quinta-feira, 9 de maio de 2019

4º DOMINGO DA PÁSCOA 2019, homilias, subsídios homiléticos


4º DOMINGO DA PÁSCOA 2019 (Adaptado pelo diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: Domingo do Bom Pastor. “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.”

Evangelho: Cristo, o Bom Pastor, traz vida plena às ovelhas do seu rebanho; as ovelhas são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a sua proposta e a segui-lo.
Primeira leitura: propõe-nos duas atitudes: “ovelhas” cheias de autossuficiência, e ovelhas dispostas a arriscar segui-lo até às pastagens da vida abundante.
Segunda leitura: a meta final do rebanho que seguiu Jesus: a vida total, de felicidade sem fim.

PRIMEIRA LEITURA (At 13,14.43-52)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, Paulo e Barnabé, partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra”’. Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna abraçaram a fé. Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio. Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.

AMBIENTE - Os “Atos dos Apóstolos” apresentam o “caminho” da Igreja no mundo greco-romano.

MENSAGEM - O texto põe duas opções: os da sua autossuficiência e aqueles que responderam com alegria à proposta libertadora. A Boa Nova de Jesus é dirigida a todos.

ATUALIZAÇÃO
♦ Os judeus representam os que se acomodam a uma religião, feita de hábitos, de devoções, de ritos.
♦ Os pagãos representam aqueles que estão abertos à novidade de Deus e se deixam questionar. Eles procuram novos caminhos, ainda que seja um caminho de cruz e de perseguição.

EVANGELHO (Jo 10, 27-30)  Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, disse Jesus: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um”.

AMBIENTE - A imagem do Bom Pastor está em Ezequiel  34, que fala aos exilados na Babilônia. Ezequiel diz que os líderes de Israel foram falsos pastores e conduziram o Povo para a desgraça; mas o próprio Deus porá à frente do seu Povo um Bom Pastor (Messias), que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida.

MENSAGEM - A missão desse Pastor (Cristo) é dar vida às ovelhas. Como? Tornando-os filhos de Deus. Os que aceitam a proposta de Jesus não se perderão, pois Jesus vence a morte e Jesus está disposto a defender os seus até dar a própria vida por eles. As ovelhas (os discípulos), por sua vez, têm de escutar a voz do Pastor e segui-lo. Isto significa que fazer parte do rebanho de Jesus é aderir a Ele, escutar as suas propostas, comprometer-se com Ele no amor e doação ao Pai e aos homens.

ATUALIZAÇÃO ♦ Para os cristãos, o Pastor é Cristo e Ele nos conduz para as “pastagens verdadeiras”, onde encontramos vida em plenitude.
♦ As “ovelhas” de Jesus têm de “escutar a voz” do Pastor e segui-lo… Isso significa, percorrer o mesmo caminho de Jesus nos projetos de Deus e no amor e de serviço aos irmãos.

SEGUNDA LEITURA (Ap 7,9.14b-17) Livro do Apocalipse de São João.
Eu, João, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Então um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente. Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”.

AMBIENTE - Aos mártires, o autor do “Apocalipse” descreve o que vai resultar da intervenção de Deus: a libertação definitiva, a vida em plenitude...

MENSAGEM - Uma multidão está de pé, aclamam com palmas; São os que “vieram da grande tribulação e que branquearam as vestes no sangue do cordeiro”, isto é, que suportaram a perseguição e alcançaram a libertação definitiva, foram acolhidos na “tenda” de Deus; aí, Cristo ressuscitado, sentado no trono, é o pastor deste novo Povo, e que o conduz para “as fontes de águas vivas” – isto é, à plenitude dos bens.

ATUALIZAÇÃO ♦ É uma mensagem de esperança e vida plena. Se aceitarmos a proposta de Jesus e seguirmos atrás d’Ele no caminho do amor chegaremos à felicidade plena.

Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas”. Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: um pastor que ama o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na Ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmação bonita! Nosso Pastor imolado, dá-nos a vida eterna!
 Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. É preciso anunciá-la ao mundo 
 “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. Amém
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O Bom Pastor

 O 4o Domingo de Páscoa é conhecido como o "Domingo do Bom Pastor " porque todos os anos a Liturgia propõe uma passagem do capítulo 10o de João, na qual Jesus é apresentado como "Bom Pastor".

PASTOR é aquele que vai à frente do rebanho para indicar o caminho, que conduz às pastagens e às nascentes de água.

No Antigo Testamento essa imagem era muito familiar ao povo judeu.
Muitos líderes foram pastores: Jacó, Moisés, Davi...
Frequentemente Israel é comparado a um rebanho, do qual Deus é o Pastor.
Ezequiel afirma que o próprio Deus assumirá a condução do seu povo.
Ele porá à sua frente um Bom Pastor, que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida. Essa promessa se cumpre em Jesus.

A 1ª Leitura narra a 1ª viagem apostólica de Paulo e Barnabé.
Diante da recusa dos judeus, abrem o rebanho de Cristo aos gentios. (At 13,14.43-52)

Diante da proposta cristã, surgem duas reações bem diversas:
- Os JUDEUS pensam ter o monopólio de Deus e da Verdade: são ovelhas fechadas, que ficam indiferentes às propostas cristãs;
- Os PAGÃOS respondem com alegria e entusiasmo: são ovelhas atentas à voz do Pastor e dispostas a segui-lo.

* Representam os "praticantes" acomodados, que tem medo da novidade de Deus, e os "afastados" na caminhada da fé, mas abertos à novidade de Deus...

Na 2ª Leitura, Cristo, o Cordeiro pascal, vencedor da morte, é o Pastor que conduz o seu povo às fontes de água viva.  (Ap 7,9.14b-17)

No Evangelho, Cristo se apresenta como o "BOM PASTOR". (Jo 10,27-30)

O texto é uma Catequese sobre a Missão de Jesus: consiste em conduzir os homens às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.

