quinta-feira, 14 de março de 2019

II Dom. da Quaresma 2019 ano C, homilia dominical, subsídios homiléticos


II Dom. da Quaresma 2019 ano C (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Sinopse:
TEMA: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”  Somos convidados a refletir sobre a nossa conversão a Deus.
Iª leitura: Como Abraão, somos convidados a “acreditar” que Deus é fiel.
Evangelho: O projeto de Jesus se realiza através da entrega da vida e do amor que se dá até a morte.
IIª  leitura: A nossa transfiguração se dá no amor, sob o sinal da cruz de Jesus.

  LEITURA– Gen 15,5-12.17-18
Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar»: «Assim será a tua descendência». Abrão acreditou [ ]. Disse-lhe Deus: «Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur [ ], para te dar a posse desta terra». «Toma uma vitela, uma cabra e um carneiro, uma rola e um pombinho». Abrão cortou-os ao meio [ ]. Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um braseiro fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados. Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abrão uma aliança, dizendo: «Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates».

AMBIENTE - As tradições patriarcais são reflexões teológicas destinadas a apresentar modelos de vida e de fé. Os clãs de Abraão, Isaac e Jacob tinham os seus sonhos e esperanças. O denominador comum desses sonhos era a esperança de encontrar uma terra fértil e bem irrigada, bem como possuir uma família forte e numerosa que perpetuasse a “memória” da tribo. Abraão lamenta porque a sua vida está no fim e o seu herdeiro será um servo Eliezer. Qual será a resposta de Deus ao lamento de Abraão?

MENSAGEM - Deus lhe garante uma descendência numerosa “como as estrelas do céu”. Abraão acredita em Jahwéh e, por isso, o Senhor considerou-o como justo. A fé é uma confiança total aos desígnios de Deus. O misterioso cerimonial é um rito de conclusão de uma aliança de povos antigos: cortavam-se os animais em dois e pronunciava contra si próprio uma espécie de maldição, para o caso de ser responsável pela quebra do pacto. O catequista bíblico acentua a ideia de um compromisso solene e irrevogável que Deus assume com Abraão. Repare: Deus não exigiu nada de Abraão. A promessa de Deus a Abraão é totalmente gratuita.

ATUALIZAÇÃO Abraão está velho, sem filhos, sem a terra sonhada. A resposta de Abraão é confiar totalmente em Deus, aceitar os seus projetos e pôr-se ao serviço dos desígnios de Jahwéh.
O Deus que se revela a Abraão é um Deus que se compromete com o homem e cujas promessas são gratuitas. Somos convidados a confiar, mesmo em meio a uma tempestade. Ele acompanha-nos, ama-nos e é a rocha segura a que nós podemos agarrar.

SALMO RESPONSORIAL / 26 (27)
O Senhor é minha luz e salvação.
• O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo?/
      O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?
• Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, / atendei por compaixão! /
     Meu coração fala convosco confiante,/ é vossa face que eu procuro.
• Não afasteis em vossa ira o vosso servo, / sois vós o meu auxílio! /
     Não me esqueçais nem me deixeis abandonado, / meu Deus e Salvador!
• Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes. /
     Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!

EVANGELHO – Lc 9,28b-36
Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes [ ]. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, [ ]. Pedro e os companheiros caiam de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. [ ], Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». [ ]. Enquanto falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram segredo do que tinham visto.

AMBIENTE - Jesus anunciou a salvação aos pobres, proclamou a libertação aos cativos, fez os cegos recobrar a vista, libertou os oprimidos, proclamou o tempo da graça do Senhor. À volta de Jesus já se formou esse grupo dos que acolheram a oferta da salvação (os discípulos). Eles já descobriram que Jesus é o Messias de Deus e que o messianismo de Jesus passa pela cruz e que devem seguir o mesmo caminho de amor e de entrega da vida; mas, antes de subirem a Jerusalém, recebem a revelação do Pai que atesta que Jesus é o Filho bem amado.

MENSAGEM - O relato é uma catequese sobre Jesus, o Filho de Deus, que através da cruz se dá ao projeto de vida. O “monte” situa-nos num contexto de revelação (é “no monte” que Deus Se revela e que faz aliança com o seu Povo); a “mudança” do rosto e as vestes resplandecentes recordam Moisés, ao descer do Sinai; a nuvem indica a presença de Deus conduzindo o seu Povo através do deserto. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus); além disso, pela catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva. Eles falam com Jesus sobre a sua “morte” (“exodon” – “partida”). A morte de Jesus é uma morte libertadora, que trará o Povo da escravidão para a terra da liberdade.
::: Jesus é o Filho amado de Deus, através de quem o Pai oferece aos homens uma proposta de aliança e de libertação. As figuras de Moisés e Elias (Lei e Profetas) apontam para Jesus e anunciam a salvação definitiva que, n’Ele, irá acontecer. Essa libertação dar se- á na cruz de amor total. É esse o “novo êxodo”, o dia da libertação definitiva do Povo de Deus. O “sono” é simbólico: os discípulos “dormem” porque não querem entender que a “glória” do Messias tenha de passar pela experiência da cruz e da entrega da vida; a construção das “tendas” parece significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus.

ATUALIZAÇÃO O Filho de Deus, vai concretizar o plano libertador através da entrega total de Si por amor. A “transfiguração” anuncia a vida nova que daí nasce; a ressurreição.
Os discípulos que partilham da transfiguração não aceitam que o projeto libertador passe pela cruz. Eles não entendem um Deus que Se manifesta no serviço e no amor (dormem).
Os discípulos não têm muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. São os que vivem de olhos postos no céu, sem vontade de intervir para transformar. A religião é um compromisso com Deus que Se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.

LEITURA II – Filip 3,17-4,1
Sede meus imitadores [ ]. Porque há muitos,  [ ] que procedem como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição: têm por deus o ventre,  [ ] e só apreciam as coisas terrenas. Mas a nossa pátria está nos Céus,  [ ] Jesus Cristo transformará o nosso corpo, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso,[ ]. Portanto, meus amados [ ] , permanecei firmes no Senhor.

AMBIENTE - Na prisão (em Éfeso?), Paulo agradece aos Filipenses, exorta-os à fidelidade e os põe de sobreaviso em relação aos falsos pregadores que confundiam os cristãos e punham em causa o essencial da fé (o Evangelho não é o cumprimento de ritos externos, mas a adesão à proposta de salvação que Deus nos faz em Jesus).

