Mostrando postagens com marcador 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos


29º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B 2018 – (Adaptado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:
Tema: “Permaneçamos firmes na fé que professamos.”
A liturgia lembra-nos que a lógica de Deus é diferente da lógica do mundo. É no amor de quem serve os irmãos que Deus oferece a vida eterna.
Primeira leitura: um “Servo”, desprezado pelos homens, mas através do qual se revela a vida e a salvação de Deus.
Evangelho: Jesus convida a deixar os sonhos de grandeza, poder e domínio e fazer da vida um dom de amor.
Segunda leit.: Deus nos ama tanto que enviou seu Filho; Ele deu a vida por nós; temos um defensor junto ao Pai.

PRIMEIRA LEITURA (Is 53,10-11) Isaías. O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.

AMBIENTE – Deutero Isaías. O autor fala de um “Servo de Jahwéh” a quem Deus confiou uma missão e enviou ao mundo; dele resulta o perdão; Deus recompensá-lo-á. A figura vai receber outra iluminação à luz de Jesus Cristo.

MENSAGEM - O “Servo de Jahwéh” À luz da lógica de Deus não é uma existência sem sentido… O sofrimento não é num castigo de Deus, mas um sacrifício de reparação que justificará os pecados de muitos. Ao dar-lhe “uma posteridade duradoura”, uma “vida longa” e “ver a luz”, Deus garante a autenticidade da vida do “Servo”. Dito por outras palavras: o autor está convencido de que uma vida na simplicidade, na humildade, no sacrifício, não é, aos olhos de Deus, uma vida maldita, fracassada; mas é uma vida fecunda e realizada, que trará libertação, verdade, esperança e amor ao mundo e aos homens. Em Jesus, a figura do “Servo de Jahwéh” teve o seu significado.

ATUALIZAÇÃO • Os valores de Deus e os valores dos homens são diferentes. Na lógica dos homens, os vencedores são os que tem poder, dinheiro, triunfo e domínio; Na lógica de Deus, os vencedores são os que vivem na humildade, simplicidade, no amor aos irmãos; são aqueles que trazem mais valia de vida, libertação e esperança.
•  Deus, seguindo a sua lógica, vem na pobreza, na simplicidade; Deus está na simplicidade do amor que se faz dom, serviço, entrega humilde aos irmãos.
• o sofrimento do justo não se perde; Deus dará vida e salvação ao seu Povo. o sofrimento pode ser uma dinâmica geradora de vida nova. Jesus Cristo demonstrará, com a sua paixão, morte e ressurreição, esta verdade.

SALMO RESPONSORIAL (Sl 32[33])
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, pois em vós nós esperamos!
• Pois reta é a palavra do Senhor, / e tudo o que ele faz merece fé. / Deus ama o direito e a justiça, / transborda em toda a terra a sua graça.
• Mas o Senhor pousa o olharsobre os que o temem / e que confiam, esperando em seu amor, / para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.
• No Senhor nós esperamos confiantes, / porque ele é o nosso auxilio e proteção! / Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos!

EVANGELHO (Mc 10,35-45) Marcos.
Tiago e João disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se. Jesus disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

AMBIENTE - Jesus mais uma vez (é a terceira), lembra aos discípulos que vai cumprir o seu destino de cruz. Os discípulos continuam sem perceber a lógica do Reino. Eles ainda continuam a raciocinar em termos de poder humano.

MENSAGEM -  A questão parece mais uma reivindicação de quem se sente com direito inquestionável a um privilégio. Certamente depois de toda a catequese que receberam, ainda não entenderam a lógica do Reino e continuam a refletir com a lógica do mundo. Para eles, o que é importante é os sonhos pessoais de autoridade, de poder e de grandeza. Jesus avisa os de que, para se sentarem à mesa do Reino, devem estar dispostos a “beber o cálice” que Ele vai beber e a “receber o batismo” que Ele vai receber. O “beber o mesmo cálice” de Jesus significa partilhar esse destino de entrega e de dom da vida que Jesus vai cumprir. O “receber o mesmo batismo” evoca a participação e imersão na paixão e morte de Jesus. Para fazer parte Reino é preciso que estejam dispostos a percorrer, com Jesus, o caminho do sofrimento, da entrega, do dom da vida até à morte. de acordo com a lógica do Reino, o discípulo é chamado a seguir Jesus com total gratuidade, sem esperar nada em troca, acolhendo sempre como graças não merecidas os dons de Deus.
Na segunda parte os outros discípulos tinham as mesmas pretensões. Jesus recordar-lhes o modelo dos “governantes das nações” e dos grandes do mundo: eles dominam os povos pela força e exigem honras, privilégios, exercem o poder de uma forma arbitrária… Ora, este esquema não pode servir de modelo para a comunidade do Reino. A comunidade do Reino assenta sobre a lei do amor e do serviço. Os seus membros devem sentir-se “servos” dos irmãos, servir com humildade e simplicidade, sem qualquer pretensão de mandar ou de dominar. Mesmo aqueles que são designados para presidir à comunidade devem exercer a sua autoridade num verdadeiro espírito de serviço. Como modelo desta nova atitude, apresenta-Se como “o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos”. Ele pôs-se ao serviço do projeto do Pai e fez da sua vida um dom de amor aos homens. Ele nunca Se deixou seduzir por projetos pessoais de ambição, de poder, de domínio; mas apenas quis entregar toda a sua vida ao serviço dos homens, a fim de que os homens pudessem encontrar a vida plena. O fruto da entrega de Jesus é o “resgate” da humanidade. Ao dar a sua vida (até à última gota de sangue) para propor um mundo livre da ambição, do egoísmo, do poder que escraviza, Jesus pagou o “preço” da nossa libertação. Com Ele e por Ele nasce uma comunidade de “servos”, que são testemunhas no mundo de uma ordem nova – a do Reino.

ATUALIZAÇÃO •  A frase “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos” resume a existência humana de Jesus… Ele fez da sua vida um serviço aos pobres, aos pecadores, aos marginalizados. O ponto culminante de doação e de serviço foi a morte na cruz – expressão máxima do seu amor. Ele veio ao mundo para servir e colocou o serviço simples e humilde no centro da sua vida e do seu projeto. Nós, seguidores de Jesus, devemos estar plenamente conscientes desta realidade.
•  Para os discípulos, o que parece contar é a satisfação dos próprios sonhos pessoais de grandeza, de ambição, de poder, de domínio; preocupa-os ocupar os primeiros lugares, os lugares de honra… Jesus, de forma simples e direta, avisa-os de que a comunidade do Reino não pode funcionar segundo os modelos do mundo.
• Na comunidade cristã, a autoridade que não é amor e serviço é incompatível com a dinâmica do Reino. Nós, os seguidores de Jesus, não podemos pactuar com a lógica do mundo; O esquema do mundo não é a Igreja de Jesus.
• Na nossa sociedade, os primeiros são os que têm dinheiro, os que têm poder. E na comunidade cristã? Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade cristã não há pessoas mais importantes, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir com dons que Deus nos concedeu.

SEGUNDA LEITURA (Hb 4,14-16) Carta aos Hebreus.
Temos um sumo sacerdote que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé. Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para alcançarmos a graça de um auxílio.

AMBIENTE - Carta destina a comunidades fragilizadas e desalentadas. Necessitam de redescobrir o seu entusiasmo inicial com Cristo. O autor apresenta-lhes o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência. O texto apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou ao mundo para mudar os corações. que “acreditem” em Jesus – escutem as propostas que Cristo veio fazer e as transformem em gestos concretos de vida.

MENSAGEM - Jesus, o Filho de Deus, veio ao encontro dos homens como sumo-sacerdote, a fim de eliminar o pecado que impedia a comunhão entre os homens e Deus e levar os homens ao encontro de Deus. Diante dessa ação de Deus, os crentes devem responder com a fé – isto é, com a aceitação da proposta de Jesus. Aderir à proposta de Jesus é assumir-se como família de Deus. Graças a Jesus, o sumo-sacerdote que veio ao nosso encontro, que experimentou e entendeu a nossa fragilidade, que restabeleceu a comunhão entre nós e Deus, que nos leva ao encontro de Deus e que nos garante a sua misericórdia. Podemos com confiança aproximar-nos desse “trono da graça” de onde brota a vida eterna e verdadeira. Esta certeza deve dar-nos esperança.

ATUALIZAÇÃO - •  Carta aos Hebreus fala-nos de um Deus que ama o homem com um amor sem limites e que, por isso, está disposto a assumir a fragilidade dos homens, a descer ao seu nível, a partilhar a sua condição. Na lógica de Deus, o que é mais importante não é aquele que protege a sua autoridade, mas é aquele que é capaz de descer ao encontro dos últimos, dos marginalizados, dos sofredores, para lhes oferecer o seu amor. É esta a lógica de Deus.
•  Assim como Cristo, por amor, vestiu a nossa fragilidade e veio ao nosso encontro, também nós devemos – despindo-nos do nosso egoísmo, da nossa acomodação, ir ao encontro dos nossos irmãos, fazer-nos solidários com eles, partilhar os seus sofrimentos, alegrias e esperanças. Somos sempre responsáveis pelos irmãos que conosco partilham os caminhos deste mundo, mesmo quando não os conhecemos pessoalmente ou mesmo que deles estejamos separados por fronteiras geográficas, históricas, étnicas ou outras.


