quarta-feira, 14 de agosto de 2019

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA, homilias, subsídios homiléticos


20º Domingo ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA ANO C 2019

SINOPSE:
Tema:  “Bem-aventurada aquela que acreditou.” Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Segunda leitura: Maria, nova Eva. O Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, encontra as palavras de fé e de esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!

PRIMEIRA LEITURA (Apocalipse 11,19a; 12,1.3-6a.10ab) Abriu-se o Templo de Deus e apareceu a arca da Aliança. Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Então, apareceu outro sinal no céu: um Dragão tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.

COMENTÁRIO - O Apocalipse foi composto nas perseguições. É uma linguagem codificada, em que os animais designam os perseguidores. A Mulher representa a Igreja, novo Israel, as doze estrelas todos os povos. O Dragão é o perseguidor, para destruir este recém-nascido. Mas Deus protege o seu Filho. Na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.

Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal. Essa "Mulher" representa a Comunidade de Israel, composta de 12 tribos. Mas se aplica também a Maria, de quem nasceu o Messias.

SALMO RESPONSORIAL / SI 44(45)
À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
• As filhas de reis vêm ao vosso encontro, / e à vossa direita se encontra a rainha / com veste esplendente de ouro de Ofir.
 • Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: / “Esquecei vosso povo e a casa paterna! / Que o Rei se encante com vossa beleza! / Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
• Entre cantos de festa e com grande alegria, / ingressam, então, no palácio real”.

SEGUNDA LEITURA (1Coríntios 15, 20-27a): Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo. A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés.” 

BREVE COMENTÁRIO -  A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
O primeiro é Jesus, que é o princípio da nova humanidade. Eis porque um novo Adão, mas que se distingue do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte e o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida. Na Assunção de Maria, reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no movimento da ressurreição.

 EVANGELHO (Lucas 1,39-56 Maria partiu apressadamente. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. 

COMENTÁRIO - Pela Visitação na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pela ressurreição. Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem nas palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus cumpre neles maravilhas.

O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor: elevou os humildes.
 “A Imaculada Mãe de Deus, assumida em corpo e alma na glória celeste”. ” Maria é consolo e esperança para o povo ainda em caminho”. “O último inimigo a ser destruído é a morte”.
Maria é exemplo E Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar às "coisas do alto, e não às coisas da terra" (cf. Cl 3, 2).
O Papa João Paulo II dizia: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem'. Nos estimula a elevar nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai". Graças à vitória pascal de Cristo sobre a morte, a Virgem de Nazaré compartilhou os seus efeitos salvíficos. Correspondeu com o seu «Sim» à vontade divina, participou na missão de Cristo e foi a primeira, depois d'Ele, a entrar na glória, em corpo e alma. ... Nossa Senhora, elevada à glória de Deus, é sinal seguro de esperança para a Igreja e para a humanidade inteira. A glória da Mãe é motivo de alegria para todos os seus filhos... Elevada ao céu, Maria indica a estrada do Céu. Mostra-a a todos de boa vontade”.
Bento XVI diz: “quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos sentir a luz divina neste rosto. "Todas as gerações me chamarão bem-aventurada". Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é "bem-aventurada", é bendita para sempre. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus”.
O Concílio Vaticano II: A Mãe de Jesus, tal como está nos céus já glorificada de corpo e alma, é a imagem da Igreja como deverá ser no tempo futuro.  Assim brilha aqui na terra como sinal da esperança para o povo peregrino, até que chegue o dia do Senhor. Portanto, o triunfo de Cristo sobre a morte é mais uma vez celebrado como conteúdo eclesial da fé e da promessa.
Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é exata, porque a oração dirige-se a Deus: só Deus atende a oração.

Rezar por Maria. - Maria é a Serva do Senhor. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!”. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei o que Ele vos disser!”
Rezar com Maria. - é ajoelhar-se ao seu lado em oração. Ela acompanha-nos e guia-nos para junto de Deus.
Rezar como Maria. - Aprendemos junto de Maria a oração. Ela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus. Nós meditamos o Evangelho e avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se ação de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

* Maria Nova Eva: O Novo Adão, Jesus, faz de Maria a nova Eva,  sinal de Esperança para todos os homens.

 * Levar o Senhor dentro de si não é um privilégio reservado a Maria. Cada um de nós é chamado a ser, como Maria, uma "Arca da Aliança",  com a tarefa de levar o Senhor aos homens.

+ Maria é bem-aventurada não porque viu, mas porque ACREDITOU na Palavra do Senhor.

Nesta festa, Maria nos ensina um tríplice segredo:
- O segredo da : "Eis aqui a serva do Senhor".
- O segredo da ESPERANÇA: "Nada é impossível para Deus".
- O segredo da CARIDADE: "Maria pôs-se a caminho..."

Esta é a maior da festa de Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo. Ela está na glória do Pai!
Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Aquela que esteve unida ao Filho na cruz, agora está unida a ele na glória. A Virgem não permaneceu na morte, já experimenta agora e plenitude.
Em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria!
A festa é de cada um de nós, pois já vemos em Maria aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós.
Maria canta: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!" A ele a glória pelos séculos dos séculos. Nosso destino é a glória no coração de Deus: Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre! Amém.

* João Paulo II insistiu na fórmula: “Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo” (Redemptoris Mater, 8).
 A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto, a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho.
São João de Damasco, no ano 749, escreve: “Era necessário que aquela que, no parto, havia conservado ilesa sua virgindade, conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”.
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                    Quem é essa Mulher?

Celebramos hoje a festa da ASSUNÇÃO de Nossa Senhora.
É uma verdade de fé definida pela Igreja em 1950 (Pio XII).
Mas esse fato já era aceito pelos primeiros cristãos.

Em Jerusalém, há duas igrejas de Nossa Senhora:
- da "Dormição", onde Maria teria morrido…
Na cripta, aparece sobre uma mesa a "Virgem adormecida".
- do "Túmulo" de Maria, no Getsêmani, onde Maria teria sido enterrada.
Ao lado do túmulo uma pintura da Assunção de Nossa Senhora…

Essa festa nos convida a erguer o olhar para o céu, onde Nossa Senhora é glorificada em corpo e alma, junto a Jesus ressuscitado, e onde também nós somos esperados.

A Igreja quer celebrar com essa festa o cumprimento do Mistério Pascal.
Sendo Maria a "cheia de graça", sem sombra de pecado,  o Pai a quis associar à ressurreição de Jesus.

As leituras bíblicas da missa se relacionam com a festa:

A 1a leitura fala de um grande SINAL:
Uma MULHER vestida como o sol, tendo nos braços um filho, que um dragão quer devorar... (Ap 11,19-12,1-6.10)

A "mulher" é a Igreja, o "dragão" significa o mal e o "menino" é Cristo. Todas as passagens das Escrituras referentes ao povo fiel a Deus podem ser aplicadas à nossa Mãe, Maria Santíssima.
Eis porque essa é apresentada à nossa reflexão nesta solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

Na 2a leitura, Paulo afirma que um dia todos serão glorificados. (1 Cor 15,20-27)

Antes, Cristo ressuscitado como primícias dos que morreram...  Depois os que foram de Cristo... E entre os que foram de Cristo cabe em primeiro lugar, sem dúvida alguma, Nossa Senhora.
* A Assunção é prenúncio da ressurreição final.