MENSAGEM - Os Filipenses têm dois exemplos a seguir. Um é o de Paulo, outro os pregadores “judaizantes” que dizem participar já, no triunfo de Cristo. Paulo recusa este triunfalismo e pede que não imitem esses pregadores, mas o exemplo do próprio Paulo.  Paulo avisa que A salvação não está consumada; encontra-se ainda em processo de gestação. Vamos amadurecendo progressivamente, sob o signo da cruz de Cristo.  Quanto a esses, “cujo deus é o ventre e colocam o seu coração nas coisas terrenas”, esses esqueceram o essencial e estão condenados à perdição. O nosso destino é um corpo transfigurado pela ressurreição. Como garantia de que será assim, temos Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

ATUALIZAÇÃO somos convidados a ter consciência de que a nossa caminhada em direção ao Homem Novo não está concluída; trata-se de um processo construído dia a dia sob o signo da cruz, isto é, numa entrega total por amor que subverte os nossos esquemas egoístas e comodistas.
Considerar-se como alguém que já atingiu a meta da perfeição pela prática de alguns ritos externos é orgulho e autossuficiência: significa que ainda não percebemos onde está o essencial – na mudança do coração. Só a transformação radical do coração nos conduzirá a essa vida nova, transfigurada pela ressurreição.


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No monte Tabor

Estamos no 2º domingo da Quaresma.
A Liturgia nos convida a subir o Monte Tabor para fortalecer a nossa fé em nossa caminhada quaresmal.

A Quaresma é o caminho de nossa transfiguração em Cristo.
O Tabor é uma parada que Jesus faz em sua caminhada para o Calvário.
É o lugar onde Deus reanima seus amigos e lhes dá as forças necessárias para chegar também eles à cruz.

As leituras apresentam pistas para a nossa "TRANSFIGURAÇÃO".

A 1ª Leitura nos fala da FÉ DE ABRAÃO. (Gn 15,5-12.17-18)

Abraão já está velho, sem filhos, sem a terra sonhada e sua vida parece condenada ao fracasso.
Deus lhe garante a Posse de uma Terra e uma descendência numerosa...
Ele confia totalmente em Deus e se põe a serviço dos desígnios do Senhor.

* Abraão é um modelo de fé: confia totalmente em Deus, aceita os planos de Deus e se põe a serviço deles.

Na 2a leitura, PAULO mostra sua FÉ na transfiguração, apesar do que via e condenava na comunidade:
  "Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorificado". (Fl 3,17-4,1)

* A nossa transfiguração e a transformação do mundo atual exigem um processo contínuo de conversão.

O Evangelho apresenta a FÉ DOS APÓSTOLOS, fortalecida na MONTANHA pela Transfiguração de Jesus. (Lc 9,28b-36)

Jesus está a caminho de Jerusalém com os Apóstolos.
O 1o anúncio da PAIXÃO provoca neles uma crise profunda...
Desmoronam as esperanças messiânicas, impregnadas de triunfalismo...
Os Apóstolos, decepcionados, entram numa profunda crise.

Para reanimar a fé abalada deles, Jesus...
- recorre à oração, na MONTANHA, lugar sagrado por excelência, onde Deus se revela ao homem e lhe apresenta seus projetos.
- se transfigura: Todo encontro autêntico com Deus deixa marcas visíveis no rosto das pessoas, como em Moisés ao descer do Sinai;
- Uma Voz confirma: "Este é o meu filho amado, escutai-o".

  Ao descer do monte, uma nova energia inundaria a sua pessoa e o coração dos apóstolos, para continuar a marcha para Jerusalém, onde seria crucificado...

+ PORMENORES significativos do evangelho de Lucas:
- O Motivo da ida à Montanha: "Ele vai lá para orar..."
- O rosto deixa transparecer a presença de Deus durante a Oração.
- Aparecem Moisés e Elias que falam sobre o que encontrará em Jerusalém.
  Representam a Lei e os Profetas: o Antigo Testamento...
- Os três discípulos dormem, quando Jesus fala de doação da própria vida...
- As três Tendas: Pedro deseja permanecer contemplando o transfigurado.
   Jesus convida a descer o monte e prosseguir a caminhada...
   Não podemos nos acomodar em nossa tenda; precisamos SAIR, agir e enfrentar os conflitos da caminhada.
- Da nuvem sai uma VOZ: "Este é meu Filho, ESCUTAI-O".
- No fim, "Jesus ficou sozinho": Moisés e Elias desaparecem...
   O Antigo Testamento já cumpriu sua tarefa.

OS TRÊS DISCÍPULOS:
- partilham a experiência da transfiguração, mas recusam-se a aceitar que o triunfo de Cristo passe pelo sofrimento e pela cruz;
- testemunham a transfiguração, mas parecem não ter muita vontade de descer à terra e enfrentar o mundo e os problemas dos homens;
- representam os que vivem de olhos postos no céu, mas alheados na realidade do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar.

Agentes da transfiguração:
- Nós, como os apóstolos, deparamos com a cruz... E a primeira reação costuma ser a mesma: fugir dela.
  Aceitamos com alegria o Tabor... mas temos dificuldade em aceitar o Calvário.
- Nesses momentos, para reanimar a nossa fé, Deus continua "inventando" também para nós um Tabor,   dando-nos uma pequena amostra de sua beleza e de sua glória.
- Contudo é bom lembrar que, o Tabor foi apenas uma parada que Jesus fez em seu caminho para o Calvário.
  Também para nós, o Tabor continua sendo uma situação transitória, para que sejamos testemunhas vivas do que nos espera...

+ O Nosso Tabor...
A transfiguração aconteceu oito dias após o anúncio da Paixão...
Para os cristãos, o 8º Dia é o "Dia do Senhor", no qual a comunidade se reúne para escutar a Palavra e para partir o Pão.

Todos os domingos, devemos SUBIR a Montanha para CONTEMPLAR o Cristo transfigurado (ressuscitado) e ESCUTAR a sua voz.
E depois, transfigurados, DESCER a Montanha (sair da igreja) para prosseguir a nossa caminhada como agentes da transfiguração, dispostos a enfrentar o mundo e os seus problemas...

* O que fazemos no DOMINGO?
SUBIMOS a Montanha... para contemplar esse Rosto... para escutar essa Voz?
e depois DESCEMOS reanimados para prosseguir a nossa caminhada?
A nossa fé na transfiguração nos deve levar a transfigurar todo o nosso ser e transformar o mundo que nos rodeia. A humanidade se transforma e renasce quando escuta a Palavra do Pai em seu Filho e a põe em prática.