=========----------------=============

“Queremos que faças o que vamos pedir”. Muitas vezes, é assim também que rezamos, com esse tom, com essa atitude! Recordemos a palavra do Apóstolo: “Não sabemos o que pedir como convém” (Rm 8,26). Como pedir? Escutemos: “O Espírito socorre a nossa fraqueza. O próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). Eis! É somente quando nos deixamos guiar pelo Santo Espírito do Cristo, que pediremos segundo Deus! nunca pedirá segundo Deus, quem não se deixa guiar pelo Espírito de Deus! Aqueles dois não pediam segundo Deus, mas segundo seus interesses: queriam glória, honra, os primeiros lugares, queriam seus interesses, de acordo com sua lógica e modo de pensar!
Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas”. Este é o caminho de Jesus: fazer-se servo humilde e causa de nossa salvação. Isso os discípulos não compreendiam… nem nós compreendemos! Também a nós o Senhor convida a participar do seu batismo e do seu cálice. Escutemos mais uma vez, são Paulo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova. Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-5). Podeis ser batizados no meu batismo? Estais dispostos a mergulhar vossa vida no meu caminho de morte e ressurreição, morrendo para vós mesmos e buscando a vontade do Pai de todo o coração? Eis o que é ser batizado em Cristo! O desafio agora é viver o batismo no qual fomos batizados, tornando-nos, em Cristo, criaturas novas, abertas para a vontade do Pai, como Jesus. E também beber o cálice de Jesus: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26); “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?” (1Cor 10,16). Vejam só: comungar na eucaristia é aprofundar aquilo que já começamos a viver no batismo: fazer da vida uma vida em comunhão com o Senhor na sua morte e ressurreição! Tiago e João não tinham compreendido isso; os Doze também não compreenderam; nós, tampouco, compreendemos!
Finalmente, a atitude dos outros Doze, que também buscavam o primeiro lugar! E Jesus chama os Doze e nos chama também a nós, e fala-nos do mundo, com seus jogos de poder, sua ganância, sua hipocrisia e sua mentira… e nos diz: “Entre vós, não deverá ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”. Aqui está o modelo do caminho cristão: o Cristo, totalmente abandonado à vontade do Pai, totalmente disponível, totalmente pobre… Ele é o modelo de como devemos viver entre nós e em relação ao Pai: no serviço mútuo, na disponibilidade, na confiança no Pai, no abandono ao seu desígnio a nosso respeito. Somente Jesus poderia rezar com toda a liberdade: “Pai, não o que eu quero, mas o que tu queres!” (Mc 14,36).
Olhando nossa fraqueza, nossa pouca disponibilidade, olhando quanto na vida buscamos nossos interesses e nossas vantagens, não desanimemos! Temos um Sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós!” Confiemos no Senhor e supliquemos que ele converta o nosso coração, dando-nos seus sentimentos, suas atitudes de doação, serviço e humildade, sua confiança no Pai e, finalmente, a graça de participar daquela glória que no céu ele tem com o Pai e o Espírito Santo. Amém.
 ==========--------------==========
Partilha tua Fé
No mês de outubro, a Igreja intensifica as atividades para despertar a consciência e a vida Missionária.
Hoje, promove também a coleta mundial para as Missões, para atividades de promoção humana e evangelização, sobretudo onde as necessidades materiais são mais urgentes.

As Leituras bíblicas e a Mensagem do Papa motivam essa realidade:

A 1a Leitura apresenta o "Servo de Javé". (Is 53,10-11)

Isaías apresenta o Messias como uma pessoa insignificante e desprezada pelos homens, através do qual se revela a vida e a salvação de Deus. O Messias não será um rei de grande poder, mas um humilde "servo sofredor".
Cristo, o grande Missionário do Pai, "não veio para ser servido, mas PARA SERVIR".  

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que Cristo foi para nós um grande Sacerdote, mediador entre Deus e os homens, que resgatou com sua morte na cruz e continua intercedendo por nós junto ao Pai. (He 4,14-16)

No Evangelho, Jesus educa para a Missão os seus apóstolos, ainda impregnados pelos falsos conceitos de grandeza da época. (Mc 10,35-45)

- Jesus continua sua caminhada para Jerusalém e,  na sua catequese, faz o 3º Anúncio da Paixão.
- Dois discípulos íntimos de Jesus lhe fazem uma pergunta estranha:  "Mestre, faça que nos sentemos um à tua direita e  outro à tua esquerda, na tua glória".
- Os demais Apóstolos reagem indignados, pois todos eles tinham as mesmas pretensões.
- A resposta de Jesus foi taxativa: "Não sabeis o que pedis…"

* A procura dos primeiros lugares pelos dois irmãos, e a indignação dos outros dez apóstolos revelam muito bem.
A mentalidade dos discípulos, que alimentavam sonhos pessoais de grandeza, de ambição e de poder.

Jesus convida os discípulos a não se deixarem levar por sonhos de ambição, de grandeza, de poder e domínio,
mas a fazerem de sua vida um dom de amor e de "serviço".
- E Jesus apresenta seu exemplo: "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para SERVIR e dar a sua vida
em resgate de muitos.


Mensagem do Papa: (Resumo)
Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Missões tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de estímulo para a sua oração e reflexão. Na verdade, entre a vida consagrada e a missão subsiste uma forte ligação, porque, se todo o batizado é chamado a dar testemunho do Senhor Jesus, anunciando a fé que recebeu em dom, isto vale de modo particular para a pessoa consagrada.
     O seguimento de Jesus, que motivou a aparição da vida consagrada na Igreja, é reposta à chamada para se tomar a cruz e segui-lo, imitar a sua dedicação ao Pai e os seus gestos de serviço e amor, perder a vida a fim de a reencontrar.
     A dimensão missionária, que pertence à própria natureza da Igreja, é intrínseca também a cada forma de vida consagrada, e não pode ser transcurada sem deixar um vazio que desfigura o carisma.
    Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele.  Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (EG 266).
     A missão é uma paixão por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas.
     Quando nos detemos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que aquele amor, saído do seu coração transpassado, estende-se a todo o povo de Deus e à humanidade inteira; e sentimos também que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado e de todos aqueles que O procuram de coração sincero.
     Hoje, a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos têm de recomeçar das próprias raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas. Dentro desta dinâmica complexa, ponhamo-nos a questão: «Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?”.»
A resposta é clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem retribuir (Lc 14, 13-14).
     Queridos irmãos e irmãs, a paixão do missionário é o Evangelho.
São Paulo podia afirmar: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16).
O Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para cada homem.
Ciente deste dom, a Igreja não se cansa de anunciar a todos «O que existia desde o princípio, O que ouvimos,
O que vimos com os nossos olhos» (1 Jo 1, 1).
     A missão dos servidores da Palavra, bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e leigos, é colocar a todos, sem excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo.
No campo imenso da atividade missionária da Igreja, cada batizado é chamado a viver o melhor possível o seu compromisso, segundo a sua situação pessoal.
Uma resposta generosa a esta vocação universal pode ser oferecida pelos consagrados e consagradas através duma vida intensa de oração e união com o Senhor e com o seu sacrifício redentor.

