quinta-feira, 23 de março de 2017

4º DOMINGO DA QUARESMA ANO A, Homilias, subsídios homiléticos

4º DOMINGO DA QUARESMA ANO A 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: O tema de hoje é a Luz; “E o fruto da luz de Deus, chama-se: bondade, justiça, verdade.”
Primeira leitura: A escolha de Davi para rei de Israel e a sua unção.
No Evangelho: Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”. Tendo a luz podemos caminhar; Jesus é o caminho.
Segunda leitura: Paulo explica que viver na “luz” é praticar as obras de Deus (a bondade, a justiça e a verdade).

PRIMEIRA LEITURA (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) Leitura do Primeiro Livro de Samuel.
Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: “Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. Assim que chegou, Samuel viu Eliab e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o Espírito do Senhor se apoderou de Davi.

AMBIENTE - Na segunda metade do séc. XI a.C., os filisteus constituíam uma ameaça bastante séria para as tribos do Povo de Deus. A necessidade de uma liderança única e forte levou os anciãos das tribos a equacionar, pela primeira vez, a possibilidade da união política das tribos sob a autoridade de um rei.
A primeira experiência monárquica aconteceu com Saul. Essa experiência terminou, de forma dramática: Saul e seu filho Jônatas morreram na luta contra os filisteus, por volta do ano 1010 a.C. Era preciso encontrar um outro “herói”. A escolha dos anciãos – tanto das tribos do norte, como das tribos do sul – recaiu, então, num jovem chamado Davi.
O Livro de Samuel apresenta três tradições sobre a entrada de David em cena. A primeira apresenta David como um admirável guerreiro, cuja valentia chamou a atenção de Saúl, sobretudo após a sua vitória sobre o gigante filisteu Golias. A segunda tradição apresenta David como um poeta, que vai para a corte de Saul para cantar e tocar harpa. Aos poucos, o poeta/cantor foi ganhando adeptos na corte, tornando-se amigo de Jônatas, o filho de Saul, e casando com Mical, a filha do rei. A terceira tradição – a menos verificável historicamente, mas a de maior importância teológica – apresenta a realeza de David como uma escolha de Jahwéh. É esta terceira tradição que o nosso texto nos apresenta.

MENSAGEM - O autor do texto pretende mostrar que a lógica de Deus é bem diferente da lógica dos homens. Davi é apresentado como o eleito de Jahwéh. É sempre Jahwéh que escolhe aqueles a quem quer confiar uma missão. A eleição não resulta da iniciativa do homem, mas sim da iniciativa e da vontade livre de Deus. Samuel percebe que a escolha de Deus recai sobre David – o filho mais novo de Jessé. A eleição de David quer sublinhar a lógica de Deus, que escolhe sem ter em conta os méritos, qualidades humanas que impressionam os homens. Pelo contrário, Deus escolhe e chama, com frequência, os pequenos, os mais fracos, aqueles que o mundo marginaliza e considera insignificantes; e é através deles que age no mundo. Fica, assim, claro que quem leva a cabo a obra da salvação é Deus; os homens são apenas instrumentos, através dos quais Deus realiza a sua obra.

ATUALIZAÇÃO • Somos convidados a olhar mais além e a ver Deus por detrás de cada gesto de amor, de bondade, de coragem, de compromisso com a construção de um mundo melhor. O nosso Deus continua a construir, dia a dia, a história da salvação; e chama homens e mulheres para colaborarem com Ele na salvação do mundo.
• Deus tem critérios diferentes dos critérios humanos. “O Senhor vê o coração”. É preciso entrar na lógica de Deus e aprender a ver, para além da aparência; ver com o coração e a descobrir a riqueza que se esconde por detrás daqueles que parecem insignificantes e sem pretensões… É preciso, sobretudo, aprender a respeitar a dignidade de cada homem e de cada mulher, mesmo quando não parecem pessoas importantes ou influentes.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 22 (23)
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.
• O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. /
 Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. /
Para as águas repousantes me encaminha / e restaura as minhas forças.
• Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. /
Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei. /
Estais comigo com bastão e com cajado, / eles me dão a segurança!
• Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo; /
com óleo vós ungis minha cabeça, / e o meu cálice transborda.
• Felicidade e todo bem hão de seguir-me, / por toda a minha vida; /
e, na casa do Senhor, habitarei / pelos tempos infinitos

EVANGELHO (Jo 9,1-41) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”. Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!” Então lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?” Ele respondeu: “Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Então fui, lavei-me e comecei a ver”. Perguntaram-lhe: “Onde está ele?” Respondeu: “Não sei”. Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!” Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?” E havia divergências entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?” Os seus pais disseram: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo”. Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. Foi por isso que seus pais disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele”. Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador”. Então ele respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”. Perguntaram-lhe então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?” Respondeu ele: “Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?” Então insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é”. Respondeu-lhes o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”. Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus. Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não vêem, vejam, e os que vêem se tornem cegos”. Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: “Porventura, também nós somos cegos?” Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece”.

AMBIENTE - João procura apresentar Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No chamado “Livro dos Sinais” (Jo 4,1-11,56), o autor apresenta – recorrendo aos “sinais” da água (cf. Jo 4,1-5,47), do pão (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) – um conjunto de catequeses sobre a ação criadora do Messias.
O nosso texto é, exatamente, a terceira catequese (a da luz) do “Livro dos Sinais”: através do “sinal” da “luz”, o autor vai descrever a ação criadora e vivificadora de Jesus. Os “cegos” faziam parte do grupo dos excluídos da sociedade palestina de então. As deficiências físicas eram consideradas como resultado do pecado. Segundo a concepção da época, Deus castigava de acordo com a gravidade da culpa. A cegueira era considerada o resultado de um pecado grave: uma doença que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldição de Deus por excelência. Pela sua condição de impureza notória, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerimônias religiosas no Templo.

