quinta-feira, 21 de maio de 2015

Solenidade de Pentecostes, Vinda do Espírito Santo

Solenidade de Pentecostes – ANO B 2015

SINOPSE:

Introdução ao espírito da Celebração

Atenágoras afirmou que «sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja é uma simples organização; a autoridade é um poder; a missão é propaganda; o culto, uma velharia; e o agir moral, um agir de escravos».
Mas, «no Espírito, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino; Cristo ressuscitado torna-Se presente; o Evangelho faz-se poder e vida; a Igreja realiza a comunhão trinitária; a autoridade transforma-se em serviço; a liturgia é memorial e antecipação; o agir humano é deificado».

 

TEMA: O Espírito dá vida, renova, transforma e faz nascer o Homem Novo. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo!”
Primeira leitura: É o Espírito que Cria nova comunidade, orienta e capacita para a missão.
Evangelho: A partir do dom do Espírito Santo, a comunidade a volta de Jesus ressuscitado passa a ser uma comunidade viva e nova, que supera as limitações e dá testemunho de Jesus.
Segunda leitura: Paulo diz que o Espírito Santo é a fonte viva da comunidade. É Ele que concede os dons e estes devem ser postos ao serviço de todos.

11. EVANGELHO (Jo 20, 19-23) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

MENSAGEM - Ao “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo. É uma comunidade desorientada e insegura. Jesus aparece “no meio deles”. Jesus como ponto de referência à volta do qual a comunidade se constrói. Jesus deseja-lhes “a paz” (“shalom”). A serenidade, a tranquilidade e a confiança, que supera o medo: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte poderão derrotar os discípulos, porque Jesus está “no meio deles”. Em seguida, Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” que evocam o amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” que os discípulos reconhecem Jesus. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila. Com o “sopro” o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos estão capacitados para fazerem da sua vida um dom de amor. Finalmente, Jesus explicita qual a missão dos discípulos: a eliminação do pecado. As palavras de Jesus Significam, que os discípulos são chamados a testemunhar essa vida que o Pai quer oferecer a todos. Quem aceitar essa proposta, será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar, continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte (isto é, de pecado). A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.
ATUALIZAÇÃO
à A comunidade cristã só existe, se está centrada em Jesus. É n’Ele que superamos os nossos medos, incertezas, para testemunharmos a vida nova do Homem Novo.
à As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço. É Ele que nos faz vencer os medos, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo.

LEITURA I – Atos 2,1-11 Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente,  veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”
AMBIENTE - É uma catequese, onde Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética. O fundamental é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.
MENSAGEM - Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola; mas, no séc. I, tornou-se a festa que celebrava a aliança no Sinai. Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova aliança e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus. O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de língua de fogo. A língua é também a maneira de comunicar, entre as pessoas, de criar comunidade. “Falar outras línguas” é criar relações, é superar o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… É o reverso de Babel: lá, o orgulho, a ambição conduziu ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, ao diálogo, ao entendimento. Unidos pelo Espírito a comunidade atinge todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, até Roma: a todos deve chegar a proposta de Jesus; amor e de partilha. Pelo Espírito se cria a nova humanidade, a anti-Babel; todos os povos escutarão a proposta de Jesus e integrarão a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua do amor. O Pentecostes anuncia a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão como irmãos.
 Começaram a falar outras línguas». Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham: seria então um tipo de oração, de louvor: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios. a pregação de Pedro aparece como posterior a este fenômeno.
ATUALIZAÇÃO à Uma comunidade reunida por causa de Jesus, pelo Espírito testemunha o projeto libertador de Jesus.      Uma comunidade universal que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas.
à Antes, um grupo fechado, sem iniciativa nem coragem do testemunho; depois, comunidade unida, que se assume como comunidade de amor e de liberdade.
à Para ser cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura; são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projeto de Deus, que faz os homens viver no amor.

LEITURA II – 1 Cor 12,3b-7.12-13 - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um
mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas
um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

AMBIENTE - A comunidade de Corinto não era exemplar no amor e na fraternidade. Os detentores de dons consideravam se os “iluminados”, assumiam autoritarismo e prepotência; por outro lado, os que não tinham estes dons eram desprezados. Paulo corrige, mostra a incoerência destes comportamentos, com o Evangelho.
MENSAGEM - os dons não garantem os privilégios. O verdadeiro “carisma” é o que confessa que “Jesus é o Senhor” e que é útil para o bem da comunidade. É preciso que tenham consciência de que, apesar da diversidade de dons, é o mesmo Espírito que atua em todos; é o mesmo Senhor Jesus que está presente em todos;, é o mesmo Deus que age em todos. O importante é que os dons do Espírito sejam usados para o bem da comunidade. Em todos circula a mesma vida, pois todos foram batizados num só Espírito. O Espírito que alimenta e que dá vida ao “corpo de Cristo”; e fomenta coesão, fraternidade e unidade na comunidade.
ATUALIZAÇÃO à É o mesmo Espírito que nos alimenta, embora desempenhemos funções diversas
à Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos; devem servir para o bem comum.
à O Espírito que alimenta, que dá vida, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade.
 Espírito Santo é Amor ardente, Luz de santidade, Virtude na vida e amparo na morte; é Aquele que enche de alegria os nossos corações, que lava as nossas manchas, que sara os enfermos e que é paz e conforto no pranto. E nós  o recebemos no dia do nosso Batismo, em especial no dia em que fomos Crismados. Por isso diz S. Paulo que o nosso corpo é templo do Espírito Santo; é Ele que nos anima e fortalece a nossa fé.
Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas… Sem ele, nada podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar… Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5).
SOLEN. PENTECOSTES:LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
à O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
à COM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Deus criador, nós vos bendizemos pelos dons do  Espírito Santo, que concedeis à vossa Igreja e a cada um de nós. Pai, que possamos compreender as pessoas que conosco vivem e possamos conviver em tranquilidade com todos.
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Pai santo, nós vos damos graças porque pelo batismo nos dais o Espírito Santo para ser a nossa força, nossa luz e nossa esperança na construção de vosso Reino. Que nossa fé seja ardente e nosso exemplo seja sinal de vosso amor entre todos. 
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Nós vos bendizemos pelo Espírito Santo que nos defende do mal e nos impulsiona para vós. Pai, renovai a vossa igreja e fazei-nos mais vigorosos na transformação de uma sociedade mais humana e fraterna. 
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
à Renovai a vinda do Espírito Santo na Igreja para a salvação do mundo! Que Ele abra o nosso coração para o amor e a fraternidade. Que Ele nos faça mais fraternos e leais a vossa vontade, pois em Vós está a nossa esperança e a nossa salvação.
T: Pai, que o Espírito Santo nos transforme e nos santifique!
àPai nosso...
à Paz=Assim como os apóstolos foram transformados pela força do Espírito Santo, que nós também sejamos transformados em missionários corajosos anunciando ao mundo mais paz, amor e solidariedade. Saudai-vos com a Paz de Cristo!
à Eis o Cordeiro de Deus...

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Domingo de Pentecostes = (Terminada a oração depois da comunhão e os avisos, antes da benção final, o Presidente da Celebração se dirige para junto do Círio:)

RITO PARA APAGAR O CÍRIO PASCAL
Diácono
ou o Presidente da Celebração
- Irmãos e irmãs, na noite da Vigília Pascal, aclamamos Cristo nossa Luz e acendemos o Círio Pascal. A luz do Círio nos acompanhou nestes cinquenta dias do Tempo Pascal. Hoje, dia de Pentecostes, ao concluir o Tempo da Páscoa, o Círio será apagado. Este sinal nos é tirado para que, educados na escola pascal do mestre Ressuscitado, nos tornemos a “luz de Cristo” que se irradia, como uma coluna luminosa que passa no mundo, para iluminar os irmãos e irmãs e guiá-los no êxodo definitivo rumo ao céu.

O presidente se inclina para o Círio, este então é apagado.

Pres. – Oremos: Dignai-vos, ó Cristo, acender nossas lâmpadas da fé; que em vosso templo elas refuljam constantemente, alimentadas por vós, que sois a luz eterna; sejam iluminados os ângulos escuros do nosso espírito e sejam expulsas para longe de nós as trevas do mundo. Vós, que viveis e reinais para sempre.
Todos: Amém, aleluia!


