quinta-feira, 13 de julho de 2017

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM  2017  ANO A (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Tema: A importância da Palavra de Deus. “A palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia.”

Primeira leitura: A Palavra de Deus é criadora de vida. Dá-nos esperança e caminhos.
Evangelho: A Palavra exorta-nos a ser uma “boa terra”, e que produzamos abundantes frutos.
Segunda leitura: Há uma solidariedade, uma relação, entre o homem e o resto da criação.

PRIMEIRA LEITURA (Is 55,10-11) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

AMBIENTE - O Deutero-Isaías, autor deste, exerce a sua missão entre os exilados da Babilônia, mantendo a esperança. Hoje, o profeta relembra a eficácia da Palavra de Deus.

MENSAGEM - A Palavra de Deus é eficaz, transformadora, geradora de vida. Ela nunca falha. O profeta utiliza o exemplo da chuva e da neve, que descem do céu fecundam a terra e multiplicam a vida nos campos, assim a Palavra de Deus cria vida plena para o Povo de Deus.

ATUALIZAÇÃO • Quando escutamos a Palavra de Deus, sentimos que o caminho que Deus nos indica é um caminho de felicidade e de vida plena… No dia a dia constatamos que os maus, os corruptos, os violentos, parecem triunfar, enquanto que os bons, os justos, os humildes, os pacíficos são vencidos, magoados, humilhados… Então perguntamos: podemos confiar nas promessas de Deus? Não estaremos a ser enganados? A Palavra de Deus hoje nos responde a estas dúvidas: a Palavra de Deus não falha; ela indica sempre caminhos de vida plena, de felicidade, de paz sem fim.
• A Palavra dá-nos esperança e caminhos a percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. A Palavra revela-nos os projetos de Deus para o mundo e para os homens e convida-nos ao compromisso com a transformação e a renovação do mundo.

SALMO RESPONSORIAL / 64 (65)
A semente caiu em terra boa e deu fruto.
•           Visitais a nossa terra com as chuvas, / e transborda de fartura. /
Rios de Deus que vêm do céu derramam águas, / e preparais o nosso trigo.
•           É assim que preparais a nossa terra: / vós a regais e aplainais, /
os seus sulcos com a chuva amoleceis / e abençoais as sementeiras.
•           O ano todo coroais com vossos dons, / os vossos passos são fecundos; /
transborda a fartura onde passais, / brotam pastos no deserto.
•           As colinas se enfeitam de alegria / e os campos, de rebanhos; /
nossos vales se revestem de trigais: / tudo canta de alegria!

EVANGELHO (Mt 13,1-23) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!” Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?” Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não vêem e, ouvindo, eles não escutam nem compreendem. Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. Felizes sois vós, porque vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, desejaram ouvir o que ouvis e não ouviram. Ouvi, portanto, a parábola do semeador: Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.

AMBIENTE - A “parábola” é um método pedagógico, que ensina a refletir, a medir os prós e os contras, a encontrar soluções para a vida.

MENSAGEM - O quadro apresenta as técnicas agrícolas usadas na Palestina: primeiro, o agricultor lançava a semente à terra; depois, é que passava a arar o terreno. Assim que uma parte da semente pôde cair “à beira do caminho”, outra em “terrenos pedregosos” e outra “entre os espinhos”. As diferenças do terreno significam as diferentes formas como é acolhida a semente. O que aqui é significativo é a quantidade de frutos que a semente lançada na “boa terra” produz… na época, uma colheita de sete por um era considerada farta, os cem, sessenta e trinta por um era algo de surpreendente, de milagroso.  Com esta parábola, Jesus diz aos desiludidos: “coragem! Não desanimeis, pois apesar do aparente fracasso, o ‘Reino’ é uma realidade impar; e o resultado final será algo de surpreendente”.
Na segunda parte temos uma reflexão sobre a função das parábolas. Nos que rejeitam a proposta de Jesus, cumpre-se a profecia de Isaías: o profeta fala de um povo de coração endurecido, que quanto mais ouve a pregação profética, mais se irrita, agravando mais a sua culpa. Os discípulos são aqueles que escutam a proposta do “Reino” e estão dispostos a acolhê-la. Eles compreendem, portanto, as parábolas e aceitam a realidade que elas propõem. Eles são “felizes”, porque abriram o coração às propostas de Jesus, escutaram as suas palavras, viram e entenderam os seus gestos e sinais; são “felizes” porque já integram o “Reino”.
Na terceira parte, temos a explicação da parábola. Nessa explicação, a parábola é uma reflexão sobre as diversas atitudes com que a comunidade acolhe a Palavra de Jesus.
O acolhimento do Evangelho não depende, nem da semente, nem de quem semeia; mas depende da qualidade da terra. Diante da Palavra de Jesus, há várias atitudes…
- Há aqueles que têm um coração duro como o chão dos caminhos: a Palavra de Jesus não poderá penetrar nessa terra e dar fruto.
- Há aqueles que têm um coração inconstante, se entusiasma, mas logo desanima perante as primeiras dificuldades: a Palavra não cria raízes.
- Há aqueles que têm um coração materialista, que dá prioridade à riqueza: a Palavra de Jesus é sufocada por outros interesses.
- Há também aqueles que têm um coração bom, aberto aos desafios de Deus: a Palavra de Jesus é aí acolhida e dá muito fruto. Os verdadeiros discípulos (a “boa terra”) identificam-se com aqueles que escutam as parábolas, as entendem e acolhem a proposta do “Reino”.
Temos aqui, portanto, uma exortação aos cristãos no sentido de acolherem a Palavra de Jesus, sem deixarem que as dificuldades, os acidentes da vida, os outros valores a afoguem e a tornem uma semente estéril, sem vida.

ATUALIZAÇÃO • A semente que caiu em terrenos duros, corações insensíveis, egoístas, orgulhosos, onde não há lugar para a Palavra e os valores do “Reino”. Preferem um caminho de independência e autossuficiência, à margem de Deus.
• A semente que caiu em terras pedregosas, brota nessa pequena camada de terra, mas morre por falta de raízes profundas, são os incapazes de suportarem as dificuldades, os sofrimentos. Perdem a coragem quando são confrontados com a radicalidade do Evangelho.
• A semente que caiu entre os espinhos e que foi sufocada, a proposta do “Reino” não é a prioridade. Fazem do dinheiro, do poder, da fama, do êxito profissional ou social o verdadeiro Deus a que tudo sacrificam.
• A semente que caiu em boa terra e que deu fruto abundante faz-nos pensar em corações bons, capazes de aderirem às propostas de Jesus e encontraram um caminho de libertação e de vida plena e que, como Jesus, aceitam fazer da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos homens.
• Com frequência, ficamos desanimados com o materialismo, os falsos valores que marcam a vida de muitos do nosso tempo. Perguntamo-nos se vale a pena anunciar a proposta libertadora de Jesus … O Evangelho de hoje responde: “coragem! Não desanimeis pois, apesar do aparente fracasso, o ‘Reino’ é uma realidade impar; e o resultado final será algo de surpreendente, de maravilhoso, de inimaginável”.

