sexta-feira, 13 de abril de 2018

3º DOMINGO DA PÁSCOA ano B, Homilias, Subsídios homiléticos


3º DOMINGO DA PÁSCOA ano B 2018 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas.”
O Evangelho assegura-nos que Jesus está vivo e é o centro da comunidade. É no encontro comunitário, na escuta da Palavra, nos gestos de fraternidade e de serviço - que os discípulos podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado.
A primeira leitura: Pedro e João convidam a todos a acolherem a proposta que Jesus lhes faz. 
A segunda leitura: Nos lembra que depois de encontrar Jesus, temos de viver de forma coerente com o compromisso assumido.

EVANGELHO – Lc 24,35-48
Naquele tempo, os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. Ainda estavam falando quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” Eles ficaram assustados e cheios de medo pensando que estavam vendo um fantasma. Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo. Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. E, dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas eles ainda não podiam acreditar porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” Deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles. Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras e lhes disse: “Assim está escrito: ‘O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. Vós sereis testemunhas de tudo isso”.

AMBIENTE - Os onze discípulos estão reunidos e já conhecem uma aparição de Jesus a Pedro, bem como o relato do encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús. Apesar de tudo, o ambiente é de medo, de perturbação e de dúvida. A comunidade sente-se insegura. O medo e a insegurança vêm do fato de não terem, ainda, feito a experiência de encontro com Cristo ressuscitado.
Lucas mostra como os discípulos descobrem, progressivamente, que Jesus vivo e ressuscitado continua vivo e os discípulos, em comunidade, podem fazer uma experiência de encontro com Jesus.

MENSAGEM - Lucas deixa claro que a ressurreição de Jesus foi um fato real, que os discípulos descobriram e experimentaram só após um longo caminho de dúvidas. Essa dificuldade significa que a ressurreição de Jesus não foi um acontecimento cientificamente comprovado, material, Mas só reconhecem O ressuscitado depois de um longo caminho na fé.  No final desse caminho eles experimentaram que Jesus estava vivo,  que caminhava com eles e que continuava a oferecer-lhes a vida de Deus. É essa certeza que os relatos da ressurreição procuram transmitir-nos. Na catequese de Lucas há elementos que importa pôr em relevo:
1.                Na caminhada de fé descobriram a presença de Jesus no meio da sua comunidade e que Jesus derrama sobre a comunidade a paz (o “shalom”).
2.                Esse Jesus é o filho de Deus que reentrou na esfera divina.
3.                Na catequese de Lucas, “tocar”, comer, são uma forma de ensinar que foi uma experiência muito forte e quase palpável. Jesus não está ausente, mas continua a sentar-Se à mesa com os discípulos, a partilhar os seus sonhos, as suas lutas, as suas esperanças, as suas dificuldades, os seus sofrimentos.
4.                A comunidade que caminha deve reunir-se à volta de Jesus para escutar a Palavra que alimenta e que dá sentido à sua caminhada histórica. 
5.                Os discípulos, alimentados por essa Palavra, recebem a missão de testemunhar diante de “todas as nações”, pregando o arrependimento e o perdão dos pecados, propondo-lhes a opção pela vida nova de Deus, pela salvação, pela vida eterna.

ATUALIZAÇÃO • Chega-se ao encontro com o ressuscitado inserindo-nos no encontro comunitário, na escuta da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço…
• Cristo continua presente quando a comunidade se reúne para escutar a Palavra.
• Jesus ressuscitado reentrou no mundo de Deus; mas não desapareceu da nossa vida.
• O testemunho que Cristo nos pede passa pelos nossos gestos de acolhimento, de partilha, de serviço, de amor. São esses gestos que testemunham, diante dos nossos irmãos, que Cristo está vivo e que Ele continua a sua obra de libertação dos homens e do mundo.
• Jesus confia aos discípulos a missão de anunciar “em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todos os povos e propor aos homens uma dinâmica de vida nova.

LEITURA I – At 3,13-15.17-19
Naqueles dias, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: “O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. Vós rejeitastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação para um assassino. Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados”.

AMBIENTE - Pedro e João tinham subido ao Templo. Um homem, coxo de nascença pediu-lhes esmola. Pedro curou-o. “Cheia de assombro”, a multidão reuniu-se para ouvir de Pedro a explicação do fato. Lucas está convencido de as palavras e os gestos das “testemunhas” de Jesus mostram como o mundo muda quando a salvação chega e como o homem escravo passa a ser um homem livre. O “testemunho” irá provocar a oposição daqueles que recusam os desafios de Deus. Por isso, os discípulos de Jesus irão conhecer a perseguição.

MENSAGEM - Pedro dá-lhes a entender que o gesto libertador que beneficiou o homem coxo foi realizado em nome de Jesus. Ele mostra que o projeto de Jesus continua a realizar-se e demonstra que Jesus está vivo. Se essa salvação continua a derramar-se sobre os homens doentes e privados de vida e de liberdade, é porque Jesus continua presente, oferecendo aos homens a vida nova e definitiva. Os discípulos são os agentes através dos quais Jesus continua a sua obra libertadora e salvadora no mundo. Pedro “sabe” que o Povo agiu por ignorância. Deus, na sua bondade, continua a oferecer ao seu Povo a possibilidade de corrigir as suas opções erradas e de escolher a vida, aderindo a Jesus e ao projeto por Ele apresentado. Para isso é necessário “arrepender-se” e “converter-se”, de forma que Deus passe a estar no centro da vida do homem e o homem passe a “dar ouvidos” às propostas de Deus e a viver de acordo com os projetos de Deus. Ora, “arrepender-se” e “converter-se” significa aderir à pessoa de Cristo, crer n’Ele, acolher o projeto que Ele traz, entrar no Reino que Ele anuncia e propõe.

ATUALIZAÇÃO • Jesus continua vivo, oferecendo aos homens uma proposta de vida plena e eterna. É pelo testemunho dos discípulos que homens descobrem que Cristo está vivo. Jesus está vivo nos gestos de amor, de partilha, de solidariedade, de perdão, de acolhimento; Jesus está vivo quando os cristãos se comprometem na luta pela paz, pela justiça, pela liberdade.
• Aquilo que parece ser fracasso e frustração é, afinal, o verdadeiro caminho para a vida. Jesus veio apresentar uma proposta geradora de vida, apesar de passar pelo aparente fracasso da cruz. É de vida vivida na doação, na entrega, no amor a Deus e aos irmãos que brota a vida eterna.

LEITURA II – 1 Jo 2,1-5ª
Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro. Para saber que o conhecemos, vejamos se guardamos os seus mandamentos. Quem diz: “Eu conheço a Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado.