Segue-se a Bênção final, própria para o dia. Por fim, para a retirada do Círio, forma-se uma procissão, semelhante ao início da Celebração, conduzindo, agora, o Círio Pascal apagado, passando pela nave central da Igreja.   (O Círio será aceso nas celebrações do batismo)

·                   Bênção Final (própria de Pentecostes)
              Ver o Missal romano, p. 524.

* Deus, o Pai das luzes, que (hoje) iluminou os corações dos discípulos, derramando sobre eles o Espírito Santo, vos conceda a alegria de sua bênção e a plenitude dos dons do mesmo Espírito.  AMÉM!
* Aquele fogo, descido de modo admirável sobre os discípulos, purifique os vossos corações de todo mal e vos transfigure em sua luz.  AMÉM!
* Aquele que na proclamação de uma só fé reuniu todas as línguas vos faça perseverar na mesma fé, passando da esperança à realidade.  AMÉM!
Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho + e Espírito Santo.  AMÉM!

Pentecostes (em grego antigo: πεντηκοστή [μέρα], pentekostē [hēmera], "o quinquagésimo [dia]") é uma das celebraçőes importantes do calendário cristão, e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa. O dia de Pentecostes ocorre no décimo dia depois do dia da Ascensão de Jesus. -   Pentecostes é histórica e simbolicamente ligado ao festival judaico da colheita, que comemora a entrega dos Dez mandamentos no Monte Sinai cinquenta dias depois do Êxodo. Para os cristāos, o Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores de Cristo, através do dom de línguas, como descrito no Novo Testamento, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Por esta razão o dia de Pentecostes é às vezes considerado o dia do nascimento da igreja. O movimento pentecostal tem seu nome derivado desse evento.

Símbolos do Esp. Santo

§     Água - significa a ação do Espírito Santo no batismo levando-os à vida eterna; É água viva. 
§     Unção - o simbolismo da benção com óleo também se refere ao Espírito Santo. A unção é praticada no batismo, na confirmação, na ordem e na unção aos enfermos. 
§     Fogo - simboliza a energia transformadora.
§     Nuvem e luz - se aproximou da Virgem Maria e a "envolveu com sua sombra.
§     Pomba - quando Cristo saiu das águas do Jordão  no seu batismo, o Espírito Santo, na forma de uma pomba, pousou sobre ele .
§     Vento ou sopro - o Espírito, "o vento que sopra onde quer" .

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"Vem Espírito Santo"

Celebramos hoje a festa de PENTECOSTES.
Recordamos o "Dom" do Espírito Santo e o final do tempo pascal.

PENTECOSTES era uma festa judaica muito antiga, celebrada 50 dias após a Páscoa. 
Inicialmente, era uma festa agrícola em agradecimento a Deus pelas colheitas.
Depois o povo começou a celebrar nela a ALIANÇA, o dom da LEI no Sinai e a constituição do Povo de Deus, fato acontecido 50 dias depois da saída do Egito... acompanhado de trovões, relâmpagos, trombetas, vento forte...

A 1ª Leitura e o Evangelho descrevem o PENTECOSTES CRISTÃO.     
  
O Espírito presente no início da vinda pública de Jesus, está presente também no início da atividade missionária da Igreja.
As narrativas são diferentes e até divergentes, mas se completam:

+ São Lucas faz coincidir o Pentecostes cristão com o Pentecostes judaico...     para mostrar que o ESPÍRITO é a LEI da NOVA ALIANÇA    e que, por ele, se constitui um NOVO POVO DE DEUS. Por isso, relata o FATO entre raios e trovões, inspirando-se na narrativa da entrega da Lei no Sinai. (At 2,1-11)

- Os apóstolos estão reunidos... trancados numa casa...
  O fogo do Espírito se reparte em forma de línguas sobre cada um deles.
  Eles saem do cenáculo e, em praça pública começam a falar
  do Cristo ressuscitado, com grande entusiasmo e sabedoria.
  É a primeira e grande manifestação missionária da Igreja.
  E seus missionários são os doze apóstolos.

- E o povo espantado se questiona: "Como os escutamos na nossa língua?"
  O texto nos faz lembrar a Torre de Babel (Gn 11):
   - Lá ninguém se entende mais... Aqui acontece o contrário:
      Por obra do Espírito Santo, todos falam uma língua que todos compreendem e que une a todos: a linguagem do amor.

- A intenção de Lucas é apresentar a Igreja como a Comunidade que nasce de Jesus, que é animada pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.

+ São João colocou o Dom do Espírito Santo no dia da Páscoa. (Jo 20,19-23)
Os Sinais ("anoitecer", "portas fechadas", "medo") revelam a situação de uma Comunidade desamparada, desorientada e insegura.
Jesus aparece "no meio deles" e lhes deseja a "PAZ".
Confia a Missão: "Como o Pai me enviou, eu VOS ENVIO".
"Soprou" sobre eles e falou: "Recebei o ESPÍRITO SANTO". 
- Nessa perspectiva, Páscoa e Pentecostes são partes do mesmo acontecimento.
* A preocupação dos evangelistas não foi escrever uma crônica histórica, mas uma catequese sobre o Mistério Pascal e a Igreja
   Afirmam a mesma coisa, expressando-se numa linguagem diferente.

- Para LUCAS: A Igreja é uma Comunidade que nasce de Jesus, é animada pelo Espírito e é chamada a testemunhar aos homens o projeto do Pai.
O Espírito é a LEI NOVA que orienta a caminhada dos crentes.
Ele criou uma nova comunidade, capaz de ultrapassar as diferenças e unir todos os povos numa mesma comunidade de amor.

- Para JOÃO, a Igreja é uma Comunidade construída ao redor de Jesus e animada pelo Espírito, que a torna viva e "recriada".
O Espírito é esse "sopro" de vida que a faz vencer o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor, que Jesus viveu até às ultimas conseqüências.

- Para PAULO, a Igreja é o "Corpo Místico de Cristo". (1Cor 12, 3b-712-13)

Apesar da diversidade dos membros e das funções, o Corpo é um só.
Mas é o mesmo ESPÍRITO que alimenta e dá vida a esse corpo.

O Pentecostes continua: Diante desse fato grandioso, talvez invejamos a sorte dos apóstolos e esquecemos que o Pentecostes continua em nossa vida e na vida da Igreja...

- Em NOSSA VIDA houve um Pentecostes: A CRISMA, quando recebemos a plenitude do Espírito Santo para cumprir nossa missão...

- Na VIDA DA IGREJA, que nasceu no Pentecostes e continua a ser recriada pelo Espírito. O Espírito Santo é a alma da Igreja.

+ O cristão é um enviado:
   "Como o Pai me enviou, eu também vos envio".

- Para promover a PAZ.
  É um dom precioso e ausente muitas vezes no mundo.
  Cristo e seu Espírito são fontes de paz para que o mundo creia.

- Para experimentar o PERDÃO e a MISERICÓRDIA (dado e recebido).
  O perdão e a misericórdia são as atitudes da Igreja diante do mundo.

- Para construir a COMUNIDADE.
  O Espírito de Deus foi derramado em cada um para conseguir a unidade de todos no amor.

O Pentecostes, para nós, é a plenitude da Páscoa.
É o nascimento da Igreja com a missão de dar continuidade à obra de Cristo através dos tempos, em meio à diversidade dos povos.

No dia de Pentecostes, as pessoas falavam a mesma linguagem: o Amor.
O amor deve continuar sendo a linguagem dos cristãos do mundo inteiro. Através do amor, o sopro do Espírito Santo continuará presente.