SEGUNDA LEITURA (Rm 8,18-23) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos: Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

AMBIENTE - A salvação é um dom gratuito, que é fruto da bondade e do amor de Deus. Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo. Seguir o exemplo de Cristo implica deixar a vida “segundo a carne” (egoísmo, orgulho, autossuficiência) e aderir à vida “segundo o Espírito” (escuta de Deus, de obediência a Deus, e doação aos homens).

MENSAGEM - Na perspectiva de Paulo, toda a criação está dependente das escolhas que o homem faz. Como resultado do pecado do homem, a criação inteira ficou submetida ao império do egoísmo e da desordem. Se o homem passar a viver “segundo o Espírito”, superará o destino de maldição e de morte em que o pecado o tinha lançado; então, também o resto da criação será libertado e nascerá o novo céu e a nova terra Portanto, toda a criação aguarda que o homem escolha a vida “segundo o Espírito”. A vida “segundo o Espírito” supõe a renúncia ao egoísmo, ao comodismo, ao orgulho e a opção por um caminho de entrega e de dom da própria vida a Deus e aos outros. Paulo utiliza até o exemplo das dores do parto, para iluminar a mensagem que pretende transmitir… Os “padecimentos”, as renúncias, as dificuldades, não são nada, em comparação com a felicidade sem fim que espera os crentes no final do caminho.

ATUALIZAÇÃO• Paulo exorta a uma vida “segundo o Espírito”. Essa opção afetará a relação do homem com os outros homens e com toda a criação. Uma com critérios de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de pecado, gera escravidão, injustiça, arbitrariedade, morte. Ao contrário, uma vida conduzida de acordo com os critérios de Deus gera respeito, amor, solidariedade, que se refletem na vida dos outros seres criados e criam harmonia, equilíbrio, bem-estar, felicidade.
• A criação não é para ser explorada, violentada, mas com critérios para sua exploração. A ideia da fraternidade deve unir o homem e as outras coisas criadas por Deus.
• Não caminhamos para a destruição, mas para o “novo céu e a nova terra”, que já estão em gérmen presentes na nossa história e que, cada dia, se manifestam um pouco mais.
                                
 Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho
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+ Diante da Palavra de Deus, há 4 TIPOS DE OUVINTES:

- Há aqueles que têm um coração duro como a terra pisada de uma estrada: não permitem que a semente da Palavra de Deus penetre em seu coração. E Satanás elimina os grãos caídos.
- O coração inconstante, que se entusiasma com facilidade, mas depois desanima nas dificuldades.
A Palavra de Jesus não pode criar aí raízes profundas. 
- O coração materialista. São até "muito religiosos", mas dão prioridade à riqueza.
Essas preocupações são como espinheiros que sufocam a semente da Palavra.
- Há também os que têm um coração aberto e disponível. Neles, a Palavra é acolhida e frutifica.
O Evangelho de hoje nos garante, que apesar do aparente fracasso, o sucesso do "Reino" está garantido; e o resultado final será algo de surpreendente e de maravilhoso.
Deus nos garante: "A palavra de Deus não voltará sem produzir o seu fruto"
Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade. Daí a importância do estudo, da formação contínua, das boas leituras. A nova evangelização dependerá muito dessa capacidade de transmissão que tenhamos. Cada cristão deve ser evangelizador e por isso deve procurar, segundo a sua capacidade, crescer no conhecimento da doutrina cristã,com as coisas de Deus e com as coisas dos homens, seus irmãos. A nova evangelização é tarefa de todos. Deus tem um campo, um terreno enorme, e ele pede que muitos homens e mulheres realizem a sua vocação cristã no campo do trabalho profissional, da família, das diversões, da amizade. Nestes campos terão que lançar a semente, falar com simplicidade e de maneira compreensível.
O Padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho afirmava que a Palavra pode não dá fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde!
Ä semente que caiu na terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende. “Esse produz fruto: um dá cem, outro sessenta e outro, trinta”. Não nos iludamos: ao final, o Reino triunfará, ainda que pareça inútil, ainda que muito da semente semeada pareça destinada ao fracasso e à esterilidade… A semente dará fruto… Que frutifique, pois, em nós! Caríssimos, a humanidade inteira e a criação toda esperam o testemunho dos cristãos, esperam o nosso fruto no aqui e agora da existência, que antecipa e prepara a manifestação final da glória, que é a plena manifestação do Reino dos Céus. Caríssimos, a parábola de hoje nos convida a preparar nossa existência para que o Reino possa brotar; convida-nos também ao espírito de fé para ouvir, para ver, para compreender mesmo nas coisas pequenas da vida; convida-nos à paciência e à fidelidade no dia a dia; convida-nos à consciência de que é Deus quem age, fazendo a semente crescer, desde que não impeçamos o dinamismo da semente. Eis! O Reino está em nós, está no meio de nós! Abramo-nos a ele…

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Síntese do Pe. Antônio : A Semente
A PALAVRA DE DEUS nos exorta a ser uma "terra boa" e produzamos frutos abundantes.

Na 1ª Leitura, o Profeta compara a Palavra de Deus à CHUVA.
"Não voltará, sem ter cumprido a sua missão". (Is 55,10-11)

* Ao Povo no exílio, já cansado e desiludido de voltar à sua terra, o profeta anuncia que Deus é sempre fiel às suas promessas. Deus não esquece o seu povo, sua Palavra nunca falha.