O Evangelho apresenta essa MULHER agraciada por Deus, que vai visitar e servir sua prima Isabel para servir. (Lc 1,39-56)

- Isabel exulta de alegria pela presença da Mãe do Senhor e aclama: "Bem aventurada és tu porque acreditaste!"
Maria é bem aventurada porque confiou na Palavra de Deus.
A fé verdadeira não necessita de demonstrações, mas se concretiza pela adesão incondicional a ela.

- Maria proclama um Hino de louvor ao Senhor pelas maravilhas que Ele realizou nela e em favor dos pobres.

Ela proclama que Deus realizou uma tríplice transformação, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo.

- no campo religioso: Deus derruba as autossuficiências humanas, confunde os planos daqueles que nutrem pensamentos de soberba, se inclinam para Deus e oprimem os homens.

- no campo político: Deus derruba os injustificáveis desníveis humanos, "abate os poderosos de seus tronos e eleva os humildes".
Não quer aqueles que executam os povos, mas aqueles que estão a serviço dos povos para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações raciais, culturais ou políticas.

- no campo social: Deus confunde a classe baseada no dinheiro e na riqueza.
"Cumulou de bens aos famintos e despediu os ricos de mãos vazias"…
Para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade, porque todos são filhos de Deus.

* O Magnificat é um canto composto depois da ressurreição de Cristo, inspirado no canto da mãe de Samuel. Lucas o pôs nos lábios de Maria (1 Sm 2,1-11)

+ A festa da  Assunção é um sinal de ESPERANÇA para todos nós que estamos a caminho da glória.
Maria recebeu, por antecipação, o que Deus reservou a todos os que viverem a exemplo de Maria, com humildade, atentos às necessidades dos irmãos.

Por isso, a Assunção não é apenas uma verdade para se crer, mas sobretudo um mistério para penetrar.
É a meta final da minha humanidade, o desfecho inevitável da minha andança, da minha luta e do meu sofrer. É uma luminosa garantia de que também nós seremos o que ela já o é.

+ Maria é Mãe de Jesus e ... nossa:
A festa da Assunção de Maria nos mostra hoje a mãe que temos no céu, mas também o caminho que devemos seguir para chegar onde ela já está.
Nunca sozinhos, mas na comunidade dos discípulos e irmãos de Jesus, alimentados pela Eucaristia, e por ela conduzidos...

+ Maria Modelo de Pessoa consagrada a Deus;
Dentro do mês vocacional, hoje estamos lembrando a vocação religiosa...
O Religioso e a Religiosa veem em Maria um modelo a ser seguido:

Maria: uma mulher consagrada a Deus, um sinal de esperança para o homem...
Como Maria, os religiosos também fazem uma consagração especial
a Deus e aos irmãos e devem ser um SINAL de DEUS no meio do Povo...

Rezemos pelas vocações religiosas, para que as pessoas consagradas
continuem sendo ainda hoje no meio do povo: UM SINAL DE DEUS...

                                           Pe. Antônio Geraldo
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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, celebrar a assunção de Nossa Senhora é celebrar antecipadamente a ressurreição de cada um de nós. É evidente, que cada Evangelho, cada liturgia, pode nos ajudar a celebrar os nossos mortos, mas hoje, de modo muito especial, a liturgia é totalmente voltada para esta grandeza. Qual grandeza? Cristo ressuscitou e esta é a nossa certeza. Ele venceu a morte. Não teria celebração mais adequada para lembrar de nossos falecidos.  Gostaria de começar lembrando do Adão. Adão é uma figura simbólica na bíblia. Adão significa todo ser humano. O texto de Gênesis, capítulo 3, vai nos dizer que quando Adão ouviu os passos de Deus, se escondeu. Daí, Deus pergunta: por que você se escondeu? Adão disse: eu ouvi os teus passos e tive medo. Por que você está com medo? Porque estou nu. Aí é que vem. Então, Deus disse: você cometeu pecado original. A morte passa a fazer parte da realidade do ser humano a partir de Adão. Este é o preço de nascermos. Quem nasce, pode ter certeza de uma coisa; morre. Por que Deus permite que o ser humano morra? Por misericórdia pelo ser humano. Porque teríamos muito medo de nos apresentarmos diante de Deus como somos. Alguns mais, outros menos, mas todos somos pecadores. Nós nos sentiríamos bastante humilhados trajando esta veste, que é o nosso corpo. Trajando uma veste com o sinal do pecado. Nós estaríamos publicando a nossa fraqueza aos outros. Então, no momento que nós morremos, São Paulo vai dizer nesta segunda leitura, capítulo 15:  nós sepultamos um corpo corruptível, um corpo que se corrompe, porque traz todas as fraquezas do ser humano e nasce um corpo incorruptível. Um corpo que não acaba. Um corpo para vivermos eternamente ao lado de Deus. E, nessa mudança de corpo, fica para trás toda marca de pecado do corpo corruptível, para todos, igualmente, louvar a Deus na mesma condição. Então, de fato, na ressurreição não há um melhor e outro pior; todos, todos de verdade, encontram-se em condições para louvar a Deus, sem medo, sem vergonha, sem nada que possa humilhar. Esta é a misericórdia de Deus para conosco.
No caso de Nossa Senhora, por que nós falamos que ela foi de corpo e tudo para o céu? Porque nós cremos que ela nunca pecou. Então, não há necessidade de trocar de corpo. Não há necessidade de trocar as vestes que ela traja. Ela já está pronta, desde o SIM, para gerar a Deus, ela está pronta para este encontro com Deus. Então, a morte não é um castigo da parte de Deus, mas um recurso utilizado para resgatar todo ser humano. Agora, é evidente, que nós sozinhos não nos salvamos, e sozinhos dificilmente vamos manter a aliança que Deus estabeleceu com o ser humano. A aliança é esta; “que ninguém se perca. Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. Esta é a grande aliança. Agora, como fazer para nos manter nesta aliança? Aí é que vem a primeira leitura. A primeira leitura deixa claro que você tem duas realidades; você tem a realidade do bem e a realidade do mal. Como enfrentar estas realidades? Sozinhos não conseguimos. Mesmo porque, muitas vezes, somos iludidos por aquilo que nos é apresentado. O fato é este; nós temos um grande recurso nesta vida para nos manter nesta caminhada para Deus, que é a IGREJA. A Igreja, aí, simbolizada pala mulher que traz na sua roupa o sol. Imagina uma Igreja iluminada. Agora, o sol brilha o que nós vemos e imagina tendo na cabeça doze estrelas; são doze sois iluminando, ela é super-iluminada, porque é iluminada pelo Espírito Santo. Mesmo nos momentos de penumbra, ela tem a lua aos pés. Nós sabemos que a noite iluminada pela lua é muito mais clara, do que a noite sem lua.  Mesmo nas noites escuras, ela está iluminada com esta lua. A IGREJA é uma grande segurança para nós, na medida que queremos caminhar em direção a Deus. Do outro lado, você tem um dragão. Eu perguntei para uma criança o que era um dragão. Ela me disse que dragão era um dinossauro que joga fogo pela boca. Gostei desta resposta. É isso mesmo. Só que o dragão, que fala o apocalipse, é cor de fogo. Ele não tem fogo. Portanto, é um falso dragão. Ele parece, mas não é. Ele é mentira, ele é ilusão que nos leva, muitas vezes, a ilusão de vida. O dragão verdadeiro tem fogo. Este cospe o que? Nada. Ele tem cor de fogo e é facilmente eliminado. Por isso, ele não vence o filho que a Igreja gera. Quem é o Filho que a Igreja gera? Jesus Cristo. Cada vez que nos reunimos para celebrar a sua memória, nós comungamos do corpo e do sangue de Cristo. “quem come a minha carne e bebe do meu sangue, eu o ressuscitarei no último dia”. Aí temos esta figura maravilhosa; para que eu consiga caminhar para Deus eu possa contar com a ajuda da Igreja. É evidente, que se quisermos uma pessoa para representar a Igreja, será Nossa Senhora. Claro, foi ela que gerou Jesus Cristo para o mundo e depois, Cristo continua sendo gerado a partir da Eucaristia. Portanto, meus irmãos e irmãs, nossa fé se baseia nisto: Cristo ressuscitou e vamos ressuscitar também. Tem algo que é para nos manter animados: aqui diz que temos que seguir uma ordem. Primeiro, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo. A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. É muito interessante, a segunda leitura diz que um dia todos vão conhecer a Deus. Então, nós não sabemos o dia em que a morte será extinta, mas sabemos que, um dia, o ser humano não vai mais morrer. Ele vai para o céu de corpo e tudo. Por que? Porque ele não vai mais ter a proposta do pecado. O pecado terá sido totalmente eliminado. Ora, então, Jesus realizou a missão pela metade? Não. Ele já venceu a morte, porque venceu o pecado. Muitos de nós é que ainda não se convenceram de que o caminho cristão é o caminho verdadeiro e acabam aqui ou ali, acreditando no dragão, na ilusão do egoísmo, na ilusão do individualismo, na ilusão de que um tem que ser melhor do que o outro, na ilusão de que não podemos viver como irmãos. O dia em que esta ilusão for eliminada, aí, poderemos celebrar junto de Deus, não mais de forma simbólica a ressurreição, aí poderemos cantar junto com os anjos e santos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

II HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, a Ascenção de Nossa Senhora é Celebrada sempre dia 15 de agosto. No Brasil não é feriado, então, a Solenidade é transferida, se assim preferirem, para o domingo próximo, depois do dia quinze. O importante é contemplarmos este mistério, que estamos celebrando.
Primeiro, eu quero chamar a atenção para o livro do Apocalipse. É um dos livros mais simples de ser lido, entretanto é um dos livros que causa mais confusão na cabeça das pessoas, porque as pessoas acham que o Apocalipse fala do fim do mundo. Na realidade não é assim. O Apocalipse não fala do fim do mundo. Fala do fim de toda opressão, o fim de todo sofrimento, fala do final de toda perseguição. É isso que eu gostaria de mostrar, aproveitando o pessoal da catequese que está presente e fazer algumas perguntas. Vamos ver se vocês me ajudam. Se estiver errado, não tem problema. Se estiver certo, maravilha, vai ajudar a gente.
1) O que traz luz para o planeta terra? Quem sabe? O planeta terra é iluminado. O que ilumina o planeta terra? – O Sol? – sim, é o sol. Quem escreveu o apocalipse diz que ele viu uma mulher e na cabeça dela tinha uma coroa com doze estrelas.
2) O sol é uma estrela, ou não? – sim, é uma estrela. Muito bom. É considerado uma estrela de quinta grandeza. Tem estrelas maiores do que o sol. Um sol já ilumina bastante. Você já imaginou doze? Então, se esta mulher tem doze sois sobre a cabeça, ela é muito iluminada ou pouco iluminada? – bem iluminada. Esta mulher, diz São João, é a Igreja. Ela é bem iluminada. Ela tem doze sois na cabeça. Já deu para entender, que é simbólico. É para dizer que não existe ninguém mais lúcida do que a Igreja.
3) Quem é que ilumina a noite? – a lua.
4) O que é que ela tem nos pés? – a lua. Ela caminha pela noite iluminada pela lua.
Então, quando nós temos as noites escuras na nossa vida, podemos contar com a luz que Deus nos concede; a sabedoria.
Do outro lado, nós temos um dragão. Eu pergunto, todo ano, isto:
5) O que é um dragão? Alguém me explique. – é um tipo de lagartixa que bota fogo pela boca? Vamos dizer que é uma lagartixa grande... agora...,
6) Esta lagartixa grande, de que fala o apocalipse, solta fogo pela boca? O que é que está escrito aí? – é um dragão COR de fogo (parece dragão, mas não é). Ele só tem cor de fogo, mas não solta fogo. Ele tem com sete cabeças. Sete cabeças, é sinal de que é muito inteligente. Dez chifres. Não tem tanta força. Se tivesse doze seria muito forte. Ele não é um dragão verdadeiro; é uma propaganda enganosa. Ele só tem fachada. No fundo ele não vale nada: não tem fogo e não tem força.
7) Como é que ele faz para que todo mundo tenha medo do dragão? – pela aparência e pela esperteza. Ele tem sete cabeças. Ele é bastante inteligente.
8) O que ele consegue fazer contra a terra, no máximo, o que consegue fazer com sua calda? -  Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. Ele varre apenas um terço; ele é fraco. Não consegue destruir nem a metade. Ele destrói um terço, mas ainda tem dois terços.
9) Tem que ter medo deste dragão? – não. Aí, pronto! Entendemos o apocalipse. Não tem que ter medo do dragão, porque já sabemos que ele “só tem panca”, só tem aparência, mas ele não tem o poder da mulher e o poder de Deus. Tanto é, que a mulher vai se esconder no deserto, por um tempo. Deus levou para junto de si o seu filho, garantindo, assim, a vitória. Isto, meus irmãos e irmãs, parece brincadeira de criança, mas veja como o apocalipse é simples. É um livro que nos traz ânimo e coragem diante das dificuldades. As nossas dificuldades, na maioria da vezes, é parecida com este dragão. É que agente só fica olhando para ele e não analisa o conjunto. No conjunto vamos ver que é bem menor do que parece.
Também nossos problemas são verdadeiros, mas também são bem menores do que parecem. Tudo depende do quanto eu utilizo da luz que é Deus, da sabedoria, que é Deus, para poder enfrentar os problemas. O livro do Apocalipse foi escrito para ajudar as pessoas a enfrentar os problemas.
Agora, vou dar um exemplo de um problema que foi enfrentado. Tem uma fulana, chamada Ester, uma grande rainha. Por que ela foi uma grande rainha? Porque ela soube usar da beleza dela para o bem. Tem mulher que utiliza da beleza para o mal, como tem homem que utiliza da beleza para o mal. Esta Ester utilizou da beleza para o bem.
10) O que é que a Rainha Ester fez? Ela era casada com o rei, que não gostava de seu povo, de jeito nenhum. Ele decretou, que todo judeu deveria morrer. O que é que Ester fez? Ela se vestiu com a roupa mais bonita, ela já era bonita, encantou o rei. O rei lhe disse: o que me pedir, eu vou fazer. Ela disse: Eu quero que você salve o meu povo. Como o rei não quis voltar atrás, o povo de Deus foi salvo por causa de Ester. Então, em homenagem a Ester, escreveram este salmo que nós cantamos. As filhas de reis vêm ao vosso encontro, / e à vossa direita se encontra a rainha / com veste esplendente de ouro de Ofir.  Ela deixou o povo e foi viver no palácio e Deus sabia bem, que podia contar com ela. Ela foi para lá exatamente para salvar o seu povo.
Bom, Ester é uma grande mulher; salvou um povo todo.
Por que a Igreja lembra de Ester? Porque tem uma mulher que não salvou só UM povo, mas salvou a humanidade Toda. Quem é esta mulher? – Nossa Senhora. Ela é o sinal vivo da Igreja Lúcida. Ela não somente trouxe Jesus ao mundo, como salvou toda a humanidade com o seu gesto. Mas não é Jesus o salvador? Claro! Jesus é o Salvador, mas quando ela disse o seu SIM, colaborou para a salvação da humanidade e adotou todos como sendo seus filhos. Se Ester já era uma mulher admirável, Maria se torna mulher que não tem outra a seu lado. Ela soube utilizar da sua condição de mulher, para colaborar com a humanidade toda. É por isso, que ela foi assumida no céu. O que é assumida? – Deus reconheceu e confirmou tudo o que Nossa Senhora fez  no mundo. Assumida, de onde vem Assunta. Da onde vem, que ela ocupa um lugar no céu e que não há outra mulher acima dela. Não é mágica. Ela conquistou isto com a sua disponibilidade e é evidente, que ela se torna a primeira mulher a ser assumida no céu, sem precisar experimentar a morte. É a segunda leitura.
Por que sem experimentar a morte? Porque nós, querendo ser pessoa de bem, sendo gente boa sim, não fazemos maldade por querer, mas aqui ou ali agente acaba pecando. Então, agente precisa passar pela morte, para que Deus nos conceda uma outra veste, um corpo incorruptível, vai dizer primeiro coríntio 15, para poder se apresentar diante de Deus sem nos sentirmos humilhados e sem nos envergonharmos ao lado dos outros. Mas, Maria, Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa mãe, como não pecou, não precisou trocar de roupa. Não precisou. Como também Jesus que não experimentou a corrupção da carne, Ele ressuscitou ao terceiro dia. Porque são as duas pessoas: o Homem Jesus e a mulher Maria que não conheceram o pecado. Por isso, ressuscitaram primeiro. Aí São Paulo vai dizer: cada um na sua ordem.
Que bom, que estamos incluídos nesse grupo de ressurretos, os que vão ser ressuscitados. Maria já é nossa esperança; se ela conseguiu, também nós. Talvez vai demorar um pouco mais. Por tudo que Nossa Senhora conseguiu para a humanidade, o próprio Evangelho vai dizer: As gerações me chamarão bem-aventurada. Então, quem não aceita Nossa Senhora, não aceita o Evangelho. Isto está no Evangelho. Não é escrito de Católico, não. Está escrito de todo que professa a fé Cristã. Então, é por isso que dedicamos um final de semana, para celebrar esta maravilha e também para agradecer a Nossa Senhora.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO. Diocese de Santo André – SP.