AMBIENTE - Este escrito procura combater doutrinas heréticas pré-gnósticas e apresentar aos cristãos o caminho da autêntica vida cristã.
Os adeptos das heresias recusavam a encarnação do Filho de Deus. Para estes, o Cristo tinha-se apropriado do homem Jesus de Nazaré na altura do batismo e tinha-O abandonado antes da paixão, porque o Cristo celeste não podia padecer. Os gnósticos pretendiam não ter pecados e não guardavam os mandamentos. Quem diz que não comete pecados, é mentiroso, pois somos limitados e muitas vezes erramos.
MENSAGEM - o autor critica quem considerava não ter pecados. O cristão reconhece a sua fragilidade, mas sabe que Deus lhe oferece a salvação e que Jesus Cristo é o “advogado” (“defensor”). Ora, quem disser que mantém uma relação de proximidade e de comunhão pessoal com Deus, mas não quer saber das suas propostas, está mentindo. Não se pode amar e não considerar as propostas da pessoa que se ama. O “conhecer Deus” exige atitudes concretas que passam pelo escutar, acolher e viver as propostas de salvação que Deus faz, através de Jesus.

ATUALIZAÇÃO • O cristão aceitou o convite de Deus e tem de viver de forma coerente com o compromisso que assumiu… Não pode comprometer-se com Deus e conduzir a vida por caminhos de orgulho, de autossuficiência, de indiferença face a Deus e às suas propostas.
• O pecado é um “não” a Deus e às suas propostas.
• A coerência deve manifestar-se na identificação entre a fé e a vida.

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A raiz da Missão é o Encontro com o Ressuscitado e a compreensão das Escrituras.
Viver e anunciar essa novidade é a nossa missão!
Cristo continua precisando ainda hoje de testemunhas… E nós somos chamados a ser testemunhas da presença do Ressuscitado, através de nossas palavras e ações.
 O povo que esperou o Messias, não acolheu o Messias! Foi um desastre: “Vós matastes o Autor da vida.” Não culpemos os judeus. A própria Palavra do Senhor afirma: “Eu sei que agistes por ignorância, assim como vosso chefes: na rejeição o plano de Deus estava sendo cumprido!
A cruz fazia parte do plano de Deus porque nela se manifesta o que o pecado fez com o homem e do que o homem pecador se tornou capaz: de matar Deus e se desgraçar. A humanidade pecadora que vemos hoje de tal modo se fechou para Deus que o está matando renegando-o, desobedecendo-o, colocando-o em último lugar… Mas, quando fazemos isso, nos destruímos. São Pedro na primeira leitura de hoje: “Vós matastes o Autor da Vida!” – Eis! Com o nosso pecado, matamos aquele que é a Vida e nos matamos a nós!
Mas, a cruz revela até onde Deus é capaz de ir por nós: No seu Filho o Pai nos entrega tudo de precioso que ele tem! No Filho feito homem podemos compreender o quanto somos amados por Deus!
Finalmente O Filho, entregue ao Pai com toda a confiança, agora é glorificado pelo Pai e colocado no mais alto da glória. Deus jamais abandona os que a ele se confiam. O Pai é Fidelidade, o Pai é Amor! “Se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo!
Que temos de fazer? A) crer em Jesus, o Enviado do Pai, que por nós morreu e ressuscitou:
B): viver na Palavra do Senhor os mandamentos!
C) testemunhar Jesus morto e ressuscitado: nós somos testemunhas!” Tenhamos, então a coragem de nele crer, viver e dele dar testemunho onde quer que estejamos. Jesus está vivo!

O Antigo Testamento ganha todo o seu esplendor somente quando interpretado EM Cristo. Na verdade, toda a Bíblia só tem sentido como revelação divina em Cristo e na Igreja, de fé e eclesial.
A Bíblia é fruto da Tradição: Jesus pregou, os apóstolos pregaram; somente depois foi colocado por escrito a pregação de Jesus e dos Apóstolos.
As pessoas que fazem livres interpretações da Bíblia, só que à margem da interpretação autêntica da Igreja Católica, acabam, de uma maneira ou outra, criando o seu próprio universo bíblico, que não é o de Cristo. Daí que há tantos cristãos com a mesma Bíblia e ao mesmo tempo há tantas denominações cristãs, as quais, frequentemente, brigam entre si. A divisão entre os cristãos é um escândalo que provoca a incredulidade. Mas, porque há tantas interpretações da Bíblia e, simultaneamente, tantas “igrejas”? Cada um quer manter a sua opinião, o seu parecer. A idade da Igreja? Somente 2000 anos. A sua experiência é vastíssima: 2000 anos de experiência e que só nos ensina o caminho do bem, da verdade e do amor.

Jesus é Senhor! E que a sua paz, a sua vitória e o seu perdão estejam sempre conosco. Amém.’

