proposta de Deus e se auto exclui da salvação. A salvação ou a condenação não são um prêmio ou um castigo; mas são o resultado da escolha.
Acreditar em Jesus não é uma adesão intelectual; mas é escutá-lo, acolher a mensagem e segui-lo no amor ao Pai e aos irmãos.. É sair do comodismo, dos projetos pessoais e encarar os desafios de Deus. É sair do egoísmo, do orgulho, da autossuficiência, dos preconceitos. Neste tempo de caminhada para a Páscoa, somos convidados a converter-nos a Jesus e tornarmo-nos pedras vivas do novo templo.

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Hoje, o Senhor explica a Nicodemos a sua missão: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito”. Porque “estávamos mortos por causa de nossos pecados”, Deus, na sua imensa misericórdia, nos deu a vida no seu Filho único. Primeiro: É preciso reconhecer que somos pecadores, todos necessitados da salvação! Mas, há uma outra: Deus não se cansa de nós; estende-nos a mão que é o seu Filho Jesus!!
Acreditar no nome de Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-lo a sério na vida pelo esforço de conversão à sua Pessoa divina e à sua Palavra santa! Crede, não com palavras vãs! Crede com o afeto, com o coração, com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos atos!
 “Aquele que pratica a verdade, vem para a luz” (Jo 3,21). Observemos que a passagem citada não diz “aquele que fala a verdade”, mas “aquele que pratica a verdade”. O que seria então “praticar” a verdade? Poderíamos resumir em poucas palavras: “viver conforme a verdade”.
Viver segundo a verdade de Deus é adaptar a nossa maneira de pensar, querer, sentir e agir à maneira de Jesus, pois ele é a verdade. Não nos esqueçamos de que no cristianismo, a verdade não é simplesmente um argumento, a verdade é uma pessoa: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).
O cristão tem que ser consciente de que sem a luz da fé na inteligência e sem a caridade na vontade, não fará o bem que almeja. Nada podemos sem a graça de Deus.! A nossa natureza, depois do pecado original, ficou estragada e foi resgatada. A fé vem para curar a ignorância e o amor de Deus vem para dar força à nossa vontade.

