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quinta-feira, 11 de julho de 2019

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


15º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ANO C

– SINOPSE:
TEMA: É no amor a Deus e ao próximo que encontraremos a vida eterna.
Primeira leitura: Deus é o centro da sua vida; Devemos amá-lo de todo o coração.
Evangelho: A vida plena está no amor a Deus e aos irmãos.
Segunda leitura: Paulo apresenta-nos Cristo como o centro de nossa vida.

PRIMEIRA LEITURA (Dt 30, 10-14)
...Moisés falou: “Ouve a voz do Senhor teu Deus e observa todos os seus mandamentos, que estão escritos ...Não está no céu, ...: Ao contrário, esta palavra está ...em tua boca e em teu coração”.

AMBIENTE
O Deuteronômio é reflexão dos teólogos do Reino do Norte (Israel) no final do exílio da Babilônia, alertando para as consequências da  infidelidade para com Jahwéh.

MENSAGEM
É um convite às propostas e aos mandamentos de Deus. Os exilados perguntavam Como é que se descobre o que Deus quer de nós? - O caminho que Deus propõe está inscrito no coração e na consciência de cada homem; é aí que Deus nos fala as suas propostas.

ATUALIZAÇÃO
♦ O convite às propostas de Deus Não pode ser uma meia adesão de acordo com os nossos interesses; mas tem de ser uma adesão total.
♦ Nossos interesses egoístas abafam a voz de Deus.

SALMO: Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: / o vosso coração reviverá!
• Por isso elevo para vós minha oração, / neste tempo favorável, Senhor Deus! /
Respondei-me pelo vosso imenso amor, / pela vossa salvação que nunca falha!
/ - Senhor, ouvi-me, pois suave é vossa graça; / ponde os olhos sobre mim com grande amor!
• Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! / Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! /
Cantando eu louvarei o vosso nome / e agradecido exultarei de alegria!
• Humildes, vede isto e alegrai-vos: / o vosso coração reviverá, /
se procurardes o Senhor continuamente! / Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres /
 e não despreza o clamor de seus cativos.
• Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, / reconstruindo as cidades de Judá. /
 A descendência de seus servos há de herdá-las, / e os que amam o santo nome do Senhor/
dentro delas fixarão sua morada!

EVANGELHO (Lc 10,25-37)
...um mestre da Lei ...perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei?...” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e ...ao teu próximo como a ti mesmo!”: “E quem é o meu próximo?” Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. ...deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote ...Quando viu, seguiu adiante,... O mesmo aconteceu com um levita... Mas um samaritano, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. ...fez curativos. ...e levou-o a uma pensão, ...pegou duas moedas de prata..., recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

AMBIENTE
Jesus prepara os discípulos para serem as testemunhas do Reino. É neste contexto “pedagógico” que vai aparecer a “parábola do bom samaritano”. Havia inimizades entre eles. Quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos assírios e colonos assírios se misturaram com a população local; Após o exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos para a reconstrução do templo de Jerusalém (ano 437). No ano de 333 a.C., os samaritanos construíram um templo no monte Garizim; que foi destruído em 128 a.C. por João Hircano. Na época de Cristo samaritanos profanaram com ossos o templo de Jerusalém. Os judeus desprezavam os samaritanos, por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros.

MENSAGEM
O que fazer, a fim de conseguir a vida eterna? - o mestre da Lei a conhece: amar a Deus e amar o próximo. “quem é o meu próximo?” Na época de Jesus o “próximo” eram apenas os membros do Povo de Deus. Para explicar, Jesus conta a “parábola do bom samaritano”. Passaram um sacerdote e um levita. Apesar dos conhecimentos religiosos, não têm misericórdia. Um samaritano foi até ele, cuidou e o salvou. Jesus conclui dizendo: “vai e faz o mesmo”. A verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão, sem exceção. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós para se levantar.

ATUALIZAÇÃO
♦ “O que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? A resposta é: “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ama também os outros irmãos”. A verdadeira religião que conduz à salvação passa por este amor sem limites.

SEGUNDA LEITURA (Cl 1,15-20)
...Cristo é a imagem do Deus invisível,...Tudo foi criado por meio dele e para ele... Ele é a Cabeça, o Princípio, ...ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da cruz

AMBIENTE
Paulo escreveu aos Colossenses da prisão (de Roma). Ano 63. Epafras visitou Paulo e levou notícias alarmantes… Alguns “doutores” locais misturavam cristianismo com cultos mistéricos em voga no mundo helenista. Paulo desmonta toda esta confusão doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer importância para a salvação: Cristo basta.

MENSAGEM
A primeira afirmação é a de que Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Ele é em tudo igual ao Pai, no ser e no agir, pois n’Ele reside a plenitude da divindade. Deus se revela aos homens e Se faz visível através da humanidade de Cristo.
A segunda afirmação é que Ele é o “primogênito de toda a criatura”. No contexto judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa a supremacia e a autoridade de Cristo sobre toda a criação.
A terceira afirmação é a de que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”); que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”). Paulo desmonta as especulações dos “doutores” Colossenses acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo.
Ele é a “cabeça do corpo que é a Igreja”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico. A segunda afirmação é a de que Ele é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”. Significa que Ele, não só foi o primeiro que ressuscitou, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição. A terceira afirmação é de que n’Ele reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, por Cristo foram reconciliadas com Deus todas as criaturas: a criação, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.