Na Parábola, vemos DUAS ATITUDES:

1. A Atitude do Pastor (Cristo):

    - "Dá a vida pelas ovelhas..."
    - conhece: "Eu conheço as minhas ovelhas..."
    - cuida delas: "Jamais se perderão, ninguém vai arrancá-las de minhas mãos"

* Muitos ficam perturbados diante das falhas de representantes da Igreja... das crises e confusões, que percebem nas comunidades.
   A Igreja não está confiada apenas nas mãos de pastores humanos...
   Estes são apenas instrumentos, necessários e imperfeitos, do único pastor que guia a Igreja e que nos garante:   "Eu mesmo dou a vida para elas, e ninguém vai arrancá-las de minhas mãos..."

Quem são os "Verdadeiros Pastores"?
Hoje muitos se apresentam como Pastores, prometendo vida, conforto, felicidade...
- Em quem devemos confiar? Quem são os "verdadeiros Pastores"?

- CRISTO: É o único Pastor dos cristãos, da Igreja, na qual os demais pastores são apenas instrumentos.

- Pessoas que presidem e animam nossas comunidades cristãs: Bispos, Padres, Diáconos, Ministros... apesar dos seus limites e imperfeições; mas o único Pastor, que devemos a escutar e a seguir sem condições, é Cristo. 

- Pessoas que ensinam a mensagem de Cristo:
   . Os pais, os mestres, os Catequistas...
   . Os companheiros de trabalho que se comportam com honestidade,
   . A mãe, que marcada pela dor, tudo suporta com paciência e com amor,
   . O Pai que educa o filho para o perdão, para a reconciliação, para a partilha...

Características do Bom Pastor:
  O BOM PASTOR... abre caminho... conhece suas ovelhas... é providente... vigia as ovelhas e as cura...
  deseja salvar todo o rebanho; é missionário... é coração....  O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas...

2. A Atitude das OVELHAS:

- Elas ESCUTAM: Supõe...  alegre adesão ao conteúdo do que se escuta,
                    a obediência à pessoa que fala,
                    a escolha de vida daquele que se dirige a nós...
- Elas CONHECEM: Envolve toda a pessoa humana (mente, coração, vontade),  deixando-se transformar pela sua voz no caminho da vida;
- Elas SEGUEM: Cristo torna-se o único guia de sua vida...

Quem são as ovelhas desse Rebanho?

- Só os que foram batizados e estão associados a uma paróquia?
  Só os que frequentam regularmente a igreja?

- São todas as pessoas que ESCUTAM A SUA VOZ e O SEGUEM...
  Pode ser discípulo do bom Pastor também aquele que, embora não conheça Cristo, se sacrifica pelo pobre, pratica a justiça, a fraternidade, a partilha dos bens, a hospitalidade, a fidelidade, a sinceridade, a recusa à violência, o perdão aos inimigos, o compromisso com a paz.

53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações:
Com o tema «A Igreja, mãe de vocações» o Papa exorta todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. "Como gostaria que todos os batizados pudessem, no decurso do Jubileu da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja!". "A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto".

