quinta-feira, 18 de julho de 2019

16º Domingo do Tempo Comum ano C, homilias, subsídios homiléticos


16º Domingo do Tempo Comum (Adaptado pelo Diácono Ismael)

Tema: Hospitalidade e acolhimento.
Primeira leitura:  Abraão encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus.
Evangelho: Maria senta-se aos pés do Senhor e escuta a sua palavra.  
Segunda leitura: Para Paulo, o que é necessário é “acolher Cristo” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.

PRIMEIRA LEITURA (Gn 18, 1-10a) Leitura do Livro do Gênesis.
Naqueles dias, o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. Levantando os olhos, Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra. E disse: “Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Eles responderam: “Faze como disseste”. Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: “Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os”. Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado e pôs tudo diante deles. Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles, debaixo da árvore, enquanto comiam. E eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, tua mulher?”. “Está na tenda”, respondeu ele. E um deles disse: “Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho”.

AMBIENTE - Os capítulos 12-36 do Livro do Génesis são um conjunto de textos sem grande unidade e sem carácter de documento histórico ou de reportagem jornalística de acontecimentos. Fundamentalmente, estamos diante de uma mistura de “mitos de origem” (que narravam a chegada de um “fundador” a um determinado local e a tomada de posse daquela terra), de “lendas cultuais” (que relatavam como um deus qualquer apareceu em determinado local a um desses “fundadores” e como esse lugar se tornou um local de culto) e de relatos onde se expressa a realidade da vida nómada durante o segundo milénio antes de Cristo.
Na origem do texto que hoje nos é proposto como primeira leitura está, provavelmente, uma antiga “lenda cultual” que narrava como três figuras divinas tinham aparecido a um cananeu anônimo junto do carvalho sagrado de Mambré (perto de Hebron), como esse cananeu os tinha acolhido na sua tenda e como tinha sido recompensado com um filho pelos deuses (Mambré é um famoso santuário cananeu, já no terceiro milénio a.C., muito antes de Abraão aí ter chegado). Mais tarde, quando Abraão se estabeleceu nesse lugar, a antiga lenda cananaica foi-lhe aplicada e ele passou a ser o herói desse encontro com as figuras divinas. No séc. X a.C. (reinado de Salomão), os autores jahwistas recuperaram essa velha lenda para apresentar a sua catequese.

MENSAGEM - Qual é, então, a proposta catequética que os autores jahwistas querem fazer passar, servindo-se dessa velha “lenda cultual”?
No estado atual do texto, a personagem central é Abraão. É esta figura que os catequistas jahwistas vão apresentar aos israelitas da época de Salomão, como um modelo de vida e de fé.
O texto apresenta-nos Abraão “sentado à entrada da sua tenda, na hora de maior calor do dia” (vers. 1). De repente, aparecem três homens diante de Abraão (vers. 2). Abraão convida-os a entrar; não se limita a trazer-lhes água para lavar os pés, mas improvisa um banquete com pão recentemente cozido, com um vitelo “tenro e bom” do rebanho, com manteiga e leite; depois, fica de pé junto deles, na atitude do servo sempre vigilante para que nada falte aos convidados (vers. 3-8): é a lendária hospitalidade nómada no seu melhor.
Abraão é, assim, apresentado, como o modelo do homem íntegro, humano, bondoso, misericordioso, atento a quem passa e disposto a repartir com ele, de forma gratuita, aquilo que tem de melhor.
Terminada a refeição, é anunciada a Abraão a próxima realização dos seus anseios mais profundos: a chegada de um filho, o herdeiro da sua casa, o continuador da sua descendência (vers. 9-10). Aparentemente, o dom do filho é a resposta de Deus à ação de Abraão: o catequista jahwista pretende dizer que Deus não deixa passar em claro, mas recompensa uma  tal atitude de bondade, de gratuidade, de amor.
O texto apresenta, complementarmente, a atitude do verdadeiro crente face a Deus. Ao longo do relato – sem que fique expresso se Abraão tem ou não consciência de que está diante de Deus – transparece a serena submissão, o respeito, a confiança total (num desenvolvimento que, contudo, não aparece na leitura que nos é proposta, Sara ri diante da “promessa”; mas Abraão conserva-se em silêncio digno, sem manifestar qualquer dúvida – vers. 10b-15): tais são as atitudes que o crente israelita é convidado a assumir diante desse Deus que vem ao encontro do homem.
Atente-se, também, na sugestiva imagem de um Deus que irrompe repentinamente na vida do homem, que aceita entrar na sua tenda e sentar-Se à sua mesa, constituindo-Se em comunidade com ele. Por detrás desta imagem, está o significado do comer em conjunto: criar comunhão, estabelecer laços de família, partilhar vida. O jahwista apresenta, assim, um Deus dialogante, que quer estabelecer laços familiares com o homem e estabelecer com ele uma história de amor e de comunhão.
O catequista jahwista aproveitou a velha “lenda cultual” e a figura inspirativa de Abraão para apresentar aos homens do seu tempo o modelo do crente: ele é aquele a quem Deus vem visitar, que o acolhe na sua casa e na sua vida de forma exemplar, que coloca tudo o que possui nas mãos de Deus e que manifesta, com o seu comportamento, a sua bondade, a sua humanidade, a sua confiança e a sua fé; ele é aquele que partilha o que tem com quem passa e cumpre em grau extremo o sagrado dever da hospitalidade. A realização dos anseios mais profundos do homem é a recompensa de Deus para quem age como Abraão.

ATUALIZAÇÃO • Cada vez mais, o sagrado sacramento da hospitalidade está em crise, pelo menos na nossa civilização ocidental. O egoísmo, o fechamento, o “salve-se quem puder”, o “cada um que se meta na sua vida”… parecem marcar cada vez mais a nossa realidade. No entanto, são cada vez mais as pessoas perdidas, não acolhidas, que têm por teto os buracos das nossas cidades… De África, do Leste da Europa, da Ásia, da América Latina, chegam todos os dias à fronteira da “fortaleza Europa” bandos de deserdados, que procuram conquistar, com sangue, suor e lágrimas, o direito a uma vida minimamente humana. Que fazer por eles? Como os acolhemos: com indiferença e agressividade, ou com a atitude humana e misericordiosa de Abraão? Temos consciência de que, em cada irmão deserdado, é Deus que vem ao nosso encontro?
• É com atenção, com bondade, com respeito, que as pessoas são acolhidas na nossa família, na nossa comunidade cristã, nas nossas repartições públicas, nas urgências dos nossos hospitais, nas recepções das nossas igrejas, nas portarias das nossas comunidades religiosas?
• A atitude de Abraão face a Deus é, também, questionante, numa época em que muita gente vê em Deus um concorrente ou um rival do homem… Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que aceita viver em comunhão com Ele, que aceita pôr tudo o que tem nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de respeito, de submissão, de total confiança. Qual é a atitude que marca, dia a dia, a nossa relação com Deus?

SALMO RESPONSORIAL / 14 (15)
Senhor, quem morará em vossa casa?
• É aquele que caminha sem pecado / e pratica a justiça fielmente; / que pensa a verdade no seu íntimo / e não solta em calúnias sua língua.
• Que em nada prejudica o seu irmão, / nem cobre de insultos seu vizinho; / que não dá valor algum ao homem ímpio, / mas honra os que respeitam o Senhor.
• Não empresta o seu dinheiro com usura, / nem se deixa subornar contra o inocente. / Jamais vacilará quem vive assim!

EVANGELHO (Lc 10, 38-42) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, Jesus entrou num povoado e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

AMBIENTE - Este episódio situa-nos numa aldeia não identificada, em casa de duas irmãs (Marta e Maria). Estas duas irmãs são, provavelmente, as mesmas Marta e Maria, irmãs de Lázaro, referidas em Jo 11,1-40 e Jo 12,1-3. Se assim for, a ação passa-se em Betânia, uma pequena aldeia situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de 3 quilómetros de Jerusalém. Continuamos, de qualquer forma, a percorrer esse “caminho de Jerusalém”, durante o qual Jesus vai revelando aos seus discípulos os projetos do Pai e os vai preparando para o testemunho do Reino.

MENSAGEM - Estamos no contexto de um banquete. Não se diz se havia muitos ou poucos convidados; o que se diz é que uma das irmãs (Marta) andava atarefada “com muito serviço” (vers. 40), enquanto a outra (Maria) “sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (vers. 39). Marta, naturalmente, não se conformou com a situação e queixou-se a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vers. 41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que, com este episódio, Lucas nos quer apresentar: a Palavra de Jesus deve estar acima de qualquer outro interesse.
Há, neste texto, um pormenor que é preciso pôr em relevo. Diz respeito à “posição” de Maria: “sentada aos pés de Jesus”. É a posição típica de um discípulo diante do seu mestre (cf. Lc 8,35; At 22,3). É uma situação surpreendente, num contexto sociológico em que as mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições. Lucas (que, na sua obra, procura dizer que Jesus veio libertar e salvar os que eram oprimidos e escravizados, nomeadamente as mulheres) mostra, neste episódio, que Jesus não faz qualquer discriminação: o fato decisivo para ser seu discípulo é estar disposto a escutar a sua Palavra.
Muitas vezes, este episódio foi lido à luz da oposição entre ação e contemplação; no entanto, não é bem isso que aqui está em causa… Lucas não está, nesta catequese, a explicar que a vida contemplativa é superior à vida ativa; está é a dizer que a escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não significa que o “fazer coisas”, que o “servir os irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.