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Homilia do PE. PEDRINHO

Irmãos e irmãs, o tempo da quaresma, esse tempo privilegiado, um tempo para aprofundarmos mais no mistério da paixão e ressurreição do Senhor. Hoje, João nos lembra de uma passagem bastante importante; por orientação de Deus, Moisés eleva uma serpente no madeiro. Todo que olhava para a serpente era curado.
Para refrescar nossa memória, trata-se do episódio onde, de fato, onde o povo se rebela contra Deus, dizendo a Moisés: Deus nos trouxe aqui para morrermos de fome e de sede. A partir daí, as serpentes atacavam aquelas pessoas e elas acabavam morrendo. Moisés clamou a Deus dizendo: o que eu posso fazer para salvar este povo? E Deus disse: pega uma serpente, levanta no madeiro e todo que olhar para esta serpente, terá vida. Assim, o povo de Deus pode sobreviver. Alguém poderia dizer: isto é histórico, isto aconteceu? Para nós, isto não é importante. O importante é buscar o significado. E o significado dessa narrativa, dessa história, é muito importante. A serpente, na Bíblia simboliza sempre sabedorias, propostas de vida, filosofias de vida, como você quiser chamar. E Deus disse: diante de propostas, eu apresento esta; quem olhar para esta serpente, para esta proposta, viverá. Porque esta é a MINHA PROPOSTA. Qual é a proposta de Deus? Garantir ao povo um rumo, um caminho para chegar até Ele. Não somente isso, mas chegando até Ele, ter a vida e vida plena e eterna. São João vai se recordar dessa passagem quando o Filho do Homem for elevado no madeiro. Eis aí o crucificado. Quem olhar para o Crucificado, terá a vida eterna. Por quê? Porque Ele traz a proposta de Deus, para que todos conheçam o caminho, que é Jesus, a verdade, que é Jesus e a vida que vem e que é o próprio Jesus. Ora, em que sentido caminho? A partir de Jesus, todo aquele que seguir o seu caminho, o seu conselho, a sua sabedoria, estará salvo. É evidente que se eu seguir outros caminhos, Deus não garante. Não que ele não pudesse nos salvar. Ao seguir outro caminho, estou externando meu desejo de não seguir a Deus. E ele como respeita a decisão de cada um, também deixará a pessoa caminhar por si só. Normalmente, quem caminha por sua própria conta, erra o caminho. Por quê? Porque nós não conhecemos o caminho da vida. Nós não conhecemos sequer o próximo minuto. Nem sabemos se vamos terminar a Celebração Eucarística, ou não. Ora, então, pensando em acertar, eu posso errar. Mas, a medida em que eu deposito minha confiança em Jesus, eu tenho certeza que não erro. Porque Ele conhece o caminho, Ele é o eterno, ele num único olhar conhece o conjunto todo. É por isso que Ele me garante vida e vida em abundância.
Um segundo ponto importante dentro do Evangelho: São João diz: todo aquele que crê em mim, viverá. O Filho do Homem não veio para condenar, mas para salvar. Quem crê, já está salvo e que não crer, já está condenado, porque não acreditou naquele que foi enviado. Muitas pessoas argumentam: qual é a liberdade que tenho? Se eu crer, eu me salvo. Se eu não crer, eu me perco. Então, eu não tenho escolha. Eu tenho que crer. Não. Não é assim. É que São João nos mostra que quem crer no Filho do Homem, em Jesus Cristo, este está salvo, porque Jesus assegura, como eu dizia, porque Ele é o caminho, a verdade e a vida. Quem não crer nisso, pode se perder. É por isso que acaba condenado. Mas condenado por que? São João continua no Evangelho; porque a luz veio ao mundo, mas o mundo preferiu as trevas e a partir de agora, somos convidados a refletir sobre a teologia da luz. Ou seja, qual é o significado que a luz tem dentro da Bíblia. Já na primeira página, no livro do Gênesis, nos ajuda a compreender; E Deus disse: faça-se a luz e a luz se fez. Houve tarde e manhã, primeiro dia. E para que nós não confundíssemos esta luz com o sol, no quarto dia Deus disse: que haja o luzeiro maior para iluminar os dias e o luzeiro menor para iluminar as noites. E assim foi criado o sol e a lua. De tal maneira que a luz do primeiro dia dignifica algo bem diferente da luz do quarto dia. Quando eu falo da luz eu não estou falando do sol, não estou falando da lua, mas daquela luz da qual veio toda a vida do universo. Ora, quem é o grande provedor da vida no universo? É Deus. Hoje eu perguntava para as crianças, quem fez a luz. Eles confundiram um pouco. Eu perguntei; quem fez o universo? Eles confundiram um pouco e disseram que o universo é fruto do Big-bem. Eu disse: vamos fazer uma distinção; uma coisa é quem criou a luz e todo o universo. Outra coisa é como foi criado. Esta distinção é muito importante, porque senão, eu acabo confundindo fé e ciência. Hoje a ciência nos prova que o mundo não foi construído em sete dias, mas a Bíblia também não está preocupada com isto, mas quem criou. O criador é aquele que pode prover toda a vida e continua criando a cada dia; é o oxigênio que se renova, é as plantas que renascem, é todo o universo que a cada dia toma um fôlego novo. Basta ver como nós somos: pela manhã, quem está bem de saúde, está revigorado, pronto para um dia todo. A noite, já está um pouco cansado, precisando repor as energias. Todo este movimento de criação vem de Deus. Então, um mundo onde há luz, é um mundo onde há vida. Um mundo onde só há trevas, é um mundo onde a vida está ausente. Não é atoa que a Bíblia diz que tudo era um caos e Deus disse haja a luz. E é a partir daí que tudo se organiza.
Então, ao dizer que o mundo preferiu as trevas, é dizer que as pessoas decidiram caminhar sem a luz. E caminhar sem a luz é caminhar sem a vida. É caminhar totalmente jogado à sorte do mundo. E a sorte do mundo, de fato é um final como o que aconteceu com Jesus. Por isso, quem não crer nele, já está condenado. Condenado a que? Condenado a viver num mundo sem sentido, sem saber por onde caminhar. Então, nós que estamos nessa caminhada, a Páscoa, portanto a caminhada da quaresma, somos chamados a reacender a nossa esperança em Deus, assumir esta luz que é Cristo e caminhar iluminado.
Semana passado vimos que Deus é um Deus ciumento e mesmo ciumento, não hesitou em mandar o seu Filho único para que o  mundo fosse salvo. Hoje, mais uma vez isto volta na segunda leitura. Portanto, cada um de nós é chamado a reconhecer em Jesus o Salvador, um gesto de amor de Deus. O caminho portanto, está muito claro, muito iluminado: é o caminho do amor. Ora, então, quem cré em Deus, crê no amor. Crendo no amor, crê na justiça, na misericórdia, na solidariedade, crê em tudo que proporciona vida. Por isso, somos convidados esta semana a pedir a Deus para que sejamos luz para o irmão, a viver a luz que Cristo nos oferece, a aceitamos o seu caminho como caminho de salvação, porque sabemos que é o caminho que nos leva à vida eterna. Isto, motivado pelo amor do próprio Deus.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO

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Juiz ou Salvador?

A Quaresma é um tempo oportuno para purificar idéias e atitudes de nossa vida cristã. Muitas vezes somos levados  a ter de Deus a imagem de um juiz severo e castigador...
Será essa a verdadeira imagem de Deus que devemos ter?

A Bíblia tem uma imagem bem diferente:
- Um Deus Criador e Amigo... que dialoga com Adão...
- Um Deus que faz uma Aliança de amizade com o seu povo...
- Um Deus-conosco ("Emanuel")... que caminha com o povo...
- Um Deus que liberta... e salva...
- Um Deus misericordioso, que perdoa...
- Um Deus Pai... sempre disposto a acolher o filho pródigo...
  O castigo é um remédio extremo para que se arrependa e volte à amizade.

A 1a leitura revela a Justiça e a Misericórdia de Deus no tempo do exílio e da libertação.  (2Cr 36,14-16.19-23)

É um resumo da História da Salvação, em três momentos:
O Pecado do homem, o Castigo e o Perdão de Deus.
O Povo foi infiel à Aliança. Por isso, Jerusalém foi destruída e sua elite foi deportada para a Babilônia.
Mas Deus não abandona o povo, apesar das infidelidades.  O povo arrependido voltou seu coração para Deus e Deus o conduziu de volta à sua terra.
Deus é mais misericórdia, do que justiça...
 
Na 2a Leitura Paulo afirma que Deus é rico em misericórdia  (Ef 2,4-10).

Por isso, à situação pecadora do homem, Deus responde com a sua graça.
O amor salvador e libertador de Deus é incondicional e atinge o homem, mesmo quando ele continua a percorrer os caminhos de pecado e de morte.
Somos sempre filhos amados, a quem Deus oferece a vida plena, a salvação.