MENSAGEM - O “cego” da história é um símbolo de todos que vivem na escuridão que os impedem de chegar à plenitude da vida. Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”. Jesus nega qualquer relação entre pecado e sofrimento e aproveita para mostrar que a missão que o Pai lhe confiou é ser “a luz do mundo” e encher de “luz” a vida dos que vivem nas trevas. Jesus passa das palavras aos atos, cuspindo no chão, fazendo lodo com a saliva e ungindo com esse lodo os olhos do cego. O gesto de fazer lodo reproduz o gesto criador de Deus de Gn 2,7 (quando Deus modelou o homem). A saliva transmitia, pensava-se, a própria força ou energia vital (equivale ao sopro de Deus, que deu vida a Adão – Gn 2,7). Assim, Jesus juntou ao barro a sua própria energia vital, repetindo o gesto criador de Deus. A missão de Jesus é criar um Homem Novo, animado pelo Espírito. No entanto, a cura não é imediata: requer-se a cooperação do enfermo. “Vai lavar-te na piscina de Siloé” – diz-lhe Jesus. A disponibilidade do cego em obedecer à ordem de Jesus é um elemento essencial na cura e sublinha a sua adesão à proposta que Jesus lhe faz. A referência ao banho na piscina do “enviado” (o autor deste texto tem o cuidado de explicar que Siloé significa “enviado”) é, evidentemente, uma alusão à água de Jesus (o enviado do Pai), essa água que torna os homens novos, livres das trevas/escravidão. A comunidade joanina pretende, certamente, fazer aqui uma catequese sobre o batismo: quem quiser sair das trevas para viver na luz, como Homem Novo, tem de aceitar a água do batismo – isto é, tem de optar por Jesus e acolher a proposta de vida que Ele oferece.
Os fariseus sabem que Jesus oferece a “luz”; mas recusam-na. Para eles, interessa continuar com o esquema das “trevas”. Eles têm conhecimento da novidade de Jesus, mas não estão dispostos a acolhê-la. Sentem-se mais confortáveis nos seus esquemas de escravidão e autossuficiência e não estão dispostos a renunciar às “trevas”. Mais: opõem-se à “luz” que Jesus oferece e não aceitam que alguém queira sair da escravidão para a liberdade. Quando constatam que o homem curado por Jesus não está disposto a voltar atrás e a regressar aos esquemas de escravidão, expulsam-no da sinagoga.
Os pais do cego limitam-se a constatar o acontecimento (o filho nasceu cego e agora vê), mas evitam comprometer-se. Transparece o medo de quem é escravo e não tem coragem de passar das “trevas” para a “luz”. “tinham medo de ser expulsos da sinagoga”. A “sinagoga” designava o local do encontro da comunidade israelita; mas designava, também, a própria comunidade do Povo de Deus. Ser expulso da “sinagoga” significava o risco de ser declarado herege, de perder os pontos de referência comunitários, o cair na solidão, no descrédito e na marginalidade.
Referem à segurança da ordem estabelecida – embora injusta e opressora – do que os riscos da vida livre. Representam todos aqueles que, por medo, preferem continuar na escravidão, não provocar os dirigentes ou a opinião pública, do que correr o risco de aceitar a proposta transformadora de Jesus.
Antes de se encontrar com Jesus, é um homem prisioneiro das “trevas”, dependente e limitado. Depois, encontra-se com Jesus e recebe a “luz” (do encontro com Jesus resulta sempre uma proposta de vida nova para o homem). O homem vai sofrendo uma transformação progressiva. Nos momentos imediatos à cura, ele não tem ainda grandes certezas (quando lhe perguntam por Jesus, responde: “não sei”; e quando lhe perguntam quem é Jesus, ele responde: “é um profeta”); mas a “luz” que agora brilha na sua vida o vai amadurecendo progressivamente. Confrontado com os dirigentes e intimado a renegar a “luz” e a liberdade recebidas, ele torna-se, em dado momento, o homem das certezas, das convicções; argumenta com agilidade e inteligência, joga com a ironia, recusa-se a regressar à escravidão: mostra o homem adulto, maduro, livre, sem medo… É isso que a “luz”, que Jesus oferece, produz no homem. Finalmente, o texto descreve o estágio final dessa caminhada progressiva: a adesão plena a Jesus. Encontrando o ex-cego, Jesus convida-o a aderir ao “Filho do Homem” (“acreditas no Filho do Homem?”; a resposta do ex-cego é a adesão total: “creio, Senhor”. O título “Senhor” (“kyrios”) era o título com que a comunidade cristã primitiva designava Jesus, o Senhor glorioso. Diz, ainda, o texto, que o ex-cego se prostrou e adorou Jesus: adorar significa reconhecer Jesus como o projeto de Homem Novo que Deus apresenta aos homens para todos aderir a Ele e segui-lo.
A missão de Jesus é aqui apresentada como criação de um Homem Novo. Deus criou o homem para ser livre e feliz; mas o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência, dominaram o coração do homem, prenderam-no num esquema de “cegueira” e frustraram o projeto de Deus. A missão de Jesus consistirá em destruir essa “cegueira”, libertar o homem e fazê-lo viver na “luz”. Trata-se de uma nova criação… Assim, da ação de Jesus irá nascer um Homem Novo, liberto do egoísmo e do pecado, vivendo na liberdade, a caminho da vida em plenitude.

ATUALIZAÇÃO • A catequese que João nos propõe hoje garante-nos: a realização plena do homem continua a ser a prioridade de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao encontro dos homens e mostrou-lhes a luz libertadora: convidou-os a renunciar ao egoísmo e autossuficiência que geram “trevas”, sofrimento, escravidão e a fazerem da vida um dom, por amor. Aderir a esta proposta é viver na “luz”.
• Há aqueles que se opõem à proposta de Jesus porque estão instalados na mentira e a “luz” de Jesus só os incomoda; há aqueles que têm medo de enfrentar as  críticas, que se deixam manipular pela opinião dominante, e que, por medo, preferem continuar escravos do que arriscar ser livres; há aqueles que, apesar de reconhecerem as vantagens da “luz”, deixam que o comodismo e a inércia os prendam numa vida de escravos…
• A Palavra de Deus convida-nos, neste tempo de Quaresma, a um processo de renovação que nos leve a deixar tudo o que nos escraviza, nos aliena, nos oprime – no fundo, tudo o que impede que brilhe em nós a “luz” de Deus e que impede a nossa plena realização.
• Receber a “luz” que Cristo oferece é, também, acender a “luz” da esperança no mundo.

SEGUNDA LEITURA (Ef 5,8-14) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. Discerni o que agrada ao Senhor. Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.

AMBIENTE - Estamos por volta dos anos 60. Paulo sente ter terminado a sua missão apostólica na Ásia e não sabe o que o futuro próximo lhe reserva (ele está prisioneiro).
Nessa exortação, Paulo convida os crentes a deixarem a antiga forma de viver para assumirem a nova, revestindo-se de Cristo, imitando Deus e passando das trevas à luz.

MENSAGEM - A imagem da “luz” e das “trevas” é uma imagem frequente na catequese primitiva, sobretudo em João e Paulo. O símbolo “luz/trevas” aparece, também, nos escritos de Qûmran para definir o mundo de Deus (luz) e o mundo que se opõe a Deus (trevas).
Para Paulo, viver nas “trevas” é viver à margem de Deus, recusar as suas propostas, viver prisioneiro das paixões e dos falsos valores, no egoísmo e na autossuficiência. Ao contrário, viver na “luz” é acolher o dom da salvação que Deus oferece, aceitar a vida nova que Ele propõe, escolher a liberdade, tornar-se “filho de Deus”.
Os cristãos são aqueles que escolheram viver na “luz” como Homens Novos, e a praticarem as obras de bondade, justiça e verdade. O cristão não deve só escolher a luz, mas deve também desmascarar as obras das “trevas”, de forma aberta e decidida.

ATUALIZAÇÃO • O cristão é aquele que optou por “viver na luz” e dar testemunho da “luz”. É preciso denunciar as “trevas” que mantêm os homens escravos.
• O cristão não pode ficar de braços cruzados diante da maldade, do egoísmo, da injustiça, da exploração, dos contra-valores que enegrecem a vida dos homens. O cristão tem de manter uma atitude de vigilância atenta e de denúncia ousada e corajosa.

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SUGESTÃO: FAZER UMA PROCISSÃO DA LUZ.
Para pôr em evidência a passagem das trevas à luz proclamada por todos os textos deste domingo, poder-se-á organizar uma procissão da luz para entrada da celebração e cantar um cântico com referência à Luz. Os portadores das luzes (velas acesas) poderão juntar-se à volta do Evangeliário para a PLOCLAMAÇÃO do Evangelho: Cristo é a Luz do mundo!
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Filhos da Luz

A Liturgia de hoje continua a CATEQUESE BATISMAL da Quaresma.
- Vimos o símbolo da ÁGUA, com o episódio da Samaritana.
- Hoje prossegue o tema da LUZ, com a cura do cego.
- E veremos o tema da VIDA, com a ressurreição de Lázaro...

As Leituras nos lembram a Luz da fé recebida no Batismo com a vela acesa na mão, e também nos exortam a "viver na Luz".

Na 1ª leitura Davi é UNGIDO para rei de Israel. (1Sm 16,1b.6-7.10-13a)

* A Unção de Davi, eleito pessoalmente por Deus, é figura profética da Unção Batismal dos cristãos.

Na 2ª Leitura, Paulo salienta a necessidade de viver como filhos da "Luz", renunciando as obras das trevas e
produzindo frutos de bondade, justiça e verdade  (Ef 5,8-14)

No Evangelho, Jesus UNGE um cego com "Barro", revelando-se como a "Luz do Mundo", que veio libertar os
homens das trevas. (Jo 9,1-41)

São João costuma tomar um fato da vida de Jesus como ponto de partida para desenvolver um tema básico da mensagem cristã.
A cura do cego descreve o processo de fé de um homem, que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão, e desta para a Luz da fé em Cristo.
O "Cego" é símbolo de todos os homens que renascem pela fé, acolhendo a Jesus (no Batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.

+ Tudo começa com uma PERGUNTA dos discípulos a Jesus:
    - "Por que esse homem nasceu cego?" Seria castigo de Deus? Quem pecou?
    - Jesus RESPONDE: "Nem ele, nem seus Pais pecaram..."
      E continua a sua resposta, passando das palavras aos atos.

