quinta-feira, 14 de junho de 2018

11º Domingo do T. Comum, homilias, subsídios homiléticos


11º Domingo do T. Comum (Diácono Ismael ) 2018
TEMA: “Eu, o Senhor, digo e faço!”; É Deus quem nos conduz para vida plena.

Sinopse:
Primeira leitura: Ezequiel diz que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Deus, que é fiel, não desistirá de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz sem fim.
Evangelho:  É uma catequese sobre o Reino de Deus. Sem pressa, a semente lançada por Jesus fará com que esta realidade vá, aos poucos, dando lugar ao novo céu e à nova terra que Deus quer oferecer a todos.
Segunda leitura: a vida nesta terra, marcada pela finitude, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus. O Reino de Deus só atingirá a sua plenitude no final dos tempos.

PRIMEIRA LEITURA (Ez 17,22-24) Leitura da profecia de Ezequiel.
Assim diz o Senhor: “Eu tirarei um galho do cedro; ...e ...Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros... E todos as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a arvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a arvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço”.

AMBIENTE - No ano de 609 a. C., o faraó Necao derrotou o rei Josias e colocou no trono de Judá Joaquim. Contudo, em 605 a.C., Nabucodonosor derrotou as tropas assírias e egípcias e assumiu o controlo da Palestina. Joaquim ficou pagando tributos aos babilônios. Em 601, Joaquim se voltou contra o domínio babilônico. Nabucodonosor reagiu sitiando Jerusalém, em 598 a.C. e Joaquim foi deportado para a Babilônia. Nabucodonosor colocou no trono de Judá Sedecias. Ao fim de algum tempo, Sedecias aliou-se com os egípcios e deixou de pagar o tributo. Nabucodonosor cercou Jerusalém e Sedecias, foi feito prisioneiro, foi levado para a Babilônia. Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilônia no meio dos exilados judeus.  Ezequiel anuncia que Deus não abandonou o seu Povo, mas irá construir com ele uma história nova, de salvação e de graça.

MENSAGEM - Deus não esqueceu a promessa feita, através do profeta Natan, na qual assegurou a David a continuidade do seu trono. Ele próprio vai tomar um “ramo novo”, plantá-lo na montanha de Israel, fazê-lo dar frutos e torná-lo uma árvore resistente e de grande porte – ou seja, irá restabelecer a dinastia davídica em Jerusalém, assegurando ao seu Povo um futuro pleno de vida, de felicidade e de paz sem fim.
    O poder dos impérios humanos nada pode contra Deus que é o Senhor da história e que, com paciência e amor, vai concretizando o seu projeto. Deus não falha, não esquece os seus compromissos, não abandona esse Povo com quem se comprometeu. Mesmo na angústia e no sofrimento, Israel tem de aprender a confiar nesse Deus que é sempre fiel às suas promessas. Deus torna aquilo que é pequeno aos olhos dos homens (“um ramo novo”) e, através dele, vence o orgulho e a prepotência, e exalta os humildes. Deus prefere os pequenos, os débeis, os pobres (aqueles que na sua humildade e simplicidade estão sempre disponíveis para acolher os desafios e os dons de Deus); e é através deles que concretiza os seus projetos de salvação e de graça.

ATUALIZAÇÃO **¨ Deus conduz sempre a história humana de acordo com o seu projeto de salvação e mantém-se fiel às promessas feitas ao seu Povo. Não estamos abandonados à nossa sorte; Deus não desistiu desta humanidade que Ele ama e continua a querer salvar. Deus continua a acompanhar cada passo que damos e a apontar-nos caminhos de vida. A última palavra será sempre de Deus. Temos de vencer o medo e dar aos homens um testemunho de esperança, de confiança.

EVANGELHO (Mc 4,26-34) Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra por si mesma produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para apresentá-lo? O Reino de Deus é como o grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior que todas as hortaliças e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

AMBIENTE - Para fazer chegar a todos a sua proposta, Jesus utiliza uma linguagem acessível, viva, pedagógica. Estamos na Galileia, nos primeiros tempos do anúncio do Reino. As “parábolas” são uma linguagem habitual na literatura dos povos do Oriente Médio: A parábola é um bom instrumento de diálogo, sobretudo em contextos polêmicos.

MENSAGEM - A primeira parábola interessa apenas que, entre o plantio e a colheita, a semente vá crescendo e amadurecendo, sem que o homem intervenha para impedir ou acelerar o processo. A questão essencial não é o que o agricultor faz, mas o dinamismo vital da semente. O resultado final não depende dos esforços e da habilidade do homem, mas sim do dinamismo da semente que foi lançada à terra. Desta forma, o narrador ensina que o Reino de Deus (a semente) é uma iniciativa divina: é Deus quem atua no silêncio da noite, no tumulto do dia ou na turbulência da história para que o Reino aconteça; e nenhum obstáculo poderá frustrar o seu plano. Provavelmente, a parábola é dirigida contra todas as frentes que pretendiam forçar a vinda do Reino – a dos zelotas que queriam instaurar o Reino através da violência das armas, a dos fariseus que pretendiam forçar o aparecimento do Reino com a obediência a uma disciplina legal, a dos apocalípticos que faziam cálculos precisos sobre a data da irrupção do Reino. Não adianta forçar o tempo ou os resultados: é Deus que dirige a marcha da história e que fará com que o Reino aconteça, de acordo com o seu tempo e o seu projeto. Desta forma, a parábola convida à serenidade e à confiança nesse Deus que não dorme nem se demite e que não deixará de realizar, a seu tempo e de acordo com a sua lógica, o seu plano para o mundo.
A segunda parábola é a do grão de mostarda. O narrador põe em relevo o contraste entre a pequenez da semente e a grandeza da árvore. A comparação serve para dizer que a semente do Reino lançada pelo anúncio de Jesus pode parecer insignificante, mas  atingirá todos os cantos do mundo. Além disso, a parábola retoma um tema: Deus serve-Se de algo que é pequeno e insignificante aos olhos do mundo para concretizar os seus projetos de salvação e de graça em favor dos homens.
A parábola é um convite à esperança, à confiança e à paciência. Nos fatos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e normalidade de cada dia, na insignificância dos meios, esconde-se o dinamismo de Deus que atua na história e que oferece aos homens caminhos de salvação e de vida plena.

ATUALIZAÇÃO **¨ Deus tem um projeto destinado a oferecer aos homens a vida e a salvação. Pode parecer que a nossa história caminha entregue ao acaso ou aos caprichos dos líderes; mas é Deus que conduz a história. Deus caminha conosco e, leva-nos pela mão ao encontro de um final feliz.
**¨ Jesus propôs um caminho novo; lançou a semente da transformação dos corações, de forma a que a vida dos homens se construa de acordo com os esquemas de Deus. Essa semente não foi lançada em vão: está entre nós e cresce por ação de Deus. Resta-nos acolher essa semente e deixar que Deus realize a sua ação. Resta nos também, como discípulos de Jesus, continuar a lançar essa semente do Reino, a fim de que ela encontre lugar no coração de cada pessoa.
**¨ Os que, continuando a missão de Jesus, anunciam a Palavra (que lançam a semente) não devem preocupar-se com a forma como ela cresce e se desenvolve. Devem, apenas, confiar na eficácia da Palavra anunciada, conformar-se com o tempo e o ritmo de Deus, confiar na ação de Deus e no dinamismo intrínseco da Palavra semeada. Isso equivale a respeitar o crescimento de cada pessoa, o seu processo de maturação, a sua busca de caminhos de vida e de plenitude. Não nos compete exigir que os outros caminhem ao nosso ritmo, que pensem como nós, que passem pelas mesmas experiências e exigências que para nós são válidas. Há que respeitar a consciência e o ritmo de caminhada de cada homem ou mulher – como Deus sempre faz.
**¨ Por vezes, é naquilo que é pequeno, débil e aparentemente insignificante que Deus Se revela. Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e é deles que Deus Se serve para transformar o mundo. Atitudes de arrogância, de ambição desmedida, de poder a qualquer custo, não são sinais do Reino. Sempre que nos deixamos levar por tentações de grandeza, de orgulho, de prepotência, de vaidade, estamos a frustrar o projeto de Deus, a impedir que o Reino de Deus se torne realidade no mundo e nas nossas vidas.

Sinopse: A Palavra de Deus age dentro do cristão por uma força própria, graças ao Espírito Santo que a acompanha. Cientista nenhum consegue fabricar uma semente, e nós não entendemos o segredo dela. O mesmo acontece com a Palavra de Deus. Nós não entendemos a ação do Espírito Santo. No caso da semente de mostarda, ficamos admirados com o contraste entre a pequenez da semente e a grandeza do arbusto, que chega a dois metros de altura. As nossas Comunidades cristãs são às vezes pequenas, fracas e crescem devagar. Pouca gente participando, a maioria pobres, humildes e sem grandes capacidades. Mas a sua força transformadora é enorme.
Por outro lado, o reino do mal cresce rápido, tem poder e força diante das estruturas opressoras.
Por isso, muitos cristãos são tentados a desanimar, a desacreditar nos critérios cristãos e passam a ser lobos no meio de lobos. Em vez de virar a outra face, dar também a túnica para quem lhe toma a capa, passam a usar a violência. Ao invés da verdade e da paz, passam a usar as armas do mundo: A mentira, a violência... Colocam a eficácia, isto é, os resultados, acima do testemunho e do exemplo de vida. Isso significa uma aliança com os corruptos, abandonando os critérios cristãos. Isto é falta de fé na força de Deus, que age através da pequenez e da fraqueza humana. O que Jesus quis com a parábola da semente de mostarda foi dar-nos ânimo, confiança, esperança e perseverança, para anunciarmos com transparência e sem “rabo preso” o Reino de Deus.