No Evangelho, Jesus se revela como Salvador e não Juiz  (Jo 3,14-23).

É a conclusão do diálogo de Jesus com NICODEMOS, que nas  "trevas da noite", vem falar com Jesus à procura de "Luz".
No final, descreve o projeto de Salvação de Deus: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu próprio filho e este não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo".

No deserto, os hebreus olhavam para a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação.
Faz lembrar a cruz onde foi levantado o Filho do homem.
Da Cruz de Jesus brota a vida e a saúde para toda a terra.
Ao olhar com fé para esse sinal, ficamos curados...
O  texto nos convida a contemplar uma História maravilhosa:
O Amor de Deus oferece ao homem vida plena e definitva.
Aos homens compete aceitar ou não o dom de Deus.
Jesus não veio condenar e excluir ninguém da salvação.
Ele é a luz divina enviada ao mundo para mostrar o caminho da verdade e da vida que conduz a Deus.
As pessoas podem rejeitar Jesus e sua missão, permanecendo nas trevas do egoísmo, rejeitando Jesus e sua missão; ou então aceitar Jesus e seguir seu projeto, deixando-se envolver pela luz da fé e da salvação.

João define o caminho para chegar à vida eterna:
CRER EM JESUS:
- Não é uma mera adesão intelectual a umas verdades,  mas acolher JESUS enviado pelo Pai para salvar os homens.
- É escutar Jesus, acolher a sua mensagem e segui-lo nesse caminho.
- É deixar as trevas e caminhar para a Luz… É aceitar essa Luz...
  Isso supõe desfazer-se de muitos projetos pessoais.

E o julgamento final como fica?
Muitos imaginam um Deus severo, que vai analisar tudo com rigor até os mínimos detalhes.
Seria então Ele um Pai, que ama os bons e os maus, como ensinou Jesus?

- Segundo São João, o julgamento não é pronunciado por Deus, mas pela escolha que cada um faz diante da Luz de Cristo.
 "Quem nele crê, não é condenado. Mas quem não crê, já está condenado”...
  “A Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas."

Por isso, a decisão no julgamento:
- não é propriamente Deus que faz... somos nós que escolhemos...
- não é apenas no fim do mundo, mas é aqui e agora.
Cada instante da vida é tempo de salvação ou de condenação...

Salvam-se os que praticam a Verdade e se aproximam da "Luz".
Condenam-se os que praticam o mal e preferem as "trevas".
A salvação é um dom gratuito de Deus oferecido a todos...
Tudo depende da nossa aceitação ou não à proposta de Cristo.

Cristo quer ser o nosso Salvador, não o nosso Juiz...
Qual será a nossa escolha? Preferimos a Luz ou as Trevas?

                                   Pe. Antônio Geraldo

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HOMILIA DE D. HENRIQUE SOARES
“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66,10s). Caríssimos em Cristo, estas palavras de Isaías dão o tom da liturgia deste Domingo, chamado pela liturgia de Domingo Laetare – Domingo “Alegra-te!” No meio da Quaresma, na metade do caminho para a celebração da Ressurreição do Senhor, a Igreja nos convida à alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí hoje a cor rosa e as flores na igreja. “Alegra-te, Jerusalém!” – Jerusalém é a Igreja, é o Povo santo de Deus, o novo Israel, é cada um de nós… Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!
Como o povo da Antiga Aliança, também nós tantas vezes somos infiéis – já devíamos ter visto isso claramente a essa altura da Quaresma! É trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: “Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de seus mensageiros, porque tinha compaixão do seu povo. Mas, eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não teve mais jeito”. Com estas palavras dramáticas, o Autor sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo, foi expulso do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia. Aqui aparece toda a gravidade do pecado, que provoca a ira de Deus! É sempre essa a consequência do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida! A Escritura nos ensina, caríssimos, que Deus nunca faz pouco do nosso pecado, nunca passa a mão na nossa cabeça, jamais faz de conta que não pecamos! Jamais despensa de modo leviano as nossas infidelidades! E por quê? Porque realmente nos ama, nos leva a sério, faz conta de nós! Ora, o pecado, afastando-nos de Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por isso mesmo, causa a ira de Deus! Pois bem, o Senhor levou, então, seu povo para o terrível deserto do Exílio para corrigi-lo e fazê-lo voltar de todo o coração para Aquele que é seu único bem, sua verdadeira riqueza – aquele que é o seu Deus! É por misericórdia que ele corrige Israel, por misericórdia que nos corrige: “Pois o Senhor não rejeita para sempre: se ele aflige, ele se compadece, segundo sua grande bondade. Pois não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem” (Lm 3,31-33). Deus é amor e misericórdia. A leitura do Livro das Crônicas nos mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor  fá-lo voltar para a Terra sempre prometida. Sim, efetivamente, “não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem”.
Caríssimos, esta mesma idéia que tantas vezes aparece no Antigo Testamento, cumpre-se de modo definitivo em Cristo Jesus. Hoje, o Senhor, com palavras comoventes, explica a Nicodemos a sua missão: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Porque “estávamos mortos por causa de nossos pecados”, Deus, na sua imensa misericórdia, nos deu a vida no seu Filho único. Vede, irmãos: há duas realidades que são bem concretas na nossa existência. Primeiro, a realidade do nosso pecado. Nesta metade de caminho quaresmal, é preciso que tenhamos a coragem de reconhecer que somos pecadores, que temos profundas quebraduras interiores, paixões desordenadas, desejos desencontrados que combatem em nós… Quantas incoerências, quantos fechamentos para Deus e para os outros, quantas resistências à graça, quantas máscaras! A humanidade é isso! Não somos bonzinhos! Somos todos feridos, todos doentes, todos pecadores, todos necessitados da salvação! Mas, ao lado dessa realidade tão triste, há uma outra: Deus não se cansa de nós; estende-nos a mão para nos tirar do nosso atoleiro e nos salvar! Essa mão estendida é o seu Filho Jesus! Deus amou tanto o mundo, levou-nos tão a sério, que entregou o seu Filho, o Amado, o Único, o Santo! Grande o nosso pecado, imensa a misericórdia de Deus em Cristo; grande a nossa treva, imensa a Luz de Deus que nela brilhou em Cristo; grande o nosso egoísmo; imenso o amor de Deus manifestado em Cristo; grande a nossa morte; imensa a Vida que nos foi dada em Cristo Jesus, nosso Senhor!
Amados em Cristo, a grande tentação de nossa época é fazer pouco de Deus e, cinicamente, mascarar nosso pecado. Quantos cristãos adulteram, roubam, fornicam, abortam, negligenciam seus deveres para com Deus e com a Igreja, desobedecem aos mandamentos, e não estão nem aí. É um espírito de descrença, de falta de atenção e delicadeza para com o Senhor. Vemos isso em tanta gente de Igreja… Aqueles que nos corrigem são chamados logo de reacionários, fechados, sem misericórdia, duros, insensíveis para o mundo atual… E no entanto, a Palavra do Senhor é clara: é necessário que fixemos o olhar em Cristo que se entregou por nós e reconheçamos a gravidade e a concretude do nosso pecado! Volta, Israel! Volta, Igreja de Cristo! Volta, povo do Senhor! Voltemos, irmãos e irmãs! Em Cristo Jesus, nosso Salvador, “Deus quis mostrar a incomparável riqueza da sua graça!” Não brinquemos com o amor de Deus, não recebamos em vão a sua correção!
Recordemos que hoje, no Evangelho, após mostrar o imenso amor de Deus pelo mundo, a ponto de entregar o Filho amado, Jesus nos previne duramente: Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito”. Ora, caríssimos, acreditar no nome de Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-lo a sério na vida pelo esforço contínuo de conversão à sua Pessoa divina e à sua Palavra santa! Crede, irmãos, crede, irmãs! Crede não com palavras vãs! Crede com o afeto, crede com o coração, crede com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos atos, com a prática da vossa vida! De verdade creremos na medida em que de verdade nos abrirmos para a sua luz; pois “o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz”.
Que o Senhor nos dê a graça de ver realisticamente nossos pecados, reconhecê-los humildemente e confessá-los sinceramente, para celebrarmos verdadeiramente a Páscoa que se aproxima e dela participar eternamente na glória do céu. Amém.
D. Henrique Soares
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HOMILIA DO Pe. Françoá Costa

