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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Cristo Rei do Universo, 34º DOMINGO, homilias, subsídios homiléticos


34º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C 2019.
  
TEMA: JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO.
Primeira leitura: David se tornou rei de todo o Israel, iniciou-se um tempo de felicidade e de paz, que ficou na memória do Povo. O Povo sonhava com a volta de um reino igual; os profetas prometeram a chegada de um descendente de David que iria realizar esse sonho.
Evangelho: Jesus é o Messias/Rei enviado por Deus; no entanto, seu Reino não é construído sobre a força, a violência, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.
Segunda leitura: apresenta a soberania de Cristo sobre toda a criação; Ele é a fonte de vida para o homem.

PRIMEIRA LEITURA (Sm 5,1-3) Leitura do Segundo Livro de Samuel.
Naqueles dias, todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’”. Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até o rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.

AMBIENTE - Por volta do ano 1007 a.C., o reino de Saul (tribos do norte e do centro) sofreu um rude golpe, com a morte do rei e de Jônatas (filho e natural sucessor de Saul) às mãos dos filisteus (1 Sm 31). David reinava sobre as tribos do sul (2 Sm 2,1-4). Abner, chefe dos exércitos do norte, ofereceu a David a autoridade sobre as tribos do reino de Saul (2 Sm 3,12-21). Os anciãos do norte  pediram a David que aceitasse dirigir também os destinos das tribos do norte e do centro. É diante deste quadro que a leitura de hoje nos coloca. David está em Hebron – a capital das tribos do sul – e é lá que recebe os enviados das tribos norte e do centro que lhe propõem a realeza. Estamos por volta do ano 1005 a.C..

MENSAGEM - Os anciãos propõem-lhe a realeza sobre as tribos do norte e do centro e David aceita… É a primeira vez que se consegue a união de todas as tribos sob a autoridade de um único rei. Os autores deste texto preocupam-se em fazer uma leitura teológica da história… Assim, colocam na boca dos anciãos de Israel a seguinte frase: “o Senhor disse-te: «tu apascentarás o meu Povo de Israel, tu serás rei de Israel»”. A realeza de David aparecerá como algo querido por Deus: o rei David será considerado o instrumento através do qual Deus apascenta o seu Povo. O seu reinado foi marcado – como acontece com todos os reinados “humanos” – por conflitos internos, guerras civis, injustiças, mortes… Mas, apesar de tudo, David manifestou-se como um homem de grande estatura política e moral. Em termos políticos, o reinado de David fez de Israel e de Judá um reino de grandes dimensões, que se sobrepôs aos seus inimigos tradicionais (os filisteus, os amonitas, os moabitas) e que ficou na memória do Povo como um tempo ideal de paz e de abundância. No futuro – sobretudo em épocas de crise – o reinado de David vai constituir como que uma miragem ideal; o Povo de Deus sonha com um descendente de David que venha restaurar o reino ideal.

ATUALIZAÇÃO
♦ Jesus Cristo, o Messias, Rei de Israel, descendente de David, é considerado no Novo Testamento a resposta de Jahwéh aos sonhos e expectativas do Povo de Deus. Ele veio para restaurar, ao jeito de Deus e na lógica de Deus, o reino de David. Jesus é, portanto, o Rei que, à imagem do que David fez com Israel, apascenta o novo Povo de Deus.
♦ O reinado de David é apresentado com um tempo ideal de unidade, de paz e de felicidade; no entanto, conheceu, também, tudo aquilo que costuma caracterizar os reinados humanos: tronos, riquezas, exércitos, batalhas, injustiças, intrigas, lutas pelo poder, assassínios, corrupção…

SALMO RESPONSORIAL 121 (122)
Quanta alegria e felicidade: vamos à casa do Senhor!
• Que alegria, quando me disseram: / “Vamos à casa do Senhor!” /
E agora nossos pés já se detêm, / Jerusalém, em tuas portas.
• Para lá sobem as tribos de Israel, / as tribos do Senhor.
/ Para louvar, segundo a lei de Israel, / o nome do Senhor. /
 A sede da justiça lá está / e o trono de Davi.

EVANGELHO (Lc 23,35-43) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, os chefes zombavam de Jesus dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!” Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” Acima dele havia um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus”. Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.

AMBIENTE - O Evangelho situa-nos diante de uma cruz. É o final da “caminhada” terrena de Jesus ao serviço da construção do “Reino”. As bases do “Reino” estão lançadas e Jesus é apresentado como “o Rei” desse “Reino”. “Malfeitores e os chefes dos judeus “zombavam de Jesus. Por cima da cruz de Jesus, havia uma inscrição: “este é o rei dos judeus”.

MENSAGEM - Lucas nos apresenta o tema da realeza de Jesus. Dominando a sena, está a inscrição que define Jesus como “rei dos judeus”. É uma indicação que parece irônica: Ele não está sentado num trono, mas pregado numa cruz; não aparece rodeado de súditos fiéis, mas dos chefes dos judeus que O insultam e dos soldados que O escarnecem; Ele não exerce autoridade de vida ou de morte sobre milhões de homens, mas está pregado numa cruz, indefeso, condenado a uma morte infame… Não há aqui qualquer sinal que identifique Jesus com poder, com autoridade, com realeza terrena. Contudo, a inscrição da cruz descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus: Ele é o “rei” que preside, da cruz, a um “Reino” de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida. Neste quadro, explica-se a lógica desse “Reino de Deus” que Jesus veio propor aos homens. Ao lado de Jesus estão dois “malfeitores”, crucificados como Ele. Enquanto um O insulta, o outro pede: “Jesus, lembra-Te de mim quando vieres com a tua realeza”. A resposta de Jesus a este pedido é: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Jesus é o Rei que apresenta aos homens uma proposta de salvação e que, da cruz, oferece a vida. O “estar hoje no paraíso” não expressa um dado cronológico, mas indica que a salvação definitiva (o “Reino”) começa a fazer-se realidade a partir da cruz. Na cruz manifesta se plenamente a realeza de Jesus que é perdão, renovação do homem, vida plena; e essa realeza abarca todos os homens – mesmo os condenados – que acolhem a salvação. Toda a vida de Jesus foi dominada pelo tema do “Reino”. Ele começou o seu ministério anunciando que “o Reino chegou” (Mc 1,15; Mt 4,17). As suas palavras e os seus gestos sempre mostraram que Ele tinha consciência de ter sido enviado pelo Pai para anunciar o “Reino” e para trazer aos homens uma era nova de felicidade e de paz. Os discípulos perceberam que Jesus era o “Messias” (Mc 8,29; Mt 16,16; Lc 9,20) – um título que O ligava às promessas proféticas e a esse reino ideal de David com que o Povo sonhava. Contudo, Jesus nunca assumiu com clareza o título de “Messias”, a fim de evitar equívocos: numa Palestina em ebulição, o título de “Messias” tinha algo de ambíguo, por estar ligado a perspectivas nacionalistas e a sonhos de luta política contra o ocupante romano. Jesus não quis deitar mais lenha para a fogueira da esperança messiânica, pois o seu messianismo não passava por um trono, nem por esquemas de autoridade, de poder, de violência. Jesus é o Messias/rei, sim; mas é rei na lógica de Deus – isto é, veio para presidir a um “Reino” cuja lei é o serviço, o amor, o dom da vida. A afirmação da sua dignidade real passa pelo sofrimento, pela morte, pela entrega de Si próprio. O seu trono é a cruz, expressão máxima de uma vida feita amor e entrega. É neste sentido que o Evangelho de hoje nos convida a entender a realeza de Jesus.

ATUALIZAÇÃO
♦ Celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte, dominador que Se impõe aos homens do alto da sua onipotência com gestos espetaculares; mas é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força do amor. A cruz – ponto de chegada de uma vida gasta a construir o “Reino de Deus” – é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
♦ Festa de Cristo Rei convida-nos a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste “rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de aplausos, de reconhecimentos?

SEGUNDA LEITURA (Cl 1,12-20) Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses.
Irmãos: Com alegria dai graças ao Pai, que vos tornou capazes de participar da luz, que é a herança dos santos. Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, por quem temos a redenção, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.

AMBIENTE - Paulo estava na prisão (em Roma?) quando recebeu a visita do seu amigo Epafras. Epafras contou a Paulo que a Igreja de Colossos estava em crise, pois alguns “doutores” cristãos ensinavam que a adesão a Jesus devia ser completada por outras práticas religiosas, fundamentais para a salvação. Esses “doutores” exigiam dos crentes de Colossos o cumprimento de práticas ascéticas, de certos ritos legalistas, de algumas prescrições sobre os alimentos; exigiam, também, a observância de determinadas festas e a crença nos anjos e nos seus poderes. É possível que este quadro tivesse a ver com doutrinas orientais que iriam, mais tarde, desembocar no movimento “gnóstico”. Contra esta confusão religiosa, Paulo afirma a absoluta suficiência de Cristo: a adesão a Cristo é o fundamental para quem quer ter acesso à proposta de salvação; tudo o resto é dispensável e não deve ser imposto aos cristãos.

MENSAGEM - O texto começa com um convite à ação de graças, porque Deus livrou os colossenses “do poder das trevas” e transferiu-os “para o Reino do seu filho muito amado”; em seguida, Paulo apresenta um hino no qual celebra a supremacia absoluta de Cristo na criação e na redenção. É nas duas estrofes deste hino que está a mensagem fundamental que nos interessa refletir. A primeira estrofe do hino (vers. 15-17) afirma e celebra a soberania de Cristo sobre toda a criação. Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Dizer que é “imagem” significa dizer que Ele é, em tudo, igual ao Pai, no ser e no agir, e que n’Ele reside a plenitude da divindade. Significa que Deus, espiritual e transcendente, revela-Se aos homens e faz-Se visível através da humanidade de Cristo. A segunda afirma que Ele é “o primogênito de toda a criatura”. No contexto familiar judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa que Ele tem a supremacia e a autoridade sobre toda a criação. A terceira assegura que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Tal significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”); que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”). Ao mencionar expressamente que os “tronos, dominações, principados e potestades” estão incluídos na soberania de Cristo, Paulo desmonta as especulações dos “doutores” de Colossos acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo. A segunda estrofe (vers. 18-20) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo na redenção. Também aqui temos três afirmações fundamentais… A primeira diz que Cristo é a “cabeça da Igreja, que é o seu corpo”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico. A segunda afirma que Cristo é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”. Significa, não só que Ele foi o primeiro a ressuscitar, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição. A terceira assegura que em Cristo reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, o autor do hino pode concluir que, por Cristo, foram reconciliadas com Deus todas as criaturas na terra e nos céus: por Cristo, a criação inteira, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.