ATUALIZAÇÃO
♦ Cristo é a referência fundamental à volta da qual a nossa vida se articula e se constrói. É Ele que está no centro dos interesses e da vida das nossas comunidades?
 Há outros deuses, ou poderes, ou “santos” que nos desviam de Cristo?
♦ Para muitos Jesus, quando muito, foi um homem bom, um visionário, um idealista; por isso, não tem qualquer espaço nas suas vidas. Como podemos testemunhar a nossa convicção de que Ele é o centro da história e de que Ele está no princípio e no fim da história da salvação?

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Quem é seu Próximo?

Todos nós desejamos com segurança a Vida eterna.
Mas qual é o CAMINHO para conquistá-la.
As leituras bíblicas respondem: no amor a Deus e aos outros.

Na 1a leitura, MOISÉS convida o Povo a aderir aos MANDAMENTOS:
"Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus Mandamentos".
E acrescenta: "Esta lei não está acima de tuas forças... pelo contrário,
ela está bem perto de ti, está em tua boca e em teu CORAÇÃO" (Dt 30,10-14)

Os Mandamentos de Deus não são uma coleção de prescrições impostas, que tolhem a nossa liberdade e prejudicam a nossa realização pessoal.
Pelo contrário, correspondem aos anseios profundos da pessoa humana, são o caminho seguro, que nos conduz à Felicidade eterna desejada.
E Deus inscreveu esses preceitos em nosso próprio coração.

A 2ª Leitura mostra Cristo como o centro de toda a criação. (Cl 1,15-20)
É um hino cristológico, em que Paulo apresenta Cristo  como "imagem do Deus invisível" e o "primogênito de toda a criatura".

No Evangelho, CRISTO aponta o caminho da vida eterna, respondendo a duas perguntas de um Mestre da Lei: (Lc 10,25-37)

1. "Que devo fazer para alcançar a vida eterna"?
- Jesus o questiona: "O que diz a Lei?"
- Ele resume os 613 preceitos em dois: o Amor a Deus e o Amor ao Próximo... (Dt 6,5; Lev 19,18)
- Jesus concorda: "Respondeste bem... FAZE isto e viverás".
- E ele insiste com a segunda pergunta:

2. "E quem é o meu próximo?"
Na época de Jesus, "próximo" era o membro do Povo de Deus; excluíam os inimigos, os pecadores e os não praticantes...
Jesus responde não com uma definição, mas com um exemplo prático...
com a maravilhosa Parábola do BOM SAMARITANO...

- Um homem é assaltado por ladrões...  que o deixam jogado meio morto à margem da estrada.
- Ali passa um SACERDOTE, que sabe tudo sobre a Lei:   vê o homem jogado, mas vai adiante.
- Passa também um LEVITA, que trabalha diariamente no templo, mas não sabe nada de Deus: não tem misericórdia para aquele homem.
  Vê o homem e vai em frente...
- Passa também um "SAMARITANO" que não sabia tão bem a Lei de Moisés.
  Esse "pagão" sente "compaixão" (sentimento próprio de Deus).
  Supera a hostilidade entre judeus e samaritanos,   esquece seus negócios, seus compromissos, seu cansaço, o medo...
   "Aproxima-se dele, derrama óleo e vinho nas feridas. Depois o coloca em seu animal e completa os cuidados na pensão".
- E Jesus concluiu: "Vai e faze tu o mesmo".

A Parábola nos diz que...

- A "Vida eterna" é encontrada no Amor a Deus,   concretizado no Amor ao Próximo.
  Para ter a vida devemos fazer de quem está perto de nós o nosso próximo.
  PRÓXIMO é todo irmão, que necessita de nossa ajuda e de nosso amor.

- Mais importante do que saber quem é o "próximo", é tornar-se próximo de quem precisa...
  PRÓXIMO é quem age com misericórdia e compaixão...
  Cristo foi o verdadeiro Bom Samaritano, que antes de ensinar a Parábola a fez realidade em sua vida acolhendo a todos.
  E ele nos convida: "Vai e faze tu o mesmo..."
  Esse gesto é um aspecto fundamental da missão da Igreja.

* A Parábola propõe Três PASSOS para realizar o amor misericordioso:
   Ver, Ter compaixão e Agir...

+ Quem é o nosso Próximo, HOJE?
   Só os amigos, os familiares? Os que nos ajudam? Gente do nosso grupo?

* Ainda hoje, há pessoas à beira das estradas, assaltadas pela violência ou opressão... precisando de nossa ajuda...

- Qual é a nossa atitude para com elas?

* A do Sacerdote e do Levita, que olharam o 'coitado' e passaram à frente, porque não tinham tempo, deviam cuidar dos seus trabalhos?

* Ou a figura simpática do Bom Samaritano, que mesmo estando de viagem, soube parar... e oferecer a esse coitado aquilo que estava ao seu alcance, para  suavizar a sua situação?  

- E nós, que aqui estamos reunidos nessa celebração para fortalecer a nossa fé e o nosso amor,
  sabemos quem é o nosso próximo? Qual é o seu nome?