Entre a luz e as trevas

Temos a impressão de que a maior parte da nossa vida passa-se entre a luz e as trevas. Aquela antiga expressão que afirmava que há pessoas que mantêm duas velas acessas, uma ao diabo e outra a S. Miguel, parece encontrar o seu correlativo na vida de um filho de Deus que procura ser bom e encontra frequentemente as dificuldades da jornada. Uma coisa é bem certa: é preciso apagar a vela ao diabo!
No interior do ser humano trava-se uma batalha constante e que poucas vezes dá trégua. Não é à toa que somos chamados “Igreja militante”, isto é, a família de Deus que luta, que combate, que quer viver sempre na luz ainda que as trevas queiram entrar no seu interior. “Aquele que pratica a verdade, vem para a luz” (Jo 3,21). Observemos que a passagem citada não diz “aquele que fala a verdade”, mas “aquele que pratica a verdade”. O que seria então “praticar” a verdade? Poderíamos resumir em poucas palavras: “viver conforme a verdade”.
Viver segundo a verdade de Deus é adaptar a nossa maneira de pensar, querer, sentir e agir à maneira de Jesus, pois ele é a verdade. Não nos esqueçamos de que no cristianismo, a verdade não é simplesmente um argumento, a verdade é uma pessoa: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Viver conforme a verdade de Deus é pensar a própria vida segundo o plano de Deus que se manifestou suficientemente no mistério da Palavra de Deus que se encarnou para a nossa salvação.
Mas, como sabemos e experimentamos, não basta saber essas coisas, é preciso lutar para propor-se seriamente o seguimento de Jesus-Verdade. O ambiente no qual nos movemos oferece muitas atrações que não nos conduzem a bom porto, que não nos levam pelo caminho da salvação. O pecado frequentemente se assemelha a uma maçã que, estando podre por dentro, apresenta-se com belíssimo aspecto, bem atraente aos sentidos. O que fazer? Pedir a luz de Deus para vermos que tal fruta está podre, que não alimenta. O Evangelho de hoje ressalta justamente isso: andar na luz, que é sinônimo de andar na verdade.
O cristão tem que ser consciente de que sem a luz da fé na inteligência e sem a caridade na vontade, não fará o bem que almeja. Ninguém pode mover-se sobrenaturalmente sem a graça de Deus. É impossível! A nossa natureza, depois do pecado original, ficou estragada (não totalmente), posteriormente foi resgatada, e, contudo, nela permanece a ignorância e a concupiscência. Essas duas realidades são as que obscurecem a nossa inteligência e debilitam a nossa vontade. A fé vem para curar a ignorância e o amor de Deus vem para dar força à nossa vontade.
Nesta quaresma, tempo de conversão, é preciso ter em conta essa realidade: quem vive habitualmente na graça de Deus não está livre de todas as tentações, também ele se encontra exposto às trevas do pecado. Nunca percamos o bom senso: somos fracos, precisamos da luz e do amor de Deus. Não sejamos ingênuos: fujamos das ocasiões de pecados! Nada dizer: “não importa, eu resisto, pois eu sou forte”. Quantos heróis já foram derrotados por causa de uma confiança exagerada nas próprias forças!
Pe. Françoá Costa
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Para a Celebração da Palavra (Diáconos ou ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- Senhor, nosso Deus e Pai. Sois bondade e misericórdia. Mesmo quando nos afastamos de Vós, nunca nos abandonais e sempre estais de braços abertos para nos acolher e dar nova vida.
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- Senhor, Bendito seja o vosso nome sobre toda a terra. Sois amor e bondade para com toda a humanidade. Pai, não desvieis o vosso olhar deste vosso povo e conduzi-nos aos caminhos da vida.
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- Pai, Santificado seja o vosso nome. Grande é o vosso amor nos enviando o Salvador. Pai, ajudai-nos para que sigamos os passos de vosso Filho e nosso Salvador..
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- Senhor, nosso Pai, Com a força do Espírito Santo queremos ser transformados para ressuscitar com Jesus, vosso Filho, e participar da vossa glória após a nossa morte.
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- Senhor, nosso Deus e Pai. Venha a nós o Vosso Reino e que saibamos cumprir a vossa vontade na construção deste Reino. Pai, louvores e glórias pela vossa bondade.
T: Senhor, agradecemos o vosso amor que nos liberta e nos salva
- - PAI NOSSO... - - ABRAÇO DA PAZ... EIS O CORDEIRO DE DEUS...