                                                            Pe. Antônio

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Homilia do PE. PEDRINHO

Meus irmãos e minhas irmãs, há cinquenta dias atrás, celebrávamos a Páscoa da ressureição do Senhor Hoje, Pentecostes. A Igreja celebra os frutos desta Páscoa. Jesus , na época em que esteve aqui, andado como ser humano, disse: se o grão de trigo não cai na terra e morre, ele não dá frutos. Ora, Pentecostes era uma festa que já os judeus celebravam. Ela significa a festa da última colheita. Eles vão colhendo os frutos e vão de fato celebrando, mais uma grande festa. Era uma festa, por assim dizer, uma festa social, como temos hoje a festa do vinho, festa da batata, festa da cebola. Então, era a festa do lavrador. Aquele que plantou, ficou feliz e por isso então, comemora com a sua família e com aqueles que trabalharam para aquele resultado. Então, Pentecostes é de fato, os frutos da ressurreição do Senhor. E o que é que surgiu como fruto da morte e ressurreição do Senhor? A Igreja. Agora, quando eu falo Igreja, eu gosto de insistir nisso, porque nem sempre as pessoas tem clareza, eu não me refiro ao papa, ao bispo, ao padre, não! A igreja somos nós, aqueles que por conta da fé em Jesus Cristo, foram se congregando, se reunindo, para celebrar. Celebrar o que? Celebrar a morte e a ressurreição do Senhor. Então, é sempre no primeiro dia da semana, que eles se reuniam, à noite. Para que? Reunidos ao redor da mesa, relembrar tudo aquilo que Jesus ensinou e fez e para cumprir a ordem que Jesus deixou: “fazei isto em minha memória”. É isto que nós celebramos há dois mil anos. É evidente, que a partir desta igreja que surge, que brota, ela deve manter o testemunho de Jesus Cristo. Como fazer isto? Eles estavam todos com medo, porque, a final de contas, tinham matado o líder maior. Se fizeram isto com o nosso Senhor, imaginem o que farão conosco. Então, eles se reuniam a portas fechadas. Mas, é aqui que entra a nossa compreensão na fé. Mas, é por aí, que eles se deram conta que não teriam um futuro muito promissor. Porque se é para celebrar a memória do Senhor, é também para que outros compreendam o gesto realizado por Jesus. É assim que eles resolvem vencer o medo e a partir daí, anunciar para todos os povos quem é Jesus Cristo. Ora, é vidente, que esta iniciativa não parte somente dos discípulos. É claro que a colaboração deles é importante. Mas, é uma iniciativa que nós professamos, vinda de Deus. O mesmo Deus que tomou a iniciativa de apresentar Jesus para o mundo, agora, toma a iniciativa de apresentar a Igreja para o mundo. Claro que isto custou vidas. Mas, se o grão de trigo não cai na terra e não morre, não dá frutos. Por isso, a Igreja celebra de cor vermelha, lembrando a todos os mártires que banharam suas vestes no sangue do Cordeiro e com o dom da vida acabaram convencendo  a muitos, que valia a pena seguir Jesus Cristo. Então, nós temos na primeira leitura esta reflexão, colocada de maneira solene, aonde, toda a humanidade compreende o gesto de Jesus, nestes povos anunciados. Temos no Evangelho o ponto central, o fruto da morte e ressurreição de Jesus e o que nos é pedido como fruto principal; o perdão. Todas as outras religiões não pregam o perdão. Eu não estou exagerando. O único que tem como DNA, identidade, está ali, na célula menorzinha de todas, a única que tem como DNA o perdão, são os cristãos. Os cristãos são chamados a viver o perdão. As outras religiões, não! O judaísmo prega a lei de Talião; olho por olho e dente por dente. Os mulçumanos a mesma coisa. O hinduísmo é a mesma realidade. São as grandes religiões. Você pode pegar a umbanda, que se você não segue o está mandado, vem o castigo! Todas as religiões pregam que se você realizar alguma coisa de mal, você deve pagar por isso. O cristão aprendeu de Jesus “perdoai, eles não sabem o que fazem”. Esta atitude de Jesus na cruz é que convenceu o centurião, que Ele era o filho de Deus. É a mesma atitude que vai convencer Saulo, de que Estevão é sinal de Deus. É a mesma atitude que leva as pessoas, até hoje, quando a pessoa diz: “eu perdoo fulano”. Muitas vezes na televisão acontece isso e as pessoas ficam inconformadas: “como é possível perdoar tal atitude”? Eu sou cristão, eu perdoo. Aqui, vem o grande problema; o que é perdoar? As pessoas confundem perdoar com esquecer. Só se esquece algo positivo ou negativo quem não tem memória. Se eu não estou retendo algo na memória é porque algo não vai bem comigo, porque Deus nos fez com memória para eu guardar a lembrança aquilo que aconteceu. Perdoar não é esquecer, não! Perdoar é possibilitar que a pessoa recomece um caminho. Ela reconhece que errou, pediu perdão, e a gente permite que ela possa recomeçar a caminhada. É evidente, que na medida que a pessoa vai mostrando que de fato ela mudou a sua atitude, mudou a sua maneira de agir, nós vamos conhecendo uma nova pessoa. É evidente que de maneira automática, você acaba esquecendo o que aconteceu. Não porque você aperta um botão e aquilo apaga da memória, mas é porque você não reconhece mais aquela pessoa que prejudicou, você está vendo uma pessoa nova. Então, é evidente que se alguém comete alguém erro, precisa ser ajudado, precisa ser cobrado. Perdoar não quer dizer; matou, deixa ele solto. Não! Não é isso! Então, como fazer ele mudar de vida? Perdoar não é dizer: “Bom, meu marido me bateu hoje, deixa, tadinho. Amanhã... não, é preciso mudar a atitude. Por isso, o perdão tem duas mãos. Eu que me disponho a perdoar e o outro que se propõe a melhorar. Caso contrário, nem Deus pode perdoar. Por que? Porque temos que respeitar a liberdade da pessoa. Se você não pedir perdão a Deus, Ele não te perdoa. Não porque ele não tenha poder, mas porque Ele nos respeita. Assim também nós. Agora, não é tão fácil dar esta chance a cada dia para o outro, porque muitas vezes nós também dizemos: uma nova chance, uma nova chance, estou cansado de dar oportunidade. Então, o que é que Jesus faz? Ele sopra sobre os discípulos e este sopro torna se sinal de vida nova. Aos olhos humanos é impossível o perdão. Só e a partir e na força do Espírito Santo é que eu me dou conta que eu posso perdoar alguém. Porque o sopro que Jesus realiza hoje sobre os discípulos, nos lembra o homem novo, a mulher nova, nos lembra Gênesis, onde Deus soprou nas narinas de Adão, e ele se tornou ser vivente. Agora, Jesus sopra novamente, para que possamos ser pessoas novas. Não a partir dos critérios de Adão, não a partir dos critérios de Caim e Abel, não a partir da torre de Babel e tantos outros exemplos na Bíblia, de pessoas que não foram capazes de viver na maneira de Deus, mas a partir de Jesus Cristo.
Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, aquele que consegue perdoar, ele se torna um sinal de Deus. Porque, você já imaginou se Deus deixasse de nos perdoar, se não nos desse mais uma chance? Com certeza, muitos estariam perdidos.
Para concluir: Este perdão não acontece sozinho. Sempre reunidos, aqueles a quem perdoar os pecados, eles serão perdoados. Então, é preciso cada vez mais nos unirmos, enquanto comunidade, viver esta unidade do corpo de Deus. Cristo é a Cabeça e nós somos o corpo. Cada um colocando a disposição os dons que Deus  lhe deu. A Eucaristia também nos ajuda a nos tornar um único corpo, a dar um único testemunho. Pedir a Deus que nos dê força e coragem é fundamental, mas hoje, de maneira especial, agradecer a Deus que nos manda o seu Espírito e podemos celebrar o Reino já neste mundo.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.


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Homilia de D. Henrique Soares
“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os Apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?
Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!’ Depois soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo!’”
Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!
Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas…
Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar…
Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!
Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo…” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros…
Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá-la abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!
Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai. Amém.
D. HENRIQUE SOARES
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HOMILIA DO Pe. Françoá Costa