                                              Pe, Antônio Geraldo
===========---------------------==========
HOMILIA DO PE. PEDRINHO
Meus irmãos e irmãs, a liturgia, hoje, nos convida a contemplar o mistério da entrega de Jesus como o servo de toda a humanidade. É bastante interessante, que pessoas, às vezes, que não têm uma visão mais ampla sobre Deus, ou sequer têm uma visão, dizem: “Deus só se agrada de sofrimento, suas promessas são sempre coisas difíceis de fazer, por que para ser santo sempre tem que sofrer muito”? Esta é uma visão equivocada, é uma visão parcial. Nós sabemos bem, que ao longo da vida, nós temos alegrias e tristezas e o sofrimento faz parte da vida. Que bom, que os psicólogos andam falando bastante para os pais ajudarem os filhos a reconhecer que a vida não é só conquistas e vitórias. Porque a vida tem derrotas, frustação, sofrimentos e dor. Em nome de um amor muito grande, eu acabo criando uma vida imaginária, ilusória e depois a pessoa não se sente preparada para enfrentar o dia a dia da vida.
Mas, por que estou dizendo isto? Porque a primeira leitura de hoje nos fala exatamente sobre o sofrimento: “O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos”. Chicotear, bater com sofrimentos, oferecer a ele todo tipo de sofrimento para que ele pudesse, então, carregar, alcançar a luz e a ciência perfeita.  O meu servo justo fará justo inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
Ou será que Deus não tem outro caminho? Jesus para poder salvar a humanidade, não poderia salvar de uma outra forma? E se nós não compreendermos toda a caminhada que leva Jesus a fazer esta escolha, nós vamos, mesmo, achar que Deus gosta de ver os seus filhos sofrer. Na realidade, o que nós temos é isto: messias, significa ungido, o escolhido de Deus. E, já o primeiro livro de Samuel, Samuel disse: “Eis aqui, a quem Deus escolheu”. E, apresentou para os reis Davi, Salomão... e eles por serem escolhidos por Deus, foram ungidos. Por isso, eles se tornaram cristo. Cristo em grego significa ungido em português.  Jesus não é o primeiro Cristo que aparece na bíblia. Todos os reis foram ungidos. Portanto, foram messias. Todos os reis foram cristo, porque cristo é em grego. O que é messias em hebraico é ungido em português. Só muda o idioma. Agora, o que é que aconteceu? Eles sempre pensaram no seu bem estar e o povo estava em segundo plano. É claro, que apesar deles, Deus salvou a humanidade sempre. Mas, acabou que aquela nação, aquele povo de Israel acabou tendo que ir para o exílio e aí foram se perguntando: por que será que nós estamos aqui? Onde está o erro? Aí, o profeta Isaías vai dizer: o erro já vi. É porque ninguém se dispôs, ainda, a sacrificar-se pelo povo.  Todo mundo quis benefícios para si mesmo. E, no mundo onde cada um por si e Deus por todos, acaba que todo mundo se perde. Não que Deus não tenha condição de conduzir toda a humanidade, mas para que não haja perda, é preciso que se trace um caminho a se trilhar. Mas, virá alguém, escolhido por Deus, que não vai escolher o caminho da glória, mas o caminho do fracasso. O fracasso para si, para que, de fato, aqueles a quem está servindo se glorifique. Ora, Jesus, quando veio a este mundo, ele conhece todo o antigo testamento, descobre as duas possibilidades de ser messias, de ser um ungido. Aquela, trilhada por Davi, Salomão, e, tantos outros, e aquele que ninguém trilhou. Ele diz: não deu certo por aqui, até agora. Eu vou tentar por este caminho. Assim, ele assume para si todo o desafio para servir a humanidade. Se preciso for, pagar o preço com sofrimentos.
É muito interessante observar, que os discípulos de Jesus não têm esta compreensão. E, talvez, nós também não tenhamos esta compreensão. Por que agente se aproxima de Jesus? Porque cremos que Ele é o todo poderoso. O que significa: perto dele eu não vou sofrer. E, os discípulos sabem que Ele terá uma glória, mas pensam que Ele será como o rei Salomão, o rei Davi, o rei Osias, o rei Josias.  Então, eles já estão disputando as cadeiras, os ministérios. É evidente, que quem está a direita ou a esquerda são os mais importantes. Então, dois criam coragem e dizem: vamos lá. Você pode nos conceder o que vamos pedir? O que que vocês querem? Quando você estiver na sua glória, nos concede estar um a sua direita e o outro a sua esquerda? Ele diz: vocês não fazem a menor idéia o que significa a minha glória. – Qual é a glória de Jesus? Em que momento Ele atrai para si todos os olhares? – na Cruz. Imagina, se Ele vai escolher de alguém assumir a sua direita ou a sua esquerda? Não. Isto é para quem estiver reservado. Nós sabemos bem que do lado direito e esquerdo de Jesus estão dois ladrões. Isto para quem tiver reservado. Não posso conceder isto a vocês. Então veja, nem sempre o discípulo sabe o que pede a Jesus. Isto vale para nós também. Porque às vezes agente pede coisas e não é concedido. E, agente fica achando que é pouco caso, quanto tempo Ele vai esperar para me atender? Tem coisa que Ele não vai atender mesmo. Porque sabe que seria para nós dor, sofrimento, tristeza. Aqui que entra a questão da fé. Eu creio mesmo que Deus sabe o que é melhor para mim? Ou eu dou um jeitinho, tomo coragem, me ajoelho para Ele e peço o que eu quero. É muito interessante, que Jesus olha e diz: o cálice que eu vou beber, vocês beberão. Então, ele já deixa claro: se vocês estão atrás de mim por causa da glória, no sentido da realeza, no sentido daqueles poderosos, vão embora. Eu vos prometo, que vocês vão ter a mesma glória, vocês terão o mesmo cálice, vocês serão batizados da mesma maneira que Eu. Então, Jesus não ilude ninguém. Agora, Jesus teve coragem de assumir a profecia apresentada por Isaías, porque Ele sabe em quem confia. Ele crê no Pai. Ele sabe que para o Pai isto é importante. Exatamente para mostrar que alguém, finalmente, amou o mundo, até o fim. Para que as pessoas possam crer nesse Deus que é amor. Possam crer que alguém está disposto a dar a vida para que outros pudessem ter vida. Então, ao mesmo tempo que Jesus revela o amor do Pai, Ele revela o quanto Deus crê na humanidade. É por isso que Ele não intervém, mesmo quando a humanidade vai contra ao que Ele espera. Porque Ele sabe que um dia, nós vamos encontrar o caminho. Então, a partir disto, é que a carta aos Hebreus vai nos dar uma orientação, um conselho: você não entende muito Jesus? Mas fique próximo Dele. Porque quando você precisar de uma graça, será mais fácil. Saberá a quem recorrer. Então, aquilo que já foi falado na abertura do ano da fé, e volto agora: nem tudo aquilo que nós cremos, nós entendemos. Mas, crendo, é muito bom, porque eu sei a quem recorrer numa necessidade. O duro é só crer no que só compreendo, porque aí acabo não me aproximando de Deus cem por cento. Ele é muito maior que a nossa Inteligência. E, se eu não compreendo não creio, então, numa necessidade, eu não sei a quem recorrer. E, aí, eu concluo a reflexão: é a partir disto, que Jesus mostra um caminho para estar próximo dele: quer ser grande, sirva a todos, seja o escravo de todos. Será que eu creio nisso também? Tenho estrutura, para aceitar este conselho? Talvez, precisamos rezar um pouco mais. Porque eu falo por mim. Cada um fale por si. É muito duro este conselho: ser o escravo, ser o que serve a todos. Eu também mereço, agente sempre fala isso, e aí vem toda a listinha de merecimentos. Jesus não diz se merece ou não. Ele só diz: quer ser grande, dentro da minha proposta, tem que servir. Portanto, que Deus nos ajude a termos fé.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André, SP

==========-------------=============
Homilia de D. Henrique Soares
 Comecemos observando o evangelho. Notemos como os dois irmãos, Tiago e João, se dirigem a Jesus: “Queremos que faças o que vamos pedir”. Isto não é modo de pedir nada ao Senhor, isto não é modo de rezar! Aqui não há humildade, não há abertura para procurar a vontade do Senhor a nosso respeito, mas somente o interesse cego de realizar nossa vontade! Quanta loucura e presunção! Muitas vezes, é assim também que rezamos, com esse tom, com essa atitude! Recordemos a palavra do Apóstolo: “Não sabemos o que pedir como convém” (Rm 8,26). Somos tão frágeis, tão incapazes de compreender os desígnios de Deus, que nossos pedidos muitas e muitas vezes não são segundo o coração do Senhor e, portanto, não são para o nosso bem!
Como, então, pedir de acordo com a vontade do Senhor? Escutemos ainda São Paulo: “O Espírito socorre a nossa fraqueza. O próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). Eis! É somente quando nos deixamos guiar pelo Santo Espírito do Cristo, que compreendemos as coisas de Deus e pediremos segundo Deus! Nunca compreenderá o desígnio de Deus, quem não pede segundo Deus… e nunca pedirá segundo Deus, quem não se deixa guiar pelo Espírito de Deus! Aqueles dois não pediam segundo Deus, não suplicavam segundo o Reino, mas segundo seus interesses: queriam glória, queriam honra, queriam os primeiros lugares, queriam seus interesses, de acordo com sua lógica e modo de pensar!
A resposta de Jesus demonstra o seu desgosto: “Vós não sabeis o que pedis!” E o Senhor completa com um desafio – que é para os dois irmãos e para todos nós, caros irmãos e irmãs: “Podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” De que cálice, de que batismo Jesus está falando? Do seu sofrimento, do seu caminho de dor e humilhação, pelo qual ele entrará no Reino e o Reino virá a nós: “O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Por esta vida de sofrimento, alcançará a luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas”. Este é o caminho de Jesus: fazer-se servo humilde e causa de nossa salvação. Isso os discípulos não compreendiam… nem nós compreendemos! Também a nós o Senhor convida a participar do seu batismo e do seu cálice. Escutemos mais uma vez, são Paulo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova. Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-5). Podeis ser batizados no meu batismo? Estais dispostos a mergulhar vossa vida no meu caminho de morte e ressurreição, morrendo para vós mesmos e buscando a vontade do Pai de todo o coração? Eis o que é ser batizado em Cristo! E nós o fomos! O desafio agora é viver o batismo no qual fomos batizados, tornando-nos, em Cristo, criaturas novas, abertas para a vontade do Pai, como Jesus. E, não somente ser batizado no batismo de Jesus, mas também beber o cálice de Jesus: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26); “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?” (1Cor 10,16). Vejam só: comungar na eucaristia é aprofundar aquilo que já começamos a viver no batismo: fazer da vida uma vida em comunhão com o Senhor na sua morte e ressurreição! Não se pode nem sonhar em ser cristão pensando num caminho diferente, num modo diverso de viver! Tiago e João não tinham compreendido isso; os Doze também não compreenderam; nós, tampouco, compreendemos!
Observem ainda como os dois irmãos são presunçosos: quando Jesus pergunta: “Podeis beber o cálice? Podeis ser batizados?” Eles respondem: “Podemos!” Na ânsia pelos primeiros lugares, no desejo de obterem o que pedem, prometem aquilo que somente com a graça de Deus seriam capazes de prometer! A mesma lógica nossa, nosso mesmo procedimento, tantas vezes! Como Pedro, que, mais tarde dirá: “Darei a minha vida por ti” (Jo 13,37); e de modo tão presunçoso quanto o dos dois irmãos, exclamará: “Ainda que todos se escandalizem, eu não o farei!” (Mc 14,29). Pobre Pedro, pobres Tiago e João, pobres de nós! Sem a graça de Deus em Cristo, que poderemos? Vamos nos escandalizar, vamos fugir da cruz, vamos descrer no Senhor, vamos abandonar o caminho! Como não compreendemos a estrada de Jesus! Tudo é graça. Por isso Jesus diz que, ainda que eles bebam o seu cálice e sejam mergulhados no seu batismo, ainda assim, será graça de Deus conceder os primeiros lugares… Não podemos cobrar nada de Deus: “É para aqueles a quem foi reservado!”
Finalmente, a atitude dos outros Doze, que também buscavam o primeiro lugar e se revoltam contra os dois irmãos! E Jesus chama os Doze e nos chama também a nós, e fala-nos do mundo, com seus jogos de poder, sua ganância, sua hipocrisia e sua mentira… e nos diz: “Entre vós, não deverá ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”. Aqui está o modelo do caminho cristão: o Cristo, totalmente abandonado à vontade do Pai, totalmente disponível, totalmente pobre… Ele é o modelo de como devemos viver entre nós e em relação ao Pai: no serviço mútuo, na disponibilidade, na confiança no Pai, no abandono ao seu desígnio a nosso respeito. Somente Jesus poderia rezar com toda a liberdade: “Pai, não o que eu quero, mas o que tu queres!” (Mc 14,36).
Olhando nossa fraqueza, nossa pouca disponibilidade, olhando quanto na vida buscamos nossos interesses e nossas vantagens, não desanimemos! Sigamos o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “Temos um Sumo-sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos! Temos um Sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pis ele mesmo foi provado em tudo como nós!” Confiemos no Senhor e supliquemos que ele converta o nosso coração, dando-nos seus sentimentos, suas atitudes de doação, serviço e humildade, sua confiança no Pai e, finalmente, a graça de participar daquela glória que no céu ele tem com o Pai e o Espírito Santo. Amém.
 D. Henrique Soares da Costa