quinta-feira, 1 de março de 2018

3º DOMINGO DA QUARESMA ANO B 2018, homilias, subsídios homiléticos

3º DOMINGO DA QUARESMA ANO B 2018 (Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema:  “Cristo conhece o ser humano por dentro!” A preocupação de Deus em conduzir os homens ao encontro da vida nova.
Primeira leitura: Deus oferece-nos os “mandamentos” que nos ajudam na relação com Deus e a na relação com os irmãos.
Evangelho: Jesus apresenta-Se como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor.
Segunda leitura: O apóstolo Paulo sugere-nos: a salvação não está numa lógica de poder mas está na lógica da cruz – isto é, no amor, no serviço simples e humilde aos irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (Ex 20,1-17) ...: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou do Egito... Não terás outros deuses... Não farás para ti imagem ...alguma.... Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão... Lembra-te de santificar o dia de sábado. ... Honra teu pai e tua mãe,... Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho.... Não cobiçarás.... a mulher do teu próximo, seu escravo..., seu boi, seu jumento...”.

AMBIENTE -
Aliança do Sinai. O texto, na sua forma atual, não vem de Moisés. É uma elaborações de séculos.

MENSAGEM - O “decálogo”: relação com Deus e com o próximo. A questão essencial é: Jahwéh deve ser o centro da existência de Israel. Só em Jahwéh está a vida e a salvação. Os outros mandamentos dizem respeito às relações com o próximo – a sua vida, os seus direitos, os seus bens. Que cada membro reconheça a sua dependência dos outros e aceite a sua vinculação a uma família e a uma cultura ( “honra teu pai e tua mãe”); pedem que cada membro do Povo de Deus respeite a vida do irmão (: “não matarás”); recomendam que seja defendida a família e respeitadas as relações familiares (“não cometerás adultério”); exigem que se respeite quer os bens, quer a própria liberdade dos outros (“não tomarás para ti” – o que pode referir-se a pessoas ou a coisas. Pode traduzir-se por “não roubarás; pedem o respeito pelo bom nome e pela fama do irmão, dando sempre um testemunho verdadeiro garantindo a justiça (“não levantarás falso testemunho”); exigem o respeito pelos “bens básicos” do irmão ( “não cobiçarás a casa do teu próximo, a mulher dele, o criado ou a criada, o boi ou o jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”). Jahwéh, o Deus libertador, está interessado em que Israel se liberte da escravidão e se torne um Povo livre e feliz. Os “mandamentos” são contribuições de Deus para isso. Jahwéh não está limitando a liberdade, mas está propondo ao Povo um caminho de liberdade e de vida plena. Os mandamentos pretendem ajudar a deixar a escravidão do egoísmo, da autossuficiência, da injustiça, do comodismo, das paixões, da cobiça, de exploração… Israel responderá, assim, ao amor de Deus e será feliz. É essa Aliança que Jahwéh quer fazer com o seu Povo.