Na 2ª Leitura, Paulo ensina que o tempo da semeadura sempre é difícil, sofre-se com a dor e a espera, mas não se trata de um grito de morte, e sim do início de uma nova vida que vem chegando. (Rm 8,18-23)

No Evangelho, com a Parábola da SEMENTE e do SEMEADOR, vemos que o fruto da Palavra de Deus depende da qualidade da terra. (Mt 13,1-23)

Jesus estava encontrando dificuldade na aceitação de sua Palavra.
- Havia gente que não acreditava...
- Havia gente que embora simpatizasse com Jesus, logo desistia de segui-lo.
- Havia gente que via a mensagem de Jesus como uma ameaça: devia mudar de vida, afastar-se do poder, largar as riquezas... Por isso, hostilizava e tramava a morte do próprio Jesus.
- No fim estavam ficando com ele só alguns discípulos.

  O Homem pode fechar-se à Palavra de Deus, rejeitá-la, mas sempre haverá terreno onde produzirá 30, 60, 100...
+ Diante da Palavra de Deus, há 4 TIPOS DE OUVINTES:

- Há aqueles que têm um coração duro como a terra pisada de uma estrada: não permitem que a semente da Palavra de Deus penetre em seu coração. E Satanás elimina os grãos caídos.

- O coração inconstante, que se entusiasma com facilidade, mas depois desanima nas dificuldades.
A Palavra de Jesus não pode criar aí raízes profundas. 

- O coração materialista. São até "muito religiosos", mas dão prioridade à riqueza.
Essas preocupações são como espinheiros que sufocam a semente da Palavra.

- Há também os que têm um coração aberto e disponível. Neles, a Palavra é acolhida e frutifica.

+ A Parábola nos propõe TRÊS PERGUNTAS:

1. Que terreno somos nós ?
Muitas vezes questionamos o PREGADOR ("Semeador") da Palavra de Deus:
Qual tal questionar também a nossa atitude de OUVINTES?

2. Que semeadores somos nós?
- Cuidamos do nosso terreno, retiramos as pedras e espinhos que atrapalham?
Procuramos estudar, nos informar, nos atualizar? (Na catequese, liturgia, canto, escola, família...)

3. Vale a Pena semear?
Jesus é o Semeador, e nós também o somos, junto com ele...
Ele semeia em todos os terrenos, mesmo nos inférteis.
E algumas sementes acabam germinando...
Semear o sorriso, nossas energias para enfrentar as batalhas da vida, o nosso entusiasmo, a nossa fé, o nosso amor...

O Evangelho de hoje nos garante, que apesar do aparente fracasso, o sucesso do "Reino" está garantido; e o resultado final será algo de surpreendente e de maravilhoso.
Deus nos garante: "A palavra de Deus não voltará sem produzir o seu fruto"