SEGUNDA LEITURA (2Cor 5,6-10) Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor. Por isso, também nos empenhamos em ser agradáveis a ele, quer estejamos no corpo, quer tenhamos deixado essa morada. Aliás, todos nós temos de comparecer às claras perante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito ao longo de sua vida corporal.

AMBIENTE - Paulo reflete sobre a grandeza e as dificuldades do ministério apostólico. Vale a pena acolher os desafios de Deus: no final do caminho nesta terra, espera-nos uma vida nova, uma vida plena e eterna.

MENSAGEM - A vida terrena, para Paulo, é um exílio “longe do Senhor”; é o tempo da fé. Para Paulo, os crentes enquanto “habitam este corpo” mortal, devem viver de acordo com as exigências de Deus e caminhar à luz da fé; o destino final de todos é o encontro com o Senhor, a vida plena e definitiva.

ATUALIZAÇÃO *¨ A cultura atual é uma cultura do provisório, do imediato e do momento. É também uma cultura do bem-estar material: o reinado do “ter” sobre o “ser”, escraviza o homem e relativiza a sua busca de eternidade. É necessário que tenhamos sempre diante dos olhos a nossa condição de “peregrinos” nesta terra e que aprendamos a dar valor àquilo que tem a marca da eternidade. O fim último da nossa existência não está nesta terra; o nosso horizonte deve apontar para a vida plena e definitiva.
*¨ Contudo, o fato de vivermos a olhar para o mais além não pode levar-nos a ignorar as realidades terrenas e os compromissos com a construção da cidade dos homens. O Reino de Deus  começa a ser construído nesta terra e exige o nosso compromisso pleno com a construção de um mundo mais justo, mais fraterno, mais verdadeiro. Não há comunhão com Cristo se nos demitimos das nossas responsabilidades em testemunhar os gestos e os valores de Cristo.
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A Semente

A Liturgia desse domingo nos oferece a oportunidade  de refletir sobre a Vida e a Ação da Igreja de hoje.  As reações e atitudes são as mais diversas…

- Uns tradicionais, preocupados com as mudanças, desabafam:
"A Igreja não é mais aquela… Se a Igreja não fizer alguma coisa logo, vai perder seus adeptos… "
- Outros, que se dizem progressistas, lutam impacientes com todos os meios, até violentos, para introduzir transformações mais eficientes…

A Palavra de Deus de hoje afirma que o Reino de Deus não é obra dos homens, é obra de Deus e
que a Comunidade Cristã deve ter confiança total na ação de Deus.

A 1ª Leitura lembra que a árvore nasce de um pequeno REBENTO. (Ez 17,22-24)

O Povo vivia no exílio e na escravidão, sem perspectivas de libertação.
Ao profeta Ezequiel Deus transmite uma mensagem de ESPERANÇA:
Deus não se esqueceu do seu povo.
Ele irá até a Babilônia, tomará um ramo da dinastia de Davi e o plantará no alto de uma montanha da terra de Israel.
O pequeno rebento crescerá e se tornará um cedro magnífico, no qual os passarinhos farão seus ninhos.
- Jesus será o rebento do majestoso cedro que Deus plantou na Terra.
As aves, que vêm pousar em seus ramos, representam todos os povos do mundo, convidados a encontrar sua morada nas suas ramagens.

Na 2ª Leitura, Paulo, no final de sua vida, cansado pelos anos e pelas provações, deseja repousar para sempre com Deus e com Cristo. Mas está disposto a continuar na luta com todas as suas forças, enquanto Deus quiser. (2Cor 5,6-10)

No Evangelho Jesus compara o Reino de Deus a uma SEMENTE. (Mc 4,26-34)

- Jesus iniciara com sucesso sua atividade missionária.
Todavia o primeiro entusiasmo foi cedendo espaço ao desânimo dos discípulos e às hostilidades dos adversários. Qual seria o futuro da missão de Jesus?

- O texto reflete também a situação vivida pelas primeiras comunidades cristãs.
Após o entusiasmo inicial, sentem-se dominados pelo desânimo, pelas dúvidas, pelas crises e pelo abandono da fé.

Marcos usa DUAS PARÁBOLAS de Jesus para superar essas crises da comunidade:
A Semente e o Grão de Mostarda.
Elas revelam a natureza e a dinâmica do Reino, que está acontecendo na vida de Jesus e continua se realizando na comunidade da Igreja.
1. A Parábola da Semente fixa o ritmo de crescimento do Reino de Deus: o processo é lento. O colono semeia e aguarda com paciência. A semente vai germinando e crescendo lentamente, mesmo sem a participação do lavrador.
 * A força vital de Deus age, garantindo o sucesso da colheita, da Missão. Os frutos não dependem de quem a semeou, mas da força da semente. O crescimento do Reino depende da ação gratuita de Deus.

2. O Grão de Mostarda destaca o grandioso resultado da ação de Deus.
A proposta do Reino, uma semente pequena e insignificante no começo, torna-se proposta universal, aberta a todas as nações e povos, que vão aderindo ao projeto de Deus, semeado por Jesus.
Assim o Reino de Deus é uma árvore frondosa, ampla e acolhedora.

+ O que dizem essas Parábolas para nós, hoje?

- Certas pessoas andam preocupadas porque os grupos são pequenos.
  As comunidades conscientes e comprometidas são cada vez mais raras, as equipes reduzidas, as pastorais caminhando com pouca gente.
  Elas têm como referência uma religião de sucesso, com estádios cheios, celebrações pomposas...
- Certos pais e educadores gostariam que a semente da Palavra produzisse logo os frutos da sua eficiência. E não enxergam o resultado...
  E angustiados se perguntam: "Vale a pena continuar semeando?"

  Nas parábolas, Jesus dá uma resposta, que nos restitui a alegria e o otimismo.

+ Após ter semeado, o que nos resta fazer?
   Ser paciente e perseverar… SEMEAR E SABER ESPERAR… confiando plenamente que o que foi feito, não foi em vão.
   Depois de anunciada, a Palavra penetra nas mentes e nos corações, e quem já a escutou nunca mais consegue permanecer o mesmo.
   O tempo da colheita virá, mas só Deus sabe o dia e a hora. Ninguém pode apressar o Reino de Deus.

+ Qual é a nossa atitude diante do agricultor, que SEMEIA com generosidade e sabe ESPERAR com paciência?

   - Temos FÉ na força íntima da semente, mesmo quando não vemos os frutos?
   - Estamos convencidos de que o Reino de Deus é mais obra de DEUS, do que fruto do trabalho humano?

O Reino de Deus é uma pequena semente. Somos convidados a continuar semeando com fé e confiança.
- Vale a pena semear!... Só assim poderemos colher!...