ATUALIZAÇÃO
♦A festa de Cristo Rei revela que Ele tem a supremacia e autoridade sobre todos os seres criados; que Ele é o centro de todo o universo e que tudo tende e converge para Ele…
♦ A Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça; é Cristo que reúne os vários membros numa comunidade de irmãos que vivem no amor; é Cristo que a todos alimenta e dá vida; é Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Cristo é o centro da Igreja. Não damos, às vezes, mais importância, tantas vezes, a “santos”, que assumem um valor exagerado na vivência de certos cristãos, e que ocultam o essencial?

  Pe. Joaquim, Pe. Barbosa, Pe. Carvalho

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                        O Nosso Rei

Com a solenidade de Cristo, REI DO UNIVERSO, encerramos o Ano Litúrgico.

A Palavra deixa claro, que uma realeza se exerce no amor, no serviço, no dom da vida.

Na 1ª Leitura Davi é ungido REI de todo o Povo de Israel. (2Sm 5,1-3)
O seu reino tornou-se símbolo do Reino de paz e de justiça, que um dia Deus teria instaurado na terra.
Os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho.
Israel esperou durante muitos séculos essa Vinda.

O Evangelho: o NOSSO REI preside esse Reino no Trono da CRUZ. (Lc 23,35-43)
Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma horrível coroa de espinhos na cabeça, com uma irônica inscrição pregada na cruz: "Jesus Nazareno REI dos Judeus".

Nada o identifica com poder, com autoridade, com realeza terrena.

- Ao lado de Jesus estão dois malfeitores, crucificados com ele.
Enquanto um o insulta, o outro reconhece a realeza de Jesus e pede um lugar nele.
* A cruz é a expressão máxima de uma vida feita Amor e Entrega;

Na 2ª leitura Paulo apresenta Cristo como o CENTRO da vida e da história. (Cl 1,12-20)

+ Lendo o Evangelho, vemos que:
- A Missão de Cristo nessa terra foi inaugurar o Reino de Deus...
- A Missão da Igreja é continuar na História o anúncio do Reino de Deus.

+ Celebrar a festa de Cristo Rei
- Não é celebrar um Deus forte, dominador, mas é celebrar um Deus que serve com a força do amor.
 
- Diante deste "rei" que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?

Certamente nos sentimos felizes em sermos cidadãos desse Reino.

Por isso, alegremo-nos dessa dignidade e façamos com que ele tenha um lugar sempre maior dentro de nosso coração...

                                                                                              

                                        Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, eu tenho uma pergunta para o pessoal da primeira Comunhão: Eu quero saber; o que significa dominar? Se estiver errado, não tem problema. (tomar posse). Tomar posse. Isso que os portugueses fizeram no Brasil. O que mais além de tomar posse? (tomar conta). Tomar conta já é diferente de tomar posse. É bem diferente. Dominar é tomar conta ou tomar posse? É bem o tema de hoje. Nós temos aí, duas posturas diferentes. As duas, infelizmente, estão corretas, dependendo como agente enxerga as coisas. Se eu dominar como estamos acostumados a ver, um país entra dominando o outro, o rei entra dominando os subalternos, ou o político derruba o outro, toma o poder e quer dominar todo mundo, dignifica tomar posse. Quando Deus disse no capítulo 1 e 2 do Gênesis: “Crescei, multiplicai e dominai a terra”, não é tomar posse, mas é tomar conta, como se fosse o próprio Deus cuidando. Então, você é chamado a dominar a terra, ou seja, cuidar da terra como se fosse o próprio Deus cuidando. Domus, domini é Senhor, do Senhor. Cuidar da terra como sendo senhor; eu sou chamado a cuidar da terra como sendo o próprio Deus cuidando.
Todos nós já temos um chamado de partida. Qual é? Se Deus lhe deu a vida é para você cuidar da sua vida, como se fosse Deus cuidando. Só que, tem pessoas que dependem de outros para cuidar da vida. É aí que chamamos RESPONSÁVEIS. Normalmente na casa, quem são os responsáveis? Normalmente o pai e a mãe, mas pode inverter. Quando o pai e a mãe já tem certa idade, aí os filhos que devem cuidar, como se fosse o próprio Deus cuidando. Então, os pais e os filhos como se fosse o próprio Deus, cada um cuidando a seu tempo como se fosse o próprio Deus. Assim, o patrão, o chefe, o presbítero, devem cuidar do seu pessoal como se fosse o próprio Deus. Assim também o prefeito cuidar da cidade, o governador cuidar do Estado e o presidente como se fosse o próprio Deus. Mas, fomos longe, desde os pais, os filhos, o presbítero, o prefeito, o governador e o presidente, abandonamos esta ordem de cuidar como se fosse o próprio Deus. Uns por limitação do próprio pecado. Outros, por ganância. Outros por vontade, ao invés de cuidar, de serem cuidados. Ao invés de servirem, querem ser servidos e então se servem do povo, se servem abusivamente da natureza e querem apenas tomar posse de tudo e de todos.
Em determinado momento Deus falou: vou mandar algumas pessoas para cuidar do meu povo. Alguém se lembra de algum nome de rei que aparece na Bíblia? (Rei Davi). Davi. Aliás, é o mais admirado de todos até hoje, porque Davi é a imagem do rei. Ele foi perfeito em tudo que ele fez?  Não. Ele cobrou tanto imposto do povo, que parecia os dia de hoje. Só que não devolvia para o povo. Foi contraindo muitas riquezas. Quis até construir um Santuário. Deus disse: agora chega. Quem decide onde moro sou eu. Teu filho vai construir um santuário. Você não! Assim, temos Salomão, que vai construir o Santuário. Salomão foi perfeito? Imagina! Na hora que ele morre o povo diz para seu filho: teu pai nos açoitava com dura escravidão. Deixa o povo um pouco mais livre. Seu filho disse: meu pai pesava em vocês com um dedo. Eu vou pesar a mão inteira.
Todos os reis falharam. Sabe por que? Tiveram oportunidade e aí entra a tentação. O que eu faço? Eu sirvo o povo ou eu ME sirvo do povo? Entre tomar conta e tomar posse, a maioria prefere tomar posse. Bom, disse Deus: vou eu mesmo dominar, e mostrar como é que dominar é servir, cuidar, como eu gostaria que fosse. Então, Deus se faz carne, se faz humano e mostra o seu domínio, não como o servo glorioso como foram os reis, mas como o servo sofredor; assim temos os exemplos de Jesus.
Jesus é Rei? Nós cremos que sim. Qual é a coroa que Jesus trás consigo? Coroa de espinhos. Qual é o seu trono? A Cruz. Qual é a sua veste de Rei? Ele é totalmente despido para ser crucificado. Ele é um tipo de rei, que nenhum rei quer ser. Pergunta se alguém quer ser crucificado para salvar o povo? Não. Normalmente eles põem o povo para salvar o rei. Fazem a guerra e quem morre é o povo. Eles não vão para a guerra, mas mandam os outros.
Jesus se torna Rei e este tipo de reinado incomoda as pessoas. Incomoda todo mundo e talvez incomoda a nós mesmos. É difícil ver alguém que esteja disposto a se colocar a serviço do povo cem por cento, mas Jesus fez isto. Ele é o servo fiel. Ele fez tudo o que é de se esperar de um representante de Deus na terra. Tão perfeito e tão plena a sua realização, que Ele mostra a própria imagem de Deus. Ele não é um representante, um embaixador, mas o próprio Deus feito homem. Aí é que está. Como Ele venceu o pecado, enquanto os outros foram vencidos por ele, Ele destruiu a morte, nos dando vida eterna.
Durante o ano celebramos vários mistérios. Um dos mistérios é este: Jesus vai voltar para tomar posse, dominar, cuidar do seu povo. Vai reinar, pois o Reino é dele. Ele pode tomar posse. Olha que eu estou dizendo tomar posse. Pode porque Ele ensinou que quem quiser ser o maior, seja o servo de todos. Então, ser subalterno de Jesus é a maior liberdade que poderíamos ter, porque Ele não precisa de nada de nosso serviço. De nada. Nós cremos que Ele irá voltar. É isso que celebramos hoje: Jesus é o Senhor, o Rei do Universo e tomará posse de obra do Criador.
Hoje é o último dia do ano litúrgico. O ano litúrgico não segue o ano civil. O ano litúrgico termina no trigésimo quarto domingo do tempo comum. Domingo que vem já começamos o advento, que é a preparação para a vinda do Senhor.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.