                                             
                                   Pe. Antônio

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Homilia de Pe. Françoá Costa: Parábolas do cotidiano
Vamos aproveitar as passagens bíblicas que a liturgia nos oferecerá nos próximos três domingos para refletir sobre a importância da formação. Neste domingo, procurando entender porque Jesus explicava as coisas em parábolas, tiraremos algumas consequências. No próximo, veremos que um cristão bem formado é condição de eficácia no meio do mundo. Finalmente, veremos a importância de um conhecimento que, ademais de ser fruto do estudo, é também fruto da instrução do Espírito Santo.
O que é uma parábola? É aquilo que chamávamos antes de “estória”, ou seja, uma historinha inventada da qual se podem deduzir diversas verdades importantes. Jesus contava muitas estórias. Era uma maneira pedagógica de explicar-se aos seus ouvintes. As parábolas de Jesus não são difíceis. No entanto, quando se lê que era concedido aos Apóstolos conhecer os mistérios do Reino, mas aos demais não ou quando se observa que Jesus se dirigia ao povo com parábolas, dá a impressão que ele não quer que as multidões entendam a sua mensagem. Até parece que a doutrina de Jesus é para um grupinho selecionado e formado por alguns privilegiados. E não é assim.
Ora, concedamos que, diante da dureza de coração do povo, Jesus, pedagogicamente, cite o profeta Isaias e se lamente de que ainda que fale em parábolas o povo parece encontrar-se tão torpe para as coisas do Espírito que não entende as realidades do Reino. E, no entanto, as parábolas eram altamente instrutivas, fáceis de captar e muito oportunas no contexto: “Tudo isso disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava, para que se cumprisse a profecia: Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação do mundo” (Mt 13, 34-35). Portanto, as parábolas são reveladoras de realidades arcanas, escondidas. Jesus as utiliza porque sabe que são muito importantes para levar o povo, paulatinamente, a adentrar nas realidades do Reino de Deus.
A parábola de hoje é maravilhosa: Jesus é o semeador que lança em terra a semente, isto é, a palavra de Deus. Ele a semeia por todas as partes, em todos os campos, porque a salvação é para todos. Todos devem ter acesso à felicidade eterna. No entanto, os terrenos são diversos. Alguns estão muito expostos, estão à beira do caminho; outros não têm profundidade, trata-se duma terra pedregosa na qual as raízes não podem estender-se. Mas nem tudo está perdido, também há terra boa. Isso não significa que as sementes que caíram à beira do caminho ou em solo pedregoso não possam produzir frutos. O terreno seria relativamente indiferente quando preparado para a plantação. O importante é trabalhar bem o terreno, mais ainda quando hoje em dia há técnicas agrônomas eficazmente comprovadas. Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade.
Jesus fala com uma linguagem acessível aos seus ouvintes. Há algum tempo, procurando entrar na pedagogia do Divino Mestre, utilizo historinhas nas minhas pregações para facilitar que se capte a mensagem do Senhor. É preciso que falemos aos demais das coisas do Reino de uma maneira cada vez mais inteligível. Talvez não o façamos porque nem nós mesmos entendemos aquilo que gostaríamos de transmitir. Daí a importância do estudo, da formação contínua, das boas leituras. O cristão tem que ter muito cuidado para não ser um “bicho raro”: sabe muito sobre a ciência humana na qual trabalha (física, química, matemática, etc.), mas não sabe nada ou quase nada da ciência de Deus; sabe muito do mundo, mas não do Criador do mundo; pensa saber muito sobre a liberdade, mas sem entender verdadeiramente o que significa o respeito à liberdade dos seus irmãos.
A nova evangelização dependerá muito dessa capacidade de transmissão que tenhamos. Por outro lado, não se pode pensar que isso é simplesmente um dom que se tem ou não se tem. Cada cristão deve ser evangelizador e por isso deve procurar, segundo a sua capacidade, crescer no conhecimento da doutrina cristã, ter uma verdadeira empatia – uma capacidade de identificar-se – com as coisas de Deus e com as coisas dos homens, seus irmãos. Nesse contexto, a amizade é muito importante para que seja possível compreender os próprios amigos e ajudá-los falando “a mesma língua” que eles. Quando se conhece bem a uma pessoa através da amizade, se lhe poderá falar de Deus através daquelas realidades humanas nas quais se encontra mais inserida.
A nova evangelização é tarefa de todos. No entanto, hoje eu gostaria de destacar a função dos leigos. Deus tem um campo, um terreno enorme, e ele pede que muitos homens e mulheres realizem a sua vocação cristã no campo do trabalho profissional, da família, das diversões, da amizade. Nestes campos terão que lançar a semente, falar com simplicidade e de maneira compreensível, utilizar as diversas parábolas que tenham base no cotidiano dos demais. Deus lhes ajudará a colher abundantes frutos em todos os ambientes nos quais devem viver lado a lado com os demais, implicados em realizar a sociedade atual na qual também Deus tem direito a ter o seu lugar.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de D. Henrique Soares da Costa
Mt 13,1-23
Na proclamação da Palavra deste Domingo, iniciamos a escuta do capítulo 13 do Evangelho de São Mateus, que nos traz o encantador Discurso das Parábolas sobre o Reino dos Céus. Neste e nos próximos dois domingos, escutaremos essas sete sugestivas parábolas. Atenção, caríssimos, porque este capítulo 13 é o centro do Evangelho segundo Mateus! Para que possamos compreender bem o que nosso Senhor nos quer dizer, recordemo-nos que o Reino dos Céus é o núcleo, o tema, o objetivo da pregação de Jesus: ele veio para instaurar o Reino entre nós e nos fazer participar dele em plenitude após nosso caminho neste mundo. Quando Mateus diz “Reino dos Céus” é o mesmo que dizer “Reino de Deus”, pois o céu é Deus e fora de Deus não pode haver céu! O anúncio do Reino dos Céus é, portanto, o anúncio do reinado do Deus de Jesus, aquele mesmo Deus a quem ele chamava de Pai, Pai que é todo amor, todo ternura, todo compaixão e misericórdia! Por isso, o reinado de Deus é nossa vida e nossa felicidade!
Pois bem, caríssimos, com sete parábolas (sete significa perfeição, completude) o Senhor Jesus nos fala dos mistérios do Reino dos Céus. São parábolas para serem ouvidas com essas perguntas no coração: Que é o Reino? Por que não aparece claramente neste mundo? Por que parece tão frágil? Onde ele está? Como se pode descobri-lo? Escutemos, porque o Senhor nos vai falar. Coloquemo-nos ao lado dos seus ouvintes, na tão doce cena do Evangelho de hoje: “Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas…” Sentemo-nos nós também com essa multidão e escutemos as parábolas desses três domingos!
Ó Mestre, porque falas em parábolas? – perguntaram a Jesus. As parábolas, caríssimos, têm, primeiramente, um sentido didático: Jesus falava do Reino com imagens e cenas da vida do povo… Era fácil compreender, era acessível aos simples… Mas também, exatamente por serem simples e cheias de figuras, as parábolas somente poderiam ser compreendidas por quem tivesse um coração simples e cheio de boa vontade. Os soberbos, os de má vontade, os autossuficientes jamais poderiam compreender, penetrar com o coração o mistério tão doce e suave que Jesus revela em suas parábolas. Por isso ele nos diz: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Ao que tem será dado mais e terá em abundância; mas ao que não tem, será tirado até o pouco que tem… Porque eles, olhando, não vêem, ouvindo, eles não escutam nem compreendem… Deste modo, cumpre-se a palavra do profeta: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração…’” Também nós, sem um coração pobre, humilde e confiante, jamais compreenderemos a verdade do mistério que Jesus nos apresentará nessas sete estupendas parábolas…
Comecemos, pois, a escutá-lo nesta primeira das sete: a Parábola do Semeador. A semente é a Palavra de Deus, que é sempre fecunda “como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, mas vêm irrigar e fecundar a terra”… A Palavra que Jesus, o Semeador, joga no terreno do nosso coração, nunca ficará sem efeito; é uma Palavra eficaz! O Padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho afirmava que a Palavra pode não dar fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde!
Se o semeador é Jesus e a semente é a Palavra, os diversos tipos de terrenos são os diversos tipos de coração. Sim, o terreno somos nós, caríssimos! E aqui está a nossa responsabilidade: tornar o nosso coração uma terra boa! Que não seja terra ruim, que não seja terra estéril. Não aconteça que sejamos daqueles que ouvindo, não escutam e vendo, não vêem! Por isso mesmo, essa Palavra deste hoje nos deve inquietar… Que tipo de terreno tenho sido? Que tipo de terreno tenho preparado no meu coração? Que fruto a Palavra está dando na minha vida? Recordemos, caríssimos em Cristo: se a Palavra não tiver fruto, ainda assim terá efeito!
Mas, há outro recado, outro ensinamento do Senhor nesta estória. Notem que a Palavra que anuncia o Reino é tão precária, a maior parte da semente parece ter um destino inglório, sem fruto! A Palavra onipotente aparece nesta parábola escandalosamente impotente – como na cruz! Mas, ao fim, ela triunfará, dará fruto: Ä semente que caiu na terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse produz fruto: um dá cem, outro sessenta e outro, trinta”. Não nos iludamos: ao final, o Reino triunfará, ainda que pareça inútil, ainda que muito da semente semeada pareça destinada ao fracasso e à esterilidade… A semente dará fruto… Que frutifique, pois, em nós!
Para isso, cuidemos do aqui e do agora de nossa existência, porque são nas coisas pequenas que o Reino aparece, que o Reino se faz, que a semente germina: no irmão que acolhi, na dor que suportei, na presença de Deus que descobri mesmo no meio das trevas da vida… Só quem ouve, só quem compreende pode acolher esse Reino e dar fruto de vida.
Caríssimos, a humanidade inteira e a criação toda esperam o testemunho dos cristãos, esperam o nosso fruto no aqui e agora da existência, que antecipa e prepara a manifestação final da glória, que é a plena manifestação do Reino dos Céus. A criação geme, a humanidade geme, tateando nas trevas em busca da luz, faminta em busca do alimento, mortal em busca da vida. Quem pode apontar a luz, quem pode trazer o pão, quem pode testemunhar a vida? Os cristãos, nós, se deixarmos que a semente da Palavra faça o Reino germinar em nós para que o Reino seja presença no mundo. Eis, portanto, que mistério tão grande: o Reino passa por nós, pela nossa pequena vida! Os cristãos, a Igreja, são como a respiração do mundo; sem nós, o mundo morreria asfixiado…
Caríssimos, a parábola de hoje nos convida a preparar nossa existência para que o Reino possa brotar; convida-nos também ao espírito de fé para ouvir, para ver, para compreender mesmo nas coisas pequenas da vida; convida-nos à paciência e à fidelidade no dia a dia; convida-nos à consciência de que é Deus quem age, fazendo a semente crescer, desde que não impeçamos o dinamismo da semente. Eis! O Reino está em nós, está no meio de nós! Abramo-nos a ele…