A surpresa: fruto da ação do Espírito

E se alguém lhe dissesse que você está errado há muitos séculos? No mínimo seria um exagero. Foi exatamente isso que um professor de moral costumava dizer aos seus alunos: “estamos equivocados há muitos séculos porque pensamos que a moral é fazer umas quantas coisas boas”. Eu imagino o olhar expectante dos alunos rumo ao professor experimentado, mas que talvez deixassem notar através das próprias feições alguma censura ao velho professor. Nesse momento, o catedrático continuava: “Não! A moral cristã não é de obrigação, mas uma moral de surpresa, moral de salvação”.
Moral de surpresa?! Eu estou de acordo. Efetivamente, Deus nos surpreende constantemente. A graça, a salvação, a ação do Espírito Santo nas pessoas é uma surpresa maravilhosa. Mas, será que dessa maneira não estaríamos suprimindo a colaboração humana na própria salvação? É muito conhecida aquela frase de S. Agostinho: “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. E é verdade! No entanto, não deixa de causar surpresa que nós possamos fazer obras que mereçam a salvação eterna. Essa afirmação já deixou a mais de uma pessoa deslumbrada, até mesmo escandalizada. Martinho Lutero aceitava que toda a obra da salvação é de Deus, mas se esquecia de que Deus, pela sua infinita bondade e generosidade, capacita o próprio ser humano para poder realizar ações meritórias.
Vejamos esse assunto com mais calma. Santo Irineu afirmou que Deus, no principio, plantou a vinha do gênero humano; muito amou a humanidade e se propôs estender sobre ela o seu Espírito e conferir-lhe a adoção filial. E esse plano de Deus cumpriu-se! Desta maneira, o Pai olha as obras daqueles que são os seus filhos por graça aceitando-as prévio auxilio de seu próprio poder, de Deus.
Uma ideia comum que aparece nos Santos Padres é a seguinte: assim como existe um único Deus, existe também uma única humanidade e uma única fraternidade humana. Assim como Deus é três Pessoas distintas, de maneira semelhante há variedade no gênero humano: as muitas pessoas humanas. Essa variedade não se opõe à unidade da humanidade. No entanto, esse projeto de unidade foi despedaçado pelo pecado logo nos inícios. Logicamente, assim como não se perdeu totalmente imagem de Deus com o pecado original, tampouco a unidade fundada nessa imagem. Não obstante, as relações do homem com Deus e do homem com os demais se viram mudadas a pior como fruto podre da desagregação que o homem experimentou dentro de si mesmo. O homem, segundo os Padres da Igreja, foi disperso em vários pedacinhos. A salvação de Cristo, nesse contexto, seria uma restauração, um recolher o homem disperso. Cristo é o homem singular, mas também é o homem universal, ou seja, leva em si toda a humanidade.
O ser humano, quando se encontrava disperso, e quando se encontra em pecado mortal, logicamente, não pode realizar obras meritórias. Mas quando se encontra em graça, restaurado pelo amor de Deus, as suas obras luzem diante do Senhor que as vê com agrado.
A solenidade de Pentecostes é a festa da unidade porque a obra da reunificação foi levada a cabo pelo Pai em Cristo na unidade do Espírito Santo. Assim como o Espírito Santo, na intimidade da Trindade, é o “lugar” de encontro do Pai e do Filho, o Espírito Santo é quem nos une a Cristo. A salvação consiste, segundo S. Agostinho, em ser unidos ao Corpo de Cristo (cfr. In Ioann tract. 52, n.6; PL 35,1771) pela ação do Espírito Santo através da Palavra e dos Sacramentos.
Sendo a salvação uma ação do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é também uma realidade que não se dá se nós não a queremos. E para colaborar eficazmente na nossa própria salvação, e na dos demais, o melhor que podemos fazer é ser dóceis à ação do Espírito Santo nas nossas almas. Se perguntarmos qual é a atitude do cristão para com o Espírito Santo, a resposta deveria resumir-se nessa palavrinha: “docilidade”. Deixar Deus agir e surpreender-nos, deixar que ele organize a nossa vida, dê os critérios da nossa maneira de pensar e de querer. Não nos arrependeremos! O cristão tem somente duas opções: ou ser um homem espiritual ou ser um homem carnal, ou ser uma pessoa penetrada pela ação do Espírito Santo que tudo unifica ou ser uma pessoa dispersa pela carne e pelos diversos apetites desse mundo, ou ser filho de Deus na casa do Pai alimentando-se com os manjares da mesa da Palavra e do Corpo e Sangue do Senhor ou ser filho pródigo e contentar-se com o alimento dos porcos. Nós escolhemos! Mas é Deus quem nos salva!

Pe. Françoá Costa

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ascensão do Senhor, ascensão de Jesus Cristo, sétimo domingo da páscoa

7º Domingo da Páscoa Ascensão do Senhor - Ano B 2015 (adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

TEMA: “O Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.”

No Evangelho, Jesus aparece aos discípulos e envia-os em missão, como testemunhas do projeto de salvação de Deus.
Na primeira leitura: Jesus entrou na vida definitiva – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo “caminho” que Jesus percorreu. Os discípulos não podem ficar a olhar para o céu; mas devem continuar o projeto de Jesus.
A segunda leitura: Os discípulos devem caminhar como irmãos ao encontro dessa “esperança”– membros do mesmo “corpo” onde Cristo é a “cabeça”.

10. EVANGELHO (Mc 16,15-20) Conclusão do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado, será salvo. Quem não crer, será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.

AMBIENTE -  O quadro apresenta os discípulos  reagindo de uma forma muito negativa ao fato de Jesus já não estar com eles. Na manhã da ressurreição, eles estavam “em luto e em pranto” (Mc 16,10); depois, receberam o testemunho das mulheres que encontraram Jesus ressuscitado, com incredulidade e com um coração obstinado (cf. Mc 16,14). Num caso e noutro, negam-se a ir em frente e a continuar a aventura que começaram com Jesus. Têm medo de arriscar e preferem ficar a “lamber as feridas”. O encontro com Jesus ressuscitado vai obrigá-los a assumir os seus compromissos como membros da comunidade do Reino.

MENSAGEM - Jesus parte ao encontro do Pai; os discípulos partem ao encontro do mundo, a fim de concretizar a missão que Jesus lhes confiou. A missão dos discípulos destina-se a “todo o mundo”. Depois, Jesus define o conteúdo do anúncio: o “Evangelho”. O que é o “Evangelho”? A palavra “Evangelho” designa o anúncio de que o “Reino de Deus” chegou à vida de todos, trazendo-lhes a paz, a libertação, a felicidade.
Deus veio ao encontro dos homens, manifestou-lhes o seu amor, inseriu-os na sua família, convidou-os a integrar a comunidade do Reino, ofereceu-lhes a vida definitiva. O anúncio do “Evangelho” obriga os homens a uma opção; Quem aderir à proposta que Jesus chegará à vida plena e definitiva; mas quem recusar essa proposta, ficará à margem da salvação. A proposta de salvação que Deus apresenta destina-se a transformar o coração do homem, eliminando o egoísmo e a maldade. O “Evangelho” vai propor uma nova relação do homem com todas as outras criaturas – não pelo egoísmo e pela exploração, mas pelo respeito e pelo amor. Dessa forma, nascerá uma nova humanidade e uma nova natureza. A presença da salvação de Deus no mundo tornar-se-á uma realidade através dos gestos dos discípulos de Jesus. Comprometidos com Jesus, os discípulos vencerão a injustiça e a opressão (“expulsarão os demônios”), serão arautos da paz (“falarão novas línguas”), levarão a esperança e a vida nova a todos os que sofrem e que são prisioneiros da doença e do sofrimento (“os doentes ficarão curados”); e, em todos os momentos, Jesus estará com eles.
A elevação de Jesus ao céu (ascensão) é uma forma de sugerir que, após o cumprimento da sua missão no meio dos homens, Jesus foi ao encontro do Pai e reentrou na comunhão do Pai. Jesus, vivo e ressuscitado, está com eles, coopera com eles e manifesta-Se ao mundo nas palavras e nos gestos dos discípulos. A festa da Ascensão de Jesus é, sobretudo, o momento em que os discípulos tomam consciência da sua missão e do seu papel no mundo.

ATUALIZAÇÃO **- Jesus deixou aos seus discípulos a missão de anunciar o “Reino” ao mundo inteiro e transformá-lo. 
*- O confronto com o mundo gera muitas vezes desilusão, sofrimento, frustração… Nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.
**-. Celebrar a ascensão de Jesus significa tomar consciência da missão confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do "Reino" na vida dos homens.

6. PRIMEIRA LEITURA (At 1,1-11) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, até ao dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. Durante uma refeição, deu lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?” Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

AMBIENTE - Estamos na década de 80. Há uma certa desilusão e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo… O quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. O catequista Lucas avisa que o projeto de salvação e de libertação que Jesus veio apresentar passou para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do “Reino” é uma tarefa que exige o empenho contínuo de todos os crentes.
MENSAGEM - O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. As palavras de despedida de Jesus (vers. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo. O autor quer mostrar que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.
O último tema é o da ascensão (vers. 9-11). Não estamos a falar de uma pessoa que, literalmente, decola da terra e começa a elevar-se; estamos a falar de um sentido teológico (não é o “repórter”, mas sim o “teólogo” a falar): a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.
Temos, depois, a nuvem (vers. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do Criador. Ao mesmo tempo, esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença podem sentir. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.
Temos ainda os discípulos a olhar para o céu (vers. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo.
Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (vers. 10b). O branco sugere o mundo de Deus, o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus.
O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o “caminho” de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.