--------------0000000000==============




PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e Ministros extraordinários da Palavra):

LOUVOR (QUANDO O PÁO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)               Mc 10, 35-45
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR NOSSO DEUS...
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Bendito seja o Senhor nosso Deus
- Senhor, nós vos bendizemos pelo vosso grande amor pela humanidade. Enviastes ao mundo o vosso Filho único para nele sermos justificados. Jesus se fez servo dos servos, perseguido, preso e crucificado demonstrou-nos quão grande é o vosso amor.
T: Bendito seja o Senhor nosso Deus
- Pai, Jesus nos deu grande exemplo de humildade. Esvaziou-se de sua divindade e se fez igual a nós para nos ensinar que seguindo o vosso projeto, a vossa sabedoria é que alcançaremos vida eterna.
T: Bendito seja o Senhor nosso Deus
- Pai santo, pela nossa fé acreditamos que Jesus está na glória e é o nosso intercessor junto de vós. Ele é o nosso sumo e eterno sacerdote. É nele, por ele e com ele que vos louvamos e vos bendizemos.
T: Bendito seja o Senhor nosso Deus
-  PAI NOSSO... ORAÇÃO DA PAZ... EIS O CORDEIRO...



XXIX Domingo do Tempo Comum

Quanto maior for o impulso na descida, mais força haverá na subida.
montanha2
Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
No início, Marcos descreve o batismo de Jesus de uma forma muito simples e direta (1,9-11), mas só ao longo do evangelho é que será possível vislumbrar a sua profundidade. É comum pensarmos o batismo de Jesus como um momento pontual no início de sua vida pública. Porém, o evangelho nos faz ver que toda a vida de Jesus é um contínuo ser batizado. Com efeito, o batismo no Jordão assinalou solenemente apenas o início daquilo que será toda a sua vida e missão. Confirma esta verdade a sua afirmação na perícope evangélica deste XXIX Domingo: “Podeis beber do cálice que vou beber e ser batizados com o batismo com que serei batizado?”. No momento em que Jesus disse isso, Ele já tinha sido batizado no Jordão, mas por que, então, fala de um batismo que está para receber? Vale salientar que este caráter batismal permanente na vida do Mestre é evidenciado pela expressão literal do grego que utiliza os verbos no presente: “O cálice que bebo (pino) ou o batismo com que sou batizado” (baptizomai). Portanto, o batismo de Jesus não se encerrou no momento em que João Batista o fez entrar e sair das águas do Jordão, mas alcançou a sua realidade definitiva quando, mergulhando na morte, ressuscitou ao terceiro dia. Da mesma forma, para nós cristãos, o batismo sacramental é apenas o início deste movimento da graça em nós, para viver a nossa vida sob o impulso de descida e subida até realizar-se de forma completa na nossa morte que, por sua vez, será vencida pela ressurreição. Não nos afogamos nas águas do batismo, mas nelas mergulhamos para receber a vida nova, penhor da vida eterna.

À medida que se avança na leitura linear do evangelho de Marcos, pode-se cair na tentação de afastar-se do acontecimento-chave de todo o escrito que é o batismo de Jesus. Corrigindo esta tentação, o evangelista intencionalmente nos reaviva a memória do Jordão com o relato da Transfiguração (9,2-9), colocada justamente no centro da sua narrativa; deste modo, confirma-se o contínuo batizar-se de Jesus. De novo a revelação se dá entre um subir e um descer (a montanha). Com efeito, o Filho Eterno, ao sair do seio do Pai, inicia um longo percurso de descida (Encarnação) até entrar nas águas do Jordão, e, ao ser batizado, saindo dessas mesmas águas, inicia uma longa subida (Transfiguração) que alcança seu ponto mais alto na cruz e ressurreição (glorificação).
Quando o evangelista explicita a subida de Jesus para Jerusalém, e por duas vezes encontramos na perícope deste XXIX Domingo a expressão “subindo para Jerusalém” (vv. 32.33), diz-se que tanto os discípulos quanto aqueles que o acompanhavam estavam espantados e com medo, pois pela terceira vez ouviam do próprio Jesus o que iria lhe acontecer em Jerusalém. Surge então a pergunta, por que os discípulos têm dificuldade de entender o que significa a subida de Jesus (sentar-se na glória: morrer na cruz)? A resposta é óbvia: porque não aceitam a sua descida. É evidente que os discípulos pretendem subir ao trono com o Mestre, mas não querem assumir o seu caminho de descida: “Vim para servir e não para ser servido”. Contudo, sem o impulso da descida, não haverá força para subir. Não é por acaso que o Mestre, diante do pedido audacioso dos filhos do trovão, mostra-lhes que sem assumir o seu batismo, isto é, descer e subir, não será possível participar da sua glória. Em termos comparativos, poderíamos dizer que o batismo é uma espécie de energia cinética espiritual, que fazendo-nos descer com o impulso da graça, torna-nos capazes de subir até que “alcancemos o estado de homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13), que subiu porque desceu (ver Ef 4,9). A física nos mostra que a energia potencial transforma-se em energia cinética quando o corpo está em movimento. A espiritualidade cristã, alimentada especialmente pela Palavra de Deus e pelos sacramentos (particularmente o Batismo e a Eucaristia), põe-nos em movimento a fim de transformar tudo o que temos e somos (energia potencial: dons e capacidades) em frutos, conversão (energia cinética). É uma constante descida e subida, tipificada no batismo sacramental e real, que na nossa existência deve assumir a essencial prova de que, de fato, somos mergulhados no Cristo-servo, quando nos tornamos servidores também.
Enquanto este batismo de Jesus não se consumou definitivamente na sua morte e ressurreição, os discípulos viveram sempre na ambiguidade. Davam sempre a entender que ainda não conheciam o Mestre a quem seguiam, não compreendiam quem na verdade Ele era. É surpreendente constatar que os dois discípulos, João e Tiago, que exigiram que Jesus fizesse o que eles queriam, eram os mesmos que estavam, juntamente com Pedro, no momento da Transfiguração e que, por sua vez, ouviram solenemente a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!”. Expressão idêntica àquela do batismo, apenas com o acréscimo do imperativo “Escutai-o”. É evidente que o escutar aqui significa obedecer. Porém, esses dois discípulos invertem os papéis, ao invés de ouvir e obedecer a Jesus, exigem que seja o Mestre a ouvir e obedecer: “Queremos que faças o que te pedirmos!” 
Apesar de terem feito a experiência privilegiada, ainda não compreenderam quem é o Messias Jesus. Permanecem com a mesma mentalidade de um Messias triunfalista, político e despótico. E não aceitam que a subida de Jesus seja para a cruz, mas exigem que sentando-se no trono, garanta-lhes os primeiros lugares. Segundo a Tradição, Tiago e João, filhos de Zebedeu que era casado com uma irmã de Maria (Salomé: Mt 27,55-56; Mc 15,40; Jo 19,25), eram primos de Jesus. Logo, a mentalidade nepotista. Considerando-se os primeiros na ordem natural (primos), exigem que Jesus siga a lógica comum dos poderosos deste mundo: “Sabeis que os governantes das nações as dominam, seus grandes as tiranizam”. Contudo, Jesus os corrige: “Entre vós não deve ser assim... Aquele que quiser ser grande, seja o vosso servidor, quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos”. A lógica é totalmente paradoxal, isto é, para subir é preciso descer, para ser grande é preciso fazer-se pequeno. 
O serviço como entrega da vida é a maneira mais eloquente de testemunhar que somos batizados. E isto não se dá de forma pontual, esporádica, mas exige um contínuo morrer e ressuscitar; é um batismo permanente impulsionado pela poderosa força do alto que nos abaixa para colocar-nos onde o ser humano alcança o seu mais alto e elevado posto: ao lado Daquele que “não veio para ser servido, mas dar a sua vida em resgate por muitos”.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM, homilias, subsídios homiléticos