D. Henrique Soares da Costa

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SINOPSE:
terrenos duros, corações insensíveis, egoístas, orgulhosos, (não a levam a sério. “Entra por um ouvido e sai pelo outro.”) onde não há lugar para a Palavra e os valores do “Reino”.
pedregosos, falta de raízes, corações inconstantes, incapazes de suportarem as dificuldades. Tantos que perdem a coragem com a radicalidade do Evangelho.
espinhos, corações materialistas, comodistas, para quem a proposta do “Reino” não é a prioridade. Fazem do dinheiro, do poder, da fama, do êxito o verdadeiro Deus a que tudo sacrificam.
A semente que caiu em boa terra, corações sensíveis e bons, capazes de aderirem às propostas de Jesus. Encontram na proposta de Jesus um caminho de libertação e de vida plena, aceitam fazer da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos homens.
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Para a Celebração da Palavra (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):



LOUVOR: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar) 15º D.T. COMUM  Mt 13, 1-13
- O Senhor esteja com todos vocês... demos graças ao Senhor...
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Ó Deus, nosso Pai, Nós Vos damos graças pela Vossa Palavra que nos transforma e nos salva. Nós Vos pedimos: preparai o nosso coração como uma boa terra para o acolhimento da Vossa Palavra, para que ela germine e dê bons frutos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Nós Vos damos graças, ó Pai, pelo imenso e admirável universo, que nos ofereceis como um jardim para cultivar. Nós Vos pedimos por toda a criação, mas sobretudo pela humanidade. Iluminai-nos com o Vosso Espírito criador, para nos inspirar o respeito pela Vossa criação.
    T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Nós Vos agradecemos pelo semeador que nos enviastes; Jesus Cristo, Vosso Filho. Ele lançou generosamente o bom grão do Vosso amor e da Vossa vida em todos os terrenos. Nós Vos pedimos pelas nossas comunidades: livrai-nos de abafar o bom grão da Palavra, mas que o Vosso Espírito a faça frutificar em nós e à nossa volta.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- PAI NOSSO...       A PAZ de Cristo...         EIS O CORDEIRO...




quinta-feira, 6 de julho de 2017

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A, Homilias, subsídios homiléticos

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A 2017

Tema: Como encontrar Deus.

Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade.
A primeira leitura: Deus vem ao encontro dos homens na pobreza e na humildade.
No Evangelho: Jesus louva o Pai porque encontrou acolhimento no coração dos “pequeninos”, que na sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus.
Na segunda leitura: Paulo convida os crentes  a viverem “segundo o Espírito” e não “segundo a carne”. A vida “segundo a carne” é a vida daqueles que se instalam no egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida “segundo o Espírito” é a vida daqueles que aceitam acolher as propostas de Deus.

PRIMEIRA LEITURA (Zc 9,9-10) Leitura da Profecia de Zacarias.
Assim diz o Senhor: “Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta. Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco do guerreiro, anunciará a paz às nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até aos confins da terra”.

AMBIENTE - Zacarias apresenta o Messias como rei, como pastor e como servo do Senhor.

MENSAGEM - Zacarias descreve o regresso do rei vitorioso a Jerusalém. A cidade é convidada a alegrar-se e regozijar-se pois o seu rei, “justo e salvador”, chegou. A entrada triunfal desse rei justo e vitorioso é na humildade e na paz; ele não cavalgará um cavalo de guerra, mas um “jumentinho”. A atitude deste “rei” contrasta com as exibições de força, de poder dos grandes do mundo…
No entanto, este “rei” humilde e pacífico terá a força para acabar com a guerra e para proclamar a paz universal. O seu “reino” irá “de um mar ao outro mar” e “até aos confins da terra” (isto é, abarcará a totalidade do mundo antigo).

ATUALIZAÇÃO • Em primeiro lugar, o Deutero-Zacarias deixa clara a preocupação de Deus com a salvação do seu Povo. Na fase em que o profeta leva a cabo a sua missão, o Povo de Deus conhece uma relativa tranquilidade; mas é um Povo subjugado, manipulado, impedido de escolher livremente o seu destino e de construir o seu futuro. É nesse contexto que o profeta anuncia a chegada de um rei “justo e salvador”, que vem ao encontro do Povo para o libertar e para lhe oferecer a paz (“shalom” – no sentido de harmonia, bem estar, felicidade plena). Ora, Deus não perdeu qualidades, nem mudou a sua essência. O Deus que assim atuou ontem é o Deus que assim atua hoje e que assim atuará sempre. Ao longo da nossa caminhada de todos os dias, fazemos frequentemente a experiência do desencanto, da frustração, da privação de liberdade. Sentimo-nos, tantas vezes, perdidos, sem esperança, incapazes de tomar nas mãos o nosso futuro e de dar um sentido à nossa vida… Nessas circunstâncias, somos convidados a redescobrir esse Deus que vem ao nosso encontro, que restaura a nossa esperança e nos oferece a paz.
• A história da salvação mostrou, muitas vezes, que é através dos pequenos, dos humildes, dos pobres, dos insignificantes que Deus atua no mundo e o transforma. Deus está mais na viúva que lança no tesouro do Templo umas pobres moedas do que no capitalista que preenche um cheque chorudo para pagar os vitrais da nova igreja da paróquia; Deus está mais no gesto simples do pacifista que oferece uma flor a um soldado do que na violência daqueles que lutam de armas na mão contra os “maus”; Deus está mais no olhar límpido de uma criança do que na palavra poderosa de um pregador inflamado que “sabe tudo” sobre Deus… Já aprendi a descobrir esse Deus que se manifesta na humildade, na pobreza, na simplicidade?

