quinta-feira, 10 de agosto de 2017

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A, homilias, subsídios homiléticos

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2017 13/08/17 (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

Dia da vocação para a vida em família; dia dos pais.

Tema: A revelação de Deus; Ele caminha conosco na nossa história.
Primeira leitura: Deus não se encontra nas manifestações espetaculares, mas no silêncio, na humildade, na simplicidade, na interioridade.
O Evangelho: A comunidade do Reino não está sozinha: em Jesus, Deus vem ao encontro dos discípulos, dá-lhes a força para vencer a adversidade do mundo.
A segunda leitura: Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.

PRIMEIRA LEITURA (1Rs 19,9a.11-13a) Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
Naqueles dias, ao chegar ao Horeb, o monte de Deus, o profeta Elias entrou numa gruta, onde passou a noite. E eis que a palavra do Senhor lhe foi dirigida nestes termos: “Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar”. Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos. Mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, houve um terremoto. Passado o terremoto, veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo, ouviu-se um murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta.

AMBIENTE - Reino do Norte (Israel), reinado de Acab (873-853 a.C.). No país, muitos deuses estrangeiros. Elias desafia os profetas de Baal, que termina com o massacre de quatrocentos profetas de Baal, no monte Carmelo. Jezabel promete matar Elias; e o profeta foge, atravessa o Reino do Sul (Judá), e dirige-se para o deserto, em direção ao monte Horeb/Sinai.

MENSAGEM - A peregrinação de Elias ao Sinai/Horeb é uma espécie de regresso aos inícios. Com Elias, é todo o Israel que regressa às suas origens, ao lugar do seu compromisso inicial com Deus e redescobrir o seu vocação de Povo da Aliança.
A Moisés, Deus revelou-Se no meio de fenômenos naturais aterrorizadores. A Elias, revelou-Se na “brisa ligeira”: Elias “cobriu o rosto com o manto”, já que o homem não pode contemplar face a face o mistério de Deus.
Baal era considerado, na mitologia Cananéia, o deus do trovão e da tempestade, que fazia a terra tremer com a sua voz poderosa. A intenção do autor seria mostrar que Jahwéh não Se manifesta em fenômenos assombrosos, mas sim na intimidade, na tranquilidade, no silêncio que ecoa no coração de quem procura a comunhão com Deus. Jahwéh confia a Elias uma missão profética –: o encontro com Deus conduz o homem a um compromisso com o mundo.

ATUALIZAÇÃO - • Devemos descobrir  Deus no silêncio, na simplicidade, na intimidade…
• Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair… Há deuses que gritam alto (em todos os canais de televisão?) a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terremoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio… Temos, de partir ao encontro do Deus que fez conosco uma Aliança e que nos chama todos os dias à comunhão com Ele…
• Na história de Elias (e na história de qualquer profeta), a descoberta de Deus leva ao compromisso, testemunho…
** Elias tem razão: nos momentos de dúvida, de crise, voltar às origens, às raízes de nossa fé; Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Elias caminhou, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor se revela, vai passar… Mas, não como Elias o esperava: não no vento que destrói, não no terremoto, não no fogo que tudo devora… E o Senhor não estava aí. Elias teve de descobrir sua Presença no murmúrio da brisa suave!
SALMO RESPONSORIAL / 84 (85)
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
•              Quero ouvir o que o Senhor irá falar: /é a paz que ele vai anunciar. /
Está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra.
•              A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão; /
da terra brotará a fidelidade, / e a justiça olhará dos altos céus.
•              O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas; /
 a justiça andará na sua frente, / e a salvação há de seguir os passos seus.

EVANGELHO (Mt 14,22-33) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Depois da multiplicação dos pães, Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou e Jesus continuava ali, sozinho. A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

AMBIENTE - No domingo passado, Jesus mostrou-lhes que os bens são um dom de Deus, a ser partilhado – isto é, uma comunidade fraterna de amor e de partilha, que se senta à mesa de Deus e que d’Ele recebe vida em abundância. Para os judeus, Mar era o lugar onde habitavam os monstros, os demônios que se opunham e à felicidade do homem; e só o poder de Deus podia salvá-lo …– O Evangelho, escrito na década de 80, se destina a uma comunidade que já esqueceu o seu entusiasmo inicial por Jesus. Avizinham-se grandes perseguições… A comunidade só poderá subsistir se confiar em Jesus, na sua presença, na sua proteção.

MENSAGEM - Os discípulos estão sozinhos. Essa viagem não é fácil … É de noite; o barco é açoitado pelas ondas com vento contrário. Os discípulos estão preocupados, pois Jesus não está com eles… A “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que “navegam” através da história … As “ondas” representam a hostilidade do mundo… Os “ventos”, a resistência ao projeto de Jesus. Se sentem perdidos, sozinhos, incapazes de enfrentar as tempestades… É aí, que Jesus manifesta a sua presença. Ele vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar”. Na catequese judaica, só Deus “caminha sobre o mar”; só Ele acalma as ondas e as tempestades. Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que não deixa que as forças da morte (o “mar”) o destruam. A expressão “sou Eu” reproduz a fórmula de identificação com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento; e a exortação “tende confiança, não temais” transmite aos discípulos a certeza de que nada têm a temer porque Jesus, o Deus que vence as forças da morte e da opressão da caminhada histórica e dá-lhes a força para vencer a adversidade do mundo. Pedro sai do barco e vai ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a violência do vento, começa a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Jesus censura a sua pouca fé e as suas dúvidas. Os discípulos debatem-se entre a confiança em Jesus e o medo, mas que se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades… Então, começam a afundar-se pelo “mar” da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão… No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”. É para aqui que converge todo o relato. O Senhor da vida e da história que acompanha a caminhada dos seus, que lhes dá a força para vencer as forças da opressão e da morte, que lhes estende a mão quando eles estão desanimados e com medo e não os deixa afundar.

ATUALIZAÇÃO • enviados à “outra margem”, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus.
• A caminhada do Reino não é um caminho fácil. A comunidade (o “barco”) tem de abrir caminho através de um mar de dificuldades. Todos os dias o mundo nos mostra que os valores em que acreditamos estão ultrapassados.  E que só seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas do poder, do orgulho, da prepotência, da ganância…
• “tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Mesmo quando a sua fé vacila, eles sabem que a mão de Jesus está lá, estendida, para que eles não sejam submergidos pelas forças do egoísmo, da injustiça, da morte. Nada nem ninguém poderá roubar a vida àqueles que lutam para instaurar o Reino. Jesus, vivo e ressuscitado, não deixa nunca que sejamos vencidos.
** Na nossa vida também Deus se dá a conhecer. Umas vezes será de forma dramática, com tempestade, seguida dum período de calma. É o caso relatado no Evangelho. Outras, como vento forte que tudo derruba. Foi o que aconteceu a Saulo, no caminho de Damasco. O mais frequente todavia será como uma ligeira brisa no fim dum dia sufocante.
** Na Bíblia, quando Deus vem visitar o homem, há sempre silêncio (Hab 2, 20; Sof 1, 7; Is 41, 1; Apoc 8). Não é no meio da noite, no silêncio (Lc 2,8) que o Verbo de Deus feito carne nasce Menino no presépio de Belém? E que dizer do silêncio do Sacrário onde Jesus está vivo e glorioso como no Céu, sempre a interceder por nós?
** Lá vamos nós, a Igreja, no meio da noite, navegando com dificuldade porque a barca da vida é agitada pelos ventos… e Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas! Em Jesus, Deus vem ao nosso encontro, em nosso socorro: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” EU SOU! É o nome do próprio Deus como se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus presente para nós em Jesus Cristo!
Então, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida! Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, começou a afundar! Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda como Pedro gritar: “Senhor, salva-me!”, porque somos de pouca fé! Salva tua Igreja, salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida! E tu vens! Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos…
SEGUNDA LEITURA (Rm 9,1-5) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos, não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência. Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça. Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos, Deus bendito para sempre! Amém!