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano 2017 (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema; “A Deus o que é de Deus!”; é a Ele que devemos subordinar toda a nossa existência.
A primeira leitura sugere que Deus é o verdadeiro Senhor da história e que é Ele quem conduz seu Povo à felicidade e à realização plena. Os homens na história são apenas os instrumentos de Deus para concretizar os seus projetos de salvação.
O Evangelho: O homem pertence a Deus. Tudo o resto deve ser relativizado.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho, vive numa fé ativa, numa caridade e numa esperança inabalável.

PRIMEIRA LEITURA (Is 45,1.4-6) Leitura do Livro do Profeta Isaías.
Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha e para não deixar trancar os portões. Por causa de meu servo Jacó e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, para que todos saibam, do Oriente ao Ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro”.

AMBIENTE - O texto é do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55), um profeta anônimo da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética na Babilônia entre 550 e 539 a.C.
Durante o reinado de Nabônides, rei da Babilônia, desponta na Pérsia em 553 a.C., Ciro, rei dos Persas, conquista a capital da Média (Ecbátana) e junta no mesmo império os Medos e os Persas. Depois (547 a.C.), marcha contra a Lídia, conquista Sardes e apodera-se da maior parte da Ásia Menor. Nos anos seguintes, uma série de vitórias dão-lhe o domínio do Irã oriental, do Afeganistão e do Turquestão, até à Índia. Dirige, em seguida, os seus exércitos contra a Babilônia e, em 539 a.C., entra vitorioso na capital babilônica onde, sem qualquer oposição, é recebido como libertador. As notícias que chegam sobre as vitórias de Ciro fazem os exilados sonhar com a proximidade da libertação do cativeiro. À alegria pela libertação iminente junta-se, no entanto, alguma confusão e perplexidade… Então o libertador não vai sair do meio do Povo de Deus, mas é um rei estrangeiro? E quando a libertação acontecer, a quem deve ser atribuída: a Jahwéh, o Deus dos exilados judeus, ou a Marduk, o deus de Ciro? Jahwéh ter-se-á desinteressado do seu Povo? Ou terá perdido o seu poder?
Trata-se de um problema teológico sério que, em última análise, pode determinar a manutenção ou não da fé do Povo em Jahwéh. O Deutero-Isaías vai procurar esclarecer esta questão e explicar o papel de Jahwéh nos acontecimentos.

MENSAGEM - O Deutero-Isaías não tem dúvidas: Jahwéh é o verdadeiro condutor de todo o processo que vai culminar na libertação do Povo de Deus. Ciro, o grande rei que se apresta para derrubar o poderio babilônico, é “o ungido” (“o messias”; “o cristo”) de Jahwéh. Dizer que Ciro é “o ungido” significa dizer que ele recebeu a “unção” com óleo; e que, através dessa “unção”, Ciro recebeu o Espírito de Deus e foi investido para uma missão. Portanto, Deus escolheu Ciro, derramou sobre ele o seu Espírito e concedeu-lhe poder (“cingi-te”) para que ele, desempenhando a sua missão real, se tornasse o instrumento de Deus no mundo. Ciro foi designado por Deus para “subjugar as nações”. No entanto, o que é aqui preponderante é que essa missão deve concretizar-se em benefício do Povo de Deus: se Deus chamou Ciro “pelo nome”, lhe deu “um título glorioso” e lhe confiou o poder sobre as nações foi, nas palavras de Jahwéh, “por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito…”. Ciro aparece, claramente, como o instrumento através do qual Deus atua no mundo e na história e realiza os seus projetos de salvação e de libertação do seu Povo. É através dos homens que Deus intervém no mundo. O Deutero-Isaías deixa claro que só Jahwéh é o Senhor da história e que, fora d’Ele, não há Deus. Ciro ainda não conhece Jahwéh; mas, sem o saber, ele está a realizar o projeto do Senhor. Portanto, é a Jahwéh e não a Marduk que os exilados devem agradecer a sua libertação. Embora servindo-se de um rei estrangeiro, Jahwéh vai mostrar a Judá que é esse Deus salvador e libertador, em quem o Povo pode sempre confiar.

ATUALIZAÇÃO - • Também nós ficamos, tantas vezes, perplexos diante dos acontecimentos do nosso tempo. Não percebemos o significado nem o alcance de certos eventos e não conseguimos saber para onde é que a história nos conduz. Sentimo-nos perdidos, assustados, à deriva, como barco sem leme… E, para além disso, Deus parece manter-se em silêncio, sem mexer um dedo, aos dramas que marcam nossa caminhada. Perguntamo-nos: onde está Deus, quando a história humana parece percorrer caminhos difíceis? Porque é que Ele deixa que os homens destruam o planeta, cultivem a exploração e a injustiça, mantenham tantos homens, mulheres e crianças amarrados à miséria e à escravidão? A primeira leitura deste domingo garante-nos: Deus nunca abandona os homens. Ele encontra sempre formas de intervir na história e de concretizar os seus projetos de vida, de salvação, de libertação… Talvez as intervenções de Deus nem sempre sejam à luz da lógica dos homens; talvez nem sempre consigamos perceber o verdadeiro alcance dos projetos de Deus; mas Deus lá está, como Senhor da história, conduzindo o mundo de acordo com o projeto de vida que Ele tem para os homens e para o mundo. Resta-nos, mesmo quando não percebemos os seus critérios, confiarmos e entregarmo-nos em suas mãos.
• Normalmente, Deus não intervém na história através de manifestações impressionantes, espetaculares, caídas do céu, que se impõem como verdades infalíveis e que deixam os homens espantados… Deus atua no mundo com simplicidade e discrição, através de pessoas – muitas vezes pessoas limitadas, pecadoras, “normais” – a quem Ele chama e a quem Ele confia uma missão. O que é fundamental é que cada homem ou cada mulher que Deus chama esteja disponível para acolher esse chamamento e para aceitar ser instrumento de Deus na construção de um mundo novo.
• Deus pode servir-Se daquele que é pecador e marginal aos olhos do mundo para oferecer aos homens a vida e a salvação. O que interessa não são as “qualidades” do intermediário, mas a força de Deus. É necessário ter isto presente… Se conseguimos fazer algo para tornar o mundo um pouco melhor, isso não se deve às nossas brilhantes qualidades, mas a esse Deus que age por nosso intermédio.

SALMO RESPONSORIAL / Sl 95 (96)
Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!
• Cantai ao Senhor Deus um canto novo, /cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! /
Manifestai a sua glória entre as nações / e entre os povos do universo seus prodígios!
• Pois Deus é grande e muito digno de louvor, / o mais terrível e maior que os outros deuses, /
 porque um nada são os deuses dos pagãos. / Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.
• Ó família das nações, dai ao Senhor, / ó nações, dai ao Senhor poder e glória, /
dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! / Oferecei um sacrifício nos seus átrios.
• Adorai-o no esplendor da santidade, / terra inteira, estremecei diante dele! /
Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”, / pois os povos ele julga com justiça.

EVANGELHO (Mt 22,15-21) Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” Jesus percebeu a
maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai pois a César oque é de César, e a Deus o que é de Deus”.