SALMO RESPONSORIAL / Sl 144 (145)
Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!
• Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, / e bendizer o vosso nome pelos séculos. /
Todos os dias haverei de bendizer-vos, / hei de louvar o vosso nome para sempre.
• Misericórdia e piedade é o Senhor, / ele é amor, é paciência, é compaixão. /
O Senhor é muito bom para com todos, / sua ternura abraça toda criatura.
• Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem / e os vossos santos com louvores vos bendigam! /
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino / e saibam proclamar vosso poder!
• O Senhor é amor fiel em sua palavra, / é santidade em toda obra que ele faz. /
Ele sustenta todo aquele que vacila / e levanta todo aquele que tombou.

EVANGELHO (Mt 11, 25-30) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

AMBIENTE - Após o “discurso da missão” e o envio dos discípulos ao mundo, Mateus coloca as reações que as pessoas tomam frente a Jesus e à sua proposta de “Reino”. Jesus havia dirigido uma crítica aos habitantes das cidades à volta do lago de Tiberíades (Corozaim, Betsaida, Cafarnaum), porque foram indiferentes a proposta de salvação. Estavam instalados nas suas certezas, nos seus preconceitos e não aceitavam a novidade de Deus.
Agora, Jesus manifesta-Se convicto de que essa proposta rejeitada pelos habitantes das cidades do lago encontrará acolhimento entre os pobres e marginalizados, que anseiam pela libertação que Deus tem para lhes oferecer.

MENSAGEM – Jesus se dirige ao Pai, porque Ele escondeu “estas coisas” aos “sábios” e as revelou aos “pequeninos”.
Os “sábios” são certamente esses “fariseus” e “doutores da Lei”, que se consideravam justos e dignos de salvação porque cumpriam a Lei e que – na sua perspectiva – lhes garantia automaticamente a salvação. Os “pequeninos” são os discípulos, os primeiros a responder positivamente à oferta do “Reino”; e são também esses pobres e marginalizados (os doentes, os publicanos, as mulheres de má vida, o “povo da terra”) que Jesus encontrava todos os dias pelos caminhos da Galileia, considerados malditos pela Lei, mas que acolhiam, com alegria e entusiasmo, a proposta libertadora de Jesus.
Os “sábios” (fariseus e doutores da Lei) estavam convencidos de que o conhecimento da Lei lhes dava o conhecimento de Deus. A Lei era uma espécie de “linha direta” para Deus, através da qual eles ficavam a conhecer Deus, a sua vontade, os seus projetos para o mundo e para os homens; por isso, apresentavam-se como detentores da verdade, representantes legítimos de Deus, capazes de interpretar a vontade e os planos divinos.
Jesus deixa claro que Ele é “o Filho” e só Ele tem uma experiência profunda de intimidade e de comunhão com o Pai. Quem rejeitar Jesus não poderá “conhecer” Deus. Mas quem aceitar Jesus e O seguir, aprenderá a viver em comunhão com Deus, na obediência total aos seus projetos e na aceitação dos seus planos.
A terceira proposta é um convite a ir ao encontro de Jesus: “vinde a Mim”; “tomai sobre vós o meu jugo…”.
Para os fariseus a Lei não era um “jugo” pesado, mas um “jugo” glorioso, que devia ser carregado com alegria. Na realidade, tratava-se de um “jugo” pesadíssimo. A impossibilidade de cumprir, no dia a dia, os 613 mandamentos da Lei escrita e oral, criava consciências pesadas e atormentadas. Os crentes, incapazes de estar em regra com a Lei, sentiam-se condenados e indignos da salvação. A Lei aprisionava em lugar de libertar e afastava os homens de Deus.
Jesus veio libertar o homem da escravidão da Lei. A sua proposta de libertação plena dirige-se aos doentes (na perspectiva da teologia oficial, vítimas de um castigo de Deus), aos pecadores (os publicanos, as mulheres de má vida, todos aqueles que tinham publicamente comportamentos política, social ou religiosamente incorretos), ao povo simples do país (que, pela dureza da vida que levava, não podia cumprir todos os ritos da Lei), a todos aqueles que a Lei exclui e amaldiçoa. Jesus garante-lhes que Deus não os exclui nem amaldiçoa e convida-os a integrar o mundo novo do “Reino”. É nessa nova dinâmica proposta por Jesus que eles encontrarão a alegria e a felicidade que a Lei recusa dar-lhes. A proposta do “Reino” será uma proposta reservada a uma classe determinada (os pobres, os débeis, os marginalizados) em detrimento de outra (os ricos, os poderosos, os da “situação”)? Não. A proposta do “Reino” destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção… No entanto, são os pobres que têm o coração mais disponível para acolher a proposta de Jesus. Os outros (os ricos, os poderosos) estão demasiado cheios de si próprios, dos seus interesses, dos seus esquemas organizados, para aceitar arriscar na novidade de Deus. Acolhendo a proposta de Jesus e seguindo-O, os pobres e oprimidos encontrarão o Pai, tornar-se-ão “filhos de Deus” e descobrirão a vida plena, a salvação definitiva, a felicidade total.

ATUALIZAÇÃO • Na verdade, os critérios de Deus são bem estranhos, vistos de cá de baixo, com as lentes do mundo… Nós, homens, admiramos e incensamos os sábios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os bonitos e queremos que sejam eles (“os melhores”) a dirigir o mundo, a fazer as leis que nos governam, a ditar a moda ou as ideias, a definir o que é correto ou não é correto. Mas Deus diz que as coisas essenciais são muito mais depressa percebidas pelo “pequeninos”: são eles que estão sempre disponíveis para acolher Deus e os seus valores e para arriscar nos desafios do “Reino”. Quantas vezes os pobres, os pequenos, os humildes são ridicularizados, tratados como incapazes, pelos nossos “iluminados” fazedores de opinião, que tudo sabem e que procuram impor ao mundo e aos outros as suas visões pessoais e os seus pseudo-valores… A Palavra de Deus ensina: a sabedoria e a inteligência não garantem a posse da verdade; o que garante a posse da verdade é ter um coração aberto a Deus e às suas propostas (e com frequência são os pobres, os humildes, os pequenos que se “sintonizam” com Deus e que acolhem essa verdade que Ele quer oferecer aos homens para os levar à vida em plenitude).
• “Conhecemos” Deus através de Jesus. Jesus é “o Filho” que “conhece” o Pai; só quem segue Jesus e procura viver como Ele (vivendo os planos de Deus) pode chegar à comunhão com o Pai. Atenção: só “conhece” Deus quem é simples e humilde e está disposto a seguir Jesus no caminho da entrega a Deus e da doação da vida aos homens. É no seguimento de Jesus – e só aí – que nos tornamos “filhos” de Deus.

