quinta-feira, 16 de julho de 2015

16º Domingo Tempo Comum, homilias dominicais, homilias

16º Domingo Tempo Comum 2015 – Ano B (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINÓPSE:
TEMA: Jesus é o Bom Pastor. “O Senhor é o pastor que nos conduz.”
Primeira leitura, o profeta Jeremias condena os pastores que usam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios projetos pessoais e Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu “rebanho”.
Evangelho a proposta salvadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos.
Segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso, que os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado.

PRIMEIRA LEITURA (Jr 23,1-6) Leitura do Livro do Profeta Jeremias. “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem, diz o Senhor! Deste modo, isto diz o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: vós dispersastes o meu rebanho e o afugentastes e não cuidastes dele; eis que irei verificar isso entre vós e castigar a malícia de vossas ações, diz o Senhor. E eu reunirei o resto de minhas ovelhas de todos os países para onde forem expulsas, e as farei voltar a seus campos, e elas se reproduzirão e multiplicarão. Suscitarei para elas novos pastores que as apascentem; não sofrerão mais o medo e a angústia, nenhuma delas se perderá, diz o Senhor. Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranquilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’”.

AMBIENTE - Jeremias, exerceu a sua missão profética desde 627 a.C., até depois da destruição de Jerusalém pelos Babilónios (586 a.C.).
A primeira fase da pregação de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei leva a cabo uma impressionante reforma religiosa, destinada a banir do país os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste período, traduz-se num constante apelo à conversão, à fidelidade a Jahwéh e à aliança. No entanto, em 609 a.C., Josias é morto, em combate contra os egípcios. Joaquim sucede-lhe no trono. A segunda fase da atividade profética de Jeremias abrange o tempo de reinado de Joaquim (609-597 a.C.).
O reinado de Joaquim é um tempo de desgraça e de pecado para o Povo. Nesta fase, o profeta  critica as injustiças sociais (às vezes fomentadas pelo próprio rei) e a infidelidade religiosa (traduzida, sobretudo, na busca das alianças políticas: procurar a ajuda dos egípcios significava não confiar em Deus e, em contrapartida, colocar a esperança do Povo em exércitos estrangeiros). Jeremias está convencido de que Judá já ultrapassou todas as medidas e que está iminente uma invasão babilónica que castigará os pecados do Povo de Deus. É, sobretudo, isso que ele diz aos habitantes de Jerusalém… As previsões de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Judá e deporta para a Babilónia uma parte da população de Jerusalém.
No trono de Judá fica, então, Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da missão profética de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante este reinado.
Após alguns anos de calma submissão à Babilônia, Sedecias volta a experimentar a velha política das alianças com o Egito. Jeremias não está de acordo que se confie em exércitos estrangeiros mais do que em Jahwéh… Mas, nem o rei, nem os notáveis lhe prestam qualquer atenção à opinião do profeta. Considerado um amargo “profeta da desgraça”, Jeremias apenas consegue criar o vazio à sua volta.
Em 587 a.C., Nabucodonosor põe cerco a Jerusalém; no entanto, um exército egípcio vem em socorro de Judá e os babilónios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias aparece a anunciar o recomeço do cerco e a destruição de Jerusalém. Acusado de traição, o profeta é encarcerado e corre, inclusive, perigo de vida (Jer 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendição, Nabucodonosor apossa-se de Jerusalém, destrói a cidade e deporta a sua população para a Babilônia (586 a.C.). O texto de hoje faz referência a esses tempos, em que Judá, sem líderes capazes, já perdeu as referências e a esperança no futuro. No texto, Deus condena os “pastores” de Israel porque dispersaram as ovelhas do rebanho, o que parece aludir ao exílio na Babilónia.
Provavelmente, este texto deve situar-se entre 597 e 586 a. C., no tempo que vai desde o primeiro exílio (após a primeira queda de Jerusalém – 597 a. C.) ao segundo exílio (após a segunda tomada de Jerusalém pelos Babilónios – 586 a. C.).

MENSAGEM - Os interesses pessoais, as jogadas políticas, a inconsciência dos líderes trouxeram consequências funestas ao Povo, ao “rebanho” de Deus. Os líderes de Judá não procuraram servir o Povo, mas serviram-se do Povo para concretizar os seus objetivos pessoais. Ora, o “rebanho” não é propriedade dos “pastores”, mas do Senhor… Deus chamou-os a uma missão de cuidar do seu “rebanho” e eles falharam totalmente.
Depois da culpa, vem a sentença: Deus vai “ocupar-se” desses maus pastores: vai castigá-los, pedir-lhes contas das suas más ações. O próprio Jahwéh vai intervir, no sentido de salvar o seu “rebanho”. A intervenção de Deus justifica-se pelo fato de se tratar do “rebanho” do Senhor e de Ele ter responsabilidades para com as suas ovelhas.
A intervenção de Deus vai desenvolver-se em três momentos… O primeiro é a repatriação dos exilados: as ovelhas serão devolvidas “às sua pastagens para que cresçam e se multipliquem”. Para esta tarefa, Ele mesmo vai liderar o processo de libertação e de regresso dos exilados à terra.
O segundo momento da intervenção de Deus consiste na escolha de “pastores” exemplares. A missão desses “pastores” será, simplesmente, “apascentar”. Isso implica o cuidado, a solicitude, o amor, a ternura pelo rebanho…
Esses pastores estarão ao serviço do rebanho e não usarão o rebanho para concretizar os seus interesses pessoais. As “ovelhas” aprenderão a confiar nesse “pastor” que as ama e não terão mais “medo”.
O terceiro momento da intervenção de Deus é projetado para um futuro. Promete a chegada de um “rebento justo” da dinastia de David. A imagem tirada do reino vegetal (“rebento”) sugere fecundidade e vida em abundância, porque ele dará vida em abundância ao rebanho de Jahwéh. Ele assegurará “o direito e a justiça” e trará salvação e segurança ao Povo de Deus. O nome desse rei será “o Senhor é a nossa justiça, pois é Deus que o legitima e a sua missão será administrar a justiça que Deus quer. Garantindo a justiça, esse “pastor” irá trazer a harmonia, a paz, a tranquilidade, a salvação, a vida verdadeira ao Povo de Deus. Esta promessa com contornos messiânicos pretende anular a frustração e o desespero e inaugurar um tempo de esperança para o Povo de Deus.

ATUALIZAÇÃO - ¨ o nosso texto mostra a preocupação de Deus com a vida e a felicidade do seu Povo. Nos momentos conturbados da nossa história sentimo-nos, muitas vezes, órfãos, perdidos e abandonados. Sentimo-nos, então, “ovelhas” sem rumo e sem destino, abandonadas à nossa sorte. Por vezes, no nosso desespero, apostamos em “pastores” humanos que, em lugar de nos conduzirem para a vida e para a felicidade, nos usam para realizar os seus projetos egoístas… A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo garante-nos que Deus é o “Pastor” que se preocupa conosco, que está atento a cada uma das suas “ovelhas”; Ele cuida das nossas necessidades e está disposto a intervir na nossa história para nos conduzir por caminhos seguros e para nos oferecer a vida e a paz. É n’Ele que temos de apostar, é n’Ele que temos de confiar.
¨ As ameaças contra os maus pastores apresentadas neste texto de Jeremias talvez nos tenham levado a pensar nos líderes do mundo, nos nossos governantes e, também, nos líderes da Igreja. Na verdade, a nossa história está cheia de pessoas encarregadas de cuidar da comunidade humana usaram o “rebanho” em benefício próprio e magoaram, torturaram, roubaram, assassinaram, privaram de vida e de felicidade essas pessoas que Deus lhes confiou… este texto convida-nos a refletir sobre a forma como tratamos os irmãos, na família, na Igreja, no emprego, em qualquer lado… os irmãos que caminham conosco não estão ao serviço dos nossos interesses pessoais e que a nossa função é ajudar todos a encontrar a vida e a felicidade.
¨ O texto faz referência a “um rei” que Deus vai enviar ao seu Povo. Jesus é a concretização desta promessa.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 22 (23)

O Senhor é o pastor que me conduz: Felicidade e todo bem hão de seguir-me!