- Reconhecemos de fato a presença de Cristo nas pessoas que encontramos ao longo dos caminhos do mundo?
  Ou preferimos não perder tempo e seguir o nosso caminho, deixando o nosso próximo na sarjeta do abandono?

Enquanto Cristo aguarda uma resposta, professemos publicamente a nossa fé no Cristo que ainda hoje muitas vezes encontramos abandonado e espoliado, ao longo de nosso caminho...

                          Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a liturgia de hoje, ela faz vários convites e apresenta vários desafios para nossa fé, nossa caminhada.
O primeiro é eu ter condições de avaliar em que eu sou pobre.
Claro, que a pobreza é classificada pelo dinheiro que eu tenho disponível,  pela autonomia que eu tenho na vida, mas a pobreza não pode ser vista só com a questão do dinheiro. A pobreza pode ser o quanto eu sou egoísta. Quanto mais egoísta, mais falta eu tenho, não do dinheiro, mas de Deus. O quanto eu sou solidário para com o outro. Quanto menos solidário, menos parecido com Deus eu sou. Então, Maior é a minha falta de imagem e semelhança a Deus e assim por diante. O salmo de hoje diz: “Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos”. Se eu não sou humilde, ao ponto de não reconhecer a necessidade de Deus, eu sou incapaz de rezar. É por isso, que cada vez menos pessoas tem o hábito da oração, porque elas não sentem necessidade de Deus. Elas se vêem “Eu me basto em  mim mesmo”. Esta é uma grande dificuldade.
O Evangelho de hoje faz um convite para nós abrirmos nossa atenção e sermos sensíveis para com aqueles que estão ao nosso redor. A pergunta do mestre da lei, ela é muito importante: “O que devo fazer para ter a vida eterna”? não é qualquer coisa que ele quer. Ele q uer algo que só Deus pode conceder. Ninguém, nenhuma proposta do mundo pode lhe oferecer vida eterna. Deus é o único que pode. Cada vez que eu dirijo uma pergunta a Deus, através de Jesus, ele me responde, segundo a minha capacidade de compreensão. Deus é fantástico! Para aquele mestre da lei, Jesus vai responder segundo a sua capacidade. Ele vai responder segundo mestre da lei, pois ele conhece a lei. O doutor da lei conhecia o Antigo Testamento todo! Jesus diz: “olhe, o que diz a lei”? O doutor da lei vai dizer: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda tua alma, com toda tua inteligência e o próximo como a ti mesmo”. Jesus diz: “faça isto então”! É vidente, que tanto ele, como qualquer um de nós, ele tentou se justificar: “quem é o meu próximo”? Era o que faltava para Jesus ajudar as pessoas a enxergar um pouco além. Além daquilo que estão vendo. O próximo é quem está ao meu lado! Normalmente, nós pensamos os próximos são os da nossa casa. Jesus diz: vamos abrir esta visão, vamos ampliar, vamos aí refletir um pouco, que o cuidado da casa é obrigação de todos e não opção. Se você é uma pessoa de responsabilidade, honrada, você vai cuidar de quem pertence a sua família. Isto é uma obrigação. Agora, estar atento às necessidades dos outros, é uma opção, é uma escolha.
Olhe o que rezamos no Ato Penitencial: “Peço à Virgem Maria e a vós, meus irmãos, que rogueis por mim”. A oração é pedindo ao irmão que reze por mim. Não eu rezar para mim. Isto também é egoísmo. É eu rezar pelo irmão, tendo a confiança de que o irmão irá rezar por mim. É aí que começa a complicar; será que vai rezar mesmo? Convém eu dar uma reforçada, pois se ele não rezar por mim, pele menos eu garanto. Veja, isto é um ato de fé; estar aberto para o próximo, confiar que o irmão reze por mim e eu rezo pelo irmão. Esta troca de oração é um exercício para eu estar aberto às necessidades do outro. Nós sabemos que muitas pessoas se santificaram pela oração do outro! Pela oração do outro! Aí é que está.
