quinta-feira, 12 de setembro de 2019

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos


24º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C 2019
(Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: “O Cristo veio para salvar os pecadores.”
Primeira leitura: No Sinai Jahwéh mostra sua misericórdia face à infidelidade do Povo.
Evangelho: A parábola do “filho pródigo”, apresenta Deus como um pai que espera o regresso do filho rebelde e que faz uma festa para celebrar o reencontro.
Segunda leitura: Paulo recorda que o amor de Jesus Cristo nos transforma em pessoas novas.

PRIMEIRA LEITURA (Ex 32,7-11.13-14) Leitura do Livro do Êxodo.
Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés: “Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram lhe sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!’” E o Senhor disse ainda a Moisés: “Vejo que este é um povo de cabeça dura. Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação”. Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: “Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte”? “Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste, por juramento, dizendo:
“Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre”. E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.

AMBIENTE - O texto situa-nos no deserto do Sinai, onde Israel celebrou uma aliança com o seu Deus. Depois de Moisés subir ao monte para receber de Deus as tábuas da Lei, o Povo, reunido no sopé da montanha, construiu um bezerro de ouro e infringiu os termos da aliança.

MENSAGEM - Na ausência de Moisés, o Povo constrói um bezerro de ouro. O Povo “desviou-se do caminho” que Deus lhe havia ordenado, pois infringiu o segundo mandamento do Decálogo (segundo o qual, Israel não devia fazer imagens, já que a “imagem” era uma definição de Deus e Deus não pode ser definido pelo homem; por outro lado, a luta contra os deuses e cultos pagãos era impossível se não se proibisse também os seus símbolos e imagens). Na segunda parte, descreve-se a intercessão de Moisés e a misericórdia de Deus. As palavras de intercessão de Moisés não fazem referência aos méritos do Povo, mas à honra de Deus e à sua fidelidade às promessas assumidas para com o Povo no âmbito da aliança. A resposta de Deus põe em relevo a sua misericórdia. Não são os méritos do Povo que sustêm o castigo; mas é o amor de Deus, a sua lealdade aos compromissos, a sua “justiça” (que é misericórdia, ternura, bondade) que acabam por triunfar. O amor infinito de Deus pelo seu Povo acaba sempre por falar mais alto do que a sua vontade de castigar os desvios e infidelidades.

ATUALIZAÇÃO
 Fica claro que a essência de Deus é esse amor gratuito que Ele derrama sobre os homens, qualquer que seja o seu pecado… Deus ama infinitamente, seja qual for a resposta do homem.
O pecado dos israelitas (a construção de uma imagem deturpada de Deus) leva nos a questionar as imagens que, às vezes, construímos e transmitimos de Deus… O Deus em quem acreditamos e que testemunhamos, quem é? É o Deus que se revelou como amor, bondade, misericórdia, ao longo da história da salvação, ou é um Deus vingativo e cruel, que não desculpa as faltas dos homens?  - testemunhar um Deus vingativo, sem coração e sem misericórdia, é fabricar uma falsa imagem de Deus.
 Moisés intercede pelo Povo sem uma ambição pessoal sobre Israel (Deus propôs-lhe: “deixa que a minha indignação se inflame contra eles; de ti farei uma grande nação”; mas Moisés não aceitou a proposta). Quantas vezes os homens são capazes de “vender a alma ao diabo” para subir, para ter êxito? Quantas vezes sacrificam os valores mais sagrados para serem conhecidos, famosos, invejados, ou para adquirir mais e poder e influência?

SALMO RESPONSORIAL / 50 (51) Vou agora levantar-me, volto à casa do meu pai.

EVANGELHO (Lc 15,1-32) Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”.

AMBIENTE - No “caminho para Jerusalém” aparece, em dado momento, uma catequese sobre a misericórdia de Deus… Com efeito, todo o capítulo 15 de Lucas é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”. Para Lucas, Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer, em gestos concretos, a salvação. As parábolas da misericórdia expressam o amor de Deus aos pecadores. O discurso de Jesus apresentado em Lc 15 é enquadrado, pelo evangelista, numa situação concreta. Ao ver pecadores (cobradores de impostos, prostitutas) que se aproximavam de Jesus e eram acolhidos por Ele, os fariseus e os escribas (que não admitiam qualquer contato com os pecadores) expressaram a sua admiração por Jesus os acolher, Se sentar à mesa com eles (familiaridade, comunhão de vida). É essa crítica que vai provocar o discurso de Jesus sobre a misericordiosa de Deus.

MENSAGEM - As três parábolas da misericórdia pretendem justificar o comportamento de Jesus para com os publicanos e pecadores. Elas definem a “lógica de Deus” em relação a esta questão.
A primeira parábola é a da ovelha perdida. À luz da razão, é ilógica e incoerente, pois não é normal abandonar noventa e nove ovelhas por causa de uma; também não faz sentido todo o espalhafato criado à volta de um fato banal como é o reencontro com uma ovelha que se extraviou… Nesses exageros revela-se, contudo, a mensagem da parábola… O “deixar as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro da que estava perdida” mostra a preocupação de Deus com cada homem que se afasta da comunidade da salvação; o “pôr a ovelha aos ombros” significa o cuidado de Deus, que trata com amor os filhos que se afastaram e que necessitam de cuidados especiais; a alegria do pastor que encontrou a ovelha mostra a alegria de Deus, sempre que encontra um filho que se afastou da comunhão com Ele.
A segunda parábola reafirma o ensinamento da primeira. O amor misericordioso de Deus busca aquele que se perdeu e alegra-se quando o encontra. A imagem da mulher preocupada, que varre a casa, ilustra a preocupação de Deus em reencontrar aqueles que se afastaram da comunhão com Ele. Também aqui há novamente a referência à alegria do reencontro: essa alegria manifesta a felicidade de Deus diante do pecador que volta.
A terceira parábola apresenta o quadro de um pai (Deus), em cujo coração triunfa sempre o amor pelo filho, aconteça o que acontecer. Ele continua a amar o filho rebelde e ingrato, apesar da sua ausência, do seu orgulho e da sua autossuficiência; e esse amor acaba por revelar-se na forma emocionada como recebe o filho, quando ele resolve voltar para a casa paterna. Esta parábola apresenta a lógica de Deus, que respeita a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para buscar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar, a esperar o regresso do filho, preparado para acolhê-lo com alegria e amor. É essa a lógica que Jesus quer propor aos fariseus e escribas (os “filhos mais velhos”) que, a propósito dos pecadores que tinham abandonado a “casa do Pai”, professavam uma atitude de intolerância e de exclusão.
O que está em causa nas três parábolas da misericórdia é a justificação da atitude de Jesus para com os pecadores. Jesus deixa claro que a sua atitude se insere na lógica de Deus em relação aos filhos afastados. Deus não os rejeita, não os marginaliza, mas ama-os com amor de Pai… Preocupa-se com eles, vai ao seu encontro, solidariza-Se com eles, estabelece com eles laços de familiaridade, abraça-os com emoção, cuida deles com solicitude, alegra-Se e faz festa quando eles voltam à casa do Pai. Esta é a forma de Deus atuar em relação aos seus filhos, sem exceção; e é essa atitude de Deus que Jesus revela ao acolher os pecadores e ao sentar-Se com eles à mesa. Por muito que isso custe aos fariseus, essa é a lógica de Deus; e todos os “filhos de Deus” devem acolher esta lógica e atuar da mesma forma.