• O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. / Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes me encaminha / e restaura as minhas forças.
• Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. / Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei; / estais comigo com bastão e com cajado; / eles me dão a segurança!
 • Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo, / e com óleo vós ungis minha cabeça; / o meu cálice transborda.
• Felicidade e todo bem hão de seguir-me / por toda a minha vida; / e na casa do Senhor habitarei / pelos tempos infinitos.

EVANGELHO (Mc 6,30-34) Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

AMBIENTE - O Evangelho do domingo passado mostrava-nos Jesus enviando os discípulos, dois a dois, para pregarem o arrependimento, expulsarem os demónios, ungirem e curarem os doentes. O Evangelho deste domingo apresenta-nos o regresso dos enviados de Jesus. A missão correu bem e os “apóstolos” estão entusiasmados, mas naturalmente cansados.

MENSAGEM - Jesus convida-os a irem com Ele para um lugar isolado e a descansarem. Os discípulos foram, com Jesus, para um lugar deserto; mas as multidões adivinharam para onde Jesus e os discípulos se dirigiam e chegaram primeiro. Ao desembarcar, Jesus viu as pessoas, teve compaixão delas (“porque eram como ovelhas sem pastor”) e pôs-se a ensiná-las. A catequese apresentada por Marcos desenvolvesse à volta dos seguintes pontos:
1. Os apóstolos são os enviados de Jesus, chamados a continuar no mundo a missão de Jesus. Essa missão consiste em anunciar o Reino.
2. A referência à necessidade de os “apóstolos” descansarem (pois nem sequer tinham tempo para comer) pretende ser um aviso contra o ativismo exagerado, que destrói as forças do corpo e do espírito e leva, tantas vezes, a perder o sentido da missão.
3. Os “apóstolos” são convidados por Jesus a irem com Ele para um lugar isolado. É ao lado de Jesus, escutando-O, dialogando com Ele, gozando da sua intimidade, que os discípulos recuperam as suas forças.
4. Jesus, cheio de compaixão, compara a multidão a um rebanho sem pastor. Não é nos líderes religiosos ou políticos que elas encontram esperança; não é nos ritos da religião tradicional que elas encontram paz e sentido para a vida… Mas é em Jesus e na sua proposta que encontram vida plena.

ATUALIZAÇÃO - ¨ A proposta salvadora Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos são as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”.
¨ A missão dos discípulos não pode ser desligada de Jesus. Os discípulos devem, com frequência, reunir-se à volta de Jesus, dialogar com Ele, escutar os seus ensinamentos, confrontar a pregação feita com a proposta de Jesus. Por vezes, os discípulos mergulham num ativismo descontrolado e acabam por perder as referências; deixam de ter tempo e disponibilidade para se encontrarem com Jesus, para confrontarem as suas opções e motivações com o projeto de Jesus… Por vezes, passam a “vender”, como verdade libertadora, soluções que são parciais e que geram dependência e escravidão (e que não vêm de Jesus); outras vezes, tornam-se funcionários eficientes, que resolvem problemas sociais pontuais, mas sem oferecerem às “ovelhas sem pastor” uma libertação verdadeira e global; outras, ainda, cansam-se e abandonam a atividade e o testemunho… Jesus é que dá sentido à missão do discípulo e que permite ao discípulo, tantas vezes fatigado e desanimado, voltar a descobrir o sentido das coisas e renovar o se empenho.
¨ A comoção de Jesus diante das “ovelhas sem pastor” é sinal da sua preocupação e do seu amor. Revela a sua sensibilidade e manifesta a sua solidariedade para com todos os sofredores. A comoção de Jesus convida-nos a sermos sensíveis às dores e necessidades dos nossos irmãos. Não podemos
ficar no nosso canto, comodamente instalados, com a consciência em paz (porque até já fomos à missa e rezámos as orações que a Igreja manda), a ver o nosso irmão a sofrer. Um cristão é alguém que tem de sentir como seus os sofrimentos do irmão.

SEGUNDA LEITURA (Ef 2,13-18) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos: agora, em Jesus Cristo, vós, que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos, pelo sangue de Cristo. Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade. Ele aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos. Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade. Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz aos que estavam próximos. É graças a ele que uns e outros, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai.

AMBIENTE - O tema central da Carta aos Efésios é aquilo a que Paulo chama “o mistério”: o desígnio (ou projeto) salvador de Deus, definido desde toda a eternidade, escondido durante séculos aos homens, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos, desfraldado e dado a conhecer ao mundo na Igreja. O texto que nos é aqui proposto integra a parte dogmática da carta. Depois de refletir sobre o papel de Cristo no projeto de salvação que Deus tem para os homens, Paulo refere-se à reconciliação operada por Cristo, que com a sua doação uniu judeus e pagãos num mesmo Povo.

MENSAGEM - Paulo dirige-se aos pagãos (“vós outrora longe de Deus” – vers. 13) e explica-lhes que foi pelo sangue de Cristo que eles se aproximaram de Deus. Antes, eles adoravam os ídolos e tinham convicções religiosas; mas desconheciam o verdadeiro Deus e a sua proposta de salvação; agora, foram admitidos a fazer parte da família de Deus. Além disso, a entrega de Cristo derrubou a tradicional barreira de inimizade que separava judeus e pagãos e fez de todos um único Povo. Os judeus, convencidos de que eram um Povo à parte, desprezavam os pagãos e não queriam qualquer contato com eles. Os pagãos, por sua vez, nutriam um profundo desprezo pelos judeus, pela sua diferença, pela sua arrogância… Ora, Cristo veio apresentar uma proposta de vida que é para todos, sem exceção. Agora, não é a pertença a um determinado Povo, mas a forma como se responde à proposta de vida que Jesus faz. Na nova economia da salvação, o que conta é a disponibilidade para acolher a vida que Deus oferece e ser Homem Novo. Nasce, assim, um “corpo” que integra os mais diversos membros, pertencentes a todos os da família humana. Todos aqueles que aceitaram integrar a comunidade de Jesus, sem diferenças de etnias, de raças, de cor da pele, de classes sociais ou culturais, pertencem à mesma família, a família de Deus. Todos – judeus e pagãos – são, agora, membros da comunidade trinitária do Pai (que oferece a vida), do Filho (que vem ao encontro dos homens para lhes comunicar a vida do Pai) e do Espírito (que mantém unidos os membros deste “corpo” entre si e com Deus.

ATUALIZAÇÃO - Deus tem uma proposta de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; e essa proposta tem como finalidade inserir-nos na família de Deus. Todos são, igualmente, filhos amados. O nosso Deus é um pai que não marginaliza nenhum dos seus filhos; e, se tem alguma predileção, é pelos mais débeis, pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos que mais sofrem.
¨ No mundo de hoje o fenómeno da globalidade aproxima-nos dos outros homens que partilham conosco esta casa comum que é o mundo e torna-nos mais tolerantes para com as diferenças. Contudo, subsistem muros – alicerçados nas diferenças raciais, políticas, religiosas, sociais, afetivas – que impedem uma total experiência de fraternidade universal. Nós, os discípulos desse Cristo que veio reconciliar “judeus e gregos” e fazer de todos “um só povo”, temos o dever de dar testemunho da paz e da unidade e de lutar objetivamente contra todas as barreiras que separam os homens.

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Ovelhas sem Pastor

A Liturgia de hoje nos convida a celebrar a fé em Jesus, que tem COMPAIXÃO das ovelhas sem Pastor...

Na 1a Leitura, Jeremias denuncia a infidelidade dos governantes de então.
Esses maus pastores provocaram o exílio de todo o povo.
A voz do profeta faz nascer no exílio a esperança de novos pastores, que lutem pela justiça e o direito. (Jr 23,1-6)

A 2ª Leitura nos afirma que Jesus derrubou todas as barreiras que separavam os homens e os reuniu num só povo, num só rebanho (Ef 2,13-18)

O Evangelho revela quem é o Pastor prometido: Jesus de Nazaré. (Mc 6, 30-34)

O texto nos apresenta DUAS CENAS em que Jesus atua com misericórdia e solicitude de um Pastor: Jesus acolhe os Discípulos e acolhe o Povo.