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Homilia do Padre Françoá Costa – Solenidade de Cristo Rei (Ano C)

Relativismo e verdade

A festa de hoje foi instituída no Ano Jubilar de 1925 pelo Papa Pio XI com a Carta Encíclica “Quas Primas” (QP), com o qual coincidiu o 16º centenário do Concílio de Nicéia, que proclamara a divindade do Filho de Deus; este Concílio inseriu também em sua fórmula de fé as palavras: “cujo reino não terá fim”, afirmando assim a dignidade real de Cristo (cf. QP 2).
Jesus Cristo, sendo a Verdade, é também o rei da verdade, isto é, verdade é o que ele diz. O ser humano sempre mantem essa sadia curiosidade por conhecer a verdade. No filme “A Paixão de Cristo” de M. Gibson há um momento em que Pilatos pergunta a Jesus: Quid est veritas? – O que é a verdade? Tanto no filme como na Escritura se pode ver que “falando isso, saiu de novo” (Jo 18,38). Dá a impressão de que no fundo ele não queria saber a resposta. E, no entanto, o ser humano sempre tem o desejo de conhecer a resposta para os seus interrogantes, ainda que seja verdade que às vezes tente abafar esse desejo.
No Evangelho de hoje, se percebe esse desejo a través da conjunção “se”: “se é o Cristo, o escolhido de Deus!” – manifestam os príncipes dos sacerdotes; “se és o rei dos judeus” – dizem os soldados; “se és o Cristo” – diz um dos malfeitores crucificados com Jesus. Parece existir uma dúvida que no fundo é um “grito silencioso” que poderia ser traduzido dessa maneira: “Por favor, Senhor, se manifesta; por favor, me diz quem é você. Não aconteça que pela minha ignorância, venha eu a perecer. Se você é o Cristo, me salva”. Frequentemente, diante da aparente indiferença em relação à escuta do Evangelho, devemos escutar esse apelo oculto, silencioso, um grito suplantado.
O chamado “bom ladrão” teve coragem de expressar nitidamente o desejo do seu coração: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!” Não devemos temer as revoltas humanas contra Deus. Temos a esperança de que, um dia, essas pessoas possam dizer como esse pecador que, como era um bom ladrão, soube “roubar” o céu nos últimos minutos de vida. Tenhamos por certo: a verdade de Cristo é que o que todos os homens e mulheres desejam, sabendo ou não.
A verdade, na Sagrada Escritura, não é somente uma luz na inteligência evidente para o sujeito, mas principalmente um apoio para toda a vida. O símbolo da verdade na Escritura é a rocha, a solidez da pedra. Na verdade de Deus nós podemos apoiar-nos para levar uma vida justa e bela, humana e sobrenaturalmente.
Joseph Ratzinger, um dia antes da sua eleição como Sucessor de Pedro, afirmava que nós “não devemos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. E em que é que consiste ser crianças na fé? Responde São Paulo: significa ser batidos pelas ondas e levados ao sabor de qualquer vento de doutrina… (Ef 4, 14). Uma descrição muito atual! Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento (…). Todos os dias nascem novas seitas e cumpre-se assim o que São Paulo disse sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio “eu” e os seus apetites. Nós, pelo contrário, temos um outro critério: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É Ele a medida do verdadeiro humanismo. Não é “adulta” uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é antes uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. (…). Devemos amadurecer essa fé adulta (…). Em contraste com as contínuas peripécias daqueles que são como crianças batidas pelas ondas, São Paulo oferece-nos a este propósito uma bela palavra: praticar a verdade na caridade, como fórmula fundamental da existência cristã. Em Cristo, verdade e caridade coincidem. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, assim também na nossa vida, verdade e caridade se fundem. A caridade sem a verdade seria cega; a verdade sem a caridade seria como um címbalo que tine (1 Cor 13, 1)”.
Cristo é o rei da verdade, mas é custoso deixar que essa verdade penetre até o mais profundo do nosso ser para ser nosso apoio, guia e modelo. Queremos conhecer a verdade, mas temos medo de comprometer-nos com ela, tememos que a verdade conhecida nos arranque do nosso habitual comodismo e das nossas costumeiras tradições. Quando Cristo bate à porta do nosso coração nos sentimos alegres, mas também – à medida que ele vai pedindo um maior espaço – percebemos como nos incomoda. No entanto, graças a Deus, somos conscientes de que a felicidade desejada só se encontrada nessa verdade abraçada.
Pe. Françoá Costa
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Homilia de Dom Henrique Soares da Costa – Solenidade de Cristo Rei (Ano C)

É este o último Domingo do Ano da Igreja. Na corrida, na fiada de dias iniciada no Advento do ano passado, contemplamos o Cristo que se fez homem por nós, por nós anunciou e tornou presente o Reino do Pai e, para nos dar esse Reino de modo definitivo, por nós entregou-se na cruz, morreu e ressuscitou, dando-nos de modo definitivo o seu Espírito Santo. Pois bem: depois de termos contemplado todo este mistério, chegamos ao fim e proclamamos o Senhor Jesus como Reino do Universo. Como afirma o Apocalipse, “Jesus Cristo fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos!”
Mas, que significa afirmar esta realeza de Cristo Jesus? Pensando bem, é um título problemático, esse dado ao Senhor… Ele é Rei mesmo? Rei do quê? Rei num mundo que o rejeita, Rei de um Ocidente que cada vez mais lhe volta as costas? Rei de uma humanidade de coração fechado para o seu senhorio? Não seria mais lógico, mais realista afirmar que os reis de hoje são os Ronaldinhos, o Paulo Coelho, o Bush e os heróis de plantão? Será que celebrar o Senhor Jesus com este título portentoso, “Rei do Universo”, não é mais uma prova de que os cristãos estão delirando, apegados a um passado glorioso, quando a sociedade era cristã e a Igreja tinha poder?
Quando os cristãos confessamos que Cristo é Rei, de que reinado estamos falando? A que Reino estamos nos referindo? Nós realmente acreditamos com todo o coração e confessamos com toda convicção que Jesus Cristo – e só ele! – é Rei: Rei do universo, Rei da história, Rei da humanidade, Rei da vida de cada pessoa humana, cristã ou não-cristã. Ele é Rei porque é Deus feito homem, é, como diz a Escritura, aquele “através de quem e para quem todas as coisas foram criadas, no céu e na terra… Tudo foi criado através dele e para ele… Ele é o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1,1518).
No entanto, é necessário compreender a natureza do reinado de Jesus. A Liturgia de hoje coloca como antífona de entrada do Missal romano uma frase do Apocalipse que é surpreendente: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos!” Frase surpreendente, sim! Quem é Aquele que proclamamos Rei? O Cordeiro; e Cordeiro imolado. Cordeiro evoca mansidão, paz, fragilidade… Nosso Rei não é aquele que faz e acontece, aquele que passa por cima feito trator… Nosso Rei é o Cordeiro que foi esmagado na cruz, Aquele que foi imolado pelo Pecado do mundo. O mundo passou e passa por cima do nosso Rei, refuta seu Evangelho, desdenha de sua Palavra, ridiculariza seus preceitos, calunia sua Igreja… Esse Rei é Aquele que foi crucificado, que foi derrotado e terminou sozinho, é o homem de dores prenunciado por Isaías. No Evangelho escutamos que zombaram e zombam dele: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se de fato é o Cristo de Deus, o Escolhido! Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” (Lc 23,35.39)
Não! Decididamente, Jesus não é Rei nos moldes dos reis da terra. Não podemos imaginar os reis, presidentes e manda-chuvas deste mundo, para depois enquadrar Cristo nesses modelos. O reinado de Cristo somente pode ser compreendido a partir da lógica do próprio Cristo: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Eis o modo que Cristo tem de reinar: servindo, dando vida e entregando a própria vida. Tão diferente dos reis da terra, dos políticos e líderes de ontem de hoje: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vos não será assim…” (Mc 10,42s). Cristo é Rei porque se fez solidário conosco ao fazer-se um de nós, é Rei porque tomou nossa vida sobre seus ombros, é Rei porque passou entre nós servindo, até o maior serviço: entregar-se totalmente na cruz. É rei porque, agora, no céu, Deus e homem verdadeiro, é Cabeça e Princípio de uma nova criação, de uma nova humanidade, de uma nova história, que se consumará na plenitude final. A festa de Cristo Rei recorda-nos uma outra: a do Domingo de Ramos, quando, com palmas nas mãos, cantamos o reinado de Cristo, que entrava em Jerusalém num burrico – animal de carga de serviço – para ser coroado de espinhos, morrer e ressuscitar.
Tudo isto nos coloca em crise, pois este Rei-Messias olha para nós, cristãos, seus discípulos, e nos convida a segui-lo por esse caminho: não o da glória, mas da humildade; não o do sucesso a qualquer custo, mas da fidelidade a todo preço; não o das honras, mas do serviço; não o da imposição, mas da proposta humilde. Quantas vezes os cristãos pensaram o reinado de Cristo de modo demasiado humano, quantas vezes a Igreja pensou que o Reino do Senhor estava mais presente quando ela era honrada, reverenciada, presente nos corredores dos palácios ou nos palanques dos grandes do mundo… Quantas vezes vemos o reinado do Senhor quando tudo sai bem para nós… Ilusão; tentação diabólica! Nosso verdadeiro reinado, nossa real serviço, nossa inalienável dignidade é unir-se a Cristo no seu caminho de humilde serviço ao Evangelho, seguindo os passos do nosso Senhor: “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm 2,11). Todas as vezes que esquecemos isso, fomos infiéis e indignos de reinar com Cristo. Houve tempos gloriosos na nossa história de Igreja de Cristo: já fomos perseguidos pelos romanos, já fomos perseguidos em tantos lugares da terra: já nos mataram, torturaram, pisaram, discriminaram… Houve tempos tristes: quando perseguimos, torturamos e discriminamos… pensando, assim, manifestar o Reino de Cristo! Que engano! Que ilusão!
Hoje, temos uma nova chance. Nos países muçulmanos e budistas, somos cidadãos de segunda classe, perseguidos e mortos (ninguém divulga isso!), na China, somos colocados na prisão e nossos Bispos são condenados a trabalhos forçados e, aqui, no nosso Brasil, somos chamados de reacionários, medievais, obscurantistas, anacrônicos, contrários à ciência e ao progresso… porque não aceitamos o aborto, a eutanásia, o assassinato de deficientes, a dissolução da família… É, mais uma vez, a chance de testemunhar o reinado de Cristo, de permanecermos firmes no combate, com a humildade que é capaz de dialogar e ouvir, mas também com a firmeza que não arreda o pé da fidelidade ao Senhor: “Vós sois os que permanecestes constantemente comigo em minhas tribulações; também eu disponho para vós o Reino, como meu Pai o dispôs para mim, a fim de que comais e bebais à minha mesa em meu Reino” (Lc 22,28-30). Que missão, que chance, que desafio, que graça! Com serenidade e firmeza, na palavra, na vida e na morte, testemunhemos: Jesus Cristo é Rei e Senhor, Princípio e Fim de todas as coisas.
Humildemente, elevemos, cheios de confiança, o nosso olhar para ele, e como o Bom Ladrão, supliquemos: “Jesus, lembra-te de mim, lembra-te de nós, quando entrares no teu Reino!” Só a ti a glória, pelos séculos dos séculos. Amém.
Dom Henrique Soares da Costa
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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
A Solenidade de Cristo, Rei do Universo, mais do que marcar o término do Ano Litúrgico, é anúncio profético da conclusão de toda a história: Aquele que se ofereceu na cruz, vítima pura e pacífica e realizou a redenção da humanidade, entregará ao Pai um reino eterno e universal (prefácio da Solenidade de Cristo-Rei). Portanto, tudo se encaminha para o definitivo estabelecimento do Reino de Deus. A cada Eucaristia anunciamos esta verdade e renovamos o nosso compromisso de colaborar com a instauração desse Reino. O Reino de Deus não é mais uma utopia que pretende enganar a humanidade a fim de que ela não enlouqueça diante da sua impotência de fazer acontecer, no aqui e agora, as suas aspirações de justiça, paz, igualdade, etc.
O cristão autêntico não se pergunta se o Cristo vencerá ou se ainda há esperança de que Ele reine. O verdadeiro discípulo do Mestre não tem dúvida de que Ele já é vitorioso, e que o seu reinado já foi inaugurado: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Por outro lado, anunciar a vitória de Cristo Rei é optar pelo seu caminho e destino; é vencer a tentação de ficar apenas assistindo passivamente à sua luta, ou mesmo, diante do desânimo e frustrações humanas, passar para o outro lado, tornando-se um adversário dele, colaborando com o antirreino. A cruz de Jesus não é apenas instrumento de suplício, mas prova da sua fidelidade ao Pai, confundindo os seus opositores. A cruz é o trono do qual Ele exerce a sua suprema autoridade, não abdica do seu poder real, mas o manifesta sobretudo no perdão e na misericórdia para aqueles que o reconhecem, apesar de seu sofrimento, como Salvador da humanidade.
Nas atitudes e reações daqueles que estavam presentes no calvário, Lucas nos apresenta, num movimento crescente, os três graus de cumplicidade na execução da morte de Jesus, ápice da rejeição à sua pessoa e ao seu projeto de vida. Parte-se da incredulidade dos chefes do povo, passando pelo escárnio dos soldados, até culminar na blasfêmia proferida por um dos malfeitores pendentes da cruz. Essas três reações, na verdade, são as últimas tentativas (tentações) de convencer Jesus de trair o projeto do Pai, negando a sua encarnação e fazendo-o romper definitivamente com a sua missão de Messias Sofredor.
No início do evangelho, Lucas finaliza a narração das tentações afirmando: “Tendo acabado toda a tentação, o diabo o deixou até o tempo oportuno” (grego kairós, Lc 4,13). Eis, portanto, o tempo oportuno, o momento decisivo para Jesus testemunhar a sua fidelidade ao Pai e ao seu projeto de salvação.
Assim como o diabo introduzia suas propostas tentadoras com a expressão: “Se és Filho de Deus”, os chefes, os soldados e o malfeitor também fazem referência aos títulos de Jesus (Filho de Deus, Rei dos Judeus, Messias). Tanto o diabo como os outros exigem que Jesus dê provas disso. Para o diabo a prova era usar a sua prerrogativa divina em benefício próprio, isto é, matar a própria fome; para os chefes ser filho de Deus era salvar-se a si mesmo. Esse é o primeiro grau de cumplicidade com o projeto do diabo: exigir que o Messias não seja o servo sofredor, e por isso, não acreditam que aquele crucificado, coberto de dores, fosse o Messias. Eis por que “ridicularizavam-no (grego eksemuktérizon: contorcer o nariz, virar-se para não ver, caçoar): a outros salvou, que salve a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito”. Os primeiros que deveriam ter reconhecido Jesus como o Messias fazem dele objeto de riso (brincadeira), não veem que o crucificado é o Deus encarnado que levou a sério a sua missão, até as últimas consequências, não permitindo que as pessoas fossem tratadas com menosprezo, tornando-se, assim, o defensor dos postos à margem.
Se o diabo prometeu a Jesus dar-lhe todos os reinos da terra, os soldados insultam Jesus ironizando com o título de “Rei dos Judeus”. Esse é o segundo grau de cumplicidade com o projeto do diabo: “traziam-lhe vinagre, e diziam: Se és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo”. Àquele, cuja dignidade real duvidam, oferecem a bebida dos miseráveis (vinagre: vinho podre), e assim reiteram que o crucificado não pode ser um rei, pois não tinha nem reinos nem poderes, visto que quando teve a oportunidade de recebê-los (do diabo), recusou. Na última tentação, o diabo sugere a Jesus, apoiando-se na Escritura, reivindicar toda isenção de dificuldade e problema, pois sendo um protegido de Deus, nada o poderia atingir, e caso se encontrasse em situações adversas, o Altíssimo enviaria os seus anjos para livrá-lo. Esta é a mentalidade do malfeitor, a sua blasfêmia representa o terceiro grau de cumplicidade com o projeto do diabo: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós”. Assim como o diabo foi derrotado no início da vida pública de Jesus, tal derrota é confirmada no julgamento da cruz. Portanto, as palavras do bom ladrão representam a grande proclamação desse julgamento: “Ele não fez nenhum mal”. Pedro, no seu discurso na casa de Cornélio, dirá: “Como Deus o ungiu (Messias) com o Espírito Santo e com poder, ele que passou fazendo o bem” (At 10,38s). Eis a grande prova de que Jesus é o Messias, o Eleito de Deus. Participar do seu Reino é proclamar essa verdade e comprometer-se com ela. Enquanto todos os opositores exigiram de Jesus que abandonasse a cruz e desse provas de que era o Messias, o Filho de Deus, o bom ladrão, pregado na cruz, reconhece quem é aquele que está ao seu lado: “Jesus”, e, por isso, faz-lhe um pedido para permanecer sempre do seu lado: “lembra-te de mim quando estiveres no teu reinado”.
Enquanto os adversários se dirigiam a Jesus usando ironicamente os seus títulos, o bom ladrão dirige-se a Ele chamando-o por seu nome, isto é: “Deus salva” (Jesus), grande proclamação de fé, diante da incredulidade dos chefes, dos soldados e do malfeitor que acreditavam que Jesus só poderia salvar abandonando a cruz, fugindo da morte. Assim como o tentador, todos os adversários do Reino querem um Jesus sem cruz. A tentação de abandonar a cruz torna-se insulto e blasfêmia ao Crucificado. Distanciar-se da cruz é ser impedido de ouvir a grande verdade da sua vitória, da sua ressurreição que alimenta a nossa esperança: “Em verdade vos digo: ‘Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.