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Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Muitos de nós tivemos a graça de ouvir esta singela canção: “No céu, no céu, com minha mãe estarei”, quando éramos embalados no colo de nossa mãe ou avó, ainda crianças. Certamente não tínhamos capacidade de fazer elucubrações teológicas, nem muito menos criticar essa afirmação não tão compreensível do ponto de vista racional. Mas certamente, essa canção, com a sua tranquilizadora sonoridade unida ao aconchego acalentador dos braços de quem nos embalava, conduzia-nos a uma tão grande segurança e abandono que acabávamos mergulhando profundamente no sono necessário e restaurador.
A Solenidade da Assunção de Maria, antes mesmo de nos recordar uma afirmação dogmática proclamada oficialmente pela Igreja (Pio XII, 01.11.1950), proporciona-nos uma das mais belas capacidades do ser humano enquanto caminha na terra, isto é, poder olhar para o céu, reconhecer que a sua estrada não se dirige para um abismo desolador, mas é pista de decolagem para alçar o voo cujo destino é a plenitude da vida.
Crer que Maria foi elevada aos céus é uma consequência natural de crer que o seu Filho, morto e ressuscitado, encarnou-se verdadeiramente, assumiu a nossa condição humana para redimi-la, elevá-la. Jesus voltar para o céu sozinho era levar consigo um atestado de obra não concluída, missão frustrada. Maria elevada ao céu, depois do Filho, é prova de que, de fato, tudo está consumado.
A celebração de hoje nos ajuda a sintonizarmos com uma verdade que reafirma o poder do Altíssimo, que fez grandes coisas na sua pobre e humilde serva, chamando-a de Nazaré para um dia ser do céu. Entre essas grandes maravilhas que o Todo-poderoso realizou nela, resplandecem a sua eleição e vocação: “Achaste graça diante de Deus”, a sua Maternidade Divina: “De onde me vem a graça que a Mãe do meu Senhor venha me visitar”, e o dom da salvação a ela concedido, pois foi preservada de toda mancha de pecado, tornando-se a primeira morada no mundo da Palavra Encarnada: “O Espírito Santo descerá sobre ti”. Portanto, quem a quis como sua morada na Terra, certamente a levou para habitar na sua morada no céu.
Maria é a obra prima das mãos de Deus na nova criação. Ele a quis como Mãe do Vivente, do Primogênito dentre os mortos. Portanto, como poderia a Mãe Daquele que vive para sempre não ter parte na sua ressurreição, uma vez que participou da sua vida e da sua morte?! Como poderia jazer na sombra da morte, e ser aprisionada num túmulo, aquela que acolheu no seu seio o autor da vida e o vencedor da morte?! Como poderia permanecer no sono da morte, aquela que foi feita a aurora da Salvação, aquela que presenciou o raiar do novo dia e foi iluminada pela luz que não se apaga?!
A subida de Maria para os céus não se deu apenas no momento de sua morte, pois toda a sua vida foi um constante elevar-se para Deus. Indo à casa de Isabel para testemunhar o impossível do poder de Deus, que faz da estéril, mãe feliz em sua casa (cf. Sl 113,9), ela é proclamada também feliz por ter aceitado ser a casa de Deus, ao acolher no seu ventre o fruto bendito.
Ao receber Maria em sua casa, Isabel dá o grande testemunho de que está diante de alguém que se tornou o céu na terra, isto é, a morada do Altíssimo, a magnitude do grito da anciã (grego: anefovesen kraugê megalê: proferiu em grito grande) não está tanto no volume de sua voz, mas na grandeza daquilo que ela proclama, pois estava cheia do Espírito Santo ao exclamar: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Alegria de Isabel e os pulos de exultação de seu filho, o maior profeta nascido de mulher (cf. Mt 11,11), indicam que a profecia de Isaías está se cumprindo: “Entoa alegre canto, ó estéril, que não deste à luz; ergue gritos de alegria, exulta, tu que não sentiste as dores de parto…” (Is 54,1). São Paulo vai atribuir essas palavras à Igreja, a quem chama a Jerusalém do Alto (Gl 4,27), o novo Povo de Deus.
Isabel reconhece em Maria esse novo povo, não mais formado por laços de sangue ou de membros de uma raça, mas um povo reunido pela mesma fé: Bem-aventurada aquela que acreditou” (note-se que não diz “tu”, mas “aquela”, modo de indicar que Maria passa de uma pessoa individual para uma personalidade corporativa, representativa de uma coletividade). Na tradição bíblica, tanto o povo de Israel quanto a Igreja são representados por uma mulher (esposa, noiva, a mulher da 1ª leitura).
Maria responde à proclamação de Isabel, com o Magnificat, cântico-memorial dos grandes feitos do Todo-Poderoso ao longo da história do seu povo e ao mesmo tempo reconhece sua pequenez, assumindo o compromisso de continuar sendo a serva do Senhor, ainda que tenha sido elevada à dignidade de mãe do Rei; e mesmo sentada à sua direita, por direito, “com veste esplendente de ouro de Ofir”, continua junto ao seu povo anunciando aos humildes e famintos, que o Todo-Poderoso realiza o que promete, pois é fiel à sua aliança.
O Documento de Puebla (297) afirma que o Magnificat é o “Espelho da alma de Maria, o cume da espiritualidade dos pobres de Javé e do profetismo da Antiga Aliança e o prelúdio do Sermão da Montanha”. Assim como no Antigo Testamento, o Magnificat assemelha-se a um salmo de louvor, composto de três partes, isto é, um convite ao louvor de Deus: “A minha alma engrandece o Senhor”. É Maria quem toma a iniciativa e não apenas sugere que outros louvem a Deus. Muitas vezes nossas liturgias são deformadas porque há quem está à frente convida a assembleia a louvar, a rezar, mas ele mesmo não reza. Em seguida, Maria enumera os motivos pelos quais a sua alma prorrompe no louvor, ou seja, não faz afirmações genéricas e repetitivas, mas elenca as ações salvadoras de Deus em favor do seu povo, pois o Senhor é poderoso, sábio e misericordioso. Por fim, Maria conclui o seu louvor afirmando que tudo aquilo que o Senhor realiza é cumprimento de suas promessas, das quais Ele não se esquece, pois mantém-se fiel. Cantar o Magnificat é reconhecer a ação de Deus que atinge tanto a pessoa quanto a humanidade, passando pelo testemunho de um povo concreto. Cantar o Magnificat é crer que tornar-se serva do Senhor, abaixar-se para o serviço, é o caminho mais seguro para chegar ao mais alto dos céus, é estar ao lado do Senhor que se tornou servo de todos.

Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
O Senhor esteja com todos vocês... Irmãos e irmãs, demos graças ao Senhor, Nosso...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos agradecemos.
- Pai, pela assunção de Maria podemos proclamar: Eis agora a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o poder de Cristo. É grande a nossa esperança, pois Maria é nossa mãe e está junto de Vós. Pai, ajudai-nos para que não nos desviemos de vossos caminhos.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos agradecemos.
- Pai, rei do universo e Senhor da vida, nós Vos damos graças pela ressurreição que manifestastes pelo Vosso Filho Jesus, o novo Adão, e pela assunção de Maria. Bendito sejais para sempre.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos agradecemos.
- “Nós Vos bendizemos, Deus do universo, porque pelo Vosso Filho visitastes o Vosso povo. Guiai as nossas comunidades e iluminai-as pelo Vosso Espírito Santo”.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos agradecemos.
- Nós vos agradecemos, Deus amor, porque em Cristo nos transformastes em novas criaturas. Dai-nos a graça de um dia cantarmos com Maria a vossa glória no céu.
T: Deus da vida! Nós vos louvamos e vos agradecemos.
           = pai nosso... a paz...   eis o cordeiro...


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BÊNÇÃO SOLENE
— O Senhor esteja convosco! — Ele está no meio de nós.
— O Deus de bondade, que pelo Filho da Virgem Maria quis salvar a todos, vos enriqueça com sua bênção. — Amém.
Seja-vos dado sentir sempre e por toda parte a proteção da Virgem, por quem recebestes o autor da vida. Amém.
— E vós, que vos reunistes hoje para celebrar sua solenidade, possais colher a alegria espiritual e o prêmio eterno. — Amém.
+ Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho † e Espírito Santo. -Amém.
— A alegria do Senhor seja a vossa força; ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
 _ Graças a Deus!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


19º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C 2019
(Mês vocacional)

SINOPSE:
Tema: “Onde está o vosso tesouro, estará vosso coração”:
Primeira leitura: só os valores de Deus geram vida e felicidade.
Evangelho: Quem está atento ao libertador, vai agir para que a felicidade aconteça.
A segunda leitura apresenta Abraão e Sara como modelos de fé para todas as épocas.

PRIMEIRA LEITURA (Sb 18,6-9):  Leitura do Livro da Sabedoria.
A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos. Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e como perdição para os inimigos. Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários, serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti. Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente; de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos. Isso, enquanto entoavam antecipadamente os cânticos de seus pais.

O “Livro da Sabedoria” é do séc. I a.C. - Elogio da “sabedoria” israelita aos os valores da fé; reflexão entre o que aconteceu aos egípcios e ao Povo de Deus:

-As pragas de animais aos egípcios      = mas as codornizes para os israelitas;
-As moscas e gafanhotos aos egípcios = a serpente de bronze salvou o Povo;
-As chuvas destruíram as culturas egípcias = o maná alimentou o Povo de Deus;
-As trevas aos egípcios = coluna de fogo ilumina a caminhada do Povo de Deus;
-Morte aos primogênitos dos egípcios  = Deus salvou a vida do seu Povo…

MENSAGEM - O texto refere-se à noite do êxodo como a “resposta de Deus” ao faraó que ordenava a matança e escravidão. Para os egípcios, foi uma noite trágica, de morte e de luto; para os judeus, foi uma noite de salvação, de glória e de louvor do Deus libertador. Deus, através de Moisés, fez saber com antecedência aos hebreus os acontecimentos da noite pascal. A fé provoca uma reação em agradecimento:
1-   Os sacrifícios (cordeiro pascal),
2-   A solidariedade (participação na partilha igual dos despojos).
3-   O cântico de hinos (cantados todos os anos durante a ceia pascal).
4-   Os egípcios que corriam atrás dos deuses falsos – esquemas de opressão e de injustiça -  receberam o justo castigo.
5-   Os israelitas, fiéis a Jahwéh e à Lei, viram Deus atuar e encontraram a liberdade e a paz.

ATUALIZAÇÃO Há diferença entre o viver de acordo com os valores da fé e o viver de acordo com propostas enganosas de felicidade e de bem-estar… Só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que os deuses do egoísmo e da injustiça geram sofrimento e morte.
 “vigilância”; trata-se de eu saber o que quero, de ter ideias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, atuar em conformidade.
A resposta do Povo à ação libertadora de Deus; 1- celebração, 2- solidariedade, 3- louvor e ação de graças.
* Rever o passado encoraja a comunidade a não parar, a olhar para frente, a ter esperança no futuro.
   Só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação.

SALMO RESPONSORIAL - 32(33)
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
• Ó justos, alegrai-vos no Senhor! /Aos retos fica bem glorificá-lo. / Feliz o povo cujo Deus é o Senhor / e a nação que escolheu por sua herança!
• Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem / e que confiam esperando em seu amor, / para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.
• No Senhor nós esperamos confiantes, / porque ele é nosso auxílio e proteção! / Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos!

 EVANGELHO (Lc 12,32-48)
...Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. ...Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; .... Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento. ...Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel que o senhor vai colocar à frente do pessoal? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! Porém, se aquele empregado ...começar a espancar os criados, o senhor chegará num dia inesperado; ele o partirá ao meio... Aquele que, conhecendo a vontade do senhor, não agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”

AMBIENTE - Jesus dirige-Se ao grupo dos discípulos (como “pequeno rebanho”), mostra o que fazer para que o “Reino” seja uma realidade e quais os “tesouros” são a prioridade.