Jesus vai fazer uma leve modificação na Lei, mas profunda. A Lei diz: “Amarás a Deus de todo coração e ao próximo como a ti mesmo”. A Lei colocava como critério a pessoa. Como é que eu quero ser amado, é assim que sou chamado a amar o próximo. Mas, e quando eu não me amo? Isto tem acontecido muito! Cada vez mais tem pessoa que não tem mais a autoestima. Está disposta a qualquer coisa para se manter em evidência. Então, Jesus vai ser um pouco mais exigente: Ele vai modificar o “amar o próximo como a ti mesmo”. Ele vai dizer: “amai-vos uns aos outros COMO EU VOS AMEI”. É mais exigente! Como é que Jesus nos amou? Entregando a vida. Entregando a vida pelo irmão. É muito mais exigente. De qualquer maneira, o Evangelho de hoje também nos mostra, que ter dinheiro também não é problema. Não é que quem tem dinheiro está condenado, não! O Samaritano tinha dinheiro e crédito, porque ele leva o fulano para ser cuidado, deixa lá um dinheiro, um cheque calção, e diz: quando eu voltar, pago o que exceder a conta. Ele tem crédito também. Não é um mero desconhecido. Tem crédito, tem o dinheiro. Vamos pensar um pouco em nós. Você vê alguém baleado, esfaqueado na rua, você vai colar no seu carro, vai levar para o hospital. Primeiro, vai ser difícil conseguir vaga. Primeira coisa. Segundo, vai ter que fazer um boletim de ocorrência (BO). Depois vai ter que prestar depoimento: como você viu este fulano, por que você está levando ele lá, até onde você está envolvido, quem é fez aquilo; muita complicação. Muita complicação. Veja, que a sociedade faz de tudo, para nós não vivermos o Evangelho, embora a sociedade se diz cristã, mas se você quiser arrumar para a cabeça, faça isto: ponha alguém no seu carro e leva para o hospital. Aí é que está. Muito bem. Se isto não fosse suficiente, você ainda tem que deixar os seus afazeres. Normalmente, nós temos toda uma agenda programada. Então, veja: se quisermos começar este exercício, de um mundo novo, rezando uns pelos outros pelo menos. Pelo menos isto. Agora, cada um é convidado hoje para se colocar diante de Deus dizendo: eu tenho feito tudo, que eu tenho possibilidade?   Ótimo! Realmente falta muito para mim. O importante é ter consciência o quanto anda a minha caminhada em vista da prática do Evangelho. A partir daí, dizer: Senhor, olhe a minha pobreza onde está: eu sou incapaz disto, sou incapaz daquilo. Ajuda-me nesta pobreza. Outro vai dizer: eu não tenho dinheiro mesmo e o Senhor sabe disto. Por isso, eu não posso ajudar. Senhor, me ajude na minha pobreza. Cada um na sua realidade e respondendo a Deus. Olhe o sacerdote: é dever de ofício. Sabe o que é dever de ofício? É aquilo que eu me proponho a fazer na vida. Isto é o ofício que eu escolho. Primeiro ofício do sacerdote É SERVIR. O sacerdote olhou o fulano e passou para o outro lado. É. Os levitas. Os levitas são as lideranças do templo. As lideranças é de se esperar que sejam os primeiros a dar o exemplo. O levita passou para o lado também. Quem ajudou? Um samaritano. Quem era o samaritano? Pessoa de segunda categoria. Era tido como ateu. Não acreditava em nada, não podia ir ao templo, ele também não tinha nada a perder. É este o ponto principal. Quando eu não tenho nada a perder, eu me entrego totalmente. Mas, se eu tenho algo a perder, aí eu penso duas vezes. Então vamos abrir mão de tudo! Não é esta a questão.  A questão é não ficarmos só admirando o samaritano, mas nos colocarmos no lugar dele e saber até onde eu sou capaz de viver o Evangelho.
São Camilo de Lelis, hoje são Camilo, ele vai dizer: Eu vou viver o Evangelho, atendendo os enfermos. Ele é o protetor, o padroeiro dos enfermos. Então, olhe, é uma maneira. Nós temos muitas pessoas entre nós que visitam os enfermos. É tão importante a visita ao enfermo! Ela fica o dia inteiro na cama sem fazer nada, porque não pode. Então, uma conversa, uma visita, trocar idéia uma meia hora, isto alegra o dia do enfermo e não custa dinheiro. Pode custar um tempinho a locomoção. Outros ajudam de outras maneiras. É evidente, que o Evangelho nos pede é em vista de nossa caminhada para a vida eterna. Nós temos a vida aí para irmos caminhando. Quanto tempo de vida? Ainda bem que ninguém sabe, porque alguns esperariam o último dia para tirar o atraso todo, não é? Não. A caminhada é cada dia, até chegarmos lá.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pe. Pedrinho – Diocese Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