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Para a celebração da Palavra: (Diáconos e Ministros da Palavra):

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
- O Senhor esteja com todos vocês... Demos graças ao Senhor o nosso...
- Com Jesus, Por Jesus e em Jesus, na força do Esp. Santo, louvemos ao Pai:
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- Senhor, nosso Deus e Pai, grande é o vosso amor nos enviando vosso Filho para nos salvar!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- Nós vos damos graças pelo nosso batismo e por nos acolher como filhos prediletos vossos!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- Pai, hoje aclamamos Jesus como nosso Rei e nosso Pastor. Guiai-nos para as águas da vida eterna!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- Ajudai-nos a ver nos irmãos e irmãs a vossa imagem e semelhança, para que saibamos perdoar e agirmos como filhos do mesmo Pai!..
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- Senhor, encerramos neste domingo o ano litúrgico. Paulo nos ensinou que Jesus Cristo é o Rei do Universo. Ele é o nosso exemplo na caminhada para o Reino. Pai, neste ano que se inicia, queremos nos preparar para a chegada do menino Jesus que sempre renasce em nosso coração todo ano. Nos ajude a sermos humildes e desapegados das coisas que passam. Que sejamos simples como o menino de Belém. Que aprendamos a seguir os passos de vosso Filho.
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- PAI NOSSO... A PAZ...
 (Elevando o Pão consagrado);
- Eu digo “Jesus Cristo”, vocês respondem: É o Nosso Rei!:
- Jesus Cristo! (T: É O NOSSO REI). (3x).
...Eis o Cordeiro de Deus...



quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Cristo Rei do Universo, homilias, subsídios homiléticos


Jo 18,33b-37  XXXIV Domingo Comum Ano B 2018 Cristo, Rei do Universo

SINOPSE:
TEMA: “O meu reino não é deste mundo!” O último domingo do ano litúrgico convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus; não é à maneira dos reis deste mundo: é uma com a lógica de Deus.
Primeira leitura: Deus vai intervir no mundo eliminando a ambição, a violência, a opressão. Os cristãos verão nesse “filho de homem” vitorioso um anúncio da realeza de Jesus.
Evangelho: Jesus a assume a sua condição de rei diante de Pilatos. A realeza de Jesus não está na ambição, poder, autoridade e violência, mas no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.
Segunda leitura: o Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, Aquele que há-de vir para instaurar o reino de felicidade, de vida e de paz. 

PRIMEIRA LEITURA (Dn 7,13-14) Leitura da Profecia de Daniel.
“Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho do homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.

AMBIENTE - O Livro de Daniel aparece na primeira metade do século II a.C., numa época em que o rei selêucida Antíoco IV Epifanes procurava impor a cultura grega ao Povo de Deus (época de Judas Macabeu e dos seus seguidores). O autor do Livro de Daniel pede aos concidadãos que não se deixem vencer pela perseguição e que se mantenham fiéis aos valores dos seus pais. Neste Livro, o autor garante-lhes que Deus está do lado do seu Povo e que recompensará a sua fidelidade à Lei e aos mandamentos.