Na CURA, para dar a "Luz" ao cego, Jesus usa um método estranho:
Com saliva faz "barro" na terra, unge com esse barro os olhos do cego e manda lavar-se na piscina de Siloé.
A cura não é imediata: requer a cooperação do enfermo.
- A disponibilidade do cego sublinha a sua adesão à proposta de Jesus.
- O banho na piscina do "enviado" é uma alusão à "Água de Jesus".
- Lembra também a água do BATISMO para quem quiser sair das trevas para viver na luz, como Filhos de Deus...

Depois, o Evangelho coloca em cena vários PERSONAGENS:

- Os VIZINHOS percebem o dom da vida que vem de Jesus, mas não dão o passo definitivo para ter acesso à Luz.
Representam os que percebem a proposta libertadora de Jesus, mas não estão dispostos a sair da sua vidinha, para ir ao encontro da "Luz".

- Os FARISEUS conhecem a "luz", mas se recusam em aceitá-la.
Acusam-no de transgredir a lei do sábado e expulsam o cego da sinagoga.
Representam aqueles que conhecem a novidade de Jesus, mas não estão dispostos a acolhê-lo e até hostilizam os seus seguidores.

- Os PAIS constatam o fato, mas evitam comprometer-se...
É a atitude de MEDO dos que não tem coragem de passar das trevas para a Luz.
Preferem a segurança da ordem estabelecida, do que correr riscos...

- O CEGO é questionado pelas AUTORIDADES sobre a origem de Jesus.
E ele, como "pessoa iluminada", mostra-se: Livre (diz o que pensa...); corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade); suporta a violência (é expulso da sinagoga).

- JESUS reaparece no fim: vai ao seu encontro, inicia um DIÁLOGO, que culmina com um belo ato de fé do cego: "Eu creio, Senhor".

+ A Transformação do cego é progressiva:
 - Antes de se encontrar com Jesus, é um homem prisioneiro das "trevas",    dependente e limitado. "Não sabe quem o curou"...
- Depois, a "luz" vai brilhando aos poucos na sua vida.
  Forçado pelos dirigentes a renegar a "luz" e a liberdade recebida,   recusa-se a regressar à escravidão...
- Finalmente, encontrando-se com Jesus, que lhe pergunta: "Acreditas no Filho do Homem", manifesta sua adesão total: "Creio, Senhor". Prostra-se e o adora. 

* O Caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão:
O Encontro com Jesus ... a Adesão à "Luz" e um progressivo amadurecimento no Conhecimento de Cristo.
Esse caminho desemboca na adesão total a Jesus, ao ser lavado pelas águas batismais.

Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal, renovando o nosso Batismo, mediante o Sacramento da Penitência.

Quanto mais buscamos Jesus como "Luz", mais nossa vida terá sentido.
Com Jesus, a Luz da Vida jamais perderá o seu brilho.

Pe Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, domingo passado Jesus se apresenta (Evangelho da Samaritana) coo sendo a água viva: “Se tu soubesse quem é que te pede água, tu é que lhe pediria, pois a água que eu lhe der é água da vida eterna. Quem beber dessa água, nunca mais terá sede”.
A água viva é o Batismo, que nos leva até a eternidade. A luz do mundo é a capacidade que eu tenho de dizer: Eu Creio. Este Evangelho de hoje é toda a catequese de São João para quem quer ser Crismado.
O que é ser cego de nascença? – alguém que nasce cego. Quem é cego de nascença? Todos nós. Jesus se apresenta como sendo a LUZ do mundo. “Eu sou a luz do mundo”. Ninguém nasce conhecendo Jesus. Se não abrirmos os olhos, não vamos conhecer Jesus, não vamos conhecer a LUZ do mundo. Cego de nascença é a pessoa que não conhece Jesus, não conhece a luz. Quem nasceu cego não tem noção do que é luz. Então, não fazer como os pais do cego de nascença: “ah, eu não me envolvo. Ele é maior de idade pergunte para ele”. Tem muito pai e mãe fazendo isto: “vou deixar meu filho crescer e aí ele escolhe o que ele quer”. Se você não abre os olhos dele, ele não vai conhecer Jesus. É ilusão achar que depois ele vai conhecer. É interessante, este cego de nascença. Primeiro, acham que ele está pagando pecado: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele”.
Até hoje, tem gente que acha que comete pecado e Deus castiga. Tem gente que diz: o que eu fiz para Deus para ficar doente? Onde eu errei para agora sofrer isto? Olhe aí! Pior ainda quando dizem: o fulano na vida passada deve ter pecado muito e agora está pagando. Já não basta os problemas em nossa vida e ainda querem imputar coisas de uma outra vida que nunca existiu. Que Deus é este? Jesus apresenta um outro Deus; um Deus que vai nos ajudando a enxergar a realidade.
Para que serve o Flesch numa foto? – para deixar a foto clara? Para deixar a foto em auto definição? Ah! Para deixar a foto em auto definição. É isto mesmo. Quando você lança a luz, deixa o objeto ou a pessoa a ser fotografada com uma nitidez maior, fica mais definido os contornos e a foto sai com uma qualidade muito melhor. Isto é o Flesch.
Ora, se Jesus é a luz do mundo, alguém sabe como se fala luz em grego? É FLESCH. Se Jesus é o Flesch do mundo, Ele vem para me ajudar a dar uma auto definição para a realidade do mundo. É muito interessante! Jesus me ajuda a enxergar a realidade. Só que as pessoas confundem Jesus Luz do mundo com Jesus trator do mundo. Qual é papel do trator? Ir abrindo caminho, derrubando o que está na frente... não é assim? E é o que agente espera de Jesus. Ele não diz que é isso não! Ele diz: “Eu sou a luz do mundo”. Jesus me ajuda a ver a realidade, me ajuda a ver onde estão os obstáculos, me ajuda a ver quais são as possibilidades: ou para vencer os obstáculos, ou contorná-los. Me ajuda a caminhar com segurança sem me machucar ou machucar os outros, mas Ele NÃO TIRA OS OBSTÁCULOS PARA MIM. EU É QUE DEVO ENFRENTAR OS OBSTÁCULOS.
É este o problema: nós dizemos: se apega com Jesus, que Ele vai resolver isto para você. E, a pessoa reza, reza e nada. É que te mostraram um Jesus errado! Não! Você vai se apegar a Jesus para ter força e coragem de enfrentar os obstáculos. É você que vai ter que caminhar. Olhe o fulano cego de nascença. Que problemão Jesus arrumou para ele. Por que se incomodaram com ele? Porque ele passou a enxergar. Tem gente que não gosta que agente enxergue. Ah, aí ficam importunando, criando caso! Por três vezes vão lhe perguntar: “como ele te abriu os olhos”? Até que ele diz: “além de cegos, vocês estão ficando surdos? Eu já falei e vocês não me escutam. Foi assim, assim...” É interessante porque as pessoas não gostam quando agente abre os olhos! Tem gente que quer que agente fique cego a vida inteira. Não é assim.  Jesus nos ajuda a enxergar  a vida, a realidade. Agora, por isso eu digo que é um bom trecho para se preparar para a Crisma: primeira coisa que ele faz: “quem foi que te abriu os olhos”? “Um fulano chamado Jesus”. “onde Ele está”? “não sei”.
É a primeira coisa que agente ouve: um tal Jesus, quando agente ainda é criança. Depois, com a caminhada vai melhorando a compreensão dele. “Quem é Jesus”? Ele vai dizer: “é um profeta”. Por que? Porque o profeta ajuda a entendermos o que Deus fala e a confrontar o que Deus fala com o que eu faço. Ele estimula, se for o caso, a mudar de vida.
Tem o terceiro passo depois, onde ele diz: “Bom, este Jesus, que eu acho que é um profeta, Ele vem de Deus”. Este é o Evangelho. O Evangelho é para nos mostrar que Jesus vem de Deus, que é Deus feito Homem.
Por fim, Jesus pergunta: “Você crê no Filho do Homem”? – “Me diga quem é para que eu creia”. – “Sou Eu que estou falando contigo”. – “Eu creio” e se prostra.
Ser crismado é dizer publicamente, que Jesus é o Filho de Deus feito Homem, que Jesus é Deus.
Veja, que recebemos a água do Batismo e somos ungidos ali. Depois, recebemos uma vela onde ouvimos: “Recebei a luz de Cristo, pais e padrinhos, esta luz vos é entregue para que vos alimenteis. Por isso, esforçai-vos para que esta criança caminhe na vida iluminada por Cristo, que é a Luz do mundo”. Aí é que está! Esta é a caminhada. Ora, recebemos a vela acesa e na Crisma somos ungidos, como foi Davi.
Jesus é a Luz do mundo, mas em outro Evangelho Ele diz uma palavrinha: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo”. São Paulo vai dizer: “Nós somos filhos da Luz, portanto, somos chamados a sermos luz para o irmão”. Este é o papel de cada um de nós e de um modo muito especial dos catequistas, os que vão ajudar as pessoas a enxergar Jesus, que é a Luz do mundo, pois caminhamos para a eternidade.
Uma última palavra. O Salmo diz: • Felicidade e todo bem hão de seguir-me, / por toda a minha vida; /
e, na casa do Senhor, habitarei / pelos tempos infinitos.
Mais uma vez, eu aproveito para dizer: as pessoas quando vão dizer algo de pessoas que já morreram dizem: “onde quer que ele esteja”. Quem fala isto, não conhece a Palavra de Deus, porque o endereço para onde vamos depois da morte está aqui. Para onde vamos, depois que morremos? Para a casa do Senhor, pelos tempos infinitos. Ou seja, para a eternidade. O nosso encontro com Jesus, vai se dar neste passo: no momento em que nós morremos. Até lá, vamos caminhando, seguindo a LUZ, que é Jesus, pois ele nos ilumina, e ajudando os outros a caminharem também. Nesta caminhada, vamos celebrar a ressurreição daqui um pouco. Que Deus nos ajude.
Louva do seja Nosso Senhor Jesus Cristo.