MENSAGEM - O “verdadeiro tesouro” não está nos bens deste mundo: Estar atentos, trata-se do “Reino” e dos seus valores.
1- A primeira parábola convida a ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas, como homens que esperam o senhor que volta da sua festa de casamento; estarem preparados para acolher a libertação.
2 - A segunda, incerteza da hora; A imagem do ladrão:
3 - A terceira, a pergunta de Pedro aos responsáveis da comunidade; fiéis às suas tarefas: quem usa as funções em benefício próprio, será castigado: os que desobedeceram intencionalmente serão mais castigados; os que desobedeceram não intencionalmente serão menos castigados. A última afirmação (“a quem muito foi dado, muito será exigido) é dirigida a todos os que receberam dons materiais ou espirituais. - E conclui, respondendo à pergunta de Pedro: "Quem deve vigiar?". TODOS: sobretudo os Animadores da Comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço.
- Muitas vezes temos a tentação do desânimo. A Palavra de Deus nos anima: "Não tenhais MEDO”...
"A fidelidade de Deus no PASSADO é garantia de sua presença no PRESENTE.
Uma luz sempre se acende, diante de quem tem fé e esperança.

ATUALIZAÇÃO A vida dos discípulos de Jesus tem de ser uma espera vigilante e atenta.
Ser cristão não é um trabalho de fim de semana; mas é um compromisso a tempo inteiro.
Desempenhar bem as funções que lhe foram confiadas. A quem foi confiado a autoridade, que ajam como servos e com humildade.

SEGUNDA LEITURA (Hebreus 11,1-2.8-19) A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,... Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela fé que Abraão obedeceu..., e partiu. Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, Pois esperava a cidade que tem Deus por construtor. Foi pela fé que Sara, ...se tornou capaz de ter filhos.... Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. ...Foi pela fé que Abraão ofereceu Isaac; ele, o depositário da promessa. Ele estava convencido de que Deus tem poder e assim recuperou o filho o que é também um símbolo.

AMBIENTE - Carta aos Hebreus anos 70. Destina-se a comunidades cristãs desanimadas, por causa das perseguições. O autor apresenta um estímulo à vocação cristã, até à identificação total com Cristo. Cristo, o sacerdote por excelência – através de quem os homens são inseridos nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã e devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de entrega e de amor. O autor insiste na fé e na constância ou perseverança. Pela fé, percorrer o caminho dos “antigos”; pela constância, aceitar com paciência os sofrimentos que a vida comporta, pois esses sofrimentos fazem parte da pedagógica para chegar à perfeição.

MENSAGEM: A “fé” é posta em relação com a esperança; ela dirige-se ao futuro e ao invisível. A fé é, sobretudo, a adesão a Jesus. Pela fé, Abraão acolheu o chamamento de Deus, deixou a sua casa e partiu ao encontro do desconhecido; pela fé, Sara pôde conceber e dar à luz Isaac; pela fé, Abraão não duvidou quando Deus o mandou sacrificar o filho Isaac. Abraão não viu concretizar-se a promessa da posse da terra, nem a promessa de um povo numeroso; mas, pela fé, ele contemplou antecipadamente a realização das promessas de Deus, “saudando-as de longe”. Assim, Abraão assumiu a sua condição de peregrino e estrangeiro, ansiando pela cidade futura, e caminhando ao encontro do céu, a sua pátria definitiva. A carta quer propor a esses cristãos perseguidos e desanimados: vivam na fé, esperando a concretização dos dons futuros que Deus vos reserva e caminhem pela vida como peregrinos, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva.

ATUALIZAÇÃO O autor convida a confiar na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, apontar à vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro.
o cristão deve ser o homem da serenidade e da paz; ele sabe que a sua existência está para além dos êxitos ou dos fracassos que o dia a dia traz. Guiado pela fé, ele tem sempre diante dos olhos essas realidades últimas, que dão sentido pleno àquilo que aqui acontece.
Se Jesus declara felizes os servidores que esperam para servir, porque depois em lugar de servir, vão ser servidos, e logo pelo seu Mestre. O fato de esperar muda totalmente a situação.
No evangelho: “Estejam cingidos os vossos rins e as lâmpadas acesas. Ter as roupas cingidas é uma imagem utilizada para indicar que alguém se preparava para realizar um trabalho, ou uma viagem. Ter lâmpadas acesas indica a atitude daquele que está de vigia ou espera de alguém. Quando o Senhor vier no final da nossa vida, deve encontrar-nos assim: em estado de vigília; servindo por amor e preparados para a viagem.
Disse Jesus: “onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”: “quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor. 10,31).
Crer não é acreditar em algumas coisas, dar assentimento a uma demonstração clara e evidente de idéias, ou a um projeto sem dúvidas e conflitos. Crer é confiar em Alguém, é seguir o chamamento do Desconhecido que convida, (como Abraão) confiar a própria vida nas mãos de um Outro, para que Ele seja o único, o verdadeiro Senhor. «Crer» significa «cor dare», dar o coração, confiá-lo incondicionalmente nas mãos de um Outro: (como Sara) crê todo aquele que se deixa fazer prisioneiro do Deus invisível, todo aquele que aceita ser possuído por Ele, na escuta obediente e na docilidade do coração. Fé significa «rendição, entrega, abandono», e não «possessão, garantia e segurança».
3. Crer, portanto, não é ser poupado à luta, fugir do risco e caminhar tranquilo; a fé não é um seguro de garantia, um passaporte para um mundo cor-de-rosa.
Aquele que crê, caminha na noite, como um peregrino, ao encontro da Luz. Sabe que a noite é apenas uma parte do dia. As trevas, levarão o peregrino a invocar a presença protetora e a confiar nela. E essa confiança chama-se «fé». A fé é, por isso, «um raio», uma luz que não elimina o escuro, mas ilumina a noite! «Crer significa estar à beira do abismo obscuro, e ouvir uma Voz que brada: «Lança-te, Eu te tomarei nos Meus braços!» (S. Kierkegaard). E atirar-se, apoiado apenas na palavra invisível que nos chama! Creio em Vós, Senhor, mas aumentai a minha fé»

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Fé Vigilante

Muitas vezes temos a tentação de nos deixar levar pelo desânimo.
A Palavra de Deus nos anima: "Não tenhais MEDO..."
A fidelidade de Deus no PASSADO é garantia de sua presença no PRESENTE.

Na 1ª leitura, encontramos a experiência de ISRAEL, que gostava de recordar a presença amorosa e libertadora de Deus no passado,  para mostrar que era possível superar as dificuldades presentes. (Sb 18,6-9)

A leitura recorda a experiência do êxodo, da "noite" da libertação.
+ Noite trágica de luto e extermínio para os egípcios que, tendo repelido a palavra de Deus transmitida por Moisés, viram perecer seus primogênitos.
+ Noite de alegria e liberdade para os hebreus, que, tendo crido nas promessas divinas, foram poupados e iniciaram a marcha libertadora para o deserto onde Deus os aguardava para estabelecer Aliança com eles.

* Rever o passado encoraja a comunidade a não parar, a olhar para frente, a ter esperança no futuro.
   Só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação.

Na 2ª Leitura, fala a experiência de ABRAÃO. (Hb 11,1-2.8-19)

Um exemplo de fé no PASSADO, para a Comunidade continuar firme, apesar das dificuldades do PRESENTE...
    - Pela fé, obedece a Deus, deixa a pátria e parte para o desconhecido...
    - Pela fé, acredita ter um filho, apesar da idade avançada...
    - Pela fé, aceita a ordem divina de sacrificar Isaac.
    - pela fé, caminhou pela vida como peregrino, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva...

* As dificuldades continuam ainda hoje, no mundo, na pátria, nas famílias e nas comunidades.
São momentos em que não devemos desanimar...
Uma luz sempre se acende, diante de quem tem fé e esperança.