ATUALIZAÇÃO **-  A ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo “caminho” de Jesus subirá como Ele à vida plena.
8. SEGUNDA LEITURA (Ef 4,1-13) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.
Irmãos, eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude.
AMBIENTE - A Carta É considerada uma “carta de cativeiro”, escrita por Paulo da prisão (em Roma entre 61/63).
Paulo dá pistas aos cristãos acerca da forma como eles devem viver os seus compromissos com Cristo.
MENSAGEM - O nosso texto começa com uma referência ao fato de Paulo estar preso  por causa de Jesus e do Evangelho: são as palavras de alguém que leva tão a sério a proposta de Jesus, que é capaz de sofrer e de arriscar a vida por ela.
A vida nova exige que os crentes vivam unidos em Cristo. Antes de mais, Paulo refere a humildade, pois só ela permite superar o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência que afastam os irmãos e que erguem barreiras de separação; depois, Paulo refere a mansidão, irmã da humildade,; Paulo refere também a paciência, que permite ser tolerante e compreensivo para com as falhas dos irmãos e que permite entender e aceitar as diferentes maneiras de ser e de agir… Em resumo, trata-se de fazer com que a caridade presida às relações que estabelecemos uns com os outros; o amor deve ser sempre o suporte das nossas relações humanas. A unidade é um dom de Deus; mas a sua efetivação depende do esforço de cada irmão: “há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança” na vida a que todos os crentes foram chamados; “há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo; há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos se encontra”. A Trindade é a fonte última e o modelo da unidade que os cristãos devem viver, na sua experiência de caminhada comunitária.
ATUALIZAÇÃO- • A Igreja é um “corpo” – o “Corpo de Cristo”. Naturalmente, todos eles dependem de Cristo (a “cabeça” desse “corpo”) e recebem d’Ele a mesma vida. Formam, portanto, uma unidade… Têm o mesmo Pai (Deus), têm um projeto comum (o projeto de Jesus), têm o mesmo objetivo (fazer parte da família de Deus e encontrar a vida em plenitude), caminham na mesma direção animados pelo mesmo Espírito, têm a mesma missão (dar testemunho no mundo do projeto de amor que Deus tem para os homens). Neste esquema, não fazem sentido as divisões, os ciúmes, as rivalidades, as invejas, os ódios, as divergências que tantas vezes dividem os irmãos da mesma comunidade. Quando os irmãos não se esforçam por caminhar unidos, provavelmente ainda não descobriram os fundamentos da sua fé.
• Para que a unidade seja possível, Paulo recomenda a humildade, a mansidão e a paciência. São atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de preconceito em relação aos irmãos.
• A Igreja é uma unidade; mas é também uma comunidade de pessoas muito diferentes, em termos de raça, de cultura, de língua, de condição social ou econômica, de maneiras de ser... As diferenças legítimas nunca devem ser vistas como algo negativo, mas como uma riqueza para a vida da comunidade; não devem levar ao conflito e à divisão, mas a uma unidade cada vez mais estreita, construída no respeito e na tolerância. A diversidade é um valor, que não pode nem deve anular a unidade e o amor dos irmãos.

Ou esta:
 LEITURA II - Ef 1,17-23 
Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-lO acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

AMBIENTE - Estamos por volta dos anos 58/60. Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente.
Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma ação de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.

MENSAGEM - Paulo une uma fervorosa oração a Deus, para que os destinatários da carta conheçam “a esperança a que foram chamados” (vers. 18). A prova de que o Pai tem poder para realizar essa “esperança” (isto é, conferir aos crentes a vida eterna como herança) é o que Ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-O e sentou-O à sua direita (vers. 20), exaltou-O e deu-Lhe a soberania sobre todos os poderes angélicos (Paulo está preocupado com a perigosa tendência de alguns cristãos em dar uma importância exagerada aos anjos, colocando-os até acima de Cristo – cf. Col 1,6). Essa soberania estende-se, inclusive, à Igreja – o “corpo” do qual Cristo é a “cabeça”. O mais significativo deste texto é, precisamente, este último desenvolvimento. A ideia de que a comunidade cristã é um “corpo” – o “corpo de Cristo” – formado por muitos membros, já havia aparecido nas “grandes cartas”, acentuando-se, sobretudo, a relação dos vários membros do “corpo” entre si (cf. 1 Cor 6,12-20; 10,16-17; 12,12-27; Rom 12,3-8); mas, nas “cartas do cativeiro”, Paulo retoma a noção de “corpo de Cristo” para refletir sobre a relação que existe entre a comunidade e Cristo. Neste texto, em concreto, há dois conceitos muito significativos para definir o quadro da relação entre Cristo e a Igreja: o de “cabeça” e o de “plenitude” (em grego, “pleroma”).
Dizer que Cristo é a “cabeça” da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o “corpo” se articula, a partir do qual e em direção ao qual o “corpo” cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse “corpo”; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência. Dizer que a Igreja é a “plenitude” (“pleroma”) de Cristo significa dizer que nela reside a “plenitude”, a “totalidade” de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse “corpo” onde reside, que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse “corpo”, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos” (vers. 23).

ATUALIZAÇÃO
**-  Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um “corpo” destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse “caminho” do amor e da entrega total que Cristo percorreu.
**-  Dizer que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa também viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida.
Pe. Joaquim - Pe. Barbosa - Pe. Carvalho 



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"Ide e Evangelizai"

Celebramos hoje a festa da ASCENSÃO do Senhor.

Na 1a Leitura, temos o Início dos Atos dos Apóstolos. (At 1,1-11)

Esse livro pretende mostrar, que os ensinamentos e ações de Jesus continuam nos ensinamentos e nas ações da Comunidade cristã…

- 40 dias: É um número simbólico,  É o tempo necessário para aprender e repetir as lições do mestre.

- MISSÃO:  "Sereis minhas testemunhas até os confins da terra..."

- "Elevou-se… e uma nuvem o encobriu...":
   Exprime o Mistério de Deus presente e escondido aos olhos do povo.
- ANJOS: convidam os discípulos não ficar de braços cruzados, olhando para o céu, mas descer seguir o caminho de Jesus.


Lucas, com a Ascensão, termina o seu Evangelho e inicia os Atos dos Apóstolos
A Ascensão não é uma despedida, mas uma nova presença do Mestre, que se manifesta mediante sinais da missão evangelizadora dos discípulos.
O Projeto de salvação e de libertação de Jesus passou para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito.

Na 2ª Leitura, Paulo vê na Ascensão a glorificação de Cristo e o anúncio do retorno de toda a humanidade a Deus. (Ef 1,17-23)

O Evangelho apresenta a Missão dos discípulos no mundo, após a partida de Jesus ao encontro do Pai. (Mc 16, 15-20). O texto é um acréscimo posterior ao evangelho de Marcos.
Narra TRÊS CENAS:

1) Jesus ressuscitado define a MISSÃO dos Discípulos.

- O Conteúdo do anúncio: "Pregai o Evangelho a toda a criatura".

* A Palavra EVANGELHO
- Na boca de Jesus, designa o anúncio do Reino   que suscita a fé e o acolhimento da salvação.
- Para as comunidades cristãs, é o anúncio de um ACONTECIMENTO:
Em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro dos homens, manifestou o seu amor, inseriu-os na sua família.
-  Quem aderir à proposta de Jesus chegará à vida plena e definitiva.
- A obra missionária será acompanhada de Sinais, que atestarão autenticidade e continuidade da ação libertadora do Mestre.
  E enumera sinais da presença do Mestre:   Expulsarão demônios, falarão novas línguas,
  resistirão ao veneno das serpentes, curarão doentes impondo as mãos.

2) Jesus PARTE ao encontro do PAI.
    Jesus sobe ao céu e senta-se à direita de Deus: Mostra a soberania de Jesus, como Senhor da História e do Universo...     Não é o afastamento de Cristo, mas uma nova presença no mundo.

3) Os discípulos PARTEM ao encontro do MUNDO  na ação missionária e não estão sozinhos...
    O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais".


+ A Ascensão de Jesus nos faz lembrar:

- A nossa ascensão: "Ele subiu não para se afastar da nossa humanidade,mas para nos dar a esperança de que um dia... iremos ao seu encontro, onde ele nos precedeu..." (Prefácio)
- A Igreja é uma "Comunidade Missionária", cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação,   que Jesus veio trazer aos homens.