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus hoje é muito clara e objetiva. Quem diz que crê em Deus e não conhece os seus mandamentos é um mentiroso. Volta a história que nós já estamos repetindo  a quinze dias. As pessoas dizem: eu tenho fé em Deus, mas ao meu modo. Isto não existe. No domingo de páscoa Pedro confirmou a fé que João externou: João viu e creu, acredito. E Pedro confirmou. Depois, vimos na semana passada, que Tomé tinha uma fé, assim, um pouco reservado, não conseguiu ver o ressuscitado. Só depois, quando está em comunidade, que pode experimentar o Cristo Ressuscitado. Hoje, a mesma questão, ela volta, de maneira mais clara, dizendo: se você não conhece os mandamentos, se eu não conheço os mandamentos, não posso dizer que creio em Deus. O batismo é a entrada, a inserção da pessoa que vai ser batizada, na comunidade. Este é o ponto fundamental. Na comunidade ela vai se encontrar com o Cristo Ressuscitado, mas é preciso que ajude. De que maneira? Apresentando os mandamentos de Deus. Nós sabemos que os mandamentos de Deus não é para escravizar, muito pelo contrário, é para  libertar as pessoas. Ora, na medida que eu conheço os mandamentos de Deus e procuro viver, nessa maneira eu vou sendo íntimo de Deus. É evidente que quando eu encontro com Jesus Cristo, eu tenho maior facilidade de reconhecê-lo. Às vezes, você conhece quem está chegando em casa pela maneira que abre o portão. Nós, quando convivemos com as pessoas, temos facilidade de reconhece-la só pelos sinais que ela transmite. Às vezes, nem estou vendo a pessoa, mas ouço o andar, a tosse, ouço a música e digo: fulano de tal chegou. É assim, que os discípulos de Emaús reconheceram Jesus, ao partir do Pão. Eles tinham uma convivência tão próxima, que a maneira que Jesus partiu o Pão, é que fez com eles dissessem: é o Senhor. Porque é o jeito dele partir o Pão. É a sua maneira de partir o Pão. Eles fazem esta experiência, mas não retém para si. Voltam correndo para contar para a comunidade. E a comunidade não somente vai confirmar esta experiência deles, como também farão uma experiência mais profunda. Jesus se apresenta no meio deles, dizendo: a Paz esteja convosco. Percebam que só depois da ressurreição Jesus saúda os seus desta maneira. Também na Celebração Eucarística fazemos isto: “A Paz de cristo esteja convosco. – O amor de Cristo que nos uniu”  e “O Senhor esteja convosco – Ele está no meio de nós”. Isto é sempre que nós estamos reunidos. Só que como compreender este Cristo Ressuscitado? Não é de um dia para o outro que agente compreende. É fazendo a experiência comunitária.
Então, no primeiro domingo da Páscoa, vimos o túmulo vazio. No segundo, temos São Tomé nos ajudando a fazer a experiência do Ressuscitado. Hoje, Jesus se apresenta dizendo: Eu não sou um fantasma. Para muitas pessoas, ressuscitar significa sair do caixão e sair andando. Isto não seria ressurreição,  seria reencarnação. Não é isto que nós pregamos. Por que reencarnação? Porque o espírito que saiu, agora volta, reanima o corpo e o corpo sai andando. Isto seria reencarnação. Jesus não volta no mesmo corpo. Como é que eu sei disso? O Evangelho de hoje; eles olham e não reconhecem Jesus. Eles que conviveram três anos, ouviram Jesus, comeram com Jesus, viram os seus sinais, não teriam dificuldade de reconhece-lo, se ele tivesse o mesmo corpo.  Mas Ele disse: Olhe aqui as minhas mãos e os meus pés. É assim que vão reconhecê-lo. Que corpo Jesus tem, no dia em que chegarmos lá, na ressurreição, vamos contemplá-lo face-a-face e aí vamos ver. De qualquer maneira, eles vão reconhecer Jesus pelos sinais; então, você tem o sinal do Pão partido, você tem as marcas dos pregos nas mãos e nos pés. É interessante, porque o corpo ressuscitado traz as marcas da crucifixão. Aí confirma o que o Papa Bento XVI disse no domingo da Páscoa: “não existe ressurreição, se não passarmos pela cruz”. É muito interessante. Ele traz esta realidade no seu corpo. Mesmo assim, ele diz: para ver que eu não sou um fantasma, toca em mim. O fantasma não tem carne e osso. Eu tenho. Quer saber de mais uma, tem alguma coisa para eu comer? Porque fantasma também não come, o espírito não come. Ele come. O que? Peixe assado. Ou poderia ser qualquer outro alimento. Mas por que o peixe? Vamos lembrar um pouco. O peixe é o primeiro sinal, o símbolo dos cristãos. Um cristão para ver se o outro era cristão, fazia o sinal do peixe. Assim, a pessoa que era cristã, devolvia o sinal do peixe. Estava identificado; somos cristãos. Peixe é o símbolo que eles escolheram. Em grego ECTÓS; das iniciais para Jesus Cristo homem santo e salvador. Então, ele é o nosso sinal, Ele é o santo. Ora, um peixe assado significa o cristão que passou pela prova de fogo. Passou pela prova de fogo. Todo cristão, aqui ou ali, é convocado para testemunhar a sua fé. E na medida que a pessoa passa pela prova de fogo, ela se torna ouro mais puro. Lembra da passagem que diz que Deus nos prova como o ouro no cadinho? Exatamente isso. Ora, então, Jesus celebra agora com a comunidade, aqueles que estão passando pela prova de fogo; são os cristãos que enfrentaram a prisão, enfrentaram perseguição. Paulo vai ser um exemplo disso, Pedro também. Até hoje pessoas morrem porque professam sua fé no Cristo. Então, meus irmãos e irmãs, este Evangelho é todo completo para nos falar; na comunidade eu encontro Cristo, na comunidade eu enfrento a prova de fogo, na comunidade eu tenho ânimo, fé e força para viver a minha caminhada e continuamos com muitos sinais; temos a Palavra que Deus nos dirige, é o próprio Jesus falando, temos a Eucaristia que nos alimenta e nos conforta e temos a presença dos irmãos. Eu vejo que não sou só eu que creio no Cristo. Eu olho pro lado e vejo que Outros creem também, porque é Ele que nos reúne.  Então, temos todos recursos necessários para caminhar e Na caminhada encontrar o Cristo ressuscitado. Se alguém ainda tem dificuldade, não fique preocupado. Olhe os discípulos. Eles ainda não acreditavam no que estavam vendo. E Jesus diz; um caminho é você ler as escrituras. Ler a Palavra de Deus nos ajuda muito. Ler as leis, Moisés, os profetas e os salmos.  É uma caminhada. Uns conseguem ir mais rápidos e outros mais devagar. O importante é caminharmos cada dia e ir anunciando aos outros, a experiência que Deus vai realizando em nossa vida.
Para concluir: Às vezes nos dá a impressão que caiu o mundo. Aconteceu uma coisa inesperada e eu perdi o chão. Bom, é um momento. Se olharmos a nossa vida, vamos ver que em outros momentos também tivemos dificuldades. Como pudemos superar, nem sabemos responder. É olhando o conjunto todo que vemos Deus agindo em nossa vida. Se ele é fiel num momento, ele é fiel sempre. Quando eu penso nisso, o salmo se torna fantástico para nós: “Posso dormir tranquilo, porque é você que cuida de mim”. É assim que termina o verso do salmo hoje. Que possamos sempre depositar nossa esperança no Senhor e que possamos continuar a nossa caminhada, descobrindo a cada dia sinais da ressurreição.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.

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"Testemunhas"

Nesse tempo de Páscoa, a liturgia nos apresenta as primeiras aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos, que tinham a missão de continuar a sua obra salvadora iniciada por Cristo.
- Eles continuam tendo muitas dúvidas.
- Cristo vai ao encontro deles, para fortalecer a fé deles profundamente abalada.

No Evangelho o Ressuscitado aparece à Comunidade e a convoca para ser sua Testemunha. (Lc 24,35-48)

Cristo está vivo e continua a ser o CENTRO da Comunidade.
- Jesus toma a iniciativa: aparece aos apóstolos, desejando-lhes a "Paz":
   "A Paz esteja convosco"
- A Reação dos apóstolos: ficam apavorados pensando ser "um fantasma"

- Jesus apresenta PROVAS de sua identidade:
         - Físicas: mostra os pés e as mãos… come com eles…
         - Bíblicas: Abre as inteligências para compreenderem as Escrituras:
                          Jesus devia padecer e ressuscitar…

- Aponta a MISSÃO: "Vós sereis minhas testemunhas"
  Ser testemunha é conhecer, viver e anunciar a mensagem de amor, que Cristo trouxe. Cristo continuará vivo na Igreja, através deles.

Assim na 1a Leitura, vemos São Pedro, cumprindo essa Missão:

- ANUNCIANDO com coragem o Cristo Ressuscitado diante do povo:
  "O Cristo, que vós matastes, Deus o ressuscitou dos mortos.
   E disso nós somos testemunhas..."

- E AGINDO: provando com sinais... que Jesus ainda estava vivo.
  Cura o coxo na porta do Templo em nome de Jesus. (At 3,13-15.17-19)

* Pedro testemunha Jesus com palavras e gestos e faz um apelo ao arrependimento e à conversão, para o perdão dos pecados.

E na 2a Leitura, João nos lembra que devemos testemunhar,

- VIVENDO o que se conhece e se anuncia:
  "Quem diz conhecer o Senhor e não vive a sua mensagem é mentiroso e a verdade não está nele...”  (1Jo 2,1-5)

* É um forte apelo à coerência entre Fé e Vida..
   É com a vida que demonstramos "conhecer" Deus.
   Se pecarmos, Jesus é o nosso intercessor junto do Pai...