MENSAGEM - A “visão” com o aparecimento de um “filho de homem” “sobre as nuvens do céu” tem uma origem transcendente. Ele vem de Deus e recebe de Deus um reino e um poder que não é limitado pelo tempo. Deus vai intervir no mundo, a fim de eliminar a violência que oprime os homens. A sua intervenção irá pôr fim à perseguição dos justos. Jesus aplicará esta imagem do “filho de homem que vem sobre as nuvens” à sua própria pessoa. Ao ser interrogado pelo sumo-sacerdote Caifás, Jesus assumirá claramente que é “o Messias, o Filho de Deus bendito”, o “Filho do Homem sentado à direita do Poder”, que virá “sobre as nuvens do céu” (Mc 14,61-62). Para os cristãos, Cristo é, esse “filho de homem” anunciado em Dan 7, que irá libertar os santos das garras do poder opressor e instaurar o reino definitivo da felicidade e da paz.
 ATUALIZAÇÃO ♦ Os reinos construídos pelos homens baseiam-se num poder arrogante, e são geradores de exploração, de miséria, de violência. O “profeta” acredita que o reino do mal não será eterno e que Deus intervém na história para destruir essas forças de morte que impedem os homens de alcançar a liberdade, a paz, a vida plena. Deus não abandona o seu Povo e intervirá para a realização plena do homem.
♦ Jesus é o enviado ao encontro dos homens para lhes propor uma nova ordem, em que os pobres, os débeis, os fracos, os marginalizados não mais serão humilhados e espezinhados. Jesus introduziu a lógica do amor, do serviço e da doação. O reino de Jesus já está presente na vida do mundo, como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa. Compete a nós, discípulos de Jesus, fazer com que esse reino seja, cada dia mais, uma realidade bem viva, presente e atuante no mundo.
EVANGELHO (Jo 18,33b-37) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?” Pilatos falou: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?” Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

AMBIENTE - Pilatos, o governador romano da Judeia, é apresentado por Flávio Josefo como um governante duro e violento. O autor do Quarto Evangelho descreve Pilatos como um homem fraco, indeciso e volúvel, uma espécie de marionete habilmente manobrada pelos líderes judaicos. Na época em que o autor do Quarto Evangelho escreve (por volta do ano 100), não era conveniente para os cristãos acusar Roma, afirmando a sua responsabilidade no processo que levou Jesus à morte. Assim, os escritores cristãos da época preferiram amenizar o papel do poder imperial e, por outro lado, fazer recair sobre as autoridades judaicas toda a culpa pela condenação de Jesus.

 MENSAGEM  - «Tu és o Rei dos judeus?» revela qual era a acusação apresentada pelas autoridades judaicas contra Jesus: Ele tinha pretensões messiânicas; pretendia restaurar o reino ideal de David e libertar Israel dos opressores. Esta linha de acusação vê em Jesus um agitador político empenhado em mudar o mundo. A resposta de Jesus situa as coisas na perspectiva correta. Ele assume-se como o messias que Israel esperava e confirma, claramente, a sua qualidade de rei; no entanto, descarta qualquer semelhança com esses reis que Pilatos conhece. Os reis apoiam-se na força e impõem o seu domínio e a sua autoridade; a sua realeza baseia-se na prepotência e na ambição e gera opressão, injustiça e sofrimento… Jesus, em contrapartida, é um prisioneiro indefeso; não cultiva os próprios interesses, mas quer amar os homens até ao dom da própria vida… A sua realeza em vez de produzir opressão e morte, produz vida e liberdade. Jesus vai apenas propor aos homens um mundo novo, numa lógica de amor, de doação, de entrega, de serviço. A declaração de Jesus causa estranheza a Pilatos. Ele não consegue entender que um rei renuncie ao poder e à força e fundamente a sua realeza no amor e na doação da própria vida. Na sequência, Jesus confirma a sua realeza e define o sentido e o conteúdo do seu reinado. A realeza de que Jesus Se considera investido por Deus consiste em «dar testemunho da verdade». Para o autor do Quarto Evangelho, a “verdade” é a realidade de Deus. Essa “verdade” manifesta-se nos gestos de Jesus, nas suas palavras, nas suas atitudes e, de forma especial, no seu amor vivido até ao extremo do dom da vida. A “verdade” é o amor incondicional e sem medida que Deus derrama sobre o homem, a fim de o fazer chegar à vida verdadeira e definitiva. Essa “verdade” opõe-se à “mentira”, que é o egoísmo, o pecado, a opressão, a injustiça, tudo aquilo que o impede de alcançar a vida plena. A “realeza” de Jesus alcança-se através do amor, da partilha, do serviço simples e humilde em favor dos irmãos. A proposta de Jesus provoca uma resposta livre do homem. Quem escuta a voz de Jesus adere ao seu projeto e se compromete a segui-lo, renuncia ao egoísmo e ao pecado e faz da sua vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. Essa é a comunidade do “Reino de Deus”.

ATUALIZAÇÃO ♦Jesus diz que, Ele é “rei” e recebeu de Deus, como diz a primeira leitura, “o poder, a honra e a realeza” sobre todos os povos da terra. Os grandes líderes das nações são homens com uma visão muito limitada do mundo, que não se preocupam com o bem da humanidade e que conduzem as suas políticas de acordo com lógicas de ambição pessoal ou de interesses particulares. Cristo é o nosso rei, que Ele preside à história e continua a caminhar conosco e a apontar-nos os caminhos da salvação e da vida.
♦ Diante dos homens, Ele apresenta-se com a força do amor e da verdade. Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projetos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância. É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a autossuficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte. O mundo novo, de vida e de felicidade plena para todos os homens nascerá de uma lógica de amor, de serviço e de dom da vida.
♦ Nós, os que aderimos a Jesus e optamos por integrar a comunidade do Reino de Deus, temos de dar testemunho da lógica de Jesus. Como Jesus, também nós temos a missão de lutar – não com a força do ódio e das armas, mas com a força do amor – contra todas as formas de exploração, de injustiça, de alienação e de morte…
♦ A comunidade de Jesus (a Igreja) não pode estruturar-se com os mesmos critérios dos reinos da terra… Deve interessar-se mais por dar um testemunho de amor e de solidariedade para com os pobres e marginalizados; deve preocupar-se mais com o serviço simples e humilde aos homens, do que com os títulos, as honras e os privilégios.

SEGUNDA LEITURA (Ap 1,5-8) Leitura do Livro do Apocalipse.
Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu
Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém. Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém! “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”. 

AMBIENTE - “Apocalipse” significa “manifestação de algo que está oculto”. É antes de tudo um livro que traz a esperança. João, exilado na ilha de Patmos (uma pequena ilha do Mar Egeu) por causa da sua fé, tem por missão comunicar aos seus irmãos a fé e a esperança. Estamos na fase final do reinado do imperador Domiciano (à volta do ano 95). As comunidades cristãs da Ásia Menor vivem numa grave crise interna, resultante das heresias, da falta de entusiasmo de dar testemunha da própria fé. Há também violenta perseguição que o imperador ordenou contra os cristãos: muitos seguidores de Jesus eram condenados e assassinados. Cheios de medo, abandonavam o Evangelho. É neste contexto de perseguição, medo e martírio que vai ser escrito o Apocalipse. O objetivo do autor é levar os crentes a revitalizarem o seu compromisso com Jesus e a não perderem a esperança. A comunidade é convidada a aceitar Cristo como o centro da história humana.
MENSAGEM - Três títulos cristológicos deviam fazer parte da catequese joanina: “testemunha fiel”, “primogênito dos mortos”, “príncipe dos reis da terra”.
Jesus é a “testemunha fiel” porque, com a sua vida, palavras, gestos de serviço, de amor e de doação, com a sua entrega até à morte, testemunhou, de forma perfeita, o que Deus queria revelar aos homens e mostrou aos homens o rosto do Deus-amor.
Jesus é o “primogênito dos mortos”, porque foi o primeiro a vencer a morte e demonstrou-nos, que quem vive nos caminhos de Deus não será vencido pela morte.
Jesus é o “príncipe dos reis da terra”, porque inaugurou um reino novo, de vida e de felicidade sem fim.
 A comunidade louva o seu Senhor: “àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amem”. A entrega na cruz de Jesus é expressão do amor sem medida com que Ele ama todos os homens. Porque ama, Jesus convidou os homens a integrar um reino novo, de amor e de paz; Jesus associou os homens à sua missão, tornando-os sacerdotes que oferecem a Deus o culto das suas próprias vidas. Jesus inseriu os homens numa dinâmica de vida nova, aproximou-os de Deus, convidou-os a integrar a família de Deus. Jesus há-de vir ao encontro dos seus, cheio de poder e majestade, a fim de inaugurar uma nova era de vida e de paz sem fim (“entre as nuvens” – A imagem é tirada do Livro de Daniel Dan 7,13 – o “filho de homem” que aparece sobre as nuvens está associado à vitória de Deus sobre os reinos e os poderes do mundo). Recorda-se, assim que a última palavra é de Deus. Por outro lado, todos poderão ver o coração transpassado de Cristo e tomarão consciência de quanto Ele ama os homens. A vitória de Cristo concretizar-se-á através do seu amor, feito dom a todos os homens. Conclui a sua apresentação de Jesus, definindo-O como o princípio e o fim de todas as coisas (o “alfa” e o “ómega”.), Aquele que era e que há-de vir. Os cristãos são convidados a fazer de Jesus o centro das suas vidas.
ATUALIZAÇÃO ♦ Jesus é a figura do Senhor do Tempo e da História, princípio e fim de todas as coisas; é a figura do “príncipe dos reis da terra”, que há-de vir “por entre as nuvens” cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz: sejam quais forem as dificuldades da história humana, será um caminho que desembocará nesse reino novo de vida e de paz sem fim que Jesus veio anunciar.
♦ A ação de Jesus como Senhor da História não se concretizará numa lógica de poder, de autoridade, de força, mas no amor de Jesus, manifestado no dom da vida para libertar os homens do egoísmo e do pecado, para os inserir numa dinâmica de vida nova, para os integrar na família de Deus. Jesus, o nosso rei, é um rei que ama os seus com um amor sem limites e que, por amor, ofereceu a sua vida em favor da liberdade e da realização plena do homem. Neste dia em que celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados a agradecer pelo amor de Jesus que nos libertou do egoísmo e da morte; e somos convidados, também, a ter a mesma atitude de Jesus; ser amor, doação e serviço aos homens.
Pe. Joaquim - Pe. Barbosa - Pe. Carvalho

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 Rei do Universo

Neste último Domingo do Ano Litúrgico, CRISTO, REI DO UNIVERSO.
Por que essa Festa?

As Leituras bíblicas nos falam dessa Realeza.

A 1ª Leitura anuncia um "Filho do Homem", vindo do céu ara instaurar um REINO sem fim. (Dn 7,13-14)

Os judeus eram oprimidos pela dominação dos  gregos. Antíoco IV queria impor a cultura e a religião grega à força…
Daniel, numa linguagem apocalíptica, anima as comunidades à resistência.
Esse Reino ainda hoje não se tornou uma realidade plena; contudo, o Reino proposto por Jesus já está presente na vida do mundo, como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa.
Compete a nós, discípulos de Jesus, fazer com que esse Reino seja uma realidade bem viva e atuante em nosso mundo.