                                  Pe. Antônio

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HOMIIA DO PE. PEDRINHO:

Hoje celebramos a Ascenção do Senhor, Jesus que sobe aos céus de corpo e alma e senta-se à direita do Pai. O Círio, que representa o Cristo ressuscitado, agora é apagado, significando que Ele foi para junto de Deus Pai. Isto não significa distanciar-se de nós, mas levar até Deus Pai a humanidade toda. Jesus continua presente de maneira bastante especial e muitas vezes nós não conseguimos compreender bem. Ele permanece presente no mundo através de nós. Ele é a cabeça e nós formamos o Corpo Místico de Jesus. Portanto, se você quer ver o Cristo ressuscitado, basta olhar para o lado. É evidente que isto exige fé, porque exatamente se eu olho de lado eu vejo alguém, que na minha opinião, está longe de ser a imagem de Jesus Cristo. Entretanto, este é o grande desafio; nos tornarmos imagem, conforme, do mesmo jeito de Jesus e a ajudar que outros também passem a integrar este corpo. Isto quem nos ajuda a entender e a integrar é a Eucaristia. A própria palavra diz: Comunhão, todos juntos, todos numa mão única, em união. A Eucaristia nos ajuda para que pareçamos cada vez mais com Jesus. Quando Jesus vai para junto de Deus Pai, Ele, então, nos revela que também a carne ressuscita. Não é somente a alma que tem vida eterna, mas queremos que também a carne tenha vida eterna. Quando eu comungo Jesus, não é Ele que passa a fazer parte do meu corpo, mas é eu que integro o corpo místico de Cristo. Portanto, Ele que é eternidade, também nos garante vida eterna. Jesus, indo para o Pai, deixa uma última instrução para cada um de nós: ide, e pregai o Evangelho para todos os povos. Não é atoa então, que neste domingo, a Igreja celebra o dia mundial das comunicações sociais, onde o Santo Padre nos propõe como tema; silêncio e palavra na Evangelização. Ele diz: como é que eu posso Evangelizar? No silêncio. Como posso me comunicar? No silêncio. Mas que tipo de silêncio? No silêncio para ouvir o que Deus tem para nos dizer. Então, se colocar no silêncio para ouvir a Palavra de Deus. E depois: como cumprir o mandato de Jesus, “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho”?  É através da comunicação social: através do rádio, através da televisão, do jornal, internet, face book, youtube, aí por diante.  Cada vez mais, a pastoral da comunicação está se colocando como a grande possibilidade de levarmos a frente a Evangelização. O Santo Padre pede para que rezemos pela pastoral da comunicação, exatamente porque não tem sido fácil. Se olharmos para o Brasil, aqueles que procuram trazer, desculpe o pleonasmo, a verdade verdadeira, porque muitas vezes apresentam algo como verdade e não o é, aqueles que procuram trazer a verdadeira verdade, pagam com a própria vida. Volta e meia ouvimos falar de jornalistas que morrem e assim por diante. Por outro lado, temos uma grande deficiência no Brasil; não existe jornalista especializado na Igreja. Você tem especialista em economia, futebol, medicina, mas quando se trata de igreja, eles pedem para qualquer principiante, que não consegue ainda entender a grandeza que é a Igreja. hoje, pelo menos no A B C, temos um padre se especializando em Roma, para tratar a comunicação social como uma ferramenta da Evangelização. Isto nos traz esperança, porque a final de contas, na medida que você tem alguém especializado, fica mais fácil transmitir e passar uma mensagem religiosa. Pode ver, que até a rede globo, que é tida como a melhor emissora, ela não distingue, não sabe o que é uma missa, um terço, uma exéquia, não sabe o que é santo, não sabe o que é Eucaristia, e assim por diante e nos  apresenta tudo como sendo uma grande verdade, a partir do enfoque dela e, muitas vezes, confunde as pessoas. Mesmo aqueles que se colocam nos canais chamados de evangelização, muitas vezes apresenta a liturgia totalmente errada, as pessoas fazendo as coisas como lhe vem na cabeça, e cria-se, assim, uma série de dificuldades exatamente para a própria Igreja, porque eles é que acabam passando para nós algo como se fosse verdadeiro e na realidade não é. Então, nós temos muito a percorrer ainda. É evidente, que esta geração que está chegando hoje, que terá nas mãos todas estas ferramentas. Muitas paróquias já fazem um serviço bom na pastoral de comunicação. É interessante observar, que o mandato de Jesus pode ser realizado fazendo um bom trabalho. Basta ter vontade. É isto que o dia mundial das comunicações nos pede: que tenhamos boa vontade, que a missão será realizada.
Uma última palavrinha que é importante: Jesus diz: “se fizer isto em meu nome, poderá pegar serpente venenosa, escorpião, nada vai te atingir”. Por que? Porque quando nos propomos a anunciar o Evangelho, Deus nos ajuda e acabamos vencendo todas as dificuldades. Inclusive aquelas que parecem impossíveis de serem superadas. Que Deus nos ajude, já que Jesus está sentado à direita do Pai, conduzir toda a humanidade para junto do Pai. Que possamos fazer na terra um verdadeiro reino, que já existe no céu.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.

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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:

LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR).
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
à Senhor, nós Vos agradecemos por nos terdes enviado vosso Filho para nos dar a graça da Vida eterna.
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
àSenhor, Vos louvamos quando elevastes Jesus para junto de Vós, abrindo-nos o caminho para que também possamos ressuscitar e ir para junto de Vós.
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
à Senhor, nosso Deus, Enviai-nos o Espírito Santo para que sejamos iluminados pela Vossa luz e possamos continuar a construção de Vosso Reino, levando o Evangelho a todos nossos irmãos e irmãs.
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
à Senhor, dai-nos  força para que saiamos de nosso egoísmo e saibamos espelhar o vosso amor no mundo.
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
à Senhor, obrigado por nos dar a esperança de uma vida plena e eterna junto a Vós... Pai, vinde sempre em nosso auxílio, pois somos fracos e muitas vezes caímos. Vós sois a nossa força e nosso amparo.
T: ó Deus de bondade, bendito seja o vosso amor por nós.
- - Pai nosso...  A Paz de Cristo...   Cordeiro de Deus...



quarta-feira, 6 de maio de 2015

6º DOMINGO DA PÁSCOA, Homilias dominicais

6º DOMINGO DA PÁSCOA 2015 -  (Adaptado e postado pelo Diácono Ismael)

SINOPSE:

Tema: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”
No Evangelho, Jesus nos chama de amigos, pois nos revelou o amor de Deus. Como amigos, nos pede que testemunhemos o amor do Pai. Através desse testemunho, nasce o Homem Novo.
A primeira leitura: A salvação se destina a todos. Para Deus, o que é decisivo é a disponibilidade para acolher a oferta que Ele faz.
A segunda leitura nos diz que Deus é amor e ser “Filho de Deus” e “conhecer a Deus é deixar-se contagiar com este amor; amor a Deus e amor aos irmãos.

10. EVANGELHO (Jo 15,9-17)  Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardo os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.