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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. Não esqueçamos que em muitas paróquias adultos estão terminando seus preparativos para o Batismo.
No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a vida eterna.
Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda. Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias e Ezequiel, pensavam que o cego estava pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados. É a uma crença errada, semelhante à superstição da reencarnação: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no seu amor, se nos abandonarmos nas suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus está presente quando somos abertos à sua presença. Pena que nosso mundo superficial e incrédulo não compreenda isso… Se se abrisse para Jesus, o Inocente crucificado e morto… Na sua luz, contemplamos a luz da vida: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa…
Jesus cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito. Depois, Jesus ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo. Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo. Porque ele vê, os judeus o expulsam da sinagoga, como o mundo também nos expulsa de sua amizade a apreço! Não somos do mundo, como o Senhor nosso não é do mundo; ele nos separou do mundo! Agora, curado da cegueira, aquele que foi iluminado pode ver Jesus; ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que ele é o Senhor, Filho de Deus: “’Acreditas no filho do Homem?’ ‘Quem é, Senhor para que eu creia nele?’ Jesus disse: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo!’” Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”
Também nós fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Para nós valem as palavras de São Paulo:“Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei  como filhos da luz! Não vos associeis às obras das trevas!” Eis, caros irmãos: iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! Devemos viver na luz e ser luz para o mundo! Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência e a  caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados! Não nos esqueçamos: não poderemos zombar de Cristo: seremos julgados na sua luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a luz aos humildes, aos que se abrem à minha Palavra e à minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece! Somente se abrir-se para a luz do Cristo, caminhará na luz e enxergará de verdade!
E nós, caminhamos na luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida.
D. Henrique Soares

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Homilia do Mons. José Maria Pereira

Jesus e o Cego

Celebrando o 4º Domingo da Quaresma, o Evangelho (Jo 9, 1-41) nos apresenta o tema da Luz.
Jesus unge os olhos do cego de nascença com lama feita a partir da saliva. Jesus como que inicia com um rito. Toca os olhos do cego, concedendo-lhe a visão. E, aos poucos no diálogo com ele, vai-lhe despertando a fé. E o cego acaba vendo, à luz da fé, que Jesus é o Filho do Homem. Acaba dando testemunho dele.
A cura do cego descreve o processo da fé de um homem, que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão, e desta para a Luz da fé em Cristo. O “Cego” é um símbolo de todos os homens que renascem pela fé, acolhendo Jesus (no Batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.
Tudo começa por uma pergunta dos discípulos a Jesus: “Por que esse homem nasceu cego?” ”Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” (Jo 9,2). Jesus responde: “Nem ele, nem seus pais pecaram…” (Jo 9,3). Com essa resposta Jesus lembra o que os profetas já combatiam que era uma crença popular antiga que pensavam que o cego estava pagando pelos seus pecados ou dos seus antepassados. Trata-se de uma crença errada, semelhante ao absurdo da reencarnação. Esta é uma crença espírita, não é cristã. A Palavra de Deus nos diz: “os homens morrem uma só vez, depois vem o juízo” (Hb 9,27). A reencarnação é uma injustiça! É negar a obra redentora de Cristo e afirmar que é o próprio homem que se salva, por etapa, cada vez mais que se reencarna. É a onda do reciclável, como lixo.
“Nem ele, nem seus pais pecaram…”. Com isso Jesus quer nos ensinar que os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no seu amor, se nos abandonarmos nas suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Até na dor e no sofrimento Deus está presente.
O mundo hedonista, consumista e superficial não compreende isso! O cego é questionado pelas autoridades sobre a origem de Jesus. E ele mostra-se livre (diz o que pensa…); corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade); suporta a violência (é expulso da Sinagoga). Antes de se encontrar com Jesus, o cego é um homem prisioneiro das “trevas”, dependente e limitado. “Não sabe quem o curou…” Finalmente, encontrando-se com Jesus, que lhe pergunta: “Acreditas no Filho do Homem”, manifesta a sua adesão total: “Creio, Senhor”. Prostra-se e O adora. O caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão! São Jose Maria Escrivá, em Amigos de Deus, nº 193, diz: “Que belo exemplo de firmeza na fé nos dá este cego! Uma fé viva, operativa. É assim que te comportas com os mandatos de Deus, quando muitas vezes estás cego, quando nas preocupações da tua alma se oculta a luz? Que poder continha a água, para que os olhos ficassem curados ao serem umedecidos? Teria  sido mais adequado um colírio desconhecido, um medicamento precioso preparado no laboratório de um sábio alquimista. Mas aquele homem crê, põe  em prática o que Deus lhe ordena e volta com os olhos cheios de claridade”. Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal, renovando o nosso Batismo, mediante o Sacramento da Penitência (Confissão).
Quanto mais buscamos Jesus como Luz, mais nossa vida terá sentido. O nosso comportamento de cristão deve ser testemunho do Batismo recebido; devemos testemunhar com as obras que Cristo é para nós, não apenas luz da mente, mas também luz da vida. Não são as obras das trevas – o pecado- as que correspondem a um batizado, mas sim as obras da luz.
Como o cego, após o encontro com Jesus, iluminado, manifestemos a alegria de sermos cristãos! “A alegria do discípulo não é um sentimento de bem estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é a nossa alegria” (DA, 29).
“ Ó Deus, luz de todo o ser humano que vem a este mundo, iluminai nossos corações com o esplendor da vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo o coração.”
Mons. José Maria Pereira

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Homilia do Pe. Françoá Costa