SEGUNDA LEITURA (Rm 8,9. 11-13) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos: Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós. Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne. Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis.

AMBIENTE - Na perspectiva de Paulo, a salvação é um dom não merecido (porque todos vivem mergulhados no pecado – cf. Rom 1,18-3,20), que Deus oferece por pura bondade aos homens, a todos os homens (cf. Rom 3,1-5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em nós pelo Espírito (cf. Rom 8,1-39).
O Espírito aparece como o elemento fundamental que dá unidade a toda esta reflexão. Ele está presente por detrás desse projeto salvador que Deus tem em favor do homem e do qual Paulo não se cansa de dar testemunho.

MENSAGEM - Jesus, o Deus/Homem, gastou a vida a cumprir o projeto do Pai de dar vida ao homem. A sua ação acabou por chocar com os interesses dos senhores do mundo, e Ele foi morto na cruz.
No entanto, essa morte na cruz não foi o “fim da linha”: o Espírito de Deus, sempre presente em Jesus, ressuscitou-O (pois, no projeto de Deus, o oferecer a vida para concretizar o plano do Pai não pode gerar morte, mas vida plena e definitiva). Ora, Jesus ofereceu aos seus discípulos o mesmo Espírito. Os discípulos têm de estar conscientes de que, se viverem como Jesus e se fizerem da vida um dom a Deus e aos irmãos, receberão essa mesma vida nova e definitiva que o Espírito deu a Jesus.
Paulo convida os cristãos a tirarem as conclusões práticas desta realidade: se viverem “segundo a carne”, morrerão (isto é, não encontrarão a vida definitiva); mas se viverem segundo o Espírito, ressuscitarão para a vida nova.
Temos aqui uma das mais interessantes e sugestivas antíteses paulinas: a “carne” e o “Espírito”. Viver “segundo a carne” é, na perspectiva de Paulo, viver em oposição a Deus – ou seja, viver fechado a Deus, numa vida de egoísmo, de autismo, de autossuficiência que leva o homem a prescindir dos mandamentos, das propostas e dos valores de Deus; “viver segundo o Espírito” é, na perspectiva de Paulo, viver em relação com Deus, escutando as suas propostas e sugestões, na obediência aos projetos de Deus e na doação da própria vida aos homens.
Os cristãos são exortados por Paulo a fazerem a sua escolha. Sobretudo, Paulo está interessado em demonstrar aos crentes que só o seguimento de Cristo garante ao homem a vida definitiva.

ATUALIZAÇÃO • À luz dos critérios de hoje, a vida de Jesus foi um fracasso. Ele viveu na simplicidade, na humildade, no serviço, sem ter para si próprio uma pedra onde reclinar a cabeça. Ele apenas foi escutado pela gente humilde, marginalizada, condenada a uma situação de escravidão, de pobreza, de debilidade. Ele nunca se proclamou chefe de um movimento popular; apenas ensinou, àqueles que O seguiam, que Deus os ama e que quer fazer deles seus filhos. Ele nunca se sentou num trono; mas foi abandonado por todos, condenado a morte de cruz. No entanto, Ele venceu a morte e recebeu de Deus a vida plena e definitiva. Paulo diz aos crentes a quem escreve: não vos preocupeis com aqueles valores a que o mundo chama êxito, realização, felicidade; mas tende a coragem de gastar a vida do mesmo jeito de Jesus, a fim de encontrardes a vossa realização plena, a vida definitiva.
•  Paulo ensina que a vida “segundo a carne” gera morte; e que a vida “segundo o Espírito” gera vida. O cristão tem de viver “segundo o Espírito”.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Pe. Antônio Geraldo -     Os Humildes

O Mundo de hoje se preocupa em mostrar a grandeza dos Poderosos.
Deus demonstra a grandeza dos Humildes.

As Leituras Bíblicas confirmam essa verdade.
A 1a Leitura descreve a volta do Rei vitorioso a Jerusalém. (Zc 9,9-10)
O povo aguardava uma entrada triunfal e o profeta Zacarias anuncia uma entrada humilde e pacífica, montando não um cavalo de guerra, mas um jumento.

* Esta profecia faz lembrar a entrada de Jesus em Jerusalém.
O povo esperava um Rei messiânico poderoso. E Jesus não se impõe pelo luxo ou pela força de um exército poderoso, mas montando um jumentinho, levando a todos a paz. Com este gesto, provará que conquistará o coração dos homens, com o seu amor... não pelas armas.

Na 2ª Leitura, Paulo ensina que a vida "segundo a carne" gera morte; e que a vida "segundo o Espírito", que recebemos no Batismo, gera vida. (Rm 8,9.11-13)

O Evangelho narra o retorno dos Apóstolos da 1a Missão Apostólica. (Mt 11,25-30)    

- Os Apóstolos voltam cansados, mas alegres e exultantes, por terem expulsado até os demônios.
- Jesus os escuta com muita atenção e interesse: muitos aceitaram sua pregação... outros não...
- Jesus faz uma oração de louvor, porque a proposta de salvação encontrou acolhimento no coração dos humildes:
"Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e inteligentes
e os revelastes aos pequeninos."

* Os Grandes e poderosos, os sábios e inteligentes não perceberam a presença do Reino de Deus e não acolheram a sua mensagem...
   Os Pequenos, os pobres, os humildes, os marginalizados acolheram com entusiasmo a sua palavra e o seu Reino.

   Deus nega-se aos doutos ensoberbecidos pela própria ciência, e se revela aos simples, conscientes da própria pequenez.
   Deus goza com os humildes, por pobres e pecadores que sejam...
   e resiste aos soberbos, por mais santos que imaginem ser.

+ E Jesus acrescenta: "SIM PAI, porque assim foi do teu agrado" :

    Oração despercebida, mas lema de vida para muitos (inclusive meu)...
    - Sim Pai: atitude de Cristo: sua vida foi um contínuo SIM PAI...
- mesmo agora que desejava que todos acolhessem a boa nova...
- no horto das Oliveiras...     
- no Pai Nosso...