A Palavra de Deus proposta neste Domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?” Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração! Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura? Onde está a vida, a realização da existência? Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?
Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?” – Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no Salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis vossos preceitos!” Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo autossuficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!
Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”. Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre – gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à sua imagem!
Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?” – A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma idéia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É a este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Mas, atenção: um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como eu vos amei. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).
Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; ele mesmo se fez próximo de nós: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível… porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe, não nos amou à distância: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que “se faz próximo” do próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos… Ele se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”. Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no seu amor!
Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa! Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos? Que tenho feito com eles? Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda se faz próximo hoje, em cada Eucaristia. Pensemos nele: “Vai, tu também, e faze o mesmo!” Amém.
 D. Henrique Soares da Costa

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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Em pleno Ano Santo da Misericórdia, o ensinamento de Jesus neste XV Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante de um dos maiores apelos do evangelho da Misericórdia: viver a fé não apenas nas suas expressões de culto religioso, mas como práxis de cultivo da vida, o dom precioso saído das mãos de Deus e, portanto, destinado à plenitude. A vida na sua fase de peregrinação terrena é o momento privilegiado para descobrirmos que ela é eterna, por isso deve ser tratada com dignidade. Cuidar, admirar, conservar a obra prima de um artista é a melhor maneira de prestar-lhe a fundamental e essencial homenagem. Santo Irineu (130-200 d.C.) afirma: “A glória de Deus é o homem vivo” (Gloria Dei, vivens homo). Por conseguinte, um culto que perde esse caráter essencial de compromisso com a vida deixa de ser proclamação da glória de Deus e se torna cumplicidade com todas as formas de ameaça e destruição da vida. A chamada “Parábola do Bom Samaritano” não é apenas mais um ensinamento de Jesus sobre a importância de fazer o bem a quem quer que seja, mas é uma crítica contundente a uma religiosidade hipócrita que, buscando razões para omitir-se diante das ameaças contra a vida, torna-se cúmplice dos assaltantes da vida.
A pergunta: “Mestre, que fazer para herdar a vida eterna?”, se não tivesse como motivação: “colocar Jesus à prova” (grego ekpeirazon: tentando), seria uma questão legítima, pois está presente no coração de todo ser humano, ainda que formulada de diversas maneiras. Querendo provar Jesus, o jurista passa de intérprete-aprendiz da Lei para assumir o papel de tentador do Mestre que no início quis distorcer a autêntica compreensão da Palavra de Deus. Jesus, porém, aprofunda a questão perguntando: “O que está na Escritura? E como lês?” A Escritura sem a sua leitura (aplicação na vida) pode se tornar a grande tentação do religioso, abrindo espaço para todo tipo de fundamentalismos. Em dois momentos, o Mestre procura ampliar o horizonte do seu interlocutor. A primeira pergunta é fácil de responder: “Respondeste corretamente”. Enquanto que a segunda não se responde teoricamente, pois só as atitudes são capazes de responder: “Faz isto e viverás!”.
A distinção feita por Jesus entre “o que está escrito e como se lê” não é pura especulação acadêmica das discussões entre mestres da Escritura, mas aponta para a necessidade de recuperar a unidade entre os dois aspectos fundamentais da Palavra de Deus: a Escritura e a Vida. Separando o saber a Escritura do viver a Palavra, impedirá dar a resposta a tal pergunta. Ao contar essa parábola Jesus apresenta três modos de ler a síntese da Torá (o mandamento do amor a Deus e ao próximo). Os três personagens, mais do que representantes étnicos (judeu e samaritano), indicam maneiras de ler a vida para conhecer a Palavra e modos de ler a Escritura para compreender ou não os apelos da vida. A vida está para além das suas circunstâncias sociais, políticas ou étnico-religiosas, tanto que nem os assaltantes nem o assaltado são identificados como judeus ou pagãos. Atentar contra a vida ou comprometer-se com ela transcende todas as barreiras, vai depender de como fazemos a sua interpretação. O caminho será sempre possibilidade de aproximar-se ou optar ir para longe.
Tanto para o sacerdote quanto para o levita a reação diante do quase morto que encontraram no mesmo caminho foi passar para o outro lado e ir embora (grego antiparérchomai: passar afastando-se na direção contrária). Esta atitude indica um modo de ler a Torá que por sua vez ensinava: “Aquele que tocar um cadáver, qualquer que seja o morto, ficará impuro...Todo aquele que tocar um morto, o corpo de alguém que morreu, e não se purificar, contamina a Habitação de Javé; tal homem será eliminado de Israel” (Nm 19,11s). A razão era clara e indiscutível: cumprimento da Lei, e como homens do culto, desobedecendo esta lei, além de correrem o risco de se contaminar, também contaminariam a Casa de Deus, cuja pena era a morte. Tinham bem presente a Lei, mas não conseguiram relacioná-la com a vida; viam a Lei, mas não enxergavam a vida, não foram capazes de aproximar-se para perceber que ali não estava um cadáver, mas uma pessoa, que se fosse abandonada por eles, arriscava tornar-se um cadáver, com o qual não estariam mais obrigados a fazer nada. O samaritano, geralmente visto como um estrangeiro, objeto de inimizades e herege, na parábola aparece como aquele que dá provas que não apenas conhece a Lei (os samaritanos têm o Pentateuco), mas que consegue aproximar-se da vida para melhor compreender o Mandamento e colocá-lo em prática. Pois a Lei ensina: “Se encontrares o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, lho reconduzirás. Se vires cair debaixo da carga o jumento daquele que te odeia, não o abandonarás, mas o ajudarás a erguê-lo” (Ex 23,4s). Se até o socorro da vida dos animais que se encontram em risco de morte (inclusive dos inimigos) está entre os imperativos da Lei de Deus, quanto mais não será o cuidado com a vida do próximo em situações de risco. O que o jurista e seus companheiros (sacerdote e levita) ainda não compreendiam em relação à vivência dos mandamentos (Lv 19.18; Dt 6,5), o samaritano ensina com atitudes: “Amarás o Senhor, teu Deus”/ “estava de viagem, chegou perto dele viu e sentiu compaixão”: compaixão na Bíblia é a misericórdia de Deus, portanto o viajante manifesta sintonia com os próprios sentimentos de Deus, o que só seria possível se Deus tivesse o primado na sua vida. “Com todo o teu coração e com toda a tua alma”/ “fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas”: o coração na Bíblia é a sede das decisões, não apenas dos afetos, e a alma representa a interioridade, portanto, o viajante vendo o quase morto decide prestar-lhe socorro e não apenas expressar sentimentos estéreis de comiseração. “Com toda a tua força e com toda a tua inteligência”/ “Colocou o homem em seu próprio animal, levou-o para pensão, cuidou dele”: o sentimento de misericórdia do samaritano se expandiu como força para os seus braços a fim de erguer o quase morto caído; e desapego de seus bens (“dois denários”) e de seu tempo (“Quando voltar”). “Faz isso e viverás!”, eis a resposta: fazer-se próximo para aproximar o que está escrito do que é vivido e, assim, ter a vida em plenitude.