AMBIENTE - Paulo se preocupa: que acontecerá a Israel, o Povo eleito de Deus? Israel ficará à margem da salvação? Paulo procura responder nos capítulos 9-11 da Carta aos Romanos.
O texto que nos é proposto é a introdução a esta questão.

MENSAGEM - O problema da salvação de Israel incomoda tanto a Paulo, que ele até aceitaria tornar-se “anátema” (equivale a “maldito” e implicava a exclusão da comunidade) e ser separado de Cristo, se isso servisse para que o Povo judeu aceitasse a salvação que Deus lhe oferece. Israel é, até, o Povo do qual nasceu Cristo; ora, esse Cristo que “está acima de todas as coisas” deixará o seu Povo “segundo a carne” entregue à morte? Paulo mostrará que Deus é fiel às suas promessas e que nunca falha… Ele tem os seus planos; e a desobediência atual de Israel deverá fazer parte dos planos de Deus. Paulo acabará, no final da secção, por manifestar a sua convicção de que a misericórdia de Deus se derramará também sobre Israel.

ATUALIZAÇÃO • Paulo sente a infelicidade do seu Povo. A obstinação de Israel em recusar a salvação fá-lo sentir “uma grande tristeza”.
• Todos conhecemos irmãos que vivem numa indiferença face à Vida plena que Deus lhes quer dar.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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Onde está Deus?

Muitas vezes nos perguntamos: "Onde está Deus?" "Onde o podemos encontrar?"

As Leituras de hoje têm duas cenas muito bonitas, que mostram como Deus SE REVELA.

Na 1a Leitura, Deus se revela a Elias, na BRISA suave. (1Rs 19,9a.11-13)

Cansado e perseguido de morte por Jesabel, Elias foge para o deserto, a caminho do Monte Horeb, onde Moisés se encontrara com Deus...
- Lá, Elias o esperava no vento, no terremoto, no fogo, mas ele não estava lá.
Deus vai ao seu encontro de uma forma completamente diferente: "no sopro suave de uma BRISA..." e ali lhe fala...

* Deus geralmente se manifesta na humildade, na simplicidade, na interioridade.
Por isso, é preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações, nos sinais, quase sempre discretos, que ele deixa na história e em nossa vida.

Na 2ª Leitura, Paulo fala que Deus se revelou, oferecendo a todos uma proposta de Salvação, mas o seu povo infelizmente a rejeitou. (Rm 9,1-5)

No Evangelho, Deus se revela na TEMPESTADE. (Mt 14,22-33)

- Jesus envia os discípulos em missão na outra margem do lago   e, cansado, retira-se da multidão... vai ao monte para rezar...
- Enquanto isso, os apóstolos navegam "de noite" preocupados, na barca agitada pelos ventos contrários.
- Jesus interrompe o descanso... vai ao encontro, "caminhando sobre o MAR".
- Eles o confundem: "É um fantasma..."
- E Jesus se identifica: "Coragem, SOU EU, não tenham MEDO".
- Pedro o desafia: "Se és Tu, manda-me caminhar sobre as águas".
- Jesus aceita: "Vem!"
- Pedro vai ao encontro de Jesus; mas, assustado pelo vento, começa a duvidar e afundar. Então grita por socorro: "Salva-me, Senhor!".
- Jesus antes estende a mão e depois o questiona: "Por que duvidaste, homem de pouca fé?"
- Jesus entra na Barca e a tempestade se acalma.
- Então todos se prostram em adoração diante de Jesus, dizendo: "Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus".
* Deus se manifesta em meio às dificuldades, aos ventos da tempestade.

Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, não é fácil e serena… É de noite; o barco é açoitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contrário. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles…
Esse BARCO é a COMUNIDADE CRISTÃ:   
A "noite" representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes "navegam" através da história os discípulos de Jesus, sem saberem exatamente que caminhos percorrer nem para onde ir…
As "ondas" representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os discípulos…
Os "ventos contrários" representam as resistências ao projeto de Jesus.
Os discípulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as forças da morte e da opressão (o "mar") lançam contra eles…
É precisamente aí, que Jesus manifesta a sua presença.
Ele vai ao encontro dos discípulos "caminhando sobre o mar".

O episódio reflete a fragilidade da fé dos discípulos, quando tiveram de enfrentar as forças adversas, sem a presença de Jesus na barca.
Os discípulos seguem a Jesus de forma decidida, mas se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades…
Então, começam a afundar e a ser submergidos pelo "mar" da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão…
No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".

Esse texto é uma CATEQUESE sobre a caminhada da Comunidade de Jesus, enviada à "outra margem", para convidar todos para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos.
- A caminhada não é um caminho fácil.
A comunidade (o "barco") dos discípulos deve abrir caminho através de um mar de dificuldades, pela hostilidade dos adversários do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projetos de Jesus.
- Os discípulos devem estar conscientes da presença de Jesus.
O "fantasma" do MEDO desvanece e as crises de fé são superadas, quando aceitamos a presença de Deus em nossa vida pessoal e comunitária.
Ele continua a garantir: "Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo".

Quando Cristo entra na BARCA, o vento e as ondas param... e volta a tranqüilidade... a paz.
 
                                              Pe. Antônio Geraldo
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Homilia do Pe. Françoá Costa