A veste nova representa a amizade de Deus recuperada, exatamente como era antes. Isto nos causa arrependimento e ao mesmo tempo alegria, após o pecado.  É próprio de quem ama respeitar a pessoa amada. Provavelmente o pai sabia onde o filho estava, cuidando dos porcos. Mas não foi buscá-lo. Sofria ao saber que o filho estava passando fome, mas respeitava a sua liberdade. Já o filho mais velho é mesquinho, sem coração, não sabe perdoar o irmão. Se nos julgamos perfeitos e não aceitamos ser irmãos daqueles que erram, tornamo-nos piores do que eles.                                                   

ATUALIZAÇÃO
As parábolas da misericórdia revelam-nos um Deus que ama todos os seus filhos, sem exceção, mas que tem um “fraco” pelos marginalizados, pelos excluídos, pelos pecadores… Esse amor manifesta-se em atitudes exageradas de cuidado, de solicitude; revela-se também na “festa” que se sucede a cada reencontro… Deus abomina o pecado, mas não deixa de amar o pecador.
• Se essa é a lógica de Deus em relação aos pecadores, é essa mesma lógica que deve marcar a minha atitude face àqueles que me ofendem e, mesmo, face àqueles que têm vidas moralmente reprováveis. Como é que eu acolho aqueles que me ofendem: com intolerância ou com respeito?
• Ser testemunha da misericórdia e do amor de Deus não significa pactuar com o pecado… O pecado – tudo o que gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento – é mau e deve ser combatido e vencido. Distingamos as coisas: Deus convida-me a amar o pecador como um irmão; mas convida-me também a lutar contra o mal – todo o mal é uma negação desse amor de Deus.

SEGUNDA LEITURA (Tm 1,12-17) Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.
Caríssimo: Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim ao designar-me para o seu serviço, a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. Transbordou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. Ao Rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

AMBIENTE - Timóteo é companheiro de Paulo, a partir da segunda viagem missionária. Paulo teria confiado a Timóteo missões importantes entre os tessalonicenses e entre os coríntios. A tradição considera-o como o primeiro bispo de Éfeso. Esta carta apresenta três temas: a organização da comunidade, a forma de combater os hereges e a vida cristã dos fiéis.

MENSAGEM - No texto, Paulo recordaa sua história de vocação. O apóstolo afirma que recebeu de Cristo o seu ministério; e proclama que isso se deve, não aos seus méritos, mas à misericórdia de Deus. Paulo tem consciência do seu passado de perseguidor da Igreja de Cristo. Atuou dessa forma por ignorância; Apesar desse passado, Deus, na sua bondade, cumulou-o da sua graça. Paulo reconhece que Cristo “veio ao mundo para salvar os pecadores”, entre os quais Paulo se inclui. Pelo exemplo de Paulo, fica evidente a misericórdia de Deus, que se derrama sobre todos os homens, sejam quais forem as faltas cometidas. A partir deste exemplo, todos os homens são convidados a tomar consciência da bondade de Deus e a responder-lhe da mesma forma que Paulo: com o dom da vida e com o empenho sério no testemunho desse projeto de amor que Deus tem para oferecer. O reconhecimento que Paulo sente diante da misericórdia com que Deus o distinguiu leva-o a um canto de louvor: (“ao rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos, amém”).

ATUALIZAÇÃO
 o amor de Deus derrama-se sobre todos os homens, mesmo sobre os pecadores. Somos filhos deste Deus e amamos os nossos irmãos, sem distinções? Como conciliar essas atitudes com o exemplo de amor sem restrições que Deus nos oferece?


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Deus está sempre de braços abertos para acolher os pecadores arrependidos.

A 1ª Leitura mostra a MISERICÓRDIA de Deus para com o Povo infiel.
Após ter recebido inúmeros favores de Deus na Libertação do Egito, o Povo rompe com a Aliança e adora um bezerro de ouro. Moisés intercede. Deus os perdoa.
* O BEZERRO DE OURO não pretende ser um novo deus, mas uma "imagem" de Javé, o que era proibido, para salvar a transcendência de Javé e evitar os símbolos e imagens dos cultos pagãos...

Na 2ª Leitura: PAULO fala da MISERICÓRDIA de Deus para com ele: Recorda o seu passado de perseguidor violento da Igreja. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, tornou-se um Apóstolo... E hoje manifesta toda a sua alegria e gratidão pelo que a graça e a misericórdia de Deus fez nele... (1Tm, 1,12-17)

Evangelho (Lc 15,1-32): Jesus fala da MISERICÓRDIA de Deus para com os Pecadores:

- Na Introdução, os fariseus criticam Cristo porque "acolhe pecadores e come com eles..."
- Essa crítica provoca a Resposta de Jesus   com as TRÊS PARÁBOLAS DA MISERICÓRDIA  que ilustram a atitude misericordiosa de Deus para com os pecadores,
  - A Ovelha perdida - A Moeda perdida - O Filho pródigo (perdido)

+ Elas manifestam a Alegria de encontrar o que estava perdido;  A alegria é tão grande, que precisa ser partilhada com os outros; É preciso festejar, tamanha é a felicidade.

+ Elas nos apresentam também Três Realidades:

1. A Existência do PECADO:

Nas leituras de hoje, encontramos vários exemplos:
- A IDOLATRIA dos judeus...
- A PERSEGUIÇÃO de Paulo
- A Atitude de INJUSTIÇA do Filho pródigo para com o Pai e a vida desordenada com meretrizes...
- A negativa de PERDÃO do irmão mais velho...
- O PURITANISMO dos fariseus e escribas, que murmuravam...
2. A MISERICÓRDIA de Deus:

- O Pai respeita a liberdade do filho,  mesmo quando busca a felicidade por caminhos errados...   Continua a amar e a esperar o seu regresso. E quando volta...
- Corre ao encontro, mesmo antes do filho pedir perdão...
- O Beijo revela o perdão, a acolhida, a alegria...
- A veste: manifesta que devolve a dignidade... uma vida nova
- O anel: simboliza o poder... é recebido "como filho", não como empregado...
- As sandálias: são próprias do homem livre, não do escravo...
- Festeja com a alegria o retorno.

* É a atitude de Deus para com os filhos afastados...
      O Pai nunca abandonou seu amor de Pai.
- Por que será que o filho mais novo quis ir embora?   Porque desejava uma vida liberdade, longe dos olhos e controle do pai. Ou porque o comportamento do seu irmão tornava a vida pesada e insuportável naquela casa?

3. A CONVERSÃO do pecador.

O Pecado existe e todo pecado é uma ofensa a Deus... Mas a misericórdia de Deus é maior do que todos os nossos pecados...