ATUALIZAÇÃO •  Para ganhar uns minutos, arriscamos a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito da manhã vezes incontáveis para ganhar uns metros, passamos semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para quem nem olhamos, chegamos a casa derreados, enervados, vencidos pelo cansaço e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou de lhes ler uma história e dormimos algumas horas com a consciência de que amanhã tudo vai ser igual… Claro que estas são as exigências da vida moderna; mas, como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para nos sentarmos aos pés de Jesus e escutarmos o que Ele tem para nos propor?
• Nas nossas comunidades cristãs e religiosas, encontramos pessoas que fazem muitas coisas, que se dão completamente à missão e ao serviço dos irmãos, que não param um instante… É óptimo que exista esta capacidade de doação, de entrega, de serviço; mas não nos podemos esquecer que o ativismo desenfreado nos aliena, nos massacra e asfixia. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “ruminar” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança. Sem isso, facilmente perdemos o sentido das coisas e o sentido da missão que nos é proposta; sem isso, facilmente passamos a agir por nossa conta, passando ao lado do que Deus quer de nós.
• Esta época do ano – tempo de férias, de evasão, de descanso – é um tempo privilegiado para invertermos a marcha alienante que nos massacra. Que este tempo não seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro conosco, com a nossa família, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A oração e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa existência.
• Qual é a nossa perspectiva da hospitalidade e do acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, a sentar a pessoa no sofá, a ligar a televisão para que ela se entretenha sozinha, e a correr para a cozinha para lhe preparar um banquete opíparo; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar atenção àquele que veio ao nosso encontro, escutá-lo, partilhar com ele, a fazê-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente…
• A atitude de Jesus – que, contra os costumes da época, aceita Maria como discípula – faz-nos, mais uma vez, pensar nas discriminações que, na Igreja e fora dela, existem, nomeadamente em relação às mulheres. Fará algum sentido qualquer tipo de discriminação, à luz das atitudes que Jesus sempre tomou?

SEGUNDA LEITURA (Cl 1, 24-28) Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses.
Irmãos, alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar na minha própria carne o que falta às tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja. A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude: o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. A estes Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo em vós, a esperança da glória. Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo.

AMBIENTE - Continuamos com a leitura dessa Carta aos Colossenses que já vimos no passado domingo. Recordemos que é uma carta escrita por Paulo da prisão (em Roma), convidando os habitantes da cidade de Colossos (Ásia Menor) a não darem ouvidos a esses doutores para quem a fé em Cristo devia ser complementada com o culto dos anjos, com rituais legalistas, com práticas ascéticas rigoristas e com a observância de certas festas… Para Paulo, o único necessário é Cristo: a sua vida, o seu testemunho, a sua cruz (o dom da vida por amor) e a sua ressurreição. Estamos por volta dos anos 61/63.
O texto que nos é proposto inicia a parte polémica da carta. Nele, Paulo apresenta o seu próprio exemplo, para que ele sirva de estímulo aos Colossenses.

MENSAGEM - Qual é, então, o exemplo que o apóstolo quer propor aos cristãos de Colossos? É um exemplo de alguém que, a partir da sua conversão, se alheou de tudo o resto, fez de Cristo a referência fundamental e se preocupou apenas em pôr a sua vida ao serviço de Cristo.
Ao longo do seu caminho de missionário, Paulo sofreu muito para levar a proposta de salvação a todos os homens, sem exceção (cf. 2 Cor 11,23-29). Inclusive, no momento em que escreve, Paulo está prisioneiro por causa do anúncio do Evangelho. No entanto, o apóstolo sente-se feliz pois sabe que esses sofrimentos não foram em vão, mas deram frutos e levaram muita gente a descobrir Jesus Cristo e a sua proposta de libertação.
Mais ainda: os sofrimentos de Paulo completam “o que falta à paixão de Cristo, em favor do seu corpo que é a Igreja”. Que significa isto? Para uns, Paulo refere-se à união da Igreja/corpo com o Cristo/cabeça: uma vez que a cabeça (Cristo) sofreu, os membros devem sofrer também para partilhar a sorte que a cabeça suportou. Esta explicação põe em relevo a união dos cristãos com Cristo e dos cristãos entre si.
Para outros, Paulo refere-se à ação redentora de Jesus: para Jesus, a redenção significou a cruz e o dom da vida; se os apóstolos aceitam ser testemunhas da redenção, isso implica, também para eles, o dom da vida (que passa pela perseguição e pelo sofrimento). Esta explicação põe em relevo a unidade do ministério de Cristo e dos apóstolos e a necessidade do testemunho apostólico. Esta explicação – que aparece já nos Padres Gregos – é a que está mais de acordo com o contexto.
De resto, Paulo tem consciência de que foi chamado por Cristo a anunciar o “mistério” (“mystêrion” – vers. 26). Esta palavra (que a “Lumen Gentium” retomará para definir a Igreja e a sua missão no mundo – cf. LG 1) designa, em Paulo, o plano salvador de Deus, escondido aos homens durante séculos, revelado plenamente na vida, na ação e nas palavras de Jesus Cristo e continuado pelos discípulos de Jesus (Igreja) na história. O esforço de Paulo (e dos cristãos em geral) deve ir no sentido de continuar a apresentação desse projeto de salvação/libertação que traz a vida em plenitude aos homens de toda a terra.
Paulo convida, pois, os Colossenses a construir a sua vida à volta de Jesus e do seu projeto (mesmo que isso implique sofrimento e perseguição); com o seu exemplo, Paulo estimula-os a uma comunhão cada vez mais perfeita com Cristo, pois é em Cristo (e não nos anjos, ou nas prática legalistas, ou nas práticas ascéticas) que os crentes encontrarão a salvação e a vida em plenitude.

ATUALIZAÇÃO - • Paulo é, para os crentes, uma das figuras mais questionantes da história do cristianismo. É o cristão de “vistas largas”, que não se deixa amarrar pelas coisas secundárias, mas sabe discernir o essencial e lutar por aquilo que é importante… Mas, sobretudo, é o exemplo do apóstolo por excelência, do apóstolo para quem Cristo é tudo e que põe cada batida do seu coração ao serviço do Evangelho e da libertação dos homens. É com o mesmo empenho de Paulo que eu “agarro” a missão que Cristo me confiou? Como é que a nossa comunidade trata e considera esses irmãos que, tantas vezes escondidos atrás da sua simplicidade e humildade, dão a vida à causa do Evangelho e da libertação dos outros?
• A centralidade que Cristo assume na experiência religiosa de Paulo leva-o à conclusão de que Cristo basta e que tudo o resto assume um valor relativo (quando não serve, até, para “desviar” os crentes do essencial). Que valor ocupa Cristo na minha experiência de fé? Ele é a prioridade fundamental, ou há outras imagens ou ritos que chegam a ocupar o lugar central que só pode pertencer a Cristo?

Dehonianos
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Marta e Maria...

A Liturgia de hoje nos convida a refletir
sobre a HOSPITALIDADE e o Acolhimento.
Toda vez que nos reunimos para celebrar a Eucaristia,
o Senhor nos acolhe como hóspedes em sua casa e
nos oferece a "melhor parte": a sua Palavra e o Pão da vida.

As leituras apresentam pessoas, que acolheram o Senhor...

Na 1a Leitura, ABRAÃO acolhe os mensageiros de Deus. (Gn 18,1-10a)

Abraão está sentado à porta de sua tenda em Mambré,
atento a quem passa e disposto a repartir com ele,
de forma gratuita, aquilo que tem de melhor...
Ao ver três homens, que se aproximam, o Patriarca corre ao encontro deles
e oferece-lhes com insistência hospedagem.
No final da refeição, como recompensa pela generosa hospitalidade,
recebe a promessa de um filho, apesar da idade avançada de Abraão e Sara.
Era o que mais desejava na vida... Seria o herdeiro das Promessas...
Antiga tradição cristã viu nestes três personagens,
dos quais só um fala, misteriosa figura da Trindade...

* Todos somos peregrinos procurando pousada no coração das pessoas,
que podem ser o próprio Deus que nos pede um pouco do nosso tempo.

Na 2a Leitura, PAULO apresenta o próprio exemplo:
acolheu em sua vida Cristo, que deu sentido à sua vida e sua missão:
"É Cristo crucificado que vive em mim" (Cl 1,24-28)

 * Missão do ministro é acolher o povo em seu coração
para que se sinta acolhido, amado e valorizado.
As pessoas não procuram tanto na Igreja uma boa organização,
mas serem ouvidas e receberem palavras que comuniquem o Amor de Deus.

No Evangelho, MARTA e MARIA acolhem Jesus em sua casa. (Lc 10,38-42)

- MARTA preocupa-se com os trabalhos
  para acolher bem o visitante em sua CASA.
- MARIA, pelo contrário, SENTA-SE aos pés do Mestre
  (posição típica de um discípulo diante do seu Mestre)
  e acolhe a Palavra de Jesus em seu CORAÇÃO...

Duas formas sinceras de acolher... mas diante da reclamação de Marta,
Jesus afirma que a atitude de Maria lhe era mais agradável,
pois a escuta da sua palavra é o ponto de partida na caminhada da fé.

A Hospitalidade é um gesto sagrado desde o Antigo Testamento...
Não é só abrir a porta da casa, mas é também abrir os ouvidos e o coração,
para dar a nossa atenção àquele que veio ao nosso encontro.
Durante o diálogo, Maria permanece em silêncio,
sinal de meditação e interiorização da Palavra de Deus.
- Marta acolhe em sua casa um AMIGO muito querido...
- Maria acolhe o MESTRE que tem palavras de Vida...
- Paulo hospeda o REDENTOR, que redime os homens de seus pecados...
- Abraão acolhe naqueles viajantes o próprio DEUS...