Silêncio eloquente

Esforço, suor, dor nas pernas, sol quente, cansaço. São palavras que expressam o final de um caminhar que chega ao cume de uma alta montanha e que tem como resultado o sabor da vitória e da alegria. Lembro-me daquele rapaz cheio de energia, mas pouco animado a escalar: a marcha custava-lhe muito e o desejo de que chegasse logo ao fim daquilo que ele julgava um grande sacrifício era colossal. Finalmente, passadas as cinco horas previstas, tudo era alegria e o nosso jovem tinha uma expressão de vitória no rosto. Maravilhado com a vista que a natureza lhe proporcionava, brotava de todo o seu ser um estremecimento cheio de agradecimento. Tudo era grandeza ao seu redor e ele sentiu-se realmente localizado na criação: era um ser quase insignificante, mas era o único capaz de apreciar e explicar algo daquilo que ele admirava.
Há muita poesia acerca das montanhas. Lembrava-me disso porque o Evangelho de hoje narra que Jesus “subiu à montanha para orar na solidão” (cfr. Mt 14,23). Ele ficou rezando lá naquela montanha até à quarta vigília, ou seja, até às três horas da madrugada, aproximadamente. Que medo! Ficar sozinho numa montanha até a essas altas horas deve ser terrível: o silêncio acompanhado de pequenas interrupções dos habitantes naturais daquele espaço, a escuridão iluminada apenas pela tênue luz duma noite pouco estrelada, a solidão que parece fazer-se acompanhada pela sensação de que a qualquer momento alguém poderia aparecer e fazer-nos dano. Enfim, a noite é misteriosa, mas numa montanha ela pode ser verdadeiramente pavorosa.
Além do mais, Jesus ficou rezando durante umas oito horas porque – diz o Evangelho – Jesus começou a rezar quando chegou a noite e ficou rezando até às três. Muita oração! Quando procuramos estar atentos à grande atividade de Jesus durante o dia junto aos sedentos da Palavra de Deus, junto aos enfermos e aos atormentados por maus espíritos, junto aos fariseus e junto às pessoas de má vida, ficamos admirados de que ele ainda tenha forças para estar durante tantas horas acordado em oração vigilante ao seu Pai do céu. Dá vontade de ficar detrás de uma daquelas grandes árvores e espiar a oração de Jesus com grande curiosidade. Certamente, ao estar lá ou no caso de que pudéssemos obter alguma resposta a respeito daqueles acontecimentos misteriosos, não duvidaríamos em perguntar até mesmo àquelas montanhas e árvores que testemunharam aqueles momentos intensos de diálogo entre o Pai, Jesus e o Espírito Santo.
Jesus não temia o silêncio nas montanhas porque a ausência de palavras daquela noite estava preenchida pelo diálogo com quem ele tanto amava: o seu Pai. Curiosamente, até para rezar se promove o ruído hoje em dia. Quando se faz um momento de silêncio parece ser um convite quase imediato a tocar uma música ou a ler alguma coisa ou… sei lá. Teme-se o silêncio! Por quê? Talvez porque os nossos silêncios sejam meros silêncios, quiçá porque estejamos sem a palavra interior que nos faz dialogar com o Pai ou quem sabe por que nem descobrimos que o silêncio existe para que falemos. Contradição?! Não. Existe um verbo interior e um verbo exterior. Antes que falemos (verbo exterior, palavra exterior) já tínhamos essas noções na nossa mente (como palavras interiores). Quando falamos sem consideração é exatamente por isso: porque não consideramos de verdade a nossa palavra interior. Então é quando saem as abobrinhas, as bobagens e a estultícia.
O silêncio é para que aprofundemos na palavra interior que levamos, para que falemos com Deus sobre essas coisas que estão no nosso coração, para que resolvamos as nossas dificuldades à luz da Palavra que sempre existiu no coração do Pai, o seu Filho que se fez carne.
A experiência da “solidão” acompanhada por Jesus é maravilhosa. As pessoas que cultivam uma autêntica vida interior sentem uma necessidade imperiosa de momentos de silêncio, de consideração e, em definitiva, de oração, que bem pode ser definida como um “falar com Deus”. E por que Jesus rezava tanto e durante tantas horas? Ora, simplesmente por que ele ama o Pai e gosta de estar muitas horas com a Pessoa amada. Não é esta uma luz para que descubramos o porquê do tédio que às vezes experimentamos na oração, o porquê da pressa para terminar a nossa meditação da Palavra de Deus, o porquê de tantas orações vocais sem a consideração do que estamos dizendo a Deus, o porquê rezamos pouco? Será que amamos de verdade o nosso Pai do céu? Esses momentos de oração durante o dia, constantes ainda que poucos, nos ajudarão a ser “contemplativos no meio do mundo”, isto é, no nosso trabalho, na nossa família, nas relações sociais do dia a dia.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de D. Henrique Soares
A Escritura deste Domingo fala-nos de um Deus que é grande demais, misterioso demais, inesperado e surpreendente demais para que possamos enquadrá-lo na nossa lógica e no nosso modo de pensar. Eis, caríssimos! Uma grande tentação para o homem é achar que pode compreender o Senhor, enquadrar seu modo de agir e dirigir o mundo com a nossa pobre e limitada lógica… Mas, o Deus verdadeiro, o Deus que se revelou a Israel e mostrou plenamente o seu Rosto em Jesus Cristo, não é assim! Ele é Misterioso, é Santo, é livre como o vento do deserto!
Pensemos nesta misteriosa e encantadora primeira leitura, do Livro dos Reis. Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele quer encontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus. Elias tem razão: nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e nele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar. Pois bem, Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Pois bem, Elias caminhou, teimou em procurar o seu Deus, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor se revela, vai passar… Mas, não como Elias o esperava: não no vento impetuoso que força tudo e destrói tudo quanto encontra pela frente, não no terremoto que coloca tudo abaixo, não no fogo que tudo devora… Eis: três fenômenos que significam força, que causam temor, que fazem o homem abater-se… E o Senhor não estava aí. Muito tempo antes, quando foi entregar a Moisés as tábuas da Lei, Deus se manifestara no fogo, no vento e no terremoto: “Houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha… E o povo estava com medo e pô-se a tremer… Toda a montanha do Sinai fumegava, porque o Senhor desceu sobre ela no fogo… e toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,16.18). Mas, agora, o Senhor não está no vento impetuoso nem no terremoto nem no fogo… Elias teve de reconhecê-lo, de descobrir sua Presença no murmúrio da brisa suave! – Ah, Senhor! Como teus caminhos são imprevisíveis! Quem pode te reconhecer senão quem a ti se converte? Quem pode continuar contigo se pensar em dobrar-te à própria lógica e à própria medida? Tu és livre demais, grande demais, surpreendente demais! Não há Deus além de ti; tu, que convertes e educas o nosso coração! Elias te reconheceu e cobriu o rosto com o manto, saiu ao teu encontro e te viu pelas costas… Pobres dos homens deste século XXI, que tão cheios de si mesmos, querem te enquadrar à própria medida e, por isso, não te vêem, não te reconhecem, não experimentam a alegria e a doçura da tua Presença!
E, no entanto, meus irmãos, as surpresas de Deus não param por aí! O mais surpreendente ainda estava por vir. Não havia chegado ainda a plenitude do tempo! Pois bem! Na plenitude do tempo, veio a plenitude da graça: Deus enviou o seu Filho ao mundo; ele veio pessoalmente! Não mais no vento, não mais no fogo, não mais no terremoto, não mais pelos profetas! Ele veio pessoalmente, ele, em Jesus: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma coisa só” (Jo 14,9; 12,45). Por isso mesmo, São Paulo afirma hoje claramente que “Cristo, o qual está acima de todos, é Deus bendito para sempre!” É por essa fé que somos cristãos, meus irmãos! Jesus é Deus, o Deus Santo, o Deus Forte, o Deus Imortal, o Deus de nossos Pais! Nele o Pai criou todas as coisas, por Ele o Pai tirou Abraão de Ur dos Caldeus, por Ele o Pai abriu o Mar Vermelho, por Ele, deu o Maná ao seu povo, sobre Ele fez os profetas falarem e, na plenitude dos tempos no-lo enviou a nós! Surpreendente, o nosso Deus; surpreendente como vem a nós!
Lá vamos nós, lã vai a Igreja, no meio da noite deste mundo, navegando com dificuldade porque a barca da vida é agitada pelos ventos… e Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas! Em Jesus, Deus vem vindo ao nosso encontro, em Jesus, vem em nosso socorro… E, infelizmente, confundimo-lo com um fantasma, etéreo, irreal. E ele no diz mais uma vez: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” Atenção para esta frase do Senhor: “Coragem, EU SOU! Não tenhais medo!” EU SOU! É o nome do próprio Deus como se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus feito pessoalmente presente para nós em Jesus Cristo!
Então, caríssimos, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida! Todos temos de pedir isso, de fazer isso! Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, colocando a atenção mais na profundeza do mar e na força do vento que no poder amoroso e fiel do Senhor, começou a afundar! Assim acontecerá conosco, acontecerá com a Igreja, se medrosos, olharmos mais para o mar e a noite que para o Senhor que vem a nós com amor onipotente! E Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda como Pedro gritar de todo o coração: “Senhor, salva-me!” Salva-nos, Senhor, porque somos de pouca fé! Salva tua Igreja, salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida, do sombrio e escuro mar encrepado na noite opaca de nossa existência! Tu, que durante a noite oravas e vias o barco navegando com dificuldade, do teu céu, olha para nós e vem ao nosso encontro! E tu vens! Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos… Cristo-Deus, ajuda-nos a reconhecer-te, a caminhar ao teu encontro, vencendo as águas do mar da vida! Amém.
D. Henrique Soares da Costa