AMBIENTE
- A festa da Páscoa está muito próxima e as autoridades tinham decidido eliminar Jesus. A morte é o cenário imediato. Os discípulos estão apreensivos e com medo. É neste contexto que podemos situar a última ceia de Jesus com os discípulos.
MENSAGEM - Nesta despedida de Jesus aos discípulos, João propõe-nos uma catequese onde são apresentadas as principais coordenadas desse “caminho” que os discípulos devem percorrer, após a partida de Jesus deste mundo. João refere-se, de forma especial, à relação de Jesus com os discípulos e à missão que os discípulos serão chamados a desempenhar no mundo.
1. A relação do Pai com Jesus é o modelo da relação de Jesus com os discípulos. O Pai amou Jesus e demonstrou-Lhe sempre o seu amor; e Jesus correspondeu ao amor do Pai, cumprindo os seus mandamentos… Da mesma forma, Jesus amou os discípulos e demonstrou-lhes sempre o seu amor; e os discípulos devem corresponder ao amor de Jesus, cumprindo os seus mandamentos.
2. Jesus cumpriu os “mandamentos” do Pai e apresentou aos homens uma proposta de salvação… Libertou os homens da opressão da Lei, lutou contra as estruturas que escravizavam os homens e os mantinham prisioneiros das trevas; ensinou os homens a viver no amor. Da ação de Jesus nasceu o Homem Novo, livre do egoísmo e do pecado, capaz de estabelecer novas relações com os outros homens e com Deus.
3. Agora os discípulos devem cumprir os “mandamentos” de Jesus como Jesus cumpriu os “mandamentos” do Pai.
4. A proposta de salvação da qual nascerá o Homem Novo resume-se no amor (“é este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei”. Deus faz-Se presente no mundo e age para libertar os homens através desse amor desinteressado, gratuito, total, que tem a marca de Jesus e que os discípulos são chamados a testemunhar.
5. Esta comunidade de homens novos, que ama sem medida, é a comunidade dos “amigos” de Jesus. Têm todos a mesma missão (testemunhar, através do amor, a salvação de Deus) e são todos responsáveis para que a missão se concretize. Jesus revela Deus aos “amigos”, não através de enunciados sobre o ser de Deus, mas mostrando, com a sua pessoa e a sua atividade, que o Pai é amor sem limites e trabalha em favor do homem.
6. Jesus não quer constituir uma comunidade fechada, isolada, voltada para si própria, mas uma comunidade que vá ao encontro do mundo, que continue a sua obra, que testemunhe o amor, que leve a todos os homens o projeto libertador e salvador de Deus. Quanto mais forte for a intensidade do vínculo que une os discípulos a Jesus, mais frutos nascerão da ação dos discípulos. Nessa ação, os discípulos não estarão sozinhos. O amor do Pai e a união com Jesus sustentarão os discípulos.
7. O amor partilhado é a condição para estar vinculado a Jesus e para dar fruto.

ATUALIZAÇÃO • As palavras de Jesus aos discípulos deixam claro que Jesus estará sempre com eles.
• Fazer parte da comunidade dos “amigos” de Jesus não é ficar “a olhar para o céu”, contemplando e admirando Jesus; mas é colaborar na missão que o Pai Lhe confiou e que consiste em testemunhar no mundo o projeto salvador de Deus para os homens. Compete a nós, os “amigos” de Jesus, eliminar o sofrimento, o egoísmo, a miséria, a injustiça, tudo o que oprime e escraviza os irmãos; compete-nos sermos arautos da justiça, da paz, da reconciliação, do amor.
• Os cristãos são aqueles que testemunham diante do mundo, com palavras e com gestos, que o mundo novo que Deus quer oferecer aos homens, se constrói através do amor.

6. PRIMEIRA LEITURA (At 10,25-26.34-35.44-48) Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Quando Pedro estava para entrar em casa, Cornélio saiu lhe ao encontro, caiu a seus pés e se prostrou. Mas Pedro levantou-o, dizendo: “Levanta-te. Eu também sou apenas um homem”. Então, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.” Pedro estava ainda falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra. Os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os pagãos. Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro falou: “Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?” E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Eles pediram, então, que Pedro ficasse alguns dias com eles.

AMBIENTE -
O tema central desta seção é a chegada do cristianismo aos pagãos.  No centro está Cornélio, um centurião romano, que era “piedoso e temente a Deus”. Como resultado desse anúncio, dá-se a conversão de Cornélio e de toda a sua família. 
MENSAGEM - Pedro anuncia Jesus, a sua morte, a sua ressurreição e a dimensão salvífica da ação de Jesus. É este o anúncio que Jesus encarregou os primeiros discípulos de testemunharem ao mundo inteiro.  Pedro reconhece que “Deus não faz acepção de pessoas; em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável”. Portanto, o anúncio sobre Jesus deve chegar a todos os cantos da terra.
ATUALIZAÇÃO - • A salvação é um dom destinado a todos. Ela só não chega àqueles que se fecham no orgulho e na auto-suficiência, recusando os dons de Deus.
• O Deus que derrama sobre todos a sua salvação convida-nos a não discriminar “bons” e “maus”, “santos” e “pecadores”; temos de acolher e amar a todos, independentemente da raça, cor da sua pele, da sua origem, da preparação cultural, do seu lugar na escala social.
• Aqueles a quem foi confiada a responsabilidade de presidir, de coordenar, devem sentir-se “instrumentos de Deus. A sua missão é testemunhar Jesus e não procurar privilégios.

8. SEGUNDA LEITURA (1Jo 4,7-10) Leitura da Primeira Carta de São João.
Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.

AMBIENTE
- Carta às certas seitas heréticas. Uma dessas questões é a questão do amor ao próximo. Os pré-gnósticos achavam que se podia descobrir “a luz” e estar próximo de Deus, mesmo odiando o próximo. A essência de Deus é amor; ninguém pode dizer que está em comunhão com Ele se não se deixou contagiar pelo amor.
MENSAGEM - A prova  de que Deus é amor é o fato de Ele ter enviado o seu único Filho ao encontro dos homens, para os libertar do egoísmo, do sofrimento e da morte. Mais ainda: esse amor derrama-se sobre o homem mesmo quando ele segue caminhos errados e recusa Deus e as suas propostas. O amor de Deus é um amor incondicional, gratuito, desinteressado, que não exige nada em troca. Ora, se Deus é amor, o amor deve ser uma realidade sempre presente na vida dos “filhos de Deus. Quem “conhece” Deus tem de manifestar em gestos concretos essa vida de amor que lhe enche o coração. Ser “filho de Deus” e viver em comunhão com Deus exige que o amor transpareça nos gestos de todos os dias e nas relações que estabelecemos uns com os outros.

ATUALIZAÇÃO • “Deus é amor”. O autor da Primeira Carta “viu” o que aconteceu com Jesus e como Jesus mostrou, em gestos concretos, esse incrível amor de Deus pela humanidade.

• “Nascer de Deus” é receber vida de Deus e deixar que a vida de Deus circule em nós e se transforme em gestos. Não somos “filhos de Deus” porque um dia fomos batizados, mas somos “filhos de Deus” porque um dia optamos por Deus, porque continuamos dia a dia a acolher essa vida que Ele nos oferece e porque damos testemunho desse Deus que é amor através dos nossos gestos.

• Um crente não pode passar a vida a olhar para o céu, ignorando as dores, as necessidades e as lutas dos irmãos que caminham pela vida ao seu lado…

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"Amai-vos como eu vos amei"

A liturgia nos convida a contemplar o amor de Deus, manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus.

Na 1ª Leitura (At 10,25-26.34-35.44-48)

* A salvação oferecida por Deus através de Jesus e levada ao mundo pelos discípulos, se destina a todos os homens, que tem um coração aberto às propostas de Deus..

Na 2ª leitura, João afirma que "Deus é amor". (1 Jo 4,7-10)

* - O amor que se revela na doação de Cristo por nós e
   - o amor que devemos praticar para com os "filhos de Deus".
      Se Deus é amor, o amor deve estar presente na vida dos "filhos de Deus".

No Evangelho, Jesus mostra a missão dos discípulos: Testemunhar o amor de Deus aos homens. (Jo 15,9-17)

O texto faz parte do Discurso da Despedida na última ceia.
São as últimas recomendações aos seus "amigos", antes de partir.

A relação do Pai com Jesus é modelo da relação de Jesus com os discípulos.
O Pai amou Jesus e demonstrou-lhe sempre o seu amor; e Jesus correspondeu ao amor do Pai, cumprindo os seus mandamentos…
Da mesma forma, Jesus demonstrou sempre o seu amor aos discípulos; e eles devem corresponder ao amor de Jesus, cumprindo os seus mandamentos.

- O mandamento do amor é a raiz de toda vida cristã.


+ Os discípulos são "amigos" de Jesus. "Já não vos chamo servos, mas amigos..."

Amigo é muito mais de que um servo, um colaborador, é um confidente, com o qual existe uma comunhão de vida, de planos e ideais...

+ A Iniciativa é de Jesus:"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi".
  
* O Amor partiu dele, não de nós.
Desse amor, nasce a vitalidade da sua Missão.
Baseada nisso, a resposta dos discípulos se torna fecunda em frutos duradouros. Conseqüentemente, a oração deles ao Pai também será ouvida, porque feita em nome de Cristo.

+ A Igreja é a "comunidade de amigos", que acolhem o convite de Jesus e colaboram na missão
de testemunhar ao mundo o Amor do Pai, com alegria e entusiasmo.
O melhor testemunho da Boa nova é nossa comunhão (comum união).

+ Os "amigos de Jesus" devem amar COMO ele amou.
A prova concreta que amamos é a observância dos Mandamentos:
"Quem me ama, guarda os meus mandamentos: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei".
  - Amar como ele, é amar também os "amigos" de Jesus...
  * O Amor é a base e o fundamento do cristão; sem amor não há cristão, nem cristianismo.