No Evangelho, temos a Experiência dos APÓSTOLOS. (Lc 12,32-48)

- Os apóstolos estavam com medo... eram poucos e fracos, num mundo hostil.
- Jesus lhes garante: "Não temais, pequeno Rebanho, porque é do agrado do Pai dar a vós o Reino".
- E os convida a uma VIGILÂNCIA permanente (na "noite"): "Vigiai... o Senhor pode chegar quando menos esperamos."
- Exemplifica essa verdade com 3 PARÁBOLAS:
. Os Servos que esperam o Senhor voltar do casamento
. O Ladrão que chega de surpresa
. O Administrador fiel...
- E conclui, respondendo à pergunta de Pedro: "Quem deve vigiar?".
  TODOS: sobretudo os Animadores da Comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço.

A Comunidade cristã é pequena e frágil... Por isso, os cristãos devem viver em permanente vigilância dando primazia aos valores do Reino e aguardar a chegada do Senhor.

- Talvez também vocês, PAIS, estão preocupados com o mundo, que os seus filhos estão enfrentando...
  Jesus lhes garante: "Não tenhais medo... tende uma fé vigilante..."
    > em DEUS... e nos FILHOS... mesmo nas falhas e limitações...
    > VIGILANTE: Sendo uma presença certa na hora exata...

Ser Pai não significa apenas gerar a vida, mas acompanhar, vigiar, amparar, proteger a vida gerada.
É dividir com Deus a missão de criar, de gerar, pois o Pai criador gerou a vida no mundo e quis compartilhar essa tarefa com vocês...

E, Vocês, FILHOS, também estão preocupados com seus pais?
- "Não tenhais medo".
Todo pai é um lutador, que vence barreiras, que suporta e vence os obstáculos. Se os desafios existem, maiores são as forças para enfrentá-los.

Aos pais que desta vida já partiram, obrigado pelo exemplo de amor que deixaram, como símbolo de sua existência neste mundo.

Que o Criador, nosso Pai, proteja todos os nossos pais. Sem a sua presença, a vida seria mais triste, o mundo não seria o mesmo.                             

Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, hoje, o Evangelho nos fala de muitas coisas importantíssimas. Para imitar o Papa Francisco, eu vou pegar três pontos: já perceberam, que toda pregação dele, parte de três pontos? Primeiro ponto é este: não tenhais medo, pequenino rebanho. São palavras carinhosas. Jesus transmite um carinho, que podemos já perceber pelas palavras, pelas expressões, que Ele utiliza: “Não tenhais medo, pequenino rebanho”. Às vezes, nos dá a impressão, que só nós estamos nesta caminhada para o Reino de Deus. Você olha para um lado, as pessoas não estão preocupadas com o evangelho, olha para o outro lado e as pessoas não estão preocupadas com o próximo, olha pro outro e é só corrupção, olha para este, é só ladroagem, e, agente fica assim: será que a fé está acabando, então, vem Jesus com estas palavras: “Não tenhais medo, pequeno rebanho, porque foi da vontade do Pai, lhe conceder o Reino”. Às Vezes, achamos de o Reino vir a ser assim: de uma hora para outra, todo mundo vai virar cristão, vão ser bonzinhos. Não é assim que funciona. O Reino de Deus é vivenciado por pequeninos rebanhos. Às vezes, por famílias, que procuram viver o Evangelho, ás vezes, por núcleo, por comunidade, ás vezes por um grupo de cinquenta, setenta pessoas. Então, temos a impressão de que eles não existem, porque fica difícil localizá-los vivendo o Evangelho. Entretanto, se formos somar, dá um grande povo de Deus no mundo todo. É assim, a Igreja. A Igreja são estas pessoas, que pela fé se dispuseram a caminhar  em busca de construir o
Reino de Deus e buscam fazer isto na perseverança, que muitas vezes com muita dificuldade, mas vão vivendo e procurando seguir este Evangelho. Esta é A Igreja. É a igreja que se reúne em uma casa, num edifício, num templo, para se alimentarem da Palavra e da Eucaristia, para louvar a Deus, para reforçar a disposição de fazer o bem e para ajudar o próximo. Esta é a finalidade da Igreja. Se nós deixarmos de ajudar o irmão, deixamos de ser o sinal do serviço de Jesus Cristo. Se deixarmos de louvar a Deus, deixamos de reconhecer o nosso Deus e Senhor. Se deixarmos de nos alimentar da Palavra e da Eucaristia, nos perdemos no mundo, que também tem tanta palavra e tanta coisa que oferece, mas não com tanta perenidade, firmeza,  pois a palavra que ouvimos na Igreja é de vida eterna e não ilusões e enganações. Então, “não tenhas medo de viver a fé”. Na realidade, é isto que Jesus diz para nós. Somos pequenino rebanho, mas somos rebanho e sabemos quem é o nosso Pastor. O nosso Pastor é o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para alguns, tem um pedido a mais: segundo ponto: como será feliz o Senhor, quando Ele vier e ver os seus discípulos dando de comer às pessoas. Isto também é algo importante. Aí não diz dando de comer a quem pertence ao rebanho, mas “dando de comer às pessoas”. Claro, que dar de comer é tanto um prato de comida, quanto dar a Palavra de Deus; “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Dar de comer não se trata apenas do pão material, mas também  o alimento de uma companhia, de uma palavra, de um carinho, de um bom conselho, de um alimento que ajude o outro a ser melhor, de fato, servir o irmão. Servir também aquele que não conhecemos. É evidente, que aí temos uma exigência maior, porque nem sempre sabemos se estamos servindo mesmo ou colaborando para sua destruição. Aí vem o tema da vigilância. Estarmos vigilantes, “fazer o bem, sem saber a quem”. Fazer o bem, tendo a certeza de que se trata realmente de um bem mesmo. Por isso, que cada vez mais, vemos entidades, associações, que procuram servir o próximo, o assim chamado “trabalho voluntário”, onde temos desde o atendimento a crianças de pouca idade, até as pessoas de bastante idade. Assim mesmo, sempre somos chamados a estarmos vigilantes, para ver se falta, em alguma ocasião, um atendimento a alguém.
O terceiro ponto, isto, que Jesus fala é para nós ou para todos?
São Pedro representa a nossa palavra e é muito curioso observar, que nós sempre queremos observar se isto é para os outros ou também será para nós? Muitas vezes dizemos: fulano tinha que ouvir isto, sicrano tinha que ouvir aquilo. É sempre para os outros. No entanto, Jesus diz: não, é para todos. É para cada um de nós e para todos, porque a palavra Dele é para toda a humanidade. Que cada um veja o que é bom para ser ouvido e acolhido. Se você acha que esta palavra não é para você, louvado seja Deus, mas não caia no risco de achar que esta palavra é para o outro; é sempre para nós em primeiro lugar, porque julgar o outro é sempre mais fácil do que julgar a nós mesmos.
Que sejamos vigilantes, que sejamos os que louvam a Deus e sejamos os que se alimentam da Palavra e da Eucaristia, que possamos vivenciar a nossa fé.
Eu creio que dispensa comentário a segunda leitura, onde a Carta aos Hebreus mostra, que nem sempre nós vamos morrer tendo visto tudo quanto nós acreditamos ter sido concluído. Certamente é de São Paulo ou de um discípulo seu a Carta aos Hebreus. A Carta diz: entretanto, nós não vamos ser os privilegiados de não ter visto tudo ser realizado. Isto, desde Abraão, que foi assim. Abraão, Isaac, Jacó, pela fé, viveram tudo que viveram. No entanto, não conseguiram experimentar, sequer, um décimo daquilo que nós cristãos experimentamos. Não porque eles eram menos crentes ou tivessem menos direito do que nós. Não. É porque cada um a seu tempo, experimenta uma parte, daquilo que é o conjunto, que Deus tem reservado para todos. Entretanto, diz a leitura, eles compreenderam que Deus construía uma pátria celeste, onde Ele era o Arquiteto. Por conta disso, deixaram de lado tudo quanto é passageiro, para investir no eterno. Isto é sabedoria, diz a primeira leitura, porque aquilo que foi esperado pelo povo como salvação, se tornou, de fato, um grande sinal e uma grande esperança para todos.
Irmãs e irmãos, não tenhamos medo de continuar firmes na fé, semeando sempre as sementes do reino de Deus.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

Quando o Evangelho não nos é exigente? Quando a Palavra de Deus não nos questiona? A Escritura diz que “a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ele julga as disposições e intenções do coração” (Hb 4,12). A cada Domingo, fazemos experiência dessa exigência viva e eficaz da Palavra do Senhor em nossa vida. É o caso também deste hoje.