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Para a Celebração da Palavra (Diáconos ou ministros da Palavra):


LOUVOR: (quando o Pão consagrado estiver sobre o altar) – 19º D.T. Comum Mt 12,22-33
- O Senhor esteja com todos vocês...  Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Por Jesus, Com Jesus e em Jesus, na força do Espírito santo, louvemos ao Pai:
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Bendito sejais, Deus todo-poderoso, porque nos convidais a reconhecer-Vos no silêncio, como um sopro de vida, que renova a face da terra. Nós Vos bendizemos, porque nos falais ao coração. Nós Vos pedimos pelos pais para que sejam exemplo para seus filhos na fé e na justiça. Guiai-os e iluminai-os!
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Nós Vos damos graças, ó Pai, pois através de Jesus destes aos homens a Lei da vida eterna. Com o apóstolo Paulo, nós vos pedimos pelo Nosso povo, para que todos reconheçam a vossa Igreja como caminho para o vosso Reino.
T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- Senhor, nosso Deus e Pai. Mesmo quando somos ameaçados pelas tempestades da vida e a barca da vossa Igreja é sacudida por falsas ideologias, nós vos bendizemos, pela ressurreição de Jesus, pois como Ele, nós também ressuscitaremos: Como Pedro, nós vos suplicamos: salvai-nos! Dai-nos o vosso Espírito de confiança, para que nossa fé seja sempre firme. T: louvor e glória a Vós, ó Pai de bondade.
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro... 


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Transfiguração do Senhor

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

A Transfiguração, manifestação da vida divina, que está em Jesus, é uma antecipação do esplendor, que encherá a noite da Páscoa. Os Apóstolos, quando virem Jesus na sua condição de Servo, não poderão esquecer a sua condição divina.

PRIMEIRA LEITURA (Dn 7,9-10.13-14)
 Leitura da Profecia de Daniel. Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares; e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. Continuei insistindo na visão noturna e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviram: seu poder é um poder eterno, que não lhe será tirado; e seu reino, um reino que não se dissolverá.

Daniel, em visão noturna, vê a história do ponto de vista de Deus. Sucedem-se os impérios e os opressores, mas o projeto de Deus não falha. Ele é o último juiz, que avaliará as ações dos homens e intervirá para resgatar o seu povo. Aos reinos terrenos contrapõe-se o Reino que o Ancião confia a um misterioso “filho de homem” que vem sobre as nuvens. Trata-se de um verdadeiro homem, mas de origem divina.
No nosso texto já não se trata do Messias davídico que havia de restaurar o Reino de Israel, mas da sua transfiguração sobrenatural: o Filho do homem vem inaugurar um reino que, embora se insira no tempo, “não é deste mundo” (Jo 18, 36). Ele triunfará sobre as potências terrenas, conduzindo a história à sua realização escatológica. Jesus irá identificar-se muitas vezes com esta figura bíblica na sua pregação e particularmente diante do Sinédrio, que o condenará à morte.

SALMO RESPONSORIAL / SI 96 (97)
Deus é Rei, é o Altíssimo, / muito acima do universo.
• Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, / e as ilhas numerosas rejubilem! / Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, / que se apoia na justiça e no direito.
 • As montanhas se derretem como cera / ante a face do Senhor de toda a terra; / e assim proclama o céu sua justiça, / todos os povos podem ver a sua glória.
• Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, / muito acima do universo que criaste, / e de muito superais todos os deuses.

EVANGELHO (Mt 17,1-9) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo.” Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.”

A Transfiguração confirma a fé dos Apóstolos, manifestada por Pedro em Cesaréia de Filipe, e ajuda-os a ultrapassar a sua oposição à perspectiva da paixão anunciada por Jesus. Quem quiser ser Seu discípulo, terá de participar nos seus sofrimentos (Mt 16, 21-27. A Transfiguração é um primeiro resplendor da glória divina do Filho, chamado a ser Servo sofredor para salvação dos homens. Na oração, Jesus transfigura-se e deixa entrever a sua identidade sobrenatural. Moisés e Elias são protagonistas de um êxodo muito diferente nas circunstâncias, mas idêntico na motivação: a fidelidade absoluta a Deus. A luz da Transfiguração clarifica interiormente o seu caminho terreno. Quando a visão parece estar terminando, Pedro como que tenta parar o tempo. É, então, envolvido com os companheiros pela nuvem. É a nuvem da presença de Deus, do mistério que se revela permanecendo incognoscível. Mas Pedro, Tiago e João recebem dele a luz mais resplandecente: a voz divina proclama a identidade de Jesus, Filho e Servo sofredor (cf Is 42, 1).
AMBIENTE - É uma catequese sobre Jesus. Depois de terem ouvido falar do “caminho da cruz”, os discípulos estão desanimados, pois parece um fracasso. É neste contexto que Mateus coloca a transfiguração. A cena constitui uma palavra de ânimo para os discípulos, pois nela manifesta-se a glória de Jesus e atesta-se que Ele é o Filho amado de Deus. O projeto que Jesus apresenta é um projeto que vem de Deus; e recebem esperança que lhes permite apostar nesse projeto.
A transfiguração é uma teofania – uma manifestação de Deus. O autor coloca todos os ingredientes que acompanham as manifestações de Deus (nos relatos teofânicos do Antigo Testamento): o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer: não estamos diante de um relato fotográfico de acontecimentos, mas de uma catequese a ensinar que Jesus é o Filho amado de Deus, que traz um projeto de Deus.