ATUALIZAÇÃO • Os mandamentos sublinham a centralidade que Deus deve assumir no coração do seu Povo. Na vida somos seduzidos por outros “deuses” – o dinheiro, o poder, os afetos humanos, a realização profissional, o reconhecimento social, os interesses egoístas, as ideologias, os valores da moda – que se tornam o objetivo supremo que condiciona as nossas atitudes e opções. Com frequência, prescindimos de Deus e instalamo-nos num esquema de orgulho e de autossuficiência que coloca Deus e as suas propostas fora da nossa vida. A Palavra de Deus garante-nos: esse não é um caminho para a vida definitiva e à liberdade plena.
• Os mandamentos convidam-nos a despir esses comportamentos que geram violência, egoísmo, agressividade, cobiça, intolerância, escravidão, indiferença face às necessidades dos outros. Tudo aquilo que atenta contra a vida, a dignidade, os direitos dos nossos irmãos, é algo que gera morte, sofrimento, escravidão.
• A questão é o construir a nossa própria felicidade. É preciso não ver os “mandamentos” de Deus como propostas descabidas e ultrapassadas, inventados por uma moral antiquada, que apenas servem para limitar a nossa liberdade ou para impedir a nossa autonomia; mas é preciso ver os “mandamentos” como “sinais de trânsito” com os quais Deus, no seu amor, nos ajuda a percorrer os caminhos da liberdade e da vida verdadeira.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 18 (19)
Senhor, tens palavras de vida eterna.
• A lei do Senhor Deus é perfeita, / conforto para a alma! / O testemunho do Senhor é fiel, / sabedoria dos humildes.
• Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração. / O mandamento do Senhor é brilhante, / para os olhos é uma luz.
• É puro o temor do Senhor, / imutável para sempre. / Os julgamentos do Senhor são corretos / e justos igualmente.
 • Mais desejáveis do que o ouro são eles, / do que ouro refinado. / Suas palavras são mais doces que o mel, / o mel que sai dos favos.
EVANGELHO (Jo 2,13-25) Jesus subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas... Fez então um chicote ...e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”... Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. ...Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito... Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

AMBIENTE - João diz quem é Jesus e o seu ministério. O Templo fora construído por Herodes. No Templo sacrificavam-se cerca de 18.000 cordeiros, destinados à celebração pascal. O dinheiro arrecadado com a emissão de licenças revertia para o sumo-sacerdote.

MENSAGEM - Os profetas criticaram o culto que Israel oferecia a Deus. A ideia de que a chegada dos tempos messiânicos implicaria a purificação e a moralização do culto prestado no Templo. Quando Jesus pega no chicote, expulsa do Templo os vendedores, está revelando-Se como “o Messias” e a anunciar que chegaram os tempos messiânicos. Ao expulsar, Jesus mostra que o culto sem sentido: o culto criava exploração, miséria, injustiça e, por isso, em lugar de potenciar a relação do homem com Deus, afastava o homem de Deus. Jesus, o Filho, com a autoridade que Lhe vem do Pai, diz um claro “basta”: “Não façais da casa de meu Pai casa de comércio”. Com que legitimidade é que Ele se arroga o direito de abolir o culto oficial prestado a Jahwéh? A resposta de Jesus é, à primeira vista, estranha: “Destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias”. João deixa claro que Jesus não Se referia ao Templo de pedra onde Israel celebrava os seus ritos litúrgicos, mas a um outro “Templo” que é o próprio Jesus. Três dias depois, esse Templo estará outra vez erigido no meio dos homens. Jesus alude à sua ressurreição. A prova de que Jesus tem autoridade para “proceder deste modo” é que os líderes não conseguirão suprimi-lO. A ressurreição garante que Jesus vem de Deus. Jesus Se apresenta como o “novo Templo”. O Templo representava, no universo religioso judaico, a residência de Deus, o lugar onde Deus Se revelava e onde Se tornava presente no meio do seu Povo. Jesus é, agora, o lugar onde Deus reside, onde Se encontra com os homens e onde Se manifesta ao mundo. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida.

ATUALIZAÇÃO - • Como é que podemos encontrar Deus? Olhando para Jesus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o seu amor, oferece aos homens a vida plena, faz-Se companheiro de caminhada dos homens e aponta-lhes caminhos de salvação. Neste tempo de Quaresma  somos convidados a olhar para Jesus e a descobrir no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

• Os cristãos são membros do Corpo de Cristo, pedras vivas desse novo Templo onde Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro dos homens para lhes oferecer a vida e a salvação. O nosso testemunho pessoal é um sinal de Deus para os irmãos que caminham ao nosso lado.
*** Jesus vem mudar a maneira de encontrar Deus seu Pai. Até aqui bastava ir ao templo, doravante é preciso escutar a mensagem de amor do seu Enviado. E, é a sua Igreja que será o novo templo, porque Deus vem morar no meio dos homens. Jesus é a pedra angular e somos as pedras vivas deste novo templo onde Deus se faz presente na caminhada humana.

SEGUNDA LEITURA (1Cor 1,22-25) Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder e sabedoria de Deus.

AMBIENTE - Na comunidade de Corinto, vemos uma cultura pagã em profunda contradição com mensagem evangélica. Paulo vai demonstrar que entre os cristãos há um mestre, que é Jesus Cristo; e a experiência cristã não é a busca de uma filosofia coerente, brilhante, elegante, que conduza à sabedoria, entendida à maneira dos gregos. Quem procura na mensagem cristã um sistema lógico, coerente, inquestionável à luz da lógica humana, é porque não percebeu nada do essencial da mensagem cristã, da “loucura da cruz”.

MENSAGEM - Judeus e gregos buscam seguranças. Os judeus procuram milagres que garantam a veracidade da mensagem; os gregos procuram as belas palavras, a coerência do discurso, a lógica dos argumentos… Na verdade, Jesus não Se apresentou como um Deus espetacular, através de gestos milagrosos, como os judeus esperavam; nem Se apresentou como o “mestre” iluminado de uma filosofia capaz de se impor pelo brilho das suas premissas e pela sua lógica inatacável, como os gregos gostariam. A essência da mensagem cristã está na “loucura da cruz” – isto é, na lógica ilógica de um Deus que veio ao encontro da humanidade, que fez da sua vida um dom de amor e que aceitou a morte para ensinar que a verdadeira vida é aquela que se coloca ao serviço dos irmãos. Na cruz de Jesus manifestou-se o poder salvador de Deus. A lógica de Deus não é exatamente igual à lógica dos homens. O caminho cristão não é uma busca de sabedoria humana, mas uma adesão a Cristo crucificado – o Cristo do amor e do dom da vida.