Quem são as Martas e Marias, HOJE?

- Na Vida Prática: Você valoriza mais as pessoas,
  ou as coisas, os trabalhos, a casa, os negócios?

- Na Família...
   > Você, Esposa, costuma acolher com carinho, com atenção e com sorriso
      o seu esposo que chega cansado do trabalho ou
      o seu filho que retorna da escola?
   > Você, Marido, mesmo cansado, escuta com interesse, sua esposa
      que deseja lhe contar como foi o dia?
   > E você, Jovem, sabe dar a devida atenção a seus pais,
      que trabalham o dia todo por você?

- Na Comunidade...Você encontra tempo para "sentar aos pés de Jesus
  e escutar a sua palavra"? Ou apenas se satisfaz em "fazer coisas"?
  Fato decisivo para ser "Discípulo" de Cristo,
  é estar disposto a escutar a sua Palavra...

- Na Sociedade... Você tem tempo para parar e escutar os que chegam até você, 
  reconhecendo neles a voz de Cristo (ou a visita de Deus)?
  Ou apenas se contenta em oferecer "coisas"?

- Na Ação Pastoral... como servimos a Deus?
  O Evangelho nos mostra dois modos: como Marta... e como Maria...
  Damos o devido tempo entre Ação e Contemplação, Trabalho e Oração...

  Ação, sem escuta da Palavra de Deus, torna-se vazia...
  E Oração, sem ação, é estéril e alienante...

Que a nossa atitude não seja apenas a de Marta, nem apenas a de Maria...
mas a de Marta e de Maria, juntas, se completando em nós...
Cristo ainda hoje continua nos advertindo: "Marta, Marta..."

Cristo continua ainda hoje batendo à nossa porta.
Sua voz tem inúmeros timbres.
Procuremos reconhecê-la e abrir a porta sem fazê-lo esperar.
Para acolher Jesus, devemos encontrar tempo
para nos sentar a seus pés, escutá-lo e escutar os outros;
tempo para rezar; tempo para servir; um coração pronto e disponível.

- A Conferência de Aparecida fala em gastar mais tempo
  para escutar as pessoas...

  O que poderíamos fazer nesse sentido? 
           
                        Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos chama a atenção para a contemplação em todo trabalho, que nós realizamos, sobretudo, para a realidade urbana. Nós temos a correria do dia inteiro e avançamos até altas horas da noite com nossas tarefas e obrigações. Aos poucos, vamos deixando de lado aquilo que nos diferencia dos outros animais; um burro, um cavalo e tantos outros animais que também trabalham. Só que eles não têm a capacidade de contemplar o seu dia, o que fizeram naquele dia. Nós, os seres humanos, é que temos esta capacidade de parar no final do dia e dizer: como é que foi o meu dia? Então, contemplar. Agora, contemplar aos pés do mestre, significa termos uma intimidade com Jesus. Neste ponto, vamos resgatar, um pouco, quem é Marta e Maria. Marta e Maria são as irmãs de Lázaro. Os três são amigos de Jesus. Claro, que, quando o Evangelho fala de amigo, não está só dando uma informaçãozinha de que Jesus tinha lá os seus amigos. Já, São Lucas, antecipadamente, no início do Evangelho que ele escreveu, ele dedica o seu trabalho a Teófilo. Teófilo significa amigo de Deus. Portanto, quem é amigo de Deus, é amigo de Jesus. Aliás, alguns vão achar que o Evangelho de São João quando diz “O Discípulo Amado”, está falando de Lázaro. Porque, a final de contas, os próprios, que vão ao sepultamento de Lázaro, vêem Jesus chorando e dizem: “Vejam como Ele o amava”. De qualquer maneira, Marta Maria são amigos de Jesus. Então, eles podem nos ajudar, porque nós também somos amigos de Jesus, a refletir sobre a nossa conduta. Marta não é má. Ao contrário. Ela tenta servir o Senhor, de todas as formas, providenciando tudo que é necessário e Maria contempla o Senhor. Convenhamos: se ficarmos contemplando Jesus o dia inteiro, o que é que vamos fazer? Vamos ser bem práticos. Quem é que vai preparar o almoço, quem é que vai honrar os compromissos para ter um salário no fim do mês? Então, não se trata de ficar vinte e quatro horas contemplando Jesus, mas de ter este hábito. O papa Francisco lembrava: “São Bento nos ensinou: oração e trabalho. Trabalho e oração”. Então, veja, quando Jesus chama a atenção de Marta, não é que Ele está contra o trabalho que ela realiza, mas Ele quer chamar a atenção para este aspecto: que nenhum trabalho, em nome do Evangelho, por mais que sejamos amigos de Jesus, ele não transmitirá Jesus, se eu não tiver o lado contemplativo, se eu não tiver o lado da oração. Nenhuma oração terá conteúdo, como diz o popular; “sustança”, se não tiver AÇÃO. Marta e Maria deve ser um estímulo para sermos uma síntese dessas duas. Buscar no nosso trabalho apresentar Jesus, que é nosso amigo. Ao mesmo tempo, buscar na oração corrigir aquilo que faltou em nosso trabalho e agradecer aquilo que realizamos.
Anunciar Jesus é coisa simples; não precisamos fazer grandes discursos, nem pequenos. Às vezes, quando permito alguém ultrapassar o carro que estou dirigindo, pois talvez ele tenha mais pressa do que eu, isto é um gesto. É um gesto de respeito pelo irmão. Aquilo que é obrigação, mas que aqui no Brasil não se faz, pelo menos grande parte do Brasil. Tem alguém querendo passar na faixa de pedestre; eu parar, estou mostrando que a pessoa tem valor, que ela é importante. Chegar em casa e elogiar quem preparou a comida; são gestos tão simples. Elogiar quem ficou o dia inteiro fora trabalhando e chega em casa alegre e feliz. São gestos simples. São gestos que não fazemos e não é por maldade. Não. Nós amamos quem nos prepara o alimento, nós amamos quem busca o sustento da casa, nós amamos tudo isto. Só que, na correria do dia a dia, perdemos este hábito. É aí que a contemplação vai nos ajudar. A contemplação vai fazer com que eu me dê conta: como é que eu apresentei Jesus hoje? Aí, então, repassar o dia. Senhor, obrigado, pois consegui isto e isto. Senhor, me perdoa, aqui e ali eu poderia ter feito melhor.
Abraão é um exemplo prático de contemplação e ele une o útil ao agradável. Olhe a primeira leitura. Na hora de maior calor do dia, imagina ele no deserto, o que é que ele vai fazer? Nada. Vai ficar debaixo da sombra da árvore. Aí, aproveita este momento para contemplar. É por conta da contemplação, que ele se torna mais sensível, ao ponto de avistar três homens e ele se coloca no lugar desses três homens e corre a servir lhes água, pão, leite, porque eles devem estar famintos e com muito calor. Este é o valor da contemplação; o sentar-se aos pés do Mestre é ajudar-nos a sermos mais sensíveis às necessidades dos outros, que às vezes, é uma necessidade muito simples e que podemos oferecer. De qualquer maneira, na medida em que eu sou sensível ao próximo, eu sou sensível a Jesus, porque ele disse: “O que fizeres ao menor de meus irmãos, a mim o fizestes”.
Assumir todo o desafio, que aparece na segunda Leitura, que é chamado de tribulação, é assumir esta preocupação para com o irmão e fazer do nosso trabalho algo que nos possa levar a Deus.
Que esta Celebração sirva para renovar a nossa disposição de contemplar a Deus no trabalho do dia a dia que realizamos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Pedrinho – Diocese de Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