MENSAGEM - Esta catequese está construída sobre elementos simbólicos tirados do Antigo Testamento: é sempre num monte que Deus Se revela; e, faz uma aliança com o seu Povo. A mudança do rosto e as vestes recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai. A nuvem indica a presença de Deus quando conduzia o seu Povo através do deserto. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas. Além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva.
O temor e a perturbação são a reação de qualquer homem diante da majestade de Deus.
As tendas parecem aludir à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”, no deserto.
A mensagem deixa claro que Jesus é o Filho amado de Deus e também o Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias): ele é um novo Moisés através de quem o próprio Deus dá a nova lei e uma nova aliança.
Da ação libertadora de Jesus irá nascer um novo Povo de Deus. Com esse novo Povo, Deus vai fazer uma nova aliança; e vai conduzi-lo através do “deserto” que leva da escravidão à liberdade.
Esta apresentação tem como destinatários os discípulos de Jesus (grupo frustrado porque no horizonte está a cruz e porque o mestre exige que aceitem caminho semelhante).  Ela aponta para a ressurreição, aqui anunciada pela glória de Deus que se manifesta em Jesus, pelas vestes resplandecentes (que lembram as vestes dos anjos – e pelas palavras finais de Jesus (“não conteis a ninguém”): diz-lhes que a cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus (e dos discípulos) está a ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.
Pedro quer construir três tendas. Os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus. Jesus nem responde à proposta: Ele sabe que o projeto de Deus tem de passar pelo amor até às últimas consequências.

Pedro e os seus dois companheiros, fatigados da caminhada, tinham caído no sono, quando, acordando de repente, viram Jesus na sua glória, entre dois homens, Moisés e Elias, que conversavam com Ele. Moisés e Elias, representando a lei e os profetas, vinham prestar homenagem a Jesus Cristo, no qual se realizavam todas as figuras e todas as promessas do Antigo Testamento. Vinham reconhecer nele o Messias que tinham anunciado e esperado. E de que é que juntos conversavam? Falavam, diz S. Lucas, da sua saída do mundo, que devia cumprir-se em Jerusalém. Falavam do grande mistério da redenção dos homens pelo sacrifício de Jesus Cristo. Jesus explicava a Moisés e a Elias todo o sentido das figuras da antiga lei: a libertação do Egito, símbolo da redenção; a imolação do cordeiro, figura da morte de Jesus; a salvação dos filhos de Israel pelo sangue do cordeiro, símbolo da redenção dos homens pelo sangue do Coração de Jesus. Jesus dizia aos dois profetas a sua alegria de ver chegar o dia do sacrifício. Os apóstolos, à vista deste espetáculo, são mergulhados numa espécie de êxtase. Julgam-se transportados ao céu. S. Pedro, sempre ardente, é o primeiro que manifesta o seu sentimento: Senhor, diz, que bom é estar aqui; façamos aqui três tendas, uma para vós, uma para Moisés, uma para Elias. S. Pedro é humilde e desinteressado; esquece-se, e não pensa em montar uma tenda para si. Ele não quer ser senão o servidor de Jesus. Mas isso é ainda muito. Ele não compreendeu que é preciso comprar a recompensa através das provações. A glória definitiva não virá senão depois da cruz e do sacrifício. Trabalhemos, sejamos generosos. A recompensa virá quando agradar a Deus. S. Pedro reconheceu mais tarde que não sabia o que dizia naquele dia, e fê-lo notar pelo seu evangelista, S. Marcos.

ATUALIZAÇÃO
A transfiguração revela Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador. Pela transfiguração, Deus demonstra que uma existência feita dom não é fracassada – mesmo na cruz.
A transfiguração grita-nos: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à felicidade sem fim.
Os três discípulos parecem não ter vontade de “descer” e enfrentar o mundo e os problemas. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, alheios a realidade do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. Jesus obriga a “regressar ao mundo” para testemunhar com o dom da vida; A religião é um compromisso com Deus, que se faz amor com o mundo.
Com a TRANSFIGURAÇÃO, Mateus quer duas coisas: - Revelar: QUEM É JESUS: É "o Filho amado do Pai" e
- Convidar: "Escutem o que ele diz".

SEGUNDA LEITURA (2Pd 1,16-19) Leitura da Segunda Carta de São Pedro. Caríssimos, não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. Efetivamente, ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que dizia: “Este é o meu Filho bem-amado, no qual ponho o meu bem-querer”. Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo. E assim se nos tornou ainda mais firme a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações.

Pedro e os seus companheiros reconhecem-se portadores de uma graça maior que a dos profetas, porque ouviram a voz celeste que proclamava Filho muito amado do Pai, Jesus, seu mestre. Mas a Palavra do Antigo Testamento continua a ser “uma lâmpada que brilha num lugar escuro” (v. 19), até ao dia sem fim, quando Cristo vier na sua glória. Jesus transfigurado sustenta a nossa fé e acende em nós o desejo da esperança nesta caminhada. A “estrela da manhã” já brilha no coração de quem espera vigilante.

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A Transfiguração


Celebramos hoje a festa da Transfiguração do Senhor.
Jesus se manifesta aos discípulos no Monte Tabor, em todo o esplendor da divindade, antecipando a glória da Ressurreição.

O Pai revela a identidade de Jesus: Ele é o Filho amado de Deus.
Somos convidados não somente a contemplar a face luminosa do Mestre, mas também ESCUTAR A SUA VOZ e seguir seus passos.

Na 1ª Leitura, temos a visão de Daniel:
Um ancião, com vestes brancas como a neve, está sentado num trono.
Alguém, semelhante a um filho do homem, aparece sobre as nuvens.
E o ancião lhe confere poder, honra e realeza.
Essa passagem de Daniel costuma se aplicada ao Messias. (Dn 7,9-10.13-14)

Na 2ª Leitura, Pedro dá o seu testemunho sobre a transfiguração:
O que significou para ele a transfiguração de Jesus no meio dos profetas.
O testemunho dos profetas confirmam o fundamento da própria fé para conhecer o Cristo (2 Pedro 1,16-19)

No Evangelho, temos o relato da Transfiguração do Senhor. (Mt 17,1-9)
Para compreender melhor o relato, vamos ver o contexto.

- Os Apóstolos estavam a caminho de Jerusalém.
- Há pouco, Pedro tinha feito sua profissão de fé na messianidade de Cristo.
- Cristo fez o primeiro anúncio da paixão, morte e ressurreição.
  A ideia de um Messias sofredor abalou profundamente a fé dos apóstolos.
  Desmoronaram seus planos de glória e de poder.
- Pedro demonstrou sua repulsa e Jesus o repreendeu duramente:  "Afaste-se de mim, Satanás."
- Para reforçar a fé profundamente abalada dos apóstolos e fazer compreender a sua paixão e morte anunciadas, Cristo tomou Pedro, Tiago e João, subiu o Monte Tabor e "TRANSFIGUROU-SE…"
  Mostrou-lhes uma antecipação da glória da ressurreição também predita.
- Os três discípulos serão as mesmas testemunhas da agonia no Getsêmani.
  - Proposta de Pedro: "É bom estar aqui! Vamos fazer três tendas..."
  - Proposta de Deus: "Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O!".

+ A Transfiguração de Jesus é uma CATEQUESE que revela  aos discípulos e a nós quem é Jesus: o FILHO AMADO DE DEUS:
- Um novo MOISÉS que dá ao seu povo uma NOVA LEI e através do qual Deus propõe aos homens uma NOVA ALIANÇA.
- As figuras de Elias e Moisés ressaltam que a Lei e as Profecias são realizadas plenamente em Jesus.

- No fim, Jesus permanece sozinho. Moisés e Elias desaparecem.
  A função do Antigo Testamento é trazer Jesus.
  Agora a palavra de Cristo é suficiente para os homens.

* No Prefácio, encontramos um resumo do kerigma de fé pascal contido nesta passagem evangélica:

 "Cristo manifestou sua glória a algumas testemunhas pré-escolhidas; deu-lhes a conhecer em seu corpo, em tudo semelhante ao nosso, o resplendor de sua divindade.
Desta forma, diante da proximidade da Paixão, fortaleceu a fé dos apóstolos para que superassem o escândalo da Cruz; e alentou a esperança da Igreja, ao revelar em si mesmo a claridade que brilhará um dia em todo o Corpo, que o reconhece como sua Cabeça".

+ A fé começa pela "ESCUTA" de Jesus
O relato da Transfiguração do Senhor alcança seu apogeu na VOZ do Pai que proclama a identidade de Jesus, isto é, quem é este homem destinado a uma paixão e morte ignominiosa e a uma ressurreição gloriosa:
"Este é meu Filho amado, meu predileto, o eleito. Escutem-no!"
A passagem ensina-nos que a fé do discípulo começa pela escuta de Jesus, Palavra do Pai. E para escutá-Lo é preciso "subir com Ele a montanha", com todo o simbolismo e compromisso bíblico, que esta expressão encerra.

a) A subida da montanha.
- Na montanha, a Bíblia situa os grandes encontros com Deus.
Assim Abraão: no Moriá...; Moisés: no Horeb, no Sinai e no Nebo, Elias: no Carmelo e no Horeb. E no Novo Testamento, Cristo sobe o Monte das Bem-aventuranças para promulgar a nova Lei, o monte Tabor para manifestar uma antecipação de sua glória, o Calvário para dar sua vida e o monte da Ascensão para confirmar
sua exaltação definitiva pelo Pai mediante sua ressurreição.

b) Atitude de escuta.
- O evangelho de hoje nos descobre a chave da fé.
A Voz do Pai convida-nos a escutar Jesus, seu Filho amado, porque Cristo é o caminho, a verdade e a vida;
porque Ele é a Palavra definitiva do Pai, anunciada pela Lei e os profetas, porque só Ele tem palavras de vida eterna.

A Transfiguração é uma meta possível para aquele que escuta Jesus. Transfiguração quer dizer transformação pessoal por meio da conversão, para num segundo momento, caminhar com Cristo até a fascinante aventura da entrega total aos irmãos, especialmente aos mais necessitados.
O mundo se transforma quando acolhemos a voz do Pai...

                                                   Pe Antônio Geraldo

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos ou ministros da Palavra):
  LOUVOR: (quando o Pão Sagrado estiver sobre o altar)                                          Mt 17, 1-9
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, o nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo Louvemos ao Pai:
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- Pai! Nós Vos damos graças por Abraão, que escolhestes e chamastes para constituir um novo povo. Somos o vosso povo. Recebemos o Batismo e somos profetas em vosso Filho; Nós Vos pedimos por todas as famílias para que sejam abençoadas.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- Deus da vida, nós Vos bendizemos, porque fizestes resplandecer a vida e a imortalidade pelo anúncio do Evangelho. Vós nos salvastes e nos destes a Dignidade de filhos vossos.  Vos pedimos pelos que sofrem no testemunho do Evangelho. Sustentai-os com a força do vosso Espírito.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- Deus da luz, nós Vos damos graças pela transfiguração do vosso Filho, quando manifestes vossa glória. Nós Vos pedimos; curai os nossos corações para que acolhamos as palavras do Vosso Filho. Estabelecei a Vossa tenda nas nossas casas e em nossos corações.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...



quinta-feira, 27 de julho de 2017

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Homilia, subsídios homiléticos

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM    -   
 Tema “O tesouro que vale a pena!”

Sinopse:
Primeira leitura: Salomão é o protótipo do homem “sábio”, que escolhe o que é importante.
Evangelho: Jesus recomenda que façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental.
A segunda: convida-nos a seguir a proposta de Jesus. Esse é o valor que sobrepõe-se a todos os outros valores.

PRIMEIRA LEITURA (1Reis 3,5.7-12) o Senhor apareceu a Salomão, em sonho E Salomão disse: Dá, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o povo e de discernir entre o bem e o mal. E Deus disse a Salomão: “dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes, nem haverá depois de ti”.
AMBIENTE - O grande rei David morreu em 972 a.C. Sucedeu-lhe no trono o filho, Salomão. Organizou a divisão administrativa do território que herdou, dotou-o de grandes construções (Templo de Jerusalém), fortificou as cidades mais importantes, potenciou o intercâmbio cultural e comercial com os países da zona, incentivou e apoiou a cultura e as artes. Salomão recrutou “sábios” estrangeiros para a corte e rodeou-se de homens  de “saber. Os “sábios” coligiram provérbios, redigiram “máximas” de carácter sapiencial, deram “instruções” (sobre as virtudes para ser feliz). Redigiram-se crônicas sobre os reinados anteriores. Os teólogos vão esforçar-se por sacralizar o poder de Salomão (vontade de Deus). (no Livro do Deuteronômio) dupla finalidade: apresentar Salomão como o escolhido de Jahwéh e justificar a sua proverbial “sabedoria”.
MENSAGEM - No nosso texto, num sonho, o jovem rei pede um coração “sábio” para governar com justiça. (na continuação – Deus acrescenta ainda outros três dons: a riqueza, a glória e a longa vida – cf. 1 Re 3,13-14).
o texto deixa claro que, em Israel, o rei é o “instrumento de Deus”, que intervém na vida do seu Povo. Depois, texto mostra que o seu papel foi um ministério que lhe foi confiado por Deus” e que o objetivo final desse serviço é a realização do bem comum. Salomão aparece aqui como o modelo do homem que sabe escolher as coisas importantes e que não se deixa distrair por valores efémeros.
ATUALIZAÇÃO - • A figura de Salomão questiona todos aqueles que detêm responsabilidades na comunidade (seja em termos civis, seja em termos religiosos). Convida-os a uma atitude de serviço: o seu objetivo não deve nunca ser a realização dos esquemas pessoais, mas sim o benefício de toda a comunidade, a concretização do bem comum.

SALMO RESPONSORIAL / SI 117 (118).
Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!
•              É esta a parte que escolhi por minha herança: / observar
vossas palavras, ó Senhor! / A lei de vossa boca, para
mim, / vale mais do que milhões em ouro e prata.
•              Vosso amor seja um consolo para mim, / conforme a
vosso servo prometeste. / Venha a mim o vosso amor
e viverei, / porque tenho em vossa lei o meu prazer!
•              Por isso amo os mandamentos que nos destes, / mais
que o ouro, muito mais que o ouro fino! / Por isso
eu sigo bem direito as vossas leis, / detesto todos os
caminhos da mentira.
•              Maravilhosos são os vossos testemunhos, / eis porque
meu coração os observa! / Vossa palavra, ao revelar-se,
me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos.


EVANGELHO (Mt 13,44-52) “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. O Reino dos Céus é ainda como uma rede que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores recolhem peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha. Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
AMBIENTE - (anos oitenta). O entusiasmo inicial deu lugar à monotonia, a uma vivência pouco comprometida. Mateus sente que é preciso chamar a atenção para o Reino, suas exigências e seus valores.
MENSAGEM - Na primeira parte, Quer a parábola do tesouro escondido, quer a parábola da pérola preciosa, sugerem que o Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro” precioso. Ora, quando alguém encontra um “tesouro” como esse, deve elegê-lo como a riqueza mais preciosa, o fim último da própria existência, o valor fundamental pelo qual se renuncia a tudo o resto e pelo qual se está disposto a pagar qualquer preço. O cristão é confrontado com muitos valores e opções; mas deve aperceber-se de que o Reino é o valor mais importante.
Na segunda parte, Mateus apresenta o Reino na imagem de uma rede que apanha diversos tipos de peixes. É um ensinamento semelhante ao da parábola do trigo e do joio (domingo passado): o é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente. Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele dá ao homem o tempo necessário para amadurecer as suas opções e fazer as suas escolhas. A referência que Mateus faz (mais uma vez) ao juízo final é uma forma de exortar os irmãos a porem em prática as propostas de Jesus.
Na terceira parte, Mateus sugere que o verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que “compreende”. Ora, “compreender”, na teologia mateana, significa “prestar atenção” e comprometer-se com o ensinamento proposto. A referência ao “escriba” que “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” pode referir-se aos judeus, conhecedores do Antigo Testamento (o “velho”), convidados agora a refletirem essas velhas promessas à luz das propostas de Jesus (o “novo”).
ATUALIZAÇÃO • O cristão faz a sua caminhada num mundo que exalta o orgulho, a autossuficiência, a independência; mas ele já aprendeu, com Jesus, que o Reino é perdão, tolerância, encontro, fraternidade; a prioridade é o Reino.
• Escolher o Reino não é agradar a Deus e ao diabo, mas é optar por Deus e pelos valores do Evangelho.
• O Evangelho convida-nos a admirar os métodos de Deus, que não tem pressa em condenar e destruir.

SEGUNDA LEITURA (Rm 8, 28-30) ...tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus. Pois a esses ele predestinou a serem imagem do seu Filho, para que este seja primogênito numa multidão de irmãos. E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.
AMBIENTEDeus oferece gratuitamente ao homem a sua graça e dá-lhe a possibilidade de chegar à salvação (cf. Rom 3,21-4,25); e é em Jesus Cristo que esse dom de Deus se comunica ao homem (cf. Rom 5,1-7,25). É o Espírito Santo que permite ao homem acolher esse dom e viver na fidelidade à graça que Deus oferece (cf. Rom 8,1-39). Depois de assegurar aos cristãos que o Espírito “vem em auxílio da nossa fraqueza” e “intercede por nós” (cf. Rom 8,26-27), Paulo relembra que Deus tem um projeto de amor que se traduz no oferecimento da salvação.
MENSAGEM - Aos que aderem a esse projeto, Deus chama-os a identificarem-se com o seu filho Jesus, liberta-os do egoísmo e do pecado e fá-los, com Jesus, chegar à vida nova e plena (justificação).
ATUALIZAÇÃO - • Deus nos ama, vem continuamente ao nosso encontro, aponta-nos o caminho da vida plena e verdadeira, desafia-nos à identificação com Jesus, convida-nos a integrar a sua família. Nós, os crentes, somos convidados a testemunhar, com palavras, com ações, com a vida, no meio dos irmãos o caminho da vida, o amor e o projeto de salvação que Deus tem.

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Pe. Antônio Geraldo - O Tesouro

A Liturgia deste domingo nos convida a refletir nos valores sobre os quais fundamentamos a nossa existência.

 As leituras nos ajudam a escolher esses valores...

Na 1ª Leitura, o rei Salomão escolhe o seu tesouro: a SABEDORIA. (1Rs 3,5.7-12)

- No início de seu reinado, o jovem rei vai a Gabaon, onde se achava o Tabernáculo sagrado, construído por Moisés, a fim de oferecer sacrifícios ao Senhor.
- Em sonho, o Senhor manifesta o seu agrado por este gesto e convida-o a pedir o que quisesse.
- O rei não se deixou seduzir e alienar por valores efêmeros (poder, riquezas, prestígio político).
  Pelo contrário, escolhe o mais importante: um coração "sábio" para governar seu povo com justiça e retidão.
- A ESCOLHA agradou plenamente a Deus:
E Deus lhe concedeu uma sabedoria inigualável e acrescentou ainda outros três valores não solicitados: riqueza, glória e vida longa.  Salomão soube escolher o melhor: SABEDORIA

* O texto queria também apresentar Salomão como o escolhido do Senhor e justificar a sua proverbial sabedoria.

A 2ª Leitura apresenta etapas do caminho que conduz à Salvação.
Precisamos da Sabedoria de Deus, para discernir o desígnio de Deus, que nos "predestinou" para sermos conformes à imagem do seu Filho. (Rm 8,28-30)

No Evangelho, Jesus apresenta o seu tesouro: o REINO DE DEUS.
É a conclusão do 3º Discurso de Jesus, com as últimas três "Parábolas": o Tesouro, a Pérola e a Rede. (Mt 13,44-52)

+ O Reino de Deus é um TESOURO escondido...  uma PÉROLA que se procura...

A DESCOBERTA desse tesouro e dessa pérola provoca, em quem os encontrou, duas atitudes: Renúncia e Alegria.

1. RENÚNCIA a tudo para adquiri-los...
    O Reino proposto por Jesus é um "tesouro" precioso pelo qual se renuncia a tudo e pelo qual os seguidores de Cristo devem estar dispostos a pagar qualquer preço.

* Desde que descobrimos Cristo, o que mudou em nossa vida?
   O que nós já renunciamos por esse tesouro?
   Onde gastamos mais tempo em nossa vida diária?
   A serviço da comunidade, em leituras sérias, na Oração, ou no futebol, na TV, no dinheiro, no bate-papo com os amigos?
2. ALEGRIA muito grande pelo bem encontrado...
Todo comerciante que realizou um bom negócio sente-se feliz... mesmo tendo de se desfazer de muitos bens...
O Reino de Deus é um tesouro pelo qual compensa a renúncia de todos os bens deste mundo.

* Demonstramos alegria e felicidade por termos achado o nosso tesouro?
   Se temos consciência desse tesouro, como podemos permanecer acabrunhados, tristes e desanimados?

+ Mas ficam ainda umas perguntas inquietantes:

Se o Reino de Deus é tão precioso,
  - Por que há tantos homens que o ignoram ou até o desprezam?
  - Por que vemos tantos males entre os bons?
  - Será que, no final, todos teremos a mesma sorte?
 
+ Na 3a Parábola, Jesus nos dá a resposta: O Reino de Deus é uma REDE:

A Igreja é comparada a uma rede de arrastão, lançada ao lago, que apanha peixes de todos os tipos e qualidades... O Pescador, depois de ter puxado lentamente a rede à terra, recolhe os peixes, separando os bons e os maus, os aproveitáveis e os inúteis.
Recolhe os bons e joga fora os maus...
Deus não tem pressa em condenar e destruir... sabe esperar...

- Qual a nossa situação: dentro da Igreja, diante do divino Pescador?
Somos um membro vivo, atuante, útil à vida da Igreja, ou um peixe inútil, desprezado pelo próprio Deus?
Tudo depende de nossa escolha, devemos SABER ESCOLHER...

+ E Jesus conclui o Discurso com um breve diálogo com os discípulos, no qual afirma que o verdadeiro discípulo é aquele que descobre o Tesouro do Reino e se compromete com ele.

Só a Sabedoria divina poderá nos iluminar para compreendê-lo e assim anunciar a todos com alegria a nossa descoberta.

Como Salomão, peçamos a Deus
- muita SABEDORIA... para saber escolher sempre o verdadeiro Tesouro e
- muito ENTUSIASMO... para nos pôr com alegria na sua conquista...


                                           Pe. Antônio Geraldo

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Homilia de D. Henrique Soares Mt 13,44-52
Continuamos a escutar Jesus falando-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegado em casa, ele nos conta ainda três parábolas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor; o homem vende tudo e, fascinado por sua beleza, vende tudo e a adquire...
Observem, irmãos, que Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida, encontra aquilo por que vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria!
Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência... é encontrar-se consigo mesmo! Quem encontra o Reino assim, se encontra, parte de si mesmo e vai viver de verdade! Quantos cristãos experimentaram isso, quantos fizeram-se loucos, pareceram loucos, por amor de Cristo! Quantos jogaram fora amores, família, projetos, bens materiais... O que os levou a isso? O que aconteceu com Santo Antão, que vendeu todos os bens e deu aos pobres e foi viver no deserto, sozinho? O que aconteceu com Francisco de Assis? O que aconteceu com a Beata Madre Teresa de Calcutá ou com a Ir. Dulce? O que aconteceu com aquele moço que largou tudo e foi ser religioso, com aquela moça sem juízo que entrou numa comunidade de vida? O que aconteceu com aquele casal, que mudou seu modo de viver, seu círculo de amizade, que deixou suas badalações? O que aconteceu com São Maximiliano Kolbe, que entregou a vida no lugar de um pai de família? Com o Bem-aventurado Anchieta, que deixou sua pátria e se embrenhou no Brasil selvagem para anunciar Cristo aos índios? O que aconteceu com todos esses? Eles descobriram o tesouro, eles encontraram uma pérola de valor imensurável, eles experimentaram a paz, a doçura, a verdade do Reino dos Céus!
 Meus caros, estejamos atentos! Quem é mole nas coisas de Deus, quem é pouco generoso no seguimento de Cristo, quem sente como um fardo os apelos do Senhor, não experimentou ainda, não encontrou o tesouro, não viu a pérola de grande valor, não descobriu de verdade o Reino dos Céus! Cristãos cansados, cristãos sem entusiasmo, cristãos pouco generosos, cristãos com uma lógica igual à do mundo são cristãos que nunca – nunca! – experimentaram a paz do Reino, a beleza do Reino, a doçura do Reino, a plenitude do Reino que Jesus nos mostra e nos dá! Atentos, irmãos: pode-se ser cristão e nunca ter experimentado o Reino! Pode-se ser padre ou religioso sem nunca ter descoberto o Reino... Aí, já não há alegria, já não há entusiasmo, já não se corre, se arrasta, se rasteja! O Reino tem pressa, o Reino faz vibrar, o Reino nos impele porque descobrir o Reino e experimentar o amor de Deus em Jesus Cristo! Quantos de nós se entusiasmam com tantas coisas e são tão lerdos quando se trata do Senhor e do seu Reino... Não seríamos nós um desses?
E, no entanto, o sonho de Deus é que todos possam encontrar o seu Reino; para isso ele nos criou, para isso nos destinou. Escutemos o Apóstolo: "Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde toda eternidade, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho... E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou". Isso nos coloca diante de duas realidades, caríssimos. Primeiro: o dever que temos de anunciar o Reino a toda a humanidade! A Igreja é missionária, anunciadora do Reino dos Céus! Uma Igreja que não tenha o desejo, que não sinta a necessidade de levar Jesus aos que ainda não o conhecem, é uma Igreja morta, uma Igreja que já não experimenta a alegria de crer! Estejamos atentos: há tantos em terras distantes e tantos bem próximos de nós que não tiveram ainda a alegria do Reino dos Céus, pois que não encontraram o tesouro, na viram a pérola de grande valor! Ai de nós se não anunciarmos a esses a Boa Nova do Reino dos Céus! Nunca esqueçamos: quem encontra algo de muito bom, sente o desejo de comunicar, de partilhar, de tornar conhecido aos demais. Se em nós não há ímpeto missionário, é porque não encontramos, de verdade, a o Reino e sua alegria! Pensemos bem!
Mas, há uma segunda realidade, que precisamos levar em conta. Descobrir o Reino exige um olhar iluminado pela graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão, um coração para compreender: "Dá ao teu servo um coração compreensivo – um coração que escute!" No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando: "Compreendeste essas coisas?" – Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família e dinheiro não ter!
Concluamos, agora, com a última, das sete parábolas: O Reino dos Céus é como uma rede jogada no mar deste mundo... Ela apanha todo tipo de peixe – apanhou a mim, a você... Olhem a Igreja, olhem a nossa comunidade: há de tudo! Todo tipo de gente, todo tipo de cristão! Mas, um dia, a rede será puxada para a margem... e os peixes bons serão recolhidos nos cestos do Senhor e os peixes ruins serão lançados fora, para o fogo queimar... Eis como Jesus termina! Prevenindo-nos que é necessário decidir-se pelo Reino, que nossa vida valerá ou não a pena, terá ou não sentido dependendo de nossa atitude em relação ao Reino que ele veio anunciar...
Irmãos, irmãs! "Compreendestes tudo isso?" Que o Senhor no-lo conceda, ele que Reina para sempre. Amém.
D. Henrique Soares.
(PARA OS diáconos ou ministros da Palavra)
Louvor (Quando o Pão Consagrado estiver sobre o altar)
O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- Por Jesus, com Jesus e em Jesus,  na força do Espírito Santo, louvemos aos Pai:
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Pai, nós Vos bendizemos pelo Vosso amor, quando nos enviais reis e mestres como Salomão para nos instruir em vossos caminhos. Como o rei Salomão, nós Vos pedimos pelos dirigentes das nações e das Igrejas: dai-lhes um coração atento, na condução dos povos e das comunidades segundo o Vosso Espírito e saibam discernir o bem do mal.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Nós Vos damos graças pelo Vosso filho Jesus, que nos ensinou os caminhos do Reino. Que saibamos valorizar tão grande tesouro encontrado. Fazei que o Vosso Espírito nos transforme e que sejamos Vossa imagem de bondade, sabedoria e amor.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!
Nós Vos bendizemos pelo vosso Reino que estabelecestes em nosso coração como um tesouro escondido e como uma pérola rara que nos dá força para que vençamos as tentações do egoísmo, da vaidade e do orgulho. Fazei-nos mais humildes, servidores e amantes da riqueza do vosso amor.
T: Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos!

Pai nosso...   A Paz de Cristo...   Eis o Cordeiro...