ATUALIZAÇÃO - • A lógica de Deus é bem diferente da lógica dos homens. Os homens sentem-se mais seguros e confortáveis diante de líderes que se impõem pela força e poder através de gestos espetaculares; e Deus aparece-lhes na figura de um obscuro carpinteiro Galileu, morto numa cruz fora dos muros da cidade. Os homens gostam de ser convencidos por projetos intelectualmente brilhantes, que apresentem argumentos fortes e uma lógica inquestionável; e Deus oferece-lhes um projeto de salvação que passa pela morte na cruz, em plena e radical contradição de toda lógica humana. A salvação, a vida plena, a felicidade não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

• A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza, na humildade.

• “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios”. Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem anunciar a mensagem com verdade e radicalidade, renunciando à tentação de a suavizar, de a tornar menos radical e interpelativa as propostas do Evangelho. Às vezes, o invólucro “brilhante” com que envolvemos a Palavra torna-a mais atrativa, mas menos questionante e, portanto, menos transformadora.

- Era necessário restaurar a antiga Lei, aperfeiçoá-la…  É o que Cristo veio realizar: "Não vim suprimir a Lei… mas completar, aperfeiçoar…"

Passamos do templo de pedra (projeto de Davi e realizado por Salomão) ao Templo verdadeiro.

A Campanha da Fraternidade nos lembra outro templo sagrado, A Pessoa humana …
Paulo diz que os «judeus» esperavam que Deus manifestasse o seu poder resolvendo as dificuldades dos homens com milagres. Jesus, pelo contrário, não se apresentou como vencedor, mas como derrotado. Por seu lado, os «gregos» não acreditavam em milagres, apenas acreditavam na sua competência de dedução e na sua sabedoria. Ora, a morte de Jesus não tem lógica humana, é uma autêntica loucura. // Ora agimos como os «judeus» considerando a religião como uma fonte de milagres, de graças, de curas e, por tal motivo, só nos lembramos de Deus quando nos encontramos em necessidades; ou então como «gregos»; imaginamos persuadir as pessoas a aderir à fé pelo raciocínio e provas.
Jesus faz milagres e muita gente acredita n’Ele, mas Ele não confia neles porque os conhece a todos. Essas estão apenas empolgadas pelos seus milagres e não pela sua mensagem. A autêntica fé em Cristo baseia-se no transformar-se em pedra viva do novo templo e em servir aos irmãos.
Fala o Santo Padre - Não somos mais obrigados a cumprir os preceitos da Lei de Moisés mas, somos convidados a olhar o Crucificado, lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança… Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que o ame! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Caríssimos em Cristo, convertamo-nos! Ergamos os olhos para o Crucificado, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, e mudemos de vida! Crer de verdade exige que nos coloquemos debaixo do preceito de amor do Senhor!