O Senhor hoje nos acolhe em sua Casa, hospeda-nos ao redor do seu Altar sagrado, para nos falar de hospitalidade. Aquele que nos hospeda bate à nossa porta, humildemente, como hóspede, esperando ser acolhido por nós: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Abramos para ele nosso coração e nossa vida.
A Palavra de Deus apresenta-nos, nas leituras deste Domingo, dois modos de acolher o Senhor; dois modos distintos, mas que se relacionam e mutuamente se condicionam. O primeiro, é acolhendo-o na sua Palavra, como Maria, a irmã de Marta e de Lázaro. Para nós, ela é modelo do discípulo perfeito, pois “sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra”. Marta também acolheu Jesus, mas é um acolhimento exterior e, portanto, superficial, como o daqueles que são cristãos tão empenhados em trabalhar por Cristo e em falar de Cristo, que esquecem de estar com Cristo, de realmente dar-lhe atenção na escuta da Palavra e na oração. Ora, é nisto, precisamente, que Maria, hoje, é exemplo para nós: “sentou-se aos pés do Senhor”. – Vejam a disponibilidade, à atenção à Pessoa de Cristo, a disposição em acolher a Palavra que brota do coração do Salvador: “escutava sua palavra”. Aqui, cabe-nos perguntar: neste mundo dispersivo e agitado, neste mundo da competição e do estresse, tenho tido tempo, realmente, para acolher o Cristo que bate à minha porta? “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei...” Não tenhamos dúvida que grande parte da crise de fé e de entusiasmo de muitos cristãos decorre da falta desse acolhimento íntimo em relação ao Senhor, da incapacidade de hospedá-lo no nosso afeto e no nosso coração pela escuta da Palavra que se torna oração amorosa e perseverante. Talvez sirva para todos nós, ativos em excesso e dispersos contumazes, a advertência de Jesus: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Qual? Que coisa é a única necessária? Estar aos pés do Senhor, abrindo-se à sua Palavra: “O homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). É esta a parte que Maria escolheu e que, por nós escolhida, jamais nos será tirada, porque Deus é fiel!
Mas, há um outro modo de acolher Aquele que está à porta e bate. Este modo deve decorrer da escuta da Palavra e mostra se essa Palavra é eficaz na nossa vida. Trata-se de acolher os outros, de hospedá-los no nosso coração e na nossa vida. Recordemos a cena de Abraão, nosso pai na fé. Colhamos os detalhes! Abraão estava sentado, talvez descansando do almoço, “no maior calor do dia”. Ao ver os estrangeiros que lhe estão próximos, corre ao encontro deles. Observem a solicitude de nosso pai na fé: não os conhecia, mas corre, com pressa, até eles e os reverencia: “Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra”. Observem a insistência no convite para que os estranhos comam de sua mesa; notem a solicitude em preparar rápido o melhor que tem: entrou logo na tenda, tomou farinha fina, correu ao rebanho e pegou um dos bezerros mais tenros e melhores, pegou coalhada e colocou tudo diante dos hóspedes... Por que fez isso? Porque tem fé! Para Abraão, não existe acaso. Notem como ele diz aos estrangeiros: “Foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Ou seja: fizestes-vos próximos de mim para que eu me faça próximos de vós e vos sirva! Notem ainda como a situação se inverte: ao início, Abraão estava sentado e os hóspedes, de pé; agora, Abraão está de pé, servindo, e os hóspedes, comodamente sentados. Sem saber, naqueles estrangeiros, acolhidos desinteressadamente, Abraão estava acolhendo o próprio Senhor. E, ao fazê-lo, ao esquecer-se de si para preocupar-se com os outros, tornou-se fecundo: “Onde está Sara, tua mulher? Voltarei, sem falta, no ano que vem, por esse tempo, e sara, tua mulher, já terá um filho!” Bendita hospitalidade, que gera vida! Bendito sair de nós, que nos torna fecundos!
Domingo passado, a Palavra nos fazia perguntar: quem é o meu próximo? Pois hoje, a pergunta volta, insistente: quem são aqueles e aquelas que estão de pé, à porta da minha tenda esperando que eu os acolha no meu coração e na minha atenção? Pensemos nos pobres, nos desvalidos, nos sem amor, nos que caíram, nos que se sentem sozinhos, nos que batem à nossa porta pedindo uma esmola e nos que pedem atenção, respeito, compreensão, perdão e amor... Somos tão tentados ao fechamento no nosso mundo e nas nossas preocupações! E, no entanto, neles, o Senhor bate à nossa porta, pede-nos hospedagem: “Eis que estou à porta e bato!” E isso não é de hoje nem de ontem: desde Belém, que ele está à porta, desde Belém, que ele procura o nosso acolhimento! Desde Belém, não “havia lugar para ele na hospedaria” (Lc 2,7).
Então, somente poderemos hospedar Jesus em plenitude quando estes dois modos se completam: hospedá-lo na escuta da Palavra e no silêncio da oração e hospedá-lo naqueles que vêm a nós pelos caminhos da vida. Calha maravilhosamente hoje o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque graças ela alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,1s). Mais que anjos: acolheram o próprio Deus, aquele que disse: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!” (Mt 25,40).
Que o Senhor nos conceda hospedar sempre, para que encontremos hospedagem no seu coração. A ele a glória para sempre. Amém.

D. Henrique Soares da Costa

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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Ao longo do seu caminho rumo a Jerusalém (Lc 9,51s: XIII Domingo), Jesus vai passar por muitas situações: rejeição por parte dos Samaritanos, confronto com os doutores da Lei (Lc 10,25s: XV Domingo), e na perícope deste XVI Domingo faz uma parada estratégica na casa de Marta e Maria para retomar um dos principais temas do evangelho de Lucas, isto é, a visita de Deus (Lc 7,11-17: X Domingo). As duas irmãs, anfitriãs de Jesus, representam dois modos de reagir diante da visita de Deus. É inegável que ambas recebem Jesus, mas é também evidente que só uma permaneceu com Ele. Ali está a grande diferença diante da visita. Não basta apenas receber em casa, é preciso acolher no coração. Portanto, é preciso passar de anfitriã à discípula. Enquanto Marta optou por estar sozinha com os afazeres da casa, Maria escolheu a melhor parte: “ficou sentada aos pés do Senhor, escutando-lhe a palavra”. Marta estava preocupada pelo muito serviço, talvez empenhada na preparação de algo para oferecer a Jesus e aos seus discípulos; com as mãos e o coração tão ocupados, não conseguia acolher o que o Senhor tinha para lhe oferecer: sua presença e sua palavra. Marta e Maria não representam simplesmente duas pessoas (ativa e contemplativa), mas indicam as duas possibilidades de escolhas que temos nos nossos relacionamentos: receber e abandonar ou receber e permanecer.
Há uma tendência muito forte no coração das pessoas, quando querem estabelecer relacionamentos, deixarem-se levar pela tentação de oferecer coisas, pensando ser a maneira mais segura de construir pontes e criar laços, quando na verdade o excesso de coisas materiais pode criar uma montanha de entulhos, impedindo a leveza da relação e a profundidade do encontro, pois confunde a gratuidade da presença com a compulsiva insegurança da cobrança velada dos presentes. Jesus adverte Marta diante da sua inquietação e agitação, totalmente absorvida por muitas coisas. Quando cremos que as coisas que podemos oferecer às pessoas garantirão o nosso relacionamento com elas e esquecemos de ser presença que as acolhe, mais cedo ou mais tarde nos depararemos com a chocante verdade: ficamos sozinhos. Quando consideramos mais importante o que podemos oferecer e não tanto o fazer-se oferta, restará apenas no nosso coração a angústia de ter perdido a oportunidade do encontro, e ter feito apenas o papel de um deliverer de coisas.
Quando nos excedemos nas coisas que podemos dar ao outro, projetamos nele o nosso mendigo interior, revelamos a nossa incapacidade de viver a gratuidade, transformando sutilmente os nossos relacionamentos em relação mercantil: “ofereço coisas a você, e você me paga com afetos que sedam a minha angústia de ser incapaz de estabelecer relacionamentos alimentados por presença, mas simplesmente comprados com presentes”.
Jesus entrando na casa de Marta e Maria não pretendia encontrar uma mesa preparada a fim de matar a sua fome como também a dos seus discípulos. Mas fazendo-se hóspede, anunciou com a sua presença e palavra que Deus visita o seu povo, e é Ele mesmo quem prepara a mesa; Ele mesmo oferece o alimento mais desejado pelo coração humano, como fará com os discípulos de Emaús no final do evangelho quando de hóspede, torna-se o anfitrião partindo o pão para anunciar-lhe que não está morto, mas ressuscitado e, portanto, fazendo-se presença permanente.
Marta, preocupada e agitada para servir, é chamada a fazer a experiência do acolhimento Daquele que veio para servir, pois Ele mesmo afirma: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27). Querer servir sem aprender de Jesus, sem antes colocar-se aos seus pés, pode levar simplesmente a uma agitação ou a um ativismo perturbador e estéril, tendo como consequência o cansaço e a solidão. Quem pretende servir o Reino, mas não cresce no discipulado, não se nutre da palavra do Mestre, não encontra tempo para permanecer aos seus pés, torna-se um trabalhador frustrado, agitado com tantos afazeres, ironicamente se afastará do Senhor e da comunidade fraterna, e só saberá expressar seu descontentamento acusando os demais de o ter deixado sozinho, quando na verdade, a escolha da solidão foi uma opção sua, pois preferiu fazer coisas, e não ser discípulo.

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Para a Celebração da Palavra (Diáconos e Ministros da Palavra):

Louvor : (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):  16º dom TC
Pres. O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
Pres. COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO E. SANTO, louvemos O PAI:
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus!
Presidente: Senhor, nosso Deus e Pai! Vos louvamos por nos revelar vosso amor enviando vosso Filho para nos guiar para a felicidade eterna. Hoje vimos o quanto Abraão, nosso pai na fé, foi atento às necessidades daqueles três homens que passavam próximo a sua tenda. Pai, abri nossos olhos para que vejamos as necessidades de nossos irmãos e irmãs que passam por nós.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus!
Presidente: Pai, bendito sejais, porque nos fizestes conhecer vossos ensinamentos através de vosso Filho. Hoje Jesus nos ensinou, que não basta a ação do trabalhos, mas que precisamos também estar aos seus pés e contemplar a palavra que nos edifica e salva.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus!
Presidente: Pai, vos agradecemos pela Palavra de vida, que é sabedoria. Vós nos destes a melhor parte, que é o conhecimento de vosso amor e de vossa bondade. Vosso amor nos deu a dignidade de filhos  Vossos. Pai, ajudai-nos para que também sejamos solícitos para com os que estão ao nosso redor. Que sejamos amáveis, acolhedores, bondosos e úteis ao nosso irmão ou irmã que precisam de nós.
T: Bendito e louvado seja o nosso Deus!
PAI NOSSO... A PAZ DE CRISTO... EIS O CORDEIRO




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16º Domingo do Tempo Comum (Adaptado pelo Diácono Ismael) - SINOPSE:

1 Abraão conserva-se em silêncio digno, sem manifestar qualquer dúvida tais são as atitudes que o crente israelita é convidado a assumir diante desse Deus que vem ao encontro do homem.

2 O modelo do crente: ele o acolhe na sua casa e na sua vida de forma exemplar, que coloca tudo o que possui nas mãos de Deus; sacramento da hospitalidade
Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que aceita viver em comunhão com Ele, que aceita pôr tudo o que tem nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de respeito, de submissão, de total confiança.