                                      Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, entramos no segundo domingo da quaresma, buscamos, a partir da Palavra de Deus e da Celebração, confirmar nossa caminhada. Sem a Bíblia não temos força para caminhar. Sem a Eucaristia não temos força para caminhar. O Concílio Vaticano segundo, no documento chamado Dei Verbum, vai dizer, que a Eucaristia e a Palavra de Deus tem o mesmo valor e o mesmo significado, porque ambas tratam da encarnação de Deus. A Palavra de Deus, quando é lida e proclamada, ela tem a encarnação; o Verbo se faz carne. Por que? A Palavra é transmitida através de uma pessoa e quando Celebramos a Eucaristia, o pão e o vinho se faz carne; são estas duas grandezas que compõem a missa (Celebração Eucarística). A Celebração Eucarística, portanto, é o ápice, o mais importante da nossa caminhada de fé, porque é o momento em nós nos encontramos com Deus. Agora, somos pessoas sensíveis. O que significa isto? Nós conseguimos nos comunicar através do ouvido, a audição. Através do olhos, a visão. Através do olfato, o cheiro. Através do paladar, o gosto. Através da voz, do tato, o que significa, que somos necessitados de sinais concretos, não só de idéias para celebrar a nossa fé. A nossa fé não é uma idéia, um pensamento. A nossa fé, diz o papa Bento XVI, é na pessoa concreta; é Jesus. Portanto, a nossa fé não é uma aventura, mas algo verdadeiro, que eu posso, inclusive, identificar na história. Por que eu estou dizendo tudo isto? Porque é a liturgia que vai nos ajudar a celebrar, é a liturgia que vai criar o ambiente, clima necessário para encontrar-me com Deus. Muitas pessoas dizem: “a Celebração Eucarística (missa) é a mesma coisa”.  Na realidade, esta pessoa não entendeu bem. É a mesma coisa, porque ela, talvez, tenha a mesma postura em cada missa, mas cada Celebração é um encontro com Jesus. Cada Celebração é um encontro com Deus. Como eu preciso ver, ouvir, sentir o sabor, tocar, então, a liturgia cria este recurso, para que este encontro com Jesus seja festivo, seja solene. Daí, os cânticos, por exemplo, daí o porque temos a leitura da Palavra de Deus com toda solenidade. Daí o porque temos o momento da consagração, onde, para chamar mais a nossa atenção, embora NÃO SEJA NECESSÁRIO. É evidente, que quem participa realmente da Celebração, deve fazer a sua parte. Veja, que também Abraão está num ambiente litúrgico. Naquele tempo, ofereciam animais. Quem aboliu isto foi Jesus, quando ofereceu a si mesmo como cordeiro. Eles abriram o animal no meio, um novilho e fez toda uma Celebração. A noite, passou como um braseiro na carne, confirmando a aliança entre Deus e Abraão. O sinal desse braseiro nós temos até hoje; é a vela acesa. É para nos lembrar desse braseiro, desse fogo que vem de Deus, exatamente, para confirmar a nossa Celebração, o nosso culto. Claro, que é um braseiro simbólico, porque o grande sinal é o Círio Pascal, o grande fogo que veio do céu, que celebraremos no Sábado santo de maneira solene, esta luz que é Cristo.
Agora, temos também, no Evangelho de hoje a Palavra de Deus dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem deposito minha confiança. Ouvi-o”
Temos, então, o sinal sensível, que é o fogo, que eu vejo e se puser a mão ele queima, como eu tenho o sinal sensível que é a Palavra de Deus, que eu ouço e acabamos de ouvir a pouco. Tanto a primeira leitura, a segunda, o Evangelho, como o salmo também.
Agora, é partindo disto, que somos chamados a por em prática, aquilo que nos é falado por Deus. Já fomos purificados e confirmados, através do fogo do Espírito Santo; através do Batismo e, poderíamos dizer, seria também através da Crisma. Ora, estamos purificados. Agora resta ouvir os conselhos de Deus e por em prática. É aqui que começa a dificuldade, porque o momento litúrgico nos ajuda a nos preparar para a missão, mas a missão não deve acontecer aqui dentro. Aqui dentro acontecem serviços. Por que? Assim como uma festa, um jantar em casa, você precisa que pessoas ajudem para que tudo corra bem, também na Celebração; temos pessoas que nos acolhem, pessoas que nos ajudam na comunhão, pessoas que cuidaram da limpeza, ornamentação, pessoas que fazem as leituras para nós, temos pessoas que ensaiaram e nos ajudam a cantar na Celebração, temos pessoas que procuram manter todo o ambiente adequado: isto é um serviço. A nossa missão é fora daqui. A nossa missão é com aqueles que são contrários a cruz de Cristo, a compreender, que é através da Cruz, que Ele nos trouxe a salvação. Aqui, não estou me referindo a religiões, que não aceitam a cruz. Estamos falando de pessoas que não aceitam Jesus Cristo. Dificilmente, você encontrará alguém que diz que não aceita Jesus. A pergunta será; por que? E a pessoa não saberá responder. A maioria irá dizer que aceita Jesus, mas na hora de por em prática o que Ele ensina, aí damos um jeitinho. Isto é o que o Papa Bento XVI chamou de hipocrisia. Se eu aceito Jesus, eu aceito o que Ele fala e acabou. Não há porque ter medo em dizer: Eu creio em Jesus Cristo. Não há que ter medo de anunciar a cruz de Cristo. Alguns vão argumentar: Mas eu vou anunciar o objeto de suplício de Jesus? Ora, este objeto também é um sinal sensível, porque Jesus nos apresenta um programa de vida e por conta desse programa, acabou assumindo a Cruz. Mas, Ele não apresentou somente a cruz; a cruz faz parte, mas não é a única revelação que Jesus nos oferece. Eu sempre falei e é bom lembrar, que esta cruz que colocamos no altar, deve ser menor do que o corpo, de propósito, para as pessoas não pensarem que Jesus é só cruz. Ao contrário, Jesus é aquele que abraçou a cruz. A cruz é muito menor do que Ele. Jesus é maior do que qualquer idéia que podemos fazer. Ele é o Filho amado de Deus. Ele é aquele que dá sentido às palavras de Moisés e de Elias. Ele é aquele que garante vida eterna as pessoas. O mundo precisa saber disto, porque muitas pessoas não tem mais esperança. Como oferecer esperança sem iludi-las? É através de Jesus. Porque Jesus nos apresenta o amor de Deus, mas também nos chama ao compromisso. Por isso, temos este salmo belíssimo; “o Senhor é minha luz e salvação”. Por quê? Porque sem Ele, não temos esperança.
A proposta para esta semana, nesta segunda semana da quaresma, é ajudar as pessoas a se transfigurar; ir além da imagem, não parar nesta imagem, mas perceber o que está por detrás dessa imagem. Jesus, aparentemente, é só homem, mas atrás dessa imagem, tem um Deus vivo e verdadeiro. Quais são as imagens que somos chamados a transfigurar? Talvez, começando por cada um de nós, diante do Senhor, ganhar um sentido novo na vida. Transfigurar, talvez, a juventude. A tantos que estão buscando a felicidade e a esperança e procuram em lugares equivocados. Jesus é a pessoa que pode dar esperança, segurança. Transfigurar as famílias. Muitos já não vêem valores na família e não aguentam viver em família. Talvez, não conseguem ver que são esta luz de Cristo no mundo. Há tantos que não conseguem se transfigurar, que já desanimaram da vida. É aí que entra o nosso trabalho. Para que tenhamos força e coragem de enfrentar isto, é que os reunimos na liturgia, na Celebração Eucarística, para ouvirmos a Palavra e nos alimentar do Corpo e do Sangue do Senhor. Não desanimemos, mas nos renovemos nossa disposição de sermos anunciadores da Ressurreição do Senhor.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho

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Homilia de D. Henrique Soares

A Palavra de Deus apresenta-nos um contraste entre escuridão e luz: escuridão da noite do Pai Abraão e luz do Cristo transfigurado; (2) chama atenção com um evangelho tão estrondoso como o da Transfiguração.
Na primeira leitura, Abraão nos é apresentado numa profunda crise; Deus tinha lhe prometido descendência e uma terra e, quase vinte e cinco anos após sua saída de sua pátria e de sua família, o Senhor ainda não lhe dera nada! Numa noite escura, noite da alma, Abraão, não mais se conteve e perguntou: “Meu Senhor Deus, que me darás?” (Gn 15,2) Deus, então, “conduziu Abrão para fora e disse-lhe: ‘Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz! Assim será a tua descendência!” Deus tira Abraão do seu mundozinho, de seu modo de ver estreito, da sua angústia, e convida-o a ver e sentir com os olhos e o coração do próprio Deus. “Abrão teve fé no Senhor”. Abraão esperou contra toda esperança, apostando tudo no Senhor, apoiando nele todo seu futuro, toda de sua existência! Abraão creu! Por isso Deus o considerou seu amigo, “considerou isso como justiça!” E, como recompensa Deus selou uma aliança com nosso Pai na fé: “’Traze-me uma novilha, uma cabra, um carneiro, além de uma rola e uma pombinha’. Abrão trouxe tudo e dividiu os animais ao meio. Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. Quando o sol ia se pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror”. Abrão entra em crise: no meio da noite – noite cronológica, atmosférica; noite no coração de Abrão – no meio da noite, as aves de rapina ameaçam, e o sono provocado pelo desânimo e a tristeza, rondam nosso Pai na fé... Deus demora, Deus parece ausente, Deus parece brincar com Abraão! Tudo é noite, como muitas vezes na nossa vida e na vida do mundo! Mas, ele persevera, vigia, luta contra as aves rapineiras e o torpor... E, no meio da noite Deus passa, como uma tocha luminosa: “quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo... Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão”. Observemos o mistério: Deus passou, iluminou a noite; a noite fez-se dia“Naquele dia, Deus fez aliança com Abrão!” Abraão, nosso Pai, esperou, creu, combateu, vigiou e a escuridão fez-se luz, profecia da luz que é Cristo, cumprimento da aliança prometido pelo Senhor! “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem tremerei?” Eis o cumprimento da Aliança com Abraão: Cristo, que é luz, Cristo que hoje aparece transfigurado sobre o Tabor!
No evangelho, Jesus estava rezando – “subiu à montanha para rezar” - e, portanto, aberto para o Pai, disponível, todo orientado para o Senhor Deus: Cristo subiu para encontrar seu Deus e Pai! E o Pai o transfigura. Sim, o Pai! é a voz do Pai que sai da nuvem e apresenta Aquele que brilha em luz puríssima: “Este é o meu Filho, o Escolhido!” E a Nuvem que o envolve é sinal do Espírito de Deus, aquela mesma glória de Deus que desceu sobre a Montanha do Sinai (cf. Ex Ex 19,16), sobre a Tenda de Reunião no deserto (cf. Ex 40,34-38), sobre o Templo, quando foi consagrado (cf. 1Rs 8,10-13) e sobre Maria, a Virgem (cf. Lc 1,35). É no Espírito Santo que o Pai transfigura o Filho! Na voz, temos o Pai; no Transfigurado, o Filho; na Nuvem luminosa, o Espírito! E aparecem Moisés e Elias, simbolizando a Lei e os Profetas. Aqui, não nos percamos em loucas divagações e ignóbeis (sem no nobreza, fútil) conclusões, como os espíritas, que de modo louco, querem provar com este texto que os mortos se comunicam com os vivos! Trata-se, aqui, de uma visão sobrenatural, não de uma aparição fantasmagórica e natural! Moisés e Elias, que “estavam conversando com Jesus... sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém”. Aqui é preciso compreender! Um pouco antes – Lucas diz que oito dias antes (cf. 9,28) – Jesus tinha avisado que iria sofrer muito e morrer; os discípulos não compreendiam tal linguagem! Agora, sobre o monte, eles vêem que a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) davam testemunho da morte de Jesus, de sua Páscoa! Sua paixão e morte vão conduzi-lo à glória da Ressurreição, glória que Jesus revela agora, de modo maravilhoso! Assim, a fé dos discípulos, que dormiam como Abraão, é fortalecida, como o foi a de Abraão, ao passar a glória do Senhor na tocha de fogo! A verdadeira tocha, a verdadeira luz que ilumina nossas noites sombrias e nossas dúvidas tão persistentes é Jesus!
Este evangelho logo no início da Quaresma, Precisamente porque estamos caminhando para a Páscoa: a de 2013 e a da Eternidade. Atravessando a noite desta vida e tempo quaresmal, estamos em tempo de oração, vigilância e penitência! A Igreja, como Mãe, carinhosa e sábia, nos anima, revelando-nos qual o nosso objetivo, qual a nossa meta, o nosso destino: trazer em nós a imagem viva do Cristo ressuscitado, transfigurado pelo Espírito Santo do Pai. Escutemos São Paulo: Nós somos cidadãos do céu. Esperamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso. Assim, meus irmãos, continuai firmes no Senhor!” Compreendem? Se mantivermos o olhar firme naquilo que nos aguarda – a glória de Cristo –, teremos força para atravessar a noite desta vida e o tempo da Quaresma. Somos convidados à perseverança de Abraão, ao seu combate na noite, à vigilância e à esperança, somos convidados a não sermos “inimigos da cruz de Cristo, que só pensam nas coisas terrenas”, somos convidados a viver de fé, a combater na fé! Este é o combate da Quaresma, este é o combate da vida: passar da imagem do homem velho, com seus velhos raciocínios e sentimentos, ao homem novo, imagem do Cristo glorioso! Se formos fiéis, poderemos celebrar a Páscoa deste ano mais assemelhados ao Cristo transfigurado pela glória da Ressurreição e, um dia, seremos totalmente transfigurados à imagem bendita do Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina na glória imperecível. Amém!