Comecemos com a advertência consoladora e carinhosa do Senhor Jesus: "Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino”. Tão atual e necessária esta palavra! A fé cristã e a Igreja são tão combatidas atualmente, tão incompreendidas! Cada vez mais nossa sociedade se paganiza, cada vez mais rejeita o cristianismo, cada vez mais fortemente apostata da fé na qual foi plasmada e cada vez menos compreende o Evangelho e suas exigências. Com quanta força se contesta a moral cristã; com quanta ênfase se ressalta e propaga a fraqueza desse ou daquele membro da Igreja, sobretudo do clero... O interesse é um só: desmoralizar a Igreja como porta-voz do Evangelho. Desmoraliza-se a Igreja para calar-se e desmoralizar-se a moral cristã e suas exigências. Olhem o Crucificado, pensem nas suas exigências e recordem o que o mundo pensa e diz: “Não queremos que ele reine sobre nós!” Pois a nós, pequeno rebanho - rebanho cada vez menor -, o Senhor exorta: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!” Não temais o mundo pagão, não temais os escândalos, não temais vossas próprias infidelidades e fraquezas, não temais os sábios da sabedoria deste mundo, que não podem compreender as coisas de Deus (cf. 1Cor 1,21) e crucificaram e crucificam ainda o Senhor da Glória (cf. 1Cor 2,8). Não temais ante as dificuldades da vida!
Mas, como é possível resistir? É tão grande o combate; é tão dramática a batalha! As leituras da Missa de hoje dão-nos uma resposta emocionante. O Livro da Sabedoria nos recorda a noite da saída do Egito. Israel era um povinho, um bando de escravos, menos que nada, menos que ninguém... Como suportou o sofrimento? Como se conservou fiel a Deus? Como resistiu? Como não se dispersou? Resistiu porque colocou somente em Deu sua esperança: “A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos”. O povo de Deus, escravo no Egito, não duvidou da promessa que Deus fizera a Abraão; o povo esperou contra toda esperança e esperou no julgamento de Deus: “Os piedosos filhos dos bons fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos”. Um povo unido pela esperança e pela fé na Palavra de Deus.
A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, também nos responde: a fé, mãe da esperança, foi a forçados amigos de Deus. “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem”. Na fé, já possuímos; na fé, já tocamos com as mãos aquilo que o Senhor nos prometeu e nos preparou. Foi pela fé que nossos antepassados partiram, deixaram tudo; pela fé tiveram a coragem de viver errantes, morando em tendas, daqui para ali... Pela fé, viveram como estrangeiros nesse mundo, colocando toda esperança em Deus, que nos prepara uma Pátria melhor no céu; pela fé, Abraão, nosso pai, foi capaz de sacrificar seu filho único... Pela fé deles "Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus”.
Vejam, irmãos: o caminho que o Senhor nos propõe nunca foi fácil... Somente aqueles que tiveram a coragem de se deixar, de se abandonar, de se entregar, perseveraram até o fim. É o que o Senhor nosso, Jesus Cristo, nos propõe hoje: “Vendei vossos bens e dai esmola... Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu... Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas, como homens esperando seu senhor voltar. Ficai preparados!” Todas essas palavras nos convidam ao desapego, à vigilância, à atitude de disponibilidade, de entrega e esperança diante de Deus. E como tudo isso é difícil, num mundo que propõe como ideal de vida o conforto, a fartura de bens, o individualismo, a confiança somente no que se vê, a dispersão interior e exterior! Digam: como as crianças podem ter amor a Deus passando horas e horas diante dos filmes e desenhos animados pagãos? Como os adultos podem prender o coração às coisas de Deus, empanturrando-se de dispersão, de novelas e de futilidades mundanas? Como rezar bem se nos apegamos ao conforto desmesurado? Como manteremos nosso fervor dispersos em mil bobagens? Como seremos realmente fortes na fé sem combater nossos vícios? Como estaremos prontos para levar cruz na doença, nas dificuldades da vida conjugal, no desafio da educação dos filhos, na luta do combate aos vícios, na busca sincera de sermos retos, decentes e honestos por amor de Cristo? Como viver tudo isso sem a vigilância? Como permanecer firmes na fé católica sem a oração e a procura das coisas de Deus? O Senhor virá na noite desse mundo: “E caso chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão” se nos encontrar vigilantes! Vigiemos, portanto!
Caríssimos, esta advertência é para todos, e de modo especial, para nós, pastores do rebanho, a quem o Senhor constituiu “administrador fiel e prudente”. Que não caiamos na ilusão de pensar: “Meu patrão está demorando” e nos entreguemos à infidelidade! Não temamos; vigiemos, sejamos fiéis até o fim! Não reneguemos o Evangelho! – Eis o apelo do Senhor hoje!
Esta palavra vale também para os pais, servos que o Senhor colocou à frente de sua família. Que sejam conscientes da missão que receberam e transmitam aos seus filhos o testemunho de uma fé robusta e dos verdadeiros valores humanos e cristãos. E possam receber a recompensa dos servos bons e fiéis, aqui e por toda a eternidade. Amém
D. Henrique Soares da Costa

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (diáconos e ministros da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO Consagrado ESTIVER SOBRE O ALTAR)      
Pres.: O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
Pres.: COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO,  louvemos ao PAI:
T: Senhor, vinde sempre em nosso auxílio.
Pres.:  Pai, como é bom conhecermos a vossa Palavra; Sois bondade e amor. Outrora libertastes vossos filhos do cativeiro do Egito e os colocastes na terra prometida. Hoje, pela Páscoa de Jesus ressuscitado nos dais a fé e a esperança de chegarmos ao vosso Reino.
T: Senhor, vinde sempre em nosso auxílio.
Pres.:  Pai, nós vos bendizemos por Abraão e Sara que testemunharam a fé e a esperança em nossa história. Que o Espírito Santo nos conduza e nos inspire a crescer em nossa fé e em nossa esperança. Que sempre estejamos atentos a fazer a vossa vontade, pois nela está a nossa felicidade.
T: Senhor, vinde sempre em nosso auxílio.
Pres.:  Pai, vos bendizemos porque em Jesus nos inseristes em vosso Reino; Somos cidadãos do Céu; Este é o nosso tesouro. Nós vos agradecemos por nos enviar Jesus e nos mostrar vosso amor.
T: Senhor, vinde sempre em nosso auxílio.
Pres.:  Pai nosso...     Eis o Cordeiro...