Fé mais profunda

As passagens do Evangelho que a Igreja oferece para esse ciclo litúrgico são uma verdadeira catequese. No primeiro domingo, escutamos o Evangelho das tentações e pensamos nas provas, lutas e dificuldades da vida. No segundo, o da Transfiguração, no qual fomos iluminados com a contemplação, na fé, do rosto do Senhor e meditamos na nossa filiação divina. No terceiro, aparecia a Samaritana pedindo a água que sacia sem saciar, o Espírito Santo. Hoje, quarto domingo, o cego que começa a ver por iniciativa de Jesus; no entanto, depois a iniciativa seria do cego, pois ele procuraria Jesus e o adoraria. Finalmente, no domingo que vem, escutaremos a narração da ressurreição de Lázaro e nos recordaremos tanto da nossa ressurreição espiritual no Batismo e na Confissão sacramental quanto da ressurreição da carne que experimentaremos na consumação dos últimos tempos nos quais vivemos.
O Papa Bento XVI dizia que “o domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2011).
Deus conceda que a nossa fé seja mais profunda. Nós, como aquele que fora cego, começamos a ver somente pela iniciativa e pelo poder de Jesus; também foi pela ação misteriosa da graça que nós continuamos a buscar a Cristo e a adorá-lo. Há uma antiga oração da Igreja que pede a Deus que as nossas ações sejam precedidas, ajudadas e terminadas com o auxilio divino mostrando, dessa maneira, a nossa dependência total do Senhor. Seria terrível se algum dia nos invadisse uma espécie de autossuficiência espiritual. Seria o momento no qual Jesus nos diria, como outrora aos fariseus, que a nossa pretensão é o que nos cega (cfr. Jo 9,41).
Não nos consideremos grande coisa só porque participamos de uma determinada pastoral ou de determinado grupo; nem pensemos que seremos salvos porque somos desse ou daquele movimento; tampouco nos apoiemos numas obras que sabemos que são boas, mas que frequentemente estarão manchadas pelo egoísmo e pelo orgulho. A caminhada junto ao Senhor, as contínuas quedas no caminho rumo à santidade, a aparente repetição das lutas interiores que nós não sabemos explicar, deveriam levar-nos a uma profunda humildade, a confiar sempre mais na iniciativa de Jesus, a combater os nossos próprios defeitos em total dependência da ação divina e a adorar a Deus com todo o nosso ser.
Livre-nos Deus de toda pretensão. Ao contrário, devemos reconhecer constantemente que Jesus é o nosso único Salvador. É esse reconhecimento que nos faz fortes e audaciosos, não por nossa própria virtude, mas confiando em Jesus. Aprofundar na fé nos fará ver, cada vez mais, a importância de sermos pequenos diante de Deus. Essa pequenez é totalmente compatível com a visão de águia, ampla e audaciosa, que nós devemos ter. Uma criança, deixada às suas próprias forças, cairá; verá pouco porque é de baixa estatura, ou seja, terá uma visão demasiado limitada da realidade. No caso de que essa criança seja levantada pelos braços poderosos do seu Pai do céu, terá outra visão das coisas. Nos braços de Deus e, portanto, das alturas, veremos diferente. Surgirá um panorama antes insuspeitável, um horizonte jamais contemplado e uns campos jamais ceifados. A profundidade da fé que nos leva à humildade, a cavar profundamente no nosso nada, nos leva também à magnanimidade, ao desejo de realizar grandes ações, ao desejo de “comer o mundo” por Deus, a ser apóstolo, a evangelizar, a trazer muitas pessoas à casa de Deus. Tudo isso é resultado de ir aprofundando cada vez mais na fé. Isso é graça, mas também é responsabilidade pessoal: rezar, fazer penitência, confessar-se, ler assiduamente o Evangelho, pedir a Nossa Senhora e a São José que nos ensinem a conviver com Jesus, lutar por extirpar defeitos e pecados. Esses são os meios que o Senhor coloca à nossa disposição para que alcancemos o fim.
Não podemos ficar lamentando-nos: “sou um pobre pecador”, “não posso nada”, “pobre de mim”. Não podemos paralisar-nos! Enquanto isso os inimigos de Deus e de sua Igreja trabalhariam para dominar. Não! Sabedores das nossas fraquezas, confiaremos na graça de Deus; conscientes da nossa pobreza, nos enriqueceremos com os tesouros imperecíveis do nosso Pai do céu. O cristão deve ser uma pessoa de fé cada vez mais profunda, humilde, simples; deve ser pequeno diante de Deus. Mas um filho de Deus deve ser também alguém que anda com a cabeça erguida, consciente da sua nobre condição e do seu dever de “comer o mundo”. Um maior crescimento na fé implica uma visão mais ampla das coisas e uma audácia antes não experimentada. Deus conta conosco!
Pe. Françoá Costa

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou Ministros da Palavra):

MOMENTO DE LOUVOR (QUANDO O PÃO SAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS...   DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO DEUS...
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade.
- Nós Vos louvamos, ó Pai, porque nos julgais não segundo as aparências, mas olhais o coração.
Nós vos bendizemos pelo Espírito Santo que nos dais e que fazeis de nós um povo profético, real e sacerdotal.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade.
Vós que soubestes escolher vosso servo Davi, não olhando as aparências, mas o coração, nós vos pedimos pelos pais, pelos educadores E pelas autoridades na nossa sociedade.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade.
- Nós vos damos graças, Ó Pai, por nos enviar o Cristo, Luz do mundo. Nós vos pedimos: arrancai-nos das trevas do egoísmo, da injustiça e do ódio. Faça-nos viver como filhos da justiça, da verdade e do amor.   
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade.
- Nós vos bendizemos pela nova criação realizada pelo vosso Filho. Curai nossos olhos fechados ao amor ao irmão e ao vosso louvor.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade.
PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO DE DEUS

sexta-feira, 17 de março de 2017

3º DOMINGO DA QUARESMA ANO A, Homilias, subsídios homiléticos

3º DOMINGO DA QUARESMA ANO A 23/03/2017 (Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede!” Só Ele nos oferece a vida eterna.
Primeira leitura: Deus acompanhou o povo pelo deserto e respondeu às suas necessidades
Evangelho: Quem aceita Jesus torna-se um Homem Novo e caminha ao encontro da vida plena e eterna.
Segunda leitura: Repete noutros termos, que Deus acompanha o seu Povo apesar da infidelidade.

PRIMEIRA LEITURA (Ex 17, 3-7) Naqueles dias, o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés. O Senhor disse a Moisés: “Toma a tua vara. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós, ou não?”.

AMBIENTE - Uma catequese. A questão é a sobrevivência no deserto do Sinai; mas o importante é que Israel viu no fato um sinal da presença e do amor do Deus libertador.

MENSAGEM Jahwéh manifestou, de mil formas, o seu amor por Israel… (passagem do mar, água amarga em água doce, maná e codornizes). Diante das dificuldades, o Povo esquece tudo o que Jahwéh já fez e entra em contenda com Moisés e Acusam Deus de ter um projeto de morte. Deus responde mais uma vez com a água da vida.

ATUALIZAÇÃO
• A caminhada dos hebreus espelha nossa caminhada. Deus nunca nos abandona.
• À medida que acolhemos a Deus, tornando-nos um Povo mais responsável, mais consciente e mais santo.
• As dificuldades não são um castigo; são pedagogia de Deus para ir mais além E crescer.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 94 (95)
Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!
• Vinde, exultemos de alegria no Senhor; / aclamemos o Rochedo que nos salva! /
Ao seu encontro caminhemos com louvores / e com cantos de alegria o celebremos!
• Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra / e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! /
Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, / e nós somos o seu povo e seu rebanho, /
as ovelhas que conduz com sua mão.
• Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: / “Não fecheis os corações como em Meriba, /
como em Massa, no deserto, aquele dia, / em que outrora vossos pais me provocaram, /
apesar de terem visto as minhas obras”.

EVANGELHO (Jo 4,5-42) Jesus sentou-se junto ao poço ao meio-dia. Chegou a mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. Os discípulos tinham ido comprar alimentos. A samaritana disse: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim?” Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede”. A mulher disse: “Senhor, dá-me dessa água”. Disse-lhe Jesus: “Vai chamar teu marido”. A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. A mulher disse a Jesus: “Senhor, vejo que sois um profeta! Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. Disse-lhe Jesus: “Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”. A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar”. Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: “Vinde ver um homem. Será que ele não é o Cristo?” O povo foi ao encontro de Jesus. Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus: “Mestre, come”. Disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Muitos samaritanos abraçaram a fé em Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra.