                                                                                  Pe. Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas e quando estava sozinho, explicava tudo aos discípulos. Eu tenho certeza de que aqui ninguém tem dúvidas de que somos discípulos do Senhor. Por isso, aquilo que é dito em forma de parábolas para o mundo, para nós, somos convidados a atentar um pouco mais o ouvido, porque para nós, Ele explica em detalhes. Não é que Deus nos trata com privilégio, mas é que nos é exigido um pouco mais. Hoje, temos um grande convite da parte de Deus, que é confiar na sua Palavra. A primeira Leitura se conclui dizendo: “Eu falo e Eu faço”. Como é que eu posso constatar isso? Na medida em que eu crio o hábito em confrontar o que Deus fala, com o que se realiza. Isto não é uma prática de todo ser humano, mas somente daqueles que crêem em Deus, que crêem em sua Palavra. Mas Ele se parece com o lavrador, pois se o lavrador não tivesse esperança e fé, de que a semente vai dar frutos, ele não plantaria. Ninguém trabalha esperando nenhum resultado. Qualquer trabalho é na esperança de algum resultado. Se eu sei que não vai germinar nada, para que gastar minha energia lançando semente? O lavrador confia na terra. O lavrador confia na semente. O lavrador confia no seu trabalho. Quando Jesus lança mão dessa realidade, é para ajudar toda a humanidade a compreender, que por menor que seja o gesto que eu realizo, ele dará frutos. Como é que eu vou comparar isso? Com o grão de mostarda. Ela é tida como a menor das sementes, entretanto, ela quando frutifica, até os pássaros se abrigam ali. A Palavra de Deus nos convida a pensar; não é necessário eu ser um grande cedro, uma grande árvore. Também não preciso ser uma árvore pequenina, simplesmente sou convidado a ser sinal da vida para a humanidade. Quando olho para uma árvore viçosa, bonita, eu digo: esta árvore, de fato, é uma árvore bonita. Ora, é assim que somos chamados a ser. Este sinal da beleza de Deus, que no fundo retrata  toda beleza do Criador. Quando eu me dou conta quando lanço a semente e dali brotam os frutos, eu me dou conta que Deus continua realizando a sua obra como Criador. Também me dou conta, que o mesmo pedido que foi feito a Adão, é feito para cada um de nós: “crescei, multiplicai e dominai a terra”. Dominar não significa impor-se sobre a terra ou sobre qualquer outra coisa. Dominar significa ter a mesma atitude do Senhor, dominar; ter atitude de Senhor. Ora, o Senhor cuida de cada planta, Ele cuida da produção de cada semente, sem que o homem saiba como, diz o Evangelho. Ele sabe que primeiro vem a folhagem, depois a espiga e depois os grãos da espiga. Assim também, se nós confiamos na palavra de Deus e se nós estamos dispostos a ter a atitude de Deus, somos chamados a semear o Reino e o restante é por conta de Deus. Assim como a semente brota, sem que o homem faça todo o processo, o homem somente semeia, assim é o Reino de Deus. Porque o Reino é de Deus. Agora, como realizar tudo isso? São Paulo nos deixa um questionamento profundo; enquanto nós estamos neste mundo, porque não vamos estar sempre aqui não, ele diz, é bom realizar as obras que Deus espera de nós, porque um dia virá a nossa recompensa; virá um prêmio ou um castigo. Aqui, entramos num entrave muito complicado; porque se nós aprendemos que Deus não castiga ninguém, como é que Paulo fala de castigo? Agora, nós precisamos ter uma visão do conjunto. Se eu não quero viver em comunhão com Deus, se eu não aceito Jesus Cristo, ou seja, não aceito amar, se eu não aceito ser bom, se eu não quero ser ajuda para o irmão, se eu quero pensar somente em mim, ora, quando eu me encontrar com Deus, será um inferno. Você já imaginou viver eternamente perto de quem você não suporta? Eternamente? Esse é um grande castigo. Por que? Porque o próprio Evangelho diz que Ele veio para que ninguém se perca. Então, todos estarão reunidos ao lado de Deus. Só que, aquele que procurou a vida inteira viver os ensinamentos de Deus, isto é um prêmio, viver ao lado de Deus, finalmente eu vou poder experimentar tudo aquilo que procurei construir ao longo de minha vida. Mas, aquele que sempre foi contrário, vai dizer: agora eu preciso viver eternamente o amor, a comunhão, aquilo que eu nunca aceitei a vida inteira? O castigo, bem entendido por nós, é viver o amor, quando eu não quero amar. Agora, convenhamos, de cada dez que diz que não crê em Deus, nove, na realidade, não crê na imagem de Deus que lhe foi transmitida. Por que? Porque custa acreditar que alguém não queira viver o amor, custa acreditar que alguém não queira ser amado. O grande problema do ser humano, qual é? Ele se sentir infeliz quando não é amado. Como é que ele pode dizer que não aceita Deus, se Deus é amor. É que na realidade, a visão que ele tem de Deus, nem sempre corresponde a visão verdadeira de Deus. Muitas vezes, no entanto, ele se alegra com tudo aquilo que Jesus realiza. Eu nunca vi alguém contestar um gesto de Jesus, mesmo quem não crê em Jesus, todo mundo reconhece que Jesus só realizou o bem. Entretanto, por que não aceitar Jesus? Porque, muitas vezes, lhe foi transmitido uma imagem, uma visão tão distorcida, que ele diz: esse Jesus eu não quero. Quando ele se dá conta de que Jesus é o amor em pessoa, de que Ele veio para revelar o amor de Deus, de que de fato, Jesus quer que todos tenham vida e vida em plenitude, abundância, que todos se realizam como ser humano, é claro que dificilmente alguém rejeitará essa proposta. Então, não há o que temer. Na realidade, aquilo que é chamado de castigo, é exatamente, nos darmos conta de que prevaleceu o amor. Nem sempre o amor é cultivado no mundo. É evidente que o julgamento existe. Se Deus sempre promove o amor e se alguns, a sociedade promove o ódio, como o amor vencerá, então, aqueles que promoviam o contrário, se sentirão derrotados. Esse é o castigo. Então, não é, realmente que Deus castiga, mas é que as pessoas acabam experimentando o amor de Deus e por conta de não terem apostado no amor, se sentirão perdedores. É assim que São Paulo procura explicar. Da nossa parte, como seria bom se pudéssemos adotar o provérbio “zumis” como proposta de vida. O provérbio diz: “assim como a árvore está plantada ao lado do rio e dali retira todo o seu sustento, assim também nós, queremos nos plantar na Palavra de Deus, para dessa Palavra tirarmos tudo aquilo que é necessário para vivermos com alegria e felicidade, de que um pequeno gesto, como o grão de mostarda, pode dar muitos frutos no mundo.
Que jamais percamos, em primeiro, a fé,  de que um pequeno gesto, como o grão de mostarda, pode dar muitos frutos no mundo.
Segundo, que jamais percamos a esperança. O Pai Nosso diz: não nos deixes cair em tentação. A grande tentação é achar que o bem nunca vai vencer, quando na realidade, já venceu a muito tempo.
Terceiro, e aqui é um ponto muito importante; os primeiros cristãos eram todos missionários. Hoje, somente os missionários são cristãos. Então, que possamos ser missionários, semear a semente no mundo, para que, a exemplo da árvore que nos chama a atenção, o sinal do amor chame o mundo à alegria e ao amor de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO


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Homilia de D. Henrique Soares

Mc 4,26-34
Ação de Deus
Haverá um tempo de colheita
Englobará todos os povos
Tão simples o evangelho de hoje; tão doce, tão cheio de sabedoria! Estejamos atentos, porque o Senhor nos falado Reino de Deus, Reino que começa aqui, experimentado quando nos abrimos para o anúncio de Jesus; Reino que será pleno na glória, quando cada um de nós e toda a humanidade, com a sua história, entrar, um dia, na plenitude do coração da Trindade santa.
O que nos diz o Senhor? Diz-nos que o Reino de Deus não é daquelas coisas vistosas, midiáticas, de sucesso humano. O Reino vem de modo humilde e se manifesta nas coisas pequenas… Pequenas como um grãozinho jogado na terra, como uma semente de mostarda, como um brotinho frágil e sem aparente valor… Quantas vezes buscamos os sinais da força de Deus na força humana, nos grandes eventos, nas realidades grandiloqüentes. Não, na é aí que se encontra o Reino. O Reino é como o próprio Jesus: aquele brotinho, retirado da ponta da grande árvore da dinastia de Davi… aquele brotinho pobre, da carpintaria de Nazaré, donde nada que prestasse poderia vir… Ah, irmãos! Os modos de Deus, a lógica de Deus, o jeito de Deus! Como tudo é tão diverso de nossas expectativas!
Outra lição de hoje: o Reino vem aos poucos. Inaugurado e plantado definitivamente no chão deste mundo pelo nosso Jesus, ele irá crescendo como a semente, como o grão de mostarda, aos poucos. Somos tão impacientes, gostaríamos tanto que Deus respeitasse nossos prazos. Mas, não! Se os pensamentos do Senhor não são os nossos, tampouco seus tempos são iguais aos da gente! Atentos, irmãos, porque somente perseverará na paciência aquele que souber adequar-se aos tempos de Deus. E Deus contempla o tempo na perspectiva da eternidade e não das nossas pressas… Assim vai o Reino, brotando humildemente na história e no coração do mundo, de um modo que somente quem reza e contempla pode perceber…
Ainda uma outra lição do Senhor: Nós, filhos de um mundo tão pragmático e auto-suficiente, temos tanta dificuldade em perceber a ação de Deus. Coitados que somos! Pensamos que nós é que fazemos, que nós é que somos os sujeitos últimos do mundo e da história! Presunçosa ilusão! É Deus quem, humilde, forte e fielmente, faz o Reino desenvolver-se na potência do Espírito. Que diz o Senhor? “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece!” Que imagem doce, bela, delicada… Nós, com a graça de Deus, vamos plantando o Reino que Cristo trouxe. Como plantamo-lo? Plantamos quando nos abrimos à graça, plantamos com nosso exemplo, plantamos com nossa palavra, plantamos com nossa ação… Mas, cuidado! É o próprio Deus, com a energia do Santo Espírito, quem faz o Reino crescer: é obra dele, não nossa. São Paulo não nos dizia? Um é o que planta, outro, o que rega, mas é Deus quem faz crescer… É assim, caríssimos, que, num mundo aparentemente esquecido por Deus, Deus vai agindo, tomando nossas pobres sementes e fazendo-as desabrochar no seu Reino, vigor, paciência e suavidade…
Um dia, diz Jesus, chegará o momento da colheita. Haverá um fim na história humana, caríssimos e, então,“todos deveremos comparecer às claras ante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito na sua vida corporal”. Não adiante querer esquecer, de nada serve fingir que não sabemos: aqui estamos de passagem, aqui, vamos semeando o Reino que Jesus trouxe e que Deus mesmo faz crescer; mas, a colheita definitiva não será nesta vida, pois o Reino que começa no tempo, haverá de espraiar-se na eternidade; o Reino que deve fecundar a história somente será pleno e definitivo na glória. Quanta é grande a tentação, hoje em dia, de nos ocuparmos com tantas futilidades, esquecendo que aqui estamos de passagem e somente lá é que permaneceremos para sempre! Como seríamos mais livres, equilibrados, seremos, se recordássemos essa realidade. Como teríamos o cuidado de viver de tal modo, que não perdêssemos o Reino. Sim, caros, porque é possível ficar fora do Reino! Não entrará no Reino quem não permitir que o Reino entre em si. Em certo sentido, não somos nós quem entramos no Reino, mas o Reino que entra em nós! Abrir-se para o Reino, é abrir-se para o Cristo Jesus! Abramo-nos para ele e ele nos abrirá o sue Reino!
Uma última lição de Jesus para nós, hoje: o seu sonho é que todos entrem no seu Reino, naquela casa do Pai, na qual há muitas moradas! É por isso que, na primeira leitura, pousarão todos os pássaros à sombra da ramagem da árvore que é o Messias, e as aves aí farão ninhos. O mesmo Jesus diz do Reino, comparado ao pequeno grão de mostarda que germina e se torna arvora frondosa. Eis, caríssimos, o Senhor nos ama a todos, nos deseja a todos, nos chama a todos! Se lhe dermos ouvidos, se aprendermos o compasso do seu coração, experimentaremos a alegria do Reino já nesta vida, com provações, e, um dia, haveremos de saboreá-lo por toda a eternidade! – Senhor Jesus, dá-nos, pois, a graça de abrir as portas do nosso coração e do coração do mundo para o Reino do Pai que anunciaste e inauguraste! Venha o Reino na potência do teu Espírito que habita em nós e no coração da Igreja! E que através de nós, ele se faça sempre mais presente no mundo. Amém.
 D. Henrique Soares

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Momento de Louvor (Diáconos e Ministros Extraordinários da Palavra):

Louvor: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
- O senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor Nosso Deus...