D. Henrique Soares.

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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO...
- Por Jesus, COM JESUS e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, abri nossos corações para acolher os vossos ensinamentos.
- Ó Deus de Abraão, Deus de nossos pais na fé, nós Vos bendizemos e Vos reconhecemos como o Pai de incontáveis crentes que Vós multiplicastes como as estrelas do céu e a areia do deserto. Nós vos pedimos por todos os crentes que se reconhecem filhos de Abraão em diferentes confissões; Que o vosso Espírito nos guie para a unidade.
T: Pai, abri nossos corações para acolher os vossos ensinamentos.
- Pai, nós vos damos graças porque nos destes a dignidade de sermos cidadãos do Céu e nos destes Jesus como modelo para nos guiar. Que o Vosso Espírito nos transforme à imagem do corpo glorioso de vosso Filho.
T: Pai, abri nossos corações para acolher os vossos ensinamentos.
- Ó Deus de luz, bendito sejais por estes momentos de oração em cada domingo. Vós nos elevais sobre a montanha com Jesus e os discípulos. Como é bom estarmos aqui, na vossa presença. Nós vos pedimos: abri os nossos corações à Palavra viva do Vosso Filho bem-amado, para que sempre o escutemos e sigamos os seus passos.
T: Pai, abri nossos corações para acolher os vossos ensinamentos.
- PAI NOSSO... A PAZ... EIS O CORDEIRO DE DEUS...


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Há alguns anos um grande amigo meu, que trabalhava na Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, comentou que havia uma tendência, dentre alguns colegas padres, de chamar inadequadamente o II Domingo da Quaresma de Domingo da Transfiguração, quase que equiparando-o à Festa da Transfiguração do Senhor que se celebra no dia 06 de agosto. Desta forma, estaríamos diante de uma espécie de duplicata desnecessária de celebrações. Contudo, a narração da Transfiguração do Senhor no II Domingo da Quaresma não é para fazer um parêntese festivo no percurso quaresmal, mas antes de tudo, está muito bem inserida no caminho de preparação da Páscoa de toda a Igreja e, especialmente dos catecúmenos, que se deixam iluminar e purificar. Por isso, não podemos isolar a experiência da Transfiguração do Senhor do seu horizonte mais concreto, isto é, a paixão, morte e ressurreição do Filho eleito do Pai.
Na Quaresma não se abre espaço para “se festejar” a Transfiguração, mas somos convidados a fazer a experiência da subida do Tabor para lá realizarmos uma parada estratégica a fim de continuar a estrada que nos leva ao Calvário. E assim, vencendo toda a tentação de fuga e acomodação, mergulhar no mistério da ressurreição, que dá início à plenitude da vida. A experiência da manifestação da glória de Jesus não nos aliena do horizonte da vida, muitas vezes marcado por obstáculos, sofrimentos, lutas, dor e cruz. Mas reforça as nossas disposições para o combate na luta contra o mal e contra tudo aquilo que desfigura a vida humana e a criação, pois estas precisam ser transfiguradas pela força da cruz e pela luz da ressurreição.
Só entenderemos o profundo significado da Transfiguração se considerarmos com atenção o que nos é dito, de forma muito precisa, no início da narração: “E aconteceu que cerca de oito dias depois destas palavras…”. Infelizmente, por questões de adaptação das perícopes à leitura litúrgica, no lecionário, esta introdução chave foi substituída por “Naquele tempo”. Contudo, retomemos a leitura como está no seu contexto evangélico original.
Numa leitura atenta da narração da Transfiguração certamente far-se-ia uma pergunta: que “palavras são estas ditas há cerca de oito dias”? Em síntese, aqui se faz uma referência à profissão de fé de Pedro, ao primeiro anúncio da paixão e às exigências do seguimento de Jesus. Tudo isso coroado com a promessa de Jesus: “Eu vos digo, em verdade, alguns dos presentes não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus”.
Tomando consigo Pedro, Tiago e João”, Jesus realiza a sua promessa de proporcionar a alguns dos presentes a confirmação de que o Reino já chegou. A escolha dos três não representa privilégio exclusivista, mas uma metodologia eficiente que corrige generalidades estéreis e imprime força e autoridade ao testemunho que deve ser dado a todos por pessoas concretas que compartilham experiências e não apenas ideias.
Se na Transfiguração faz-se a experiência de que o Reino chegou, a primeira exigência para constatar isto é a experiência de oração: “Subiu a montanha para orar. Enquanto orava…”. Oração que alimentava toda a vida terrena de Jesus e que, por sua vez, era ocasião de revelar aos discípulos quem Ele era. Para reconhecer os sinais da chegada do Reino é preciso sair do nível rasteiro da vida, da superficialidade irresponsável e galgar alturas que ajudem a enxergar com profundidade e amplitude. Por isso, Jesus conduz três dos seus discípulos à montanha para orar.
Não se diz explicitamente que era noite, mas o fato de “subir à montanha para orar”, em comparação com outras passagens do evangelho, faz-nos pensar que era noite, e confirma-o o fato: “Pedro e os companheiros estavam pesados de sono (grego:bebareménoi hipnô: sobrecarregados no sono). O sono na Tradição bíblica indica, muitas vezes, a realidade da morte espiritual, resultado de um estado de alienação e fuga, sobretudo diante do sofrimento e obstáculos. Tanto que os mesmos discípulos, mais tarde no horto, adormecidos, serão despertados pelo próprio Senhor, que se prepara para o grande momento do seu sofrimento e morte (Lc 22,45). Portanto, para perceber a chegada do Reino é preciso despertar, e permanecer vigilantes. Os discípulos em plena escuridão: “Ao despertarem viram a sua glória”. Para além de toda aparente vitória do mal (a noite, o peso do sono), o discípulo orante vislumbra a radiosa e brilhante vitória do seu Mestre.
Contudo, mesmo fazendo a experiência da luz não estão isentos da tentação do comodismo e da fuga, sobretudo quando se apegam à aparência do belo (bom): “É bom estarmos aqui”, numa tentativa (tentação) de impedir que se realize aquilo que, na conversa de Jesus com Moisés e Elias, foi anunciado: “Falavam de sua partida (grego: exodos)”. Sem o êxodo de Jesus (sua morte e ressurreição), o Reino não se realiza plenamente. A tentação das tendas pretende interromper o caminho, talvez possibilite comodidade, mas com certeza trai o projeto do Pai, que intervém substituindo as tendas que aprisionam, pela nuvem itinerante, sinal da sua presença na caminhada do povo que se tivesse se instalado no deserto, não teria chegado à terra prometida (Ex 13,21). Contudo, o novo povo não precisa mais da coluna de fogo, pois é o Filho Eleito, cujo “rosto se alterou e as vestes tornaram-se de fulgurante brancura”, a luz vinda do alto para iluminar os nossos passos (Lc 1,78). Ouvir sempre a sua voz nos ajudará a discernir os sinais da presença do seu Reino e a encontrar forças para vencer as tentações da alienação e do comodismo, que impedem a expansão do Reino. Eis, portanto, o grande desafio do nosso percurso quaresmal: na contemplação do Filho transfigurado, sermos configurados a Ele, vencendo a tentação da acomodação que desfigura aquilo que somos, isto é, a imagem e semelhança de Deus.

Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ. Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Professor nos Seminários de Campina Grande-PB, Caruaru-PE e João Pessoa-PB. Membro da Comissão Teológica Dehoniana Continental – América Latina 

Sinopse:

Segundo domingo, a partir da Palavra de Deus e da Celebração, confirmar nossa caminhada.

O documento Dei Verbum, Eucaristia e Palavra mesmo valor

Somos pessoas sensíveis. comunicar sentidos. Audição, visão, paladar, tato, paladar. Ouvido,

A liturgia que vai nos ajudar a celebrar, a liturgia cria este recurso.

Cada Celebração é um encontro com Jesus.

Abraão está num ambiente litúrgico.
Círio Pascal, o grade fogo que veio do céu

 “Este é o meu Filho amado, em quem deposito minha confiança. Ouvi-o”

Ouvir os conselhos de Deus e por em prática.

Aqui dentro acontecem serviços.

Se eu aceito Jesus, eu aceito o que Ele fala e acabou.

Ele é aquele que dá sentido às palavras de Moisés e de Elias.

Chamados a transfigurar. Ganhar um sentido novo na vida.
Renovemos nossa disposição de sermos anunciadores




quinta-feira, 7 de março de 2019

1º Domingo da Quaresma 2019 ano C, homilias, subsídios homiléticos


1º Domingo da Quaresma 2019 ano C (Diácono Ismael)

SINOPSE:
TEMA:  AS TENTAÇÕES: Muitas tentações nos impedem de renascer para a vida nova.
Primeira leitura: O Centro da vida deve ser a Palavra e não o nosso ego, pois a nossa autossuficiência, orgulho e egoísmo nos leva a caminhos de desumanidade, de desgraça e de morte.
Evangelho: Jesus recusou o poder, o êxito fácil, que passa pelo egoísmo e optou pela partilha, pelo serviço; que não impressionam as massas, mas possui uma proposta de vida plena.
Segunda leitura: Não sejamos arrogantes e autossuficientes em relação à salvação, pois ela é um dom gratuito de Deus e não uma conquista. Da nossa parte cabe a conversão e o reconhecimento de Jesus como salvador e acolher o que  Ele nos propõe. 

LEITURA I – Deut 26,4-10
Moisés falou: «O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra [ ]. E diante do Senhor, dirás: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito  [ ] até se tornar uma nação grande [ ] os Egípcios  sujeitaram-nos a dura escravidão. Então invocamos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz, [ ] O Senhor fez-nos sair do Egito com mão poderosa  [ ] Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, onde corre leite e mel. E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’.

AMBIENTE - O Deuteronômio é o “livro da Lei” descoberto no Templo no reinado de Josias (622 a.C.) Neste livro temos os dados fundamentais da teologia: há um só Deus, que deve ser adorado por todo o Povo; A confissão de fé centrava-se na ação de Deus em favor do seu Povo, sublinhando a libertação do Egito, a marcha pelo deserto e o dom da Terra. Uma dessas leis pedia que fossem oferecidos ao Senhor os primeiros frutos da terra e que o israelita fiel proclamasse, nesse contexto, a sua “confissão de fé” reconhecendo Jahwéh como o único Deus.

MENSAGEM - O gesto de oferecer os primeiros produtos da terra tem como objetivo afirmar que essa Terra é um dom de Deus. Era uma pedagogia divina contra a tentação da idolatria. Por um lado, Israel reconhece quem era o seu Senhor e que tudo era um dom do amor de Jahwéh – não de outros deuses; por outro lado, Israel era convidado a libertar-se do orgulho, do egoísmo, da autossuficiência e a reconhecer que tudo provinha de Deus. Só no amor e na ação de Deus encontrava a vida e a felicidade.

ATUALIZAÇÃO Uma das tentações é colocar a vida, a esperança e a segurança nas mãos dos falsos deuses: o dinheiro, o poder, o êxito social ou profissional no lugar de Deus.
O orgulho, o egoísmo, a autossuficiência também levam o homem dispensar Deus. Os êxitos são atribuídos ao esforço humano. Deus chega mesmo a ser visto como um estorvo que impede o homem de ser livre e feliz.
Tudo o que recebemos é de Deus e não nosso. Somos apenas administradores dos dons que Deus colocou à disposição de todos os homens. Os bens devem ser partilhados.

SALMO / 90 (91)
Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!
• Quem habita ao abrigo do Altíssimo / e vive à sombra do Senhor onipotente, / diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, / sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”.
• Nenhum mal há de chegar perto de ti, / nem a desgraça baterá à tua porta; / pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos / para em todos os caminhos te guardarem.
• Haverão de te levar em suas mãos, / para o teu pé não se ferir nalguma pedra. / Passarás por sobre cobras e serpentes, / pisarás sobre leões e outras feras.
• “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo / e protegê-lo, pois meu nome ele conhece. / Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo / e a seu lado eu estarei em suas dores”.

EVANGELHO – Lc 4,1-13
Jesus, CHEIO DO ESPÍRITO SANTO, voltou do jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito, foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e sentiu fome. O diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». Num lugar alto mostrou-Lhe os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, Se Te prostrares diante de mim». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque Anjos te levarão». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo retirou-se da presença de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

AMBIENTE - Jesus acabou de ser batizado por João e confronta-Se com outras propostas que entram em choque com a proposta do Pai. É catequese a ensinar-nos que Jesus, como nós, sentiu tentações. Sentiu a tentação de êxitos, de aplausos, de poder e de riqueza; Ele soube dizer não a essas propostas que O afastavam do plano do Pai.

MENSAGEM - Lucas apresenta uma catequese sobre as opções de Jesus, em três “parábolas”.
A primeira “parábola” Jesus poderia optar pela riqueza, utilizando o poder para resolver qualquer necessidade material… Jesus sabia que “nem só de pão vive o homem” e que o caminho do Pai não passa pela acumulação egoísta de bens, sugerindo que o seu alimento é a Palavra do Pai.
A segunda “parábola” Jesus poderia escolher um caminho de poder, de domínio, de prepotência, ao jeito dos grandes da terra. Jesus sabe que isto não é do Pai: o poder corrompe e escraviza.
A terceira “parábola” Jesus poderia ter êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado pelas multidões. Dois caminhos: a proposta do Pai e a proposta do diabo. A salvação como um Messias triunfante, ao jeito dos homens ou o caminho de obediência ao Pai e de serviço aos homens, que elimina qualquer concepção do messianismo como poder.

ATUALIZAÇÃO
Temos a lógica de Deus e a lógica dos homens. Jesus pautou pela lógica de Deus.
Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais é fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, é pagar salários de miséria, é gastar fortunas em noitadas ou em coisas supérfluas (enquanto os irmãos gemem a sua miséria).
Existe o impulso de dominar, de ter autoridade, de prevalecer sobre os outros. Por isso os pobres, os humildes têm de suportar atitudes de prepotência, de autoritarismo, de intolerância, de abuso. Este “caminho” é diabólico e não é o caminho seguido por Jesus.
Podemos, também, ceder à tentação de usar os dons de Deus para dar espetáculo e levar os outros a admirar-nos. A isto Jesus responde: não utilizarás Deus em proveito da tua vaidade e do teu êxito pessoal.