Contudo supõe uma atitude de retorno: CONVERSÃO. Assim entenderemos a preferência de CRISTO pelos pecadores, que humildemente reconheciam suas culpas e procuravam sinceramente uma conversão.
E compreenderemos também as censuras de Jesus aos fariseus, representados na Parábola pelo filho mais velho, que não aceita perdoar...

Todos nós somos pecadores... A Igreja não é feita de santos, mas de pecadores perdoados...
- A Liturgia afirma: "Somos povo santo e pecador..."
- S. Paulo: "Jesus veio salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles". (1Tm 1,15)

+ As Parábolas da misericórdia nos revelam um Deus que ama todos.
As transgressões dos filhos não anulam o Amor do Pai.
Se essa é a atitude de Deus, qual deve ser a nossa para com aqueles que se afastaram de Deus e da Comunidade? 
A Atitude de Cristo ou a dos fariseus? Do Pai ou do Filho mais velho?
Como viver a misericórdia em nossa Vida, em nossa Família?

Renovemos a nossa fé em Deus, Pai de bondade e misericórdia, e fiquemos de BRAÇOS ABERTOS também para nossos irmãos.

Pe. Antônio Geraldo
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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

Na Solenidade do santo Natal, na segunda leitura da Missa da Aurora, a Igreja, olhando o Presépio, faz-nos escutar as palavras de São Paulo a Tito: “Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador, e o seu amor pelos homens. Ele salvou-nos, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia…” (Tt 3,4s). O Menino que veio viver entre nós, Jesus, nosso Senhor, é a bondade de Deus, é a sua salvação misericordiosa… Estas palavras são maravilhosamente ilustradas pela liturgia deste Domingo. Hoje, o Cristo nos é apresentado como a própria bondade, a própria ternura misericordiosa do Pai do céu, do nosso Deus. Aquilo que já fora prefigurado por Moisés, intercedendo pelo povo pecador, na primeira leitura; aquilo que, na segunda leitura, São Paulo pregou e experimentou na própria vida: “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!” – tudo isso nós tocamos nas três parábolas da misericórdia do Evangelho de São Lucas.
Sigamos a narrativa. Por que Jesus contou essas parábolas? Porque “os publicanos e pecadores aproximavam-se dele para o escutar. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’.” Aqui está: Jesus era um fio de esperança para aqueles considerados perdidos, metidos no pecado, sem jeito nem solução… Os publicanos, as prostitutas, os ignorantes, os pequenos e desprezados, gente sem preparo e sem cultura teológica… estavam aproximando-se de Jesus para escutá-lo; viam nele a ternura e a misericórdia de Deus. Os escribas e fariseus – homens praticantes e doutores da Lei – criticavam Jesus por isso. Ele se misturava com os impuros, ele acolhia a gentalha e os pecadores. Pois bem, foi para esses doutores que Jesus contou as parábolas, para mostrar-lhes que o coração do Pai é ternura, é amor, é vida, é amplo como uma casa grande…
O Pai se alegra, porque Jesus, o Bom Pastor, era capaz de deixar noventa e nove ovelhas para ir atrás daquela que se perdera totalmente, até encontrá-la! O convite que Jesus estava fazendo aos escribas e fariseus era claro: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!” Alegrai-vos, porque o coração do Pai está feliz: ele não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida! Do mesmo modo, na parábola da dracma perdida: Deus é como aquela mulher que acende a lâmpada e varre cuidadosamente a casa até encontrar sua moedinha. E não descansa até encontrá-la. Quando a encontra, como Deus, quando encontra o pecador, ela exclama: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que havia perdido!” O Deus que Jesus nos revela, o Deus a quem ele chamava de Pai é assim: bom, compassivo, misericordioso, preocupado conosco e com cada um de nós. Ele somente é glorificado quando estamos de pé, quando estamos bem, quando somos felizes. Mas, não há felicidade verdadeira para nós, a não ser juntinho dele, que é o Pai de Jesus e nosso Pai. É isso que Jesus inculca com a terceira parábola, a mais bela de todos: o Pai e os dois filhos.
“Um homem tinha dois filhos”. Este homem é o Pai do céu. “O filho mais novo disse ao pai: ‘Dá-me a parte da herança que me cabe’”. Esse moço quer ser feliz, deseja ser livre… e imagina que somente vai sê-lo longe do olhar do pai. Assim, sem juízo, como que mata o pai, pedindo-lhe logo a herança. “e partiu para um lugar distante”. Quanto mais longe do pai, melhor, mais livre. E aí dissipa tudo, numa terra pagã, longe do pai, longe de Deus. E termina na miséria, tendo esbanjado a vida, a felicidade, o futuro, o amor e o sexo… Vai pedir trabalho e dão-lhe o mais vergonhoso para um judeu: cuidar de porcos, animais impuros. E ele queria comer a lavagem dos porcos e não lha davam! Em que deu o sonho de autonomia, de liberdade, de felicidade longe do pai! Tudo não passara de ilusão! Mas, apesar de louco, o jovem era sincero: caiu em si, reconheceu que pecou. Não colocou a culpa no pai, nos outros, no mundo, no destino. Reconheceu-se culpado e recordou e confiou no amor do pai: “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti!” E volta! O jovem era corajoso, generoso, era sincero! O que ele não sabia é o pai nunca o esquecera; esperava-o todos os dias, olhando ao longo do caminho. De longe o avistou e o reconheceu, apesar da miséria e da fome e das roupas maltrapilhas. E, cheio de compaixão – como o coração do Pai de Jesus – correu ao encontro do filho, cobriu-o de beijos e de vida, e restituiu-lhe a dignidade de filho. E deu uma festa! O Pai é assim: não quer ninguém fora de sua casa, de seu coração, da festa do seu amor, do banquete de sua eucaristia! Mas, havia ainda o filho mais velho. Este, como os escribas e os fariseus, jamais havia desobedecido ao pai; cumprira todos os seus preceitos. Por isso, ficou com raiva e não quis entrar na festa do pai: “O pai, saindo, insistia com ele…” Notem que o mesmo pai que saíra ao encontro do mais novo, saiu agora ao encontro do mais velho, que estava perdido no seu egoísmo, na sua raiva, fora da festa e do aconchego do pai! E o mais velho passou-lhe na cara: “Eu trabalho para ti há tantos anos… e tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos…” O pai respondeu: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu…” É que aquele filho nunca amara o pai de verdade: cumpria tudo, de tudo fazia conta… e, um dia, iria pedir o pagamento, a recompensa por tudo… Por isso nunca se sentiu íntimo do pai, por isso não sentia que tudo quanto era do pai era dele também! Pode-se estar junto do pai e nunca o conhecê-lo de verdade! Não era esta a situação daqueles escribas e fariseus? Interessante que Jesus não diz se o filho entrou na festa do pai e na alegria do irmão ou se, ao contrário, ficou fora, onde somente há choro e ranger de dentes.
Pois bem, o Senhor nos convida hoje a acolher em Jesus a misericórdia incansável de Deus para conosco, um Deus que não sossega até nos encontrar… Mas, nos convida também a ser misericordioso para com os outros. É triste quando experimentamos que somos pecadores, experimentamos a bondade acolhedora de Deus para com nossos pecados e, depois, somos duros, insensíveis e exigentes em relação aos irmãos. Que o Senhor nos dê um coração como o coração de Cristo, imagem do coração do Pai, capaz de acolher o perdão e a misericórdia de Deus e transbordar esse perdão e essa misericórdia para com os outros. Amém. - Dom Henrique Soares da Costa