AMBIENTE - A Samaria era de religião sincretista. A divisão começou em 721 a.C., quando foi tomada pelos assírios. Após o regresso do Exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos para reconstruir o Templo de Jerusalém (437 a.C.). No ano 333 a.C., os samaritanos construíram um Templo no monte Garizim, que foi destruído em 128 a.C. por João Hircano. Mais tarde, por volta do ano 6 d.C., os samaritanos profanaram o Templo de Jerusalém espalhando ossos humanos nos átrios.

MENSAGEM - A mulher (sem nome) representa a Samaria, que procura a água de vida plena. O “poço” representa a Lei. Onde encontrar essa vida? Na Lei? Noutros deuses? A mulher/Samaria dá conta: eles podem “matar a sede” por curtos instantes; voltará a ter sede. Jesus senta-se “junto do poço”, ocupa o seu lugar; e propõe uma “água viva”, que matará definitivamente a sua sede de vida eterna. Jesus é o “novo poço”, onde todos os que têm sede de vida plena encontrarão resposta para a sua sede. A mulher fica confusa. (“nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar”)?  Jesus nega que se trate do Templo de pedra de Jerusalém ou do Templo do monte Garizim que Deus está… O que se trata é de acolher a novidade do próprio Jesus, aderir a Ele e aceitar a sua proposta de vida (isto é, aceitar o Espírito). A mulher/Samaria responde abandonando o cântaro (agora inútil), e corre a anunciar o desafio que Jesus lhe faz. Jesus é reconhecido como “o salvador do mundo” – isto é, como Aquele que dá ao homem a vida plena e definitiva.

ATUALIZAÇÃO • Jesus Cristo oferece a água que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem.
• O “cântaro”, abandonado representa tudo que nos dá acesso limitado de felicidade. O abandono do “cântaro” significa o romper com todos os esquemas de felicidade egoísta.
• A samaritana, depois de encontrar o “salvador do mundo”, partiu propondo a verdade que tinha encontrado.
# Cada um de nós tem o seu poço. S. Agostinho diz: “O meu coração só terá sossego quando repousar em Deus.
# Sem a água viva, a vida está ameaçada. A mulher precisava de água de verdade e Ele era a fonte.
# Jesus manda comprar alimentos para que seus discípulos também rompam a barreira do ódio.
# Aquele que pedia água fria estava oferecendo água viva, a saber, a Si mesmo.
# Um judeu preferia morrer de sede a tomar água da mão de um samaritano, muito menos de uma mulher samaritana, sobretudo pecadora. Haja vista a surpresa dos discípulos (v27).
# Os cinco maridos evocam os cinco ídolos dos samaritanos (2 Rs 17,29-30). O sexto a que Jesus alude, talvez seja João Batista. O Quarto Evangelho sugere que o sétimo é o próprio Jesus, o messias.
# A samaritana largou o balde. Já não precisava da água do poço de Jacó, da antiga Lei. Ela havia encontrado a fonte da água que brotava dentro dela para a vida eterna (Jo 4,14). 

SEGUNDA LEITURA (Rm 5,1-2.5-8) Irmãos, o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. A prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos pecadores.

AMBIENTE - Estamos no ano 58. Paulo diz que o Evangelho deve unir todo o crente, sem distinção de judeu, grego

MENSAGEM - Paulo parte da idéia de que todos foram justificados pela fé. Ora, se Jahwéh se manifestou na história do seu Povo como o Deus da bondade, da misericórdia e do amor, dizer que Deus é justo significa que a bondade, a misericórdia e o amor próprios do ser de Deus se manifestam em todas as circunstâncias, mesmo quando o homem não foi correto no seu proceder. Ao homem é pedido somente que acolha, com humildade e confiança, uma graça que não depende dos seus méritos e que se entregue nas mãos de Deus. Este homem, objeto da graça de Deus, é uma nova criatura que é filho de Deus e co-herdeiro com Cristo.
Em primeiro lugar, a paz. Esta paz não deve ser entendida em sentido psicológico (tranqüilidade, serenidade), nem em sentido político (ausência de guerra), mas no sentido teológico, de plenitude de bens, já que Deus é a fonte de todo o bem.
Em segundo, a esperança, que nos permite superar as dificuldades da caminhada. Trata-se de encontrar um sentido novo para a vida presente, na certeza de que as forças da morte não terão a última palavra.
Em terceiro lugar, o amor de Deus ao homem. Paulo garante-nos hoje: Deus nunca abandona o seu Povo em caminhada pela história… Ele está ao nosso lado, em cada passo da caminhada, para nos oferecer gratuitamente e com amor a água que mata a nossa sede de vida e de felicidade (a paz, a esperança, o seu amor).

ATUALIZAÇÃO • Deus nunca desistiu dos homens e caminha conosco com novas propostas.
• A vinda de Jesus Cristo é a expressão plena do amor de Deus, a fim de nos tornarmos “filhos de Deus” e herdeiros da vida em plenitude.
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OBS. Fazer a ligação entre os temas:
1º domingo da quaresma: Adão e Eva escolhem o projeto pessoal e pecam; morte
                      Jesus é tentado e escolhe o projeto do pai; vida = novo Adão.
2º domingo: Deus chama Abraão a constituir novo povo = ele obedece e este povo será luz para as nações.
                     Jesus no monte Tabor é transfigurado = é Filho de Deus enviado: ouvi-o; Ele é a verdade.
3º domingo: O povo libertado se revolta no deserto; Deus acompanha o povo e faz a água sair da rocha.
                     Jesus e a Samaritana: Ele é a fonte da vida, é a água viva; Deus tem sede e quer saciar a todos; Ele é a Vida..
4º domingo - Jesus é a Luz, na cura do cego; Ele é o caminho.
5º domingo - Jesus é a Vida, na ressurreição de Lázaro; Ele é o Deus libertador;

Jesus é a agua viva que sacia a sede do
Ser humano. Todos têm sede. Porém, em que poço se busca a água?
Muitos são os poços que o mundo oferece: o poço do materialismo exacerbado, do consumismo, do prazer etc.
Mas esses poços oferecem uma água que torna o ser Humano cada vez mais sedento. Leva-o Ao profundo vazio e, às vezes, a certas enfermidades interiores.
Eles são incapazes de saciar o coração humano. Jesus nos oferece A verdadeira água, que sacia nossa sede, que preenche nossos vazios, Que cura nossas enfermidades e nos tornam “fonte de água que jorra para a vida eterna”
Aquele que bebe dessa água faz o mesmo que a samaritana, abandona o Cântaro e vai.... Leva Jesus ao povo e o povo a Jesus

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Sugestão: A equipe litúrgica procure preparar bem um gesto, para que signifique o acolhimento da palavra de Deus, através do símbolo da água. (entrar com um jarro com água, abençoar e aspergir o povo durante o rito penitencial)

RITO PARA BÊNÇÃO E ASPERSÃO DA ÁGUA
(Sugestão de substituição do Ato Penitencial. Missal p. 1001).

Presidente: Invoquemos o Senhor nosso Deus, para que se digne abençoar esta água que vai ser aspergida sobre nós, recordando o nosso batismo. Que ele se digne ajudar-nos, para permanecermos fiéis ao Espírito que recebemos.

(E, após um momento de silêncio, continua)
Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que pela água, fonte de vida e princípio de purificação, as nossas almas
fossem purificadas e recebessem o prêmio da vida eterna. Abençoai + esta água, para que nos proteja neste dia que vos é consagrado, e renovai em nós a fonte viva de vossa graça, a fim de que nos livre de todos os males e possamos nos aproximar de vós com o coração puro e receber a vossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
T. Amém.
(Enquanto o povo é aspergido canta-se: Cd da CF 2017)

Ou  (Canta-se: Solo/Todos)
:Lavai-me, Senhor, lavai-me, / e bem limpo eu vou ficar!:
: Senhor, vós me lavareis; / de tão limpo eu vou brilhar!:

(Todos rezam juntos)
T. Misericórdia de mim, Deus de bondade, / Misericórdia por tua compaixão! / Vem me lavar das sujeiras do pecado, / vem me livrar de tamanha perdição! / Reconheço toda a minha maldade; / diante de mim a vastidão de minha ofensa. / Foi contra ti, meu Senhor, o meu pecado / e pratiquei o que é mau em tua presença.
Solo/Todos

(Canta-se novamente no mesmo ritmo: Solo/Todos)
:Mostrai-nos vossa bondade; / salvai-nos, ó Redentor!:
:Senhor, eu peço, escutai-me; / a vós chegue o meu clamor!:

Pres. Que Deus todo-poderoso nos purifique dos nossos pecados e, pela celebração desta Eucaristia, nos torne dignos da mesa de seu reino.
T. Amém.