Homilia do PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, estamos dando um passo a mais rumo à semana santa, a semana da Páscoa, ressurreição do Senhor. A Liturgia nos leva a refletir um pouco mais os motivos que levaram Jesus a ser preso, condenado e morto. E os motivos que levaram Deus a ressuscitá-lo. Hoje somos convidados a recordar as leis de Deus. As leis de Deus têm seu ponto central NÃO MATARÁS. Ainda ontem fiz a experiência de perguntar às crianças qual é o maior, o mais importante mandamento. Todos dizem que é amar a Deus sobre todas as coisas. Não é verdade. O mandamento mais importante é NÃO MATAR. Porque eu não vou conseguir a amar a Deus, não vou conseguir amar o irmão se eu matar alguém ou se eu mesmo der fim a minha vida. Quem mata não tem como amar a Deus. Por isso, não matar é o mandamento mais importante. Quando perguntam a Jesus qual é o maior mandamento, Jesus responde que é amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Mas, se eu não estiver vivo, não poderei fazer nada disso. Partindo desta preocupação de preservar a vida, que temos hoje o Evangelho. Jesus nos ajuda a ampliar um pouco mais a nossa compreensão sobre o templo de Deus. Jesus diz: o templo de Deus não pode ser confundido com um prédio, com pedra sobre pedra, porque o templo edifício, o templo de pedra, ele só terá valor dependendo do seu uso, dependendo de quem ali frequenta. O templo que de fato precisa respeitar é o ser humano. João vai nos falar que Jesus falava do templo do seu corpo. Aqui chegamos num ponto importante para nossa compreensão; o tempo que de fato tem valor e importância, é Jesus Cristo. Agora, se formos lembrar o que São Paulo nos fala, nós formamos o templo, corpo Místico de Cristo. Somos nós, unidos pela Eucaristia, que nos tornamos sinal visível de Cristo ressuscitado. É muito importante nós entendermos isto: somos nós, unidos em assembleia, que mostramos o Cristo vivo, porque nós somos o seu corpo e Ele a nossa cabeça.  Então, quando de fato eu preservo a VIVA do irmão, eu estou respeitando o corpo Místico de Cristo. Quando eu respeito o corpo Místico de Cristo, eu ofereço, de fato, um louvor que é agradável a Deus. Então o prédio não tem importância nenhuma? Claro que ele se torna importante, quando se coloca a serviço desse corpo Místico de Cristo. O prédio é importante porque nos abriga da chuva e do sol e nos dá um certo conforto, uma certa liberdade para celebrarmos a nossa fé, é um local onde somos convidados à oração e assim por diante. Mas, de nada adianta um templo de pedra vazio. Seria preferível que se reunissem debaixo de um arvore, que aí sim, estaria o templo de Deus.
Ora, é isso, que Jesus olhando para o Templo, fica de tal forma indignado, porque está vendo que lá não estão dando a importância que o templo teria para o ser humano, mas a grande importância está se dando para os animais que ali estão. Entre a importância de uma pessoa entrar ali para louvar a Deus e um boi que seria ofertado, a importância estava no boi.  Por que? Porque aquele boi trazia um maior valor financeiro para o templo. Jesus diz: Não. “Vocês fizeram da casa de meu Pai um covil de ladrões”. Porque a casa do Pai, aí nem é preciso falar muito, porque a casa do Pai é o pai mesmo, é o avô. A casa do pai significa onde os filhos se sentem bem, livres, felizes e alegres. No entanto não é isto que está acontecendo, como diz São Tiago: quando há discriminação de pessoas, então, não é mais a casa do pai, mas é um local de disputa e busca de benefícios particulares. Jesus não teve um destempero, uma crise de nervos e saiu batendo em todo mundo, mas ele quis mostrar quem é importante. Ele começa derrubando a mesa dos cambistas e aos vendedores de pombas diz para não fazer da casa do Pai um mercado. As pombas eram os animais indicados para quem não tem dinheiro para comprar um boi ou um carneiro. A pomba significava o sacrifício dos pobres. Então, Jesus vai dizer; não é necessário isto. O que será necessário? Defender a vida do irmão. É isto que os mandamentos nos trazem. Porque aí consigo compreender o que é amar a Deus de fato. Amar a Deus é não querer nada do que é do outro. Como é que eu faço para viver este amor a Deus, na medida em que eu respeito o irmão? Então, eu não vou roubar, não vou mata-lo, não vou levantar falso testemunho, eu vou garantir o descanso de todos.
Isto provocou a ira dos que eram lideranças no templo. Na semana Santa veremos nas leituras, que um dos motivos da morte de Jesus é que Ele disse: “Destruam o templo e eu o reconstruirei em três dias”.  Então, nós sabemos que um dos motivos de sua condenação será este, porque Ele acabou com as vantagens daqueles que se beneficiavam do templo.
O que tudo isto pode nos ajudar? “Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e muitos creram no seu nome”. Ora, nós vivemos o pós ressurreição. Cabe a nós nos perguntarmos: Eu creio na Palavra do Senhor? Eu creio em Jesus?
Muitos cristãos, não católicos, vão dizer: vocês não creem na Palavra porque vocês tem imagens na igreja, porque a bíblia é muito clara: não terás imagens, não farás imagem de mim.
De fato, nós só nos dobramos diante do Santíssimo. Na capela do Santíssimo podemos ver que ali o ponto central é Deus. As imagens que temos é tão somente para nos lembrar das pessoas que foram fiéis a Deus. São imagens que nos ajudam e nos incentivam a buscar, também nós, a vivência da santidade. Nós temos ciência de esta imagem é de gesso e se cair quebra. Sabemos que ela não tem vida. Também sabemos que aí não está Deus. Sabemos que Deus está no irmão e na Eucaristia. É evidente que não podemos ter uma imagem de Deus, porque seria restringir a sua imagem. Quando Jesus disse: “o que fizeste ao menor de meus irmãos é a mim que fizeste”, Deus tem a imagem de todos nós. Cada um de meus irmãos e irmãs é a imagem viva de Deus. A imagem de Deus não é feita. Hoje, para nos lembrarmos de alguém, tiramos fotografia. Antigamente não existia esta técnica e então se fazia uma imagem para que a pessoas fosse lembrada. Hoje ainda é usado isto, quando se quer homenagear alguém, fazemos estátua nas praças ou um busto que nos lembra um personagem importante de nossa história.
É bom termos clareza nisto: a imagem do santo nos ajuda a lembrarmos do santo. Sabemos que ele não está ali.  Neste aspecto sabemos que não traímos a Palavra de Deus nos nossas imagens. O que fazemos é nos lembrar daqueles que nos servem de estímulo para nossa caminhada e para isto utilizamos as imagens.
Que Deus nos ajude a entender e sermos perseverantes na sua Palavra.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Jo 2, 13-25 - LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR).
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Bendito sejais para sempre, pela vossa bondade e vosso amor para conosco. Sois um Pai preocupado em nos mostrar o caminho que nos levará à vida plena de felicidade.
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Vos agradecemos por nos dar os ensinamentos e as leis que nos auxiliam em nossa caminhada. Dai-nos força e coragem para não desanimarmos.
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Vos louvamos pela vossa bondade nos enviando Vosso Filho para nos instruir e nos transformar em pedras vivas deste novo Templo em que habitais.
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Enviai-nos o Espírito Santo para que saibamos ver os valores do amor e do serviço a todos os irmãos.
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Santificado seja o vosso nome. Que vosso Reino venha a nós e a vossa vontade seja feita. Pai, ajudai-nos em todas a nossas dificuldades e sofrimentos.
T: Nós vos louvamos e agradecemos, ó Deus de amor.
- PAI NOSSO...  A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...

PAZ- JESUS É O NOVO TEMPLO E NÓS SOMOS AS PEDRAS VIVAS DESTE NOVO TEMPLO. JESUS REFLETE O AMOR DO PAI E NÓS DEVEMOS REFLETIR O AMOR DE JESUS A TODOS.
JESUS FOI AMOR, PERDÃO E MISERICÓRDIA.
NÓS DEVEMOS AMAR E ACOLHER A TODOS;
IRMÃOS, SAUDAI-VOS NA PAZ DE CRISTO...