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Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Em pleno Ano Santo da Misericórdia, o evangelho deste XXIV Domingo do Tempo Comum nos apresenta o coração do evangelho de Lucas, pois nos fala da misericórdia, isto é, aquilo que está no centro do coração de Deus. Apesar de podermos identificar três partes distintas nessa longa narração do capítulo 15 (ovelha perdida, dracma perdida, dois filhos), estamos, na verdade, diante de um único ensinamento de Jesus: só quem se reconhece pecador e perdido, é capaz de fazer a experiência da misericórdia de Deus e de ser reencontrado pelo Pai. O pecado, realidade universal e inegável por causa de suas consequências, nos coloca a todos, sem exceção, numa condição de necessitados de um reencontro. Reencontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. Reencontro com a sua condição primordial de ser criatura de Deus; reencontro com a sua missão fundamental de ser irmão do seu semelhante; reencontro com a sua meta final de ser caminhante rumo à plenitude da vida.
O pastor que vai em busca da ovelha desgarrada e a mulher que diligentemente procura a dracma perdida indicam que o sujeito principal do reencontro é o próprio Deus. A longa tradição bíblica testemunha este compromisso de Deus que, apesar do pecado do seu povo, não o abandona. Contudo, ao perdido, cabe deixar ser reencontrado, ao pecador, compete aceitar ser reconciliado. No seu mistério de amor indizível, Deus vem à nossa procura, toma a iniciativa de nos oferecer perdão, misericórdia, sem se importar se queremos ou não. Nem sempre um doente se submete a um indispensável tratamento por livre e alegre aceitação. A ovelha resgatada ou dracma recuperada não decidiram o reencontro, simplesmente foram “objetos passivos” da decisão do pastor e da mulher. Por outro lado, não foram objetos de uma tirania, não sofreram uma violência destruidora de sua condição; ambas foram recuperadas porque valiam mais do que uma quantidade.
Mais do que prejuízo material para quem perdeu, pois no conjunto valiam o mínimo (1% para a ovelha, 10% para a dracma), o maior prejuízo era para o perdido. A ovelha fora do rebanho perdeu os cuidados do pastor: a segura condução para o pasto e para as águas, a proteção diante dos perigos das intempéries e o risco de morte diante da ameaça das feras e da ambição dos salteadores. A dracma sozinha perdeu a sua relação com as outras, com as quais poderia formar um colar para embelezar, ou mesmo somando-se às demais teria o seu valor complementado podendo servir para adquirir algo mais valioso, o que sozinha não conseguiria, pois vale muito pouco.
A experiência do pecado revela nossos fundamentais desencontros. O pecador é um desencontrado que, por não se reconhecer criatura de Deus, assume posturas de autossuficiência, egoísmo, isolando-se dos outros, pois se sente dono de sua vida, e a ninguém deve “prestar contas”, pois assim acredita ser a condição para ser feliz (filho mais novo). Pecador é um desfigurado por não se reconhecer irmão do semelhante, inflado de vaidade, pensa-se melhor do que os outros, por isso rompe a sua relação com os demais e prefere viver no seu próprio mundo, fechado em si mesmo (filho mais velho). Pecador é um desencaminhado nas estradas da vida, pois perdeu o rumo da sua existência, rejeitou a sua dignidade de filho e irmão (ambos); consequentemente, prefere os atalhos que conduzem a satisfações momentâneas, abandonando o caminho que conduz à plenitude da vida.
É diante dessa miséria do ser humano que a riqueza da misericórdia de Deus se manifesta. O pastor não busca uma ovelha perdida porque a considera um prejuízo material, pois seria um grande investimento (deixar as noventa em nove, perder tempo na procura, expor-se aos perigos do caminho) para pouca coisa (1%); para ele o que conta é o prejuízo que a ovelha tem, é ela a grande perdedora. Mas porque a ama, é capaz de sacrificar-se para salvá-la. A mulher que perde o seu tempo varrendo a casa mais uma vez, que desperdiça o óleo de sua lâmpada para iluminar excepcionalmente alguns lugares da casa a fim de encontrar aquela moeda, não é motivada apenas por uma sensação de ter perdido um pequeno objeto. Mas considerando a dracma perdida na relação com as outras, reconhece que o prejuízo não é só de uma, mas todas as outras dracmas são prejudicadas, pois a sua falta será desfalque para o conjunto, afetará a beleza do colar, ou diminuirá o valor das demais. Nessas duas comparações, Jesus evidencia as causas do pecado e seus danos em nível pessoal (ovelha) e social-comunitário (dracma). No relato dos dois filhos, tudo isso é retomado com um elemento novo. Para a ovelha e a dracma é Deus o sujeito principal, agora evidencia-se a necessidade de decisão do pecador: “Vou-me embora, procurar o meu pai”. Mesmo sendo procurado por Deus, o pecador deve decidir se aceita ou não ser encontrado por Ele. Isso exige abertura para reconhecer a sua condição atual: “Pequei contra o céu e contra ti”, o lugar para onde decidiu ir e o que preferiu optar e abandonar. Quando abandonamos o pai bondoso, um patrão tirano nos adota, quando renunciamos à filiação gratuita, caímos numa escravidão degradante, quando recusamos o perdão, ficamos fora da alegria da salvação.
Aquele que nos deu a vida sabe quanto ela custa, e quanto prejuízo se tem quando dela não se cuida. O nosso pecado é não reconhecer esse precioso dom, fazendo dele uma coisa que se pode manipular ao nosso bel-prazer, desperdiçando-a como se fosse apenas algo cujo prejuízo é apenas material, quantitativo, possível de se restituir.  Todos somos aquela ovelha desgarrada, buscada, encontrada e transportada nos ombros do Bom Pastor, contudo em nenhum momento se diz que ela foi acorrentada ou aprisionada no aprisco. Todos somos a dracma que se perde, mas que é buscada, iluminada e encontrada, contudo, jamais aprisionada debaixo de sete chaves para que não se perca mais. Todos somos aqueles dois filhos, como o mais novo, perdido fora de casa por sua vaidade e presunção, ou como o mais velho que, mesmo sem sair de casa, vivia como um escravo do seu pai a quem injustamente reconhecia apenas como patrão. Mas Deus é como o pastor que procura os que se perdem fora de casa (os pecadores e publicanos) ou como a mulher que não desiste de quem se perdeu dentro de casa (fariseus e escribas). Se sai de casa, Ele vai ao encontro, se volta para casa, Ele perdoa e acolhe. A misericórdia é de Deus, a opção é nossa.
Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ. 
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LOUVOR (quando o Pão Sagrado estiver sobre o altar)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS PRESENTE ENTRE NÓS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, nos coloquemos na presença do PAI:
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Pai de bondade, Vós que guiastes Moisés para que ele conduzisse o Vosso povo fora do Egito, nós Vos bendizemos pela paciência e pelo perdão que nos revelais. Ajudai-nos para que não nos afastemos de vosso amor e de vossa misericórdia.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Deus, Nosso Pai, honra e glória a Vós, Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, pelos séculos dos séculos. Reconhecemos o vosso amor e o vosso perdão que nos faz levantar todos os dias. Que cada dia possamos nos aproximar cada vez mais de vosso amor.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Deus, Nosso Pai, Vós que sabeis acolher os pecadores e ainda nos convidais a participar da mesa do vosso Filho, nós vos bendizemos; Sois amor e misericórdia. Enviai o Espírito Santo para que sejamos transformados e assim possamos espelhar ao mundo a misericórdia e o perdão.
T: Ó DEUS, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
- Pai nosso...  A Paz...   Eis o Cordeiro...