3 Marta andava atarefada “com muito serviço”, Maria “sentada aos pés de Jesus, ouvia”.
nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos
4 A escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente,
5 A Palavra nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.

6 O ativismo desenfreado nos aliena, nos massacra e asfixia. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “ruminar” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança.

7 O apóstolo sente-se feliz pois sabe que esses sofrimentos não foram em vão, mas deram frutos e levaram muita gente a descobrir Jesus Cristo e a sua proposta de libertação.

8 Os sofrimentos de Paulo completam “o que falta à paixão de Cristo, em favor do seu corpo que é a Igreja”. Uma vez que a cabeça (Cristo) sofreu, os membros devem sofrer também para partilhar a sorte que a cabeça suportou.



quinta-feira, 11 de julho de 2019

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


15º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ANO C

– SINOPSE:
TEMA: É no amor a Deus e ao próximo que encontraremos a vida eterna.
Primeira leitura: Deus é o centro da sua vida; Devemos amá-lo de todo o coração.
Evangelho: A vida plena está no amor a Deus e aos irmãos.
Segunda leitura: Paulo apresenta-nos Cristo como o centro de nossa vida.

PRIMEIRA LEITURA (Dt 30, 10-14)
...Moisés falou: “Ouve a voz do Senhor teu Deus e observa todos os seus mandamentos, que estão escritos ...Não está no céu, ...: Ao contrário, esta palavra está ...em tua boca e em teu coração”.

AMBIENTE
O Deuteronômio é reflexão dos teólogos do Reino do Norte (Israel) no final do exílio da Babilônia, alertando para as consequências da  infidelidade para com Jahwéh.

MENSAGEM
É um convite às propostas e aos mandamentos de Deus. Os exilados perguntavam Como é que se descobre o que Deus quer de nós? - O caminho que Deus propõe está inscrito no coração e na consciência de cada homem; é aí que Deus nos fala as suas propostas.

ATUALIZAÇÃO
♦ O convite às propostas de Deus Não pode ser uma meia adesão de acordo com os nossos interesses; mas tem de ser uma adesão total.
♦ Nossos interesses egoístas abafam a voz de Deus.

SALMO: Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: / o vosso coração reviverá!
• Por isso elevo para vós minha oração, / neste tempo favorável, Senhor Deus! /
Respondei-me pelo vosso imenso amor, / pela vossa salvação que nunca falha!
/ - Senhor, ouvi-me, pois suave é vossa graça; / ponde os olhos sobre mim com grande amor!
• Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! / Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! /
Cantando eu louvarei o vosso nome / e agradecido exultarei de alegria!
• Humildes, vede isto e alegrai-vos: / o vosso coração reviverá, /
se procurardes o Senhor continuamente! / Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres /
 e não despreza o clamor de seus cativos.
• Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, / reconstruindo as cidades de Judá. /
 A descendência de seus servos há de herdá-las, / e os que amam o santo nome do Senhor/
dentro delas fixarão sua morada!

EVANGELHO (Lc 10,25-37)
...um mestre da Lei ...perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei?...” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e ...ao teu próximo como a ti mesmo!”: “E quem é o meu próximo?” Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. ...deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote ...Quando viu, seguiu adiante,... O mesmo aconteceu com um levita... Mas um samaritano, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. ...fez curativos. ...e levou-o a uma pensão, ...pegou duas moedas de prata..., recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

AMBIENTE
Jesus prepara os discípulos para serem as testemunhas do Reino. É neste contexto “pedagógico” que vai aparecer a “parábola do bom samaritano”. Havia inimizades entre eles. Quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos assírios e colonos assírios se misturaram com a população local; Após o exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos para a reconstrução do templo de Jerusalém (ano 437). No ano de 333 a.C., os samaritanos construíram um templo no monte Garizim; que foi destruído em 128 a.C. por João Hircano. Na época de Cristo samaritanos profanaram com ossos o templo de Jerusalém. Os judeus desprezavam os samaritanos, por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros.

MENSAGEM
O que fazer, a fim de conseguir a vida eterna? - o mestre da Lei a conhece: amar a Deus e amar o próximo. “quem é o meu próximo?” Na época de Jesus o “próximo” eram apenas os membros do Povo de Deus. Para explicar, Jesus conta a “parábola do bom samaritano”. Passaram um sacerdote e um levita. Apesar dos conhecimentos religiosos, não têm misericórdia. Um samaritano foi até ele, cuidou e o salvou. Jesus conclui dizendo: “vai e faz o mesmo”. A verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão, sem exceção. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós para se levantar.

ATUALIZAÇÃO
♦ “O que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? A resposta é: “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ama também os outros irmãos”. A verdadeira religião que conduz à salvação passa por este amor sem limites.

SEGUNDA LEITURA (Cl 1,15-20)
...Cristo é a imagem do Deus invisível,...Tudo foi criado por meio dele e para ele... Ele é a Cabeça, o Princípio, ...ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da cruz

AMBIENTE
Paulo escreveu aos Colossenses da prisão (de Roma). Ano 63. Epafras visitou Paulo e levou notícias alarmantes… Alguns “doutores” locais misturavam cristianismo com cultos mistéricos em voga no mundo helenista. Paulo desmonta toda esta confusão doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer importância para a salvação: Cristo basta.

MENSAGEM
A primeira afirmação é a de que Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Ele é em tudo igual ao Pai, no ser e no agir, pois n’Ele reside a plenitude da divindade. Deus se revela aos homens e Se faz visível através da humanidade de Cristo.
A segunda afirmação é que Ele é o “primogênito de toda a criatura”. No contexto judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa a supremacia e a autoridade de Cristo sobre toda a criação.
A terceira afirmação é a de que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”); que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”). Paulo desmonta as especulações dos “doutores” Colossenses acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo.
Ele é a “cabeça do corpo que é a Igreja”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico. A segunda afirmação é a de que Ele é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”. Significa que Ele, não só foi o primeiro que ressuscitou, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição. A terceira afirmação é de que n’Ele reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, por Cristo foram reconciliadas com Deus todas as criaturas: a criação, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.

ATUALIZAÇÃO
♦ Cristo é a referência fundamental à volta da qual a nossa vida se articula e se constrói. É Ele que está no centro dos interesses e da vida das nossas comunidades?
 Há outros deuses, ou poderes, ou “santos” que nos desviam de Cristo?
♦ Para muitos Jesus, quando muito, foi um homem bom, um visionário, um idealista; por isso, não tem qualquer espaço nas suas vidas. Como podemos testemunhar a nossa convicção de que Ele é o centro da história e de que Ele está no princípio e no fim da história da salvação?

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Quem é seu Próximo?

Todos nós desejamos com segurança a Vida eterna.
Mas qual é o CAMINHO para conquistá-la.
As leituras bíblicas respondem: no amor a Deus e aos outros.

Na 1a leitura, MOISÉS convida o Povo a aderir aos MANDAMENTOS:
"Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus Mandamentos".
E acrescenta: "Esta lei não está acima de tuas forças... pelo contrário,
ela está bem perto de ti, está em tua boca e em teu CORAÇÃO" (Dt 30,10-14)

Os Mandamentos de Deus não são uma coleção de prescrições impostas, que tolhem a nossa liberdade e prejudicam a nossa realização pessoal.
Pelo contrário, correspondem aos anseios profundos da pessoa humana, são o caminho seguro, que nos conduz à Felicidade eterna desejada.
E Deus inscreveu esses preceitos em nosso próprio coração.

A 2ª Leitura mostra Cristo como o centro de toda a criação. (Cl 1,15-20)
É um hino cristológico, em que Paulo apresenta Cristo  como "imagem do Deus invisível" e o "primogênito de toda a criatura".

No Evangelho, CRISTO aponta o caminho da vida eterna, respondendo a duas perguntas de um Mestre da Lei: (Lc 10,25-37)

1. "Que devo fazer para alcançar a vida eterna"?
- Jesus o questiona: "O que diz a Lei?"
- Ele resume os 613 preceitos em dois: o Amor a Deus e o Amor ao Próximo... (Dt 6,5; Lev 19,18)
- Jesus concorda: "Respondeste bem... FAZE isto e viverás".
- E ele insiste com a segunda pergunta:

2. "E quem é o meu próximo?"
Na época de Jesus, "próximo" era o membro do Povo de Deus; excluíam os inimigos, os pecadores e os não praticantes...
Jesus responde não com uma definição, mas com um exemplo prático...
com a maravilhosa Parábola do BOM SAMARITANO...

- Um homem é assaltado por ladrões...  que o deixam jogado meio morto à margem da estrada.
- Ali passa um SACERDOTE, que sabe tudo sobre a Lei:   vê o homem jogado, mas vai adiante.
- Passa também um LEVITA, que trabalha diariamente no templo, mas não sabe nada de Deus: não tem misericórdia para aquele homem.
  Vê o homem e vai em frente...
- Passa também um "SAMARITANO" que não sabia tão bem a Lei de Moisés.
  Esse "pagão" sente "compaixão" (sentimento próprio de Deus).
  Supera a hostilidade entre judeus e samaritanos,   esquece seus negócios, seus compromissos, seu cansaço, o medo...
   "Aproxima-se dele, derrama óleo e vinho nas feridas. Depois o coloca em seu animal e completa os cuidados na pensão".
- E Jesus concluiu: "Vai e faze tu o mesmo".

A Parábola nos diz que...