A 2a Leitura lembra que Cristo é o "Príncipe dos reis da terra" que virá cheio de poder, de glória e majestade para instaurar um REINO definitivo de felicidade, de vida e de paz.  (Ap 1, 5-8)

No Evangelho, Jesus confirma a sua Realeza. (Jo 18, 33b-37)

  Várias vezes querem fazê-lo rei, mas ele sempre se esquiva.
- Próximo da sua Paixão… sozinho, abandonado até pelos amigos, sem exército que pudesse vir a defendê-lo,   no tribunal diante de Pilatos que lhe pergunta: "Tu és o Rei dos Judeus?"  Jesus confirma a sua Realeza e define o sentido do seu Reinado:  "Eu sou REI. Mas o meu Reino não é desse mundo...".  "Para isso nasci e para isso vim ao mundo.   Para dar testemunho da Verdade.    E todo aquele que é da Verdade, ouve a minha voz..."

* A Realeza de Cristo é diferente:
Um Rei que veio para servir e salvar.
Um soberano capaz de aceitar uma coroa de espinhos.
Um Rei cujo trono foi uma cruz no alto de um monte.
Cruz que se tornou símbolo de vitória para nós.
Esse Reino cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em favor dos irmãos, onde cresce o respeito pelos outros, o diálogo, o perdão, a solidariedade... a justiça... o amor...


Hoje, CRISTO continua a nos repetir:
"Eu sou rei", não um rei de coisas, mas um rei de gente,
- sem o PODER que os homens tanto aspiram…
- sem a GLÓRIA que os homens tanto procuram…
- sem os BENS que os homens tão avidamente desejam…

+ Jesus nos convida a fazer parte desse Reino  e a trabalhar para que esse Reino aconteça na vida de todos.


- No Pai Nosso, Jesus nos convida a rezar: "Venha a nós o vosso Reino"

  Estamos aqui reunidos em oração, porque somos "cidadãos desse Reino".
  Façamos nossa a prece de Cristo: "Venha a nós o vosso Reino".

Reino de Verdade e de Vida; Reino de Santidade e de Graça; Reino de Justiça, de Amor e de Paz…
Que assim seja…

                              Pe. Antônio Geraldo

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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Meus irmãos e irmãs, hoje tenho uma pergunta aos catequizandos, que irão fazer a primeira comunhão, ou qualquer outro que queira responder: o que significa a palavra DOMINAR? ( – Tomar posse? – tomar conta? ) opa, já é diferente de tomar posse. Tomar posse é o que os portugueses fizeram no Brasil séculos atrás. Então, dominar é tomar posse ou tomar conta? É bem o tema de hoje. Temos duas posturas bem diferentes; as duas, infelizmente, estão corretas, dependendo de como agente enxerga as coisas. Se eu dominar, como estou acostumado a ver; um país entra dominando o outro, o rei entra dominando os subalternos, o político derruba o outro, toma o poder e depois ele quer dominar todo mundo, significa tomar posse. Agora, quando Deus disse: crescei, multiplicai e dominai a terra, (Gêneis 1 e 2) Deus não falou errado. Não é tomar posse, mas TOMAR CONTA, como se fosse o próprio Deus cuidando. Então, você é chamado a dominar a terra, ou seja; cuidar da terra como Senhor. Então, cada um de nós já temos um chamado; qual é? Se Deus lhe deu a vida, é para você cuidar da sua vida, como se fosse Deus cuidando. Só que tem pessoas que depende de outros para cuidar da vida. Aí que nós chamamos RESPONSÁVEIS POR. Por exemplo: normalmente numa casa, quem são os responsáveis? O pai e a mãe, mas pode inverter; em determinado tempo, o pai e a mãe já têm certa idade, aí é os filhos que devem cuidar, como se fosse o próprio Deus cuidando. Então, tanto o pai, a mãe cuidando dos filhos como se fosse o próprio Deus e os filhos cuidando dos pais como se fosse o próprio Deus. Assim, o Presbítero (padre) deve cuidar da comunidade como se fosse o próprio Deus. Assim, o chefe da empresa deve cuidar de seus funcionários, como se fosse o próprio Deus. Assim, também, o prefeito cuidar da cidade, o governador, o presidente, cuidar como se  fosse o próprio Deus. Nem preciso falar muito; desde as famílias, passando pelo presbítero e acabando nos presidentes, estamos longe de cuidar, como se fosse o próprio Deus cuidando. Uns, por limitação do próprio pecado. Outros, por ganância. Outros, ao invés de cuidar, querem ser cuidados. Em determinado momento, Deus disse: vou mandar determinadas pessoas para cuidar de meu povo. Alguém se lembra de algum nome de rei que aparece na Bíblia? – rei Davi – sim, e é o mais admirado de todos até hoje. Ele foi perfeito em tudo o que ele fez? Não. Ele cobrou tanto imposto do povo, que parecia os dias de hoje. Só que não devolvia para o povo. Foi contraindo, assim, muitas riquezas, quis até construir um santuário. Aí, Deus disse: agora chega. Quem decide onde eu moro sou eu. Teu filho vai construir um santuário. Você não. Assim que nós temos o rei Salomão, que vai construir o templo. Salomão foi perfeito? Não. Quando morreu o povo disse ao seu filho: teu pai nos assolava, impunha-nos dura escravidão. Deixa o povo, agora, ser um pouco mais livre. O filho dele falou: meu pai pesava em vocês com um dedo. Eu vou pesar com a mão inteira. Todos os reis falharam. Sabe por que? Tiveram a oportunidade, aí entra a tentação; o que é que eu faço: sirvo o povo ou me sirvo do povo? Então, entre tomar conta e tomar posse, a maioria preferiu tomar posse. Deus falou: bom, então vou eu pessoalmente dizer como é que eu gostaria que fosse. Aí, então, se torna homem, enquanto homem descobre não o caminho não do servo glorioso, mas do servo sofredor. É assim que temos Jesus. Jesus é rei? Nós cremos que sim. Qual é a coroa que Jesus traz consigo? Coroa de espinhos. Qual é o trono? A cruz. Que vestes ele usa? Ele é totalmente despido para ser crucificado. Então, é um tipo de rei, que nenhum rei quer ser. Pergunte se alguém topa ser crucificado para salvar o seu povo. Não. Normalmente eles põem o povo para salvar o rei. Eles não vão para a guerra. Mandam os outros. Então, veja; Jesus se torna um rei, que incomoda as pessoas. Talvez incomode até nós mesmos. Porque é difícil se colocar a serviço do povo cem por cento, mas Jesus fez isto. A segunda leitura diz que Ele é o servo fiel. Ele realizou todo que era de se esperar de um representante de Deus na terra. Tão perfeito e tão plena a sua realização, que Ele mostra a própria imagem de Deus. Ele não se torna representante, embaixador, mas é o próprio Deus feito homem. Aí é que está. Como Ele venceu o pecado, porque os outros não conseguiram vencer o pecado, mas foram vencidos por ele, o pecado, Jesus vencendo o pecado, destruiu a morte. Destruindo a morte nos deu vida eterna. Durante todo o ano celebramos mistérios da nossa fé. Aquilo que Jesus conquistou a nosso favor. Um dos mistérios é este: Nós cremos que Jesus vai voltar um dia. Não para ser crucificado novamente, mas para TOMAR POSSE do Reino que é dele. Porque Ele pode tomar posse. Olha, que agora estou falando de posse. Ele pode tomar posse, porque Ele ensinou, sempre, que quem quer ser o maior, seja o servo de todos. Então, ser subalterno a Jesus, é a maior liberdade que podemos ter, porque Ele não precisa de nada de nosso serviço. De nada. Muito bem. Nós cremos que Ele vai voltar. É isso que estamos celebrando hoje. Jesus, Senhor do mundo e do universo, tomará posse de toda obra do Criador. Hoje é o último dia do ano litúrgico. O ano litúrgico não segue o ano civil. O ano litúrgico termina no trigésimo domingo do tempo comum. Domingo que vem começamos o advento, que é a preparação para a vinda do Senhor. A Igreja caminha, assim, através do Concílio. Você tem o Advento, quatro domingos, em que nos preparamos para o Natal, depois vem o Natal, o tempo de Natal e depois vem o Tempo Comum. Primeiro, segundo, terceiro, quarto domingo comum, chega um ponto em que começamos a quaresma, que é a preparação para a Páscoa. Celebra-se a Páscoa, depois  o Tempo Pascal e depois volta nos domingos do Tempo comum, até o trigésimo quarto, que é hoje, onde Celebramos Jesus, o Rei do Universo. Quem nunca falta nas Celebrações dominicais, ao longo de três anos, lê a Bíblia inteira, porque tem o ano A, B e C. hoje termina o ano B, que é o Evangelho de Marcos, e semana que vem começa o ano C, que é o Evangelho de Lucas. Que beleza a nossa Igreja. Muitos dizem que celebramos sempre a mesma coisa e isto não é verdade. Cada dia do ano tem uma razão especial na nossa fé para ser Celebrada. É isso que vamos professar agora. Crer nesse Jesus, que é, que era e que há de vir.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO – Diocese de Santo André – SP

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HOMILIA DE D. HENRIQUE SOARES


                                                         Modelo I   
          “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Estas palavras são da Antífona de Entrada da Solenidade de hoje e dão o sentido profundo desta celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.
            Uma pergunta que pode vir – deveria vir! – ao nosso coração é esta: Jesus é Rei? Como pode ser Rei, num mundo paganizado, num mundo pós-cristão, num mundo que esqueceu Deus, num mundo que ridiculariza a Igreja por pregar o Evangelho e suas exigências?... Pelo menos do Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo o mundo não quer saber... Como, então, Jesus pode ser Rei de um mundo que não aceita ser o seu reinado? E, no entanto, hoje, no último domingo deste ano litúrgico de 2003, ao final de um ciclo de tempo, voltamo-nos para o Cristo, e o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei dos cosmo, Rei do universo. A Igreja canta, neste dia, na sua oração: “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe,/ Soberano e Senhor das nações!/ Ó Juiz, só a vós é devido/ julgar mentes, julgar corações”. O texto do Apocalipse citado no início desta meditação dá o sentido da realeza de Jesus: ele é o Cordeiro que foi imolado. É Rei não porque é prepotente, não porque manda em tudo, até suprimir nossa liberdade e nossa consciência. É Rei porque nos ama, Rei porque se fez um de nós, Rei porque por nós sofreu, morreu e ressuscitou, Rei porque nos dá a vida. Ele é aquele Filho do Homem da primeira leitura: “Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. Com efeito, o reinado de Cristo não tem as características dos reinados do mundo. 
(1) Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário conosco em tudo. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, tão igual à nossa. Ele reina pela solidariedade. 
(2) Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor. 
(3) Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para ele e, nele, tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabichões de plantão podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste de cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade. 
(4) Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida. 
            Sim, Jesus é Rei: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo dos reinos humanos – de direita ou de esquerda! Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrico, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como cetro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a cruz. Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso! A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre, a cruz!
            Hoje, assistimos, impressionados, a paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. O Reino de Jesus não é segundo o modelo deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não das loucuras megalomaníacas dos seres humanos. E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20). O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo! Onde ele está? Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. O Reino do Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: a economia, as relações comerciais, os mercados financeiros, as relações entre pessoas e povos, nossa vida afetiva, nossa moral pessoal e comunitária.
            Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto. Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser ao Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, que é o Reino que Jesus veio trazer. Num mundo que deseja esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projeto pagão do mundo atual e proclamar: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos”. Amém (Ap 5,12; 1,6).