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros ext. da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
Pres. O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
Pres. COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO E. SANTO, louvemos O PAI:
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres.   Senhor, nosso Deus, nosso criador e nosso Pai. Nós vos bendizemos pela vossa bondade e vossa misericórdia. Sabemos pela vossa palavra que sempre estais ao nosso lado seja na alegria seja na dor. Vós nunca desamparais aqueles que vos honram e respeitam os vossos ensinamentos.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres.  Senhor, nosso Deus, nós vos agradecemos por nos enviar vosso Filho para nos ensinar os vossos preceitos e nos guiar por caminhos seguros rumo ao vosso Reino. Ele é a vossa imagem no meio de nós. Ele nos revela vossa bondade e vosso amor.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres. Senhor, nosso Deus, vosso Filho Jesus Cristo nos ensinou o amor ao próximo como forma de nos transformarmos e alcançar a salvação eterna. Sabemos que o nosso próximo é todo aquele que necessita de nossa ajuda, de nosso conselho, de nosso amor. Pai, sede a nossa força e nosso amparo nessa caminhada.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
 PAI NOSSO...              EIS O CORDEIRO...



segunda-feira, 12 de junho de 2017

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2017, homilias, subsídios homiléticos

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A 2017

SÍNTESE: “A messe é grande e poucos operários.”

A primeira leitura apresenta-nos o Deus da “aliança”, que elege um Povo: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh meio das outras nações.
O Evangelho Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha e o envio de “doze” discípulos (a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o “Reino”. Esses “doze” serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.
A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens.

LEITURA I – Ex 19,2-6a Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias, os israelitas, partindo de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Israel armou aí suas tendas, defronte da montanha. Moisés, então, subiu ao encontro de Deus. O Senhor chamou-o do alto da montanha e disse: “Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar aos filhos de Israel: Vistes o que fiz aos egípcios e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. Portanto, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos, porque minha é toda a terra. E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa”

AMBIENTE - O texto que nos é proposto faz parte das “tradições sobre a aliança do Sinai” –  é a reflexão sobre um compromisso (“aliança”) que Israel teria assumido com Jahwéh.

MENSAGEM - A iniciativa da “aliança” é de Deus: é Jahwéh que convoca Moisés – o intermediário entre Deus e o Povo – para a montanha e propõe, através dele, uma “aliança” à “casa de Jacob”. A iniciativa de estabelecer laços de comunhão e de familiaridade com o seu Povo é sempre de Deus.
A referência à libertação da escravidão
(“vistes o que Eu fiz no Egito”), à presença amorosa de Deus ao longo da marcha pelo deserto (“como vos transportei sobre asas de águia”) e ao chamamento à comunhão com o próprio Deus (“e vos trouxe até Mim”). Tudo isso resulta do “compromisso” que Deus assumiu com Israel, ainda antes da “aliança” do Sinai.
Jahwéh convida Israel a aceitar estabelecer com Deus laços privilegiados de comunhão e de familiaridade. Para que isso aconteça, Deus pede a Israel que escute a sua voz e guarde a “aliança” (os mandamentos).
Se Israel aceitar comprometer-se com Deus numa “aliança”, Deus oferecerá ao Povo uma relação especial, que o tornará o Povo eleito de Deus, um reino de sacerdotes e uma nação santa. Israel passará a ser o Povo eleito, que Deus escolheu entre todos os povos da terra para com ele manter uma relação única. Será também um reino de sacerdotes – quer dizer, um Povo cuja missão é testemunhar Deus e torná-lo presente no mundo. Será finalmente uma nação santa – quer dizer, um Povo “à parte”, separado do convívio dos outros povos para se dedicar exclusivamente ao serviço de Jahwéh.
A “aliança” aparece aqui como fazendo parte integrante do projeto de salvação que Deus tem para os homens. Esta “eleição” não é um privilégio, mas um serviço, que se concretiza numa missão profética: ser um sinal vivo de Deus no mundo.
Descobre-se aqui o sentido fundamental do Êxodo: a libertação do Egito não se resume em fazer sair um povo da escravidão para a liberdade: a caminhada que Jahwéh começou com este Povo no Egito aponta para o compromisso com Deus e com os homens; aponta para a construção de um Povo que não só conquista a sua liberdade mas se torna testemunha de Deus, sinal de Deus, sacerdote de Deus no meio do mundo.