    - Sim Pai deve ser também o nosso caminho da Salvação.
      É a vontade de Deus, vivida como se manifesta a cada momento...
      Dizendo Sim Pai, algo maravilhoso vai acontecer.
      Será o princípio de uma vida nova e a origem de um novo amor.
    - Quem vive esse SIM PAI: encontra a Paz, que Cristo veio trazer.

+ E Jesus faz um CONVITE: "Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso... porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve".

Jesus vai tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo.
Em troca, ele traz um novo modo de viver na justiça e na misericórdia.

Cansados e aflitos são todos os que sofrem na vida.
São os pobres de Deus, aos quais Jesus dirige sua alegre notícia e entre os quais ele se sente como um deles.

Na vida quanta miséria humana: quantos problemas, quantos sofrimentos, quanta desilusão e quanto amor negado!
Há problemas que não tem solução, há dor que nenhum analgésico cura, há escuridão onde a luz não penetra! E Cristo nos repete:"Venham a mim vocês todos que estão cansados... e eu os aliviarei..."
Só ele poderá aliviar o peso de nossos sofrimentos...

Quando os planos de Deus não correspondem aos nossos, rezemos com generosidade: "SIM PAI, porque assim foi do teu agrado..." Estou convencido que muito mais Paz começará a reinar em nosso coração...
                      
Senhor abre nossos ouvidos e nossos olhos para que possamos ver e ouvir o que é bom e justo.
Clareia a nossa mente para podermos entender o significado profundo de nossa existência.
Fazei que busquemos a sabedoria que vem de vós.
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!      
 
                      Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Françoá Costa
Jesus é “manso e humilde de coração” ( Mt 11,29) e quer que nós também o sejamos. Como é bom conviver com pessoas humildes, mansas e cordiais! Pelo contrário, como é desagradável estar perto de gente emproada, complicada e altiva. A mansidão e a humildade, além de serem virtudes que agradam o coração de Deus, são disposições que tornam mais fácil a convivência humana. O orgulho nos faz ridículos, a humildade nos mostra transparentes, pois – como dizia S. Teresa de Jesus – “humildade é andar na verdade”. C. S. Lewis explicava de maneira bastante clara o porquê Deus deseja ver-nos humildes: “Deus tenta nos tornar humildes para que seja possível o momento de lançarmos fora a tola e horrenda fantasia com que nos adornamos e que nos entravava os movimentos, enquanto a exibíamos por aí feito idiotas”. Falando bem claro: a humildade e a mansidão revelarão o nosso autêntico “eu” e nos fará exultar em Deus.
Algumas pessoas acham-se tolamente muito importantes. Talvez ajude a explicar tal contradição a seguinte fábula tirada de Julio Eugi: uma mosca descansava sobre o chifre de um boi. Este balançou a cabeça, como faz habitualmente, e a mosca achou que o estava atrapalhando, e disse-lhe: – Se o meu peso o incomoda, pode dizer, que eu vou a outro lugar. O boi respondeu, divertido: – Muito obrigado pelo aviso, dona mosca, pois nem tinha percebido que a senhora estava aí.
Diante de Deus somos o que somos, nem mais nem menos, com qualidades e defeitos, com méritos e deméritos, gente boa com coisas não tão boas. É preciso ter bem claro tudo isso na própria vida para saber exigir os próprios direitos, cumprir os próprios deveres e dar a devida honra e glória a Deus. Ter a consciência bem formada na humildade nos ajudará também a não praticar a falsa humildade, que consiste, entre outras coisas, em negar as nossas qualidades ou em andar por aí expondo-as sem necessidade. Somos o que somos e o que somos devemos a Deus, a quem seja toda a honra e toda a glória através de nós e de nossas ações! E quanto à mansidão? Sem dúvida alguma, a mansidão vem pela humildade. Peçamos a Deus a humildade, e a mansidão também virá.
Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas se o sol fosse do tamanho duma bolinha de tênis, a terra seria uma esfera com 1 milímetro de diâmetro e… nós, quem seríamos? Mais uma: o universo tem uma idade de aproximadamente 14 a 18 bilhões de anos… o que significa viver 80 anos? A última: se fizéssemos um filme da história do universo que durasse um ano, talvez aparecêssemos em 0,17 segundos. Dizia S. Josemaria Escrivá: “É uma grande coisa saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo” (Sulco 260).
Um bispo espanhol ao fazer uma visita pastoral tentou explicar a um jovenzinho já bastante desinformado da vida da Igreja. O rapazinho tinha uns 12 ou 13 anos. O bispo lhe disse: – escuta, você sabem quem sou eu? – não. – Então vou lhe dar umas dicas: tenho o costume de utilizar um chapéu com duas pontas, um cajado de ouro ou de prata e um anel bem grosso no dedo; além do mais, vou acompanhado por muitas pessoas nas cerimônias. Você já sabe quem sou eu? – Sim. Você é um mauricinho exibido. Nada contra as sagradas vestes dos bispos, mas… infelizmente o rapaz concluiu de outra maneira!
Volto a uma consideração anterior: quem somos nós? O que somos diante de Deus… e nada mais! O importante é o que Deus pensa de nós: atuemos com retidão de intenção, sem exibicionismos, vivendo a humildade dos cavaleiros cristãos: com nobreza e em verdade. Nada de renunciar a direitos legítimos, nem de viver com uma mentalidade pegada a coisinhas de nada e sem metas. Isso não! Talvez nos dirão que somos orgulhosos, que nos vestimos bem ou coisas semelhantes… Mais a humildade não está necessariamente nessas coisas… A humildade? É andar na verdade!
 Pe. Françoá Costa


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Para a Celebração da Palavra:


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Senhor, nós exultamos de alegria e Vos damos graças, porque pelos profetas manifestais a vossa bondade e a vossa ternura. Nós vos pedimos por todos os povos que esperam o fim das guerras, das inseguranças e das misérias: dái-nos pessoas que promovam a paz e a esperança para que vivamos como irmãos.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
-  Pai, Nós Vos bendizemos, porque sois Espírito de vida. O Vosso Filho Jesus venceu todas as formas de morte. Nós Vos pedimos: concedei a vida aos nossos seres mortais, purificai-nos pelo Vosso Espírito das desordens do homem pecador. Arrancai-nos do domínio das forças de morte e fazei-nos viver sob o domínio do Espírito.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
- Pai, Senhor do céu e da terra, Nós Vos pedimos: purificai as nossas inteligências E dái-nos um coração de criança para que vos amenos como Pai.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, Ó PAI DE BONDADE!
PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...