LEITURA II – Rom 10,8-13 - [  ] Se confessares que Jesus é o Senhor e acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. A Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». Não importa a diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que O invocam. Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

AMBIENTE - Estamos nos anos 57/58; a convivência entre judeu-cristãos e pagão-cristãos apresenta dificuldades, dadas as diferenças sociais e culturais. A comunidade cristã corre o risco de se dividir… Paulo escreve o que une a todos: a mesma fé em Jesus Cristo e a proposta de salvação que Ele traz.

MENSAGEM - Paulo havia criticado o orgulho e a autossuficiência dos judeus, quanto a salvação: se cumprissem a Lei, Deus não teria outro remédio senão salvá-los. Ora, a salvação não é uma conquista humana, mas um dom gratuito de Deus. Essa autossuficiência dos judeus levou-os a desprezar a salvação de Deus, oferecida gratuitamente em Jesus Cristo. Os pagãos, ao contrário, com simplicidade e humildade, acolheram a proposta de salvação que Jesus trouxe. Aos judeus Basta-lhes acolher Jesus como “o Senhor” e aceitar a sua condição de ressuscitado: isso significa aceitar que Ele veio de Deus e que a proposta de salvação por Ele apresentada tem o selo de Deus. Dessa forma nascerá um povo único, sem distinções de raça, cor ou status social. O que é importante é acolher a proposta de salvação que Deus faz através de Jesus e aderir a essa comunidade de irmãos, “justificados” pela bondade e pelo amor de Deus.

ATUALIZAÇÃO
O orgulho e a autossuficiência fecham o caminho para Deus. Os orgulhosos e autossuficientes correspondem aos “ricos” das bem-aventuranças: são os que estão instalados nas suas certezas, no seu comodismo, no seu egoísmo e não estão disponíveis para acolher o amor de Deus. Por isso, são “malditos”: se não abrirem o seu coração a Deus, recusam a salvação que Deus tem para oferecer.
Quando nos reunimos em assembleia e proclamamos Jesus como o nosso “Senhor”, somos uma comunidade de irmãos, nem “judeu nem grego”, ou continuamos a ser uma comunidade dividida, com amigos e inimigos, ricos e pobres, negros e brancos, santos e pecadores, superiores e inferiores? Somos convidados a reler o Pai Nosso à luz do Evangelho deste domingo: dá-nos o teu pão para este dia, ajuda-nos a ultrapassar a tentação!

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Homilia de D. Henrique Soares
I
O tempo quaresmal é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs.
Na primeira leitura, o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Por isso eu trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”. Éramos ninguém e o Senhor nos libertou, deu-nos uma vida nova – eis o resumo da história e da experiência de Israel! Esta também é a nossa experiência, como Igreja, Novo Israel: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Também a nossa história é de libertação: éramos escravos, o Pecado que nos destrói e destrói o mundo. Mas Deus enviou o seu Filho numa carne de pecado (numa natureza sujeita às conseqüências do pecado): ele desceu a este mundo e entrou na nossa miséria, até a morte, a nossa morte. Deus o arrancou da morte; ressuscitou-o e fez dele Senhor e Cristo e quem nele crer e confessá-lo como Senhor na sua vida, encontra a salvação; encontra um novo modo de viver, encontra a paz, encontra já agora a comunhão com Deus e, depois, a Vida eterna! Assim, Israel nasceu da Páscoa do deserto; a Igreja nasceu da Páscoa de Cristo. Israel era escravo, atravessou o mar e o deserto e tornou-se um povo livre para o Senhor. Nós éramos escravos, éramos ninguém, atravessamos as águas do Batismo com Cristo, e ainda que caminhemos neste deserto da vida, somos um povo livre para o Senhor nosso Deus.
O tempo da Quaresma prepara-nos para celebrar este mistério tão grande! Recordemos que a ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição, é motivo da nossa comunhão com Deus é a razão da nossa fé cristã! A Igreja nos quer preparar para a santa Páscoa, para que revivamos a libertação que Cristo nos trouxe com a sua vitória. Por isso, a Quaresma é um tempo de combate espiritual e de luta contra o pecado. É um tempo de exame de consciência e de reorientação de nossa adesão ao Cristo Jesus. Só assim, atravessaremos o deserto dos quarenta dias rumo à Terra Prometida da Páscoa de Cristo, que se torna nossa Páscoa. Nosso caminho quaresmal recorda e celebra tantas quaresmas:
A do dilúvio, quando durante quarenta dias e quarenta noites o Senhor Deus purificou a terra e a humanidade;
A de Moisés, que durante quarenta dias e quarenta noites jejuou e orou sobre o Sinai para encontrar o Senhor que lhe daria a Lei;
A de Israel, que caminhou no deserto durante quarenta anos;
A de Elias profeta, que caminhou quarenta dias pelo deserto rumo ao Horeb, monte de Deus;
A quaresma de Jesus, que antes de iniciar publicamente seu ministério, jejuou e orou quarenta dias e quarenta noites. Eis o caminho de Deus, eis o nosso caminho: caminho de busca de Deus, de luta interior, de conversão! Sem Quaresma ninguém celebra verdadeiramente a Páscoa do Senhor!
O evangelho de hoje, apresentando-nos as tentações de Jesus, nos ensina a combater: ele venceu Satanás ali, onde Israel fora vencido:
Israel pecou contra Deus murmurando por pão; Jesus abandonou-se ao Pai e venceu;
Israel pecou adorando o bezerro de ouro; Jesus venceu recusando dobrar os joelhos diante da proposta de Satanás;
Israel pecou tentando a Deus em Massa e Meriba; Jesus rejeitou colocar Deus à prova.
Nas tentações de Cristo estão simbolizadas as nossas tentações: a concupiscência da carne (o prazer e a satisfação desregrada dos sentidos), a concupiscência dos olhos (a riqueza e o apego aos bens materiais) e a soberba da vida (o poder e o orgulho auto-suficiente e dominador).
Ora, Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”. A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado.
Caminhemos neste santo tempo rumo à Páscoa; usemos como armas de combate no caminho quaresmal a oração, a penitência e a esmola do amor fraterno para que, ao final do caminho, sejamos mais conformes à imagem bendita do Cristo Jesus ressuscitado, nosso Senhor e Deus, vencedor do Maligno e da morte, a quem seja a glória pelos séculos. Amém.

Homilia II

Escutaste que o nosso Salvador lutou contra Satanás, e tu, queres seguir o Salvador sem lutar?
Escutaste que ele jejuou, e tu, desejas ser seu discípulo numa vida fácil e sem disciplina, espiritual e corporal?
Satanás propõe um caminho que não é o do Pai, mas sim o da lógica humana: a facilidade de transformar pedra em pão e, assim, saciar-se, escapando da disciplina e da obediência na busca da vontade de Deus;
Propõe o caminho da aliança com os grandes, com os poderes do mundo para ser aceito e triunfar, ao invés do caminho da fidelidade humilde e trabalhosa ao desígnio do Senhor Deus;
Propõe o sucesso fácil, a busca do aplauso, ao invés da humildade de deixar que Deus seja o centro da nossa  vida.
A grande tentação de Jesus era ser um Messias com a lógica humana e não do jeito de Deus! Mas, não é esta também a nossa tentação, não é este o nosso desafio: viver do nosso modo ao invés de viver do modo de Deus? Fazer do nosso jeito ao invés de convertermo-nos ao jeito do Senhor?
Eis o trabalho quaresmal: Isto é converter-se, mudar de vida, isto é ser cristão verdadeiramente!
Pensai no fiel israelita da primeira leitura, que humildemente, tudo coloca nas mãos do Senhor: “Por isso, agora eu trago as primícias da terra que tu me deste, Senhor!” – assim dizia o judeu em adoração ante o Senhor!
Assim também tu deves fazer, confessando que Jesus é o Senhor e crendo que ele ressuscitou dos mortos! Se tu verdadeiramente fizeres de Jesus o teu rochedo, se o invocares, se não teimares em caminhar do teu modo, tu encontrarás em Jesus a salvação e com ele vencerás toda a tentação e todo o mal. Cumprir-se-á em ti, então, a palavra do Salmista: “Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta!”
Mas, este caminho de conversão não é fácil! É necessária a coragem de combater, utilizando as preciosas armas espirituais que a Igreja nos oferece: a oração, a penitência e a esmola. Caríssimos, não recebamos em vão a graça de Deus! Não sabemos quantas quaresmas o Senhor ainda nos dará nesta vida... Assim, confessemos que Jesus é o Senhor; confessemo-lo com os lábios, confessemo-lo com o coração, mas confessemo-lo também com nossas observâncias quaresmais! E que o Senhor nos conduza a todos à Páscoa deste ano e àquela outra, definitiva, da glória eterna. Amém.

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Breve comentário
No evangelho de Lucas este texto prepara Jesus para a atividade que está para inaugurar, ou melhor, manifesta a sua serena superioridade sobre o adversário que encontrará no ministério. Jesus permanecerá permanentemente fiel à vontade de Deus; nenhuma ambição pessoal, sede de poder ou egocentrismo o afastará da sua missão; vive a sua realidade de Filho de Deus como homem autêntico, sem procurar fugir da condição humana comum a todos.
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Bodeler dizia que a maior tática de satanás é fazer com que se chegue à conclusão de que ele não existe e assim poder trabalhar com maior liberdade. Satanás não se importa com os grandes pecadores, este já estão do seu lado. Satanás não suporta a existência daqueles que levam a sério o evangelho. As tentações de Cristo são as nossas tentações. Cristo as venceu antecipadamente em nosso favor, e durante as nossas tentações podemos já chamar a vitória porque Cristo, o mais forte, está do nosso lado.
 Chave de leitura
Lucas Diz que Jesus “Cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias” (Lc 4, 1-2). Mateus diz que Jesus “foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo” (Mt 4, 1). O relato de Lucas modifica o texto de Mateus de tal maneira que mostra “Jesus cheio do Espírito Santo” a afastar-se por sua iniciativa do Jordão e a ser conduzido pelo Espírito ao deserto durante quarenta dias, onde “é tentado pelo diabo” (Lc 4, 2). O sentido que Lucas quer dar às tentações de Jesus é que elas foram uma iniciativa do demônio e não uma experiência programada pelo Espírito Santo (S. Brown). É como se Lucas quisesse expor com clareza a distinção entre a personagem do diabo e a pessoa do Espírito Santo.
Outro elemento a ter em conta é a ordem pela qual Lucas dispõe as tentações: desertopanorâmica dos reinos do mundopináculo de Jerusalém. Em Mateus, pelo contrário, a ordem é diferente: desertopináculoalto monte. A diferença poderia ser explicada a partir da terceira tentação (a culminante): para Mateus o “monte” é o vértice das tentações, porque no seu evangelho coloca todo o interesse no tema do monte (basta recordar o Sermão da Montanha, a apresentação de Jesus como o “novo Moisés”); para Lucas, contudo, a última tentação acontece no pináculo do Templo de Jerusalém, porque um dos pontos de maior interesse para o evangelista é a cidade de Jerusalém (Jesus no relato lucano encontra-se a caminho de Jerusalém onde se cumpre de modo definitivo a salvação) (Fitzmyer).
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Quaresma

Com a quarta feira de cinzas, iniciamos um tempo sagrado na vida da Igreja e de todo cristão:  A QUARESMA.

Na Bíblia, o número 40 tem um sentido especial: Período de preparação em vista de um grande acontecimento:

- Assim o Dilúvio durou 40 dias e 40 noites...   foi a preparação para uma nova humanidade.
- Durante 40 anos passou Israel no deserto... a caminho da Terra Prometida.
- Durante 40 dias fizeram penitência os habitantes de Nínive... antes de receber o perdão de Deus.
- Durante 40 dias e 40 noites, caminhou Elias até chegar à Montanha de Deus.
- Durante 40 dias e 40 noites, Moisés e Jesus jejuaram no início da Missão.
- Assim os 40 dias da Quaresma, são também um tempo especial de conversão e renovação interior, em preparação da nossa Páscoa.

+ Ao receber as CINZAS, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos CONVERTER e CRER de verdade no Evangelho.
As cinzas simbolizam o nosso NADA diante do Criador. Fomos criados do pó da terra e ao pó voltaremos...

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Para a Celebração da PALAVRA (diáconos e ministros extraordinários da Palavra):

Louvor: QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR:
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, NOSSO DEUS...
- COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
- Pai de bondade, nós vos damos graças pelo nosso batismo quando nos tornastes vossos filhos prediletos. Neste início da quaresma vos recomendamos todos os candidatos a receberem o batismo. Que eles sejam luz e exemplo para a nossa comunidade.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
- Pai, nós vos damos graças pela fé que recebemos; confessamos que Jesus é o nosso Senhor e acreditamos que O ressuscitastes de entre os mortos e agora está a vossa direita.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
- Pai, vos damos graças porque temos vosso filho como exemplo fiel á vossa vontade. Enviai-nos o Espírito Santo para que tenhamos força e coragem para progredirmos em vossos caminhos.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.
- Pai, a riqueza, os prazeres e o orgulho muito nos atraem. Ajudai-nos a vencer nossas tentações.
T: Senhor ajudai-nos a fazer a vossa vontade.    
- Pai nosso...   A Paz...    Eis o Cordeiro de Deus...