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

22º DOMINGO DO TC. ANO C, homilias, subsídios homiléticos


22º DOMINGO DO TC. ANO C 2019

SINOPSE:
Tema: A humildade e a gratuidade são os desafios do Reino.
Primeira leitura: A humildade é o caminho para ser agradável a Deus e aos homens.
Evangelho: Jesus recomenda humildade e fraternidade para participarmos no Banquete.
Segunda leitura: O nosso encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de amor, que exige de nós humildade e amor para com o próximo.

PRIMEIRA LEITURA (Eclesiástico 3,19-21.30-31) Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes. Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende. O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios e com ouvido atento deseja a sabedoria.

AMBIENTE - séc. II a.C., ... O helenismo minava a cultura e os valores de Israel. Jesus Ben Sirá defende o patrimônio religioso e cultural do judaísmo frente à cultura grega.

MENSAGEM - Para Jesus Ben Sira, a humildade garante a estima perante os homens e “graça diante do Senhor”. É na humildade e simplicidade que reside a “sabedoria”, do êxito e da felicidade.

ATUALIZAÇÃO - ♦Ser humilde é assumir o nosso lugar, mas sem nunca humilhar os outros. Significa pôr os próprios dons ao serviço de todos, com simplicidade e com amor. É aí que está a “sabedoria”, quer dizer, o segredo do êxito e da felicidade.
Ser soberbo é se deixar dominar pelo orgulho e torna-se egoísta, injusto, autossuficiente e desprezar os outros. Deixa de precisar de Deus e dos outros homens; está condenado ao fracasso.
udo o que somos e temos é um dom de Deus.

SALMO RESPONSORIAL / 67 (68)
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
• Os justos se alegram na presença do Senhor; / rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! / Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! / O seu nome é Senhor; exultai diante dele!
• Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor; / é assim o nosso Deus em sua santa habitação. / É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, / quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura.
• Derramastes lá do alto uma chuva generosa, / e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes; / e ali vosso rebanho encontrou sua morada; / com carinho preparastes essa terra para o pobre.

EVANGELHO (Lc 14,1.7-14) Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”. E disse também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

MENSAGEM - O A.T. aconselhava a não ocupar os primeiros lugares (Prov 25,6-7Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no meio dos grandes;  porque melhor é que te digam: Sobe para aqui!, do que seres humilhado diante do príncipe.); mas o que aí era uma exortação moral, nas palavras de Jesus converte-se na lógica do “Reino”: o “Reino” exclui qualquer atitude de superioridade, de orgulho, de ambição, de domínio sobre os outros; quem quiser entrar nele, tem de fazer-se pequeno, simples e humilde. Ele próprio, na “ceia de despedida”, lavou os pés aos discípulos, avisando que, na comunidade do “Reino”, os primeiros serão os servos de todos (Jo 13,1-17). O que é ser humilde? Humildade deriva de humus, pó, lama, barro… A virtude da humildade não tem nada a ver com a timidez. A humildade faz que tenhamos consciência clara de que os nossos talentos e virtudes pertencem a Deus; é saber-se pobre, limitado diante do Senhor. O humilde tem a sua própria verdade: é pobre, mas amado por Deus. Por isso, o humilde é aberto para o Senhor, dele reconhece que é dependente, e a ele se confia e pode acolher como uma criança o Reino que Jesus veio trazer. Quem quiser entrar nele, tem de fazer-se pequeno, simples, humilde.

A segunda atitude é a gratuidade“Numa festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. A gratuidade é a virtude de dar sem esperar nada em troca, dar e sentir-se feliz, sentir-se realizada no próprio dar. A gratuidade é filha da humildade. Só quem sabe que em tudo depende de Deus e de Deus tudo recebeu gratuitamente (humilde), também sente-se impelido a imitar a atitude de Deus: dar gratuitamente! “De graça recebestes, de graça dai!” (Mt 10,8). Pois bem, quem faz crescer em si a humildade e cultiva a gratuidade, experimenta a Deus e seu Reino. Quem cultiva a humildade e a gratuidade, deixa o Reino ir entrando em si e entrará, um dia, no Reino de Deus!

Mas nada disso é fácil, pois vivemos no mundo da autossuficiência e dos resultados. O homem já não se sente dependente de Deus; deseja fazer a vida do seu modo. Assim, se fecha para Deus e não reconhece no outro um irmão, já não sabe mais dar gratuitamente: tudo tem que ter retorno, tudo tem que dar lucro, tudo é na lógica do custo-benefício. Então teremos a angústia, a ansiedade, o stress. Como é triste a vida, quando é vivida assim… Se assim o for, não experimentaremos Deus de verdade. Nunca é demais recordar a advertência da Escritura: “Quem não ama não conhece a Deus!” (1Jo 4,8)

ATUALIZAÇÃO A Igreja, fruto do “Reino”, deve ser o lugar onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado.
♦ Para Jesus quem prefere esquemas de superioridade, de prepotência, de humilhação, de ambição, de orgulho, está impedindo a chegada do “Reino”.
Fica claro, na catequese de Lucas que o tipo de relações que unem os membros da comunidade de Jesus é o amor gratuito e desinteressado.
Os cegos e coxos representam todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade; Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do “banquete do Reino”.
+ Jesus pede ao homem, criado à imagem de Deus, para amar como Deus ama, isto é, gratuitamente, esperando ser declarado justo na ressurreição dos mortos.
= Resumindo: Jesus propõe duas atitudes: HUMILDADE e GRATUIDADE

SEGUNDA LEITURA (Hebreus 12,18-19.22-24a) Irmãos, vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, som da trombeta e voz poderosa”, que os ouvintes suplicaram não continuasse. Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; da assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o Juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; de Jesus, mediador da nova aliança.

AMBIENTE
Os crentes são exortados a manter relações adequadas, justas, para com os homens e para com Deus. Para isso, estabelece um paralelo entre a antiga religião e a nova proposta de salvação que Cristo veio apresentar, a fim de enfrentar os tempos difíceis de perseguição e de martírio que se aproximam.