Modelo II
            Caríssimos em Cristo, este é o último Domingo do Tempo Comum, e a Igreja contempla, adora e proclama o seu Senhor, Jesus Cristo, como Rei e Senhor do universo! Depois de termos percorrido todo o Ano Litúrgico, começando lá atrás, com o Advento que nos preparava para o Natal; depois de termos atravessado a penitência quaresmal e o júbilo pascal, depois das trinta e três semanas do longo Tempo Comum, eis-nos agora, ao final do ano da Igreja, proclamando que o Senhor do universo, o Rei do tempo e da eternidade é o Cristo nosso Deus!
            Rei do Universo! Título pomposo, esse! E pode nos levar à descrença e ao engano. À descrença, quando olhamos em torno a nós e constatamos que cada vez mais Cristo parece reinar menos! Como é Rei? Nossa sociedade é pós-cristã e neo-pagã, os traços do cristianismo e as marcas de respeito pelo Senhor Jesus vão se diluindo e desaparecendo rapidamente... Jesus não mais é rei nas famílias, Jesus não mais é rei nas nossas escolas, Jesus não mais é rei nos nossos ambientes de trabalho, não mais é rei nas nossas leis nem dos nossos legisladores e governantes... Hoje reina o paganismo, hoje reina o relativismo, hoje reina a banalização do que é sagrado... Não será, então, uma tremenda ilusão, uma alienação de quem não quer ver a verdade dos fatos, dizer que Cristo é Rei? Não estaria a Igreja tão tonta de ilusão, que pensa ainda como se fora dois ou três séculos atrás? O mundo nos grita aos ouvidos: "Não! Cristo não é mais Rei! Não queremos que esse aí reine sobre nós! Que reine a nossa ciência; que reine a nossa vontade, na terra como no céu; que reine nosso prazer; reinemos nós mesmos, como senhores do bem e do mal, do certo e do errado, da vida e da morte!" É assim, meus irmãos, que olhando a realidade atual, a festa de hoje pode nos levar à descrença, a uma tremenda tristeza, a um inapelável desânimo! Somos súditos de um Reino sem espaço e de um Rei sem trono nem poder... Parece que o Reino no qual apostamos não passa de um conto de fadas desmentido pela realidade tão dura, rude e poderosa...
            Mas, esta visão deprimida e descrente somente pode ser possível se entendermos de modo enganoso a festa deste hoje. E é fácil compreendê-la assim, de modo errado. Vejamos, então! Quando afirmamos que Cristo é Rei, de que Reino estamos falando? De que modo de reinar? De que tipo de Rei? No Evangelho de hoje, Pilatos perguntou a Jesus: “Tu és Rei?” E Jesus confirma, mas esclarece: “O meu Reino não é deste mundo. Meu Reino não é daqui!” Eis! Um Reino que não é como os reinos deste mundo; um Reino que não tem de modo algum os critérios dos reinos daqui... Um Reino que não se vê pela dimensão do território, não se conta pelo poder de suas tropas... “Meu Reino não é daqui!” Trata-se, como diz o Prefácio da Missa de hoje, de um “reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. Jesus é Rei não porque manda em tudo e em todos; é Rei não porque o mundo o reconhece e o adora... Nada disso! É verdade que, ao fim da história humana, toda a criação e toda a humanidade serão por ele julgadas e nele transfiguradas. As palavras da primeira leitura desta Celebração não são uma brincadeira nem uma fábula: “Entre as nuvens do céu vinha um como Filho do Homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados poder, glória e realeza e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”... Certamente, a glória do Senhor se manifestará de modo claro, palpável e inapelável ante todos nós e toda a humanidade; certamente o Senhor haverá de nos julgar a todos e a cada um de nós; certamente, a nossa história e a história humana toda serão passadas a limpo no Cristo... Mas, Jesus será tudo isso porque ele é o Filho do Homem, isto é, aquele que se fez homem, se fez pequeno, tomando nossa pobre condição humana! Aqui está a chave para compreender o reinado de Jesus! Ele não é Rei porque é grande e mandão; ele é Rei porque é Servo, porque nos amou a ponto de dar a vida por nós e por toda a humanidade. Observem que toda vez que a liturgia de hoje fala da sua Realeza, proclama seu amor que fê-lo morrer por nós. Escutem: “Eis que vem sobre as nuvens e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele!” Compreendem? Aquele que vem como Deus, sobre as nuvens, aquele que será contemplado, reconhecido um dia por todos, é o mesmo que foi traspassado na cruz! Toda a humanidade que o traspassou baterá no peito, arrependida, chorosa, admirada de tanto amor! Vejam outra passagem, o versículo do Apocalipse, que o Missal traz como antífona de entrada da Festa de hoje: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). É impressionante, caríssimos: aquele que é digno de receber todo louvor não é forte e altivo como um leão, mas doce e pacífico como um cordeiro; o Cordeiro que foi imolado, transpassado por nós! Ele é digno não porque nos amedronta com sua grandeza, mas porque nos conquista com seu amor e sua generosidade a ponto de se ter deixado imolar por nós! É o “Jesus que nos ama, que nos libertou com seu sangue; que fez de nós um Reino e sacerdotes para o seu Deus e Pai... A ele a glória e o poder...”
            Compreendem, caríssimos? O Reinado de Cristo não se impõe pela força, não se mede com a medida do mundo, não obedece aos nossos critérios! Cristo é Rei sim; é Senhor de todas as coisas, sim; haverá de nos julgar, sim: mas os seus modos, os seus tempos, os seus critérios não são os nossos! Por isso mesmo, a Festa de hoje não é um grito de triunfalismo tolo, mas sim uma firme e humilde proclamação do Senhorio de Cristo, na certeza de que o seu Reino já está presente no mundo. Este se manifesta nas coisas humildes e pequenas, a começar pela nossa vida. O Reino de Cristo deve aparecer sobretudo na vida da Igreja e na vida dos cristãos. Ali, onde o amor de Cristo é acolhido com doçura e bondade; ali, onde reina o amor e a caridade; ali onde o serviço e o perdão estão presentes; ali, onde se reza e se busca realmente levar a cruz com Cristo até a morte... É aí, nessas situações bem concretas, que o Reino de Cristo faz-se presente desde já... Cuidemos de ser atentos! Num mundo que adora tudo que é “mega” (mega-show, mega-evento, etc), tudo quanto é vistoso e pirotécnico, o Reino se apresenta com critérios totalmente opostos!
            Eis a grande lição da Festa deste hoje: o tempo, a história, o cosmo... tudo corre para Jesus: ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Primeiro e o Último! É nele, no critério da sua cruz, que tudo será avaliado, tudo será julgado! Ao Reinado de Cristo, um Dia – no seu Dia - tudo estará plenamente submetido! Mas, nunca esqueçamos: aquele que é nosso Rei e Juiz é o nosso Salvador, o humilde Filho do Homem, que se manifestará revestido de glória porque morreu por nós: “Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogênito dentre os mortos, o Soberano dos reis da terra”. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
D. Henrique Soares


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O rei da mentira x A verdade do Rei

Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
A hodierna solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, muito bem situada pela reforma litúrgica do Vaticano II no encerramento do ciclo dominical do ano litúrgico, evidencia ainda mais a fé que professamos a cada eucaristia: Cristo como centro e Senhor da história (1ª leitura). Nele toda a criação e a humanidade se encontram e encontram a sua razão de ser, pois Ele é o Alfa e o Ômega (2ª leitura). Apesar de não se identificar com nenhum reinado deste mundo, Ele é verdadeiro Rei, pois sua autoridade está fundamentada na verdade (evangelho Ano B) e não no poder garantido pela mentira e sustentado por ideologias falsificadoras da realidade. Verdade que não é simplesmente a coincidência entre ideias e realidades superficiais correspondentes. Mas a verdade é a sua Pessoa comprometida com a vida, pela qual aceita morrer, para viver e reinar eternamente. 
A perícope desta solenidade é uma das portas principais para compreender toda a narração joanina da paixão, morte e ressurreição de Jesus (Jo 18–20). Estamos diante de um dos maiores dramas da humanidade em toda a sua história: reconhecer a verdade e morrer por ela, para que a vida reine, ou abraçar a mentira e condenar à morte uma multidão de inocentes. Contudo, apesar de o império da mentira parecer vencedor, o reino da verdade já foi estabelecido. Não há o que duvidar, pois a dúvida engendra derrotados, enquanto que a fé na verdade dá à luz os vitoriosos.
Diante de Jesus, que é a Verdade (Jo 14,6), a mentira é desmascarada e anuncia-se, desta forma, a sua derrota: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz... Mas quem age segundo a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que as suas obras são feitas em Deus” (Jo 3,19-21).
Pilatos, ao interrogar Jesus sobre as acusações feitas contra Ele, torna-se o porta-voz de três mentiras denunciadas ao longo da narração. Mentiras não apenas de caráter pessoal, mas de abrangência universal. A história humana está marcada por uma constante ambiguidade, vive a tensão entre optar pela mentira que escraviza ou reconhecer e assumir a verdade que liberta. 