1) Jesus é PASTOR DE SEUS DISCÍPULOS:
Na volta da missão, do seu "estágio pastoral", os Apóstolos reúnem-se com Jesus como ovelhas ao redor do Pastor  e contam com alegria e entusiasmo as maravilhas realizadas... 
- Cristo escuta-os com interesse e, depois, mostra-lhes a necessidade de uma parada para o descanso e para uma interiorização. Por isso, convida-os a um lugar deserto. Jesus é para os discípulos Mestre e Pastor..

O texto é uma Catequese sobre o discipulado. Jesus forma seus discípulos:
- Envolve os discípulos na missão e leva-os a um lugar mais tranqüilo para poder descansar e fazer uma revisão.
   Preocupa-se do seu alimento e do seu descanso, porque a obra da missão era tal que não havia tempo para comer.
- Indica que anunciar a Boa Nova de Jesus não é só uma questão de doutrina, mas antes de acolhida, de bondade, de ternura, de disponibilidade, de revelação do amor do Pai.
* O Agente de Pastoral também muitas vezes se sente cansado e precisa do aconchego e da ternura do Bom Pastor. Precisa de DESERTO, de silêncio e de oração, para avaliar as motivações de sua atividade. Caso contrário, torna-se um funcionário do sagrado, que não mostra ao mundo o rosto compassivo do Pai.
   Jesus desaprova o ativismo exagerado que destrói as forças do corpo e do espírito e leva, muitas vezes, a perder o sentido da Missão.

- Quais os Inimigos do nosso tempo de Deserto?
   (o trabalho... atividades sociais e religiosas... a política?...)
- Quais as conseqüências?
   Esquecemos o cultivo pessoal... a família (filhos, esposa, marido), os amigos (solidão)... a religião...
2) Jesus é PASTOR DO POVO SOFREDOR.
- O Povo cansado e oprimido busca em Jesus acolhida e proteção.
- E Jesus: "teve compaixão...": "pareciam ovelhas sem pastor..."
  Renunciou ao breve descanso programado: "E voltou a ensinar..."

Jesus é o Pastor do seu povo, porque o alimenta com a sua palavra e o nutre com o evangelho da esperança.
Alimenta-o com a palavra do conforto, do encorajamento, o pão do amor, da ternura, da atenção.
Ele cuida de suas feridas, alivia suas dores, devolve-lhe a dignidade perdida ou roubada.
Reacende nele a alegria e a esperança de viver.

* Esse traço da personalidade de Jesus é um desfio para a Igreja e os seus ministros, para que não sejam burocratas do sagrado, mas irradiadores da compaixão do Pai diante das multidões, que ainda hoje continuam como "ovelhas sem pastor".

+ Quem são os Pastores hoje?
Pastores são todas as pessoas que têm responsabilidades na família, na escola, na catequese, nas pastorais, na sociedade...
Todos nós, discípulos missionários de Cristo, somos ungidos como pastores. Movidos por sentimentos de misericórdia e compaixão, somos chamados a reproduzir em nós os traços de Jesus, o bom Pastor…
Jesus tem compaixão e acolhe as pessoas, revelando o amor e a misericórdia de Deus;
O Bom Pastor conhece pelo nome, escuta... conduz para Cristo, para Deus.

- A Igreja, deve oferecer a tantas pessoas cansadas e oprimidas, que parecem ovelhas sem pastor, um espaço de repouso e de paz, através da experiência da oração profunda e da liturgia viva. Ao mesmo tempo, à imagem de Cristo, deve agir com misericórdia e compaixão diante da miséria humana.

à Quais as atividades exageradas que nos impedem momentos de deserto:
     Para nós... para a família... para os amigos... para a comunidade?
à Quem são as ovelhas sem Pastor?  
     A esposa, o marido, os filhos, os catequizandos, os alunos...
à Que significa concretamente para nós hoje: "ter compaixão"?



                                            Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, domingo passado nós vimos que Jesus enviara os apóstolos dois a dois para levarem a boa nova, anunciando que o Reino está próximo. Neste domingo vemos que eles voltaram felizes, porque creram na palavra de Deus, creram em Jesus Cristo, realizaram até o que achavam impossível e agora Jesus diz: vinde descansar um pouco. Isto é importante, porque vemos que o descanso vem de Deus. Tanto, que já no Gênesis capítulo 1, nós vemos a narrativa da criação do mundo e lá nos vemos que no sétimo dia Deus descansou. O que a Bíblia quer nos dizer é que até Deus descansa. Então, também nós, somos chamados ao descanso. Aí é que está. Agora, descansar, dentro da Palavra de Deus, tem um significado bem diferente daquele de não fazer nada. Descanso não é ócio. Ócio é alimentado pela preguiça, onde eu não faço absolutamente nada.
O descanso tem três aspectos importantes;
Primeiro, é a convivência gratuita com as pessoas. O descanso é o momento em que você se reúne com aqueles que são mais próximos, para a partir daí, não só por a conversa em dia, mas para realizar uma convivência boa e agradável. Eu tenho noção, de que muitas vezes, quando as pessoas se reúnem, acabem brigando, mas isso é porque nós não temos mais este hábito de nos encontrarmos de maneira gratuita. Tudo o que não estamos acostumados, nós estranhamos. Aí, diante daquele estranhamento, agente, de fato, resolve colocar em dia até coisas atravessadas. Aí dá briga. Mas, se conseguirmos superar este momento, nós vamos ver que este encontro é bastante agradável.
Segundo ponto, dentro do descanso, eu sou chamado a fazer aquilo que me realiza; ou ler um livro, passear pode até ser de bicicleta, ou assistir um filme que estou para ver e já faz algum tempo, ou é visitar um amigo que faz tempo que não o vejo, ou seja, algo que me deixa feliz, e sempre na gratuidade.
Terceiro ponto do descanso, é respeitar o descanso do outro. Então, é o dia da colaboração por excelência, onde eu não vou deixar o outro no fogão sozinho, porque eu estou descansando, porque o outro também precisa descansar. Eu não vou deixar que o outro faça as compras sozinho, porque eu estou descansando; tudo é na solidariedade. Por que estou chamando a atenção? Porque quando nós não temos clareza do que é importante, nós acabamos perdidos. Era assim que parecia aquele povo, que estavam atrás de um pastor. Alguém que pudesse ajuda-los a descobrir o rumo da vida. E diz o Evangelho, que estavam tão necessitados disto, que quando perceberam que Jesus se afastava com os apóstolos, correram atrás. Aqui é o segundo aspecto. Por que eu procuro Jesus? O que eu quero encontrar em Jesus? Muitas vezes, procuramos Jesus para termos mais um empregado. Mais um. Além daqueles que eu peço para me ajudar. Eu quero que ele faça exatamente como eu estou pensando. Caso contrário, eu me revolto. É importante saber com quem contar. A coerência diz que hoje eu posso contar com você e amanhã você pode contar comigo. Aí que entra o ponto. Quanto tempo eu disponibilizo para Jesus, para que ele possa contar comigo? Ah, mas eu não tenho tempo. Volta na questão do descanso. Por que para o Judeu é o sábado, para o Cristão é o domingo o dia de folga? Exatamente para eu poder estar disponível para visitar os amigos ilustres, um deles é Jesus. Então, não é possível passar pelo domingo sem partilharmos aquilo que aconteceu na minha semana. Mas, como eu não estou nem acostumado a visitar os pais, que dirá Jesus. Se eu não tenho tempo nem para visitar meus filhos, que dirá Jesus. Porque os pais e os filhos cobram a nossa visita. Jesus não. Ele não cobra. Por que Ele não cobra? Porque Ele sabe muito bem que quando você precisar, Ele vai estar lá. Aí é que está.
Tem um terceiro aspecto; Jesus quando encontra aquele povo, tem compaixão. Eu sempre falo isto, porque de fato é isto mesmo: o cristão não tem dó. Dó é um certo desprezo. É achar o outro inferior a você. O cristão tem compaixão. Ele se coloca junto, para partilhar as alegrias e tristezas. Então, Jesus olha aquele povo e vê que são como ovelhas sem pastor. E hoje? Os pastores que estão conosco aonde irão nos conduzir? É aí que preciso ter clareza de quem é o meu pastor? O salmo vai dizer: é o Senhor, o pastor que me conduz. Ora, se é Ele que me conduz mesmo, é preciso que eu experimente isto em nossa vida no dia a dia. Jesus vai dizer que Ele é o bom Pastor e dá sua vida pelas suas ovelhas. Jesus entregou sua vida para ninguém mais necessitasse morrer. Só que é preciso entender isso com clareza. Porque o preço de ter nascido é a morte. Que ninguém se iluda. Não é só hoje que celebramos sétimo dia de falecimento. Vamos celebrar amanhã, depois, e um dia será o nosso também. Se é assim, por que dizemos que quem crê em Jesus Cristo não morre? Quando eu comungo o Corpo de Cristo, quando eu comungo o sangue de Cristo, eu passo a fazer parte de Jesus e Ele venceu a morte, Ele, de fato, ressuscitou. Na medida em que eu passo a fazer parte do corpo de Jesus, eu não morro mais. Realmente o que aguardo é o dia em que o Reino vai estar totalmente construído e aí vamos celebrar eternamente. Não vamos mais passar pela morte. Ninguém deve ver a morte como um castigo, mas como algo natural, que vem por conta de nosso nascimento. Assim como é algo natural, também, crer na vida eterna, porque Deus não nos criou para a perdição. Porque se viver e depois acabar assim mesmo, seria um deus muito pobre, muito pequeno. Não, o nosso Deus é o Deus da vida. É o Deus que nos leva a contemplá-lo. Quando nós nos encontrarmos diante de Deus, então perceberemos o quanto de fato Ele é grandioso. .........................................................