ATUALIZAÇÃO • O nosso texto revela um Deus empenhado em caminhar ao lado dos homens, em estabelecer com eles laços de familiaridade e de comunhão, em apresentar-lhes propostas de salvação, de libertação, de vida definitiva. É Deus que está ausente da história dos homens, ou são os homens que apostam noutros deuses (noutros esquemas de felicidade) e não têm tempo nem disponibilidade para encontrar o Deus da “aliança” e da comunhão? Deus ter-Se-á tornado indiferente e insensível ao destino dos homens, ou são os homens que preferem trilhar caminhos de orgulho e de auto-suficiência à margem de Deus?
*  “Ouvir a voz” de Deus significa escutar as suas propostas, acolhê-las no coração e transformá-las em gestos na vida diária; “guardar a aliança” significa comprometer-se com as propostas de Deus e viver de forma coerente com os mandamentos… As propostas de Deus interpelam-me e interferem com as minhas opções ou, na hora das decisões, eu escolho de acordo com os meus interesses pessoais, prescindindo das indicações de Deus?
• O Povo que aceita a “aliança” é um Povo que é propriedade de Deus, que aceita ficar ao serviço de Deus. A sua missão é testemunhar o projeto salvador de Deus diante de todos os povos da terra.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 99 (100)
Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.
Aclamai ao Senhor ó terra inteira...

EVANGELHO – Mt 9,36-10,8

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceuse delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e
André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Felipe e seu Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu e Tadeu; Simão, o zelota
e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: "Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purifcai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!"

AMBIENTE - Os discípulos são aqueles que Jesus chamou e seguiram Jesus; Formados por Jesus na “escola do Reino”, eles podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada do “Reino dos Céus”.
       
MENSAGEM - Mateus explica que essa missão à qual Deus chama os discípulos é expressão da solicitude de Deus, que quer oferecer ao seu Povo a salvação. Mateus – que escreve para uma comunidade onde existia um número significativo de crentes de origem judaica – vai usar, para transmitir esta mensagem, imagens retiradas do Antigo Testamento e muito familiares para os judeus.
Nas palavras de Jesus, Israel é uma comunidade abatida e desnorteada, cujos pastores (os líderes religiosos judeus) se demitiram das suas responsabilidades. Eles são esses maus pastores de que falavam os profetas (cf. Ez 34; Zac 10,2). O coração de Deus está, no entanto, cheio de compaixão por este rebanho abatido e desanimado; Deus vai, então, assumir as suas responsabilidades, no sentido de conduzir o seu Povo para as pastagens onde há vida.
Vem depois o chamamento dos discípulos (cf. Mt 10,1-4). Mateus começa por deixar claro que a iniciativa é de Jesus: “chamou-os”. Depois, Mateus aponta o número dos discípulos (“doze”). Porquê exatamente “doze”? Trata-se de um número simbólico, que lembra as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus. Estes “doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do Povo de Deus, do novo Povo de Deus.
Em seguida, Mateus define a missão que Jesus lhes confiou (“deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades”). Os espíritos impuros, as doenças e as enfermidades representam tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de chegar à vida em plenitude. A missão dos discípulos é, pois, lutar contra tudo aquilo – seja de caráter físico, seja de caráter espiritual – que destrói a vida e a felicidade do homem (podemos dizer que a missão dos discípulos é lutar contra o “pecado”).
Finalmente, Mateus aponta os nomes dos “Doze” ; Pedro encabeça a lista e Judas Iscariotes fecha-a. Estes dois são talvez as duas personagens mais fortes e que, ao longo da caminhada com Jesus, devem ter assumido algum protagonismo no grupo dos discípulos.
O último passo é o envio dos discípulos. Em primeiro lugar (vers. 5-6), Jesus vai definir os destinatários da missão: numa primeira fase, são “as ovelhas perdidas da casa de Israel”. Esta interpretação “restritiva” da missão explica-se a partir da forma como o cristianismo se expandiu em termos geográficos: primeiro pela Palestina e só depois fora das fronteiras da
Palestina; provavelmente, também terá a ver com as tensões existentes na comunidade de Mateus, onde alguns judeo-cristãos tinham dificuldade em aceitar que o Evangelho fosse anunciado aos pagãos. Mais tarde, Mateus vai deixar claro que, na segunda fase, o anúncio se destina, também aos pagãos. Porquê? Porque a “casa de Israel” rejeitou Jesus e a sua proposta do “Reino” (cf. Mt 21,43).
Em segundo lugar (vers. 7-8a.b.c.d), apontam-se os sinais que devem acompanhar o anúncio da chegada do “Reino”: a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a expulsão dos demônios. O anúncio não deve constar de palavras apenas, mas de gestos concretos que sejam sinal vivo dessa libertação que o “Reino” traz.
Em terceiro lugar (vers. 8e), aparece um apelo à gratuidade: os discípulos não podem partir para a missão a pensar em colher dividendos pessoais, ou em satisfazer interesses egoístas. A expressão “recebestes de graça, dai de graça” convida a fazer da própria vida um dom gratuito ao “Reino”, sem esperar em troca qualquer paga.
Repare-se como em todo o discurso a missão dos discípulos aparece como um prolongamento da missão de Jesus. O anúncio, que é confiado aos discípulos, é o anúncio que Jesus fazia (o “Reino”); os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o “Reino” são os mesmos que Jesus fez; os destinatários da mensagem que Jesus apresentou são os mesmos da mensagem que os discípulos apresentam… Ao apresentar a missão dos discípulos em paralelo e em absoluta continuidade com a missão de Jesus, Jesus convida a Igreja (os discípulos) a continuar na história a obra libertadora que Ele começou em favor do homem.