4. ORAÇÃO
S. Oremos: (pausa) Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e
a oração como remédios contra o pecado. Acolhei esta confissão de nossa fraqueza, para que, humilhados pela
consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. P.N.S.J.C.
T. Amém.

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"Dá-me de beber"

A Quaresma, na Igreja primitiva, além de ser um tempo de penitência e de conversão, era um tempo de preparação para os batizados, que aconteciam no sábado santo, na Vigília Pascal.

Por isso, nesses três domingos, que antecedem a semana santa, aparece o tema batismal com os símbolos:
- da Água, no diálogo com a Samaritana,
- da Luz, na cura do cego;
- da Vida, na ressurreição de Lázaro.
Hoje nos apresenta o símbolo mais importante, a ÁGUA, que exprime o milagre renovado da VIDA.

Na 1a Leitura, o povo pede ÁGUA (Ex 17,3-7)

No deserto, o povo reclama revoltado contra Moisés, pedindo água, para manter-se vivo: "Dá-nos água para beber..." E Deus intervém, fazendo brotar milagrosamente água da rocha de Horeb.

* Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo, que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo.

Na 2ª Leitura, São Paulo reafirma que Deus derrama sempre seu Amor em nossos corações, como aconteceu com a Samaritana. (Rm 5,1-2.5-8)

No Evangelho, Jesus pede e oferece ÁGUA à Samaritana. (Jo 4,5-42)

- Jesus cansado... sedento... senta-se ao lado do poço de Jacó...
  Uma mulher anônima... balde vazio... coração vazio... busca água...
- JESUS quebra preconceitos de raça, de sexo, de religião...    e toma a iniciativa: "Dá-me de beber".
- A Mulher estranha... (os apóstolos também): falar com samaritana e mulher...
- Do diálogo nasce a mútua compreensão.
  A mulher descobre em si mesma uma sede mais profunda de amor, pois apesar dos 5 maridos que já tivera, vivia um grande vazio...   E Jesus se revela como água viva, capaz de saciar qualquer sede humana...
- Inicialmente ela fica confusa... no final ela pede "dessa água". Reconhece Jesus como "Salvador do Mundo",
  O Templo onde Deus "deve ser adorado em espírito e verdade".
  Abandona o "Velho balde" e corre para a cidade, para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.

+ O Caminho da Samaritana:
   Esse Diálogo mostra a grande pedagogia de Jesus, que se revela aos poucos, até chegar à manifestação plena.
   - No começo, a mulher só pensa na água material (seus desejos, os maridos...)

   - Aos poucos começa a compreender e aceitar a proposta de Jesus:
      Inicialmente, ela vê nele apenas um judeu viajante; depois, o chama de "Senhor"; em seguida, reconhece que é um Profeta; No final, descobre nele o Messias esperado pelo povo.
   - Abandona então o balde que dá acesso às suas propostas limitadas de felicidade, e corre até a cidade para anunciar a sua descoberta.

     Essa mulher desprezada, após escutá-lo como DISCÍPULA, torna-se MISSIONÁRIA de Cristo, antes mesmo dos apóstolos...

+ A água do poço é símbolo de todas as satisfações humanas, na esperança de encontrar nelas a nossa felicidade,
   mas que no fim deixam sempre muito vazio e muitas desilusões...
= Essa água não satisfaz plenamente, todos os dias precisamos voltar ao poço...

+ A água de Jesus é o espírito de Deus, o amor que enche os corações. 
   Só Cristo mata definitivamente a sede de vida e felicidade do homem.
   Essa água nos faz pensar também no BATISMO, que foi o nosso primeiro encontro com Jesus.

+ O nosso caminho...

- No passado, o POÇO sempre foi um lugar de ENCONTRO.
- Os homens continuam ainda hoje procurando um Poço, para saciar sua sede profunda de vida.
   Buscam cada vez mais "coisas" para saciá-la e nada os satisfaz.
 - Cristo continua vindo ao nosso encontro. Senta perto do nosso poço e nos diz: "Quem tiver sede... venha a mim... e beba..."

- Antes de nos encontrar com Cristo, também nós estávamos preocupados com nossos problemas, desejos, ambições, e o nosso coração estava sempre repleto de tristeza e insatisfação. 
  Precisávamos todos os dias voltar ao poço e encher o nosso balde...

- Um belo dia, o encontro com Cristo aconteceu...
  A conversa com esse "Jesus" despertou em nós uma curiosidade, que nos levou a conhecer melhor a pessoa de Cristo e sua mensagem.

- No final da caminhada, encontramos essa água viva, prometida por Jesus.
  Abandonamos então o "velho Balde" e sentimos a necessidade de correr para anunciar a todos, como Missionários, a nossa descoberta e a nossa felicidade... 

Façamos nosso o pedido da Samaritana: "Senhor, dá-nos sempre dessa água!"
                                              Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Françoá Costa

Sede de Deus

“O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2011).
Deus está apaixonado pelo ser humano, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Nós pedimos de beber a alguém que afirma claramente que tem sede. Essa sede de Deus por cada pessoa humana ficou claramente expressada naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede” (Jo 19,28).  Deus tem sede de que nós tenhamos sede do seu Espírito, da sua vida, da sua graça, da sua glória. Ele tem água abundante, mas tem sede de que nós a bebamos.
“Dá-me de beber” (Jo 4,7) é a expressão daquilo que todo ser humano tem: sede de Deus, que pode ser saciada: aqui pela graça e no céu pela glória. André Frossard no famoso relato da sua conversão, “Deus existe. Eu encontrei-o”, terminava com essas palavras: “l’éternité sera courte” – a eternidade será curta. Trata-se de uma maneira poética de afirmar que diante da grandeza de Deus, a mesma eternidade –um presente sem começo nem fim– será “curta” para deliciar-nos com a presença do Senhor.
Essa sede de viver conforme aquilo que Deus pensou para nós, de apetecer aquilo que constrói realmente uma existência cheia de sentido, de contemplar todas as coisas com a visão purificada e descobrir o esplendor de cada criatura, é uma sede existencial, é uma insatisfação da alma que não encontra sentido fora de Deus. Santo Tomás de Aquino fez uma análise cientificamente rigorosa sobre a felicidade do ser humano (cfr. S.Th. II-II, q. 2–5), na qual começava por estudar o fato de que a felicidade não pode consistir nas riquezas, nem na honra, na fama ou na glória; tampouco consiste no poder, no bem do corpo, no prazer, nalgum bem da alma ou num bem criado qualquer. Talvez, na sociedade atual, vale a pena enfatizar que a felicidade não consiste nas riquezas nem nos prazeres. Penso somente nessas duas questões porque, infelizmente, os nossos tempos não se destacam pelo cultivo das coisas do espírito e, por tanto, a honra, a glória, os bens da alma e o conhecimento das dimensões mais profundas dos elementos criados geralmente importam pouco.
Como poderia consistir a felicidade do homem nas riquezas, naturais ou artificiais, se estas são sempre finitas? A uma riqueza sempre se pode acrescentar outra. Como se pode ver, podemos passar a vida acumulando riquezas sem saciar-nos. Por outro lado, como poderia consistir a felicidade do ser humano nos prazeres se esses são apenas um principio de conhecimento? “O apetite veemente pelo deleite sensível deve-se ao fato de que as operações dos sentidos são mais perceptíveis, porque são princípios do nosso conhecimento. É por isso que a maioria deseja os deleites sensíveis” (Santo Tomás de Aquino). Logicamente, o prazer, quando surge de um bem real, é bom. Sem dúvida, é bom e agradável a Deus o prazer que os membros de uma família experimentam numa deliciosa comida dominical num ambiente festivo e moderado pela virtude; é bom e agradável a Deus o prazer que o homem e a mulher, unidos por santo matrimônio, sentem ao gerar os filhos; é bom e muito agradável a Deus o prazer que podemos sentir ao cumprir os nossos deveres de estado. Não obstante, o prazer, quando procede dos desejos desordenados, pode absorver de tal maneira as faculdades superiores, inteligência e vontade, que poderia cegar-nos. Os prazeres desordenados poderiam levar ao desprezo da virtude, inclusive poderia levar ao pior pecado que dar-se pode: o ódio a Deus. Neste caso, Deus seria odiado porque apareceria aos olhos do pecador como inimigo da sua vida desordenada de prazeres.
A leitura atenta descobre facilmente a importância da água para S. João. É somente nesse Evangelho que nós lemos o relato das bodas de Caná, onde Jesus transforma a água em vinho (cfr. Jo 2,1-12); no capítulo seguinte encontramos aquela afirmação que sempre nos comove: “quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5); depois a passagem, que acabamos de escutar, que nos relata o encontro de Jesus com a Samaritana (cfr. Jo 4,1-42); era pelo movimento da água que os enfermos eram curados na piscina de Betesda (cfr. Jo 5,1-18). De fato, o Catecismo da Igreja Católica afirma que o simbolismo da água significa a ação do Espírito Santo, que brota do lado aberto de Cristo crucificado (cfr. Cat 694).
É no Coração de Deus que nós encontramos o nosso descanso, a nossa paz, os nossos prazeres, a nossa felicidade, a nossa bem-aventurança. Distanciar-nos daí é sair do caminho da felicidade, é correr pelos prados da insensatez, é viver uma vida que só pode levar à escuridão mais profunda e ao pior absurdo da vida humana, não ser feliz. –
Pe. Françoá Costa