- A "Vida eterna" é encontrada no Amor a Deus,   concretizado no Amor ao Próximo.
  Para ter a vida devemos fazer de quem está perto de nós o nosso próximo.
  PRÓXIMO é todo irmão, que necessita de nossa ajuda e de nosso amor.

- Mais importante do que saber quem é o "próximo", é tornar-se próximo de quem precisa...
  PRÓXIMO é quem age com misericórdia e compaixão...
  Cristo foi o verdadeiro Bom Samaritano, que antes de ensinar a Parábola a fez realidade em sua vida acolhendo a todos.
  E ele nos convida: "Vai e faze tu o mesmo..."
  Esse gesto é um aspecto fundamental da missão da Igreja.

* A Parábola propõe Três PASSOS para realizar o amor misericordioso:
   Ver, Ter compaixão e Agir...

+ Quem é o nosso Próximo, HOJE?
   Só os amigos, os familiares? Os que nos ajudam? Gente do nosso grupo?

* Ainda hoje, há pessoas à beira das estradas, assaltadas pela violência ou opressão... precisando de nossa ajuda...

- Qual é a nossa atitude para com elas?

* A do Sacerdote e do Levita, que olharam o 'coitado' e passaram à frente, porque não tinham tempo, deviam cuidar dos seus trabalhos?

* Ou a figura simpática do Bom Samaritano, que mesmo estando de viagem, soube parar... e oferecer a esse coitado aquilo que estava ao seu alcance, para  suavizar a sua situação?  

- E nós, que aqui estamos reunidos nessa celebração para fortalecer a nossa fé e o nosso amor,
  sabemos quem é o nosso próximo? Qual é o seu nome?

- Reconhecemos de fato a presença de Cristo nas pessoas que encontramos ao longo dos caminhos do mundo?
  Ou preferimos não perder tempo e seguir o nosso caminho, deixando o nosso próximo na sarjeta do abandono?

Enquanto Cristo aguarda uma resposta, professemos publicamente a nossa fé no Cristo que ainda hoje muitas vezes encontramos abandonado e espoliado, ao longo de nosso caminho...

                          Pe. Antônio Geraldo

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Homilia do Pe. Pedrinho

Meus irmãos e irmãs, a liturgia de hoje, ela faz vários convites e apresenta vários desafios para nossa fé, nossa caminhada.
O primeiro é eu ter condições de avaliar em que eu sou pobre.
Claro, que a pobreza é classificada pelo dinheiro que eu tenho disponível,  pela autonomia que eu tenho na vida, mas a pobreza não pode ser vista só com a questão do dinheiro. A pobreza pode ser o quanto eu sou egoísta. Quanto mais egoísta, mais falta eu tenho, não do dinheiro, mas de Deus. O quanto eu sou solidário para com o outro. Quanto menos solidário, menos parecido com Deus eu sou. Então, Maior é a minha falta de imagem e semelhança a Deus e assim por diante. O salmo de hoje diz: “Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos”. Se eu não sou humilde, ao ponto de não reconhecer a necessidade de Deus, eu sou incapaz de rezar. É por isso, que cada vez menos pessoas tem o hábito da oração, porque elas não sentem necessidade de Deus. Elas se vêem “Eu me basto em  mim mesmo”. Esta é uma grande dificuldade.
O Evangelho de hoje faz um convite para nós abrirmos nossa atenção e sermos sensíveis para com aqueles que estão ao nosso redor. A pergunta do mestre da lei, ela é muito importante: “O que devo fazer para ter a vida eterna”? não é qualquer coisa que ele quer. Ele q uer algo que só Deus pode conceder. Ninguém, nenhuma proposta do mundo pode lhe oferecer vida eterna. Deus é o único que pode. Cada vez que eu dirijo uma pergunta a Deus, através de Jesus, ele me responde, segundo a minha capacidade de compreensão. Deus é fantástico! Para aquele mestre da lei, Jesus vai responder segundo a sua capacidade. Ele vai responder segundo mestre da lei, pois ele conhece a lei. O doutor da lei conhecia o Antigo Testamento todo! Jesus diz: “olhe, o que diz a lei”? O doutor da lei vai dizer: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda tua alma, com toda tua inteligência e o próximo como a ti mesmo”. Jesus diz: “faça isto então”! É vidente, que tanto ele, como qualquer um de nós, ele tentou se justificar: “quem é o meu próximo”? Era o que faltava para Jesus ajudar as pessoas a enxergar um pouco além. Além daquilo que estão vendo. O próximo é quem está ao meu lado! Normalmente, nós pensamos os próximos são os da nossa casa. Jesus diz: vamos abrir esta visão, vamos ampliar, vamos aí refletir um pouco, que o cuidado da casa é obrigação de todos e não opção. Se você é uma pessoa de responsabilidade, honrada, você vai cuidar de quem pertence a sua família. Isto é uma obrigação. Agora, estar atento às necessidades dos outros, é uma opção, é uma escolha.
Olhe o que rezamos no Ato Penitencial: “Peço à Virgem Maria e a vós, meus irmãos, que rogueis por mim”. A oração é pedindo ao irmão que reze por mim. Não eu rezar para mim. Isto também é egoísmo. É eu rezar pelo irmão, tendo a confiança de que o irmão irá rezar por mim. É aí que começa a complicar; será que vai rezar mesmo? Convém eu dar uma reforçada, pois se ele não rezar por mim, pele menos eu garanto. Veja, isto é um ato de fé; estar aberto para o próximo, confiar que o irmão reze por mim e eu rezo pelo irmão. Esta troca de oração é um exercício para eu estar aberto às necessidades do outro. Nós sabemos que muitas pessoas se santificaram pela oração do outro! Pela oração do outro! Aí é que está.
Jesus vai fazer uma leve modificação na Lei, mas profunda. A Lei diz: “Amarás a Deus de todo coração e ao próximo como a ti mesmo”. A Lei colocava como critério a pessoa. Como é que eu quero ser amado, é assim que sou chamado a amar o próximo. Mas, e quando eu não me amo? Isto tem acontecido muito! Cada vez mais tem pessoa que não tem mais a autoestima. Está disposta a qualquer coisa para se manter em evidência. Então, Jesus vai ser um pouco mais exigente: Ele vai modificar o “amar o próximo como a ti mesmo”. Ele vai dizer: “amai-vos uns aos outros COMO EU VOS AMEI”. É mais exigente! Como é que Jesus nos amou? Entregando a vida. Entregando a vida pelo irmão. É muito mais exigente. De qualquer maneira, o Evangelho de hoje também nos mostra, que ter dinheiro também não é problema. Não é que quem tem dinheiro está condenado, não! O Samaritano tinha dinheiro e crédito, porque ele leva o fulano para ser cuidado, deixa lá um dinheiro, um cheque calção, e diz: quando eu voltar, pago o que exceder a conta. Ele tem crédito também. Não é um mero desconhecido. Tem crédito, tem o dinheiro. Vamos pensar um pouco em nós. Você vê alguém baleado, esfaqueado na rua, você vai colar no seu carro, vai levar para o hospital. Primeiro, vai ser difícil conseguir vaga. Primeira coisa. Segundo, vai ter que fazer um boletim de ocorrência (BO). Depois vai ter que prestar depoimento: como você viu este fulano, por que você está levando ele lá, até onde você está envolvido, quem é fez aquilo; muita complicação. Muita complicação. Veja, que a sociedade faz de tudo, para nós não vivermos o Evangelho, embora a sociedade se diz cristã, mas se você quiser arrumar para a cabeça, faça isto: ponha alguém no seu carro e leva para o hospital. Aí é que está. Muito bem. Se isto não fosse suficiente, você ainda tem que deixar os seus afazeres. Normalmente, nós temos toda uma agenda programada. Então, veja: se quisermos começar este exercício, de um mundo novo, rezando uns pelos outros pelo menos. Pelo menos isto. Agora, cada um é convidado hoje para se colocar diante de Deus dizendo: eu tenho feito tudo, que eu tenho possibilidade?   Ótimo! Realmente falta muito para mim. O importante é ter consciência o quanto anda a minha caminhada em vista da prática do Evangelho. A partir daí, dizer: Senhor, olhe a minha pobreza onde está: eu sou incapaz disto, sou incapaz daquilo. Ajuda-me nesta pobreza. Outro vai dizer: eu não tenho dinheiro mesmo e o Senhor sabe disto. Por isso, eu não posso ajudar. Senhor, me ajude na minha pobreza. Cada um na sua realidade e respondendo a Deus. Olhe o sacerdote: é dever de ofício. Sabe o que é dever de ofício? É aquilo que eu me proponho a fazer na vida. Isto é o ofício que eu escolho. Primeiro ofício do sacerdote É SERVIR. O sacerdote olhou o fulano e passou para o outro lado. É. Os levitas. Os levitas são as lideranças do templo. As lideranças é de se esperar que sejam os primeiros a dar o exemplo. O levita passou para o lado também. Quem ajudou? Um samaritano. Quem era o samaritano? Pessoa de segunda categoria. Era tido como ateu. Não acreditava em nada, não podia ir ao templo, ele também não tinha nada a perder. É este o ponto principal. Quando eu não tenho nada a perder, eu me entrego totalmente. Mas, se eu tenho algo a perder, aí eu penso duas vezes. Então vamos abrir mão de tudo! Não é esta a questão.  A questão é não ficarmos só admirando o samaritano, mas nos colocarmos no lugar dele e saber até onde eu sou capaz de viver o Evangelho.
São Camilo de Lelis, hoje são Camilo, ele vai dizer: Eu vou viver o Evangelho, atendendo os enfermos. Ele é o protetor, o padroeiro dos enfermos. Então, olhe, é uma maneira. Nós temos muitas pessoas entre nós que visitam os enfermos. É tão importante a visita ao enfermo! Ela fica o dia inteiro na cama sem fazer nada, porque não pode. Então, uma conversa, uma visita, trocar idéia uma meia hora, isto alegra o dia do enfermo e não custa dinheiro. Pode custar um tempinho a locomoção. Outros ajudam de outras maneiras. É evidente, que o Evangelho nos pede é em vista de nossa caminhada para a vida eterna. Nós temos a vida aí para irmos caminhando. Quanto tempo de vida? Ainda bem que ninguém sabe, porque alguns esperariam o último dia para tirar o atraso todo, não é? Não. A caminhada é cada dia, até chegarmos lá.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pe. Pedrinho – Diocese Santo André – SP.