MENSAGEM - A experiência do Sinai gerou medo e não houve proximidade de amor, confiança nem com Deus nem com a comunidade, mas Na experiência cristã não há nada de assustador, de terrível. Pelo Batismo, os cristãos aproximaram-se do próprio Deus, numa experiência de proximidade, de comunhão, de intimidade, de amor verdadeiro… A experiência cristã é uma experiência festiva, de verdadeira alegria. Os cristãos associaram-se ao Deus da bondade e do amor; Foram incorporados em Cristo e tornados co-herdeiros da vida eterna; associaram numa existência de festa, de louvor, de ação de graças, de adoração, de contemplação; associaram-se aos outros justos que atingiram a vida plena, numa comunhão fraterna de vida e de amor.

ATUALIZAÇÃO A redescoberta da nossa fé e do sentido das nossas opções, a fim de superarmos o comodismo e a preguiça que nos levam a uma caminhada cristã morna, sem compromissos, que facilmente cede e recua quando aparecem as dificuldades e os desafios…
♦Jesus intimou-nos a superar a perspectiva de um Deus terrível, opressor, vingativo. Ele apresentou-nos um Deus que é Pai, que nos ama, que nos convoca para a comunhão com Ele e com os irmãos e que insiste em associar-nos como “filhos” à sua família.

A Virtude da Humildade

A humildade atrai sobre si o amor de Deus e o apreço dos outros, ao passo que a soberba os repele. Por isso, a primeira leitura (Eclo 3,19-21. 30-31) aconselha-nos: Torna-te pequeno nas grandezas humanas, e alcançarás o favor de Deus, e Ele revela os seus segredos aos humildes”.
São Bernardo indica diferentes manifestações progressivas da soberba: a curiosidade, o querer saber tudo de todos; a alegria tola, que se alimenta dos defeitos dos outros e os ridiculariza;; a arrogância de não reconhecer as falhas próprias…O soberbo é muito amigo de calcar os outros aos pés, seja em pensamento, seja pelas suas atitudes. Aprenderemos a ser humildes com Jesus.

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Os Primeiros lugares

Na sociedade de hoje, a procura do PRIMEIRO LUGAR, no campo político, social, profissional e outras atividades, é muito comum.  Isso cria muitas vezes  um clima de concorrência e competição, de ódio e conflitos.  O que vocês pensam a respeito disso?

As leituras bíblicas nos propõem um caminho diferente:
o caminho da HUMILDADE e da GRATUIDADE...

A 1a Leitura fala da virtude da HUMILDADE,  para ser agradável a Deus e aos homens,  para ter êxito e ser feliz. (Eclo 3,19-21.30-31)

* SER HUMILDE significa assumir com simplicidade o nosso lugar, sem humilhar os outros com a nossa superioridade.  Significa pôr os próprios dons a serviço de todos, com simplicidade e com amor. Aí está o segredo do êxito e da felicidade.

A 2ª Leitura afirma que a vida cristã exige de nós  determinados valores e atitudes, entre os quais  a humildade, a simplicidade, o amor... (Hb 12,18-19.22-24a)

No Evangelho, Jesus cria uma nova humanidade, fundamentada no espírito da humildade. (Lc 14, 1.7-14)

Jesus é convidado a um banquete na casa de um fariseu... e aceita... Mas fica profundamente impressionado com duas coisas, que observa: a corrida pelos primeiros lugares e o tipo de pessoas que foram convidadas.  E conta duas pequenas PARÁBOLAS:

+ A 1ª é para os convidados que escolhiam os primeiros lugares: Aquele que ocupou o primeiro lugar teve de cedê-lo a um mais importante. Aquele que ocupou o último lugar foi convidado para um lugar melhor.
E Jesus conclui: "Quem se exalta será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado".

+ A 2ª é para quem convidara:
   "Quando deres uma refeição,   não convides os que poderão te retribuir...
   Pelo contrário, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos...
   Terás uma recompensa na ressurreição dos justos..."

= Resumindo: Jesus propõe duas atitudes:
     - Na escolha dos lugares:        HUMILDADE...
     - Na escolha dos convidados: GRATUIDADE: Amor sem interesses...

1. O que Jesus observaria hoje?

Na Sociedade, há ainda hoje pessoas correndo atrás dos primeiros lugares?
- Escolhendo o trabalho que lhes dê mais lucro...
- procurando lugares que dêem destaque, status e importância;
- preferindo ocupações onde possam ter poder sobre os demais;
- ou ficando decepcionadas, quando ninguém lhes dá o "devido lugar?"

 Na Igreja, também existe a corrida pelos primeiros lugares?
A Igreja deve ser a comunidade onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado.  - Mas de fato, é assim?
Ou assistimos às vezes uma corrida desenfreada pelos primeiros lugares: pessoas cuja ambição se sobrepõe à vontade de servir…
Buscam títulos, honras, homenagens, lugares privilegiados, e não o serviço humilde e o amor desinteressado.

- Na catequese, que Lucas nos propõe hoje, fica claro que as relações entre os membros da comunidade de Jesus não se baseiam  em "critérios comerciais", mas sim no amor gratuito e desinteressado.
Só assim todos, inclusive os que não têm poder, nem dinheiro para retribuir, terão aí lugar, numa verdadeira comunidade de amor e de fraternidade.

- Como é bonito numa Comunidade, onde há humildade... solidariedade... sintonia entre as diversas Lideranças, Pastorais e Movimentos...
Não gastaríamos então tantas energias em pequenas implicâncias e disfarçado espírito de competição...

Na Política, existe também a corrida pelos primeiros lugares?
E essa corrida é um desejo sincero de serviço pelo bem do povo ou uma busca de vantagens para pessoas ou grupos?
- Para garantir os primeiros lugares, podemos fazer uso de qualquer meio?

2. Quem são os NOSSOS convidados?

- Na Sociedade de hoje, costuma-se convidar quem garanta   lucro... recompensa... poder... fama... posição social... elogios...
- Jesus nos convida a uma atitude de GRATUIDADE...

* Quando prestei um favor a gente simples, sempre gostei de ouvir de uma expressão: "Deus lhe pague!"    Sim, o próprio Deus se torna o nosso grande FIADOR...

Dia do Catequista:
"Catequista, você é especial para Deus!
Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo. 
Catequista, você é protagonista no processo  de um NOVO JEITO DE FAZER CATEQUESE.

A todos os catequistas, o nosso reconhecimento e gratidão  pelo belo e importante serviço que prestam à Igreja.   São pessoas que aceitam o apelo de Jesus no evangelho de hoje: Não ocupar os primeiros lugares e, sim, servir os irmãos com simplicidade, humildade e gratuidade. "Que Deus lhes pague".