AMBIENTE - No confronto final entre Jesus e os dirigentes judeus, Jesus conta-lhes três parábolas (que lemos e meditamos nos últimos três domingos). Na primeira, identifica-os com o filho que disse “sim” ao seu pai, mas que não foi trabalhar no campo (cf. Mt 21,28-32); na segunda, equipara-os aos vinhateiros maus que tiveram a ousadia de matar o filho (cf. Mt 21,33-46); na terceira, compara-os com os convidados para o banquete que rejeitaram o convite (cf. Mt 22,1-14). Irritados com a ousadia de Jesus e questionados pelas suas comparações, os líderes judaicos procuram um pretexto para o acusar. É neste contexto que Mateus nos vai apresentar três controvérsias entre Jesus e os fariseus (cf. Mt 22,15-22.23-33.34-40). Em qualquer caso, o objetivo é encontrar argumentos para apresentar em tribunal contra Jesus.
A primeira questão que os fariseus põem a Jesus é muito delicada. Diz respeito à obrigação de pagar os tributos ao imperador de Roma… Além dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandegários, taxas várias), as províncias romanas pagavam ao Império o tributo, que era uma quantia estipulada por Roma e que todos os habitantes do Império deviam pagar. Era considerado um sinal da sujeição a Roma. A questão que põem a Jesus é, portanto, esta: é lícito pactuar com esse sistema gerador de escravidão e de injustiça?
Os partidários de Herodes e os saduceus (a alta aristocracia sacerdotal) estavam de acordo com o tributo, pois aceitavam a sujeição a Roma. Os movimentos revolucionários, no entanto, estavam frontalmente contra, pois consideravam o imperador um usurpador do poder que só pertencia a Jahwéh e interditavam aos seus partidários o pagamento do dito tributo. Os fariseus, embora não aceitando o tributo, tinham uma posição intermediária e não propunham uma solução violenta para a questão… Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de defender a usurpação pelos romanos do poder que pertencia a Jahwéh; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de revolucionário, inimigo da ordem romana…

MENSAGEM - Confrontado com a questão, Jesus convidou os seus interlocutores a mostrar a moeda do imposto e a reconhecerem a imagem gravada na moeda (a imagem de César). Depois, Jesus concluiu: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Provavelmente, Jesus quis sugerir que o homem não pode nem deve alhear-se das suas obrigações para com a comunidade em que está integrado. Em qualquer circunstância, ele deve ser um cidadão exemplar e contribuir para o bem comum. A isso, chama-se “dar a César o que é de César”. No entanto, o que é mais importante é que o homem reconheça a Deus como o seu único senhor. As moedas romanas têm a imagem de César: que sejam dadas a César. O homem, no entanto, não tem inscrita em si próprio a imagem de César, mas sim a imagem de Deus (cf. Gn 1,26-27: “Deus disse: ‘façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança’… Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus”): portanto, o homem pertence somente a Deus, deve entregar-se a Deus e reconhecê-lo como o seu único senhor.
Jesus vai muito além da questão que Lhe puseram… Recusa-Se a entrar num debate de caráter político e coloca a questão a um nível mais profundo e mais exigente. Na abordagem de Jesus, a questão deixa de ser uma simples discussão acerca do pagamento ou do não pagamento de um imposto, para se tornar um apelo a que o homem reconheça Deus como o seu senhor e realize a sua vocação essencial de entrega a Deus (ele foi criado por Deus, pertence a Deus e transporta consigo a imagem do seu senhor e seu criador). Jesus deixa claro que o homem só pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político.

ATUALIZAÇÃO • A questão essencial que o nosso texto aborda é esta: o homem pertence a Deus e deve considerar Deus o seu único senhor e a sua referência fundamental. No entanto, embriagados pelo turbilhão das liberdades e das novas descobertas, os homens do nosso tempo consideraram que eram capazes de descobrir, por si próprios, os caminhos da vida e da felicidade e que podiam prescindir de Deus… Instalaram-se no orgulho e na autossuficiência e deixaram Deus de fora das suas vidas. É preciso voltarmos a Deus e redescobrirmos a sua centralidade na nossa existência. Fomos criados para a comunhão com Deus e só nos sentiremos felizes e realizados quando nos entregarmos nas suas mãos e fizermos d’Ele o centro da nossa caminhada.
• Em muitos casos, Deus foi apenas substituído por outros “deuses”: o dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social, o clube de futebol… tomaram o lugar de Deus e passaram a dirigir e a condicionar a vida de tantos dos nossos contemporâneos. Quase sempre, no entanto, essa troca trouxe, apenas, escravidão, alienação, frustração e sentimentos de solidão e de orfandade…
• O homem e a mulher foram criados à imagem de Deus. Eles não são, portanto, objetos que podem ser usados, explorados e alienados, mas seres revestidos de uma suprema dignidade, de uma dignidade divina. Apesar da Declaração Universal dos Direitos do Homem, há milhões de homens, mulheres e crianças que continuam, todos os dias, a ser maltratados, humilhados, explorados, desprezados, diminuídos na sua dignidade. Destruir a imagem de Deus que existe em cada criança, mulher ou homem, é um grave crime contra Deus. Devemos sentir-nos responsáveis sempre que algum irmão ou irmã  é privado dos seus direitos e da sua dignidade; e temos o dever de lutar  contra todos os sistemas que atentem contra a vida e a dignidade de qualquer pessoa.
• Para o cristão, Deus é a referência fundamental e está sempre em primeiro lugar; mas isso não significa que o cristão viva à margem do mundo e se demita das suas responsabilidades na construção do mundo. O cristão deve ser um cidadão exemplar, que cumpre as suas responsabilidades e que colabora na construção da sociedade humana. Ele respeita as leis e cumpre pontualmente as suas obrigações tributárias, com coerência e lealdade. Não foge aos impostos, não aceita esquemas de corrupção, não infringe as regras legalmente definidas. Vive de olhos postos em Deus; mas não se escusa a lutar por um mundo melhor e por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

8. SEGUNDA LEITURA (1Ts 1,1-5b) Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz! Damos graças a Deus por todos vós, lembrando vos sempre em nossas orações. Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. Porque o nosso evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito
Santo; e isso, com toda a abundância.

AMBIENTE – Tessalônica era, no século I da nossa era, a cidade mais importante da Macedônia. Importante porto marítimo e cidade de intenso comércio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo.
Tessalônica foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessalônica acompanhado de Silvano e Timóteo, depois de ter sido forçado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangelização foi curto – talvez uns três meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída majoritariamente por pagãos convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela reação da colônia judaica… Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade às pressas, de noite (cf. At 17,10-15).
Entretanto, Paulo tinha a consciência de que a formação doutrinal da comunidade cristã de Tessalônica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada há pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1 Tes 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalônica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1 Tes 3,2-5). Quando Timóteo voltou e apresentou o seu relatório, Paulo estava em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, o apóstolo decidiu escrever aos cristãos de Tessalônica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspectos menos exemplares da vida da comunidade.

MENSAGEM - Paulo, Silvano e Timóteo estão profundamente agradecidos a Deus, pela ação de Deus na vida da comunidade cristã de Tessalônica. Diante da proposta do Evangelho, os tessalonicenses responderam generosamente, com uma fé ativa, uma caridade esforçada e uma esperança firme. A “fé ativa” traduz a realidade de uma adesão ao Evangelho que não se manifesta só em palavras, mas também em atitudes concretas de transformação; a “caridade esforçada” dá conta de um amor que não é teórico mas é efetivo, e que se traduz em gestos de entrega, de partilha, de doação; e a “esperança firme” define essa confiança inabalável dos tessalonicenses em Deus e na vida nova que Ele reserva àqueles que O amam – confiança que, nem a hostilidade do mundo, nem as dificuldades da vida conseguem deitar por terra. Na verdade, tudo isto resulta do fato de os tessalonicenses terem sido “escolhidos” por Deus. No Antigo Testamento, a “eleição” é um privilégio de Israel, escolhido por Deus de entre os outros povos, não em virtude dos seus méritos particulares, mas como resultado da graça e do amor de Deus; agora, são as comunidades cristãs de origem pagã que são objeto do mesmo privilégio, que tem a sua fonte no amor gratuito do Deus salvador.
O Evangelho que Paulo, Silvano e Timóteo anunciaram aos tessalonicenses não foi um discurso feito de belas palavras, mas foi uma Boa Nova de Deus, poderosa e transformadora, que encontrou eco no coração dos tessalonicenses que, pela ação do Espírito Santo, deu frutos de fé, de amor e de esperança. É por tudo isto que Paulo, Silvano e Timóteo louvam o Senhor.

ATUALIZAÇÃO • Hoje, uma comunidade cristã que viva, com fidelidade, a fé, a esperança e a caridade, não será notícia; em contrapartida, os meios de comunicação social explorarão os escândalos …
• O nosso texto convida-nos a potenciar o louvor e o agradecimento a Deus.

Dehonianos
==========------------------==========

Pe. Antônio :  Deus e César

O Cristão é um cidadão como todos os outros: desfruta dos mesmos direitos e tem os mesmos deveres. E os impostos, ele é obrigado a pagar?
As Leituras nos dão uma resposta...

Na 1aLeitura, um rei pagão foi "instrumentos de Deus"  para libertar o seu povo da escravidão da Babilônia. (Is 45,1.4-6)

Ciro, Rei da Pérsia, foi um excelente comandante e político iluminado. Conquistou todos os impérios do oriente, inclusive a Babilônia.
No ano 538, depois de conquistar a Babilônia, permitiu aos judeus voltarem à própria terra e
começarem a reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém.
O profeta chama o rei pagão de "ungido do Senhor".
Ciro torna-se instrumento de Deus, mesmo sem o conhecer, sem mesmo ser membro do povo da Aliança.