Pe. Pedrinho

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Homilia de D. Henrique Soares
Se pensarmos bem, caríssimos em Cristo, tudo quanto a Igreja tem para dizer ao mundo é Jesus: ele é a Palavra viva do Pai, ele é o Salvador e a Salvação, é a ele que a Igreja dirige continuamente o olhar e o coração, para contemplá-lo, escutá-lo e nele beber das fontes da vida e da paz! Pois bem: é de Jesus que a Palavra santa hoje nos fala – de Jesus Bom Pastor!
Em Israel, pastores do povo eram seus dirigentes: reis, aristocracia, sacerdotes, escribas, profetas. Infelizmente, de modo freqüente, esses eram pastores maus e infiéis, pois não faziam o que era de se esperar de quem apascenta: não amavam o rebanho, dele não cuidavam, com ele não se preocupavam. Faziam como os políticos brasileiros de agora, esses mesmos que irão mostrar a cara lisa no programa eleitoral gratuito, enganando, mentindo e fazendo-se passar por bons, sem, no entanto, terem outra preocupação que o próprio bem-estar e os próprios poder e prestígio… Dos maus pastores, Santo Agostinho dizia que procuram somente o leite e a lã das ovelhas, sem com elas se preocuparem. O leite simboliza os bens materiais; a lã, o prestígio e os aplausos. Pobres ovelhas, o povo brasileiro, que mais uma vez serão assaltadas por cruéis ataques de pastores maus: mensaleiros, sanguessugas e gatunos de todos os níveis e especialidades. Que Deus ajude esse povo a discernir políticos de politiqueiros e os poucos preocupados com o bem comum, dos muitos ocupados com o próprio bem!
Contudo, não devemos esquecer de modo algum que os pastores do povo de Deus, que é a Igreja, são os ministros de Cristo: Bispos, padres e diáconos. A eles também o Senhor repreende neste hoje e a eles exorta a que se convertam e sejam pastores de verdade. Mas, quem é pastor de verdade na Igreja? Quem se deixa plasmar pelo verdadeiro Pastor, pelo único Pastor, aquele que é a própria justiça, a própria santidade de Deus: “Este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’”. Falamos de Jesus Cristo.
Ante os maus pastores da Israel, que infestaram todo o tempo do Antigo Testamento, o Senhor prometeu, da Casa de Davi, um novo pastor: “Eis que virão dias em que farei nascer um descendente de Davi; reinará e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra”. Aqui Deus fala do Messias; e esse Messias é a própria presença de Deus apascentando o seu povo: “Eu reunirei o resto de minhas ovelhas de todos os países para onde forem expulsas, e as farei voltar a seus campos, e elas se reproduzirão e multiplicarão”. Eis, portanto: um messias, presença do próprio Deus, Pastor do seu povo, cuidador do seu rebanho… É precisamente assim que o evangelho de hoje nos apresenta Jesus: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. Que imagem sublime, que cena tão doce! Jesus cansado, pensando em algo tão humano, tão legítimo: um dia de descanso em companhia dos Doze. E quando chega ao local escolhido para o merecido repouso, lá estava a multidão cansada e acabrunhada, sedenta de luz, sedenta de vida, sedenta de verdes pastagens, desorientada, como ovelhas sem pastor… E Jesus, Bom Pastor, esquece de si mesmo, deixa de lado seu cansaço e, cheio de compaixão, vai cuidar das ovelhas… Por isso mesmo, ele é o Pastor por excelência, o Belo, Perfeito, Pleno Pastor! Ele ama o rebanho, preocupa-se com ele, dele se compadece e por ele vai dando, derramando, diariamente, a própria vida. Nunca se viu Jesus poupar-se, nunca se testemunhou Jesus fazendo um milagre em benefício próprio, nunca se apanhou o Senhor buscando algum favor para si. Não! Toda a sua vida foi vida vivida para o rebanho por amor ao Pai, vida dada, vida doada, entregue de modo total… até a morte e morte de cruz. Tem razão São Paulo, quando diz aos Efésios, na segunda leitura de hoje: “Agora, em Cristo, vós que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos, pelo sangue de Cristo. Ele, de fato é a nossa paz!” Eis, caríssimos! O Bom Pastor, entregando a vida pela humanidade, nos atraiu, abrindo um novo caminho, suscitando uma nova esperança para judeus e pagãos, reunindo-os todos no seu aconchego, no seu coração de Pastor, dando-nos a paz e fazendo de nós a sua Igreja!
Igreja aqui reunida, em torno deste Altar, tu nasceste da dedicação do teu Pastor; tu és fruto da sua vida entregue amorosa e dolorosamente! O Apóstolo afirma, de modo profundo e comovente que Cristo “quis reconciliá-los, judeus e pagãos, com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade”. Prestai bem atenção: na carne de Cristo, no corpo ferido de Cristo, na vida dilacerada de Cristo, deu-se a nossa paz! – Ó Senhor Jesus, que tu mesmo, de corpo e alma, de sonho e de dor és o nosso repouso, és nossa segurança! Tu mesmo és a nossa paz! E quão alto foi o preço dessa paz! E tudo isso para que, no teu Santo Espírito, tivéssemos acesso Àquele a quem tu chamas de Pai, fonte de toda vida!
Caríssimos, tanto para nós, pastores, quanto para vós, ovelhas, o exemplo de Cristo é motivo de questionamento e chamado à conversão. Para nós, pastores, é forte apelo a que sejamos como ele, sejamos presença dele no meio do rebanho, tendo seus sentimentos, suas atitudes, participando de sua entrega total. Pastores que não apascentam em Cristo, que não vivem a vida de Cristo na carne de sua vida, não são pastores de fato; são maus pastores, ladrões e salteadores, como aqueles do Antigo Testamento. E para vós, ovelhas, que apelos o Bom Pastor hoje vos faz? Ele que se deu todo a vós como pastor, vos convida a que vos entregueis totalmente a ele como ovelhas. Como a ovelha do Salmo da Missa de hoje, que confia totalmente no seu pastor, ainda mesmo que passe pelo vale tenebroso, porque sabe que o pastor é fiel, que o pastor haverá de defendê-la, assim também nós, ovelhas do seu pasto, confiemo-nos ao Senhor, sigamo-lo, nele coloquemos a nossa existência. E que ele, cheio de amor e misericórdia, nos conduza às campinas verdejantes, nos faça descansar, restaure nossas forças, guie-nos no caminho mais seguro, nos prepare a mesa eucarística, unja-nos com o suave óleo do seu Espírito, faça transbordar a taça da nossa exultação e nos dê habitação na sua casa pelos tempos infinitos. Amem.
 D. Henrique Soares

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra)


LOUVOR SÁLMICO – O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS.
DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO DEUS.
POR JESUS, COM JESUS E EM JESUS, NO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
à Ó Deus, nosso Pai, abençoado seja o vosso Nome, sois eterno e único. Sois poderoso e repleto de amor. Sois nosso Deus e somos vosso povo. Vosso  Reino é glorioso para sempre.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
à Seja louvado e santificado o Vosso nome, pois sois o Senhor no mundo criado segundo Vossa vontade. Pai, fazei que acolhamos nossos compromissos do batismo e vivamos como cidadãos do alto na construção de Vosso Reino.
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
à Senhor, Que vosso nome Seja bendito, louvado, honrado, engrandecido e glorificado.
   ó Eterno, ó Deus santo!
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
à Pai, sede a nossa força e nossa defesa. Quando nos desviarmos do caminho correto,
   dai-nos o arrependimento para que vejamos
   os valores do vosso Reino. 
T: Bendito sejais, Senhor nosso Deus!
// PAI NOSSO... A Paz...  Eis o Cordeiro...



quinta-feira, 9 de julho de 2015

15º Domingo Tempo Comum, Homilia, Homilia dominical

15º Domingo Tempo Comum (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

TEMA: Deus atua no mundo através dos profetas escolhidos por Ele.
A primeira leitura: Amós: chamado e enviado por Deus, o profeta propõe aos homens os projetos Deus.
No Evangelho, Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão consiste em anunciar o Reino e lutar contra tudo que o impede de ser feliz. Jesus Convida-os à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais.
A segunda leitura: Deus tem um projeto de vida plena para cada um. Esse projeto, apresentado através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta.

PRIMEIRA LEITURA (Am 7,12-15) Leitura da Profecia de Amós. Naqueles dias, disse Amasias, sacerdote de Betel, a Amós: “Vidente, sai e procura refúgio em Judá, onde possas ganhar teu pão e exercer a profecia; mas em Betel não deverás insistir em profetizar, porque aí fica o santuário do rei e a corte do reino”. Respondeu Amós a Amasias, dizendo: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamoume, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo’”.

AMBIENTE - Amós, o “profeta da justiça social”, reino do Norte (Israel) (762 a. C.). A prosperidade e bem-estar das classes favorecidas contrastavam com a miséria das classes baixas.  A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os juízes, impedindo que o tribunal fizesse justiça aos mais pobres.
Entretanto, a religião florescia num esplendor ritual nunca visto. O culto não tinha nada a ver com a vida: os mesmos que participavam nesses ritos cultuais majestosos praticavam injustiças contra o pobre: o culto a Jahwéh misturava-se com rituais pagãos provenientes dos cultos a Baal e Astarte. É neste contexto que aparece Amós. Amós não é profeta profissional; mas, chamado por Deus, deixa a sua terra e parte para gritar à classe dirigente a sua denúncia profética. O episódio leva-nos até ao santuário de Betel. Trata-se de um lugar considerado sagrado. De acordo com Gn 35,1-8, Jacob construiu aí um altar e dedicou-o a Jahwéh.
Quando o Povo se dividiu em dois reinos, após a morte de Salomão (932 a.C.), os reis do norte (Israel) potenciaram o culto em Betel, para impedir que os seus súditos tivessem de deslocar-se a Jerusalém, situado no reino inimigo do sul (Judá).
Então, Betel transformou-se numa espécie de “santuário oficial” do regime, onde o culto era financiado, em grande parte, pelo próprio rei. O sacerdote que presidia ao culto era uma espécie de “funcionário real”, encarregado de zelar para que os interesses do rei fossem defendidos. O sacerdote do santuário era Amasias. Amós criticou as injustiças cometidas pelo rei e pela classe dirigente; e, certamente, denunciou, nesse lugar, um culto que era aliado da injustiça e que procurava comprometer Deus com os esquemas corruptos dos poderosos.

MENSAGEM - O sacerdote Amasias é o homem da religião oficial, voltada aos interesses do rei, comprometida com o poder político. Trono e religião são ligados por interesses mútuos, para manter o “statu quo” e os privilégios. O próprio Amasias tem muito a perder já que é um funcionário real cuja função é defender os interesses do rei. A religião de Amasias é uma religião escrava dos interesses, que se ajoelha diante dos poderosos e que está fechada aos desafios de Deus. A denúncia de Amós soa a rebelião contra os interesses do poder. Por isso, Amós é denunciado, convidado a deixar o santuário e a voltar à sua terra para “ganhar aí o seu pão”. A resposta de Amós deixa claro que o profeta é um homem livre, que não atua por interesses humanos, mas por mandato de Deus. A iniciativa de ser profeta não foi sua… Deus é que veio ao seu encontro e convocou-o para a missão. O profeta não está preocupado com os interesses do rei ou com os interesses do sacerdote Amasias,… Doa a quem doer. Ele não pode, nem quer ficar calado… A sua missão vem de Deus e Deus é infinitamente maior do que o rei. Amós anuncia  o castigo para o rei, para Amasias e para toda a nação infiel.

ATUALIZAÇÃO    **¨ O profeta é um homem escolhido e enviado por Deus.
**¨ O profeta é um homem livre, que não se amedronta nem se dobra face aos interesses dos poderosos. O profeta não pode calar-se perante a injustiça, a opressão, a exploração.
**¨ Amasias é o homem instalado nos privilégios, que cala a voz da própria consciência;
Amós é o profeta livre da preocupação com os bens materiais, que não está preocupado com a defesa dos próprios interesses, mas sim com a defesa dos interesses dos pobres e marginalizados, que são os interesses de Deus.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 84 (85)

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!

• Quero ouvir o que o Senhor irá falar: / é a paz que ele vai anunciar. / Está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra.
• A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão; / da terra brotará a fidelidade, / e a justiça olhará dos altos céus.
• O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas; / a justiça andará na sua frente / e a salvação há de seguir os passos seus.

EVANGELHO (Mc 6,7-13) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!” Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

AMBIENTE  -     À medida que o “caminho do Reino” avança, os discípulos vão aparecendo cada vez mais ligados a Jesus e cada vez mais implicados no projeto do Reino. Chamados por Jesus, eles responderam positivamente a esse chamamento e seguiram-n’O; depois, durante a caminhada que fizeram com Jesus, eles escutaram os ensinamentos de Jesus e testemunharam os seus gestos e sinais. Formados por Jesus na “escola do Reino”, os discípulos podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada desse mundo novo que Jesus chamava o “Reino de Deus”. Romanos 14:17  Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
 