- Elevemos ao Pai o nosso louvor dizendo:
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor!
: Nós vos damos graças, ó Pai, por toda a vossa criação e por tudo o que fizestes no meio de nós, por meio de Jesus Cristo, vosso Filho e nosso irmão.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
: Enviai sobre nós, aqui reunidos, o vosso Espírito e dai a esta terra que nos sustenta uma nova face. Que haja paz em nossas famílias e cresça em nossa comunidade a alegria de sermos vossos.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
: Pela palavra do Evangelho de vosso Filho, fazei que as Igrejas do mundo inteiro caminhem na unidade e sejam sinais da presença do Cristo ressuscitado. Tornai esta comunidade cada vez mais sinal da vossa bondade.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
: Lembrai-vos, ó Pai, dos nossos irmãos, que morreram na paz do Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé vós conheceis: acolhei-os na luz da vossa infinita misericórdia.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
: Ó Deus, criador do céu e da terra, os nossos louvores e nossas preces cheguem a vós pelas mãos daquele que é nosso único mediador, Jesus Cristo nosso Senhor.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
: PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO....




quinta-feira, 7 de junho de 2018

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilias, Subsídios homiléticos


10º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2018 ANO B    

SÍNTESE: (adaptada pelo Diácono Ismael)

Tema: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
O Evangelho: Muitos não aceitaram e muitos não aceitam a Jesus como enviado de Deus Pai.
A primeira leitura nos mostra o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência. Viver à margem de Deus leva ao sofrimento, destruição, infelicidade e morte.
A segunda leitura nos lembra que para o cristão, o que dá sentido a nossa vida é a certeza da ressurreição. O nosso alento é saber que já somos cidadãos do céu e como ainda estamos no mundo, vivemos dificuldades e sofrimentos, aguardando o dia de nossa Glória.

PRIMEIRA LEITURA (Gn 3,9-15) Leitura do Livro do Gênesis.
...“Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”.... Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão  disse: “A mulher que tu me deste ...me deu do fruto da árvore, e eu comi”. E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “...serás maldita...! Rastejarás ...e comerás pó...! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

AMBIENTE - O Gn 2,4b-3,24 é um texto do séc. X a.C., na época do rei Salomão. A finalidade do autor é teológica: ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem está Jahwéh e que na origem do mal estão as opções erradas do homem; É catequese.  Deus criou o homem para a felicidade… Então, como é que hoje conhecemos o egoísmo, a injustiça, a violência? A resposta é: o homem que Deus criou livre e feliz fez escolhas erradas e introduziu na criação boa de Deus dinamismos de sofrimento e de morte.

MENSAGEM - A vergonha e o medo de Adão são sinais de uma ruptura com a situação de inocência anterior, de harmonia, de serenidade e de paz. Chegou a esta situação Desobedecendo a Deus.
A “árvore do conhecimento do bem e do mal” – significa o orgulho, a autossuficiência, o prescindir de Deus e das suas propostas, o querer decidir por si só o que é bem e o que é mal, o pôr-se a si próprio em lugar de Deus, o reivindicar autonomia total em relação ao criador. Daí a vergonha e o medo.
Ao defender-se, o homem acusa a mulher e, ao mesmo tempo, acusa veladamente o próprio Deus (“a mulher que me deste deu-me do fruto da árvore e eu comi”). Adão representa a humanidade que, mergulhada no egoísmo e na autossuficiência, esqueceu os dons de Deus e vê em Deus um adversário; Escolher caminhos contrários aos de Deus não pode senão conduzir a uma vida de ruptura com Deus e com os outros irmãos.
Vem, depois, a “defesa” da mulher: “a serpente enganou-me e eu comi”. Entre os povos cananeus, a serpente estava ligada aos rituais de fertilidade e de fecundidade. Os israelitas deixavam-se fascinar por esses cultos e abandonavam Jahwéh para seguir os rituais religiosos dos cananeus e assegurar, assim, a fecundidade dos campos e dos rebanhos. Na época, a serpente era o “fruto proibido”, que seduzia os crentes e os levava a abandonar a Lei de Deus. A “serpente” é, neste contexto, um símbolo literário de tudo aquilo que afastava os israelitas de Jahwéh. A humanidade ignorou a Deus e as suas propostas e seguiu seus próprios caminhos. Achou, no seu egoísmo e autossuficiência, que podia encontrar a verdadeira vida à margem de Deus.
A humanidade que pensou poder ser feliz em caminhos de egoísmo e de autossuficiência, à margem dos caminhos que foram propostos por Deus.
Que tem Deus a acrescentar? O nosso catequista jahwista sabe que a serpente é um animal miserável, que passa toda a sua existência mordendo o pó da terra. O autor vai servir-se deste dado para pintar, plasticamente, a condenação radical de tudo aquilo que leva os homens a afastar-se dos caminhos de Deus e a enveredar por caminhos de egoísmo e de autossuficiência.
O que é que significa a inimizade e a luta entre a “descendência” da mulher e a “descendência” da serpente? a interpretação judaica e cristã viu nestas palavras uma profecia messiânica: Deus anuncia que um “filho da mulher” (o Messias) acabará com as consequências do pecado e inserirá a humanidade numa dinâmica de graça.
Atenção: o autor sagrado está apenas ensinando que a raiz de todos os males está no fato de o homem prescindir de Deus e construir o mundo a partir de critérios de egoísmo e de autossuficiência.

ATUALIZAÇÃO - • O mal vem de Deus, ou vem do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus… Deus criou-nos para a vida e para a felicidade. O mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e autossuficiência. Quando o homem escolhe viver ignorando as propostas de Deus, constrói  sofrimento e morte.  
• O nosso texto deixa também claro que prescindir de Deus, leva o homem ao confronto com os outros. Nasce, então, a injustiça, a exploração, a violência. Os outros deixam de ser irmãos, para passarem a ser ameaças ao próprio bem-estar, à própria segurança, aos próprios interesses.
• A natureza deixa de ser, então, a casa comum que Deus ofereceu a todos os homens como espaço de vida e de felicidade, para se tornar algo que eu uso e exploro em meu proveito próprio, sem considerar a sua dignidade, beleza e grandeza.
Pretendeu libertar-se de Deus e tornou-se escravo de suas paixões e egoísmos.
A "serpente" seduziu e continua seduzindo o homem para se apropriar dos frutos proibidos...

Consequência: surge a desarmonia na natureza, com os homens, com Deus...
- O HOMEM não se encontra mais no lugar que lhe foi designado na Criação.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 129 (130)

No Senhor toda a graça e redenção!
• Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, / escutai a minha voz! / Vossos ouvidos estejam bem atentos / ao clamor da minha prece!
 • Se levardes em conta as nossas faltas, / quem haverá de subsistir? / Mas em vós se encontra o perdão, / eu vos temo e em vós espero.
• No Senhor ponho a minha esperança, / espero em sua palavra. / A minh’alma espera no Senhor / mais que o vigia pela aurora.
• Espere Israel pelo Senhor, / mais que o vigia pela aurora! / Pois no Senhor se encontra toda a graça / e copiosa redenção. / Ele vem libertar Israel / de toda a sua culpa.

EVANGELHO (Mc 3,20-35)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Jesus voltou para casa.... E de novo se reuniu tanta gente, que eles nem podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estavam fora de si.
**Os mestres da Lei diziam que ele estava possuído por Belzebu e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. Então Jesus ...falou-lhes...: Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se.
***Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa.
***... tudo será perdoado..., ...Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado.... Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau.”
***Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. ...Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” E, olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