                                Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a liturgia deste final de semana é um convite para aprofundarmos, a partir da Bíblia, Palavra de Deus, a conhecermos a vontade de Deus. É importante observar a importância da mesa. A mesa é como o lugar formativo para as pessoas. Claro, que temos vários tipos de jantares e almoços. Nós temos os almoços chamados de negócios, onde quem está ali, a sua menor preocupação é em almoçar, mas é em fechar os negócios e quando eu consigo ganhar bastante dinheiro, eu digo: fiz um bom negócio. Significa: eu explorei o outro, tomei vantagens. Não é este tipo de almoço ou jantar que Jesus nos convida.
Nós também temos os almoços e jantares da sociedade onde vou poder mostrar todo o meu poderio e influência. Então, eu me visto com tudo que tenho direito e acabo nem me sentindo à vontade, porque o sapato não é do dia-a-dia, a roupa não é aquela bem adequada e às vezes eu me pareço muito ridículo; um frio danado, mas eu escolhi aquele vestido e não tenho outro à altura. Eu vejo isto em muitos casamentos. Venho tremendo, mas é o vestido que eu escolhi e agora não dá para trocar de vestido. Então, não é no almoço ou jantar onde eu encontro as pessoas, mas onde eu quero ser notado ou notada. Fazemos o papel de ridículo quando isto acontece.
Outra coisa que também é muito desagradável é você ir a um jantar ou almoço mascando chiclete, por exemplo. O que você vai fazer com o chiclete na ora de ingerir o alimento? Isto está mostrando que aquela pessoa está pouco interessada naquele jantar ou almoço e está presente apenas como compromisso ou obrigação. Não. Jesus, que é a Palavra de Deus, nos propõe outra coisa à mesa: a primeira leitura vai dizer da importância dos mais velhos à mesa. É curioso que tenhamos o habito de dar comida primeiro para os idosos, para depois ficarmos à vontade à mesa. Aqui diz: Não! O lugar principal é para o mais velho, para que ele possa, com sua sabedoria, ensinar os novos. Então, crianças e idosos devem se sentarem na mesma mesa. A criança tem sim que ouvir o idoso. Eu posso até não concordar com ele, mas é uma questão de educação ouvi-lo. Só que nem nós ouvimos, imagine as crianças! Servir a comida num cantinho para o idoso é sinal de que estou descartando o idoso para eu ficar tranquilo. É assim que nós corrigimos o orgulho das pessoas. Aqui a primeira leitura diz claramente: “Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes. Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende. O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios e com ouvido atento deseja a sabedoria.” O orgulhoso se corrói, morre, mas não dá o braço a torcer e ganha o que com isto? O que que se ganha em ser orgulhoso? Perde-se a possibilidade de conhecer o irmão, de celebrar com o próximo e perde-se a oportunidade de crescer. É interessante observar, que um de oitenta anos vai falar e um de vinte anos manda calar a boca, como se soubesse tudo da vida! Só vai lamentar depois que morre. Aí não é hora de lamentar, não!
A Palavra de Deus faz um grande convite a nós: onde é, em que ponto eu sou orgulhoso? Senhor, quebre o meu orgulho.
Jesus conta esta parábola que está no Evangelho, não para falar do primeiro ou último lugar, porque é interessante observar, sobretudo na igreja, que as pessoas não buscam os primeiros lugares, mas aqui poderia buscar à vontade. O duro é na sociedade onde um mata o outro para estar no primeiro lugar. Lá é que é o ponto sério. É ali que deveria buscar os últimos lugares. Ah, mas se eu buscar o último lugar, eu saio perdendo! Pois é. Veja que o Evangelho é contrário àquilo que a sociedade nos ensina. Jesus diz assim: ao oferecer uma refeição, eu não deveria ter outra preocupação a não ser encontrar as pessoas na gratuidade. Então, não se deveria fazer negócios durante a refeição, não deveria ficar se mostrando, buscando apresentar a minha influencia que eu tenho durante a refeição, mas deveria ser um momento de encontro com os irmãos. É por isso, que muita gente não gosta de vir à Celebração Eucarística, porque na Celebração Eucarística o encontro é com os irmãos. Se você vier com sapato de ouro ou vier descalço, como é dito, o tratamento tem que ser o mesmo. Se não for o mesmo, está errado. Entre nós não há aqueles que são influentes, aqueles que são poderosos, e os que tem que ficar num canto. Entre nós o encontro é para todos: crianças, jovens, adulto, idosos, porque todos nós, de alguma forma, temos alguma pobreza e a mesa é feita para os pobres. Onde está a minha pobreza? Talvez esteja no meu egoísmo, talvez na minha prepotência, talvez a pobreza seja de dinheiro mesmo, talvez a pobreza seja a incapacidade de agir com os irmãos, não consigo viver com a limitação do outro, não me sinto à vontade com determinadas pessoas perto. Esta, talvez, seja a minha pobreza. Jesus prepara uma mesa para os pobres, ou seja, para me ajudar naquilo que vale a pena na vida. O que vale a pena na vida? Experimentar o amor de Deus.
Meus irmãos e irmãs, cada vez que nos sentamos à mesa, pedindo a Deus que nos ajude, a celebrar o seu amor de coração aberto e todo o restante será consequência.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

 

O Evangelho de hoje não é um guia de etiqueta e de boas maneiras. Jesus pensa, no banquete do Reino, que é preparado pelo banquete da vida; sim, porque somente participará do banquete do Reino quem souber portar-se no banquete da vida!
E neste banquete, no daqui, no desta vida, o Senhor hoje nos estimula a duas atitudes. Primeiramente, a humildade: “convidado para uma festa, não ocupes o primeiro lugar… Vai sentar-te no último…”. O que é ser humilde? Humildade deriva de humus, pó, lama, barro… Ser humilde é reconhecer-se dependente diante de Deus, é saber-se pobre, limitado diante do Senhor. O humilde tem diante de si a sua própria verdade: é pobre, mas amado por Deus. Por isso, o humilde é aberto para o Senhor, dele reconhece que é dependente, e a ele se confia e pode ser aberto, e acolher como uma criança o Reino que Jesus veio trazer.
A segunda atitude é a gratuidade: “Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. A gratuidade é a virtude que dar sem esperar nada em troca, dar e sentir-se feliz, sentir-se realizada no próprio dar. Se prestarmos bem atenção, a gratuidade é filha da humildade. Só quem sabe de coração que em tudo depende de Deus e de Deus tudo recebeu gratuitamente (humilde), também sente-se impelido a imitar a atitude de Deus: dar gratuitamente! “De graça recebestes, de graça dai!” (Mt 10,8). Pois bem, quem faz crescer em si a humildade e cultiva a gratuidade, experimenta a Deus e seu Reino, pois aprende a sentir o coração do próprio Deus, que tudo nos deu gratuitamente. Quem cultiva a humildade e a gratuidade, deixa o Reino ir entrando em si e entrará, um dia, no Reino de Deus!
Mas, se pensarmos bem, nada disso é fácil, pois vivemos no mundo da autossuficiência e dos resultados. O homem já não mais se sente dependente de Deus; deseja ele mesmo fazer a vida do seu modo. Assim, se fecha para Deus e, para ele se fechando, já não mais reconhece no outro um irmão e, não experimentando a misericórdia gratuita de Deus, já não sabe mais dar gratuitamente: tudo tem que ter retorno, tudo tem que apresentar contrapartida, tudo tem que dar lucro, tudo é pensado na lógica do custo-benefício. Como é triste a vida, quando é vivida assim… Pensemos bem, porque se assim o for, jamais experimentaremos Deus de verdade. Nunca é demais recordar a advertência da Escritura: “Quem não ama não conhece a Deus!” (1Jo 4,8)
Caríssimos, supliquemos a graça de um coração renovado de novas atitudes! Recordemos, como dizia São Bento, que pela humildade se sobe e pela soberba se desce! Que Deus nos conceda a graça da humildade.
Dom Henrique Soares da Costa