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Homilia de D. Henrique Soares da Costa

A Palavra de Deus proposta neste Domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?” Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração! Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura? Onde está a vida, a realização da existência? Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?
Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?” – Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no Salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis vossos preceitos!” Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo autossuficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!
Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”. Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre – gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à sua imagem!
Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?” – A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma idéia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É a este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Mas, atenção: um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como eu vos amei. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).
Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; ele mesmo se fez próximo de nós: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível… porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe, não nos amou à distância: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que “se faz próximo” do próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos… Ele se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”. Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no seu amor!
Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa! Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos? Que tenho feito com eles? Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda se faz próximo hoje, em cada Eucaristia. Pensemos nele: “Vai, tu também, e faze o mesmo!” Amém.
 D. Henrique Soares da Costa

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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ
Em pleno Ano Santo da Misericórdia, o ensinamento de Jesus neste XV Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante de um dos maiores apelos do evangelho da Misericórdia: viver a fé não apenas nas suas expressões de culto religioso, mas como práxis de cultivo da vida, o dom precioso saído das mãos de Deus e, portanto, destinado à plenitude. A vida na sua fase de peregrinação terrena é o momento privilegiado para descobrirmos que ela é eterna, por isso deve ser tratada com dignidade. Cuidar, admirar, conservar a obra prima de um artista é a melhor maneira de prestar-lhe a fundamental e essencial homenagem. Santo Irineu (130-200 d.C.) afirma: “A glória de Deus é o homem vivo” (Gloria Dei, vivens homo). Por conseguinte, um culto que perde esse caráter essencial de compromisso com a vida deixa de ser proclamação da glória de Deus e se torna cumplicidade com todas as formas de ameaça e destruição da vida. A chamada “Parábola do Bom Samaritano” não é apenas mais um ensinamento de Jesus sobre a importância de fazer o bem a quem quer que seja, mas é uma crítica contundente a uma religiosidade hipócrita que, buscando razões para omitir-se diante das ameaças contra a vida, torna-se cúmplice dos assaltantes da vida.
A pergunta: “Mestre, que fazer para herdar a vida eterna?”, se não tivesse como motivação: “colocar Jesus à prova” (grego ekpeirazon: tentando), seria uma questão legítima, pois está presente no coração de todo ser humano, ainda que formulada de diversas maneiras. Querendo provar Jesus, o jurista passa de intérprete-aprendiz da Lei para assumir o papel de tentador do Mestre que no início quis distorcer a autêntica compreensão da Palavra de Deus. Jesus, porém, aprofunda a questão perguntando: “O que está na Escritura? E como lês?” A Escritura sem a sua leitura (aplicação na vida) pode se tornar a grande tentação do religioso, abrindo espaço para todo tipo de fundamentalismos. Em dois momentos, o Mestre procura ampliar o horizonte do seu interlocutor. A primeira pergunta é fácil de responder: “Respondeste corretamente”. Enquanto que a segunda não se responde teoricamente, pois só as atitudes são capazes de responder: “Faz isto e viverás!”.
A distinção feita por Jesus entre “o que está escrito e como se lê” não é pura especulação acadêmica das discussões entre mestres da Escritura, mas aponta para a necessidade de recuperar a unidade entre os dois aspectos fundamentais da Palavra de Deus: a Escritura e a Vida. Separando o saber a Escritura do viver a Palavra, impedirá dar a resposta a tal pergunta. Ao contar essa parábola Jesus apresenta três modos de ler a síntese da Torá (o mandamento do amor a Deus e ao próximo). Os três personagens, mais do que representantes étnicos (judeu e samaritano), indicam maneiras de ler a vida para conhecer a Palavra e modos de ler a Escritura para compreender ou não os apelos da vida. A vida está para além das suas circunstâncias sociais, políticas ou étnico-religiosas, tanto que nem os assaltantes nem o assaltado são identificados como judeus ou pagãos. Atentar contra a vida ou comprometer-se com ela transcende todas as barreiras, vai depender de como fazemos a sua interpretação. O caminho será sempre possibilidade de aproximar-se ou optar ir para longe.
Tanto para o sacerdote quanto para o levita a reação diante do quase morto que encontraram no mesmo caminho foi passar para o outro lado e ir embora (grego antiparérchomai: passar afastando-se na direção contrária). Esta atitude indica um modo de ler a Torá que por sua vez ensinava: “Aquele que tocar um cadáver, qualquer que seja o morto, ficará impuro...Todo aquele que tocar um morto, o corpo de alguém que morreu, e não se purificar, contamina a Habitação de Javé; tal homem será eliminado de Israel” (Nm 19,11s). A razão era clara e indiscutível: cumprimento da Lei, e como homens do culto, desobedecendo esta lei, além de correrem o risco de se contaminar, também contaminariam a Casa de Deus, cuja pena era a morte. Tinham bem presente a Lei, mas não conseguiram relacioná-la com a vida; viam a Lei, mas não enxergavam a vida, não foram capazes de aproximar-se para perceber que ali não estava um cadáver, mas uma pessoa, que se fosse abandonada por eles, arriscava tornar-se um cadáver, com o qual não estariam mais obrigados a fazer nada. O samaritano, geralmente visto como um estrangeiro, objeto de inimizades e herege, na parábola aparece como aquele que dá provas que não apenas conhece a Lei (os samaritanos têm o Pentateuco), mas que consegue aproximar-se da vida para melhor compreender o Mandamento e colocá-lo em prática. Pois a Lei ensina: “Se encontrares o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, lho reconduzirás. Se vires cair debaixo da carga o jumento daquele que te odeia, não o abandonarás, mas o ajudarás a erguê-lo” (Ex 23,4s). Se até o socorro da vida dos animais que se encontram em risco de morte (inclusive dos inimigos) está entre os imperativos da Lei de Deus, quanto mais não será o cuidado com a vida do próximo em situações de risco. O que o jurista e seus companheiros (sacerdote e levita) ainda não compreendiam em relação à vivência dos mandamentos (Lv 19.18; Dt 6,5), o samaritano ensina com atitudes: “Amarás o Senhor, teu Deus”/ “estava de viagem, chegou perto dele viu e sentiu compaixão”: compaixão na Bíblia é a misericórdia de Deus, portanto o viajante manifesta sintonia com os próprios sentimentos de Deus, o que só seria possível se Deus tivesse o primado na sua vida. “Com todo o teu coração e com toda a tua alma”/ “fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas”: o coração na Bíblia é a sede das decisões, não apenas dos afetos, e a alma representa a interioridade, portanto, o viajante vendo o quase morto decide prestar-lhe socorro e não apenas expressar sentimentos estéreis de comiseração. “Com toda a tua força e com toda a tua inteligência”/ “Colocou o homem em seu próprio animal, levou-o para pensão, cuidou dele”: o sentimento de misericórdia do samaritano se expandiu como força para os seus braços a fim de erguer o quase morto caído; e desapego de seus bens (“dois denários”) e de seu tempo (“Quando voltar”). “Faz isso e viverás!”, eis a resposta: fazer-se próximo para aproximar o que está escrito do que é vivido e, assim, ter a vida em plenitude.

PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA (Diáconos e ministros ext. da Palavra):


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR):
Pres. O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR...
Pres. COM JESUS, por Jesus e em Jesus, NA FORÇA DO E. SANTO, louvemos O PAI:
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres.   Senhor, nosso Deus, nosso criador e nosso Pai. Nós vos bendizemos pela vossa bondade e vossa misericórdia. Sabemos pela vossa palavra que sempre estais ao nosso lado seja na alegria seja na dor. Vós nunca desamparais aqueles que vos honram e respeitam os vossos ensinamentos.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres.  Senhor, nosso Deus, nós vos agradecemos por nos enviar vosso Filho para nos ensinar os vossos preceitos e nos guiar por caminhos seguros rumo ao vosso Reino. Ele é a vossa imagem no meio de nós. Ele nos revela vossa bondade e vosso amor.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
Pres. Senhor, nosso Deus, vosso Filho Jesus Cristo nos ensinou o amor ao próximo como forma de nos transformarmos e alcançar a salvação eterna. Sabemos que o nosso próximo é todo aquele que necessita de nossa ajuda, de nosso conselho, de nosso amor. Pai, sede a nossa força e nosso amparo nessa caminhada.
T: Louvor e glória a vós, ó Pai de bondade!
 PAI NOSSO...              EIS O CORDEIRO...



sexta-feira, 5 de julho de 2019

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C, homilias, subsídios homiléticos


14º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C

SINOPSE:

Tema: somos convidados a tomar consciência de que Deus nos envia a testemunhar o seu Reino.
Na primeira leitura, um profeta anônimo, enviado a proclamar o amor de mãe que Deus tem pelo seu Povo.
No Evangelho Os 72 discípulos de Jesus são enviados ao mundo para continuar a obra libertadora.
Na segunda leitura, Paulo sente-se enviado como testemunha da "Cruz": "Eu me glorio apenas na CRUZ de Cristo".