ATUALIZAÇÃO • Deus nunca Se ausentou da história dos homens; Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.
• Deus age hoje no mundo através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
• Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”.
• A missão dos discípulos de Jesus É lutar contra tudo que escraviza o homem. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça.

LEITURA II – Rom 5,6-11 Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos
Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para conosco. Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançamos agora a reconciliação.

AMBIENTE = A Carta aos Romanos, escrita por Paulo por volta do ano 57/58 e no qual o apóstolo apresenta uma síntese da sua mensagem e da sua pregação. Paulo sente que terminou a sua missão no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente. Paulo quer lembrar aos cristãos vindos do judaísmo (e para quem a salvação dependia da prática da Lei de Moisés), quer aos cristãos vindos do paganismo (e para quem a Lei de Moisés constituía um empecilho) o essencial da mensagem cristã. Paulo insiste no fato de a salvação não ser uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus. Na verdade, todos os homens vivem mergulhados no pecado, pois o pecado é uma realidade universal (cf. Rom 1,18-3,20); mas Deus, na sua bondade, a todos “justifica” e salva (cf. Rom 3,1-5,11); e essa salvação é oferecida por Deus ao homem através de Jesus Cristo; ao homem, resta aderir a essa proposta de salvação, na fé (cf. Rom 5,12-8,39).
Paulo explica o que brota dessa “justificação” que Deus nos ofereceu: em primeiro lugar, a paz, que é a plenitude dos bens (cf. Rom 5,1); em segundo lugar, a esperança, que nos permite caminhar por este mundo de cabeça levantada, de olhos postos no futuro glorioso da vida em plenitude (cf. Rom 5,2-4).

MENSAGEM - sermos “justificados” (isto é, recebermos, de forma totalmente gratuita uma salvação não merecida) implica descobrir o quanto Deus nos ama. O amor de Deus pelos homens é, para Paulo, algo que nunca deixará de o “espantar”; e é esse “espanto” que ele procura transmitir aos cristãos.
Para Paulo, a história da salvação é uma incrível história de amor. Como o homem, contando apenas com as suas forças, não conseguiria superar a situação de escravidão, de egoísmo e de pecado em que havia caído, Deus enviou o seu Filho ao mundo; Ele ofereceu toda a sua vida – até à cruz – para que os homens percebessem que o egoísmo gera morte e sofrimento e que só o amor gera felicidade e vida sem fim. Dessa forma, Ele salvou os homens da escravidão do egoísmo e do pecado e ofereceu-lhes, de forma totalmente gratuita, a salvação.
O mais incrível, no entanto, é que tudo isto aconteceu “quando éramos, ainda, pecadores”. Trata-se de algo incompreensível do ponto de vista humano, que subverte totalmente a lógica dos homens… Nós talvez aceitássemos morrer por alguém a quem amamos muito; mas em nenhum caso estaríamos dispostos a dar a nossa vida por alguém egoísta, orgulhoso e autossuficiente. No entanto, Deus ama de tal forma os homens – todos os homens – que aceitou que o próprio Filho morresse pelos ímpios.
O amor de Deus é verdadeiramente um amor “inqualificável”, incrível, ilógico, inexplicável. Paulo acrescenta ainda: e se Deus nos amou desta forma quando éramos pecadores, com muito mais razão nos amará agora que nos reconciliamos com Ele. Esse amor que nada nem ninguém conseguirá apagar é para nós garantia de vida em plenitude.

ATUALIZAÇÃO • O cristão é fundamentalmente alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta cada dia com a serenidade, a alegria, a esperança que brotam dessa certeza fundamental.
• O amor de Deus é totalmente gratuito, incondicional e eterno. Não espera nada em troca; não põe condições para se derramar sobre o homem.
• O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, não condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do convívio de Deus. Nós, discípulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como é que tratamos e acolhemos aqueles que não concordam conosco, que assumem atitudes problemáticas?

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MOMENTO DE LOUVOR (Diáconos ou Ministros extraordinários da Palavra):


LOUVOR (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI.

- Nós Vos bendizemos, ó Pai, pela ternura que manifestastes para com o vosso povo: fizeste-o sair do Egito para o libertar, guiaste-o através do deserto, fizeste dele o vosso povo e um reino de sacerdotes.
Ó Pai, somos vosso Povo. Nós vos pedimos: abri os nossos corações à tua palavra, tornai-nos atentos à vossa voz, para que guardemos a vossa Aliança.
Todos repitam: louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!

- Nós vos damos graças, porque nos destes a maior prova do vosso amor, enviando-nos o vosso Filho Jesus, e Ele nos revelou o vosso amor por nós, quando deu a própria vida na cruz como prova desse amor. Pai, dai-nos força e coragem e salvai-nos.
Todos repitam: louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!

- Nós vos damos graças pela bondade de Jesus, porque Ele cuida de cada um de nós quando estamos fatigados e abatidos, como ovelhas sem pastor. Nós também vos bendizemos pelos apóstolos e por todo o clero da vossa Igreja que chamastes. Pai, enviai mais operários para a vossa seara. Tornai-nos fortalecidos para que sejamos bons missionários a proclamar o Vosso Reino.
Todos repitam: louvor e glória a Vós, ó Pai de Bondade!

- PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO...