quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ ANO A, homilias, subsídios homiléticos


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ ANO A

Tema: A Sagrada Família como modelo.
Primeira leitura: Algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais.
Evangelho: O Evangelho nos mostra uma família exemplar onde existe o verdadeiro amor e verdadeira solidariedade. São os que ouvem e seguem os caminhos de Deus.
Segunda leitura: O amor deve se manifestar em cada gesto no Homem Novo em atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

PRIMEIRA LEITURA (Eclo 3,3-7.14-17a)  Leitura do Livro Eclesiástico.
Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele viver. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.

AMBIENTE - O livro de Ben-Sirac (também chamado “Eclesiástico”) pretende apresentar uma reflexão de caráter prático sobre a arte de bem viver e de ser feliz. Estamos no início do séc. II a.C., numa época em que o helenismo tinha começado o seu trabalho pernicioso, no sentido de minar a cultura e os valores tradicionais de Israel. Jesus Ben-Sira, o autor deste livro, avisa os israelitas para não deixarem perder a identidade cultural e religiosa do seu Povo. Procura, então, apresentar uma síntese da religião tradicional e da sabedoria de Israel, sublinhando a grandeza dos valores judaicos e demonstrando que a cultura judaica não fica a dever nada à brilhante cultura grega.

MENSAGEM - O texto apresenta uma série de indicações práticas que os filhos devem ter em conta nas relações com os pais. Uma palavra sobressai: o verbo “honrar”. Ele leva-nos ao decálogo do Sinai (cf. Ex 20,12), onde aparece no sentido de “dar glória”. “Dar glória” a uma pessoa é dar-lhe toda a sua importância; “dar glória aos pais”, honrar é, assim, reconhecer a sua importância como instrumentos de Deus, fonte de vida. Ora, reconhecer que os pais são a fonte, através da qual Deus nos dá a vida, deve conduzir à gratidão; e essa gratidão tem consequências a nível prático. Implica ampará-los na sua velhice e não os desprezar nem abandonar; implica assisti-los materialmente quando já não podem trabalhar (cf. Mc 7,10-11); implica não fazer nada que os desgoste; implica escutá-los, ter em conta as suas orientações e conselhos; implica ser indulgente para com as limitações que a idade traz. Dado o contexto da época em que Ben-Sira escreve, é natural que, por detrás destas indicações aos filhos, esteja também a preocupação com o manter bem vivos os valores tradicionais, esses valores que os mais antigos preservam e que passam aos jovens. Como recompensa desta atitude de “honrar” os pais, Jesus Ben-Sira promete o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

ATUALIZAÇÃO Apesar da preocupação moderna com os direitos humanos e o respeito pela dignidade das pessoas, a nossa civilização cria, com frequência, situações de abandono e de marginalização, cujas vítimas são, muitas vezes, aqueles que já não têm uma vida considerada produtiva, ou aqueles a quem a idade ou a doença trouxeram limitações. Que motivos justificam o desprezo e abandono daqueles a quem devemos “honrar”?
É verdade que a vida de hoje é muito exigente a nível profissional e que nem sempre é possível a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados ou de acompanhamento especializado. No entanto, a situação é muito menos compreensível se o afastamento de um pai do convívio familiar resulta do egoísmo do filho, que não está para “aturar o velho”…
O capital de maturidade e de sabedoria de vida que os mais idosos possuem é considerado por nós uma riqueza ou um estorvo à nossa modernidade?

SALMO RESPONSORIAL / 127 (128)
Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
• Feliz és tu, se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos!/
Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem!
• A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração de tua casa; /
 os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa.
• Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor.
/ O Senhor te abençoe de Sião / cada dia de tua vida.

EVANGELHO (Mt 2,13-15.19-23) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. Quando Herodes morreu, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”. José levantou-se, pegou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”

AMBIENTE - O interesse fundamental dos primeiros cristãos não se centrou na infância de Jesus, mas na sua mensagem e proposta; por isso, conservaram especialmente as recordações sobre a vida pública e a paixão do Senhor. Só num estágio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Juntaram algumas poucas informações sobre a infância de Jesus e criou-se  esse material com reflexões e com a catequese que a comunidade fazia acerca de Jesus. O chamado “Evangelho da Infância” parte de algumas indicações históricas e desenvolve uma reflexão teológica para explicar quem é Jesus. Mateus está muito mais interessado em dizer quem é Jesus, do que em fazer uma reportagem histórica sobre a sua infância. Para compor o “Evangelho da Infância”, Mateus serviu-se de recursos literários que se utilizavam na literatura judia para contar a infância de heróis: misteriosos relatos de anunciação, ameaças contra a sua vida, intervenção de Deus, sinais extraordinários. A diferença entre Mateus e os escritores judaicos é que, enquanto estes partiam de um texto da Escritura, o evangelista parte da figura de Jesus. O nosso texto não deve, portanto, ser visto como uma informação histórica, mas como uma construção artificiosa, destinada a responder à questão: “quem é Jesus?”.

MENSAGEM - Mateus, escrevendo para cristãos vindos do judaísmo, recorre às antigas profecias para explicar quem é Jesus e qual a sua missão. Ao mesmo tempo, mostra como Jesus cumpriu plenamente essas antigas profecias.  Uma parte  significativa  do nosso texto  (Mt 2,13-15)  está construída sobre Oséias 11,1 (“do Egito chamei o meu filho”). Mateus apresenta um conjunto de detalhes, a propósito deste episódio, que recordam os inícios da vida de Moisés: o massacre das crianças de Belém pelo rei Herodes (Mt 2,16-18) recorda a ordem do faraó de atirar ao Nilo os bebês hebreus do sexo masculino; a fuga do menino Jesus através do deserto recorda a fuga do jovem Moisés através do deserto para salvar a vida; o regresso de Jesus do Egito quando já tinham morrido aqueles que queriam matá-lo recorda o regresso de Moisés ao Egito quando já tinham morrido aqueles que queriam matá-lo . Através destas referências, Jesus aparece como um novo Moisés, que libertará o novo Povo de Deus e que dará a nova Lei a esse Povo. Por outro lado, Mateus põe também em paralelo o caminho de Jesus e o caminho do Povo de Israel. A fuga de José com Maria e o menino recorda a ida para o Egito da família de Jacó, que emigrou para o Egito por desígnio de Deus; como aconteceu com Israel, também Jesus sairá daí, chamado por Deus, a fim de iniciar o novo e definitivo êxodo. Finalmente, o regresso de Jesus à terra de Canaã repete o caminho percorrido por Israel nos seus inícios. É uma forma de ensinar que, com Jesus, tem início um novo Povo de Deus e que Jesus será o libertador (ou o novo Moisés) que conduzirá esse Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Não é clara qual a citação profética que está na base da parte final do nosso texto (“será chamado nazoraios”), embora ela possa fazer referência a Jz 13,5 (“esse menino será nazireu de Deus desde o seio de sua mãe) e a Is 11,1 (“brotará um ramo do tronco de Jessé, um rebento – em hebraico: “neçer” – brotará das suas raízes”). Embora nem a citação de Juízes nem a citação de Isaías tenham nada a ver com Nazaré, Mateus usou-as pela semelhança fonética; o seu objetivo era mostrar aos judeus que, ao instalar-se em Nazaré (apesar de ter nascido em Belém), Jesus estava a cumprir as Escrituras e os desígnios de Deus. Fica, portanto, aqui definida a catequese que revela quem é Jesus e qual a sua missão… A presença constante de Deus conduzindo a história, enviando o seu mensageiro, comunicando com José através dos sonhos, revela que este menino vem de Deus e que tem uma missão de Deus. Qual é essa missão? É dar início a um novo Povo de Deus e, como Moisés, conduzir esse Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Neste dia em que celebramos a Sagrada Família, convém também determo-nos um pouco sobre esta família de Nazaré. É uma família unida e solidária, que não hesita em afrontar os perigos do deserto e as incomodidades do exílio numa terra estrangeira, quando um dos membros corre riscos. Na família de Nazaré manifesta-se, desta forma, esse amor até ao extremo que supera todos os egoísmos e que se faz dom ao outro. Por outro lado, é uma família que escuta a Palavra de Deus, que está atenta aos sinais de Deus e que procura cumprir à risca os projetos de Deus. José – que continua a ser o protagonista desta história, o representante dessa dinastia davídica que leva a cabo o projeto salvador de Deus.  É o homem permanentemente atento às indicações de Deus, que sabe discernir o que Deus quer, que acata na obediência a vontade de Deus, que tudo arrisca e sacrifica em defesa da vida daquele menino que Deus lhe confiou.

ATUALIZAÇÃO - Este episódio do “Evangelho da Infância” apresenta-nos a Sagrada Família – que, como qualquer família, se defronta com crises, dificuldades e contrariedades. No entanto, esta é uma família onde cada membro está solidário com o outro e está disposto a partilhar os riscos que o outro corre;; esta é uma família onde os problemas de um são os problemas de todos e onde todos estão dispostos a arriscar, quando se trata de defender o outro… Por isso, é uma família que se mantém unida e solidária.
- A Sagrada Família escuta a Palavra de Deus e aprende a ler os sinais de Deus… É na escuta da Palavra que esta família consegue encontrar as soluções para vencer as contrariedades e descobrir os caminhos a percorrer, a fim de assegurar a cada um dos seus membros a vida e o futuro.
- A Sagrada Família obedece a Deus, não discute nem argumenta.
- Neste tempo de Natal convém não esquecermos o tema central: Jesus é o Deus que vem ao nosso encontro, a fim de cumprir o projeto de salvação que o Pai tem para os homens… A sua missão passa por constituir um novo Povo, dar-lhe uma Lei e conduzi-lo para a terra da liberdade, para a vida definitiva.

SEGUNDA LEITURA (Cl 3,12-21)  Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses.
Irmãos, vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio deles dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.

AMBIENTE - Paulo estava na prisão (possivelmente em Roma, anos 61/63) quando escreveu aos colossenses. Algum tempo antes, Paulo havia recebido notícias pouco animadoras sobre a comunidade de Colossos. Essas notícias falavam da perigosa tendência de alguns doutores locais, que ensinavam doutrinas erróneas e afastavam os colossenses da verdade do Evangelho. Essas doutrinas misturavam práticas legalistas, práticas ascéticas, especulações sobre os anjos e achavam que toda esta mistura confusa de elementos devia completar a fé em Cristo e comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mistérios cristãos e uma vida religiosa mais autêntica.
Sem refutar essas doutrinas de modo directo, Paulo afirma a absoluta suficiência de Cristo e assinala o seu lugar proeminente na criação e na redenção dos homens.
O texto da segunda leitura pertence à segunda parte da carta. Depois de constatar a supremacia de Cristo na criação e na redenção (primeira parte), Paulo avisa os colossenses de que a união com Cristo traz consequências a nível de vivência prática (segunda parte): implica a renúncia ao “homem velho” do egoísmo e do pecado, e o “revestir-se do homem novo”.

MENSAGEM - Em termos mais concretos, viver como “homem novo” implica cultivar um conjunto de virtudes que resultam da união do cristão com Cristo: misericórdia, bondade, humildade, paciência, mansidão. Lugar especial ocupa o perdão das ofensas do próximo, a exemplo do que Cristo sempre fez. Estas virtudes são exigências e manifestações da caridade, que é o mais fundamental dos mandamentos cristãos: tais exigências resultam da íntima relação do cristão com Cristo; viver “em Cristo” implica viver, como Ele, no amor total, no serviço, na disponibilidade e no dom da vida. Às mulheres, recomenda o respeito para com os maridos; aos maridos, convida a amar as esposas, evitando o domínio tirânico sobre elas; aos filhos, recomenda a obediência aos pais; aos pais, com intuição pedagógica, pede que não sejam excessivamente severos para com os filhos, pois isso pode impedir o desenvolvimento normal das suas capacidades. É desta forma que, no espaço familiar, se manifesta o Homem Novo, o homem que vive segundo Cristo.

ATUALIZAÇÃO Viver “em Cristo” implica deixar que ele se manifeste em gestos concretos de bondade, de perdão, de compreensão, de respeito pelo outro, de partilha, de serviço. Esse amor traduz-se numa atenção contínua àquele que está ao nosso lado, às suas necessidades e preocupações, às suas alegrias e tristezas.
As mulheres não gostam de ouvir Paulo pedir-lhes a “submissão” aos maridos… No entanto, não devem ser demasiado severas com Paulo: ele é um homem do seu tempo, e não podemos exigir dele a mesma linguagem com que, nos nossos dias, falamos destas coisas. Apesar de tudo, convém lembrar que Paulo não se esquece de pedir aos maridos que amem as mulheres e não as tratem com aspereza: sugere, desta forma, que a mulher tem, em relação ao marido, igual dignidade.

Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

==============---------------------==============
Com Jesus, Maria e José


A 1ª Leitura desenvolve e explica o 4o Mandamento.
Apresenta indicações práticas dos filhos para com os pais.
Essa observância é desejada e abençoada por Deus. (Sr 5,2-6.12-14)

A 2ª Leitura mostra o espírito que deve reinar numa família:
  "Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência,   suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente..."  (Cl 3,12-21) E aplica isso às Esposas... aos Maridos... aos Filhos... e aos Pais...

O Evangelho nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA, em três momentos da Infância de Jesus:
Belém... Egito... Nazaré... (Mt 2,13-15.19-23)
Nessas migrações, JESUS é conduzido por Deus e protegido por seus pais...

+ A FAMÍLIA DE NAZARÉ:
   É uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã,
   que se defronta com crises, dificuldades e contrariedade, no entanto...

- É uma família é unida e solidária.
  Nela existe verdadeiro Amor e solidariedade.
  Não hesita  enfrentar os perigos do  deserto e o desconforto do exílio, quando um de seus membros corre riscos.
  Os problemas de um são problemas de todos.

- É uma família onde se escuta a Palavra de Deus e onde se aprende a ler os sinais de Deus.
  Nessa escuta, consegue soluções para vencer as contrariedades e descobrir caminhos a percorrer, 
  para assegurar a vida e o futuro a seus membros.

  José aparece como o homem "justo", atento às indicações de Deus, que sabe discernir e acolher a vontade de Deus, que tudo sacrifica em defesa da vida daquele menino, que Deus lhe confiou.

- É
uma família que obedece a Deus
  Diante das indicações de Deus, não discute nem argumenta.
  No cumprimento obediente aos projetos de Deus, esta família assegura um futuro de vida e de paz.
+ A Sagrada Família, modelo da família cristã?
Costuma-se dizer que a Sagrada Família é modelo da família cristã, não tanto em seu contexto sociocultural  e histórico, tão distante do nosso, mas quanto em seus valores fundamentais, especialmente o Amor, que lhe deram coesão, significado e missão de salvação nos planos de Deus.

+ Quais os valores básicos e permanentes na família?

- Comunhão inter-pessoal de Amor e de Vida...
  O Amor fiel, único, exclusivo, totalizante e para sempre...
  Os Filhos não são vistos como propriedade ou bens adquiridos para o egoísmo possessivo de seus pais,
  mas como vida e prolongamento vital de um amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.
  "A família é a fonte da vida e o berço da fé." (João Paulo II)

- Comunidade aberta aos valores do mundo de hoje:
  A solidariedade, a responsabilidade, a fraternidade,  e o compromisso com os direitos humanos...

- Igreja doméstica: Só assim a família cristã testemunhará   a fé, a esperança e   a caridade.
  Uma igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo, a partir de dentro, à maneira de fermento.

 E a Nossa família, como vai?
 (À moda antiga ou atual?)

                                           Pe. Antônio Geraldo

=================----------------------------============

Homilia de D. Henrique Soares

“Maria com José, e o Menino”. 
            Como os pastores, é assim que também nós encontramos o Menino nascido para nós, o filho que nos foi dado: deitadinho no presépio, com Maria e José. Neste Domingo dentro da Oitava do Santo Natal, a Igreja contempla o mistério da Sagrada Família de Nazaré. Mistério, sim! Vejamos senão: o Filho eterno, ao assumir nossa condição humana, encarnou-se e nasceu, viveu e cresceu no seio de uma família humana. Para a fé cristã, este fato reveste-se de uma significação enorme: ao assumir a família, ao entrar nela e nela humanizar-se, aprendendo a ser gente, o nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo, santificou a família humana. Já no princípio, quando Deus, na sua sabedoria infinita, viu não ser bom que o homem estivesse só e deu-lhe a mulher por companheira, determinando que os dois fossem uma só carne, desde então, a família é sagrada. Isso mesmo: Deus pensou no ser humano nascendo e sendo formado no seio de uma família. E compreendamos bem família: um homem e uma mulher gerando e educando filhos no amor! Uma família, do ponto de vista de Deus, é isso; nem mais nem menos! Pois bem: a família, sonhada e instituída por Deus, foi definitivamente abençoada e levada à plena sacralidade pelo Filho eterno quando, fazendo-se homem, santificou e consagrou a vida familiar. 
            Eis por que, para os cristãos, a família é sagrada: nasce do sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce; e vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do pão e do vinho, Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. Estejamos atentos a este fato importantíssimo! A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta nuclearmente por um eposo, uma eposa e os filhos! Os cristãos não poderão nunca pensar em outros modelos de convivência como sendo uma família nos moldes desejados por Deus! 
            Esta família, se é cristã, é a primeira imagem da Igreja, é a primeira comunidade de cristãos. Pensemos bem na sublimidade de tal mistério: o pai, a mãe e os filhos, todos batizados em Cristo Jesus, são uma pequena Igreja, a Igreja doméstica! A esta comunidade familiar, São Paulo dirige, na liturgia de hoje, palavras comoventes, conselhos e exortações insuperáveis. Pensando na nossa família, escutemos: “Vós sois amados de Deus, sois seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações. E sede agradecidos! Que a palavra de Cristo habite em vós! Tudo que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais. Pais, não intimideis vossos filhos, para que eles não desanimem”. Vede, irmãos, o que é uma família cristã: uma pequena comunidade de irmãos no Senhor, um pequeno sinal do Reino de Deus, uma outra família de Nazaré! A família cristã é o primeiro lugar de evangelização, de experiência de amor ao Senhor e aos outros, é o primeiro lugar de oração comunitária e de santificação. A família é santa, a família é sagrada, o lar é um santuário!
            Mas, hoje, o mundo tem como propósito sério, sistemático, persistente, inteligente e eficaz destruir a família. Os meios de comunicação invadiram nossas casas, com idéias, imagens e palavras eivadas de paganismo e anti-cristianismo. Querem nos fazer acreditar que a família é algo meramente humano, que pode ser definido a nosso bel prazer! Querem que se chame família a uma união civil de pessoas do mesmo sexo, querem que se aceite como normal o divórcio, o adultério, a convivência sem o sacramento do matrimônio. Desejam que os cristãos achem normal a existência de ex-maridos, ex-esposas, ex-noras, ex-sogras, ex-genros, ex-sogros... Ex, ex, ex... Ex-cristão, é o que o mundo de hoje é! Ex-família é o que esses ajuntamentos de desajuntados são! 
            Nós cristãos devemos respeitar os que pensam diferente de nós. É normal: o mundo não conhece o Evangelho, não conhece a Deus nem a luz do seu Cristo. Tantos e tantos vivem à luz de sua própria escuridão e enxergam a vida com sua própria cegueira. Mas, nós, nós somos cristãos! Nós vimos a Luz que brilhou em Belém, nós vimos o Menino com José e sua Mãe, nós conhecemos o plano de Deus para o amor humano e para a família! 
            Caríssimos, lutemos por nossas famílias! Jovens, preparai-vos com responsabilidade para uma vida de família! Que a família não nasça das gravidezes precoces, das relações pecaminosas fora do casamento! Que a família não seja enfraquecida pelo materialismo que enche a casa de bens e a esvazia de amor, de convivência e de diálogo. Que os pais não deleguem a estranhos a educação humana e religiosa de seus filhos! Pais cristãos, que vossos filhos aprendam convosco a rezar e a viver! Estejamos bem conscientes: não há esperança para o mundo quando se destrói a família; não há futuro para a Igreja se perde a noção da sacralidade de nossos lares! É na família que se aprende a rezar, a amar, a dialogar, perdoar e conviver. É com o leite materno e o abraço paterno que devemos aprender a santa fé católica que o Senhor nos concedeu. 
            Voltemos nosso olhar e nosso coração para a família de Nazaré: pobrezinha, sujeita a conflitos e crises, feita de lágrimas e alegrias, de convivência e esperanças. Família de Nazaré, tão igual a nossa, tão diferente da nossa! Santo Carpinteiro José, velai pelos esposos: que sejam fortes e suaves, que sejam responsáveis e fiéis, que sejam piedosos e cheios de doçura paterna, que sejam presentes ao lar e à educação de seus filhos. Santíssima Virgem Maria, olhai para as mães: que sejam defensoras da vida, que nunca percam de vista a dignidade imensa da maternidade! Que nem o trabalho nem o sucesso profissional as façam perder de vista a prioridade e santidade de sua vocação materna e a necessidade de aquecer o lar e os filhos com seu amor e sua presença. Senhor Jesus, Menino nascido para ser nossa paz, velai pelos filhos, velai pelas crianças e não permitais que a vida humana seja assassinada pelo aborto e pelas experiências sacrílegas com embriões humanos! Que os filhos cresçam como tu cresceste: no calor de um pai e de uma mãe, no aconchego de um lar, na piedade da oração familiar e da simplicidade das lutas de cada dia! E que possamos louvar-te eternamente, um dia, com José e Maria de Nazaré. Amém.

==============---------------==============
É importante destacar um fato particularmente significativo nesta moldura do exílio. Tanto a ordem de refugiar-se no Egito como de  retornar à pátria não foi transmitida a Maria. E sim a José, o que evidencia o reconhecimento da sua autoridade ou jurisdição paterna sobre Jesus. Neste acontecimento particular, José exerceu plenamente a sua paternidade, a sua missão de chefe da Sagrada Família e esposo de Maria. Nesse fato vemos a sua  participação e colaboração clara e precisa no mistério da redenção. A ele foi confiado o início da nossa redenção, conforme rezamos na oração da coleta da missa do dia 19 de  março. José foi ao mesmo tempo guarda legítimo e natural, chefe e defensor da família divina, ministério que exerceu durante toda a sua vida.
A Sagrada Família jamais esteve isenta de tribulações. Mas nem por isso desviou-se do caminho da fé e obediência a Deus. Sua fidelidade foi continuamente posta à prova. E, na provação, foi se consolidando. Desta forma, tornou-se modelo de família cristã que, experimenta as dificuldades da vida, sem se desviar dos caminhos de Deus.


PARA A CEÇEBRAÇÃO DA PALAVRA: (Diáconos ou Ministros extraordinário da Palavra).


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor, nosso Deus...
- Com Jesus, por Jesus e em Jesus, na força do Espírito Santo, louvemos ao PAI:
T: Bendito seja Deus que nos enviou o seu Filho!
1- Deus, nosso Pai, nós vos bendizemos pelo vosso amor nos enviando Vosso Filho único para nos guiar ao Vosso Reino. Somos o vosso povo e sois o nosso Deus.
T: Bendito seja Deus que nos enviou o seu Filho!
2- Senhor, obrigado pela minha vida, obrigado pela minha família, obrigado por ter uma comunidade onde eu posso crescer no amor a Vós e aos irmãos. Pai, olhai pela minha família e vinde sempre em nosso auxílio.
T: Bendito seja Deus que nos enviou o seu Filho!
3- Senhor, que possamos imitar o vosso filho e procurar fazer a vossa vontade. Muitas vezes colocamos nossas necessidades na frente da vossa vontade, ou mesmo esquecemos de vosso projeto e queremos fazer só os nossos. Pai, iluminai-nos nos vossos caminhos.
T: Bendito seja Deus que nos enviou o seu Filho!

PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO...  EIS O CORDEIRO...


segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Celebração na Noite de Natal, homilias, subsídios homiléticos ano A


Celebração na Noite de Natal A 2019

Caríssimos (ano 2016)

Na Noite santa do Natal, Deus envia-nos, mais uma vez, o anúncio de uma grande Notícia: a alegria da presença do Salvador no meio de nós. Ele vem ao nosso encontro. Ele procura-nos e habita em nós.
Hoje Jesus nasce para nós. Também nós estamos no presépio. O presépio somos nós.
Celebrar o Natal é deixar que a nossa carne se torne uma manifestação do Verbo, é possibilitar que Jesus anuncie, hoje em nossa vida, a luz e a alegria do Evangelho.
Olhando para Maria e José, para os pastores e os Magos, aprenderemos contemplar como eles o grande mistério escondido na Criança de Belém.
Visitando o presépio, olhamos para o Menino e o Menino olha para nós. Ele vê o nosso coração, único presente que Ele quer de nós.
Ofereçamos Jesus Menino como “Presente de Natal” a quem nos rodeia. Por onde passarmos, partilhemos a Boa Notícia de sermos morada do Deus Menino.
No Amor feito carne, votos de um feliz e santo Natal. O Novo Ano seja repleto de esperança, saúde, paz, alegria e muito amor.
Um abraço amigo e uma especial bênção.

                                                   Dom Nelson Westrupp, scj

Natal 2016

==========-------------=======

TEMA: Deus que ama os homens, envia “um menino” para lhes apresentar uma proposta de vida e de liberdade. Esse “menino será “a luz” para “o povo que andava nas trevas”.
Primeira leitura: anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, dom de Deus; esse “menino” inaugurará uma era de alegria, de felicidade e de paz sem fim.
Evangelho: Jesus, o “menino de Belém”, é o Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer a salvação.
Segunda leitura: Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; identificados com Cristo, devemos realizar as obras do Pai.

PRIMEIRA LEITURA (Is 9,1-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. Pois o jugo que oprimia o povo - a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais - tu os abateste como na jornada de Madiã. Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas. Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas.
AMBIENTE - No Livro do profeta Isaías aparece um conjunto de oráculos ditos “messiânicos”, que falam desse mundo de justiça e de paz que Deus vai oferecer ao seu Povo. Estamos na época do rei Ezequias, no final do séc. VIII a.C.; o rei, desdenhando as indicações do profeta (para quem as alianças políticas são sintoma de grave infidelidade para com Jahwéh, pois significam colocar a confiança e a esperança nos homens), envia embaixadas ao Egito, à Fenícia e à Babilônia, procurando consolidar uma frente contra a grande potência da época – a Assíria. A resposta de Senaquerib, rei da Assíria, não tarda: tendo vencido, sucessivamente, os membros da coligação, volta-se contra Judá, devasta o país e põe cerco a Jerusalém (701 a.C.). Ezequias tem de submeter-se e fica a pagar um pesado tributo aos assírios. Desiludido com os reis e com a política, o profeta teria, então, começado a sonhar com um tempo novo, sem guerra nem armas, onde reinam a justiça, o direito e o “temor de Deus”. Este texto pode ser dessa época. O “menino” aqui referenciado, da descendência de David, pode também estar relacionado com o “Emanuel” de Is 7,14-17. Trata-se, em qualquer caso, de um texto que vai alimentar a esperança messiânica e que vai potenciar o sonho de um futuro novo, de paz e de felicidade para o Povo de Deus.

MENSAGEM - O profeta fala de um “povo que andava nas trevas” e que habitava “nas sombras da morte”. O panorama é sombrio e parece não haver saída, pois os reis de Judá já provaram ser incapazes de conduzir o seu Povo em direção à felicidade e à paz. Mas, de repente, aparece uma “luz”. Essa luz acende a esperança e provoca uma explosão de alegria. Para descrever essa alegria, o profeta utiliza duas imagens extremamente sugestivas: é como quando, no fim das colheitas, toda a gente dança feliz celebrando a abundância dos alimentos; é como quando, após a caçada, os caçadores dividem a presa abundante. Mas por que essa alegria e essa felicidade? Porque o jugo da opressão sobre o Povo foi quebrado e a paz se tornará uma realidade. No quadro que representa a vitória da paz, vemos os símbolos da guerra (o pesado calçado dos guerreiros e as roupas ensanguentadas) a serem destruídos pelo fogo. Quem é que provocou a alegria do Povo,  venceu a guerra, restaurou a paz? Como foi que Deus instaurou essa nova ordem? Foi através de “um menino”, enviado para restaurar o trono de David e para reinar no direito e na justiça. O quádruplo nome desse “menino” evoca títulos de Deus ( “conselheiro maravilhoso”– cf. Is 25,1; 28,29; “Deus forte” é um nome do próprio Jahwéh – cf. Dt 10,17; Jr 32,18; Sl 24,8; “príncipe da paz” leva, também, a Jahwéh, aquele que é “a paz” – cf. Is 11,6-9; Mi 5,4; Zac 9,10; Sl 72,3.7). Quanto ao título “Pai eterno”, é um título do rei – cf. 1 Sm 24,12 – e é um título dado ao faraó). Fica, assim, claro que esse “menino” é um dom de Deus ao seu Povo e que, com ele, Deus residirá no meio do seu Povo, oferecendo-lhe a justiça, o direito e a paz.

ATUALIZAÇÃO ¨ É Jesus, o “menino de Belém”, que dá sentido pleno a esta profecia messiânica de Isaías. Ele é “aquele que veio de Deus” para vencer as trevas e as sombras da morte que ocultavam a esperança e instaurar o mundo novo da justiça, da paz e da felicidade. O nascimento de Jesus que celebramos esta noite significa que este “Reino” chegou.
¨ Acolher Jesus é aceitar esse projeto de justiça e de paz que Ele veio trazer.
¨ Em que ou em quem coloco a minha esperança e a minha segurança? Nos políticos? No dinheiro? Isaías diz que só podemos confiar em Deus e nesse “menino” que Ele mandou ao nosso encontro, se quisermos encontrar a “luz” e a paz.
¨ Deus não se serve da força e do poder para intervir na história e para mudar o mundo; mas é através de um “menino” – símbolo da fragilidade. É na simplicidade e na humildade que Deus age no mundo.

EVANGELHO (Lc 2,1-14) S. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal. Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

AMBIENTE - Lucas é preocupado com as referências históricas. Ele apresenta algumas indicações que pretendem situar o acontecimento numa época e num espaço concreto. Dessa forma, dá a entender que não estamos diante de um fato lendário, mas de algo integrado na história. Há um problema… Lucas é de origem grega, que não conhece a Palestina e que tem noções muito básicas da história do Povo de Deus. Por isso, as suas indicações históricas e geográficas são, com alguma frequência, imprecisas e inexatas. É duvidoso que Quirino, como governador, tenha ordenado um recenseamento na época em que Jesus nasceu (só por volta do ano 6 d.C. é que ele se tornou governador da Síria, embora possa ter sido “legado” romano na Síria entre 12 e 8 a.C.… Pode, realmente, nessa altura, ter ordenado um recenseamento que teve efeitos práticos na Palestina por volta de 6/7 a.C., altura do nascimento de Jesus). De qualquer forma, convém ter em conta que Lucas não está escrevendo história, mas fazendo teologia e apresentando uma catequese sobre Jesus, o Filho de Deus que veio apresentar uma proposta de salvação.

MENSAGEM - A referência a Belém como o lugar do nascimento de Jesus é uma indicação mais teológica do que geográfica: o objetivo do autor é sugerir que este Jesus é o Messias, da descendência de David (a família de David era natural de Belém), anunciado pelos profetas (cf. Miq 5,1). Fica, desta forma, claro que o nascimento de Jesus se integra no plano de salvação que Deus tem para os homens – plano que os profetas anunciaram e cuja realização o Povo de Deus aguardava ansiosamente.  -Uma segunda indicação importante resulta do “quadro” do nascimento. Lucas descreve com algum pormenor a pobreza e a simplicidade que rodeiam a vinda ao mundo do libertador dos homens: a falta de lugar na hospedaria, a manjedoura dos animais a fazer de berço, os panos improvisados que envolvem o bebê, a visita dos pastores… É na pobreza, na simplicidade, na fragilidade, que Deus se manifesta aos homens e lhes oferece a salvação. Os esquemas de Deus não se impõem pela força das armas, pelo poder do dinheiro ou pela eficácia de uma boa campanha publicitária; mas Deus escolhe vir ao encontro dos homens na simplicidade, na fraqueza, na ternura de um menino nascido no meio de animais, na absoluta pobreza. É assim que Deus entra na nossa história… É assim a lógica de Deus. Uma terceira indicação é dada pela referência às “testemunhas” do nascimento: os pastores. Trata-se de gente considerada rude, violenta, marginal, que invadiam com os rebanhos as propriedades alheias e que tinham fama de se apropriar da lã, do leite e das crias do rebanho em benefício próprio. Eram, com frequência, colocados ao lado dos publicanos e dos cobradores de impostos pela rígida moral dos fariseus: uns e outros eram pecadores públicos, incapazes de reparar o mal que tinham feito, tantas eram as pessoas a quem tinham prejudicado. Ora, Lucas coloca, precisamente, esses marginais como as “testemunhas” que acolhem Jesus. O evangelista sugere, desta forma, que é para estes pecadores e marginalizados que Jesus vem; por isso, a chegada de um tal “salvador” é uma “boa notícia”: a partir de agora, os pobres, os débeis, os marginalizados, os pecadores, são convidados a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Eles vêm ao encontro dessa salvação que Deus lhes oferece em Jesus e são convidados a integrar a comunidade da nova aliança, a comunidade do “Reino”. Uma quarta indicação aparece nos títulos dados a Jesus pelos anjos que anunciam o nascimento: Ele é “o salvador, Cristo Senhor”. O título “salvador” era usado, na época de Lucas, para designar o imperador ou os deuses pagãos; Lucas, ao chamar Jesus desta forma, apresenta-O como a única alternativa possível a todos os absolutos que o homem cria… O título “Cristo” equivale a “Messias”: aplicava-se, no judaísmo palestinense do séc. I, a um rei da descendência de David, que viria restaurar o reino ideal de justiça e de paz da época davídica; dessa forma, Lucas sugere que o “menino de Belém” é esse rei esperado. O título “Senhor” expressa o caráter transcendente da pessoa de Jesus e o seu domínio sobre a humanidade. Com estes três títulos, a catequese lucana apresenta Jesus aos homens e define o seu papel e a sua missão.

ATUALIZAÇÃO ¨ O menino de Belém leva-nos a contemplar o incrível amor de um Deus que se preocupa com a vida e a felicidade dos homens e que envia o próprio Filho para apresentar um projeto de salvação/libertação. Nesse menino de Belém, Deus grita-nos a radicalidade do seu amor por nós.
¨ O presépio apresenta-nos a lógica de Deus que não é igual à lógica dos homens: a salvação de Deus não se manifesta onde os donos do mundo decidem o destino dos homens, mas numa gruta de pastores onde brilha a fragilidade, a dependência, a ternura, a simplicidade de um bebê recém-nascido.
¨ A presença libertadora de Jesus é uma “boa notícia” que devia encher de felicidade os pobres, os débeis, os marginalizados e dizer-lhes que Deus os ama, que quer caminhar com eles e que quer oferecer-lhes a salvação. É essa proposta que nós passamos ao mundo? o anúncio libertador aos pobres?

SEGUNDA LEITURA (Tt 2,11-14) - Leitura da Carta de São Paulo a Tito.
Caríssimo: A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.

AMBIENTE - Tito, o destinatário desta carta, é um cristão convertido por Paulo, que acompanhou o apóstolo em algumas missões. Estamos numa época em que os cristãos perderam o entusiasmo inicial. Neste contexto, a preocupação fundamental do autor desta carta será apresentar uma série de conselhos práticos que ajudem os cristãos a viver, com coerência e com verdade, a sua fé no meio do mundo.

MENSAGEM - O autor tenta dar aos cristãos razões válidas para viver uma vida cristã autêntica e comprometida. Quais são essas razões? A primeira é o amor (“kharis”) de Deus, que foi oferecido a todos os homens. É esse amor que possibilita a renúncia à impiedade e aos desejos deste mundo e a vivência da temperança, da justiça e da piedade; sendo os destinatários desse amor transformador e renovador, temos de viver uma vida nova e comprometida com o Evangelho. A segunda é a esperança na manifestação gloriosa de Cristo, que convida os homens a perceber que a terra não é a sua pátria definitiva; quem espera a segunda vinda de Cristo, percebe que só faz sentido olhar para os bens essenciais; consequentemente, desprezará os bens materiais, que só interessam a este mundo. A terceira é a obra redentora levada a cabo por Cristo. Cristo entregou-Se totalmente, até à morte, para nos salvar do egoísmo, do orgulho, do pecado e para fazer de nós homens novos. Ligados a Ele pelo batismo, tornamo-nos um com Ele e recebemos vida d’Ele… Se estamos ligados a Cristo e se recebemos d’Ele vida, essa vida tem de manifestar-se na nossa existência.

ATUALIZAÇÃO ¨  Sendo os destinatários de um tal amor, amamos Deus da mesma maneira? A nossa vida é um compromisso autêntico com Deus e com os seus valores?
¨ A nossa civilização sacralizou valores efêmeros (dinheiro, poder, êxito profissional, “status” social, bens de consumo…) para os apresentar como a chave da verdadeira felicidade. No entanto, esses valores estão em absoluta contradição com os valores do Evangelho. Aprendemos, com Jesus, a ter um olhar crítico sobre os valores que o mundo nos propõe e a confrontar a nossa vida com os valores do Evangelho? -                               

Dehoninanos
------------==============------------------

Homilia (adaptada)
Irmãos e Irmãs, Deus nos revela em Jesus o seu grande Projeto.

Vivemos nesta noite santa o mistério da encarnação. A liturgia nos demonstra que o centro da celebração desta noite é o anúncio do nascimento do Salvador.

Lucas esboça a situação histórica: ocupação romana, recenseamento, viagem de José e Maria para sua cidade de origem – Belém, cidade de Davi, em circunstâncias dificílimas. A criança é colocada numa manjedoura, por não haver lugar na hospedaria da cidade. A salvação, a partir do relato, manifesta-se lá, naquele lugar pobre, numa manjedoura.

Os olhos do mundo não poderiam acreditar: naquele lugar pobre é o Deus forte e invencível quem se faz humilde como os humildes, pobre como os pobres, anunciando a salvação e a redenção pela encarnação.

As testemunhas da encarnação foram como que escolhidas a dedo pelo anjo do Senhor: os que viviam à margem da sociedade, os que não eram socialmente identificados: pobres pastores, devem procurar o Salvador, cujo sinal é sua pobreza, que o identifica com eles; envolto em panos, numa manjedoura. Para dar sinal de veracidade da salvação, os coros celestes juntam sua voz à do arauto e entoam o hino: “Glória a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade”.

Meus irmãos, Nesta noite santa, relembramos a promessa ao povo do antigo testamento que esperava o nascimento do Messias, aquele que, finalmente, faria valer os interesses de Deus, cuidando do bem-estar do povo, dando-lhes paz e segurança, fazendo justiça. Aqui está a síntese dos anseios do povo eleito que esperava o Messias para que se cumprissem as escrituras.

Noite do nascimento do Salvador é noite de pobreza, de contemplar o homem e a mulher que sofrem e padecem da fome de comida e da fome de dignidade. O Natal é o momento em que a luz brilha na escuridão, anunciando o Salvador.

A Boa Nova é para os pobres e para todo o povo. Os pastores representam os que acreditavam nas promessas de Deus. Eles recebem a notícia e logo se põem a caminho para verem aquilo que lhes foi comunicado.

Meus irmãos, Um Menino pobre que nos torna rico é o maior presente que recebemos nesta noite santa.

Jesus nasceu e renasce para os pobres, estropiados, prostitutas, cativos, desempregados, sem teto, sem dignidade, doentes, marginalizados, aidéticos, homossexuais, leprosos, todos aqueles e aquelas que se encontram à margem da sociedade.

Jesus nasce nesta noite, pobre no meio dos pobres, sem o direito de nascer em um local digno. Nasceu “sem teto”, não teve berço e suas primeiras visitas foram os pastores, a classe dos excluídos.

Irmãos amados, Celebramos nesta noite venturosa, como os pastores, o nascimento da Luz admirável que é o Cristo Senhor.

Jesus nasce para nos salvar de nossos pecados e para inaugurar um novo tempo, tempo de graça, tempo de salvação, tempo de santidade e tempo de evangelização, exercendo o papel de missionários e evangelizadores que pelo Batismo nos foi conferido. Doravante estaremos assegurando a edificação de uma sociedade cristã, em que “justiça e paz se abraçarão”.

Esta noite é a noite da opção preferencial pelos pobres e pelos excluídos. Deus Menino, que nasce assume a nossa humanidade e redime esta humanidade.

Esta noite é à noite da misericórdia. Noite que significa “ter o coração aberto ao miserável, ao necessitado”. Os necessitados somos nós, pecadores, todos, sem exceção.

Nesta noite de Natal Deus abre o seu coração, rico de misericórdia (Ef 2,4) e derrama sobre nós o seu amor, dando-nos a plenitude dos bens, seu Filho, encarnação da misericórdia divina, é para nós perdão e graça, santificação e vida.

É a noite da Alegria. Nesta noite não há espaço para tristeza, porque nasceu vida, uma vida que destrói o medo da morte e traz a felicidade da comunhão com Deus.

Exulta de alegria o santo e o pecador, porque Deus oferece a facilidade do perdão na ternura de uma criança.

Esta é a noite da fraternidade. O Filho de Deus se fez nosso irmão e nós nos tornamos filhos do mesmo Pai, irmãos e irmãs em Cristo (Mt 23,8-9).  Por isso, cantamos com Maria: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque grandes coisas fez o Todo poderoso” (Lc 1,46-47).

Que esta noite santa seja a noite da Paz em que, no presépio, reúne pastores e reis, animais e plantas, a terra e as estrelas, num silêncio reverente, e adorem todos a Paz que veio a este mundo!

Nesta noite venturosa nasceu o salvador, assumiu nossa humanidade, venceu o pecado e anunciou a paz e o amor!
(Diácono Ismael)

==========---------------==========

Homilia do Pe. Pedrinho

 

Meus irmãos e irmãs, Celebramos hoje o nascimento de Jesus, o seu aniversário. Hoje queremos homenagear o Senhor, voltando o nosso olhar para o presépio. É interessante observar, que o nascimento de Jesus acontece como muitos outros nascimentos; completam-se os dias da gestação e é a hora do parto. Eles estão em Belém por conta de José ser descendente da linhagem de Davi e agora precisa fazer o seu recadastramento, seu recenciamento. Certamente, na época, queriam também cobrar mais impostos. Então, tem que fazer uma recontagem para saber o quanto vai se angariar.

No caso de Jesus, nós que somos Cristãos, somos convidados a olhar com mais profundidade este acontecimento. Somos convidados a olhar para Jesus com os olhos da fé. Quando olhamos com os olhos da fé, tudo fica, literalmente, mais claro. Vamos nos dar conta de que este Jesus é a luz verdadeira, que veio para iluminar os povos. A partir de Jesus, ninguém pode dizer que anda na escuridão, que anda nas trevas; mesmo quem não enxerga. Mesmo quem não enxerga tem uma luz que pode guiá-lo. Mesmo quem não distingue bem as luzes, esta Luz se realça; ela se sobressai a todas as outras. Basta lembrar, que São Paulo no deserto, ao meio dia, vai encontrar-se com esta luz. Imagine-se no deserto: ao meio dia o sol está com todo o seu brilho, com toda sua intensidade e uma luz vai chamar a atenção de Paulo. Então, esta é uma luz que vai além do brilho do sol e é uma luz que nos acompanha.

Hoje temos várias pessoas que estão celebrando a morte de seus entes queridos. Aí, as pessoas dizem: que época triste para celebrar os mortos. Quando é que é época alegre para celebrar os mortos? Nunca. Quando algum de nós perde um ente querido, seja que tempo for, sofre e sofre muito. Entretanto, a leitura de hoje diz, que este Menino que nasceu, é para iluminar as nações, para iluminar os que estavam no jazigo de morte. É para iluminar também os mortos. A vantagem deles sobre nós é que eles estão comemorando pessoalmente este Aniversário. Eles foram convidados mais de maneira oficial. Nós ainda estamos celebrando através dos sinais, através dos olhos da fé. Eles o contemplam face a face. Portanto, embora tristes, com o sentimento humano, mas hoje é uma noite especial onde reavivamos a chama da esperança. A esperança é um sentimento humano e Deus é tudo em todos. Ele não tem ontem nem amanhã: é sempre hoje. De tal maneira, que Deus não tem esperança. Nós é que temos a esperança. Ter esperança em que? Ter esperança nesse Menino que nasce. A esperança nos abre um imenso panorama. São tantas as pessoas que andam temerosas. Não tenhais medo, diz o anjo, nasceu o Salvador. Alguém me chamou a atenção para um aspecto importante: Nossa Senhora. Claro, Ela é quem é graças a Jesus. Nossa Senhora acolhe, hoje, no seu colo cada um de nós, por causa da Palavra de Jesus. Ele disse: o que fizestes ao menor de meus irmãos, a mim o fizestes. Quando deu um copo com água, quando visitou um enfermo e aí, tem toda uma lista, onde cada um de nós é adotado. Cada um de nós tem um lugar nesta manjedoura. Nossa Senhora oferece o seu colo para quem está precisando de um carinho, de uma atenção, para quem está necessitado, assim, de um afago, para quem precisa de um manto para enxugar as lágrimas. Para quem está com medo, pois o filho sempre corre para os braços da mãe ou do pai quando está com medo. Mas, também para celebrar, pois o encontro com a mãe é sempre festa. Poderíamos também nos lembrar de São José. São José simboliza todo homem que tem amor. José coloca todas as suas forças ao serviço de Deus para que seu Mistério seja revelado ao mundo. Temos, de fato, uma luz que é revelada pelo anjo. Quantas pessoas estão sem luz! Quem dera pudéssemos também ser um anjo anunciando esta boa notícia, pois nasceu o Salvador para o mundo.

A partir de Jesus formamos uma única família; portanto, ninguém deve se sentir abandonado, porque quem tem uma comunidade nunca está só. Quem tem comunidade deve contar com esta comunidade para o seu apoio. Quanto alimento e brinquedos pudemos distribuir para famílias necessitadas, contornando a situação de injustiças, onde muitos passam necessidades básicas. A família cristã é uma única família. Olhe, não tem preço que pague o sorriso de uma criança. É esta criança que estamos celebrando hoje; é o natal. É no nascimento de Jesus que duas mensagem claras são manifestadas: uma, eu tenho um presente. É a mensagem da criança. Outra, eu posso contar com pessoas que me ajude. Isto é muito bom. A pior coisa é não ter pessoas com quem contar.

Hoje estamos em festa porque pudemos ser um sinal de esperança e temos ainda grande desafio: nos colocarmos diante da manjedoura e ter um presente para Jesus, a exemplo dos magos. Qual é este presente? A nossa disposição para continuar a sermos luz para as pessoas, para continuar anunciando o Evangelho, cada um a seu modo, cada um na sua realidade, mas sempre defendendo a dignidade da vida e sobretudo a vida dos indefesos.

Feliz Natal a todos e que Deus abençoe a todos. Que possamos fazer desta Eucaristia o ponto máximo de nosso Natal.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

===========------------============


Homilia de Dom Henrique Soares da Costa

 “Hoje, a Paz verdadeira desceu-nos do céu; hoje, os céus e a terra espalham doçura; hoje, raiou o dia do novo resgate de eterna alegria, há muito esperado!” – Estas palavras, a Igreja as reza por toda a terra no Ofício das Vigílias desta Noite santa. Mas, por que tanta exultação? Por que tanta luz? Por que tanta doçura, tanta ternura, tanta paz?
Hoje, cumpriu-se as Escrituras: o Dia tão esperado brilhou no meio da noite. Hoje, “o povo, que andava na treva”, a humanidade perdida e confusa, “viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte”, para nós, que temos sempre de lutar contra tantas e tantas mortes, “uma luz resplandeceu!”. Nesta Noite, podemos comemorar, alegrarmo-nos como os que colhem depois do trabalho e do suor do plantio, porque algo inacreditável, algo que parece um sonho, um conto de fadas, nos aconteceu! Escutai, escutai: “Nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim… a partir de agora e por todo sempre!” Eis a graça, a glória, o mistério desta Noite! Por isso a alegria: o Deus fiel cumpriu o que prometera e ultrapassou toda promessa. Nesta Noite tão santa, tão única, tão cheia de frescor, como são comoventes as palavras do Apóstolo na segunda leitura. Olhem o presépio, e escutem, olhem a manjedoura e prestem atenção: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade”. Olhem o presépio! Olhem o presépio: a graça de Deus é uma Criança, o Menino que nos foi dado! A graça de Deus está “envolvida em faixas e deitada numa manjedoura”. Que graça pequeninha; que graça tão grande! Que graça tão frágil; que graça tão forte! Quem é tão duro de coração, que não se comova? Quem é tão desumano, que não se emocione? Quem é tão pecador, que não queira aproximar-se de Deus? Quem é tão insensível, que não sinta, nesta Noite, o desejo de amar, o desejo de ser bom, o desejo de paz, o desejo de se deixar abraçar por Deus? “Não tenhais medo!” Quem quer que sejas tu: não temas! Não tenhas receio pelos teus pecados, não te afastes da graça desta Noite por causa das tuas infidelidades! Compreende: hoje, teu Deus vem a ti! Vem a ti a Paz, vem a ti o Perdão, vem a ti a Misericórdia, vem a ti a Plenitude do teu coração e o sonho da tua vida! Hoje nasceu para ti, para nós, um Salvador!
Presta bem atenção: porque tu és fraco, ele veio sustentar-te; porque tu és inconstante, ele veio permanecer contigo; porque tu muitas vezes não sabes o caminho, ele se vez visível na nossa carne; porque tu vives em trevas, ele apareceu como luz; porque tu não podes subir a Deus, ele desceu para te elevar! Que amor tão grande, que caridade sem medida! Nesta Noite a Virgem deu à luz o próprio Deus na nossa humanidade mortal!
Por isso a alegria da Igreja, por isso, a exultação! Abramos nosso coração, abramos nossa vida, nossos afetos, nossos sentimentos, nossos projetos para o mistério desta Noite. No século V, são Leão Magno, Papa de Roma, dizia ao povo na noite de hoje: “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida!”
Mas, estejamos atentos: porque Aquele que vem como luz no meio da noite, vem pobre, humilde, pequeno, frágil… e somente poderá ser reconhecido se estivermos atentos: atentos aos seus sinais, atentos às coisas pequenas, atentos aos irmãos mais frágeis, atentos ao que no mundo parece a toa, sem valor, sem importância, sem poder… O Menino somente pôde ser encontrado e reconhecido pela pobre Virgem Maria, pelo humilde José, pelos desprezados pastores… Os soberbos, os prepotentes, os esbanjadores, os orgulhosos jamais receberão a graça desta Noite!
Então, ouçamos ainda as palavras do Papa são Leão; tomemos o seu apelo para esta Noite: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade! Não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra de que cabeça e de que corpo és membro. Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne!”
Por tudo isso, concluamos como iniciamos, com as palavras da Liturgia da Igreja: “Hoje, a Paz verdadeira desceu-nos do céu; hoje, os céus e a terra espalham doçura; hoje, raiou o dia do novo resgate de eterna alegria, há muito esperado! Cantai ao Senhor Deus um canto novo; cantai ao Senhor Deus ó terra inteira… na presença do Senhor, pois ele vem!
Feliz Natal a todos! Que reine no coração de todos a graça desta noite! Amém.
Dom Henrique Soares da Costa

=============----------------------------============

LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Eis o nosso Salvador; Bendito seja o nosso Deus.
- Pai, Nós vos louvamos e vos bendizemos por nos enviar o Vosso Filho. Ele é a luz de nossas trevas. É o príncipe da paz e o conselheiro admirável que nos guia nos caminhos da vida.
T: Eis o nosso Salvador; Bendito seja o nosso Deus.
- Bendito sejais, Deus Nosso Pai, porque em Jesus, Vosso  Filho, a Vossa  graça tornou-se visível para a salvação de toda a humanidade.
T: Eis o nosso Salvador; Bendito seja o nosso Deus.
- Pai, enviastes o Messias tornando-nos filhos vossos. Este menino que hoje renasce em nossos corações é a nossa salvação.
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.
T: Eis o nosso Salvador; Bendito seja o nosso Deus.
- Pai, que o  Espírito Santo faça de nós portadores de Luz, de Paz e de Alegria.
T: Eis o nosso Salvador; Bendito seja o nosso Deus.
- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...