- O amor fundado em Cristo supera as divergências, elimina o egoísmo, as rivalidades, as discórdias.

 "Onde existe o amor e a caridade, Deus aí está!"
 
                                          Pe. Antônio


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HOMILIA DO PE. PEDRINHO

Nós nos alegramos com todas as mães. Hoje somos convidados a homenagear as nossas mães.
Antes, precisamos contemplar as palavras que Deus nos dirige neste sexto domingo da Páscoa, em que, podemos dizer, Jesus nos apresenta o seu testamento espiritual, as últimas recomendações. Domingo que vem vamos celebrar Jesus que volta ao Pai, a ascensão do Senhor. No outro domingo Ele vai nos enviar o Espírito Santo, a festa de Pentecostes. Ele diz com muita simplicidade: meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros. Já não vos chamo servos, mas amigos. Porque eu vos dei a conhecer tudo o que o meu Pai me ensinou. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos amigos. É muito interessante observar a preocupação de Jesus e explicar de maneira simples e direta qual é o seu desejo; que nos amemos uns aos outros. É muito interessante  observar que Ele não diz: ame a mim. Muitas vezes não temos dificuldade de amar a Jesus, mas temos dificuldade de amar o irmão. E aí a segunda leitura vai dizer: quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o irmão que vê, é um mentiroso. Estas são palavras para nos ajudar a refletir até onde eu sigo o mandamento deixado por Jesus. Então é aí que paramos para observar algo importante. Jesus no Evangelho de São João, não é o Evangelho de hoje, lá no final, ele vai dizer a Pedro; tu sabes que Eu te quero bem. Há uma diferença profunda em amar e querer bem; querer bem um sentimento por amizade, porque de fato você tem um carinho especial por aquela pessoa. Querer bem é uma atitude que não exige fé. Exige empatia. empatia é o contrário de antipatia. Você diz; que pessoa antipática, não fui com a cara dela. É um sentimento humano que as pessoas tem. Você pode ter simpatia ou antipatia por alguém. A partir daí, você vai querer bem ou não aquela pessoa.  Amar é algo mais profundo. Amar é querer que a outra pessoa cresça, independente se seu acho a pessoa simpática ou não. Independente se eu tenho amizade com ela ou não. Quem ama, promove aquele que está ao lado, independente se eu conheço. O amor nos leva a ser solidário, justo, nos alegramos quando a pessoa progride, cresce, independente se ela me é simpática ou não. Então, a resposta de São Pedro não alegrou muito a Jesus. Pedro, tu me amas? Senhor, tu sabes que eu te quero bem. Aí, Jesus pergunta pela segunda vez; Pedro, tu me amas? Ele diz: senhor, tu sabes que eu te quero bem. Então, Jesus diz; não tem jeito. Eu preciso mostrar para ele o que eu estou perguntando. Pedro, tu me queres bem? Aí, São Pedro percebeu a diferença e começou a chorar; Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo. Pronto. Aí ele entendeu. Então, nós percebemos que Pedro tinha certa dificuldade de perceber as coisas. Aí a gente vai dizer: que fulano burro é esse? Pedro está relatado aí, não é para ser julgado, mas para servir de espelho. Eu amo Jesus ou quero bem Jesus? Esta é a pergunta. Porque é fácil julgar o Pedro. Agora, não é tão fácil dizer; Jesus, eu te amo. Porque para amar a Jesus, tem que amar o irmão. É esta a dificuldade. Por outro lado, nós vamos percebendo a atitude de Deus; Deus sempre transmitiu seu amor para a humanidade. Mas, na medida que o ser humano não compreende, Ele vai abaixando, a um ponto que Ele se torna ser humano, para poder comunicar-se com os homens. Então, Ele das altura, vai chegando, até armar sua morada entre nós. É assim que compreendemos Deus que se faz homem. Deus se faz homem para poder se comunicar com a humanidade, porque de outra forma o humano não entende Deus. Então, Deus vai procurando simplificar mais a sua comunicação para o ser humano compreender. Aí, vamos perceber como Deus vai se diminuindo, vai se rebaixando. Esta é a atitude de amor de Deus para com o ser humano. Agora, eu falo por mim; eu tenho certeza que Deus me ama, mas eu não consigo corresponder à altura esse amor de Deus. Porque a atitude do ser humano não é se rebaixar, mas é de se elevar para poder se encontrar com Deus.  E nem sempre nós fazemos isto. Então, meus irmãos e irmãs, é a partir daí que nós vamos perceber a presença dos sacramentos. Deus, através de Jesus Cristo, busca recursos para nos amparar, para estar presente entre nós, para nos ajudar a crescer cada vez mais. É sabido de todos, que é verdade, que o batismo abre as portas da comunidade para nós, mas a Eucaristia que nos torna o Corpo de Cristo. De tal maneira, e isto todos os domingos, nós nos unimos através da Eucaristia. É Jesus Cristo que nos convoca, é ele que nos convida a sentarmos ao redor da sua mesa, mas é Ele que se dá como alimento para que possamos viver unidos. Então, não é possível eu não praticar o amo, eu estaria comungando a condenação se eu comungo e não me uno ao irmão ou irmã. Então, este é o exercício da comunidade; ela se torna um sinal do desejo de Deus, que toda a humanidade se torne uma única família. Unindo Deus e a partir de Deus. Aí é evidente que temos também o Espírito Santo para nos ajudar. Então, é interessante observar que a primeira leitura mostra que o Espírito Santo, que nós celebramos na Crisma, veio antes do batismo. Olha o que São Pedro diz: como é possível negar o batismo para estes que receberam o Espírito Santo? Então veja, que Deus não mede esforços e nem escolhe um único caminho para ajudar as pessoas a descobrir o seu amor.

Creio que agora dá para falar com as mães. A mãe não mede esforços para se comunicar com seu filho. Às vezes, tem que falar errado, tem que brincar de casinha com a filha, tem que brincar de carrinho com o filho, para poder comunicar-se, para poder fazer companhia para esta criança. Este é um gesto de Deus. Então, quando agente percebe esta atitude da mãe, agente vai se lembrar do diálogo de Jesus com São Pedro, vai se lembrar de Deus que se faz homem. Ontem uma mãe me dizia; por que a imagem que transmite da mãe, é sempre de uma criança pequena? Pois, depois que cresce é  que dá mais trabalho para se comunicar. Aí é que está. A mãe sempre quando ama, nos traz a imagem de Deus. Mas existe muita mãe que ainda não percebeu a necessidade de transmitir o seu amor para seus filhos. Quando agente não aprende o amor, agente não consegue encontrar Deus. Quando não existe Deus em nossa vida, agente acaba agindo por instinto e não como ser humano imagem e semelhança de Deus. De toda forma, é um grande desafio para a sociedade, a transformação de um mundo violento, para um mundo de amor. Vocês, mães, não desanimem. O seu sinal de amor no mundo, ajuda a descobrir e encontrar Deus. Que todos possamos ser sinal deste amor de Deus e ajudar a sociedade a transformar-se. Muitos ainda não experimentaram o amor e por isso agem com violência; assassinato, roubo, desrespeito ao outro. Então, o trabalho de vocês é muito importante. É cansativo, certamente. Nossa Senhora, com certeza, pode nos ajudar. Ajudar as mães e ajudar a cada um de nós, a transmitir o amor, porque ela é sinal do amor, ao ponto que gerou Jesus ao mundo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

PE. PEDRINHO.


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PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA:
LOUVOR - COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO, LOUVEMOS AO PAI:
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
à Senhor, nosso Deus, bendito e louvado sejais pelo vosso grande amor por nós. Ajudai-nos a amar a todos os vossos filhos e filhas.
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
à Senhor, agradecemos por nos enviar Vosso Filho para nos dar Nova vida. Pai, ajudai-nos em nossa missão de anunciar Jesus através de nossos gestos e palavras.
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
à Senhor, enviai-nos a força do Espírito Santo para que possamos fazer a vossa vontade e que o Vosso Reino venha a nós.
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
à Pai, dai-nos força para que não caiamos no egoísmo e no desânimo. Fortificai a nossa vontade para que saibamos amar como Jesus amou.
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
à Senhor, santificai-nos para que possamos ser exemplo de partilha, compreensão e perdão.
T: Ó Deus de amor, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.