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa
A Quaresma é tempo de caminho para a santa Páscoa, Páscoa de Cristo e nossa. Ora, é pelo Batismo e a Eucaristia que entramos misteriosamente na Páscoa do Senhor, no seu mistério de morte e ressurreição. Por isso celebramos a Noite Santa de Páscoa com o Batismo e a Eucaristia! Pois bem, o Evangelho de hoje é uma belíssima catequese batismal!
Acompanhemos passo a passo este texto belíssimo. “Chegou uma mulher da Samaria para buscar água”. Essa mulher, essa samaritana, essa pagã, representa os povos não-judeus, os que ainda não conheciam o Deus verdadeiro. Eles vêm, sedentos, procurando uma água que não sacia definitivamente; eles têm de voltar sempre ao poço, buscam saciar a sede de tantos modos, e continuam sempre com sede: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo”. Consumismo, sexo, liberdade desenfreada, droga, poder, dinheiro, ciência sem ética nem limites, facilidades… nada disso sacia de modo definitivo o nosso coração! Jesus provoca a mulher:“Se conhecêsseis o dom de Deus e quem é que te pede ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. Frase estupenda! O Dom de Deus é o Espírito Santo; é ele á água que jorra para a vida eterna. Em Jo 7,37, Jesus convidou: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba aquele que crê em mim”. E o Evangelista recorda que do seio do Messias sairão rios de água viva, o Espírito Santo (cf. Jo 7,38). E quem é que pede de beber? O Messias, isto é, o Ungido com o Espírito, o doador do Espírito, da água que nos sacia de vida eterna!
Diante disso, a Samaritana – e nós também – suplica: “Senhor, dá-me dessa água!” Esta água só pode ser recebida no sacramento do Batismo! Como aquele outro pedido: “Senhor, dá-nos deste pão” (Jo 6,34). Eis o Batismo; eis a Eucaristia! É assim que a vida de Jesus nos chega! Mas, não se pode receber o Batismo sem primeiro se reconhecer pecador, sem primeiro confessar seu pecado e buscar a remissão no Espírito Santo que Jesus dá! Quem não se humilha diante do Senhor, quem não se reconhece pecador, não beberá dessa água! Por isso, Jesus revela o pecado da mulher, toca seu ponto fraco, fá-la reconhecer-se indigna, não para envergonhá-la, mas para libertá-la com a verdade: “Vai chamar teu marido!” A mulher era adúltera, com vários maridos, como os pagãos, com seus vários deuses! Jesus, então, revela que os pagãos adoram o que não conhecem, porque “a salvação vem dos judeus!” Interessante o ecumenismo de Jesus: não mascara a verdade, não nega a verdadeira fé, em nome de um falso diálogo! A salvação vem dos judeus, porque é dos judeus que Cristo vem – ele, o único verdadeiro Salvador, fora do qual não há nem pode haver salvação alguma! Há tanto teólogo sabido esquecendo isso! Por outro lado, o judaísmo vai ser superado: “Está chegando a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade” e não mais em Jerusalém! Eis: quando Cristo der o seu Espírito, é nesse Espírito de Verdade, Espírito de Cristo, recebido nas águas do Batismo, que a humanidade encontrará a Deus! Esses são os adoradores que o Pai procura, pois a salvação definitiva vem de Cristo, presente nos sacramentos da sua Igreja católica, sobretudo no Batismo e na Eucaristia! É nele que judeus e pagãos são chamados a formar um só povo de verdadeiros adoradores!
Finalmente, o misterioso diálogo de Jesus com os apóstolos: “Tenho um alimento que não conheceis: o meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”. O alimento de Jesus é levar o Reino do Pai a todos os povos, judeus e pagãos! É o que Jesus acabara de fazer com a Samaritana… e ela está chamando outros até Jesus. Por isso, Jesus diz: “Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! O ceifeiro já está recebendo o salário e recolhe fruto para a vida eterna! Um é o que semeia, outro o que colhe!” O Senhor está semeando para que os Apóstolos colham depois da Páscoa! Mas, a conversão daqueles samaritanos é já um sinal e uma antecipação da colheita, da conversão dos pagãos.
Que dizer mais? Somos a colheita de Cristo! “Estamos em paz com Deus por Jesus Cristo”. Porque fomos batizados nele, vivemos na esperança, pois já experimentamos em nós a vida eterna, pois “o amor de Deus foi derramado como água em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado!” E tudo isso, graças ao que Cristo semeou com sua morte, tornando-se grão que dá fruto para a vida eterna! Eis que prova de amor tão grande o Pai nos deu! Eis em que consiste o Reino que Jesus veio anunciar e trazer! Eis a obra do Pai, que é o alimento de Jesus!
Eis! Na sede do nosso caminho de vida e de Quaresma, olhemos para Jesus, aproximemo-nos dele, o Rochedo que, ferido na cruz, de lado aberto, faz jorrar a água do Espírito para o seu povo peregrino e sedento. O mundo, tão sedento, procura matar a sede em tantas águas sujas, envenenadas, águas que matam! Que nós matemos nossa sede no Cristo, novo Rochedo, que jorra a água do Espírito, que dura para a vida eterna! Que ele alimente nosso caminho quaresmal até a Páscoa da glória! Amém.

D. Henrique Soares da Costa
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Louvor: (Quando o Pão consagrado estiver sobre o altar)
-  o senhor esteja com todos vocês... demos graças ao senhor...com jesus, por jesus e em jesus, na força do E. santo, louvemos ao Pai
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Pai, Nós vos bendizemos porque habitais no meio de nós. Tirastes o povo escravo no Egito e por meio de Moisés fizestes jorrar água do rochedo. Nós vos pedimos: dái-nos mais confiança na vossa presença em nosso meio de nós.
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Nós vos damos graças por Jesus, vosso Filho, que aceitou morrer por nós e pelo Espírito Santo que nos foi derramado em nosso batismo. Nós vos pedimos por todos que atravessam períodos de dúvida, por causa das provações e sofrimentos. Pai, olhai por eles dando força e coragem para fiquem cheios de vossa graça.
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Bendito sejais, Senhor, porque nos revelais a água viva da presença de vosso Filho e do Espírito Santo no meio de nós. Fortificados pela graça do batismo, aumentai a nossa fé e fazei que sempre tenhamos sede de vos conhecer e amar.
T: Louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Pai Nosso...  A Paz de cristo...  eis o cordeiro...