MENSAGEM
O nosso texto é uma catequese sobre a missão dos discípulos de Jesus.
Marcos deixa claro que a iniciativa do chamamento é de Jesus: Ele “chamou-os”.
São enviados “doze”. Número simbólico, que lembra as doze tribos do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus que é enviada em missão. É provável que o envio “dois a dois” tenha a ver com o costume judaico de viajar acompanhado, para ter ajuda e apoio em caso de necessidade; pode também pensar-se que esta exigência de partir em missão “dois a dois” tenha a ver com as exigências da lei judaica, de acordo com a qual eram necessárias duas testemunhas para dar credibilidade a qualquer anúncio (cf. Dt 19,15; Mt 18,16). Em qualquer caso, “dois a dois” sugere que a evangelização tem dimensão comunitária. Quem anuncia o Evangelho, anuncia-o em nome da comunidade.
Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros”); representam aqui tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de chegar à vida em plenitude. A missão dos discípulos é, pois, lutar contra tudo aquilo – seja de caráter físico, seja de caráter espiritual – que destrói a vida e a felicidade do homem. É da ação libertadora que nasce um mundo novo, de homens livres – o mundo do “Reino”.
Na perspectiva de Jesus, os discípulos devem partir para a missão, num despojamento total de todos os bens e seguranças humanas… não devem levar nem pão, nem alforje, nem moedas, nem duas túnicas. Os discípulos devem ser totalmente livres e não estar amarrados a bens materiais; caso contrário, a preocupação com os bens materiais pode roubar-lhes a disponibilidade para a missão. A eficácia da missão não depende da abundância dos bens materiais, mas sim da ação de Deus. Finalmente, a sobriedade e o desapego são sinais de que o discípulo confia em Deus.
Quando forem acolhidos numa casa, devem aí permanecer algum tempo e não devem saltar de um lugar para o outro, ao sabor das amizades, dos interesses. Quando não forem recebidos num lugar, devem “sacudir o pó dos pés” ao abandonar esse lugar: trata-se de um gesto que os judeus praticavam quando regressavam do território pagão e que simboliza a renúncia à impureza. Aqui, deve significar o repúdio pelo fechamento às propostas libertadoras de Deus.
Expulsavam demônios, curavam os doentes. Trata-se de continuar a missão de Jesus: libertar o homem de tudo aquilo que o oprime e lhe rouba a vida, para fazer aparecer um mundo de homens livres e salvos (“Reino de Deus”).
O anúncio que é confiado aos discípulos é o anúncio que Jesus fazia (o “Reino”); os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o “Reino” são os mesmos que Jesus fez. Jesus convida a Igreja (os discípulos) a continuar na história a obra libertadora que Ele começou em favor do homem.

ATUALIZAÇÃO
**¨ Deus age, hoje, no mundo através desses discípulos que aceitaram o chamado de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
**¨ Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para dar testemunho do “Reino”. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”.
**¨ A missão dos discípulos de Jesus é lutar contra tudo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas econômicos geradores de bem estar) que geram miséria, marginalização, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça.
**  o discípulo nunca deve fazer dos bens materiais a sua prioridade fundamental. O discípulo que erige os bens materiais como a prioridade da sua vida sentirá sempre a tentação de se calar, de não incomodar os poderosos, a fim de preservar os seus interesses econômicos e os seus benefícios particulares.
**¨ Com frequência os discípulos de Jesus têm de lidar com a oposição e a recusa da proposta que eles testemunham. É um fato que deve ser visto com normalidade e compreensão.

8. SEGUNDA LEITURA (Ef 1,3-14) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios. Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra. Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.

sinopse: “Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo. N’Ele, pelo seu sangue deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: Em Cristo fomos constituídos herdeiros para servir à sua glória. Fostes marcados pelo Espírito Santo para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória”.

AMBIENTE
A cidade de Éfeso, capital da Província romana da Ásia. Importante porto e numerosa população. Paulo fez de Éfeso o quartel-general, a partir do qual evangelizou toda a zona ocidental da Ásia Menor.
Alguns vêem nesta carta uma síntese da teologia paulina. O tema mais importante da carta é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, revelado e concretizado plenamente em Jesus e tornado presente no mundo pela Igreja.

MENSAGEM
A ação de graças dirige-se a Deus, pois Ele é a fonte última de todas as graças concedidas aos homens. Essas graças atingiram os homens através do Filho, Jesus Cristo.
O Pai, no seu amor, elegeu-nos “para sermos santos”. A palavra “santo” indica que foi separado do mundo e consagrado a Deus, para o serviço de Deus. Além de nos eleger, o Pai predestinou-nos “para sermos seus filhos adotivos”.  Através de Cristo, o Pai ofereceu-nos a sua vida e integrou-nos na sua família na qualidade de filhos. O fim desta ação de Deus é o louvor da sua glória. “Eleição” e “adoção como filhos” resultam do imenso amor de Deus pelos homens – um amor que é gratuito, incondicional e radical. A morte de Jesus na cruz é o sinal evidente do espantoso amor de Deus pelos homens; e dessa forma, Deus ensinou-nos a viver no amor total e radical. Através de Cristo, Deus derramou sobre nós a sua graça, tornando-nos pessoas novas e diferentes, capazes de viver no amor. Assim, Deus manifestou-nos o seu projeto de salvação  e que consiste em levar-nos a uma identificação plena com Jesus. Da ação redentora de Cristo nasceu, pois, um Homem Novo, capaz de um novo tipo de relacionamento (não marcado pelo egoísmo, pelo orgulho, pela auto-suficiência, mas marcado pelo amor e pelo dom da vida) com Deus, com os outros homens e mulheres e com toda a criação. Dessa forma, em Cristo fomos constituídos filhos de Deus e herdeiros da salvação, conforme o projeto de Deus preparado desde toda a eternidade em nosso favor (vers. 11-12).
Os que aderiram a Jesus foram marcados pelo “selo” do Espírito. Esse “selo” é a marca que atesta a nossa integração na família divina e a garantia de que um dia participaremos na vida eterna, plena e verdadeira, conforme o plano que Deus tem para nós.

ATUALIZAÇÃO
**¨ Deus tem um projeto de vida plena e total para os homens, um projeto que desde sempre esteve na mente de Deus: não somos um acidente de percurso na evolução do cosmos, mas somos atores principais de uma história de amor que o nosso Deus sempre sonhou e que Ele quis escrever e viver conosco.  No meio das nossas desilusões e dos nossos sofrimentos, da nossa finitude e do nosso pecado, dos nossos medos e dos nossos dramas, não esqueçamos que somos filhos amados de Deus, a quem Ele oferece continuamente a vida definitiva, a verdadeira felicidade.
**¨ Deus “elegeu-nos… para sermos santos e irrepreensíveis”. “ser santo” significa ser consagrado para o serviço de Deus; tentar descobrir o plano de Deus e concretizá-lo dia a dia com verdade, fidelidade e radicalidade.
**¨ Jesus veio ao nosso encontro, cumprindo com radicalidade a vontade do Pai e oferecendo-Se até à morte para nos ensinar a viver no amor.

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A Missão

A Liturgia de hoje nos convoca à MISSÃO de anunciar Jesus Cristo, com a fé e com as obras.
A MISSÃO é o tema central desse domingo.

As Leituras bíblicas ilustram com alguns exemplos:

Na 1a Leitura, temos a Missão de AMÓS: (Am 7, 12-15)

Após a morte de Salomão, o reino por ele deixado dividiu-se em dois:
Israel ao norte e Judá ao Sul.
No Reino do Norte, a prosperidade das classes favorecidas contrastava com a miséria das classes baixas. O Rei, para se firmar no poder, manipulou a própria religião:
Proibiu as peregrinações a Jerusalém (no sul), criou o templo de Betel, pagava os sacerdotes e custeava os cultos solenes do templo, mas em troca de um apoio político…
Nesse ambiente, Amós, um humilde Pastor do Sul, é enviado a profetizar no Norte, para denunciar as injustiças cometidas pelo rei e pelas classes dominantes.
Sua palavra incomoda os "poderosos" e sofre forte rejeição e oposição.

- No texto, Amós entra em conflito com Amasias, o sacerdote oficial, que administra o santuário de Betel, aliado aos interesses do rei e é expulso: "Sai daqui, vá para Judá… Come lá o teu pão e profetiza por lá..."
Amós responde que não é profeta de profissão. É de vocação: "Sou vaqueiro e cultivo figos silvestres. Mas o Senhor me tirou do rebanho e me ordenou: VAI PROFETIZAR o meu povo, Israel." Amós não se compromete com as amarras humanas do poder...

A 2ª Leitura é um Hino que exalta o Plano de Deus:
Deus nos escolheu antes da criação do mundo e  nos predestinou a sermos seus filhos adotivos, em Cristo (Ef 1, 3-14)

No Evangelho, temos a Missão dos Apóstolos: (Mc 6, 7-13)

+ Jesus CHAMA os 12 e os ENVIA dois a dois a pregar.

O texto é uma Catequese sobre a Missão dos discípulos no mundo:

- A Origem do chamado está em Deus: o critério da escolha é misterioso...
- "Os doze" representam a totalidade do Povo de Deus.
- "Dois a dois" lembra que a evangelização é feita em nome da Comunidade
   e deve estar em sintonia com a fé da COMUNIDADE.