                                              Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Pedrinho
Meus irmãos e irmãs, hoje, a Igreja celebra o domingo do Bom Pastor e convida-nos a rezar pelas vocações. É o     quinquagésimo domingo que celebramos pelas vocações. Se fizermos as contas, coincide com o Concílio Vaticano II. De fato, no Concílio vaticano II toda a Igreja reunida se deu conta de que somos chamados a sermos pastores. Na Igreja católica o padre não é conhecido como pastor, enquanto nas igrejas cristãs, não católicas, o líder espiritual é chamado de pastor. O Concílio Vaticano II ajudou-nos a compreender, que todos nós somos pastores e porque não dizer também pastoras. Na medida em que sou chamado a dar a vida pelo irmão, eu me torno parecido com Jesus. Se quisermos, Jesus é o único, o grande, o Bom Pastor. É evidente, que Ele é o Bom Pastor, enquanto os outros são chamados apenas de pastores. Jesus é chamado o Bom Pastor, porque o pastor, normalmente, vive da vida das ovelhas. Ele cuida das ovelhas, faz as ovelhas ganhar peso, depois comercializa as ovelhas, normalmente as ovelhas vão para o abate e ele fica com o dinheiro da venda ou ele mesmo abate a ovelha para o seu alimento, seu consumo. Isto é a prática normal de quem é pastor. Jesus é o BOM PASTOR. Ele cuida da ovelha, quando ela ganha peso, ao invés de comercializá-la ou abatê-la, Ele é que entrega a sua vida pela ovelha. Neste sentido, Ele se diferencia dos outros pastores. Jesus é aquele que nos resgatou da escravidão com o seu Sangue. Jesus é aquele que se colocou no lugar da ovelha, por isso, Ele é o cordeiro para o sacrifício da salvação. Jesus é o cordeiro imolado. Ele se coloca no lugar daquele cordeiro para servir de alimento para todas as pessoas. Por isso, inspirado no exemplo e na prática de Jesus, cada um de nós é chamado a ser este pastor. Por isso, todos nós somos pastores uns dos outros. É evidente, que a Igreja se vê como Pastora do mundo. Por isso, a Igreja vai nos falar na “Lumen gentium”, a Igreja como luz para o mundo, luz para os povos. Igreja que ajuda a cada pessoa a descobrir o caminho que leva à vida e vida em abundância. É assim, que compreendemos o povo de Deus. Claro, que o povo de Deus terá a sua hierarquia. Nós temos o papa como um grande sinal para todos, o bispo como líder no pastoreio, para conduzir as ovelhas, o presbítero (padre) para ser esta extensão do bispo, os Diáconos para serem os auxiliares do bispo e os leigos para ser a presença da Igreja no mundo. O próprio Concílio vai dizer; para ser a extensão dos braços do presbítero. Assim como o presbítero (padre) santifica a todos dentro da assembleia, os leigos devem santificar o mundo dentro do seu trabalho, da convivência, assim por diante. Esta é a visão da Igreja a partir do Concílio Vaticano II.
Tem algo especial, que eu gostaria de chamar a atenção: está aqui no livro do Apocalipse: Eu, João, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Então um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo.
Ser pastor, ser luz para os povos, não é tão simples. Muitas vezes, acabamos enfrentando tribulações. A nossa Igreja foi construída com o sangue dos mártires, aqueles que enfrentaram a tribulação. Hoje a liturgia nos convida a contemplar estes que trajam a veste branca alvejada no sangue do Cordeiro, com palmas nas mãos. Isto que nós chamamos SANTOS, que tantas outras igrejas não católicas não aceitam. Está aqui na Bíblia; eles são os santos. Se nós os homenageamos, não é que para nós eles são deuses; não há outro Deus que não seja o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Deus único em três pessoas. Não. Nós os homenageamos porque eles merecem nosso reconhecimento. Eles tiveram coragem de entregar o seu sangue, coisa que não sei se todos nós teríamos a mesma coragem. Se, de fato, eles merecem nossa atenção, merecem o nosso “muito obrigado”, porque é graças ao testemunho deles, que muitos tomaram coragem e foram transmitindo a fé até o dia de hoje. Nós não somos tão ingênuos ao ponto de achar que eles tem poder como deus, mas também não somos ingênuos de achar que eles não colaboraram com nada. Eles servem para nós como inspiração, como exemplo. Assim como eles tiveram coragem de testemunhar a bondade de Deus, porque Deus é bom, é a segurança, que tenhamos coragem de testemunhar a nossa fé. Por isso, Celebrar o Bom Pastor é reconhecer que Ele soube oferecer um alimento tão forte, ao ponto das ovelhas não ter medo de se apresentarem ao matadouro. Deus não quer que ninguém entregue a sua vida, mas, ainda hoje, muitas pessoas, sobretudo na Ásia, no Oriente, porque são cristãs, têm sido perseguidas. Isto é importante nós falarmos. Porque, se não homenagearmos nossos mártires, quem fará isto?
Meus irmãos e irmãs, temos que ter clareza: a Bíblia diz: “não farás imagem de nenhuma forma”. De fato, não é para fazer mesmo, porque Deus não tem imagem. Por isso, temos aqui uma capela bem clara do Santíssimo onde não existe imagem ali, porque ali está quem nós cremos ser Deus. As imagens estão no restante da igreja, para lembrarmos das pessoas que foram fiéis a Deus até a morte. Um exemplo de perseguição foi Paulo e Barnabé. Eles começaram a pregar o Evangelho e todo mundo correu para impedi-los. Então, quando encontrarmos dificuldade no caminho, é bom lembrarmos que não é um privilégio para nós. Outros já enfrentaram as mesmas dificuldades e, às vezes, com maior intensidade. Aí, é hora de dizer, como vocês santos, puderam enfrentar tantas controvérsias e perseguições, que nós também podemos enfrenta-las. Então, poderemos celebrar com maior força e coragem este Jesus que não abandona o seu povo e este Jesus que está ao nosso lado a todo momento, sobretudo, nos momentos mais difíceis: “ Eu dei-lhes a vida eterna e eles jamais se perderão”. É isto que nós cremos e é isto que celebramos ao afirmar a comunhão de todos os santos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa
Uma imagem muito comum neste tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós se fez Cordeiro imolado, dá-nos a vida eterna e imperecível, uma vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!
 Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus, o Apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com sua morte e ressurreição, com seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos[1]!
 É com estas idéias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar ”… de pé, diante do trono e do Cordeiro”. Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observem que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente. Nós, amados por Deus em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim; anunciar a verdade, sim; denunciar o erro e o pecado, sim; mas, com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!
 Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da glória, de vida, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e vencerão no combate das tribulações desta vida… às vezes, até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida! Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”. Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta vida e tanto frescor e consolação? Escutem a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda… E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!”
 É por isso, caríssimos, que a Páscoa de Cristo é também nossa: sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude um dia. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. Amém
 D. Henrique Soares da Costa
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Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Neste IV Domingo da Páscoa, celebramos o 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído pelo Papa Paulo VI (1964) para que em toda a Igreja “eleve-se então ao céu a nossa oração: das famílias, das paróquias, das comunidades religiosas, dos pavilhões dos hospitais, das multidões de crianças inocentes, a fim de que cresçam as vocações e sejam conformes o coração de Cristo”. Este pedido do Beato Paulo VI não cria um hiato no tempo pascal, mas está muito bem inserido nele, pois sempre no IV Domingo da Páscoa proclamam-se trechos de João 10, a grande revelação que Jesus faz de si quando afirma: “Eu sou o bom (grego: kalos, belo) pastor” (Jo 10,11.14). E, sem dúvida alguma, Jesus Bom Pastor é a inspiração e o modelo perfeito para toda vocação.
Apesar de que no ano C lemos apenas a parte conclusiva desse longo discurso do Bom Pastor, não podemos prescindir da sua totalidade. As últimas palavras de Jesus nesse contexto devem ser ouvidas à luz de toda a sua vida e ensinamento como nos apresenta o IV Evangelho, pois aqui evoca-se o tema da vida eterna, já anunciada no Prólogo: “Nele estava a vida...” (Jo 1,4), expressão máxima do amor do Pai e finalidade última da fé em Jesus: “O Pai amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
Ao afirmar ser o Bom Pastor, imagem já presente no Antigo Testamento para falar do agir de Deus na relação com o seu povo (Sl 22; 99; Jr 23,1; Ez 34; Mq 2,12-13), Jesus não se apresenta apenas como mais um pastor enviado por Deus, mas deixa claro que Ele mesmo é o Deus que se fez pastor para dar a vida pelas suas ovelhas. Nessa parte final do discurso do Bom Pastor, Jesus sublinha um aspecto que, até então, não tinha aparecido na sua fala, isto é, tanto o Pai como Ele têm as ovelhas em suas mãos e ninguém poderá arrebatá-las (grego: harpázo, levar violentamente para longe).
Na Tradição Bíblica, “ter nas mãos” significa ter o domínio sobre alguém ou alguma coisa, e inumeráveis vezes se diz isso de Deus, sobretudo quando se trata da sua intervenção no Êxodo: “E fez sair Israel do meio deles, com mão forte e braço estendido” (Sl 135,11). Portanto, a missão de Jesus como Pastor não é apenas conduzir as ovelhas para prados verdejantes ou águas tranquilas, mas colocar a sua vida a serviço do rebanho: “O Bom Pastor dá (grego: tithemi, colocar à disposição) a vida pelas ovelhas” (Jo 10,11), a fim de libertá-las e, consertando-lhes a vida, “tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Ainda que para cumprir esta missão, exija-se perder a vida, esta vida dada pelo rebanho é verdadeira entrega: “Ninguém arrebata a minha vida, mas eu a dou livremente” (Jo 10,18). 
Enquanto os outros pastores levavam o rebanho para algum lugar onde pudessem encontrar comida e bebida para as suas ovelhas, é Jesus mesmo quem caminha à frente de suas ovelhas (Jo 10,4), pois ele é ao mesmo tempo o caminho (Jo 14,6) e o alimento: “Minha carne é verdadeira comida, o meu sangue é verdadeira bebida” (Jo 6,55). Enquanto a comida e a bebida dadas às ovelhas restauravam as suas energias físicas, Jesus, o Pastor que se dá em alimento, concede vida plena ao seu rebanho: “Eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão”. Enquanto os pastores precisam de bastão para defender as ovelhas e cajado para apoiar-se, Jesus recebe do Pai tudo o que necessita para impedir que as ovelhas sejam arrebatadas de suas mãos: “Meu Pai, que me deu tudo é maior que todos”. Pois este é projeto de Deus: “Colocar tudo em suas mãos, pois viera de Deus e a Deus voltava” (Jo 13,3), diferentemente do agir dos falsos pastores que têm no coração apenas o projeto mercenário (Judas Iscariotes) que os faz traidores do rebanho: “Vendo o lobo chegar, abandona as ovelhas e vai para longe”. Estes se associam, portanto, aos ladrões do rebanho que “vêm só para roubar, matar e destruir” (Jo 10,10).
Enquanto os pastores, ainda que cuidadosos para com as suas ovelhas, um dia terão de levá-las para o matadouro, o Pastor Jesus aceita tornar-se cordeiro para morrer no lugar delas a fim de congregá-las num só rebanho: “É de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda...Profetizou que Jesus iria morrer para congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,51-52). É Ele o cordeiro imolado na cruz, vítima perfeita e santa cujo osso algum lhe foi quebrado (Jo 19,36), realizando, deste modo, o definitivo Êxodo.
Assim como os pastores, diante do rebanho ameaçado pelas intempéries, devem buscar refúgio para o rebanho e ser para ele uma presença acalentadora, o Pastor Jesus, diante da sua morte iminente e da consequente dispersão do seu rebanho, assegura ao coração dos seus discípulos que é preciso crer para atravessar os vales tenebrosos da dúvida e do medo: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1).
Os pastores para testemunhar que tinham feito de tudo para livrar a sua ovelha do perigo deveriam “salvar da boca do leão duas patas ou um pedaço da orelha” (Am 3,12; Gn 31,39), sinal de que tinham lutado contra as feras, apesar de não ter conseguido salvar a ovelha; desta forma, se isentavam da obrigação de ressarcir ao dono do rebanho, a ovelha que fora morta (Ex 22,12). O Pastor Jesus não se contenta apenas em apresentar ao dono do rebanho partes de ovelhas dilaceradas pelo inimigo, mas tendo dado a sua vida, mostra os sinais de seu combate vitorioso: “mãos perfuradas e lado traspassado” (Jo 20,20), a grande prova de que o inimigo foi destruído e as ovelhas do seu rebanho salvas. Nem a morte pode arrebatar as ovelhas das mãos de Jesus, pois ele já as tinha entregue nas mãos do Pai: “Eram teus e os deste a mim... E tudo o que é meu é teu... a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,6.10.21).
Colocar-se diante da figura de Cristo Bom Pastor é reconhecer a nossa vocação fundamental: estar nas mãos do Pai para aprender a crer na vida que se torna eterna à medida que se entrega: “Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto... Se alguém quer me servir, siga-me” (Jo 12,25-26). Vocacionados a seguir o Bom Pastor que deu a sua vida, somos chamados ao serviço. O seu rebanho é de servidores da vida; esta é a maior prova de que são seus autênticos seguidores, pois escutam a sua voz e não se deixam arrebatar das suas mãos.