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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
A perícope deste XXII Domingo do Tempo Comum nos apresenta o ensinamento prático de Jesus sobre duas atitudes fundamentais que revelam a verdadeira dignidade e grandeza do ser humano: humildade e generosidade. Estas se opõem à vaidade orgulhosa e à demagogia enganadora que deformam as relações humanas e criam uma sociedade de “mais dignos” e “menos dignos”, de gente importante a ser exaltada, e pessoas sem valor a serem excluídas e preteridas. Sem humildade e generosidade, o ser humano transforma-se num misto de mesquinhez e mediocridade, pois a sua única motivação para agir e relacionar-se são os seus interesses egoístas e seus cálculos frios e míopes.
De forma magistral, Lucas apresenta esse ensinamento de Jesus num contexto de uma refeição e no dia santificado: “Certo sábado, Jesus entrou na casa de um dos chefes dos fariseus para tomar uma refeição” (grego: fagein arton, comer pão). Jesus aproveita a ocasião para ensinar e anunciar como deve ser a autêntica refeição, isto é, o sentar-se à mesa para nutrir o corpo e o espírito deve ser a profunda experiência de quem se prepara para aquela definitiva refeição no Reino dos céus, onde o Pai acolhe a todos sem distinção, e onde ninguém é mais ou menos importante do que os outros; onde não há lugares mais nobres e reservados, pois será o banquete da fraternidade; sentir-se irmão de quem está sentado ao seu lado será a única e mais importante localização naquele banquete. Se o fato da refeição já era importante, quanto mais no sábado, quando se fazia a memória do repouso de Deus que, segundo a narração do Gênesis, era contemplação da sua obra. O sábado, dia do descanso, como dia sagrado assume caráter de experiência de re-criação (daí deriva o termo recreio: momento de descanso para refazer as forças, onde também se alimenta para recuperar as energias). Portanto, aquela refeição em dia de sábado deveria ser momento de recuperar a vida, considerando a igualdade fundamental das pessoas, uma vez que todas são necessitadas de alimento para corpo e, também, para o coração. Mas tornou-se ocasião para disputa de lugares segundo a classificação artificial das pessoas, consideradas umas mais importantes do que outras.
Sobretudo para culturas antigas, o momento das refeições é considerado não apenas como um momento de alimentar o corpo com um pão material, mas é também o rito sagrado de refazer as relações, de aprender os valores com a sabedoria dos anciãos, de renovar a vida com a vitalidade e entusiasmo dos jovens e perfumar-se com o bálsamo do frescor da vida dos infantes.
À mesa não se toma apenas o pão do prato, mas partilha-se o alimento que provém do interior, daquilo que brota do coração de cada um. A refeição é momento de revelação de atitudes interiores expressas em gestos externos.
Jesus denuncia o desvirtuamento que se dá naquele banquete oferecido por um dos chefes dos fariseus: “Pois notara como eles escolhiam os primeiros lugares”. Torna-se até escandaloso que isso aconteça entre os conhecedores da Escritura, pois a orientação prática da corrente sapiencial era: “Não te vanglories na frente do rei, nem ocupes o lugar dos grandes; pois é melhor que te digam ‘Sobe aqui!’, do que seres humilhado na frente de um nobre” (Pr 25,6-7; ver Eclo 31,12-18). Jesus apenas retoma o ensinamento já conhecido. São Paulo antes de falar do rebaixamento de Jesus, da sua kénosis, adverte a comunidade dos filipenses: “Nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um dos outros superiores a si mesmo… Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus…” (Fl 2,3-5). Portanto, a humildade não é apenas a nobre virtude de alguns, mas deve ser a característica da comunidade cristã, pois o próprio Senhor não se apegou à sua condição divina, mas se fez servo de todos.
Indubitavelmente a experiência do estar juntos à mesma mesa, compartilhando pão e coração, nos torna humildes e diligentes uns para com os outros; é o lugar e o momento de descobrirmos que o mais importante não é o lugar onde estamos, mas a relação que estabelecemos com os outros.
A outra atitude fundamental que Jesus nos ensina nesse banquete é a generosidade: “Ao dares um almoço ou jantar não convides os amigos, nem os irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos; para que não te convidem, por sua vez, e te retribuam do mesmo modo”. A generosidade é uma das virtudes humanas mais reveladoras de um coração dilatado, de um coração grandioso e, por isso, que transborda de bondade, livre e gratuitamente. Portanto, só quem é livre pode ser verdadeiramente generoso, pois é movido pela gratuidade, não espera nada, visto que a sua generosidade já é o precioso e suficiente dom que possui. Não espera nenhuma recompensa pelo bem que faz, pois a sua generosidade já é sinal de abundância. A generosidade não se baseia em cálculos e muito menos numa mentalidade de busca de vantagens. A generosidade também não depende da quantidade daquilo que se possui, mas é, antes de tudo, expressão de uma grande liberdade, a ponto de ser capaz de sacrificar o que se tem, muito ou pouco, em vista do bem da outra pessoa.
Humildade e generosidade dilatam o coração e, ao mesmo tempo, revelam a sua grandeza. A humildade nos coloca no lugar certo, pois garante a possibilidade de crescer sempre; a generosidade nos faz tomar a direção certa, pois nada esperando ou exigindo em troca, conserva-nos sempre um caminho livre, o que nos faz avançar sempre mais rumo à plenitude da vida que não busca glórias imediatas, nem recompensa calculada.
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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS,  NOS COLOQUEMOS NA PRESENÇA DO PAI. TODOS REPITAM: SENHOR, ACOLHEI-NOS EM VOSSO REINO.
T: Senhor, acolhei-nos em vosso Reino.
-  “Deus criador, proclamamos a grandeza do vosso poder e a humildade do vosso Filho Jesus. Ele tornou-se pequeno para nascer entre os homens e aceitou a humilhação suprema da cruz. Nós vos pedimos que nos livreis do orgulho e possamos espelhar vosso amor E vossa gratuidade.. 
T: Senhor, acolhei-nos em vosso Reino.
- Deus nosso Pai, vos damos graças por Jesus nos conduzir com seus ensinamentos e seu exemplo para que possamos participar do banquete celeste na assembléia dos santos.
T: Senhor, acolhei-nos em vosso Reino.
- Pai, cantamos no salmo, que com carinho preparastes uma mesa para o pobre E que os justos rejubilam satisfeitos e exultam de alegria. Ajudai-nos para que não nos desviemos do caminho do Reino.
T: Senhor, acolhei-nos em vosso Reino.
- Pai, que o Espírito Santo nos transforme em cidadãos do alto e que possamos agir no amor e na humildade, sendo alento aos que necessitam de nosso apoio.
T: Senhor, acolhei-nos em vosso Reino.
- PAI NOSSO...   A PAZ...   EIS O CORDEIRO