PRIMEIRA LEITURA (Is 66,10-14c) Leitura do Profeta Isaías.
Alegrai-vos com Jerusalém e exultai com ela todos vós que a amais;  “Eis que farei correr para ela a paz como um rio.” Sereis amamentados, carregados ao colo e acariciados sobre os joelhos. Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei; e sereis consolados em Jerusalém. Tudo isso haveis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva do campo. A mão do Senhor se manifestará em favor de seus servos.

AMBIENTE - “Trito-Isaías”. Estamos em Jerusalém, após o Exílio. A população está na miséria; a esperança está em crise… Os profetas apresentam uma mensagem de esperança, a fim de que o Povo confie em Deus.

MENSAGEM - O objetivo do profeta é “consolar” esse Povo sofrido, angustiado, que já perdeu a esperança. Todo o quadro gira à volta da apresentação de Jerusalém como mãe. Depois de dar à luz o seu filho (o povo), a mãe/Jerusalém alimenta-o com um leite abundante. É Deus que está por detrás desta fecundidade que a mãe/cidade dispensa ao filho/povo; é Ele o pai que dá vida abundante e plena, que o acaricia e consola como uma mãe. Daí a alegria.

ATUALIZAÇÃO • Esta proposta de “consolação” vem de Deus através do testemunho profético. É através do profeta que Deus atua no mundo, que consola os corações feridos, que revitaliza a esperança … Todos os crentes são profetas e todos comungam desta missão. • Deus é o pai que dá vida em abundância e a mãe que acaricia e consola. É este Deus de amor que procuramos testemunhar, com palavras e com gestos?
• O medo e a angústia não podem ser os nossos companheiros de viagem, pois Deus nos acompanha, nos acaricia, nos consola e que faz nascer para nós, dia a dia, esse mundo novo de vida plena e abundante.

EVANGELHO (Lc 10,1-12.17-20) Naquele tempo, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. comei do que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. ... Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.

AMBIENTE - A história do envio dos 72 discípulos é uma tradição exclusiva de Lucas. Trata-se de uma catequese através da qual Lucas propõe, aos discípulos de todas as épocas, uma reflexão sobre a missão da Igreja pelo mundo.

MENSAGEM - Lucas ensina que o cristão tem de continuar a missão de Jesus, tornando-se testemunha dessa proposta de salvação/libertação que Cristo veio trazer. O número 72 trata-se de um número simbólico, onde se refere à totalidade das nações pagãs que habitam a terra. Significa que a proposta de Jesus é destinada a todos os povos.
Depois, os discípulos foram enviados dois a dois. Trata-se de valor jurídico (cf. Dt 17,6; 19,15); e que o anúncio do é uma tarefa comunitária. Os discípulos são enviados às localidades onde Jesus “devia de ir”. A tarefa dos discípulos não é pregar a sua própria mensagem, mas preparar o caminho de Jesus e dar testemunho d’Ele.
Depois, há um aviso: os discípulos são enviados “como cordeiros para o meio de lobos”. Aqui, expressa a situação do discípulo, frente à hostilidade do mundo. Há uma exigência de pobreza e simplicidade para os discípulos em missão: os discípulos não devem levar consigo nem bolsa, nem alforje, nem sandálias; não devem deter-se a saudar ninguém pelo caminho; também não devem saltar de casa em casa. As indicações de não levar nada para o caminho sugerem que a força do Evangelho não reside nos meios materiais, mas na força libertadora da Palavra; a indicação de não saudar ninguém pelo caminho indica a urgência da missão (nas intermináveis saudações típicas); não devem saltar de casa em casa sugere que a preocupação deve ser à missão e não o encontrar uma hospitalidade mais confortável.
Qual o anúncio? “A paz”. É o anúncio desse mundo novo de fraternidade, de harmonia com Deus e com os outros, de bem-estar, de felicidade. Esse anúncio deve ser complementado por gestos concretos de libertação.
A “queda de Satanás” significa que o reino do mal começa a desfazer-se, em confronto com o Reino de Deus).
Apesar do êxito da missão, Jesus adverte: eles não devem ficar contentes pelo poder que lhes foi confiado, mas sim porque os seus nomes estão “inscritos no céu”.

ATUALIZAÇÃO • Os discípulos são responsáveis pela continuação do projeto de Jesus.
• O ser “cordeiro no meio de lobos” e o não levar “nem bolsa, nem alforje, nem sandálias” sugere que o anúncio do Reino não depende do poder dos instrumentos utilizados
• O “não andeis de casa em casa” sugere que o missionário deve contentar-se com aquilo que põem à sua disposição e viver com simplicidade e sem exigências; a sua prioridade é o anúncio do Reino: tudo o mais é secundário.
• O anúncio do “Reino” não se esgota em palavras, mas deve ser acompanhado de gestos concretos… O missionário tem de mostrar nos seus gestos o amor, o serviço, o perdão, a doação que ele anuncia em palavras (se isso não acontecer, o seu testemunho é oco, hipócrita, incoerente e não convencerá ninguém).

SEGUNDA LEITURA (Gl 6,14-18) Irmãos, quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do Senhor Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo. Doravante, que ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus.

AMBIENTE - Já dissemos qual a questão: face às exigências dos “judaizantes” (os cristãos, além de acreditar em Cristo, devem cumprir a Lei de Moisés), Paulo considera que só Cristo interessa e que tudo o resto são desnecessários.

MENSAGEM - Para Paulo, o único título de glória que interessa é a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Falar da “cruz de Jesus Cristo” é falar do dom total da vida, da entrega de Si mesmo por amor. Esse (e não a circuncisão) é que é o grande objetivo de Paulo, pois é a morte para o egoísmo e o nascimento para o amor (cumpridos na cruz) que fazem surgir o “Homem Novo”, o “Israel de Deus”, o novo Povo de Deus.
Na identificação do cristão com o Cristo da cruz – amor total – fará surgir um Homem Novo, liberto do egoísmo, capaz de amar sem medida. Esse Homem Novo, imagem de Jesus Cristo, será capaz de superar o pecado e a morte e de chegar à vida plena, à felicidade total.
De resto, o próprio Paulo luta pessoalmente para chegar a esse objetivo. Aliás, ele já leva “no seu corpo as marcas de Jesus”; as marcas do sofrimento por causa do Evangelho mostram que Paulo pertence a Cristo, que é propriedade d’Ele.

ATUALIZAÇÃO • Cada crente é um enviado a testemunhar o Cristo da cruz a todos os homens
• Quais são os nossos títulos de glória: a conta bancária, os diplomas universitários, o estatuto social, o êxito profissional, a visibilidade nas festas? Ou são os gestos de amor, de partilha, de doação, de entrega e as feridas recebidas a lutar pela justiça, pela verdade e pela paz?

A paz é consequência da graça santificante, como a violência, em qualquer das suas manifestações, é consequência do pecado.
A vida do cristão converte-se, então, numa luta alegre por rejeitar o mal e alcançar Cristo. Nessa luta, encontra uma segurança cheia de otimismo, mas quando pactua com o pecado e os seus erros, acaba por perdê-la, e converte-se numa fonte de mal-estar ou de violência para si próprio e para os outros.
Unicamente em Cristo encontraremos a paz de que tanto necessitamos para nós mesmos e para que os que estão mais perto. A presença de Cristo no coração dos seus discípulos é a origem da verdadeira paz, que é riqueza e plenitude, e não simples tranquilidade ou ausência de dificuldades e de luta. São Paulo afirma que o próprio Cristo é a nossa paz (Ef 2,14); possuí-Lo e amá-Lo é a origem de toda a serenidade verdadeira.
Ide! Mas, logo a seguir, o Senhor fala que nós iremos como cordeiros para o meio dos lobos. Quanto perigo! Contudo, não precisamos temer porque vamos bem unidos ao nosso Pastor.


LOUVOR: (QUANDO O PÃO CONSAGRADO ESTIVER SOBRE O ALTAR)
Pres.- O SENHOR ESTEJA COM TODOS VOCÊS... DEMOS GRAÇAS AO SENHOR, O NOSSO DEUS...
Pres.-  COM JESUS, POR JESUS E EM JESUS, LOUVEMOS AO PAI:
T: Pai, grande é o vosso amor e imensa a vossa misericórdia.
Pres.- “Pai, nós Vos damos graças pela cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.  A Cruz que era um instrumento de morte, tornou-se para nós a origem de uma nova criação. Nós vos pedimos por todos os nossos irmãos que trazem no seu corpo a marca dos sofrimentos. Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo lhes dê força e os auxilie em sua caminhada.
T: Pai, grande é o vosso amor e imensa a vossa misericórdia.
Pres.- “Senhor, nosso Deus, bendito sejais pelo vosso Filho Jesus, pelos setenta e dois discípulos e todos os missionários que nos revelaram a presença do vosso Reino. Nós vos bendizemos, porque os nossos nomes estão inscritos nos céus. Senhor, nós vos pedimos: que o vosso reino venha, haja paz nas nossas casas! Enviai operários para a vossa seara”.
T: Pai, grande é o vosso amor e imensa a vossa misericórdia.
Pres.- Pai, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. São tantos os que receberam o batismo, mas poucos assumem a sua missão de ser anunciador da Boa-nova. Ajudai-nos em nossas fraquezas para possamos cumprir a vossa vontade. Vinde sempre em nosso auxílio.
T: Pai, grande é o vosso amor e imensa a vossa misericórdia.
Pres.-  Pai nosso... Eis o Cordeiro de Deus...