+ Dá algumas recomendações, válidas aos discípulos de todos os tempos:

- Deu-lhes o poder de libertar dos espíritos impuros, dos males:
  Tudo aquilo que se opõe à vida e à dignidade humana: a miséria, a injustiça, a fome...

- Exigências:
   - dos Apóstolos: Sobriedade e despojamento dos bens e seguranças humanas...
      A eficácia da missão depende da ação de Deus.
   - dos Destinatários: Hospitalidade e Acolhida...
       - aceitar a Palavra de Deus…
       - acolher o Enviado de Deus e prover às suas necessidades…
         Quem não o acolhe... fecha para si o caminho da salvação.

- Conteúdo:     - com o Anúncio: CONVERTER-SE e CRER no evangelho...
                        - com Sinais de libertação e de cura.

- Alerta: Nem todos irão acolher a sua mensagem...
  Encontrarão resistências, desinteresse e recusas...

+ Cristo ainda hoje nos chama e envia: "Vai profetizar… Vai evangelizar…"
Não importa a nossa profissão, nosso estado de vida, nossa cultura:
Vaqueiro como Amós ou Pescador como os apóstolos...
Importa, sim, a acolhida generosa ao chamado do Senhor.

O que é EVANGELIZAR? 

Continuar a missão de Jesus, que exige: Converter-se... Crer no evangelho... Libertar os oprimidos... Estar desprendido dos bens terrenos... Confiante na Misericórdia...

+ A Igreja nos convida a evangelizar:
   Após analisar a realidade brasileira, os Bispos do Brasil concluíram que a missão prioritária da Igreja nos próximos anos é EVANGELIZAR.
   Como?

EVANGELIZAR a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida rumo ao Reino definitivo.

O que significa para nós, hoje:
"Vai profetizar o meu povo, Vai evangelizar o meu povo"?

- Quem é esse povo para o qual somos enviados a evangelizar?
- De que devemos nos despojar para conseguir uma eficácia maior   em nosso trabalho apostólico? 
- Quais os demônios que devemos expulsar hoje?

Só com a graça e a força do Senhor se pode proclamar e semear a semente do Reino.
No caminho missionário o Senhor nos convida a levar conosco o cajado da fé e as sandálias da esperança, o pão de sua palavra que alimenta e sacia e a túnica que cobre o necessitado.

Todo Batizado deve ser missionário em seu ambiente...

                                       Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a liturgia neste final de semana nos chama a atenção para dois aspectos importantes; um, que Deus quer precisar do ser humano, não somente Amós é enviado a profetizar, como também cada um de nós é chamado a ser profeta. O profeta, muitas vezes é confundido com aquele que prevê futuro. Isto não existe, porque o futuro a Deus pertence. O máximo que conseguimos fazer é projetar, dado a situação atual, projetar o que vai acontecer daqui a alguns meses. Mal dá para se falar de um ano. O profeta não é o que adivinha as coisas. Por que eu estou dizendo isto? Porque aqui diz: “Naqueles dias, disse Amasias, sacerdote de Betel, a Amós: “Vidente... primeiro é necessário que agente veja; isto é, saiba confrontar a situação, o mundo, com aquilo que Deus nos fala. Se, por exemplo, há pobres, certamente não é de acordo com a vontade de Deus. Por que? Porque Deus já disse que justiça e paz te abraçarão. É o salmo de hoje. Ora, se eu percebo que as pessoas não respeitam umas as outras, então, eu digo: isto não é vontade de Deus. Porque Deus já nos predestinou a sermos seus filhos. Nenhum  pai, nenhuma mãe quer que um irmão desfaça do outro. Há um sofrimento profundo quando isto acontece. Então, veja, que o vidente, o profeta tem que ter um ponto de referência. A referência do vidente, do profeta é sempre a Palavra de Deus. Mas, tem um segundo aspecto, que às vezes é mal compreendido por nós; São Paulo fala da PREDESTINAÇÃO. E, aqui não é tão fácil nós compreendermos São Paulo, porque nós estamos habituados, como aquilo que normalmente se compreende por predestinado. Normalmente, nós compreendemos predestinado assim: alguém que tem um destino e tem que cumprir este destino. Ora, este destino não existe. Porque, então, nós não teríamos liberdade, sequer de pecar ou de não pecar. Já estaria traçado; você não vai pecar, e eu predestinado a pecar. Então, por mais que você quisesse, não conseguiria pecar, e eu por mais que quisesse, não conseguiria deixar de pecar. Não. Não é assim. A PRÉ-DESTINAÇÃO significa que Deus quer tratar todo homem e toda mulher como seus filhos. Isto está predestinado. Para isso Ele chama o mundo. E, já o provérbio, desde o capítulo 8, diz: desde a criação do universo, já Deus e a Sabedoria estavam alí presentes para realizar todas as coisas. E, São João vai nos ajudar a compreender que a Sabedoria que estava ao lado de Deus, é o próprio Jesus Cristo: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por Ele... de tudo que existe”.  De tal maneira, que a predestinação é exatamente esta: Deus criou todo o universo para que o ser humano pudesse, de verdade, conhecer o amor de Deus e escolhe-lo como seu Pai, como seu criador, seu mentor, seu orientador. A predestinação é esta. Agora, é evidente, que Deus na sua divindade garante, para cada ser humano, a liberdade. Liberdade de dizer: “Eu quero ser seu filho” e liberdade de dizer: “Eu não quero ser seu filho”. Então, a predestinação existe, mas não a DETERMINAÇÃO. A orientação existe, mas não a imposição. O desejo existe, mas não a obrigação. Cada um deve acolher Deus, de livre e espontânea vontade.
Aqui é que entra a segunda leitura e o Evangelho. A segunda leitura dizendo que somos predestinados ao amor de Deus e o Evangelho dizendo como podemos escolher aquilo que não conhecemos? Aqui que entra o nosso papel. Por que será que nós conhecemos Jesus e outros não?  Será atoa? Não. É uma graça de Deus. É uma graça que nos foi concedida, mas seria muito egoísmo de nossa parte, que esta graça fosse dada somente a nós. É aí que Jesus envia dois a dois para Evangelizar. Envia dois a dois para anunciar, para ajudar as pessoas a compreender quem é Deus. É claro que existe uma compreensão equivocada, uma maneira de ver Deus errada, quando vê Deus como aquele que não permite que eu seja feliz, que não permite que eu viva como um ser humano normal, que me proíbe tudo, que me impede de celebrar qualquer coisa. Não é assim. Muito pelo contrário. Deus é aquele que nos garante vida e vida em abundância. É aquele que quer que todos nós sejamos felizes aqui, nesta vida e na vida eterna. Ele não mediu esforço para isto, ao ponto que Ele se torna um ser humano, se tem alguém que vai sofrer, é Ele que vai sofrer tudo, exatamente para nos poupar. Seu sangue acaba nos garantindo toda esta alegria e esta liberdade. Agora, é evidente que nós somos livres, já falei isto várias vezes, para fazer o bem. Mas isto não deveria ser só daquele que teme a Deus. Isto deveria ser para todo ser humano. Todo ser humano deveria ser livre só para fazer o bem. É evidente, que nós somos limitados, aqui e ali aconteceram problemas, e a gente ia acabar errando, mas ficaria visível que foi um equivoco, sem querer. É claro, que ali não seria nem pecado. De fato, é algo que você conserta e vai em frente.
Agora, que o mundo prega é que somos livres para fazer o que quiser. Quando acontece isto, nem como animal o ser humano acaba se comportando. Se formos ver os animais, que não tem raciocínio, eles não fazem o mal. Eles só procuram a sua defesa. É diferente. Entre nós, não. Entre nós, muitas vezes, existe o mal. Existe o mal feito por opção, por escolha; isto não vem de Deus. Então, quem não quer fazer somente o bem, acha Deus um empecilho. Claro! Mas não é o caso. Nós cremos em Jesus Cristo, cremos em Deus. Nós cremos que Ele nos garante o bem.
Isto é o grande convite que nós somos chamados a apresentar para os outros. De tal maneira, que as pessoas conhecendo a Deus, possa escolher a favor de Deus, possa aceitar de ser seus filhos. Agora, se não quiserem me ouvir? O Evangelho diz: simplesmente faça a sua parte. Não querem te ouvir? – é uma expressão – pega suas sandálias, sacode a poeira e vau embora. Pelo menos, tentamos. Agora, tem um detalhe: este Evangelho vai ainda aparecer daqui a alguns dias. Os discípulos vão acreditar na Palavra de Jesus, vão e vão voltar felizes da vida, porque se surpreenderam: conseguiram realizar a missão que nem imaginavam. Por que? Porque quando eu me coloco a disposição de Deus, Deus realiza o restante.
Então, meus irmãos e irmãs, isto é uma palavra de ânimo para nós. Muitas vezes as pessoas dizem: não consigo falar nem em casa! Não tem problema. Vai tentando, vai falando, coloque-se a disposição de Deus. Se na sua casa todos já conhecem, tem o vizinho.  Eu não vou ser aquele inconveniente que vai parar uma festa e dizer: “agora, todos vão ouvir a Palavra”. Não. Não é assim. Nós vamos tratar disso, conversando eu e a pessoa num momento que me pedem uma mensagem,  na hora de fazer o bem, enfim, no dia a dia de nossa existência. Que ninguém desanime, que ninguém ache impossível, mas peça a força da Eucaristia para poder viver e para poder pregar a Palavra.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho

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Homilia de D. Henrique Soares

Hoje, a santa Palavra que Deus nos dirige nos fala de duas realidades: nossa missão de profetas e a mensagem de devemos comunicar.
Primeiro, a vocação de profeta. Escutamos na primeira leitura como Amós não poderia se calar. Ele mesmo reconhece: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo!’” Amós não era profeta profissional nem era de uma família tradicional de profetas. E, no entanto, o Senhor o tirou de trás do rebanho, tirou-o da sua vida, e o mandou falar em seu nome ao povo de Israel. No evangelho, vimos Jesus chamando os Doze e os mandando em missão: sem levar nada, confiando somente em Deus, correndo o risco de serem incompreendidos e rejeitados, eles deveriam ir, anunciando o Reino de Deus, que exige mudança de vida, conversão de pensamento, atitudes e modo de agir…
Meus caros, ainda hoje é assim; entre nós é assim! Deus continua falando, Deus continua escolhendo profetas, Deus continua dirigindo seu chamado ao mundo e a cada pessoa. Se escutarmos com atitude de fé a Palavra santa, se na oração nos abrirmos aos seus apelos, se estivermos atentos ao que ele nos fala no nosso coração, descobriremos que o Senhor também nos envia! Isso mesmo: todo cristão, pelo Batismo e a Crisma, participa da missão do Cristo Jesus, a missão de anunciar o Reino de Deus, revelando a face do Pai, que Jesus nos veio mostrar! É verdade que, na Igreja, há aqueles chamados para o ministério ordenado: Bispos, padres e diáconos que, em nome de Cristo, apascentam o rebanho e anunciam o Evangelho. Eles são os primeiros responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus. Mas, todo o povo de Deus, todos os batizados e crismados, cada um de nós, tem a missão de falar em nome do Senhor e, em nome de Cristo, levar a luz nas trevas, a paz nas tensões e angústias, a esperança no desespero, a vida nova nas situações de morte. Somos todos um povo de profetas, caríssimos e, se nos calarmos, se nos omitirmos, seremos culpados de escondermos e sufocarmos a Palavra do Senhor de que o mundo tanto necessita!
Aqui cabe um urgente exame de consciência. Quantas oportunidades temos de falar de Cristo, de anunciar a vontade e o plano de Deus, de dar testemunho do seu amor e da sua presença – e nos calamos, nos omitimos, como se Cristo não fosse uma questão nossa! Quantas vezes somos cristãos cansados, cristãos omissos, cristãos comodistas! Os pais aqui presentes têm anunciado Jesus a seus filhos, têm sido seus primeiros evangelizadores e catequistas? Têm rezado com eles? Têm procurado lavá-los à Igreja? Marido e mulher, têm sido um para o outro um sinal de Deus, uma palavra e uma presença de Cristo? Têm procurado construir o lar como um sinal do Reino dos Céus? E os jovens cristãos, têm sido sinal de Nosso Senhor no mundo em que vivem? Têm feito e vivido as várias experiências da vida como discípulos de Cristo? Eis, meus caros irmãos! Não esqueçamos que nós somos os profetas, nós somos os enviados do Senhor! É esta a primeira lição que hoje a Palavra de Deus nos dá. No trabalho, no amor, no descanso, no estudo, nas relações sociais somos as testemunhas do Senhor nosso! Um dia, certamente seremos cobrados por isso; o Senhor nos pedirá contas!
Um segundo aspecto para nossa meditação é o que diz São Paulo na segunda leitura. Aí ele apresenta de modo maravilhoso aquilo que devemos comunicar ao mundo com a palavra e com a vida, isto é, o conteúdo da nossa fé cristã, o grande sonho de Deus para o mundo e para a humanidade. O que nos diz o Apóstolo? Diz-nos que antes da criação do mundo, o Pai sonhou conosco! As montanhas ainda não existiam, as estrelas ainda não brilhavam e o Pai, em Cristo, já sonhava em criar tudo, em nos criar – a mim e a você – e nos mandar o seu Filho amado. Por ele, o Pai criou tudo, por ele, na força do Santo Espírito, o Pai, desde o princípio, cumulou de bênçãos a sua criação. Seu maior sonho era nos mandar Jesus, o Filho feito um de nós, para que ele nos levasse à plenitude da amizade com o Pai na potência do Espírito. E quando nós pecamos, quando a humanidade, desde o princípio, fechou-se para Deus e para o seu sonho, o Pai nem assim desistiu do seu amor: na plenitude dos tempos ele enviou o seu Cristo para que, morrendo na cruz, ele nos libertasse do nosso pecado de teimosia e fechamento e, enchendo-nos do seu Espírito Santo, nos desse já o gostinho, as primícias da vida eterna. Essa vida, nós já a experimentamos aqui, em Jesus, ouvindo sua Palavra, convivendo com os irmãos como membros da Santa Igreja e, sobretudo, participando dos santos sacramentos, de modo especial da Eucaristia, que é Pão do céu, alimento que nos traz já o sabor da vida de Deus.
Eis, caríssimos! Somos enviados por Jesus ao mundo para testemunhar o plano, o sonho de amor para toda a humanidade, que o Pai desde toda eternidade acalentou e realizou em Cristo Jesus, tornando-o presente para nós pelo ministério da Igreja! Estejamos certos de uma coisa: somos parte desse sonho, somos cooperadores desse sonho! Que nossa vida, nossas palavras, nosso compromisso, testemunhem tornem presente esse sonho lindo de Deus!
Olhemos a cruz, conseqüência do nosso pecado, e tomemos consciência do quanto somos caros a Deus, do quanto somos preciosos, do quanto somos amados e do quanto somos chamados a amá-lo e participar da obra de salvação do mundo!
É esta a mensagem deste Domingo, é este o apelo do Senhor! Não sejamos surdos, mas como Amós, como os Doze primeiros, sejamos sementes do Reino de Deus. Amém.
 Dom Henrique Soares da Costa


à PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra):

   
LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus,  NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Vos louvamos e agrademos pelo vosso amor. Muito nos amais nos enviando o vosso Filho único; Bendito sejais para sempre!
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Pelo batismo nos tornastes vossos profetas para anunciar o vosso amor a todos os vossos filhos e filhas. Vós sois a nossa força; vinde sempre em nosso auxílio!
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Muitas vezes pensamos em nossos projetos e não no vosso projeto. Transformai o nosso coração para que tenhamos mais amor ao vosso Reino.
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
à Senhor, nosso Deus e Pai! Enviai-nos o Espírito Santo para nos iluminar e nos encorajar na ação de cada dia.
T: Senhor, convertei o nosso coração para Vós.
!... Elevemos ao Pai a oração que Jesus nos ensinou:

- Pai nosso... A paz de Cristo...   Cordeiro de Deus