+ No Evangelho, a Ressurreição de Jesus aparece como um FATO REAL, mas assim mesmo os apóstolos não conseguiam acreditar facilmente.
O caminho foi longo, difícil, penoso, carregado de dúvidas e incertezas.
* O caminho espiritual para chegar à fé continua o mesmo.
Como os apóstolos, também nós podemos "ver" Cristo ressuscitado, no meio de muitas dúvidas, incertezas e medos.
Quando nos reunimos em comunidade, ele está sempre entre nós.
Aos poucos os nossos olhos vão se abrindo e nós vamos descobrindo que, quem morre com ele, com ele entra na plenitude da vida de Deus.

+ ELEMENTOS IMPORTANTES, que o texto nos apresenta:

1. Os discípulos descobriram a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, no meio da sua COMUNIDADE.
Cristo continua a ser o centro, onde a comunidade se constrói e se articula.

2. Esse Jesus ressuscitado é o filho de Deus, que reentrou no mundo de Deus, mas NÃO DESAPARECEU da nossa vida, nem da vida da Comunidade.

3. AS DÚVIDAS dos discípulos mostram a dificuldade que eles sentiram em percorrer o caminho da fé, até o encontro pessoal com o Senhor ressuscitado.
Foi uma longa caminhada de amadurecimento da própria fé.

4. O gesto de TOCAR E COMER nos ensina que o encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado foi um FATO REAL e palpável.

5. O Ressuscitado revela o sentido profundo das ESCRITURAS.
A comunidade deve reunir-se com Jesus ressuscitado para escutar a Palavra, que sempre ilumina a nossa vida e nos ajuda a descobrir os caminhos de Deus na história..

6. Os discípulos recebem a MISSÃO de serem testemunhas de tudo isso...

* A raiz da Missão é o Encontro com o Ressuscitado e a compreensão das Escrituras.
   Viver e anunciar essa novidade é a missão da comunidade eclesial, que vive do amor e da presença do Senhor em seu meio.

+ Cristo continua precisando ainda hoje de testemunhas

E nós somos chamados a ser testemunhas da presença do Ressuscitado, através de nossas Palavras e Ações.

* Até que ponto, somos TESTEMUNHAS de Cristo:
   conhecendo… vivendo… e anunciando… essa mensagem?

Não adianta proclamar que Jesus ressuscitou e não viver o projeto do Reino que ele anunciou e viveu.

Cristo ainda hoje continua nos lembrando:
"Vocês também devem ser minhas testemunhas..."

O que pretendemos testemunhar nesta semana?  

                                        Pe. Antônio Geraldo

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Homilia de D. Henrique Soares

A Palavra de Deus deste Domingo do Tempo Pascal recorda-nos um fato histórico tremendo, ao mesmo tempo misterioso e doloroso: os judeus, povo que esperou o Messias, não acolheu o Messias! E tudo terminou num desastre: “Vós rejeitastes o Santo e o Justo. Vós matastes o Autor da vida. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos”. Eis, caríssimos: misteriosamente o Povo de Deus do Antigo Testamento não foi capaz de reconhecer o Messias que lhe fora enviado e o entregou a Pilatos, que o mandou crucificar. Não culpemos os judeus. A própria Palavra do Senhor afirma: “Eu sei que agistes por ignorância, assim como vosso chefes. Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer”. Que mistério, amados irmãos: na rejeição dos judeus, que terminou levando Cristo à cruz, o plano de Deus estava sendo cumprido! O próprio Senhor ressuscitado afirma a mesma coisa no Evangelho de hoje: “Assim está escrito: ‘O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”.
Mas, por que deveria ser assim? Por que o plano de Deus deveu passar pela cruz, tão feia, tão humilhante, dolorosa e sofrida? Com piedade e unção, procuremos contemplar um pouquinho tão grande e santo mistério. A cruz fazia parte do plano de Deus, caríssimos, primeiramente porque nela se manifesta o que o pecado fez com o homem e do que o homem pecador se tornou capaz: de matar Deus e se desgraçar. A humanidade pecadora – esta, que vemos hoje – de tal modo se fechou para Deus que o está matando (recordem a mais recente punhalada: uma obra de arte blasfema numa exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Lá apresentaram dois terços da Virgem Maria em forma de órgão genital masculino. Os católicos protestaram. E o ministro da cultura do Governo Lula, o Gilberto Gil ficou indignado com os católicos; e muitos artistas foram à rua protestar contra esses católicos reacionários. É a lógica do mundo atual: massacrar Deus, ridicularizá-lo, matá-lo no coração dos homens e do mundo). Desde o início da história temos matado Deus, renegando-o, desobedecendo-o, colocando-o em último lugar… Mas, quando fazemos isso, nos destruímos, nos desfiguramos, edificamos a nossa vida pessoal e social sobre a areia. Na cruz de Jesus, Deus nos mostra isso: a gravidade do nosso pecado, o desastre que é fechar-se para o Senhor. Num mundo que brinca com o pecado e já não leva a sério a gravidade de pecar, olhemos a cruz e veremos o que nosso pecado provoca! Não deixará nunca de impressionar a frase de São Pedro na primeira leitura de hoje: “Vós matastes o Autor da Vida!” – Eis! Com o nosso pecado, matamos aquele que é a Vida e nos matamos a nós!
Mas, a cruz revela também, com toda a força, até onde Deus é capaz de ir por nós: ele é capaz de se entregar, de dar sua vida por nós! No seu Filho o Pai nos entrega toudo de precioso que ele tem! No Filho feito homem de dores, humilhado e derrotado, nós podemos compreender o quanto somos amados por Deus, o quanto ele nos leva a sério, o quanto é capaz de descer para nos procurar! Contemplemos a cruz e sejamos gratos a Deus que se entrega assim!
Finalmente, a cruz revela a estupenda, desconcertante, fidelidade de Deus: nela descobrimos o verdadeiro nome do nosso Deus. E o seu nome é Fidelidade, o seu nome é Amor. Primeiramente fidelidade e amor do Pai em relação ao Filho. Ao Filho amado que se entregou ao Pai por nós, Deus-Pai o ressuscitou e deu-lhe toda glória. É o que anuncia a primeira leitura de hoje: “O Deus de nossos Pais glorificou o seu servo Jesus. Vós matastes o Autor da Vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos!” Que mistério, meus irmãos! O Filho, entregue ao Pai com toda a confiança e todo o abandono, o Filho, feito homem de dores, agora é glorificado pelo Pai e colocado no mais alto da glória. Deus jamais abandona os que a ele se confiam. Podemos imaginar o Senhor Jesus dizendo as palavras do Salmo de hoje: “Eu tranqüilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida!” O nosso Salvador adormeceu no sono da morte certo que o Pai o despertaria para a vida da glória! Sim, o Pai é Fidelidade, o Pai é Amor! Mas, é também fidelidade e amor para conosco. Efetivamente, tudo quanto aconteceu com o Filho na cruz foi por nós, para nossa salvação, para que o nosso pecado, a nossa situação de miséria, encontrasse expiação. Eis como a Palavra de Deus deste hoje insiste nisso: “Se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro”. E o próprio Jesus afirma no Evangelho que “no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Meus caros em Cristo, na cruz e ressurreição do Senhor, Deus, amorosamente nos concedeu o perdão dos pecados!
Então, que temos de fazer para corresponder a tanto amor, a tão grande graça? Três coisas: primeira: crer em Jesus, o Enviado do Pai, que por nós morreu e ressuscitou: “Convertei-vos para que os vossos pecados sejam perdoados!” Quem crer em Jesus, quem diante dele reconhecer-se pecador e o acolher como o Salvador e nele colocar a vida, nele encontrará o perdão que vem pela cruz e a ressurreição. Segunda coisa: viver na Palavra do Senhor: “Para saber se o conhecemos, vejamos se guardamos os seus mandamentos. Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado”. A fé, caríssimos, não é um sentimento nem uma teoria. Nossa fé em Jesus morto e ressuscitado deve levar a um compromisso sério e radical com o Senhor na nossa vida concreta. Quem não guarda os mandamentos, não crê! Quem não crê, fecha-se para a salvação! Terceira coisa: testemunhar Jesus morto e ressuscitado: “Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. Disso nós somos testemunhas!” E Jesus diz: “Vós sereis testemunhas de tudo isso!” Caros meus, nós não conhecemos Jesus de um modo teórico. Nós o experimentamos na força da sua Palavra e na graça dos seus sacramentos, sobretudo na participação na Eucaristia. Jesus, para nós, não é um fantasma! “Por que estais preocupados tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!” Sim, meus caros, quantas vezes tocamos Jesus, sentimo-lo vivo, caminhando conosco! Tenhamos, então a coragem de nele crer, de nele viver e dele dar testemunho onde quer que estejamos e onde quer que vivamos. Jesus não é um fantasma! Jesus está vivo! Jesus é Senhor! E que a sua paz, a sua vitória e o seu perdão estejam sempre conosco. Amém.’