Primeira mentira: És o rei dos Judeus? Esta pergunta indica uma das grandes manobras ideológicas de todos os tempos para distorcer sutilmente a verdade, isto é, induzir o outro a assumir a mentira com suas próprias palavras e atitudes. A guerra semântica dos nossos dias é o terreno mais propício para promover a confusão e, consequentemente, fazer passar a mentira como verdade absoluta. Semelhante situação se deu quando a serpente no paraíso quis induzir Eva a afirmar ser Palavra de Deus, o que na verdade, era uma mentira sua. Para convencer a mulher, introduziu sua pergunta com as palavras: “Então Deus disse: Vós não podeis comer do fruto das árvores...” (Gn 3,1). Num primeiro momento, Eva reage e corrige a serpente esclarecendo o que, de fato, Deus lhes havia dito (Gn 2,17). Porém, não perseverou na verdade, apenas reconheceu-a. Na investida seguinte, deixou-se convencer pela mentira do mais astuto e caiu na armadilha. Jesus, ao ser tentado no deserto, também foi induzido pelo diabo a agir conforme a “verdade” do tentador, que afirmando ser Jesus “Filho de Deus”, exigia dele uma falsa prova disso, pois negaria a verdade da sua missão de Messias sofredor, transformando-se em messias triunfalista, sem cruz e sem morte. Diante da pergunta de Pilatos, Jesus não se deixa enganar e declara: “Tu dizes: eu sou rei”. Em outras palavras: “quem está dizendo ser rei aqui és tu” (o grego hoti pode ser traduzido por “dois pontos”, tornando assim uma declaração direta). As atitudes de Pilatos confirmam a verdade desta palavra de Jesus. É ele quem está assumindo as prerrogativas de rei (interrogar, julgar, anistiar, condenar), já que na qualidade de governador romano, era o representante do imperador. Por outro lado, o próprio povo o reconhece também como rei, pois exige que julgue e condene Jesus. E se não o fizer, declarar-se-á inimigo do Rei César (Jo 19,12). Consequentemente, respondendo ao pedido do povo, Pilatos assume ser ele mesmo o rei dos judeus. O povo, por sua vez, faz a grande declaração de sua apostasia: “Não temos outro rei senão César” (Jo 19,15). Portanto, não é Jesus quem reivindica para si o título de rei, pois já havia afirmado que não veio para julgar ou condenar o mundo, mas para salvá-lo (Jo 3,17).
Segunda mentira: “Sou por acaso Judeu?” A distorção falaciosa leva a assumir atitudes de negação diante das consequências do confronto com a verdade. Negar a cumplicidade é a maneira mais irresponsável de isentar-se da culpa. Manobra muito utilizada pelos pretensos reis dos nossos dias. No irromper da verdade, valem-se da estratégia da transferência de culpa para terceiros. Não viram nada, não sabem nada, apenas foram pegos de surpresa. A verdade de Jesus não é manipulada, não se deixa convencer por estratégias eficientes para livrar-se das consequências de sua missão. A identidade e a missão não se contradizem. Não há situação que justifique uma possível incoerência com o intuito de livrar a pele. Já no horto quando os soldados chegaram para prendê-lo, Ele não foge nem se deixa confundir com outro para escapar à prisão, mas pelo contrário, adianta-se e identifica-se por três vezes: “Sou eu” (Jo 18,5.6.8). Os covardes têm medo da verdade, por isso se camuflam e fogem, enquanto que a verdade dá coragem aos injustiçados tornando-os aptos para o enfrentamento.
Terceira mentira: “Nenhuma culpa encontro nele”. Declarar a verdade não significa apenas reconhecê-la teoricamente. Mesmo afirmando ser Jesus inocente, Pilatos não foi suficientemente corajoso para denunciar a mentira das acusações e assumir a verdade. Do ponto de vista oficial, formal, na nossa sociedade muitos dos seus seguimentos, organismos, instituições, estão todos de acordo em relação a grandes urgências e necessidades para o bem comum, mas acabada a reunião, cada um faz o que lhe interessa e convém, em detrimento da verdade proclamada pelos acordos assinados. Pilatos reconhece a verdade, mas não se compromete com ela. Tem medo de pagar o preço pela verdade que se impõe, prefere a mentira para ter garantido o seu lugar na elite dominante, ainda que por pouco tempo, pois o seu sistema apoiado em falsas ideologias não terá outro fim senão o desmoronamento. Dizer que é verdade a inocência de Jesus não era o suficiente para saber o que é verdade. Mas era preciso acolher a palavra libertadora de Jesus, tornando-se discípulo seu. Contudo, não foi capaz de crer naquilo que o Mestre ensinara: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32). Diante da verdade do Cristo-Rei do Universo, os Pilatos de todos os tempos preferem continuar a ser reis da mentira.
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Para a Celebração da Palavra (Diáconos ou ministros da Palavra):

LOUVOR após a coleta: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR N/ DEUS...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
1  Senhor, nosso Deus e Pai, grande é o vosso amor nos enviando vosso Filho para nos salvar!
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
2 Nós vos damos graças pelo nosso batismo e por nos acolher como filhos vossos!
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
3 Obrigado, Pai, pelo perdão de nossos pecados.
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
4 Enviai o Espírito Santo para que saibamos praticar o bem e fazer a Vossa vontade!
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
5 Pai, hoje aclamamos Jesus como nosso Rei e nosso Pastor. Guiai-nos, pai, para as águas vivas da vida eterna!
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
6 Ajudai-nos a ver nos irmãos e irmãs a vossa imagem e semelhança, para que saibamos perdoar e ser auxílio!
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
7 Pai, dai-nos a vossa graça para espelharmos vossa luz ao mundo como sinal de esperança.
T: Nós vos louvamos, ó Deus de Bondade.
- PAI NOSSO... A Paz de Cristo... Eis o Cordeiro...

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SINOPSE: ò Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo.
 TEMA: “O meu reino não é deste mundo!” O último domingo do ano litúrgico convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus; não é à maneira dos reis deste mundo: é uma com a lógica de Deus.
Primeira leitura: Deus vai intervir no mundo eliminando a ambição, a violência, a opressão. Os cristãos  verão nesse “filho de homem” vitorioso um anúncio da realeza de Jesus.
Evangelho: Jesus a assume a sua condição de rei diante de Pilatos. A realeza de Jesus não está na ambição, poder, autoridade e violência, mas no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.
Segunda leitura: o Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, Aquele que há-de vir para instaurar o reino de felicidade, de vida e de paz. 

LEITURA I – Dan 7,13-14 ...sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. ...Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno.
AMBIENTE - Daniel século II a.C., Antíoco IV.
MENSAGEM - ...“filho de homem” “sobre as nuvens” tem uma origem transcendente. Deus vai intervir no mundo e Jesus assumirá que é “o Messias, o Filho de Deus bendito”.
ATUALIZAÇÃO - ♦ Jesus é o enviado e introduziu a lógica do amor, do serviço e da doação. O reino de Jesus já está presente.

EVANGELHO – Jo 18,33b-37: «Tu és o Rei dos judeus?» «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
MENSAGEM -
1 Rei tem poder arrogante e prepotente à Tem poder, mas ama e dá a vida por nós.
2  O Rei  age na força e opressão; injustiças à tem humildade, amor e
                                                                      compaixão; vida
3 O Rei Se distancia para ser servido      à se aproxima, encarna, vive nossas
                                                               limitações
4 O Rei é o servido por todos                  à Jesus é o servidor, Ensina, cura e
                                                                  liberta.
5 O Rei se apossa dos bens                 à Tudo foi criado por ele e para ele. Ele
                                                             é a verdade.
6 O rei salva sua pele                          à Jesus se doa por nós, é o caminho
                                                            que salva.
7 O rei lógica da ambição                   à Jesus lógica da partilha, da dignidade
                                                           de filhos de D
      “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas entrou em Jerusalém como Rei num burrico, símbolo de mansidão e serviço. A marca da realeza de Cristo é a cruz!

LEITURA II – Ap 1,5-8 Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogênito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai. Ei-Lo que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão. «Eu sou o Alfa e o Ômega», diz, o Senhor do Universo».
AMBIENTE - “Apocalipse” significa “manifestação de algo que está oculto”, revelação. É esperança. João, exilado na ilha de Patmos, imperador Domiciano (ano 95). As comunidades grave crise interna, heresias, falta de entusiasmo e fé. Há também violenta perseguição:
MENSAGEM - Jesus é a “testemunha fiel” até à morte, testemunhou o que Deus queria revelar e mostrou aos homens o rosto do Deus-amor.
Jesus é o “primogênito dos mortos”, porque foi o primeiro a vencer a morte.
Jesus é o “príncipe dos reis da terra”, porque inaugurou um reino novo, de vida e de felicidade sem fim e  fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória.
A cruz é expressão do amor.
Jesus é princípio e o fim (o “alfa” e o “ómega”.), Aquele que era e que há-de vir.
ATUALIZAÇÃO - ♦ Jesus é o Senhor do Tempo e da História, princípio e fim de todas as coisas;
♦ A lógica de Jesus não é a autoridade, a força, mas o amor manifestado na cruz para, para os integrar na família de Deus.




LOUVOR após a coleta: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR N/ DEUS...
- COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
1  Senhor, nosso Deus e Pai, grande é o vosso amor nos enviando vosso Filho para nos salvar! Nós vos damos graças pelo nosso batismo e por nos acolher como filhos vossos!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
2 Obrigado, Pai, pela vossa misericórdia em perdoar nossos erros. Enviai o Espírito Santo para que saibamos praticar o bem e fazer a Vossa vontade!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
3 Pai, hoje aclamamos Jesus como nosso Rei e nosso Pastor. Guiai-nos, pai, para as águas da vida eterna!
Ajudai-nos a ver nos irmãos e irmãs a vossa imagem e semelhança, para que saibamos perdoar e ser auxílio!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
4 Pai, dai-nos a vossa graça para que sejamos luz aos nossos irmãos e irmãs e sejamos mais fraternos na construção de vosso Reino!
T: Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus de Bondade.
- PAI NOSSO... - Paz de Cristo.. – Eis o Cordeiro...