* O texto sugere que Deus é o verdadeiro "Senhor da História" e que é Ele quem conduz a caminhada do seu Povo. Deus pode se servir de qualquer pessoa para realizar seus projetos.
Pode se servir de dirigentes até sem religião, desde que sejam  competentes, honestos e saibam promover o bem-estar e a paz.
- O contrário também pode acontecer: Nem toda pessoa "religiosa" e bem intencionada tem a necessária competência para uma função pública.

No Evangelho, Jesus responde a uma pergunta política. (Mt 22,34-40)

Discípulos dos fariseus e herodianos, favoráveis ao poder romano, fazem  uma pergunta capciosa: "É permitido ou não pagar o TRIBUTO a César?"

- Se dissesse SIM: apareceria como colaborador da dominação romana.
  Se dissesse NÃO: seria denunciado às autoridades romanas como subversivo.
- Jesus percebe a armadilha. Pede uma moeda e pergunta:    "De quem é essa imagem?

  "Dai pois a César o que é de César..."  e acrescenta: "...e a Deus o que é de Deus"


+ "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus":
"Dar" significa aqui "devolver" a cada um o que lhe pertence.
Não deve dar a César o que não lhe pertence: a ADORAÇÃO, devida unicamente a Deus (não aos imperadores...).
* Jesus não nega o pagamento do tributo imperial.
O amor a Deus não tira as obrigações para com a nação.
Mas questiona a pretensão de César de se nivelar a Deus e exigir dos súbditos culto só devido a Deus.

+ Um Perigo: Tirar o lugar de Deus.
- Uns reconhecem a autoridade do império, por isso servem aos interesses dele, pagando o imposto;
- Outros querem reconhecer a autoridade de Deus, mas deixam de lado o que é de Deus.
  O dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social, o clube de futebol… podem tomar o lugar de Deus e passam a dirigir e a condicionar a vida de muitas pessoas.

* Deus é, de fato, nosso único "Senhor", a quem servimos?

+ Conclusões da resposta de Jesus:

- "Dar a César..." (a imagem de César)
O Cristão tem obrigações com a Sociedade em que vive. Nenhum país funciona se a população não der a César o que é de César... O cristão deve ser um bom cidadão. É uma obrigação moral, além de civil, contribuir para o bem comum com o pagamento de impostos justos.

- "Dar a Deus" (o homem foi criado à "imagem" de Deus) Por isso, seus direitos e sua dignidade devem ser respeitados por todos.  Nós somos o "seu Povo", que não pode ser vendido a nenhum César.
Tudo o que temos é Deus que nos deu; devemos “devolver” em gratidão, oração, amor e ser auxílio a todos os seus filhos, os nossos irmãos e irmãs que conosco vivem neste mundo.

- Dar à Comunidade cristã (devemos ser membro vivo e atuante...)

  A Igreja no Brasil nos pede que todos devemos:
    "EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,  para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo". (DGAE)

- Colaborar pela sua manutenção, com o Dízimo...
  A Bíblia fala e condena os que "sonegam" o tributo do templo...

+ Estamos, de fato, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
   Não podemos "sonegar" o nosso tributo nem a Deus, nem à Nação, nem à Comunidade...

                                      Pe. Antônio Geraldo


=======---------=======
Homilia de D. Henrique Soares     Mt 22,15-21

"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Eis, caríssimos irmãos no Senhor, a frase que resume perfeitamente a Liturgia da Palavra deste Domingo. Frase tão conhecida, tão repetida e tão poucamente compreendida! E, no entanto, uma das frases mais radicais e revolucionárias do Evangelho; frase que bem serve de bandeira para os crentes do mundo descrente de hoje.
Recordemos o contexto. Os inimigos de Jesus prepararam-lhe uma inteligente armadilha. Primeiro o elogiaram com um elogio hipócrita, mas, fiel à realidade, que nos mostra bem a grandeza de caráter do Senhor nosso: "Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências". Que belo elogio! Que belo exemplo a ser seguido! Mas, eis que vem a armadilha: "É lícito ou não pagar o imposto a César?" Se Jesus respondesse "sim", seria acusado de peleguismo, de colaboracionismo com os opressores pagãos romanos, impuros e odiados pelo povo; se respondesse "não", seria acusado de revoltoso anti-romano diante de Pôncio Pilatos pelos seus próprios inimigos; se respondesse "não sei", seria desmoralizado como um rabi incompetente e estulto. Eis, pois: a armadilha era perfeita! Mas, a resposta de Jesus foi mais perfeita ainda, verdadeiramente admirável! Pediu uma moeda, perguntou de quem era a inscrição... "Então, se usais a moeda de César, é porque César é quem manda de fato! Dai, pois, a César o que é de César!" E, então vem o complemento. Impressionante: "Mas, dai a Deus o que é de Deus!"
Que significa tal resposta? À primeira vista, Jesus estaria dividindo o mundo, as realidades, em duas áreas: uma para Deus e outra para César. Deus e César, lado a lado... Nada disso! Ao ensinar a dar a César o que é de César, o Senhor nos convida a respeitar as estruturas da sociedade em que vivemos, a levá-las a sério, a bem viver nelas. César, aqui, significa o mundo em que vivemos, com toda sua riqueza e complexidade. César é a política, César é a Pátria, a família; César é o trabalho, o emprego, o esporte que praticamos; César são os amigos e os sonhos nossos... Tudo quanto é humano e legítimo pode e deve ser apreciado e respeitado pelos cristãos. Podemos dar a César o que é de César, sem medo nem temor! Mas, ao ensinar e exortar a dar a Deus o que é de Deus, o Senhor nos recorda com toda seriedade que somente Deus é Deus. E o que se deve dar a Deus? Tudo; absolutamente, tudo! De Deus é a nossa vida, de Deus é a nossa morte, de Deus é tudo quanto temos, vivemos e somos: Dai a César o que é de César, mas recordai que também César pertence a Deus! César não é Deus! E aqui está o genial e admirável da resposta de Nosso Senhor. César se julgava Deus, era chamado "Divino César", considerava-se senhor da vida e da morte! Ora, Jesus nega a César tal pretensão! César é somente César e, como César, morrerá! Somente o Senhor é Deus! A ciência não é Deus, a tecnologia não é Deus, os grandes do mundo não são Deus! Só o Senhor é Deus! São Paulo faz eco a essas palavras de Jesus ao nos afirmar: "Tudo pertence a vós: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus" (1Cor 3,21-23).
A grande tentação nossa é colocar no lugar de Deus os tantos césares da vida. Não se endeusa a ciência? Não se absolutiza a tecnologia, não se adora o sexo? Os grandes do mundo – grandes pelo poder, ou pela riqueza, ou pelo sucesso – não se acham divinos, sem reconhecer, como Ciro, na primeira leitura de hoje, que tudo vem de Deus, que estamos nas suas mãos, que tudo é, misteriosamente, fruto da sua providência?
Cristão, tu deves participar da vida da humanidade, deves ser homem entre os homens, deves participar da construção da sociedade... Tu deves saber apreciar o que de bom e de belo existe no mundo... Mas, não te esqueças: nada disso é Deus, nada disso merece tua adoração, nada disso deve prender teu coração: nem família, nem pátria, nem amigos, nem posse, idéias ou poder! Só o Senhor é Deus! A César, o que é de César; a Deus tudo, pois tudo é de Deus! Viver assim é crer de verdade, é levar Deus a sério de verdade! Grande ilusão nossa é pensar que podemos colocar Deus no meio de tantos e tantos amores, de tantas e tantas paixões, fazendo dele apenas mais uma, entre tantas realidades da vida. Não! Ele é tudo, ele é o Tudo, como dizia São Francisco de Assis: "Tu és o Bem, todo o Bem, o Bem universal!"
Caríssimos, que na oração, na experiência da vida sacramental e na escuta da Palavra do Senhor nós aprendamos e reconhecer Deus como Deus na nossa vida.  Para que, como aconteceu com os cristãos de Tessalônica, na segunda leitura de hoje, estejam diante de Deus sem cessar "a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo".

============-----------------------===============

Sem cera!

“Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens” (Mt 22,16). Os homens que falam são aduladores! E Jesus não se deixa conquistar pela duplicidade da linguagem, nem pela malícia daqueles homens. O Evangelho descobre a falsidade deles logo no começo da narração; eram discípulos daqueles fariseus que tinham deliberado “sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras” (Mt 22,15).
Afirmava um amigo meu que cada um de nós leva dentro um “pequeno fariseu” ou um “discípulo de fariseu”. E tem razão! Frequentemente, podemos procurar parecer o que não somos para agradar, para subir na vida, para alcançar uma posição social, para… Desta maneira, se pode passar a vida com um disfarce no rosto, ocultando assim o que há de mais belo em nós ou não permitindo que as coisas sejam curadas porque não mostramos ao médico divino as nossas feridas.
Deus realmente não gosta da falta de sinceridade. “Os discípulos de Cristo “revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade” (Ef 4,24). “Livres da mentira” (Ef 4,25), devem “rejeitar toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência” (1 Pd 2,1)” (Cat. 2475).
Explica um autor que “os romanos, na sua paixão pelo belo e pelo autêntico, admiravam as expressões artísticas mais perfeitas e genuínas, e não admitiam defeitos nas obras de arte. Por isso, quando um escultor falhava, procurava dissimular o defeito cobrindo a irregularidade com cera. E quando a estátua saía perfeita das suas mãos, dizia-se que estava completa, íntegra, autêntica, sine cera – “sem cera”. Daí deriva a expressão sincera” (R. Llano Cifuentes, Vidas sinceras).
Devemos ser assim diante de Deus, “sem cera”, isto é, sinceros; é preciso que sejamos sinceros, bem sinceros: com o nosso confessor, com o diretor espiritual, com aquelas pessoas que tem como encargo saber aquilo que devem saber sobre nós para ajudar-nos. Nós, os cristãos, não participamos das festas de disfarces espirituais porque sabemos que diante de Deus somos o que somos, e nada mais. A máscara que as vezes queremos fazer para nós e que talvez até chamaria a atenção dos outros, nada vale diante de Deus. Jesus conhece até o mais profundo do ser humano, nada se pode esconder dele, muito menos continuar com um disfarce que vele o rosto. Caso contrário, podemos escutar do Senhor aquela palavra que é bastante forte: “hipócritas” (Mt 22,18).
A sinceridade nos leva à autenticidade, a sermos nós mesmos. Também nos leva à simplicidade: nada temos que esconder, somos sempre o que somos e nos mostramos como somos diante dos outros. A pessoa sincera é simples, não anda com complicações, com cavilações inúteis. Uma pessoa sincera é humilde, virtude esta que muito agrada a Deus e atrai novas graças.
Gostaria de insistir num aspecto da sinceridade que é capital. Trata-se daquela sinceridade total que devemos ter no sacramento da confissão. Lá vamos para dizer as podridões, os pecados; para mostrar as feridas, as chagas, as coisas feias. Nenhum padre espera que cheguemos ao confessionário para dizer as nossas virtudes, as coisas boas que fizemos ou como somos pessoas “nota 10”. Não! Para isso não é o sacramento da confissão. Vamos confessar-nos para dizer os pecados, ser perdoados e ficar reconciliados com Deus e com sua Igreja. Devemos ser, portanto, bem sinceros. Melhor ainda se começarmos a falar aquelas coisas que nos parecem mais difíceis de dizer, as que nos causam maior vergonha. Deus nos livre de esconder por vergonha algum pecado, neste caso a nossa confissão seria inválida e nenhum pecado seria perdoado. Outra coisa é quando a gente se esquece de dizer algum pecado. Neste caso, todos os pecados ficam perdoados, podemos ficar bem tranquilos depois da confissão e continuar comungando; na próxima que nos confessarmos diremos aquilo que tínhamos esquecido.
Sinceridade! Sinceridade! Sinceridade! Desta maneira tudo se resolverá, mais cedo ou mais tarde. Confiemos no Senhor, digamos-lhe o que está acontecendo conosco e ele nos dirá aquilo que ele quer de nós. Sejamos sinceros com Deus, pois ele sempre o é conosco.

Homilia do Pe. Françoá Costa

===========------------------===============

HOMILIA DO Mons. José Maria Pereira: Os Cristãos e a Política

No Evangelho (Mt22, 15-21) Jesus responde a uma pergunta política.
Discípulos dos fariseus e herodianos, favoráveis ao poder romano, fazem uma pergunta capciosa: “é permitido ou não pagar o tributo o César?”;
Se dissesse sim: apareceria como colaborador da dominação romana.
Se dissesse não: seria denunciado às autoridades romanas como subversivo.
Jesus percebe a armadilha. Pede uma moeda e pergunta: “De quem é essa imagem? Daí a César o que é de  César e a Deus o que é de Deus”.
Jesus dá uma resposta cheia de profundidade divina, que soluciona com toda a exatidão o problema que lhe tinham proposto, mas ao mesmo tempo vai muito além do que lhe tinham perguntado. Não se limita ao sim ou ao não. Dai a César o que é de César, diz-lhes. Quer dizer, dai-lhe aquilo que lhe corresponde, mas não mais do que isso, porque o Estado não tem poder e domínio absolutos.
As autoridades públicas estão gravemente obrigadas a servir o bem comum sem buscar o proveito pessoal; a legislar e governar com o mais pleno respeito pela lei natural e pelos direitos da pessoa: em favor da vida desde o momento da sua concepção, que é o primeiro de todos os direitos; da família, que é a origem da sociedade; da liberdade religiosa; do direito dos pais à educação dos filhos… “Ai daqueles que fazem leis injustas!” (Is 10,1), clama o senhor pela boca do profeta Isaías. Rezar pelos que estão constituídos em autoridade é um dever de todos os cristãos, pois é muito grande a responsabilidade que pesa sobre eles.
Por sua vez, como cidadãos iguais aos outros, os cristãos devem ser homens e mulheres que cumprem escrupulosamente os seus deveres para com a sociedade, para com o Estado, para com a empresa em que trabalham… Esta fidelidade é para os cristãos um dever de consciência, pois diz respeito a prestações que se enquadram no seu caminho de santidade. O pagamento dos impostos justos, o exercício responsável do voto, a colaboração nas iniciativas que têm em vista o bem público, a intervenção na política quando a pessoa se sente chamada a isso…, são tarefas próprias de qualquer cidadão, mas no cristão tornam-se veículos para o exercício das virtudes da justiça e da caridade; são portanto meio de santificação.
Quando o cristão atua na vida pública, no ensino, em qualquer iniciativa cultural…, não pode ocultar a sua fé, pois “a distinção estabelecida por Cristo não significa, de modo algum, que a religião tenha que ser relegada ao templo – à sacristia -, nem que a ordenação dos assuntos humanos deva ser feita à margem de toda a lei divina e cristã” (São Josemaría Escrivá). Antes pelo contrário, os cristãos devem ser sal e luz no lugar onde se encontram, devem converter o mundo num lugar mais humano, habitável, onde os homens encontrem com facilidade o caminho que leva a Deus.
Os fiéis leigos cumprem “esta missão da Igreja no mundo, antes de tudo por aquela coerência da vida com a fé, pela qual se transformam em luz do mundo; pela honestidade em qualquer negócio, honestidade que atrai todos os homens para o amor da verdade e do bem e afinal para Cristo e a Igreja; pela caridade fraterna, pela qual participam das condições de vida, trabalho, dores e aspirações dos irmãos, dispondo insensivelmente os corações de todos para a ação salutar da graça…” (Concílio Vaticano II, A.A, nº13).
Dar a Deus o que é de Deus! Conseguiremos com o testemunho de uma vida coerente, sentindo-nos filhos de Deus, tanto na praça pública como na conversa amável na casa de alguns amigos, persuadidos de que só no seio da Igreja se guardam os valores que podem preencher o tremendo vazio moral e religioso que encontramos na sociedade. Uma sociedade sem esses valores está voltada para uma crescente agressividade e também uma progressiva desumanização. Deus não é uma estrela longínqua, inoperante, mas uma poderosa luz que dá sentido a todos os afazeres humanos.
Diante das tentativas de afastar Deus da vida dos homens contemporâneos na pressuposição que Ele diminua a sua liberdade e a responsabilidade, o Papa Bento XVI durante a recente visita apostólica à Alemanha, afirmou com renovado vigor: “Onde Deus está presente, há esperança e abrem-se perspectivas novas e, freqüentemente, inesperadas que vão para além do hoje e das coisas efêmeras”. Como membro vivo e atuante nas nossas comunidades somos chamados a participar na vida e ação evangelizadora e missionária da Igreja. A Igreja no Brasil, nas suas diretrizes gerais, nos pede que todos devemos: “ Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo” (DGAE).
   
Mons. José Maria Pereira





LOUVOR (QUANDO PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)                                  MT 22, 15-24
- COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS,NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Grande é o senhor, imensa a sua misericórdia.
à Ó Senhor, nosso Deus e Pai, Vós sois o Senhor que nos conduz pela mão em vossos caminhos. Pai, somos o vosso povo e sois nosso Deus. Queremos cumprir a missão que nos destes. Vinde sempre em nosso auxílio.
T: Grande é o senhor, imensa a sua misericórdia.
à Ó Senhor, nosso Deus, nós vos louvamos e agradecemos; pela vida, pelo batismo, pela família e por tudo que nos destes. Sempre necessitamos de vossa ajuda. Muitas coisas teríamos a lhe pedir, mas Vós conheceis nosso íntimo e sabeis de nossas necessidades. Vinde sempre em nosso auxílio.
T: Grande é o senhor, imensa a sua misericórdia.
àSenhor, nós também queremos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ajudai-nos para que saibamos amar e respeitar ao nosso irmão e irmã que vivem ao nosso lado e ser ajuda aos que a nós recorrem. Que vejamos em todos a vossa imagem e semelhança
T: Grande é o senhor, imensa a sua misericórdia.
   à PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...