D. Henrique Soares

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Para a Celebração da Palavra (Diáconos ou ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Jesus ressuscitou e está no meio de nós, Aleluia, Aleluia.
à Senhor, nosso Deus e Pai, Bendito e louvado sejais pelo vosso imenso amor nos enviando Vosso Filho para nos dar a dignidade de Filhos Vossos. Pai, acolhei o nosso louvor e santificai-nos para que possamos testemunhar o vosso amor. - T: Jesus ressuscitou e está no meio de nós, Aleluia, Aleluia.
à Senhor, nosso Deus e Pai, vos louvamos e agradecemos pela nossa existência. Sois o nosso Deus e somos o vosso povo. Pai, vinde sempre em nosso auxílio, pois somos limitados e necessitamos de vossa força para nossa caminhada.
T: Jesus ressuscitou e está no meio de nós, Aleluia, Aleluia.
à Senhor, nosso Deus e Pai, enviai-nos a força do Espírito Santo para que sempre nos convertamos aos vossos projetos. Dai-nos força e coragem para seguirmos os passos e os ensinamentos de Vosso Filho.
T: Jesus ressuscitou e está no meio de nós, Aleluia, Aleluia.
à Senhor, nosso Deus e Pai, em nossa fé acreditamos que Jesus está no meio de nós nos fortalecendo e nos transformando. Pai, que saibamos espelhar este amor no meio de nossa comunidade para que sintamos o Cristo ressuscitado em nossa vida.
T: Jesus ressuscitou e está no meio de nós, Aleluia, Aleluia.
- - - Pai nosso...         Paz.....         Cordeiro de Deus...




quinta-feira, 5 de abril de 2018

2º DOMINGO DA PÁSCOA Ano B, Homilias, Subsídios homiléticos


2º DOMINGO DA PÁSCOA Ano B 2018 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Os fiéis eram um só coração e uma só alma!”
Na primeira leitura: A comunidade ideal vive a fé e manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos, testemunhando Jesus ressuscitado.
No Evangelho: Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã. É na vida da comunidade que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura: O verdadeiro crente adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que o Pai faz aos homens e vive no amor aos irmãos.

PRIMEIRA LEITURA (At 4,32-35) ...tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, ...levavam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a  necessidade de cada um.

AMBIENTE
- Quando Lucas escreve estes relatos (década de 80), o entusiasmo inicial dos cristãos diminuíra: no horizonte próximo estão as perseguições… Neste trecho, Lucas recorda o que a comunidade deve ser.
MENSAGEM - É uma comunidade unida, onde os crentes têm “um só coração e uma só alma”, formando uma família de irmãos que vivem no amor. É uma comunidade que partilha os bens e dá testemunho. Os gestos realizados pelos apóstolos testemunhavam a certeza da presença do Ressuscitado e os torna capazes de superar o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência e de viver no amor, na partilha, no dom. Viver os valores de Jesus é a melhor forma de anunciar e de testemunhar que Jesus está vivo.
ATUALIZAÇÃO • A comunidade é uma família unida, onde todos têm “um só coração e alma”.
• No centro está o Cristo do amor, da partilha, do serviço, do dom da vida… Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros não têm o suficiente para viver dignamente, não é uma comunidade que vive o amor.

EVANGELHO (Jo 20,19-31) Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, ...Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois..., mostrou-lhes as mãos e o lado. ...Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois..., soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados;...”. Tomé, ..., não estava com eles.... Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, ...novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

AMBIENTE
No “primeiro dia da semana”; tempo da nova criação.  João apresenta uma catequese sobre a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, no meio dos discípulos. Cristo continua vivo e presente, acompanhando a sua Igreja.
MENSAGEM - Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-Se como ponto de referência. Jesus transmite a paz. (shalom é a paz com Deus, paz com os outros e paz consigo) Ele venceu aquilo que os assustava (a morte, a opressão do mundo.
Com o “sopro” Jesus transmite a vida nova que fará deles homens novos. É este Espírito que constitui e anima a comunidade de Jesus. Como o Pai enviou o Filho? Na potência do Espírito Santo. É no nesta potência do Espírito que nasce, é batizado, vai para o deserto, e se doa na morte de cruz e ressuscita dentre os mortos. Sopra sobre eles: como no princípio da criação Deus soprara sobre o homem para fazê-lo viver, agora Cristo sopra fazendo-os viver uma vida nova, a vida SOS ressuscitado sem Cristo.  Na segunda parte, João nos diz que podemos fazer a experiência da fé em Cristo na comunidade onde se manifesta o amor de Jesus. Tomé (está fora) não percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Tomé acaba por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. É no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, (sem o perdão não há o shalom) com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado. Todos os cristãos podem fazer esta mesma experiência. Oito dias depois, Jesus veio e pôs-se no meio deles; é neste encontro que Jesus nos fala, nos instrui e nos fortalece. Tomé, põe teu dedo na ferida: felizes os que não viram e creram
Jesus fez muito mais do que está escrito: isto foi escrito para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Os evangelhos não são uma crônica nem uma biografia de Jesus, mas um ensinamento para que acreditemos em Jesus.
ATUALIZAÇÃO • Cristo está no meio da sua comunidade que partilha e ama.
• É esse Espírito que Jesus oferece que faz deles testemunhas do amor e lhes dá a coragem e a generosidade para continuarem no mundo a obra de Jesus.
• É na comunidade que encontramos Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, partilha, serviço, e fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo.
• É no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida.

SEGUNDA LEITURA (1Jo 5,1-6) ...todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus; e quem ama aquele que gerou alguém amará também aquele que dele nasceu. Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade.

AMBIENTE
- O autor da carta é alguém que conhece bem a teologia de João. A difusão de falsas doutrinas ameaçam a pureza da fé. Os heréticos pretendiam “conhecer Deus” e, não obstante, apresentavam uma doutrina em flagrante contradição com a revelação cristã. Recusavam-se a ver em Jesus o Messias e o Filho de Deus. Para estes hereges, o Cristo celeste tinha-Se apropriado do homem Jesus de Nazaré na altura do Batismo, tinha-o utilizado para levar a cabo a revelação e tinha-o abandonado antes da paixão, porque o Cristo celeste não podia padecer: pretendiam não ter pecados e não guardavam os mandamentos. Tudo indica que estejamos diante de um desses movimentos pré gnósticos que irá desembocar, mais tarde, nos grandes movimentos gnósticos do séc. II. Na confusão causada pelas doutrinas heréticas, o autor da Carta quer oferecer uma certeza: são eles e não esses profetas da mentira que vivem em comunhão com Deus e que possuem a vida divina.
MENSAGEM - Os verdadeiros crentes são aqueles que amam a Deus e que amam, também, Jesus Cristo, o Filho que nasceu de Deus. Jesus de Nazaré é Filho de Deus desde a encarnação e durante toda a sua existência terrena.  No entanto, amar a Deus significa cumprir os seus mandamentos. E o mandamento de Deus é que amemos os nossos irmãos. Amar Deus, amar Jesus e amar os irmãos significa construir a própria vida numa dinâmica de amor; e significa, portanto, derrotar o egoísmo, o ódio, a injustiça que caracterizam a dinâmica do mundo. Quando o homem responde positivamente (Batismo), oferece a sua vida como um dom de amor para os irmãos (a exemplo de Cristo) e cumpre os mandamentos de Deus, vence o mundo, torna-se filho de Deus e membro da família de Deus.
ATUALIZAÇÃO • O projeto de salvação que passa por Jesus, que com a sua morte mostrou aos homens o amor do Pai e que nos ensinou a amar até ao extremo do dom total da vida.
• Quem não ama os irmãos, não cumpre os mandamentos de Deus e não segue Jesus. O amor se revela nos gestos simples de serviço, de perdão, de solidariedade, de doação.
• O amor a Deus e a adesão a Cristo “vencem o mundo”. O amor é um dinamismo que vence tudo aquilo que oprime o homem e que o impede de chegar à vida verdadeira e à felicidade total.

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Quem crê em Jesus, diz ele, vence o mundo, vence o pecado, vence uma vida sem sentido, distraída apenas com eventos, futilidades e copas do mundo. "Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" "Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue. E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade". Se nossos irmãos protestantes as compreendessem pediam a comunhão com a Igreja de Cristo! Aqui o Autor está falando do Batismo e da Eucaristia. Vence o mundo quem crê que Jesus que está vivo, vem ao nosso encontro, habita em nosso íntimo pelos sacramentos! É nos sacramentos que recebemos o Espírito Santo, é nos sacramentos que o Senhor entra em comunhão conosco e nós com ele. Ele vem continuamente, vivo e vivificador pela água do Batismo e o Sangue da Eucaristia! Nos santos sacramentos, nós experimentamos Jesus, recebemos a vida de Jesus e podemos testemunhar ao mundo que Jesus está vivo e atuante!         
         

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, celebrando o segundo domingo da Páscoa, também chamado de domingo da misericórdia, chamado assim pelo papa João Paulo II, por que ele se deu conta de que as leituras falavam da misericórdia de Deus.  A partir daí, ele que sempre divulgou a cultura da misericórdia, propôs que nesse dia celebrássemos a misericórdia de Deus. A Misericórdia de Deus consiste nisso: Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crê, tenha a vida eterna. A misericórdia de Deus penetra toda a realidade humana. É evidente, que nessa realidade humana, não são poucos os obstáculos e desafios. Por isso, Deus quer sempre estar ao lado, como aquele que ama os seus filhos e quer ajuda-los a caminhar.
Sempre que experimentamos a morte, de um amigo, um parente, é sempre muito duro para nós. E não adianta querermos ser diferentes, porque sempre lamentamos a sua convivência, poder abraçar, estar próximo, daqueles que nós amamos. Mas, desculpe o que vou dizer, não existe tempo melhor para celebrar os nossos entes falecidos do que o tempo da Páscoa. Porque é o tempo, que de maneira solene, celebramos a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e sobre a morte. As leituras falam claramente sobre a ressurreição. Aquilo que nos foi proposto, desde o primeiro domingo da quaresma, se mantém presente. É preciso olharmos o Cristo transfigurado, ir além da imagem que temos. Se formos no velório e vermos a pessoa ali, somos convidados, em nome da fé e com os olhos da fé, enxergar além daquilo que estamos vendo naquele caixão. Ali não é o final, tão somente um estágio superado, para que se possa contemplar Deus face a face e experimentar o Ressuscitado. Isto é algo que é oferecido para todos. Quem vai nos ajudar a compreender a ressurreição, será a comunidade. Olhe o caso de Tomé. Tomé é alguém que está muito próximo de Jesus. Ele é um dos doze. Não vamos dizer que ele não tem fé. Não é verdade. Aliás, eu já fiz esta observação para o autor da música “Creio em ti ressuscitado, mais que São Tomé”. Isto é muita pretensão de nossa parte. Porque ele já é santo e nós ainda não. Eu lhe disse; cuidado com esta música. Eu posso crer em ti, tanto quanto São Tomé, mais do ele, já é complicado. São Tomé tem fé, ouviu a pregação de Jesus, participou da vida de Jesus de maneira intensa, mas na hora de aceitar o ressuscitado, teve dificuldade. Ele disse: eu preciso de algumas referências, algo palpável para isto. Eu preciso tocar o lugar da lança, tocar onde foram colocados os pregos. Quem escreveu o Evangelho vai dizer: Tomé não estava com eles, quando Jesus apareceu. Oito dias depois, Tomé estava com eles e finalmente conseguiu experimentar o Cristo Ressuscitado. Aí vai dizer que era no primeiro dia da semana. Então, é a comunidade que me ajuda a experimentar o Cristo Ressuscitado. Se por um lado, a realidade da vida me deixa triste, pela perda de alguém, de outro lado, a presença da comunidade me deixa feliz, porque é ali que percebo que a morte não é a ultima palavra. Por isso, se quisermos superar  a dor da perda de alguém, é participando da vida da comunidade. Porque é ali que eu celebro, a cada encontro e experimento Cristo ressuscitado. Ele que me fala, através das leituras,  da Eucaristia, que Cristo vive. Quando Tomé perde para ver os sinais, é na celebração, ouvindo a palavra, comungando o Cristo, na comunidade reunida, que vou perceber que Cristo está vivo e permanece entre nós. Na primeira leitura João nos diz que somos amados por Deus e quando amamos os irmãos e seguimos os seus mandamentos, amamos a Deus. É na comunidade que aprendemos quais são os mandamentos do Senhor, é na comunidade que aprendo como viver a fé. A primeira leitura nos mostra que os discípulos se tornaram sinal para o povo de seu tempo, de modo que o que mais era admirado neles, era a unidade na oração, na pertença e participação na vida comunitária. Eles vão ser um sinal de Cristo ressuscitado no seu tempo e vão celebrar a cada semana, mostrando que Cristo ressuscitou. O anúncio do Cristo ressuscitado, não só compõe os mandamentos de Deus, que devem ser animados para que vivam os mandamentos, que é o Cristo misericordioso ressuscitado que perdoa os pecados. Uma vez que me sinto perdoado por Deus, uma vez que eu me reintegro na comunidade, eu já experimento de maneira antecipada a ressurreição do Senhor. Por isso, neste tempo da Páscoa, somos chamados a renovar a nossa fé na ressurreição e assim poder experimentar o Cristo vivo, a cada encontro nosso.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
PE. PEDRINHO


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A Comunidade

A liturgia de hoje apresenta a Comunidade Nova,
que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a IGREJA,
e nos convida a viver a fé em Cristo ressuscitado
em nossas Comunidades.

A 1a Leitura mostra que a PÁSCOA acontece na vida da Comunidade. (At 4, 32-35)

Lucas descreve a comunidade cristã de Jerusalém,
como comunidade ideal, modelo à Igreja e às igrejas de todas as épocas:
- É uma Comunidade formada por pessoas diversas,
mas que vivem a mesma fé "num só coração e numa só alma".
Da adesão a Jesus resulta, obrigatoriamente, a comunhão e
a união de todos os "irmãos" da comunidade.
- É uma Comunidade que partilha os bens.
Da comunhão com Cristo e dos cristãos entre si, resultam implicações práticas:
a renúncia a qualquer tipo de egoísmo, de auto-suficiência
e uma abertura de coração para a partilha, para o dom, para o amor.
"Tudo entre eles era posto em comum, entre eles ninguém passava necessidade".
- Uma comunidade que testemunha o Senhor Ressuscitado.
Viver de acordo com os valores de Jesus é a melhor forma
de anunciar e de testemunhar que Jesus está vivo.

Resultado: - "O fiéis eram estimados por todos… e crescia cada dia"
* Será que daria para dizer o mesmo de nossas comunidades?

A 2ª Leitura afirma que a PÁSCOA acontece quando amamos a Deus
e pomos em prática os seus mandamentos. (1Jo 5, 1-6)

O Evangelho mostra que a PÁSCOA continua acontecendo,
quando todos enfrentam os seus medos, partilhando na Comunidade
a fé e as experiências da vida. (Jo 20,19-31)

São DOIS ENCONTROS da nova Comunidade
com o Cristo Ressuscitado: uma sem Tomé e a outra com Tomé.
É uma catequese sobre a presença de Jesus,
que continua vivo e ressuscitado, acompanhando a sua Igreja:

+ Os Apóstolos estão reunidos, mas "trancados" e
   dominados pela incredulidade, pela tristeza e pelo medo.

* Hoje muitos vivem de "portas trancadas". Dominados pelo medo e
   pela insegurança, aguardam por melhores dias de justiça e de paz.
   O Ressuscitado derruba as trancas e restaura a PAZ e a alegria:
   "A PAZ esteja com vocês" (3x).

+ Inicia uma nova Criação:
   "Jesus soprou sobre eles", como Deus na criação do homem (Gen 2,7)
    e acrescentou: "Recebei o Espírito Santo".
   Com o dom do Espírito Santo, o Senhor ressuscitado inicia um mundo novo
   e com o envio dos discípulos se inaugura um novo Israel,
   que crê em Cristo e testemunha a verdade da Ressurreição.

+ Institui a Penitência: "Aqueles a quem perdoardes os pecados,
   serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos".
   * Uma vez perdoados... são enviados a perdoar em nome de Deus.
   É um Sacramento tipicamente Pascal: nascido num clima de alegria
   e de vitória. 

+ Confia a Missão: "Como o Pai me enviou, assim eu vos envio…"
   Continua acreditando neles… conta com eles… apesar de tudo...
   * Na MISSÃO, Ele conta também conosco, apesar de tudo...

+ No 1º Dia da Semana (ou de um novo tempo), após a Morte e Ressurreição.
   Com esse primeiro dia, começa o "Dia do Senhor", o DOMINGO
   * O que significa para você o Domingo? É de fato o "Dia do Senhor"?

+ Jesus está no "Centro" da Comunidade,  onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o "medo"
   e a hostilidade do mundo. É a videira ao redor da qual se enxertam os ramos...
 
 + TOMÉ incrédulo na promessa de Cristo e na palavra dos colegas.
   É protótipo dos que não valorizam o testemunho comunitário e exemplo dos que querem ser cristão sem Igreja.

+ Como se chega à fé em Cristo Ressuscitado?
A Comunidade é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus.  
Longe da comunidade, Tomé não acreditou na palavra de Jesus, nem dos colegas.
Sua fé se reacendeu, quando no "Dia do Senhor" voltou à Comunidade e fez um belo ato de fé: "Meu Deus e meu Senhor".
- E Cristo acrescentou: "Felizes os que acreditam sem ter visto…"

* Tomé representa aqueles que vivem afastados da Comunidade, sem perceber os sinais de vida que nela se manifestam.

- Esse episódio é uma alusão clara ao Domingo...
Lembra as celebrações dominicais da comunidade primitiva e a nossa experiência pascal que se renova cada domingo...
A Comunidade renovada na Páscoa do Senhor torna-se "um só coração e uma só alma".
Nas mesas da fraternidade, da Palavra e da Eucaristia, nos tornamos com Ele um só corpo e uma só alma.

* O que significa para você a Eucaristia Dominical?

A DIVINA MISERICÓRDIA, que hoje celebramos é garantia e força para o desempenho de nossa missão.

                                      Pe. Antônio Geraldo
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Homilia de D. Henrique Soares

Jo 20,19-31
          Há oito dias atrás, no primeiro dia após o Sábado dos judeus, ao anoitecer, Jesus ressuscitado entrou onde estavam os discípulos e lhes disse: "A paz esteja convosco!" Há oito dias, no Dia da Ressurreição, o nosso Jesus, vencedor da morte, enviado pelo Pai no Espírito Santo,
 soprou esse mesmo Espírito sobre seus discípulos, sua Igreja, e disse: "Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!" Há oito dias atrás, Tomé, teimoso e incrédulo, afirmou peremptoriamente: "Se eu não vir as marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei!" Todas essas coisas que ouvimos no Evangelho deste hoje, ocorreram no Domingo de Páscoa, no Dia da Ressurreição, há precisamente uma semana.

          Hoje é a Oitava da Festa pascal, o Domingo seguinte. E como no Domingo passado, também hoje, neste Domingo, o Senhor vem ao encontro dos seus discípulos e coloca-se no meio deles. Será sempre assim: a cada oito dias os cristãos reunidos experimentarão na Palavra proclamada e no Sacrifício eucarístico celebrado, a presença real, viva e atuante Daquele que ressuscitou e caminha conosco, ou melhor, caminha à nossa frente. E como Tomé, nós, a cada Domingo, admirados, exclamamos: "Meu Senhor e meu Deus!" E queremos, emocionados, ouvi-lo novamente dizer a nossa respeito: "Acreditaste porque me viste, Tomé. Bem-aventurados os que creram sem terem visto!" Bem-aventurados nós, caríssimos meus em Cristo aqui presentes! Bem-aventurados nós que firmemente cremos no Senhor e participamos do seu Sacrifício eucarístico, ainda que não tenhamos visto o Senhor com os olhos da carne!
          Eis precisamente aqui a mensagem deste Domingo da Oitava: fazer-nos conscientes do nosso encontro, da nossa comunhão real, íntima, transformante, com o Senhor ressuscitado. Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo na Eucaristia – e, por isso mesmo, faltar à Missa dominical é excluir-se da Comunidade dos discípulos, é "ex-comungar-se", é colocar-se fora da Comunhão com o Ressuscitado e aqueles aos quais ele chama de "meus irmãos"... Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo nesta Eucaristia, não começou aqui; iniciou-se no nosso Batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito Santo do Ressuscitado, passando a viver nele que, no seu Espírito, veio realmente viver em nós! Três misteriosas palavras da Missa de hoje exprimem este mistério. Ei-los: (1) A palavra da segunda leitura: o Autor sagrado afirma que quem crê em Jesus nasceu de Deus e vive uma vida de amor aos irmãos. Quem crê em Jesus, diz ele, vence o mundo, vence o pecado, vence a tragédia de uma vida sem sentido, distraída apenas com eventos, futilidades e copas do mundo. Eis as suas palavras: "Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" E, então, acrescenta de modo belo, forte, surpreendente e misterioso: "Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue. E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade". Caríssimos, que palavras impressionantes! Se nossos irmãos protestantes as compreendessem pediam imediatamente a comunhão com a Igreja de Cristo! Aqui o Autor sagrado está falando do Batismo e da Eucaristia. Vence o mundo quem crê em Jesus; não num Jesus do passado, mas num Jesus que está vivo e na força do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que ele derramou sobre nós, vem ao nosso encontro, habita em nosso íntimo. Como? Pelos sacramentos! É nos sacramentos que recebemos o Espírito Santo, é nos sacramentos que o Senhor entra em comunhão conosco e nós com ele. Ele vem continuamente, vivo e vivificador pela água do Batismo e o Sangue da Eucaristia! Nos santos sacramentos, nós experimentamos Jesus, recebemos a vida de Jesus e podemos testemunhar ao mundo que Jesus está vivo e atuante! Que realidade tão misteriosa; que graça tão grande: Jesus é o que vem sempre à sua Igreja na água e no sangue; e ambos nos dão o Espírito Santo de Jesus! (2) A segunda palavra desta liturgia é da oração inicial. Ali a Igreja nos ensinou a pedir ao Pai que compreendêssemos melhor "o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu". Mais uma vez o Batismo e a Eucaristia que, dando-nos o Espírito de Jesus, nos colocam em comunhão íntima com ele. (3) Finalmente, as palavras da Entrada da Missa de hoje, como aparecem no Missal, tiradas da Primeira Epístola de são Pedro: "Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação! (2,2). A Igreja pensa nos que foram batizados na Vigília Pascal, nossos irmãozinhos em Cristo, criancinhas no Senhor. Que recebendo a cada Domingo a Eucaristia, puro alimento espiritual, possam – eles e nós – crescer na salvação.
          Ora, caríssimos, se vivemos mergulhados nesse mistério tão grande, que é a real e íntima comunhão com o Senhor ressuscitado, se experimentamos sua força e sua graça nos sacramentos, se nele, Vencedor da morte, somos criaturas nova, então vivamos de modo novo. E não somente de modo individual, mas como Comunidade dos salvos e redimidos por Cristo. Vede, irmãos meus, o exemplo descrito na Primeira leitura, a Igreja católica de Jerusalém, logo após a Ressurreição e o Dom do Espírito: nós éramos "um só coração e uma só alma", sabíamos repartir amor e bens, colocando a vida em comum, e toda a nossa vida comunitária era uma clara proclamação da novidade, da alegria e da esperança de quem sabia e vivia a Ressurreição do Senhor. Dois mil anos após, não damos mais a impressão de um bando de discípulos sonolentos e cansados? Não parecemos mais uns conformados e desanimados, mornos pelo peso do tempo? Nossa vida, será que não exprime mais comodismo e falta de fé, que aquela feliz exultação de quem tem sempre Jesus diante dos olhos? Sabem o motivo disso, meus caros? Falta de comunhão viva com o Senhor na sua Palavra, na oração e, sobretudo, nos sacramentos! Muitos de nós temos uma fé fria, formal, burocrática, teórica. Não é a idéia, mas o amor que dá sentido e gosto à vida!
          Caros meus, aprendamos a nos reaproximar de Jesus! Ele está vivo aqui, na Palavra, na Eucaristia, nos irmãos, na vida. Se aprendermos a vê-lo, mais uma vez, cheios de pasmos, exclamaremos como o duro Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!" Que ele no-lo conceda por sua graça. Amém.

D. Henrique Soares




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pARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (dIÁCONOS OU mINISTROS
EXTRAORDINÁRIOS DA PALAVRA):

LOUVOR (QUANDO O PÃO SAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR) -         Jo 20,19-31
- COM JESUS, por jesus e em Jesus NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, MEU SENHOR E MEU DEUS, ALELUIA!
- Deus da Vida, nós Vos bendizemos pela ressurreição do Vosso Filho Jesus, e pela vida nova que concedeis a todos que o seguem. Nós Vos pedimos por todas as comunidades cristãs.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, MEU SENHOR E MEU DEUS, ALELUIA!
- Bendito sejais, Deus e Pai de Jesus Cristo nosso Senhor, a Vós louvor, honra e glória, porque nos fizestes renascer pela ressurreição de Jesus Cristo. Nós Vos pedimos por todos os nossos irmãos e irmãs que passam provações. Inspirai-nos as palavras que possam suscitar neles coragem e esperança.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, MEU SENHOR E MEU DEUS, ALELUIA!
- Nós Vos damos graças pelo Sopro do Vosso Espírito Santo, que renova as nossas comunidades na Eucaristia. Que a Vossa paz esteja sempre conosco. Que o Vosso Espírito guie a nossa fé e que possamos confessar-Vos: Meu Senhor e meu Deus.
T: LOUVOR E GLÓRIA A VÓS, MEU SENHOR E MEU DEUS, ALELUIA!

- PAI NOSSO... A paz de cristo... eis o cordeiro...