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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO Pai, dizendo juntos:
T: Jesus Cristo é o nosso Pastor e nosso Salvador.
- Pai, nós Vos damos graças pelo Vosso Filho Jesus, que se revelou como Luz das nações, e pelos Apóstolos, que comunicaram esta Luz, para que a vossa salvação chegue até aos confins da terra. Nós vos pedimos por todos os batizados da comunidade.
T: Jesus Cristo é o nosso Pastor e nosso Salvador.
-Pai, nós vos bendizemos pela multidão imensa de todas as nações, raças, povos e línguas, que está diante do vosso trono e diante do Cordeiro: Ajudai-nos para que também nos unamos ao grande louvor junto a vós na eternidade do céu.
T: Jesus Cristo é o nosso Pastor e nosso Salvador.
- Pai, bendito e louvado sejais pelo vosso grande amor por nós. Que o Espírito Santo nos dê força e coragem para enfrentarmos as dificuldades desta vida e possamos alcançar o vosso Reino para a alegria e felicidade eterna.
T: Jesus Cristo é o nosso Pastor e nosso Salvador.

- Pai nosso... A Paz... Eis o Cordeiro...











quinta-feira, 2 de maio de 2019

3º DOMINGO DA PÁSCOA 2019 Ano C, homilias, subsídios homiléticos


3º DOMINGO DA PÁSCOA 2019 Ano C

Sinopse:

Evangelho: Os discípulos que reconhecem o ressuscitado continuam a obra redentora.
Primeira leitura: os apóstolos dão testemunho de Jesus ressuscitado.
Segunda leitura: Jesus, o “cordeiro”, venceu a morte e trouxe a libertação definitiva; a criação inteira manifesta diante do “cordeiro” a sua alegria e o seu louvor.

PRIMEIRA LEITURA (At 5, 27b-32.40b-41) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. Então mandaram açoitar os apóstolos, proibiram que eles falassem em nome de Jesus e depois os soltaram. Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.

AMBIENTE Os apóstolos voltaram ao Templo para dar testemunho de Cristo ressuscitado. De novo foram presos e formalmente proibidos de dar testemunho de Jesus.

MENSAGEM - A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens”; define a atitude que os cristãos devem assumir diante da oposição do mundo. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os cristãos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com as oposições daqueles que não seguem Jesus Cristo.

ATUALIZAÇÃO ♦ A proposta de Jesus não se pactua com esquemas egoístas, injustos, opressores. Isto explica porque o testemunho sobre Jesus não é um caminho fácil de glória, de aplausos, de honras, de popularidade, mas um caminho de cruz. Não encontram eco entre os que dominam o mundo; se não importunamos aqueles que oprimem e que escravizam os irmãos: isso está dizendo que o nosso testemunho não é coerente com a proposta de Jesus.

SALMO RESPONSORIAL / SI 29(30)

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.
• Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes / e não deixastes rir de mim meus inimigos! /
 Vós tirastes minha alma dos abismos / e me salvastes, quando estava já morrendo!
• Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, / dai-lhe graças e invocai seu santo nome! /
 Pois sua ira dura apenas um momento, / mas sua bondade permanece a vida inteira; /
 se à tarde vem o pranto visitar-nos, / de manhã vem saudar-nos a alegria.
• Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! / Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! /
Transformastes o meu pranto em uma festa, /
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

SEGUNDA LEITURA (Ap 5, 11-14) Leitura do livro do Apocalipse de São João.
Eu, João, vi e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”. Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. Os quatros Seres vivos respondiam: “Amém”, e os Anciãos se prostraram em adoração àquele que vive para sempre.

AMBIENTE O autor apresenta a esperança, demonstrando que não há nada a temer, pois a vitória final será de Deus e dos que se mantiverem fiéis aos projetos de Deus. O “profeta” João nos apresenta: Deus, transcendente e onipotente, sentado no seu trono, rodeado por toda a criação; finalmente, é-nos apresentado “o cordeiro” (Jesus), aquele que detém a totalidade do poder e do conhecimento.

MENSAGEM  O “cordeiro” (Cristo) assumiu sua realeza e sentou-se no próprio trono de Deus. Aí, Cristo desencadeia uma torrente de louvores: dos viventes, dos anciãos e dos anjos. E todas as criaturas juntam a sua voz ao louvor. O Templo onde ressoam estas incessantes aclamações tem as dimensões do mundo. A criação inteira celebra o Cristo imolado, ressuscitado, vencedor e faz dele o centro do “cosmos”.

ATUALIZAÇÃO ♦ A mensagem resume-se: “não tenhais medo, pois a vossa libertação está chegando”. Diante deste “cordeiro” vencedor, os cristãos vêem renovada a sua confiança nesse Deus salvador e libertador.
♦ Cristo venceu a morte, ressuscitou, e continua a dar sentido aos nossos sofrimentos. Ele é o centro à volta do qual tudo se constrói.

EVANGELHO (Jo 21, 1-19) Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não.” Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Lançaram, pois, a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram na terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.” Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

AMBIENTE O autor reflete sobre o lugar de Jesus na atividade missionária da Igreja.

MENSAGEM - Os discípulos são sete. Representam a totalidade (“sete”) da Igreja, empenhada na missão à todas as nações de libertar todos do mar do sofrimento e da escravidão. Pedro toma a iniciativa; os outros o seguem. A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo da escuridão: significa a ausência de Jesus (“Eu sou a luz do mundo”). O resultado da ação (sem Jesus) é um fracasso (“sem Mim, nada podeis fazer”). A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz). Jesus não está no barco, mas sim em terra: Ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Concentrados no seu esforço inútil, os discípulos nem reconhecem Jesus quando Ele se apresenta. O grupo está desorientado pelo fracasso, posto em evidência pela pergunta de Jesus (“tendes alguma coisa de comer?”). Mas Jesus dá lhes indicações e as redes enchem-se de peixes. Acentua-se que o êxito da missão com a Palavra do Ressuscitado. O surpreendente resultado da pesca faz com que um discípulo o reconheça. Este discípulo amado é aquele que está sempre próximo de Jesus e que faz a experiência do amor de Jesus: só quem faz a experiência do amor é capaz perceber a sua presença na comunidade em missão. Os pães com que Jesus acolhe os discípulos são um sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade em missão: deve haver aqui uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão. O número dos peixes (153) é a soma dos números um a dezessete. O número dezessete não é um número bíblico… Mas o dez e o sete são: ambos simbolizam a plenitude e a universalidade. Outra explicação é dada por S. Jerônimo… Segundo ele, os antigos distinguiam 153 espécies de peixes: assim, o número faria alusão à totalidade da humanidade, reunida na mesma Igreja.
Na segunda parte, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o discípulo negou Jesus por três vezes. A tríplice confissão de amor pedida a Pedro corresponde a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá “seguir” Jesus. Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade; mas convida-o também a perceber a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

ATUALIZAÇÃO ♦ Se Cristo não estiver presente, os nossos esforços não terão êxito. O êxito da missão não depende só do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.
♦ O amor do Senhor nos orienta. Quando o cansaço, o sofrimento, o desânimo tomarem posse de nós, Ele lá estará, dando-nos o alimento que nos fortalece. É necessário ter consciência da sua constante presença, ao nosso lado na Eucaristia.
♦ O diálogo de Jesus com Pedro chama a atenção: “seguir” o “mestre” é amá-lo muito e ser capaz de, como Ele, percorrer o caminho do amor total e da doação da vida.


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A Barca

A Liturgia nos convida a refletir hoje sobre a IGREJA: a Comunidade que tem a missão de testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou. Ele acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A 1ª leitura apresenta o Testemunho de Pedro  em Cristo ressuscitado, diante do Sinédrio (At 5,27b-32.40b-41)

Proibido de dar testemunho de Jesus ressuscitado, Pedro responde apresentando um resumo do "Kerigma" cristão primitivo e afirmando: "É preciso obedecer antes a Deus, do que aos homens." E os discípulos saem do tribunal do Sinédrio, onde foram flagelados, felizes por terem sofrido pelo nome de Jesus.

A 2ª Leitura ressalta a soberania universal de Cristo ressuscitado, que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva. A Criação inteira louva o "Cordeiro", que esteve morto e agora vive. (Ap 5,11-14)

O Evangelho narra a 3ª aparição de Cristo ressuscitado aos apóstolos.
A presença de Jesus ressuscitado nas margens do mar de Tiberíades revigora a missão dos discípulos de serem pescadores de homens. (Jo 21,1-19)

A narração é mais uma Catequese, do que uma crônica.
Há 3 Cenas: uma Pesca, uma Refeição e um Diálogo:

1. Uma PESCA:
- Os apóstolos desanimados... cansados... desistem... - "voltam a pescar"...
  Jesus lhes dá uma tremenda lição:   Pescam a "noite" inteira... sozinhos... sem apanhar nada...
- Ao amanhecer, com a chegada da "Luz", acolhendo a Palavra do Senhor,  conseguem um resultado surpreendente...
- Diante disso, reconhecem o Cristo ressuscitado:   e expressam a fé: "é o Senhor",
  Antes o discípulo, que Jesus amava... Depois, Pedro... e os demais...
- Jesus queria lembrá-los que os tinha convidado para outra Pesca...   Eles deviam ser "pescadores de homens"...

* A Pesca milagrosa simboliza a Missão da Igreja
- A Noite quer indicar a ausência de Jesus (a Luz).
- A Palavra de Jesus ressuscitado muda a situação.
- A Ressurreição ilumina a existência da Comunidade e a Missão recebida.
- O êxito da Missão não depende do esforço humano,   mas da presença viva do Senhor Ressuscitado nessa comunidade.
- A Igreja, fundada sobre a palavra de Deus e guiada por Pedro, não se divide: a rede não se rompe.

2. Uma REFEIÇÃO: Jesus aguarda os discípulos na margem, e os convida a uma refeição: "Vinde comer".
Seus gestos são parecidos com os da multiplicação dos pães e dos peixes...
São também os gestos da instituição da eucaristia, na última ceia...
* Esse quadro tem um profundo sentido eucarístico.
   Ainda hoje, todo domingo, Cristo nos convida: "Vinde comer".
Na Eucaristia, encontraremos a força, o alimento para realizar a nossa Missão.

3. Um DIÁLOGO entre Jesus e Pedro: em que este recebe a missão de presidir e animar a Comunidade:
- "Simão, tu ME AMAS?" (3 x)  - "Tu sabes que te amo..."
Uma tríplice prova de amor, já que por 3 vezes o negara.
Só então transmite a ele o primado sobre a Igreja nascente.
- O essencial não é o exercício da autoridade, mas o amor, que se faz serviço, ao jeito de Jesus.

* Ainda hoje Cristo nos interpela, como a Pedro: "Tu me amas?"
   ... mais do que os familiares, os trabalhos, os amigos, o esporte, as novelas?
   Temos a coragem de responder com sinceridade, como Pedro:  "Senhor, tu sabes que te amo?"

* Todos nós somos convidados a Pescar..
- Muitas vezes, "pescamos" apoiados apenas em nossas forças...  confiantes, como Pedro, em nossa experiência de "velho Pescador..."

- Diante do fracasso inevitável, desanimamos...
  Vendo as "redes vazias", somos tentados largar tudo e voltar à vidinha antiga... (na família, na sociedade, na comunidade...)

- Esquecemos que Jesus, embora esteja na "margem" (na glória do Pai),  está sempre conosco todos os dias, até o fim do mundo  e deve ser o CENTRO da Missão...
  Ele continua nos indicando onde e quando lançar as redes.
- Esse caminho, percorrido pelos apóstolos, é semelhante ao caminho que também nós devemos percorrer...
  Só a presença de Jesus torna a Missão fecunda...

- Em nossas atividades, em quem depositamos a nossa confiança?
- Estamos convencidos que sem Ele NADA podemos fazer?
                   - Buscamos na eucaristia alimento para nossa caminhada?

Com Jesus, teremos a certeza de que a pesca será abundante...
                                         
Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, creio, que as leituras não podiam ser melhores do que estas, para revigorarmos nossa fé no ressuscitado. A segunda leitura nos apresenta Jesus como o Cordeiro imolado, mas que está em pé. Portanto, que ressuscitou. Agora, Ele convida cada um de nós a fazer a experiência do ressuscitado. O Evangelho tem todo um desenvolvimento hoje, que eu gostaria que pudéssemos percorrer juntos este Evangelho.
Primeira coisa, quem acompanha Pedro? Estavam juntos Simão Pedro: Tomé, chamado Dídimo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Eles estão reunidos em SETE PESSOAS. Simbolizando, assim, o  necessário, para iniciar toda a missão confiada a eles por Jesus, mas eles estão, ainda, bastante desanimados. Afinal de contas, deixaram tudo para seguir Jesus, aquele que oferecia Vida: “Aquele que crê em mim, mesmo que estiver morto, viverá”. Agora, Ele morreu. Se Ele que prometia isto morreu, como Ele pode garantir a nós vida eterna? Pedro disse: quer saber, eu vou voltar para minha vida normal: eu vou é pescar. Eu tinha deixado as redes para seguir este fulano e agora estamos aqui sem crédito. Todos disseram: nós também. Significa: não valeu a pena apostar em Jesus. O negócio é apostar na rotina e naquilo que estamos acostumados. Não vale a pena arriscar. Vale a pena continuar naquilo que já temos por hábito, o normal, o rotineiro. Eles vão pescar e não conseguem pescar nada. Quando Jesus disse: moços, portanto, está falando para a juventude, vocês têm alguma coisa para comer? Ora, o que Jesus oferece para a humanidade? O seu corpo e o seu sangue, a Eucaristia. Agora Ele confia a estes sete moços e eles dizem: nada temos. Porque, ninguém pode dar o alimento que Jesus oferece, a não ser, aquele que se dispõe a oferecer este alimento. Claro, que estamos falando da Eucaristia, mas também estamos falando do alimento da Palavra de Deus, estamos falando do alimento que anima as pessoas diante das frustações. Qual é o alimento que a juventude pode oferecer? Jesus diz: você lança a rede pro lado direito e vocês terão o que oferecer. Ora, quem ouve e obedece a Palavra de Deus, nunca será decepcionado. Nunca. Quer um exemplo? Olha os discípulos: morriam de medo de serem presos, negaram Jesus, fugiram, tem um jovem, que quando Jesus foi preso, escapa nú, porque estava enrolado só num lençol. Preferiu fugir sem roupa, do que ser preso por causa de Jesus. Aí, vamos nos lembrar de Adão e Eva. Adão e Eva se esconderam de Deus, porque estavam nús. Que nudez é esta? Certamente não é a roupa, mas a roupa simboliza, para nós, uma certa segurança. Se você quiser deixar alguém vulnerável, tire a roupa desse alguém. É a primeira coisa que se fazia na tortura, porque a pessoa fica totalmente vulnerável. Não se trata de vergonha, mas ela se sente desprotegida. O pecado nos deixa desprotegidos. Veja, que Pedro vendo que é o Senhor, ele pula no mar, porque estava nú. Pedro estava desprotegido. Voltando ao tema, estes, que se sentiam desprotegidos, com medo, primeira leitura, agora saem pelas praças anunciando e vão presos por isso. Eles lhes dizem: é proibido pregar sobre este homem Jesus. Aí, eles dizem: “Antes obedecer a Deus, que obedecer aos homens”. Creio que falta esta coragem. Nós somos mais capazes de ouvir e obedecer qualquer pessoa do que Deus. Porque Deus quando fala, nós sentimos na base, que a Palavra dele tem conteúdo e nós, muitas vezes, nos sentimos sem conteúdo. O próprio Pedro vai dizer: Afasta de mim, porque sou um pecador. Quem é que se sente chamado por Deus claramente? Normalmente dizemos: Eu? Eu pecador do jeito que eu sou? Quem sou eu para anunciar. É a mesma coisa. Jesus diz: vamos recomeçar tudo de novo, do início. Agora, vocês me deem uns peixes. Assem os peixes. Partem, distribuem a todos. Novamente Ele volta com o gesto da Eucaristia, dizendo: é isto que vocês devem oferecer, é este alimento, que espero que vocês ofereçam. Pedro e os outros saíram felizes da perseguição, foram açoitados, mas ficaram felizes, porque puderam servir a Deus. Nós ficamos felizes, quando servimos a Deus? Que alimento podemos oferecer? Terminado a refeição, Jesus faz a pergunta direto a Pedro, Pedro pensa que Jesus está caçoando dele, porque ele negou Jesus três vezes e agora Jesus pergunta três vezes: Pedro, tu me amas? Na realidade não se trata disto, porque Pedro tinha dificuldade de entender Jesus, sempre. Quando Jesus perguntava: Pedro, tu me amas como seu Deus, Pedro respondia: tu sabes que és o meu amigão. Jesus não quer ser amigão nosso. Nada contra as amizades, mas Jesus quer que vejamos nele a nossa salvação. Nem sempre, um amigo pode nos salvar. Aliás, o que mais acontece na hora de dificuldade é os amigos irem embora. Jesus fez esta experiência e, certamente, muitos de nós já fizemos também. Confiar tanto num amigo e na hora ele ir embora. Jesus não quer que vemos nele simplesmente um amigo. Quer que vejamos nele Deus. Na última vez que ele pergunta: Pedro, tu me amas? Aí, Jesus inverte a pergunta: Pedro, você acha que sou só seu amigão? Então, Pedro se dá conta de que Jesus é muito mais do que isto. Este Evangelho nos provoca a cada um de nós. Por que? Porque terminado o diálogo do amor, vem este pedido de Jesus: se tu me amas, segue-me. Como é que eu posso seguir Jesus? Ora, oferecendo ao mundo o alimento que o mundo precisa. Qual é o alimento que o mundo precisa? Sua Palavra, um alimento que nenhum padeiro pode fazer; a Eucaristia, o amor, a justiça, a misericórdia... é um alimento que o mundo está pedindo a todos nós. Não tenhamos medo de pescar do lado que Jesus pedir. O matrimônio é muito importante, é uma missão. O ser sacerdote consagrado ao ministério da Eucaristia é muito importante. Não tenham medo, lancem a rede para o lado que Jesus pedir se realmente amam este Jesus e deem ao mundo o alimento que lhe pedem. É fácil seguir o caminho que todos fazem. Muitas vezes, Jesus nos pede que lancemos as redes do outro lado e então podemos ser padres, freiras, nos consagrar aos ministérios de sua Igreja e mostrar o nosso amor a Jesus. Não tenha medo.
Que Deus nos ajude a fazer destas palavras, palavra vivas de nossa fé, na nossa vida.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André - SP


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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

A liturgia, neste santo tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria
e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!” Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!

É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do Mar da Galiléia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar... A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja. Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs... Sem Jesus, pescamos na noite escura.. Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante. E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na Celebração Eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda Celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada Domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o Discípulo Amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da Comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus. Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.
Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os Bispos de Roma, pergunta a João Paulo II, a Franciso: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!” Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo... Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração... Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! - E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o Sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma Bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,1-12) , a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)! Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado... a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a Rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz...
Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco... Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura... Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no Pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!
A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre. Amém.
D. Henrique Soares da Costa
 
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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Grande é o Senhor e imenso o seu amor.
- Deus de nossos Pais; Abraão, Isaac, Jacó... Vós que ressuscitastes o vosso Filho Jesus, nós vos damos graças pelo testemunho dos Apóstolos em Jesus, nosso Salvador: Pai, que o Espírito Santo fortaleça a nossa consciência para que tenhamos a coragem de vos obedecer mais a vós do que aos homens.
T: Grande é o Senhor e imenso o seu amor.
- Pai, nós vos damos graças com as multidões que estão junto de vós na glória eterna: aqui, nós também damos glória e louvor ao Cordeiro, vosso Filho, que se doou por nós até a morte de cruz; a ele, honra, glória e louvor para sempre
T: Grande é o Senhor e imenso o seu amor.
- Pai, vos louvamos, vos bendizemos e vos pedimos a graça da coragem para que obedeçamos a ordem de lançar as redes, para que acolhamos aos que sofrem, aos injustiçados e aos  que ignoram vosso amor e vossa bondade. Somos a vossa igreja que continua a obra da construção de vosso Reino. 
T: Grande é o Senhor e imenso o seu amor.

- Pai nosso... - A paz, Aleluia...  - Eis o Cordeiro...


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Nesses três primeiros domingos da Páscoa temos lido os relatos das aparições de Jesus Ressuscitado aos discípulos. Porém, mais do que se fazer ver, Jesus está preparando e conduzindo os seus discípulos para a missão. Pois esta será o sinal mais convincente de que Aquele que morreu e foi sepultado, está vivo e vai à frente dos seus. 
O capítulo 21 de João, considerado um acréscimo ao evangelho original, é uma belíssima e profunda reflexão do que significa o encontro da comunidade com o Ressuscitado, que nunca desiste de renovar-lhe a missão a fim de que ela seja verdadeiramente a sua comunidade, as testemunhas da sua ressurreição.
Podemos identificar dois momentos nesse relato: a pesca dos sete discípulos e o diálogo entre Jesus e Simão Pedro. Pedro e os seis outros discípulos, símbolo da totalidade da Igreja, para cumprir plenamente a sua missão, precisam se converter de pescador em pastor. Pois o seu Mestre, um dia como pescador, os puxou para o seguimento, mas dando a vida por eles, revelou-se o verdadeiro pastor. Portanto, não basta apenas ser pescador, atrair, puxar, mas é preciso ser pastor, isto é, dar a vida. Não podemos reduzir a missão do Ressuscitado a um proselitismo de redes cheias, mas a missão se realiza quando há vida e vida em plenitude, pois este é o compromisso do pastor: “O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (IV Domingo).
A primeira cena (a pesca) prepara a conversão de Pedro. Ele tomando a iniciativa e comandando a pesca, faz a experiência da humilhação: “Naquela noite não apanharam nada”. Técnica (de noite) e recursos (barca, redes) não foram suficientes para o sucesso. Além do mais, precisam reconhecer publicamente este fracasso: “Filhos, não tendes nenhum peixe? Responderam: NÃO” Assim é a missão que se apoia em si mesmo, fechando-se na sua auto referencialidade. Sem o reconhecimento da presença do Ressuscitado, a pesca continuará sem frutos. Uma vez reconhecida esta presença, não é mais o pescador que dá as ordens, mas agora é o Pastor-cordeiro, morto e ressuscitado (“Já tinha amanhecido e Jesus estava de pé na margem”) que indica a direção da missão: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Na obediência (escuta atenta) à palavra de Jesus, não apenas conseguiram apanhar peixes, mas fizeram a descoberta da sua presença: “Então o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: ‘É o Senhor!’” O discípulo amado, mais uma vez, precede a Pedro (20,4), porém o ajuda a chegar onde ele chega primeiro. Simão Pedro dá mais um passo na sua conversão: “Pedro ouvindo que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu e lançou-se a si mesmo no mar”. Três atitudes fundamentais no processo de conversão de Pedro: ouvir, vestir-se e lançar-se. Pedro ouviu a Boa Notícia: “É o Senhor!”, vestiu-se (reconhecendo que estava nu como Adão depois do pecado) e atirou-se ao mar: retornou para o Mestre. Tanto o verbo “lançar as redes” como o “atirar-se de Pedro” são o mesmo (grego: balo). Lançando-se ao mar, prepara-se para a sua fundamental mudança de pescador, que lança redes, para pastor que se entrega a si mesmo (lançou-se a si mesmo) pelas ovelhas. 
Assim como o discípulo amado, ao chegar primeiro ao sepulcro, permite que Simão Pedro entre antes dele, agora anunciando que era o Senhor, impulsiona Pedro a chegar primeiro lá onde Jesus estava. Abandonando a barca, vai até Jesus nadando. De pescador, torna-se peixe, assim como para aprender a ser pastor, deve reconhecer-se também ovelha entre as ovelhas do redil do Mestre, para aprender a amá-las verdadeiramente.
A segunda cena (ceia e diálogo) confirma a conversão do pescador Simão Pedro, agora tratado como ovelha para aprender a ser pastor. O convite para a refeição: “Vinde comer!” é sinal de que o anfitrião é verdadeiramente Pastor, aquele que “conduz as ovelhas para os prados verdejantes, restaura as forças e prepara uma mesa à frente dos inimigos” (Sl 22). É justamente nessa refeição que Jesus não apenas refaz as forças dos fatigados pescadores, mas restaura-lhes a vocação e a missão de pastor: “Apascenta as minhas ovelhas”. Contudo, a conversão é um processo continuo; as três perguntas feitas a Pedro indicam um longo caminho a seguir. Nas duas primeiras, Jesus pergunta se Pedro o ama e a prova maior desse amor é dar a vida (grego: “agapas me?”). Pedro de forma muito honesta, apesar de humilhante, pois não tendo ainda dado a vida por Jesus, poderia responder apenas: “Eu te quero bem” (grego: “filo se”). Considera-se amigo de Jesus, está a caminho de morrer por Ele, mas ainda não o fizera. 
Na terceira vez, Jesus acolhe a resposta honesta de Pedro, e transforma-a em pergunta: “Tu me queres bem?”. Sentindo a dor de um amor não pleno (filia: amizade), Pedro não pode negar e, mesmo aflito (grego: lupeo), assume absolutamente a sua verdade: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te quero bem”. Mesmo havendo dito: “Darei a minha vida por ti” (Jo 13,37), por três vezes, naquela mesma noite, declarou não ser discípulo dele rejeitando a possibilidade de dar a vida pelo Mestre, de provar que o amava plenamente (Jo 18,17.25.27). Porém, no encontro com o Ressuscitado, apesar da sua dor profunda diante da consciência de não ter ainda amado o Mestre até os extremos, Simão Pedro é renovado na sua esperança de provar seu amor perfeito ao ouvir o misericordioso convite: “Segue-me”, não mais para ser pescador de homens, mas para dar a vida como fez o seu Bom Pastor.
Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