COMENTÁRIO: Cresce a contestação à pregação  de Jesus. Os líderes judaicos manifestam a sua oposição à novidade do “Reino”. A cena se passa numa “casa”. Que casa é essa? É uma casa onde Jesus está pregando a Palavra onde « acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer». É também uma casa onde estão alguns especialistas da Lei (escribas). A “casa” representa essa comunidade judaica a quem Jesus dirige a pregação do “Reino”.
** Os Escribas dizem que ele está possuído por Belzebu. As autoridades religiosas andavam preocupadas, porque o povo estava deixando-as de lado e seguindo a Jesus. Isso devido aos contra testemunhos que elas davam. Os dirigentes religiosos apenas repetiam tradições antigas, e criavam um emaranhado de leis, cada vez mais complexas, que só os peritos podiam interpretar. E a Palavra de Deus, assim como a justiça e a fraternidade, ficavam esquecidas. Jesus, ao contrário, falava com clareza e dava exemplo com a própria vida, daquilo que falava. Ele libertava as pessoas de todos os males que tinham, do corpo, da alma e do espírito. Por isso, o povo se entusiasmava com ele e chamava a sua mensagem e gestos de Boa Nova. As autoridades religiosas ficavam com inveja e ao mesmo tempo com  preocupação, pois se continuasse assim, a religião deles iria acabar. Procuravam então desmoralizar Jesus diante do povo e desacreditá-lo. Mas, e os milagres que Jesus fazia, como explicar? Foi aí que tiveram a idéia de atribuir os milagres a Belzebu, o chefe dos demônios.
Entretanto, quando Jesus expulsa um demônio, por si desmente a afirmação deles. Saída que tiveram: Jesus age por Belzebu, o chefe dos demônios. É o próprio chefe dos demônios que expulsa os seus súditos.
Belzebu era o nome de um ídolo antigo dos pagãos. O povo havia tomado este nome para designar o chefe dos demônios. Jesus explica, através de uma comparação, que o argumento das autoridades era furado: Um reino divido contra si mesmo logo acaba. Uma família dividida se acaba.
E Jesus apresenta o motivo verdadeiro por que ele expulsa demônios: “Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar”. A casa é o possesso. O homem forte que toma conta da casa é o demônio. O que entra é Jesus. Portanto, Jesus é mais forte que todos os demônios, inclusive Belzebu. Com esse argumento, Jesus prova duas coisas. Primeira: Que não pelo poder do demônio que ele age. Segunda: Que ele é mais forte que todos os demônios.
***Os parentes correm em seu socorro por muitas razões: muito tempo fora da família, notícias contraditórias sobre a sua atividade, mensagem em contraste com a doutrina oficial dos escribas e fariseus, contato com os pecadores de quem é amigo, não seguimento da tradição dos antigos nem respeito pelo sábado; enfim, Jesus é considerado louco e herético. A intenção principal é reconduzi-lo ao caminho reto de um autêntico judeu; querem levá-lo para casa.
Há os que ficam de fora e os que estão dentro. Imagem atualíssima para nós hoje. Podemos andar por fora, arredios, ficar à porta, até nos chamarmos “católicos não praticantes”. Que significa isso? Ou se é ou não se é. Aí está de novo a radicalidade da opção por Jesus. Ou ficamos fora, ou estamos dentro da casa, unidos a Jesus, a escutá-lo e a segui-lo com todo o nosso ser, com todo o nosso coração.
****Blasfemar contra o Espírito Santo é atribuir ao demônio uma obra que é do Espírito Santo, e fazer isso por maldade, sabendo que é obra de Deus. Na prática, não é Deus que recusa a pessoa, mas a pessoa que o recusa e procura destruir as obras de Deus.
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Com a expressão, “quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, Jesus não está excluindo Maria, sua Mãe. Ao contrário, Ela não tem somente importância pela relação sanguínea com Ele, mas pela sua fé e dedicação incondicional ao projeto do Pai. A verdadeira família de Jesus é formada pelos que estão ao redor dele, em atitude de discípulos que fazem a vontade de Deus.
A relação mais intima com Jesus não se faz através do parentesco de sangue, mas na sintonia com sua prática libertadora.

* Maria era "Mãe" duplamente: porque gerou a Jesus e porque mais do que ninguém soube fazer sempre a vontade de Deus.
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SEGUNDA LEITURA (2Cor4,3-18-51) Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: ...nós também cremos e que aquele que ressuscitou Jesus nos ressuscitará também.... Por isso, não desanimemos. ...uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. De fato, sabemos que se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu, que não é obra de mãos  humanas, mas que é eterna.

COMENTÁRIO: Paulo apresenta suas convicções de fé: que Deus há-de ressuscitar-nos com Jesus e vai levar-nos para ficarmos eternamente em comunhão com Ele; o homem interior renova-se em cada dia na medida em que intensifica o seu olhar nas coisas invisíveis que são eternas. Em consequência, há que renovar constantemente esta opção pela habitação eterna, em comunhão plena com Deus. Coisas essenciais, ditas de modo claro, a exigir coerência àqueles que querem continuar a viver como autênticos discípulos de Cristo.

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO:

Irmãos e irmãs, podemos contemplar estas leituras a partir de vários pontos. Não dá para tratar de todos. Mesmo porque estamos aqui para Celebrar a Palavra de Deus e o que importa é a mensagem que podemos tirar destas leituras.
Na primeira leitura nós temos algo que pode ajudar cada um de nós. Normalmente, quando nós fazemos algo de errado, assim, quando nos questionam sobre o erro, nós queremos justificar logo de cara.  Quando não dá para justificar, agente procura transferir a responsabilidade para o outro. Veja o Adão; Deus pergunta: você comeu do fruto da árvore? A mulher me deu e eu comi. Pronto. Então, ele já está inocentado. Porque a final de contas, ela é que mandou eu comer. Pergunta à mulher; você deu? A serpente mandou e eu comi. Pronto. Também ela está inocentada. O interessante é que a serpente assume. É muito interessante. Então, é algo que nós precisamos levar em conta. Quando eu faço algo de errado, se eu confio em quem está me questionando, não há porque ter medo, não vou precisar explicar, devo apenas dizer; eu errei e agora me dei conta de que fiz errado. Pronto. Ou então, eu errei, me perdoe. Ou então, não sei se errei. Me mostre o erro. Porque são várias as situações onde até erramos pensando até estar fazendo o melhor possível.  Então, o outro vai me mostrar onde errei e pronto.  É assim que aprendemos a assumir os nossos atos e crescemos também. Agora, é muito interessante observar o lado inverso deste assunto. Porque São Paulo diz: diante das dificuldades que nos são apresentadas por falar a verdade, é o mínimo você sofrer, assim, um tempo. E se não destruir esta tenda, Deus nos dará uma tenda não feita por mãos humanas. O que significa? Ora, se eu não devo ter medo de falar a verdade, ainda que a verdade vai demonstrar o erro que eu cometi, por que ter medo de falar a verdade se esta verdade vem de Deus? Então, são dois aspectos importantes; errado ou certo, diante de Deus eu devo ter confiança e nunca medo. Porque Deus na sua misericórdia, tem toda condição de me acolher, mesmo no erro. A única coisa que ele espera é que possamos reconhecer o erro. Se lembra daquele fulano que entrou nas bodas, mas não trajava as vestes? O senhor da festa, claro é Deus, foi lhe perguntar: como é que você entro aqui sem as vestes adequadas? O mínimo que o senhor da festa esperava, é que ele dissesse; olha, eu entrei sem querer, eu não resisti e quis entrar, mesmo sabendo que não estava com roupa adequada... Ele simplesmente ignorou a pergunta. Ora, quando eu ignoro o questionamento feito por Deus, é sinal que eu não estou disposto a crescer. Se eu confio de fato em Deus, na medida que eu sou questionado, eu sou convidado a agradecer, dizendo: muito obrigado, meu Deus, eu nunca tinha pensado nisso e agora eu vejo que preciso crescer um pouco mais. Então, este é um ponto importante, que a primeira leitura começa dizendo: eu ouvi teus passos e me escondi, porque estava nu.  Quem diz que você está nu? Por acaso, comeste do fruto da árvore? Não vamos pensar nudeza aqui, a ausência de roupa, corpo pelado. Não! É uma nudez simbólica, onde me sinto nu, totalmente desarmado, para qualquer defesa. Ora, diante de Deus eu não preciso ter medo. Não preciso ter medo. Se não preciso ter medo quando me sinto indefeso, porque é aí que o Senhor se torna minha defesa; No Senhor, toda graça e redenção. Este é o Salmo:
• Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, / • Se levardes em conta as nossas faltas, / quem haverá de subsistir? / • No Senhor ponho a minha esperança, • Espere Israel pelo Senhor, / mais que o vigia pela aurora!
E assim por diante. Ainda que eu me encontre totalmente nu diante de Deus, assim mesmo, a minha confiança Nele deve prevalecer.
Temos muitas situações de nudez. Vou falar de quatro nudez. Esta nudez do diálogo entre Adão e Deus, nós já vimos. Está aí na primeira leitura de hoje: “ ouvi tua voz, estava nu e me escondi”. Esta é uma situação. Temos uma segunda situação: aonde, no horto das oliveiras, quando vieram para prender Jesus, todos fugiram e diz o Evangelho: que um rapaz, que estava apenas enrolado num lençol, para não ser agarrado, ele largou o lençol e foi embora nu. A outra situação.  Não é a situação de Adão, mas outra. Para preservar a vida dele, ele foge e não deseja testemunhar a sua amizade com Jesus. Isto que nós chamamos apelação; a pessoa apela para tudo, inclusive saindo sem roupa, não me comprometa, porque eu não quero testemunhar este Jesus.
Nós temos uma terceira situação de nudez, aonde, aliás, é uma das estações da Via Sacra, ali o texto fala com carinho, mas o sentido é o mesmo; despoja Jesus de suas vestes. Então, Ele é pregado na cruz nu, mas nem por isso, Jesus perde a compostura. O que é que eu quero dizer? Ele sabe em quem Ele depositou sua confiança. Então, Ele não tem porque se esconder, não tem porque fugir e não tem porque reagir. Ele quer mostrar ao mundo, que ele é ele mesmo em qualquer situação, mesmo estando nu. É assim que Ele vai salvar a humanidade, porque Ele não precisa de nenhum subterfúgio, de nenhum recurso, de nenhuma máscara, Ele não precisa de nada que possa lhe dar uma ajuda; Ele é o Senhor da história. Então, Ele se apresenta assim.
Tem uma quarta situação: tem várias outras, viu! Esta é bastante significativa; Eles estão pescando, depois da morte e ressurreição de Jesus, os discípulos estão no barco e alguém grita: é o Mestre! Então, Pedro pula na água, porque estava nu. Aí já é uma outra situação: diante de Deus, todos nós estamos nus. Todos. Porque, quem somos nós diante do Senhor? Aí é evidente que este é um gesto de respeito de Pedro para com o Senhor. Não na sua nudez, porque Deus que nos fez, Deus que nos vê com roupa ou sem roupa, não! O respeito diante do Mestre, pois não temos argumentos, a não ser a nossa fragilidade. Ora, agora temos algo importante; qual é a nudez que eu me identifico mais? Aquela em que eu jogo a responsabilidade para os outros? Aquela onde eu não quero testemunhar Jesus? Aquela em que eu dou a vida pelos irmãos? Ou aquela onde eu me dou conta que sou pequeno diante do Senhor? Qualquer uma destas situações pode nos ajudar a refletir.
Muito bem. Partindo disto, nós vamos ver o Evangelho. Veja que a reação que Jesus provoca, ela não é de indiferença. Cada um, diante de Jesus, toma uma atitude. E no caso, a família de Jesus achou que Ele estava fora de si. Fora de si significa não estar regulando bem da cabeça. Por outro lado, os mestres da lei dizem: ele faz tudo isso é por Belzebu. Ora, o que significa? A família de Jesus tem dificuldade em reconhecer nele alguém que vem para cumprir a vontade do Pai. É uma dificuldade reconhecer nele que ele veio cumprir a vontade do Pai. Eles não estão querendo, em momento algum, desmerecer o que Jesus está fazendo. Mas, os doutores da lei, não! Quando eles dizem é por Belzebu, eles estão tentando desqualificar, desmerecer, esvaziar toda a atitude de Jesus. Jesus então, coloca uma condição: primeiro: qual é a família que dividida vai se manter? Portanto, chamou a atenção da família dele; ou vocês me apoiam, ou vocês não tem futuro. Por outro lado, aqueles que acusam, não por ignorância, mas para menosprezar, caluniam alguém para esvaziar e desqualificar o seu trabalho, estes estão pecando contra o Espírito Santo. Porque estão impedindo as pessoas de ouvir aquilo que está sendo falado e ensinado.
Bom, nós já sabemos o final da história. Nossa Senhora vai estar no pé da Cruz. Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos, o que faz a vontade de Deus. Ela entendeu o recado e passa a acompanhar Jesus até lá. Também temos os parentes dele, que acompanham Jesus até a cruz também. Então, meus irmãos e minhas irmãs, veja que maravilhoso: diante de Deus podemos nos sentir nus. Não tem problema. Eu deposito minha confiança e passo a caminhar com Jesus. Na medida em que caminho, eu vou adquirindo tudo que é necessário para testemunhá-lo. Na medida em que vou testemunhando, eu vou mostrando ao mundo, que de fato o amor de Deus é maravilhoso, ao ponto que, se for preciso, eu poderei dar testemunho de Jesus, porque mesmo que acabarem com o meu corpo, Deus me dará outro na vida eterna. Isto é o MÁXIMO que podemos chegar no testemunho oferecendo nossa vida a Jesus. Então, que Jesus nos ajude a testemunhá-lo e nos ajude a crescer nesta caminhada.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.

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"A Origem do Mal"

Reiniciamos, no ano litúrgico, os domingos do tempo comum.
A Liturgia, através das leituras bíblicas, vai nos introduzindo
nos Mistérios de Deus e iluminando a realidade humana.

No Mundo em que vivemos, existem muitos males.
Nasce espontânea a pergunta: "Qual é a sua origem?"
Na busca de um responsável, somos levados a ACUSAR alguém como culpado.
A Bíblia tem uma resposta clara: a origem e a causa dessa situação é o pecado.
O homem rompeu a sua relação amorosa com Deus
e surgiu uma mudança essencial em sua vida.
Pretendeu libertar-se de Deus e tornou-se escravo de suas paixões e egoísmos.

A 1ª Leitura fala do primeiro Pecado no mundo, com Adão e Eva.  (Gn 3,9-15))

Esses capítulos da Bíblia não querem mostrar como aconteceu no início...
mas sim levar a refletir sobre o caos social em que viviam os homens
no tempo em que o autor sagrado escreveu.
Deus fez todas as coisas perfeitas. Por isso, esse mundo conturbado
não poderia ser o que Deus queria... Então como deveria ter sido?
- Qual é a causa e a origem de tudo isso?
A "serpente" seduziu e continua seduzindo o homem
para se apropriar dos frutos proibidos...

Consequência: surge a desarmonia na natureza, com os homens, com Deus...
- O HOMEM não se encontra mais no lugar que lhe foi designado na Criação.
  "Onde estás?" - Teve medo e se escondeu...
- Adão acusa Eva, Eva acusa a serpente...
- Sente-se "Nu", despojado a dignidade com que foi criado...
- Abala a ordem da natureza:
  Perde a fertilidade e produz espinhos e ervas daninhas...
- Mas a narrativa termina com uma Mensagem de Esperança:
  a luta entre a "serpente" e o homem continuará até o fim dos tempos.
  Mas a descendência da mulher conquistará a vitória final,
  esmagará a cabeça da "serpente".

* O PECADO é a origem do mal: rompeu a harmonia da criação de Deus.
   Para o autor sagrado, o PARAÍSO TERRESTRE é Saudades ou Esperança?

Na 2ª Leitura, Paulo manifesta seu interesse pela Comunidade de Corinto
e expõe os motivos pelos quais sofre com paciência:
a esperança da ressurreição gloriosa e a fé no prêmio que espera. (2 Cor 4,13-5,1)

No Evangelho, Jesus aponta o caminho para lutar contra o mal:
Convida aos que formam a "sua família", como Maria,
a fazer sempre a vontade de Deus. (Mc 3, 20-35)

Os familiares de Jesus chegam e, de fora, mandam chamá-lo.
Não entram; ele que deve sair: querem levá-lo de volta a Nazaré.
Estão preocupados... julgam que ele "está fora de si".
E Jesus: "Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?"
A Verdadeira família de Jesus, a partir de agora,
é formada pelos que estão ao redor dele e fazem a vontade de Deus.

Os doutores da lei pretendem desprestigiar o Mestre diante do Povo
e o acusam de endemoniado. Jesus contesta com duas imagens:
o reino dividido e uma família dividida: não se mantém de pé.

A Nova família de Jesus.
A verdadeira família de Jesus, a partir de agora,
é formada pelos que estão ao redor dele,
numa atitude de companheiros na ação libertadora, 
e que fazem a vontade de Deus.
A relação mais intima com Jesus não se faz através do parentesco de sangue, mas na sintonia com sua prática libertadora.
Só quem passa do estar fora para o estar dentro, com Jesus,
é que será considerado irmão, irmão e mãe de Jesus.

* Maria era "Mãe" duplamente: porque gerou a Jesus e
porque mais do que ninguém soube fazer sempre a vontade de Deus.

O pecado nasce e é fruto do orgulho.
- Adão acusa Eva... Eva acusa a serpente...
- Os judeus não aceitaram o desfio da conversão:
  e acusaram o Cristo como um endemoniado...
- E nós?  Procuramos sempre uma desculpa...

Reconhecer o próprio erro, por escabroso que seja,
é sempre mais dignificante e libertador
do que repassá-lo injustamente a outros.

Quem acusa está querendo se esconder atrás da acusação.
Quanto esposo acusando a esposa e vice-versa.
Quantos filhos acusando os pais e vice-versa.
Quantos adultos acusando os jovens e quantos jovens acusando os adultos.
Ouvimos toda hora parente contra parente, vizinho contra vizinho,
patrão contra empregado e empregado contra patrão.

Há acusações necessárias e justas.
Há acusações que devem ser feitas e que não merecem punição.
Mas, muitas vezes, a pessoa que acusa está se defendendo.
Está escondendo algo de errado em si mesmo.

A acusação nunca leva a nada e acaba com o dialogo entre as pessoas. 
Há uma necessidade de busca de diálogo e não de acusação.
Quando na sociedade for instaurado o diálogo, acabarão as acusações.
Ninguém mais estará escondendo sua covardia com a acusação.

                                              Pe. Antônio Geraldo
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Louvor na Cel. da Palavra (Diáconos ou Ministros Extraordinários da Palavra):

Louvor: (Quando o Pão consagrado estivera sobre o altar)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor nosso Deus...
- Com Cristo, por Cristo e em Cristo, na força do Espírito Santo louvemos ao Pai:
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor!
-: Nós vos damos graças, ó Pai, por toda a vossa criação e por tudo o que fizestes no meio de nós, por meio de Jesus Cristo, vosso Filho e nosso irmão, que nos destes como imagem viva do vosso amor e de vossa bondade.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor!
-: Como expressão de nosso louvor, colocamos aqui oh nosso desejo de corresponder com mais fidelidade à missão que nos destes.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min.: Enviai sobre nós, aqui reunidos, o vosso Espírito e dai a esta terra que nos sustenta uma nova face. Que haja paz em nossas famílias e cresça em nossa comunidade a alegria de sermos vossos.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
-: Pela palavra do Evangelho de vosso Filho, fazei que as Igrejas do mundo inteiro caminhem na unidade e sejam sinais da presença do Cristo ressuscitado. Tornai esta comunidade cada vez mais sinal da vossa bondade.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
Min. Lembrai-vos, ó Pai, dos nossos irmãos, que morreram na paz do Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé vós conheceis: acolhei-os na luz da vossa infinita misericórdia.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.
-: Ó Deus, criador do céu e da terra, os nossos louvores e nossas preces cheguem a vós pelas mãos daquele que é nosso único mediador, Jesus Cristo nosso Senhor.
Povo: Por nós fez maravilhas, louvemos o Senhor.

RITO DA COMUNHÃO
-: Rezemos, com amor e confiança, a oração que o Senhor Jesus nos ensinou:
T.: Pai nosso...

-: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador.
T.: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: “Eu vos deixo em paz, eu vos dou a minha paz”. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. Amém.
: A paz do Senhor esteja sempre convosco!
T.: O amor de Cristo nos uniu.

: Meus irmãos, saudai-vos uns aos outros em Cristo.
: Eis o Cordeiro de Deus...

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sexta-feira, 1 de junho de 2018

9.º Domingo do Tempo Comum Ano B


Mc 2,23-3,6   9.º Domingo do Tempo Comum Ano B 2018

A liturgia convida-nos a refletir sobre a celebração do Dia do Senhor.

LEITURA I – Deut 5,12-15 Leitura do Livro do Deuteronômio.
Assim fala o Senhor: “Guarda o dia de sábado, para o santificares, como o Senhor teu Deus te mandou. Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras. O sétimo dia é o do sábado, o dia do descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu boi, nem teu jumento, nem algum de teus animais, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades, para que assim teu escravo e tua escrava repousem da mesma forma que tu. Lembra-te de que foste escravo no Egito e que de lá o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus te mandou guardar o sábado”.
AMBIENTE
O livro do Deuteronômio, mesmo que de redação posterior ao tempo da narração (que seria o tempo do caminho deserto, sob a guia de Moisés) e com notórias influências de textos extra-bíblicos de culturas vizinhas do Povo de Israel (nomeadamente dos tratados de vassalagem neo-assírios), é importante para as reformas de Ezequias (725-697 a.C.; cf. 2Rs 18,4.22) e sobretudo de Josias (640-609 a.C.; cf. 2Rs 23,4-20), uma vez que as centra no evento fundador de Israel como Povo, com a celebração da Aliança no Sinai-Horeb. Os elementos fundamentais que dão corpo às reformas são: o monoteísmo (um só Deus), a centralidade do curso num só lugar (Jerusalém), a Aliança de Deus-YHWH com o povo, que faz do Povo propriedade de Deus-YHWH e, portanto, a unidade do povo, demostrando a insensatez da constituição de dois reinos no período pós-salomónico e afirmando o ideal de regressar à unidade política das 12 tribos de Israel.
O livro do Deuteronômio é tradicionalmente dividido em três grandes secções, que corresponderiam a três grandes discursos de Moisés; o nosso texto situa-se no início do segundo discurso (cf. Dt 4,44 – 26,19), depois de uma breve introdução histórica que o situa no contexto da teofania do Sinai-Horeb (Dt 4,44 – 5,5) e é parte da versão deuteronômica do decálogo (Dt 5,6-21). Quanto à sua forma literária, sendo parte do decálogo (dez mandamentos), é um texto de carácter legislativo, sem perder, porém, a sua componente didática como se vê pelo início do discurso de Moisés.
 MENSAGEM
Não é difícil perceber qual a temática que está em foco no texto de Dt 5,12-15: trata-se do mandamento referente ao sábado, como se percebe até pela repetição desta palavra por três vezes. Praticamente é a enunciação do mandamento, uma explicação didática de como se deve praticar esse mandamento e uma fundamentação teológica para essa mesma prática.
Quanto à enunciação do mandamento, há que notar que, a par do mandamento de honrar pai e mãe (cf. Dt 5,16), este é o único que não exprime uma proibição, mas uma ordem positiva: «Guarda o dia de sábado, para o santificares» (v. 12). Este enunciado positivo desdobra-se depois em duas explicações, uma positiva (v.13-14a) e outra em chave de proibição (v.14b): a positiva basicamente estabelece que o trabalho seja limitado aos primeiros seis dias da semana, de modo a reservar o sábado para o Senhor-YHWH, mostrando que o «sábado» é um dia que lhe pertence; já a explicação em chave de proibição centra-se na celebração do sábado que exclui qualquer possibilidade de trabalho. Esta explicação negativa, porém, transporta consigo um ideal de justiça para a sociedade que se baseia na solidariedade, uma vez que é uma espécie de crítica direta a um sistema social baseado numa lógica de mercado, uma vez que todos, também os escravos e os estrangeiros, são chamados a guardar o dia de sábado, com igualdade de direitos em relação às classes médias-altas que teriam a possibilidade de guardar o sábado exatamente socorrendo-se dos serviços de escravos e estrangeiros. A terceira parte do texto, o fundamento teológico, é típico do Deuteronômio, uma vez que, ao contrário do decálogo do livro do Êxodo que fundamenta o sábado com o repouso de Deus na obra da criação (cf. Ex 20,8-11), o Deuteronômio relaciona a obrigação do sábado com o evento de libertação do Egito (Dt 5,15); de facto, este último livro do Pentateuco insiste fortemente sobre a importância da memória da escravatura de Israel no Egito e sobre a libertação que lhe pôs termo (cf. Dt 4,23; 7,19; 11,2; 26,8).
Uma releitura do texto do decálogo na versão do Deuteronômio (5,6-21) permite notar que o mandamento referente ao sábado é central a vários títulos no contexto do mesmo decálogo e, portanto, de importância cabal para a identidade hebraica: numa divisão tripartida do decálogo deuteronômio (vv. 6-11; vv. 12-15; vv. 16-21), o sábado ocupa a posição central; além disso, no contexto do decálogo menciona-se o evento libertador do Egito por duas vezes, a primeira no título que encabeça todo o decálogo (Dt 5,6) e no mandamento do sábado (Dt 5,15). Centrado assim na experiência libertadora do Êxodo, que é constitutiva para Israel, este mandamento funciona como um símbolo dos deveres para com o Senhor-YHWH, Deus libertador (Dt 5,6.15) e para com o próximo, que também fez a experiência da libertação (Dt 5,14.21).
 ATUALIZAÇÃO
• Uma compreensão anárquica da realidade poderia relativizar os preceitos do Decálogo do Deuteronômio e, mais concretamente, de «guardar o dia de sábado para o santificar». Há que ter em conta que a Lei é sobretudo instrução paternal de Deus, uma oferta para o seu Povo, para regular as relações em sociedade. O texto da primeira leitura convida-nos a regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo «santificar».
• Destacámos para o sábado e podemos fazê-lo para o domingo cristão as duas fundamentações teológicas expressas no livro do Êxodo e do Deuteronômio, respetivamente, fazendo memória do repouso do Senhor, depois da obra da criação, e da sua obra de libertação da escravidão do Egito. É importante voltar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, vivendo-o como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.
• Notámos que a celebração do Dia do Senhor - sábado para os judeus e domingo para os cristãos - tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: «O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus “descansou” no sétimo dia, o homem deve também “descansar” e deixar que os outros, sobretudo os pobres, “tomem fôlego”. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro» (n. 2172).
• O texto do Deuteronômio socorre-se de uma tradição antiga, que está na origem de Israel como Povo, para redefinir a própria identidade em tempo de crise, concretamente no tempo do exílio e pós-exílio. A celebração do Dia do Senhor pode ser um bom recurso para recuperar a identidade cristã. De facto, se no passado irmãos nossos deram a vida para defender o domingo («Não podemos passar sem o domingo», diziam diante do cônsul que os condenaria à morte, como quem diz, «sem nos reunirmos em assembleia ao domingo para celebrar a Eucaristia não podemos viver»). Como ensinou Bento XVI, a experiência dos mártires de Abitene pode ser paradigmática para nós cristãos do séc. XXI: «Precisamos do pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d'Ele, que é o Senhor da vida. Por conseguinte, o preceito festivo não é um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contrário, participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas. Um caminho, aliás, não arbitrário: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio.»
SALMO RESPONSORIAL / Sl 80(81)
Exultai no Senhor, a nossa força!
• Cantai salmos, tocai tamborim, / harpa e lira suaves tocai! / Na lua nova soai a trombeta, / na lua cheia, na festa solene!
• Porque isso é costume em Jacó, / um preceito do Deus de Israel; / uma lei que foi dada a José, / quando o povo saiu do Egito.
 • Eis que ouço uma voz que não conheço: / “aliviei as tuas costas de seu fardo, / cestos pesados eu tirei das tuas mãos. / Na angústia a mim clamaste, e te salvei.
• Em teu meio não exista um deus estranho / nem adores a um deus desconhecido! / Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, / que da terra do Egito te arranquei”.

SEGUNDA LEITURA (2Cor 4,6-11) Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, Deus que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz”, é o mesmo que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para tornar claro o conhecimento da sua glória na face de Cristo. Ora, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda a parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. 
AMBIENTE
A relação de Paulo com as comunidades cristãs por ele fundadas ou pelo menos solidificadas é semelhante à de um pai que se ocupa da educação dos filhos: ao verificar comportamentos pouco condizentes com a fé cristã, Paulo intervém indicando o caminho a seguir. Esta atitude não será certamente estranha a quem conhece a Primeira Carta aos Coríntios, em que o apóstolo das gentes individua vários comportamentos reprováveis e mostra o caminho a seguir, oferecendo também, normalmente, um fundamento teológico. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios insere-se nestas relações paternas de Paulo com aquela comunidade, que se fazem através de visitas presenciais e de correspondência epistolar. Uma vez que o seu ministério apostólico é posto em causa, muito provavelmente pelo grupo dos “Homens Espirituais” a que se refere a Primeira Carta aos Coríntios (cf. 2,6-16; 4,8-10) e nem sequer os seus cristãos vêm em sua defesa, Paulo faz a sua apologia, uma espécie de defesa do seu ministério apostólico, mostrando que nele se verificam os critérios que permitem identificar um verdadeiro apóstolo.
É neste contexto que se insere este texto proposto pela liturgia, que se esforça por demonstrar que o ministério apostólico de Paulo é condizente com o mistério de Cristo e, sobretudo, não o ofusca com pretensões de protagonismo, uma vez que é o conteúdo da mensagem transmitida por Paulo que assume o verdadeiro papel de protagonista na sua missão apostólica.
 MENSAGEM
No centro do nosso texto, temos uma descrição autobiográfica de situações limite (vv. 8-9) vividas pelo apóstolo Paulo e possivelmente pelos seus companheiros que, porém, não põem termo à sua vida, mas que demonstram bem como a vida humana do apóstolo é frágil, não imortal. Estes factos autobiográficos, conjugados com a imagem simbólica dos «vasos de barro» – a fragilidade e a limitação humana – que transportam o «tesouro do ministério» apostólico, ou seja, o Evangelho, enquanto conteúdo da mensagem que o apóstolo anuncia (v. 7). Há, portanto, uma desproporção de valor entre os «vasos de barro» e o «tesouro» que eles transportam e isso será visível no contraste que se estabelece entre as situações de fragilidade descritas nos vv. 8-9 e a mensagem que essas situações podem transmitir (v. 10), isto é, que a vida e a morte de Cristo estão presentes nas várias situações existenciais, mesmo nas tribulações do apóstolo. Este é um ponto assente na teologia e na vivência de fé de Paulo, como se pode verificar ao comparar 2Cor 4,8-10 com Gl 2,19-20 («Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim»); e ainda na Carta aos Gálatas, o apóstolo quisera demonstrar que o Evangelho por ele pregado não tinha origem na vontade humana, mas é fruto da revelação divina (cf. Gl 1,11-12: «O Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana; pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo»).
Não podemos esquecer que este texto se situa num ambiente apologético, de defesa do apóstolo diante de quem denigre o seu ministério. De facto, a grande mensagem do nosso texto está nas frases de abertura e de conclusão que servem de moldura a esta descrição autobiográfica de Paulo: ele não se anuncia a si mesmo (v. 5), mas anuncia «a glória de Deus, que se reflete no rosto de Cristo» (v. 6), e que Deus, autor da luz na criação do mundo, fez brilhar como luz no seu coração, talvez numa alusão, também autobiográfica, ao episódio da estrada de Damasco, do encontro com Cristo, quando «uma grande luz o envolveu» (At 9,4). O objetivo de Paulo é demonstrar que Cristo está vivo no seu ministério apostólico, mesmo a partir da fragilidade que se manifesta na forma como é perseguido e entregue à morte em nome de Cristo (v. 11).
 ATUALIZAÇÃO
• São Paulo é um modelo de servidor do Evangelho para todos os que, na Igreja, se posicionam ao serviço humilde do Povo de Deus. Dele aprendemos que a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se incarna na própria vida aquilo que se ensina.
• Para se exercer um serviço na Igreja, mais concretamente ao serviço do anúncio e da evangelização, sem excluir nenhum dos outros serviços e ministérios, é necessário pôr de parte todo e qualquer desejo de ser protagonista, para dar protagonismo ao Evangelho, verdadeiro «tesouro» que transportamos «em vasos de barro», frágeis, da nossa fragilidade humana. Mesmo quando o Senhor fortalece a nossa fragilidade, é importante que seja claro para nós, como era para Paulo, que o verdadeiro tesouro é o Evangelho que não depende de nós, mas de Deus que no-lo deu a conhecer na pessoa de Jesus Cristo.
• A vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus. Só uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poderá dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos.
 EVANGELHO (Mc 2,23-3,6 – forma mais longa) Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”. Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.
AMBIENTE
O texto evangélico deste domingo conclui a primeira secção do Evangelho de Marcos, que descreve a fase inicial do ministério de Jesus (cf. 1,14-3,6), e é a última das controvérsias de Jesus com os seus opositores acerca de algumas práticas rituais judaicas, no caso sobre o sábado judaico. É de notar que estes dois textos que formam Mc 1,23 – 3,6 são os únicos dois textos de Marcos em que Jesus se contrapõe ao sábado; no resto do Evangelho, tanto Jesus como quem está com Ele observam as práticas judaicas a respeito do mandamento de guardar o sábado. Recapitulando, Jesus tinha-se já confrontado com os escribas a respeito do perdão dos pecados ao paralítico (cf. 2,1-13), do estar à mesa com os publicamos e pecadores (cf. 2,14-17); depois, com os discípulos de João Batista e os fariseus sobre as práticas do jejum, não observado pelos discípulos de Jesus (cf. 2,18-22); confronta-se agora com os fariseus sobre o respeito pelo dia de sábado em dois episódios (2,23-28; 3,1-6), sendo que, neste último episódio, pela primeira vez os seus opositores se reuniam com os herodianos para encontrar maneira de condenar Jesus à morte (3,6), funcionando esta decisão como conclusão de todos os confrontos.
Será bom ter em conta o objetivo desta primeira secção do Evangelho de Marcos; o evangelista pretende mostrar a novidade trazida pelo movimento de Jesus, bem diferente do ambiente judaico e rabínico, mostrando o amor de Deus pelos que estavam marginalizados (os publicamos e pecadores), uma mensagem que toma corpo no perdão dos pecados (na cura do paralítico) e a total rejeição de leituras rigoristas da Lei de Moisés, demonstrando que o formalismo pode aniquilar a experiência de fé, que deve estar sempre orientada para o bem do outro. Como se verá o critério que Jesus deixa para interpretar o sábado judaico, mas também outros preceitos é o amor ao outro.
 MENSAGEM
O nosso texto é composto por dois episódios que colocam Jesus em confronto com a instituição do sábado judaico: os discípulos a colher espigas para comer e um homem com uma mão atrofiada que nos coloca, com Jesus e os seus interlocutores, diante do dilema de curar ou não esse homem; ambos os episódios em dia de sábado. No que ao primeiro episódio diz respeito, o problema de colher espigas talvez seja o problema de se entender como colheita.
De qualquer forma, Marcos convida-nos a centrar-nos nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado» (Mc 2,27-28); «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?» (Mc 3,4). Estas palavras de Jesus dão a interpretação dos episódios, bem como da forma como Jesus se posiciona diante da instituição de sábado em geral.
Já na controvérsia de Mc 2,1-12 sobre o perdão dos pecados, a questão era do «poder» ou «autoridade» para o fazer. Da mesma forma, agora apenas nas palavras de Jesus, a relação de Jesus com o sábado exprime-se em chave de poder e autoridade, uma vez que Ele, «o Filho do homem, é também Senhor do sábado» (Mc 2,28).
A segunda linha de argumentação é a da total precedência das necessidades humanas, mesmo em relação ao sagrado: isto vale para a fome dos discípulos diante do sábado que é sagrado, como valeu para a fome de David e dos seus homens diante dos pães sagrados da proposição (pelo menos na forma como Mc 2,25-26 nos conta o episódio com algumas nuances em relação a 1Sm 21,1-7) e valerá também para a cura do homem com a mão atrofiada diante da instituição de sábado. Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de David, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar David e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem. A par deste critério, se partirmos da formulação da pergunta retórica de Mc 3,4, na perspectiva de Jesus não há um agir neutro e ainda menos decisivas são as instituições: a lei é a da atenção ao outro, a quem sou chamado a fazer bem, salvando-lhe a vida, ou então posiciono-me diante dele para lhe fazer mal, causando-lhe a morte. Em ambos os momentos, Jesus escolheu fazer o bem e colocar-se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para o condenarem à morte.
É importante ter em conta que Jesus não retira qualquer importância ao sábado, enquanto dia consagrado a Deus, mas redireciona-o de modo a voltar à intuição inicial da Lei de Moisés, uma vez que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (2,27). Não está em causa uma interpretação libertina ou relativista do sábado, mas fazer dele o dia da relação com Deus que vem em auxílio de quem está em necessidade. Uma boa interpretação lê todos estes aforismos de Jesus em relação entre eles, de modo que o sábado esteja sempre ao serviço do homem, para fazer bem e salvar a vida; se, de facto, Jesus é o senhor do sábado, é para o recolocar ao serviço do homem e da salvação da vida.
 ATUALIZAÇÃO
• Jesus ensina-nos a posicionar-nos com verdadeira liberdade diante da Lei de Moisés, ou melhor, diante da Lei de Deus, que nos chegou por Moisés, sem perder nunca de vista o seu objetivo de regular a nossa vida em sociedade e em Igreja, protegendo os mais frágeis e evitando toda e qualquer opressão por parte de quem exerce o poder. Interpretações rigoristas da Lei – como são as dos fariseus no nosso texto – cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei.
• O nosso texto não coloca em causa a celebração do culto no dia de sábado, mas reposiciona-a de modo a que possa coabitar com o serviço dos necessitados, na pessoa dos discípulos com fome e de uma pessoa com uma mão atrofiada. A celebração do Dia do Senhor, ao domingo, pode ser cada vez mais expressão desta dupla faceta do sábado reinterpretado com Jesus que, em dia de sábado entra na sinagoga, lugar onde se realiza o culto, mas não pactua com a necessidade de quem sofre, indo em seu auxílio, dando conforto e, no caso, mesmo a cura. Se o cristão prolonga na existência a vida de Cristo, é importante que no dia maior, a Ele consagrado, não se perca de vista aqueles que foram os seus prediletos.
• A regra hermenêutica que Jesus dá para saber o que se pode fazer ou não ao domingo pode ser transposta para outros campos da nossa vida: é importante saber que queremos estar ao serviço do bem e da salvação da vida humana, em linha com o desejo de Deus, tal como se manifesta na vida e mensagem de Jesus; a par disso, sabemos que as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram.